Professores participam de capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Professores participam de capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Professores participam de capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Professores de escolas da rede pública de ensino de Abelardo Luz, no Oeste de Santa Catarina, participaram da capacitação do “Geração + Floresta”, promovida pela Apremavi em parceria com o ICMBio, no dia 24 de março, na Escola Básica Municipal (EBM) José Maria, no Assentamento José Maria.

“O projeto capacita os alunos a questionar modelos de consumo insustentáveis e buscar soluções para os problemas ambientais locais. E sensibiliza os estudantes a mudar hábitos de adultos e contribuir para o desenvolvimento territorial da comunidade. É um projeto de extrema importância, pois possibilita a interdisciplinaridade dos conteúdos na educação básica e contribui para a realidade de cada um dos estudantes”, afirmou o coordenador do curso Técnico em Agropecuária do IFC Câmpus Abelardo Luz, Fander Oliveira.

A capacitação consistiu em atividades teóricas e práticas sobre a conservação da Mata Atlântica. No período da manhã, os técnicos da Apremavi apresentaram o projeto “Geração + Floresta”, e também abordaram a importância da conservação da biodiversidade do bioma.

Marluci Pozzan, da Apremavi, conduzindo a capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Marluci Pozzan conduzindo a capacitação do projeto “Geração + Floresta” com os professores em Abelardo Luz (SC). Foto Guilherme Vitor Callegari

Com diferentes modelos de aplicação e abordagem, o projeto de educação ambiental “Geração + Floresta” busca promover ações ambientais no âmbito escolar, a integralização com os conteúdos programáticos das instituições, modelos de consumo, esclarecimento de dúvidas sobre conservação e restauração ambiental.

No Ensino Fundamental, o programa aborda a temática da biodiversidade, com ênfase na flora e na fauna da Floresta Ombrófila Mista e na conservação dos recursos hídricos.

E no Ensino Médio, os conteúdos são voltados ao planejamento de propriedades e paisagens, incluindo temas como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), legislação ambiental, recuperação de áreas alteradas, Reserva Legal, Áreas de Preservação Permanente (APPs), mudanças climáticas e conservação de ecossistemas.

Atividade de observação de aves na capacitação de professores do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Materiais produzidos pela Apremavi distribuídos no evento. Foto: Manuela de Deus

A formação continuou com atividades práticas no período da tarde. Os professores tiveram oportunidade de conhecer mais sobre as Unidades de Conservação da região e participaram de uma atividade prática de observação de aves, conduzida pelos agentes do ICMBio.

Ao final da formação, foram distribuídos  materiais educativos e mudas de árvores nativas, incentivando a aplicação dos conhecimentos adquiridos e o desenvolvimento de ações sustentáveis nas escolas e comunidades.

Materiais da Apremavi distribuidos na capacitação do projeto “Geração + Floresta”

Materiais produzidos pela Apremavi distribuídos no evento. Foto: Manuela de Deus

O encontro reuniu aproximadamente 22 participantes, entre professores de instituições de ensino da região, agentes do ICMBio e membros da Apremavi. Estiveram presentes professores das escolas EBM Paulo Freire, EBM José Maria, EBM 25 de Maio, EIEF Cacique Karenh, EEM Semente da Conquista e do IFC Câmpus Abelardo Luz.

A capacitação foi conduzida pela equipe da Apremavi, Marluci Pozzan, Edilaine Dick e Leandro Casanova, e contou com a participação dos agentes do ICMBio, Antonio de Almeida Correia Junior, Ibis Cezario Lourenço, Vinicius Duarte Soroka, Ana Laura Mariani, Raimundo Williams Oliveira Barreto e Alini Paulina Guinzelli Bortolaz.

Projeto +Floresta

Visa contribuir para a restauração da vegetação nativa na Floresta Ombrófila Mista, no Oeste de Santa Catarina, com o incremento de espécies vegetais ameaçadas de extinção como a araucária, a imbuia e o xaxim, todas com histórico de intensa exploração no estado.

É financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

> Conheça o projeto

Autora: Manuela de Deus
Revisão: Patricia Krieger, Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Manuela de Deus

Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

 

A Escallonia bifida, popularmente conhecida como canudo-de-pito, é uma espécie de árvore nativa de grande valor ecológico, especialmente reconhecida por sua importância para as abelhas e por seu potencial em projetos de restauração ecológica.

O nome do gênero Escallonia homenageia Don Antonio Escallón, botânico americano, discípulo de José Celestino Mutis, que identificou a planta na região da Nova Granada (atual Colômbia). Já o epíteto específico bifida deriva do latim e significa “partida em dois”, em referência ao formato das folhas, que frequentemente apresentam um pequeno recorte no ápice.

Polinização e floração

A espécie é altamente atrativa para polinizadores. As abelhas são seu principal vetor de polinização, além de diversos insetos de pequeno porte.

No sul do Brasil, a floração ocorre entre dezembro e abril no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, estendendo-se até junho no Paraná. Já a frutificação se concentra entre fevereiro e junho, dependendo da região. A dispersão das sementes ocorre de forma anemocórica, ou seja, pelo vento, o que favorece a colonização de novas áreas.

Distribuição e ecologia

Ocorre naturalmente no Uruguai e, no Brasil, está presente em diversos estados, incluindo Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, sendo encontrado principalmente na Floresta Ombrófila Densa e na Floresta Ombrófila Mista do bioma Mata Atlântica.

Trata-se de uma espécie pioneira, ou seja, uma das primeiras a colonizar áreas alteradas. Apesar disso, apresenta crescimento lento. Também possui capacidade de rebrotar a partir da cepa, o que contribui para sua persistência no ambiente.

A maturação dos frutos ocorre de forma irregular, permitindo a coleta tanto de frutos maduros (verde-escuros) quanto imaturos (verde-claros). Um método simples de beneficiamento consiste na maceração dos frutos em água, na qual as sementes afundam e o material inerte flutua, facilitando a separação.

Importância apícola e uso na restauração ecológica

O canudo-de-pito é uma espécie melífera de destaque, fornecendo néctar e pólen que resultam em um mel de excelente qualidade. Esse mel é especialmente valorizado na região de Prudentópolis (PR), conhecida como a “capital do mel”.

Apresenta grande potencial em projetos de restauração ecológica, especialmente em áreas com drenagem lenta ou sujeitas a alagamentos periódicos. Sua tolerância ao encharcamento a torna indicada para recuperação de áreas alteradas, matas ciliares e ambientes fluviais ou ripários.

Aspectos do canudo-de-pito (Escallonia bifida). Foto: Rachel Green Belt (CC BY-NC-SA 2.0) via Flickr

Canudo-de-pito

Nome científico: Escallonia bifidai Link & Otto.

Família: Escalloniaceae.

Fruto: em cápsula, com cerca de 3,5 mm de diâmetro.

Flor: agrupadas em inflorescências chamadas panículas, que são como pequenos “cachos” com várias flores juntas. 

Crescimento da muda: lento.

Coleta de sementes: a maturação dos frutos do canudo-de-pito ocorre de maneira irregular, podendo ser coletados tanto frutos maduros, de coloração verde-escura, quanto frutos imaturos, de coloração verde-clara. Um beneficiamento parcial das sementes pode ser obtido pela maceração dos frutos em água e pela decantação natural das sementes.

Germinação: a emergência começa entre 22 e 70 dias após a semeadura. O poder germinativo é bastante variável e irregular (5% a 61%). As mudas atingem porte para plantio cerca de 3 meses após a semeadura.

Plantio: recomenda-se o plantio em pleno sol. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA nº 148/2022 | IUCN: Não consta.

 

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Canudo-de-pito: Copaifera trapezifolia. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 115-119. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1140588/canudo-de-pito-escallonia-bifida. Acesso em:13 abr. 2026.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Melburnian, CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons  via Wikimedia Commons

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Uma iniciativa que conecta arte, educação e sustentabilidade começou a ganhar forma no fim de março de 2026 em Rancho Queimado (SC). A implantação de um Bosque de Heidelberg na Casa do Palhaço marca uma nova etapa no projeto “Casa do Palhaço de Portas Abertas”, contemplado pelo edital Funarte – Ações Continuadas 2025.

O projeto envolve diretamente cerca de 200 participantes ao longo do ano, distribuídos em 10 oficinas, cada uma com 20 vagas. Os estudantes, voltados especialmente à arte da palhaçaria, participam não apenas da formação artística, mas também do plantio de árvores nativas da Mata Atlântica.

 

Primeiro plantio reúne artistas e Mata Atlântica

O primeiro plantio ocorreu nos dias 28 e 29 de março, às margens do Rio Scharf, que atravessa a comunidade local. Dividida em dois momentos, sábado e domingo pela manhã, a ação resultou no plantio inicial de 21 mudas de espécies nativas, doadas pela Apremavi com apoio do Projeto Bosques de Heidelberg.

A proposta é que, a cada novo ciclo mensal de oficinas na Casa do Palhaço, cerca de 20 novos participantes também contribuam para o plantio, ampliando gradualmente a recuperação da área.

Localizada em uma propriedade rural de 75 mil metros quadrados, a Casa do Palhaço desenvolve, desde 2021, um trabalho contínuo em prol do meio ambiente. Parte do terreno, anteriormente degradado pela criação intensiva de gado, vem sendo recuperada por meio de práticas como agrofloresta e permacultura, sem uso de insumos químicos.

O plantio do bosque integra esse processo mais amplo, com foco na recomposição da mata ciliar do Rio Scharf, essencial para conter a erosão, reduzir o assoreamento e favorecer o retorno da fauna silvestre.

Além disso, a iniciativa tem caráter pedagógico: durante as formações, os participantes vivenciam práticas sustentáveis no cotidiano, desde o cultivo de alimentos orgânicos até o manejo de resíduos e o uso consciente dos recursos naturais.

 

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Registro do início da implementação do Bosque de Heidelberg na Casa do Palhaço em Rancho Queimado (SC). Foto: Boró Arteiro e Mariza Vandresen

Arte, consciência e transformação

Para os organizadores, a iniciativa vai além do plantio de árvores. Trata-se de integrar valores ambientais ao fazer artístico e à formação humana.

“Enquanto fazedores e educadores da arte, precisamos inserir estas ações no nosso cotidiano. A preservação e o cuidado com a vida no nosso planeta são premissas essenciais da Casa do Palhaço”, destaca Lidiane Cunha, produtora do espaço.

Já o idealizador do projeto, o artista e palhaço Pepe Núñez, ressalta o engajamento dos participantes: “Foi o primeiro plantio de muitos. É importante destacar a alegria e o desejo de cada palhaço ao saber que participariam da ação. Na próxima, já querem ir de nariz, levar a alegria das gags e piadas para o plantio”.

Bosques de Heidelberg

A parceria entre a Apremavi e o BUND existe desde 1999 e busca a restauração da Mata Atlântica no Brasil. A principal atividade é o plantio de árvores nativas produzidas no Viveiro Jardim das Florestas, aliado à realização de palestras, à visitação e trilhas em áreas de floresta e o apoio a campanhas educativas. Sempre que possível, os bosques são plantados em centros de ensino, áreas estratégicas para que o espaço também seja explorado como recurso para atividades de educação ambiental, contemplação e interpretação da natureza. 

> Saiba mais

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Boró Arteiro e Mariza Vandresen

Apremavi participa de Seminário sobre Créditos de Biodiversidade

Apremavi participa de Seminário sobre Créditos de Biodiversidade

Apremavi participa de Seminário sobre Créditos de Biodiversidade

A Apremavi participou do “Seminário Créditos de Biodiversidade: uma oportunidade para a indústria”, promovido pela FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) em parceria com o BRDE  (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul).

O evento foi realizado na sede da FIESC, em Florianópolis, e transmitido ao vivo pelo YouTube, no dia 25 de março, e contou com dez painéis sobre iniciativas locais e internacionais para a atuação das indústrias no mercado de créditos de biodiversidade.

No painel “Investimento no Corredor das Nascentes na Serra Geral como Estratégia de Negócio”, apresentado pela Apremavi, a cofundadora e diretora da associação, Miriam Prochnow, mostrou as parcerias desenvolvidas com o setor privado como solução local para a conservação da biodiversidade no enfrentamento à crise climática.

“Começamos o trabalho da Apremavi há quase 40 anos com o Viveiro Jardim das Florestas, com dezoito mudas em um quintal. Hoje temos capacidade de produzir 1 milhão de mudas por ano, de duzentas espécies diferentes. E isso só é possível com muitas parcerias”, ressaltou Miriam.

Metas conjuntas de enfrentamento à crise climática

Ao falar sobre os projetos desenvolvidos pela associação, Miriam citou o estudo Santa e Frágil Catarina”, publicado recentemente, que apresenta um relatório completo sobre os efeitos devastadores e os prejuízos causados por eventos climáticos extremos. E afirmou que o enfrentamento a esse cenário exige muito esforço coletivo para alcançar metas conjuntas.

Ações de restauração do projeto Conservador das Araucárias. Foto: Arquivo Apremavi

No projeto Conservador das Araucárias, em parceria com a Tetra Pak, ampliamos as metas da Apremavi, mas se quisermos cumprir a meta de 12 milhões de hectares que nós temos na NDC* brasileira, vamos precisar de muitos projetos como esse. É nesse sentido que trabalhamos para que as boas experiências sejam modelos de parcerias”, explicou.

*Meta conjunta prevista na NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) para o Brasil.


Seja um parceiro

A Apremavi mantém parceria em projetos de restauração com empresas como a Tetra Pak e a Klabin, com modelos que podem ser aplicados em pequenas, médias e grandes propriedades, buscando soluções conjuntas.

Os parceiros contam com assessoria das equipes especializadas desde a etapa de estudos prévios, preparação para recuperação e plantio, até o monitoramento e prestação de contas e apresentação dos resultados em relatórios de transparência.

> Saiba mais sobre nossos projetos aqui.

Autora: Patricia Krieger
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Fiesc/Divulgação

Conservador das Araucárias ganha 32° Prêmio Expressão de Ecologia

Conservador das Araucárias ganha 32° Prêmio Expressão de Ecologia

Conservador das Araucárias ganha 32° Prêmio Expressão de Ecologia

O projeto Conservador das Araucárias, da parceria da Apremavi com a Tetra Pak, foi um dos vencedores do 32º Prêmio Expressão de Ecologia, considerado a premiação ambiental mais longeva do Brasil. Esta é a 14ª vez que a Apremavi recebe o Troféu Onda Verde, retrato da sua atuação protagonista e do compromisso com a conservação e a restauração da Mata Atlântica.

Nesta edição do prêmio, 146 projetos foram inscritos, dos quais 54 foram premiados, representando 40 organizações vencedoras. As iniciativas reconhecidas receberão o Troféu Onda Verde numa cerimônia no dia 26 de junho, a ser realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) em Florianópolis (SC). Junto ao prêmio, os casos vencedores receberão destaque na Revista Líderes de Expressão, que desempenha papel importante na valorização de iniciativas voltadas à sustentabilidade e à preservação dos recursos naturais nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

Conservador das Araucárias

O Conservador das Araucárias é um projeto da parceria entre a Apremavi e a Tetra Pak. A parceria busca restaurar e conservar áreas da Mata Atlântica, com foco na Floresta com Araucárias, uma das formações florestais mais ameaçadas do planeta, reduzida a apenas 3% de sua cobertura original.

A iniciativa integra o compromisso global de sustentabilidade da empresa parceira e contribui para ações de descarbonização, conservação da biodiversidade e fortalecimento de comunidades locais. 

Até o final de 2025, o projeto já apresentava resultados expressivos:

  • 3.213 hectares em processo de restauração ecológica

  • 1.200 hectares prospectados para restauração em 2026

  • 34 propriedades rurais participantes, entre pequenas, médias e grandes propriedades, nos municípios de Atalanta, Papanduva, Urubici, Urupema, Painel e Santa Rosa de Lima.

Além da restauração ecológica, o Conservador das Araucárias promove benefícios sociais e econômicos. Os proprietários rurais participantes recebem pagamento antecipado de carbono de R$540,00 por hectare ao ano, incentivando a recuperação ambiental das propriedades e gerando renda complementar.

O projeto também estimula cadeias locais ligadas à restauração, como a coleta de sementes e plantio de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. Ao todo, mais de 500 pessoas são beneficiadas diretamente pelas ações da iniciativa.

Araucária (Araucaria angustifolia)

Plantios e atividades relacionadas ao projeto Conservador das Araucárias. Fotos: Wigold Schäffer, Carolina Schäffer e Arquivo Apremavi.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow
Foto de capa: Wigold Schäffer

Rede Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina realiza primeiro encontro

Rede Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina realiza primeiro encontro

Rede Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina realiza primeiro encontro

Entre os dias 20 e 22 de março de 2026, aconteceu o primeiro encontro da Rede de Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina, no município de Rancho Queimado. O evento reuniu mulheres de diferentes regiões do território em um momento de conexão, fortalecimento e construção coletiva.

Em um mundo ainda marcado por estruturas machistas, criar espaços de encontro entre mulheres é um ato político e transformador, que fortalece suas vozes e amplia sua atuação nos territórios. Essa realidade se conecta à economia do cuidado, já que mulheres realizam mais de 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo e, no Brasil, dedicam muito mais tempo a essas atividades do que os homens.

Esse padrão também se repete no cuidado com o planeta: são majoritariamente mulheres que atuam na preservação da natureza, na produção de alimentos e na sustentabilidade das comunidades, especialmente em contextos rurais e tradicionais. Apesar de essencial, esse trabalho permanece invisibilizado. Assim, ao se organizarem em rede, as mulheres transformam a sobrecarga do cuidado em força coletiva, reconhecimento e ação política.

A Casa do Palhaço, localizada em Rancho Queimado, acolheu o encontro em um cenário entre o litoral e a serra, no início da Serra Catarinense, a cerca de 65 km de Florianópolis. Foi nesse ambiente que a rede ganhou ainda mais força, reunindo trajetórias diversas em torno de um propósito comum.

A Rede de Mulheres Ecológicas Serramar nasce da iniciativa de Mariza Vandresen, Flora Neves e Lótus Reuben, que idealizaram um programa para conhecer, valorizar e dar visibilidade às histórias de mulheres que atuam pela ecologia em seus territórios. Hoje, a rede já conta com cerca de 90 integrantes espalhados pela região.

O encontro surgiu do desejo de estar juntas, fortalecer vínculos e ampliar a potência dessa articulação. Mais do que uma reunião, foi um momento profundo de reconexão com saberes ancestrais e com a missão compartilhada de cuidar da vida em todas as suas formas, nas comunidades, nas famílias, nos territórios e nos projetos individuais e coletivos.

Mulheres das cidades, das áreas rurais, das florestas, das águas e dos mares se deslocaram para participar, reafirmando a importância de uma rede que reconhece e integra diferentes realidades e experiências.

Durante dois dias, o encontro foi marcado por intensas trocas e vivências: rodas de conversa, práticas coletivas, danças circulares, rituais, momentos de escuta e de convivência. Também houve espaço para a expressão artística, com apresentações de trabalhos, poemas, teatro e palhaçaria, revelando a diversidade de talentos na rede.

O ambiente foi de acolhimento e construção de confiança, no qual cada participante pôde compartilhar sua trajetória e fortalecer laços. Em meio às reflexões, destacou-se a importância de equilibrar luta e cuidado: plantar as sementes de um futuro mais justo e sustentável exige não apenas mobilização, mas também afeto, escuta e presença.

Integrantes da Rede; roda de apresentação das integrantes; apresentações artistícas, como por exemplo, com a personagem Recicleide; Thamara Almeida (Apremavi) e Kerexu Yxapyry
(Liderança Indígena do povo Mbya Guarani de Santa Catarina); anotações das ações encaminhadas. Fotos: Thamara Santos de Almeida, Lorena Lucas e Juliana Prates Mota/Cresol.

Como encaminhamento dos debates, as participantes deram um passo significativo na organização da rede. Foi definida a importância de politizar seus espaços de atuação por meio da Rede de Mulheres Ecológicas Serramar, fortalecer os encontros e os processos formativos internos, além de iniciar a construção de um banco de dados com informações das integrantes.

O primeiro encontro marca, assim, o início de uma nova etapa: mais estruturada, conectada e potente, reafirmando o compromisso coletivo com a defesa de todas as formas de vida, começando pelo fortalecimento interno da potência de cada mulher presente.

“Foi uma alegria participar desse encontro, que foi profundamente transformador e emocionante para mim. Estar entre tantas mulheres, diversas em tantos sentidos, mas que, assim como eu, dedicam suas vidas à ecologia nas suas comunidades, me trouxe um sentimento de pertencimento e força coletiva muito grande. Muitas vezes, esse trabalho é solitário e invisibilizado, mas aqui pude perceber que não estamos sozinhas, somos muitas, diversas e potentes”, comenta Thamara Santos de Almeida, que esteve presente no evento representando a Apremavi.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Emma Vandresen

Seminário Santa e Frágil Catarina apresenta desafios e soluções para a crise climática

Seminário Santa e Frágil Catarina apresenta desafios e soluções para a crise climática

Seminário Santa e Frágil Catarina apresenta desafios e soluções para a crise climática

No dia 20 de março, em Florianópolis, ocorreu o Seminário Estadual sobre Mudanças Climáticas “Santa e Frágil Catarina”, realizado no plenarinho da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com transmissão ao vivo.

Os últimos três anos (2023-2025) foram os mais quentes já registrados no planeta, evidenciando que os limites ambientais estão sendo pressionados de forma perigosa. Com o aumento das temperaturas, os impactos da crise climática tornam-se mais intensos e frequentes. A região Sul do Brasil tem enfrentado uma sequência de eventos extremos, como ciclones, tempestades severas, enxurradas, enchentes, ondas de calor e secas prolongadas.

Em Santa Catarina, episódios marcantes como o Ciclone Catarina, as enchentes no Alto Vale do Itajaí (2008, 2011 e 2023) e a seca no Oeste (2012) demonstram a gravidade crescente desse cenário.

Diante desse contexto, surgiu a iniciativa Santa e Frágil Catarina, que promoveu o seminário com o objetivo de reunir representantes do poder público, setor privado, academia e sociedade civil para discutir os impactos da crise climática no estado e construir soluções concretas para o presente e o futuro.

 

Segunda mesa de debate do Seminário Santa e Frágil Catarina apresenta desafios e soluções para a crise climática no dia 20 de março de 2026 em Florianópolis

Segunda mesa de debates sobre soluções e desafios de cada setor; distribuição de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica durante o evento; equipe e parceiros da Apremavi; participantes durante o Seminário; facilitação gráfica. Fotos: Bruno Collaço/Agência ALESC, Thamara Santos de Almeida, Carolina Dias/Apoena Socioambiental.

Programação do evento

A solenidade de abertura contou com a participação do deputado Marcos José de Abreu (Marquito), da cofundadora da Apremavi, Miriam Prochnow, da promotora de Justiça Stephani Gaeta Sanches, e de Mariane Murakami, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), entre outras autoridades.

Na sequência, foram apresentados depoimentos de Claudio Angelo, Natalie Unterstell e João Paulo Capobianco. A palestra principal ficou a cargo de Suely Araújo, do Observatório do Clima, que abordou os desafios atuais e o estado da arte das mudanças climáticas.

“Na última década o aquecimento global explodiu, a causa principal é a queima de combustíveis fósseis. No Brasil o fator que pesa mais é o desmatamento, essa é a principal luta no Brasil, acabar com o desmatamento. O mapa do caminho tem sido uma iniciativa de afastamento dos combustíveis fósseis para avançar além da COP30”, comenta Suely durante a sua palestra.

Em seguida, o biólogo e botânico João de Deus Medeiros apresentou o diagnóstico sobre mudanças climáticas em Santa Catarina, com foco nos impactos sobre a agropecuária, a indústria, o comércio e a sociedade civil. Segundo o estudo elaborado por ele: “44% dos prejuízos estão relacionados com enxurradas ou inundações, estiagens representam 33%, inundações 10% e vendavais 3%, estando esses impactos também relacionados à incapacidade de execução do orçamento, por parte do estado, dos recursos destinados à Defesa Civil.”

 

No período da tarde, ocorreram duas mesas de debate voltadas às contribuições de diferentes setores no enfrentamento da crise climática. A primeira mesa foi mediada por Danilo Funke, diretor do Conselho Regional de Biologia da 9ª Região, e contou com a participação de Paulo da Costa Maués Filho, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA); Andrea Lamberts, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); Camila Leal, da Gerência de Gestão Ambiental Rural e Florestal do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA); Flávio Lopes, capitão da Polícia Militar Ambiental; Marquito, como presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC); e Analúcia Hartmann, Procuradora da República.

Na segunda mesa de debates, mediada por Marline Dassoler Buzatto do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, participaram Sandra de Paula Santos, representante da Terra Indígena Toldo Imbu; Ricardo Abussafy, da Women in Informal Employment: Globalizing and Organizing (WIEGO); Cleonice Beppler, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC); Giem Guimarães, do Observatório de Justiça e Conservação e do Parque Nacional Eco Resort; Paulo Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e Wigold Schaffer, da Apremavi.

Durante o debate, Paulo Horta destacou a urgência de ações mais efetivas diante da crise climática: “Dez anos depois do Acordo de Paris, ultrapassamos 1,5°C, mostrando que quem governa mentiu e não sentiu o peso da lei. Precisamos mudar esse cenário, estamos rumando a um holocausto climático. É necessário descarbonizar, e a solução para a escuridão é pensarmos em acender soluções juntos.”

> Confira como foi o encontro completo no canal da ALESC

 

Santa e Frágil Catarina

A iniciativa é promovida pela Apremavi, em parceria com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALESC. Conta com apoio do governo do Estado, por meio do Termo de Fomento 2025TR001224. Tem apoio institucional da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), do Conselho Regional de Biologia – 9ª Região (CRBio-9) e do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMJCS) e contou com o apoio logístico da Apoena Socioambiental.

Além do seminário, foram desenvolvidos materiais de educação ambiental, como folders, jogos e cards, bem como o diagnóstico sobre a situação da crise climática no estado.

> Acesse os materiais da iniciativa

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Miriam Prochnow
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

Conservador das Araucárias realiza III Reunião do Grupo de Transparência em Santa Rosa de Lima

Conservador das Araucárias realiza III Reunião do Grupo de Transparência em Santa Rosa de Lima

Conservador das Araucárias realiza III Reunião do Grupo de Transparência em Santa Rosa de Lima

No dia 19 de março de 2026, a Apremavi realizou, em Santa Rosa de Lima (SC), a III Reunião do Grupo de Transparência e Divulgação do Projeto Conservador das Araucárias, desenvolvido em parceria com a Tetra Pak. O evento reuniu 33 participantes, incluindo representantes da Tetra Pak, da Klabin, da Prefeitura Municipal de Santa Rosa de Lima, de técnicos da Epagri de Santa Rosa de Lima e de Anitápolis, do Sindicato Rural de Rio Rufino e de proprietários rurais da região.

Além do Grupo de Transparência e Divulgação, que permite a partilha dos avanços do projeto com a sociedade e o debate estratégico para aprimorar as ações, o Conservador das Araucárias conta com um Grupo Executivo e um Grupo de Acompanhamento. Essas instâncias atuam de forma integrada na implementação das metas do projeto, que visa restaurar sete mil hectares de áreas degradadas.

Este ano, o encontro focou na experiência do projeto em Santa Rosa de Lima, conhecida como a capital catarinense da agroecologia. No município, 16 propriedades já estão em processo de restauração, totalizando 327,96 hectares, graças a uma parceria imprescindível com a Prefeitura Municipal, que tem apoiado ativamente as mobilizações e a articulação de reuniões com os proprietários rurais.

Trazer a reunião do GT para Santa Rosa de Lima é estratégico para compartilhar como é relevante contar com parcerias com instituições que promovam articulações com a sociedade para a restauração da Mata Atlântica, sobretudo diante dos cenários de crise climática e de biodiversidade que a humanidade enfrenta”, relata Miriam Prochnow, coordenadora de relacionamentos do projeto.

A programação começou com uma visita à propriedade de Rosângela Bonetti, para apresentar os resultados práticos das ações de restauração do projeto. Na ocasião, os participantes realizaram uma roda de apresentações, promovendo a integração entre os parceiros já envolvidos e os novos do município de Anitápolis. “Quando as pessoas vêm visitar a propriedade e observam tudo isso que está acontecendo, é um ânimo para nós (…) e nós temos muito a agradecer a este projeto”, relata Rosângela.

Apremavi realiza III Reunião do Grupo de Transparência do Conservador das Araucárias

Registros do III Reunião do Grupo de Transparência do Conservador das Araucárias. Fotos: Miriam Prochnow.

Após a visita, realizou-se uma reunião na Câmara de Vereadores de Santa Rosa de Lima. A abertura contou com as falas da prefeita Suizete Vandresen, do secretário de agricultura do município, Jackson Baumann, e de Wigold Schaffer, coordenador geral do projeto Conservador das Araucárias, que explicou o objetivo do Grupo de Transparência e Divulgação. A Tetra Pak apresentou os princípios e os valores da empresa.

Durante a apresentação dos resultados do projeto em 2025, Miriam Prochnow destacou os benefícios também para a sociedade, que, além do pagamento pela antecipação do carbono, recebe apoio na adequação ambiental das propriedades, contribuindo para a conectividade dos remanescentes de florestas e para a formação de corredores ecológicos e o fortalecimento da conservação da biodiversidade na região.

 Prefeita e Secretário de Agricultura de Santa Rosa de Lima na abertura da III Reunião do Grupo de Transparência e Divulgação.

Prefeita e Secretário de Agricultura de Santa Rosa de Lima na abertura da III Reunião do Grupo de Transparência e Divulgação. Foto: Wigold Schaffer.

Leandro Assing, filho de um proprietário participante do projeto, relata que a visão de conservação já estava presente na família há gerações: “O vô sempre comentava que não era para derrubar as árvores, que um dia seríamos recompensados pela área de mata da propriedade”. Essa visão não surgiu do nada. Leandro conta que a ideia começou a se disseminar quando um projeto de desenvolvimento sustentável foi realizado no município, por meio do programa Acolhida na Colônia: “Isso que estamos colhendo hoje é fruto do que viemos trabalhando e construindo há mais de 30 anos aqui no município e em todo o território das encostas da Serra; muitos agricultores ainda vão aderir ao programa”.

A reunião foi transmitida ao vivo no YouTube e pode ser assistida pelo link.

 

Conservador das Araucárias

O Conservador das Araucárias é um projeto da parceria entre a Tetra Pak e a Apremavi que visa a restauração florestal com espécies nativas, atrelada à captura de carbono para mitigação das mudanças climáticas, a adequação de propriedades rurais à legislação ambiental e a conservação de mananciais hídricos, do solo e da biodiversidade, bem como a melhoria da qualidade de vida da população inserida no território.

O projeto tem a ambição de restaurar 7 mil hectares da Mata Atlântica até 2030 – o equivalente a 9.800 campos de futebol.

> Conheça o projeto

Autoras: Carolina Schaffer, Maíra Ratuchinski e Caroline Heidemann
Revisão: Miriam Prochnow
Foto de capa: Miriam Prochnow

Rede Sul de Restauração Ecológica realiza primeiro encontro presencial

Rede Sul de Restauração Ecológica realiza primeiro encontro presencial

Rede Sul de Restauração Ecológica realiza primeiro encontro presencial

Entre os dias 17 e 18 de março, em Porto Alegre, ocorreu o primeiro encontro presencial da Rede Sul de Restauração Ecológica, reunindo integrantes de diferentes setores engajados na recuperação da vegetação nativa da região Sul do Brasil.

A Rede Sul de Restauração Ecológica é um movimento coletivo formado por pessoas e instituições que atuam em toda a cadeia produtiva da restauração, desde coletores de sementes e viveiristas até pesquisadores, ONGs e associações. Seu foco está na recuperação dos ecossistemas dos biomas Pampa e Mata Atlântica subtropical.

Criada em 2021, a Rede Sul tem como principais objetivos articular os atores do setor, fortalecer a cadeia produtiva da restauração, incentivar pesquisas, promover ações de recuperação de áreas degradadas e ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância do tema. Atualmente, conta com mais de 200 pessoas e integra a Comissão Nacional para a Recuperação da Vegetação Nativa, além de ser capítulo da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica.

Segundo Ana Paula Rovedder, coordenadora da Rede Sul e professora da Universidade Federal de Santa Maria, o encontro marcou um momento importante para o fortalecimento do coletivo. “É uma oportunidade para nos encontrarmos presencialmente e debatermos os desafios e os avanços da restauração ecológica na região Sul, fruto da união dessa rede biomática”, destacou.

 

Programação

O evento contou com dois dias de atividades intensas, incluindo painéis, mesas-redondas e momentos de integração entre os participantes.

No primeiro dia (17), a programação abordou desde a trajetória da Rede Sul até os desafios estratégicos atuais. Destaque para os painéis sobre pesquisa-ação em restauração e práticas desenvolvidas na região, reunindo especialistas, representantes de organizações e atores locais, como agricultores e lideranças indígenas.

O segundo dia (18) foi dedicado à organização da restauração ecológica, com exemplos de arranjos institucionais e de mecanismos de fomento. Também houve a apresentação do PPPampa, das diretrizes estratégicas da Rede e discussões sobre o futuro da restauração no Brasil e no Sul.

 

Abertura do evento por Ana Paula Rovedder; Ana Paula Silva (Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Sociedade Chauá e Mater Natura) e Thamara Santos de Almeida (Apremavi e UFRGS); apresentação da Apremavi; exposições dos trabalhos da Rede Sul e de seus membros durante o evento. Fotos: Thamara Santos de Almeida e Leonardo Teixeira Fagundes

Participação da Apremavi

A Apremavi participou do evento, representada por Thamara Santos de Almeida, integrando a mesa sobre arranjos e fomento à restauração, ao lado do Instituto Socioambiental, do ICMBio e do IBAMA. Na oportunidade, foram apresentadas as experiências e projetos financiados por diferentes fontes, incluindo recursos dos setores público e privado e do terceiro setor, reforçando a importância do apoio multissetorial à restauração ecológica.

“A entrada da Apremavi na Rede Sul deve-se ao entendimento de que a atuação em rede fortalece as ações no território e nos dá a oportunidade de conectar com múltiplos atores para aprender com eles e compartilhar nossas experiências. Cabe agora trabalharmos em conjunto com a Rede para garantirmos maior participação dos restauradores de Santa Catarina e do Paraná, a fim de que a Rede tenha cada vez mais incidência na região Sul”, comenta Carolina Schaffer, vice-presidente da Apremavi.

> Confira como foi o encontro no canal da SOBRE

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schaffer
Foto de capa: Leonardo Teixeira Fagundes

Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta

Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta

Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta

O jequitibá-branco (Cariniana estrellensis) é uma espécie de árvore que ocorre na Mata Atlântica, pertencente à família Lecythidaceae, a mesma da emblemática castanha-do-pará (Bertholletia excelsa). Essa espécie combina porte monumental, relevância ecológica e múltiplos usos econômicos e culturais.

O gênero Cariniana homenageia o príncipe Eugene de Savóia – Carignan, patrocinador da expedição de Giovanni Casaretto ao Brasil entre 1839 e 1840. Já o epíteto específico estrellensis faz referência à Serra da Estrela, no estado do Rio de Janeiro, uma de suas áreas típicas de ocorrência.

O nome popular “jequitibá” tem origem no tupi e carrega diferentes interpretações. Pode derivar de yigiquityba ou jyquyty’ba, com o significado de “árvore de tronco rijo”. Outra corrente aponta para yiki-t-ybá, expressão que significa “árvore do fruto afunilado”. Em todas as versões, o nome ressalta características marcantes da espécie.

 

Um gigante da floresta apreciado pelo bugio-ruivo

O jequitibá-branco destaca-se pelo tronco reto e cilíndrico, com fuste que pode atingir até 25 metros de altura. A árvore adulta pode alcançar cerca de 50 metros de altura e apresentar tronco com até 120 centímetros de diâmetro. Suas raízes são grossas e bem desenvolvidas. É considerada secundária tardia ou clímax exigente de luz, compõe florestas maduras e é reconhecida por sua longevidade. Ocorre tanto em capoeirões quanto em florestas secundárias e clímax.

A polinização ocorre principalmente por pequenos insetos e abelhas. A floração ocorre de outubro a janeiro nos estados do Paraná e de Santa Catarina. Em plantios, o processo reprodutivo inicia-se por volta dos 10 anos de idade.

A dispersão de frutos e sementes é predominantemente anemocórica (pelo vento), podendo ultrapassar 100 metros da árvore-mãe em condições de vento forte. No entanto, os macacos desempenham papel essencial nesse processo: ao removerem o opérculo (tampa) do fruto, facilitam a liberação das sementes, que então são carregadas pelo vento. Os frutos jovens e as sementes são apreciados por espécies como o bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans).

Distribuição geográfica ampla

O jequitibá-branco ocorre naturalmente no sul da Bolívia, leste do Paraguai e no Peru. No Brasil, apresenta ampla distribuição, sendo registrado nos estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal.

Do ponto de vista fitoecológico, é encontrado na Floresta Ombrófila Densa (Amazônica e Atlântica), especialmente nas formações de Terras Baixas e Submontanas, além da Floresta de Tabuleiro no norte do Espírito Santo. Também ocorre na Floresta Estacional Semidecidual, onde pode se destacar como espécie emergente.

 

Múltiplos usos 

A colheita dos frutos deve ser realizada quando mudam da coloração verde para a escura. Após coletados, ainda fechados, devem ser armazenados em local ventilado até a deiscência. As sementes aladas são extraídas por agitação; para remover as asas e obter apenas o núcleo seminífero, recomenda-se a maceração, seguida de ventilação para a retirada das impurezas.

Tolera sombreamento na fase juvenil, mas não suporta baixas temperaturas. Após o terceiro ano, torna-se tolerante a geadas leves. Pode ser plantado em consórcios com espécies pioneiras ou secundárias. Apresenta capacidade de brotação após corte, tanto do toco quanto das raízes.

Em sistemas agroflorestais, é indicado para arborização de culturas e pastagens. Seu crescimento varia de moderado a rápido, dependendo das condições ambientais.

Seus frutos, conhecidos popularmente como “pitos”, são utilizados na confecção de cachimbos rústicos no artesanato tradicional; é recomendado para restauração de matas ciliares, especialmente em solos bem drenados ou sujeitos a inundações periódicas de curta duração; no paisagismo, destaca-se pela imponência e valor ornamental, sendo indicado para arborização de praças públicas; suas flores possuem interesse apícola, contribuindo para a produção de mel; e, na medicina popular, diferentes partes da planta são empregadas na forma de chás e preparados terapêuticos.

 

Jequitiba-branco (Cariniana estrellensis)

Detalhes da flor, folha e semente do jequitibá-branco (Cariniana estrellensis). Fotos: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e (CC BY 2.0) João de Deus Medeiros via Wikimedia Commons e Flickr.

Jequitibá-branco

Nome científico: Cariniana estrellensis (Raddi) O. Kuntze

Família: Lecythidaceae

Fruto: parecido uma pequena urna de madeira (5 a 11 cm de comprimento)

Semente: de cor castanha, até 4 cm de comprimento

Crescimento da muda: rápido.

Coleta de sementes: os frutos devem ser coletados quando mudam da coloração verde para a escura. Recomenda-se o armazenamento em câmara fria.

Germinação: com início entre 6 e 70 dias após a semeadura. O poder germinativo varia de 46% a 95%; em média, 70%.

Plantio: espécie recomendada para arborização de culturas e de pastos. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Não consta.

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. jequitibá-branco: Cariniana estrellensis. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 621-627. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140092/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-1-Jequitiba-Branco.pdf. Acesso em: 03 mar. 2026.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: (CC BY-CA 3.0) Mauro Halpern via Wikimedia Commons.

Livro aborda adaptação climática com perspectiva interseccional

Livro aborda adaptação climática com perspectiva interseccional

Livro aborda adaptação climática com perspectiva interseccional

A nova publicação “Caminhos para um olhar inclusivo sobre adaptação climática”, elaborada pelo Grupo de Trabalho de Gênero e Justiça Climática do Observatório do Clima (OC), articula bases científicas com saberes sociais e ancestrais para avaliar se planos, programas e ações de adaptação incorporam a perspectiva da interseccional e decolonial.

A obra é fruto de um esforço coletivo que reuniu especialistas, profissionais, ativistas e convidados. Gênero, raça e classe social influenciam diretamente quem sofre mais com enchentes, secas, deslizamentos e ondas de calor e quem tem menos acesso a políticas públicas eficazes. Não é possível falar em adaptação climática sem enfrentar as estruturas de poder que moldam as desigualdades históricas. 

Interseccionalidade como eixo central

Na primeira seção, os autores discutem a relação entre desigualdade e mudanças do clima, destacando como raça, território e justiça social se entrelaçam na experiência concreta dos eventos extremos. Relatos de pessoas que já vivenciam os impactos da ausência de políticas eficazes dão o tom de urgência à publicação.

A segunda parte amplia o debate ao incorporar perspectivas antiespecista, anticapacitista, trans, indígena, quilombola, da infância, da juventude e da população idosa. O objetivo é demonstrar como diferentes sistemas de opressão se sobrepõem e produzem vulnerabilidades específicas, conceito fundamental da interseccionalidade. O livro também reforça o “lugar de fala” como ferramenta política e epistemológica, defendendo que populações diretamente afetadas devem ser protagonistas na formulação de soluções.

Já a terceira parte apresenta exemplos concretos de desafios e caminhos possíveis para uma adaptação com justiça climática em diferentes contextos: cidades, campo e setor de energia. A proposta é conectar a diversidade de experiências a estratégias integradoras que promovam não apenas resiliência climática, mas também transição justa para uma sociedade de baixo carbono.

As propostas para uma adaptação com justiça climática defendem a participação plural e equânime de mulheres, povos indígenas e comunidades tradicionais e periféricas na tomada de decisões, a integração entre saberes tradicionais e científicos em processos de formação. Além disso, também defendem a implementação de políticas públicas que enfrentem racismo e misoginia, a criação de salvaguardas de gênero e para grupos vulnerabilizados em projetos de energia e agricultura, a ampliação do acesso a financiamento para iniciativas comunitárias, além da garantia de transparência nos dados climáticos e da adequação da linguagem em debates e negociações, assegurando compreensão e participação efetiva de todos os grupos envolvidos.

Restauração ambiental e reconstrução social

Um dos ensaios que compõem a obra, “Restaurando ambientes e confortando pessoas”, é assinado por Miriam Prochnow, cofundadora e diretora da Apremavi. O texto relata a experiência de restauração ecológica após as enxurradas que atingiram municípios do Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, em dezembro de 2020.

A artesã Carmen Passero, moradora de Rio do Sul, descreve o momento como “assustador”. Em sua propriedade, foram plantadas 900 mudas de árvores nativas após o evento. No total, 13.685 mudas foram plantadas em 35 propriedades, em uma ação conjunta entre comunidades locais, a Apremavi e prefeituras.

Para além da restauração ecológica, a iniciativa teve papel social decisivo. Técnicas da organização relatam que o trabalho envolveu escuta, apoio emocional e incentivo à reconstrução coletiva. A recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) fortaleceu vínculos comunitários e evidenciou que restaurar ecossistemas também é restaurar dignidade e esperança.

> Confira a publicação

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Carolina Schäffer

Apremavi contrata Assistente de Comunicação e Informação

Apremavi contrata Assistente de Comunicação e Informação

Apremavi contrata Assistente de Comunicação e Informação

Se você tem interesse na causa ambiental e experiência com comunicação institucional no terceiro setor esse é o momento de trabalhar conosco!

A oportunidade é para profissional pleno no cargo de Assistente de Comunicação e Informação da Apremavi, em período integral (44 horas semanais), em regime CLT ou híbrido, em regime PJ. A preferência é pela contratação nos termos da CLT, em dedicação integral, condicionada ao trabalho presencial no Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, sede da Apremavi, em Atalanta (SC). 

Contratações PJ serão consideradas, com trabalho presencial opcional (possibilidade de realizar home office).

+ Confira o Termo de Referência (TDR) com o detalhamento da oportunidade.

Os currículos deverão ser encaminhados até às 23h59min (horário de Brasília) do dia 28 de fevereiro de 2026, para o e-mail comunica@apremavi.org.br, juntamente com um texto que manifeste interesse na vaga e liste as afinidades com o trabalho da instituição, bem como apresente trabalhos anteriores (links para redes sociais, portfólio, Behance, etc.) descritos no corpo do e-mail.

A Apremavi tem como princípios a equidade e a diversidade. Incentivamos o envio de propostas por profissionais de grupos minorizados e historicamente invisibilizados (étnicos, gênero e orientação sexual, sociocultural e pessoas com deficiência).

Ajude a Apremavi: compartilhe essas oportunidades de trabalho com profissionais que você conheça.

Entre a lei e a prática: onde estamos com o Código Florestal

Entre a lei e a prática: onde estamos com o Código Florestal

Entre a lei e a prática: onde estamos com o Código Florestal

A Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012), conhecida como Código Florestal, estabelece como a vegetação nativa deve ser tratada em todo o território brasileiro, especialmente nas áreas rurais privadas. Seu objetivo central é buscar o equilíbrio entre a produção econômica e a conservação ambiental, definindo limites, responsabilidades e instrumentos para a proteção dos ecossistemas.

O chamado Novo Código Florestal aplica-se a todo o território nacional e estabelece normas gerais de proteção da vegetação nativa, além de definir conceitos e parâmetros para as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e para as áreas de Reserva Legal (RL) que devem ser observados em todos os imóveis rurais. A lei também criou o Cadastro Ambiental Rural (CAR), instituiu o Programa de Regularização Ambiental (PRA), regulou ações de controle e prevenção de incêndios florestais e previu instrumentos econômicos e financeiros voltados à conservação e à regularização ambiental.

Apesar de seu processo de aprovação ter representado um retrocesso em relação à proteção florestal existente até então, a implementação efetiva do Código Florestal ainda tem potencial para gerar benefícios sociais, ambientais e econômicos significativos. Para isso, no entanto, é fundamental que os instrumentos previstos na lei avancem para além do papel.

 

Termômetro do Código Florestal: onde estamos

O Termômetro do Código Florestal é uma ferramenta desenvolvida pelo Observatório do Código Florestal e por parceiros para acompanhar a implementação da Lei nº 12.651/2012 nos estados e municípios brasileiros. Seu objetivo é promover transparência por meio da produção e da sistematização de dados qualificados.

O boletim 2024-2025 apresenta os principais resultados da análise dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), com números de destaque em escala nacional. As informações estão organizadas por assentamentos, imóveis rurais, territórios tradicionais, biomas e estados brasileiros.

O Brasil alcançou 436,9 milhões de hectares cadastrados no CAR, frente aos 428,9 milhões registrados na atualização anterior. Ainda assim, 24,6 milhões de hectares permanecem fora do cadastro, o que representa cerca de 5,32% da área total que deveria integrar o sistema.

Embora tenha havido um incremento de aproximadamente 8 milhões de hectares cadastrados, os esforços de análise por parte dos órgãos ambientais permanecem muito aquém do necessário. Apenas 10,82% dos cadastros foram analisados, o que amplia os riscos de inconsistências cadastrais, sobreposições indevidas e conflitos fundiário

A regularização ambiental é um passo essencial para proteger a vegetação nativa, garantir segurança jurídica aos produtores rurais e fortalecer a implementação efetiva do Código Florestal. Sem a análise e validação dos dados do CAR, esse processo permanece frágil

Os dados mais recentes indicam que não houve redução do desmatamento ilegal em Áreas de Reserva Legal (RL) e em Áreas de Preservação Permanente (APPs), áreas que deveriam estar protegidas ou em processo de restauração para a adequação ambiental dos imóveis rurais. Na prática, isso significa que muitas dessas áreas seguem degradadas e sem recuperação.

O passivo nacional de Reserva Legal alcançou 17,3 milhões de hectares, frente aos 16,3 milhões registrados anteriormente. Já o déficit em Áreas de Preservação Permanente subiu para 3,14 milhões de hectares, em relação a 3,03 milhões no período anterior. Em contrapartida, houve crescimento nos ativos ambientais: o remanescente de Reserva Legal chegou a 98,6 milhões de hectares, e o excedente de vegetação nativa atingiu 70 milhões de hectares, com ganho de cerca de 2 milhões de hectares em relação aos 68,2 milhões anteriores.

Esse excedente de Reserva Legal representa uma oportunidade estratégica para a compensação ambiental ou para a conservação remunerada por meio de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), instrumentos previstos no Código Florestal. No entanto, a ausência de regulamentação efetiva por parte do governo limita sua aplicação prática e reduz seu potencial de contribuir para a redução dos passivos ambientais.

> Confira o boletim completo

Boletim do Termômetro do Código Florestal
Guia para entender o Código Florestal

Com o objetivo de ampliar o entendimento sobre a legislação, o Observatório do Código Florestal lançou recentemente um Guia que reúne informações detalhadas sobre as regras vigentes, o passo a passo para a regularização ambiental e as principais perspectivas e desafios para a plena implementação da lei.

O guia reúne quatro capítulos que explicam os fundamentos do Código Florestal, os benefícios da conservação da vegetação nativa, os principais desafios à implementação da lei e as regras práticas para a regularização ambiental dos imóveis rurais.

“Apesar da anistia concedida à parte dos produtores que desmataram e da criação de mecanismos para a regularização ambiental, o Código Florestal segue enfrentando desafios mais de uma década após sua aprovação. A falta de vontade política, o baixo comprometimento de parte dos produtores e a não priorização de instrumentos-chave, como a análise do CAR e a ampliação dos PRAs, são apontados como algumas das principais causas da sua implementação ainda incompleta”, relata a publicação.

> Conheça o Guia

 

Guia da Proteção da Vegetação Nativa

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Wigold Schäffer

The Last of Us da Mata Atlântica: nova espécie de fungo é descoberta

The Last of Us da Mata Atlântica: nova espécie de fungo é descoberta

The Last of Us da Mata Atlântica: nova espécie de fungo é descoberta

Um pequeno filamento encontrado no chão da floresta, conhecido cientificamente como estroma ou estrutura reprodutiva, revelou uma nova espécie de fungo “zumbificador” da Mata Atlântica brasileira. 

Batizada de Purpureocillium atlanticum, a espécie foi descrita a partir de um exemplar coletado em novembro de 2022, no estado do Rio de Janeiro, e integra um grupo fascinante de fungos conhecidos por parasitar e matar seus hospedeiros. Esses organismos ganharam fama popular por inspirarem narrativas, como a série The Last of Us, mas, na natureza, desempenham papéis ecológicos essenciais. 

No caso dessa nova espécie, o hospedeiro é uma aranha que vive no solo da floresta, em sua própria toca. A espécie infecta aranhas-alçapão, que vivem protegidas em galerias subterrâneas fechadas por uma estrutura semelhante a um alçapão. Após a morte do animal, o fungo cobre quase todo o corpo da aranha com um micélio branco e algodonoso. Em seguida, uma estrutura reprodutiva de até dois centímetros emerge do cadáver, atravessa o alçapão e se projeta acima do solo para liberar esporos e dar continuidade ao ciclo de vida.

Trata-se de uma estratégia evolutiva altamente especializada, como explica Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenador do MIND.Funga (Monitoring and Inventorying Neotropical Diversity of Fungi) vinculado ao Laboratório de Micologia da instituição, em entrevista à Apremavi: “quando falamos de parasitas, muitas vezes são relações específicas que evoluíram há milhares de anos. Em nível de espécie, são relações interdependentes”, afirma Elisandro. “Qual o aspecto negativo disso? Nenhum!”

Parte da prancha do artigo científico de descrição da espécie de fungo zumbificador Purpureocillium atlanticum onde é possível observar a estrutura reprodutiva da espécie em cinza

Parte da prancha do artigo científico de descrição da espécie, onde é possível observar a estrutura reprodutiva da espécie em cinza, a aranha morta (na parte inferior, onde há terra) e ver que ele cresceu para fora do chão da floresta, além de um registro microscópico dessa estrutura reprodutiva. Créditos: Araújo, J. P., Przelomska, N. A., Smith, R. J., Drechsler-Santos, E. R., Alves-Silva, G., Martins-Cunha, K., … & Antonelli, A. (2025). A new species of Purpureocillium (Ophiocordycipitaceae) fungus parasitizing trapdoor spiders in Brazil’s Atlantic Forest and its associated microbiome revealed through in situ “taxogenomics”. IMA fungus, 16, e168534.

Descoberta brasileira em campo e ciência inovadora

A descoberta ocorreu durante uma semana de campo na RPPN Alto da Figueira, em Nova Friburgo (RJ), organizada por pesquisadores brasileiros que hoje atuam no exterior e foi publicada na revista IMA Fungus. A expedição foi liderada por Dr. Alex Antonelli, diretor científico do Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, e teve a participação de Dr. João Araújo, da Universidade de Copenhague, especialista em Cordyceps reconhecido globalmente.

Foi João Araújo quem percebeu, ainda em campo, que aquele filamento discreto indicava algo fora do comum. “Em qualquer atividade de campo, muitas vezes você pode encontrar uma nova espécie para a ciência”, comenta Elisandro. “A Mata Atlântica, apesar de toda a sua história de estudo, ainda guarda uma biodiversidade única, exclusiva, endêmica e, muitas vezes, desconhecida.”

O maior diferencial do estudo foi o uso de uma abordagem inovadora chamada taxogenômica, que combina taxonomia tradicional com sequenciamento genético de última geração feito diretamente no campo, por meio da tecnologia Oxford Nanopore: “eles levaram um equipamento para sequenciamento de genomas de última geração para o campo. Em uma semana, conseguimos saber se estávamos à frente de uma novidade científica. Essa ferramenta não substitui as análises morfológicas, de biologia molecular clássicas e os dados ecológicos, mas acelera muito o descobrimento da biodiversidade, algo altamente requerido no Brasil.”

Após a etapa de campo, o MIND.Funga teve papel fundamental na continuidade da pesquisa. O grupo colaborou com análises morfológicas, revisão da literatura científica e passou a ser o fiel depositário do espécime-tipo da nova espécie em sua coleção científica. Ou seja, o material tipo, utilizado para descrever a espécie, encontra-se depositado na coleção de fungário/herbário FLOR, da UFSC.

Além do avanço científico, Elisandro destaca o impacto político e estrutural desse tipo de abordagem. “Esse método diminui o colonialismo científico em regiões megadiversas e exige formação de taxonomistas locais para descobrir sua própria biodiversidade.”

Equipe MIND Funga da UFSC em campo na Serra Catarinense que colaborou para a descrição da nova espécie de fungo da Mata Atlântica

Equipe MIND.Funga da UFSC em campo na Serra Catarinense. Foto: Elisandro Drechsler-Santos

Muito além de um fungo ‘zumbificador’

Apesar da descoberta inovadora, o pesquisador reforça que ainda se sabe pouco sobre o ciclo de vida completo da nova espécie. Casos semelhantes já vêm sendo observados em outros biomas brasileiros. Na Amazônia, por exemplo, foi registrada recentemente uma tarântula enterrada infectada por um fungo semelhante. Na Serra Catarinense, há indícios de que aranhas gigantes parasitadas por Cordyceps possam representar espécies novas, ainda em processo de descoberta, e o espécime encontrado na amazônia irá ser útil no processo de comparação e tomada de decisões

Esses achados reforçam uma mudança importante na forma de olhar para os fungos: “são necessários estudos de longo prazo. É difícil entender com clareza como ocorrem a infecção e o ciclo de vida sem esse tipo de avaliação. Hoje vemos que muitos fungos fazem parte de complexos de espécies, escondidos, mas altamente específicos de cada bioma e fitofisionomia.”

Cordyceps caloceroides parasitando uma tarântula na Amazônia

Cordyceps caloceroides, parasitando uma tarântula na Amazônia. O registro chamou atenção e viralizou nas redes sociais após ser compartilhado por Elisandro. Foto: Elisandro Drechsler-Santos

Funga, clima e conservação

A descoberta de Purpureocillium atlanticum ocorre em um momento estratégico para a ciência sobre a Funga brasileira. Em 2026, será publicada a primeira Lista Vermelha Nacional da Funga, um marco histórico para a conservação do grupo, vitória que o MIND.Funga ajudou a construir com vários atores nacionais e internacionais, com destaque para o IUCN SSC Brazil Fungal Specialist Group, grupo de especialistas da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN, que Elisandro é Chair.

“A partir do momento em que uma espécie entra na lista vermelha do MMA, o governo passa a ter responsabilidade por ações concretas. Os fungos regulam o clima do planeta, contribuem para a retirada de carbono da atmosfera e têm enorme potencial biotecnológico. Eles precisam estar na agenda conservacionista da biodiversidade brasileira”, comenta Elisandro.

Ainda não se sabe se a nova espécie é endêmica ou ameaçada, mas uma coisa é certa: ela escancara o quanto ainda desconhecemos sobre a biodiversidade que sustenta a Mata Atlântica. “A biodiversidade é uma riqueza incrível, parte da soberania do país, não só para ser explorada, mas para ser conhecida, protegida e valorizada”, finaliza Elisandro.

Purpureocillium atlanticum

É um fungo que parasita aranhas-alçapão que vivem em tocas subterrâneas. Após matar seu hospedeiro, o fungo produz uma estrutura reprodutora que emerge pela abertura da toca para liberar esporos na superfície.

A espécie foi coletada em novembro de 2022 e identificada por meio de uma abordagem integrativa, incluindo taxonômica de ponta, combinando taxonomia tradicional com tecnologia portátil de sequenciamento de DNA (Oxford Nanopore), permitindo que os pesquisadores decodificassem o genoma do fungo diretamente em campo.

A descoberta destaca a diversidade da Funga oculta da Mata Atlântica e ressalta a importância de acelerar a pesquisa acerca da biodiversidade em países megadiversos como o Brasil. A maioria das espécies de fungos permanece sem descrição, apesar do seu papel crucial na regulação dos ecossistemas, no equilíbrio do clima e nas estratégias de conservação.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Elisandro Drechsler-Santos
Foto de capa: © Araújo et al. (2025), IMA Fungus.

Copaíba-óleo, espécie nobre da Floresta Ombrófila Densa

Copaíba-óleo, espécie nobre da Floresta Ombrófila Densa

Copaíba-óleo, espécie nobre da Floresta Ombrófila Densa

Com altura média entre 10 e 20 metros, a Copaíba-óleo (Copaifera trapezifolia Hayne) ocorre nos remanescentes da Floresta Ombrófila Densa ao longo do território brasileiro. Em Santa Catarina a espécie encontra condições especialmente favoráveis ao seu desenvolvimento, apresentando uma densidade expressiva, que pode chegar a 10 a 15 indivíduos por hectare.

É conhecida popularmente na região Sul do país como copaíba, copaúva, copuva, óleo ou pau-óleo, e seu nome científico (epíteto específico) trapezifolia foi dado pois as folhas da espécie apresentam forma de trapézio. As flores são brancas e pequenas, visitadas por abelhas e outros pequenos insetos polinizadores. Já os frutos, que podem ser observados entre setembro a novembro nas populações em Santa Catarina, atraem pássaros e pequenos mamíferos, que se encarregam da dispersão das sementes (zoocoria). 

Árvore da espécie Copaifera trapezifolia Foto BY-NC-SA 4.0 João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina

Aspectos da espécie Copaifera trapezifolia. Fotos: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro e Flávio Zanchetti via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

As populações da copaíba-óleo foram reduzidas ao longo do século XX, por conta da exploração para marcenaria. Entre outras aplicações, a madeira resistente era utilizada para a fabricação de móveis comuns e de luxo; produção de mastros de barco de pesca, implementos agrícolas, peças para carretéis e coronhas de fuzil. 

Atualmente a espécie não está classificada como ameaçada de extinção, e é recomendada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para uso em iniciativas de restauração ecológica. O Viveiro Jardim das Florestas, da Apremavi, produz mudas da espécie para essa finalidade.

Embora as sementes mantenham a viabilidade de germinação por um ano, quando armazenadas em condições de ambiente não controlado, a presença de cumarina na semente gera dormência do processo de germinação. A fauna é especialmente importante para a dispersão e viabilidade das sementes: as fezes do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) apresentaram 100% de germinação em 7 dias, enquanto sementes sem tratamento para superar a dormência apresentaram apenas 85% de germinação.

Registro do muriqui-do-sul no Parque Estadual Carlos Botelho (SP)

Registro do muriqui-do-sul no Parque Estadual Carlos Botelho (SP). Foto: (CC BY 2.0) Leonardo Desordi Lobo.

Copaíba-óleo

Nome científico: Copaifera trapezifolia Hayne

Família: Fabaceae

Fruto:legume, com 3 a 4 cm de comprimento

Flor: grandes, vistosas, de pétalas vivamente amarelas de até 30 cm de comprimento.

Crescimento da muda: rápido.

Coleta de sementes: os frutos devem ser coletados maduros e ainda fechados, devendo a deiscência ser feita em ambiente ventilado. As sementes devem ser extraídas manualmente, para ficar livre do arilo.

Germinação: alta, mas é necessário realizar a quebra de dormência (embebição e lavagem em água fria por 48 a 72 horas).

Plantio: espécie recomendada para iniciativas de restauração ecológica, idealmente em métodos de enriquecimento ecológico. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Menos preocupante (Least Concern  – LN) (IUCN).

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Pau-óleo: Copaifera trapezifolia. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 775-780. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140110/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-1-Pau-Oleo.pdf. Acesso em: 30 jan. 2026.

GIEHL, E. L. H. (coord.). Copaifera trapezifolia Hayne. Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Universidade Federal de Santa Catarina. Disponível em: https://floradigital.ufsc.br/open_sp.php?img=21882. Acesso em: 30 jan. 2026.

 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

As RPPNs e o compromisso voluntário com a biodiversidade

As RPPNs e o compromisso voluntário com a biodiversidade

As RPPNs e o compromisso voluntário com a biodiversidade

O dia 31 de janeiro marca o Dia Nacional das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), instituído pela Lei nº 13.544, com o objetivo de dar visibilidade e reconhecimento nacional a esse modelo de conservação em propriedades privadas. 

De acordo com dados da Confederação Nacional das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (CNRPPN), o Brasil conta atualmente com 1.902 RPPNs, que somam 837.634,97 hectares de áreas conservadas, concentradas principalmente nas regiões Sudeste e Sul. Esses números evidenciam a relevância das RPPNs como complemento estratégico ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

Criadas por iniciativa dos próprios proprietários, as RPPNs têm como característica central a conservação da diversidade biológica, com proteção garantida em caráter perpétuo, registrada na matrícula do imóvel, sem perda da titularidade da área. Trata-se de um modelo que compartilha com o poder público o ônus da conservação ambiental, fortalecendo a participação da sociedade civil na proteção do patrimônio natural.

RPPN Irmãs Grimm, localizada em Papanduva (SC), criada pela Apremavi. Foto: Weliton Oliveira

Caminhos possíveis e o papel das associações na criação de RPPNs

Segundo Ciro Couto, presidente da Associação dos Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina (RPPN Catarinense), o primeiro passo para quem deseja criar uma reserva é a clareza sobre seus objetivos: “a associação sempre inicia o diálogo com um questionamento fundamental: qual o motivo, o objetivo e as responsabilidades envolvidas na criação de uma RPPN. A partir disso, auxiliamos o interessado a seguir o melhor caminho, seja no âmbito estadual, federal ou municipal”, explica.

Além de seu papel ambiental, as RPPNs apresentam índices positivos de custo-benefício, contribuem para a ampliação das áreas protegidas no país e estimulam a diversificação das atividades econômicas, criando oportunidades ligadas à pesquisa científica, educação ambiental e turismo de natureza.

Apesar dos avanços, ainda existem desafios para a criação de novas RPPNs. O principal deles, segundo Ciro, está relacionado aos custos iniciais. “O maior desafio é o custo das análises cartográficas, especialmente o georreferenciamento. As demais etapas são relativamente simples, pois os órgãos reconhecedores têm facilitado bastante os processos”, avalia. Ele também aponta entraves institucionais pontuais, como o despreparo de alguns cartórios de registro de imóveis, que acabam impondo exigências indevidas mesmo após a aprovação da unidade pelos órgãos ambientais.

Quando comparado a outros estados, Santa Catarina ainda carece de políticas públicas estruturadas de incentivo. “Estados como Rio de Janeiro e São Paulo possuem programas de apoio financeiro e técnico para criação e manejo de RPPNs. Em Santa Catarina, tivemos bons resultados até 2018 com editais de organizações da sociedade civil. Hoje, iniciativas como o projeto do Ministério Público de Santa Catarina, em parceria com a ONG Pimentão Alto Vale, são exemplos inovadores que deveriam ser replicados em outras regiões”, destaca Ciro.

A RPPN Catarinense, que completou 20 anos de atuação no último ano, é hoje uma referência nacional. Ao longo dessas duas décadas, a associação consolidou sua atuação técnica, institucional e política: “o que começou com um pequeno grupo de ambientalistas se transformou em um modelo de organização e representatividade. Atuamos na criação de reservas, planos de manejo, capacitações e no fortalecimento da segurança jurídica das RPPNs”, resume.

“Criar uma RPPN é uma decisão estratégica que alia responsabilidade socioambiental, segurança jurídica e valorização do imóvel. Além de proteger a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, o proprietário amplia suas oportunidades, como acesso a PSA, créditos de carbono, incentivos fiscais e projetos de pesquisa e ecoturismo. Mais do que um instrumento legal, a RPPN é um legado”, finaliza Ciro.

 

 

Parabéns para os 20 anos da RPPN Catarinense

Celebração de 20 anos da RPPN Catarinense. Foto: Thamara Santos de Almeida.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: RPPN Serra do Lucindo, Bela Vista do Toldo (SC). Foto: Weliton Oliveira

Comitê Nacional da IUCN elege nova diretoria

Comitê Nacional da IUCN elege nova diretoria

Comitê Nacional da IUCN elege nova diretoria

Os membros do Comitê Brasileiro da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês de International Union of Conservation of Nature) elegeram a nova diretoria para o triênio 2026-2029.

Entre os eleitos para guiar as atividades do Comitê nos próximos anos estão Carolina Schäffer como presidente (Apremavi), Alice Reisfeld como vice-presidente (SAVE Brasil) e Ângela Pellin​​ como secretária executiva (IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas).

A diretoria assume com o compromisso de manter o espaço de diálogo, cooperação e construção coletiva que existe no Comitê Brasileiro, aprimorando a integração entre seus membros e a incidência em agendas nacionais e internacionais de conservação da biodiversidade.

“Assumir a presidência do Comitê Brasileiro da IUCN é uma grande oportunidade de fortalecer a atuação em rede entre os membros e compartilhar os bons exemplos brasileiros para a conservação da biodiversidade com o mundo. Em um momento crítico para a biodiversidade e o clima, nossa gestão buscará ampliar o diálogo, valorizar a diversidade de experiências e fortalecer a contribuição do Brasil nas agendas nacionais e internacionais de conservação”, relata Carolina Schäffer, que assume a presidência da nova diretoria brasileira da IUCN.

 

A IUCN

Criada em 1948, a IUCN é a maior e mais antiga rede global dedicada à conservação da natureza. A organização reúne mais de 1.400 organizações membros e conta com a contribuição de cerca de 16.000 especialistas voluntários, distribuídos em aproximadamente 160 países.

A atuação da IUCN influencia os rumos da conservação da biodiversidade a partir de uma abordagem integrada, que considera a emergência climática, o papel dos povos indígenas e  comunidades tradicionais e a busca por modelos de desenvolvimento sustentável.

A troca de experiências entre os membros ocorre por meio dos comitês nacionais, que promovem o diálogo e a cooperação em nível local e regional, e também no âmbito das comissões temáticas, que reúnem especialistas de diferentes áreas:

> Saiba mais sobre a organização

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer
Foto de capa: Wigold Schäffer

Ação no STF pede inconstitucionalidade do novo licenciamento ambiental

Ação no STF pede inconstitucionalidade do novo licenciamento ambiental

Ação no STF pede inconstitucionalidade do novo licenciamento ambiental

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ingressaram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF),  pedindo a suspensão das leis aprovadas em 2025 sobre o licenciamento ambiental no Brasil. 

No texto da ação protocolada no STF, os autores defendem que os novos marcos legais aprovados pelo Congresso Nacional representam um “grave retrocesso” socioambiental e violam diversos dispositivos constitucionais, enfraquecendo a legislação de proteção ambiental elaborada ao longo de décadas e com participação efetiva da sociedade civil.

A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025) teve origem no Projeto de Lei nº 2.159/2021, aprovado pelo Congresso em julho de 2025 e sancionado em agosto com 63 vetos presidenciais. Em novembro, o Congresso derrubou 56 desses vetos, ratificando as mudanças no licenciamento ambiental potencialmente dolosas e consideradas inconstitucionais pelo Poder Executivo. Já a Lei nº 15.300/2025 foi intuída a partir da conversão da Medida Provisória nº 1.308/2025, que prevê um regime de licenciamento ambiental especial. Ainda segue em tramitação o Projeto de Lei nº 3.834/2025, destinado a complementar lacunas nas leis já publicadas.

Para as organizações que assinam a ação, o resultado desse processo legislativo foi uma legislação que, em vez de modernizar e fortalecer o sistema de avaliação ambiental, fragiliza o controle, a fiscalização e a capacidade do Estado de prevenir danos ambientais, inclusive os relacionados à crise climática. A ação de inconstitucionalidade argumenta que as leis reduzem salvaguardas, limitam as competências do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), reduzem as competências para a atuação de órgãos federais de fiscalização ambiental e violam compromissos climáticos internacionais assumidos pelo Brasil.

 

Impacto sobre a Mata Atlântica

Em novembro de 2025, o Congresso derrubou dispositivos de proteção ao bioma que haviam sido vetados pelo presidente Lula. A mudança removeu a proteção a florestas em estágios avançados de regeneração, áreas fundamentais para a Mata Atlântica, que perdeu mais de 80% da cobertura original e, ao mesmo tempo, é o bioma onde vivem quase 150 milhões de pessoas.

A ADI também destaca que a Lei nº 15.300/2025, ao tratar do chamado licenciamento especial, faz justamente o contrário do que deveria: simplifica processos para empreendimentos de grande impacto, reduzindo o rigor técnico e os controles do Estado. Para os autores, trata-se do maior retrocesso em matéria socioambiental desde a redemocratização, afrontando direitos fundamentais garantidos na Constituição, como previsto no  artigo 225, que garante a todos o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo dever do Poder Público e da coletividade defendê-lo e preservá-lo para presentes e futuras gerações.

O documento apresentado ao STF traz pareceres técnicos e científicos, incluindo contribuições de pesquisadores como Carlos Nobre, Luciana Gatti e Luiz Marques. Em trecho citado, os cientistas alertam que a viabilidade socioambiental do país “está criticamente ameaçada” e que enfraquecer o licenciamento em um momento de crise ambiental global é “irresponsável e inconstitucional”, o que coloca em risco a segurança alimentar, hídrica, sanitária e física da população brasileira.

A petição foi articulada pelo Observatório do Clima, em parceria com o PSOL e a Apib, e é assinada também por outras 11 organizações da sociedade civil: Greenpeace Brasil, Instituto Socioambiental , WWF-Brasil, Alternativa Terrazul, Instituto Arayara, Instituto Alana, Conectas Direitos Humanos, Instituto de Direito Coletivo, Conaq, Fundação SOS Mata Atlântica e Avaaz. Todas as organizações acompanharam a tramitação das leis no Congresso e solicitaram ingresso no processo como amicus curiae, o que lhes permite participar voluntariamente e fornecer informações técnicas, jurídicas ou sociais relevantes à ação em análise.

Os autores pedem que o STF conceda liminar, suspendendo imediatamente os efeitos das duas leis até o julgamento definitivo. O entendimento das organizações é claro: longe de representar modernização, o novo marco do licenciamento ambiental abre caminho para a ampliação do desmatamento, o aumento de conflitos territoriais, riscos à biodiversidade e fragilização da governança ambiental no país.

Agora, caberá aos ministros do Supremo Tribunal Federal decidir se a legislação segue válida ou se será suspensa enquanto analisam, em profundidade, os argumentos de inconstitucionalidade apresentados. Diante do maior retrocesso socioambiental desde a redemocratização, não há neutralidade possível. Povos indígenas e comunidades tradicionais, cientistas, organizações ambientais e cidadãos seguem, mais uma vez, juntos em defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações.

Como lembra a Apremavi: é preciso seguir com o boca no trombone e mão na massa; denunciando retrocessos, mas também na defesa, restauração e conservação das florestas e de todas as formas de vida.

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Observatório do Clima.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.
Foto de capa: Fiscalização Ambiental Federal realizada pelo Ibama em 2023. Foto: (CC) Comar/Ibama.

Apremavi é eleita conselheira do Pacto Mata Atlântica e do Diálogo Florestal

Apremavi é eleita conselheira do Pacto Mata Atlântica e do Diálogo Florestal

Apremavi é eleita conselheira do Pacto Mata Atlântica e do Diálogo Florestal

A Apremavi foi reeleita para compor o Conselho de Coordenação do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica (2026 – 2029), e também retornou ao Conselho de Coordenação do Diálogo Florestal (2026 – 2028)

A atuação em redes e coletivos é essencial para somar esforços, ampliar o diálogo entre diferentes setores e fortalecer ações de conservação e restauração ecológica em escala. Com esse entendimento, a Apremavi participa ativamente de diversas articulações que abordam temas como conservação da biodiversidade, restauração ecológica, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.

 

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica

A Apremavi foi reeleita para integrar o Conselho de Coordenação do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica no período de abril de 2026 a abril de 2029. Signatária do Pacto desde sua fundação, em 2009, a reeleição reforça a atuação estratégica da organização no fortalecimento da restauração ecológica e da conservação do bioma. Além disso, a Apremavi também teve sua atuação como Unidade Regional (UR) do Pacto renovada para o estado de Santa Catarina (2026-2028).

Nesta nova composição do Conselho, 39 instituições de diferentes regiões do país, representando distintos elos da cadeia da restauração e múltiplos setores, se candidataram às vagas. O resultado evidencia a continuidade e a renovação da governança da rede: 81% das instituições eleitas já integravam a gestão anterior, enquanto cinco organizações passam a compor o Conselho pela primeira vez.

A nova gestão do Conselho também reflete avanços importantes em termos de representatividade. Entre os membros eleitos, 10 representantes titulares e 13 suplentes são mulheres, correspondendo a 38,5% e 50% das vagas, respectivamente.

“A reeleição representa o reconhecimento de uma trajetória construída de forma coletiva, técnica e comprometida com a restauração da Mata Atlântica, além de oportunizar incidência estratégica e reforçar a responsabilidade na qualificação dos debates dentro do Pacto”, comenta Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi.

Marluci Pozzan, coordenadora de projetos da Apremavi, será a representante titular na gestão, sendo a suplente Edilaine Dick, diretora da instituição.

Lista de organizações eleitas para o Conselho de Coordenação do Pacto Mata Atlântica em 2025

Lista de organizações eleitas para o Conselho de Coordenação do Pacto Mata Atlântica. Créditos: Pacto pela Restauração da Mata Atlântica

Diálogo Florestal

O Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal é responsável pela formulação de políticas e estratégias de atuação da organização, além de deliberar, orientar e monitorar suas ações, com o suporte da Coordenação Executiva Nacional. O espaço reúne representantes de diferentes setores com o objetivo de promover o diálogo, a construção de consensos e a gestão responsável das florestas no Brasil.

Na nova composição do Conselho, a Apremavi está entre outras três organizações da sociedade civil eleitas para integrar o colegiado, ao lado do Instituto BVRio e do Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais. O mandato dos novos membros tem início em 01 de janeiro de 2026, com duração de três anos, sem possibilidade de reeleição.

A eleição marca o retorno da Apremavi ao Conselho do Diálogo Florestal, reconhecendo sua trajetória histórica junto à organização. A Apremavi contribui com o Diálogo Florestal desde o início de sua atuação no Brasil, em 2003, já hospedou  a Secretaria Executiva da organização e integrou o Conselho de Coordenação.

Na titularidade da representação estará Miriam Prochnow, cofundadora da Apremavi, e sua suplente será Carolina Schaffer, atual vice-presidente.

 

Lista de organizações eleitas para o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal

Lista de organizações eleitas para o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal. Créditos: Diálogo Florestal

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e do Diálogo Florestal
Revisão: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Wigold Schäffer

No Dia do Pampa, documentário do Observatório do Código Florestal destaca a força do bioma

No Dia do Pampa, documentário do Observatório do Código Florestal destaca a força do bioma

No Dia do Pampa, documentário do Observatório do Código Florestal destaca a força do bioma

No dia 17 de dezembro, data em que se celebra o Dia do Pampa, o Observatório do Código Florestal (OCF) lançou o documentário “Pampa: a força do bioma invisível”. O evento aconteceu na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, e reuniu cerca de 70 pessoas, entre pesquisadores, representantes de organizações da sociedade civil, agentes públicos e interessados na conservação do bioma.

Equipe do Observatório do Código Florestal e da Apremavi no lançamento do documentário sobre o bioma Pampa , no dia 17 de dezembro de 2025, em Porto Alegre

Equipe do Observatório do Código Florestal e da Apremavi no lançamento do documentário, no dia 17 de dezembro, em Porto Alegre. Foto: Arquivo Apremavi

O documentário é resultado da Expedição Pampa, uma iniciativa do OCF realizada em outubro de 2025, que contou com a participação da Apremavi. Ao longo de oito dias, a expedição percorreu cerca de 1.500 quilômetros pelo território do Pampa gaúcho, reunindo relatos, conhecimentos e vivências que revelam a riqueza, a diversidade e, sobretudo, as urgências que envolvem esse bioma ainda pouco conhecido e frequentemente invisibilizado.

Durante a expedição, a equipe cruzou estradas, campos e comunidades, ouvindo quem vive, produz e protege o Pampa. Pesquisadores, especialistas, pecuaristas, proprietários rurais, agentes públicos e representantes de comunidades tradicionais compartilharam suas histórias e perspectivas. O percurso também evidenciou as marcas deixadas pelas transformações na paisagem e a resistência de quem segue defendendo o bioma.

Pesquisadores explicam que o manejo sustentável do gado pode ajudar a manter as formações campestres abertas, função que, historicamente, era exercida pela fauna silvestre, contribuindo para o equilíbrio ecológico do Pampa. Além da pecuária sustentável, o documentário apresenta alternativas econômicas já presentes no território, como a viticultura, a olivicultura e o uso sustentável da biodiversidade. Essas iniciativas, no entanto, enfrentam desafios significativos, como a falta de políticas públicas de incentivo, dificuldades estruturais e os impactos causados pela deriva de agrotóxicos, especialmente os utilizados em lavouras de soja nas áreas vizinhas.

Nesse contexto, o filme também ressalta a importância do cumprimento do Código Florestal como instrumento fundamental para a conservação e a restauração do bioma Pampa. A implementação efetiva do Programa de Regularização Ambiental (PRA) e os mecanismos de compensação da Reserva Legal são apontados como caminhos estratégicos para conciliar produção e conservação, garantindo segurança jurídica aos produtores rurais e a proteção dos campos nativos a longo prazo.

“O filme traz mais de 30 depoimentos de pessoas (dos territórios) por onde passamos. A ideia é mostrar os desafios e as possibilidades que o bioma tem pela frente”, destacou Marcelo Elvira, secretário-executivo do Observatório do Código Florestal, durante o lançamento do documentário.

 

Implantando o Código Florestal

A iniciativa do documentário faz parte do projeto “Políticas, Práticas, Transparência e Governança para Implementação do Código Florestal” que tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil.

É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação dos Amigos da Terra Amazônia, é apoiado pelo Governo da Noruega e pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD) via Iniciativa Internacional de Clima e Floresta da Noruega – NICFI. A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio.

> Saiba mais 

 

Observatório do Código Florestal

É uma rede de 48 organizações da sociedade civil criada em 2013 com o objetivo de monitorar a implementação bem-sucedida da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei Federal nº 12.651/2012). Tem como propósito fortalecer o papel da sociedade civil na defesa da vegetação nativa brasileira e articular com os mais diversos atores pela proteção da vegetação nativa, pela produção sustentável e pela recuperação de ambientes naturais.

> Conheça

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

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