A bracatinga (Mimosa scabrella) é considerada uma das espécies de crescimento inicial mais rápido do Sul do Brasil. Conhecida popularmente também como, abracaatinga, bracatinho e paracaatinga, destaca-se principalmente pela alta capacidade de colonizar terrenos totalmente descobertos. É uma árvore semidecídua, heliófila e pioneira, de crescimento rápido, características estas que a tornam excelente para a recuperação de áreas degradadas.

Pode ter de 5 a 15 m de altura e 30 a 40 cm de diâmetro. Seu tronco é reto e alto, quando em maciços ou curto e ramificado, quando isolada.

Quando jovem, a casca externa é marrom-acastanhada, com o crescimento passa a castanho-acinzentada, áspera, verrugosa e com separação em fendas com orientação longitudinal. A casca interna é de coloração bege-rosada a rosada.

Sua ocorrência é de São Paulo ao Rio Grande do Sul em regiões de altitudes nas florestas com araucárias.

O aparecimento dos botões florais da bracatinga dá-se em longo período do ano, porém com maior intensidade a partir do mês de junho, prolongando-se até agosto. Os frutos são do tipo vagem e amadurecem de novembro a janeiro. A floração e a frutificação iniciam a partir de dois anos em plantios.

Nos meses de frio no sul, essa leguminosa, é a única espécie que fornece pólen e néctar em abundância, sendo portanto de grande utilidade para apicultura.

Por serem altamente melíferas são muito visitadas por abelhas dos gêneros Apis e Trigona, que polinizam suas flores na busca de mel. O mel da flor de bracatinga é raro e de paladar amargo, porém extremamente medicinal. Age sobre o estômago, fígado e intestinos. Ajuda a equilibrar a taxa de açúcar no sangue. Pode ser usado por diabéticos e hipoglicêmicos.

A árvore é bastante ornamental, principalmente quando há presença de flores. Pode ser empregada, com sucesso, no paisagismo, principalmente na arborização de ruas estreitas. Como restrição, apresenta baixa longevidade.

Ela também é recomendada para a conservação de solos e na recuperação e reabilitação de solos degradados. Por regeneração natural ou sendo plantada, recobre rapidamente terrenos descobertos, inibindo a vegetação herbáceo-arbustiva e criando condições de micro clima favoráveis para espécies tolerantes ao sombreamento. A espécie é também recomendada para reposição de mata ciliar em locais com ausência de inundação.

Em seu ciclo de regeneração, numa dada fase de sucessão secundária, a bracatinga pode formar característicos maciços homogêneos. Nessas circunstâncias é possível fazer sua exploração, com base na lei 11.428 de 2006 (a lei da Mata Atlântica) e no decreto 6.660 de 2008, pelo fato da bracatinga se caracterizar como uma espécie pioneira (vide capítulo XI do decreto e portaria em anexo). Sua exploração nesse caso depende de autorização prévia dos órgãos competentes.

A madeira de bracatinga pode ser usada, em vigamentos, escoras em construção civil, para partes não aparentes de móveis, caixotaria, embalagens leves, compensados, laminados e aglomerados, para cabos de ferramentas e utensílios domésticos, além de peças para artesanato e marcenaria em geral.

Os índios de várias etnias do Paraná e de Santa Catarina, usam a casca do caule da bracatinga para combater coceiras.

Flor de bracatinga. Foto: Acervo Apremavi.

Bracatinga

Nome científico: Mimosa scabrella Benth.
Família: Fabaceae
Utilização: Madeira muito utilizada para lenha, construção civil e caixotaria. Utilizada também para paisagismo.
Época de coleta de sementes: Novembro a dezembro.
Coleta de sementes: Coleta das vagens diretamente da árvore quando iniciarem a abertura espontânea ou através da colocação de lonas sob as árvores nas horas mais quentes do dia com posterior recolhimento das sementes.
Fruto: Legume amarelo (vagens).
Flor: Amarela.
Crescimento da muda: Rápido.
Germinação: Rápida.
Plantio: Mata ciliar, área aberta, solo degradado.
Observação: Antes da semeadura as sementes devem passar por processo de quebra de dormência através de água fervente.

Fontes consultadas

BRACATINGA. In: Embrapa Florestas. Disponível em: http://www.cnpf.embrapa.br/pesquisa/efb/index_especies.htm. Data de acesso: 11 mar. 2009.

LORENZI, H. Mimosa scabrella Benth. In: LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. p. 262.

PROCHNOW, M (org). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: APREMAVI, 2007. 188p.

PROPRIEDADES do Mel: flor de bracatinga.In: Edições Natureza. Disponível em: http://www.ednatureza.com.br/mel.htm. Data de acesso: 26 mar. 2009.

Autoras: Tatiana Arruda Correia e Miriam Prochnow.