Encontro em Rio do Sul reúne iniciativas para a conservação em áreas privadas
IV Encontro de RPPNs de Santa Catarina abordou biodiversidade, incentivos econômicos, gestão e efetividade das reservas
Proprietários de reservas particulares, pesquisadores, representantes de instituições públicas e organizações da sociedade civil se reuniram de 22 a 24 de outubro, na Unidavi, em Rio do Sul (SC), para o IV Encontro de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) de Santa Catarina. A programação reuniu debates, apresentações de experiências e atividades de campo voltadas ao fortalecimento da conservação privada no estado. O evento foi organizado pela Associação de RPPNs Catarinense (RPPNC), em conjunto com a Unidavi e a Associação Ambientalista Pimentão. Entre outras instituições, contou com o apoio da Apremavi.
Biodiversidade, geração de renda, gestão e efetividade das reservas estiveram entre os temas centrais do encontro. As discussões abordaram tanto o papel das RPPNs na proteção dos ecossistemas quanto os desafios enfrentados pelos proprietários na manutenção e na gestão dessas áreas.
As RPPNs são unidades de conservação criadas voluntariamente em propriedades privadas, com o objetivo de proteger a natureza em caráter perpétuo. Além de conservar ambientes naturais, essas áreas podem contribuir para a pesquisa científica, a educação ambiental e a visitação, conforme as condições e os objetivos de cada Reserva.
Para Robson Avi, da Associação Ambientalista Pimentão, o encontro representou uma oportunidade de reconhecer e valorizar o trabalho dos proprietários. “Além de compartilhar conhecimentos, foi uma oportunidade de fortalecer parcerias e reconhecer o papel fundamental daqueles que dedicam parte de suas vidas à conservação da nossa biodiversidade”, afirmou.
Da criação à gestão das reservas
Na mesa sobre gestão e efetividade, o presidente da Associação de Proprietários de RPPNs de Santa Catarina, Ciro Couto, destacou que o reconhecimento formal de uma reserva é apenas uma etapa do compromisso com a conservação. “Criar uma RPPN é uma decisão de conservação. Torná-la efetiva exige condições, conhecimento, gestão e cooperação”, afirmou.
Entre os desafios apontados por Ciro estão a regularização fundiária e cartográfica, a atualização cadastral, a proteção contra ameaças e a implementação dos Planos de Manejo. Segundo ele, as Reservas apresentam diferentes estágios de estruturação e precisam de orientação técnica e de cooperação institucional para avançar em suas ações.
O Plano de Manejo foi destacado como uma ferramenta para orientar as prioridades, identificar ameaças e organizar atividades compatíveis com os objetivos de conservação. O presidente da RPPN Catarinense também ressaltou a importância de acompanhar as condições de gestão e os resultados ambientais das reservas.
Incentivos e troca de experiências
A programação incluiu um painel sobre conservação, biodiversidade e incentivos econômicos, com participação da Apremavi e de representantes de outras instituições. Entre os temas estavam o mercado de carbono, Pagamento por Serviços Ambientais e iniciativas voltadas à proteção da água e da biodiversidade. Miriam Prochnow, cofundadora da Apremavi, teve a oportunidade de apresentar o projeto Conservador das Araucárias, que entre suas atividades tem o estímulo e apoio à criação de RPPNs, como uma estratégia de permanência de carbono e conservação da biodiversidade: “no âmbito do projeto, já foi criada a RPPN Irmãs Grimm e estamos com processos para criação de mais três novas RPPNs. É uma contribuição importante para a ampliação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação”, aponta Miriam.
O encontro também abriu espaço para que proprietários compartilhassem experiências em conservação, pesquisa, turismo de natureza, visitação e educação ambiental. As apresentações reuniram iniciativas de RPPNs catarinenses, valorizando as trajetórias e os aprendizados de quem atua diretamente na gestão dessas áreas.
No último dia, a programação de campo incluiu uma visita técnica à RPPNE Jardim das Borboletas e uma atividade de observação de aves no Jardim Botânico de Rio do Sul.
Universidade e conservação
A Unidavi, que sediou o encontro, também integra a rede de RPPNs do estado. Em 2025, foi reconhecida a RPPN Estadual Unidavi, em Rio do Sul, com 2,5 hectares de Mata Atlântica protegidos em caráter perpétuo.
Segundo o reitor Alcir Teixeira, a área representa um compromisso institucional com a biodiversidade e é uma oportunidade para aproximar a comunidade acadêmica das práticas de conservação, por meio de atividades de pesquisa, ensino, extensão e educação ambiental. Ao reunir diferentes experiências e instituições, o IV Encontro reforçou a importância da cooperação para apoiar os proprietários e fortalecer a gestão das áreas privadas protegidas em Santa Catarina.

Encontro da RPPN Catarinense entre os dias 22 a 24 de outubro, na Unidavi, em Rio do Sul (SC). Foto: Miriam Prochnow
Autora: Thamara Santos de Almeida com informações da RPPN Catarinense
Revisão: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow
Foto de capa: Ciro Couto