Canafístula: da restauração ecológica até a arborização urbana

29 ago, 2025

A canafístula (Peltophorum dubium), também conhecida como angico-amarelo, é uma árvore nativa pertencente à família Fabaceae (leguminosas). Em tupi-guarani, é chamada de ibira-puita-guassú, que significa “madeira-vermelha-grande”.

Distribuição e habitat

A espécie apresenta ampla ocorrência no território brasileiro, do estado da Bahia ao Rio Grande do Sul, e também está presente em países vizinhos, como Argentina, Paraguai e Uruguai. No Brasil, pode ser encontrada em diversos estados, incluindo Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. 

A canafístula é comumente encontrada em Floresta Estacional Semidecidual, sendo classificada como espécie secundária inicial, com características pioneiras, capaz de colonizar áreas abertas ou alteradas.

Características ecológicas

A dispersão dos frutos e sementes é autocórica, principalmente barocórica (por gravidade), e anemocórica, com dispersão lenta pelo vento. Suas sementes permanecem no banco de sementes do solo, contribuindo para a regeneração natural da espécie.

A árvore apresenta tolerância a baixas temperaturas e geadas, além de resistir a ventos fortes sem quebra de galhos ou tombamento. Recomenda-se o plantio a pleno sol e em áreas amplas, com bom crescimento.

Usos e importância
  • Apícola: flores melíferas, com produção de néctar, embora haja relatos de possível efeito adverso às abelhas;
  • Medicinal: raízes, folhas, flores e frutos são usados na medicina popular; a casca do caule é empregada por etnias indígenas do Paraná e Santa Catarina como anticoncepcional*;
  • Ornamentação: amplamente cultivada em avenidas, praças, rodovias, parques e jardins, devido ao grande porte e à resistência de seus ramos. Não é indicada para arborização urbana de pequeno porte;
  • Restauração ecológica: recomendada para restauração de mata ciliar, recuperação de áreas alteradas e restauração de encostas. Não tolera terrenos encharcados, mas suporta inundações periódicas.
Muda de canafístula

Flores, árvore, sementes e folhas de canafístula. Fotos: Arquivo Apremavi, Maurício Mercadante e João Paulo de Maçaneiro.

Canafístula

Nome científico: Peltophorum dubium (Spreng.) Taub.
Família: Fabaceae.
Coleta de sementes: coleta realizada diretamente da árvore. Antes da semeadura as sementes devem passar por processo de quebra de dormência através de água fervente.
Época de coleta de sementes: abril a setembro.
Fruto: seco indeiscente.
Flor: amarela, bem visível.
Crescimento da muda: rápido.
Germinação: normal.
Plantio: mata ciliar, área aberta, solo degradado.
Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Menos preocupante (Least Concern  – LN) (IUCN).

*Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas

Referências consultadas:

Carvalho, P. (2003). Canafístula: Peltophorum dubium.

Prochnow, M. (Org). (2007). No jardim das florestas. Rio do Sul: Apremavi. 

Silva, T.S.; Rando, J.G.; Carvalho, D.A.S. Peltophorum in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB83567>. Acesso em: 29 ago. 2025 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Antonio Cruz/Agência Brasil, CC BY 3.0 BR via Wikimedia Commons

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