SOBRE 2026 reafirma lema da Apremavi: restauração e conservação andam juntas
Apremavi marcou presença na VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), apresentando oito pôsteres com resultados de projetos e ações que realiza no território catarinense.
A SOBRE 2026 ocorreu de 27 a 31 de julho de 2026, na Universidade de Brasília (UnB), em meio à exuberância da biodiversidade do Cerrado brasileiro. Realizada pela Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica, com o apoio da Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum), o evento teve como tema “Inclusão e Justiça Climática” e reuniu pesquisadores, gestores de projetos ambientais, empresas, restauradores, coletores de sementes e representantes dos Povos Indígenas, Povos e Comunidades Tradicionais (PIPCTAFs) em diálogos multissetoriais.
A cerimônia de abertura, na tarde de 27 de julho, contou com a presença do ministro do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco, que afirmou que restaurar paisagens depende da articulação entre ciência, políticas públicas, conhecimento tradicional, financiamento e participação social. Citou o Planaveg e o compromisso brasileiro de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. “Restaurar paisagens é restaurar a capacidade da natureza de restaurar a vida“, disse.

Cerimônia de abertura com a fala do ministro do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco. Foto: Carolina Schäffer
No segundo dia, a plenária “Restauração e Crise Climática: Mitigação, Adaptação e Justiça”, mediada por Isabel Schmidt, trouxe reflexões da professora Mercedes Bustamante, que destacou que os limites de 1,5 a 2 graus de aquecimento serão ultrapassados ao longo do século e que a restauração é central para alavancar a agenda em todos os biomas brasileiros. A liderança indígena Tamikuã Txihi defendeu que não se pode pensar em restauração sem olhar para a memória dos territórios. “Tem que olhar para a terra com o coração“, afirmou.
No dia 29 de julho, a palestra “Restauração dos Sonhos” lembrou que sonhar é preciso. Danielle Celentano defendeu que a degradação da natureza é reflexo da degradação da sociedade. “Restaurar também significa resgatar a capacidade de sonhar“, disse.
Em seguida, as Rodadas de Conexão reuniram, pela primeira vez na conferência, em mesas compartilhadas, uma ampla diversidade de atores da cadeia produtiva da restauração ecológica. Pesquisadores, governo, ONGs, empresas, financiadores, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e viveiristas ocuparam o mesmo espaço, com o objetivo de democratizar o acesso entre quem financia, quem pesquisa, quem faz a gestão e quem faz a restauração no campo.

No quarto dia, a plenária “Conservar e Restaurar, parceria necessária”, moderada por Vera Lex Engel, enfatizou um lema que há tempos faz parte do cotidiano da Apremavi: a ideia de que restauração e conservação andam juntas. Na mesa, Claudomiro Almeida Cortes, presidente da Associação de Coletores de Sementes Cerrado de Pé, compartilhou sua experiência de restauração na Chapada dos Veadeiros e ensinou o “PUSH” da muvuca de sementes, uma saudação do cerrado pela restauração.
“Ver que a SOBRE está ampliando a participação dos diferentes setores, povos e territórios e trazendo temáticas tão variadas, como a percepção da importância de aliamos os esforços de restauração e conservação é fundamental para que a agenda ganhe cada vez mais força e escala no território brasileiro”, comenta Carolina Schaffer, vice presidente da Apremavi.
Além das plenárias, a equipe da Apremavi acompanhou sessões simultâneas voltadas a temas diretamente relacionados à sua atuação. Entre elas, destacaram-se os debates sobre restauração florestal e carbono, alianças para a governança da paisagem, regeneração natural assistida, metodologias de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), uso de aplicativos móveis no monitoramento da restauração, fortalecimento da cadeia de sementes e mudas nativas e a ampliação do monitoramento para além da vegetação, incorporando indicadores capazes de avaliar a recuperação dos ecossistemas como um todo.
A participação nesses espaços permitiu conhecer experiências de diferentes regiões do país, fortalecer redes de colaboração e trocar conhecimentos que contribuem para qualificar as ações de restauração.

Sessões simultâneas durante a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026). Fotos: Carolina Schäffer e Thamara Almeida
A participação da Apremavi
A Apremavi marcou presença na SOBRE2026 com a participação na reunião aberta do Conselho do Pacto Mata Atlântica; no lançamento do folheto “As Salvaguardas da Restauração”, elaborado pela Frente de Trabalho Social e de Gênero do Pacto; e a apresentação de oito pôsteres, distribuídos em três eixos.
No eixo do Conservador das Araucárias, foram apresentados quatro trabalhos: “Governança e engajamento social impulsionam a restauração florestal: o caso do município de Santa Rosa de Lima (SC)”, “Trajetórias de carbono: desempenho de modelos distintos de restauração da Mata Atlântica”, “Avaliação de arranjos de semeadura direta na restauração da RPPN Irmãs Grimm, Papanduva (SC)”, e “Sensoriamento remoto como ferramenta diagnóstica: comparação de métodos por meio de ortomosaicos em cores verdadeiras (RGB)”.
“O evento oportunizou conexões, troca de experiências e conhecimentos. Gostei muito da experiência de participar do evento pela primeira vez”, comenta Maíra Ratuchinski, técnica ambiental da Apremavi, que esteve presente no evento e apresentou alguns dos pôsteres do Conservador.
No âmbito do programa +Floresta, foram apresentados dois resumos: “Rede de Sementes Mais Floresta: gerando renda e promovendo a restauração na Mata Atlântica” e “Geração +Floresta: educação ambiental e formação de jovens para a restauração na Mata Atlântica”.
Para completar as apresentações, dois trabalhos sobre fauna: “Plano de Manejo gera conhecimento sobre mamíferos em áreas restauradas e conservadas” e “O que dizem a legislação e os protocolos sobre monitoramento da fauna na restauração ecológica da Mata Atlântica?”. Em breve, os resumos estarão disponíveis para download nos anais da conferência, que poderão ser acessados no site do evento.
O evento se encerra hoje, 31 de julho, com apresentação de pôsteres e as últimas rodadas de conexão. A SOBRE2026 consolidou-se como um espaço de diálogo entre ciência, políticas públicas, conhecimento tradicional e prática de campo, e a Apremavi, com sua agenda, reafirma seu compromisso com a restauração da Mata Atlântica como estratégia de conservação, inclusão social e justiça climática.

Sessões de pôsteres durante a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026). Fotos: Carolina Schäffer, Maíra Ratuchinski e Thamara Almeida
Por fim, no último dia do evento entidades e movimentos da restauração e conservação ecológica do País assinaram uma carta conjunta endereçada aos candidatos à eleição do Executivo e Legislativo em diferentes esferas.
O documento alerta que a degradação dos ecossistemas já ameaça a segurança hídrica, energética e alimentar do Brasil e defende a restauração ecológica como condição fundamental para o desenvolvimento do país, com o fortalecimento dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.
Autora: Carolina Schäffer
Revisão: Thamara S. de Almeida
Foto de capa: Thamara S. de Almeida