Onde fica a mata?

A Mata Atlântica é o segundo bioma mais ameaçado de extinção do planeta, só as florestas de Madagascar estão mais ameaçadas. Apesar disso, ela mantém índices altíssimos de biodiversidade (um dos maiores do mundo) que a classifica como um “hotspot”, ou seja, um lugar onde existe uma grande riqueza de diversidades biológica e ao mesmo tempo sofre uma grande ameaça.

A Mata Atlântica é considerada Patrimônio Nacional pela Constituição Federal e abrange total ou parcialmente 17 Estados brasileiros e mais de 3 mil municípios. No Nordeste abrange também os encraves florestais e brejos interioranos, no Sudeste alcança parte dos territórios de Goiás e Mato Grosso do Sul e no Sul estende-se pelo interior, alcançando inclusive parte dos territórios da Argentina e Paraguai.

Quando os primeiros europeus chegaram ao Brasil, em 1500, a Mata Atlântica cobria 15% do território brasileiro, área equivalente a 1.306.421 Km2. Atualmente existem variações com relação ao número de remanescentes de um estado para outro. O índice geral ainda utilizado atualmente é o de 1995, aferido em um levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica, do Instituto Socioambiental, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Sociedade Nordestina de Ecologia, que aponta que no Brasil tem apenas 7,84% de remanescentes da Mata Atlântica, com cerca de 102.000 Km2.

Os novos levantamentos que estão sendo realizados pelo Governo Federal devem mudar um pouco este panorama, números parciais indicam um percentual em torno de 20%, quando se leva em conta os estágios médios de regeneração da floresta. Isto aponta um dado importante, que é a capacidade da Mata Atlântica de se regenerar. No entanto não muda a situação crítica em que se encontram os estágios avançados e primários da floresta, que são exatamente os mais bem conservados da floresta. Os próprios dados recentemente divulgados pela fundação SOS Mata Atlântica, para oito estados, apontam que o ritmo de desmatamento diminuiu em alguns estados e que já temos algum sinal de vida para comemorar. Entretanto estados como Santa Catarina, que foi o campeão de desmatamento neste novo levantamento, seguido pelo Paraná, apontam que ainda temos muitos problemas para resolver.

Além disso, é importante destacar que estes 7,84% não estão distribuídos de forma equilibrada entre as várias fitofisionomias do Bioma. Ecossistemas como a floresta ombrófila mista (a Floresta com Araucárias), as florestas estacionais, os campos de altitude, os manguezais e as restingas estão muitos ameaçados e as perdas continuam sendo grandes. Da floresta com araucárias, por exemplo, restam menos de 3% de remanescentes.

Desta forma, a situação é ainda mais grave, pois este é um dos ecossistemas mais ameaçados, dentro do Bioma mais ameaçado. Esta é a realidade com a qual a população da Mata Atlântica tem que conviver e é um grande desafio conservar o que ainda resta e recuperar áreas prioritárias. Uma das metas da Convenção da Biodiversidade, por exemplo, diz que precisamos ter 10% de cada Bioma preservado em unidades de conservação, sendo que na Mata Atlântica esse índice mal chega a 3%.

Presente em 17 estados brasileiros, a Mata Atlântica que conhecemos hoje é o resultado de diferentes paisagens originais, forjadas pelos processos naturais, e também de diferentes histórias de ocupação, exploração e manejo, conforme sua localização.

Apresentar o que aconteceu (e ainda está acontecendo) com o bioma em cada um desses locais é uma forma de entender o todo, a partir da montagem de um quebra-cabeça, através da diversidade de informações e até de abordagem dos artigos.

Para saber mais sobre a Mata Atlântica em cada estado consulte o livro: “Mata Atlântica – Uma rede pela floresta”, editado pela Rede de ONGs da Mata Atlântica no ano de 2006. Cada um dos textos traz enfoques diferentes, mas sempre buscando clarear o entendimento sobre como a Mata Atlântica chegou à situação de quase extinção em alguns estados, como em Alagoas, onde sobraram apenas 6,04% da área original do bioma, ou então no Piauí, onde restaram apenas 0,1% da área original. Também é possível perceber que a exploração predatória, mesmo nos estados de ocupação mais antiga, como São Paulo, ocorreu mais intensamente nos últimos 100 anos. O mesmo processo de desmatamento rápido e descontrolado atingiu estados de ocupação mais recente, como o Espírito Santo, que passou três séculos e meio de ocupação portuguesa com suas florestas praticamente intactas, mas entrou no século XXI com índices de cobertura vegetal semelhante aos demais estados do bioma.

Além de mostrar as peculiaridades das fitofisionomias da Mata Atlântica nos estados, alguns textos analisam as condições de cada uma delas, as pressões atuais e o que tem sido feito no sentido de inverter o processo de destruição.