Mata Atlântica registra menor desmatamento da série do INPE

10 ago, 2026

Dados divulgados pelo INPE apontam 402,36 km² de vegetação nativa suprimida entre agosto de 2024 e julho de 2025; monitoramento por satélite permite acompanhar a evolução do desmatamento no bioma.

O desmatamento na Mata Atlântica apresentou uma redução de 15,32% entre agosto de 2024 e julho de 2025. Segundo dados divulgados no dia 07 de agosto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foram suprimidos 402,36 km² de vegetação nativa no período, o que equivale a cerca de 40,2 mil hectares. É o menor valor registrado na série histórica do monitoramento do bioma, iniciada em 2001.

Os números fazem parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), atualmente utilizado pelo INPE para acompanhar anualmente a supressão da vegetação nativa nos biomas brasileiros. Os resultados foram apresentados durante a celebração dos 65 anos do Instituto, em São José dos Campos (SP).

Além da Mata Atlântica, os dados consolidados do Prodes mostram redução na Caatinga e no Pampa. Na Caatinga, a área desmatada passou de 3.484 km² para 2.289,54 km², uma queda de 34,3%. No Pampa, foram registrados 305,48 km², uma redução de 41,7%, o que também corresponde ao menor valor para o bioma.

Redução histórica do desmatamento na Mata Atlântica segundo os dados da plataforma TerraBrasilis

Redução histórica do desmatamento na Mata Atlântica segundo os dados da plataforma TerraBrasilis. Imagem: INPE/TerraBrasilis

Mata Atlântica ainda acumula forte pressão 

Apesar da redução registrada no último período, os dados históricos evidenciam a dimensão da pressão a que o bioma está submetido. O acompanhamento acumulado do Prodes também permite observar a distribuição da supressão da vegetação entre os estados da Mata Atlântica.

De acordo com os dados disponibilizados no TerraBrasilis, Minas Gerais e Bahia concentram as maiores áreas acumuladas de supressão identificadas pelo sistema, seguidos pelos três estados da Região Sul. Minas Gerais aparece com 14.904,48 km², equivalentes a 23,17% do total apresentado na plataforma, seguido pela Bahia, com 14.110,08 km² (21,93%). Na sequência estão Rio Grande do Sul, com 7.042,31 km² (10,95%); Santa Catarina, com 6.763,77 km² (10,51%); e Paraná, com 6.612,80 km² (10,28%).

A queda de 15,32% e o menor resultado da série histórica representam um sinal positivo para a Mata Atlântica, mas não eliminam a pressão sobre um bioma que passou por séculos de perda e fragmentação de sua vegetação. Mesmo no menor patamar registrado pelo Prodes, mais de 40 mil hectares de vegetação nativa foram suprimidos em apenas um ano. A dimensão reforça a necessidade de manter e ampliar as políticas de fiscalização, de conservação dos remanescentes, de regularização ambiental e de restauração ecológica.

“Precisamos transformar essa tendência de queda em um compromisso permanente, fortalecendo a fiscalização e as políticas públicas e, paralelamente, ampliando a restauração das áreas que já foram alteradas. Reduzir o desmatamento e dar escala à restauração precisam caminhar juntos”, comenta Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi.

Os dados completos do Prodes e os produtos cartográficos podem ser consultados na plataforma TerraBrasilis, do INPE.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Wigold Schäffer

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