Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental fortalece construção coletiva

2 jul, 2026

Entre os dias 26 a 28 de junho, a Apremavi participou do Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, realizado no Centro Diocesano de Formação Dom José Jovêncio Balestieri, em Rio do Oeste (SC). 

Promovido pela Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina, em parceria com o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental e com apoio do Fundo Nacional da Solidariedade, o encontro reuniu mais de 70 representantes de organizações da sociedade civil, movimentos sociais, universidades, povos originários, comunidades tradicionais e lideranças de diferentes regiões do estado para discutir caminhos de enfrentamento à crise climática.

Construindo respostas para a crise climática

Com o tema “Bem Conviver com a Mata Atlântica”, a programação reuniu diferentes formas de conhecimento, científico, técnico e tradicional, para debater temas como proteção das águas, agroecologia, conservação da biodiversidade, justiça climática, transição energética, defesa dos territórios indígenas e quilombolas e fortalecimento da organização comunitária.

Segundo Fabiana Gonçalves Henkel, integrante da Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina e uma das organizadoras do seminário, a principal mensagem do encontro é que a crise climática “não é apenas um problema ecológico ou técnico, mas uma crise civilizatória, ética, política e espiritual”. Para ela, enfrentar esse cenário exige mudanças estruturais e um novo paradigma baseado na Ecologia Integral, reconhecendo que a natureza não é uma mercadoria, mas parte essencial da comunidade de vida.

Fabiana destaca ainda que o maior desafio para as organizações socioambientais é enfrentar as desigualdades que agravam os impactos da crise climática, fortalecendo a defesa da água, dos territórios tradicionais, da agroecologia, da educação ambiental e da participação social. Ela ressalta que a articulação entre universidades, movimentos sociais, povos originários e comunidades tradicionais foi um dos principais resultados do seminário, ao reunir diferentes saberes para construir soluções coletivas e fortalecer a incidência política em defesa da justiça climática.

Manifesto do evento

O principal resultado do encontro, foi o Manifesto de Rio do Oeste, uma carta pública construída coletivamente por representantes de 42 organizações. O documento defende ações estruturantes para enfrentar a crise climática com justiça socioambiental e reforça que seus impactos vão além da dimensão ambiental, exigindo transformações no atual modelo de desenvolvimento.

Entre as propostas estão a proteção dos territórios tradicionais, a conservação da biodiversidade, o incentivo à agroecologia, a garantia do direito à água, o fortalecimento da participação popular, da educação ambiental e da gestão dos riscos climáticos.

A contribuição da Apremavi

A Apremavi integrou a programação técnica do evento por meio da participação do professor Raphael Zulianello no painel dedicado aos Campos de Altitude, destacando a importância desse ecossistema da Mata Atlântica para a conservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e da estabilidade climática.

Além disso, a instituição forneceu mudas de espécies nativas para distribuição aos participantes e materiais educativos que contribuíram para as discussões ao longo da programação, reforçando que restaurar e conservar florestas são ações essenciais para enfrentar a emergência climática.

Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental

Bandeiras das organizações e ações sugeridas em prol da justiça socioambiental no clima. Foto: Daiana Tãnia Barth.

Autora: Daiana Tânia Barth
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Seminário Cáritas

Pin It on Pinterest