Serra Vermelha conquista proteção definitiva após 20 anos de mobilização

Serra Vermelha conquista proteção definitiva após 20 anos de mobilização

Serra Vermelha conquista proteção definitiva após 20 anos de mobilização

Decreto presidencial incorpora área ao Parque Nacional da Serra das Confusões e garante a conservação de um dos mais importantes remanescentes naturais do Nordeste brasileiro

Uma das mais emblemáticas lutas socioambientais do Brasil alcançou um desfecho histórico. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira (10) o decreto que incorpora a área da Serra Vermelha ao Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí. São mais 92 mil hectares que agora se somam à área da UC. A medida garante a proteção definitiva da área, que, durante décadas, esteve ameaçada por projetos de produção de carvão vegetal e pela expansão de atividades que colocavam em risco sua biodiversidade.

Com a ampliação, o Parque Nacional da Serra das Confusões passa a abranger 923 mil hectares protegidos pela legislação federal, consolidando-se como uma das maiores Unidades de Conservação do país. Criado em 1998, com 523 mil hectares, e ampliado em 2010 com mais 300 mil hectares, o parque agora incorpora uma área considerada estratégica para a conservação da Caatinga e dos ecossistemas associados ao Cerrado e à Mata Atlântica.

A mobilização reuniu pesquisadores, ambientalistas, comunidades locais, organizações da sociedade civil e instituições públicas em defesa da Serra Vermelha, reconhecida como uma das áreas mais importantes para a conservação da biodiversidade do Nordeste.

 

Serra Vermelha

Localizada entre os municípios de Curimatá, Morro Cabeça no Tempo, Bom Jesus e Redenção do Gurguéia, a Serra Vermelha abriga um mosaico de ecossistemas formado pelo encontro da Caatinga, do Cerrado e de remanescentes de Mata Atlântica. Essa combinação cria condições excepcionais para a ocorrência de espécies da fauna e da flora, tornando a região uma importante área de transição ecológica.

Além de sua riqueza biológica, a Serra Vermelha desempenha um papel fundamental na proteção dos recursos hídricos. A região contribui para a recarga de aquíferos e para a manutenção de nascentes que abastecem importantes bacias hidrográficas brasileiras, como as dos rios Parnaíba e São Francisco.

Considerada uma floresta relictual, remanescente de formações vegetais muito antigas, a área constitui um patrimônio natural e científico de relevância nacional.

 

A luta contra a devastação

A mobilização em defesa da Serra Vermelha teve início em 2006, quando ambientalistas denunciaram um projeto da empresa JB Carbon S/A para transformar extensas áreas de vegetação nativa em carvão vegetal destinado à indústria siderúrgica. Na época, fotografias e levantamentos de campo revelaram o avanço do desmatamento em uma das últimas grandes florestas do semiárido nordestino.

A denúncia ganhou repercussão nacional e levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a suspender o empreendimento. Em seguida, o Ministério Público Federal ajuizou Ação Civil Pública para impedir a continuidade do projeto.

Embora a iniciativa empresarial tenha sido interrompida, a proteção definitiva da área permaneceu pendente por quase duas décadas. Nesse período, estudos técnicos, pareceres científicos e decisões judiciais reforçaram a necessidade de incorporar a Serra Vermelha ao Parque Nacional da Serra das Confusões, mas a medida enfrentou sucessivos adiamentos devido a disputas políticas e interesses econômicos.

Mobilização em prol da Serra Vermelha

Algumas das diversas campanhas e mobilizações realizadas em prol da Serra Vermelha nos últimos 20 anos

Vitória histórica para a conservação

A assinatura do decreto representa uma conquista histórica para o movimento socioambiental brasileiro e para a conservação da biodiversidade. A decisão encerra uma das mais longas campanhas ambientais do país e garante a proteção definitiva de um dos mais importantes remanescentes naturais do Nordeste brasileiro.

“É a maior vitória ambiental no Nordeste nas últimas décadas. A campanha SOS Serra Vermelha teve o seu lançamento em dezembro de 2006 e, 20 anos depois, alcança seu final vitorioso”, afirma o fotógrafo André Pessoa, idealizador da Campanha SOS Serra Vermelha e participante ativo da luta em prol da UC.

Embora a criação da Unidade de Conservação represente o desfecho de uma longa mobilização, os desafios para a proteção da região continuam. Para Tânia Martins, coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) e da Rede Ambiental do Piauí, que acompanha a campanha desde o início, a vitória precisa ser acompanhada de ações voltadas à recuperação das áreas degradadas ao longo das últimas décadas. “Essa história não é apenas sobre conservação ambiental, mas também sobre resistência. Durante esses 20 anos de luta pela proteção da Serra Vermelha, a região foi muito saqueada por grileiros, madeireiros e atividades minerárias. Por isso, além de celebrar essa conquista histórica, será necessário um grande esforço coletivo para recuperar os habitats degradados. A Serra Vermelha permanece de pé e, em tempos de crise climática, essa é uma vitória que interessa a toda a humanidade.”

Registros históricos de protestos, encontros no Ministério do Meio Ambiente, denúncias e visitas de campo na Serra Vermelha. Fotos: Arquivo Apremavi/RMA/André Pessoa

O envolvimento da Apremavi

Desde o início dessa mobilização, em 2006, a Apremavi somou esforços a diversas organizações da sociedade civil, a pesquisadores e movimentos socioambientais na defesa da criação do Parque Nacional da Serra Vermelha. Ao longo de quase duas décadas, a instituição participou de articulações, visitas de campo, ações de sensibilização e da produção de conteúdos que ajudaram a ampliar a visibilidade da causa e a fortalecer a mobilização em defesa da área.

Grande parte dessa articulação ocorreu no âmbito da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), espaço de intercâmbio e cooperação entre organizações ambientalistas de diferentes regiões do país. Por meio dessa rede, foram elaboradas estratégias conjuntas para sensibilizar a sociedade e pressionar o poder público para a proteção definitiva da Serra Vermelha.

A Serra Vermelha é um dos casos mais emblemáticos de conflito entre conservação ambiental e exploração predatória no Brasil. Este caso demonstra como a mobilização da sociedade civil, a atuação técnica e a pressão sobre as instituições podem impedir grandes crimes ambientais. Mas também revela como as respostas públicas podem ser lentas diante de ameaças tão graves e isso representa uma enorme vitória. Estamos muito felizes com essa reparação histórica”, destaca Wigold Schäffer, cofundador da Apremavi e um dos envolvidos na pauta desde o início da campanha.

Ao longo dos anos, a Apremavi também produziu materiais informativos sobre o tema, contribuindo para divulgar a importância ecológica da região e os riscos que enfrentava. Entre os conteúdos publicados estão: “Pela criação do Parque Nacional da Serra Vermelha”, “Por que salvar a Serra Vermelha?”, “Serra Vermelha perto de virar Parque” e em 2008 “Serra Vermelha em Perigo” 

 

Reunião do Conama SOS Serra Vermelha Foto: Miriam Prochnow

Semana da Mata Atlântica ocorrida em 2007, em Porto Alegre (RS), com manifestação em prol da Serra Vermelha. Foto: Miriam Prochnow

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Corre Diário e do Governo Federal.
Revisão: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow
Foto de capa: André Pessoa

Clima e cuidado: não haverá saída sem justiça, coragem e compromisso com a vida

Clima e cuidado: não haverá saída sem justiça, coragem e compromisso com a vida

Clima e cuidado: não haverá saída sem justiça, coragem e compromisso com a vida

Por Miriam Prochnow

Escrevo a partir de uma história de luta e de uma experiência acumulada ao longo de décadas na defesa da Mata Atlântica. Não falo da crise climática como quem observa um problema à distância. Falo de dentro dela. Falo de uma região que convive com enchentes, secas, vendavais, ciclones e com uma sensação cada vez mais concreta de insegurança. Falo também de um país que, apesar dos avanços duramente conquistados para proteger seus bens comuns e seu povo, tem permitido sucessivos retrocessos ambientais e sociais. E falo, sobretudo, da urgência de recolocar o cuidado no centro da política.

Quando ajudamos a fundar a Apremavi, em 1987, no Alto Vale do Itajaí, a devastação da Mata Atlântica era escancarada. Caminhões carregados de madeira cruzavam nosso cotidiano como se a destruição fosse parte natural da paisagem. Não era. Nunca foi. A indignação diante daquela violência foi o que nos moveu. E, desde o início, ficou claro que não bastava assistir, lamentar ou fazer discursos genéricos. Era preciso denunciar e agir. Era preciso enfrentar interesses poderosos e, ao mesmo tempo, construir alternativas concretas. Foi dessa convicção que nasceu uma prática que me acompanha até hoje: boca no trombone, mão na massa.

Ao longo desses anos, participamos de conquistas importantes, entre elas a Lei da Mata Atlântica, fruto de uma mobilização longa, persistente e coletiva. Mas seria ilusório imaginar que os direitos conquistados estão garantidos para sempre. O que temos visto é um ataque permanente à legislação ambiental, às unidades de conservação, aos mecanismos de controle e ao próprio sentido do interesse público e da democracia. Os retrocessos dos últimos anos não caíram do céu. Eles foram produzidos politicamente. Foram estimulados por governos, por setores econômicos predatórios e por uma cultura que trata a natureza como um obstáculo ao lucro. Quando o Estado enfraquece a proteção ambiental, não está apenas alterando normas. Está autorizando a destruição.

É preciso dizer isso com todas as letras: a crise climática não é uma fatalidade natural. Ela é agravada por escolhas. Ela se intensifica quando se permite o desmatamento, quando se desmonta o licenciamento, quando se ocupam de forma irresponsável áreas frágeis, quando se despreza o planejamento urbano, quando se ignora a ciência e quando se governa para poucos. A tragédia não começa no dia da enchente, do vendaval ou do deslizamento. Ela começa antes, nas decisões tomadas, ou deliberadamente não tomadas, por quem tem poder de proteger e prefere servir a interesses próprios ou está a serviço dos interesses de quem destrói.

Santa Catarina conhece bem essa realidade. Os eventos extremos se tornaram mais frequentes, mais intensos e mais imprevisíveis. O medo passou a fazer parte do cotidiano. Estamos com a ameaça de um super El Niño batendo à porta. Mas nem todos enfrentam esse medo da mesma maneira. A crise climática escancara desigualdades antigas e cria novas formas de injustiça. Quem mais sofre são sempre os mesmos: mulheres, crianças, idosos, migrantes, populações pobres, pessoas que vivem em áreas de risco e que, em geral, recebem menos proteção, menos escuta e menos direito de participar das decisões. Quando uma família é retirada de uma área sujeita a enchente e levada para outra igualmente vulnerável, o poder público não está resolvendo um problema. Está apenas deslocando o dano, empurrando vidas para a linha de frente do desastre.

Por isso, insisto, que a discussão climática seja tratada como uma questão de justiça. Não se trata apenas de adaptação técnica, de obras emergenciais ou de sistemas de alerta, embora tudo isso seja necessário. Trata-se de questionar a lógica perversa da ação baseada na separação entre quem vive com segurança e quem é condenado à exposição permanente, ou ainda entre quais vidas são consideradas prioritárias e quais são descartáveis. Isso nos obriga a reconhecer que a política ambiental e a política social não podem seguir separadas. Onde faltam moradia digna, planejamento, saneamento, saúde, participação popular e proteção territorial, a crise climática encontra terreno fértil para aprofundar a desigualdade.

Também não haverá justiça climática sem enfrentar a desigualdade de gênero. As mulheres continuam sustentando a vida concreta, cotidiana, invisibilizada. Trabalham fora, trabalham dentro de casa, cuidam dos filhos, dos idosos, da alimentação, da saúde, da organização doméstica e, em muitos casos, ainda seguem sem reconhecimento e sem apoio efetivo. Em contextos de crise, essa sobrecarga aumenta. São as mulheres que frequentemente reorganizam a sobrevivência da família, amparam os atingidos, administram a escassez e tentam manter algum vínculo social em meio ao caos. Ainda assim, as políticas públicas de adaptação climática seguem sendo pensadas, em grande parte, sem um olhar real para o cuidado e para a desigualdade de gênero. Isso é mais do que omissão. É um erro estrutural.

Quando falo em cuidado, não estou falando de um apelo sentimental ou de uma virtude privada. Estou falando de uma categoria política. Cuidado é aquilo que garante as condições materiais, sociais e ecológicas para que a vida continue. Cuidar é proteger florestas, nascentes, rios e solos. Cuidar é planejar cidades para que não matem seus moradores. Cuidar é ouvir as comunidades antes de impor soluções de gabinete. Cuidar é valorizar os saberes locais sem romantizá-los, integrando experiência, ciência e participação social. Cuidar é reconhecer que ninguém enfrentará a crise climática sozinho. E cuidar, em última instância, é romper com uma lógica de exploração que trata tudo, a natureza, o trabalho, os corpos e os territórios, como coisa disponível para saque.

A ausência de cuidado é visível por toda parte. Ela está na devastação ambiental, mas também no crescimento da violência, no aumento do número de feminicídios, na exploração de trabalhadores, no racismo estrutural, na xenofobia, nos maus-tratos contra animais e no desprezo pelos mais vulneráveis. Não vejo esses fenômenos como temas desconectados. Vejo como expressões de uma mesma sociedade adoecida, autoritária e desigual, que banaliza a violência e naturaliza a destruição. Uma sociedade que destrói florestas com facilidade é também uma sociedade que aprende a conviver com a brutalização da vida.

Mesmo assim, seguir lutando continua sendo necessário. E, para mim, essa permanência não se sustenta apenas pela denúncia. Sustenta-se também por uma agenda positiva, concreta e transformadora. Sustenta-se no viveiro de mudas, na restauração das nascentes, no relato de quem viu a água voltar, no diálogo entre diferentes atores, na construção paciente de caminhos coletivos. A restauração ambiental, nesse sentido, não é uma pauta menor, nem conciliatória. Ela é profundamente política. Restaurar é planejar o território, debater valores, discutir futuro. É afirmar que o país não precisa escolher entre vida e desenvolvimento, mas sim entre modelos predatórios e modelos comprometidos com o bem comum.

Já passou da hora de tratar a crise climática com a gravidade que ela exige. Não precisamos de mais discursos vazios, promessas genéricas ou ações simbólicas. Precisamos de coragem política para enfrentar interesses econômicos que lucram com a destruição. Precisamos de políticas públicas sérias, participativas e territorializadas. Precisamos fortalecer a legislação ambiental, restaurar ecossistemas, proteger os mais vulneráveis e colocar a vida acima da ganância. Isso vale para os governos, mas também vale para a sociedade. Porque não existe neutralidade possível diante do colapso.

Depois de tantos anos de militância, o que penso é simples: a humanidade só terá alguma chance de atravessar esta crise se reaprender a cuidar. Mas esse cuidado, para ser verdadeiro, precisa vir acompanhado de justiça, coragem e enfrentamento político. Não haverá saída baseada apenas em tecnologia, mercado ou adaptação superficial. A saída, se vier, terá de ser construída com compromisso radical com a vida humana e não humana e com disposição para romper com tudo aquilo que transformou a destruição em norma. O Planeta Terra, de alguma forma, vai sobreviver. Já a sobrevivência da humanidade vai depender do tamanho do cuidado que vamos conseguir implementar.

Revisão e foto de capa: Carolina Schäffer.

Encontro reúne projetos apoiados pelo Ibama para fortalecer a restauração da Mata Atlântica

Encontro reúne projetos apoiados pelo Ibama para fortalecer a restauração da Mata Atlântica

Encontro reúne projetos apoiados pelo Ibama para fortalecer a restauração da Mata Atlântica

Nos dias 27 e 28 de maio de 2026, foi realizado, em Doutor Pedrinho (SC), o 3º Encontro presencial dos Projetos Aprovados pelo Chamamento Público nº 02/2018 do Ibama, dentre eles o +Floresta da Apremavi.

O evento reuniu cerca de 38 participantes, entre representantes de instituições executoras, servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), representantes do meio acadêmico, da Justiça Federal e equipes envolvidas na execução dos projetos. Promovido pelo Mater Natura, em parceria com o Ibama, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), a Sociedade Chauá e a Whitley Fund for Nature (WFN), o encontro ocorreu em formato híbrido e teve como foco a troca de experiências e o fortalecimento das ações de restauração ecológica na Mata Atlântica.

Durante a programação, foram debatidos os desafios atuais e futuros dos projetos em execução, questões relacionadas à disponibilidade de sementes de espécies-alvo, monitoramento das áreas restauradas, impactos climáticos e aperfeiçoamentos necessários para ampliar os resultados das iniciativas. Também foram apresentados temas estratégicos como o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG) e a atuação do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.

Os participantes também realizaram uma visita técnica na Reserva Biológica do Sassafrás, uma área de implementação do projeto Paisagens Conversas desenvolvido pelo Mater Natura, onde acompanharam atividades práticas de monitoramento e participaram de um plantio simbólico de espécies-alvo. Na oportunidade, as representantes da Apremavi, Edilaine Dick, Caroline Heidemann e Suellen Brunetto tiveram a oportunidade de plantar uma muda de canela preta, espécie ameaçada de extinção.

Edilaine Dick, ressaltou a importância da visita para conhecer a realidade do projeto desenvolvido pelo Mater Natura e ter a oportunidade de verificar em campo o desenvolvimento das mudas produzidas pela Apremavi e plantadas na Rebio, uma vez que, a Apremavi é instituição parceira do projeto Paisagens Conversas.

O encontro reforçou a importância da articulação entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e demais parceiros para o avanço da agenda de restauração florestal, contribuindo para a recuperação da Mata Atlântica.

3º Encontro dos Projetos Aprovados pelo Ibama

Registros do monitoramento, plantio e debates no 3º Encontro dos Projetos Aprovados pelo Chamamento Público nº 02/2018 do Ibama. Fotos: Edilaine Dick

Projeto +Floresta

É um dos projetos apoiados pelo chamamento e visa contribuir com a restauração da vegetação nativa na Floresta Ombrófila Mista, no Oeste de Santa Catarina, com o incremento de espécies vegetais ameaçadas de extinção como a araucária, a imbuia e o xaxim, ambas com histórico de intensa exploração no estado.

É financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

> Conheça o projeto

 

Autora: Caroline Heidemann.
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Edilaine Dick.
Foto de capa: Edilaine Dick.

Na semana da Mata Atlântica, Rede de ONGs do bioma cumpre agenda em Brasília

Na semana da Mata Atlântica, Rede de ONGs do bioma cumpre agenda em Brasília

Na semana da Mata Atlântica, Rede de ONGs do bioma cumpre agenda em Brasília

Representantes da Rede de ONGs da Mata Atlântica entregaram reivindicações ao governo federal e participaram de reuniões e atividades no Congresso Nacional em defesa do bioma.

Entre os dias 26 e 28 de maio, representantes de diferentes organizações que integram a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) estiveram em Brasília (DF) para uma série de agendas voltadas à proteção, conservação e restauração da Mata Atlântica. A mobilização ocorreu durante a Semana da Mata Atlântica, período em que é celebrado o Dia Nacional da Mata Atlântica, em 27 de maio.

Instituída em 1999, a data tornou-se um importante marco de mobilização dos movimentos ambientalistas e de conscientização sobre a importância de um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta. Neste ano, as ações tiveram como mote “Só existe futuro com a Mata Atlântica”, destacando a relação entre a conservação do bioma, a qualidade de vida das pessoas e o enfrentamento da crise climática.

A celebração ocorre em um momento significativo para a Mata Atlântica. Após duas décadas da promulgação da Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006), o bioma registrou os menores índices de desmatamento desde o início do monitoramento sistemático realizado pelo Atlas da Mata Atlântica, em 1985.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem enormes. Da cobertura original da Mata Atlântica, restam atualmente cerca de 24%, sendo apenas 12,4% correspondentes a florestas maduras. Diante desse cenário, os representantes da RMA reforçaram, durante as agendas em Brasília, a necessidade de ampliar os esforços de conservação dos remanescentes florestais e acelerar as ações de restauração ecológica.

Entre os participantes estiveram Miriam Prochnow e Wigold Bertoldo Schäffer, cofundadores da Apremavi. O grupo reuniu-se com João Paulo Capobianco, Ministro do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, ocasião em que foi entregue uma carta contendo reivindicações da sociedade civil para fortalecer a proteção do bioma.

Nos principais pontos apresentados estão a regulamentação do Fundo de Restauração da Mata Atlântica, previsto na legislação, e a criação de Unidades de Conservação consideradas prioritárias há anos por organizações ambientalistas e pesquisadores. Um dos exemplos destacados foi o Parque Nacional da Serra Vermelha, cuja criação é aguardada desde 2008.

A programação também incluiu reuniões com Mauro Pires, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); com a deputada federal Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente; e com o deputado federal Nilto Tatto, coordenador da Frente Parlamentar Mista Ambientalista.

No dia 28 de maio, os representantes da Rede acompanharam a Sessão Solene realizada na Câmara dos Deputados em homenagem ao Dia Nacional da Mata Atlântica. A atividade reuniu parlamentares, representantes de organizações da sociedade civil e especialistas para reforçar a relevância do bioma para a biodiversidade, a produção de água, a regulação climática e a qualidade de vida de milhões de brasileiros.

Para Miriam Prochnow, coordenadora de Políticas Públicas da Apremavi, a agenda cumpriu um papel estratégico ao reforçar a importância da Mata Atlântica no enfrentamento da emergência climática: “a restauração da Mata Atlântica é fundamental e a conservação de seus remanescentes é imprescindível. Quem sabe, as tão esperadas Unidades de Conservação na Mata Atlântica sejam anunciadas em breve”, destaca.

A mobilização da Rede de ONGs da Mata Atlântica reforça que, embora os resultados recentes na redução do desmatamento sejam motivo de celebração, ainda há muito trabalho a ser realizado para garantir a recuperação e a proteção definitiva de um dos biomas mais ameaçados e importantes do Brasil.

“Nossa agenda política em Brasília atingiu os objetivos que traçamos para dialogar com as autoridades da área. A reunião com o ministro Capobianco foi bastante produtiva, falamos sobre quase todas as demandas que acompanhamos na Mata Atlântica em todo o Brasil e sua sensibilidade para com o bioma transmitiu segurança para a Coordenação da RMA. Da mesma forma foi com o Presidente do ICMBio, Mauro Pires e também com os parlamentares que dedicam seus mandatos à causa ambiental”, comenta Tânia Martins, Coordenadora Geral da RMA.

 

Rede de ONGs da Mata Atlântica na Semana da Mata Atlântica de 2026 em Brasília

Registro das diversas ações realizadas durante a Semana da Mata Atlântica em Brasília pela Rede de ONGs da Mata Atlântica. Fotos: Arquivo Apremavi/RMA

Carta da Mata Atlântica

Ao Senhor

João Paulo Ribeiro Capobianco

MD Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima

Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

 

Senhor Ministro,

O motivo pelo qual encaminhamos esta Carta é manifestar nossa satisfação em saber que a Mata Atlântica apresentou seu menor índice de desmatamento em décadas, depois de muito trabalho de pessoas comprometidas com o Bioma em vários setores, e pelo fato de termos uma legislação específica em vigor há 20 anos. Entretanto, precisamos também manifestar preocupação com o estado de degradação da Mata Atlântica e as ameaças que continuam comprometendo sua biodiversidade, os recursos hídricos e outros serviços ecossistêmicos fundamentais para a população brasileira. Desta forma, nos dirigimos a este Ministério, na sua pessoa, para solicitar formalmente a adoção de medidas urgentes para proteger a Mata Atlântica, as quais listamos a seguir: 

  1. Regulamentação do Fundo de Restauração da Mata Atlântica

O Fundo de Restauração do Bioma Mata Atlântica, instituído pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2026, restauração ambiental, conservação de remanescentes de vegetação nativa e de pesquisa científica. Infelizmente, após 20 anos de promulgada, este importante dispositivo ainda não foi regulamentado. Por isso, reiteramos o pedido já feito a esse Ministério, em 25 de março de 2025, para que o Fundo tenha a devida regulamentação e seja devidamente implementado.

O dispositivo legal é claro ao determinar que os recursos do Fundo sejam destinados a projetos de restauração de áreas degradadas, de proteção de remanescentes florestais e de pesquisa científica sobre o bioma — o segundo mais ameaçado do planeta, reduzido a pouco mais de 12% de sua cobertura original. A lei existe. A necessidade existe. O que não existe, até o presente momento, é o ato normativo que possibilite a operacionalidade ao Fundo.

  1. Criação de Unidades de Conservação

A criação de novas Unidades de Conservação na Mata Atlântica é instrumento indispensável para a reversão da destruição do Bioma, reduzido a menos de 12% de sua cobertura vegetal original. O processo histórico de desmatamento, impulsionado pela expansão agrícola, urbanização desordenada e exploração madeireira, resultou na fragmentação severa dos ecossistemas que abrigam mais de 20 mil espécies de plantas, 850 espécies de aves e centenas de espécies endêmicas de fauna, muitas das quais figuram na lista de espécies ameaçadas de extinção.

Consideramos ser a melhor estratégia para proteger o Bioma — para que ele continue mantendo os serviços ambientais prestados, como regulação hídrica, sequestro de carbono, polinização e proteção do solo — além de contribuir para a consolidação dos compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris e da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), a criação de Unidades de Conservação em todos os 17 estados onde a Mata Atlântica se faz presente. Assim, consideramos ser a retomada da criação de Unidades de Conservação, com inúmeros processos já iniciados, imperativa para o futuro da Mata Atlântica.

  1. Institucionalização do Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná 

Delimitado de forma participativa com atores que atuam diretamente em diferentes campos de ação, o Corredor proposto é estratégico para a conservação das espécies ícones da nossa biodiversidade (onça-pintada (panthera onça) ariranha, tatu-canastra, anta, lobo-guará, surubim-pintado e harpia) como fundamental para o equilíbrio do número de unidades de conservação no território brasileiro, a continuidade da redução do desmatamento da Mata Atlântica e enfrentamento das mudanças climáticas. Da mesma forma, se faz necessário estudos para criação, ampliação e restauração no território que se convencionou denominar florestas do Alto Rio Paraná e na conexão com o Corredor Trinacional de Mata Atlântica do Mercosul, com foco nos deslocamentos e migração das últimas subpopulações da onça-pintada no Bioma.

  1. Desmonte das Políticas Ambientais

Como se sabe a Frente Parlamentar da Agropecuária-FPA, articulada com a bancada ruralista e presidente da Câmara dos Deputados, age atropelando regimento e sem debate público para aprovar projetos que desmontam as salvaguardas que protegem o meio ambiente. O que se observa é o enfraquecimento das regras e das instituições.

É preciso tomada de atitudes para evitar o declínio da legislação combinando engajamento da sociedade civil, pressão política e ação judicial para barrar os retrocessos do Parlamento e do agronegócio, comprovadamente responsável pelo aumento das emissões de gás, contaminação por venenos dos cursos hídricos e pelo desmatamento. Em nome do coletivo, solicitamos que o MMA acione a AGU para que o governo federal conteste a constitucionalidade de todos os projetos de retrocessos ambientais aprovados.

  1. Tráfico de Animais Silvestres

Em relação ao tráfico de animais silvestres, é preciso uma ação mais contundente no Brasil. Estima-se que cerca de 38 milhões de animais sejam traficados por ano no país, segundo dados da Organização Social de Interesse Público (Oscip) Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). Animais capturados em nossos biomas, inclusive nos remanescentes da Mata Atlântica, assim como na Amazônia,no Cerrado e na Caatinga são transportados para grandes centros urbanos, falsificados com registros de cativeiro e exportados para a Ásia, Europa e América do Norte.

De acordo com o Relatório da Transparência Internacional Brasil (2024), que analisou 18 casos e mapeou 24 práticas de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro que viabilizam o tráfico — incluindo suborno de agentes públicos e fraude em sistemas de controle —, é necessário e urgente o envolvimento de diversos órgãos controladores e de segurança do país para combater esse crime.

Na certeza de seu compromisso e colaboração, permanecemos à disposição.

Coordenação da Rede de ONGs da Mata Atlântica — RMA

Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA)

A RMA possui 156 organizações filiadas, distribuídas em 17 estados brasileiros, que se encontram no domínio da Mata Atlântica. Criada em 1992, a Rede tem por objetivo a defesa, preservação, conservação e recuperação da Mata Atlântica, por meio da promoção do intercâmbio de informações, da mobilização, da ação política coordenada e do apoio mútuo entre as ONGs.

> Conheça

 

Autora: Miriam Prochnow.
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer.
Foto de capa: Arquivo RMA/Apremavi.

Mata Atlântica fragmentada: o desmatamento está tornando as florestas mais parecidas entre si

Mata Atlântica fragmentada: o desmatamento está tornando as florestas mais parecidas entre si

Mata Atlântica fragmentada: o desmatamento está tornando as florestas mais parecidas entre si

A Mata Atlântica já cobriu uma vasta faixa do território brasileiro, abrigando uma das maiores diversidades de plantas do planeta. Hoje, porém, restam apenas 12,4% da cobertura florestal original do bioma, composta por fragmentos mais maduros de mais de três hectares.

Um novo estudo publicado na revista Global Change Biology, realizado por pesquisadores brasileiros, mostra que essa fragmentação não reduz apenas a quantidade de floresta: ela também empobrece a variedade de espécies vegetais presentes em diferentes regiões da Mata Atlântica.

A pesquisa analisou 95 paisagens distribuídas ao longo do bioma, com base em dados de 270 inventários florestais. Os cientistas investigaram como o desmatamento e a fragmentação afetam o quanto as comunidades de plantas diferem entre si. Quanto maior a diversidade, maior a variedade de espécies em diferentes áreas da floresta. 

 

Florestas mais homogêneas

Os resultados mostram que, em paisagens muito fragmentadas, as florestas estão se tornando mais parecidas entre si. Esse processo é conhecido como “homogeneização biótica”.

Segundo os autores, o aumento do número de fragmentos florestais favorece espécies generalistas, capazes de sobreviver em ambientes degradados, enquanto espécies raras e especializadas desaparecem gradualmente. O resultado é uma perda silenciosa da singularidade ecológica da Mata Atlântica.

A fragmentação também altera profundamente as condições ambientais. Fragmentos pequenos sofrem maior influência das bordas, ficam mais expostos à entrada de gado, a incêndios e perturbações humanas, além de dificultarem a dispersão de sementes e a circulação de espécies vegetais.

“O problema tende a ser mais grave em regiões altamente fragmentadas da Mata Atlântica, como é o caso das matas mais do interior, como a Floresta Estacional Semidecidual e a Floresta Estacional Decidual, que ocorrem no oeste do Estado de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul”, relata Jean M. Freitag Kramer, pós-doutorando no Laboratório de Ecologia Vegetal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, primeiro autor do estudo.

 

O efeito nas espécies endêmicas

Outro dado importante do estudo é que áreas com maior quantidade de floresta preservada concentram mais espécies endêmicas, aquelas que ocorrem apenas em determinadas regiões da Mata Atlântica.

Essas espécies possuem alto valor ecológico e evolutivo, mas são particularmente vulneráveis ao desmatamento, pois muitas têm baixa capacidade de dispersão e dependem de condições ambientais muito específicas.

Os pesquisadores observaram que paisagens com maior cobertura vegetal mantêm níveis mais altos de endemismo, reforçando a importância da conservação de grandes áreas contínuas de floresta.

“Normalmente, espécies endêmicas, com distribuição mais restrita, são mais vulneráveis ao desmatamento e à fragmentação, como o palmito-juçara (Euterpe edulis). Em regiões altamente fragmentadas, com o decorrer do tempo, acabam restando apenas as espécies mais toleráveis à fragmentação, que normalmente são espécies com distribuição mais ampla pelo bioma”, comenta Jean.

 

Pequenos fragmentos também têm valor

Apesar da importância das grandes áreas conservadas, os autores destacam que pequenos fragmentos florestais também desempenham um papel crucial na conservação. Eles podem funcionar como “pontes ecológicas”, facilitando o deslocamento de espécies entre áreas maiores.

Por isso, os pesquisadores defendem estratégias que combinam a conservação de grandes remanescentes com a manutenção de pequenos fragmentos espalhados pela paisagem.

A Mata Atlântica abriga milhares de espécies de plantas, muitas delas exclusivas do Brasil. Entretanto, décadas de desmatamento vêm alterando profundamente a composição dessas comunidades vegetais. O novo estudo mostra que os impactos vão além da simples perda de área florestal: a fragmentação altera a própria identidade ecológica da floresta. Ao tornar diferentes regiões mais semelhantes entre si, o desmatamento reduz a complexidade biológica fruto de milhões de anos de evolução.

Floresta dominada por palmito-juçara (Euterpe edulis)

Fragmento de Mata Atlântica com palmito-juçara, uma das espécies mais sensíveis ao desmatamento e à fragmentação. Foto: Jean M. Freitag Kramer

Laboratório de Ecologia Vegetal da UFRGS 

A pesquisa é fruto do trabalho de doutorado do Jean, realizado no Laboratório de Ecologia Vegetal (LEVEG) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O LEVEG desenvolve pesquisas em ecologia, especialmente nas áreas de ecologia de comunidades e ecologia da restauração. O foco das pesquisas é a dinâmica de comunidades de plantas, com estudos de padrões estruturais e funcionais no tempo e no espaço. O grupo também realiza pesquisas que integram relações planta-animal, avaliando a resposta de diferentes conjuntos de organismos a gradientes ambientais e/ou de distúrbio.

Os trabalhos são desenvolvidos em ecossistemas florestais, campestres e em ecótonos floresta-campo, abrangendo os biomas Mata Atlântica e Pampa.

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Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

Dia da Mata Atlântica e a história da lei que mantém o bioma vivo

Dia da Mata Atlântica e a história da lei que mantém o bioma vivo

Dia da Mata Atlântica e a história da lei que mantém o bioma vivo

Por Wigold Bertoldo Schäffer, 66 anos, ambientalista e administrador 

Sempre que sou convidado a falar sobre a Mata Atlântica ou qualquer outro tema ambiental, começo dizendo que, no Brasil, mesmo com a existência de leis, é difícil proteger ou restaurar o meio ambiente; sem elas, seria impossível

Até o início dos anos 1980, praticamente não havia legislação de proteção às florestas. Existia o Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), que estabelecia a proteção às áreas de preservação permanente e às reservas legais, mas continha uma série de dispositivos que favoreciam a exploração florestal e até a substituição de florestas nativas por plantações de espécies exóticas.

Junto com outros ambientalistas, dediquei mais de 40 anos à luta por uma legislação específica para a proteção da Mata Atlântica. Nesse período de ativismo, participei da luta pelo fim da ditadura militar, pela defesa das eleições diretas, por um capítulo de meio ambiente na Constituição de 1988 e da luta incansável para garantir a aprovação de toda a legislação específica de proteção da Mata Atlântica, bem como de sua regulamentação pelo Poder Executivo e pelo Conama. 

Neste texto, trago memórias desse período em que se conquistou a legislação que garantiu uma possibilidade de futuro para a Mata Atlântica e água e qualidade de vida para cerca de 150 milhões de brasileiros que vivem na região de domínio do bioma. Junto com a minha esposa, Miriam Prochnow, ajudei a criar a Apremavi (1987), a Federação de Entidades Ecologistas de Santa Catarina (1988), a Rede de ONGs da Mata Atlântica (1992), o Observatório Justiça e Conservação (2016), e participei de outras redes como o Observatório do Clima (2002) e o Observatório do Código Florestal (2013).

Entre 1999 e 2013, trabalhei no Ministério do Meio Ambiente (MMA), exercendo as funções de coordenador adjunto do Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA/PPG7) e de coordenador do Núcleo Mata Atlântica e Pampa. Nesse período, coordenei os esforços técnicos do MMA e participei das negociações no Congresso Nacional que resultaram na aprovação da Lei da Mata Atlântica e em sua regulamentação pelo Decreto nº 6660/2008. 

Em dezembro deste ano, a Lei nº 11.428/2006 (Lei da Mata Atlântica) completará 20 anos. Dados recém-divulgados no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, parceria entre a SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), comprovam que a Lei da Mata Atlântica foi crucial para frear o desmatamento que vinha ocorrendo. 

A Mata Atlântica, considerada Patrimônio Nacional pela Constituição Federal, cobria aproximadamente 15% do território brasileiro, equivalente a 1,3 milhões de km², quando os primeiros europeus chegaram ao Brasil, em 1500. Cobria total ou parcialmente 17 estados brasileiros, onde vivem cerca de 70% dos brasileiros e onde é gerado cerca de 80% do PIB brasileiro. 

É importante lembrar que os remanescentes de vegetação nativa da Mata Atlântica são fundamentais para a qualidade de vida de cerca de 150 milhões de brasileiros que vivem nessa região, pois protegem nascentes e fontes, regulam o fluxo dos mananciais d’água que abastecem as cidades e comunidades do interior, ajudam a regular o clima, a temperatura, a umidade, as chuvas, asseguram a fertilidade do solo e protegem escarpas e encostas de morros da erosão.

Na segunda metade da década de 1980, o desmatamento na Mata Atlântica corria solto, superando anualmente mais de 100.000 hectares, sem sinais de diminuição. O ritmo frenético da destruição provocada por madeireiras, especuladores imobiliários, avanço da agropecuária e da silvicultura indicava que a extinção total estava próxima.

Olhando para essa realidade, um grupo de ambientalistas criou, em 1986, a Fundação SOS Mata Atlântica em São Paulo, tendo à frente João Paulo Capobianco (atual Ministro do Meio Ambiente e da Mudança do Clima). Além de Capobianco, em São Paulo se destacaram nessa luta os ambientalistas Fábio Feldmann, José Pedro de Oliveira Costa, Clayton Ferreira Lino, Maria Cecilia Wey de Brito, Marcia Hirota, Paulo Nogueira Neto, Mario Mantovani, André Lima, Márcio Santilli, Djalma Weffort, Claudio Pádua, Suzana Pádua, Flavia Balderi, Ana Paula Balderi, Belô Monteiro, Raul Valle, Adriana Ramos, Marcos Rosa e Rodrigo Agostinho, entre outras e outros.

Aqui em Santa Catarina, reforçando a luta dos pioneiros Lauro Bacca, Lucia Sevegnani, Raulino Reitz, Roberto Miguel Klein, Noêmia Bohn, Beate Frank, João de Deus Medeiros, criamos em 1987 a Apremavi, tendo à frente Miriam Prochnow, que junto com Wigold Schaffer, Philipp Stumpe, Orival Grahl, Nodgi Pellizzetti, Odair Andreani, Milton Pukall, Valburga Schneider, Augusto Hoffmann, Alexandre Tkotz e Cleusa Boing, iniciaram a luta em defesa da Mata Atlântica no Alto Vale do Itajaí.

Outros ambientalistas a exemplo de José Lutzenberger, Augusto Carneiro, Magda Renner, Giselda Castro, Kátia Monteiro, Alexandre Krob, Gustavo Trindade e Lisiane Becker no Rio Grande do Sul, Clóvis Borges, Teresa Urban, José Álvaro Carneiro e Paulo Pizzi no Paraná, Carlos Minc, Fernando Gabeira, José Augusto Pádua, Luiz Paulo Ferraz, Denise Rambaldi e Pedro Graça Aranha no Rio de Janeiro, Maria Dalce Ricas e Katia Maia em Minas Gerais, Renato Cunha, Beto Mesquita e José Tozato na Bahia, Maria das Dores Mello, Vasconcelos Sobrinho, Sérgio Xavier e Kenia Correia em Pernambuco, Elisete Siqueira e Detinha Son no Espírito Santo, Lizaldo Vieira em Sergipe, Paula Frassinete na Paraíba, Geovana Cartaxo e Ednaldo Vieira Nascimento no Ceará, Ary Pára-Raios e Betsey Neal no Distrito Federal, Francisco Iglesias no Rio Grande do Norte, Francisco Soares, André Pessoa e Tânia Martins no Piauí, Alessandro Menezes e Liliane Lacerda no Mato Grosso do Sul, entre muitos outros, através de suas instituições se empenharam nas lutas da Rede de ONGs da Mata Atlântica em defesa do que restava da Mata Atlântica e seus ecossistemas associados

Essa luta também contou com o importante engajamento e apoio de representantes do Ministério Público, com destaque para Antônio Herman Benjamin, do MPSP (atual presidente do Superior Tribunal de Justiça), e Analucia Hartmann, do Ministério Público Federal de Santa Catarina, entre outros.  Suely Araújo e Maurício Mercadante, assessores técnicos da Câmara dos Deputados, exerceram um papel  importante nas negociações da Lei da Mata Atlântica. Johaness Eck, na Casa Civil da Presidência da República, exerceu papel central na negociação do Decreto nº 6.660, que regulamentou a lei. Jornalistas, a exemplo de Liana John, Maura Campanili e Silvia Marcuzzo, entre outros, mantiveram a discussão ativa nos jornais.

Nesse cenário de destruição em curso, a Mata Atlântica precisava de uma lei, e essa foi a principal bandeira defendida pelos ambientalistas ainda na Constituinte. Com o ambientalista e deputado Fábio Feldman como protagonista, conseguiu-se inserir na Constituição de 1988 um capítulo moderno sobre meio ambiente, que declarou a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal mato-grossense e a Zona Costeira como patrimônio nacional, abrindo caminho para a busca por uma legislação específica de proteção da Mata Atlântica.

Em 1990, por iniciativa de José Lutzenberger, então secretário nacional de Meio Ambiente, foi assinado o Decreto nº 99.547, que proibiu, por prazo indeterminado, o corte e a exploração da vegetação nativa da Mata Atlântica, o que gerou reação de madeireiros, ruralistas e de outros setores acostumados a lucrar com o desmatamento e a destruição da Mata Atlântica. 

Os inimigos da Mata Atlântica chegaram a propor, sem sucesso, uma moção no CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que solicitava ao Presidente da República a revogação do decreto. Diante do cenário de pressão pela revogação do Decreto nº 99.547/1990, de um lado, e da necessidade de avançar para uma legislação definitiva, as organizações ambientalistas criaram, durante a Rio-92, a Rede de ONGs da Mata Atlântica, que, sob a coordenação do ambientalista e atual Ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, assumiu a luta pela aprovação de uma lei específica para o bioma. 

Em outubro de 1992, o deputado federal Fábio Feldmann apresentou o Projeto de Lei da Mata Atlântica (PL nº 3.285/1992) na Câmara dos Deputados. Em 10 de fevereiro de 1993, atendendo à reivindicação da Rede de ONGs da Mata Atlântica, o então presidente Itamar Franco assinou o Decreto nº 750, com texto idêntico ao do PL nº 3.285/1992 protocolado na Câmara dos Deputados. 

O Decreto nº 750 atendia a algumas das reivindicações dos setores descontentes, mas também abriu brechas para a exploração de espécies nativas por meio de planos de manejo. Essa exploração revelou-se um completo desastre, especialmente para as espécies ameaçadas, pois o Ibama e os órgãos ambientais estaduais passaram a autorizar indiscriminadamente a exploração dessas espécies. 

Em Santa Catarina, a exploração atingiu principalmente seis espécies ameaçadas: canela-preta, canela-sassafrás, imbuia, pinheiro-brasileiro, palmito-juçara e xaxim, levando essas espécies ao limite da existência. Diante desse quadro insustentável o Instituto Socioambiental, através  do advogado André Lima (atual Secretário Extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA), com o apoio de cientistas, ambientalistas de Santa Catarina e da Rede de ONGs da Mata Atlântica impetrou, em 29.11.2000, uma Ação Civil Pública contra o Ibama para suspender os planos de manejo e proibir novas autorizações de espécies ameaçadas de extinção até que se comprovasse cientificamente a viabilidade  dessa exploração. 

Ainda em 2000, a Justiça Federal concedeu liminar que suspendeu os planos de manejo e proibiu a concessão de novas autorizações. O Ibama e os madeireiros jamais conseguiram comprovar cientificamente a viabilidade da exploração e, em 2009, a Justiça federal confirmou a liminar. O Ibama recorreu ao STJ e, depois, ao STF, que, em decisão final de novembro de 2016, condenou o instituto a reparar os danos causados a essas espécies ameaçadas a partir de 1993, ano em que foi publicado o Decreto nº 750, que proibia “a exploração de vegetação que tenha a função de proteger espécies da flora e fauna silvestre ameaçadas de extinção”.  

Essa proibição imposta pela justiça deu uma chance às espécies ameaçadas, como a araucária. Neste caso, beneficiou também a fauna, como os papagaios-charão e de peito-roxo, entre muitas outras espécies.

Em 2017, o Ibama firmou um acordo judicial com o Ministério Público Federal em Santa Catarina (MPF/SC) e o Instituto Socioambiental (ISA), sob a supervisão da Justiça Federal, comprometendo-se a destinar R$ 34 milhões a projetos de recuperação da Mata Atlântica, principalmente voltados às espécies ameaçadas de extinção, exploradas em razão de autorizações ilegalmente concedidas. 

Um dos projetos financiados pelo Ibama é o +Floresta da Apremavi, que está sendo implementado no município de Abelardo Luz, em Santa Catarina. Estão sendo restaurados 262 ha nas Reservas Legais de sete Projetos de Assentamento (PAs) da Reforma Agrária e em uma Área de Preservação Permanente da Terra Indígena – T.I. Toldo Imbu. O foco do projeto é restaurar populações de espécies ameaçadas de extinção como a araucária, a imbuia e o xaxim-bugio.

O Projeto de Lei da Mata Atlântica tramitou no Congresso Nacional por 14 anos e foi sancionado em 22.12.2006 pelo presidente Lula, após intensa mobilização da sociedade civil coordenada pela Rede de ONGs da Mata Atlântica. Durante a tramitação no Congresso, os deputados Fábio Feldmann (proponente do PL), Sarney Filho, Luiz Carreira, Jaques Wagner e Luciano Zica desempenharam um papel importante nas negociações do texto. Sarney Filho e José Carlos Carvalho, no cargo de ministros do meio ambiente no Governo FHC, defenderam a aprovação da lei, sem sucesso. 

A tramitação finalmente ganhou impulso no governo Lula a partir de 2003, com a dedicação e o empenho da ministra Marina Silva e do secretário de biodiversidade e florestas João Paulo Capobianco; o texto-base foi aprovado na Câmara dos Deputados em 02.12.2003. A tramitação do PL ficou paralisada no Senado por quase 3 anos e, somente após intensas negociações da ministra Marina Silva e de sua equipe com os senadores, foi aprovado com alterações, tendo voltado à Câmara, onde foi definitivamente aprovado em 29 de novembro de 2006. A lei foi sancionada pelo presidente Lula em 22.12.2006, com vetos, sendo o principal o veto ao art. 27 e seus parágrafos, que permitiam a exploração de espécies da flora nativa, inclusive as ameaçadas de extinção. Isso pôs fim à possibilidade de autorização para a exploração comercial das espécies ameaçadas da flora da Mata Atlântica.    

A solenidade de sanção da Lei 11.428/2006 no Palácio do Planalto contou com a participação do presidente Lula, da ministra Marina Silva, do autor do PL, Fábio Feldmann, do presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin, e da coordenadora-geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Miriam Prochnow, que aproveitou a oportunidade para presentear o presidente com uma muda de pau-brasil produzida pela Apremavi. Além das autoridades, o evento contou com aproximadamente 300 convidados entre cientistas, ambientalistas, técnicos ambientais e representantes dos poderes legislativo, judiciário e executivo. 

Discurso do Presidente Lula durante o sancionamento da Lei da Mata Atlântica, sintetizando bem o momento histórico que o Brasil estava vivendo ao sancionar a Lei:

A Lei pôs fim à exploração e ao corte da vegetação primária, exceto para fins de pesquisa científica e de obras de utilidade pública. A vegetação secundária em estágios médios e avançados de regeneração também passou a ser protegida pela Lei, que limitou a supressão a  algumas situações de utilidade pública ou interesse social e sempre com autorização dos órgãos ambientais públicos competentes. 

A Lei 11.428 atribuiu ao IBGE a responsabilidade de elaborar e publicar o mapa que delimita as formações florestais e os ecossistemas associados à Mata Atlântica. O Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428/2006 foi publicado pelo IBGE, em conjunto com o Decreto nº 6.660/2008, tornando-se um instrumento fundamental para a aplicação da lei.

Mapa de Aplicação da Lei da Mata Atlântica

A legenda deve ser curta, entre 10 e 20 palavras. Foto: Sempre colocar o crédito da foto, se não souber o autor colocar Arquivo Apremavi.

Já a partir de 2006, ano em que foi sancionada e, principalmente, a partir de 2009, como reflexo do Decreto nº 6.660/2008, que regulamentou a Lei, assinado pelo presidente Lula e pelo ministro do Meio Ambiente na época, Carlos Minc, o desmatamento na Mata Atlântica caiu significativamente para cerca de 10 a 15 mil hectares por ano, atingindo o menor nível em 2025 com 8.668 ha, como mostram os dados da SOS/INPE. Na contramão dos demais estados, em 2025, Santa Catarina registrou um aumento de 16% no desmatamento, provocado pela expansão imobiliária e pelas atividades agropecuárias. 

Os dados históricos (quadro abaixo) do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica (SOS/INPE) comprovam que o desmatamento da Mata Atlântica recrudesceu à medida que a legislação protetora foi aprimorada. 

Taxa de desmatamento na Mata Atlântica no período de 1985 a 2025. Figura: SOS Mata Atlântica/INPE.

No Brasil, a sociedade civil nunca pode baixar a guarda pois diuturnamente os negacionistas e inimigos do meio ambiente estão à espreita tentando impor retrocessos à legislação como aconteceu em 2025, quando o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial, incluindo dispositivos que enfraquecem o controle do desmatamento ou a proposta aprovada na Câmara dos Deputados em 21.10.2026, que pretende impedir ou dificultar que os órgãos ambientais possam utilizar tecnologias de sensoriamento remoto ou imagens de satélite para embargar desmatamentos e autuar os responsáveis. Isso equivale a impedir a Polícia Rodoviária de utilizar radares eletrônicos para controlar a velocidade e autuar infratores de trânsito. 

A utilização de tecnologias eletrônicas, como os radares de trânsito para controle de velocidade ou as imagens de satélite, para combater desmatamentos ilegais diminui custos e aumenta a eficiência dos órgãos de fiscalização e controle. Essas tecnologias não servem apenas para punir infratores; servem principalmente para prevenir transgressões de trânsito e desmatamentos ilegais. A existência desses dispositivos também indica à sociedade que os órgãos de fiscalização dispõem de  tecnologias para monitorar e, assim, inibir as ilegalidades. 

Mesmo com a redução do desmatamento, considerando a destruição histórica  da Mata Atlântica, da qual restam hoje cerca de 24%, sendo pouco mais da metade (12,4%) correspondente às florestas maduras, a destruição  ainda é muito alta e injustificável. A restauração da Mata Atlântica é fundamental, e a conservação de seus remanescentes é imprescindível. Quem sabe, o presidente Lula ainda anuncie as tão esperadas Unidades de Conservação na Mata Atlântica, com processos em andamento, para fazer a mesma justiça histórica que fez ao sancionar a Lei da Mata Atlântica. 

Linha do tempo resumida da aprovação da Lei da Mata Atlântica. Foto: Miriam Prochnow.

Autor: Wigold Schäffer
Revisão: Miriam Prochnow e Carolina Schäffer
Foto de capa: Carolina Schäffer

Mata Atlântica tem redução histórica no desmatamento

Mata Atlântica tem redução histórica no desmatamento

Mata Atlântica tem redução histórica no desmatamento

No ano em que a Lei da Mata Atlântica completa 20 anos, o bioma registra o menor desmatamento da série histórica.

Após duas décadas de vigência da Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006), o bioma alcançou um marco histórico: o menor índice de desmatamento desde o início do monitoramento sistemático do Atlas da Mata Atlântica, em 1985. Os dados fazem parte da edição 2024-2025 do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, desenvolvido em parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

O levantamento apontou que o desmatamento no período totalizou 8.658 hectares, o equivalente à perda de 23,7 hectares de matas maduras por dia. Apesar do impacto ainda significativo, o resultado representa uma redução de 40% em relação ao período anterior e de 60% em relação a 2020-2021, consolidando uma trajetória contínua de queda.

O monitoramento é realizado por meio de imagens de satélite da família Landsat e, desde 2021, também de imagens do Sentinel-2. Os remanescentes identificados pelo Atlas correspondem às chamadas florestas maduras, áreas superiores a três hectares sem sinais de degradação perceptíveis por satélite. Segundo o relatório, a perda registrada no período resultou na emissão estimada de aproximadamente 4,14 milhões de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera, conforme os parâmetros do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Taxa de desmatamento e tendência na série histórica de mapeamento do Atlas. Figura:  Atlas da Mata Atlântica período 2024-2025 Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Cinco estados concentram 91% das perdas

O desmatamento ficou concentrado em cinco estados, responsáveis por 91% de toda a devastação registrada desde 1985:

  • Minas Gerais – 3.092 hectares;
  • Bahia – 2.889 hectares;
  • Mato Grosso do Sul – 841 hectares;
  • Piauí – 659 hectares;
  • Paraná – 411 hectares.

Mesmo entre os maiores desmatadores históricos, houve uma redução expressiva das taxas. A Bahia apresentou queda de 39%, enquanto o Piauí reduziu o desmatamento em 78%. Na contramão dos demais estados, em 2025, Santa Catarina registrou um aumento de 16% no desmatamento, provocado pela expansão imobiliária e pelas atividades agropecuárias. Junto com Santa Catarina, Pernambuco, Paraná e Minas Gerais também registraram aumento em relação ao período de 2023-2024. Nos outros 13 estados monitorados houve diminuição. Outro dado relevante aponta que 70% das perdas ocorreram em terras privadas, enquanto apenas 1% foi registrado em áreas protegidas.

Operações de controle impulsionam redução

Especialistas atribuem a queda histórica a medidas concretas de fiscalização e controle ambiental, entre elas a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a propriedades com desmatamento ilegal.

O Atlas destaca ainda o papel do monitoramento contínuo como ferramenta fundamental para orientar as ações dos órgãos ambientais e dos Ministérios Públicos estaduais.

Restingas seguem sob pressão

Apesar dos avanços, o relatório alerta que o cenário ainda exige vigilância permanente. A destruição de restingas, ecossistemas costeiros fundamentais para a proteção do litoral e da biodiversidade, permanece em níveis preocupantes.

Em 2025, foram perdidos 457 hectares de restingas, praticamente o mesmo volume registrado no ano anterior. O Ceará concentrou a maior parte das perdas, seguido por ocorrências em Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Piauí e Bahia.

Segundo o Atlas, cada fragmento perdido faz diferença para a conservação do bioma, especialmente em uma região que abriga grande parte da população brasileira e concentra atividades econômicas essenciais.

Meta é zerar desmatamento até 2030

O desafio agora é manter a trajetória de queda e alcançar o desmatamento zero até 2030, meta alinhada aos compromissos climáticos internacionais assumidos pelo Brasil.

A restauração e a conservação da Mata Atlântica são consideradas estratégicas para garantir segurança hídrica, estabilidade climática e produtividade agrícola. O bioma também desempenha papel essencial na oferta de serviços ecossistêmicos que sustentam cidades, a produção de alimentos e a geração de energia.

A publicação da Lei da Mata Atlântica completa 20 anos em 2026, coincidindo com a 20ª edição do Atlas, uma das mais longevas iniciativas de monitoramento ambiental do país. Desde 1989, a parceria entre o INPE e a Fundação SOS Mata Atlântica consolidou-se como referência nacional no acompanhamento do desmatamento e na produção de conhecimento sobre um dos biomas mais ameaçados do Brasil.

“Os dados mostram que a proteção da Mata Atlântica está avançando, mas o desafio continua. É fundamental ampliar os esforços de restauração ecológica, recuperando áreas alteradas e  fortalecendo a conectividade entre os remanescentes do bioma. Também é urgente a criação das Unidades de Conservação na Mata Atlântica, com processos em andamento. Precisamos combinar conservação e restauração para alcançar o desmatamento zero até 2030”, comenta Carolina Schäffer, vice-presidente e coordenadora da Apremavi.

Atlas da Mata Atlântica

O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica é uma colaboração entre a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que monitora a vegetação nativa do bioma desde 1989.

O relatório anual é uma referência no conhecimento sobre o desmatamento da Mata Atlântica e tem,ao longo de suas edições, contribuído para a identificação das regiões mais críticas à pesquisa e ao conhecimento, bem como para a atuação dos órgãos ambientais e dos Ministérios Públicos dos 17 estados abrangidos pelo bioma.

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Autora: Thamara Santos de Almeida com informações da SOS Mata Atlântica
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Miriam Prochnow

Ruralistas aprovam outro pacote de destruição ambiental a toque de caixa na Câmara

Ruralistas aprovam outro pacote de destruição ambiental a toque de caixa na Câmara

Ruralistas aprovam outro pacote de destruição ambiental a toque de caixa na Câmara

A semana da Biodiversidade foi transformada em “semana do agro” e deputados da bancada ruralista, em articulação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), aprovaram um novo pacote de destruição ambiental na Câmara dos Deputados, que significa um verdadeiro ‘estouro da boiada’,

Na mobilização desta semana foi aprovado, a toque de caixa, um pacote de projetos de lei que desmontam a legislação e os mecanismos de proteção ao meio ambiente no Brasil. De terça, 19, até esta quinta-feira, 21, foram aprovados em regime de urgência os projetos de lei:

  • PL 5.900/2025, que dá superpoderes ao Ministério da Agricultura enfraquecendo as competências do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária;
  • PL 2564/25, que ataca a fiscalização ambiental, impedindo uso de imagens de satélite para embargos no combate ao desmatamento;
  • PL 364/19, que entrega formações não florestais ao desmatamento, comprometendo a proteção aos campos de altitude na Mata Atlântica, e cerca de 48 milhões de hectares de campos nativos em todo o país, o que significa desproteger 50% do Pantanal (7,4 milhões de hectares), 32% dos Pampas (6,3 milhões de hectares) e 7% do Cerrado (13,9 milhões de hectares) além de quase 15 milhões de hectares na Amazônia, sujeitando-os a uma conversão agrícola descontrolada e ilimitada, conforme dados do SOS Mata Atlântica.
  • PL 2486/26, que reduz a proteção de uma das áreas protegidas mais importantes do país, a Flona do Jamanxim, no Pará (PA);

Ao promover a devastação  de áreas protegidas em larga escala e reduzir mecanismos de controle e fiscalização ambiental no país, esses projetos também comprometem as metas climáticas assumidas pelo Brasil após a COP 30 em acordos internacionais.

Wigold Schaffer, cofundador da Apremavi, considera esses retrocessos um verdadeiro desastre: no Brasil, mesmo com a existência de leis é difícil proteger ou restaurar o meio ambiente, sem leis isso é impossível”.

De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), a lista de projetos que seriam analisados nesta semana estava sendo negociada há semanas com o presidente da Câmara. E teve pouca resistência da articulação política do governo, fragilizado por uma série de desgastes no Congresso. O novo pacote da devastação segue agora para o Senado. 

Autora: Patricia Krieger com informações do Instituto Socioambiental (ISA)
Revisão: Miriam Prochnow e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: Arquivo Apremavi

The Forests Dialogue promove evento sobre restauração de ecossistemas na Bahia

The Forests Dialogue promove evento sobre restauração de ecossistemas na Bahia

The Forests Dialogue promove evento sobre restauração de ecossistemas na Bahia

A Apremavi participou, entre os dias 4 e 7 de maio, do evento  “Diálogo de Campo Sobre Restauração de Ecossistemas”, na região Sul da Bahia, organizado pelo Fórum Florestal da Bahia e pelo Diálogo Florestal, em associação com o The Forests Dialogue (TFD) – Diálogo Florestal Internacional.

Com cerca de 50 participantes nacionais e internacionais, o objetivo do encontro foi debater sobre os desafios e as oportunidades para intensificar as ações e os investimentos em restauração florestal com foco no papel do setor privado no Brasil.

A primeira edição do evento global foi realizada na Indonésia, em 2024. O diálogo busca reunir representantes do setor privado, organizações da sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais e instituições de ensino e pesquisa para encontrar e dar escala a soluções que promovam a recuperação de ecossistemas alterados.

Um dos principais tópicos abordados foi como explorar casos de sucesso de parcerias entre empresas e comunidades, apoio político e políticas mais claras, novos modelos de financiamento, reconhecimento dos direitos tradicionais e maior inclusão dos povos indígenas e das mulheres.

Miriam Prochnow da Apremavi no The Forests Dialogue

Miriam Prochnow, da Apremavi, interagindo no evento. Foto: Arquivo/The Forests Dialogue

A cofundadora e coordenadora de Políticas Públicas da Apremavi, Miriam Prochnow, participou do evento apresentando exemplos de sucesso de projetos desenvolvidos pela organização em parceria com setor privado para restauração da Mata Atlântica na região Sul.

Para Miriam, participar desse evento foi uma excelente oportunidade para atualizar as informações sobre o tema : “encontrei inúmeros amigos de organizações com as quais a Apremavi já tem algum nível de intercâmbio e foi ótimo poder trocar as mais recentes novidades sobre restauração e projetos em andamento. Também foi gratificante poder apresentar os mais recentes resultados dos projetos da Apremavi, especialmente pensando que um dos nossos maiores desafios é dar escala à restauração, tanto no Brasil, quanto globalmente”.

As discussões do encontro tiveram como ponto de partida  um documento conceitual que incluiu uma introdução sobre a iniciativa global do TFD sobre restauração, visão geral da restauração de ecossistemas; restauração de Ecossistemas na Mata Atlântica e no sul da Bahia; engajamento do setor privado na restauração de ecossistemas no sul da Bahia e considerações para as vivências e reflexões durante o Diálogo de Campo.

As visitas a campo ocorreram no Parque Nacional do Pau-brasil, no pré-assentamento Fábio Santos, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em áreas da Suzano Papel e Celulose, e na Symbiosis Investimentos.

 

Visita a campo no Sul da Bahia em áreas estratégicas para restauração

Visita a campo no Sul da Bahia em áreas estratégicas para restauração. Foto: Arquivo/The Forests Dialogue

As atividades foram facilitadas por seis colideranças com atuação no Diálogo: Maurem Alves (Klabin S.A. – Brasil), Kerry Cesareo (WWF – Estados Unidos), Marcus Colchester (Forest Peoples Programme – Reino Unido), Erica Munaro (Fórum Florestal da Bahia – Brasil), Cecile Ndjebet (REFACOF – Camarões), e Fernanda Rodrigues (Diálogo Florestal – Brasil).

A versão final do documento, incluindo comentários e sugestões das pessoas participantes durante o evento, será publicada na página do TFD em breve. 

 

Participantes do evento reunidos durante visita de campo na Mata Atlântica no Sul da Bahia

Participantes do evento reunidos durante visita de campo na Mata Atlântica no Sul da Bahia. Foto: Arquivo/The Forests Dialogue

Diálogo Florestal

O The Forests Dialogue (TFD), criado em 2000, surgiu como uma plataforma internacional de diálogo multissetorial voltada à construção de confiança, entendimento compartilhado e soluções colaborativas para a gestão e conservação sustentável das florestas no mundo.

Inspirado nesse modelo, o Diálogo Florestal foi criado no Brasil em 2005 para promover a interação entre empresas, organizações da sociedade civil, comunidades, povos indígenas e instituições de pesquisa, especialmente em contextos de conflito socioambiental ligados ao setor florestal.

Nesse contexto, o Fórum Florestal da Bahia atua desde 2005 como um espaço permanente de diálogo no Sul e Extremo Sul da Bahia, reunindo diferentes atores na busca de soluções colaborativas para a conservação da Mata Atlântica, restauração ecológica e desenvolvimento sustentável da região.

Autora: Patricia Krieger com informações do Diálogo Florestal
Revisão: Miriam Prochnow e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: Arquivo/The Forests Dialogue

Documentário sobre a Apremavi é premiado em festival internacional

Documentário sobre a Apremavi é premiado em festival internacional

Documentário sobre a Apremavi é premiado em festival internacional


“A família que plantou 10 milhões de árvores no sul do Brasil”, documentário produzido pela TV alemã Deutsche Welle sobre a Apremavi, foi premiado na última semana no festival internacional World Media Festivals, um dos mais importantes do mundo na categoria.

Em sua 27ª edição, o festival é realizado em Berlim, na Alemanha, e reconhece produções audiovisuais de produtoras, emissoras, agências e empresas de todo o mundo.

O documentário aborda a trajetória da Apremavi e de sua família fundadora, destacando o papel essencial que desempenharam na conservação e na restauração da Mata Atlântica. A produção foi realizada pela Deutsche Welle (DW), emissora pública alemã que transmite conteúdos por televisão, rádio e plataformas digitais em português, alemão, espanhol e inglês.

A história é contada pela atual vice-presidente da Apremavi, Carolina Schäffer, filha do casal Wigold Schäffer e Miriam Prochnow, cofundadores da ONG há quase 40 anos, em 1987, e que segue atuando em defesa do bioma.

Lançado em novembro de 2025, com pouco mais de 19 minutos de duração, o documentário já soma mais de 86 mil visualizações no canal da DW Brasil no Youtube. As gravações foram feitas na sede da Apremavi e em áreas de restauração na região de Atalanta, em Santa Catarina, pela jornalista Vanessa Fischer e pelo cinegrafista Nikolaus Tarouquela-Levitan

Gravação de documentário contando a história da Apremavi pela TV Alemã Deutsche Welle

Gravação do documentário pela TV Alemã Deutsche Welle. Foto: Nikolaus Tarouquela-Levitan

“Fico muito feliz com este prêmio jornalístico, pois ele reconhece um documentário que busca inspirar e sensibilizar. O mundo precisa de mais histórias que aproximem as pessoas da natureza e dos desafios das  mudanças climáticas — histórias que inspirem e também toquem o coração. Este reconhecimento valoriza não só o filme em si, mas também o compromisso e a dedicação de todas as pessoas envolvidas em sua realização. É um incentivo importante para continuar contando histórias que gerem consciência, conexão e esperança”, comemora a jornalista Vanessa Fischer.


“O filme tem um significado além da questão jornalística ou artística para mim, fico muito feliz com esse reconhecimento. Foi a terceira vez que tive o prazer de filmar o trabalho da Apremavi e da família Schäffer, e observar o desenvolvimento da ONG – e das pessoas. E esse terceiro filme foi, ouso dizer, o mais bonito de todos. E além de ver a Apremavi evoluindo e crescendo, Miriam, Wigold e Carolina e seus parceiros e suas parceiras me inspiraram a fazer o mesmo que eles fazem, mesmo sendo em escala muito menor: plantei uma mini-floresta com mais de 4.000 plantas, com a ajuda de muitos voluntários na Polônia. Nunca teria feito isso sem essa turma linda. Por isso, vejo esse prêmio como um reconhecimento do trabalho de todos nós. Cada um fazendo sua parte para manter as florestas em pé e reerguê-las, onde for possível – seja através do plantio, do argumento ou mesmo de uma filmagem. Obrigado”, destaca o cinegrafista Nikolaus Tarouquela-Levitan.

Os vencedores do World Media Festivals recebem o globo intermídia e um certificado oficial, símbolos internacionalmente reconhecidos de conquistas excepcionais em mídia e comunicação corporativa.

A celebração anual em Berlim reflete a evolução do cenário midiático e seu poder de conectar pessoas, marcas e ideias globalmente com produções notáveis ​​em televisão, cinema, mídia digital, impressa e comunicação corporativa.

Sobre o documentário

A história da Apremavi começa com Wigold Schäffer, que há mais de 40 anos iniciou um movimento simples e transformador: plantar árvores nativas. Ao lado de Miriam Prochnow, fundou a Apremavi e iniciou uma jornada dedicada à restauração ecológica e ao fortalecimento das comunidades locais. De lá para cá, já são mais de 10 milhões de árvores plantadas, centenas de hectares restaurados e conservados, parcerias de sucesso estabelecidas nos territórios e muitas paisagens transformadas.

Hoje, esse legado passa às mãos da nova geração, entre eles Carolina Schäffer, filha de Wigold e Miriam, hoje vice-presidente da Apremavi, que segue impulsionando a missão da organização. Em um momento crucial em que o Brasil se compromete a restaurar 12 milhões de hectares de florestas, a Apremavi reafirma seu papel como força fundamental nessa agenda, articulando parcerias, mobilizando agricultores e inspirando novas gerações.

O documentário está disponível em alemão, inglês, espanhol, português e árabe e apresenta essa jornada como um exemplo de esperança em um mundo em que as florestas continuam a desaparecer e a crise climática se intensifica. A narrativa destaca o poder transformador da dedicação, do trabalho em rede e da visão de longo prazo. A experiência da família Schäffer ao longo de quatro décadas comprova que restaurar é possível e necessário.

Assista:

Autora: Patricia Krieger com informações da Deutsche Welle
Revisão: Carolina Schäffer e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: © Reprodução/Deutsche Welle

Encontro Nacional do Observatório do Clima debate agenda climática

Encontro Nacional do Observatório do Clima debate agenda climática

Encontro Nacional do Observatório do Clima debate agenda climática

O Encontro Anual do Observatório do Clima (OC), realizado em São Paulo nos dias 06 e 07 de maio, reuniu mais de 250 pessoas. João de Deus Medeiros, Conselheiro Consultivo da Apremavi, participou representando a instituição.

O evento reuniu 128 organizações do OC, configurando um momento de intensa troca de informações e interação com as múltiplas entidades da instituição. 

O foco foi a análise da atual conjuntura nacional e internacional e os impactos na política climática, com ênfase no processo eleitoral brasileiro. Várias exposições traçaram um panorama da situação atual,bem como sobre os possíveis cenários que teremos no país no próximo ano, com novos representantes no Executivo e no Legislativo. Os debates procuram avaliar como as entidades do OC projetam os possíveis impactos dessas mudanças no avanço da agenda climática.

Na sequência, o encontro buscou indicações sobre quais as principais ações de comunicação e advocacy poderão ser priorizadas em 2026. 

Encontro Nacional do Observatório do Clima de 2026. Foto: João de Deus Medeiros

Encontro Nacional do Observatório do Clima de 2026. Foto: João de Deus Medeiros

No cenário internacional a avaliação não é otimista: estamos com 74% da população mundial vivendo em autocracias e há um clima de ruptura na ordem internacional, o que sinaliza maior dificuldade de avanços na agenda climática. Nesse contexto foi amplamente debatido o desgaste do modelo instituído pelas COPs, destacando que o OC precisa buscar outros mecanismos de incidência, não se restringindo às discussões e decisões estritamente vinculadas ao modelo da ONU.

No cenário nacional, foram apresentados dados sobre a avaliação da atuação do Executivo e do Legislativo, com apresentação de ações positivas e ameaças concretas à implementação da agenda climática no Brasil. A partir dessas apresentações, foram colhidas sugestões e questionamentos dos participantes, que  serão sistematizados e utilizados como balizadores das estratégias a serem adotadas pelo OC, tanto para uma incidência mais assertiva na campanha eleitoral de 2026, quanto para os posicionamentos do OC na defesa do avanço da agenda climática.

Todos ressaltaram a importância estratégica do acompanhamento da tramitação de projetos de lei no legislativo federal feito pela equipe do OC, e como esse acompanhamento e monitoramento tem auxiliado no enfrentamento de propostas da agenda negativa, bem como na mobilização das entidades na defesa das propostas que avançam positivamente nas agendas socioambiental e climática. 

 

Observatório do Clima

Fundado em 2002, o Observatório do Clima se tornou a principal rede da sociedade civil brasileira na agenda climática. Hoje, reúne 172 integrantes entre organizações socioambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais que, juntos, lutam para construir um Brasil mais justo, sustentável e descarbonizado. 

> Saiba mais

Autor: João de Deus Medeiros
Revisão: Miriam Prochnow e Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Reprodução/Observatório do Clima

Conferência de Santa Marta expõe desafios e acelera articulação pelo fim dos combustíveis fósseis

Conferência de Santa Marta expõe desafios e acelera articulação pelo fim dos combustíveis fósseis

Conferência de Santa Marta expõe desafios e acelera articulação pelo fim dos combustíveis fósseis

A 1ª Conferência Internacional para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada no final de abril de 2026 em Santa Marta, na Colômbia, reuniu cerca de 60 países em torno de um objetivo comum: acelerar o abandono de petróleo, carvão e gás.

Mesmo sem produzir um acordo juridicamente vinculante, o encontro consolidou uma alternativa política relevante ao modelo tradicional das negociações climáticas da UNFCCC. Em vez de buscar consenso universal, a conferência apostou na formação de uma coalizão de países dispostos a avançar de forma mais rápida e coordenada na transição energética.

Um novo espaço político para a transição

Segundo o Observatório do Clima, Santa Marta foi considerada histórica por três razões principais. A primeira foi a abertura de um espaço diplomático onde os combustíveis fósseis,  frequentemente evitados nas negociações internacionais, puderam ser discutidos diretamente como causa central da crise climática.

A segunda foi a mudança de foco: deixou-se de debater “se” a transição é necessária e passou-se a discutir “como” implementá-la. Por fim, a conferência reposicionou a ciência no centro das decisões políticas ao anunciar a criação do painel científico SPAGET (sigla em inglês para o painel de aconselhamento da transição energética), que terá sede na Universidade de São Paulo. O objetivo é orientar políticas públicas com base em evidências, fortalecendo a credibilidade das estratégias nacionais

“Foi um evento histórico. A conferência consolidou uma coalizão de países dispostos a se mover para realizar a transição energética prometida em 2023 e jamais implementada. Não se trata mais de ‘se’ vamos fazer, mas de ‘como’ isso será feito. O encontro atribuiu tarefas concretas aos países, que já saem com a perspectiva de uma nova conferência no próximo ano, sob presidência da Holanda, voltada à construção dos mapas nacionais de transição”, relata Claudio Angelo em vídeo publicado pelo Observatório do Clima.

O papel do Brasil e a controvérsia do plano energético

O Brasil chegou à conferência com protagonismo, sendo apontado como um dos incentivadores da criação dos chamados “mapas do caminho” nacionais para a transição energética. No entanto, esse protagonismo foi abalado nas horas finais do encontro.

O Ministério de Minas e Energia divulgou uma proposta de Plano Nacional de Transição Energética que prevê a permanência de petróleo, gás e carvão na matriz brasileira até 2055. A iniciativa foi criticada pelo Observatório do Clima, que não reconheceu o documento como um plano legítimo de transição.

Segundo Cláudio Angelo do Observatório do Clima, o anúncio constrangeu o país no cenário internacional, especialmente por ocorrer enquanto outras nações discutiam caminhos concretos para abandonar os combustíveis fósseis. Ele também criticou o ministro Alexandre Silveira por decisões anteriores consideradas contraditórias com a agenda climática.

O episódio expôs tensões internas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evidenciando a dificuldade de alinhar políticas energéticas com compromissos climáticos internacionais.

O legado de Santa Marta

O principal desafio agora é transformar o impulso político da conferência em ações concretas. A elaboração de “mapas do caminho” nacionais, que deverão ser incorporados às NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), será um teste decisivo para a coalizão formada em Santa Marta.

A conferência inaugurou um novo arranjo de governança climática, baseado na ação coordenada de países dispostos a avançar além do mínimo consenso global. Se esse modelo será capaz de acelerar de fato a transição energética, dependerá da capacidade desses países de implementar mudanças estruturais em suas economias.

Podcast Entrando no Clima

O episódio especial do podcast Entrando no Clima do ((o))eco traz uma leitura da Conferência diretamente de Santa Marta. Apresentado por Marcio Isensee e Sá, o programa reúne a jornalista Karina Pinheiro e o geógrafo e criador de conteúdo Bruno Araújo para discutir os bastidores do encontro.

> Confira o episódio

 

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Observatório do Clima
Revisão: Miriam Prochnow e Carolina Schäffer
Foto de capa: Presidência da Colômbia/Domínio Público

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

Entre os dias 24 e 26 de abril de 2026, a Apremavi participou do 13º Festival dos Papagaios, que tem como atrativo principal a observação das revoadas do papagaio-charão (Amazona pretrei) e do avistamento do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) em um evento com diversas atividades culturais em Urupema, na Serra Catarinense.

A programação contou com experiências em campo como trilhas, observação guiada e as tradicionais revoadas do papagaio-charão e também oficinas, palestras, atividades culturais e estandes na feira de produtos regionais e artesanais.

A revoada dos papagaios acontece de abril a junho, quando as aves vêm do Rio Grande do Sul para se alimentar de pinhões. Nos últimos anos o número de papagaios chega a mais de 20.000 indivíduos. Esse fenômeno é acompanhado de perto pelo Projeto Charão.

O festival reuniu turistas, comunidade local, feirantes, entusiastas da observação de aves e ornitólogos em uma programação diversificada e voltada à conservação da natureza. As atividades foram realizadas na Secretaria de Educação, Sala da Cultura, Salão da Igreja, além de propriedades privadas e pousadas da região.

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

Oficina de formação durante o 13º Festival dos Papagaios na Serra Catarinense. Foto: Wigold Schäffer.

Apremavi no Festival

A participação da Apremavi no festival teve por objetivo reforçar o vínculo com a comunidade da Serra Catarinense, região onde a instituição tem ampliado sua atuação por meio do projeto Conservador das Araucárias.

A presença no evento também contribuiu com a disseminação de informações com oficinas e um estande sobre conservação e restauração da Mata Atlântica com a distribuição de mudas do Viveiro Jardim das Florestas, folders e cartilhas produzidas pela instituição.

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

Estande da Apremavi no 13º Festival dos Papagaios em Urupema, na Serra Catarinense. Foto: Caroline Heidemann

Miriam Prochnow, co-fundadora da Apremavi, participou da mesa redonda “O Futuro da Observação de Aves em Santa Catarina”, abordando a importância da conexão entre projetos de restauração e a atividade de observação de aves. “A avifauna é fundamental nos projetos de restauração, afinal, muitas espécies de aves e outros animais são dispersores de sementes e portanto plantadores de florestas, a exemplo do próprio papagaio-charão e da gralha-azul, com os pinhões das araucárias. É um tópico que não pode ser esquecido nas metodologias e que converge com possíveis atividades de observação de aves em áreas em restauração”, comenta Miriam. 

 

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

Participação de Miriam Prochnow durante o 13º Festival dos Papagaios. Foto: Wigold Schäffer

Ela acrescenta que o próprio festival só está sendo possível por conta da migração que os papagaios, quando em busca dos pinhões para alimentação, porque a Floresta com Araucárias está tendo uma oportunidade de restauração. A principal oportunidade que a floresta teve foi a proibição do corte da araucária no início dos anos 2.000. Depois veio a Lei da Mata Atlântica, que complementou essa proteção. “Para que o espetáculo continue, as ações de conservação e restauração da floresta são imprescindíveis”, explica Miriam.

Durante um dos passeios do evento em Urupema, integrantes da equipe da Apremavi encontraram uma araucária centenária e fizeram registros. “Encontrar araucárias centenárias remanescentes é extremamente difícil e um acontecimento que emociona quem participa desses momentos. É uma testemunha viva da magnificência do que era a Floresta com Araucárias”, conclui.

Participantes do Festival e Araucária centenária. Foto: Wigold Schäffer

Turismo de observação de aves

O Festival dos Papagaios tem se consolidado como um exemplo sobre como a conservação da biodiversidade pode contribuir para a movimentação da economia local por meio do turismo de observação de aves.

Com apoio da iniciativa privada, poder público, ONGs e a comunidade, o festival promove a integração entre comunidade, pesquisadores e visitantes, incentivando práticas de turismo sustentável na região. O evento foi realizado pela EcoPousada Rio dos Touros e a Prefeitura Municipal de Urupema, com patrocínio e apoio de diversas instituições e parceiros, entre eles Sicoob, Reserva Faldum, Apremavi, Parque Nacional Eco Resort, Yes Bird, Mover Turismo, Brew Pub e Colégio Santa Rosa.

Autores: Caroline Heidemann, Luciano Comunello e Patricia Krieger
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Miriam Prochnow

Florestas tropicais podem se recuperar após desmatamento, mas precisam de tempo

Florestas tropicais podem se recuperar após desmatamento, mas precisam de tempo

Florestas tropicais podem se recuperar após desmatamento, mas precisam de tempo

Pesquisa internacional aponta que florestas degradadas recuperam grande parte da biodiversidade em até 30 anos, mas recuperação total pode levar séculos.

Um estudo publicado neste mês na Nature traz uma notícia animadora para a restauração ecológica: florestas tropicais têm uma notável capacidade de se regenerar após sofrerem desmatamento, desde que recebam tempo suficiente e proteção adequada.

A pesquisa analisou a recuperação da biodiversidade em áreas de floresta tropical no Equador, comparando regiões preservadas com áreas alteradas por atividades como pecuária e cultivo de cacau. Os cientistas avaliaram 16 grupos de organismos, incluindo árvores, aves, insetos, morcegos e bactérias do solo.

Os resultados mostram que, após cerca de 30 anos de regeneração natural, as florestas conseguem recuperar:

  •  Mais de 90% da abundância de espécies;
  • Mais de 90% da diversidade biológica;
  • Aproximadamente 75% da composição original das espécies.

Apesar dos números positivos, os pesquisadores destacam que a recomposição completa do ecossistema, especialmente com espécies típicas de florestas antigas, pode levar muito mais tempo, chegando a décadas ou até séculos.

 

Recuperação depende do tipo de organismo

O estudo também revelou que a recuperação varia bastante entre os grupos analisados:

  • Insetos e aves: recuperação mais rápida;
  • Árvores: crescimento lento, levando mais tempo para atingir o estágio original;
  • Bactérias do solo: podem não se recuperar completamente.

Isso significa que uma floresta pode parecer recuperada à primeira vista, mas ainda estar longe de atingir seu estado original em termos ecológicos.

 

As florestas se recuperam se tiverem tempo

Apesar do potencial de recuperação, há um obstáculo importante: muitas áreas em regeneração são desmatadas novamente antes de completar esse processo. Atualmente, grande parte das florestas secundárias no mundo tem menos de 10 anos, o que impede que atinjam estágios mais avançados de recuperação ecológica.

Para mudar esse cenário, especialistas destacam a necessidade de proteger essas áreas por mais tempo, reduzir o desmatamento recorrente e incentivar políticas de conservação sustentável que conciliem uso econômico e conservação.

A natureza tem uma capacidade extraordinária de se recuperar, mas precisa de tempo e condições adequadas para isso. Proteger e permitir a regeneração das florestas tropicais pode ser uma das estratégias mais eficazes para conservar a biodiversidade e enfrentar a crise climática global.

> Leia o estudo

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Carolina Schäffer

Professores participam de capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Professores participam de capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Professores participam de capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Professores de escolas da rede pública de ensino de Abelardo Luz, no Oeste de Santa Catarina, participaram da capacitação do “Geração + Floresta”, promovida pela Apremavi em parceria com o ICMBio, no dia 24 de março, na Escola Básica Municipal (EBM) José Maria, no Assentamento José Maria.

“O projeto capacita os alunos a questionar modelos de consumo insustentáveis e buscar soluções para os problemas ambientais locais. E sensibiliza os estudantes a mudar hábitos de adultos e contribuir para o desenvolvimento territorial da comunidade. É um projeto de extrema importância, pois possibilita a interdisciplinaridade dos conteúdos na educação básica e contribui para a realidade de cada um dos estudantes”, afirmou o coordenador do curso Técnico em Agropecuária do IFC Câmpus Abelardo Luz, Fander Oliveira.

A capacitação consistiu em atividades teóricas e práticas sobre a conservação da Mata Atlântica. No período da manhã, os técnicos da Apremavi apresentaram o projeto “Geração + Floresta”, e também abordaram a importância da conservação da biodiversidade do bioma.

Marluci Pozzan, da Apremavi, conduzindo a capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Marluci Pozzan conduzindo a capacitação do projeto “Geração + Floresta” com os professores em Abelardo Luz (SC). Foto Guilherme Vitor Callegari

Com diferentes modelos de aplicação e abordagem, o projeto de educação ambiental “Geração + Floresta” busca promover ações ambientais no âmbito escolar, a integralização com os conteúdos programáticos das instituições, modelos de consumo, esclarecimento de dúvidas sobre conservação e restauração ambiental.

No Ensino Fundamental, o programa aborda a temática da biodiversidade, com ênfase na flora e na fauna da Floresta Ombrófila Mista e na conservação dos recursos hídricos.

E no Ensino Médio, os conteúdos são voltados ao planejamento de propriedades e paisagens, incluindo temas como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), legislação ambiental, recuperação de áreas alteradas, Reserva Legal, Áreas de Preservação Permanente (APPs), mudanças climáticas e conservação de ecossistemas.

Atividade de observação de aves na capacitação de professores do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Materiais produzidos pela Apremavi distribuídos no evento. Foto: Manuela de Deus

A formação continuou com atividades práticas no período da tarde. Os professores tiveram oportunidade de conhecer mais sobre as Unidades de Conservação da região e participaram de uma atividade prática de observação de aves, conduzida pelos agentes do ICMBio.

Ao final da formação, foram distribuídos  materiais educativos e mudas de árvores nativas, incentivando a aplicação dos conhecimentos adquiridos e o desenvolvimento de ações sustentáveis nas escolas e comunidades.

Materiais da Apremavi distribuidos na capacitação do projeto “Geração + Floresta”

Materiais produzidos pela Apremavi distribuídos no evento. Foto: Manuela de Deus

O encontro reuniu aproximadamente 22 participantes, entre professores de instituições de ensino da região, agentes do ICMBio e membros da Apremavi. Estiveram presentes professores das escolas EBM Paulo Freire, EBM José Maria, EBM 25 de Maio, EIEF Cacique Karenh, EEM Semente da Conquista e do IFC Câmpus Abelardo Luz.

A capacitação foi conduzida pela equipe da Apremavi, Marluci Pozzan, Edilaine Dick e Leandro Casanova, e contou com a participação dos agentes do ICMBio, Antonio de Almeida Correia Junior, Ibis Cezario Lourenço, Vinicius Duarte Soroka, Ana Laura Mariani, Raimundo Williams Oliveira Barreto e Alini Paulina Guinzelli Bortolaz.

Projeto +Floresta

Visa contribuir para a restauração da vegetação nativa na Floresta Ombrófila Mista, no Oeste de Santa Catarina, com o incremento de espécies vegetais ameaçadas de extinção como a araucária, a imbuia e o xaxim, todas com histórico de intensa exploração no estado.

É financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

> Conheça o projeto

Autora: Manuela de Deus
Revisão: Patricia Krieger, Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Manuela de Deus

Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

 

A Escallonia bifida, popularmente conhecida como canudo-de-pito, é uma espécie de árvore nativa de grande valor ecológico, especialmente reconhecida por sua importância para as abelhas e por seu potencial em projetos de restauração ecológica.

O nome do gênero Escallonia homenageia Don Antonio Escallón, botânico americano, discípulo de José Celestino Mutis, que identificou a planta na região da Nova Granada (atual Colômbia). Já o epíteto específico bifida deriva do latim e significa “partida em dois”, em referência ao formato das folhas, que frequentemente apresentam um pequeno recorte no ápice.

Polinização e floração

A espécie é altamente atrativa para polinizadores. As abelhas são seu principal vetor de polinização, além de diversos insetos de pequeno porte.

No sul do Brasil, a floração ocorre entre dezembro e abril no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, estendendo-se até junho no Paraná. Já a frutificação se concentra entre fevereiro e junho, dependendo da região. A dispersão das sementes ocorre de forma anemocórica, ou seja, pelo vento, o que favorece a colonização de novas áreas.

Distribuição e ecologia

Ocorre naturalmente no Uruguai e, no Brasil, está presente em diversos estados, incluindo Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, sendo encontrado principalmente na Floresta Ombrófila Densa e na Floresta Ombrófila Mista do bioma Mata Atlântica.

Trata-se de uma espécie pioneira, ou seja, uma das primeiras a colonizar áreas alteradas. Apesar disso, apresenta crescimento lento. Também possui capacidade de rebrotar a partir da cepa, o que contribui para sua persistência no ambiente.

A maturação dos frutos ocorre de forma irregular, permitindo a coleta tanto de frutos maduros (verde-escuros) quanto imaturos (verde-claros). Um método simples de beneficiamento consiste na maceração dos frutos em água, na qual as sementes afundam e o material inerte flutua, facilitando a separação.

Importância apícola e uso na restauração ecológica

O canudo-de-pito é uma espécie melífera de destaque, fornecendo néctar e pólen que resultam em um mel de excelente qualidade. Esse mel é especialmente valorizado na região de Prudentópolis (PR), conhecida como a “capital do mel”.

Apresenta grande potencial em projetos de restauração ecológica, especialmente em áreas com drenagem lenta ou sujeitas a alagamentos periódicos. Sua tolerância ao encharcamento a torna indicada para recuperação de áreas alteradas, matas ciliares e ambientes fluviais ou ripários.

Aspectos do canudo-de-pito (Escallonia bifida). Foto: Rachel Green Belt (CC BY-NC-SA 2.0) via Flickr

Canudo-de-pito

Nome científico: Escallonia bifidai Link & Otto.

Família: Escalloniaceae.

Fruto: em cápsula, com cerca de 3,5 mm de diâmetro.

Flor: agrupadas em inflorescências chamadas panículas, que são como pequenos “cachos” com várias flores juntas. 

Crescimento da muda: lento.

Coleta de sementes: a maturação dos frutos do canudo-de-pito ocorre de maneira irregular, podendo ser coletados tanto frutos maduros, de coloração verde-escura, quanto frutos imaturos, de coloração verde-clara. Um beneficiamento parcial das sementes pode ser obtido pela maceração dos frutos em água e pela decantação natural das sementes.

Germinação: a emergência começa entre 22 e 70 dias após a semeadura. O poder germinativo é bastante variável e irregular (5% a 61%). As mudas atingem porte para plantio cerca de 3 meses após a semeadura.

Plantio: recomenda-se o plantio em pleno sol. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA nº 148/2022 | IUCN: Não consta.

 

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Canudo-de-pito: Copaifera trapezifolia. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 115-119. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1140588/canudo-de-pito-escallonia-bifida. Acesso em:13 abr. 2026.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Melburnian, CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Uma iniciativa que conecta arte, educação e sustentabilidade começou a ganhar forma no fim de março de 2026 em Rancho Queimado (SC). A implantação de um Bosque de Heidelberg na Casa do Palhaço marca uma nova etapa no projeto “Casa do Palhaço de Portas Abertas”, contemplado pelo edital Funarte – Ações Continuadas 2025.

O projeto envolve diretamente cerca de 200 participantes ao longo do ano, distribuídos em 10 oficinas, cada uma com 20 vagas. Os estudantes, voltados especialmente à arte da palhaçaria, participam não apenas da formação artística, mas também do plantio de árvores nativas da Mata Atlântica.

 

Primeiro plantio reúne artistas e Mata Atlântica

O primeiro plantio ocorreu nos dias 28 e 29 de março, às margens do Rio Scharf, que atravessa a comunidade local. Dividida em dois momentos, sábado e domingo pela manhã, a ação resultou no plantio inicial de 21 mudas de espécies nativas, doadas pela Apremavi com apoio do Projeto Bosques de Heidelberg.

A proposta é que, a cada novo ciclo mensal de oficinas na Casa do Palhaço, cerca de 20 novos participantes também contribuam para o plantio, ampliando gradualmente a recuperação da área.

Localizada em uma propriedade rural de 75 mil metros quadrados, a Casa do Palhaço desenvolve, desde 2021, um trabalho contínuo em prol do meio ambiente. Parte do terreno, anteriormente degradado pela criação intensiva de gado, vem sendo recuperada por meio de práticas como agrofloresta e permacultura, sem uso de insumos químicos.

O plantio do bosque integra esse processo mais amplo, com foco na recomposição da mata ciliar do Rio Scharf, essencial para conter a erosão, reduzir o assoreamento e favorecer o retorno da fauna silvestre.

Além disso, a iniciativa tem caráter pedagógico: durante as formações, os participantes vivenciam práticas sustentáveis no cotidiano, desde o cultivo de alimentos orgânicos até o manejo de resíduos e o uso consciente dos recursos naturais.

 

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Registro do início da implementação do Bosque de Heidelberg na Casa do Palhaço em Rancho Queimado (SC). Foto: Boró Arteiro e Mariza Vandresen

Arte, consciência e transformação

Para os organizadores, a iniciativa vai além do plantio de árvores. Trata-se de integrar valores ambientais ao fazer artístico e à formação humana.

“Enquanto fazedores e educadores da arte, precisamos inserir estas ações no nosso cotidiano. A preservação e o cuidado com a vida no nosso planeta são premissas essenciais da Casa do Palhaço”, destaca Lidiane Cunha, produtora do espaço.

Já o idealizador do projeto, o artista e palhaço Pepe Núñez, ressalta o engajamento dos participantes: “Foi o primeiro plantio de muitos. É importante destacar a alegria e o desejo de cada palhaço ao saber que participariam da ação. Na próxima, já querem ir de nariz, levar a alegria das gags e piadas para o plantio”.

Bosques de Heidelberg

A parceria entre a Apremavi e o BUND existe desde 1999 e busca a restauração da Mata Atlântica no Brasil. A principal atividade é o plantio de árvores nativas produzidas no Viveiro Jardim das Florestas, aliado à realização de palestras, à visitação e trilhas em áreas de floresta e o apoio a campanhas educativas. Sempre que possível, os bosques são plantados em centros de ensino, áreas estratégicas para que o espaço também seja explorado como recurso para atividades de educação ambiental, contemplação e interpretação da natureza. 

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Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Boró Arteiro e Mariza Vandresen

Apremavi participa de Seminário sobre Créditos de Biodiversidade

Apremavi participa de Seminário sobre Créditos de Biodiversidade

Apremavi participa de Seminário sobre Créditos de Biodiversidade

A Apremavi participou do “Seminário Créditos de Biodiversidade: uma oportunidade para a indústria”, promovido pela FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) em parceria com o BRDE  (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul).

O evento foi realizado na sede da FIESC, em Florianópolis, e transmitido ao vivo pelo YouTube, no dia 25 de março, e contou com dez painéis sobre iniciativas locais e internacionais para a atuação das indústrias no mercado de créditos de biodiversidade.

No painel “Investimento no Corredor das Nascentes na Serra Geral como Estratégia de Negócio”, apresentado pela Apremavi, a cofundadora e diretora da associação, Miriam Prochnow, mostrou as parcerias desenvolvidas com o setor privado como solução local para a conservação da biodiversidade no enfrentamento à crise climática.

“Começamos o trabalho da Apremavi há quase 40 anos com o Viveiro Jardim das Florestas, com dezoito mudas em um quintal. Hoje temos capacidade de produzir 1 milhão de mudas por ano, de duzentas espécies diferentes. E isso só é possível com muitas parcerias”, ressaltou Miriam.

Metas conjuntas de enfrentamento à crise climática

Ao falar sobre os projetos desenvolvidos pela associação, Miriam citou o estudo Santa e Frágil Catarina”, publicado recentemente, que apresenta um relatório completo sobre os efeitos devastadores e os prejuízos causados por eventos climáticos extremos. E afirmou que o enfrentamento a esse cenário exige muito esforço coletivo para alcançar metas conjuntas.

Ações de restauração do projeto Conservador das Araucárias. Foto: Arquivo Apremavi

No projeto Conservador das Araucárias, em parceria com a Tetra Pak, ampliamos as metas da Apremavi, mas se quisermos cumprir a meta de 12 milhões de hectares que nós temos na NDC* brasileira, vamos precisar de muitos projetos como esse. É nesse sentido que trabalhamos para que as boas experiências sejam modelos de parcerias”, explicou.

*Meta conjunta prevista na NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) para o Brasil.


Seja um parceiro

A Apremavi mantém parceria em projetos de restauração com empresas como a Tetra Pak e a Klabin, com modelos que podem ser aplicados em pequenas, médias e grandes propriedades, buscando soluções conjuntas.

Os parceiros contam com assessoria das equipes especializadas desde a etapa de estudos prévios, preparação para recuperação e plantio, até o monitoramento e prestação de contas e apresentação dos resultados em relatórios de transparência.

> Saiba mais sobre nossos projetos aqui.

Autora: Patricia Krieger
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Fiesc/Divulgação

Conservador das Araucárias ganha 32° Prêmio Expressão de Ecologia

Conservador das Araucárias ganha 32° Prêmio Expressão de Ecologia

Conservador das Araucárias ganha 32° Prêmio Expressão de Ecologia

O projeto Conservador das Araucárias, da parceria da Apremavi com a Tetra Pak, foi um dos vencedores do 32º Prêmio Expressão de Ecologia, considerado a premiação ambiental mais longeva do Brasil. Esta é a 14ª vez que a Apremavi recebe o Troféu Onda Verde, retrato da sua atuação protagonista e do compromisso com a conservação e a restauração da Mata Atlântica.

Nesta edição do prêmio, 146 projetos foram inscritos, dos quais 54 foram premiados, representando 40 organizações vencedoras. As iniciativas reconhecidas receberão o Troféu Onda Verde numa cerimônia no dia 26 de junho, a ser realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) em Florianópolis (SC). Junto ao prêmio, os casos vencedores receberão destaque na Revista Líderes de Expressão, que desempenha papel importante na valorização de iniciativas voltadas à sustentabilidade e à preservação dos recursos naturais nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

Conservador das Araucárias

O Conservador das Araucárias é um projeto da parceria entre a Apremavi e a Tetra Pak. A parceria busca restaurar e conservar áreas da Mata Atlântica, com foco na Floresta com Araucárias, uma das formações florestais mais ameaçadas do planeta, reduzida a apenas 3% de sua cobertura original.

A iniciativa integra o compromisso global de sustentabilidade da empresa parceira e contribui para ações de descarbonização, conservação da biodiversidade e fortalecimento de comunidades locais. 

Até o final de 2025, o projeto já apresentava resultados expressivos:

  • 3.213 hectares em processo de restauração ecológica

  • 1.200 hectares prospectados para restauração em 2026

  • 34 propriedades rurais participantes, entre pequenas, médias e grandes propriedades, nos municípios de Atalanta, Papanduva, Urubici, Urupema, Painel e Santa Rosa de Lima.

Além da restauração ecológica, o Conservador das Araucárias promove benefícios sociais e econômicos. Os proprietários rurais participantes recebem pagamento antecipado de carbono de R$540,00 por hectare ao ano, incentivando a recuperação ambiental das propriedades e gerando renda complementar.

O projeto também estimula cadeias locais ligadas à restauração, como a coleta de sementes e plantio de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. Ao todo, mais de 500 pessoas são beneficiadas diretamente pelas ações da iniciativa.

Araucária (Araucaria angustifolia)

Plantios e atividades relacionadas ao projeto Conservador das Araucárias. Fotos: Wigold Schäffer, Carolina Schäffer e Arquivo Apremavi.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow
Foto de capa: Wigold Schäffer

Rede Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina realiza primeiro encontro

Rede Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina realiza primeiro encontro

Rede Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina realiza primeiro encontro

Entre os dias 20 e 22 de março de 2026, aconteceu o primeiro encontro da Rede de Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina, no município de Rancho Queimado. O evento reuniu mulheres de diferentes regiões do território em um momento de conexão, fortalecimento e construção coletiva.

Em um mundo ainda marcado por estruturas machistas, criar espaços de encontro entre mulheres é um ato político e transformador, que fortalece suas vozes e amplia sua atuação nos territórios. Essa realidade se conecta à economia do cuidado, já que mulheres realizam mais de 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo e, no Brasil, dedicam muito mais tempo a essas atividades do que os homens.

Esse padrão também se repete no cuidado com o planeta: são majoritariamente mulheres que atuam na preservação da natureza, na produção de alimentos e na sustentabilidade das comunidades, especialmente em contextos rurais e tradicionais. Apesar de essencial, esse trabalho permanece invisibilizado. Assim, ao se organizarem em rede, as mulheres transformam a sobrecarga do cuidado em força coletiva, reconhecimento e ação política.

A Casa do Palhaço, localizada em Rancho Queimado, acolheu o encontro em um cenário entre o litoral e a serra, no início da Serra Catarinense, a cerca de 65 km de Florianópolis. Foi nesse ambiente que a rede ganhou ainda mais força, reunindo trajetórias diversas em torno de um propósito comum.

A Rede de Mulheres Ecológicas Serramar nasce da iniciativa de Mariza Vandresen, Flora Neves e Lótus Reuben, que idealizaram um programa para conhecer, valorizar e dar visibilidade às histórias de mulheres que atuam pela ecologia em seus territórios. Hoje, a rede já conta com cerca de 90 integrantes espalhados pela região.

O encontro surgiu do desejo de estar juntas, fortalecer vínculos e ampliar a potência dessa articulação. Mais do que uma reunião, foi um momento profundo de reconexão com saberes ancestrais e com a missão compartilhada de cuidar da vida em todas as suas formas, nas comunidades, nas famílias, nos territórios e nos projetos individuais e coletivos.

Mulheres das cidades, das áreas rurais, das florestas, das águas e dos mares se deslocaram para participar, reafirmando a importância de uma rede que reconhece e integra diferentes realidades e experiências.

Durante dois dias, o encontro foi marcado por intensas trocas e vivências: rodas de conversa, práticas coletivas, danças circulares, rituais, momentos de escuta e de convivência. Também houve espaço para a expressão artística, com apresentações de trabalhos, poemas, teatro e palhaçaria, revelando a diversidade de talentos na rede.

O ambiente foi de acolhimento e construção de confiança, no qual cada participante pôde compartilhar sua trajetória e fortalecer laços. Em meio às reflexões, destacou-se a importância de equilibrar luta e cuidado: plantar as sementes de um futuro mais justo e sustentável exige não apenas mobilização, mas também afeto, escuta e presença.

Integrantes da Rede; roda de apresentação das integrantes; apresentações artistícas, como por exemplo, com a personagem Recicleide; Thamara Almeida (Apremavi) e Kerexu Yxapyry
(Liderança Indígena do povo Mbya Guarani de Santa Catarina); anotações das ações encaminhadas. Fotos: Thamara Santos de Almeida, Lorena Lucas e Juliana Prates Mota/Cresol.

Como encaminhamento dos debates, as participantes deram um passo significativo na organização da rede. Foi definida a importância de politizar seus espaços de atuação por meio da Rede de Mulheres Ecológicas Serramar, fortalecer os encontros e os processos formativos internos, além de iniciar a construção de um banco de dados com informações das integrantes.

O primeiro encontro marca, assim, o início de uma nova etapa: mais estruturada, conectada e potente, reafirmando o compromisso coletivo com a defesa de todas as formas de vida, começando pelo fortalecimento interno da potência de cada mulher presente.

“Foi uma alegria participar desse encontro, que foi profundamente transformador e emocionante para mim. Estar entre tantas mulheres, diversas em tantos sentidos, mas que, assim como eu, dedicam suas vidas à ecologia nas suas comunidades, me trouxe um sentimento de pertencimento e força coletiva muito grande. Muitas vezes, esse trabalho é solitário e invisibilizado, mas aqui pude perceber que não estamos sozinhas, somos muitas, diversas e potentes”, comenta Thamara Santos de Almeida, que esteve presente no evento representando a Apremavi.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Emma Vandresen

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