Carta da Mata Atlântica é lançada durante abertura da Casa da Mata Atlântica na COP30 em Belém

Carta da Mata Atlântica é lançada durante abertura da Casa da Mata Atlântica na COP30 em Belém

Carta da Mata Atlântica é lançada durante abertura da Casa da Mata Atlântica na COP30 em Belém

Durante a abertura da Casa da Mata Atlântica, espaço promovido pela Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) na COP30, em Belém (PA), foi lançada oficialmente a Carta da Mata Atlântica, um manifesto de alerta e posicionamento diante da emergência climática e dos retrocessos ambientais que ameaçam um dos biomas mais devastados do país.

Sediada na Universidade da Amazônia (UNAMA), a Casa da Mata Atlântica é um ponto de encontro de organizações, especialistas, gestores públicos e sociedade civil durante a Conferência do Clima da ONU. A programação busca dar visibilidade aos desafios e soluções para a Mata Atlântica em meio à crise climática, promovendo o diálogo entre o público nacional e internacional.

Um apelo pela adaptação e pelo fim dos investimentos perversos

A Carta da Mata Atlântica traz um chamado contundente à Presidência da COP30 e ao governo brasileiro para que os recursos nacionais sejam direcionados à transição para uma economia de baixo carbono e resiliente ao clima. O texto denuncia a contradição entre os compromissos climáticos assumidos pelo país e a continuidade de subsídios bilionários aos combustíveis fósseis, incluindo a geração termelétrica a carvão, inclusive em regiões da própria Mata Atlântica, já severamente afetadas pelas mudanças climáticas.

O documento também critica o repasse de recursos públicos a grandes grupos empresariais com passivos ambientais, citando o caso recente de investimentos do BNDES em empresas do setor de silvicultura. Segundo a Carta: “definitivamente, não há mais espaço para investimentos perversos na Mata Atlântica”.

Retrocesso ambiental e riscos urbanos crescentes

O texto alerta para a crescente desconexão entre o discurso e a prática das políticas territoriais e urbanas. Planos Diretores municipais que priorizam a expansão construtiva em detrimento da segurança ambiental, leis estaduais em conflito com a Constituição e ameaças legislativas no Congresso Nacional são apontados como fatores que agravam a vulnerabilidade das populações e ecossistemas.

Entre os retrocessos já concretizados, o texto destaca a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei das APPs Urbanas, classificando esta última como: “um verdadeiro atentado à lógica de adaptação aos eventos extremos decorrentes da emergência climática.”

Desmatamento Zero já

Com mais de 80% da cobertura original já devastada, a Mata Atlântica não pode, segundo o documento, aguardar mais um ano sequer para alcançar o desmatamento zero. O texto ressalta que as cidades localizadas no bioma dependem diretamente dos remanescentes florestais para reduzir riscos e garantir qualidade de vida.

A Carta conclama o Estado brasileiro a assegurar esse direito constitucional e a fortalecer as garantias de proteção dos 12% de remanescentes ainda bem conservados, combatendo tanto o desmatamento ilegal quanto o chamado “desmatamento legal”.

Um chamado à ação

Encerrando com um tom de urgência, a Carta da Mata Atlântica finaliza:

“Proteger o que restou e investir na restauração dos ecossistemas da Mata Atlântica é condição inadiável. Que a Mata Atlântica mostre ao Brasil e ao mundo que a adaptação precisa ser incorporada como instrumento central de política pública consequente e responsável em todos os níveis. O prazo limite para a transição a um modelo de desenvolvimento justo e responsável expirou, e precisamos reagir.”

> Confira a carta na íntegra

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Luan Matheus Santana / RMA

Uma história que criou raízes e floresceu: Apremavi é tema de documentário da TV alemã

Uma história que criou raízes e floresceu: Apremavi é tema de documentário da TV alemã

Uma história que criou raízes e floresceu: Apremavi é tema de documentário da TV alemã

A história da Apremavi é, antes de tudo, uma história sobre criar e cultivar raízes. Raízes de família, amor por todas as formas de vida e de transformação. O que começou dentro de casa, movido pela necessidade e pela vontade de mudar a realidade, hoje gera impacto para muito além dessas fronteiras. O que antes era trabalho de um núcleo familiar, agora é de uma família de famílias.

Esse legado foi tema de um documentário da Deutsche Welle (DW), emissora internacional alemã que transmite conteúdos por televisão, rádio e plataformas digitais em todo o mundo. A obra aborda a trajetória da Apremavi e de sua família fundadora, destacando o papel essencial deles na conservação e na restauração da Mata Atlântica.

A história da Apremavi começa com Wigold Schäffer, que há mais de 40 anos iniciou um movimento simples e transformador: plantar árvores nativas. Ao lado de Miriam Prochnow, fundou a Apremavi e iniciou uma jornada dedicada à restauração ecológica e ao fortalecimento de comunidades locais. De lá para cá, já são mais de 10 milhões de árvores plantadas, centenas de hectares restaurados e conservados, parcerias de sucesso implantadas nos territórios e muitas paisagens transformadas. 

Hoje, esse legado passa para as mãos da nova geração, entre eles Carolina Schäffer, filha de Wigold e Miriam, hoje vice-presidente da Apremavi, que segue impulsionando a missão da organização. Em um momento crucial em que o Brasil se compromete a restaurar 12 milhões de hectares de florestas, a Apremavi reafirma seu papel como força fundamental nessa agenda, articulando parcerias, mobilizando agricultores e inspirando novas gerações.

O documentário da DW, disponível em alemão, inglês, espanhol e português, apresenta essa jornada como um exemplo de esperança em um mundo em que florestas continuam desaparecendo e a crise climática se intensifica. A narrativa destaca o poder transformador da dedicação, do trabalho em rede e da visão de longo prazo. A experiência da família Schäffer ao longo de quatro décadas comprova que restaurar é possível e necessário. 

Assista ao documentário:

Visita da equipe da Deutsche Welle da Alemanha em Atalanta (SC) para a gravação do documentário. Fotos: Vanessa Fischer e Thamara S. de Almeida

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações da Deutsche Welle
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: © Reprodução/Deutsche Welle

Curso de Corredores Bioculturais fortalece saberes socioambientais rumo à COP30

Curso de Corredores Bioculturais fortalece saberes socioambientais rumo à COP30

Curso de Corredores Bioculturais fortalece saberes socioambientais rumo à COP30

O Curso de Extensão “Corredores Bioculturais e Direitos da Natureza: perspectivas territoriais para uma Ecologia Integral na COP30” reuniu, entre os meses de agosto e outubro, participantes de todo o Brasil para aprofundar a compreensão sobre a importância dos corredores bioculturais, dos biomas brasileiros e dos Direitos da Natureza como fundamentos para uma ecologia integral, orientada pela Justiça Socioambiental.

A formação apresentou ferramentas teóricas e práticas para análise e atuação diante dos desafios socioambientais intensificados pelas mudanças climáticas, contemplando a relação entre território, cultura, biodiversidade e direitos. A iniciativa é fruto da parceria entre o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS), o Observatório Nacional de Justiça Socioambiental (OLMA) e a Laudato Si da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) em parceria com diversas instituições. 

 

Programação

A programação foi organizada a partir dos biomas brasileiros, destacando sua interconexão por meio dos corredores bioculturais. Ao longo dos encontros, foram apresentados conceitos fundamentais sobre Ecologia Integral e Justiça Socioambiental, dialogando com os desafios, potencialidades e especificidades de cada território. 

As discussões contemplaram as relações entre biodiversidade, culturas tradicionais e mudanças climáticas, destacando a importância da conservação, restauração e proteção territorial, bem como estratégias de incidência política rumo à COP30, fortalecendo o protagonismo dos povos e comunidades que vivem e defendem esses biomas.

A aula sobre a Mata Atlântica foi ministrada por Miriam Prochnow, cofundadora e diretora da Apremavi, que trouxe reflexões sobre a legislação que protege o bioma, o papel do Código Florestal, os impactos das mudanças climáticas e os caminhos possíveis para conservação e restauração ecológica: “cuidar da Mata Atlântica e falar da Mata Atlântica é um grande privilégio e uma grande responsabilidade”, destacou Miriam durante a formação.

O curso se estruturou a partir da coleção de cartilhas “Corredores Bioculturais do Brasil”, que apresenta, para cada bioma brasileiro, seus principais desafios, ameaças, boas práticas e perspectivas de fortalecimento socioambiental. Também inclui questões para reflexão e explora a interconexão do bioma com os demais.

Coleção Corredores Bioculturais do Brasil

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Wigold Schäffer

Primeiras Cotas de Reserva Ambiental previstas no Código Florestal são emitidas

Primeiras Cotas de Reserva Ambiental previstas no Código Florestal são emitidas

Primeiras Cotas de Reserva Ambiental previstas no Código Florestal são emitidas

Treze anos após a aprovação do Código Florestal, o  Governo Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), entregou as primeiras Cotas de Reserva Ambiental (CRAs) do país.  

Previsto no Código Florestal, o título representa 1 hectare de vegetação nativa excedente, existente ou em recuperação, e pode ser utilizado para compensar a Reserva Legal (RL) de imóveis rurais e para iniciativas de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

O monitoramento das áreas vinculadas às CRAs será conduzido pelos estados, com suporte técnico do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). A estrutura de integridade inclui imagens de satélite, alertas de mudança da cobertura  do solo e protocolos de mensuração, relato e verificação (MRV), promovendo transparência e segurança no processo.

Primeiras emissões

As primeiras CRAs foram emitidas e entregues no dia 30 de outubro, em duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) localizadas em Nova Friburgo (RJ): a Reserva Ecológica Rio Bonito de Lumiar e Canto da Coruja. As RPPNs são Unidades de Conservação em propriedades privadas, criadas voluntariamente pelos proprietários, que assumem o compromisso permanente de proteger áreas naturais.

A emissão inaugura um processo inovador de criação, registro, negociação e monitoramento desses títulos. Coordenado pelo SFB via Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), o procedimento prevê que, apósa criação, as CRAs possam ser registradas em plataformas financeiras autorizadas, como bolsas de valores ou sistemas reconhecidos pelo Banco Central, viabilizando sua negociação.

Segundo o Painel de Regularização Ambiental do SFB, aproximadamente 25,5 milhões de hectares apresentam potencial para compensação via CRAs. Com um valor estimado de R$ 500,00 por hectare ao ano, o mercado pode movimentar cerca de R$ 12,75 bilhões anualmente.

“Identificamos um potencial ainda mais amplo, não apenas entre os proprietários que buscam se regularizar conforme as exigências do Código Florestal, mas também junto a empresas e interessados em remunerar os serviços ambientais conforme a lei da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais”, afirmou o diretor-geral do SFB, Garo Batmanian.

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Serviço Florestal Brasileiro
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Wigold Schäffer

Ilustrando a restauração: Conservador das Araucárias é retratado em gibi

Ilustrando a restauração: Conservador das Araucárias é retratado em gibi

Ilustrando a restauração: Conservador das Araucárias é retratado em gibi

A publicação coordenada pela Reserva Araponga, parceira da Apremavi, apresenta os principais benefícios da conservação e restauração ecológica e objetivos do Conservador das Araucárias. 

O 11º gibi da série Turma da Reserva Araponga foi lançado na última terça-feira, 28 de outubro, durante a a 5ª Oficina do Corredor Ecológico da Serra Geral. O livreto foi co-organizado pela Reserva Araponga e  Apremavi; e conta com ilustrações inéditas de Ricardo Manhães.

Além de divulgar o Conservador das Araucárias, o gibi também busca incentivar a conexão das pessoas com a natureza, ilustrando a importância de parcerias para a proteção do meio ambiente. “O gibi não será utilizado apenas para atividades de educação ambiental com crianças e jovens, é uma estória que todas as pessoas devem ler, se conectar com a mensagem e, por fim, contribuir com a conservação e restauração”, comenta Miriam Prochnow, diretora da Apremavi e Coordenadora de Relacionamentos do projeto.

 

Gibi Turma da Reserva Araponga com a participação do Conservador das Araucárias
Lançamento integrado à 5ª Oficina do Corredor Ecológico da Serra Geral

O lançamento ocorreu durante a 5ª Oficina do Corredor Ecológico da Serra Geral, na Câmara de Vereadores de Santa Rosa de Lima (SC), e contou com a participação de moradores, gestores, proprietários rurais e instituições. A iniciativa, que busca a implementação do Corredor Ecológico Caminho das Nascentes, reconhecido pelo Decreto Estadual nº 2.367/2022. Entre os objetivos do corredor está a conexão do  Parque Nacional de São Joaquim com o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.

A programação do evento foi dividida em dois momentos. O primeiro abordou modelos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e contou com apresentações sobre o PSA de Santa Catarina, ministrada por Flávia Hila (VES Brasil – Valor Econômico Sustentável); os Créditos Life de Biodiversidade, apresentados por Clóvis Borges (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental/Instituto LIFE); a experiência da C-Pack, que tratou dos créditos de biodiversidade como investimento para o setor privado. Em seguida, Christian Dobereiner, da Reserva Araponga, apresentou a importância e o potencial da biodiversidade e o retorno econômico associado à sua conservação, com o exemplo da Reserva Araponga.

O segundo módulo tratou de alternativas e soluções financeiras relacionadas ao tema. Foram apresentados o Programa de Pagamentos por Serviços Ambientais do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), conduzido por Lisiane Astarita. Por fim, o Conservador das Araucárias foi apresentado por Leandro Casanova e Maíra Ratuchinski (Apremavi).

Leandro Casanova apresentando o Conservador das Araucárias

Leandro Casanova apresentando o Conservador das Araucárias. Foto: Maíra Ratuchinski

​O Conservador das Araucárias

O projeto é fruto de uma parceria entre a Apremavi e a Tetra Pak que tem como meta a restauração de 7 mil hectares de Mata Atlântica, com foco na Floresta com Araucárias. Visa a restauração florestal com espécies nativas, atrelada à captura de carbono para mitigação das mudanças climáticas. Além disso, promove a adequação de propriedades rurais à legislação ambiental, a conservação de mananciais hídricos, do solo e da biodiversidade, bem como a melhoria da qualidade de vida da população. 

> Conheça o projeto

Autora: Thamara Santos de Almeida
Colaboração: Maíra Ratuchinski
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

MapBiomas lança monitor de áreas em recuperação da vegetação nativa

MapBiomas lança monitor de áreas em recuperação da vegetação nativa

MapBiomas lança monitor de áreas em recuperação da vegetação nativa

MapBiomas lança plataforma inédita para monitorar áreas com compromisso ou obrigação de recuperação da vegetação nativa

O MapBiomas acaba de lançar uma nova ferramenta pública para monitorar a recuperação ambiental no Brasil. O Monitor da Recuperação permite acompanhar a dinâmica da cobertura vegetal em áreas com compromisso ou obrigação de recompor a vegetação nativa, incluindo tanto áreas embargadas por desmatamento quanto iniciativas voluntárias de restauração.

A primeira versão da plataforma, lançada no dia 23 de outubro, reúne informações de três fontes principais: embargos estaduais e federais motivados por intervenção na cobertura vegetal; dados públicos do Observatório da Restauração (OR); e registros do Sistema Informatizado de Apoio à Restauração Ecológica (SARE), com projetos de restauração ecológica no estado de São Paulo. Os embargos federais e estaduais foram obtidos junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e às Secretarias Estaduais de Meio Ambiente (SEMA) dos estados do Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Pará e Piauí.

No total, a plataforma contabiliza 6,9 milhões de hectares de áreas com compromisso ou obrigação de recuperação, entre 2000 e 2025. A maior parte dessas áreas é proveniente de embargos federais e estaduais; apenas o IBAMA responde por 64,8% do total cadastrado, que equivale a 4,5 milhões de hectares.

“Existem milhões de hectares de áreas com obrigação ou compromisso de serem restauradas com vegetação nativa. Entender se essas obrigações estão sendo cumpridas é fundamental para acelerar o processo de restauração dos biomas brasileiros. Essa é a proposta do Monitor da Recuperação”, explica Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.

> Assista ao evento de lançamento do Monitor

 

Panorama dos biomas e distribuição geográfica

De acordo com o levantamento, 80% das áreas com compromisso ou obrigação de recuperação estão localizadas no bioma Amazônia, seguido pelo Cerrado, com 12,1%. O ano de 2023 registrou a maior área total de compromissos de recuperação, enquanto 2024 concentrou o maior número de polígonos cadastrados, sobretudo no Cerrado.

Mais da metade das áreas mapeadas está em apenas dois estados: Pará (37,8%) e Mato Grosso (20%), seguidos pelo Amazonas (16,5%).

 

Categorias de avaliação e estatísticas gerais 

O Monitor da Recuperação avalia o andamento da restauração com base na diferença nos índices de vegetação, na transição de cobertura e uso da terra e na classe atual de cobertura vegetal.

Com base nesses critérios, cada área é classificada em uma das seguintes categorias:

  • Muito compatível: a área mostra forte evidência de recuperação da vegetação;

  • Compatível: há sinais consistentes de regeneração, ainda que em ritmo moderado;

  • Inconclusivo: ainda não é possível afirmar se a área está recuperando, seja por falta de dados ou por se tratar de um compromisso recente;

  • Não compatível: a área apresenta pouca ou nenhuma evidência de recuperação.

Essas categorias não têm caráter fiscalizatório, mas servem para oferecer uma visão integrada e transparente do estágio atual das áreas com compromisso ou obrigação de recuperação. De acordo com os dados da plataforma, o Monitor já acompanha 6,9 milhões de hectares em todo o país, distribuídos da seguinte forma:

  • 19.589 hectares: muito compatíveis com o padrão de recuperação;

  • 1.695.856 hectares: compatíveis;

  • 4.533.213 hectares: inconclusivos;

  • 628.653 hectares: não compatíveis.

Os números ajudam a compreender onde a recuperação da vegetação está avançando, onde ainda há incertezas e quais regiões precisam de maior atenção para que o processo de restauração ecológica aconteça de forma efetiva.

> Conheça a Plataforma

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: © Reprodução/MapBiomas

Apremavi integra a Central da COP, iniciativa do Observatório do Clima

Apremavi integra a Central da COP, iniciativa do Observatório do Clima

Apremavi integra a Central da COP, iniciativa do Observatório do Clima

Lançada em 2024, a Central da COP é uma plataforma digital e educativa que explica o que está em jogo nas conferências do clima – as chamadas COPs – usando metáforas, estética e linguagem inspiradas no universo esportivo.

No Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas da Apremavi está uma das Estações da Central da COP, iniciativa do Observatório do Clima (OC). Em um país onde o futebol é paixão nacional, a iniciativa é uma forma criativa de aproximar os brasileiros do tema das mudanças climáticas. Com frases como “o Brasil precisa cortar emissões para não cair para a segundona” e seções intituladas “placar climático”, “escalação dos países” e “camisa 10 do meio ambiente”, o projeto busca tornar o debate climático mais compreensível, atrativo e popular. A ideia é simples, mas poderosa: usar o futebol – símbolo da cultura e da identidade brasileira – para falar sobre ciência, política e futuro do planeta.

Estação Apremavi da Central da COP

A Estação Apremavi tem como objetivo disponibilizar materiais informativos sobre a emergência climática no Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, que recebe centenas de visitantes todos os meses, e mostrar o que cada pessoa pode fazer para contribuir com ações de combate, mitigação e adaptação aos seus efeitos.

Com a disponibilização desses materiais, a Apremavi ajuda a democratizar o acesso à informação e a envolver mais pessoas na luta global contra a crise do clima. Além disso, conhecer de perto a produção de mudas nativas e as áreas demonstrativas de restauração permite compreender uma das soluções mais efetivas para mitigar a crise climática: o plantio de árvores e a restauração ecológica.

O kit Central da COP já está sendo utilizado na sede da Apremavi. Cenas e fotos: Miriam Prochnow.

Brasil se prepara para a COP30

A Central da COP surge em um momento crucial, quando o Brasil se prepara para sediar, pela primeira vez, uma Conferência das Partes (COP). A COP30, que reunirá delegações de quase 200 países em Belém (PA), promete ser um marco nas discussões sobre descarbonização, florestas e transição justa.

A Apremavi estará presente na COP30 por meio da participação de sua cofundadora, Miriam Prochnow, que integrará a Delegação Nacional e já tem agenda confirmada em diversos eventos, entre eles os painéis da Casa da Mata Atlântica, organizados pela Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), nas dependências da Universidade da Amazônia (UNAMA).

 

Plataforma Eunice: educação climática acessível

O Observatório do Clima também mantém o site Eunice, uma plataforma educativa ilustrada sobre mudanças climáticas. Batizada em homenagem à cientista Eunice Foote (1819–1888) — pioneira na descoberta da capacidade de certos gases de reter radiação infravermelha —, a plataforma apresenta 14 capítulos distribuídos em cinco blocos temáticos: Passado, Presente, Política, Economia e Futuro.

Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima

A Apremavi também integra a Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima, que faz parte do Capítulo Brasileiro da Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima. Lançada em 19 de novembro de 2024, durante a Cúpula do G20, essa iniciativa é uma colaboração entre o Brasil, a ONU e a UNESCO, reunindo mais de cem organizações da sociedade civil, universidades e grupos de pesquisa do país. Desde o início de 2025, a Rede tem se dedicado a estudar, propor e implementar soluções que garantam a qualidade, confiabilidade e integridade das informações sobre a crise climática.

Autora: Miriam Prochnow
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Miriam Prochnow

Expedição Pampa identifica ações para a conservação e valorização do bioma

Expedição Pampa identifica ações para a conservação e valorização do bioma

Expedição Pampa identifica ações para a conservação e valorização do bioma

Entre os dias 06 e 13 de outubro, o Observatório do Código Florestal (OCF) percorreu cerca de 1.800 quilômetros pelo Pampa em uma jornada de escuta e troca de saberes sobre a implementação da Lei de Proteção da Vegetação Nativa no bioma. 

A Expedição Pampa teve como propósito dialogar com produtores rurais, comunidades tradicionais, pesquisadores, organizações sociais e órgãos públicos para compreender os desafios e oportunidades da aplicação do Código Florestal (Lei Federal nº 12.651/2012) no bioma e buscar caminhos para fortalecer a conservação e a produção sustentável.

A ação integra um movimento nacional do OCF, que tem visitado diferentes biomas brasileiros para levantar percepções locais sobre o cumprimento da lei, fomentar a troca de experiências e contribuir com conhecimento técnico que auxilie na sua regionalização. A Apremavi acompanhou a expedição, compartilhando aprendizados das iniciativas de conservação e restauração da vegetação nativa desenvolvidas na Mata Atlântica e  ações para a valorização dos modos de vida locais que sustentam os territórios.

Um roteiro de aprendizados e conexões

Ao longo de oito dias e dez paradas, a expedição percorreu municípios emblemáticos do Pampa, reunindo representantes de diversas áreas. O primeiro encontro, realizado no Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, reuniu os pesquisadores Valério Pillar, Gerhard Overbeck e Carlos Nabinger; e também a promotora de justiça Annelise Steigleder. As discussões destacaram a necessidade de maior visibilidade para a proteção e valorização das particularidades do bioma, que segue ameaçado pela conversão de áreas naturais, especialmente pelo avanço de culturas agrícolas extensivas, como  soja e silvicultura.

“Talvez uma possibilidade é que o Pampa tivesse mais Áreas de Preservação Ambiental (APAs), que permitissem conciliar a presença do gado com a conservação do território. Hoje, não temos uma legislação que realmente proteja o Pampa e sua paisagem cultural”, comenta Annelise Steigleder, promotora de justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

Segundo os pesquisadores, a Lei de Proteção da Vegetação Nativa não reflete bem as especificidades do Pampa, onde as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs) são pequenas e não representam o ecossistema campestre. Foi apontado que muitas áreas são convertidas antes da obtenção das licenças adequadas, e que há uma defasagem significativa entre os dados declarados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a realidade mapeada por sistemas de monitoramento, como o MapBiomas.

“A partir do que foi declarado no CAR e o que consta de vegetação nativa, a conta não fecha. Foram declarados cerca de 4 milhões de hectares de áreas nativas no CAR, mas o MapBiomas mostra 8 milhões. Há um déficit evidente. Muitas pessoas foram orientadas a declarar campos com gado como áreas de uso antrópico, e por isso esses campos não aparecem como vegetação natural”, relata Valério Pillar, pesquisador do departamento de Ecologia da UFRGS.

Na sequência, a expedição passou por Tapes, visitando a Rota dos Butiazais e conhecendo a Fazenda Três Irmãos, que alia turismo rural e conservação de butiás, espécie símbolo da sociobiodiversidade do Pampa. Em São Lourenço do Sul, o grupo foi recebido pelo Kilombo Boqueirão, exemplo de resistência cultural e preservação dos saberes ancestrais. Em Pelotas, a visita à Charqueada São João resgatou a história do ciclo do charque, que moldou a economia e a cultura da região.

A jornada seguiu para Candiota, onde a equipe conheceu a Rede de Produção de Sementes Agroecológicas Bionatur, empresa de produção de sementes orgânicas mantida por grupos de assentados da Reforma Agrária.  O encontro ressaltou a importância de políticas que considerem as especificidades locais para fortalecer a agricultura sustentável frente à expansão das monoculturas. Em Bagé, na propriedade das irmãs Collares, a expedição observou na prática como o manejo pastoril adequado pode conservar biodiversidade e cultura, reafirmando o papel da pecuária familiar como aliada da sustentabilidade. A comunidade e proprietários juntamente com outros municípios buscam impedir atividades de  mineração, pretendidas na região. 

Nos últimos dias, entre Dom Pedrito e Caçapava do Sul, a equipe visitou vinhedos e olivais que demonstram como a produção de uvas e oliveiras pode coexistir com a conservação das paisagens naturais. Experiências em propriedades como Guatambu, Palomas e Olivopampa mostraram práticas que reduzem o uso de agrotóxicos, recuperam o solo e preservam a vegetação nativa. 

A Estância Guatambu retrata uma grande propriedade que, além da agricultura e pecuária, possui também o plantio de uvas. O diferencial está nas práticas sustentáveis adotadas pelo produtor, que utiliza produtos biológicos no cultivo de  soja, no arroz e nas pastagens. A propriedade conta com uma biofábrica que produz insumos a partir de bactérias e abriga uma das maiores vinícolas da região. 

O roteiro encerrou-se em locais emblemáticos, como o Parque Natural Municipal da Pedra do Segredo e as Guaritas do Geoparque Caçapava, destacando o potencial do turismo de natureza e da economia de base local.

Equipe da Expedição Pampa e membros do Kilombo Bokeirão em São Lourenço

Expedição Pampa realizada pelo Observatório do Código Florestal entre os dias 06 e 13 de outubro. Fotos: Thamara Santos de Almeida, Leandro Casanova e Manoela Meyer.

Documento técnico e recomendações

Ao final da expedição, o Observatório do Código Florestal entregou um documento técnico com recomendações e propostas de políticas públicas para a conservação e valorização do Pampa. O material foi apresentado na Assembleia Legislativa e à Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA), em reuniões com o deputado estadual Miguel Rossetto e a secretária Marjorie Kauffmann.

O levantamento destaca a vocação produtiva do bioma, com potencial para a produção de carne de alta qualidade, vinho, azeite e lã, e aponta desafios como a perda acelerada da vegetação nativa, a baixa cobertura por Unidades de Conservação (apenas 3%), e a lentidão na análise dos Cadastros Ambientais Rurais (CAR), dos quais menos de 1% foram avaliados no estado.

Entre as propostas apresentadas, estão:

  • Avançar na implementação do Programa de Regularização Ambiental (PRA);
  • Reconhecer os pecuaristas familiares como comunidades tradicionais;
  • Criar uma política estadual de pagamento por serviços ambientais;
  • Fortalecer o Zoneamento Ecológico-Econômico com base científica e participação social;
  • Fomentar o mercado de restauração da vegetação campestre e o turismo sustentável;
  • Estabelecer territórios livres de mineração e áreas livres de pulverização de agrotóxicos.
Por um Pampa vivo e sustentável

O documento reforça que, se o Rio Grande do Sul pretende que o Pampa seja protagonista na construção de um futuro mais justo, resiliente e sustentável, é essencial fortalecer a governança ambiental participativa, reconhecer os direitos das comunidades locais e promover uma economia de baixo carbono.

“O Pampa tem papel estratégico para o desenvolvimento inclusivo e rentável do Rio Grande do Sul. Queremos fortalecer o diálogo para que as políticas públicas considerem as realidades e potencialidades do território”, afirmou Marcelo Elvira, secretário executivo do Observatório do Código Florestal.

A Expedição Pampa foi um convite à escuta, à valorização dos saberes locais e à construção conjunta de soluções para a proteção do bioma; conservando sua biodiversidade, cultura e a identidade de quem integra essa  paisagem.

> Saiba mais

 

Sobre o Observatório do Código Florestal

É uma rede de 48 organizações da sociedade civil criada em 2013 com o objetivo de monitorar a implementação bem-sucedida da Lei de proteção da vegetação nativa (Lei Federal nº 12.651/2012). Tem como propósito fortalecer o papel da sociedade civil na defesa da vegetação nativa brasileira e articular com os mais diversos atores pela proteção da vegetação nativa, produção sustentável e recuperação de ambientes naturais.

> Conheça 

Autora: Thamara Santos de Almeida e Leandro Casanova com informações do Observatório do Código Florestal
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto (Apremavi), Willian Oliveira e Carolina Duccini (Observatório do Código Florestal)
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto

Papagaio-de-peito-roxo: o embaixador da conservação na Floresta de Araucárias

Papagaio-de-peito-roxo: o embaixador da conservação na Floresta de Araucárias

Papagaio-de-peito-roxo: o embaixador da conservação na Floresta de Araucárias

O papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) é uma das aves mais emblemáticas e ameaçadas do Brasil, e pode ser observado como um símbolo de resistência da biodiversidade na Mata Atlântica.Ocorre principalmente no Sul e Sudeste do Brasil, com pequenas populações remanescentes no Paraguai e na Argentina. Sua história é marcada por cores vibrantes, revoadas sonoras e pelos desafios à sobrevivência em meio à perda de habitat e ao tráfico ilegal.

Uma espécie dependente das Florestas com Araucárias

O papagaio-de-peito-roxo tem forte ligação com a Floresta Ombrófila Mista, também conhecida como Floresta com Araucárias. Com cerca de 30 cm de comprimento, plumagem verde e peito arroxeado – que explica o nome popular – a espécie se alimenta de frutos e sementes, especialmente do pinhão, semente da araucária, que abre com o bico robusto e curvado.

Ao se alimentar dos pinhões e de frutos de espécies como a juçara (Euterpe edulis) e a canela-preta (Ocotea puberula), o papagaio atua como dispersor de sementes, contribuindo com a restauração das florestas. Os pinhões bicados por esses papagaios germinam com mais sucesso, reforçando o papel ecológico da espécie.

O período reprodutivo ocorre entre setembro e janeiro, quando as fêmeas escolhem cavidades naturais em árvores de grande porte para depositar entre  dois e quatro ovos. A perda dessas árvores, essenciais para a reprodução, é hoje uma das principais ameaças à espécie, junto ao desmatamento e ao tráfico de filhotes.

Pesquisas recentes estimam que existam menos de 9 mil papagaios-de-peito-roxo em vida livre, distribuídos de forma descontínua pelos fragmentos da  Mata Atlântica. Contagens realizadas entre 2016 e 2017, utilizando modelos estatísticos que corrigem falhas de detecção, apontaram uma população global de cerca de 8.000 indivíduos, sem sinais de crescimento ou declínio expressivo.

Extinção local e reintrodução no Parque Nacional das Araucárias

No Parque Nacional das Araucárias, entre Passos Maia e Ponte Serrada (SC), o papagaio-de-peito-roxo chegou a desaparecer na década de 1980. O desmatamento e a captura ilegal levaram à extinção local de uma espécie que, historicamente, coloria os céus do Oeste Catarinense.

Desde 2010 um projeto de reintrodução pioneiro, liderado pelo Instituto Fauna Brasil, está contribuindo para reverter essa história. A iniciativa teve início com a determinação da pesquisadora Vanessa Kanaan, que começou o trabalho ainda durante o doutorado, ao perceber que muitos papagaios resgatados do tráfico não tinham destino após a reabilitação durante um estágio no Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas): “o que começou como uma tentativa acabou crescendo. Conseguimos reverter uma extinção local e contribuir para a conservação da espécie. Quando vimos os papagaios voando e vocalizando, entendendo a vida em liberdade, aquilo nos tocou profundamente”, relatou Vanessa em entrevista à Apremavi.

O processo envolve reabilitação, treinamento comportamental, adaptação em viveiro de soltura e monitoramento por meio de dispositivos eletrônicos e observações de campo, muitas delas com o apoio de cidadãos cientistas.

Desde o início do projeto, cerca de 250 indivíduos já retornaram à natureza. Paralelamente, o Instituto desenvolve ações de educação ambiental, promove o evento “Vem Passarinhar” para observação de aves e já executou o projeto Amigos do Roxinho, que gera renda e fortalece o vínculo entre a comunidade e o parque. “Antes, era comum ver papagaios em gaiolas. Hoje, isso praticamente não acontece mais em Passos Maia. O papagaio-de-peito-roxo virou um símbolo do parque e um embaixador da conservação”, comenta Vanessa.

Monitoramento científico e cooperação internacional

No Paraná, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) desenvolve desde 2018 um programa de monitoramento e conservação da espécie. O projeto envolve a anilhagem de filhotes, o acompanhamento de ninhos naturais e artificiais e a coleta de dados populacionais nas regiões de Campina Grande do Sul e Bocaiúva do Sul (PR).

Um mini documentário, lançado pela SPVS e disponível gratuitamente no YouTube, mostra o cotidiano do trabalho de campo e reforça a importância da conservação da espécie.

O papagaio-de-peito-roxo está hoje classificado como “Em Perigo” na Lista Vermelha da IUCN e “Vulnerável” na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. A espécie se tornou um símbolo de esperança e restauração da Mata Atlântica e sua biodiversidade. Sua presença na Floresta com Araucárias mostra que, com ciência, dedicação e envolvimento comunitário, é possível reverter histórias de perda.

Monitoramento papagaio-de-peito-roxo_no Parque Nacional das Araucárias

Ações de reintrodução e monitoramento do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) realizadas pelo Instituto Fauna Brasil. Fotos: Vanessa Kanaan/Instituto Fauna Brasil.

Papagaio-de-peito-roxo

Nome científico: Amazona vinacea.

Família: Psittacidae.

Habitat: Matas secas, pinheirais e orlas de capões. Espécie considerada endêmica da Mata Atlântica.

Dieta: frugívoro.

Hábito de vida: vive em bandos que podem variar em tamanho.

Distribuição: Sudeste e Sul do Brasil, oeste do Paraguai e nordeste argentino.

Ameaças: tráfico ilegal e degradação ou fragmentação do habitat.

Status de conservação: ‘Em Perigo’ pela União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) e ‘Vulnerável’, segundo o  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

 

Referências consultadas:

BirdLife International (2017). Amazona vinacea. The IUCN Red List of Threatened Species 2017: e.T22686374A118954406. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T22686374A118954406.en. Accessed on 21 October 2025.

Kilpp, J. C., Prestes, N. P., Pizzol, G. E. D., & Martinez, J. (2015). Dieta alimentar de Amazona vinacea no sul e sudeste de Santa Catarina, Brasil. Atualidades ornitológicas, 183(6).

Silveira, L.F.; Lima, D.M.; Dias, F.F.; Ubaid, F.K.; Bencke, G.A.; Repenning, M.; Somenzari, M.; Cerqueira, P.V.; Dias, R.A.; Alquezar, R.D.; Costa, T.V.V. 2022. Amazona vinacea (Kuhl, 1820). Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. Disponível em: https://salve.icmbio.gov.br DOI: 10.37002/salve.ficha.24277 – Acesso em: 21 de out. de 2025.

Zulian, V., Müller, E. S., Cockle, K. L., Lesterhuis, A., Júnior, R. T., Prestes, N. P., … & Ferraz, G. (2020). Addressing multiple sources of uncertainty in the estimation of global parrot abundance from roost counts: A case study with the Vinaceous-breasted Parrot (Amazona vinacea). Biological Conservation, 248, 108672.

WikiAves (2021). A Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em: http://www.wikiaves.com.br.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Vanessa Kanaan/Instituto Fauna Brasil

Parque Nacional das Araucárias completa 20 anos de existência

Parque Nacional das Araucárias completa 20 anos de existência

Parque Nacional das Araucárias completa 20 anos de existência

Há 20 anos, em 19 de outubro de 2005, foi criado o Parque Nacional das Araucárias (PARNA das Araucárias). Criado por decreto federal, o Parque abrange 12.841 hectares distribuídos entre os municípios de Ponte Serrada e Passos Maia, no Oeste Catarinense, e conserva um dos últimos grandes remanescentes de Floresta Ombrófila Mista do estado.

Sua criação foi resultado de um amplo trabalho coletivo que envolveu o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o governo estadual, prefeituras, universidades e organizações da sociedade civil, entre elas a Apremavi. O objetivo foi garantir a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade da região, ameaçada pela fragmentação e pela ação humana.

 

Um refúgio de biodiversidade

Logo nos primeiros anos, o PARNA das Araucárias se revelou muito importante para a biodiversidade. Levantamentos realizados em 2008 pela Apremavi registraram 26 espécies de anfíbios, 204 espécies de aves e 27 espécies de mamíferos de médio e grande porte, incluindo espécies ameaçadas de extinção, entre elas o puma (Puma concolor), o gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus) e o veado-poca (Mazama nana).

Espécies emblemáticas, como o pica-pau-de-cara-canela (Dryocopus galeatus) e o macuco (Tinamus solitarius), também encontram abrigo nos limites do parque, que também abriga as nascentes dos rios que formam a bacia do rio Chapecó.

> Conheça a cartilha sobre a UC

O papel da Apremavi na criação e consolidação

Após a criação do Parque, a Apremavi liderou uma série de projetos voltados à estruturação da UC e ao engajamento comunitário. “Após o processo de criação, em 2005, a Apremavi teve projetos aprovados e iniciamos um trabalho de envolvimento da comunidade. Trabalhamos com a formação dos conselhos consultivos e envolvemos diversos setores da sociedade, para que as pessoas tivessem acesso às Unidades de Conservação e também desmistificar um pouco o processo de sua criação”, relata Edilaine Dick, coordenadora de projetos da Apremavi.

Esses conselhos se tornaram espaços fundamentais de participação social e orientação da gestão das UCs. A Apremavi também foi responsável pela elaboração do Plano de Manejo, entre 2007 e 2010. “No Plano de Manejo realizamos o levantamento de fauna e flora e identificamos potenciais turísticos, o que culminou na elaboração de um documento que, até hoje, serve como guia para orientar as atividades do ICMBio”, complementa Edilaine.

Além disso, a Apremavi conduziu projetos de restauração ecológica em áreas da zona de amortecimento, envolvendo agricultores locais na recuperação de áreas alteradas e melhoria da qualidade ambiental das propriedades.

Cachoeira do Parque Nacional das Araucárias

Registros da paisagem do Parque Nacional das Araucárias e ações realizadas pela Apremavi desde 2005. Fotos: Arquivo Apremavi e Thamara Santos de Almeida

Papagaio-de-peito-roxo: o embaixador do Parque

Uma das ações mais importantes ao longo desses 20 anos é a reintrodução do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), espécie endêmica da Mata Atlântica que havia sido extinta localmente. O trabalho representa um caso de sucesso de conservação da biodiversidade  no Sul do Brasil, conforme nos conta a pesquisadora líder do trabalho: “o que começou apenas como uma tentativa acabou crescendo. Conseguimos reverter uma extinção local e contribuir para a implementação da Unidade de Conservação e para a conservação da espécie”, relata Vanessa Kanaan, fundadora do Instituto Fauna Brasil.

“Antes, era comum ver papagaios em gaiolas. Hoje, isso praticamente não acontece mais em Passos Maia. A população passou a ver o papagaio-de-peito-roxo como um símbolo do Parque.” Com 15 anos de existência, o projeto já realizou mais de uma dezena de solturas e desenvolve tecnologias inovadoras, como monitoramento por bioacústica e drones termais, além de ações de educação ambiental e ciência cidadã com escolas e moradores locais.

“O papagaio-de-peito-roxo se tornou um embaixador da conservação. A comunidade o adotou como símbolo, e, a partir dele, as pessoas começaram a reparar em outras espécies e aspectos da natureza ao redor”, reforça Vanessa.

Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) espécie ameaçada e reintroduzida no Parque Nacional das Araucárias

Ações de soltura e monitoramento do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) no Parque Nacional das Araucárias pelo Instituto Fauna Brasil. Créditos: Vanessa Kanaan (Instituto Fauna Brasil) e Gabriel Brutti.

O olhar dos pesquisadores e moradores locais

Moradora local de Ponte Serrada, a bióloga Alini Guinzelli Bortolaz se envolveu com o PARNA das Araucárias  em 2017, como voluntária do Instituto Fauna Brasil, e hoje atua como analista ambiental e guia de observação de aves.

“Com a criação do Parque, muitas aves ameaçadas tiveram uma nova chance de reprodução e alimentação. A importância é enorme para a conservação de espécies que não ocorrem em outro lugar. É também um espaço privilegiado para a observação de aves e turismo de natureza”, afirma Alini. Ela também apoia a pesquisa de monitoramento de outros grupos da fauna no parque, como os mamíferos.

 

Alini Bortolaz, analista ambiental da UC, apoiando o monitoramento de mamíferos no Parque Nacional das Araucárias

Alini Bortolaz, analista ambiental da UC, apoiando o monitoramento de mamíferos no PARNA das Araucárias. Foto: Thamara Santos de Almeida.

Gestão e importância da UC

Segundo Fábio de Almeida Abreu, gestor do PARNA das Araucárias, o Parque é hoje um modelo de integração entre a conservação e a comunidade local. “O Parque representa o maior fragmento de Floresta com Araucárias do oeste de Santa Catarina. Sua criação tem como objetivo proteger esse ecossistema e sua rica fauna e flora. Abriga espécies que dependem desse território para sobreviver, como o puma, o veado e o papagaio-de-peito-roxo”, comenta Fábio.

A gestão é feita pelo Núcleo de Gestão Integrada (NGI Palmas) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra outras duas Unidades de Conservação. A equipe é composta majoritariamente por profissionais da própria região, fortalecendo o vínculo comunitário. “Recentemente ampliamos nossa equipe, o que possibilitou uma presença constante no Parque e o avanço no processo de aquisição de novas áreas. Temos recebido um número crescente de estudantes e visitantes, e evoluímos significativamente na educação ambiental, na comunicação e nas parcerias com prefeituras, ONGs e instituições de pesquisa nesses 20 anos”, explica Fábio.

Ele ainda relata que essas duas décadas de existência demonstram que os objetivos do PARNA estão sendo cumpridos: “os objetivos definidos pela legislação estão sendo cumpridos: proteção territorial, conservação da biodiversidade, promoção da educação ambiental e manutenção dos serviços ecossistêmicos.”

> Saiba mais sobre o Parque

 

Equipe Apremavi, analistas ambientais e gestores do Parque Nacional das Araucárias

Equipe Apremavi, analistas ambientais e gestores do Parque Nacional das Araucárias em julho de 2025. Foto: Thamara Santos de Almeida.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

Festival das Abelhas incentiva a conservação das abelhas nativas e do meio ambiente

Festival das Abelhas incentiva a conservação das abelhas nativas e do meio ambiente

Festival das Abelhas incentiva a conservação das abelhas nativas e do meio ambiente

Nos dias 03 e 04 de outubro de 2025, a Apremavi esteve presente no 1º Festival das Abelhas, realizado em Santa Rosa de Lima (SC), cidade reconhecida como a Capital Nacional da Meliponicultura. 

O evento reuniu técnicos, produtores, estudantes, pesquisadores, representantes de instituições públicas e privadas, além de visitantes interessados em conhecer e valorizar o universo das abelhas. Os diálogos promovidos buscaram  valorizar e fortalecer a apicultura e a meliponicultura, promover a troca de conhecimentos entre produtores e pesquisadores, incentivar a conservação das abelhas nativas e do meio ambiente, e fortalecer o turismo e a economia local por meio da divulgação de produtos e práticas sustentáveis.

A programação envolveu oficinas, palestras, exposições, atividades gastronômicas e ações de turismo, destacando o papel das abelhas na polinização, na conservação da biodiversidade e na geração de renda. O evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Santa Rosa de Lima,Associação dos Meliponicultores das Encostas da Serra Geral (AMESG), Cresol, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Santa Catarina (SENAR), Sindicato Rural de Rio Fortuna e Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); uma articulação que reforça a importância das parcerias entre instituições públicas e privadas para promover debates para a sustentabilidade.

Assinatura de contrato do Conservador das Araucárias no Festival das Abelhas em Santa Rosa de Lima Outubro de 2025

Atividades do Festival das Abelhas e assinatura dos contratos do Conservador das Araucárias. Fotos: William Matheus Dias Melo da Fonseca e Wigold Schäffer.

Assinatura de contratos do Conservador das Araucárias

Durante o festival, foi realizada a assinatura de oito contratos de parceria rural para formar a participação no Conservador das Araucárias, projeto desenvolvido pela Apremavi em parceria com a Tetra Pak,  para restaurar e conservar a Mata Atlântica, com ênfase na captura de carbono, preservação das florestas com araucárias e proteção da biodiversidade e dos recursos naturais, promovendo também benefícios econômicos e sociais para as famílias envolvidas.

A Apremavi também participou do evento com um espaço educativo, apresentando materiais informativos, cartilhas e mudas de espécies nativas melíferas para comercialização. A ação teve como propósito fortalecer a educação ambiental e conscientizar o público sobre a importância das abelhas para a conservação.

Os proprietários agora participantes do Conservador das Araucárias presentes no evento relatam a emoção em estabelecer a parceria para participar do projeto. “Esse projeto significa muito para nós, pois estamos há anos [atuando] na agroecologia, preservando e cuidando. Então esse projeto chegou como uma recompensa de quem está protegendo os bens que são comuns a todos, como a água e o meio ambiente”, relata Valnério Assing, parceiro do projeto em Santa Rosa de Lima.

“Participar do projeto Conservador das Araucárias é muito gratificante. Um trabalho de conservação que já fazíamos agora pode ser retribuído através da restauração e conservação da nossa propriedade, e isso traz uma alegria enorme”, comenta Jackson Baumann, Secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Santa Rosa de Lima.

Christian Erhard Döbereiner, fundador da Reserva Araponga, uma das propriedades que já faziam parte do projeto, fala sobre a importância da parceria: “esse projeto é pioneiro e um marco e vem  trazer exemplo e estímulo aos proprietários que queiram seguir na mesma direção. Um projeto do futuro, à frente do seu tempo; é grande satisfação fazer parte desse trabalho do Conservador das Araucárias.”

 

Autores: Maíra Ratuchinski e William Fonseca
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: William Matheus Dias Melo da Fonseca

SER2025: conferência reuniu atores mundiais em prol da restauração ecológica

SER2025: conferência reuniu atores mundiais em prol da restauração ecológica

SER2025: conferência reuniu atores mundiais em prol da restauração ecológica

A Conferência reuniu mais de 1.400 pessoas e buscou transformar compromissos globais de restauração em estratégias de ação. 

A 11ª Conferência Mundial de Restauração Ecológica (SER2025), ocorreu entre os dias 30 de setembro e 4 de outubro de 2025 em Denver (EUA) promovida pela Society for Ecological Restoration  – SER (Sociedade Internacional de Restauração Ecológica)

O evento reuniu especialistas, pesquisadores, organizações e formuladores de políticas de todo o mundo, destacando as conferências da SER como um dos principais espaços de diálogo e aprendizado sobre restauração ecológica na escala global.

Durante o evento foi lançada a iniciativa REVIVE, uma estratégia global de seis pontos que busca ampliar a capacidade de restauração em escala, fornecendo conhecimento, recursos e ferramentas para profissionais, organizações, investidores e formuladores de políticas.

A SER2025 encerrou suas atividades com uma chamada global à ação para que governos, sociedade civil e setor privado mobilizem a restauração ecológica como caminho para a mudança sistêmica.  Além disso, foi destacado que a restauração é uma das soluções mais eficazes e custo-eficientes para enfrentar as crises interligadas de mudanças climáticas, perda de biodiversidade e degradação da terra

A meta global de restaurar 30% das terras e águas degradadas até 2030 foi reafirmada como inspiradora, mas a organização ressaltou a necessidade de transformar o movimento em uma “revolução da restauração”.

Participação da Apremavi

A Apremavi marcou presença na conferência de forma remota, apresentando dois resumos em formato de vídeo que destacaram experiências na restauração da Mata Atlântica.

O primeiro vídeo apresentou o Projeto Conservador das Araucárias, que tem como objetivo restaurar 7.000 hectares de Mata Atlântica por meio de uma colaboração multissetorial. A iniciativa integra técnicas de restauração ecológica, sequestro de carbono e estruturas de governança que fortalecem a biodiversidade, a segurança hídrica e o uso sustentável do solo, um modelo escalável e inspirador para ações globais de restauração e mitigação das mudanças climáticas.

 

O segundo pôster destacou o Portal Ambiental, uma plataforma que agrega diferentes  tecnologias de monitoramento para acompanhar e avaliar a restauração da Mata Atlântica. Com mais de 1.229 propriedades cadastradas, o Portal promove transparência, engaja partes interessadas e amplia a qualidade e a efetividade dos esforços de restauração, servindo de referência para a ampliação dessas iniciativas em nível global.

Aprendizados para a Mata Atlântica

Amanda Fernandes, analista de projetos do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, foi uma das representantes do Brasil no evento. Para ela,  os debates da conferência trouxeram reflexões sobre a restauração ecológica no contexto brasileiro: “o evento contribuiu de diferentes formas, principalmente na questão de princípios e standards que eles têm. Também me tocou muito a importância de avançar na restauração de forma coletiva. E outro ponto é pensar a restauração da Mata Atlântica como restauração de ecossistemas, não apenas florestal, mas também de outras fitofisionomias que compõem esse bioma.”

Amanda também destacou o reconhecimento da Rede Nativas – Mulheres na Restauração Ecológica, presente na conferência: “foi emocionante ver o reconhecimento do nosso trabalho. Somos hoje cerca de 1.200 mulheres de todos os biomas do Brasil, com 15 na coordenação e outras 35 colaboradoras. Não vi em nenhum outro lugar uma rede de mulheres na restauração com a força e abrangência da Rede Nativas. Isso reforça nossa importância como coletivo e a necessidade de avançar em parcerias com outras organizações e redes biomáticas”, finalizou.

Sobre a Society for Ecological Restoration (SER)

A Society for Ecological Restoration é uma rede global de profissionais, cientistas e organizações comprometidos em promover abordagens participativas e baseadas no conhecimento para a restauração ecológica. Com mais de 5.000 membros em todo o mundo, a SER oferece aos seus membros acesso a uma comunidade internacional, publicações científicas, oportunidades de certificação e eventos de formação contínua.

> Saiba mais 

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Miriam Prochnow
Foto de capa: Carolina Schäffer

Parque Mata Atlântica reúne moradores e visitantes em um dia de integração entre cultura e meio ambiente

Parque Mata Atlântica reúne moradores e visitantes em um dia de integração entre cultura e meio ambiente

Parque Mata Atlântica reúne moradores e visitantes em um dia de integração entre cultura e meio ambiente

No último sábado (27/09) ocorreu em Atalanta o “1° Viver Atalanta: as árvores da minha história”, no Parque Natural Municipal da Mata Atlântica.

A programação contou com exposição de produtos locais, piquenique, trilha guiada, plantio de árvores, apresentações culturais, concurso de cucas e a divulgação dos resultados da iniciativa de planejamento participativo para o futuro centro turístico da cidade.

Durante o encontro, também foram apresentados os resultados da proposta pedagógica “Futuro Centro Turístico de Atalanta – Planejamento Participativo”, envolvendo estudantes do município. Os alunos foram desafiados a imaginar e ilustrar, por meio de desenhos originais, como seria a paisagem ideal do centro de turismo, cultura, arte, meio ambiente e convivência comunitária da cidade. Os autores dos trabalhos ‘destaque’ receberam kits de produtos e certificados e todos os participantes foram reconhecidos com brindes.

Em entrevista para a prefeitura, Edegold Schäffer, Coordenador Geral do Viveiro da Apremavi, relata que o evento reflete o objetivo do Parque Mata Atlântica: era o nosso sonho há 25 anos, quando viemos aqui e vimos o potencial desse espaço. Sonhávamos em fazer do Parque o cartão postal de Atalanta. Hoje são milhares de pessoas que passam aqui todos os anos. O parque requer mais infraestrutura, mas aos poucos o poder público vem dando a atenção que ele merece.”

Cláudio Volnei Sens, prefeito de Atalanta, destacou a relevância da iniciativa: é muito gratificante quando o povo aparece em um evento como esse para desfrutar desse lugar maravilhoso. É um dia muito importante e diferente, que atraiu não só moradores locais, mas também pessoas de fora. Além disso, essa festa nos mostrou como a nossa culinária é ótima e movimentou a cidade.”

Já a Secretária de Turismo e Meio Ambiente, Vilma Krause, ressaltou o papel das parcerias: “é uma iniciativa da Secretaria de Turismo e Meio Ambiente juntamente com a Apremavi. As pessoas estão aderindo à ideia, foi um dia grandioso.”

Parque Mata Atlântica reúne moradores e visitantes em um dia de integração entre cultura e meio ambiente

Registros do 1° Viver Atalanta no Parque Natural Municipal da Mata Atlântica no dia 27 de setembro. Fotos: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Carolina Schäffer.

CONAMA estabelece novas regras para a supressão de vegetação nativa

CONAMA estabelece novas regras para a supressão de vegetação nativa

CONAMA estabelece novas regras para a supressão de vegetação nativa

Publicada no Diário Oficial da União no dia 16 de setembro de 2025, a Resolução nº 510 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) dispõe sobre novas regras para emissão de Autorizações de Supressão de Vegetação (ASV) em imóveis rurais.

A resolução define que toda autorização para supressão de vegetação só poderá ser emitida mediante inscrição ativa no Cadastro Ambiental Rural (CAR), sem pendências ou suspensões, e com a devida comprovação de regularidade quanto à Reserva Legal e às Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Outro ponto é a exigência de publicidade ativa: todas as autorizações emitidas deverão ser disponibilizadas em formato digital e com georreferenciamento, integradas ao Sistema Nacional de Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor), gerido pelo Ibama. Órgãos estaduais e municipais deverão adequar seus sistemas para assegurar o acesso público imediato às informações.

Responsabilidade dos órgãos ambientais

A resolução determina que cada autorização contenha dados detalhados, como:

  • Nome e CPF/CNPJ do proprietário ou possuidor;

  • Área autorizada para supressão, em hectares e percentual;

  • Caracterização da vegetação e bioma;

  • Inventário florestal e volume de aproveitamento de madeira, quando aplicável.

Os órgãos ambientais deverão publicar relatórios anuais até 31 de março, com informações consolidadas sobre as áreas autorizadas, efetivamente suprimidas e ainda pendentes de execução, discriminadas por estado, município, bioma e fitofisionomia.

Participação de municípios

A resolução também permite que órgãos ambientais municipais emitam autorizações em casos de impacto local em áreas urbanas ou de expansão urbana consolidada, desde que cumpram critérios como capacidade técnica, existência de conselho de meio ambiente e integração ao Sinaflor. Já no caso de atividades agropecuárias em propriedades rurais, a delegação para municípios dependerá de cooperação formal com os estados.

Com a nova norma, o CONAMA busca enfrentar práticas de supressão ilegal e reduzir brechas de falta de transparência, contribuindo assim para o cumprimento do Código Florestal. A integração de dados georreferenciados, a exigência de análise do CAR e a publicação de relatórios anuais ampliam o controle social sobre o processo, fortalecendo os mecanismos de governança ambiental”, relata Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi, que esteve na reunião de aprovação da Resolução em Brasília (DF).

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Mutirão de plantio marca início da restauração na Fazenda Taquara da Apremavi

Mutirão de plantio marca início da restauração na Fazenda Taquara da Apremavi

Mutirão de plantio marca início da restauração na Fazenda Taquara da Apremavi

A Apremavi realizou o primeiro mutirão de plantio na Fazenda Taquara, localizada no município de Painel (SC), no coração da Floresta Ombrófila Mista. A atividade aconteceu no dia 15 de setembro e reuniu cerca de 20 pessoas, entre equipe técnica, estagiários da Apremavi e integrantes da GR Ambiental, que juntos deram início à restauração ecológica da mais nova área adquirida pela instituição por meio do projeto Conservador das Araucárias.

Foram plantadas 4 mil mudas de espécies nativas, um esforço que simboliza a implementação do processo de restauração. Ao todo, estão previstos o plantio de aproximadamente 300 mil mudas e a semeadura direta de pinhão – sementes da araucária – a partir do próximo inverno. A restauração deve acontecer em aproximadamente  900 hectares, utilizando diferentes metodologias, como o plantio conjugado com condução da regeneração natural, enriquecimento ecológico ativo e passivo, além da condução da regeneração natural de espécies nativas.

Biodiversidade e patrimônio natural

A região é considerada pelo Ministério do Meio Ambiente como área de extrema importância e prioridade de ação extremamente alta para a conservação da biodiversidade. Além disso, abriga espécies-bandeira como o papagaio-charão (Amazonia petrei) e o papagaio-do-peito-roxo (Amazona vinacea), ambos ameaçados de extinção e que têm grande relevância ecológica e cultural, sendo celebrados anualmente no Festival dos Papagaios, em Urupema.

Corredores ecológicos e integração regional

Outro aspecto estratégico da Fazenda Taquara é sua localização: ela está próxima de importantes áreas protegidas, como a RPPN Serra da Farofa (4.987 ha, de propriedade da Klabin) e a RPPN Papagaios de Altitude (36 ha, do Projeto Charão/Associação dos Amigos do Meio Ambiente – AMA). A área também se conecta a outras propriedades participantes do projeto Conservador das Araucárias, ampliando a perspectiva de formação de corredores ecológicos que reforçam a conectividade da paisagem.

Infraestrutura 

Além do plantio, as ações iniciais já incluíram a construção e reforma de 2 mil metros de cercas, de um total previsto de 12 mil metros, e a revitalização de aproximadamente 10 km de estradas internas, medidas fundamentais para a proteção das áreas em recuperação e para a logística dos trabalhos futuros.

“A restauração vai auxiliar na recuperação de uma área utilizada historicamente para criação de gado e agricultura. A ação é importante pela possibilidade de formação de corredores ecológicos e também pela coleta de sementes da Mata Atlântica para produção de mudas adaptadas à região”, comenta Edilaine Dick, coordenadora de projetos da Apremavi, sobre a importância da área.

Com esse primeiro plantio, a Fazenda Taquara inicia uma nova etapa de sua história: de um território marcado pelo uso agropecuário, passa a ser um espaço dedicado à conservação da biodiversidade, à restauração ecológica e à proteção da Mata Atlântica.

Mutirão de plantio, realizado na Fazenda Taquara da Apremavi no dia 15 de setembro de 2025

Mutirão de plantio, realizado na Fazenda Taquara da Apremavi no dia 15 de setembro. Fotos: Edilaine Dick, Wigold Schäffer e Weliton de Oliveira.

O Conservador das Araucárias

O projeto é fruto de uma parceria entre a Apremavi e a Tetra Pak que tem como meta a restauração de 7 mil hectares de Mata Atlântica, com foco na Floresta com Araucárias. Visa a restauração florestal com espécies nativas, atrelada à captura de carbono para mitigação das mudanças climáticas. Além disso, promove a adequação de propriedades rurais à legislação ambiental, a conservação de mananciais hídricos, do solo e da biodiversidade, bem como a melhoria da qualidade de vida da população. 

> Conheça o projeto

 

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Carolina Schäffer e Vitor L. Zanelatto
Foto de capa: Wigold Schäffer.

Guapuruvu: árvore de crescimento rápido favorita do joão-de-barro

Guapuruvu: árvore de crescimento rápido favorita do joão-de-barro

Guapuruvu: árvore de crescimento rápido favorita do joão-de-barro

O Guapuruvu (Schizolobium parahybae), integra a família das fabáceas e é uma das árvores nativas brasileiras com desenvolvimento rápido, podendo crescer até 3 metros por ano e chegar a 20 metros de altura quando adulta. Sua imponência e beleza tornam-no uma das espécies mais admiradas da flora brasileira, com flores grandes e vistosas de pétalas amarelas.

O nome científico da espécie tem origem em sua morfologia e história de descoberta: Schizolobium significa “legume duro”, enquanto parahybae refere-se ao Rio Paraíba, local da primeira observação da árvore.

 

Distribuição 

No Brasil, o Guapuruvu recebe diferentes nomes populares: na Bahia é chamado de pau-de-vintém, no Rio de Janeiro de fava-divina, no Rio Grande do Sul de guavirovo, e em Florianópolis é simplesmente a guapuruvu, considerada a mais bela árvore e um patrimônio cultural da população local.

O Guapuruvu ocorre naturalmente em diversos estados brasileiros, incluindo: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. É característico da Floresta Ombrófila Densa da Mata Atlântica, principalmente nas planícies aluviais e nos inícios de encostas, onde se destaca no dossel superior. Também se adapta à vegetação secundária e é capaz de formar grupamentos densos em grandes clareiras.

 

Polinização e frutificação

É polinizado principalmente por abelhas. Sua floração ocorre entre setembro e dezembro no Paraná e outubro a dezembro em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de março a agosto no Paraná e de abril a agosto nos estados do Sul.

 

Aspectos ecológicos e cultivo

O Guapuruvu é uma espécie pioneira a secundária inicial, comum tanto em florestas primárias quanto em vegetação secundária, como capoeiras altas e clareiras florestais. Embora não seja muito longeva, cresce rapidamente em solos profundos, úmidos e férteis, preferencialmente de textura franca a argilosa, e é essencialmente heliófila, tolerando frio moderado apenas em microclimas protegidos.

A dispersão das sementes ocorre principalmente pelo vento (anemocoria) e pela gravidade (barocoria). O Guapuruvu pode ser plantado a pleno sol, em plantio puro ou misto, e apresenta brotação após cortes ou geadas. Em sistemas agroflorestais, é recomendado para cultivo junto a bananeiras ou mandioca, além de servir como proteção de culturas sensíveis a geadas, como o café.

 

Usos e importância

O Guapuruvu possui múltiplos usos:

  • Carboidratos: a goma das sementes contém galactomananas, utilizadas em diversos produtos;
  • Apícola: suas flores fornecem pólen e néctar, com alto teor de açúcar, originando mel fluído e perfumado;
  • Medicinal: a casca possui propriedades adstringentes na medicina popular.*
  • Paisagístico: muito utilizado em praças, parques, jardins e arborização urbana, com raízes profundas que causam poucos danos a calçamentos e muros. Recomenda-se distância mínima de 2 metros de construções;
  • Restauração ambiental: ideal para recuperação de matas ciliares, favorecendo a nidificação de aves como o joão-de-barro (Furnarius rufus).
Guapuruvu (Schizolobium parahyba)

Árvore, folhas, galhos e flores do Guapuruvu (Schizolobium parahyba). Fotos: Maurício Mercadante CC BY-NC-SA 2.0 via Flickr, Taters CC BY SA 2.0 via Flickr e João Maçaneiro CC BY-NC-SA 4.0 via Flora Digital UFSC

Guapuruvu

Nome científico: Schizolobium parahyba (Vell.) Blake

Família: Fabaceae

Coleta de sementes: quando os frutos começarem a cair espontaneamente e estiverem com coloração escura. Os frutos devem ser coletados do chão.

Fruto: coloração bege a marrom, quando completamente maduro e esverdeado quando imaturo com 8,5 a 16 cm de comprimento e 3 a 6 cm de largura.

Flor: : grandes, vistosas, de pétalas vivamente amarelas de até 30 cm de comprimento.

Crescimento da muda: rápido.

Germinação: alta.

Plantio: é recomendada também para restauração de mata ciliar em locais não sujeitos a inundação.

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Menos preocupante (Least Concern  – LN) (IUCN).

 

Referências consultadas:

Carvalho, P. E. R. (2019). Guapuruvu: Schizolobium parahybae.

Lorenzi, H. (2008). Árvores Brasileiras. Vol 1. 5ª edição. Plantarum.

Romão, M.V.V.; Mansano, V.F. Schizolobium in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB23143>. Acesso em: 17 set. 2025 

 

*Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Maurício Mercadante, CC BY-NC-SA 2.0 via Flickr

Programas Matas Legais e Sociais reúnem parceiros na Serra Catarinense

Programas Matas Legais e Sociais reúnem parceiros na Serra Catarinense

Programas Matas Legais e Sociais reúnem parceiros na Serra Catarinense

Realizado em 27 de agosto, o Seminário dos Programas Klabin Transforma Matas Legais e Matas Sociais reuniu agricultores e parceiros em Palmeira (SC). O encontro foi realizado pela Apremavi e pela Klabin, com apoio da Prefeitura de Palmeira e outros parceiros.

O Complexo Educacional Jussara Rodrigues da Cruz foi o espaço que recebeu cerca de 100 pessoas, dentre elas agricultores, estudantes e parceiros institucionais. Com uma programação diversa, o encontro buscou fortalecer o diálogo sobre conservação, educação ambiental, sustentabilidade e geração de renda no campo. “O objetivo do Seminário foi promover um encontro com o público-alvo atendido pelos Programas, que são os agricultores”, destacou Daiana Tânia Barth, coordenadora adjunta da Apremavi.

Para Mireli Moura Pitz Floriani, coordenadora de responsabilidade socioambiental da Klabin, a troca de experiências entre os participantes foi uma das metas alcançadas pelo encontro: “A cada Seminário surgem novas ideias de como trabalhar a conservação e a educação ambiental.”

Atividades estudantis

A manhã do dia 27 de agosto foi dedicada às atividades com estudantes do ensino básico, incluindo uma palestra sobre a fauna catarinense, suas ameaças e formas de monitoramento e identificação, realizada pela Sumatra Inteligência Ambiental. O público também acompanhou a apresentação teatral do CirculaDô sobre a história da araucária, desde a germinação até os desafios enfrentados pela árvore para garantir sua sobrevivência e visão geral das espécies que com ela interagem.

Feira e palestras técnicas

Na parte da tarde, após o credenciamento, a programação se voltou às atividades com agricultores e parceiros. Os seguintes temas foram destacados:

  • Sistemas Agroflorestais: Roberto Akitoshi Komatsu (IFSC Câmpus Lages) apresentou espécies frutíferas da Mata Atlântica, como butiá (Butia sp.) e goiaba-serrana (Feijoa sellowiana), e a importância de inserir as espécies no mercado de forma sustentável;

  • Apicultura Sustentável: Ariel Stefaniak (Sebrae) ressaltou a relevância das abelhas e da apicultura como atividade que contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas;

  • Programas Klabin Transforma Matas Legais e Matas Sociais: Leandro Casanova (Apremavi) destacou as atividades realizadas nas duas décadas de história da parceria entre a Apremavi e a Klabin, explicando a relevância e impactos positivos junto aos ecossistemas e comunidades.

Paralelamente, uma feira trouxe iniciativas como o Projeto Arte Tramatusa, que reutiliza resíduos da indústria de papel e celulose para criar arte e a participação da Associação de Apicultores do Planalto Serrano Catarinense, de Otacílio Costa (SC), com a exposição e venda de mel. O evento foi finalizado com um “café com prosa”, promovendo a troca de experiências entre os participantes.

Seminário dos Programas Klabin Transforma Matas Legais e Matas Sociais foram realizados na Serra Catarinense em Palmeira (SC) no dia 27 de agosto

Palestras e teatro no Seminário dos Programas Klabin Transforma Matas Legais e Matas Sociais foram realizados na Serra Catarinense em Palmeira (SC) no dia 27 de agosto. Fotos: Thamara Santos de Almeida.

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida.

Pagamento por Serviços Ambientais acelera a restauração da Mata Atlântica

Pagamento por Serviços Ambientais acelera a restauração da Mata Atlântica

Pagamento por Serviços Ambientais acelera a restauração da Mata Atlântica

Um estudo recente publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation mostrou que propriedades que contam com programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) promovem uma maior recuperação da vegetação nativa.

O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) é uma política pública que oferece incentivos financeiros a proprietários rurais e comunidades que adotam práticas de conservação e restauração em suas propriedades. A ideia é simples: quem conserva e restaura a natureza, garantindo benefícios coletivos como água limpa, regulação do clima, conservação da biodiversidade e solos mais férteis, recebe uma compensação por esse serviço prestado à sociedade.

A pesquisa avaliou o Projeto Conexão Mata Atlântica (PCMA), desenvolvido em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e mostrou que esses incentivos financeiros a produtores rurais influenciam o aumento das áreas de vegetação nativa nas propriedades, além de benefícios econômicos.

 

Mais floresta em propriedades rurais

Entre 2017 e 2022, propriedades participantes do PCMA registraram, em média, um ganho adicional de 1 hectare de vegetação nativa em comparação a áreas que não aderiram ao programa. Esse resultado reforça a chamada “adicionalidade”: ganhos ambientais que só acontecem por causa da política pública prevista no Código Florestal. No total, as áreas do programa mostraram taxas de regeneração significativamente superiores.

Enquanto a região como um todo apresentou tendência de degradação, os imóveis incluídos no esquema de uso múltiplo do PSA tiveram 7% mais áreas de alta qualidade e 10% menos áreas em degradação quando comparados a propriedades semelhantes que não participaram do programa.

 

Investimento com retorno ambiental

Além dos ganhos ambientais, o estudo mostra que o modelo de PSA é financeiramente competitivo. O custo médio para recuperar a vegetação através do PCMA foi mais baixo do que o valor praticado no mercado de restauração florestal, especialmente porque utilizou estratégias de regeneração natural assistida. Isso demonstra que políticas públicas de incentivo podem viabilizar a restauração em larga escala de forma mais acessível.

Com mais de mil propriedades envolvidas apenas em São Paulo, o PCMA se mostra um exemplo de como programas bem planejados podem gerar resultados mensuráveis e duradouros para os ecossistemas. Para os autores do estudo, ampliar e refinar iniciativas de PSA é crucial para enfrentar o desafio da restauração da Mata Atlântica e garantir a sustentabilidade das propriedades.

“O Brasil possui um grande déficit de cobertura vegetal natural que precisa ser superado para atingir a conformidade legal com o Código Florestal, para garantir que os proprietários rurais cumpram esse código, é necessário incorporar o planejamento do uso da terra juntamente com incentivos monetários”, relata o estudo.

O sucesso a longo prazo requer comprometimento contínuo dos formuladores de políticas, apoio financeiro e participação ativa dos proprietários de terras. Com a persistência do desmatamento e da degradação do solo, ampliar e refinar as estratégias de PSA não é mais uma opção, é uma necessidade.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Apremavi acompanha seminário de Justiça Climática do CONAMA

Apremavi acompanha seminário de Justiça Climática do CONAMA

Apremavi acompanha seminário de Justiça Climática do CONAMA

Seminário sobre Justiça Climática e Racismo Ambiental foi realizado no âmbito do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), no dia 4 de setembro em Brasília. 

O encontro teve como objetivo produzir conhecimento sobre justiça climática, mapear necessidades de marcos regulatórios e políticas públicas e promover diálogo entre setores para alinhamento técnico e político em torno da proposta de resolução no âmbito do CONAMA.

Na abertura, o Secretário Executivo do CONAMA, João Paulo Ribeiro Capobianco, ressaltou o papel do Conselho no tema e a relevância do processo em curso: “A criação da Câmara Técnica de Justiça Climática foi um passo importantíssimo para o CONAMA, que tem, sim, a responsabilidade de debater sobre o assunto”. Capobianco sugere ainda que o Conselho avance nos diálogos e elabore uma moção sobre o tema.

A programação foi estruturada para oferecer visão ampla e integrada. Uma mesa com o Ministro Antonio Herman de Vasconcellos e Benjamin situou a justiça climática e o racismo ambiental no contexto brasileiro e internacional, destacando as responsabilidades do Estado na prevenção de danos, na reparação e na promoção de equidade. 

Em seguida, uma abordagem conceitual trouxe definições e princípios, evidenciando a centralidade de povos e comunidades tradicionais, populações periféricas e rurais, e o reconhecimento de perdas e danos, vulnerabilidades e salvaguardas para territórios impactados. 

Um bloco dedicado à base jurídica e institucional discutiu o papel do CONAMA na formulação de diretrizes, metas e padrões para ações de mitigação e adaptação, bem como a integração com planos estaduais e municipais, mecanismos de governança colaborativa e transparência de dados e indicadores.

As vozes dos territórios tiveram espaço para relatar experiências com eventos extremos, conflitos ambientais, insegurança hídrica e alimentar, e exposições desproporcionais a riscos, reforçando a urgência de soluções estruturantes e financiamento acessível. Nos encaminhamentos, emergiu consenso sobre a importância de uma política nacional de justiça climática com critérios de priorização territorial, participação social qualificada e consulta livre, prévia e informada, além de um arranjo federativo que fortaleça capacidades locais, estabeleça metas claras e assegure monitoramento e responsabilização.

Carolina Schaffer, vice-presidente da Apremavi, que esteve presente no evento comenta sobre a transversalidade da temática: “a justiça climática deve ser discutida de forma transversal às políticas ambientais e passa pelos debates de adaptação e mitigação, com priorização de soluções baseadas na natureza, como a restauração ecológica”.

O seminário teve transmissão ao vivo e pode ser acessado aqui:

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Thamara S. de Almeida.
Foto de capa: Carolina Schäffer.

Campos de Altitude seguem ameaçados e no centro de disputa judicial

Campos de Altitude seguem ameaçados e no centro de disputa judicial

Campos de Altitude seguem ameaçados e no centro de disputa judicial

Biodiversidade, proteção dos recursos hídricos, beleza cênica, cultura e potencial para o turismo sustentável. Os Campos de Altitude, fitofisionomia única da Mata Atlântica, representam uma inestimável riqueza natural. Mesmo assim, continuam sob ameaça constante, agora intensificada por retrocessos legislativos em Santa Catarina.

Retrocesso na legislação estadual 

Embora a legislação federal brasileira reconheça e proteja os Campos de Altitude como parte da Mata Atlântica, a revisão do Código Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina, em 2022, reduziu drasticamente essa proteção. A nova redação passou a considerar Campos de Altitude apenas as áreas acima de 1.500 metros de altitude, ignorando décadas de definições científicas.

Segundo a Procuradoria Geral da República, essa restrição trazida pela lei de Santa Catarina é inconstitucional, pois contraria normas federais como a Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006) e a Resolução CONAMA nº 10/1993, que incluem vegetações campestres situadas em altitudes variáveis, bem abaixo do limite imposto pelo estado. A própria Resolução CONAMA nº 423/2010, baseada no Mapa de Vegetação do Brasil (IBGE, 1988) e no Mapa da Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica (IBGE, 2008), reconhece que os Campos de Altitude ocorrem em ambientes montanos e altomontanos, a partir de 400 metros de altitude em determinadas regiões do país.

Com a mudança trazida pela Lei de Santa Catarina, 96% dos campos naturais catarinenses perderam proteção legal, restando apenas 3,8% do território antes reconhecido. O impacto é direto: a abertura de brechas para a conversão desses ecossistemas em monocultivos agrícolas e de espécies florestais exóticas, como o pinus e o eucalipto, prática já denunciada por cientistas e organizações ambientais.

Conversão acelerada e alerta científico

Em julho de 2025, uma carta publicada na revista Science alertou para o risco que essa interpretação estadual representa para um dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do Brasil. Segundo o texto, os Campos de Altitude do sul do país abrigam 1.620 espécies catalogadas de flora, sendo até 25% endêmicas, e fauna singular.

Apesar da importância desse ecossistema, agropecuaristas e empresas do setor florestal têm se aproveitado da definição restritiva do Código Estadual para expandir monocultivos agrícolas e plantações florestais sobre áreas de campos naturais em Santa Catarina, indevidamente desprotegidas pela legislação estadual. Ainda segundo a carta, entre 2008 e 2023, quase 50 mil hectares de campos foram convertidos. Essa conversão de Campos de Altitude gerou autuações do Ibama, as quais estão sob contestação na Justiça Federal e recurso ao Supremo Tribunal Federal, que suspendeu temporariamente as penalidades até decisão sobre a legislação estadual. O Prof. João de Deus Medeiros, um dos coautores da carta publicada pela Science, comenta: “Na publicação fica ressaltada a importância do ecossistema de Campo de Altitude e a ausência de qualquer embasamento técnico-científico para a restrição da sua ocorrência aos terrenos com altitude superior a 1.500 metros, como determinado na lei catarinense”.

Ação Direta de Inconstitucionalidade

A Justiça Federal, em decisão liminar, suspendeu as autuações e sanções do Ibama nas áreas de Campo de Altitude de Santa Catarina, entendendo como válidos os dispositivos da lei catarinense (Lei nº 14.765/2009), que restringem a ocorrência dos Campos de Altitude a áreas com altitude superior a 1.500 metros. O Ibama recorreu à decisão no âmbito do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), tendo o relator da matéria proferido voto que retira a efetividade dos dispositivos da lei estadual.

Entretanto, inicialmente por um pedido de vistas, e posteriormente por decisão cautelar do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, a pedido do Estado de Santa Catarina, restaram suspensos todos os processos que discutam dispositivos da norma catarinense que trata da vegetação dos Campos de Altitude. Essa decisão cautelar do STF, emitida às vésperas da retomada da análise do processo por parte do TRF4, decorre do ingresso da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.811/2025, ajuizada pelo Procurador Geral da República, e foi referendada pelo pleno do STF em 22 de agosto de 2025. A suspensão foi determinada, segundo o Ministro do STF, para evitar que decisões judiciais sejam proferidas antes do posicionamento conclusivo do STF sobre o tema.

Linha do tempo resumida dos avanços e retrocessos dos Campos de Altitude. Foto: Wigold Schäffer

Linha do tempo resumida dos avanços e retrocessos dos Campos de Altitude. Foto: Wigold Schäffer

Informações distorcidas

Após o ingresso da ADI, diversos artigos de opinião divulgaram informações distorcidas na imprensa, abrangendo dados falsos sobre as perdas do PIB Estadual e inviabilidade econômica caso prevaleça a aplicabilidade da Lei Nacional sobre o Código Ambiental de Santa Catarina. 

Entretanto, na contramão das falácias, o que prevalece é a veracidade dos fatos científicos: segundo o IBGE, os Campos de Altitude originais ocupavam 11,6% da área de Santa Catarina (11.122 km²). Em 2010, os remanescentes já haviam caído para 1,16%. Hoje, estima-se que apenas 0,64% do território catarinense ainda conserve vegetação nativa desse ecossistema, conforme artigo publicado por João de Deus Medeiros no site do Conselho Regional de Biologia de Santa Catarina.

Esses números ressaltam a importância da conservação dos remanescentes dos Campos de Altitude para evitar a extinção do ecossistema e de suas espécies associadas.

Um compromisso estratégico

Os poucos remanescentes dos Campos de Altitude estão apenas em parte protegidos em Unidades de Conservação ou em áreas pouco favoráveis a outras atividades econômicas. Além disso, práticas como a pecuária extensiva e o turismo sustentável são compatíveis com a conservação, mostrando que a proteção não inviabiliza usos econômicos responsáveis. Proteger os poucos remanescentes que ainda temos precisa ser visto como compromisso estratégico.

A Apremavi corrobora o pedido feito pelos especialistas na carta divulgada pela Science de que o Supremo Tribunal Federal reconheça a inconstitucionalidade da restrição estadual e restabeleça a proteção integral dos Campos de Altitude conforme a legislação federal. Organizações independentes de certificação florestal também são chamadas a revisar seus protocolos para garantir que empresas respeitem, de fato, a legislação ambiental mais protetiva. 

A conservação dos Campos de Altitude é urgente e depende de ação coordenada entre o Judiciário, órgãos ambientais e a sociedade civil para evitar a perda irreversível da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.

 

Coxilha Rica

Coxilha Rica (Lages/SC), uma das áreas de Campos de Altitude, convertidas de forma ilegal e que estão no centro da disputa judicial. Foto: Wigold Schäffer.

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações obtidas em artigos publicados por João de Deus Medeiros.
Revisão: Carolina Schäffer e Wigold Schäffer.
Foto de capa: Wigold Schäffer.

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