Laranjinha-do-mato, a mirtácea pouco conhecida da Mata Atlântica
Nativa da Mata Atlântica e com ocorrência registrada entre os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a Eugenia speciosa Cambess. é uma espécie da família Myrtaceae, mesmo grupo da pitanga (Eugenia uniflora L.) e da goiabeira-serrana (Acca sellowiana (O. Berg) Burret).
Apresenta diferentes tamanhos, dependendo do ecossistema onde ocorre, desde arbustos de 1 a 3 metros de altura na restinga, podendo atingir até 20 metros de altura em florestas. O tronco mede 10 a 30 centímetros de diâmetro e a casca tem coloração pardo-acinzentada que se desprende em escamas, característica comum entre as mirtáceas.
Muitas espécies da fauna alimentam-se com o fruto da espécie, que apresenta coloração amarelada e alaranjada, 1,5 a 2,5 cm de diâmetro e polpa suculenta. Uma única semente é gerada em cada drupa, e a dispersão das sementes é realizada principalmente por zoocoria, ou seja, através dos animais. Os frutos também podem ser consumidos pelas pessoas, in natura ou na forma de geléia.
As mudas apresentam um crescimento rápido, especialmente em solos vermelhos e arenosos com rápida drenagem da água das chuvas. Além disso, a espécie é muito resistente a condições adversas: é resistente a geadas leves, frutifica tanto em pleno sol como na sombra pode ser cultivada em áreas inundáveis. Além de aplicações em atividades para a restauração ecológica da Mata Atlântica, a espécie pode ser utilizada para fins paisagísticos.

Aspectos da Eugenia speciosa. Fotos: Vitor Lauro Zanelatto.
Laranjinha-do-mato
Nome científico: Eugenia speciosa Cambess.
Família: Myrtaceae
Coleta de sementes: coletar os frutos diretamente da árvore quando iniciarem a queda espontânea, ou recolhê-los do chão após a queda.
Floração: flores brancas, com floração entre os meses de agosto e novembro.
Fruto: carnoso, com uma casca espessa de cor amarela. Mede cerca de 2,5 cm de diâmetro. Os frutos amadurecem entre dezembro e fevereiro, dependendo da região.
Crescimento da muda: rápido.
Germinação: alta, ocorre entre 60 e 90 dias.
Plantio: pode ser plantada em pleno sol, solos úmidos e regiões acima de 700 metros de altitude.
Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Menos preocupante (Least Concern – LN) (IUCN).
Referências consultadas:
BRASIL. Portaria nº 148, de 07 de junho de 2022. Portaria MMA Nº 148. Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Portaria/2020/P_mma_148_2022_altera_anexos_P_mma_443_444_445_2014_atualiza_especies_ameacadas_extincao.pdf. Acesso em: 01 abr. 2025.
GIEHL, E.L.H. (coordenador) 2025. Flora digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Disponível em: http://floradigital.ufsc.br. Acesso em: 01 abr. 2025.
IUCN. IUCN Red List. 2022. Disponível em: https://www.iucnredlist.org/. Acesso em: 01 abr. 2025.
JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO. Reflora. Disponível em: https://reflora.jbrj.gov.br/reflora/herbarioVirtual/. Acesso em: 01 abr. 2025.
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992.
MUNIZ, H. J. T. Colecionando Frutas: Eugenia speciosa. Disponível em: https://www.colecionandofrutas.com.br/eugeniaspeciosa.htm/. Acesso em: 01 abr. 2025.
Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto