A crise climática e a década da restauração – ou seria do colapso? Ainda depende de nós!

A crise climática e a década da restauração – ou seria do colapso? Ainda depende de nós!

A crise climática e a década da restauração – ou seria do colapso? Ainda depende de nós!

“Entendemos que o mundo é muito complexo e que mudanças não acontecem da noite para o dia. Mas vocês já tiveram mais de três décadas de blá-blá-blá. De quantas mais vocês precisam?” perguntou Greta Thunberg no dia 26 de janeiro de 2021, às elites econômicas e políticas mundiais reunidas no Fórum Econômico Mundial em Davos na Suíça.

Greta Thunberg, a jovem sueca de 18 anos que mobilizou milhões de pessoas ao redor do mundo nos últimos anos, sabe que não há mais desculpa, simplesmente porque não há mais tempo. Ou agimos agora ou nossos filhos e netos não terão a chance de agir e de viver neste planeta – e não existe outro.

Você está preocupado com o futuro da Terra? Bem, a perspectiva é pior do que até mesmo os cientistas podem imaginar”. É isso que aponta uma pesquisa que analisou mais de 150 estudos sobre o estado atual do mundo natural. O artigo, escrito por 17 cientistas da Flinders University, Stanford University e da University of California, Los Angeles, descreve as tendências futuras prováveis ​​no declínio da biodiversidade, extinção em massa, perturbação climática e toxificação planetária. Os cientistas esclarecem a gravidade da situação humana e fornecem uma fotografia atual das crises que devem ser tratadas agora. Os problemas, todos ligados ao consumo humano e ao crescimento populacional, quase certamente se agravarão nas próximas décadas. Os danos serão sentidos por séculos e ameaçam a sobrevivência de todas as espécies, incluindo a nossa.

Números não mentem

A pesquisa supracitada analisou o estado atual do meio ambiente global. Aqui estão alguns números:

  • houve uma redução pela metade da biomassa da vegetação desde a revolução agrícola, há cerca de 11.000 anos. No geral, os humanos alteraram quase dois terços da superfície terrestre da Terra;
  • cerca de 1.300 extinções de espécies foram documentadas nos últimos 500 anos, com muitas mais não registradas. De forma mais ampla, o tamanho das populações de espécies animais diminuiu em mais de dois terços nos últimos 50 anos, sugerindo que mais extinções são iminentes;
  • cerca de um milhão de espécies de plantas e animais estão globalmente ameaçadas de extinção. A massa combinada dos mamíferos selvagens hoje é menos de um quarto da massa antes dos humanos começarem a colonizar o planeta. Os insetos também estão desaparecendo rapidamente em muitas regiões;
  • 85% da área úmida global foi perdida em 300 anos, e mais de 65% dos oceanos foram comprometidos até certo ponto pelos humanos;
  • houve uma redução pela metade da cobertura de corais vivos nos recifes em menos de 200 anos e uma diminuição na extensão das ervas marinhas em 10% por década no último século;
  • cerca de 40% das florestas de algas diminuíram em abundância, e o número de grandes peixes predadores é menos de 30% daquele de um século atrás.

Uma situação ruim que continua piorando

A população humana atingiu 7,8 bilhões de pessoas – o dobro do que era em 1970 – e deve chegar a cerca de 10 bilhões até 2050. Mais pessoas significa mais insegurança alimentar, degradação do solo, poluição por plásticos e perda de biodiversidade.

As altas densidades populacionais também tornam as pandemias mais prováveis. Elas também geram superlotação, desemprego, escassez de moradias e deterioração da infraestrutura e podem desencadear conflitos que levam a insurreições, terrorismo e guerra.

O consumo ultrapassou a capacidade da Terra de se regenerar, cresceu de 73% em 1960 para mais de 170% hoje. Ou seja, estamos consumindo os recursos dos nossos filhos e netos.

Se não bastasse, tem a mudança climática. A ação humana já ultrapassou o aquecimento global de 1 ° C neste século, e quase certamente ultrapassará 1,5 ° C entre 2030 e 2052. Mesmo se todas as nações signatárias do Acordo de Paris ratificassem seus compromissos, o aquecimento ainda atingiria entre 2,6 ° C e 3,1 ° C em 2100.

As informações aqui apresentadas podem ser acessadas aqui.

As Nações Unidas declararam o período entre 2021 e 2030 como a Década da Restauração.

Década da Restauração de Ecossistemas (2021-2030)

A degradação dos ecossistemas terrestres e marinhos compromete o bem-estar de 3,2 bilhões de pessoas em todo o planeta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Isto significa que a degradação já afeta quase metade da população da Terra.

A conservação dos ecossistemas ainda preservados e a restauração de ecossistemas degradados são a melhor forma de enfrentar a crise climática, a perda de biodiversidade, a escassez hídrica e de alimentos

Esse é o motivo pelo qual a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que o período de 2021-2030 será a “Década da Restauração de Ecossistemas”, que tem como principal objetivo aumentar os esforços para restaurar ecossistemas degradados, criando medidas eficientes para combater a crise climática, alimentar, hídrica e da perda de biodiversidade.

Quando falamos em restauração de ecossistemas não estamos falando apenas das florestas. Segundo a representante do PNUMA no Brasil, Denise Hamú, muitas pessoas pensam nas florestas. “Elas estão sim ameaçadas e são vitais para o planeta e para o ser humano. Mas outros ecossistemas, a exemplo de pântanos, pradarias, savanas (como o cerrado brasileiro) e corais também estão entrando em colapso e são essenciais para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, que são a base da nossa sobrevivência enquanto espécie e sociedade. A Década da Restauração chega para canalizar soluções e esforços locais e globais, fortalecer parcerias, impulsionar ações (novas e já em curso) e intensificar a troca de conhecimentos e boas práticas em prol do nosso meio ambiente”, complementa Hamú.

É por todos esses motivos que a Apremavi está iniciando 2021 com força total. Precisamos encarar a crise climática como crise e para isso nossas ações devem ser concretas e responsáveis. Todos podem e devem fazer a sua parte, mudando hábitos e ajudando a implementar projetos ambientais.

Seja você também um ativista do clima e ajude a mudar o rumo do nosso Planeta.

Autor: Wigold B. Schäffer.

Retrospectiva Apremavi: um olhar sobre 2020

Retrospectiva Apremavi: um olhar sobre 2020

Retrospectiva Apremavi: um olhar sobre 2020

No final de 2019, quando falamos que estávamos preparados para o ano de 2020 nós na verdade não fazíamos ideia do que estava por vir. Falar de 2020 é inevitavelmente também falar sobre a Covid-19. Ainda que os meses de janeiro e fevereiro estivessem indo de vento em popa, a pandemia chegou e tudo foi colocado em pausa. Atividades de campo, encontros com a comunidade, reuniões e palestras, mutirões de plantio… muitos dos nossos planos foram adiados, alguns foram reajustados e passaram a ser virtuais, outros ficaram para depois. Mas de tudo que foi pausado, pelo menos até aqui, precisamos enfatizar que a nossa vida não foi pausada. Diferente das mais de 187 mil mortes até agora, temos a sorte e o privilégio de estarmos vivos, de podermos continuar dando o nosso melhor e de seguirmos construindo oportunidades de futuro.

Numa singela homenagem às vítimas de Covid-19, a Apremavi realizou no início de dezembro um plantio simbólico de 80 mudas nativas da Mata Atlântica. O plantio faz parte da campanha Bosques da Memória que acontece até junho de 2021.

Plantio de 80 mudas em homenagem às vítimas da Covid-19. A ação faz parte da Campanha Bosques da Memória. Foto: Arquivo Apremavi.

Além da pandemia, estamos vivendo um ciclo de devastação no Brasil que tem o aval do governo federal e vários governos estaduais. O resultado disso: recordes de desmatamento no país inteiro, inúmeros incêndios florestais em todos os biomas, retrocessos na legislação ambiental – inclusive na Mata Atlântica, um sistema ambiental esvaziado e sem nenhum recurso, sem falar nas inúmeras ameaças à biodiversidade. Esse é um desmonte sistêmico e estratégico da estrutura ambiental do país.

Na contramão, a Apremavi se manteve firme e forte no seu lema “boca no trombone e mão na massa“. O mão na massa teve que ser reestruturado para que as medidas de isolamento social e distanciamento fossem respeitadas e o boca no trombone passou a ser integralmente na internet para evitar aglomerações. Mas mesmo com todos os rearranjos, muita coisa foi feita em 2020, por isso fizemos aqui um pequeno balanço da nossa atuação este ano.

Queremos dar destaque aos nossos viveiristas, que este ano produziram 417.914 mudas nativas da Mata Atlântica. As atividades do Viveiro Jardim das Florestas não pararam, além da produção e do cuidados com as mudas, sistematizamos a coleta de sementes, instalamos energia solar e até reconstruímos a estufa derrubada pelo ciclone-bomba após uma bem sucedida campanha online. Bem sucedida também foi a live sobre o Viveirista como um profissional do clima que marcou a participação da Apremavi no Dia do Profissional do Clima, realizado pelo Youth Climate Leaders. Não foi atoa que o Viveiro, junto com o Projeto Restaura Alto Vale, receberam o Prêmio Expressão de Ecologia.

Além das mudas produzidas, este ano foram plantadas e doadas mais de 200 mil mudas nativas no âmbito dos projetos que desenvolvemos. O Restaura Alto Vale além de visitar 93 novas propriedades e restaurar 50 hectares de APP, também lançou uma série de curtas chamada “Plantadores de Florestas” com depoimentos dos agricultores e apoiadores que participam do projeto. Os 12 vídeos publicados já foram visualizados mais de 13 mil vezes nas redes sociais da Apremavi.

Os Programas Matas Legais e Matas Sociais, desenvolvidos numa parceria com a Klabin que completou 15 anos este ano, passaram por uma reestruturação e a partir de 2021 terão um novo escopo que trará ainda mais bons resultados e benefícios aos agricultores e ao meio ambiente. Como forma de estreitar os laços com os agricultores que participam do Matas Sociais e manter a comunicação mesmo em tempos de pandemia, foi lançado o podcast Vozes do Matas que já conta com 14 episódios e apresenta temas que vão desde a importância da proteção das nascentes até alternativas de venda de produtos na propriedade. Além disso, o Matas Sociais também foi selecionado na segunda chamada pública dos Casos de Sucesso do Diálogo Florestal e figura agora na publicação lançada pelo DF.  Ao todo, neste ano, os programas doaram e/ou plantaram 65 mil mudas nativas.

O Clima Legal também está passando por uma reestruturação e deve chegar em 2021 com muitas novidades. Já o projeto Bosques de Heidelberg fecha o ano com o plantio e a distribuição de 21.741 mudas de árvores nativas e com a novidade de ter realizado o primeiro plantio do projeto fora de Santa Catarina – foram plantadas 11 mil mudas no município de Socorro em São Paulo. Também destacamos uma parceria que já dura mais de 20 anos com o Supermercado Archer de Brusque (SC), e que distribuiu 30 mil mudas aos clientes do supermercado numa grande ação no Dia da Árvore em setembro deste ano.

O Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, que comemorou 20 anos de criação este ano, esteve fechado para visitas durante boa parte do ano, mesmo assim, realizou o Concurso de Desenho “Parque Mata Atlântica 20 Anos”, e lançou a sua nova nova identidade visual. Já o projeto RPPN Samuel Klabin fechou o ano com um projeto de trilha ecológica que será implantada nos primeiros meses do próximo ano.

Por fim, precisamos mais uma vez deixar o alerta da mortandade de bugios aqui no Alto Vale do Itajaí. Até o dia 15 de dezembro foram encontrados 9 bugios mortos em 4 áreas diferentes, em duas localidades só do município de Atalanta (SC). É importante esclarecer que os macacos não transmitem a febre amarela. Eles também são vítimas. Na verdade são considerados sentinelas. Num momento tão trágico, especialmente para os bugios, é importante ampliar as ações de combate à caça e também de proteção dos remanescentes florestais, preservando seus locais de habitat. 

Momentos de 2020. Fotos: Arquivo Apremavi.

Num balanço interno, entre pausas, alto e baixos, além de organizar a casa, estamos entendendo que 2020 foi um ano que nos permitiu também reforçar nossas ações em rede e valorizar ainda mais os coletivos que nos fazem ir mais longe. Essas redes e coletivos serão fundamentais para darmos conta de todos os desafios que 2021 trará. Será necessário muito diálogo e muitas parcerias. Por isso queremos deixar um agradecimento especial a todos que neste ano de 2020 compartilharam conosco os ideais e as ações em prol de um mundo melhor, solidário e sustentável, com respeito a todas as formas de vida, ao isolamento social e à ciência.

Boca no trombone e mão na massa é muito mais do que o lema que acompanha a nossa instituição desde a sua fundação. Ele é um chamado de resistência. Que venha 2021 porque nós seguiremos resistindo e lutando pelas florestas, pela biodiversidade e pelo futuro comum de todas as espécies.

Autora: Carolina Schäffer.

Mortandade de macacos em Atalanta preocupa ambientalistas

Mortandade de macacos em Atalanta preocupa ambientalistas

Mortandade de macacos em Atalanta preocupa ambientalistas

Até o dia 15 de dezembro foram encontrados 9 bugios mortos em 4 áreas diferentes, em duas localidades no município de Atalanta (SC). O fato tem preocupado muito os ambientalistas, que acreditam se tratar de um surto de Febre Amarela (FA), uma vez que já está comprovado que o vírus está circulando no Alto Vale do Itajaí, conforme atestado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE). Matéria publicada no Jornal de Santa Catarina em 23 de setembro de 2020 afirma: “o Vale do Itajaí registrou mais sete novas mortes de macacos por febre amarela, o que acende um alerta para a região, informa a Dive. Dos 86 óbitos de primatas ocorridos pela doença neste ano no estado, 53 foram no Médio Vale. Os mais recentes confirmados foram de cinco bugios de Apiúna, e dois de Aurora e Vitor Meireles”.

O município de Atalanta já deflagrou uma campanha de vacinação e pede a atenção especial de todos os habitantes que ainda não se vacinaram. A bióloga Leoiza Andrião Coelho, da Supervisão Regional de Saúde (SUPRES) de Rio do Sul, em comunicado orienta: “a febre amarela é uma doença reemergente no Brasil. O estado de Santa Catarina registrou a presença e a expansão do vírus da FA em seu território no ano de 2019 e toda a região sul do país tornou-se Área Com Recomendação de Vacina (ACRV) para a FA, sendo esta indicada a todas as pessoas a partir dos nove meses de idade, conforme as recomendações do calendário nacional de vacinação”. Ela também pede que todo caso de morte de macacos seja notificado à vigilância epidemiológica o quanto antes. Confira a íntegra da nota aqui.

 

Foto em destaque: bióloga da Supervisão Regional de Saúde (SUPRES) de Rio do Sul examina bugio morto. Demais fotos: registros de macacos mortos encontrados em Atalanta (SC). Fotos: Arquivo Apremavi.

É importante esclarecer que os macacos não transmitem a febre amarela. Eles também são vítimas. Na verdade são considerados sentinelas. Num momento tão trágico, especialmente para os bugios, é importante ampliar as ações de combate à caça e também de proteção dos remanescentes florestais, preservando seus locais de habitat.

Ana Júlia Dutra Nunes, médica veterinária no Hospital Escola Veterinário da FURB em Blumenau (SC) e responsável técnica do Centro de Pesquisas Biológicas de Indaial (CEPESPI) – Projeto Bugio em Indaial (SC), esclarece: “Todos os óbitos de primatas devem ser notificados obrigatoriamente à vigilância epidemiológica do município da ocorrência, para que os agentes da saúde possam investigar a morte. Eles coletam amostras biológicas dos órgãos dos animais e enviam para a secretaria da saúde para pesquisa e diagnóstico da febre amarela, pois os primatas são sentinelas da doença, principalmente o bugio-ruivo por ser muito suscetível a mesma e vir a óbito de forma muito aguda. Quando há morte confirmada nos primatas, causada por febre amarela, se faz a vacinação de todos os humanos que ainda não foram vacinados no entorno da localização. Os macacos são considerados nossos anjos da guarda!

Quem transmite o vírus da febre amarela são os mosquitos silvestres, tanto para os macacos quanto para os humanos. O que ocorre é que acidentalmente os humanos entram em áreas de mata e são picados por algum mosquito infectado. A doença é aguda e grave, podendo levar ao óbito. A vacina é o principal método e o mais eficaz para a prevenção nos humanos, e deve ser aplicada a partir dos 9 meses de idade.

Wigold B. Schäffer, ambientalista, fundador e conselheiro da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), fala com muita preocupação e tristeza sobre o fato: “Há mais de uma década a mata atrás de casa abriga uma família de bugios. O primeiro casal que apareceu no ano seguinte trouxe um filhote e assim, ano a ano eles apareciam com um novo filhote e todos nós comemorávamos junto a eles. Passamos muitas tardes no quintal os admirando enquanto comiam folhas de cedro ou frutinhas de chal-chal e pulavam de galho em galho. Quando eles ficavam um tempo sem vir já nos preocupávamos, achando que algum caçador da região pudesse tê-los ferido. Vê-los mortos por conta de uma doença dessas é estarrecedor, dói na alma. Eles são parte da nossa família”. Ele também chama a atenção para o fato dos bugios serem grandes dispersores de sementes, por isso são importantíssimos para a floresta: “esse resíduo com sementes já germinadas (veja fotos na galeria abaixo) é de uma das últimas vezes que dormiram aqui perto de casa”, afirma Wigold.

Bugios fotografados por Wigold B. Schäffer na mata perto da sua casa, em Atalanta (SC).

A febre que ameaça os nossos macacos, por Sérgio Lucena

No passado ocorreram surtos de febre amarela urbana no país, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mas esta forma foi erradicada na década de 1940, por meio de vacinação, obras de saneamento urbano e controle do vetor. O que tem ocorrido atualmente no Brasil é a febre amarela silvestre, causada por um vírus transmitido pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, da família Culicidae, aos macacos e, eventualmente, aos seres humanos.

A morte de macacos em reservas naturais e fragmentos florestais vem ocorrendo em grande escala na Mata Atlântica do Sul e Sudeste do Brasil desde 2016. Apesar das mortes atingirem, principalmente, os bugios, há confirmação de morte de várias outras espécies de macacos pela virose, tornando ainda mais crítica a situação daquelas já ameaçadas de extinção por outros impactos ambientais. Esse surto de febre amarela é considerado um desastre ambiental grave, por se tratar de uma das maiores mortandades de primatas da história da Mata Atlântica.

A rapidez com que a virose avança e o grande número de animais vitimados, evidenciam que temos lacunas de conhecimento importantes que precisam ser preenchidas, para que possamos nos preparar para eventos futuros. Precisamos conhecer melhor a epidemiologia da doença, que envolve, pelo menos, mosquitos, macacos e seres humanos, para que possamos tomar medidas preventivas, tanto na área de saúde pública, quanto na conservação das espécies ameaçadas.

Desde a década de 1980 a Organização Mundial da Saúde registra aumento no número de casos de febre amarela e acredita-se que o crescimento da população humana, com maior mobilidade global e as alterações no clima do planeta sejam possíveis explicações para o fato.

O controle da febre amarela passa pela preservação dos habitats naturais e suas espécies nativas. Matar macacos e desmatar não impede a circulação do vírus da doença e pode, até, piorar a situação. A redução drástica da população de macacos causa um desequilíbrio natural, pois eles participam de várias interações ecológicas. Além disso, os macacos atuam como sentinelas da doença, pois suas mortes alertam para a presença da virose numa dada região.

Podemos contar com a vacina para prevenir a doença nos seres humanos, mas ainda não temos medidas efetivas para evitar a mortandade dos macacos, que são as maiores vítimas. Por isso os esforços para proteger nossa fauna nativa do desmatamento e da caça, tornam-se ainda mais importantes, diante da ameaça dessa doença de tão grande impacto.

* Sérgio Lucena Mendes é biólogo, professor de Zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo e Diretor do Instituto Nacional da Mata Atlântica.

Confira o importante e esclarecedor depoimento do Prof. Sergio Lucena.

Sobre a Febre Amarela

É uma doença infecciosa febril aguda, que pode levar à morte em cerca de uma semana se não for tratada rapidamente. Em ambiente silvestre, os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus, e os macacos são as principais vítimas. Os casos humanos ocorrem quando uma pessoa não vacinada entra em contato, ou mora próximo às matas, e é picada por um mosquito contaminado. No ciclo urbano, o vírus é transmitido ao homem pelos mosquitos Aedes aegypti. O Brasil não registra febre amarela urbana desde 1942.

Saiba mais sobre a doença e sobre as campanhas de vacinação aqui.

Vacine-se contra a febre amarela e ajude a prevenir a doença que ameaça tanto os humanos quanto os macacos.

Autora: Miriam Prochnow.

Apremavi participa da Campanha Bosques da Memória

Apremavi participa da Campanha Bosques da Memória

Apremavi participa da Campanha Bosques da Memória

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) realizou no dia 12 de dezembro de 2020 o plantio de 80 mudas de árvores nativas, no âmbito da campanha Bosques da Memória. O plantio do Bosque Jardim das Florestas foi feito em homenagem às vítimas da Covid-19 e em agradecimento aos profissionais da saúde no Brasil. É uma singela homenagem às vítimas da pandemia do novo coronavírus, que já levou mais de 180 mil brasileiros e brasileiras.

A campanha também dá início ao engajamento de pessoas e organizações nas ações da Década da Restauração de Ecossistemas 2021-2030, declarada pela ONU. Uma forma concreta de ajudar no combate à crise climática. O dia 12 marcou o início da campanha, que está aberta a todas as pessoas e instituições interessadas. Saiba como participar e homenagear as pessoas que tantos momentos de alegria viveram conosco tendo a Mata Atlântica como abrigo e cenário.

A campanha está sendo desenvolvida de forma participativa e colaborativa pela Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), pela Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, contando, desde o início, com várias entidades parceiras como a Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (Apoena) e a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD). A Apremavi é uma das organizações que se soma a essa linda iniciativa.

Saiba mais e participe:
Visite bosquesdamemoria.com
Siga @bosquesdamemoria

Apremavi realiza plantio em homenagem as vítimas da Covid-19. A ação foi realizada no âmbito da Campanha Bosques da Memória que se iniciou no dia 12 de dezembro. Fotos: Arquivo Apremavi.

Autora: Miriam Prochnow.

Organizações da sociedade civil exigem aumento no orçamento de 2021 para o meio ambiente

Organizações da sociedade civil exigem aumento no orçamento de 2021 para o meio ambiente

Organizações da sociedade civil exigem aumento no orçamento de 2021 para o meio ambiente

O desmatamento continua a crescer no Brasil. Mas o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA para 2021), enviado pelo Executivo para votação no Congresso Nacional, não reflete o tamanho do problema e prevê cortes severos no orçamento dos órgãos ambientais, responsáveis, por exemplo, pelo combate ao fogo. Em resposta a isso, a Apremavi e 23 organizações da sociedade civil lançam, nesta quarta-feira, a campanha Floresta sem Cortes”, para exigir que deputados e senadores alterem o projeto.

A redução e o represamento de orçamento têm sido ações do atual governo, que impactam na redução da proteção ambiental no Brasil. De 2019 para 2020 a redução no orçamento das despesas discricionárias do Ibama foi de R$112 milhões (30,4%), de R$97 milhões no ICMBio (32,7%) e de R$33 milhões (32,7%) para o MMA – administração direta. O PLOA de 2021 prevê cortes ainda mais acentuados, que podem comprometer ainda mais a capacidade do país de combater o desmatamento e as queimadas, enquanto enfrentamos mudanças no clima e aumento da destruição florestal.

No momento em que o Congresso Nacional debate a PLOA 2021, antes da votação, o objetivo da campanha é mobilizar a sociedade brasileira e pressionar deputados e senadores pela aprovação de um orçamento robusto, que seja capaz de financiar todas as ações necessárias para frear o desmatamento, queimadas e responsabilização de criminosos que agem na Amazônia e em outros biomas. Nesta fase, os parlamentares podem fazer alterações, por meio de emendas.

“É importante que o Congresso Nacional não compactue com políticas que impactam negativamente as pessoas e o meio ambiente antidemocrática e antiambiental do governo Bolsonaro, que está gerando um prejuízo incalculável para toda a sociedade brasileira. O Congresso pode, e deve, remanejar parte dos recursos para aqueles que têm a competência legal e a expertise técnica para combater o desmatamento e as queimadas: o Ibama e o ICMBio”, afirma Cristiane Mazzetti, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil. 

“Não existe crise fiscal que justifique tamanho desmonte do orçamento do meio ambiente. Os cortes expressam, na verdade, a decisão política do atual governo de estrangular os órgãos ambientais e sucatear ainda mais a política ambiental brasileira. É uma irresponsabilidade que precisa ser revertida pelo Congresso Nacional por meio de emendas orçamentárias que assegurem recursos essenciais para que os órgãos possam atuar e cumprir seu papel”, diz Alessandra Cardoso, assessora política do INESC. 

“O orçamento é um espelho fidedigno de opções políticas. Os valores reduzidos da proposta orçamentária para 2021 para os órgãos ambientais explicitam a não priorização do tema pelo governo Bolsonaro. Não adianta o Vice-Presidente da República prometer uma atuação mais forte no controle do desmatamento e de outros ilícitos ambientais, e na prevenção e enfrentamento dos incêndios florestais, se isso estiver dissonante da lei orçamentária nas ações afetas ao Ibama e ao Instituto Chico Mendes. Em relação ao ICMBio, o quadro é extremamente complicado: os recursos previstos para a gestão de áreas protegidas em 2021 vão inviabilizar a atuação da autarquia, matando-a por inanição. Recursos há, basta deslocar uma pequena parte do previsto para o Ministério da Defesa”, diz Suely Araujo, especialista sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima.

Para fazer parte deste movimento, todos podem acessar a página FlorestaSemCortes.org.br e pedir ao Congresso a aprovação imediata de um orçamento adequado para frear o desmatamento nos biomas brasileiros e garantir a proteção de nossa  biodiversidade. A campanha está aberta para adesão de organizações da sociedade civil. 

 

Participam e assinam a campanha 350 Brasil, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Apremavi, Associação Civil Projeto Hospitais Saudáveis, Cidades afetivas, ClimaInfo, Fundação Avina, Greenpeace Brasil, Hivos, Idesam, Imaflora, Imazon, Inesc, Instituto Alana, Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Ethos, Ipam, ISA, ISPN, Mater Natura, Observatório do Clima (OC), Projeto saúde e alegria, Rede Grupo de trabalho Amazônico (GTA) e Transparência Internacional.

 

De acordo com as organizações, se a proposta orçamentária do governo for aprovada como está pelo Congresso Nacional, não haverá recursos para combate ao desmatamento e queimadas no país.

  • Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) do Governo Federal para 2021 prevê cortes severos no orçamento de combate ao desmatamento e fogo.
  • Se aprovado como está, o ICMBio teria R$0,45 por hectare para cuidar de 165 milhões de hectares de Unidades de Conservação.
  • A área desmatada da Amazônia, entre agosto de 2019 e julho de 2020, alcançou 11.088 km2, um aumento de 9,5% (Prodes) em relação ao período anterior e equivalente a 7,2 vezes o território da cidade de São Paulo. Trata-se do maior número desde 2008.
  • Organizações da sociedade civil se unem para exigir que o Congresso Nacional altere o PL através de emendas, garantindo a recomposição do orçamento de meio ambiente.
  • A PLOA 2021 prevê redução de 29% no orçamento do Ibama, de 40,4% para o ICMBio e de 39,4% para a administração direta do MMA – para despesas discricionárias, em relação a PLOA 2019.

Diálogo Florestal Internacional comemora 20 anos de atuação, num momento decisivo para o mundo

Diálogo Florestal Internacional comemora 20 anos de atuação, num momento decisivo para o mundo

Diálogo Florestal Internacional comemora 20 anos de atuação, num momento decisivo para o mundo

Inspiração para a criação do Diálogo Florestal Brasileiro, o Diálogo Internacional – The Forests Dialogue (TFD) está comemorando seus 20 anos. A celebração será virtual e acontecerá no dia 01 de dezembro, das 10h às 12h (horário de Brasília), num evento que vai reunir pessoas que ao longo dessas duas décadas ajudaram a construir soluções e caminhos para um futuro melhor. O 20º aniversário vai servir para refletir sobre o que foi realizado e imaginar o papel do diálogo para as pessoas e as florestas no futuro.

Miriam Prochnow, vice-presidente da Apremavi, fez parte do Conselho de Coordenação do TFD de outubro de 2010 a março de 2019 e diz estar muito orgulhosa de fazer parte dessa grande família: “Tenho muitos momentos TFD, o melhor de todos foi sempre ter a oportunidade de ajudar a trazer para a mesa de debates os temas quentes. O TFD antecipou em 20 anos algo que agora parece ser uma necessidade. Não existe outra maneira de enfrentar as diferentes crises que afetam a humanidade, que não seja a união de esforços, o trabalho em parceria e o reconhecimento de que é necessário ter solidariedade e incluir e dar voz a todos os atores da sociedade”. Ela lembra que a crise sanitária, a crise da perda da biodiversidade, a crise da escassez de água e a maior de todas as crises, a climática, precisam de uma ação sem precedentes, tanto em urgência, quanto em abrangência e isso só será possível se todos, governos, iniciativa privada, academia e população em geral reconhecerem a crise e cada um fizer a sua parte na solução. O TFD é uma mostra de que é possível trabalhar em conjunto quando existem causas que nos unem e a grande causa que nos une é evitar a catástrofe climática e gerar inclusão social com respeito a todas as formas de vida.

Momentos dos encontros do Conselho de Coordenação do TFD. Fotos: Arquivo Apremavi.

Ao longo de sua história de 20 anos, o The Forests Dialogue desempenhou um papel único na agenda florestal global, desenvolvendo 80 diálogos sobre questões centrais para o destino das florestas do mundo e as pessoas que delas dependem, com mais de 3.600 participantes e visitas de campo em 31 países. Em 2000, a organização nasceu de uma pequena reunião de indivíduos de empresas privadas, proprietários florestais e ambientalistas que se reuniram para ver se conversando e ouvindo uns aos outros poderiam descobrir um terreno comum e encontrar maneiras de colaborar construtivamente. Na época, o setor florestal estava repleto de desconfiança mútua e confronto alimentado por debates contenciosos sobre a certificação florestal internacional.Realizar discussões com várias partes interessadas para construir confiança e encontrar um terreno comum era uma ideia completamente nova na época e agora se tornou uma norma em todo o mundo.

Um dos momentos de destaque para a Apremavi foi ter a oportunidade de liderar o primeiro Diálogo do Uso do Solo – Land Use Dialogue (LUD), que foi realizado na região do Alto Vale do Itajaí. O LUD está sendo desenvolvido em outros países e é uma ferramenta importante de inclusão, diálogo e planejamento de territórios, tanto que durante a celebração será lançado um Guia sobre o tema, o “The Land Use Dialogue Guide”. Outro guia que será lançado será o “The Forests Dialogue Guide” que descreve a metodologia de diálogo com múltiplas partes interessadas do TFD.

Vídeo com os resultados do primeiro Diálogo do Uso do Solo realizado no Brasil, em Atalanta (SC), de 25 a 28 de abril de 2016.

Outro ponto alto da celebração será o lançamento do livro “If Trees Could Talk: 20 anos de The Forests Dialogue”. O livro faz uma viagem no tempo e apresenta muitos dos(das) principais participantes, incluindo membros do Conselho Diretor, participantes do diálogo e equipe do TFD. Se move pela estrutura e abordagem do Diálogo, a partir de sua metodologia de três partes “Envolva-se! Explore! Mude!” para a diversificação interna de vozes e um enfoque ampliado da importância econômica e ecológica das florestas para a integração de valores sociais e culturais. No livro também pode ser encontrada a história de como o TFD inspirou a criação do Diálogo Florestal no Brasil, que este ano comemora seus 15 anos, e como o Brasil tem ajudado a construir o TFD ao longo do tempo. Atualmente as co-líderes do TFD são Ivone Namikawa da Klabin (Brasil) e Milagre Nuvunga da Fundação MICAIA (Moçambique) que contam com o suporte do diretor executivo Gary Dunning, do Conselho Diretor e de estudantes associados da Universidade de Yale, sede do TFD.

Inscreva-se para a celebração do 20º aniversário aqui e siga o TFD no Instagram e Twitter. O evento será realizado em inglês.

Autora: Miriam Prochnow.
Fonte: The Forests Dialogue.

Matas Sociais chega à Santa Catarina

Matas Sociais chega à Santa Catarina

Matas Sociais chega à Santa Catarina

Programa Matas Sociais – Planejando Propriedades Sustentáveis, que fortalece a agricultura familiar, desde a produção até a comercialização é expandido para Santa Catarina. Para marcar a chegada do programa ao estado, Apremavi e Klabin realizaram no dia 09 de novembro um seminário em Otacílio Costa (SC), com o tema “Coalizão de apoio à agricultura familiar na Serra Catarinense”. O evento teve apoio do IFSC, Udesc/CAV e da Epagri, e contou com mais de 30 participantes e com transmissão online.

Assim como no Paraná, o programa Matas Sociais passa a dar apoio aos agricultores familiares dos municípios e das comunidades do entorno das operações da Klabin em Santa Catarina nas etapas de produção, desde a adequação ambiental ao apoio à comercialização de alimentos, passando por ações de formação, diversificação da propriedade e incentivo ao cooperativismo. O programa já atendeu mais de 500 propriedades rurais em nove municípios do Paraná, das quais 72% dos agricultores tiveram aumento de renda, de produtividade e diminuição do uso de agrotóxicos.

O Matas Sociais promove oportunidades econômicas, sociais e ambientais, com diversas ações para a formação dos agricultores familiares. Estamos muito otimistas com os resultados que alcançaremos nessa nova etapa de atuação agora em Santa Catarina”, afirma Uilson Paiva, gerente de Responsabilidade Social e Relações com a Comunidade da Klabin. Até o momento o programa de apoio à produção e comercialização dos produtos agrícolas ocorre no município de Otacílio Costa. Para 2021, está prevista a chegada do programa nas cidades catarinenses de Correia Pinto e Lages.

Edinho Pedro Schaffer, presidente da Apremavi, destaca a importância do seminário, que apresentou alternativas e possibilitou a troca de experiências entre os participantes. “O trabalho com agricultura familiar é um dos pilares da parceria Apremavi e Klabin nesses 15 anos de trabalho em Santa Catarina visando a restauração e a conservação de áreas. Nessa nova fase, o programa tem como objetivo promover alternativas econômicas e sociais para os agricultores da região de atuação da Klabin no estado”, observa.

O programa Matas Sociais, prevê dentre outras ações, que os produtores façam cursos, mutirões, visitas de intercâmbio e recebam gratuitamente mudas de plantas nativas para a recuperação de áreas degradadas, além do apoio à produção sustentável. Com foco no fortalecimento da agricultura familiar, o Matas Sociais soma esforços ao Programa Matas Legais, desenvolvido no estado há mais de 15 anos. Além de incentivar a silvicultura de florestas plantadas, seja de pínus ou de eucalipto, com um plano de manejo sustentável, o programa também prevê o enriquecimento de florestas secundárias, o auxílio na conservação de fontes hídricas e do solo, a proteção da biodiversidade e a agricultura orgânica.

O seminário de lançamento teve o painel “A experiência do IFSC com a agricultura familiar na Serra Catarinense”, debate com a participação de Luciane Costa, coordenadora de Tecnologia em Gestão do Agronegócio do Instituto Federal de Santa Catarina. Já Álvaro Mafra, Professor do Departamento de Solos e Recursos Naturais da Universidade do Estado de Santa Catarina participou do painel “A feira agroecológica e a troca de saberes”.

Autoria: adaptações do texto original publicado pela Klabin.

Como as soluções baseadas na natureza podem integrar um novo pacto social e econômico

Como as soluções baseadas na natureza podem integrar um novo pacto social e econômico

Como as soluções baseadas na natureza podem integrar um novo pacto social e econômico

O Brasil precisa lidar com o declínio das atividades econômicas e, ao mesmo tempo, resolver os problemas ocasionados pela emergência climática. A solução para essas crises é a conservação da natureza que proporcione uma retomada verde e socialmente inclusiva.

A humanidade enfrenta uma de suas piores crises. Em meio a pandemia da Covid-19, que já ceifou mais de 160 mil vidas de brasileiros e brasileiras, o Brasil precisa lidar com o declínio das atividades econômicas e, ao mesmo tempo, debater como atuar de forma eficiente para resolver os problemas ocasionados pela emergência climática. A solução para todas essas crises é a conservação da natureza. Novas pandemias poderão surgir na medida em que a destruição dos ambientes naturais avança, por isso, precisamos preservar.

Uma retomada econômica sem considerar os limites da natureza e o uso sustentável dos recursos naturais, certamente agravará as crises. A retomada verde será ao mesmo tempo a solução para nossa economia e para o enfrentamento da crise climática. Entretanto, para que as soluções sejam de fato efetivas, a retomada não deve somente ser verde, mas também inclusiva.

Precisamos estimular e ajudar a construir um novo contrato ou pacto social, no qual a equidade de gênero, o combate ao racismo e a proteção da natureza estejam inseridos como questões centrais e inegociáveis. Essa nova economia precisa reafirmar alguns valores: democracia, respeito aos direitos humanos, respeito à diversidade, respeito às minorias, respeito à vida e à biodiversidade, busca da inovação e respeito às futuras gerações. Lembrando dos vários aspectos da ética, do cuidado, do respeito, da responsabilidade e da solidariedade.

Para isso, precisamos integrar as Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que têm a ver com o redesenho e o planejamento das paisagens. Pensar o território com olhar de drone e visão de libélula: do alto, com a complexidade exigida e onde cabem todos os atores e setores existentes em um território, mas cabe também a natureza.

É necessário buscar a integração de todas as iniciativas sustentáveis existentes, considerando a necessidade de alimentos (qualidade e segurança alimentar), a proteção, restauração e regeneração de ecossistemas, a proteção da biodiversidade, a proteção e uso racional dos recursos hídricos e o desenvolvimento e implementação de energias limpas e renováveis.

Já existem diversos exemplos de projetos e Soluções Baseadas na Natureza em diferentes áreas. Os desafios são como manter, consolidar e ampliar esses projetos, replicá-los e adaptá-los em outras regiões.

Há várias ações que podem atrair os aportes necessários para essa mudança. Entre elas:

  • buscar e direcionar investimentos públicos já existentes para iniciativas sustentáveis;
  • repensar as políticas públicas – atrelando a concessão e liberação de créditos (agrícolas, imobiliários, infraestrutura, etc.) ao novo pacto social verde;
  • incentivar e fomentar o cumprimento da legislação ambiental e a implantação de paisagens sustentáveis (Cadastro Ambiental Rural – CAR, Programa de Regularização Ambiental – PRA, Bolsa Restauração);
  • ter um sistema de financiamento e crédito voltado para o desenvolvimento sustentável para que os imóveis rurais/propriedades se tornem sustentáveis, desinvestindo em atividades e equipamentos altamente emissores de carbono; e,
  • remodelar a assistência técnica para que esta tenha um olhar integrado e considere a paisagem, a biodiversidade, os recursos hídricos e a proteção do solo como essenciais para a atividade agrossilvopastoril.

Em relação aos investimentos sociais privados, também já existem projetos bem sucedidos que podem e devem ser replicados. Por exemplo, o Projeto Matas Legais, uma parceria da empresa Klabin com a ONG Apremavi, que existe desde 2005 e já atendeu 1.807 famílias/propriedades, plantou 1.695.568 mudas de árvores nativas e envolve 16.500 ha de florestas nativas conservadas, 1.500 ha em regeneração natural, 512 ha restaurados com plantios de mudas nativas. É um projeto altamente replicável.

A contribuição do setor privado deve ir além dos compromissos “normais”, como é o caso da Natura, ao anunciar que vai investir US$ 800 milhões nos próximos dez anos para ajudar a implantar o desmatamento zero da Amazônia, com ações em toda sua cadeia produtiva. Nesta encruzilhada civilizatória que afeta o planeta como um todo é preciso debater qual é a contribuição do setor privado para além do seu cercado, saber qual é a sua contribuição à sociedade, em uma visão de emergência climática, e quanto de seu lucro o setor privado está disposto a investir. Essa discussão exige um desprendimento muito maior do que o visto até agora.

Para trazer essas soluções de investimentos, já existem algumas ferramentas que podem ser úteis. Entre elas, estão iniciativas multissetoriais de diálogo, como o Diálogo Florestal, o Diálogo do Uso do Solo e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Estes são espaços onde acordos e modelagens de novos projetos podem acontecer.

Existem também os portais de transparência, que ajudam a monitorar as ações do governo, das empresas e do Terceiro Setor. Um exemplo é o Portal Ambiental da Apremavi, onde são cadastradas as atividades de restauração realizadas pela instituição, possibilitando o acompanhamento público das mesmas.

Outra ferramenta possível é a construção de plataformas de projetos, que pode ter como inspiração a iniciativa Mapa do DF Sustentável, que mapeou as mais diversas iniciativas relacionadas à sustentabilidade no Distrito Federal.

Por que não criar uma plataforma também de ideias – um espaço onde as pessoas possam cadastrar suas ideias de investimentos verdes, uma vez que a inovação e criatividade precisam de oportunidades para florescer? E, por fim, construir uma plataforma de engajamento, onde as pessoas possam expressar os seus compromissos com o futuro sustentável? A pergunta é simples: que tipo de investimento eu posso fazer enquanto empresa ou cidadão, para ajudar a construir o presente e futuro sustentáveis?

Autora: Miriam Prochnow
Artigo publicado originalmente na Revista Página 22.

Entidades catarinenses divulgam manifesto contra projeto de lei que ameaça integridade do Parque Nacional de São Joaquim

Entidades catarinenses divulgam manifesto contra projeto de lei que ameaça integridade do Parque Nacional de São Joaquim

Entidades catarinenses divulgam manifesto contra projeto de lei que ameaça integridade do Parque Nacional de São Joaquim

Uma proposta de lei que tramita no Senado Federal pode reduzir em 20% a área do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina. O projeto de lei 208/2018 é de autoria do senador Dario Berger (MDB) e, infelizmente, não é a primeira proposta que ameaça à integradidade desse parque que é um patrimônio para todos os catarinenses.

Criado em 1961 na região serrana catarinense, o parque abrange parte dos municípios de Urubici, Bom Jardim da Serra, Grão-Pará, Lauro Muller e Orleans. Os atuais 49.800 hectares do Parque são fundamentais para a preservação de um dos biomas mais devastados do Brasil, a Mata Atlântica, e para a conservação das Florestas com Araucárias e dos Campos de Altitude, ecossistemas amplamente explorados e degradados. O Parque é um refúgio em biodiversidade, preserva um importante manancial hídrico para o estado e é um ponto que contribui diretamente para a economia catarinense ao ser uma potência para o ecoturístico da região.

Numa tentativa de união em defesa do Parque Nacional de São Joaquim e contra todas as tentativas de beneficiamentos ilegais e particulares, entidades científicas e ambientais de Santa Catarina, entre elas a Apremavi, assinam em conjunto uma carta aberta com um manifesto contra o PL 208/2018. O manifesto está disposto na íntegra nesse artigo (veja abaixo).

Entidades que desejam assinar o documento, podem enviar um email indicando nome da entidade, nome do representante e função que ocupa, para [email protected].

MANIFESTAÇÃO DE ENTIDADES CIENTÍFICAS E AMBIENTAIS CATARINENSES CONTRA O PROJETO DE LEI 208/2018 QUE PREVÊ REDUÇÃO DE 20% DE ÁREA PROTEGIDA DO PARQUE NACIONAL DE SÃO JOAQUIM (PNSJ)

O Parque Nacional de São Joaquim (PNSJ), com seus quase 50 mil hectares, é uma das principais Unidades de Conservação do estado de Santa Catarina (SC). Ele foi inicialmente criado, através do Decreto 50.922, para proteger os remanescentes das florestas de Araucária, espécie muito explorada pela indústria madeireira na primeira metade do século XX e que se encontra incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) e do Ibama. O que nem todos sabem, é que o subsolo do PNSJ abriga duas das maiores reservas de água da América do Sul, o Aquífero Guarani e o Aquífero Serra Geral, ambos fundamentais para o abastecimento de água de milhões de pessoas e para a sustentação de nosso meio ambiente, de nossa agricultura e de nossa pecuária, sendo também responsáveis pela manutenção, durante as estiagens, do fluxo dos rios Canoas e Pelotas, os formadores do Rio Uruguai. A presença da Floresta Atlântica é essencial para a constante recarga desses aquíferos pela água das chuvas, conforme estudos realizados pelo Projeto Rede Guarani/Serra Geral em SC (www.rgsgsc.wordpress.com).

O PNSJ está localizado na região Serrana de SC, uma das mais frias do Brasil e muitas vezes associada a suas belezas cênicas, como o Morro da Igreja e a Pedra Furada, que estão entre os sítios turísticos mais visitados do Sul do Brasil. Hoje, o PNSJ contribui significativamente para o desenvolvimento do turismo regional e de toda uma rede de produção, transformação e serviços vinculados ao turismo, que cresce a passos largos, beneficiando a economia de vários municípios catarinenses, principalmente aqueles de seu entorno, como Bom Jardim da Serra, Grão-Pará, Lauro Müller, Orleans e Urubici.

Inserido no Bioma Mata Atlântica, o Parque apresenta heterogeneidade de ambientes, o que lhe confere características particulares quanto à Fauna, à Flora e à Funga. Dezenas de espécies de animais, plantas e fungos são encontradas somente ali. Nos últimos anos, estudos científicos desenvolvidos por pesquisadores de diferentes instituições, incluindo a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), vêm catalogando a biodiversidade do PNSJ e encontrando dezenas de espécies novas para a ciência, sendo que algumas delas já se encontram ameaçadas de extinção. O esforço empreendido pelas referidas instituições reforça o potencial da área e a necessidade de manutenção da proteção integral permitida através do Decreto 50.922 e do status de Parque Nacional.

O Parque vem sofrendo com uma série de problemas graves, dentre os quais os incêndios frequentes que podem, de forma descontrolada, acabar com a vida dos campos de altitude e ainda levar à queima de áreas florestais únicas, como as áreas de xaxins, as matinhas nebulares e a própria floresta de araucária. Além disso, a forte presença de caçadores, não somente coloca em risco a vida de animais silvestres, mas também representa um perigo constante à vida humana, aumentando a possibilidade de confrontos.

Recentemente, o Senador Esperidião Amin (PP) solicitou urgência na votação pelo Senado do Projeto de Lei (PL) 208/2018, de autoria dos Senadores Dalírio Beber (PSDB), Paulo Bauer (PSDB) e Dário Berger (MDB). O PL prevê uma redefinição do traçado do PNSJ com perdas de 20% de área e a alteração de seu nome para “Parque Nacional da Serra Catarinense”. Caso o projeto seja colocado em votação e aprovado nos próximos dias, a primeira semana de novembro de 2020 pode se tornar uma data histórica a ser profundamente lamentada pelas futuras gerações de brasileiros e catarinenses, pois pode marcar uma perda irreversível na qualidade de vida, na segurança hídrica e alimentar e na possibilidade de desenvolvimento social e econômico sustentável para milhares de cidadãos e cidadãs catarinenses.

É importante esclarecer à população de que a diminuição em 20% de área protegida do PNSJ, prevista no PL dos parlamentares catarinenses, não significa “apenas” a perda de 10 mil hectares de área de conservação. O PNSJ, que foi criado em 1961 para recuperar ecossistemas amplamente explorados e degradados, caso venha a perder 20% de sua área, pode entrar em uma situação de colapso ambiental, trazendo prejuízos incomensuráveis a toda a sociedade de Santa Catarina. Como exemplo, podemos citar a perda de diversos serviços ambientais fornecidos pelo PNSJ, entre os quais turismo ecológico com proteção de espécies raras e ameaçadas de extinção do Bioma Atlântica, incluindo a Araucária.

Diante do quadro apresentado, as instituições que assinam o presente documento solicitam aos nobres parlamentares que votem contra o Projeto de Lei (PL) 208/2018 de autoria dos Senadores Dalírio Beber (PSDB), Paulo Bauer (PSDB) e Dário Berger (MDB). Votando contra os nobres parlamentares, estarão contribuindo para a manutenção da qualidade de vida da população do estado de Santa Catarina e também da região Sul e adjacências, favorecendo a proteção do Sistema Aquífero Guarani e a manutenção de diversas comunidades que dependem dos serviços ambientais produzidos através do PARQUE NACIONAL DE SÃO JOAQUIM (PNSJ), patrimônio de Santa Catarina.

Elaboraram a assinam este manifesto, em 2 de novembro de 2020:
Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação
Associação Catarinense de Preservação da Natureza – ACAPRENA
Associação Civil Alternativa Terrazul
Associação De Defesa Do Meio Ambiente De Araucária – AMAR/PR
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI
Associação dos Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina – RPPNs catarinense
Associação De Saúde Ambiental – TOXISPHERA/PR
ASCEMA Nacional – Associação Nacional dos Serv.Carreira de Especialista em Meio Ambiente e PECMA
Centro de Ciências Biológicas (CCB) – UFSC
Coalização Ciência e Sociedade
Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica – CN-RBMA
Curso de Agronomia do Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus Camboriú
Departamento de Botânica – UFSC
Departamento de Ecologia e Zoologia – UFSC
Grupo Ação Ecológica (GAE)
Instituto de Estudos Ambientais – Mater Natura – Curitiba-PR
Instituto MIRA-SERRA
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF)
Mestrado Profissional em Ensino de Biologia (PROFBio) – UFSC
Observatório de Justiça e Conservação (OJC)
Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Mata Atlântica – PPBio-MA
Programa de Pós Graduação em Oceanografia (PPGOceano) – UFSC
Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas (PPGA) – UFSC
Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade (PPGBio) – FURB
Programa de Pós-Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas (PPGBFAP) – UFSC
Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO) – UFSC
Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais (PPGRGV) – UFSC
Programa Ecológico de Longa Duração – PELD-BISC
Rede de ONGs da Mata Atlântica – RMA
Rede Guarani / Serra Geral em SC
Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em Santa Catarina (SBPC-SC)
Sociedade Brasileira de Micologia – SBMy
Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS

Autora: Carolina Schaffer.
Manifesto publicado originalmente em SBPC-SC.

Eleições municipais: seu candidato tem compromisso com um futuro sustentável?

Eleições municipais: seu candidato tem compromisso com um futuro sustentável?

Eleições municipais: seu candidato tem compromisso com um futuro sustentável?

As eleições municipais estão aí e este ano elas vem com uma responsabilidade ainda maior dos eleitores, para que se façam escolhas que possam fazer frente aos grandes desafios que estamos vivenciando. Temos uma infinidade de candidaturas, mas quais delas estão realmente comprometidas com a busca por um mundo melhor?

A pandemia da COVID19, a recessão econômica e a emergência climática exigem de nós ações contundentes e fortes para que possamos superar essas crises. A proteção e restauração da natureza é resposta para todas elas. Não é possível fazer mais do mesmo e por isso votar em candidaturas comprometidas com a sustentabilidade não somente é desejável, como necessário.

Apresentamos aqui algumas iniciativas que podem ajudar os eleitores a analisar melhor as candidaturas, verificando se elas realmente tem esse compromisso com um futuro sustentável e também para oferecer conteúdos a serem apresentados não somente às campanhas em andamento, mas também aos que se elegerem. O processo político não acaba no dia da eleição, e o eleitor tem o dever de acompanhar e monitorar o trabalho dos que foram eleitos.

 

 

Seu candidato(a)(e) conhece os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e a Agenda 2030?

As eleições municipais de 2020 no Brasil são uma ótima oportunidade para discutirmos a territorialização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), afinal, as pessoas vivem nos municípios! O desafio é ainda maior no contexto da pandemia da Covid-19, que expôs as desigualdades, aumentou a fome, a pobreza e o desemprego.

Precisamos que as candidaturas ao Executivo e Legislativo municipais conheçam a Agenda 2030 e se comprometam com sua implementação. É com este objetivo que o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GT Agenda 2030) lança a campanha Mudar o jogo – Agenda 2030 e as eleições municipais. A ação é financiada pela União Europeia e tem o apoio da Rede ODS Brasil e da Frente Parlamentar Mista de Apoio aos ODS.

Seu candidato(a)(e) sabe o que é a Carta da Terra?

A Carta da Terra é um documento com dezesseis princípios que impulsionam um movimento global em direção a um mundo mais justo, sustentável e pacífico. As candidaturas municipais podem aderir a campanha #QuartapelaCartadaTerra que propõe uma carta-compromisso para as eleições municipais de 2020, vinculada ao 3º princípio da Carta da Terra: “Construir sociedades democráticas que sejam participativas, justas, sustentáveis e pacíficas”. 

Seu candidato(a)(e) está por dentro da importância de se combater a crise climática?

O aquecimento global já está provocando uma série de consequências que impactam o dia-a-dia das pessoas e medidas para combatê-lo são urgentes. As candidaturas e os mandatos precisam estar em dia com essa pauta.

O Jovens Políticos pelo Clima é um manifesto climático suprapartidário, elaborado coletivamente por jovens lideranças e especialistas engajados na pauta do clima. Propõe uma reflexão e um chamado para ação frente à insustentabilidade do modelo de cidade que se tem produzido ao longo das últimas décadas no Brasil.

Se você é um jovem candidato(a)(e) preocupado(a)(e) com as questões globais e quer promover mudanças locais, assine o Manifesto e faça parte dessa revolução política. Se você conhece um jovem candidato(a)(e), sugira que assine o Manifesto. E não se esqueça, a pauta climática deve estar inserida em todas as candidaturas e mandatos.

Seu candidato(a)(e) sabe da importância da Mata Atlântica?

Em tempos de campanhas eleitorais municipais, a Fundação SOS Mata Atlântica apresenta apresenta aos candidatos, candidatas e candidates o Manifesto Desenvolvimento para Sempre. Documento na qual reforça a importância da implementação do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA), principal instrumento para a aplicação da Lei da Mata Atlântica localmente, e, destaca um conjunto de ações a serem assumidas como compromisso nos governos locais, pelos Executivos e Legislativos Municipais, considerando a Mata Atlântica e o clima, a restauração da floresta, a valorização dos parques e reservas e a garantia de água limpa.

Olhar para inclusão de gênero

Temos também um pedido especial. Tenha um olhar de gênero. Ter mulheres na política é importante por vários motivos. A começar pela necessidade de corrigir uma desigualdade histórica na representatividade das mulheres nos espaços de poder. Eleger mulheres significa passar a ter esse olhar sobre todas as pautas – não apenas aquelas voltadas exclusivamente para mulheres. Independente de quais forem suas convicções políticas, existe uma candidata que se alinhará a elas.

Para saber quem são as candidatas aos cargos municipais nessas eleições, acesse a Plataforma Meu Voto Será Feminista. Se a sua candidata não está nessa lista, sugira que ela faça a adesão à Plataforma – é de graça e tem o intuito de ampliar a divulgação das candidaturas femininas.

E para quem tem curiosidade em saber qual o perfil e onde estão as mulheres que atualmente tem mandatos legislativos e executivos, o Instituto Alziras lançou recentemente uma pesquisa que revelou quem são as mulheres que governam o Brasil. A pesquisa, que ouviu 45% das 649 das prefeitas eleitas em 2016, mostra que as mulheres que estão à frente das prefeituras acumulam experiência na política em sua trajetória, têm mais anos de estudo do que os prefeitos homens e superam enormes desafios em municípios pequenos e sem recursos.

Em resumo…

Nosso voto pode sim mudar a cara do cenário político. Por isso, ao escolher seus candidatos(as)(es) para essas eleições não esqueça de considerar todas as questões que apontamos nessa matéria. Além disso, aproveite e pergunte também se ele/ela:

É contra os retrocessos ambientais?
É a favor da criação e implementação de Unidades de Conservação no município?
Apoia a elaboração do Plano de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica?

Vote com consciência.
Vote com inclusão de gênero, de raças, de idades.
Vote pensando no nosso futuro.
Vote pelo bem das florestas e da biodiversidade.

Autoras: Miriam Prochnow e Carolina Schäffer.

Parque Mata Atlântica lança nova identidade visual

Parque Mata Atlântica lança nova identidade visual

Parque Mata Atlântica lança nova identidade visual

O Parque Natural Municipal Mata Atlântica (PNMMA) lança hoje, dia 17 de outubro, sua nova identidade visual – elaborada para representar de forma consistente as atividades desenvolvidas no parque e a nova realidade da Unidade de Conservação municipal: já consolidada, referência em educação ambiental, exemplo de conservação da Mata Atlântica e ponto estratégico para o desenvolvimento do turismo ecológico no Alto Vale do Itajaí.

Essa renovação visual é um importante meio para marcar publicamente a evolução das atividades do parque, sua consolidação e desenvolvimento, tanto nas atividades como em relevância, sendo este ano, em que o PNMMA completa 20 anos de fundação, um momento oportuno para o lançamento da nova identidade.

O primeiro passo para a elaboração da nova logo foi identificar as fragilidade da antiga marca, elaborada no ano de 2003. A complexidade gráfica dos elementos do antigo logotipo, bem como a baixa qualidade dos seus arquivos traziam problemas de aplicação em diferentes formatos – por exemplo, tamanhos muito grandes ou muito pequenos se tornavam inelegíveis. O conjunto visual do primeiro logotipo também não incluia uma proposta completa de uma idenditade visual e apresenta hoje pouca sintonia com a realidade do Parque e as necessidades de aplicação do meio digital.

A inspiração para elaboração do novo símbolo do PNMMA ficou a cargo do Concurso de Desenho “Parque Mata Atlântica 20 Anos”, realizado pela Apremavi entre os meses de maio e julho deste ano e responsável por mobilizar centenas de alunos da cidade de Atalanta (SC). Além das belezas e características do próprio Parque, foram as composições do Concurso de Desenho que serviram de inspiração para a criação da nova marca, mais especificamente os finalistas da Categoria III – Logomarca, do Concurso.

Ilustrações finalistas da Categoria III – Logomarca, do Concurso de Desenho Parque Mata Atlântica 20 Anos.

O trabalho de criação da nova logo bem como a elaboração da identidade visual do Parque ficou a cargo da Coordenação de Comunicação da Apremavi, que, observando os resultados do Concurso de Desenho e se inspirando nas belezas e biodiversidade preservadas pela Unidade de Conservação, conseguiu traduzir seus principais símbolos numa identidade visual moderna, arrojada e muito simpática.

Os elementos essenciais do logotipo são a Cachoeira Perau do Gropp, a Rainha-do-abismo (Sinnigia macropoda) – planta herbácea raríssima e que pode ser observada nas formações rochosas do PNMMA, a Murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) – a coruja Muru (que também é mascote da Apremavi), e, o nome do Parque.

Confira o antes e depois do logotipo na imagem abaixo e para acessar o Manual de Identidade Visual do Parque clique aqui.

Dois logotipos do Parque Mata Atlântica: a esquerda o logotipo antigo, criado em 2003; e, a direita o logotipo criado em 2020 para celebrar os 20 anos do Parque e que passará a ser utilizado a partir de hoje.

Para Vitor Lauro Zanelatto, colaborador da Apremavi que atua com assuntos do Parque Mata Atlântica, a nova marca representa o espírito do Parque. “Buscamos envolver a comunidade nesse processo, que é antes de tudo uma celebração, de todas as atividades, conquistas e da relevância que a Unidade de Conservação representa para Atalanta e à causa ambiental”, complementa Vitor.

Vídeo de lançamento da nova identidade visual do Parque Natural Municipal Mata Atlântica. Vídeo elaborado por Vitor Lauro Zanelatto com imagens de Wigold B. Schäffer.

Dia das Áreas Protegidas

A data para o lançamento da nova marca é duplamente oportuna, além de ser lançada no ano em que o Parque completa 20 anos, hoje, dia 17 de outubro é o Dia de las Áreas Protegidas de Latinoamérica y el Caribe.

A data foi declarada em 2019 pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e é uma oportunidade para valorizar as áreas naturais e culturais importantes para nosso bem-estar. É também uma contribuição para enfrentar os desafios que a gestão de áreas protegidas exige.

Para saber mais sobre as celebrações e sobre o dia-a-dia da Unidade de Conservação, acompanhe as mídias sociais do Parque, que já estampam a nova identidade visual.

Autores: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto.

Plantando o Futuro recebe grant para impulsionar atividades

Plantando o Futuro recebe grant para impulsionar atividades

Plantando o Futuro recebe grant para impulsionar atividades

O Grupo Plantando o Futuro, coletivo de jovens ambientalistas com atuação voltada para a preservação e recuperação do Meio Ambiente, promoção de educação ambiental e ativismo climático, recebeu no último mês um grant para impulsionar futuras ações. O apoio vem da organização filantrópica Peace First, com sede nos Estados Unidos e que tem como missão viabilizar a execução de boas ideias de iniciativas lideradas por jovens com impacto social.

O processo para que o apoio se concretizasse foi bastante longo, e teve início ainda antes da pandemia, em fevereiro deste ano. A Peace First, que ainda não havia atuado no Brasil, lançou seu primeiro edital para projetos “canarinhos” com o apoio do ativista Luan Torres, que atuou como conselheiro do projeto. Foram selecionadas cerca de 60 iniciativas brasileiras, que precisaram apresentar um projeto estruturando suas ideias e apresentando como as mesmas seriam traduzidas em ação. Aqueles que tiveram seus projetos aprovados pela organização puderam requerer um apoio financeiro de até U$ 250,00, não reembolsáveis e sem a necessidade de contrapartidas financeiras para o recebimento. O objetivo da oferta deste grant é viabilizar materiais e estrutura mínima para que jovens com atuação social e ativista possam colocar seus projetos em prática, buscando a paz, igualdade, justiça e a mitigação das grandes crises que nossa geração enfrenta.

O Plantando o Futuro obteve esse reconhecimento através do detalhamento de seus objetivos e princípios, segundo o membro do grupo Vitor Lauro Zanelatto, que coordenou o processo de captação. “Apresentamos nosso trabalho consistente, realizado nos últimos anos aqui na região. As intenções do nosso grupo se encontram com a Peace First, e esse apoio será de grande valia para a execução de algumas ações que já tínhamos o interesse de fazer há algum tempo”, relata Vitor.

Confira os objetivos específicos do projeto:

  • Proporcionar aos membros do Plantando o Futuro, com apoio de escolas e governos locais, visitas a escolas para apresentar o movimento Fridays For Future e o Plantando o Futuro. Fornecer espaços de aprendizado, estudo e protagonismo aos membros do Plantando o Futuro, como a presença em palestras, seminários, workshops e mobilizações sobre os temas trabalhados.
  • Realizar plantios de árvores, manutenção de jardins, criação de hortas públicas, bosques e restauração de áreas degradadas, sobretudo em espaços públicos, e convidar a sociedade para participar da atividade.
  • Produzir Conteúdos para o site, mídias sociais e canal no YouTube, entre outras plataformas online.
  • Realizar mobilizações Fridays For Future em espaços públicos, como praças, escolas, parques, e sedes de governos.
  • Promoção de reuniões com governantes e parlamentares para a apresentação de demandas em prol do Meio Ambiente, especialmente no que tange a políticas Climáticas. Enquanto perdurar a pandemia de COVID-19, essas manifestações poderão ser realizadas de forma digital.

A aprovação do projeto ocorreu em maio, e o recebimento dos recursos no início de setembro. O grant tem destino certo, já especificado no projeto que foi submetido à organização concedente; e deverá resultar em investimentos nos seguintes tópicos:

  • Aquisição de materiais para a realização de futuras ações;
  • Produção de banners, folders e outros materiais de divulgação;
  • Obtenção de materiais didáticos, formações ou cursos para os membros do grupo;
  • Aquisição de itens para os membros do Plantando o Futuro, como camisetas e protetor solar;
  • Compra de materiais para mobilizações Fridays For Future.

Com a pandemia de Covid-19 e impossibilidade de realização de ações presenciais, a Coordenadoria do Grupo Plantando o Futuro está articulando como será realizada as próximas ações, haja vista que muitas das atividades listadas na proposição inicial não poderão ocorrer. Uma das estratégias é adquirir materiais já para a atuação em 2021, e manter os investimentos e foco do grupo neste ano nas ações de comunicação e produção de materiais.

Nesse sentido,uma das metas para o último trimestre é promover atividades do Projeto Sementinha, que ainda não ocorreram neste ano. “Estamos articulando com as professoras da E.E.B. “Dr. Frederico Rolla” a proposição de algumas atividades para as crianças, de uma forma interativa e com muito aprendizado. O grant possibilitou a aquisição de alguns materiais para as atividades de educação ambiental, e vamos nos esforçar para que eles sejam aproveitados da melhor forma”, afirma Vitor Zanelatto.

Atividades desenvolvidas no Projeto Sementinha, em 2019. Fotos: Arquivo Plantando o Futuro.

Agradecimentos

O Grupo Plantando o Futuro gostaria de agradecer todas as pessoas envolvidas com a iniciativa desde sua fundação, em 2016. Sem um histórico de trabalho consistente o reconhecimento por parte da Peace First não seria possível. Além disso, a Coordenadoria gostaria de expressar sua gratidão aos seguintes parceiros, essenciais para o processo de inscrição e aprovação do projeto que resultou no grant:

  • E.E.B. “Dr. Frederico Rolla”, por todo apoio, auxílio e confiança e nossas ações;
  • Carolina Schaffer, pelo auxílio na tradução dos textos que serviram de base para a inscrição do Plantando o Futuro no projeto da Peace First;
  • Luan Torres e Mariano Miranda, por viabilizar o processo de reconhecimento da Peace First no Brasil.

 

Sobre a Peace First

A Peace First teve início como um programa dirigido por estudantes na Universidade de Harvard. Sua principal missão é ajudar jovens em todo o mundo a se tornarem poderosos pacificadores e protagonistas, através de quatro pilares:

  • Investindo em suas ideias;
  • Fornecendo-lhes ferramentas e habilidades;
  • Conectando-os a outros jovens incríveis ao redor do mundo;
  • Compartilhando suas histórias e impacto com o mundo.

A atuação da organização parte do entendimento de que a violência é generalizada em nossa cultura e afeta os jovens todos os dias, e que essas experiências têm um efeito devastador no desenvolvimento saudável dos jovens e contribuem para um ciclo que está na raiz de tantos outros problemas em nosso mundo. O trabalho, iniciado há mais de vinte anos, aposta na atuação das juventudes para a mitigação de grandes injustiças, como o racismo, educação precária, crise climática, acesso a alimentação e saúde de qualidade.

Saiba mais sobre a Peace First.

Autor: Vitor Lauro Zanellato.

Mata Sociais é selecionado para nova publicação de Casos de Sucesso do Diálogo Florestal

Mata Sociais é selecionado para nova publicação de Casos de Sucesso do Diálogo Florestal

Mata Sociais é selecionado para nova publicação de Casos de Sucesso do Diálogo Florestal

O Diálogo Florestal lançou no último dia 23 de setembro a nova publicação da Série Casos de Sucesso: Árvores Plantadas e Sociedade. O livro é resultado de uma chamada pública, que selecionou as boas práticas na relação do setor florestal com a sociedade, e foi lançado durante o Encontro Nacional do Diálogo Florestal que este ano aconteceu de forma virtual.

Essa é a segunda edição da série que teve entre os finalistas as ações desenvolvidas no âmbito do Programa Matas Sociais – Planejando Propriedades e Paisagens. Além dos três casos vencedores, a edição trouxe, excepcionalmente, uma menção honrosa. No total foram recebidas 14 candidaturas de todas as regiões brasileiras.

Emílio Ribas, coordenador do Matas Sociais dentro da Apremavi, comenta que estar entre os selecionados para figurar a publicação do Diálogo Florestal é reflexo do trabalho sério realizado junto com os produtores atendidos pelo programa. “Esse é um trabalho feito a muitas mãos, todas apaixonadas pela natureza, e as parcerias são fundamentais para garantir que os objetivos sejam alcançados“, relata Emílio.

O Programa Matas Sociais, desenvolvido desde 2015, é uma parceria da Apremavi com a Klabin e com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e, tem apoio das prefeituras locais, agricultores, associações e cooperativas das regiões de atuação.

Tem como proposta central fortalecer aspectos ambientais, sociais e econômicos de pequenas e médias propriedades rurais viabilizando a permanência dos agricultores no campo a partir do exercício de uma atividade econômica relevante.

No primeiro volume da publicação Casos de Sucesso foram selecionados e divulgados os projetos de sucesso relacionados ao tema “Recursos Hídricos e Florestas Plantadas“. Na ocasião, dois dos casos divulgados diziam respeito aos trabalhos de restauração florestal realizados através dos programas Matas Legais e Matas Sociais desenvolvidos pela Apremavi em parceria com a Klabin.

Autora: Carolina Schäffer.

Plantio e doação de mudas nativas marcam o Dia da Árvore

Plantio e doação de mudas nativas marcam o Dia da Árvore

Plantio e doação de mudas nativas marcam o Dia da Árvore

Todos os anos a Apremavi vê o Dia da Árvore, comemorado no dia 21 de setembro, como um momento de resgate da nossa conexão com a Natureza, um momento para enteder a importância das árvores nas nossas vidas e assumir o papel de protagonistas na conservação e restauração das florestas. Esse ano claro que não foi diferente! Foram realizadas muitas ações de plantio e doação de mudas nativas da Mata Atlântica e acreditamos que por conta do isolamento social fruto da pandemia de COVID-19, as pessoas se sentiram ainda mais empolgadas em participar das ações simbólicas que realizamos e apoiamos.

Como parte da programação da Semana ODS na Prática e em parceria com o Centro de Educação Infantil Montão de Carinho, que atende 100 crianças de 4 meses a 4 anos, foram doadas 300 mudas de árvores nativas numa ação de conscientização envolvendo a comunidade educacional do Centro de Educação e também a população da cidade de Atalanta.

Ainda no âmbito da Semana ODS na Prática, a Apremavi doou mudas para ações desenvolvidas pelo Comitê Vale Europeu do Movimento ODS SC. Uma das ações teve a participação de 13 signatários do Movimento que plantaram um total de 76 mudas nos municípios de Timbó, Indaial, Rio do Sul, Rio do Oeste e Atalanta. A Apremavi também apoiou, através da doação de mudas nativas, a ação promovida pela Euro Ambiental que constou no plantio de 20 mudas nativas da Mata Atlântica no Parque Natural Municipal Freymund Germer – Morro Azul, localizado no município de Timbó. Além disso, a Euro Ambiental também distribuiu 86 mudas entre seus clientes para conscientizá-los sobre a importância do plantio e cuidado com as árvores nativas.

No mesmo dia, os jovens do Grupo Plantando o Futuro realizaram o plantio de 50 mudas de árvores da Mata Atlântica em suas casas, como ato simbólico em prol da Natureza. E com a ajuda da equipe da Apremavi, foram plantadas 40 mudas de manacá-da-serra no Centro Ambiental Jardim das Florestas numa ação de embelezamento do nosso local de trabalho.

Matas Legais e Matas Sociais realizam plantios no Paraná

O Projeto Matas Legais aproveitou o Dia da Árvore para plantar 1.800 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica numa área de 1,1 hectares que será doada pela Klabin à Prefeitura do Município de Curiúva (PR). A ação é uma iniciativa da Apremavi em parceria com a Klabin e o Instituto Água e Terra (IAT) – que fez a doação das mudas plantadas.

Já o Projeto Matas Sociais celebrou a data com o plantio simbólico de 50 mudas para arborização das ruas e da quadra de esporte recém construída no Bairro Jardim Primavera, no Município de Imbaú (PR). A ação foi realizada pela equipe da Apremavi em parceria com a Prefeitura Municipal e contou com a presença do Prefeito, Lauir de Oliveira, do Secretário do Meio Ambiente, Gildo José Ribeiro dos Santos, e do representante da Secretária de Agricultura, Alexsandro de Oliveira.

Segundo o Prefeito Municipal, Lair de Oliveira, o plantio na área da quadra de esportes é de extrema importância não só para o Meio Ambiente, mas para a comunidade. “A área plantada será um ponto de lazer para a comunidade que agora terá árvores para sombra, barreira contra o vento e manutenção da umidade do ar“, complementa o Prefeito.

Os dois projetos são desenvolvidos pela Apremavi em parceria com a Klabin e outros atores locais.

Matas Legais doa mudas nativas em Santa Catarina

Como forma de celebrar o Dia da Árvore, o Projeto Matas Legais em Santa Catarina realizou ações de doação de mudas nativas da Mata Atlântica para vários parceiros e colaboradores. Na lista de doações estão as mudas doadas para as Prefeituras Municipais de Luiz Alves (2.030 árvores), de Chapadão do Lajeado (200 árvores) e de Pouso Redondo (300 árvores); as mudas doadas para escolas de Agrolândia (200 árvores) e Dona Emma (240 árvores); bem como as mudas doadas para a Avanex (500 árvores) em Palmeira.

Além disso, também foi organizado um evento de doação de 350 mudas de árvores nativas para os colaboradores da Klabin em Otacilio Costa, e uma ação que tomou conta da internet no dia 21, realizada em parceria com a Rede de Farmácias Mais Vale, que distribuiu 720 mudas nativas entre seus clientes.

Autora: Carolina Schäffer.

Dia da Árvore: ainda há o que comemorar?

Dia da Árvore: ainda há o que comemorar?

Dia da Árvore: ainda há o que comemorar?

No dia em que eu nasci meu pai plantou 80 árvores para comemorar. Entre as espécies plantadas, exemplares de Cedro (Cedrela fissilis), Araucária (Araucaria angustifolia) e Imbuia (Ocotea porosa) hoje dão vida ao que chamamos de “Bosque da Carolina”. Aliás, é aqui que eu me apresento: eu sou a Carolina Schäffer, bióloga e mestre em botânica, coordenadora de comunicação da Apremavi, e plantar árvores é uma paixão que passa de geração para geração na minha família.

Produzir oxigênio, reter gás carbônico, fornecer alimento, manter a umidade, regular as chuvas, proteger o solo, ser abrigo para fauna, promover a saúde e o bem-estar dos humanos, garantir a biodiversidade dos ecossistemas, registrar a história da Terra, agregar valor à vida e trazer beleza ao nosso dia-a-dia. Essa é a lista de coisas a fazer diária das 60.000 mil espécies diferentes de árvores que existem no mundo – segundo dados da Botanical Gardens Conservation International. Só coisas essenciais, certo? Com certeza! Entretanto, a ganância e a maldade que cegam os olhos de quem desmata, queima e derruba nossas florestas, além de  ser a principal fonte de emissão de CO2 na atmosfera no Brasil, é um CRIME, ignora todos os itens da to-do list e modifica por completo a rotina da mata ameaçando de extinção sobretudo os exemplares endêmicos (que só existem no nosso país). Por exemplo, entre as espécies ameaçadas no Brasil estão a Araucária, a Imbuia e o Pau-brasil (Paubrasilia echinata) – árvore símbolo do nosso país. Na prática dizer que uma árvore está ameaçada significa dizer que todo um ecossistema associado à ela também está ameaçado – inclusive o humano.

O plantio de árvores é possivelmente a única estratégia que funciona para reduzir o aumento das emissões de CO2 a curto prazo, segundo Paulo Artaxo (representante do Brasil no IPCC). Além disso, plantar árvores nativas para restaurar áreas degradadas, ao mesmo tempo que contribui para a conservação da biodiversidade, é um investimento e uma proposta de Solução Baseada na Natureza. Para que uma área possa ser restaurada é preciso que haja coleta de sementes e produção de mudas, além da oferta de apoio técnico às estratégias de manejo adotadas. Isso gera uma cadeia de geração de empregos. Um estudo publicado pelo WRI mostra que recuperar 12 milhões de hectares de áreas degradadas, meta assumida voluntariamente pelo Brasil no Acordo de Paris, pode gerar um retorno de investimento de R$ 19 bilhões em dez anos, com arrecadação de R$ 742 milhões e geração de 250.000 novos postos de trabalho.

Fica óbvio que as árvores, além de serem essenciais para a sobrevivência da espécie humana, tem um valor financeiro muito mais alto quando em pé do que cortadas. Por isso, nesse Dia da Árvore, fica o convite: vamos juntes plantar árvores? Os benefícios? Ah… são inúmeros e de quebra você ainda leva uma nova paixão no coração!

Esse é o #antesedepois do meu Bosque. A foto do antes é do dia em que o bosque foi plantado – dezembro de 1989, e a foto do depois é de setembro de 2020. Fotos: Wigold B. Schäffer.

Autora: Carolina Schäffer.
Texto escrito para a 6ª edição do email de curadoria do Youth Climate Leaders.

Ações da Semana ODS na Prática marcam adesão da Apremavi ao Movimento ODS SC

Ações da Semana ODS na Prática marcam adesão da Apremavi ao Movimento ODS SC

Ações da Semana ODS na Prática marcam adesão da Apremavi ao Movimento ODS SC

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram definidos pelas Nações Unidas (ONU) em 2015, durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável. Se baseiam nos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e são parte de um plano de ação para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que as pessoas alcancem a paz e a prosperidade: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Em Santa Catarina quem está discutindo o cumprimento da Agenda 2030 e a incorporação dos ODS na prática e no dia-a-dia das organizações e pessoas é o Movimento Nacional ODS Santa Catarina, um movimento social constituído por voluntários, de caráter apartidário, plural e ecumênico, com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade catarinense. A Apremavi é signatária do Movimento ODS SC, locada no Comitê do Vale Europeu, desde julho de 2020 e tem dado cada vez mais destaque para a discussão da Agenda 2030 nas suas ações e projetos.

 

Semana ODS na Prática

A Semana ODS na Prática é uma ação coordenada entre os Comitês Locais do Movimento ODS para dar visibilidade às iniciativas relacionadas aos ODS. Ocorre duas vezes ao ano. A primeira na última semana do mês de maio e a segunda na última semana do mês de setembro. As ações ocorrem simultaneamente nas cidades onde há comitês locais e/ou signatários.

Este ano estão programadas mais de 70 ações na agenda estadual, sendo 49 ações de signatários e 21 ações organizadas diretamente pelos comitês locais e estadual. Confira a lista completa aqui. As ações organizadas e/ou apoiadas pela Apremavi estão descritas abaixo.

 
AÇÃO | Cidade de Atalanta terá plantio e doação de mudas para comemorar o Dia da Árvore

O Centro de Educação Infantil Montão de Carinho, que atende 100 crianças de 4 meses a 4 anos, fará uma ação de conscientização envolvendo a comunidade educacional do Centro de Educação e também a população da cidade de Atalanta. A ideia é que a ação seja um momento de troca de informações sobre a importância da conservação da natureza e orientações para o plantio de árvores nativas. Durante a ação serão distribuídas mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. O evento ocorrerá no dia 21 de setembro, a partir das 9h, em frente a Prefeitura Municipal de Atalanta.

No mesmo dia, os jovens do Grupo Plantando o Futuro realizarão um plantio de mudas de árvores e flores nativas da Mata Atlântica em suas casas, como ato simbólico em prol da Natureza. Está no planejamento do grupo começar a discutir a implantação da Agenda 2030 nas suas rodas de conversa.

As duas ações tem o apoio da Apremavi através do fornecimento de mudas nativas da Mata Atlântica produzidas no Viveiro Jardim das Florestas.

AÇÃO | Comitê do Vale Europeu organiza plantio simbólico de mudas da Mata Atlântica

O Comitê Vale Europeu do Movimento ODS SC, em parceria com os signatários Euro Ambiental e a Apremavi, realizarão no dia 21 de setembro um plantio simbólico de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica para comemorar o Dia da Árvore.

A ação terá a participação de 13 signatários que plantarão um total de 76 mudas nos municípios de Timbó, Indaial, Rio do Sul, Rio do Oeste e Atalanta. Por conta da pandemia a atividade será realizada de forma individual e cada signatário fará o plantio por conta própria – tendo recebido previamente as orientações técnicas da Apremavi.

A Apremavi também está apoiando, através da doação de mudas nativas, a ação promovida pela Euro Ambiental que consta no plantio de 20 mudas nativas da Mata Atlântica no Parque Natural Municipal Freymund Germer – Morro Azul, localizado no município de Timbó. Além disso, a Euro Ambiental também distribuirá 86 mudas entre seus clientes para conscientizá-los sobre a importância do plantio e cuidado com as árvores nativas.

AÇÃO | Crise climática e agenda 2030: uma #live sobre o papel da juventude

A crise climática é uma ameaça não só para o Planeta, mas para o sobrevivência da espécie humana. Isso significa dizer que cresce hoje a 1° geração de crianças e jovens sem garantia alguma de futuro.

Os últimos anos foram os mais quentes já registados. As geleiras estão derretendo, o nível do mar está subindo, animais de várias espécies estão morrendo. Eventos extremos como enchentes, secas, furacões e tornados estão cada vez mais frequentes. Também podemos sentir o impacto das mudanças climáticas na saúde, através da poluição do ar, das ondas de calor e dos riscos para a segurança alimentar.

Por isso, falar sobre a mudança do clima e sua eminente crise não é mais assunto apenas para artigos científicos, mas sim uma discussão que precisa ocupar os espaços cotidianos e envolver múltiplos setores e atores da sociedade.

Neste contexto, a Apremavi convidou o ambientalista Wigold Schaffer, fundador da Apremavi, a jornalista Maura Campanili, autora do blog Mulheres Ativistas do Conexão Planeta, e a jovem ativista Amanda Costa, mobilizadora do Youth Climate Leaders, para um bate-papo sobre o papel da juventude frente à crise climática e a implementação da agenda 2030.

O encontro on-line acontece no dia 25 de setembro, das 17h às 18h30, com transmissão pelo Facebook e pelo YouTube da Apremavi.

AÇÃO | Webinar – Década de ação: Mudanças climáticas e impactos na economia

Organizado pelo Comitê Estadual do Movimento ODS SC, o Webinar Década de ação: Mudanças climáticas e impactos na economia traz para o debate as formas sustentáveis para o desenvolvimento econômico.

O encontro será mediado pelo Coordenador Geral do Movimento ODS SC, Gilson Zimmermann, e terá a participação da vice-presidente da Apremavi, Miriam Prochnow, do gerente executivo meio ambiente e sustentabilidade da ConfederaçãoNacional da Indústria (CNI), Shelley de Souza Carneiro, e do diretor titular adjunto do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Federação da Indústria de São Paulo (FIESP), Mario Hirose.

Acompanhe ao vivo no dia 25 de setembro, as 10h, no canal YouTube do Movimento ODS SC.

Autora: Carolina Schäffer

LUTO pela vida que se foi nas chamas que ainda queimam o Pantanal

LUTO pela vida que se foi nas chamas que ainda queimam o Pantanal

LUTO pela vida que se foi nas chamas que ainda queimam o Pantanal

Imagina andar pela floresta e encontrar onças, jacarés, veados, araras, antas, serpentes e outros tantos animais que você puder imaginar… mas todos eles estão mortos, completamente queimados. A floresta também não existe mais. Tudo virou cinzas. Por quilômetros e quilômetros o que se vê é destruição, incontáveis animais mortos e árvores carbonizadas.

Não, esse não é um cenário fictício e muito menos a introdução de um roteiro de filme de terror. Infelizmente, esse é um relato verídico de uma situação avassaladora (e criminosa) que está acontecendo agora no Pantanal. E eu não sei vocês, mas enche meu coração de dor e me faz querer chorar ininterruptamente por um ano inteiro. Também me revolta perceber o completo descaso do poder público com o bioma que tem a maior concentração de animais da América do Sul.

Entenda a situação

O Pantanal, bioma brasileiro considerado Patrimônio Natural Mundial, enfrenta hoje a maior onda de incêndios já registrada na área. Em julho deste ano os pantaneiros viviam o auge da maior seca já registrada nos últimos 47 anos na região. A maioria dos rios perderam 50% do seu volume de água e áreas que normalmente eram alagadas, este ano ficaram secas.

Esse foi um dos fatores que contribuiu para que, em apenas oito meses de 2020, o Pantanal registrasse o equivalente às queimadas sofridas nos últimos seis anos. Outro fator que colabora para a propagação das queimadas é o crescente desmatamento — ação que tem o fogo como forte aliado. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foram desmatados 24.915 km² do Pantanal até 2019. Além disso, vale lembrar que mais de 90% dos incêndios são causados por humanos – sem querer ou até mesmo propositalmente, como é o caso dessa onda de fogo que está extinguindo a vida do Pantanal, que pode ter sido criminalmente provocado por cinco fazendeiros da região de Corumbá, no norte do Mato Grosso do Sul.

O Programa Queimadas do INPE, que monitora os incêndios do Pantanal desde 1998, mostra que de 1º de janeiro até o dia 12 de setembro deste ano, foram registrados 14.489 focos de incêndio no Pantanal, um aumento de 210% em relação ao mesmo período em 2019 que teve 4.660 focos registrados. E se olharmos os números, que são assustadores, com mais atenção, vemos que a área queimada soma 2,3 milhões de hectares sendo o Estados do Mato Grosso o campeão em queimadas.

Na prática essas queimadas tem um impacto imenso. Afetam diretamente a floresta e a vida que ela abriga, incluindo áreas conservadas em Unidades de Conservação como o Parque Estadual Encontro das Águas, conhecido por abrigar a maior população de onças-pintadas do mundo, e o Parque Estadual das Nascentes do Taquari, importante corredor natural de biodiversidade que reúne as nascentes de alguns dos rios que compõem o Pantanal, já é percebido o impacto. Afetam o regime hídrico porque a vegetação agora é só um mar de cinzas. Afetam o ar que vem carregado de fumaça – fumaça essa que está se espalhando para os centros urbanos das cidades pantaneiras e até outros estados. Afetam a saúde da população. Afetam a economia uma vez que o ecoturismo representa um faturamento bruto anual de US$ 6,8 milhões às comunidades da região. Afetam as pesquisas científicas já que seus objetos de estudo agora estão carbonizados. Afetam todos que ainda tem um resquício de humanidade. Só parecem não afetar os criminosos que provocam essas ações e os que fecham os olhos e não tomam atitudes para combater esse absurdo.

Na verdade, o Brasil está em chamas

Além da calamidade que paira sobre o Pantanal, os outros biomas também se vem enfrentando o mesmo problema. Segundo relata o Correio Braziliense, 2020 já acumula a maior destruição por queimadas, com 125.031 focos em todo o país, o maior registro para o período desde 2010.

Na Amazônia já foram registrados mais de 60.675 focos de incêndios. A Mata Atlântica soma 11.439 incêndios – uma alta de 5% comparado ao mesmo período e 2019. No Pampa, os dados mais recentes do Programa Queimadas, apresenta uma evolução de 38% em relação ao que foi contabilizado até 12 de setembro de 2019 (as queimadas subiram de 1.055 para 1.459).

Nuvem de fumaça proveniente das queimadas no Pantanal e outros biomas brasileiros, ainda em agosto. Fonte: Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus.

O que você pode fazer?

Compartilhe as matérias que a mídia está divulgando sobre o assunto e converse com os seus amigos e familiares sobre essa tragédia.

Assine e divulgue a petição O Pantanal Importa! O manifesto é um chamado para que o governo brasileiro olhe para os incêndios e tome providências assertivas para combatê-lo.

Seja voluntário da força tarefa coordenada pelo Comitê do Fogo (órgão colegiado que reúne diversas instituições de governo, terceiro setor e iniciativa privada) que montou um Posto de Atendimento Emergencial a Animais Silvestres – PAEAS Pantanal para atender animais resgatados.

Acompanhe e apoie o trabalho das organizações que atuam diuturnamente na proteção do Pantanal e estão na linha de frente no combate aos incêndios e suas consequências. Segue algumas sugestões:

DOE

A doação de recursos ajuda as instituições que estão na linha de frente a enfrentar a situação com mais preparo. Os recursos estão ajudando a cobrir despesas variadas, desde a compra de alimento para os animais resgatados das chamas até o aluguel de caminhões-pipa que estão levando água e ajudando a apagar as chamas. Qualquer recurso é bem-vindo!

Seguem algumas opções:

  • A AMPARA Animal criou a campanha Pantanal em Chamas para arrecadar fundos para animais que estão sendo resgatados de queimadas e também está recrutando veterinários para compor a equipe de voluntários na região.
  • A Fundação Ecotrópica também organizou uma Vakinha e o recurso arrecadado será utilizado para compra de frutas, verduras, baldes e água potável para os animais encurralados em áreas totalmente devastadas.

 

MANIFESTO #AJUDAPANTANAL 

O Manifesto #AjudaPantanal é uma iniciativa da sociedade civil que busca dar visibilidade ao crime contra os direitos da natureza e aos direitos humanos e simboliza que a solidariedade nacional e internacional é fundamental para cobrar medidas efetivas e eficazes no combate ao fogo no Pantanal, de maneira URGENTE.

Até a manhã do dia 16 de setembro, 119 entidades e organizações da sociedade civil e 19 pessoas públicas haviam assinado o manifesto, entre elas a Apremavi.

Confira a íntegra do texto a lista das adesões aqui.

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Miriam Prochnow, Vitor Lauro Zanelatto e Wigold B. Schäffer.
Fotos da montagem de capa: Ahmad Jarrah (jacaré), Conexão Planeta (anta), João Paulo Guimarães (jaquatirica, veado e guaxinim) e Mayke Toscano (fogo).

Restaura Alto Vale realiza plantio em Porto União

Restaura Alto Vale realiza plantio em Porto União

Restaura Alto Vale realiza plantio em Porto União

O mês de setembro acabou de começar e o Projeto Restaura Alto Vale, realizado pela Apremavi com apoio do BNDES, acaba de realizar um plantio de mudas nativas da Mata Atlântica para anunciar a primavera que vem chegando.

A ação foi realizada no dia 1 de setembro no município de Porto União (SC), numa área do Parque Municipal Monge João Maria, localizado na região do Complexo Turístico Morro da Cruz. O enriquecimento dos 2,89 hectares de floresta contou com o plantio de 600 mudas nativas de espécies variadas.

Além dos técnicos da Apremavi, estiveram em campo representantes da Prefeitura Municipal através da Secretarias de Urbanismo, Cultura e Meio Ambiente e do 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado (5º BE Cmb Bld) da cidade de Porto União.

Participe do Projeto

Se você é agricultor e/ou proprietário de imóvel localizado no Alto e Médio Vale do Itajaí ou no Planalto Norte de Santa Catarina você pode participar do Projeto, basta entrar em contato da seguinte forma:

  • Comunicando interesse a um agente da Epagri ou da Secretaria de Agricultura do seu município; ou,
  • Falando diretamente com a Apremavi pelo telefone (47) 3535-0119, WhatsApp (47) 98855-7323 ou pelo e-mail [email protected]

Critérios para fazer parte do projeto

As áreas a serem recuperadas não podem ser áreas para as quais já exista obrigação de restauro estabelecida por:

  1. termos de compromisso,
  2. termos de ajustamento de conduta, autuações administrativas por infrações à legislação ambiental;
  3. decisões judiciais; e/ou,
  4. condicionantes de licença ambiental.

É obrigatório ter realizado o Cadastro Ambiental Rural – CAR de suas propriedades.

Autora: Carolina Schäffer.

Plantando o Futuro realiza Assembleia Anual em nova dinâmica

Plantando o Futuro realiza Assembleia Anual em nova dinâmica

Plantando o Futuro realiza Assembleia Anual em nova dinâmica

A pandemia de Covid-19 provocou mudanças inéditas no modo de viver e nas interações. Adaptar-se à nova realidade é um grande desafio para todas as organizações, e não foi diferente para o Plantando o Futuro, coletivo de jovens ambientalistas de Atalanta (SC). Prevista pelo estatuto para ser realizada em maio, a Assembleia Geral Anual do grupo foi realizada no dia 15 de agosto, pela primeira vez de forma online. A reunião contou com a presença de membros, conselheiros e representantes de instituições parceiras.

Segundo a Coordenadoria Executiva, a Assembleia teve grande importância para a ratificação de princípios e objetivos da iniciativa. “Em 2020, foi proposto uma adição no Estatuto, a fim de criar um conselho fiscal, objetivando proporcionar a transparência necessária para eventuais movimentações financeiras que possam vir a ser realizadas. A participação dos membros é essencial para que essa mudança seja legítima”, afirma o Coordenador de Ações, Vitor Lauro Zanelatto.

Ainda no início da reunião, Vitor realizou uma  rápida explanação sobre os resultados da iniciativa em 2019. Os esforços dos jovens e instituições parceiras resultaram em mais de 20 reuniões e 70 ações, entre plantios, mobilizações e atividades de educação ambiental. Outro destaque foram as visitas em escolas da região, para a apresentação dos princípios e objetivos do movimento Fridays For Future – Sextas Pelo Futuro. Além disso, o grupo realizou e auxiliou no plantio de 2200 mudas, em áreas públicas e privadas no município de Atalanta.

Visita a Escola Adolfo Hedel, em julho de 2019. Foto: Iara Sebold.

Nova coordenação e conselho

O Plantando o Futuro sempre teve a preocupação de desenvolver uma gestão estruturada de forma horizontal, objetivando a participação de todos nos processo de decisão. Para isso, conta com uma Coordenadoria Executiva, composta por três membros, que atuam facilitando as três frentes de trabalho do grupo: ações, comunicação e fortalecimento institucional.

Neste ano, a eleição da Coordenadoria teve caráter simbólico, já que uma única chapa foi apresentada na Assembleia. Eleitos por unanimidade, os eleitos serão responsáveis por conduzir as atividades do Plantando o Futuro até a próxima Assembleia Geral, em 2021. Confira a composição:

  • Laura Cecília Marcílio – Coordenadora Institucional
  • Marcos Emanuel Amarante – Coordenador de Ações
  • Pamela Senem – Coordenadora de Comunicação

“Para mim, participar da coordenadoria do Plantando o Futuro é muito importante, mostra como o meu esforço pelo grupo vale a pena. Tenho orgulho de participar desse grupo e espero que no próximo ano possamos ter novas atitudes que mudem o local onde vivemos”, disse a nova Coordenadora Institucional, Laura Marcílio.

A partir da alteração no Estatuto supracitada, o Plantando o Futuro passa a contar com dois Conselhos: Fiscal e Consultivo, responsável pela fiscalização de movimentações financeiras nas atividades do grupo e auxílio da Coordenadoria Executiva na condução dos trabalhos do grupo, respectivamente. Durante a Assembleia, cinco novos conselheiros foram eleitos para a composição do foro consultivo e três para a unidade fiscal.

Confira a composição dos conselhos do grupo:

Conselho Consultivo
  • Carolina Schäffer;
  • Daiane Becker;
  • Gisele Saade;
  • Jacson Paulo Floresti;
  • Lais Camila Klaumann;
  • Kátia Raquel Testoni Longen;
  • Miriam Prochnow;
  • Vitor Lauro Zanelatto. 
Conselho Fiscal
  • Ana Paula Steinheuser;
  • Daiane Becker (presidente); 
  • Maria Luiza Gomes.

A Assembleia Geral Anual do Plantando o Futuro foi realizada no dia 15 de agosto, pela primeira vez de forma online.

Objetivos para o Futuro

Durante a Assembleia, os integrantes do Plantando o Futuro expressaram suas expectativas e anseios para os próximos meses. Mesmo com a impossibilidade de realizar atividades presenciais, a mobilização m causas que sempre foram defendidas deverão continuar, através das mídias digitais e outras estratégias de comunicação. Além disso, os membros já estão idealizando ações para o próximo ano, buscando retomar, com ainda mais força, as ações de plantio e manutenção de áreas de jardim. 

Confira algumas das metas definidas na Assembleia para os próximos meses:

  • Participação em movimentos nacionais e globais;
  • Associação das ações do grupo com os ODS;
  • Estudo da crise climática e de outras pautas associadas ao trabalho do grupo;
  • Desenvolvimento de novas estratégias de comunicação;
  • Atualização da página do grupo no site da Apremavi;
  • Elaboração de vídeo institucional.

Palavras que representam a atuação do Plantando o Futuro, segundo os membros presentes na Assembleia Anual.

Trajetória do grupo na mídia internacional

No mês de agosto, o trabalho desenvolvido pelo Plantando o Futuro foi pauta de uma matéria do jornal espanhol El País. O texto, assinado pela jornalista Belén Hernández, conta a história e trajetória de quatro jovens transformadores da Ashoka, que vêm contribuindo na mitigação de grandes problemas do presente através de ações em suas comunidades. Um dos jovens entrevistados foi Vitor Lauro Zanelatto, membro fundador do Plantando o Futuro e integrante do programa Ashoka Youth Changemakers. 

Durante a entrevista, Vitor compartilhou os principais desafios para a atuação jovem nos grandes desafios que as sociedades precisam enfrentar, como a crise ambiental e climática, injustiças sociais e desigualdades no sistema educacional. Ao mesmo passo, compartilhou os anseios da atuação na organização. “A Ashoka e seus membros estão realizando um grande esforço para compreender como mais jovens poderão expressar a potência que carregam dentro de si. Não existe futuro com o ativismo de poucos, queremos que bons exemplos tornem-se uma tônica em nosso tecido social, e estamos nos esforçando para colaborar com a ascensão das juventudes em espaços de protagonismo”. comentou o jovem.

 A Ashoka é uma das maiores organizações não governamentais de impacto social no mundo, com uma comunidade que conta com mais de quatro mil empreendedores sociais. No Brasil, elegeu o primeiro dos quase quatrocentos fellows em 1989: Chico Mendes. Empreendedores como Wigold Schaffer (Apremavi), Taíse Guzatti (Acolhida na Colônia) e, mais recentemente, Raquel Rosenberg (Engajamundo) tiveram seus projetos reconhecidos e apoiados pela organização ao longo do tempo. 

Confira a matéria completa aqui e saiba mais sobre a atuação da Ashoka aqui.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.

O dia da sobrecarga da Terra não é folclore

O dia da sobrecarga da Terra não é folclore

O dia da sobrecarga da Terra não é folclore

22 de agosto é o Dia do Folclore, mas não é nenhuma lenda que o dia em que sobrecarregamos a Terra chegou. Este ano esse dia é hoje, dia 22 de agosto. Precisamos de 1,6 planeta para suprir nosso consumo, mas só temos um.

O Dia da Sobrecarga da Terra marca no ano, a data na qual a humanidade usou todos os recursos biológicos e serviços ecossistêmicos que o planeta pode renovar durante aquele ano. Representa o dia em que começamos a consumir os recursos do ano seguinte ou numa linguagem simplificada, a data em que entramos no vermelho, consumindo recursos do “cheque especial”. Só que o planeta Terra não tem cheque especial e nós literalmente estamos comendo a comida que deveria ser do dia seguinte. Se os recursos não fossem finitos ainda poderíamos dizer que isso não seria uma problema, mas os recursos não são infinitos e em algum momento vamos acabar sem comida, comprometendo inclusive a sobrevivência das gerações futuras. E isso é inaceitável.

Dia da Sobrecarga da Terra ao longo dos anos. Fonte: Global Footprint Network.

O cálculo para se chegar ao Dia da Sobrecarga da Terra é feito pela Global Footprint Network desde 1961 e o primeiro déficit foi encontrado em 1970, nos últimos dias de dezembro. De lá pra cá esse dia tem sido registrado cada vez mais cedo. No ano passado foi no dia 29 de julho, o que foi visto como um grande sinal de alerta.

Este ano o dia da sobrecarga é 22 de agosto, três semanas depois, já com os efeitos da pandemia do coronavírus, que fez com que milhões de pessoas diminuíssem suas atividades. Essas três semanas de folga, em relação a 2019, não podem ser comemoradas como sendo fruto de uma conscientização ambiental, porque uma catástrofe impôs essas condições, mas elas mostram que é possível a humanidade tomar um outro rumo e se comprometer com o um futuro sustentável, bastam compromisso e planejamento sérios.

Confira algumas ações que você pode adotar no dia-a-dia para contribuir com o planeta Terra:
  1. Ajude a restaurar os ecossistemas, seja plantando árvores ou apoiando organizações que trabalham com restauração.
  2. Reduza o consumo de carne vermelha.
  3. Não desperdice alimentos.
  4. Produza seus alimentos ou compre de fornecedores locais e opte sempre por orgânicos.
  5. Invista em energias renováveis.
  6. Mobilize familiares e amigos a assumirem hábitos mais sustentáveis.
  7. Repense o consumo e só compre o que realmente estiver precisando.
  8. Fique de olho nas embalagens e tenha sempre uma sacola reutilizável à mão.
  9. Diminua o uso do carro, andando a pé ou de bicicleta.
  10. Seja voluntário em uma organização ambientalista.

Que nossos personagens folclóricos, saci, curupira, iara, boto-cor-de-rosa, boitatá, mula-sem-cabeça possam inspirar nossas ações em prol da natureza, para que nosso futuro não vire uma lenda.

Autora: Miriam Prochnow.

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