Com participação da Apremavi, relatório “Mulheres que Sustentam o Clima” é lançado em São Paulo
No dia 25 de julho de 2026, em comemoração do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a Apremavi participou do lançamento do relatório “Mulheres que Sustentam o Clima – Defensoras Climáticas no Cuidado com a Rede da Vida”. O evento aconteceu no Museu das Favelas, em São Paulo (SP).
O relatório reúne depoimentos de 26 mulheres defensoras climáticas de todo o Brasil, entre indígenas, quilombolas, ribeirinhas, pescadoras, agricultoras familiares, trans, travestis, lideranças de periferia e ambientalistas. O estudo foi desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Gênero e Justiça Climática do Observatório do Clima, no âmbito do programa Defensoras por Defensoras, com apoio da Fundação Avina, por meio da iniciativa Clima e Cuidado e em parceria com as seguintes instituições: Apremavi, Caranguejo Tabaiares Resiste, Instituto Internacional de Educação do Brasi (IEB), Instituto Centro de Vida (ICV) e Comitê Chico Mendes.
As entrevistas mostram que, para quem está na linha de frente da defesa dos territórios, o cuidado vai além das relações entre pessoas. Envolve também a água, a floresta, os bens comuns e a vida coletiva. Esse entendimento, porém, ainda não está incorporado às políticas públicas.
Utilizando metodologia da Universidade Nacional de San Martín, da Argentina, os depoimentos foram categorizados em conjunto com as próprias entrevistadas. Entre os achados, identificou-se um padrão de comportamento em situações extremas: são sempre as mulheres que ficam no local atingido, cuidam dele e lideram sua reconstrução quando o clima, a economia ou o Estado falham. O modelo se repete em contextos tão distintos quanto aldeias indígenas do Cerrado, quilombos do Maranhão e periferias urbanas de Manaus.
O trabalho estabelece uma correlação das histórias coletadas com a Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024),o que permitiu apontar lacunas nessa legislação: ela não desenvolve mecanismos específicos de apoio para lideranças comunitárias e defensoras de território; não reconhece as comunidades tradicionais como agentes de proteção climática e conservação ambiental; concentra o conceito de cuidado na reprodução cotidiana entre pessoas, sem alcançar a ecodependência – ou seja, a relação entre cuidar de gente e cuidar do território ao mesmo tempo.

Miriam Prochnow, cofundadora da Apremavi, durante o lançamento do relatório “Mulheres que Sustentam o Clima – Defensoras Climáticas no Cuidado com a Rede da Vida”. Foto: Observatório do Clima.
Miriam Prochnow, cofundadora da Apremavi, é uma das entrevistadas e integra a iniciativa desde o início. Em 2025, a Apremavi sediou uma reunião do Comitê das Defensoras. Recentemente, Miriam escreveu um artigo sobre Clima e Cuidado, no qual enfatiza: “depois de tantos anos de militância, o que penso é simples: a humanidade só terá alguma chance de atravessar esta crise se reaprender a cuidar. Mas esse cuidado, para ser verdadeiro, precisa vir acompanhado de justiça, coragem e enfrentamento político. Não haverá saída baseada apenas em tecnologia, mercado ou adaptação superficial. A saída, se vier, terá de ser construída com compromisso radical com a vida humana e não humana e com disposição para romper com tudo aquilo que transformou a destruição em norma. O Planeta Terra, de alguma forma, vai sobreviver. Já a sobrevivência da humanidade vai depender do tamanho do cuidado que vamos conseguir implementar”.
Miriam também chama a atenção para algumas questões importantes que devem ser consideradas em situações de ameaça. Segundo ela, é necessário sempre ter argumentos embasados na realidade, na ciência, em fatos irrefutáveis; sempre ter uma rede de apoio; nunca ignorar uma ameaça; colocar a boca no trombone, dando visibilidade ao fato; e responsabilizar as autoridades pela segurança da(s) pessoa(s) ameaçada(s).
Confira também a matéria na Agência Brasil.

Autora: Carolina Schaffer com informações de Observatório do Clima
Revisão: Miriam Prochnow
Foto de capa: Observatório do Clima