A sustentabilidade depois da pandemia

A sustentabilidade depois da pandemia

A sustentabilidade depois da pandemia

Essa é a grande questão. A pandemia da Covid-19 está mostrando que o mundo tem condições de se mobilizar para tentar evitar catástrofes. Literalmente todos os países, mesmo os governados por terraplanistas como os USA e Brasil, estão se mobilizando e tomando decisões inimagináveis há poucas semanas, e o mais interessante, a maioria da população (pobres, ricos, empresários e trabalhadores, com exceção dos terraplanistas e outros fundamentalistas) entenderam e estão participando da mobilização e dando o melhor de si para tentar superar logo e da melhor maneira possível esse flagelo.

Isso é uma boa notícia, mas a pergunta é: a retomada da vida “normal” após a pandemia vai ter um rumo mais sustentável ou será ainda menos sustentável que hoje?

Se atentarmos para o que dizem a unanimidade dos cientistas, veremos que os efeitos das mudanças climáticas poderão ser, no médio e longo prazo, muito mais sérias e seus efeitos muito mais devastadores, não apenas para os humanos mas para toda a vida na terra.

A diferença em relação à pandemia da Covid-19 é que os efeitos das mudanças climáticas não são sentidos assim tão rapidamente e isso tem resultado, em que pese todos os alertas dos cientistas, ambientalistas e de jovens como Greta Tumberg, em letargia, falta de mobilização e ação dos atores políticos e empresariais, com honrosas exceções.

Diante da dura realidade que o coronavírus está impondo é hora de pensar no mundo que vai emergir após a pandemia. Os mesmos atores que agora lutam para salvar vidas humanas e evitar que a economia entre em colapso, terão que trabalhar para que a retomada das relações sociais e econômicas realmente seja num rumo muito mais sustentável e com maior empatia, colaboração, parceria, diálogo e solidariedade do que tem sido até hoje.

Não é possível imaginar que o mundo saia dessa catástrofe sanitária e continue no rumo do abismo. Os riscos existem e tem muita gente pensando em como reorientar a economia num modelo mais sustentável.

Existem inúmeras ações que precisam ser implementadas, rumos corrigidos, parcerias e colaborações estabelecidas. Só a paz, a solidariedade, a democracia e a colaboração entre pessoas, empresas, governos, países, ouvindo a voz dos cientistas e corrigindo os erros do passado, poderão levar ao caminho da sustentabilidade ambiental planetária e, dessa forma, garantir a continuidade da vida, inclusive dos humanos, neste planeta azul, único lugar conhecido do universo onde a vida floresce.

Este é apenas um pequeno ensaio e quem quiser, nestes tempos de quarentena, contribuir com ideias, é bem vindo.

Autores: Miriam Prochnow e Wigold B. Schäffer.

Agentes de Saúde de Atalanta passam por capacitação na Apremavi

Agentes de Saúde de Atalanta passam por capacitação na Apremavi

Agentes de Saúde de Atalanta passam por capacitação na Apremavi

Unindo esforços com a Prefeitura Municipal de Atalanta, a Apremavi está promovendo ações visando a conservação dos recursos hídricos do município e para que a conscientização da população sobre a causa ambiental aconteçam de forma efetiva.

Ao longo de sua existência a Apremavi já desenvolveu vários projetos que visam a recuperação de áreas degradadas localizadas especialmente em áreas de preservação permanente. Entre os projetos atuais estão o Restaura Alto Vale, o Bosques de Heidelberg e o Clima Legal. Atualmente a Prefeitura de Atalanta está desenvolvendo o Programa Água Boa que tem como objetivo auxiliar os proprietários de imóveis na realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR), na restauração de áreas degradadas e em outras ações que visam a conservação dos recursos hídricos.

Uma importante atividade realizada no âmbito da parceria entre a Apremavi e a Prefeitura foi a realização de uma oficina de capacitação com as agentes de saúde do município de Atalanta, no dia 17 de março de 2020, no Centro Ambiental Jardim das Florestas. Durante a oficina aconteceu uma visita ao Viveiro de Mudas Jardim das Florestas e uma capacitação onde foram tratados assuntos como a importância da Mata Ciliar e o cumprimento do Código Florestal. Além disso, como técnicas que realizam o contato direto com os proprietários, as agentes também receberam orientações sobre melhores abordagens para instruir os moradores a participar dos projetos da Apremavi e da Prefeitura.

Para Tatiana Vogelbacher, técnica do projeto Restaura Alto Vale essa capacitação é de suma importância. “As agentes de saúde realizam visitas em todas as residências do município e serão responsáveis por passar as orientações sobre a importância dos cuidados com os recursos hídricos e restauração das áreas degradadas”, destaca Tatiana.

Com essa parceria teremos água boa e qualidade de vida para a toda comunidade de Atalanta, e consequentemente a diminuição das doenças vinculadas a água não tratada”, comenta Juarez Miguel Rodermel, prefeito do município.

Em Atalanta, o Projeto Restaura Alto Vale já beneficiou 44 proprietários rurais, que correspondem a 5,41% das propriedades do município. Já foram restaurados 13,51 hectares que correspondem a 16,66% do passivo ambiental, conforme dados cadastrados no CAR.

Capacitação com as agentes de saúde do município de Atalanta (SC) aconteceu no dia 17 de março de 2020 no Centro Ambiental Jardim das Florestas. Foram abordados temas como a importância dos recursos hídricos e do cumprimento do Código Florestal​. Fotos: Arquivo Apremavi.

Autora: Edilaine Dick.
Revisão: Carolina Schäffer.

Comunicado da Apremavi sobre o Covid-19

Comunicado da Apremavi sobre o Covid-19

Comunicado da Apremavi sobre o Covid-19

[email protected], [email protected], [email protected], funcioná[email protected], [email protected]

Em virtude da pandemia do Covid-19 (coronoravírus), a diretoria da Apremavi, em reunião realizada no dia 17 de março de 2020, adotou medidas para promover e apoiar o distanciamento social.

Nossas atividades de campo serão suspensas e as visitas externas aos beneficiários atendidos pelos nossos projetos re-agendadas. As atividades de escritório, na medida do possível, serão realizadas em sistema home office. A nossa sede, Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas em Atalanta (SC) ficarão sem atividades de atendimento ao público. Haverá apenas rodízio de funcionários para a manutenção básica das nossas instalações e de manutenção e monitoramento das mudas nativas. A mesma recomendação está sendo feita para os demais locais onde a Apremavi possui escritórios e equipes de trabalho. Nossa linha de telefone não está funcionando e pedimos a [email protected] que nos contatem por email ou whatsapp (exclusivo para mensagens). Atividades em Unidades de Conservação já estão totalmente suspensas e o Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, em Atalanta (SC), está fechado.

Todas essas medidas seguem as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e corroboram com o decreto do governador do estado de Santa Catarina (Decreto nº 515/2020), que “declara situação de emergência em todo território catarinense, nos termos do COBRADE nº 1.5.1.1.0 – doenças infecciosas virais, para fins de prevenção e enfrentamento à COVID-19, e estabelece outras providências”. Nossas medidas valem inicialmente por 15 dias a partir de hoje, 18 de março de 2020, sendo que poderão ser reajustadas de acordo com as necessidades.

Nossa prioridade atual é preservar o bem-estar da nossa equipe, dos nossos parceiros e de familiares, limitando na medida dos nossos meios a propagação do vírus. Juntamente com especialistas, recomendamos que você também faça a sua parte: evite aglomerações, permaneça em casa quando possível, aplique os cuidados de higiene com perfeição e, em caso de sintomas da doença, entre em contato com as autoridades sanitárias da sua região. Também é sempre bom lembrar que o meio ambiente preservado é uma das formas de cuidar de nossa saúde, inclusive no combate aos vírus causadores de doenças.

Mais informações podem ser obtidas em https://coronavirus.saude.gov.br/.

É hora de nos unirmos para combater o Covid-19. Quando nos unimos, mesmo que distantes, somos uma força poderosa de mudança. Quanto mais cedo nos afastarmos, mais cedo voltaremos a nos abraçar. 

Atenciosamente.
Diretoria da Apremavi

Apremavi e Bloom Bits realizam primeiro plantio de mudas da parceria

Apremavi e Bloom Bits realizam primeiro plantio de mudas da parceria

Apremavi e Bloom Bits realizam primeiro plantio de mudas da parceria

No final de fevereiro a Apremavi e a Bloom Bits deram o ponta-pé inicial e plantaram as primeiras 141 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica no âmbito da parceria, firmada em 2019. As árvores foram plantadas no loteamento Bauer, em Agrolândia (SC).

De Balneário Camboriú (SC), a Bloom Bits é uma marca de superalimentos para pessoas que buscam nutrição inteligente e um estilo de vida mais consciente. O plantio de árvores nativas é o principal objetivo da parceria com a Bloom Bits, que destina parte dos seus lucros para a realização da atividade.

Para João Becker, responsável pela Causa de Proteção ao Meio Ambiente na empresa, a participação na atividade e a vinda até Atalanta foram memoráveis. “Praticamente toda a vegetação que nos circundava era resultado das atividades de plantio e reflorestamento da equipe da Apremavi, criando uma energia incrível no local. Nosso dia foi preenchido por muitas histórias, trocas de experiência e, claro, o registro do plantio das primeiras mudas da nossa parceria. Foram momentos memoráveis que nos estimulam à fortalecer cada vez mais essa parceria e a proteção do Meio Ambiente“. Confira o depoimento completo no Instagram da marca.

Para acompanhar a evolução do plantio, os dados da atividade foram inseridos no Portal Ambiental, um sistema de planejamento, monitoramento e transparência da Apremavi, e podem ser acessados através desse link.

Todas as ações da parceria acontecem no âmbito do Clima Legal, um projeto da Apremavi criado em 2007 que tem como objetivo o plantio de árvores nativas visando a neutralização de emissões de CO2 e que já plantou mais de 138 mil árvores.

Parceria com a Bloom Bits, firmada no início do segundo semestre de 2019, prevê o plantio de bosques de árvores nativas da Mata Atlântica. Fotos: Edinho P. Schäffer.

Autores: Edinho P. Schäffer e Carolina Schäffer.

Equipe de sustentabilidade da Klabin visita a Apremavi e reforça parceria que completa 15 anos

Equipe de sustentabilidade da Klabin visita a Apremavi e reforça parceria que completa 15 anos

Equipe de sustentabilidade da Klabin visita a Apremavi e reforça parceria que completa 15 anos

No dia 03 de março a Apremavi recebeu a visita da equipe de sustentabilidade da Klabin. Foi um importante dia, uma vez que em 2020 as duas instituições completam 15 anos de parceria, através dos projetos Matas Legais e Matas Sociais. O Projeto Matas Legais iniciou em 2005 no estado de Santa Catarina e em 2008 foi também para o estado do Paraná. Em 2015, no Paraná, teve início o projeto Matas Sociais.

Nestes 15 anos de trabalho conjunto foram envolvidas 1.662 propriedades, num total de mais de 530 hectares restaurados com plantio de mudas nativas e 2.717 hectares remanescentes em conservação e regeneração natural. Foram plantadas/doadas 1.7000.000 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica (dados de 2019).

Dentro da parceria são desenvolvidas ações de apoio ao fomento florestal; orientações para adequação ambiental de propriedades; auxílio na restauração da Mata Atlântica; apoio no processo de certificação florestal; educação ambiental e capacitação; diagnósticos socioambientais; elaboração de Planos da Mata Atlântica; e planejamento de paisagens sustentáveis.

Equipes da Apremavi e Klabin na Trilha da Restauração, localizada nas proximidades do Viveiro Jardim das Florestas, em Atalanta (SC). Foto: Wigold B. Schäffer.

Para Julio Cesar Batista Nogueira, Gerente de Sustentabilidade e Meio Ambiente da Klabin, a visita foi uma grata satisfação e oportunidade de conhecer a equipe e as instalações da  Apremavi: “reforçamos mais ainda a nossa parceria de 15 anos com trabalhos em propriedades rurais de pequenos e médios produtores, de preservação ambiental, conservação das propriedades, educação ambiental, diversificação da produção, adequação ambiental das propriedades, incentivo ao associativismo/cooperativismo. Buscamos identificar novas oportunidades para ampliar ainda mais esta parceria que tem obtido excelentes resultados para os participantes dos nossos programas ambientais e sociais”, complementou Julio.

Para Miriam Prochnow, vice-presidente da Apremavi, essa visita foi muito importante: “ao mesmo tempo em que é um momento de celebração dos resultados, é também uma oportunidade para aprofundar os trabalhos e causar um impacto positivo ainda maior nas comunidades, uma vez que além de na parceria estarem representados os objetivos de cada instituição, o objetivo maior é apoiar ações de sustentabilidade com ganhos para a sociedade como um todo”.

A Apremavi e a Klabin também se encontram e atuam nas seguintes iniciativas: 

Diálogo Florestal Brasileiro, Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina, Diálogo Florestal Internacional (The Forests Dialogue), Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, FSC Brasil e FSC Internacional.

Durante o ano de 2020 serão desenvolvidas várias atividades para comemorar os 15 anos dessa parceria de sucesso, que pode servir de exemplo para outras organizações e setores.

Além de visitarem a Trilha da Restauração, a equipe da Klabin conheceu a estrutura do Viveiro Jardim das Florestas e do Centro Ambiebtal. Fotos: Arquivo Apremavi.

Autora: Miriam Prochnow.

Apremavi instala energia solar

Apremavi instala energia solar

Apremavi instala energia solar

O dia 04 de março de 2020 vai entrar pra história da Apremavi como um dia muito especial. O dia em que a Apremavi se solarizou. A partir de agora, toda a energia consumida nas suas dependências será advinda da energia solar. Com isso, a Apremavi se torna uma das primeiras ONGs ambientalistas do Brasil a ter uma estrutura sustentável e adaptada ao combate à crise climática.

A Apremavi já contava com placas solares para aquecimento de água, e agora com a implantação dos painéis fotovoltaicos, completa-se o ciclo de produção de energia limpa, sem emissão de carbono .

Ao lado do plantio de árvores, atividade que a Apremavi realiza desde sua fundação, o uso de energias alternativas e limpas, como a solar, é uma das formas mais eficientes de se combater o aquecimento global.

Instaladas ao lado do Centro Ambiental Jardim das Florestas, num espaço que será utilizado como estacionamento, as 80 placas solares têm uma capacidade de produção mensal estimada em 2660 KWh. Isso suprirá a demanda energética de toda a estrutura da Apremavi – sua sede, Viveiro de Mudas e Centro Ambiental em Atalanta, o escritório em Rio do Sul e outras bases em Santa Catarina.

O sistema fotovoltaico tem um aplicativo que pode ser instalado no celular e mostra a quantidade de energia produzida, bem como um demonstrativo da quantidade de árvores que deixam de ser cortadas.

As 80 placas solares instaladas tem capacidade de produzir 2.660 KWh/mês, energia mais do suficiente para alimentar a sede, o Viveiro de Mudas e o Centro Ambiental da Apremavi. Fotos: Arquivo Apremavi.

Para Edinho Pedro Schaffer, presidente da Apremavi, esse é um momento de celebração: “desde a construção do Centro Ambiental Jardim das Florestas, em 2013, que já foi pensado num conceito de sustentabilidade, se sonhava com um sistema fotovoltaico. Com a instalação das placas solares vamos passar a produzir nossa própria energia, gerando auto suficiência na questão energética. Além disso vamos auxiliar na redução da emissão de CO2, pois a energia que estaremos produzindo é limpa e renovável”, complementa Edinho.

O fundador e conselheiro da Apremavi, Wigold Schaffer, aponta a implantação da energia solar como um grande passo pela sustentabilidade: “é pura poesia para quem defende um planeta habitável e desenvolvimento com qualidade de vida”. Ele Lembra que nos tempos atuais vamos precisamos cada dia mais de poesias como essa.

Ainda não esteve na Apremavi? Conhecer o novo sistema de energia solar é mais um motivo para agendar uma visita.

Autora: Miriam Prochnow.

RPPNs comemoram 30 anos de criação da lei

RPPNs comemoram 30 anos de criação da lei

RPPNs comemoram 30 anos de criação da lei

Hoje, dia 31 de janeiro, é dia de celebrar as Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as RPPNs. Criada pela Lei nº 13.544 em 2017, a data tem o objetivo de chamar a atenção da sociedade para o reconhecimento desse instrumento na conservação da biodiversidade brasileira, e cobrar das autoridades públicas maior apoio às RPPNs e às Unidades de Conservação.

As RPPNs são uma importante contribuição da sociedade civil para a proteção do meio ambiente. Criadas pela iniciativa de proprietários particulares, elas têm como principal característica a conservação da diversidade biológica. Entre as contribuições importantes dessas unidades frisamos a preservação das belezas cênicas e ambientes históricos, a proteção dos recursos hídricos, o possibilidade de manejo dos recursos naturais, o desenvolvimento de pesquisas cientificas, a manutenção do equilíbrio climático e ecológico, entre vários outros serviços ambientais. Além disso, elas possibilitam a participação da iniciativa privada no esforço nacional de conservação da natureza, promovendo a diversificação das atividades econômicas e criando novas oportunidades de emprego e renda na região aonde estão inseridas.

Criadas por decreto em 1990, as RPPNs passaram a ser consideradas Unidades de Conservação no ano 2000, com a publicação da Lei 9.985, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

30 anos após a aprovação do decreto, o número de RPPNs atingiu a marca de 1.571 unidades, segundo a Confederação Nacional das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (CNRPPN). Dos 890 mil hectares de floresta preservados pelas RPPNs a Mata Atlântica lidera o ranking, representando 72% delas. Esse número é expressivo e resultado de um importante e necessário trabalho de conscientização, uma vez que as reservas particulares são essenciais para o bioma, pois a maior parte dos remanescentes florestais estão dentro de propriedades privadas.

 

Como criar uma RPPN?

Em Santa Catarina, quem orienta e faz a análise do processo de criação das RPPNs é órgão estadual de meio ambiente. Os procedimentos e documentos necessários para abrir o processo estão dispostos na Instrução Normativa nº 51 da FATMA – Fundação do Meio Ambiente. Além disso, o ICMBio tem um guia com um roteiro metodológico, que pode ser acessado aqui.

 

Quem pode criar uma RPPN?

Pessoas físicas, jurídicas, ONGs, entidades civis ou religiosas podem requerer o reconhecimento total ou parcial de suas propriedades como RPPN, desde que sejam os legítimos proprietários da área. O pedido de reconhecimento da RPPN é iniciativa do proprietário, formalizada mediante requerimento ao Poder Público. Uma vez instituída, a reserva passa a integrar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, conforme previsto na Lei Federal nº 9.985/2000.

O proprietário que cria uma RPPN terá como benefícios o Direito de propriedade preservado; Isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) referente à área criada como RPPN; Prioridade na análise dos projetos, pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA; Preferência na análise de pedidos de concessão de crédito agrícola, junto às instituições oficiais de crédito, para projetos a serem implementados em propriedades que contiverem RPPN em seus perímetros; e Possibilidades de cooperação com entidades privadas e públicas na proteção, gestão e manejo da unidade.

 

A atuação da Apremavi

Em 2010 a Apremavi criou a Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra do Lucindo, localizada no município de Bela Vista do Toldo, no Planalto Norte de Santa Catarina e tem 316,05 hectares.

Constituída por florestas primárias pouco exploradas, e secundárias em diferentes estágios de regeneração, a RPPN protege espécies ameaçadas de extinção como o pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia), a imbuia (Ocotea porosa), a canela-sassafrás (Ocotea odorifera), o xaxim-bugio (Dicksonia sellowiana) e diversas espécies raras e endêmicas da floresta ombrófila mista.

Além de conservar um significativo remanescente da Mata Atlântica, a RPPN guarda recursos hídricos fundamentais para a região e preserva um importante marco histórico, a Trilha do Monge ou Trilha das Onze Voltas, local por onde teria passado o Monge João Maria. A trilha ainda é usada para peregrinações religiosas.

A RPPN conta com uma sede, que serve como centro de referência e abrigo para pesquisadores e visitantes.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra do Lucindo, localizada no município de Bela Vista do Toldo, no Planalto Norte de Santa Catarina, foi criada em agosto de 2010. Os 316,05 hectares são mantidos pela Apremavi e protegem um importante remanescente da Mata Atlântica de Santa Catarina. Fotos: Arquivo Apremavi.

A Apremavi também faz parte de um coletivo de RPPNs, a Associação dos Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina – RPPN Catarinense, que tem como missão congregar e fortalecer as RPPNs catarinenses através do apoio a gestão e criação de RPPNs. 

Outra importante Unidade de Conservação desta categoria que serve de apoio e local para as atividades de educação ambiental da Apremavi é a RPPN Serra do Pitoco, localizada em Alto Dona Luiza, município de Atalanta (SC).

Criada pela Portaria Ibama 40/97, de 30 de abril de 1997, a RPPN abriga um pequeno, mas importante, remanescente de Mata Atlântica, numa região de transição entre a floresta ombrófila densa e mista. É abrigo para várias espécies de animais. É atravessada pelo Rio Dona Luiza e tem uma cachoeira de 10 metros de altura.

A propriedade onde está localizada a RPPN foi utilizada como modelo para o conceito de Propriedade Legal (legal porque cumpre a lei e legal por ser um lugar bom de morar), desenvolvido pela Apremavi. Também tem um significado importante por mostrar que pequenas propriedades e pequenas RPPNs podem contribuir com a conservação da biodiversidade.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra do Pitoco, localizada em Atalanta (SC) é uma importante aliada da Apremavi servindo como base para realização de inúmeros atividades de Educação Ambiental. Foto: Miriam Prochnow.

Autora: Carolina Schäffer.

Apremavi adere à Declaração de Emergência Climática

Apremavi adere à Declaração de Emergência Climática

Apremavi adere à Declaração de Emergência Climática

A lastimável estimativa até agora é de que um bilhão de animais foram afetados e mais de 10,5 milhões de hectares de floresta foram devastados por incêndios no continente australiano. Especialistas afirmam que o estrago já supera em seis vezes a área das queimadas que atingiram a Amazônia em 2019. No caso australiano, o fogo é consequência de extremos climáticos decorrentes de uma grave seca e ondas de calor recordes. Já na Amazônia as queimadas foram associadas predominantemente ao desmatamento ilegal, que usa o fogo para limpar áreas de pastagem e abrir clareiras na floresta.

Na mesma direção dos extremos climáticos que sufocaram a Austrália e agora carregam a fumaça das queimadas para todos os cantos do mundo, em 2019 a Europa atravessou duas ondas de calor consecutivas, a Califórnia e a Rússia também sofreram com incêndios florestais devastadores, Moçambique enfrentou o pior ciclone já formado no Índico… sim, não tem mais como alguém em sã consciência dizer que o aquecimento global é uma invenção dos cientistas, muito menos acreditar que ela é uma ameaça para o futuro. A emergência climática já é uma realidade e, para confirmar isso, 2019 foi coroado o segundo ano mais quente da história.

O recorde foi anunciado pela Nasa, pela Noaa e pela Organização Meteorológica Mundial. Segundo a Nasa, no ano passado a Terra teve temperatura média 0,98oC mais alta do que a média do século 20. A Noaa, que usa uma metodologia ligeiramente distinta, pôs a diferença em 0,95oC – e 1,15oC acima da média pré-industrial. Em ambos os casos, trata-se do segundo ano mais quente desde o início das medições com termômetros, em 1880. Perde apenas para 2016, e por uma diferença pequena de 0,04o C. A década de 2010 foi a mais quente de todos os tempos – os últimos cinco anos foram todos os mais escaldantes desde o início das medições.

 

Declaração de Emergência Climática

Muito mais do que simbólica, as declarações de emergências climáticas assinadas ao redor do mundo por cidades, estados e alguns países são uma tentativa conjunta de assumir a responsabilidade e lançar uma série de compromissos para conter a crise climática e suas graves consequências. No Brasil, organizações da sociedade civil, empresas e representantes dos estados e dos municípios brasileiros lançaram no ano passado, durante a Conferência Brasileira de Mudança do Clima, que aconteceu no Recife (PE), a Carta de Recife.

Entre os objetivos comuns das declarações, um deles é cumprir as metas do Acordo de Paris, reduzindo a zero a emissão de gases de efeito estufa e limitando o aquecimento global em 1,5°C. Além disso, muitas se comprometem também à promover e implementar ações para a superação das vulnerabilidades climáticas, como a neutralização das emissões de carbono até 2030.

Concomitante ao exemplo do Secretário-Geral das Nações Unidas, do Papa Francisco, de cidades e estados ao redor do mundo e de centenas de instituições, empresas e organizações não-governamentais, e, diante dos cenários de catástrofes ambientais que vemos diariamente, a Apremavi sente a urgência de agir no tempo de agora e declara estado de emergência climática.

Isso significa que assumimos publicamente o compromisso de continuar executando nossos projetos de restauração ambiental e proteção da natureza com exímio; além disso promoveremos ações de neutralização de carbono para diminuir nossa pegada ecológica; faremos um esforço para mobilizar mais recursos para realização de atividades de cunho climático, como por exemplo o Projeto Clima Legal; incluiremos a crise climática em nossas atividades de educação ambiental para conscientizar o público envolvido em nossos projetos; e, reforçamos também nosso apoio institucional ao Grupo Plantando o Futuro, especificamente às atividades desenvolvidas no âmbito do #FridaysForFuture.

 

Seja você também parte da solução

Entendemos que os maiores esforços nessa luta contra a crise climática devem ser assumidos pelos governos e grandes empresas, mas acreditamos que cada pessoa na sociedade deve assumir uma postura mais altruísta e também colocar a mão na massa, afinal de contas não existe planeta B para nenhum de nós.

Pensando nisso, separamos algumas dicas do que você pode fazer em 2020 para contribuir na construção de um mundo mais sustentável para as florestas, para os animais, para o clima, para o planeta e para o nosso futuro!

Você também pode assumir compromissos em 2020 e tornar sua trajetória mais sustentável, veja algumas dicas que a Apremavi separou. Fonte: Arquivo Apremavi.

Autora: Carolina Schäffer.

Em meio a maré de calamidades, 2019 também trouxe conquistas

Em meio a maré de calamidades, 2019 também trouxe conquistas

Em meio a maré de calamidades, 2019 também trouxe conquistas

O ano de 2019 trouxe muitos desafios para a agenda socioambiental brasileira… ele foi repleto de altos e baixos – muuuuitos baixos nós diríamos.

Mas, em meio a maré de calamidades, a Apremavi se manteve ativa e fiel a um velho e honroso lema de muito tempo atrás: BOCA NO TROMBONE E MÃO NA MASSA.

Por acreditarmos que bons exemplos e ações são combustível, escrevemos este artigo para que você entre numa pequena retrospectiva junto com a gente e para que ela possa levantar a sua energia para receber 2020 com esperança.

 

Mini retrospectiva

O Viveiro Jardim das Florestas comemorou o Dia da Terra com a inauguração de novas instalações e novo sistema de produção de mudas.

Nossos projetos tiveram um ano repleto de trabalho e muitas agendas positivas. Bosques de Heidelberg comemoraram os 20 anos com inúmeras atividades e também palestras na Alemanha. Clima Legal celebrou a chegada de novos parceiros e o plantio de muitos bosques. Restaura Alto Vale fortaleceu parceriasrealizou dias de campo temáticos e capacitou a comunidade. Matas Legais e Matas Sociais divulgaram ações em congresso internacional.

Em 2019 nós tivemos que nos manter vigilantes, pois os retrocessos foram inúmeros. Nosso #AtivismoSim foi o que nos ajudou a superar as intempéries.

Apoiamos campanhas em prol dos animais, de belezas cênicas protegidas por Unidades de Conservação e de Unidades de Conservação. Assinamos manifestos para defender a democracia e também para chamar a atenção às tragédias associadas aos incêndios florestais. E quase na reta final do ano a Apremavi lançou uma nova campanha, #PlantadoresDeFlorestas, para identificar plantadores de florestas que estejam precisando de mudas para restaurar as suas propriedades.

Foi um ano intenso, mas nosso suor, e também algumas lágrimas, são parte do combustível que nos impulsiona a olhar para frente. Não podemos deixar de mencionar, ainda que por último, o surgimento de uma nova geração que emerge ao ativismo socioambiental e nos inspira a continuar fortes no nosso propósito. Também aproveitamos a oportunidade para mais uma vez agradecer o apoio imensurável da nossa rede de parceiros, da nossa comunidade e das pessoas que oferecem sua vida para construir com a gente um futuro para a humanidade.

Que venha 2020 e seus desafios, pois estamos preparados para continuar nosso trabalho em prol da conservação e restauração da Mata Atlântica!

Autora: Carolina Schäffer.
Foto da capa: Wigold Schäffer.

ONGs se posicionam sobre a crise do desmatamento e queimadas na Amazônia na COP 25

ONGs se posicionam sobre a crise do desmatamento e queimadas na Amazônia na COP 25

ONGs se posicionam sobre a crise do desmatamento e queimadas na Amazônia na COP 25

Assinada por 110 organizações da sociedade civil, redes e movimentos sociais, entre elas a Apremavi, declaração conjunta sobre a crise do desmatamento e queimadas na Amazônia brasileira é lançada na COP 25 da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), em Madri.

Além de apresentar uma análise crítica das tendências recentes e fatores de desmatamento e queimadas na Amazônia, bem como consequências para a crise climática global e outros impactos sociais e ambientais, a declaração também faz um apelo à ação, destinado a mobilizar a sociedade brasileira e a comunidade internacional para que adotem medidas concretas em defesa da Amazônia e dos direitos de seus povos.

Veja declaração abaixo.

 

Declaração sobre a crise do desmatamento e queimadas na Amazônia brasileira

Por ocasião do seminário “Desmatamento e Queimadas na Amazônia: Tendências, Dinâmicas e Soluções” e da COP 25 da Convenção da ONU sobre as Mudanças Climáticas

1. Com 7 milhões de quilômetros quadrados (km²) compartilhados por nove países, a Amazônia abriga a maior bacia hidrográfica e a maior floresta tropical do planeta. Junto com a sua imensa diversidade biológica e cultural, uma característica da Amazônia é a sua fantástica capacidade de atuar como um gigantesco coração, bombeando 20 trilhões de litros de água todo dia para a atmosfera. Por meio da evapotranspiração, a floresta lança enorme quantidade de vapor d’água que se transforma em “rios voadores” que alcançam outras regiões, ajudando a manter equilíbrio climático do continente sul-americano e de todo planeta. Mas este coração está sendo atacado por atividades predatórias que ignoram suas consequências desastrosas para presentes e futuras gerações e para o clima do planeta.

2. Nos últimos meses, um salto nos índices de desmatamento e queimadas na Amazônia brasileira (que abriga dois terços do bioma) provocaram espanto, indignação e protestos no Brasil e no mundo. Frente a esse quadro alarmante, foi realizado em Brasília, no dia 28/11/2019, o seminário “Desmatamento e Queimadas na Amazônia: Tendências, Dinâmicas e Soluções”, uma iniciativa da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados, contando com a participação de parlamentares, instituições públicas, cientistas e organizações da sociedade civil, onde foram apresentados e debatidos um conjunto de dados e análises sobre características, causas e consequências do desmatamento e queimadas na Amazônia, assim como desafios para a sua superação, sob uma ótica de justiça socioambiental.i Seguem as principais conclusões das análises e debates desse evento:

Os Números e suas Consequências:

3. De acordo com dados oficiais do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), entre agosto de 2018 e julho de 2019 foram desmatados 9.762 km2 na Amazônia brasileira, área cerca de 30% maior que no período anterior. Entre agosto e outubro de 2019 foram identificados mais 3.429 km² sob alerta de desmatamento, contra 1.792 km² no mesmo trimestre de 2018, um aumento de 91%!2 De janeiro a agosto deste ano foram verificados 46.825 focos ativos de queimadas no bioma amazônico, um aumento de 111% em relação ao mesmo período no ano passado. Somente em agosto de 2019, foram registradas 30.901 queimadas, um aumento de 196% em comparação a agosto de 2018 e o maior número dos últimos 9 anos. Entre janeiro e agosto de 2019, a área total afetada pelo fogo foi de 4,3 milhões de hectares, 71% maior que a média nos mesmos meses dos últimos dez anos. Verificou-se que a maior parte dessas queimadas ocorreu em áreas recém-desmatadas.3

4. No ano de 2019, as terras públicas não destinadas e áreas protegidas (Unidades de Conservação e Terras Indígenas) somaram 41% do total da área desmatada. Nas Unidades de Conservação federais, houve um salto de 84% no desmatamento em relação ao ano anterior. Isso demonstra um quadro de incentivo a grilagem de terras públicas pelo governo federal, com o descaso em proteger o patrimônio dos brasileiros, pelo qual é responsável.4

5. O aumento do desmatamento e queimadas na Amazônia, em conjunto com a grilagem de terras e a exploração ilegal de madeira e outros recursos naturais, está diretamente vinculado ao 2 aumento de atos de violência contra povos indígenas, comunidades tradicionais e movimentos sociais. Violência que têm ficado impune, na grande maioria dos casos.

6. As consequências do desmatamento e queimadas na Amazônia são imensas: comprometem a manutenção do maior patrimônio dos brasileiros, o bem-estar da população e a estabilidade do clima regional e global. Em 2019, o desmatamento acumulado chegou a 800 mil km2 na Amazônia brasileira, cerca de 20% de sua área original, ponto considerado crítico por diversos cientistas. Os efeitos também são sentidos com o encurtamento da estação de chuvas em partes da Amazônia, a intensificação do derretimento de geleiras na região andina e a redução de chuvas em outras regiões do continente sul-americano, que impactam diretamente na vida da população e até mesmo na atividade agropecuária brasileira. A continuidade do desmatamento e queimadas na Amazônia e a destruição do imenso estoque de carbono armazenado nas florestas colocam em risco as contribuições brasileiras para o cumprimento do Acordo de Paris, prejudicando os esforços globais de manter o aumento das temperaturas médias abaixo de 1,5 Cº graus.

O papel do atual governo brasileiro

7. O problema do desmatamento indiscriminado na Amazônia vem de longa data, mas o agravamento desse quadro em 2019 é resultado direto de declarações, omissões e ações objetivas do governo federal. Entre os fatores de intensificação da crise ambiental amazônica produzidos pelo atual governo federal estão:

  • Declarações públicas do presidente e de alguns de seus ministros, associadas ao afrouxamento da fiscalização de atos ilegais, que deram um claro sinal de impunidade, incentivando fortemente a prática de crimes ambientais(5);
  • Desmantelamento do Ministério do Meio Ambiente e seus órgãos vinculados, e de outras instituições públicas responsáveis pela proteção ambiental, por meio de cortes orçamentários(6), perseguição a funcionários(7), eliminação e desvio de atribuições institucionais, indicação para cargos de direção de pessoas desvinculadas da agenda ambiental e muitas vezes ligadas a interesses de setores regulados pelos órgãos ambientais; A recusa em identificar, demarcar e homologar territórios de povos indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais que atuam como verdadeiros guardiões da floresta, acompanhada por iniciativas de abri-las para exploração por mineradoras, hidrelétricas e pelo agronegócio, em afronta à Constituição Federal(8);
  • Paralização da Reforma Agrária e despejo de centenas de famílias de pequenos agricultores, em lugares como a Fazenda Palotina, município de Lábrea, no sul do Amazonas e o Acampamento Nova Conquista, município de Nova Mamoré, Rondônia;
  • Iniciativas e apoio a retrocessos no marco legal de licenciamento ambiental de empreendimentos de infraestrutura, mineração e do agronegócio, de altíssimo risco e impacto ambiental(9);
  • Ações de descrédito público a instituições técnicas do governo responsáveis pelo monitoramento e divulgação de dados ambientais, como o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(10);
  • Abandono do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), lançado em 2004 e responsável, em grande parte, por 83% na queda dos índices de desmatamento entre 2004 e 2012, que deveria estar na sua 4ª fase de execução.

8. A criminalização de organizações da sociedade civil tem sido praticada pelo atual governo, ao ponto de acusá-las diretamente pelas queimadas na Amazônia, apesar do próprio presidente ter declarado no dia 30 de outubro, na Arábia Saudita, que o aumento das queimadas foi “potencializado” por ele, por rejeitar a políticas anteriores na Amazônia(11).

9. O que se constata é que o governo Bolsonaro – com a falsa justificativa de que por trás das manifestações de preocupação com a Amazônia existiriam interesses contrários à soberania brasileira na região – está colocando em curso um plano articulado de destruição da floresta, incentivando o desmatamento, as queimadas, a devastação e o saque dos seus recursos naturais por grileiros, madeireiros e garimpeiros ilegais, incluindo o ataque aos defensores da floresta, considerados por ele como empecilhos para o alcance de seus interesses.

10. O plano faz parte de uma escalada autoritária na Amazônia e de um ataque à democracia no Brasil que estão recrudescendo. O mês de novembro começou com a morte do líder indígena Paulo Paulino Guajajara, um conhecido guardião da floresta e terminou com a prisão equivocada de brigadistas que combatem o fogo na região de Santarém – PA, acompanhada pela invasão e tentativa de criminalização de uma das organizações mais respeitadas da Amazônia, o Projeto Saúde e Alegria, que atua na bacia do Tapajós há três décadas e que, sem nenhuma acusação formal, teve sua sede invadida e seus documentos e computadores apreendidos pela Polícia do Pará. Mesmo sendo desmascarada, a controvertida prisão foi utilizada como novo ataque às organizações da sociedade civil brasileira.

Um Chamado Amazônico

11. Diante de tão dramáticas circunstâncias é fundamental que a sociedade brasileira se articule e se some aos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos para impedir a destruição da Amazônia e de seus povos tradicionais. É preciso o envolvimento dos Poderes Legislativo e Judiciário, Ministério Público Federal, governos estaduais, veículos de comunicação, organizações da sociedade como OAB, CNBB, igrejas, setores empresariais, e movimentos sociais para, além de estancar o desmatamento e as queimadas, estimule políticas e ações para uma economia com base na convivência com a natureza e não na sua destruição, que produza riqueza e bem-estar para todos, reconhecendo e valorizando o conhecimento e a sabedoria dos povos da floresta.

12. É preciso fazer entender ao atual governo, à maioria dos parlamentares brasileiros, de membros do Judiciário, de setores empresariais e da sociedade brasileira a importância fundamental da floresta, para que mudem a atual trajetória de incentivo ou de conivência com a devastação da floresta. Que o governo e outras instituições passem a adotar de forma urgente um posicionamento responsável, de respeito à Constituição, às leis e acordos internacionais firmados pelo Brasil, liderando e apoiando o conjunto de esforços de atores públicos, privados e da sociedade civil no enfrentamento desse gravíssimo problema, incluindo entre outras ações concretas:

  • Retomar o Plano de Ação de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAM), com garantia de recursos financeiros adequados e da transparência e participação de entes federados e da sociedade civil;
  • Combater crimes ambientais associados à grilagem de terras públicas, desmatamento, queimadas e exploração ilegal de recursos naturais na Amazônia e nos outros biomas brasileiros, por meio da retomada da Comissão Interministerial de Combate aos Crimes e Infrações Ambientais – CICCIA, em vigor desde 2009, contemplando a retomada e recuperação de florestas de áreas griladas e sujeitas à devastação ambiental;
  • Retomar a identificação, demarcação e homologação de territórios indígenas, assim como o reconhecimento dos direitos territoriais de comunidades quilombolas e outras populações tradicionais;
  • Dar continuidade à reforma agrária e a investigação e punição dos responsáveis dos assassinatos e agressões contra assentados e defensores da natureza;
  • Retirar de pauta todos os projetos de lei, em tramitação no legislativo, que representem retrocessos na legislação vigente de proteção ambiental do país – sobre temas como o licenciamento ambiental e a exploração de recursos naturais em terras indígenas – em consonância com a proposta apresentada recentemente por seis ex-Ministros do Meio Ambiente do Brasil ao Presidente da Câmara dos Deputados;
  • Retomar as atividades do Fundo Amazônia, com a reconstituição de seu Comitê Orientador, garantindo a participação efetiva de organizações da sociedade civil;
  • Garantir o acesso aos dados oficiais do governo federal que possam auxiliar no controle e combate ao desmatamento por todos os órgãos da administração pública, incluindo estados e municípios, e também por empresas e organizações da sociedade organizada engajados na agenda de proteção da Amazônia;
  • Revisar as metas brasileiras estabelecidas pelo Acordo de Paris, de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e o comprometimento com metas mais amplas na COP 25, que efetivamente contribuam para a contenção da elevação da temperatura do sistema climático global.

13. A defesa da Amazônia não deve ser só dos brasileiros e dos outros países amazônicos; a sociedade internacional que se beneficia sobretudo com a contribuição à manutenção da estabilidade climática global, também tem um papel importante nos esforços de proteção da Amazônia e dos direitos de suas populações. Sociedades de diversos países, empresas, instituições financeiras e governos de países, especialmente os mais ricos, precisam adotar, urgentemente, medidas concretas, entre elas:

  • Implementar mecanismos efetivos para garantir que as importações de commodities do agronegócio e da exploração madeireira e mineral sejam exclusivamente e estritamente legais e certificadas, evitando aquelas oriundas de áreas de grilagem de terras públicas, desmatamento ilegal e com violações dos direitos das populações locais;
  • Garantir que todos os investimentos na Amazônia contribuam para acabar com o desmatamento e fortaleçam uma economia de baixo carbono que respeite e valorize os modos de vida das populações locais; bloqueando investimentos que aumentem o risco de desmatamento e de violações dos direitos e o enfraquecimento da legislação ambiental. As medidas preventivas devem incluir a devida diligência, monitoramento transparente e divulgação de resultados de compromissos;
  • Contribuir com os esforços governamentais e da sociedade brasileira de prevenção e controle do desmatamento e queimadas, com transparência e participação, indo além dos compromissos estabelecidos no Acordo de Paris, de modo a evitar um aumento superior a 1,5o C da temperatura média global.

14. Sabemos que esses desafios somente poderão ser enfrentados e superados por meio de uma maior articulação e colaboração entre os diversos setores da sociedade brasileira e internacional. Assim, as redes, movimentos sociais e outras organizações civis abaixo assinadas conclamam os diversos níveis de governo, a sociedade brasileira e a comunidade internacional para que, com a urgência que a situação requer, seja estabelecida uma agenda de ações articuladas e efetivas – parte delas acima descritas – para reverter o processo de devastação em curso de um bioma essencial para a qualidade de vida de seus cidadãos e estratégico para a integridade do sistema climático global.

 

Para ver a íntegra do documento e também as entidades que o assinam, baixe o arquivo aqui.

Fonte: WWF.

Apremavi e outras organizações assinam manifesto “Em defesa da Democracia”

Apremavi e outras organizações assinam manifesto “Em defesa da Democracia”

Apremavi e outras organizações assinam manifesto “Em defesa da Democracia”

Publicado ontem, 10 de dezembro de 2019, Dia Mundial dos Direitos Humanos, durante a COP 25 em Madri (Espanha), o manifesto assinado por 124 instituições, entre elas a Apremavi, além de inúmeros artistas, cientistas e pessoas públicas, é um grito de alerta dos grupos da sociedade civil para com a defesa da democracia brasileira. Veja o manifesto abaixo.

 

Em defesa da democracia

Não existe democracia sem sociedade civil livre. É por meio de cidadãos atuantes e vigilantes que políticas são aprimoradas, desvios são denunciados e governantes são fiscalizados. Foi por meio da atuação de organizações da sociedade civil que o Brasil conseguiu reduzir drasticamente a mortalidade infantil, a miséria extrema e o desmatamento perdulário de suas florestas e tomar medidas cruciais contra a corrupção e pela transparência no poder público.

Qualquer regime no qual a sociedade não possa se manifestar livremente, sem receio de ser retaliada por sua atuação legítima, é um regime autoritário.

Há 35 anos, embalado num gigantesco movimento popular, o Brasil encerrava uma longa ditadura militar. Imaginava, com isso, haver deixado para trás, de forma definitiva, o uso do Estado para perseguições políticas e prisões arbitrárias de ativistas realizadas sem base em provas ou qualquer espécie de julgamento. Imaginava que, enfim, a liberdade teria vindo para ficar.

Porém, os rumos que estão sendo tomados pelo Brasil atual são extremamente preocupantes. Pela primeira vez, em mais de três décadas, vemos demonstrações de retrocesso em algumas liberdades fundamentais duramente conquistadas. Por exemplo, integrantes do Governo Federal declaram sua simpatia a instrumentos que restringiram a liberdade e direitos políticos e civis no período ditatorial; o governo envia ao Parlamento um projeto de lei que evita a punição de forças policiais que venham a matar manifestantes; ativistas ambientais são presos e têm suas casas invadidas e organizações da sociedade civil têm seus escritórios vasculhados por policiais com base em acusações e mandatos judiciais desprovidos de fundamentos fáticos.

Passa da hora de toda a sociedade brasileira dizer claramente: não toleraremos afrontas a nossos princípios democráticos! Não é aceitável conviver diariamente com ataques do Presidente da República, de seus ministros e auxiliares à imprensa livre, a organizações independentes e a direitos fundamentais individuais e coletivos. Não é aceitável conviver diariamente com massacres da população de maioria negra das nossas favelas e periferias, executados ou tolerados pelas forças de segurança pública que deveriam protegê-las. Não é aceitável ver manobras do poder público para fechar espaços cívicos. Não é aceitável a censura à cultura e à pesquisa.

Por essa razão, manifestamos nossa solidariedade e nosso apoio às instituições e pessoas que têm sido vítimas de abusos das autoridades e que fazem seu papel de enfrentamento dos desmandos e de preservação da nossa democracia e da ordem constitucional: as organizações da sociedade civil; a imprensa; o Congresso Nacional; o Ministério Público; os povos indígenas e as populações tradicionais; os servidores públicos das áreas científica, cultural e socioambiental; os professores e as universidades públicas.

Nossa democracia foi duramente reconquistada há apenas 35 anos. Não permitiremos que ela seja destruída mais uma vez.

 

Acesse o documento na íntegra aqui e confira o nome de todas as organizações que assinam o manifesto.

Apremavi e Bloom Bits iniciam parceria para plantar bosques de árvores nativas

Apremavi e Bloom Bits iniciam parceria para plantar bosques de árvores nativas

Apremavi e Bloom Bits iniciam parceria para plantar bosques de árvores nativas

Parceria com a Bloom Bits, firmada  no início do segundo semestre de 2019, prevê o plantio de bosques de árvores nativas da Mata Atlântica. 

De Balneário Camboriú (SC), a Bloom Bits é uma marca de superalimentos para pessoas que buscam nutrição inteligente e um estilo de vida cada vez mais consciente. Irmã mais nova da Ocean Drop, uma marca de vitaminas a base de algas e microalgas para pessoas que buscam alimentos de qualidade nutricional avançada e sustentável, a Bloom Bits tem como propósito investir 5% dos seus lucros na proteção da natureza.

E é aí que entra a parceria com a Apremavi. Interessados em doar parte desses lucros para a Apremavi, a Bloom Bits aderiu ao Clima Legal, um projeto da Apremavi que promove o plantio de árvores nativas para sequestro de carbono. A parceria tem como objetivo principal o plantio de mudas de árvores, com potencial inclusão de atividades de educação ambiental e campanhas de distribuição de mudas em escolas da região do Alto Vale do Itajaí (SC).

Para João Becker, diretor da marca, a expectativa é aproximar a Bloom Bits cada vez mais de movimentos que atuam de forma prática em contribuições positivas para o meio ambiente. “Nossa vontade é de estreitar os laços entre Bloom e Apremavi ao longo do tempo para que consigamos fortalecer ainda mais as atividades relacionadas ao tema. Como marca que trabalha com produtos vindos da natureza, onde a proposta é fornecer benefícios ao ser humano, nada mais justo do que retribuir à natureza de igual forma, realizando trabalhos que também forneçam benefícios ao meio ambiente“, complementa João.

É evidente que os projetos e ações da Apremavi são fortalecidos graças ao apoio de parceiros, patrocinadores e doadores, mas em cada nova parceria o ganho da Apremavi vai muito além do fortalecimento das ações ambientais que desenvolvemos. A cada nova parceria criamos uma verdadeira rede de amigos que lutam pela mesma causa e estão em busca da conservação e restauração das nossas florestas“, comenta Edinho Schäffer, presidente da Apremavi.

Parceria entre a Apremavi e a Bloom Bits prevê o plantio de bosques de árvores nativas no âmbito do Clima Legal, um projeto da Apremavi criado em 2007. Foto: Arquivo Apremavi.

Sobre o Clima Legal

Com mais de 110 mil mudas de árvores plantadas ao longo dos últimos 12 anos, o Clima Legal é um projeto que tem como objetivo realizar plantios de árvores nativas visando a neutralização de emissões de CO2, amenizando os efeitos das mudanças climáticas e contribuindo com a conservação da biodiversidade no bioma Mata Atlântica.

Dividido em 6 modalidades, cada uma com os seus benefícios e quantidades de mudas plantadas, podem aderir ao projeto tanto pessoas físicas quanto jurídicas​.

Saiba mais aqui.

Autora: Carolina Schäffer.

Jovens inglesas realizam trabalho voluntário na Apremavi

Jovens inglesas realizam trabalho voluntário na Apremavi

Jovens inglesas realizam trabalho voluntário na Apremavi

Os primeiros dias de novembro na Apremavi foram marcados pela presença de duas jovens inglesas que escolheram o Viveiro Jardim das Florestas para realizar trabalho voluntário. Falando apenas algumas palavras em português, a comunicação entre as jovens e a equipe foi um desafio superado, de um lado, pela enorme vontade de ajudar e de outro, pela grande vontade de passar conhecimentos.

Valeu a pena, como pode ser constatado no depoimento que Nina e Eloise deixaram para [email protected] da Apremavi: “Passamos momentos maravilhosos como voluntárias na Apremavi. Como duas jovens do Reino Unido, sem especialização prévia em florestas, aprendemos muito com nossas experiências aqui. Nossas tarefas variavam todos os dias, desde trabalhar no enorme viveiro de mudas com mais de 200 espécies nativas, plantar árvores no campo, coletar sementes, até fazer visitas de campo para envolver novos proprietários nos projetos. Além de testemunhar como a Apremavi trabalha para educar as gerações futuras. Também ficamos bem felizes em poder ver de perto o trabalho numa propriedade de produção orgânica. Estamos deixando a Apremavi inspiradas e com uma visão ampla dos muitos processos envolvidos na restauração e preservação da Mata Atlântica, do ponto de vista ecológico e também como um símbolo cultural e social. A equipe foi muito acolhedora e é apaixonada por seu trabalho e isso nos estimulava. Recomendamos a Apremavi para todas as pessoa interessadas em restauração e preservação de nossas florestas naturais.”

Nina Biddle está terminando o mestrado em Análise Cultural Comparada e Eloise Moench concluiu o mestrado de Filosofia, ambos na Universidade de Amsterdam.

Para Miriam Prochnow, vice-presidente da Apremavi e responsável por acompanhar o trabalho das voluntárias, foi uma experiência gratificante: “recebi o pedido de trabalho voluntário para a Nina e a Eloise através da Tamara Mohr, da Both Ends, ONG holandesa parceira da Apremavi de longa data. É muito importante que as pessoas se disponham a conhecer de perto o trabalho que as ONGs fazem, para saber da importância que esse trabalho tem para a sociedade como um todo. Essas ocasiões também oferecem oportunidades de que novas ações em prol da natureza sejam realizadas, além da formação de laços de amizade que duram para sempre, mesmo enfrentando grandes distâncias. Como presente de despedida elas fizeram um bolo de mandioca com coco que ficou excelente”.

A Apremavi tem um programa de estágios e trabalhos voluntários. As pessoas interessadas podem obter informações aqui.

Duas jovens inglesas estiveram no Viveiro Jardim das Florestas para realizar um trabalho voluntário. Fotos: Miriam Prochnow.

Autora: Miriam Prochnow

Fridays for Future lança canção e se prepara para nova greve global dia 29/11

Fridays for Future lança canção e se prepara para nova greve global dia 29/11

Fridays for Future lança canção e se prepara para nova greve global dia 29/11

No dia 20 de setembro de 2019, mais de 4 milhões de pessoas participaram de protestos climáticos ao redor do mundo. Influenciada pelos jovens do movimento Fridays for Future (Sextas pelo Futuro), a maior greve da história da humanidade foi só o começo. “A crise climática já é uma realidade e por isso nosso ativismo não pode parar. Governos e sociedade precisam juntos criar ações imediatas para conter o colapso ambiental, doutra forma não haverá futuro para o nosso planeta e nem para a humanidade“, relata Carolina Schäffer, ativista ambiental e sócia da Apremavi.

Novas manifestações globais foram convocadas para o próximo dia 29 de novembro. A 4 #GreveGlobalPeloClima espera reunir milhares de pessoas novamente, no Brasil algumas cidades já agendaram os seus protestos. Você tá esperando o quê para participar desse movimento?

A 4a Greve Global pelo Clima acontecerá dia 29 de novembro. Banner: Arquivo Fridays for Future Brasil..

Worldwide Unity

Recentemente o movimento #FridaysforFuture lançou um vídeo clipe mundial para a canção Unity, escrita por Mark Long e Andrew Charlewood do Fridays for Future de Viena. Inspirada na força e no potencial dos jovens que fazem parte do movimento, a canção traz um chamado para pessoas de todas as idades também aderirem a causa e lutarem por um futuro para o Planeta.

Com versos marcantes o vídeo clipe é ilustrado com imagens de manifestações, ações e atividades desenvolvidas pelos jovens do Fridays for Future ao redor do mundo. As imagens brasileiras foram gravadas em Atalanta (SC) por uma iniciativa da Apremavi e do Plantando o Futuro.

É muito gratificante para nós, jovens de Atalanta, fazermos parte do movimento e ver que nossas ações aqui no interior de Santa Catarina estão sendo divulgadas ao redor do mundo. Estamos todos juntos lutando em prol de justiça climática e da preservação do meio ambiente“, relata Jacson Floresti, ativista jovem e participante do Plantando o Futuro.

Veja trechos da canção e também o vídeo o clipe abaixo:

Listen up as we say | Ouça o que estamos dizendo
Our future’s now it starts today | O nosso futuro é agora, ele começa hoje
Stand with us side by side | Fique conosco, lado a lado

Change is always possible | Mudar sempre é possível
Cause we are unstoppable | Porque nós somos invencíveis

Now the youth planet wide | Agora a juventude de todo o planeta
Take a stand on our mother’s side | Toma uma posição em favor da mãe terra
We’ll earn more by taking less | Ganharemos mais ao tomar menos
And now it’s time to give our best | E agora é hora de dar nosso melhor

“Change is always possible, ‘cause we are instopable – Mudar é sempre possível porque nós somos invencíveis” esse é o refrão que embala a música Unity, lançada recentemente pelo movimento Fridays for Future. Reparem que imagens feitas aqui em Atalanta (SC) estão incluídas no clipe. Vídeo: Arquivo Fridays for Future.

Autora: Carolina Schäffer.

Cânion do Funil pode ser afetado por complexo eólico

Cânion do Funil pode ser afetado por complexo eólico

Cânion do Funil pode ser afetado por complexo eólico

O Cânion do Funil, um dos patrimônios geológicos brasileiros, pode ter sua beleza cênica única e selvagem afetada pela instalação iminente de um complexo eólico com 28 torres aerogeradoras no entorno do Parque Nacional (PARNA) de São Joaquim – a torre mais próxima fica a 60 metros dos limites do PARNA. Encravado no parque, em Bom Jardim da Serra, o cânion é uma das principais atrações turísticas da região junto com o Morro da Igreja.

O Ministério Público do Estado de Santa Catarina abriu inquérito civil para apurar irregularidade no licenciamento prévio para instalação da usina eólica adjacente ao PARNA de São Joaquim, depois de receber representação da Comissão de Defesa dos Aparados da Serra e de organizações não governamentais que pedem a relocalização do empreendimento de modo a afastar as torres aerogeradoras dos limites do parque e das bordas do cânion, um dos cartões postais da Serra Catarinense.

O empreendimento, da Vilco Energias Renováveis, obteve licença prévia para instalar o parque eólico cujas torres podem interferir na paisagem e na experiência de avistamento do cânion pelos visitantes. O inquérito objetiva apurar, entre outros aspectos, a falta de discussão de alternativa locacional, conforme exige a legislação ambiental.

Por afetar área de um parque nacional, o Ministério Público Federal também recebeu a representação e abriu procedimento de investigação. Além da Comissão, assinam o documento junto com a Apremavi, a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), a Associação Gaúcha de Proteção do Ambiente Natural (Agapan.), o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) e o Instituto Curicaca.

O turismo é um grande ativo econômico na região. Cidades como Urubici, em SC, e Cambará do Sul, no RS, tiveram grande impulso na economia devido a visitação dos parques. Esta última recebeu, em 2018, 217 mil visitantes aos cânions e outros atrativos dos parques nacionais, segundo a Secretaria Municipal de Turismo de Cambará do Sul.

O empreendimento, que envolve a terraplanagem e a construção de estradas e de linhas de transmissão, também pode afetar a biodiversidade e nascentes de mananciais que abastecem a região. O parque localiza-se sobre os divisores de águas de quatro diferentes bacias hidrográficas e é o refúgio de espécies ameaçadas de extinção, como o puma (Puma concolor) e o veado-campeiro (Ozotoceros bezoartuicus), além de aves migratórias.

O Cânion do Funil, localizado dentro do Parque Nacional de São Joaquim (SC), faz parte do mais extenso conjunto de cânions da América do Sul com cerca de 200 km. Sua beleza cênica e biodiversidade estão ameaçadas pela instalação iminente de um complexo eólico e também pela proposta de retirada desta área de dentro dos limites do PARNA. Fotos: Carolina Schäffer.

Ameaça de redução

Ao mesmo tempo em que pode ser afetado pelo empreendimento de geração de energia, a área do cânion do Funil sofre ainda a ameaça de ser retirada do PARNA de São Joaquim. Medidas provisórias fracassaram em alterar a lei 13.273, que passou 15 anos em discussão, e aprovou a ampliação do parque. No entanto, a redução de 20% da área do Parque, que incluiria o monumento e foi proposta por parlamentares catarinenses, continua em discussão em Grupo de Trabalho criado pelo ICMBio.

Sobre o Funil

Com mais de 1400 de altitude, o Cânion do Funil faz parte do mais extenso conjunto de cânions da América do Sul com cerca de 200 km. A feição funil, cone de rocha que dá nome ao cânion, é a mais impressionante das escarpas erosivas basálticas de que se constituem os Aparados da Serra – notável quebra de relevo em paralelo à costa atlântica cuja origem está relacionada a abertura e separação dos continentes.

Publicado em 2017, este curta fala sobre a importância do Parque Nacional de São Joaquim e faz um alerta sobre a ameaça que o parque está sofrendo, inclusive a região do Cânion do Funil. Vídeo: Arquivo Apremavi.

Autora: Sandra Damiani.

Tem uma área para restaurar? A produção de mudas está a mil

Tem uma área para restaurar? A produção de mudas está a mil

Tem uma área para restaurar? A produção de mudas está a mil

A Apremavi modernizou a produção de mudas nativas aumentando sua capacidade para atender a demanda da restauração da Mata Atlântica.

Em abril de 2019 o Viveiro Jardim das Florestas passou a produzir mudas no sistema Ellepot, que utiliza embalagens de papel, certificado pela Rainforest Alliance e pelo FSC. As embalagens de papel para espécies de árvores nativas, conhecidas como paperpot, duram de 5 a 18 meses no viveiro e possibilitam o plantio das mudas no campo com a embalagem. O novo sistema evita a deformação das raízes, aumenta a sobrevivência das mudas mais sensíveis, além de facilitar e otimizar o tempo do plantio.

O enchimento das embalagens é feito com máquina. Isso garante a uniformidade e facilita o processo de repicagem e manuseio das mudas no viveiro. A aquisição da máquina que faz o preenchimento das embalagens é resultado de uma parceria com a empresa fabricante, a Ellepot da Dinamarca. Para celebrar a parceria foi implantado em Atalanta, no terreno da Apremavi, o Bosque Ellepot.

O Viveiro foi modernizado e ampliado com a construção de estufa, bancadas metálicas, sistema de irrigação, galpão de trabalho e auditório para mais de 100 pessoas. Essa modernização teve o apoio do BNDES, através do projeto Restaura Alto Vale e investimentos da própria Apremavi.

Nesse curta você confere tudo o que rolou no dia do plantio do Bosque Ellepot. Vídeo: Arquivo Apremavi.

Campanha busca novas áreas para plantio

Com o aumento na capacidade de produção de mudas, a Apremavi está a procura de áreas que precisam de restauração e criou um espaço especial aqui no site para que os interessados conheçam as formas de participação e possam se cadastrar.

O plantio de árvores é uma das melhores formas de se combater a crise climática. Estudo publicado na revista Science, aponta que além de preservar as florestas existentes o Planeta precisa de 1,2 trilhão de novas árvores para conter o aquecimento global abaixo de 1,5 graus.

A Apremavi lhe oferece uma grande oportunidade de fazer parte do time de #PlantadoresDeFlorestas. Entre em contato!

Tem uma área para restaurar e quem fazer parte da campanha? Entre em contato! Conhece alguém que teria interesse em participar? Mande esse banner para ele! Foto: Arquivo Apremavi.

Autora: Miriam Prochnow.

Apremavi e Plantando o Futuro participam de 6º Seminário do Galo Verde

Apremavi e Plantando o Futuro participam de 6º Seminário do Galo Verde

Apremavi e Plantando o Futuro participam de 6º Seminário do Galo Verde

Sexto encontro de ativistas da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), conhecido como Seminário do Galo Verde, aconteceu em Rodeio (SC) no último dia 9 de novembro de 2019 e contou com a participação da Apremavi, de jovens do Grupo Plantando o Futuro e de cerca de 30 membros da IECLB. O físico aposentado e ativista ambiental Johannes Gerlach, coordenador do Programa Ambiental Galo Verde, conduziu o encontro que teve como tema “As igrejas e o cuidado com a Criação de Deus”.

Na abertura do encontro o pastor Alan Schulz leu a carta pastoral da Presidência da IECLB para novembro que aborda, entre outros assuntos, o derramamento de petróleo no litoral brasileiro. “Que atitudes podemos tomar e que ações precisamos desenvolver para defender a criação? Cada pessoa pode começar com pequenas ações: consumo consciente, diminuir o uso de plásticos, não desperdiçar água, economizar energia”, aconselha o manifesto.

A partir daí, ao longo do dia, foram feitas falas sobre a situação das lutas socioambientais no Brasil e a contribuição das organizações cristãs na temática ambiental. O pastor Nilton Giese, que veio especialmente ao seminário para falar dos crimes das mineradoras Samarco, em Mariana (MG), e da Vale, em Brumadinho (MG), apresentou um dramático documentário com relatos de vítimas e dos principais dramas que até hoje são vivenciados. “O que fazer? Também não sabíamos”, confessou. “Percebemos que a doação de galões de água e de cestas básicas era enorme e por isso decidimos optar por enviar também palavras de aconchego e esperança através de cartas que chegavam para nós de todo o Brasil e foram direcionadas para as vítimas com apoio da IECLB de Belo Horizonte“, complementou Nilton.

O pastor Werner Fuchs, de Curitiba (PR), ativista histórico e ecumênico de causas socioambientais, destacou as parcerias com as igrejas evangélicas e pleiteou o aprofundamento da Teologia da Criação. “Nós também precisamos abraçar as lutas ambientais“, comentou Werner.

A irmã franciscana Lucia Gianesini (ICAR), vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário-CIMI, apresentou o Sínodo para a Amazônia. Ocorrido sob a liderança do Papa Francisco em Roma, em outubro, o encontro católico foi apresentado aos ativistas com um relato sobre o seu preparo, as resoluções e os desafios.

Recebidos com entusiasmo, os membros do Plantando o Futuro tiveram a oportunidade de apresentar algumas ações que o grupo vem desenvolvendo ao longo dos últimos anos, bem como relatar os resultados das atividades de educação ambiental que são realizadas nas escolas, em especial na Escola de Educação Básica Doutor Frederico Rolla em Atalanta (SC). Além disso, ao relatarem a experiência de engajamento do grupo com o movimento global de jovens, Fridays for Future, ficou evidente a marcas de encorajamento que o Plantando o Futuro deixou nos participantes do seminário.

O grupo estava acompanhado do conselheiro e sócio-fundador da Apremavi, Wigold Schäffer, que aproveitou a oportunidade para destacar a necessidade de todos, em todos os lugares e todos os momentos trabalhamos em prol do meio ambiente para o bem do futuro do nosso Planeta. “As igrejas ainda tem uma inserção muito grande na comunidade, muitas pessoas as tem como referencia e elas alcançam um público que os ambientalistas às vezes tem um pouco de dificuldade de alcançar”, complementa Wigold que acha fundamental a abordagem da temática ambiental também nos centros religiosos.

Após o seminário, o núcleo do Galo Verde realizou uma reunião para avaliar as ações e planejar passos futuros. Ficou definido que a principal ação será concluir e distribuir uma cartilha para ajudar comunidades interessadas a organizar eventos e festas que cuidem da questão ambiental.

Imagens dos participantes do 6º seminário do Galo Verde realizado no dia 9 de novembro, no Centro de Eventos Rodeio 12, em Rodeio (SC). Fotos: Arquivo Galo Verde.

Autores: Carolina Schäffer e Clovis Horst Lindner.

Projetos desenvolvidos pela Apremavi são divulgados em nova publicação do Diálogo Florestal

Projetos desenvolvidos pela Apremavi são divulgados em nova publicação do Diálogo Florestal

Projetos desenvolvidos pela Apremavi são divulgados em nova publicação do Diálogo Florestal

No último dia 30 de outubro de 2019 o Diálogo Florestal lançou o volume 1 da Série Casos de Sucesso “Recursos Hídricos e Florestas Plantadas“. A publicação é resultado de uma chamada pública, organizada pelo Diálogo Florestal, que selecionou casos de sucesso vinculados a projetos que atestam o bom manejo florestal em nível de microbacia, evidenciando o antes e o depois no que tange aos recursos hídricos.

Neste primeiro volume da série são apresentados três casos, sendo que dois deles dizem respeito a trabalhos de restauração florestal realizados através de programas desenvolvidos pela Apremavi em parceria com a Klabin. Restauração florestal, formação de corredores ecológicos e conservação de recursos hídricos, caso 2 da publicação, apresenta os resultados do trabalho realizado em sete propriedades rurais no município de Reserva (PR), com apoio do Programa Matas Legais. Restauração de manancial de abastecimento público e educação ambiental, caso 3 da publicação, conta um pouco da trajetória e dos resultados dos trabalhos de restauração florestal realizados pelo Programa Matas Sociais – Planejando Propriedades Sustentáveis.

Para Edilaine Dick, coordenadora de projetos da Apremavi, é muito gratificante ter dois projetos da instituição escolhidos para figurarem nesta primeira publicação do Diálogo Florestal. “Me sinto muito feliz em fazer parte dessa instituição e colaborar com projetos que tenham resultados tão positivos e de fato geram impacto nas comunidades aonde atuamos“, completa Edilaine.

O evento de lançamento da publicação aconteceu em Curitiba (PR) durante o Seminário Regional organizado pelo Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina. O Fórum PR e SC está pautado nos princípios do Diálogo Florestal e busca discutir e encaminhar em nível local os temas que dizem respeito à silvicultura e à conservação. A Apremavi compõe o Fórum desde a sua abertura, em 2008, exercendo hoje sua Secretaria Executiva.

Com o objetivo de promover a troca de experiências e a discussão sobre a gestão de recursos hídricos, o seminário teve como público alvo empresas do setor florestal, ONGs, plantadores de florestas, agricultores, extensionistas rurais, órgãos ambientais e poder público municipal, conselhos municipais de meio ambiente, comitês de bacia hidrográfica, empresas de consultoria, estudantes e demais interessados no tema.

Sueli Ota, diretora técnica da Taoway – Sustentabilidade Socioambiental, comenta que “o seminário, além de proporcionar conhecimento técnico de alta qualidade, imprimiu a importância do estabelecimento de parcerias para a gestão com seriedade, inovação e numa visão sistêmica que leva em conta a complexidade das ações para a sustentabilidade ambiental“.

Você pode acessar a versão digital do volume 1 dos Casos de Sucesso: Recursos Hídricos e Florestas Plantadas aqui.

Imagens do Seminário Regional do Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina que aconteceu em Curitiba (PR) no último dia 30 de novembro de 2019. Fotos: Marcos Rosa Filho.

Autora: Carolina Schäffer.

Bosques de Heidelberg uma história de parcerias

Bosques de Heidelberg uma história de parcerias

Bosques de Heidelberg uma história de parcerias

Os primeiros Bosques de Heidelberg no Brasil estão completando 20 anos. Um deles é o bosque da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ribeirão Matilde, em Atalanta, onde em 1999 foram plantadas 2.000 mudas de árvores da Mata Atlântica. Para comemorar a data a escola promoveu um concurso de desenhos e elaborou uma cartilha de colorir com ilustrações, textos e poemas escritos pelos alunos. Os alunos também confeccionaram cartões postais e escreveram cartas para a parceira da Apremavi no projeto, a ONG BUND da cidade de Heidelberg, na Alemanha.

Para deixar o local ainda mais bonito e biodiverso, no dia da árvore foi realizado um plantio de enriquecimento ecológico do bosque, que já conta com mais de 70 espécies diferentes, muitas delas frutíferas nativas. O plantio foi realizado pelos alunos e professores com apoio da Apremavi e do grupo Plantando o Futuro.

Nestes 20 anos as árvores cresceram e o bosque tornou-se o lugar favorito dos alunos. Ele é usado para desenvolver atividades multidisciplinares, para lazer e para o contato com a natureza.

O projeto do bosque foi um dos vencedores do I Prêmio de Educação Ambiental do Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina. Um merecido reconhecimento por todo empenho em ajudar a cuidar da natureza.

Confira tudo neste vídeo.

Confira a história do Bosque de Heidelberg plantado na Escola Municipal de Ensino Fundamental do Ribeirão Matilde, em Atlanta (SC). Vídeo: Arquivo Apremavi.

Autora: Miriam Prochnow.

ONGs pedem fim de sigilo sobre ações contra óleo no Nordeste

ONGs pedem fim de sigilo sobre ações contra óleo no Nordeste

ONGs pedem fim de sigilo sobre ações contra óleo no Nordeste

Organizações não-governamentais entregaram nesta quinta-feira (17) ao Senado uma carta aberta pedindo o fim do sigilo sobre a investigação do derramamento de petróleo que afeta o Nordeste.

A carta, que até o final da tarde era assinada por cerca de cem organizações e pessoas físicas, como os atores Marcos Palmeira, Maitê Proença, Mateus Solano e vários cientistas, repudia a falta de transparência na apuração das causas do desastre e pede a abertura dos dados sobre a apuração e as ações do governo para conter o óleo.

Os ambientalistas também lembram que, até agora, o Plano Nacional de Contingência para incidentes com petróleo, de 2013, “não foi executado e/ou acionado na forma proposta”.

O Ministério Público Federal entrou com ação contra a União pelo não acionamento do plano, determinando que este ocorra em 24 horas. O comitê executivo do Plano Nacional de Contingência, que seria o responsável pelo acionamento, foi extinto em abril pelo “revogaço” do governo federal.

Também nesta quinta-feira, o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Fabiano Contarato (Rede-ES), pediu que o governo decretasse emergência ambiental pelo desastre. O óleo já afeta 2.250 km de costa no Nordeste brasileiro, do Maranhão a Salvador. Até agora, 132 praias em 61 municípios e 14 unidades de conservação já foram atingidas. Segundo o chefe do Estado-Maior do Comando de Operações Navais da Marinha, Alexandre Rabello de Faria, este é o maior desastre desse tipo já ocorrido no Brasil, tanto em extensão de dano quanto em duração.

Na quarta-feira, a Associação dos Servidores do Ministério do Meio Ambiente publicou uma carta, na qual afirma que a tragédia no Nordeste é sintomática do que virou o MMA: “Um órgão sem gestão e planejamento estratégico (…), totalmente centralizado (…) onde os servidores são silenciados e o conhecimento técnico não é levado em conta”.

Os primeiros relatos de praias nordestinas contaminadas por petróleo ocorreram no final de agosto na Paraíba e foram tratados como um incidente local. Nas últimas semanas, porém, o óleo se espalhou pelos nove Estados da costa nordestina, afetando algumas das principais destinações turísticas do país, como Jericoacoara (CE), Praia dos Carneiros (PE), Maragogi (AL) e Praia do Forte (BA). Na quarta-feira, após 24 horas sem registro de novo óleo, uma mancha de grandes proporções foi avistada em Japaratinga, uma praia paradisíaca da Costa dos Corais, em Alagoas, próxima a um santuário de peixe-boi marinho, espécie ameaçada de extinção.

Ninguém sabe a origem do vazamento, embora estudos de modelagem feitos pela Universidade de São Paulo apontem para um navio a cerca de 400 km da costa, que teria ou afundado, ou sofrido um acidente, ou despejado intencionalmente uma carga de óleo bruto no mar. O comportamento da mancha, que se espalhou tanto para norte quanto para sul, sugere que o derrame tenha ocorrido na região onde a corrente Sul-Equatorial se bifurca.

Ontem, no Senado, o almirante Rabello de Faria, comparou o derrame a uma “bala perdida” que se espalhou por toda a costa nordestina. “Agora estamos procurando a arma”. Mais de mil navios são investigados. A Marinha trata o incidente como crime, já que, em caso de acidente ou naufrágio, a obrigação do dono do navio é reportar às autoridades internacionais. É possível que o navio acidentado estivesse transportando petróleo comercializado ilegalmente.

Segundo a carta dos ambientalistas, o Estado brasileiro “pecou em não reconhecer de imediato a dimensão do problema” e “na falta de transparência pública e celeridade em tomar as devidas medidas emergenciais de contenção”.

“Passaram-se 39 dias entre o primeiro relato e a primeira agenda do ministro do Meio Ambiente relacionada com o petróleo”, disse o oceanógrafo Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP. Ele também critica o sigilo nas investigações. “Não consigo entender por que está sob sigilo uma investigação que é de interesse do Brasil, de algo que aconteceu fora das nossa zona econômica exclusiva”, afirmou.

O Ministério do Meio Ambiente foi procurado pelo OC para comentar a carta. Como é praxe desde janeiro, não respondeu.

Fonte: Observatório do Clima.
Foto de capa: Voluntários limpam Praia dos Carneiros, em Tamandaré (PE). Autoria: PCR/APACC.

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