Nova lista nacional amplia número de espécies da fauna ameaçadas de extinção
No dia 16 de junho o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou uma nova Portaria com a lista de espécies da fauna ameaçadas de extinção.
A nova relação, instituída pela Portaria MMA nº 1.704/2026, passa a reconhecer 790 espécies e subespécies da fauna brasileira como ameaçadas de extinção.A comparação com a lista anterior, estabelecida pela Portaria MMA nº 148/2022, mostra um crescimento no número de espécies ameaçadas.
Em 2022, a lista da fauna terrestre ameaçada reunia 764 espécies e subespécies, enquanto a atualização de 2026 passou a contabilizar 790 táxons, um aumento líquido de 26 espécies.
O processo de atualização envolve não só a inclusão de novas espécies ameaçadas, mas também revisões taxonômicas, mudanças de categoria de risco e a retirada de espécies que deixaram de atender aos critérios de ameaça ou tiveram sua situação reavaliada.
A maior parte das espécies ameaçadas pela nova lista encontra-se na categoria Vulnerável (VU), seguida pelas categorias Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo (CR).
- Vulnerável (VU): 335 espécies
- Em Perigo (EN): 278 espécies
- Criticamente em Perigo (CR): 150 espécies
- Criticamente em Perigo – Possivelmente Extinta [CR(PE)]: 18 espécies
- Extinta na Natureza (EW): 1 espécie
Entre os vertebrados terrestres ameaçados, as aves permanecem como o grupo com o maior número de espécies na lista oficial, totalizando 248 espécies e subespécies. Em seguida aparecem os répteis, com 123 espécies ameaçadas, os mamíferos, com 103, e os anfíbios, com 61 espécies. Além desses grupos, a lista também inclui um expressivo conjunto de invertebrados terrestres, reforçando a crescente atenção dada a organismos historicamente menos representados nas avaliações de risco de extinção.
Entre as novidades da lista de 2026 estão mamíferos como o camundongo-do-pinheiro-brasileiro (Deltamys araucaria), macaco-barrigudo (Lagothrix lagothricha), o guigó (Callicebus nigrifrons) e o gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai), além de répteis amplamente conhecidos, como o jabuti-piranga (Chelonoidis carbonarius) e o jabuti-tinga (Chelonoidis denticulatus). A atualização também ampliou a representação de invertebrados terrestres e espécies associadas a ambientes cavernícolas, um grupo historicamente pouco contemplado nas listas oficiais de espécies ameaçadas.
A nova lista serve como referência para políticas públicas, processos de licenciamento ambiental, definição de prioridades para pesquisa científica e implementação de estratégias de conservação em todo o território nacional. Além de revelar a situação de centenas de espécies ameaçadas, a atualização evidencia a importância do monitoramento contínuo da biodiversidade brasileira diante das pressões provocadas pela perda de habitat, fragmentação de ecossistemas, mudanças climáticas, espécies invasoras e outras ameaças que continuam afetando a fauna do país.
Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Arquivo Apremavi