Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta
O jequitibá-branco (Cariniana estrellensis) é uma espécie de árvore que ocorre na Mata Atlântica, pertencente à família Lecythidaceae, a mesma da emblemática castanha-do-pará (Bertholletia excelsa). Essa espécie combina porte monumental, relevância ecológica e múltiplos usos econômicos e culturais.
O gênero Cariniana homenageia o príncipe Eugene de Savóia – Carignan, patrocinador da expedição de Giovanni Casaretto ao Brasil entre 1839 e 1840. Já o epíteto específico estrellensis faz referência à Serra da Estrela, no estado do Rio de Janeiro, uma de suas áreas típicas de ocorrência.
O nome popular “jequitibá” tem origem no tupi e carrega diferentes interpretações. Pode derivar de yigiquityba ou jyquyty’ba, com o significado de “árvore de tronco rijo”. Outra corrente aponta para yiki-t-ybá, expressão que significa “árvore do fruto afunilado”. Em todas as versões, o nome ressalta características marcantes da espécie.
Um gigante da floresta apreciado pelo bugio-ruivo
O jequitibá-branco destaca-se pelo tronco reto e cilíndrico, com fuste que pode atingir até 25 metros de altura. A árvore adulta pode alcançar cerca de 50 metros de altura e apresentar tronco com até 120 centímetros de diâmetro. Suas raízes são grossas e bem desenvolvidas. É considerada secundária tardia ou clímax exigente de luz, compõe florestas maduras e é reconhecida por sua longevidade. Ocorre tanto em capoeirões quanto em florestas secundárias e clímax.
A polinização ocorre principalmente por pequenos insetos e abelhas. A floração ocorre de outubro a janeiro nos estados do Paraná e de Santa Catarina. Em plantios, o processo reprodutivo inicia-se por volta dos 10 anos de idade.
A dispersão de frutos e sementes é predominantemente anemocórica (pelo vento), podendo ultrapassar 100 metros da árvore-mãe em condições de vento forte. No entanto, os macacos desempenham papel essencial nesse processo: ao removerem o opérculo (tampa) do fruto, facilitam a liberação das sementes, que então são carregadas pelo vento. Os frutos jovens e as sementes são apreciados por espécies como o bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans).
Distribuição geográfica ampla
O jequitibá-branco ocorre naturalmente no sul da Bolívia, leste do Paraguai e no Peru. No Brasil, apresenta ampla distribuição, sendo registrado nos estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal.
Do ponto de vista fitoecológico, é encontrado na Floresta Ombrófila Densa (Amazônica e Atlântica), especialmente nas formações de Terras Baixas e Submontanas, além da Floresta de Tabuleiro no norte do Espírito Santo. Também ocorre na Floresta Estacional Semidecidual, onde pode se destacar como espécie emergente.
Múltiplos usos
A colheita dos frutos deve ser realizada quando mudam da coloração verde para a escura. Após coletados, ainda fechados, devem ser armazenados em local ventilado até a deiscência. As sementes aladas são extraídas por agitação; para remover as asas e obter apenas o núcleo seminífero, recomenda-se a maceração, seguida de ventilação para a retirada das impurezas.
Tolera sombreamento na fase juvenil, mas não suporta baixas temperaturas. Após o terceiro ano, torna-se tolerante a geadas leves. Pode ser plantado em consórcios com espécies pioneiras ou secundárias. Apresenta capacidade de brotação após corte, tanto do toco quanto das raízes.
Em sistemas agroflorestais, é indicado para arborização de culturas e pastagens. Seu crescimento varia de moderado a rápido, dependendo das condições ambientais.
Seus frutos, conhecidos popularmente como “pitos”, são utilizados na confecção de cachimbos rústicos no artesanato tradicional; é recomendado para restauração de matas ciliares, especialmente em solos bem drenados ou sujeitos a inundações periódicas de curta duração; no paisagismo, destaca-se pela imponência e valor ornamental, sendo indicado para arborização de praças públicas; suas flores possuem interesse apícola, contribuindo para a produção de mel; e, na medicina popular, diferentes partes da planta são empregadas na forma de chás e preparados terapêuticos.

Detalhes da flor, folha e semente do jequitibá-branco (Cariniana estrellensis). Fotos: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e (CC BY 2.0) João de Deus Medeiros via Wikimedia Commons e Flickr.
Jequitibá-branco
Nome científico: Cariniana estrellensis (Raddi) O. Kuntze
Família: Lecythidaceae
Fruto: parecido uma pequena urna de madeira (5 a 11 cm de comprimento)
Semente: de cor castanha, até 4 cm de comprimento
Crescimento da muda: rápido.
Coleta de sementes: os frutos devem ser coletados quando mudam da coloração verde para a escura. Recomenda-se o armazenamento em câmara fria.
Germinação: com início entre 6 e 70 dias após a semeadura. O poder germinativo varia de 46% a 95%; em média, 70%.
Plantio: espécie recomendada para arborização de culturas e de pastos.
Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Não consta.
* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas
Referências consultadas
CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. jequitibá-branco: Cariniana estrellensis. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 621-627. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140092/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-1-Jequitiba-Branco.pdf. Acesso em: 03 mar. 2026.
Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: (CC BY-CA 3.0) Mauro Halpern via Wikimedia Commons.