Bosque de Heidelberg em Atalanta completa 20 anos

31 Maio, 2019 | Bosques de Heidelberg, Notícias, Projetos da Apremavi

Em 2019 um dos primeiros Bosques de Heidelberg em Atalanta completa 20 anos. É o bosque da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ribeirão Matilde, plantado em 1999, dentro da parceria da Apremavi com a ONG alemã Bund.

A professora Rosane Jochem Herbst conta que o bosque foi implantado no ano em que ela começou a lecionar na escola: “tenho o privilégio de participar da implantação deste projeto desde o pedido das mudas de árvores pelos alunos para a Apremavi. O bosque já incentivou muitas ações pedagógicas, ajudando a conquistar prêmios e inspirando muitos projetos interdisciplinares, feiras, mostras científicas, como também se tornou um excelente lugar para lazer, leituras, brincadeiras e estudos”, salienta a educadora.

Uma das atividades desenvolvidas pela escola para comemorar os 20 anos do bosque foi um concurso de desenho “O bosque da escola”, onde os alunos, com a ajuda de seus familiares, puderam se expressar artisticamente sobre esse belo local. O desenho vencedor foi escolhido na semana do Dia da Biodiversidade, 22 de maio, por integrantes da Apremavi, durante visita à escola. Ele estará na capa da cartilha ecológica que está sendo produzida.

Mural de desenhos do concurso “O bosque e a escola”. Foto: Miriam Prochnow.

O desenho vencedor foi feito pelo aluno Nicolas Foss e sua família. Miriam Prochnow, presidente da Apremavi, conta que foi uma tarefa muito difícil fazer essa escolha, uma vez que todos os desenhos foram muito bem feitos, mostrando a ligação que os alunos tem com esse ambiente natural restaurado. Fica claro também a importância que áreas assim podem desempenhar da educação de nossas crianças e jovens, especialmente nos tempos atuais, onde o contato com a natureza é cada dia mais vital.

Além do concurso de desenhos e da cartilha ecológica, a escola programou outras atividades para comemorar os 20 anos do bosque, entre elas a identificação das espécies plantadas e o enriquecimento com espécies nobres que ainda não se encontram ali. A identificação das espécies já foi iniciada e já foram identificadas 69 espécies.

Para homenagear todos os participantes vamos divulgar aqui todo os desenhos inscritos.

Em destaque: Nicolas Foss, vencedor do concurso, ao lado do desenho que ele fez com sua família. Galeria: 40 desenhos participantes do concurso “O bosque da escola” e jurados em processo de seleção do desenho vencedor do concurso. Fotos: Miriam Prochnow.

Conheça a história dos Bosques de Heidelberg

A parceria da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) com a cidade de Heidelberg, na Alemanha, começou em 1998 com uma visita de Miriam Prochnow à cidade. A visita foi desdobramento de um seminário de intercâmbio entre ONGs brasileiras e alemãs, em Berlim. Após o seminário, Miriam e outros brasileiros foram até Heidelberg para uma série de reuniões com representantes da prefeitura e do Bund Für Umwelt und Naturschutz Deutschland (BUND), uma ONG ambientalista local. A visita foi coordenada por Klemens Laschefski do BUND, que havia acabado de realizar um estágio na Apremavi.

O intercâmbio entre as instituições tem como principal atividade a restauração da Mata Atlântica e o primeiro Bosque de Heidelberg foi implantado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ribeirão Matilde, em 1999, logo após a parceira ter sido acordada. O projeto ficou conhecido como Heidelberger Wäldchen in Atalanta (Bosques de Heidelberg em Atalanta). Com o passar dos anos e com a parceria gerando cada vez mais resultados, o projeto passou a ser chamado de Bosques de Heidelberg no Brasil. Já foram plantadas mais de 110 mil árvores de espécies nativas da Mata Atlântica, formando mais de 90 bosques, em 17 cidades.

Grande parte dos recursos arrecadados para possibilitar o plantio desses bosques no Brasil vem de esforços de alunos das escolas municipais de Heidelberg, através da venda de cucas e panquecas, produtos de Natal, entre outros. A concentração da captação acontece no período de Natal, quando os alunos são estimulados a “comprar” mudas de árvores para restaurar a Mata Atlântica e dar de presente o certificado desse plantio, ao invés dos presentes tradicionais.

Desde 2008, representantes da Apremavi realizam em Heidelberg uma semana de palestras com alunos. A ação faz parte do projeto Der Regenwald kommt in die Klassenzimmer (A Mata Atlântica vai às salas de aula), que acontece em parceria com a BUND, a cidade de Heidelberg e a Apremavi. Dentro da parceria, a Apremavi também já recebeu várias visitas e estagiários de Heidelberg, que tiveram a oportunidade de ajudar nas atividades de produção e plantio de mudas.

A história do Bosque na escola do Ribeirão Matilde é bem interessante, porque partiu de uma ação dos alunos. Estava se aproximando o dia da árvore e os alunos da primeira série fizeram uma carta para a Apremavi pedindo mudinhas para plantar em terreno localizado no pátio atrás da escola, que era usado como lixão. Foram 36 cartinhas, cada uma escrita por uma criança. A professora Rosane Jochem Herbst conta que eles estavam esperando a doação de algumas poucas mudas, mas tiveram uma surpresa, quando a Apremavi sugeriu modificar totalmente o espaço, transformando-o num bosque.

Um mutirão de limpeza foi realizado com pais e alunos e foram retirados caminhões de entulho do local. Um novo mutirão aconteceu para o plantio de 2 mil mudas de espécies nativas. Desde então, o bosque serve para incentivar as atividades ambientais da escola: aulas de ciências, leitura, educação física e educação ambiental. Os alunos ainda colhem frutas e sementes. O bosque que completa 20 anos em 2019 é uma pequena joia de biodiversidade na comunidade, abrigando mais de 60 espécies diferentes da Mata Atlântica.

Alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ribeirão Matilde posam para foto à sombra do Bosque plantado em 1999. Foto: Miriam Prochnow.

Autora: Miriam Prochnow.

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