Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

14 abr, 2026

 

A Escallonia bifida, popularmente conhecida como canudo-de-pito, é uma espécie de árvore nativa de grande valor ecológico, especialmente reconhecida por sua importância para as abelhas e por seu potencial em projetos de restauração ecológica.

O nome do gênero Escallonia homenageia Don Antonio Escallón, botânico americano, discípulo de José Celestino Mutis, que identificou a planta na região da Nova Granada (atual Colômbia). Já o epíteto específico bifida deriva do latim e significa “partida em dois”, em referência ao formato das folhas, que frequentemente apresentam um pequeno recorte no ápice.

Polinização e floração

A espécie é altamente atrativa para polinizadores. As abelhas são seu principal vetor de polinização, além de diversos insetos de pequeno porte.

No sul do Brasil, a floração ocorre entre dezembro e abril no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, estendendo-se até junho no Paraná. Já a frutificação se concentra entre fevereiro e junho, dependendo da região. A dispersão das sementes ocorre de forma anemocórica, ou seja, pelo vento, o que favorece a colonização de novas áreas.

Distribuição e ecologia

Ocorre naturalmente no Uruguai e, no Brasil, está presente em diversos estados, incluindo Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, sendo encontrado principalmente na Floresta Ombrófila Densa e na Floresta Ombrófila Mista do bioma Mata Atlântica.

Trata-se de uma espécie pioneira, ou seja, uma das primeiras a colonizar áreas alteradas. Apesar disso, apresenta crescimento lento. Também possui capacidade de rebrotar a partir da cepa, o que contribui para sua persistência no ambiente.

A maturação dos frutos ocorre de forma irregular, permitindo a coleta tanto de frutos maduros (verde-escuros) quanto imaturos (verde-claros). Um método simples de beneficiamento consiste na maceração dos frutos em água, na qual as sementes afundam e o material inerte flutua, facilitando a separação.

Importância apícola e uso na restauração ecológica

O canudo-de-pito é uma espécie melífera de destaque, fornecendo néctar e pólen que resultam em um mel de excelente qualidade. Esse mel é especialmente valorizado na região de Prudentópolis (PR), conhecida como a “capital do mel”.

Apresenta grande potencial em projetos de restauração ecológica, especialmente em áreas com drenagem lenta ou sujeitas a alagamentos periódicos. Sua tolerância ao encharcamento a torna indicada para recuperação de áreas alteradas, matas ciliares e ambientes fluviais ou ripários.

Aspectos do canudo-de-pito (Escallonia bifida). Foto: Rachel Green Belt (CC BY-NC-SA 2.0) via Flickr

Canudo-de-pito

Nome científico: Escallonia bifidai Link & Otto.

Família: Escalloniaceae.

Fruto: em cápsula, com cerca de 3,5 mm de diâmetro.

Flor: agrupadas em inflorescências chamadas panículas, que são como pequenos “cachos” com várias flores juntas. 

Crescimento da muda: lento.

Coleta de sementes: a maturação dos frutos do canudo-de-pito ocorre de maneira irregular, podendo ser coletados tanto frutos maduros, de coloração verde-escura, quanto frutos imaturos, de coloração verde-clara. Um beneficiamento parcial das sementes pode ser obtido pela maceração dos frutos em água e pela decantação natural das sementes.

Germinação: a emergência começa entre 22 e 70 dias após a semeadura. O poder germinativo é bastante variável e irregular (5% a 61%). As mudas atingem porte para plantio cerca de 3 meses após a semeadura.

Plantio: recomenda-se o plantio em pleno sol. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA nº 148/2022 | IUCN: Não consta.

 

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Canudo-de-pito: Copaifera trapezifolia. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 115-119. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1140588/canudo-de-pito-escallonia-bifida. Acesso em:13 abr. 2026.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Melburnian, CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons  via Wikimedia Commons

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