Nova lista da flora brasileira ameaçada de extinção é publicada

30 out, 2026

Atualização inclui 595 espécies e altera categorias de plantas como pau-brasil, cedro e butiá-da-serra

A Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção foi atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e reúne agora 3.730 espécies e táxons de plantas brasileiras, incluindo 595 que não constavam na versão de 2022. Como 74 foram retirados, a lista apresenta um aumento líquido de 521 registros em relação à anterior, que reunia 3.209.

A nova relação foi estabelecida pela Portaria GM/MMA nº 1.783, de 26 de outubro de 2026. Além de incluir e retirar espécies, a atualização modifica a categoria de ameaça de plantas que já constavam na lista.

Entre elas estão o pau-brasil (Paubrasilia echinata), que passou de Em Perigo para Criticamente em Perigo, e o butiá-da-serra (Butia eriospatha) e o cedro (Cedrela fissilis), que passaram de Vulnerável para Em Perigo.

Outras espécies permaneceram na mesma categoria. É o caso da araucária (Araucaria angustifolia), mantida como Em Perigo, e do palmito-juçara (Euterpe edulis), que continua classificado como Vulnerável. O xaxim (Dicksonia sellowiana) também permanece na categoria Em Perigo.

A lista nacional é um instrumento científico e jurídico que orienta políticas públicas, a criação e a gestão de áreas protegidas, o licenciamento ambiental e as ações de recuperação das espécies e dos ambientes onde vivem. A nova portaria substitui o anexo da Portaria MMA nº 443, de 2014, e revoga a Portaria MMA nº 148, de 2022.

O que mudou entre as listas

Os números abrangem espécies e, em alguns casos, subespécies ou variedades. A distribuição entre as categorias resulta tanto da entrada e da retirada de táxons quanto de mudanças na classificação daqueles que permaneceram na lista.

O aumento no número de espécies reconhecidas como ameaçadas também precisa ser interpretado considerando a ampliação das avaliações. Segundo o MMA, o número de espécies avaliadas passou de 7.524, em 2022, para 9.420 na atualização atual. Assim, a inclusão de uma planta na lista não significa, necessariamente, que sua situação tenha piorado recentemente: pode refletir a disponibilidade de novas informações científicas.

O processo foi coordenado pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com a participação de 507 pesquisadores.

Plantas da Mata Atlântica entre as inclusões

Entre as espécies que passaram a integrar a lista nacional está o ipê-caraíba (Tabebuia aurea), classificado como Em Perigo. Conhecida também como ipê-amarelo, a árvore ocorre na Mata Atlântica e em outros biomas brasileiros, como o Cerrado, a Caatinga, a Amazônia e o Pantanal.

A nova relação também inclui Hippeastrum papilio, planta nativa registrada em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, que foi classificada como Criticamente em Perigo. Outras duas espécies incluídas são Myrceugenia joinvillensis, na categoria Criticamente em Perigo, e Myrceugenia basicordata, classificada como Em Perigo. Ambas pertencem à família Myrtaceae e têm distribuição restrita na Mata Atlântica do Sul do Brasil.

Como o risco de extinção é avaliado

O Brasil adota os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) para avaliar o risco de extinção das espécies. Os pesquisadores consideram informações como o tamanho e a redução das populações, a distribuição geográfica, a fragmentação dos ambientes e os impactos de ameaças, entre elas o desmatamento, os incêndios, a expansão urbana e a exploração ilegal.

As espécies ameaçadas são distribuídas em três categorias: Vulnerável, que indica risco elevado de extinção na natureza; Em Perigo, que indica risco muito elevado; e Criticamente em Perigo, que indica risco extremamente elevado.

Entre as plantas avaliadas, a Mata Atlântica e o Cerrado apresentaram as maiores proporções de espécies ameaçadas: 38% e 35%, respectivamente. Na Amazônia, a proporção foi de 18%. Os percentuais dizem respeito às espécies analisadas em cada bioma, e não à totalidade de sua flora.

“A ciência básica realizada nas Universidades e institutos de pesquisa é essencial para conhecermos a diversidade da nossa flora. Ao estudar as espécies em seus habitats naturais, podemos reunir informações sobre sua distribuição, suas populações e as ameaças que enfrentam. Esse conhecimento é fundamental para atualizar as listas de espécies ameaçadas e orientar ações de conservação”, comenta Guilherme Peres Coelho, botânico e pesquisador que colabora com a avaliação de espécies ameaçadas da flora.

Informação para orientar a conservação

A lista nacional contribui para identificar as espécies que necessitam de atenção e orientar políticas públicas e ações de conservação. Ela também fundamenta medidas de proteção e restrições a atividades como coleta, corte e comercialização, observadas as condições e exceções previstas na legislação.

“Manter essas informações atualizadas é fundamental para que as decisões acompanhem o avanço do conhecimento e as mudanças nas ameaças à biodiversidade”, conclui Guilherme.

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Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do MMA
Revisão: Guilherme Peres Coelho
Foto de capa: Wigold Schäffer

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