Treinamento de escalada em árvores fortalece a coleta de sementes nativas da Mata Atlântica
Entre 22 e 25 de setembro, a Apremavi recebeu um treinamento de escalada em árvores voltado à coleta de frutos e sementes nativas. A formação combinou orientações de segurança, uso de equipamentos de escalada e atividades práticas de ascensão, deslocamento na copa e resgate.
“O curso trouxe mais confiança para realizar esse tipo de atividade e agregou novos conhecimentos que podem ser utilizados no dia a dia do viveiro”, relata Elisane Kurtz, viveirista da Apremavi, que participou da formação. Ela destaca o aprendizado sobre os equipamentos, a movimentação na copa e o uso correto dos podões para alcançar os galhos e coletar sementes com segurança.
Nem sempre os frutos de uma árvore podem ser alcançados do chão. Em algumas espécies, eles permanecem no alto da copa; em outras, esperar que caiam pode significar perder o momento adequado para a coleta. Saber acessar essas árvores com segurança permite à equipe acompanhar a frutificação e coletar sementes de espécies específicas, de acordo com as necessidades de produção de mudas e dos projetos de restauração.
Ollyver Rech Bizarro, engenheiro florestal e um dos instrutores da Sociedade Chauá, cita o cedro-rosa (Cedrela fissilis) como exemplo: seus frutos secos liberam sementes que são dispersas pelo vento. Acessar a copa permite coletá-los antes da dispersão. Em espécies das famílias Lauraceae e Myrtaceae, a escalada também pode viabilizar a coleta de ramos férteis e outras amostras necessárias para a identificação botânica.
“Aprimorar a coleta é parte do trabalho que começa antes da produção das mudas. O acesso planejado às árvores matrizes pode ajudar a obter sementes de espécies que não estão facilmente disponíveis, ampliar a variedade de nativas cultivadas no viveiro e atender com mais precisão às demandas da restauração da Mata Atlântica”, comenta Edilaine Dick, coordenadora de projetos da Apremavi.
O curso começou com o reconhecimento dos equipamentos de proteção individual, a avaliação de riscos, as especificidades do trabalho em altura e os cuidados com as cordas e os pontos de ancoragem. Nos dias seguintes, os participantes praticaram lançamento de corda, ascensão e descensão pelo tronco, movimentação na copa e técnicas de resgate. A programação terminou com atividades práticas em árvores e a entrega dos certificados.
A formação foi conduzida por Ollyver Rech Bizarro, Danilo Vidal Blasi e Elivelton Marcos Gurski, profissionais com experiência em escalada, resgate e arborismo em parceria com a Sociedade Chauá.
“Formar pessoas capazes de trabalhar com segurança nesse ambiente também significa ampliar nossa capacidade de conhecer, conservar e restaurar a floresta”, afirma Ollyver. Segundo ele, as técnicas de acesso à copa também podem apoiar a coleta de material botânico, o resgate de epífitas e pesquisas sobre floração e frutificação.

Atividades teóricas e práticas do treinamento de escalada em árvores para coleta de frutos e sementes nativas, realizado de 22 a 25 de setembro na Apremavi. Fotos: Weliton Oliveira e Arquivo Apremavi/Chauá
Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Weliton Oliveira