Restauração da Mata Ciliar como aliada no combate à desertificação e à seca

17 jun, 2026

Hoje, 17 de junho, é celebrado o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca; por isso,  enfatizamos o papel da restauração ecológica como aliada nessa luta, sobretudo na recuperação das Matas Ciliares, que são faixas de vegetação nativa que acompanham o curso de corpos d’água, como rios, lagos, nascentes e represas.

A restauração das Matas Ciliares é fundamental para proteger os recursos hídricos, evitar o assoreamento dos rios, reter a umidade no solo e recarregar os lençóis freáticos. Assim como os cílios protegem os olhos, essas matas atuam como uma barreira natural de proteção ao meio ambiente.

Para restaurar essas áreas, o trabalho inicia-se com a identificação das áreas, seguido da restauração da vegetação local e, por fim, do monitoramento.

Dicas para restaurar a Mata Ciliar em 3 passos

  1. Proteja a área e identifique os problemas
    O primeiro passo é identificar os fatores de degradação e agir para proteger as margens de rios, córregos, nascentes e áreas úmidas contra eles.  Esse diagnóstico ajuda a definir as ações necessárias para recuperar a função da Mata Ciliar. Por exemplo, se necessário, é importante cercar a área para controlar a entrada e a livre circulação de animais de criação. Também evitar queimadas e impedir o descarte de resíduos.
  2. Estimule a regeneração natural e realize o plantio de nativas
    Após o diagnóstico e a ação inicial de proteção da área, observe se há árvores, arbustos ou sementes nativas capazes de regenerar naturalmente a vegetação. Quando a regeneração natural é possível, basta acompanhar a trajetória e controlar os fatores de degradação.  Em locais mais degradados, é necessário realizar o plantio de espécies nativas da região, priorizando a diversidade arbórea e respeitando as características do ambiente. A combinação entre a regeneração natural e o plantio costuma gerar melhores resultados e reduzir custos.  
  3. Faça a manutenção e monitore a recuperação
    A restauração não termina com o plantio. Nos primeiros anos, é fundamental acompanhar o desenvolvimento da vegetação e, quando necessário, realizar roçadas para reduzir a matocompetição, combater o ataque de formigas e replantar mudas que não sobreviveram. Com o tempo, a Mata Ciliar recupera sua capacidade de proteger as margens contra a erosão, melhorar a infiltração da água no solo, conservar a biodiversidade e garantir maior qualidade e disponibilidade de água para as pessoas e para a natureza.

Saiba como restaurar a Mata Ciliar e contribuir no combate à seca em três passos.

A importância da Mata Ciliar

 

As consequências da degradação da Mata Ciliar são significativas, com prejuízos ao solo marginal ao leito do rio, o que leva ao seu assoreamento. A falta de árvores no ambiente abre espaço para a entrada de resíduos sólidos e de lixo até a água. Sem a barreira da vegetação, componentes tóxicos presentes no ar, provenientes do uso de agrotóxicos, também acabam sendo levados diretamente ao rio. E a cobertura do solo precária  facilita o desenvolvimento de plantas exóticas invasoras.

Além disso, Matas Ciliares desprovidas de vegetação perdem rapidamente seus nutrientes e capacidade de retenção de água, o que pode piorar o cenário de seca durante uma crise, uma vez que as raízes das árvores têm o papel de aumentar a porosidade da terra, permitindo que a água da chuva penetre no solo e abasteça os lençóis freáticos, garantindo a perenidade dos rios durante os períodos de estiagem.

Por isso, enfatizamos a importância da recuperação da vegetação nativa, sobretudo nas Áreas de Preservação Permanente (APPs), como as Matas Ciliares.

De acordo com o Código Florestal, as APPs, em zonas rurais ou urbanas, são as faixas marginais de qualquer curso d’água natural, perene e intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de:
・Nascentes | raio de 50 metros em forma de círculo
・Rios com até 10 metros de largura | 30 metros em cada margem
・Rios de 10 a 50 metros de largura | 50 metros em cada margem
・Rios de 50 a 200 metros de largura | 100 metros em cada margem
・Rios de 200 a 600 metros de largura | 200 metros em cada margem
・Rios acima de 600 metros de largura | 500 metros em cada margem

> Saiba mais na cartilha Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis

Crédito: cartilha Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis (Apremavi, 2022).

Autora: Patricia Krieger
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Maíra Ratuchinski/Arquivo Apremavi

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