Seminário Santa e Frágil Catarina apresenta desafios e soluções para a crise climática
No dia 20 de março, em Florianópolis, ocorreu o Seminário Estadual sobre Mudanças Climáticas “Santa e Frágil Catarina”, realizado no plenarinho da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com transmissão ao vivo.
Os últimos três anos (2023-2025) foram os mais quentes já registrados no planeta, evidenciando que os limites ambientais estão sendo pressionados de forma perigosa. Com o aumento das temperaturas, os impactos da crise climática tornam-se mais intensos e frequentes. A região Sul do Brasil tem enfrentado uma sequência de eventos extremos, como ciclones, tempestades severas, enxurradas, enchentes, ondas de calor e secas prolongadas.
Em Santa Catarina, episódios marcantes como o Ciclone Catarina, as enchentes no Alto Vale do Itajaí (2008, 2011 e 2023) e a seca no Oeste (2012) demonstram a gravidade crescente desse cenário.
Diante desse contexto, surgiu a iniciativa Santa e Frágil Catarina, que promoveu o seminário com o objetivo de reunir representantes do poder público, setor privado, academia e sociedade civil para discutir os impactos da crise climática no estado e construir soluções concretas para o presente e o futuro.

Segunda mesa de debates sobre soluções e desafios de cada setor; distribuição de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica durante o evento; equipe e parceiros da Apremavi; participantes durante o Seminário; facilitação gráfica. Fotos: Bruno Collaço/Agência ALESC, Thamara Santos de Almeida, Carolina Dias/Apoena Socioambiental.
Programação do evento
A solenidade de abertura contou com a participação do deputado Marcos José de Abreu (Marquito), da cofundadora da Apremavi, Miriam Prochnow, da promotora de Justiça Stephani Gaeta Sanches, e de Mariane Murakami, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), entre outras autoridades.
Na sequência, foram apresentados depoimentos de Claudio Angelo, Natalie Unterstell e João Paulo Capobianco. A palestra principal ficou a cargo de Suely Araújo, do Observatório do Clima, que abordou os desafios atuais e o estado da arte das mudanças climáticas.
“Na última década o aquecimento global explodiu, a causa principal é a queima de combustíveis fósseis. No Brasil o fator que pesa mais é o desmatamento, essa é a principal luta no Brasil, acabar com o desmatamento. O mapa do caminho tem sido uma iniciativa de afastamento dos combustíveis fósseis para avançar além da COP30”, comenta Suely durante a sua palestra.
Em seguida, o biólogo e botânico João de Deus Medeiros apresentou o diagnóstico sobre mudanças climáticas em Santa Catarina, com foco nos impactos sobre a agropecuária, a indústria, o comércio e a sociedade civil. Segundo o estudo elaborado por ele: “44% dos prejuízos estão relacionados com enxurradas ou inundações, estiagens representam 33%, inundações 10% e vendavais 3%, estando esses impactos também relacionados à incapacidade de execução do orçamento, por parte do estado, dos recursos destinados à Defesa Civil.”
No período da tarde, ocorreram duas mesas de debate voltadas às contribuições de diferentes setores no enfrentamento da crise climática. A primeira mesa foi mediada por Danilo Funke, diretor do Conselho Regional de Biologia da 9ª Região, e contou com a participação de Paulo da Costa Maués Filho, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA); Andrea Lamberts, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); Camila Leal, da Gerência de Gestão Ambiental Rural e Florestal do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA); Flávio Lopes, capitão da Polícia Militar Ambiental; Marquito, como presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC); e Analúcia Hartmann, Procuradora da República.
Na segunda mesa de debates, mediada por Marline Dassoler Buzatto do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, participaram Sandra de Paula Santos, representante da Terra Indígena Toldo Imbu; Ricardo Abussafy, da Women in Informal Employment: Globalizing and Organizing (WIEGO); Cleonice Beppler, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC); Giem Guimarães, do Observatório de Justiça e Conservação e do Parque Nacional Eco Resort; Paulo Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e Wigold Schaffer, da Apremavi.
Durante o debate, Paulo Horta destacou a urgência de ações mais efetivas diante da crise climática: “Dez anos depois do Acordo de Paris, ultrapassamos 1,5°C, mostrando que quem governa mentiu e não sentiu o peso da lei. Precisamos mudar esse cenário, estamos rumando a um holocausto climático. É necessário descarbonizar, e a solução para a escuridão é pensarmos em acender soluções juntos.”
> Confira como foi o encontro completo no canal da ALESC
Santa e Frágil Catarina
A iniciativa é promovida pela Apremavi, em parceria com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALESC. Conta com apoio do governo do Estado, por meio do Termo de Fomento 2025TR001224. Tem apoio institucional da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), do Conselho Regional de Biologia – 9ª Região (CRBio-9) e do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMJCS) e contou com o apoio logístico da Apoena Socioambiental.
Além do seminário, foram desenvolvidos materiais de educação ambiental, como folders, jogos e cards, bem como o diagnóstico sobre a situação da crise climática no estado.
Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Miriam Prochnow
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida