Um ano de energia solar na Apremavi

Um ano de energia solar na Apremavi

Um ano de energia solar na Apremavi

Em março de 2021 a Apremavi celebrou um ano de solarização. A sede, que já contava com placas solares para aquecimento de água, instalou no ano passado, 80 painéis fotovoltaicos para produção de energia.

Os primeiros meses foram de adaptação (veja gráfico abaixo), mas pode-se observar que mesmo nos meses de inverno, onde a incidência solar é menor, o saldo final entre produção e consumo é positivo. A energia produzida é capaz de suprir o consumo de toda a estrutura do Viveiro Jardim das Florestas, do Centro Ambiental e das outras bases da Apremavi em Santa Catarina, como o escritório administrativo em Rio do Sul.

Gráfico de produção e cinsumo de energia solar.

Gráfico de Energia Solar: produzida, consumida e saldo gerados. Fonte: indicadores de desempenho da Apremavi.

Como a energia solar provém do sol, ela é considerada uma fonte limpa e renovável. Os painéis solares têm uma vida útil de mais de 20 anos e tem baixa necessidade de manutenção. Após os custos iniciais com instalação, estima-se que os gastos com a conta de luz tenham uma queda de 95%.

Com a crise climática cada vez mais grave, iniciativas que investem em energias renováveis e alternativas são um passo na direção certa. As mudanças nos modelos de produção, consumo e acesso a energia fazem parte do Objetivo 7, Energia Limpa e Acessível, nos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esse objetivo preza por garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável para todos.

Edinho Pedro Schaffer, Presidente da Apremavi, afirma que os resultados alcançados até aqui mostram que a instalação dos painéis solares foi muito benéfica: “de maneira geral, em um ano já produzimos mais de 30 megawatts de energia e com isso Apremavi já economizou mais de 4 mil reais em conta luz. Possuímos crédito disponível para utilizar nos próximos meses, onde a produção de energia é menor por conta do inverno. Isso confirma que o investimento é sim vantajoso, além de ser um exemplo, pois investimentos nessa linha são cada vez mais importantes para a garantia do nosso futuro”, completa Edinho.

Para a Apremavi, organização que implementa a Agenda 2030 no seu dia-a-dia e acompanha o debate dos ODS via Movimento ODS SC, a instalação dessa fonte de energia renovável e sustentável é apenas um dos meios de combater o aquecimento global e a crise climática. O plantio de árvores nativas para restauração de áreas degradadas é outra forma, por exemplo.

Autora: Gabriela Schäffer.

Aroeira-vermelha, uma pimenta aromática do Brasil

Aroeira-vermelha, uma pimenta aromática do Brasil

Aroeira-vermelha, uma pimenta aromática do Brasil

A Aroeira-vermelha, conhecida cientificamente por Schinus terebinthifolia, é natural da América do Sul e, no Brasil, ocorre desde Pernambuco e Mato Grosso do Sul até o Rio Grande do Sul, podendo ser encontrada nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.

Considerada uma árvore de pequeno a médio porte, com altura entre 5 a 10 metros, é bastante utilizada na arborização urbana, raramente precisando de poda. Quando necessária, a poda deve ser feita com cuidado para evitar danos à árvore e exposição de “feridas” que deixam uma porta de entrada para organismos (fungos, cupins, etc.) danosos. Suas flores são esbranquiçadas, melíferas e muito apreciadas por abelhas e vespas, que fazem a polinização da espécie. Floresce entre os meses de setembro a janeiro.

A madeira, resistente e durável, pode ser manuseada para fazer mourões, esteios, lenha e carvão. Sua casca contém taninos e é utilizada para curtimento de couros e fortalecer redes de pesca. Antigamente, os jesuítas usavam a aroeira no preparo do chamado “Bálsamo das Missões”, tanto é que até hoje sua casca e suas folhas são aproveitadas em preparações com propriedades medicinais*.

A aroeira também é chamada de pimenta-rosa por conta do seus frutos, que são drupas globosas de coloração vermelha brilhante. Disseminados e apreciados pelos pássaros, são colhidos diretamente da árvore quando estão maduros, entre janeiro e julho, e, por possuírem pouca polpa, podem ser utilizados como se fossem “sementes”. Estima-se que um quilo de sementes contém aproximadamente 44 mil unidades de aroeira. Por esse motivo a espécie possui um alto valor econômico sendo recomendada nos plantios de restauração de áreas degradadas.

Usada na culinária, a pimenta-rosa é um condimento aromático e saboroso, levemente adocicado e picante, sendo empregada tanto na cozinha salgada, como também na confeitaria, onde se fazem até brigadeiros de aroeira-vermelha. Já pensou? Hummm…

Aroeira-vermelha

Nome científico: Schinus terebinthifolia Raddi.
Família: Anacardiaceae.
Utilização: árvore ornamental, muito indicada para arborização de ruas e praças. A casca é utilizada para curtimento de couro e fortalecimento de redes de pesca. As flores são melíferas, os frutos são muito apreciados pela avifauna e as sementes são usadas na culinária. A madeira é empregada para fazer mourões, esteios, lenha e carvão.
Coleta de sementes: entre janeiro e julho, diretamente da árvore quando maduros.
Número de sementes por quilo: 44.000.
Frutos: drupas globosas de cor vermelho brilhante quando maduras, agrupados em cachos, com pouca polpa, muito aromáticos, de sabor levemente picante e adocicado.
Flores: pequenas, numerosas e de cor branca.
Floração: entre setembro e janeiro e atraem abelhas.
Crescimento da muda: rápido.
Germinação: rápida, entre 10 a 15 dias.
Plantio: mata ciliar, paisagismo urbano e plantio comercial.

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações de profissionais habilitados.

Fontes consultadas

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. 5ª edição.

​ROSSETO, V.; SAMPAIO, T. M.; OLIVEIRA, R.; GRALA, K. A Aroeira-vermelha. Disponível em <https://sites.unipampa.edu.br/programaarborizacao/aroeira-vermelha/>. Acesso em 12, abril e 2021.

Pastoral dos Migrantes planta árvores nativas com apoio da Apremavi

Pastoral dos Migrantes planta árvores nativas com apoio da Apremavi

Pastoral dos Migrantes planta árvores nativas com apoio da Apremavi

Para celebrar o mês das águas e das florestas, a Pastoral dos Migrantes, da Diocese de Rio do Sul, promoveu uma ação de plantio de mudas nativas, envolvendo 12 famílias de migrantes haitianos e venezuelanos que moram na região.

A Apremavi fez a doação de 408 mudas de espécies da Mata Atlântica, muitas delas frutíferas, com apoio do Projeto Bosques de Heidelberg. As mudas foram plantadas nos quintais e jardins das casas das famílias.

A ação foi coordenada pela Irmã Carmela Panini, que tem um histórico de atividades em prol da qualidade de vida e do meio ambiente. Que essa ação possa inspirar muitas outras.

 

Migrantes haitianos e venezuelanos plantam árvores nativas em ação coordenada pela Pastoral dos Migrantes.

Autora: Miriam Prochnow.

Março de 2021, um mês pra lá de simbólico

Março de 2021, um mês pra lá de simbólico

Março de 2021, um mês pra lá de simbólico

Imersa em uma desafiadora realidade, a humanidade enfrenta não apenas a crise da pandemia, mas também a climática, da exclusão social e dos preconceitos. Em pleno 2021, o mês de março, com tantos dias internacionais de luta, como o Dia Internacional da Mulher, Dia Internacional das Florestas e Dia Mundial da Água, não pode ser encarado apenas como um mês simbólico. Deve servir de fato para ressaltar a importância dessas pautas na busca da transformação da sociedade. É momento de lançar e fortalecer redes, coalizões, movimentos e iniciativas a fim de mitigar o preconceito de gênero, combater a violência e estimular as ações de proteção e restauração das florestas e da água.

Países liderados por mulheres tiveram desempenho destacado no combate à pandemia, e estão vendo relativamente menos mortes pela covid-19. De igual modo, são elas que lideram pesquisas e produções na academia, grande parte das lutas por políticas públicas inclusivas, pelos direitos humanos e também protagonizam o combate à crise climática, a maior ameaça ao futuro das espécies; sobretudo, a humana. Queremos aqui também dar destaque ao papel das mulheres na agenda da restauração, começando pelo time de casa. Vejam só quantos depoimentos importantes. A Apremavi está prestes a lançar uma série de histórias chamada “Mulheres que Restauram”. Será uma das formas também de participação das atividades da Década da Restauração.

A Apremavi esteve presente também num debate internacional sobre a importância da atuação das mulheres na defesa da vida. No dia 17 de março de 2021, Miriam Prochnow participou do evento paralelo “Protegendo o planeta e as pessoas – Vozes de Mulheres Ambientalistas, Defensoras dos Direitos Humanos“, organizado pela delegação da União Européia junto à ONU, por ocasião da 65ª sessão da Comissão sobre o Status da Mulher (CSW65). Foi um evento com cinco mulheres cujo trabalho, em diferentes partes do mundo e abordando problemas ambientais muito diferentes, está fazendo a diferença para a proteção do planeta e das pessoas. O painel de discussão proporcionou oportunidades de ouvir sobre suas experiências e os desafios específicos das mulheres defensoras dos direitos humanos ambientais em todos os continentes. O objetivo foi contribuir para o tema prioritário da 65ª Sessão, trazendo recomendações sobre como promover a participação e a tomada de decisões de mulheres defensoras dos direitos humanos ambientais na vida pública e para garantir sua proteção. O evento teve o apoio da Missão Permanente dos Estados Unidos, Front Line Defenders e FRIDA Young.

Para quem não teve a oportunidade de acompanhar o evento ao vivo, segue abaixo a fala principal feita por Miriam e também o vídeo com todo painel.

“Nós só sobreviveremos como espécie se a natureza puder viver. Eu ainda acredito num futuro sustentável, mas ele só será possível com equidade de gênero, solidariedade, justiça climática e muito ativismo” – Miriam Prochnow para o evento da ONU Mulheres.

Mulheres conectadas, como árvores na floresta

“Cumprimento todas e todos e agradeço a oportunidade de compartilhar um pouco das minhas vivências e sentimentos, nesse momento tão difícil para o planeta e especialmente difícil para o Brasil. Aqui temos defensoras ambientais e de direitos humanos e da natureza. É triste constatar que atualmente tanto as defensoras, quanto a natureza e os direitos humanos estão sob constante ameaça.

O Brasil, infelizmente, está colapsando. Detém recordes mundiais de ataques a ativistas e estamos vivenciando retrocessos enormes na agenda socioambiental, com altos índices de desmatamentos e queimadas em praticamente todos os biomas brasileiros e desmonte da legislação e das instituições responsáveis. Nossa democracia está em perigo e parece que o uso de fakenews e do negacionismo viraram uma forma de governar. A falta de coordenação nacional da pandemia só piora esse quadro e já passamos do triste número de 280 mil mortos pela Covid 19. A situação para as mulheres é grave, os índices de violência doméstica aumentaram e foram as mulheres que mais perderam postos de trabalho nesse período.

Esse é um pequeno resumo. Diante disso aonde vamos achar a esperança? A educação, inclusive a educação ambiental, é uma resposta óbvia e é uma das ferramentas mais efetivas de empoderamento. A questão é como fazer com que todos tenham acesso a uma educação de qualidade? Precisamos pensar e investir em processos educativos para além da educação formal. É preciso apoiar cada vez mais as redes e comunidades de aprendizagem, promovendo a inclusão e garantindo a participação efetiva. Não adianta fornecer uma ótima capacitação online, se as pessoas não tem nem computador ou internet. Eu acredito muito nessas redes de integração. São espaços de aprendizagem, mas também de acolhimento e de proteção. Eu já fui ameaçada várias vezes, inclusive de morte, e sei da importância de ter informações sobre como enfrentar essa situação, bem como ter apoio para garantir a segurança. Essas são estratégias que merecem atenção e investimento, inclusive em se tratando de acordos e parcerias internacionais.

Essas redes também podem ajudar na reconstrução pós covid e no enfrentamento da crise climática. Nós temos muitas soluções disponíveis e elas podem e devem ser utilizadas para a implantação de uma economia mundial que seja sustentável, verde e inclusiva. Por exemplo, envolver as mulheres nas atividades de desenvolvimento e instalação de energias sustentáveis como a solar e também nas atividades da cadeia produtiva da restauração, será decisivo para o empoderamento e transformação. Eu falo de restauração porque é uma das minhas frentes de trabalho. Sou uma ativista boca no trombone e mão na massa. Na Apremavi, organização da qual sou fundadora, ajudei a implantar um viveiro de mudas de árvores nativas, que começou com 18 mudinhas no fundo do quintal e hoje tem capacidade para produzir mais de 1 milhão de mudas da Mata Atlântica por ano. Temos milhares de parceiros, muitas mulheres, que já estão engajadas na agenda da restauração e por isso eu entendo a força e o potencial dessa agenda.

Como dizemos na comunidade de aprendizagem de gênero e clima, no âmbito do Observatório do Clima, da qual eu faço parte: “Nós mulheres não somos nem salvadoras do planeta, e nem naturalmente vulneráveis. Vivenciamos a crise climática de formas diferentes: depende da cor, classe, sexualidade, faixa etária e tantas outras questões. Nossa relação com a preservação da vida e da natureza não é uma inclinação biológica. É uma questão existencial e política”.

Eu quero de fato encorajar cada vez mais as redes de aprendizagem, de convivência e de proteção. E sim, nós precisamos de apoio para avançar. Precisamos de oportunidades de falar (como esse evento está fazendo) para que mulheres compartilhem as suas histórias; de projetos nos quais as mulheres tenham protagonismo no planejamento das propriedades e paisagens; ações que incentivem jovens mulheres a ocuparem cargos públicos; que criem campanhas e ações para reaproximar as mulheres da natureza e de suas soluções; que ajudem a cuidar dos espaços democráticos, inclusivos e de diálogo.

Como seria interessante, por exemplo, termos um aplicativo de celular que conecte mundialmente todas as defensoras e ativistas pelo planeta, possibilitando que as mulheres estejam conectadas, como as árvores numa floresta. Mulheres indígenas, quilombolas, extrativistas, agricultoras, professoras, estudantes, enfim…todas. Precisamos dessa conexão mundial para a defesa dos direitos das pessoas e do planeta.”

Vídeo transmissão do evento “Protegendo o planeta e as pessoas – Vozes de Mulheres Ambientalistas, Defensoras dos Direitos Humanos“, organizado pela delegação da União Européia junto à ONU.

Autora: Miriam Prochnow.

Apremavi lança Relatório de Atividades de 2020

Apremavi lança Relatório de Atividades de 2020

Apremavi lança Relatório de Atividades de 2020

O ano de 2020 foi desafiador e o Relatório de Atividades da Apremavi, que acaba de ser divulgado, reflete cada um dos desafios que o ano trouxe. Além disso, reporta as ações e atividades realizadas pela instituição na consolidação da agenda da restauração, no enfrentamento à crise climática, na manutenção das políticas ambientais, no fortalecimento das redes e coletivos socioambientais, na busca pela sustentabilidade em todas as esferas e na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS.

Mesmo que em isolamento, trabalhamos em união com a nossa equipe e nossa comunidade para cumprir com as metas de cada um dos projetos que desenvolvemos e para viabilizar a agendas das seis áreas temáticas com as quais atuamos. O trabalho integrado com diversas organizações do terceiro setor e parceiros da iniciativa privada, com o poder público e com instituições acadêmicas também foi fundamental para viabilizar todas as ações desenvolvidas.

O Relatório de Atividades de 2020, que pode ser acessado na íntegra nesse link, é apresentado por Noemia Bohn, Miriam Prochnow, Orival Grahl, Philipp Stumpe e Wigold Bertoldo Schäffer – fundadores da Apremavi e pode ser lido abaixo.

Carta dos Fundadores

No final de 2019, quando falamos que estávamos preparados para o ano de 2020, nós na verdade não fazíamos ideia do que estava por vir…

Falar de 2020 é inevitavelmente falar sobre a Covid-19. Ainda que os meses de janeiro e fevereiro estivessem indo de vento em popa, a pandemia chegou e tudo foi colocado em pausa. Atividades de campo, encontros com a comunidade, reuniões e palestras, mutirões de plantio… muitos dos nossos planos foram adiados, alguns foram reajustados e passaram a ser virtuais, outros ficaram para depois e tivemos também planos novos tendo que ser implementados. Por isso o ano de 2020 teve uma cara diferente, um jeitão todo dele. E isso está refletido neste Relatório de Atividades.

Ao mesmo tempo em que nos mantemos ativistas frente às catástrofes socioambientais, tentamos mostrar que existem maneiras de proteger e utilizar os recursos naturais de forma sustentável. Isso tem ajudado a conseguir o engajamento das pessoas, mas o momento nos mostra que precisamos de muito mais. E a pandemia que estamos enfrentando indica que é necessário e urgente rever nossos conceitos e valores.

Por um lado, o enfrentamento da Covid-19 está mostrando que o mundo tem condições de se mobilizar para combater e evitar catástrofes, uma vez que a maioria dos países, de alguma forma, vem se mobilizando e grande parte da população entendeu e está participando dessa mobilização. Essa é uma boa notícia. Por outro lado, infelizmente no Brasil, temos um governo que nega a ciência, adota práticas antidemocráticas, não se importa com a vida das pessoas e está promovendo o maior desmonte ambiental de nossa história. Isso nos coloca diante de um desafio a mais a ser superado. E ainda nem mencionamos a crise climática, que está quase chegando no ponto de não retorno.

Se atentarmos para o que dizem a unanimidade dos cientistas, veremos que os efeitos das mudanças climáticas poderão ser, no médio e longo prazo, muito mais sérias e seus efeitos muito mais devastadores, não apenas para os humanos mas para toda a vida na Terra. Apenas para lembrar, os seis anos mais quentes da história ocorreram de 2015 até 2020, sendo que 2016 e 2020 empataram como sendo os mais quentes.

A diferença em relação à pandemia da Covid-19 é que os efeitos das mudanças climáticas não são sentidos assim tão rapidamente e isso tem resultado, em que pese todos os alertas dos cientistas, ambientalistas e de jovens como Greta Thunberg, em letargia, falta de mobilização e ação dos atores políticos e empresariais, com honrosas exceções.

Diante da dura realidade que o coronavírus está impondo é hora de pensar no mundo que vai emergir após a pandemia. Os mesmos atores que agora lutam para salvar vidas humanas e evitar que a economia entre em colapso, terão que trabalhar para que a retomada das relações sociais e econômicas realmente seja num rumo muito mais sustentável e com maior empatia, colaboração, parceria, diálogo e solidariedade do que tem sido até hoje.

Não é possível imaginar que o mundo saia dessa catástrofe sanitária e continue no rumo do abismo. Os riscos existem e tem muita gente pensando em como reorientar a economia num modelo mais sustentável. A natureza precisa de toda a sociedade, num movimento urgente para evitar que os retrocessos se concretizem. Somente com a proteção e restauração da Mata Atlântica e dos outros biomas brasileiros, teremos alguma chance de combater os efeitos da grave crise climática em andamento.

Existem inúmeras ações que precisam ser implementadas, rumos corrigidos, parcerias e colaborações estabelecidas. Só a paz, a solidariedade, a democracia e a colaboração entre pessoas, empresas, governos, países, ouvindo a voz dos cientistas e corrigindo os erros do passado, poderão levar ao caminho da sustentabilidade ambiental planetária e, dessa forma, garantir a continuidade da vida, inclusive dos humanos, neste planeta azul, único lugar conhecido do universo onde a vida floresce.

Acesse os Relatórios

Acesse os documentos na íntegra:

Autora: Carolina Schäffer.

Sem água não existe vida, precisamos valorizar esse bem precioso

Sem água não existe vida, precisamos valorizar esse bem precioso

Sem água não existe vida, precisamos valorizar esse bem precioso

O Dia Mundial da Água foi criado em 1992 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, para estimular ações e campanhas de conscientização sobre a necessidade da conservação, valorização e uso racional dos recursos hídricos, um dos preceitos dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). O tema da campanha deste ano é “Valorizar a Água”. A Apremavi se junta a inúmeras organizações e pessoas para trazer este alerta aos líderes e à sociedade em geral. Não existe vida sem água e precisamos dar o valor devido a esse bem precioso para todos nós.

Entre as ações em curso no dia de hoje estão o plantio de árvores no Parque Natural Municipal Chapéu das Águas em Vidal Ramos; o lançamento do vídeo “Histórias do Rio Dona Luiza” que marca a participação da Apremavi na campanha pela Declaração dos Direitos dos Rios coordenada pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social – FMCJS; o evento virtual “O Canto das Águas: Pela Proteção de Rios Limpos e Livres no Brasil”; e a live Diálogos Sempre Verdes organizada pelo Galo Verde.

Veja os detalhes das ações abaixo.

 

Plantio de 3 mil árvores nativas

Na manhã desta segunda-feira, dia 22 de março, a Apremavi plantará 3.340 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica para restaurar 3,34 hectares do Parque Natural Municipal Chapéu das Águas, em Vidal Ramos (SC).

A ação é uma realização do Projeto Restaura Alto Vale, executado pela Apremavi com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Iniciado em 2018, o Projeto já restaurou 218 hectares em 589 propriedades localizadas em 34 municípios das regiões do Alto e Médio Vale do Itajaí e Planalto Norte de Santa Catarina.

O Restaura Alto Vale é uma ótima oportunidade para o agricultor familiar recuperar as áreas de preservação permanente, especialmente as beiras de rios e nascentes, de sua propriedade e adequar-se à legislação ambiental.

 

Campanha pela Declaração dos Direitos dos Rios

Liderada pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS), a mobilização pela Declaração Universal dos Direitos dos Rios é um chamado para a sociedade criar uma onda de publicações de vídeos nas redes sociais tendo como tema prioritário a importância dos rios nas nossas vidas.

Para participar é só gravar um pequeno depoimento contando uma história que envolva algum rio que marcou ou marca a sua vida. Pode mostrar um rio preservado e falar da sua importância, ou um vídeo denúncia, mostrando alguma situação crítica.

Ao postar o vídeo nas redes sociais, sugerimos usar as #declaraçãodosdireitosdosrios #riodaminhavida e marcar a @apremavi e o @fmcjs.

Você também pode apoiar a campanha assinando a Declaração Universal dos Direitos dos Rios. Para assinar acesse este link.

 

#RioDaMinhaVida

Histórias do Rio Dona Luiza é um vídeo depoimento da vice-preidente da Apremavi, Miriam Prochnow, sobre momentos vivenciados junto a esse rio. Ela fala da importância de se proteger e restaurar as nascentes e matas ciliares e da necessidade de todas as pessoas se tornarem atuantes no trabalho de valorização dos rios e suas águas. Mostra um exemplo de restauração que ela ajudou a implementar, em Atalanta (SC). O vídeo marca a participação da Apremavi na campanha pela Declaração dos Direitos dos Rios.

O Canto das Águas: Pela Proteção de Rios Limpos e Livres no Brasil

Para celebrar a importância dos rios e reconhecer ações de resistência e de cuidado com as águas em todos os biomas brasileiros, a Coalizão pela Proteção Permanente de Rios no Brasil, com apoio da ONG International Rivers e do FMCJS, realizará às 17h de hoje, 22 de março, o evento virtual “O Canto das Águas: Pela Proteção de Rios Limpos e Livres no Brasil”.

No evento serão apresentados vídeos destacando a necessidade de ações para proteção e iniciativas inovadoras de restauração dos rios em diversas regiões, e uma mesa com participantes que possuem olhares diferenciados e essenciais sobre o tema.

Acompanhe o webinário pelo Canal Youtube do FMCJS.

#Live Diálogos Sempre Verdes

Diálogos Sempre Verdes é uma iniciativa do Programa Ambiental Galo Verde , um projeto ecumênico do Sínodo Vale do Itajaí (IECLB) que conta com a participação e a colaboração de pessoas e entidades preocupadas com a causa ambiental.

Na edição do dia 22 de março, os moderadores Evandro Meurer e Felipe Gruetzmacher receberão o Coordenador Geral da Rede Mata Atlântica, João de Deus Medeiros, e o Conselheiro da Apremavi, Wigold B. Schäffer, para um bate-papo sobre a importância do Parque Nacional de São Joaquim e suas nascentes para o abastecimento hídrico da população.

Acompanhe a live, a partir das 20h, no Facebook do Programa Galo Verde.

Autoras: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow.

Programa Matas Sociais ajuda a restaurar mais 8 hectares em Sapopema (PR)

Programa Matas Sociais ajuda a restaurar mais 8 hectares em Sapopema (PR)

Programa Matas Sociais ajuda a restaurar mais 8 hectares em Sapopema (PR)

Ao todo, 11.286 mudas nativas da Mata Atlântica serão doadas pela Apremavi, através do Programa Matas Sociais – Planejando Propriedades Sustentáveis, para a restauração, plantio de agrofloresta, paisagismo e enriquecimento de uma propriedade do município de Sapopema, no Paraná.

Os proprietários, Laércio Gomes Sardinha e sua esposa Isabel Lisandra de Sales, residentes em Londrina (PR), adquiriram a propriedade em 2020, até então utilizada para a pecuária. Após conhecerem os benefícios e as oportunidades do Programa Matas Sociais, decidiram restaurar um pouco mais de 08 hectares da propriedade com o plantio de espécies nativas da região e colocar em prática um sonho do casal.

 “Cresci na região, então meu sonho sempre foi comprar uma propriedade e ajudar a promover uma mudança na paisagem local utilizando as técnicas de restauração para devolver o verde, cuidar das águas e trazer de volta a fauna. Futuramente também queremos morar na propriedade”, comentou Laércio.

Situado no Bairro Serra Fria, o imóvel apresenta uma relevante riqueza hídrica – possui 05 nascentes que formam, juntamente com outras nascentes de propriedades vizinhas, um volume hídrico significativo para a região. Além do interesse na restauração das áreas degradadas e no desenvolvimento de técnicas produtivas sustentáveis, o casal também pretende desenvolver o turismo rural e ecológico na propriedade.

A primeira visita da equipe da Apremavi à área, em novembro de 2020, foi para realização do planejamento da restauração e as primeiras mudas foram disponibilizadas logo em seguida, em dezembro de 2020. Além da Apremavi, a comunidade local e os parceiros do programa, a Klabin e o SEBRAE, foram mobilizados para colocar a mão na terra e ajudar os proprietários no plantio das mudas nas áreas antes ocupadas com pastagem.

Árvores recém plantadas na propriedade de Sapopema (PR). Foto: Laércio Gomes Sardinha.

O Programa Matas Sociais

O Programa Matas Sociais – Planejando Propriedades Sustentáveis, é resultado de uma parceria entre a Klabin, a Apremavi, o SEBRAE, e as prefeituras dos municípios da região de atuação do projeto, entre eles Sapopema (PR). Além da recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal e da conservação de remanescentes florestais, a iniciativa busca conciliar beleza e qualidade de vida com produtividade e rentabilidade, através da agricultura familiar, desenvolvimento da cadeia de produção e fortalecimento do empreendedorismo local.

Conheça mais sobre o programa aqui. 

Autores: Rafaela Cristine Sella Ertha, Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.

Matas Sociais realiza reuniões estratégicas para ampliar área de atuação

Matas Sociais realiza reuniões estratégicas para ampliar área de atuação

Matas Sociais realiza reuniões estratégicas para ampliar área de atuação

Nos dias 02 e 03 de março a equipe da Apremavi se reuniu virtualmente com representantes dos municípios de Otacílio Costa e Correia Pinto, localizados na Serra Catarinense, para apresentação do Matas Sociais, um programa de fortalecimento da agricultura familiar realizado no âmbito da parceria com a Klabin, a Apremavi, a Epagri e as prefeituras municipais. 

Além da apresentação das ações que o Matas Sociais pretende realizar nesses municípios, a fim de fortalecer a agricultura familiar, a reunião também foi um espaço de diálogo, identificação e aproximação de parceiros potenciais em cada região. O programa pretende priorizar um olhar nas questões ambientais e socioeconômicas através do planejamento de propriedades e paisagens.

Os encontros, que contaram ainda com a presença dos Prefeitos municipais, dos Secretários da Agricultura, de Meio Ambiente, da Educação e da Assistência Social, de técnicos de cada secretaria e da Epagri dos respectivos municípios, foram bem sucedidos. Em Otacílio Costa ficou encaminhada a criação de um Grupo de Trabalho para aprimorar a implementação do programa e, em Correia Pinto, serão agendadas visitas de mobilização às famílias em parceria com a Epagri.

O Programa Matas Sociais, em andamento no município de Otacílio Costa desde 2020, tem auxiliado os agricultores familiares tanto no apoio ao planejamento ambiental e na produção de olerícolas, bem como na comercialização dos produtos agrícolas. Um dos sucessos de 2020, por exemplo, foi a organização e a venda de cestas via delivery. Essa ação respeita as regras de segurança em função da pandemia de Covid-19 e está agregando renda aos agricultores.

Entrega de cesta com produtos da agricultura familiar – uma ação do Programa Matas Sociais. Foto: Arquivo Apremavi.

Autores: Daiana T. Barth e Leandro Casanova.
Revisão: Carolina Schäffer.

Encontro virtual substitui visita à Apremavi em período de pandemia

Encontro virtual substitui visita à Apremavi em período de pandemia

Encontro virtual substitui visita à Apremavi em período de pandemia

30 alunos dos cursos de Engenharia Florestal e Agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Campus de Curitibanos, participaram de um encontro virtual co-organizado pela Apremavi na última segunda-feira, 01 de março de 2021. O encontro faz parte da programação didática da matéria “Conservação e Uso da Biodiversidade”, ministrada pela professora Karine Louise dos Santos na UFSC.

Para cumprir com as regras de isolamento social em decorrência da pandemia de Covid-19, os colaboradores da Apremavi substituíram o que seria uma visita guiada pelo Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas por uma manhã com palestras virtuais.

De forma dinâmica e com apoio de muitas fotografias, Edegold Schaffer, Leandro da Rosa Casanova e Taís Fontanive conseguiram compartilhar o dia-a-dia da Apremavi dando destaque para as atividades desenvolvidas no Viveiro, como a produção de mudas nativas da Mata Atlântica que são usadas para restaurar áreas degradadas. Esse tema também abriu espaço para o compartilhamento das etapas do processo de restauração florestal e a discussão sobre a importância dessa atividade para a manutenção da biodiversidade.

O conselheiro da Apremavi, Wigold B. Schaffer, aproveitou o encontro para compartilhar informações sobre as políticas públicas e ações anti-ambientais que estão em curso e que ameaçam a integridade do Planeta, e também trouxe sugestões de como cada um pode ser ativista e contribuir para mudar a realidade em que estamos vivendo e garantir um futuro para a humanidade.

A professora Karine acredita que o encontro, mesmo que de forma remota, conseguiu instigar a atenção dos alunos ao possibilitar a partilha da paixão e do comprometimento da Apremavi com as atividades que desenvolve. “A Apremavi é uma associação comprometida há décadas com a conservação da biodiversidade e os recursos naturais, estando engajada em vários níveis com a causa ambiental. Sua atuação na produção de mudas de espécies nativas e seus projetos de restauração servem de inspiração para os futuros profissionais”, complementou Karine.

Autora: Taís Fontanive.
Revisão: Carolina Schäffer.

Programa Matas Legais auxilia produtor a restaurar APP em Curiúva (PR)

Programa Matas Legais auxilia produtor a restaurar APP em Curiúva (PR)

Programa Matas Legais auxilia produtor a restaurar APP em Curiúva (PR)

Com o anseio de restaurar uma área degradada em sua propriedade, Geferson Boschetti, proprietário rural do município de Curiúva (PR), procurou a Apremavi para entender qual a melhor forma de recuperar o espaço onde verte uma nascente e também a mata ciliar em torno de um rio que perpassa a sua propriedade.

Para entender melhor a demanda e realizar o planejamento da ação, técnicos do Programa Matas Legais estiveram na Chácara São Judas Tadeu no dia 17 de fevereiro. Na análise in loco, diagnosticaram uma área de preservação permanente (APP) degradada de 0,40 ha. Para ajudar o proprietário a restaurar a área com o plantio de mudas nativas, foram doadas 612 árvores da Mata Atlântica com diferentes níveis e velocidade de crescimento: pioneiras (50%), secundárias (25%) e clímax (25%), totalizando 50 espécies diferentes nesse primeiro momento. O plantio foi realizado no dia 26 de fevereiro.

Além de garantir a proteção da APP, o plantio de novas florestas com espécies nativas também contribui para a manutenção genética da flora da região, atrai a fauna, garante serviços ecossistêmicos, propicia renda aos proprietários de terra e protege as fontes e recursos hídricos.

Feliz em participar do Projeto Matas Legais, Geferson agradeceu o empenho e dedicação da equipe. “Procurei contato com o Matas Legais para a recuperação da nascente na minha propriedade, pois, para mim, a proteção da água é de extrema importância, essencial para nós agora e para o futuro. Fiquei feliz em conhecer a seriedade de todos os envolvidos no projeto em melhorar a preservação da água em inúmeras propriedades, juntamente com o incentivo vindo da parceria para os pequenos produtores”, destaca o proprietário.

Além da doação das mudas e assistência técnica necessária, a equipe da Apremavi prestou orientações acerca da legislação ambiental, cuidados com a delimitação de APP, restauração e manutenção das mudas a serem plantadas.

Registro da área restaurada. Foto: Arquivo Apremavi.

O Matas Legais

Matas Legais é um projeto da parceria entre a Apremavi e a Klabin que objetiva desenvolver ações de conservação, educação ambiental e fomento florestal, que ajudem a preservar e recuperar os remanescentes florestais nativos, a melhorar a qualidade de vida da população e a aprimorar o desenvolvimento florestal, tendo como base o planejamento de propriedades e paisagens.

A palavra legal procura traduzir dois sentidos: o de cumprimento da legislação ambiental e o de expressão de um lugar agradável, bonito e bom de se viver.

O projeto hoje tem duas frentes de atuação, uma em Santa Catarina e uma no Paraná, que trabalham no desenvolvimento de um modelo de planejamento de propriedades que leva em conta tanto a produção e o processo produtivo como a conservação dos ecossistemas e dos recursos naturais.

Autores: Weliton de Oliveira Machado e Vitor Lauro Zanellato.
Revisão: Carolina Schäffer.

Na Década da Restauração a sugestão é presentear com mudas nativas

Na Década da Restauração a sugestão é presentear com mudas nativas

Na Década da Restauração a sugestão é presentear com mudas nativas

O que parecia ser um pedido comum de mudas no Viveiro Jardim das Florestas, acabou se mostrando um exemplo de amor à natureza, do qual a Apremavi teve a honra de colaborar. As mudas de uvaia, cortiça-lisa e jabuticaba, que seguiram para a entrega na cidade de Rio do Sul (SC), escondiam uma surpresa.

Durante uma breve conversa, Leonir Raimundo Zago, que realizou a compra das mudas, contou para a colaboradora da Apremavi, Sirlene Ceola, que planejava presentear as árvores nativas à um amigo. O professor universitário, que também atua na área ambiental, disse que conheceu o trabalho da Apremavi logo que se mudou para Rio do Sul, quando procurou parceiros para trabalhar em prol da sustentabilidade. “Procurei conhecer objetivamente o trabalho desenvolvido pela Apremavi junto ao meio ambiente e pude constatar as excelentes ações em uma visão holística no planejamento, uso e práticas sustentáveis junto às propriedades rurais”, afirmou Zago.

Sensibilizados pelo discurso e atitude, Sirlene e os demais membros da equipe perguntaram também sobre como o professor analisa o papel de cada cidadão na defesa da natureza e promoção do desenvolvimento sustentável. “Vivemos em um planeta finito, todas as formas de vida dependem de ações sustentáveis, sobretudo, as práticas de Educação Ambiental transformadoras… é preciso também abordar temas transversais aos da questão ambiental, como a economia, a cultura e os hábitos cotidianos da sociedade”, respondeu Zago.

As mudinhas foram entregues em Rio do Sul no dia 23 de fevereiro. Foi a primeira viagem do veículo adquirido para auxiliar os trabalhos no Viveiro, que vão desde entrega de mudas, coleta de sementes, monitoramento de áreas degradadas e em restauração, até atividades administrativas.

A Apremavi deseja que essas mudas nativas cresçam fortes e formem uma bela floresta, trazendo muita beleza, sombra e frutos. Que esse exemplo chegue a mais pessoas e as motive! Na Década da Restauração e tendo em face a urgência da crise climática, gestos como esse fazem a diferença.

Leonir Raimundo Zago com as mudas nativas adquiridas no Viveiro Jardim das Florestas. Foto: Arquivo Apremavi.

Autores: Sirlene Ceola e Vitor L. Zanelatto.

A crise climática e a década da restauração – ou seria do colapso? Ainda depende de nós!

A crise climática e a década da restauração – ou seria do colapso? Ainda depende de nós!

A crise climática e a década da restauração – ou seria do colapso? Ainda depende de nós!

“Entendemos que o mundo é muito complexo e que mudanças não acontecem da noite para o dia. Mas vocês já tiveram mais de três décadas de blá-blá-blá. De quantas mais vocês precisam?” perguntou Greta Thunberg no dia 26 de janeiro de 2021, às elites econômicas e políticas mundiais reunidas no Fórum Econômico Mundial em Davos na Suíça.

Greta Thunberg, a jovem sueca de 18 anos que mobilizou milhões de pessoas ao redor do mundo nos últimos anos, sabe que não há mais desculpa, simplesmente porque não há mais tempo. Ou agimos agora ou nossos filhos e netos não terão a chance de agir e de viver neste planeta – e não existe outro.

Você está preocupado com o futuro da Terra? Bem, a perspectiva é pior do que até mesmo os cientistas podem imaginar”. É isso que aponta uma pesquisa que analisou mais de 150 estudos sobre o estado atual do mundo natural. O artigo, escrito por 17 cientistas da Flinders University, Stanford University e da University of California, Los Angeles, descreve as tendências futuras prováveis ​​no declínio da biodiversidade, extinção em massa, perturbação climática e toxificação planetária. Os cientistas esclarecem a gravidade da situação humana e fornecem uma fotografia atual das crises que devem ser tratadas agora. Os problemas, todos ligados ao consumo humano e ao crescimento populacional, quase certamente se agravarão nas próximas décadas. Os danos serão sentidos por séculos e ameaçam a sobrevivência de todas as espécies, incluindo a nossa.

Números não mentem

A pesquisa supracitada analisou o estado atual do meio ambiente global. Aqui estão alguns números:

  • houve uma redução pela metade da biomassa da vegetação desde a revolução agrícola, há cerca de 11.000 anos. No geral, os humanos alteraram quase dois terços da superfície terrestre da Terra;
  • cerca de 1.300 extinções de espécies foram documentadas nos últimos 500 anos, com muitas mais não registradas. De forma mais ampla, o tamanho das populações de espécies animais diminuiu em mais de dois terços nos últimos 50 anos, sugerindo que mais extinções são iminentes;
  • cerca de um milhão de espécies de plantas e animais estão globalmente ameaçadas de extinção. A massa combinada dos mamíferos selvagens hoje é menos de um quarto da massa antes dos humanos começarem a colonizar o planeta. Os insetos também estão desaparecendo rapidamente em muitas regiões;
  • 85% da área úmida global foi perdida em 300 anos, e mais de 65% dos oceanos foram comprometidos até certo ponto pelos humanos;
  • houve uma redução pela metade da cobertura de corais vivos nos recifes em menos de 200 anos e uma diminuição na extensão das ervas marinhas em 10% por década no último século;
  • cerca de 40% das florestas de algas diminuíram em abundância, e o número de grandes peixes predadores é menos de 30% daquele de um século atrás.

Uma situação ruim que continua piorando

A população humana atingiu 7,8 bilhões de pessoas – o dobro do que era em 1970 – e deve chegar a cerca de 10 bilhões até 2050. Mais pessoas significa mais insegurança alimentar, degradação do solo, poluição por plásticos e perda de biodiversidade.

As altas densidades populacionais também tornam as pandemias mais prováveis. Elas também geram superlotação, desemprego, escassez de moradias e deterioração da infraestrutura e podem desencadear conflitos que levam a insurreições, terrorismo e guerra.

O consumo ultrapassou a capacidade da Terra de se regenerar, cresceu de 73% em 1960 para mais de 170% hoje. Ou seja, estamos consumindo os recursos dos nossos filhos e netos.

Se não bastasse, tem a mudança climática. A ação humana já ultrapassou o aquecimento global de 1 ° C neste século, e quase certamente ultrapassará 1,5 ° C entre 2030 e 2052. Mesmo se todas as nações signatárias do Acordo de Paris ratificassem seus compromissos, o aquecimento ainda atingiria entre 2,6 ° C e 3,1 ° C em 2100.

As informações aqui apresentadas podem ser acessadas aqui.

As Nações Unidas declararam o período entre 2021 e 2030 como a Década da Restauração.

Década da Restauração de Ecossistemas (2021-2030)

A degradação dos ecossistemas terrestres e marinhos compromete o bem-estar de 3,2 bilhões de pessoas em todo o planeta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Isto significa que a degradação já afeta quase metade da população da Terra.

A conservação dos ecossistemas ainda preservados e a restauração de ecossistemas degradados são a melhor forma de enfrentar a crise climática, a perda de biodiversidade, a escassez hídrica e de alimentos

Esse é o motivo pelo qual a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que o período de 2021-2030 será a “Década da Restauração de Ecossistemas”, que tem como principal objetivo aumentar os esforços para restaurar ecossistemas degradados, criando medidas eficientes para combater a crise climática, alimentar, hídrica e da perda de biodiversidade.

Quando falamos em restauração de ecossistemas não estamos falando apenas das florestas. Segundo a representante do PNUMA no Brasil, Denise Hamú, muitas pessoas pensam nas florestas. “Elas estão sim ameaçadas e são vitais para o planeta e para o ser humano. Mas outros ecossistemas, a exemplo de pântanos, pradarias, savanas (como o cerrado brasileiro) e corais também estão entrando em colapso e são essenciais para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, que são a base da nossa sobrevivência enquanto espécie e sociedade. A Década da Restauração chega para canalizar soluções e esforços locais e globais, fortalecer parcerias, impulsionar ações (novas e já em curso) e intensificar a troca de conhecimentos e boas práticas em prol do nosso meio ambiente”, complementa Hamú.

É por todos esses motivos que a Apremavi está iniciando 2021 com força total. Precisamos encarar a crise climática como crise e para isso nossas ações devem ser concretas e responsáveis. Todos podem e devem fazer a sua parte, mudando hábitos e ajudando a implementar projetos ambientais.

Seja você também um ativista do clima e ajude a mudar o rumo do nosso Planeta.

Autor: Wigold B. Schäffer.

Retrospectiva Apremavi: um olhar sobre 2020

Retrospectiva Apremavi: um olhar sobre 2020

Retrospectiva Apremavi: um olhar sobre 2020

No final de 2019, quando falamos que estávamos preparados para o ano de 2020 nós na verdade não fazíamos ideia do que estava por vir. Falar de 2020 é inevitavelmente também falar sobre a Covid-19. Ainda que os meses de janeiro e fevereiro estivessem indo de vento em popa, a pandemia chegou e tudo foi colocado em pausa. Atividades de campo, encontros com a comunidade, reuniões e palestras, mutirões de plantio… muitos dos nossos planos foram adiados, alguns foram reajustados e passaram a ser virtuais, outros ficaram para depois. Mas de tudo que foi pausado, pelo menos até aqui, precisamos enfatizar que a nossa vida não foi pausada. Diferente das mais de 187 mil mortes até agora, temos a sorte e o privilégio de estarmos vivos, de podermos continuar dando o nosso melhor e de seguirmos construindo oportunidades de futuro.

Numa singela homenagem às vítimas de Covid-19, a Apremavi realizou no início de dezembro um plantio simbólico de 80 mudas nativas da Mata Atlântica. O plantio faz parte da campanha Bosques da Memória que acontece até junho de 2021.

Plantio de 80 mudas em homenagem às vítimas da Covid-19. A ação faz parte da Campanha Bosques da Memória. Foto: Arquivo Apremavi.

Além da pandemia, estamos vivendo um ciclo de devastação no Brasil que tem o aval do governo federal e vários governos estaduais. O resultado disso: recordes de desmatamento no país inteiro, inúmeros incêndios florestais em todos os biomas, retrocessos na legislação ambiental – inclusive na Mata Atlântica, um sistema ambiental esvaziado e sem nenhum recurso, sem falar nas inúmeras ameaças à biodiversidade. Esse é um desmonte sistêmico e estratégico da estrutura ambiental do país.

Na contramão, a Apremavi se manteve firme e forte no seu lema “boca no trombone e mão na massa“. O mão na massa teve que ser reestruturado para que as medidas de isolamento social e distanciamento fossem respeitadas e o boca no trombone passou a ser integralmente na internet para evitar aglomerações. Mas mesmo com todos os rearranjos, muita coisa foi feita em 2020, por isso fizemos aqui um pequeno balanço da nossa atuação este ano.

Queremos dar destaque aos nossos viveiristas, que este ano produziram 417.914 mudas nativas da Mata Atlântica. As atividades do Viveiro Jardim das Florestas não pararam, além da produção e do cuidados com as mudas, sistematizamos a coleta de sementes, instalamos energia solar e até reconstruímos a estufa derrubada pelo ciclone-bomba após uma bem sucedida campanha online. Bem sucedida também foi a live sobre o Viveirista como um profissional do clima que marcou a participação da Apremavi no Dia do Profissional do Clima, realizado pelo Youth Climate Leaders. Não foi atoa que o Viveiro, junto com o Projeto Restaura Alto Vale, receberam o Prêmio Expressão de Ecologia.

Além das mudas produzidas, este ano foram plantadas e doadas mais de 200 mil mudas nativas no âmbito dos projetos que desenvolvemos. O Restaura Alto Vale além de visitar 93 novas propriedades e restaurar 50 hectares de APP, também lançou uma série de curtas chamada “Plantadores de Florestas” com depoimentos dos agricultores e apoiadores que participam do projeto. Os 12 vídeos publicados já foram visualizados mais de 13 mil vezes nas redes sociais da Apremavi.

Os Programas Matas Legais e Matas Sociais, desenvolvidos numa parceria com a Klabin que completou 15 anos este ano, passaram por uma reestruturação e a partir de 2021 terão um novo escopo que trará ainda mais bons resultados e benefícios aos agricultores e ao meio ambiente. Como forma de estreitar os laços com os agricultores que participam do Matas Sociais e manter a comunicação mesmo em tempos de pandemia, foi lançado o podcast Vozes do Matas que já conta com 14 episódios e apresenta temas que vão desde a importância da proteção das nascentes até alternativas de venda de produtos na propriedade. Além disso, o Matas Sociais também foi selecionado na segunda chamada pública dos Casos de Sucesso do Diálogo Florestal e figura agora na publicação lançada pelo DF.  Ao todo, neste ano, os programas doaram e/ou plantaram 65 mil mudas nativas.

O Clima Legal também está passando por uma reestruturação e deve chegar em 2021 com muitas novidades. Já o projeto Bosques de Heidelberg fecha o ano com o plantio e a distribuição de 21.741 mudas de árvores nativas e com a novidade de ter realizado o primeiro plantio do projeto fora de Santa Catarina – foram plantadas 11 mil mudas no município de Socorro em São Paulo. Também destacamos uma parceria que já dura mais de 20 anos com o Supermercado Archer de Brusque (SC), e que distribuiu 30 mil mudas aos clientes do supermercado numa grande ação no Dia da Árvore em setembro deste ano.

O Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, que comemorou 20 anos de criação este ano, esteve fechado para visitas durante boa parte do ano, mesmo assim, realizou o Concurso de Desenho “Parque Mata Atlântica 20 Anos”, e lançou a sua nova nova identidade visual. Já o projeto RPPN Samuel Klabin fechou o ano com um projeto de trilha ecológica que será implantada nos primeiros meses do próximo ano.

Por fim, precisamos mais uma vez deixar o alerta da mortandade de bugios aqui no Alto Vale do Itajaí. Até o dia 15 de dezembro foram encontrados 9 bugios mortos em 4 áreas diferentes, em duas localidades só do município de Atalanta (SC). É importante esclarecer que os macacos não transmitem a febre amarela. Eles também são vítimas. Na verdade são considerados sentinelas. Num momento tão trágico, especialmente para os bugios, é importante ampliar as ações de combate à caça e também de proteção dos remanescentes florestais, preservando seus locais de habitat. 

Momentos de 2020. Fotos: Arquivo Apremavi.

Num balanço interno, entre pausas, alto e baixos, além de organizar a casa, estamos entendendo que 2020 foi um ano que nos permitiu também reforçar nossas ações em rede e valorizar ainda mais os coletivos que nos fazem ir mais longe. Essas redes e coletivos serão fundamentais para darmos conta de todos os desafios que 2021 trará. Será necessário muito diálogo e muitas parcerias. Por isso queremos deixar um agradecimento especial a todos que neste ano de 2020 compartilharam conosco os ideais e as ações em prol de um mundo melhor, solidário e sustentável, com respeito a todas as formas de vida, ao isolamento social e à ciência.

Boca no trombone e mão na massa é muito mais do que o lema que acompanha a nossa instituição desde a sua fundação. Ele é um chamado de resistência. Que venha 2021 porque nós seguiremos resistindo e lutando pelas florestas, pela biodiversidade e pelo futuro comum de todas as espécies.

Autora: Carolina Schäffer.

Mortandade de macacos em Atalanta preocupa ambientalistas

Mortandade de macacos em Atalanta preocupa ambientalistas

Mortandade de macacos em Atalanta preocupa ambientalistas

Até o dia 15 de dezembro foram encontrados 9 bugios mortos em 4 áreas diferentes, em duas localidades no município de Atalanta (SC). O fato tem preocupado muito os ambientalistas, que acreditam se tratar de um surto de Febre Amarela (FA), uma vez que já está comprovado que o vírus está circulando no Alto Vale do Itajaí, conforme atestado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE). Matéria publicada no Jornal de Santa Catarina em 23 de setembro de 2020 afirma: “o Vale do Itajaí registrou mais sete novas mortes de macacos por febre amarela, o que acende um alerta para a região, informa a Dive. Dos 86 óbitos de primatas ocorridos pela doença neste ano no estado, 53 foram no Médio Vale. Os mais recentes confirmados foram de cinco bugios de Apiúna, e dois de Aurora e Vitor Meireles”.

O município de Atalanta já deflagrou uma campanha de vacinação e pede a atenção especial de todos os habitantes que ainda não se vacinaram. A bióloga Leoiza Andrião Coelho, da Supervisão Regional de Saúde (SUPRES) de Rio do Sul, em comunicado orienta: “a febre amarela é uma doença reemergente no Brasil. O estado de Santa Catarina registrou a presença e a expansão do vírus da FA em seu território no ano de 2019 e toda a região sul do país tornou-se Área Com Recomendação de Vacina (ACRV) para a FA, sendo esta indicada a todas as pessoas a partir dos nove meses de idade, conforme as recomendações do calendário nacional de vacinação”. Ela também pede que todo caso de morte de macacos seja notificado à vigilância epidemiológica o quanto antes. Confira a íntegra da nota aqui.

 

Foto em destaque: bióloga da Supervisão Regional de Saúde (SUPRES) de Rio do Sul examina bugio morto. Demais fotos: registros de macacos mortos encontrados em Atalanta (SC). Fotos: Arquivo Apremavi.

É importante esclarecer que os macacos não transmitem a febre amarela. Eles também são vítimas. Na verdade são considerados sentinelas. Num momento tão trágico, especialmente para os bugios, é importante ampliar as ações de combate à caça e também de proteção dos remanescentes florestais, preservando seus locais de habitat.

Ana Júlia Dutra Nunes, médica veterinária no Hospital Escola Veterinário da FURB em Blumenau (SC) e responsável técnica do Centro de Pesquisas Biológicas de Indaial (CEPESPI) – Projeto Bugio em Indaial (SC), esclarece: “Todos os óbitos de primatas devem ser notificados obrigatoriamente à vigilância epidemiológica do município da ocorrência, para que os agentes da saúde possam investigar a morte. Eles coletam amostras biológicas dos órgãos dos animais e enviam para a secretaria da saúde para pesquisa e diagnóstico da febre amarela, pois os primatas são sentinelas da doença, principalmente o bugio-ruivo por ser muito suscetível a mesma e vir a óbito de forma muito aguda. Quando há morte confirmada nos primatas, causada por febre amarela, se faz a vacinação de todos os humanos que ainda não foram vacinados no entorno da localização. Os macacos são considerados nossos anjos da guarda!

Quem transmite o vírus da febre amarela são os mosquitos silvestres, tanto para os macacos quanto para os humanos. O que ocorre é que acidentalmente os humanos entram em áreas de mata e são picados por algum mosquito infectado. A doença é aguda e grave, podendo levar ao óbito. A vacina é o principal método e o mais eficaz para a prevenção nos humanos, e deve ser aplicada a partir dos 9 meses de idade.

Wigold B. Schäffer, ambientalista, fundador e conselheiro da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), fala com muita preocupação e tristeza sobre o fato: “Há mais de uma década a mata atrás de casa abriga uma família de bugios. O primeiro casal que apareceu no ano seguinte trouxe um filhote e assim, ano a ano eles apareciam com um novo filhote e todos nós comemorávamos junto a eles. Passamos muitas tardes no quintal os admirando enquanto comiam folhas de cedro ou frutinhas de chal-chal e pulavam de galho em galho. Quando eles ficavam um tempo sem vir já nos preocupávamos, achando que algum caçador da região pudesse tê-los ferido. Vê-los mortos por conta de uma doença dessas é estarrecedor, dói na alma. Eles são parte da nossa família”. Ele também chama a atenção para o fato dos bugios serem grandes dispersores de sementes, por isso são importantíssimos para a floresta: “esse resíduo com sementes já germinadas (veja fotos na galeria abaixo) é de uma das últimas vezes que dormiram aqui perto de casa”, afirma Wigold.

Bugios fotografados por Wigold B. Schäffer na mata perto da sua casa, em Atalanta (SC).

A febre que ameaça os nossos macacos, por Sérgio Lucena

No passado ocorreram surtos de febre amarela urbana no país, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mas esta forma foi erradicada na década de 1940, por meio de vacinação, obras de saneamento urbano e controle do vetor. O que tem ocorrido atualmente no Brasil é a febre amarela silvestre, causada por um vírus transmitido pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, da família Culicidae, aos macacos e, eventualmente, aos seres humanos.

A morte de macacos em reservas naturais e fragmentos florestais vem ocorrendo em grande escala na Mata Atlântica do Sul e Sudeste do Brasil desde 2016. Apesar das mortes atingirem, principalmente, os bugios, há confirmação de morte de várias outras espécies de macacos pela virose, tornando ainda mais crítica a situação daquelas já ameaçadas de extinção por outros impactos ambientais. Esse surto de febre amarela é considerado um desastre ambiental grave, por se tratar de uma das maiores mortandades de primatas da história da Mata Atlântica.

A rapidez com que a virose avança e o grande número de animais vitimados, evidenciam que temos lacunas de conhecimento importantes que precisam ser preenchidas, para que possamos nos preparar para eventos futuros. Precisamos conhecer melhor a epidemiologia da doença, que envolve, pelo menos, mosquitos, macacos e seres humanos, para que possamos tomar medidas preventivas, tanto na área de saúde pública, quanto na conservação das espécies ameaçadas.

Desde a década de 1980 a Organização Mundial da Saúde registra aumento no número de casos de febre amarela e acredita-se que o crescimento da população humana, com maior mobilidade global e as alterações no clima do planeta sejam possíveis explicações para o fato.

O controle da febre amarela passa pela preservação dos habitats naturais e suas espécies nativas. Matar macacos e desmatar não impede a circulação do vírus da doença e pode, até, piorar a situação. A redução drástica da população de macacos causa um desequilíbrio natural, pois eles participam de várias interações ecológicas. Além disso, os macacos atuam como sentinelas da doença, pois suas mortes alertam para a presença da virose numa dada região.

Podemos contar com a vacina para prevenir a doença nos seres humanos, mas ainda não temos medidas efetivas para evitar a mortandade dos macacos, que são as maiores vítimas. Por isso os esforços para proteger nossa fauna nativa do desmatamento e da caça, tornam-se ainda mais importantes, diante da ameaça dessa doença de tão grande impacto.

* Sérgio Lucena Mendes é biólogo, professor de Zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo e Diretor do Instituto Nacional da Mata Atlântica.

Confira o importante e esclarecedor depoimento do Prof. Sergio Lucena.

Sobre a Febre Amarela

É uma doença infecciosa febril aguda, que pode levar à morte em cerca de uma semana se não for tratada rapidamente. Em ambiente silvestre, os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus, e os macacos são as principais vítimas. Os casos humanos ocorrem quando uma pessoa não vacinada entra em contato, ou mora próximo às matas, e é picada por um mosquito contaminado. No ciclo urbano, o vírus é transmitido ao homem pelos mosquitos Aedes aegypti. O Brasil não registra febre amarela urbana desde 1942.

Saiba mais sobre a doença e sobre as campanhas de vacinação aqui.

Vacine-se contra a febre amarela e ajude a prevenir a doença que ameaça tanto os humanos quanto os macacos.

Autora: Miriam Prochnow.

Apremavi participa da Campanha Bosques da Memória

Apremavi participa da Campanha Bosques da Memória

Apremavi participa da Campanha Bosques da Memória

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) realizou no dia 12 de dezembro de 2020 o plantio de 80 mudas de árvores nativas, no âmbito da campanha Bosques da Memória. O plantio do Bosque Jardim das Florestas foi feito em homenagem às vítimas da Covid-19 e em agradecimento aos profissionais da saúde no Brasil. É uma singela homenagem às vítimas da pandemia do novo coronavírus, que já levou mais de 180 mil brasileiros e brasileiras.

A campanha também dá início ao engajamento de pessoas e organizações nas ações da Década da Restauração de Ecossistemas 2021-2030, declarada pela ONU. Uma forma concreta de ajudar no combate à crise climática. O dia 12 marcou o início da campanha, que está aberta a todas as pessoas e instituições interessadas. Saiba como participar e homenagear as pessoas que tantos momentos de alegria viveram conosco tendo a Mata Atlântica como abrigo e cenário.

A campanha está sendo desenvolvida de forma participativa e colaborativa pela Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), pela Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, contando, desde o início, com várias entidades parceiras como a Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (Apoena) e a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD). A Apremavi é uma das organizações que se soma a essa linda iniciativa.

Saiba mais e participe:
Visite bosquesdamemoria.com
Siga @bosquesdamemoria

Apremavi realiza plantio em homenagem as vítimas da Covid-19. A ação foi realizada no âmbito da Campanha Bosques da Memória que se iniciou no dia 12 de dezembro. Fotos: Arquivo Apremavi.

Autora: Miriam Prochnow.

Organizações da sociedade civil exigem aumento no orçamento de 2021 para o meio ambiente

Organizações da sociedade civil exigem aumento no orçamento de 2021 para o meio ambiente

Organizações da sociedade civil exigem aumento no orçamento de 2021 para o meio ambiente

O desmatamento continua a crescer no Brasil. Mas o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA para 2021), enviado pelo Executivo para votação no Congresso Nacional, não reflete o tamanho do problema e prevê cortes severos no orçamento dos órgãos ambientais, responsáveis, por exemplo, pelo combate ao fogo. Em resposta a isso, a Apremavi e 23 organizações da sociedade civil lançam, nesta quarta-feira, a campanha Floresta sem Cortes”, para exigir que deputados e senadores alterem o projeto.

A redução e o represamento de orçamento têm sido ações do atual governo, que impactam na redução da proteção ambiental no Brasil. De 2019 para 2020 a redução no orçamento das despesas discricionárias do Ibama foi de R$112 milhões (30,4%), de R$97 milhões no ICMBio (32,7%) e de R$33 milhões (32,7%) para o MMA – administração direta. O PLOA de 2021 prevê cortes ainda mais acentuados, que podem comprometer ainda mais a capacidade do país de combater o desmatamento e as queimadas, enquanto enfrentamos mudanças no clima e aumento da destruição florestal.

No momento em que o Congresso Nacional debate a PLOA 2021, antes da votação, o objetivo da campanha é mobilizar a sociedade brasileira e pressionar deputados e senadores pela aprovação de um orçamento robusto, que seja capaz de financiar todas as ações necessárias para frear o desmatamento, queimadas e responsabilização de criminosos que agem na Amazônia e em outros biomas. Nesta fase, os parlamentares podem fazer alterações, por meio de emendas.

“É importante que o Congresso Nacional não compactue com políticas que impactam negativamente as pessoas e o meio ambiente antidemocrática e antiambiental do governo Bolsonaro, que está gerando um prejuízo incalculável para toda a sociedade brasileira. O Congresso pode, e deve, remanejar parte dos recursos para aqueles que têm a competência legal e a expertise técnica para combater o desmatamento e as queimadas: o Ibama e o ICMBio”, afirma Cristiane Mazzetti, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil. 

“Não existe crise fiscal que justifique tamanho desmonte do orçamento do meio ambiente. Os cortes expressam, na verdade, a decisão política do atual governo de estrangular os órgãos ambientais e sucatear ainda mais a política ambiental brasileira. É uma irresponsabilidade que precisa ser revertida pelo Congresso Nacional por meio de emendas orçamentárias que assegurem recursos essenciais para que os órgãos possam atuar e cumprir seu papel”, diz Alessandra Cardoso, assessora política do INESC. 

“O orçamento é um espelho fidedigno de opções políticas. Os valores reduzidos da proposta orçamentária para 2021 para os órgãos ambientais explicitam a não priorização do tema pelo governo Bolsonaro. Não adianta o Vice-Presidente da República prometer uma atuação mais forte no controle do desmatamento e de outros ilícitos ambientais, e na prevenção e enfrentamento dos incêndios florestais, se isso estiver dissonante da lei orçamentária nas ações afetas ao Ibama e ao Instituto Chico Mendes. Em relação ao ICMBio, o quadro é extremamente complicado: os recursos previstos para a gestão de áreas protegidas em 2021 vão inviabilizar a atuação da autarquia, matando-a por inanição. Recursos há, basta deslocar uma pequena parte do previsto para o Ministério da Defesa”, diz Suely Araujo, especialista sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima.

Para fazer parte deste movimento, todos podem acessar a página FlorestaSemCortes.org.br e pedir ao Congresso a aprovação imediata de um orçamento adequado para frear o desmatamento nos biomas brasileiros e garantir a proteção de nossa  biodiversidade. A campanha está aberta para adesão de organizações da sociedade civil. 

 

Participam e assinam a campanha 350 Brasil, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Apremavi, Associação Civil Projeto Hospitais Saudáveis, Cidades afetivas, ClimaInfo, Fundação Avina, Greenpeace Brasil, Hivos, Idesam, Imaflora, Imazon, Inesc, Instituto Alana, Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Ethos, Ipam, ISA, ISPN, Mater Natura, Observatório do Clima (OC), Projeto saúde e alegria, Rede Grupo de trabalho Amazônico (GTA) e Transparência Internacional.

 

De acordo com as organizações, se a proposta orçamentária do governo for aprovada como está pelo Congresso Nacional, não haverá recursos para combate ao desmatamento e queimadas no país.

  • Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) do Governo Federal para 2021 prevê cortes severos no orçamento de combate ao desmatamento e fogo.
  • Se aprovado como está, o ICMBio teria R$0,45 por hectare para cuidar de 165 milhões de hectares de Unidades de Conservação.
  • A área desmatada da Amazônia, entre agosto de 2019 e julho de 2020, alcançou 11.088 km2, um aumento de 9,5% (Prodes) em relação ao período anterior e equivalente a 7,2 vezes o território da cidade de São Paulo. Trata-se do maior número desde 2008.
  • Organizações da sociedade civil se unem para exigir que o Congresso Nacional altere o PL através de emendas, garantindo a recomposição do orçamento de meio ambiente.
  • A PLOA 2021 prevê redução de 29% no orçamento do Ibama, de 40,4% para o ICMBio e de 39,4% para a administração direta do MMA – para despesas discricionárias, em relação a PLOA 2019.

Diálogo Florestal Internacional comemora 20 anos de atuação, num momento decisivo para o mundo

Diálogo Florestal Internacional comemora 20 anos de atuação, num momento decisivo para o mundo

Diálogo Florestal Internacional comemora 20 anos de atuação, num momento decisivo para o mundo

Inspiração para a criação do Diálogo Florestal Brasileiro, o Diálogo Internacional – The Forests Dialogue (TFD) está comemorando seus 20 anos. A celebração será virtual e acontecerá no dia 01 de dezembro, das 10h às 12h (horário de Brasília), num evento que vai reunir pessoas que ao longo dessas duas décadas ajudaram a construir soluções e caminhos para um futuro melhor. O 20º aniversário vai servir para refletir sobre o que foi realizado e imaginar o papel do diálogo para as pessoas e as florestas no futuro.

Miriam Prochnow, vice-presidente da Apremavi, fez parte do Conselho de Coordenação do TFD de outubro de 2010 a março de 2019 e diz estar muito orgulhosa de fazer parte dessa grande família: “Tenho muitos momentos TFD, o melhor de todos foi sempre ter a oportunidade de ajudar a trazer para a mesa de debates os temas quentes. O TFD antecipou em 20 anos algo que agora parece ser uma necessidade. Não existe outra maneira de enfrentar as diferentes crises que afetam a humanidade, que não seja a união de esforços, o trabalho em parceria e o reconhecimento de que é necessário ter solidariedade e incluir e dar voz a todos os atores da sociedade”. Ela lembra que a crise sanitária, a crise da perda da biodiversidade, a crise da escassez de água e a maior de todas as crises, a climática, precisam de uma ação sem precedentes, tanto em urgência, quanto em abrangência e isso só será possível se todos, governos, iniciativa privada, academia e população em geral reconhecerem a crise e cada um fizer a sua parte na solução. O TFD é uma mostra de que é possível trabalhar em conjunto quando existem causas que nos unem e a grande causa que nos une é evitar a catástrofe climática e gerar inclusão social com respeito a todas as formas de vida.

Momentos dos encontros do Conselho de Coordenação do TFD. Fotos: Arquivo Apremavi.

Ao longo de sua história de 20 anos, o The Forests Dialogue desempenhou um papel único na agenda florestal global, desenvolvendo 80 diálogos sobre questões centrais para o destino das florestas do mundo e as pessoas que delas dependem, com mais de 3.600 participantes e visitas de campo em 31 países. Em 2000, a organização nasceu de uma pequena reunião de indivíduos de empresas privadas, proprietários florestais e ambientalistas que se reuniram para ver se conversando e ouvindo uns aos outros poderiam descobrir um terreno comum e encontrar maneiras de colaborar construtivamente. Na época, o setor florestal estava repleto de desconfiança mútua e confronto alimentado por debates contenciosos sobre a certificação florestal internacional.Realizar discussões com várias partes interessadas para construir confiança e encontrar um terreno comum era uma ideia completamente nova na época e agora se tornou uma norma em todo o mundo.

Um dos momentos de destaque para a Apremavi foi ter a oportunidade de liderar o primeiro Diálogo do Uso do Solo – Land Use Dialogue (LUD), que foi realizado na região do Alto Vale do Itajaí. O LUD está sendo desenvolvido em outros países e é uma ferramenta importante de inclusão, diálogo e planejamento de territórios, tanto que durante a celebração será lançado um Guia sobre o tema, o “The Land Use Dialogue Guide”. Outro guia que será lançado será o “The Forests Dialogue Guide” que descreve a metodologia de diálogo com múltiplas partes interessadas do TFD.

Vídeo com os resultados do primeiro Diálogo do Uso do Solo realizado no Brasil, em Atalanta (SC), de 25 a 28 de abril de 2016.

Outro ponto alto da celebração será o lançamento do livro “If Trees Could Talk: 20 anos de The Forests Dialogue”. O livro faz uma viagem no tempo e apresenta muitos dos(das) principais participantes, incluindo membros do Conselho Diretor, participantes do diálogo e equipe do TFD. Se move pela estrutura e abordagem do Diálogo, a partir de sua metodologia de três partes “Envolva-se! Explore! Mude!” para a diversificação interna de vozes e um enfoque ampliado da importância econômica e ecológica das florestas para a integração de valores sociais e culturais. No livro também pode ser encontrada a história de como o TFD inspirou a criação do Diálogo Florestal no Brasil, que este ano comemora seus 15 anos, e como o Brasil tem ajudado a construir o TFD ao longo do tempo. Atualmente as co-líderes do TFD são Ivone Namikawa da Klabin (Brasil) e Milagre Nuvunga da Fundação MICAIA (Moçambique) que contam com o suporte do diretor executivo Gary Dunning, do Conselho Diretor e de estudantes associados da Universidade de Yale, sede do TFD.

Inscreva-se para a celebração do 20º aniversário aqui e siga o TFD no Instagram e Twitter. O evento será realizado em inglês.

Autora: Miriam Prochnow.
Fonte: The Forests Dialogue.

Matas Sociais chega à Santa Catarina

Matas Sociais chega à Santa Catarina

Matas Sociais chega à Santa Catarina

Programa Matas Sociais – Planejando Propriedades Sustentáveis, que fortalece a agricultura familiar, desde a produção até a comercialização é expandido para Santa Catarina. Para marcar a chegada do programa ao estado, Apremavi e Klabin realizaram no dia 09 de novembro um seminário em Otacílio Costa (SC), com o tema “Coalizão de apoio à agricultura familiar na Serra Catarinense”. O evento teve apoio do IFSC, Udesc/CAV e da Epagri, e contou com mais de 30 participantes e com transmissão online.

Assim como no Paraná, o programa Matas Sociais passa a dar apoio aos agricultores familiares dos municípios e das comunidades do entorno das operações da Klabin em Santa Catarina nas etapas de produção, desde a adequação ambiental ao apoio à comercialização de alimentos, passando por ações de formação, diversificação da propriedade e incentivo ao cooperativismo. O programa já atendeu mais de 500 propriedades rurais em nove municípios do Paraná, das quais 72% dos agricultores tiveram aumento de renda, de produtividade e diminuição do uso de agrotóxicos.

O Matas Sociais promove oportunidades econômicas, sociais e ambientais, com diversas ações para a formação dos agricultores familiares. Estamos muito otimistas com os resultados que alcançaremos nessa nova etapa de atuação agora em Santa Catarina”, afirma Uilson Paiva, gerente de Responsabilidade Social e Relações com a Comunidade da Klabin. Até o momento o programa de apoio à produção e comercialização dos produtos agrícolas ocorre no município de Otacílio Costa. Para 2021, está prevista a chegada do programa nas cidades catarinenses de Correia Pinto e Lages.

Edinho Pedro Schaffer, presidente da Apremavi, destaca a importância do seminário, que apresentou alternativas e possibilitou a troca de experiências entre os participantes. “O trabalho com agricultura familiar é um dos pilares da parceria Apremavi e Klabin nesses 15 anos de trabalho em Santa Catarina visando a restauração e a conservação de áreas. Nessa nova fase, o programa tem como objetivo promover alternativas econômicas e sociais para os agricultores da região de atuação da Klabin no estado”, observa.

O programa Matas Sociais, prevê dentre outras ações, que os produtores façam cursos, mutirões, visitas de intercâmbio e recebam gratuitamente mudas de plantas nativas para a recuperação de áreas degradadas, além do apoio à produção sustentável. Com foco no fortalecimento da agricultura familiar, o Matas Sociais soma esforços ao Programa Matas Legais, desenvolvido no estado há mais de 15 anos. Além de incentivar a silvicultura de florestas plantadas, seja de pínus ou de eucalipto, com um plano de manejo sustentável, o programa também prevê o enriquecimento de florestas secundárias, o auxílio na conservação de fontes hídricas e do solo, a proteção da biodiversidade e a agricultura orgânica.

O seminário de lançamento teve o painel “A experiência do IFSC com a agricultura familiar na Serra Catarinense”, debate com a participação de Luciane Costa, coordenadora de Tecnologia em Gestão do Agronegócio do Instituto Federal de Santa Catarina. Já Álvaro Mafra, Professor do Departamento de Solos e Recursos Naturais da Universidade do Estado de Santa Catarina participou do painel “A feira agroecológica e a troca de saberes”.

Autoria: adaptações do texto original publicado pela Klabin.

Como as soluções baseadas na natureza podem integrar um novo pacto social e econômico

Como as soluções baseadas na natureza podem integrar um novo pacto social e econômico

Como as soluções baseadas na natureza podem integrar um novo pacto social e econômico

O Brasil precisa lidar com o declínio das atividades econômicas e, ao mesmo tempo, resolver os problemas ocasionados pela emergência climática. A solução para essas crises é a conservação da natureza que proporcione uma retomada verde e socialmente inclusiva.

A humanidade enfrenta uma de suas piores crises. Em meio a pandemia da Covid-19, que já ceifou mais de 160 mil vidas de brasileiros e brasileiras, o Brasil precisa lidar com o declínio das atividades econômicas e, ao mesmo tempo, debater como atuar de forma eficiente para resolver os problemas ocasionados pela emergência climática. A solução para todas essas crises é a conservação da natureza. Novas pandemias poderão surgir na medida em que a destruição dos ambientes naturais avança, por isso, precisamos preservar.

Uma retomada econômica sem considerar os limites da natureza e o uso sustentável dos recursos naturais, certamente agravará as crises. A retomada verde será ao mesmo tempo a solução para nossa economia e para o enfrentamento da crise climática. Entretanto, para que as soluções sejam de fato efetivas, a retomada não deve somente ser verde, mas também inclusiva.

Precisamos estimular e ajudar a construir um novo contrato ou pacto social, no qual a equidade de gênero, o combate ao racismo e a proteção da natureza estejam inseridos como questões centrais e inegociáveis. Essa nova economia precisa reafirmar alguns valores: democracia, respeito aos direitos humanos, respeito à diversidade, respeito às minorias, respeito à vida e à biodiversidade, busca da inovação e respeito às futuras gerações. Lembrando dos vários aspectos da ética, do cuidado, do respeito, da responsabilidade e da solidariedade.

Para isso, precisamos integrar as Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que têm a ver com o redesenho e o planejamento das paisagens. Pensar o território com olhar de drone e visão de libélula: do alto, com a complexidade exigida e onde cabem todos os atores e setores existentes em um território, mas cabe também a natureza.

É necessário buscar a integração de todas as iniciativas sustentáveis existentes, considerando a necessidade de alimentos (qualidade e segurança alimentar), a proteção, restauração e regeneração de ecossistemas, a proteção da biodiversidade, a proteção e uso racional dos recursos hídricos e o desenvolvimento e implementação de energias limpas e renováveis.

Já existem diversos exemplos de projetos e Soluções Baseadas na Natureza em diferentes áreas. Os desafios são como manter, consolidar e ampliar esses projetos, replicá-los e adaptá-los em outras regiões.

Há várias ações que podem atrair os aportes necessários para essa mudança. Entre elas:

  • buscar e direcionar investimentos públicos já existentes para iniciativas sustentáveis;
  • repensar as políticas públicas – atrelando a concessão e liberação de créditos (agrícolas, imobiliários, infraestrutura, etc.) ao novo pacto social verde;
  • incentivar e fomentar o cumprimento da legislação ambiental e a implantação de paisagens sustentáveis (Cadastro Ambiental Rural – CAR, Programa de Regularização Ambiental – PRA, Bolsa Restauração);
  • ter um sistema de financiamento e crédito voltado para o desenvolvimento sustentável para que os imóveis rurais/propriedades se tornem sustentáveis, desinvestindo em atividades e equipamentos altamente emissores de carbono; e,
  • remodelar a assistência técnica para que esta tenha um olhar integrado e considere a paisagem, a biodiversidade, os recursos hídricos e a proteção do solo como essenciais para a atividade agrossilvopastoril.

Em relação aos investimentos sociais privados, também já existem projetos bem sucedidos que podem e devem ser replicados. Por exemplo, o Projeto Matas Legais, uma parceria da empresa Klabin com a ONG Apremavi, que existe desde 2005 e já atendeu 1.807 famílias/propriedades, plantou 1.695.568 mudas de árvores nativas e envolve 16.500 ha de florestas nativas conservadas, 1.500 ha em regeneração natural, 512 ha restaurados com plantios de mudas nativas. É um projeto altamente replicável.

A contribuição do setor privado deve ir além dos compromissos “normais”, como é o caso da Natura, ao anunciar que vai investir US$ 800 milhões nos próximos dez anos para ajudar a implantar o desmatamento zero da Amazônia, com ações em toda sua cadeia produtiva. Nesta encruzilhada civilizatória que afeta o planeta como um todo é preciso debater qual é a contribuição do setor privado para além do seu cercado, saber qual é a sua contribuição à sociedade, em uma visão de emergência climática, e quanto de seu lucro o setor privado está disposto a investir. Essa discussão exige um desprendimento muito maior do que o visto até agora.

Para trazer essas soluções de investimentos, já existem algumas ferramentas que podem ser úteis. Entre elas, estão iniciativas multissetoriais de diálogo, como o Diálogo Florestal, o Diálogo do Uso do Solo e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Estes são espaços onde acordos e modelagens de novos projetos podem acontecer.

Existem também os portais de transparência, que ajudam a monitorar as ações do governo, das empresas e do Terceiro Setor. Um exemplo é o Portal Ambiental da Apremavi, onde são cadastradas as atividades de restauração realizadas pela instituição, possibilitando o acompanhamento público das mesmas.

Outra ferramenta possível é a construção de plataformas de projetos, que pode ter como inspiração a iniciativa Mapa do DF Sustentável, que mapeou as mais diversas iniciativas relacionadas à sustentabilidade no Distrito Federal.

Por que não criar uma plataforma também de ideias – um espaço onde as pessoas possam cadastrar suas ideias de investimentos verdes, uma vez que a inovação e criatividade precisam de oportunidades para florescer? E, por fim, construir uma plataforma de engajamento, onde as pessoas possam expressar os seus compromissos com o futuro sustentável? A pergunta é simples: que tipo de investimento eu posso fazer enquanto empresa ou cidadão, para ajudar a construir o presente e futuro sustentáveis?

Autora: Miriam Prochnow
Artigo publicado originalmente na Revista Página 22.

Entidades catarinenses divulgam manifesto contra projeto de lei que ameaça integridade do Parque Nacional de São Joaquim

Entidades catarinenses divulgam manifesto contra projeto de lei que ameaça integridade do Parque Nacional de São Joaquim

Entidades catarinenses divulgam manifesto contra projeto de lei que ameaça integridade do Parque Nacional de São Joaquim

Uma proposta de lei que tramita no Senado Federal pode reduzir em 20% a área do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina. O projeto de lei 208/2018 é de autoria do senador Dario Berger (MDB) e, infelizmente, não é a primeira proposta que ameaça à integradidade desse parque que é um patrimônio para todos os catarinenses.

Criado em 1961 na região serrana catarinense, o parque abrange parte dos municípios de Urubici, Bom Jardim da Serra, Grão-Pará, Lauro Muller e Orleans. Os atuais 49.800 hectares do Parque são fundamentais para a preservação de um dos biomas mais devastados do Brasil, a Mata Atlântica, e para a conservação das Florestas com Araucárias e dos Campos de Altitude, ecossistemas amplamente explorados e degradados. O Parque é um refúgio em biodiversidade, preserva um importante manancial hídrico para o estado e é um ponto que contribui diretamente para a economia catarinense ao ser uma potência para o ecoturístico da região.

Numa tentativa de união em defesa do Parque Nacional de São Joaquim e contra todas as tentativas de beneficiamentos ilegais e particulares, entidades científicas e ambientais de Santa Catarina, entre elas a Apremavi, assinam em conjunto uma carta aberta com um manifesto contra o PL 208/2018. O manifesto está disposto na íntegra nesse artigo (veja abaixo).

Entidades que desejam assinar o documento, podem enviar um email indicando nome da entidade, nome do representante e função que ocupa, para [email protected].

MANIFESTAÇÃO DE ENTIDADES CIENTÍFICAS E AMBIENTAIS CATARINENSES CONTRA O PROJETO DE LEI 208/2018 QUE PREVÊ REDUÇÃO DE 20% DE ÁREA PROTEGIDA DO PARQUE NACIONAL DE SÃO JOAQUIM (PNSJ)

O Parque Nacional de São Joaquim (PNSJ), com seus quase 50 mil hectares, é uma das principais Unidades de Conservação do estado de Santa Catarina (SC). Ele foi inicialmente criado, através do Decreto 50.922, para proteger os remanescentes das florestas de Araucária, espécie muito explorada pela indústria madeireira na primeira metade do século XX e que se encontra incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) e do Ibama. O que nem todos sabem, é que o subsolo do PNSJ abriga duas das maiores reservas de água da América do Sul, o Aquífero Guarani e o Aquífero Serra Geral, ambos fundamentais para o abastecimento de água de milhões de pessoas e para a sustentação de nosso meio ambiente, de nossa agricultura e de nossa pecuária, sendo também responsáveis pela manutenção, durante as estiagens, do fluxo dos rios Canoas e Pelotas, os formadores do Rio Uruguai. A presença da Floresta Atlântica é essencial para a constante recarga desses aquíferos pela água das chuvas, conforme estudos realizados pelo Projeto Rede Guarani/Serra Geral em SC (www.rgsgsc.wordpress.com).

O PNSJ está localizado na região Serrana de SC, uma das mais frias do Brasil e muitas vezes associada a suas belezas cênicas, como o Morro da Igreja e a Pedra Furada, que estão entre os sítios turísticos mais visitados do Sul do Brasil. Hoje, o PNSJ contribui significativamente para o desenvolvimento do turismo regional e de toda uma rede de produção, transformação e serviços vinculados ao turismo, que cresce a passos largos, beneficiando a economia de vários municípios catarinenses, principalmente aqueles de seu entorno, como Bom Jardim da Serra, Grão-Pará, Lauro Müller, Orleans e Urubici.

Inserido no Bioma Mata Atlântica, o Parque apresenta heterogeneidade de ambientes, o que lhe confere características particulares quanto à Fauna, à Flora e à Funga. Dezenas de espécies de animais, plantas e fungos são encontradas somente ali. Nos últimos anos, estudos científicos desenvolvidos por pesquisadores de diferentes instituições, incluindo a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), vêm catalogando a biodiversidade do PNSJ e encontrando dezenas de espécies novas para a ciência, sendo que algumas delas já se encontram ameaçadas de extinção. O esforço empreendido pelas referidas instituições reforça o potencial da área e a necessidade de manutenção da proteção integral permitida através do Decreto 50.922 e do status de Parque Nacional.

O Parque vem sofrendo com uma série de problemas graves, dentre os quais os incêndios frequentes que podem, de forma descontrolada, acabar com a vida dos campos de altitude e ainda levar à queima de áreas florestais únicas, como as áreas de xaxins, as matinhas nebulares e a própria floresta de araucária. Além disso, a forte presença de caçadores, não somente coloca em risco a vida de animais silvestres, mas também representa um perigo constante à vida humana, aumentando a possibilidade de confrontos.

Recentemente, o Senador Esperidião Amin (PP) solicitou urgência na votação pelo Senado do Projeto de Lei (PL) 208/2018, de autoria dos Senadores Dalírio Beber (PSDB), Paulo Bauer (PSDB) e Dário Berger (MDB). O PL prevê uma redefinição do traçado do PNSJ com perdas de 20% de área e a alteração de seu nome para “Parque Nacional da Serra Catarinense”. Caso o projeto seja colocado em votação e aprovado nos próximos dias, a primeira semana de novembro de 2020 pode se tornar uma data histórica a ser profundamente lamentada pelas futuras gerações de brasileiros e catarinenses, pois pode marcar uma perda irreversível na qualidade de vida, na segurança hídrica e alimentar e na possibilidade de desenvolvimento social e econômico sustentável para milhares de cidadãos e cidadãs catarinenses.

É importante esclarecer à população de que a diminuição em 20% de área protegida do PNSJ, prevista no PL dos parlamentares catarinenses, não significa “apenas” a perda de 10 mil hectares de área de conservação. O PNSJ, que foi criado em 1961 para recuperar ecossistemas amplamente explorados e degradados, caso venha a perder 20% de sua área, pode entrar em uma situação de colapso ambiental, trazendo prejuízos incomensuráveis a toda a sociedade de Santa Catarina. Como exemplo, podemos citar a perda de diversos serviços ambientais fornecidos pelo PNSJ, entre os quais turismo ecológico com proteção de espécies raras e ameaçadas de extinção do Bioma Atlântica, incluindo a Araucária.

Diante do quadro apresentado, as instituições que assinam o presente documento solicitam aos nobres parlamentares que votem contra o Projeto de Lei (PL) 208/2018 de autoria dos Senadores Dalírio Beber (PSDB), Paulo Bauer (PSDB) e Dário Berger (MDB). Votando contra os nobres parlamentares, estarão contribuindo para a manutenção da qualidade de vida da população do estado de Santa Catarina e também da região Sul e adjacências, favorecendo a proteção do Sistema Aquífero Guarani e a manutenção de diversas comunidades que dependem dos serviços ambientais produzidos através do PARQUE NACIONAL DE SÃO JOAQUIM (PNSJ), patrimônio de Santa Catarina.

Elaboraram a assinam este manifesto, em 2 de novembro de 2020:
Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação
Associação Catarinense de Preservação da Natureza – ACAPRENA
Associação Civil Alternativa Terrazul
Associação De Defesa Do Meio Ambiente De Araucária – AMAR/PR
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI
Associação dos Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina – RPPNs catarinense
Associação De Saúde Ambiental – TOXISPHERA/PR
ASCEMA Nacional – Associação Nacional dos Serv.Carreira de Especialista em Meio Ambiente e PECMA
Centro de Ciências Biológicas (CCB) – UFSC
Coalização Ciência e Sociedade
Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica – CN-RBMA
Curso de Agronomia do Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus Camboriú
Departamento de Botânica – UFSC
Departamento de Ecologia e Zoologia – UFSC
Grupo Ação Ecológica (GAE)
Instituto de Estudos Ambientais – Mater Natura – Curitiba-PR
Instituto MIRA-SERRA
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF)
Mestrado Profissional em Ensino de Biologia (PROFBio) – UFSC
Observatório de Justiça e Conservação (OJC)
Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Mata Atlântica – PPBio-MA
Programa de Pós Graduação em Oceanografia (PPGOceano) – UFSC
Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas (PPGA) – UFSC
Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade (PPGBio) – FURB
Programa de Pós-Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas (PPGBFAP) – UFSC
Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO) – UFSC
Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais (PPGRGV) – UFSC
Programa Ecológico de Longa Duração – PELD-BISC
Rede de ONGs da Mata Atlântica – RMA
Rede Guarani / Serra Geral em SC
Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em Santa Catarina (SBPC-SC)
Sociedade Brasileira de Micologia – SBMy
Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS

Autora: Carolina Schaffer.
Manifesto publicado originalmente em SBPC-SC.

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