Bracatinga. Rapidez em crescimento é com ela

Bracatinga. Rapidez em crescimento é com ela

Guia de Espécies

A bracatinga (Mimosa scabrella) é considerada uma das espécies de crescimento inicial mais rápido do Sul do Brasil. Conhecida popularmente também como, abracaatinga, bracatinho e paracaatinga, destaca-se principalmente pela alta capacidade de colonizar terrenos totalmente descobertos. É uma árvore semidecídua, heliófila e pioneira, de crescimento rápido, características estas que a tornam excelente para a recuperação de áreas degradadas.

Pode ter de 5 a 15 m de altura e 30 a 40 cm de diâmetro. Seu tronco é reto e alto, quando em maciços ou curto e ramificado, quando isolada.

Quando jovem, a casca externa é marrom-acastanhada, com o crescimento passa a castanho-acinzentada, áspera, verrugosa e com separação em fendas com orientação longitudinal. A casca interna é de coloração bege-rosada a rosada.

Sua ocorrência é de São Paulo ao Rio Grande do Sul em regiões de altitudes nas florestas com araucárias.

O aparecimento dos botões florais da bracatinga dá-se em longo período do ano, porém com maior intensidade a partir do mês de junho, prolongando-se até agosto. Os frutos são do tipo vagem e amadurecem de novembro a janeiro. A floração e a frutificação iniciam a partir de dois anos em plantios.

Nos meses de frio no sul, essa leguminosa, é a única espécie que fornece pólen e néctar em abundância, sendo portanto de grande utilidade para apicultura.

Por serem altamente melíferas são muito visitadas por abelhas dos gêneros Apis e Trigona, que polinizam suas flores na busca de mel. O mel da flor de bracatinga é raro e de paladar amargo, porém extremamente medicinal. Age sobre o estômago, fígado e intestinos. Ajuda a equilibrar a taxa de açúcar no sangue. Pode ser usado por diabéticos e hipoglicêmicos.

A árvore é bastante ornamental, principalmente quando há presença de flores. Pode ser empregada, com sucesso, no paisagismo, principalmente na arborização de ruas estreitas. Como restrição, apresenta baixa longevidade.

Ela também é recomendada para a conservação de solos e na recuperação e reabilitação de solos degradados. Por regeneração natural ou sendo plantada, recobre rapidamente terrenos descobertos, inibindo a vegetação herbáceo-arbustiva e criando condições de micro clima favoráveis para espécies tolerantes ao sombreamento. A espécie é também recomendada para reposição de mata ciliar em locais com ausência de inundação.

Em seu ciclo de regeneração, numa dada fase de sucessão secundária, a bracatinga pode formar característicos maciços homogêneos. Nessas circunstâncias é possível fazer sua exploração, com base na lei 11.428 de 2006 (a lei da Mata Atlântica) e no decreto 6.660 de 2008, pelo fato da bracatinga se caracterizar como uma espécie pioneira (vide capítulo XI do decreto e portaria em anexo). Sua exploração nesse caso depende de autorização prévia dos órgãos competentes.

A madeira de bracatinga pode ser usada, em vigamentos, escoras em construção civil, para partes não aparentes de móveis, caixotaria, embalagens leves, compensados, laminados e aglomerados, para cabos de ferramentas e utensílios domésticos, além de peças para artesanato e marcenaria em geral.

Os índios de várias etnias do Paraná e de Santa Catarina, usam a casca do caule da bracatinga para combater coceiras.

Flor de bracatinga. Foto: Acervo Apremavi.

Bracatinga

Nome científico: Mimosa scabrella Benth.
Família: Fabaceae
Utilização: Madeira muito utilizada para lenha, construção civil e caixotaria. Utilizada também para paisagismo.
Época de coleta de sementes: Novembro a dezembro.
Coleta de sementes: Coleta das vagens diretamente da árvore quando iniciarem a abertura espontânea ou através da colocação de lonas sob as árvores nas horas mais quentes do dia com posterior recolhimento das sementes.
Fruto: Legume amarelo (vagens).
Flor: Amarela.
Crescimento da muda: Rápido.
Germinação: Rápida.
Plantio: Mata ciliar, área aberta, solo degradado.
Observação: Antes da semeadura as sementes devem passar por processo de quebra de dormência através de água fervente.

Fontes consultadas

BRACATINGA. In: Embrapa Florestas. Disponível em: http://www.cnpf.embrapa.br/pesquisa/efb/index_especies.htm. Data de acesso: 11 mar. 2009.

LORENZI, H. Mimosa scabrella Benth. In: LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. p. 262.

PROCHNOW, M (org). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: APREMAVI, 2007. 188p.

PROPRIEDADES do Mel: flor de bracatinga.In: Edições Natureza. Disponível em: http://www.ednatureza.com.br/mel.htm. Data de acesso: 26 mar. 2009.

Autoras: Tatiana Arruda Correia e Miriam Prochnow.

Pitanga, a fruta do azedinho doce

Pitanga, a fruta do azedinho doce

Guia de Espécies

A pitanga, espécie nativa da Mata Atlântica, tem em seu nome origem tupi-guarani – “pyrang” que significa “vermelha”. A fruta carnosa e aquosa, de cor vermelha (mais comum), amarela ou preta, tem sabor agridoce e já era apreciada pelos indígenas, bem como pelos primeiros colonizadores do Brasil.

Pertencente a família botânica das Myrtaceae, a pitanga (Eugenia uniflora L.) é uma das mais importantes frutas nativas da Mata Atlântica com grandes potencialidades para o cultivo comercial. De seus frutos, que contém vitaminas A, C, do complexo B, cálcio, ferro e fósforo, além do consumo in natura, podem ser obtidos sucos, sorvetes, geléias, doces, licores e vinhos. Além desses usos, mais comuns, algumas indústrias de cosméticos já têm utilizado seu extrato para a fabricação de sabonetes e shampoos.

As folhas da pitangueira contém o alcalóide denominado pitanguina (sucedâneo de quinino); bastante utilizada na medicina popular através de chás, indicada contra diarréias persistentes, contra afecções do fígado, em gargarejos nas infecções da garganta, contra reumatismos e gota.  Tem ação calmante, antiinflamatória, diurética, combate a obesidade e também possui atividade antioxidante.

A pitangueira é uma espécie de ampla distribuição geográfica natural ocupando regiões de clima tropical e subtropical, indo de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul.

Atualmente as plantações comerciais significativas da fruta estão no nordeste brasileiro, onde o estado que se destaca é Pernambuco.

A pitanga é indicada para recuperação de áreas degradadas e também na implantação de sistemas agroflorestais, além de possuir boa potencialidade para consumo e processamento da polpa, é atrativa principalmente a avifauna, tornando-se uma espécie chave para indução na regeneração natural de florestas. Também é utilizada como espécie ornamental em muitas cidades brasileiras.

A pitanga, assim como outras dezenas de frutas nativas da Mata Atlântica, são pouco consumidas quando comparada a frutas exóticas (maçã, pêra, laranja, ameixa, etc). Cabe salientar que as nossas espécies frutíferas nativas são incomparáveis quanto a sabor e teor de vitaminas. A Apremavi tem um trabalho que tem por objetivo promover o resgate dessas espécies, através da produção de mudas, plantio e divulgação de suas potencialidades.

 

Receitas para testar

Licor de Pitanga
Ingredientes
1 e ½ litros de água filtrada
1 quilo de pitangas maduras
1 quilo de açúcar
1 litro de álcool 40

Modo de Preparo
Colocar numa vasilha de vidro, o álcool, o açúcar e as pitangas, deixando por um espaço de 4 dias, tendo porém, a precaução de mexer com uma colher de pau duas vezes ao dia. Passado esse tempo, misturar 1 e ½ litros de água filtrada, e, em seguida, filtrar e engarrafar. Este licor deve ser feito em vasilhame de vidro, louça ou cristal.

Geléia de Pitanga
Ingredientes
1 litro de pitangas
1/2 litro de água
Açúcar

Modo de Preparo
Retire o caroço da pitanga e ferva com água.
Retire do fogo e passe na peneira sem a água, junte o açúcar no mesmo peso da pitanga.
Cozinhe até dar o ponto.

Muda de pitanga. Foto: Acervo Apremavi.

Pitanga

Nome científico: Eugenia uniflora L.
Família: Myrtaceae
Utilização: madeira utilizada para a fabricação de cabo de ferramentas e outros componentes agrícolas. Seus frutos são comestíveis e servem de alimento para diversas espécies de aves.
Época de coleta de sementes: junho a janeiro.
Coleta de sementes: diretamente da árvore quando começar a queda espontânea dos frutos ou recolhê-los do chão.
Fruto: vermelho, laranja ou roxo, arredondado, contendo uma semente por fruto, possuindo aproximadamente 1,5 cm de diâmetro.
Flor: branca.
Crescimento da muda: médio.
Germinação: normal.
Plantio: mata ciliar, área aberta.

Autor: Leandro Casanova.

Fontes Consultadas:

LORENZI, H. Eugenia uniflora L. In: LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. p. 262.

LICOR DE PITANGA. Disponível em: http://www.portaldasreceitas.com.br/ver_receita.php?c=4364. Data de acesso: 11 mar. de 2009.

PROCHNOW, M (org). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: APREMAVI, 2007. 188p.

PITANGA. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pitanga.  Data de acesso: 11 mar. de 2009.

EMBRAPA. Pitanga: Uma fruta especial.Disponível em: http://www.embrapa.br/imprensa/artigos/2008/pitanga-uma-fruta-especial-2/?searchterm=pitanga . Data de acesso: 11 de mar de 2009.

Cortiça-lisa, a fruta da criançada

Cortiça-lisa, a fruta da criançada

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A Cortiça-Lisa (Rollinia rugulosa), também conhecida como Araticum-de-porco ou Araticum-verde, é uma árvore nativa do Brasil, de até 12m de altura e 40 cm de diâmetro. Ocorre desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, sendo mais frequente nas áreas da Floresta Ombrófila Mista, a Floresta com Araucárias.

Antigamente sua madeira era usada para fazer bóias para redes de pesca dos pescadores do litoral de Santa Catarina, daí vem o nome de “cortiça”.

Além de ser considerada uma espécie ornamental, a cortiça produz frutos comestíveis pelo homem, parecidos com a fruta-do-conde ou anona. O fruto é globoso, contendo numerosas sementes presas a uma polpa branca aquosa, mole e de sabor levemente ácido. É envolvido por uma casca amarelo-esverdeada. A cortiça-lisa tem uma prima conhecida como cortiça-crespa ou araticum-amarelo, que tem propriedades parecidas, mas seu fruto é mais doce e com menos polpa.

Sua madeira tem utilidade reduzida, mas a casca fornece fibras que podem ser utilizadas na fabricação de cordas. Seus galhos eram utilizados pelos índios para fazer flechas. As sementes tem propriedades medicinais, sendo popularmente utilizadas como anti-diarréicas.

A espécie é indicada para recuperação de ecossistemas degradados, particularmente as áreas de preservação permanente (APPs) por apresentar desenvolvimento rápido, além de produzir frutos muito procurados por pássaros e animais. A Apremavi tem produzido muitas mudas que são utilizadas nos projetos de restauração florestal.

Nos municípios do interior, onde a criançada ainda tem o privilégio de poder correr solta pelo mato e pelas roças, a cortiça-lisa é muito apreciada e às vezes é difícil controlar a gurizada enquanto não “detonarem” todos os frutos da corticeira.

Esse comportamento na verdade é herdado das gerações mais velhas. É comum ouvir adultos contando histórias de infância onde a cortiça-lisa aparece como a atriz-coadjuvante. Histórias que nos fazem lembrar o famoso Chico Bento que passa parte do seu tempo roubando as goiabas do vizinho, só que neste caso, as frutas cobiçadas são as cortiças. E tem também histórias bem pitorescas de adultos que colhiam as cortiças ainda verdes e as escondiam numa espécie de ninho de capim, para amadurecem longe do olhar e das mãos da gurizada. Mal sabiam eles que a criançada realizava verdadeiras competições para achar os tais “ninhos de cortiça”, que uma vez encontrados tornavam-se um verdadeiro troféu a ser exibido como motivo de grande orgulho.

O fato é que essa fruta típica do Brasil, merece uma atenção maior para seu potencial de uso comercial, seja na produção e comercialização “in natura”, seja na extração de sua polpa para produção de sucos e sorvetes.

Muda de Cortiça-lisa. Foto: Acervo Apremavi.

Cortiça-lisa

Nome científico: Rollinia rugulosa Schltdll
Família: Annonaceae
Utilização: madeira e paisagismo. Os frutos são comestíveis.
Coleta de sementes: diretamente do chão, ou coletando os frutos nos galhos.
Época de coleta de semente: fevereiro a março.
Fruto: carnoso com bastante polpa.
Flor: amarela.
Crescimento da muda: rápido.
Germinação: normal.
Plantio: mata ciliar, área aberta, solo degradado.

Fontes consultadas

PINTO, L.S. et al. Indução do enraizamento de estacas de araticum-de-porco pela aplicação de  fitorreguladores. Scientia Agraria, v.4, n.1-2, p.41-45, 2003.

LORENZI, H. Caesalpinia peltophoroides Benth. In: LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. p. 148.

PROCHNOW, M (org). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: APREMAVI, 2007. 188p.

Autoras: Miriam Prochnow e Tatiana Arruda Correia.

Sibipiruna, uma dama de ouro

Sibipiruna, uma dama de ouro

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Originária da Mata Atlântica, a sibipiruna é uma espécie da família das leguminosas e atinge altura de 08 a 16 metros, com tronco de 30 a 40 cm de diâmetro. Costuma viver por mais de um século, pela semelhança da folhagem, muitas vezes é confundida com o pau-brasil e o pau-ferro. Também é conhecida como coração-de-negro, pela semelhança da semente com um coração. Os frutos, que surgem após a floração, são de cor bege, achatados, medem cerca de 3 cm de comprimento e permanecem na árvore até março.

A sibipiruna perde parcialmente suas folhas no inverno e a floração ocorre de setembro a novembro, Suas flores amarelas são dispostas em cachos cônicos e eretos, onde primeiro abrem todas as flores da metade de baixo, depois as da metade de cima. Devido à grande beleza, imponência e por ter rápido desenvolvimento é uma árvore muito utilizada em paisagismo urbano, se prestando muito bem para condução de crescimento e convivência com a fiação elétrica.

Adapta-se muito bem ao clima sub-tropical e tropical em sol pleno, não é muito exigente, mas prefere o ligeiramente ácido, a propagação é por semente. Pelo seu rápido crescimento e grande poder germinativo, é indicada também para projetos de reflorestamento, inclusive com potencial madeireiro. Sua madeira é pesada, dura e de média durabilidade, sendo utilizada na construção civil e na produção de móveis em geral.

Se você perguntar a uma pessoa que benefícios para o meio ambiente trazem as árvores, como por exemplo uma Sibipiruna, rapidamente ela lembrará da sua sombra e de sua beleza paisagística. Realmente essas características são altamente relevantes especialmente em dias muito quentes, quando se deseja uma boa sombra.

Mas além dessas, outras vantagens como diminuição de enxurradas e enchentes, resultado da maior  infiltração da água da chuva no solo, devido ao efeito de agregação e aumento da porosidade que as raízes das árvores proporcionam.

Outro benefício das árvores para o meio ambiente é a absorção do carbono emitido pelos veículos e demais atividades humanas, ajudando a amenizar os efeitos do aquecimento global para a conservação da biodiversidade.

O aumento da diversidade animal, proteção de rios e nascentes também são resultados do plantio e conservação de árvores, entre os inúmeros benefícios que podem trazer para o meio ambiente.

A Apremavi disponibiliza informações para toda a população sobre as mudas produzidas no Viveiro Jardim das Florestas, e sobre os vários Programas que desenvolve, como o Clima Legal, de forma clara e interessante, através de ações de educação ambiental.

Muda de sibipiruna. Foto: Acervo Apremavi.

Sibipiruna 

Nome científico:Caesalpinia peltophoroides Benth.
Família: Fabaceae
Utilização: madeira utilizada na construção civil, fabricação de móveis e caixotes. Espécie muito utilizada no paisagismo urbano.
Época de coleta de sementes: setembro a outubro.
Coleta de sementes: diretamente da árvore.
Fruto: legume preto azulado, contendo cerca de 3 a 4 sementes cada vagem, com aproximadamente 8 cm de comprimento.
Flor: amarela.
Crescimento da muda: médio.
Germinação: rápida.
Plantio:
mata ciliar, área aberta.

Autoras: Tatiana Arruda Correia e Miriam Prochnow.

Fontes Consultadas:

Caesalpinia peltophoroides. Disponível em: http://www.jardimdeflores.com.br/floresefolhas/A21sibipiruna.htm. Acesso: 03 mar. 2009.

LORENZI, H. Caesalpinia peltophoroides Benth. In: LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. p. 148.

PROCHNOW, M (org). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: APREMAVI, 2007. 188p.

SIBIPIRUNA. Disponível em: http://www.viveirosomacal.com.br/muda.aspx?id=67. Acesso: 03 mar. 2009.

Timbaúva, a árvore que tem orelhas

Timbaúva, a árvore que tem orelhas

Guia de Espécies

É uma árvore de crescimento rápido que fornece boa sombra na primavera e verão e perde suas folhas no inverno, deixando a luz do sol passar. Desta forma ela é bastante apropriada para arborização de regiões com estações bem marcadas.

A Timbaúva pode medir de 20 a 35 metros de altura e de 80 a 160 de diâmetros de tronco. Está dispersa em várias formações florestais, com ocorrência nos estados do Pará, e Piauí até o Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

As inflorescências surgem na primavera com cerca de 10 a 20 flores brancas. Os frutos que se seguem são vagens, recurvadas e semilenhosas, em formato de rim ou de orelha, o que rendeu a esta espécie diversos nomes populares, como: orelha-de-macaco, orelha-de-negro, orelha-de-preto, árvore-das-patacas, orelha-de-onça, etc.

Eles surgem verdes e se tornam pretos em junho e julho, quando amadurecem. Cada fruto pode conter de 2 a 12 sementes, brilhantes e de cor marrom. Uma das características dessa espécie, é a disparidade na produção de sementes de ano para ano.

As saponinas, substâncias que se caracterizam pela formação de espuma encontradas nos frutos e na casca, são aproveitadas para produção de sabões. Estas saponinas dos frutos, também são responsáveis por intoxicações em herbívoros, que ocorrem geralmente durante a escassez de alimentos.

Essa espécie deve ser cultivada sob pleno sol, em solo fértil, preferencialmente úmido e irrigado no primeiro ano de implantação. Multiplica-se por sementes. Elas devem ser semeadas em saquinhos preparados com solo adubado. Após quatro meses em viveiro, sob meia-sombra as mudas já podem ser plantadas no local definitivo.

É uma espécie pioneira, de rápido crescimento inicial e muito rústica, a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), tem produzido muitas mudas de Timbaúva no Viveiro Jardim das Florestas, pois é uma espécie muito indicada para reflorestamento. Sua madeira é leve, macia, pouco resistente e utilizada para a fabricação de canoas, caixotaria em geral, brinquedos, compensados, etc.

Muda de Timbaúva. Foto: Acervo Apremavi.

Timbaúva

Nome científico: Enterolobium contorstisiliquum (Vell.) Morong.
Família: Leguminosae – Mimosoideae.
Utilização: madeira utilizada para fabricação de pequenos barcos e canoas, compensados e caixas.
Coleta de sementes: diretamente da árvore.
Época de coleta de sementes: abril a agosto.
Fruto: preto, seco indeiscente, com forma de orelha ou rim, contendo várias sementes por frutos, possuindo 8 cm de comprimento.
Flor: branca .
Crescimento da muda: rápido.
Plantio: mata ciliar, área aberta, solo degradado.
Observação: as sementes desta espécie necessitam de quebra de dormência em água fervente.

Fontes consultadas

CIT – Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul. Timbaúva. Disponível em: <http://www.cit.rs.gov.br/v2/nova/?p=p_148.

LORENZI, H. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 2. ed. Nova Odessa: Editora Plantarum, 1998. 352p.

PROCHNOW. M. No Jardim das Florestas. Rio do Sul: Apremavi, 2007, 188p.

Autores: Tatiane Arruda e Edinho Pedro Schäffer.

Pacari ou Dedaleiro… um remédio por natureza

Pacari ou Dedaleiro… um remédio por natureza

Guia de Espécies

Conhecida vulgarmente como pacari, dedaleiro, dedal, mangava-brava, amarelinho, candeia-de-caju, copinho e louro-da-serra, a Lafoensia pacari A. St.-Hil. é uma planta de porte arbóreo, pertencente à família Lythraceae. Esta família é representada por cerca de 600 espécies, distribuídas principalmente nos trópicos.

O pacari ou dedaleiro é encontrado nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul chegando até Santa Catarina, nas florestas de altitude e no cerrado.

Sua madeira é ainda muito utilizada para fazer eixos de carros de boi, principalmente em Goiás, e a base da flor é usada como dedal, daí o nome popular, dedaleiro. De sua casca, madeira e sementes podem ser produzidos corantes para tecidos. A madeira é também utilizada na construção civil, na marcenaria, na produção de cabos para ferramentas e como lenha.

Foi da casca dessa árvore que pesquisadores derivaram um extrato alcoólico que se mostrou eficaz no tratamento e prevenção de alguns sintomas da asma em camundongos. O resultado dessa pesquisa foi publicado no ano passado no periódico científico European Journal of Pharmacology (Vol.580; n.1-2, 2008). Isso abriu a perspectiva para o uso dessa planta no tratamento de processos alérgicos em humanos.

Em Goiás e Mato Grosso a casca do caule do Pacari cozida é usada popularmente como cicatrizante. Outra forma de preparo da planta, para cicatrização, é a maceração, com o macerado sendo utilizado para banhar as feridas. O pó obtido da folha seca também é usado durante as refeições, como recomendação para auxiliar nos processos contra gastrite e úlcera.

A árvore ainda apresenta características ornamentais e pode ser utilizada no paisagismo, principalmente na arborização urbana. É recomendada para reflorestamentos mistos destinados à recuperação da vegetação de áreas degradadas.

Observação importante: A Apremavi reitera que o uso desta espécie deve ser feito com indicação médica e não se responsabiliza por orientações deixadas nos comentários.

Galeria de imagens

Pacari ou Dedaleiro

Nome cientifico: Lafoensia pacari A. St.-Hil.
Família: Lythraceae.
Utilização: madeira utilizada na construção civil, fabricação de cabos de ferramentas e tábuas em geral. Espécie utilizada no paisagismo urbano.
Coleta de sementes: diretamente da árvore.
Época de coleta de sementes: março a abril.
Fruto: marrom, seco. Aproximadamente 6 cm.
Flor: amarela.
Crescimento da muda: rápido.
Germinação: rápida.
Plantio: mata ciliar, área aberta, solo degradado.

Autora: Tatiana Arruda Correia.
Colaboração: Miriam Prochnow.

Fontes Consultadas:

CALDAS, C. REVISTA COMCIÊNCIA. Disponível em: http://www.ensinosuperior.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=221&c=31. Data de acesso: 11 fev. 2009.
CARVALHO, M.A.C.; ATHAYDE, M.L.F.; SORATTO, R.P. et al. Adubação verde e sistemas de manejo do solo na produtividade do algodoeiro. Pesquisa Agropecúaria Brasileira, Brasilia, v.39, n.12, p. 1205 -1211, 2004.

LORENZI, H. Árvores brasileiras. Manual de Identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa. Ed. Plantarum. 1992. 352p.

MUNDO, R.S, DUARTE, M.R. Morfoanatomia Foliar e Caulinar de Dedaleiro: Lafoensia pacari A. St.-Hil. (Lythraceae). Disponível em: http://www.latamjpharm.org/trabajos/26/4/LAJOP_26_4_1_6_7R59FL2HOP.pdf  Data de acesso: 07 fev. 2009.

NASCIMENTO, M.V.M. et al.. Avaliação farmacológica do extrato etanólico da casca do caule de Lafoensia Pacari St. Hil (PACARÍ) em modelos de dor e inflamação. Disponível em http://www.sbpcnet.org.br/livro/60ra/resumos/resumos/R4510-1.html. Data de acesso: 09 fev 2009.

PROENÇA, C.; OLIVEIRA, R.S.; SILVA, A. P. Flores e frutos do cerrado. Brasilia: EdUnB, São Paulo: Imprensa oficial, 2000. 226p.

SANTOS, Laércio Wanderley. Estudos ecológicos e agronômicos de lafoensia pacari St. Hil (LYTHRACEAE) na região de Barra do Garças – MT. Disponível em: http://www.ufmt.br/agriculturatropical/dissert/LaercioWanderleySantos.pdf. Data de acesso: 12 fev. 2009.

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