Apremavi promove evento na Fazenda Taquara na Serra Catarinense
Área de convivência e alojamento da Fazenda Taquara vão apoiar as atividades do projeto Conservador das Araucárias em uma paisagem de mais de 950 hectares em processo de restauração e conservação.
Na última sexta-feira (28/08) ocorreu na Fazenda Taquara, em Painel (SC), um evento de apresentação do projeto Conservador das Araucárias e a inauguração de sua nova área de convivência e do alojamento. As estruturas foram reformadas para apoiar as atividades de restauração ecológica, conservação da biodiversidade, pesquisa, monitoramento e articulação com parceiros desenvolvidas na propriedade e em seu entorno.
O encontro reuniu integrantes da equipe da Apremavi, parceiros, proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), vizinhos e profissionais envolvidos nas ações realizadas na Fazenda.
“É um momento extremamente feliz e importante para o projeto Conservador das Araucárias, para a Apremavi e para todos os nossos parceiros”, destacou Miriam Prochnow, cofundadora e coordenadora de projetos da Apremavi. Segundo ela, as novas estruturas estarão disponíveis para apoiar todo o trabalho de restauração e conservação que está sendo desenvolvido na região.
Mosaico da Fazenda Taquara: uma paisagem em transformação
Antes do início das ações do projeto, a paisagem do Mosaico da Fazenda Taquara refletia décadas de exploração da floresta, seguidas por um longo período de uso agropecuário, principalmente para a criação de gado.
Com 953 hectares, o primeiro módulo do mosaico, que inclui a área da Fazenda Taquara e duas áreas vizinhas, é formado por cerca de 49% de remanescentes florestais secundários, 23% de pastagens antrópicas e 2% de campos úmidos, banhados e afloramentos rochosos, além de áreas ocupadas por outros usos.
A localização amplia sua importância para a conservação. As áreas estão inseridas em uma região utilizada para alimentação por duas espécies de aves ameaçadas de extinção, o papagaio-charão (Amazona pretrei) e o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), e próximas a RPPNs que contribuem para a formação de corredores ecológicos como a RPPN Papagaios de Altitude e a RPPN Serra da Farofa. A região também é reconhecida como prioritária para a conservação da biodiversidade pelo MMA e pela IUCN.
A conservação e a restauração ecológica abrangem cerca de 900 hectares, equivalentes a 94% deste módulo do mosaico. Uma das primeiras ações, realizada no primeiro semestre de 2025, foi a retirada dos animais de criação, seguida pela construção e reforma de cercas ao longo do perímetro das áreas, permitindo o isolamento do território e criando condições para o avanço da regeneração da vegetação nativa. “Esse é um pequeno exemplo de tudo o que ainda temos pela frente em relação à engajamento, parcerias e conservação”, completa Miriam Prochnow.
Conectando áreas protegidas na Serra Catarinense
A conservação da paisagem a longo prazo é uma das estratégias previstas para o mosaico da Fazenda Taquara, incluindo a criação de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
Para Paulo Santi, chefe do Parque Nacional de São Joaquim, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), iniciativas como essa têm importância regional por ampliarem e conectarem áreas destinadas à conservação na Serra Catarinense. “A restauração ecológica e também a criação de RPPNs têm uma importância regional muito grande”, destacou. Ele ressaltou especialmente a possibilidade de conexão entre as áreas protegidas da região, incluindo a Fazenda Taquara, as RPPNs já existentes e, em uma escala mais ampla da paisagem, o Parque Nacional de São Joaquim.
Santi também enfatizou que a conservação da biodiversidade depende da participação de diferentes setores da sociedade. “A conservação não é uma tarefa somente dos governos federal, estadual e municipal. A iniciativa privada também tem que ter participação nessa tarefa, e essa atividade demonstra isso”, afirmou. “Para nós, como gestores do Parque Nacional de São Joaquim, é muito importante ver essa iniciativa trabalhando aqui na Serra Catarinense.”
Arquitetura que conserva a memória
A inauguração também marca uma nova etapa na história das construções da Fazenda Taquara. A reforma buscou transformar antigas estruturas rurais em espaços funcionais para receber equipes e parceiros sem apagar as características históricas do local.
O projeto arquitetônico foi desenvolvido por Renato Young, que explicou que a intenção, desde as primeiras visitas à propriedade, foi aproveitar ao máximo as construções existentes. “A ideia sempre foi preservar e manter a identidade do local, para que permanecesse como uma casa de sítio e com a preservação da história”, explicou.
Elementos originais foram incorporados ao projeto, como as taipas e referências do antigo piso de pedra, enquanto intervenções em vedação, acabamentos e isolamento proporcionaram maior conforto às edificações, especialmente diante das baixas temperaturas características da Serra Catarinense.
“Acho que conseguimos manter a atmosfera do local, dando conforto e o isolamento necessário. Vai ao encontro do projeto Conservador das Araucárias: além de conservar as araucárias, conservar também a questão histórica da fazenda”, afirmou Young.
A entrega representa a conclusão da primeira etapa das intervenções arquitetônicas. Outras duas fases estão previstas, mantendo a proposta de recuperar as estruturas existentes e resgatar a história da propriedade.

Registros do evento de inauguração e da estrutura reformada da Fazenda Taquara. Fotos: Wigold Schäffer, Miriam Prochnow e Thamara S. de Almeida
Conservador das Araucárias
O Conservador das Araucárias é um projeto desenvolvido por meio da parceria entre a Tetra Pak e a Apremavi. A iniciativa promove a restauração florestal com espécies nativas associada à remoção de carbono e à mitigação das mudanças climáticas, à adequação de propriedades rurais à legislação ambiental e à conservação dos recursos hídricos, do solo e da biodiversidade, contribuindo também para a melhoria da qualidade de vida das populações inseridas no território.
O projeto tem a ambição de restaurar 7 mil hectares da Mata Atlântica até 2030, área equivalente a aproximadamente 9.800 campos de futebol.
Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Miriam Prochnow
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida