Copaíba-óleo, espécie nobre da Floresta Ombrófila Densa

3 fev, 2026

Com altura média entre 10 e 20 metros, a Copaíba-óleo (Copaifera trapezifolia Hayne) ocorre nos remanescentes da Floresta Ombrófila Densa ao longo do território brasileiro. Em Santa Catarina a espécie encontra condições especialmente favoráveis ao seu desenvolvimento, apresentando uma densidade expressiva, que pode chegar a 10 a 15 indivíduos por hectare.

É conhecida popularmente na região Sul do país como copaíba, copaúva, copuva, óleo ou pau-óleo, e seu nome científico (epíteto específico) trapezifolia foi dado pois as folhas da espécie apresentam forma de trapézio. As flores são brancas e pequenas, visitadas por abelhas e outros pequenos insetos polinizadores. Já os frutos, que podem ser observados entre setembro a novembro nas populações em Santa Catarina, atraem pássaros e pequenos mamíferos, que se encarregam da dispersão das sementes (zoocoria). 

Árvore da espécie Copaifera trapezifolia Foto BY-NC-SA 4.0 João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina

Aspectos da espécie Copaifera trapezifolia. Fotos: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro e Flávio Zanchetti via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

As populações da copaíba-óleo foram reduzidas ao longo do século XX, por conta da exploração para marcenaria. Entre outras aplicações, a madeira resistente era utilizada para a fabricação de móveis comuns e de luxo; produção de mastros de barco de pesca, implementos agrícolas, peças para carretéis e coronhas de fuzil. 

Atualmente a espécie não está classificada como ameaçada de extinção, e é recomendada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para uso em iniciativas de restauração ecológica. O Viveiro Jardim das Florestas, da Apremavi, produz mudas da espécie para essa finalidade.

Embora as sementes mantenham a viabilidade de germinação por um ano, quando armazenadas em condições de ambiente não controlado, a presença de cumarina na semente gera dormência do processo de germinação. A fauna é especialmente importante para a dispersão e viabilidade das sementes: as fezes do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) apresentaram 100% de germinação em 7 dias, enquanto sementes sem tratamento para superar a dormência apresentaram apenas 85% de germinação.

Registro do muriqui-do-sul no Parque Estadual Carlos Botelho (SP)

Registro do muriqui-do-sul no Parque Estadual Carlos Botelho (SP). Foto: (CC BY 2.0) Leonardo Desordi Lobo.

Copaíba-óleo

Nome científico: Copaifera trapezifolia Hayne

Família: Fabaceae

Fruto:legume, com 3 a 4 cm de comprimento

Flor: grandes, vistosas, de pétalas vivamente amarelas de até 30 cm de comprimento.

Crescimento da muda: rápido.

Coleta de sementes: os frutos devem ser coletados maduros e ainda fechados, devendo a deiscência ser feita em ambiente ventilado. As sementes devem ser extraídas manualmente, para ficar livre do arilo.

Germinação: alta, mas é necessário realizar a quebra de dormência (embebição e lavagem em água fria por 48 a 72 horas).

Plantio: espécie recomendada para iniciativas de restauração ecológica, idealmente em métodos de enriquecimento ecológico. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Menos preocupante (Least Concern  – LN) (IUCN).

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Pau-óleo: Copaifera trapezifolia. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 775-780. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140110/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-1-Pau-Oleo.pdf. Acesso em: 30 jan. 2026.

GIEHL, E. L. H. (coord.). Copaifera trapezifolia Hayne. Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Universidade Federal de Santa Catarina. Disponível em: https://floradigital.ufsc.br/open_sp.php?img=21882. Acesso em: 30 jan. 2026.

 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

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