The Forests Dialogue promove evento sobre restauração de ecossistemas na Bahia

The Forests Dialogue promove evento sobre restauração de ecossistemas na Bahia

The Forests Dialogue promove evento sobre restauração de ecossistemas na Bahia

A Apremavi participou, entre os dias 4 e 7 de maio, do evento  “Diálogo de Campo Sobre Restauração de Ecossistemas”, na região Sul da Bahia, organizado pelo Fórum Florestal da Bahia e pelo Diálogo Florestal, em associação com o The Forests Dialogue (TFD) – Diálogo Florestal Internacional.

Com cerca de 50 participantes nacionais e internacionais, o objetivo do encontro foi debater sobre os desafios e as oportunidades para intensificar as ações e os investimentos em restauração florestal com foco no papel do setor privado no Brasil.

A primeira edição do evento global foi realizada na Indonésia, em 2024. O diálogo busca reunir representantes do setor privado, organizações da sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais e instituições de ensino e pesquisa para encontrar e dar escala a soluções que promovam a recuperação de ecossistemas alterados.

Um dos principais tópicos abordados foi como explorar casos de sucesso de parcerias entre empresas e comunidades, apoio político e políticas mais claras, novos modelos de financiamento, reconhecimento dos direitos tradicionais e maior inclusão dos povos indígenas e das mulheres.

Miriam Prochnow da Apremavi no The Forests Dialogue

Miriam Prochnow, da Apremavi, interagindo no evento. Foto: Arquivo/The Forests Dialogue

A cofundadora e coordenadora de Políticas Públicas da Apremavi, Miriam Prochnow, participou do evento apresentando exemplos de sucesso de projetos desenvolvidos pela organização em parceria com setor privado para restauração da Mata Atlântica na região Sul.

Para Miriam, participar desse evento foi uma excelente oportunidade para atualizar as informações sobre o tema : “encontrei inúmeros amigos de organizações com as quais a Apremavi já tem algum nível de intercâmbio e foi ótimo poder trocar as mais recentes novidades sobre restauração e projetos em andamento. Também foi gratificante poder apresentar os mais recentes resultados dos projetos da Apremavi, especialmente pensando que um dos nossos maiores desafios é dar escala à restauração, tanto no Brasil, quanto globalmente”.

As discussões do encontro tiveram como ponto de partida  um documento conceitual que incluiu uma introdução sobre a iniciativa global do TFD sobre restauração, visão geral da restauração de ecossistemas; restauração de Ecossistemas na Mata Atlântica e no sul da Bahia; engajamento do setor privado na restauração de ecossistemas no sul da Bahia e considerações para as vivências e reflexões durante o Diálogo de Campo.

As visitas a campo ocorreram no Parque Nacional do Pau-brasil, no pré-assentamento Fábio Santos, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em áreas da Suzano Papel e Celulose, e na Symbiosis Investimentos.

 

Visita a campo no Sul da Bahia em áreas estratégicas para restauração

Visita a campo no Sul da Bahia em áreas estratégicas para restauração. Foto: Arquivo/The Forests Dialogue

As atividades foram facilitadas por seis colideranças com atuação no Diálogo: Maurem Alves (Klabin S.A. – Brasil), Kerry Cesareo (WWF – Estados Unidos), Marcus Colchester (Forest Peoples Programme – Reino Unido), Erica Munaro (Fórum Florestal da Bahia – Brasil), Cecile Ndjebet (REFACOF – Camarões), e Fernanda Rodrigues (Diálogo Florestal – Brasil).

A versão final do documento, incluindo comentários e sugestões das pessoas participantes durante o evento, será publicada na página do TFD em breve. 

 

Participantes do evento reunidos durante visita de campo na Mata Atlântica no Sul da Bahia

Participantes do evento reunidos durante visita de campo na Mata Atlântica no Sul da Bahia. Foto: Arquivo/The Forests Dialogue

Diálogo Florestal

O The Forests Dialogue (TFD), criado em 2000, surgiu como uma plataforma internacional de diálogo multissetorial voltada à construção de confiança, entendimento compartilhado e soluções colaborativas para a gestão e conservação sustentável das florestas no mundo.

Inspirado nesse modelo, o Diálogo Florestal foi criado no Brasil em 2005 para promover a interação entre empresas, organizações da sociedade civil, comunidades, povos indígenas e instituições de pesquisa, especialmente em contextos de conflito socioambiental ligados ao setor florestal.

Nesse contexto, o Fórum Florestal da Bahia atua desde 2005 como um espaço permanente de diálogo no Sul e Extremo Sul da Bahia, reunindo diferentes atores na busca de soluções colaborativas para a conservação da Mata Atlântica, restauração ecológica e desenvolvimento sustentável da região.

Autora: Patricia Krieger com informações do Diálogo Florestal
Revisão: Miriam Prochnow e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: Arquivo/The Forests Dialogue

Documentário sobre a Apremavi é premiado em festival internacional

Documentário sobre a Apremavi é premiado em festival internacional

Documentário sobre a Apremavi é premiado em festival internacional


“A família que plantou 10 milhões de árvores no sul do Brasil”, documentário produzido pela TV alemã Deutsche Welle sobre a Apremavi, foi premiado na última semana no festival internacional World Media Festivals, um dos mais importantes do mundo na categoria.

Em sua 27ª edição, o festival é realizado em Berlim, na Alemanha, e reconhece produções audiovisuais de produtoras, emissoras, agências e empresas de todo o mundo.

O documentário aborda a trajetória da Apremavi e de sua família fundadora, destacando o papel essencial que desempenharam na conservação e na restauração da Mata Atlântica. A produção foi realizada pela Deutsche Welle (DW), emissora pública alemã que transmite conteúdos por televisão, rádio e plataformas digitais em português, alemão, espanhol e inglês.

A história é contada pela atual vice-presidente da Apremavi, Carolina Schäffer, filha do casal Wigold Schäffer e Miriam Prochnow, cofundadores da ONG há quase 40 anos, em 1987, e que segue atuando em defesa do bioma.

Lançado em novembro de 2025, com pouco mais de 19 minutos de duração, o documentário já soma mais de 86 mil visualizações no canal da DW Brasil no Youtube. As gravações foram feitas na sede da Apremavi e em áreas de restauração na região de Atalanta, em Santa Catarina, pela jornalista Vanessa Fischer e pelo cinegrafista Nikolaus Tarouquela-Levitan

Gravação de documentário contando a história da Apremavi pela TV Alemã Deutsche Welle

Gravação do pela TV Alemã Deutsche Welle. Foto: Vanessa Fischer

“Fico muito feliz com este prêmio jornalístico, pois ele reconhece um documentário que busca inspirar e sensibilizar. O mundo precisa de mais histórias que aproximem as pessoas da natureza e dos desafios das  mudanças climáticas — histórias que inspirem e também toquem o coração. Este reconhecimento valoriza não só o filme em si, mas também o compromisso e a dedicação de todas as pessoas envolvidas em sua realização. É um incentivo importante para continuar contando histórias que gerem consciência, conexão e esperança”, comemora a jornalista Vanessa Fischer.


“O filme tem um significado além da questão jornalística ou artística para mim, fico muito feliz com esse reconhecimento. Foi a terceira vez que tive o prazer de filmar o trabalho da Apremavi e da família Schäffer, e observar o desenvolvimento da ONG – e das pessoas. E esse terceiro filme foi, ouso dizer, o mais bonito de todos. E além de ver a Apremavi evoluindo e crescendo, Miriam, Wigold e Carolina e seus parceiros e suas parceiras me inspiraram a fazer o mesmo que eles fazem, mesmo sendo em escala muito menor: plantei uma mini-floresta com mais de 4.000 plantas, com a ajuda de muitos voluntários na Polônia. Nunca teria feito isso sem essa turma linda. Por isso, vejo esse prêmio como um reconhecimento do trabalho de todos nós. Cada um fazendo sua parte para manter as florestas em pé e reerguê-las, onde for possível – seja através do plantio, do argumento ou mesmo de uma filmagem. Obrigado”, destaca o cinegrafista Nikolaus Tarouquela-Levitan.

Os vencedores do World Media Festivals recebem o globo intermídia e um certificado oficial, símbolos internacionalmente reconhecidos de conquistas excepcionais em mídia e comunicação corporativa.

A celebração anual em Berlim reflete a evolução do cenário midiático e seu poder de conectar pessoas, marcas e ideias globalmente com produções notáveis ​​em televisão, cinema, mídia digital, impressa e comunicação corporativa.

Sobre o documentário

A história da Apremavi começa com Wigold Schäffer, que há mais de 40 anos iniciou um movimento simples e transformador: plantar árvores nativas. Ao lado de Miriam Prochnow, fundou a Apremavi e iniciou uma jornada dedicada à restauração ecológica e ao fortalecimento das comunidades locais. De lá para cá, já são mais de 10 milhões de árvores plantadas, centenas de hectares restaurados e conservados, parcerias de sucesso estabelecidas nos territórios e muitas paisagens transformadas.

Hoje, esse legado passa às mãos da nova geração, entre eles Carolina Schäffer, filha de Wigold e Miriam, hoje vice-presidente da Apremavi, que segue impulsionando a missão da organização. Em um momento crucial em que o Brasil se compromete a restaurar 12 milhões de hectares de florestas, a Apremavi reafirma seu papel como força fundamental nessa agenda, articulando parcerias, mobilizando agricultores e inspirando novas gerações.

O documentário está disponível em alemão, inglês, espanhol, português e árabe e apresenta essa jornada como um exemplo de esperança em um mundo em que as florestas continuam a desaparecer e a crise climática se intensifica. A narrativa destaca o poder transformador da dedicação, do trabalho em rede e da visão de longo prazo. A experiência da família Schäffer ao longo de quatro décadas comprova que restaurar é possível e necessário.

Assista:

Autora: Patricia Krieger com informações da Deutsche Welle
Revisão: Carolina Schäffer e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: © Reprodução/Deutsche Welle

Encontro Nacional do Observatório do Clima debate agenda climática

Encontro Nacional do Observatório do Clima debate agenda climática

Encontro Nacional do Observatório do Clima debate agenda climática

O Encontro Anual do Observatório do Clima (OC), realizado em São Paulo nos dias 06 e 07 de maio, reuniu mais de 250 pessoas. João de Deus Medeiros, Conselheiro Consultivo da Apremavi, participou representando a instituição.

O evento reuniu 128 organizações do OC, configurando um momento de intensa troca de informações e interação com as múltiplas entidades da instituição. 

O foco foi a análise da atual conjuntura nacional e internacional e os impactos na política climática, com ênfase no processo eleitoral brasileiro. Várias exposições traçaram um panorama da situação atual,bem como sobre os possíveis cenários que teremos no país no próximo ano, com novos representantes no Executivo e no Legislativo. Os debates procuram avaliar como as entidades do OC projetam os possíveis impactos dessas mudanças no avanço da agenda climática.

Na sequência, o encontro buscou indicações sobre quais as principais ações de comunicação e advocacy poderão ser priorizadas em 2026. 

Encontro Nacional do Observatório do Clima de 2026. Foto: João de Deus Medeiros

Encontro Nacional do Observatório do Clima de 2026. Foto: João de Deus Medeiros

No cenário internacional a avaliação não é otimista: estamos com 74% da população mundial vivendo em autocracias e há um clima de ruptura na ordem internacional, o que sinaliza maior dificuldade de avanços na agenda climática. Nesse contexto foi amplamente debatido o desgaste do modelo instituído pelas COPs, destacando que o OC precisa buscar outros mecanismos de incidência, não se restringindo às discussões e decisões estritamente vinculadas ao modelo da ONU.

No cenário nacional, foram apresentados dados sobre a avaliação da atuação do Executivo e do Legislativo, com apresentação de ações positivas e ameaças concretas à implementação da agenda climática no Brasil. A partir dessas apresentações, foram colhidas sugestões e questionamentos dos participantes, que  serão sistematizados e utilizados como balizadores das estratégias a serem adotadas pelo OC, tanto para uma incidência mais assertiva na campanha eleitoral de 2026, quanto para os posicionamentos do OC na defesa do avanço da agenda climática.

Todos ressaltaram a importância estratégica do acompanhamento da tramitação de projetos de lei no legislativo federal feito pela equipe do OC, e como esse acompanhamento e monitoramento tem auxiliado no enfrentamento de propostas da agenda negativa, bem como na mobilização das entidades na defesa das propostas que avançam positivamente nas agendas socioambiental e climática. 

 

Observatório do Clima

Fundado em 2002, o Observatório do Clima se tornou a principal rede da sociedade civil brasileira na agenda climática. Hoje, reúne 172 integrantes entre organizações socioambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais que, juntos, lutam para construir um Brasil mais justo, sustentável e descarbonizado. 

> Saiba mais

Autor: João de Deus Medeiros
Revisão: Miriam Prochnow e Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Reprodução/Observatório do Clima

Conferência de Santa Marta expõe desafios e acelera articulação pelo fim dos combustíveis fósseis

Conferência de Santa Marta expõe desafios e acelera articulação pelo fim dos combustíveis fósseis

Conferência de Santa Marta expõe desafios e acelera articulação pelo fim dos combustíveis fósseis

A 1ª Conferência Internacional para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada no final de abril de 2026 em Santa Marta, na Colômbia, reuniu cerca de 60 países em torno de um objetivo comum: acelerar o abandono de petróleo, carvão e gás.

Mesmo sem produzir um acordo juridicamente vinculante, o encontro consolidou uma alternativa política relevante ao modelo tradicional das negociações climáticas da UNFCCC. Em vez de buscar consenso universal, a conferência apostou na formação de uma coalizão de países dispostos a avançar de forma mais rápida e coordenada na transição energética.

Um novo espaço político para a transição

Segundo o Observatório do Clima, Santa Marta foi considerada histórica por três razões principais. A primeira foi a abertura de um espaço diplomático onde os combustíveis fósseis,  frequentemente evitados nas negociações internacionais, puderam ser discutidos diretamente como causa central da crise climática.

A segunda foi a mudança de foco: deixou-se de debater “se” a transição é necessária e passou-se a discutir “como” implementá-la. Por fim, a conferência reposicionou a ciência no centro das decisões políticas ao anunciar a criação do painel científico SPAGET (sigla em inglês para o painel de aconselhamento da transição energética), que terá sede na Universidade de São Paulo. O objetivo é orientar políticas públicas com base em evidências, fortalecendo a credibilidade das estratégias nacionais

“Foi um evento histórico. A conferência consolidou uma coalizão de países dispostos a se mover para realizar a transição energética prometida em 2023 e jamais implementada. Não se trata mais de ‘se’ vamos fazer, mas de ‘como’ isso será feito. O encontro atribuiu tarefas concretas aos países, que já saem com a perspectiva de uma nova conferência no próximo ano, sob presidência da Holanda, voltada à construção dos mapas nacionais de transição”, relata Claudio Angelo em vídeo publicado pelo Observatório do Clima.

O papel do Brasil e a controvérsia do plano energético

O Brasil chegou à conferência com protagonismo, sendo apontado como um dos incentivadores da criação dos chamados “mapas do caminho” nacionais para a transição energética. No entanto, esse protagonismo foi abalado nas horas finais do encontro.

O Ministério de Minas e Energia divulgou uma proposta de Plano Nacional de Transição Energética que prevê a permanência de petróleo, gás e carvão na matriz brasileira até 2055. A iniciativa foi criticada pelo Observatório do Clima, que não reconheceu o documento como um plano legítimo de transição.

Segundo Cláudio Angelo do Observatório do Clima, o anúncio constrangeu o país no cenário internacional, especialmente por ocorrer enquanto outras nações discutiam caminhos concretos para abandonar os combustíveis fósseis. Ele também criticou o ministro Alexandre Silveira por decisões anteriores consideradas contraditórias com a agenda climática.

O episódio expôs tensões internas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evidenciando a dificuldade de alinhar políticas energéticas com compromissos climáticos internacionais.

O legado de Santa Marta

O principal desafio agora é transformar o impulso político da conferência em ações concretas. A elaboração de “mapas do caminho” nacionais, que deverão ser incorporados às NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), será um teste decisivo para a coalizão formada em Santa Marta.

A conferência inaugurou um novo arranjo de governança climática, baseado na ação coordenada de países dispostos a avançar além do mínimo consenso global. Se esse modelo será capaz de acelerar de fato a transição energética, dependerá da capacidade desses países de implementar mudanças estruturais em suas economias.

Podcast Entrando no Clima

O episódio especial do podcast Entrando no Clima do ((o))eco traz uma leitura da Conferência diretamente de Santa Marta. Apresentado por Marcio Isensee e Sá, o programa reúne a jornalista Karina Pinheiro e o geógrafo e criador de conteúdo Bruno Araújo para discutir os bastidores do encontro.

> Confira o episódio

 

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Observatório do Clima
Revisão: Miriam Prochnow e Carolina Schäffer
Foto de capa: Presidência da Colômbia/Domínio Público

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

Entre os dias 24 e 26 de abril de 2026, a Apremavi participou do 13º Festival dos Papagaios, que tem como atrativo principal a observação das revoadas do papagaio-charão (Amazona pretrei) e do avistamento do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) em um evento com diversas atividades culturais em Urupema, na Serra Catarinense.

A programação contou com experiências em campo como trilhas, observação guiada e as tradicionais revoadas do papagaio-charão e também oficinas, palestras, atividades culturais e estandes na feira de produtos regionais e artesanais.

A revoada dos papagaios acontece de abril a junho, quando as aves vêm do Rio Grande do Sul para se alimentar de pinhões. Nos últimos anos o número de papagaios chega a mais de 20.000 indivíduos. Esse fenômeno é acompanhado de perto pelo Projeto Charão.

O festival reuniu turistas, comunidade local, feirantes, entusiastas da observação de aves e ornitólogos em uma programação diversificada e voltada à conservação da natureza. As atividades foram realizadas na Secretaria de Educação, Sala da Cultura, Salão da Igreja, além de propriedades privadas e pousadas da região.

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

Oficina de formação durante o 13º Festival dos Papagaios na Serra Catarinense. Foto: Wigold Schäffer.

Apremavi no Festival

A participação da Apremavi no festival teve por objetivo reforçar o vínculo com a comunidade da Serra Catarinense, região onde a instituição tem ampliado sua atuação por meio do projeto Conservador das Araucárias.

A presença no evento também contribuiu com a disseminação de informações com oficinas e um estande sobre conservação e restauração da Mata Atlântica com a distribuição de mudas do Viveiro Jardim das Florestas, folders e cartilhas produzidas pela instituição.

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

Estande da Apremavi no 13º Festival dos Papagaios em Urupema, na Serra Catarinense. Foto: Caroline Heidemann

Miriam Prochnow, co-fundadora da Apremavi, participou da mesa redonda “O Futuro da Observação de Aves em Santa Catarina”, abordando a importância da conexão entre projetos de restauração e a atividade de observação de aves. “A avifauna é fundamental nos projetos de restauração, afinal, muitas espécies de aves e outros animais são dispersores de sementes e portanto plantadores de florestas, a exemplo do próprio papagaio-charão e da gralha-azul, com os pinhões das araucárias. É um tópico que não pode ser esquecido nas metodologias e que converge com possíveis atividades de observação de aves em áreas em restauração”, comenta Miriam. 

 

13º Festival dos Papagaios movimenta turismo em Urupema, na Serra Catarinense

Participação de Miriam Prochnow durante o 13º Festival dos Papagaios. Foto: Wigold Schäffer

Ela acrescenta que o próprio festival só está sendo possível por conta da migração que os papagaios, quando em busca dos pinhões para alimentação, porque a Floresta com Araucárias está tendo uma oportunidade de restauração. A principal oportunidade que a floresta teve foi a proibição do corte da araucária no início dos anos 2.000. Depois veio a Lei da Mata Atlântica, que complementou essa proteção. “Para que o espetáculo continue, as ações de conservação e restauração da floresta são imprescindíveis”, explica Miriam.

Durante um dos passeios do evento em Urupema, integrantes da equipe da Apremavi encontraram uma araucária centenária e fizeram registros. “Encontrar araucárias centenárias remanescentes é extremamente difícil e um acontecimento que emociona quem participa desses momentos. É uma testemunha viva da magnificência do que era a Floresta com Araucárias”, conclui.

Participantes do Festival e Araucária centenária. Foto: Wigold Schäffer

Turismo de observação de aves

O Festival dos Papagaios tem se consolidado como um exemplo sobre como a conservação da biodiversidade pode contribuir para a movimentação da economia local por meio do turismo de observação de aves.

Com apoio da iniciativa privada, poder público, ONGs e a comunidade, o festival promove a integração entre comunidade, pesquisadores e visitantes, incentivando práticas de turismo sustentável na região. O evento foi realizado pela EcoPousada Rio dos Touros e a Prefeitura Municipal de Urupema, com patrocínio e apoio de diversas instituições e parceiros, entre eles Sicoob, Reserva Faldum, Apremavi, Parque Nacional Eco Resort, Yes Bird, Mover Turismo, Brew Pub e Colégio Santa Rosa.

Autores: Caroline Heidemann, Luciano Comunello e Patricia Krieger
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Miriam Prochnow

Florestas tropicais podem se recuperar após desmatamento, mas precisam de tempo

Florestas tropicais podem se recuperar após desmatamento, mas precisam de tempo

Florestas tropicais podem se recuperar após desmatamento, mas precisam de tempo

Pesquisa internacional aponta que florestas degradadas recuperam grande parte da biodiversidade em até 30 anos, mas recuperação total pode levar séculos.

Um estudo publicado neste mês na Nature traz uma notícia animadora para a restauração ecológica: florestas tropicais têm uma notável capacidade de se regenerar após sofrerem desmatamento, desde que recebam tempo suficiente e proteção adequada.

A pesquisa analisou a recuperação da biodiversidade em áreas de floresta tropical no Equador, comparando regiões preservadas com áreas alteradas por atividades como pecuária e cultivo de cacau. Os cientistas avaliaram 16 grupos de organismos, incluindo árvores, aves, insetos, morcegos e bactérias do solo.

Os resultados mostram que, após cerca de 30 anos de regeneração natural, as florestas conseguem recuperar:

  •  Mais de 90% da abundância de espécies;
  • Mais de 90% da diversidade biológica;
  • Aproximadamente 75% da composição original das espécies.

Apesar dos números positivos, os pesquisadores destacam que a recomposição completa do ecossistema, especialmente com espécies típicas de florestas antigas, pode levar muito mais tempo, chegando a décadas ou até séculos.

 

Recuperação depende do tipo de organismo

O estudo também revelou que a recuperação varia bastante entre os grupos analisados:

  • Insetos e aves: recuperação mais rápida;
  • Árvores: crescimento lento, levando mais tempo para atingir o estágio original;
  • Bactérias do solo: podem não se recuperar completamente.

Isso significa que uma floresta pode parecer recuperada à primeira vista, mas ainda estar longe de atingir seu estado original em termos ecológicos.

 

As florestas se recuperam se tiverem tempo

Apesar do potencial de recuperação, há um obstáculo importante: muitas áreas em regeneração são desmatadas novamente antes de completar esse processo. Atualmente, grande parte das florestas secundárias no mundo tem menos de 10 anos, o que impede que atinjam estágios mais avançados de recuperação ecológica.

Para mudar esse cenário, especialistas destacam a necessidade de proteger essas áreas por mais tempo, reduzir o desmatamento recorrente e incentivar políticas de conservação sustentável que conciliem uso econômico e conservação.

A natureza tem uma capacidade extraordinária de se recuperar, mas precisa de tempo e condições adequadas para isso. Proteger e permitir a regeneração das florestas tropicais pode ser uma das estratégias mais eficazes para conservar a biodiversidade e enfrentar a crise climática global.

> Leia o estudo

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Carolina Schäffer

Professores participam de capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Professores participam de capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Professores participam de capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Professores de escolas da rede pública de ensino de Abelardo Luz, no Oeste de Santa Catarina, participaram da capacitação do “Geração + Floresta”, promovida pela Apremavi em parceria com o ICMBio, no dia 24 de março, na Escola Básica Municipal (EBM) José Maria, no Assentamento José Maria.

“O projeto capacita os alunos a questionar modelos de consumo insustentáveis e buscar soluções para os problemas ambientais locais. E sensibiliza os estudantes a mudar hábitos de adultos e contribuir para o desenvolvimento territorial da comunidade. É um projeto de extrema importância, pois possibilita a interdisciplinaridade dos conteúdos na educação básica e contribui para a realidade de cada um dos estudantes”, afirmou o coordenador do curso Técnico em Agropecuária do IFC Câmpus Abelardo Luz, Fander Oliveira.

A capacitação consistiu em atividades teóricas e práticas sobre a conservação da Mata Atlântica. No período da manhã, os técnicos da Apremavi apresentaram o projeto “Geração + Floresta”, e também abordaram a importância da conservação da biodiversidade do bioma.

Marluci Pozzan, da Apremavi, conduzindo a capacitação do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Marluci Pozzan conduzindo a capacitação do projeto “Geração + Floresta” com os professores em Abelardo Luz (SC). Foto Guilherme Vitor Callegari

Com diferentes modelos de aplicação e abordagem, o projeto de educação ambiental “Geração + Floresta” busca promover ações ambientais no âmbito escolar, a integralização com os conteúdos programáticos das instituições, modelos de consumo, esclarecimento de dúvidas sobre conservação e restauração ambiental.

No Ensino Fundamental, o programa aborda a temática da biodiversidade, com ênfase na flora e na fauna da Floresta Ombrófila Mista e na conservação dos recursos hídricos.

E no Ensino Médio, os conteúdos são voltados ao planejamento de propriedades e paisagens, incluindo temas como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), legislação ambiental, recuperação de áreas alteradas, Reserva Legal, Áreas de Preservação Permanente (APPs), mudanças climáticas e conservação de ecossistemas.

Atividade de observação de aves na capacitação de professores do projeto “Geração + Floresta” em Abelardo Luz (SC)

Materiais produzidos pela Apremavi distribuídos no evento. Foto: Manuela de Deus

A formação continuou com atividades práticas no período da tarde. Os professores tiveram oportunidade de conhecer mais sobre as Unidades de Conservação da região e participaram de uma atividade prática de observação de aves, conduzida pelos agentes do ICMBio.

Ao final da formação, foram distribuídos  materiais educativos e mudas de árvores nativas, incentivando a aplicação dos conhecimentos adquiridos e o desenvolvimento de ações sustentáveis nas escolas e comunidades.

Materiais da Apremavi distribuidos na capacitação do projeto “Geração + Floresta”

Materiais produzidos pela Apremavi distribuídos no evento. Foto: Manuela de Deus

O encontro reuniu aproximadamente 22 participantes, entre professores de instituições de ensino da região, agentes do ICMBio e membros da Apremavi. Estiveram presentes professores das escolas EBM Paulo Freire, EBM José Maria, EBM 25 de Maio, EIEF Cacique Karenh, EEM Semente da Conquista e do IFC Câmpus Abelardo Luz.

A capacitação foi conduzida pela equipe da Apremavi, Marluci Pozzan, Edilaine Dick e Leandro Casanova, e contou com a participação dos agentes do ICMBio, Antonio de Almeida Correia Junior, Ibis Cezario Lourenço, Vinicius Duarte Soroka, Ana Laura Mariani, Raimundo Williams Oliveira Barreto e Alini Paulina Guinzelli Bortolaz.

Projeto +Floresta

Visa contribuir para a restauração da vegetação nativa na Floresta Ombrófila Mista, no Oeste de Santa Catarina, com o incremento de espécies vegetais ameaçadas de extinção como a araucária, a imbuia e o xaxim, todas com histórico de intensa exploração no estado.

É financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

> Conheça o projeto

Autora: Manuela de Deus
Revisão: Patricia Krieger, Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Manuela de Deus

Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

Canudo-de-pito, aliado das abelhas e da restauração ecológica

 

A Escallonia bifida, popularmente conhecida como canudo-de-pito, é uma espécie de árvore nativa de grande valor ecológico, especialmente reconhecida por sua importância para as abelhas e por seu potencial em projetos de restauração ecológica.

O nome do gênero Escallonia homenageia Don Antonio Escallón, botânico americano, discípulo de José Celestino Mutis, que identificou a planta na região da Nova Granada (atual Colômbia). Já o epíteto específico bifida deriva do latim e significa “partida em dois”, em referência ao formato das folhas, que frequentemente apresentam um pequeno recorte no ápice.

Polinização e floração

A espécie é altamente atrativa para polinizadores. As abelhas são seu principal vetor de polinização, além de diversos insetos de pequeno porte.

No sul do Brasil, a floração ocorre entre dezembro e abril no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, estendendo-se até junho no Paraná. Já a frutificação se concentra entre fevereiro e junho, dependendo da região. A dispersão das sementes ocorre de forma anemocórica, ou seja, pelo vento, o que favorece a colonização de novas áreas.

Distribuição e ecologia

Ocorre naturalmente no Uruguai e, no Brasil, está presente em diversos estados, incluindo Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, sendo encontrado principalmente na Floresta Ombrófila Densa e na Floresta Ombrófila Mista do bioma Mata Atlântica.

Trata-se de uma espécie pioneira, ou seja, uma das primeiras a colonizar áreas alteradas. Apesar disso, apresenta crescimento lento. Também possui capacidade de rebrotar a partir da cepa, o que contribui para sua persistência no ambiente.

A maturação dos frutos ocorre de forma irregular, permitindo a coleta tanto de frutos maduros (verde-escuros) quanto imaturos (verde-claros). Um método simples de beneficiamento consiste na maceração dos frutos em água, na qual as sementes afundam e o material inerte flutua, facilitando a separação.

Importância apícola e uso na restauração ecológica

O canudo-de-pito é uma espécie melífera de destaque, fornecendo néctar e pólen que resultam em um mel de excelente qualidade. Esse mel é especialmente valorizado na região de Prudentópolis (PR), conhecida como a “capital do mel”.

Apresenta grande potencial em projetos de restauração ecológica, especialmente em áreas com drenagem lenta ou sujeitas a alagamentos periódicos. Sua tolerância ao encharcamento a torna indicada para recuperação de áreas alteradas, matas ciliares e ambientes fluviais ou ripários.

Aspectos do canudo-de-pito (Escallonia bifida). Foto: Rachel Green Belt (CC BY-NC-SA 2.0) via Flickr

Canudo-de-pito

Nome científico: Escallonia bifidai Link & Otto.

Família: Escalloniaceae.

Fruto: em cápsula, com cerca de 3,5 mm de diâmetro.

Flor: agrupadas em inflorescências chamadas panículas, que são como pequenos “cachos” com várias flores juntas. 

Crescimento da muda: lento.

Coleta de sementes: a maturação dos frutos do canudo-de-pito ocorre de maneira irregular, podendo ser coletados tanto frutos maduros, de coloração verde-escura, quanto frutos imaturos, de coloração verde-clara. Um beneficiamento parcial das sementes pode ser obtido pela maceração dos frutos em água e pela decantação natural das sementes.

Germinação: a emergência começa entre 22 e 70 dias após a semeadura. O poder germinativo é bastante variável e irregular (5% a 61%). As mudas atingem porte para plantio cerca de 3 meses após a semeadura.

Plantio: recomenda-se o plantio em pleno sol. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA nº 148/2022 | IUCN: Não consta.

 

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Canudo-de-pito: Copaifera trapezifolia. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 115-119. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1140588/canudo-de-pito-escallonia-bifida. Acesso em:13 abr. 2026.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Melburnian, CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Uma iniciativa que conecta arte, educação e sustentabilidade começou a ganhar forma no fim de março de 2026 em Rancho Queimado (SC). A implantação de um Bosque de Heidelberg na Casa do Palhaço marca uma nova etapa no projeto “Casa do Palhaço de Portas Abertas”, contemplado pelo edital Funarte – Ações Continuadas 2025.

O projeto envolve diretamente cerca de 200 participantes ao longo do ano, distribuídos em 10 oficinas, cada uma com 20 vagas. Os estudantes, voltados especialmente à arte da palhaçaria, participam não apenas da formação artística, mas também do plantio de árvores nativas da Mata Atlântica.

 

Primeiro plantio reúne artistas e Mata Atlântica

O primeiro plantio ocorreu nos dias 28 e 29 de março, às margens do Rio Scharf, que atravessa a comunidade local. Dividida em dois momentos, sábado e domingo pela manhã, a ação resultou no plantio inicial de 21 mudas de espécies nativas, doadas pela Apremavi com apoio do Projeto Bosques de Heidelberg.

A proposta é que, a cada novo ciclo mensal de oficinas na Casa do Palhaço, cerca de 20 novos participantes também contribuam para o plantio, ampliando gradualmente a recuperação da área.

Localizada em uma propriedade rural de 75 mil metros quadrados, a Casa do Palhaço desenvolve, desde 2021, um trabalho contínuo em prol do meio ambiente. Parte do terreno, anteriormente degradado pela criação intensiva de gado, vem sendo recuperada por meio de práticas como agrofloresta e permacultura, sem uso de insumos químicos.

O plantio do bosque integra esse processo mais amplo, com foco na recomposição da mata ciliar do Rio Scharf, essencial para conter a erosão, reduzir o assoreamento e favorecer o retorno da fauna silvestre.

Além disso, a iniciativa tem caráter pedagógico: durante as formações, os participantes vivenciam práticas sustentáveis no cotidiano, desde o cultivo de alimentos orgânicos até o manejo de resíduos e o uso consciente dos recursos naturais.

 

Bosque de Heidelberg é iniciado na Casa do Palhaço em Rancho Queimado

Registro do início da implementação do Bosque de Heidelberg na Casa do Palhaço em Rancho Queimado (SC). Foto: Boró Arteiro e Mariza Vandresen

Arte, consciência e transformação

Para os organizadores, a iniciativa vai além do plantio de árvores. Trata-se de integrar valores ambientais ao fazer artístico e à formação humana.

“Enquanto fazedores e educadores da arte, precisamos inserir estas ações no nosso cotidiano. A preservação e o cuidado com a vida no nosso planeta são premissas essenciais da Casa do Palhaço”, destaca Lidiane Cunha, produtora do espaço.

Já o idealizador do projeto, o artista e palhaço Pepe Núñez, ressalta o engajamento dos participantes: “Foi o primeiro plantio de muitos. É importante destacar a alegria e o desejo de cada palhaço ao saber que participariam da ação. Na próxima, já querem ir de nariz, levar a alegria das gags e piadas para o plantio”.

Bosques de Heidelberg

A parceria entre a Apremavi e o BUND existe desde 1999 e busca a restauração da Mata Atlântica no Brasil. A principal atividade é o plantio de árvores nativas produzidas no Viveiro Jardim das Florestas, aliado à realização de palestras, à visitação e trilhas em áreas de floresta e o apoio a campanhas educativas. Sempre que possível, os bosques são plantados em centros de ensino, áreas estratégicas para que o espaço também seja explorado como recurso para atividades de educação ambiental, contemplação e interpretação da natureza. 

> Saiba mais

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Boró Arteiro e Mariza Vandresen

Apremavi participa de Seminário sobre Créditos de Biodiversidade

Apremavi participa de Seminário sobre Créditos de Biodiversidade

Apremavi participa de Seminário sobre Créditos de Biodiversidade

A Apremavi participou do “Seminário Créditos de Biodiversidade: uma oportunidade para a indústria”, promovido pela FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) em parceria com o BRDE  (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul).

O evento foi realizado na sede da FIESC, em Florianópolis, e transmitido ao vivo pelo YouTube, no dia 25 de março, e contou com dez painéis sobre iniciativas locais e internacionais para a atuação das indústrias no mercado de créditos de biodiversidade.

No painel “Investimento no Corredor das Nascentes na Serra Geral como Estratégia de Negócio”, apresentado pela Apremavi, a cofundadora e diretora da associação, Miriam Prochnow, mostrou as parcerias desenvolvidas com o setor privado como solução local para a conservação da biodiversidade no enfrentamento à crise climática.

“Começamos o trabalho da Apremavi há quase 40 anos com o Viveiro Jardim das Florestas, com dezoito mudas em um quintal. Hoje temos capacidade de produzir 1 milhão de mudas por ano, de duzentas espécies diferentes. E isso só é possível com muitas parcerias”, ressaltou Miriam.

Metas conjuntas de enfrentamento à crise climática

Ao falar sobre os projetos desenvolvidos pela associação, Miriam citou o estudo Santa e Frágil Catarina”, publicado recentemente, que apresenta um relatório completo sobre os efeitos devastadores e os prejuízos causados por eventos climáticos extremos. E afirmou que o enfrentamento a esse cenário exige muito esforço coletivo para alcançar metas conjuntas.

Ações de restauração do projeto Conservador das Araucárias. Foto: Arquivo Apremavi

No projeto Conservador das Araucárias, em parceria com a Tetra Pak, ampliamos as metas da Apremavi, mas se quisermos cumprir a meta de 12 milhões de hectares que nós temos na NDC* brasileira, vamos precisar de muitos projetos como esse. É nesse sentido que trabalhamos para que as boas experiências sejam modelos de parcerias”, explicou.

*Meta conjunta prevista na NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) para o Brasil.


Seja um parceiro

A Apremavi mantém parceria em projetos de restauração com empresas como a Tetra Pak e a Klabin, com modelos que podem ser aplicados em pequenas, médias e grandes propriedades, buscando soluções conjuntas.

Os parceiros contam com assessoria das equipes especializadas desde a etapa de estudos prévios, preparação para recuperação e plantio, até o monitoramento e prestação de contas e apresentação dos resultados em relatórios de transparência.

> Saiba mais sobre nossos projetos aqui.

Autora: Patricia Krieger
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Fiesc/Divulgação

Conservador das Araucárias ganha 32° Prêmio Expressão de Ecologia

Conservador das Araucárias ganha 32° Prêmio Expressão de Ecologia

Conservador das Araucárias ganha 32° Prêmio Expressão de Ecologia

O projeto Conservador das Araucárias, da parceria da Apremavi com a Tetra Pak, foi um dos vencedores do 32º Prêmio Expressão de Ecologia, considerado a premiação ambiental mais longeva do Brasil. Esta é a 14ª vez que a Apremavi recebe o Troféu Onda Verde, retrato da sua atuação protagonista e do compromisso com a conservação e a restauração da Mata Atlântica.

Nesta edição do prêmio, 146 projetos foram inscritos, dos quais 54 foram premiados, representando 40 organizações vencedoras. As iniciativas reconhecidas receberão o Troféu Onda Verde numa cerimônia no dia 26 de junho, a ser realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) em Florianópolis (SC). Junto ao prêmio, os casos vencedores receberão destaque na Revista Líderes de Expressão, que desempenha papel importante na valorização de iniciativas voltadas à sustentabilidade e à preservação dos recursos naturais nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

Conservador das Araucárias

O Conservador das Araucárias é um projeto da parceria entre a Apremavi e a Tetra Pak. A parceria busca restaurar e conservar áreas da Mata Atlântica, com foco na Floresta com Araucárias, uma das formações florestais mais ameaçadas do planeta, reduzida a apenas 3% de sua cobertura original.

A iniciativa integra o compromisso global de sustentabilidade da empresa parceira e contribui para ações de descarbonização, conservação da biodiversidade e fortalecimento de comunidades locais. 

Até o final de 2025, o projeto já apresentava resultados expressivos:

  • 3.213 hectares em processo de restauração ecológica

  • 1.200 hectares prospectados para restauração em 2026

  • 34 propriedades rurais participantes, entre pequenas, médias e grandes propriedades, nos municípios de Atalanta, Papanduva, Urubici, Urupema, Painel e Santa Rosa de Lima.

Além da restauração ecológica, o Conservador das Araucárias promove benefícios sociais e econômicos. Os proprietários rurais participantes recebem pagamento antecipado de carbono de R$540,00 por hectare ao ano, incentivando a recuperação ambiental das propriedades e gerando renda complementar.

O projeto também estimula cadeias locais ligadas à restauração, como a coleta de sementes e plantio de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. Ao todo, mais de 500 pessoas são beneficiadas diretamente pelas ações da iniciativa.

Araucária (Araucaria angustifolia)

Plantios e atividades relacionadas ao projeto Conservador das Araucárias. Fotos: Wigold Schäffer, Carolina Schäffer e Arquivo Apremavi.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow
Foto de capa: Wigold Schäffer

Rede Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina realiza primeiro encontro

Rede Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina realiza primeiro encontro

Rede Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina realiza primeiro encontro

Entre os dias 20 e 22 de março de 2026, aconteceu o primeiro encontro da Rede de Mulheres Ecológicas Serramar de Santa Catarina, no município de Rancho Queimado. O evento reuniu mulheres de diferentes regiões do território em um momento de conexão, fortalecimento e construção coletiva.

Em um mundo ainda marcado por estruturas machistas, criar espaços de encontro entre mulheres é um ato político e transformador, que fortalece suas vozes e amplia sua atuação nos territórios. Essa realidade se conecta à economia do cuidado, já que mulheres realizam mais de 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo e, no Brasil, dedicam muito mais tempo a essas atividades do que os homens.

Esse padrão também se repete no cuidado com o planeta: são majoritariamente mulheres que atuam na preservação da natureza, na produção de alimentos e na sustentabilidade das comunidades, especialmente em contextos rurais e tradicionais. Apesar de essencial, esse trabalho permanece invisibilizado. Assim, ao se organizarem em rede, as mulheres transformam a sobrecarga do cuidado em força coletiva, reconhecimento e ação política.

A Casa do Palhaço, localizada em Rancho Queimado, acolheu o encontro em um cenário entre o litoral e a serra, no início da Serra Catarinense, a cerca de 65 km de Florianópolis. Foi nesse ambiente que a rede ganhou ainda mais força, reunindo trajetórias diversas em torno de um propósito comum.

A Rede de Mulheres Ecológicas Serramar nasce da iniciativa de Mariza Vandresen, Flora Neves e Lótus Reuben, que idealizaram um programa para conhecer, valorizar e dar visibilidade às histórias de mulheres que atuam pela ecologia em seus territórios. Hoje, a rede já conta com cerca de 90 integrantes espalhados pela região.

O encontro surgiu do desejo de estar juntas, fortalecer vínculos e ampliar a potência dessa articulação. Mais do que uma reunião, foi um momento profundo de reconexão com saberes ancestrais e com a missão compartilhada de cuidar da vida em todas as suas formas, nas comunidades, nas famílias, nos territórios e nos projetos individuais e coletivos.

Mulheres das cidades, das áreas rurais, das florestas, das águas e dos mares se deslocaram para participar, reafirmando a importância de uma rede que reconhece e integra diferentes realidades e experiências.

Durante dois dias, o encontro foi marcado por intensas trocas e vivências: rodas de conversa, práticas coletivas, danças circulares, rituais, momentos de escuta e de convivência. Também houve espaço para a expressão artística, com apresentações de trabalhos, poemas, teatro e palhaçaria, revelando a diversidade de talentos na rede.

O ambiente foi de acolhimento e construção de confiança, no qual cada participante pôde compartilhar sua trajetória e fortalecer laços. Em meio às reflexões, destacou-se a importância de equilibrar luta e cuidado: plantar as sementes de um futuro mais justo e sustentável exige não apenas mobilização, mas também afeto, escuta e presença.

Integrantes da Rede; roda de apresentação das integrantes; apresentações artistícas, como por exemplo, com a personagem Recicleide; Thamara Almeida (Apremavi) e Kerexu Yxapyry
(Liderança Indígena do povo Mbya Guarani de Santa Catarina); anotações das ações encaminhadas. Fotos: Thamara Santos de Almeida, Lorena Lucas e Juliana Prates Mota/Cresol.

Como encaminhamento dos debates, as participantes deram um passo significativo na organização da rede. Foi definida a importância de politizar seus espaços de atuação por meio da Rede de Mulheres Ecológicas Serramar, fortalecer os encontros e os processos formativos internos, além de iniciar a construção de um banco de dados com informações das integrantes.

O primeiro encontro marca, assim, o início de uma nova etapa: mais estruturada, conectada e potente, reafirmando o compromisso coletivo com a defesa de todas as formas de vida, começando pelo fortalecimento interno da potência de cada mulher presente.

“Foi uma alegria participar desse encontro, que foi profundamente transformador e emocionante para mim. Estar entre tantas mulheres, diversas em tantos sentidos, mas que, assim como eu, dedicam suas vidas à ecologia nas suas comunidades, me trouxe um sentimento de pertencimento e força coletiva muito grande. Muitas vezes, esse trabalho é solitário e invisibilizado, mas aqui pude perceber que não estamos sozinhas, somos muitas, diversas e potentes”, comenta Thamara Santos de Almeida, que esteve presente no evento representando a Apremavi.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Emma Vandresen

Seminário Santa e Frágil Catarina apresenta desafios e soluções para a crise climática

Seminário Santa e Frágil Catarina apresenta desafios e soluções para a crise climática

Seminário Santa e Frágil Catarina apresenta desafios e soluções para a crise climática

No dia 20 de março, em Florianópolis, ocorreu o Seminário Estadual sobre Mudanças Climáticas “Santa e Frágil Catarina”, realizado no plenarinho da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com transmissão ao vivo.

Os últimos três anos (2023-2025) foram os mais quentes já registrados no planeta, evidenciando que os limites ambientais estão sendo pressionados de forma perigosa. Com o aumento das temperaturas, os impactos da crise climática tornam-se mais intensos e frequentes. A região Sul do Brasil tem enfrentado uma sequência de eventos extremos, como ciclones, tempestades severas, enxurradas, enchentes, ondas de calor e secas prolongadas.

Em Santa Catarina, episódios marcantes como o Ciclone Catarina, as enchentes no Alto Vale do Itajaí (2008, 2011 e 2023) e a seca no Oeste (2012) demonstram a gravidade crescente desse cenário.

Diante desse contexto, surgiu a iniciativa Santa e Frágil Catarina, que promoveu o seminário com o objetivo de reunir representantes do poder público, setor privado, academia e sociedade civil para discutir os impactos da crise climática no estado e construir soluções concretas para o presente e o futuro.

 

Segunda mesa de debate do Seminário Santa e Frágil Catarina apresenta desafios e soluções para a crise climática no dia 20 de março de 2026 em Florianópolis

Segunda mesa de debates sobre soluções e desafios de cada setor; distribuição de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica durante o evento; equipe e parceiros da Apremavi; participantes durante o Seminário; facilitação gráfica. Fotos: Bruno Collaço/Agência ALESC, Thamara Santos de Almeida, Carolina Dias/Apoena Socioambiental.

Programação do evento

A solenidade de abertura contou com a participação do deputado Marcos José de Abreu (Marquito), da cofundadora da Apremavi, Miriam Prochnow, da promotora de Justiça Stephani Gaeta Sanches, e de Mariane Murakami, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), entre outras autoridades.

Na sequência, foram apresentados depoimentos de Claudio Angelo, Natalie Unterstell e João Paulo Capobianco. A palestra principal ficou a cargo de Suely Araújo, do Observatório do Clima, que abordou os desafios atuais e o estado da arte das mudanças climáticas.

“Na última década o aquecimento global explodiu, a causa principal é a queima de combustíveis fósseis. No Brasil o fator que pesa mais é o desmatamento, essa é a principal luta no Brasil, acabar com o desmatamento. O mapa do caminho tem sido uma iniciativa de afastamento dos combustíveis fósseis para avançar além da COP30”, comenta Suely durante a sua palestra.

Em seguida, o biólogo e botânico João de Deus Medeiros apresentou o diagnóstico sobre mudanças climáticas em Santa Catarina, com foco nos impactos sobre a agropecuária, a indústria, o comércio e a sociedade civil. Segundo o estudo elaborado por ele: “44% dos prejuízos estão relacionados com enxurradas ou inundações, estiagens representam 33%, inundações 10% e vendavais 3%, estando esses impactos também relacionados à incapacidade de execução do orçamento, por parte do estado, dos recursos destinados à Defesa Civil.”

 

No período da tarde, ocorreram duas mesas de debate voltadas às contribuições de diferentes setores no enfrentamento da crise climática. A primeira mesa foi mediada por Danilo Funke, diretor do Conselho Regional de Biologia da 9ª Região, e contou com a participação de Paulo da Costa Maués Filho, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA); Andrea Lamberts, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); Camila Leal, da Gerência de Gestão Ambiental Rural e Florestal do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA); Flávio Lopes, capitão da Polícia Militar Ambiental; Marquito, como presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC); e Analúcia Hartmann, Procuradora da República.

Na segunda mesa de debates, mediada por Marline Dassoler Buzatto do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, participaram Sandra de Paula Santos, representante da Terra Indígena Toldo Imbu; Ricardo Abussafy, da Women in Informal Employment: Globalizing and Organizing (WIEGO); Cleonice Beppler, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC); Giem Guimarães, do Observatório de Justiça e Conservação e do Parque Nacional Eco Resort; Paulo Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e Wigold Schaffer, da Apremavi.

Durante o debate, Paulo Horta destacou a urgência de ações mais efetivas diante da crise climática: “Dez anos depois do Acordo de Paris, ultrapassamos 1,5°C, mostrando que quem governa mentiu e não sentiu o peso da lei. Precisamos mudar esse cenário, estamos rumando a um holocausto climático. É necessário descarbonizar, e a solução para a escuridão é pensarmos em acender soluções juntos.”

> Confira como foi o encontro completo no canal da ALESC

 

Santa e Frágil Catarina

A iniciativa é promovida pela Apremavi, em parceria com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALESC. Conta com apoio do governo do Estado, por meio do Termo de Fomento 2025TR001224. Tem apoio institucional da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), do Conselho Regional de Biologia – 9ª Região (CRBio-9) e do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMJCS) e contou com o apoio logístico da Apoena Socioambiental.

Além do seminário, foram desenvolvidos materiais de educação ambiental, como folders, jogos e cards, bem como o diagnóstico sobre a situação da crise climática no estado.

> Acesse os materiais da iniciativa

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Miriam Prochnow
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

Conservador das Araucárias realiza III Reunião do Grupo de Transparência em Santa Rosa de Lima

Conservador das Araucárias realiza III Reunião do Grupo de Transparência em Santa Rosa de Lima

Conservador das Araucárias realiza III Reunião do Grupo de Transparência em Santa Rosa de Lima

No dia 19 de março de 2026, a Apremavi realizou, em Santa Rosa de Lima (SC), a III Reunião do Grupo de Transparência e Divulgação do Projeto Conservador das Araucárias, desenvolvido em parceria com a Tetra Pak. O evento reuniu 33 participantes, incluindo representantes da Tetra Pak, da Klabin, da Prefeitura Municipal de Santa Rosa de Lima, de técnicos da Epagri de Santa Rosa de Lima e de Anitápolis, do Sindicato Rural de Rio Rufino e de proprietários rurais da região.

Além do Grupo de Transparência e Divulgação, que permite a partilha dos avanços do projeto com a sociedade e o debate estratégico para aprimorar as ações, o Conservador das Araucárias conta com um Grupo Executivo e um Grupo de Acompanhamento. Essas instâncias atuam de forma integrada na implementação das metas do projeto, que visa restaurar sete mil hectares de áreas degradadas.

Este ano, o encontro focou na experiência do projeto em Santa Rosa de Lima, conhecida como a capital catarinense da agroecologia. No município, 16 propriedades já estão em processo de restauração, totalizando 327,96 hectares, graças a uma parceria imprescindível com a Prefeitura Municipal, que tem apoiado ativamente as mobilizações e a articulação de reuniões com os proprietários rurais.

Trazer a reunião do GT para Santa Rosa de Lima é estratégico para compartilhar como é relevante contar com parcerias com instituições que promovam articulações com a sociedade para a restauração da Mata Atlântica, sobretudo diante dos cenários de crise climática e de biodiversidade que a humanidade enfrenta”, relata Miriam Prochnow, coordenadora de relacionamentos do projeto.

A programação começou com uma visita à propriedade de Rosângela Bonetti, para apresentar os resultados práticos das ações de restauração do projeto. Na ocasião, os participantes realizaram uma roda de apresentações, promovendo a integração entre os parceiros já envolvidos e os novos do município de Anitápolis. “Quando as pessoas vêm visitar a propriedade e observam tudo isso que está acontecendo, é um ânimo para nós (…) e nós temos muito a agradecer a este projeto”, relata Rosângela.

Apremavi realiza III Reunião do Grupo de Transparência do Conservador das Araucárias

Registros do III Reunião do Grupo de Transparência do Conservador das Araucárias. Fotos: Miriam Prochnow.

Após a visita, realizou-se uma reunião na Câmara de Vereadores de Santa Rosa de Lima. A abertura contou com as falas da prefeita Suizete Vandresen, do secretário de agricultura do município, Jackson Baumann, e de Wigold Schaffer, coordenador geral do projeto Conservador das Araucárias, que explicou o objetivo do Grupo de Transparência e Divulgação. A Tetra Pak apresentou os princípios e os valores da empresa.

Durante a apresentação dos resultados do projeto em 2025, Miriam Prochnow destacou os benefícios também para a sociedade, que, além do pagamento pela antecipação do carbono, recebe apoio na adequação ambiental das propriedades, contribuindo para a conectividade dos remanescentes de florestas e para a formação de corredores ecológicos e o fortalecimento da conservação da biodiversidade na região.

 Prefeita e Secretário de Agricultura de Santa Rosa de Lima na abertura da III Reunião do Grupo de Transparência e Divulgação.

Prefeita e Secretário de Agricultura de Santa Rosa de Lima na abertura da III Reunião do Grupo de Transparência e Divulgação. Foto: Wigold Schaffer.

Leandro Assing, filho de um proprietário participante do projeto, relata que a visão de conservação já estava presente na família há gerações: “O vô sempre comentava que não era para derrubar as árvores, que um dia seríamos recompensados pela área de mata da propriedade”. Essa visão não surgiu do nada. Leandro conta que a ideia começou a se disseminar quando um projeto de desenvolvimento sustentável foi realizado no município, por meio do programa Acolhida na Colônia: “Isso que estamos colhendo hoje é fruto do que viemos trabalhando e construindo há mais de 30 anos aqui no município e em todo o território das encostas da Serra; muitos agricultores ainda vão aderir ao programa”.

A reunião foi transmitida ao vivo no YouTube e pode ser assistida pelo link.

 

Conservador das Araucárias

O Conservador das Araucárias é um projeto da parceria entre a Tetra Pak e a Apremavi que visa a restauração florestal com espécies nativas, atrelada à captura de carbono para mitigação das mudanças climáticas, a adequação de propriedades rurais à legislação ambiental e a conservação de mananciais hídricos, do solo e da biodiversidade, bem como a melhoria da qualidade de vida da população inserida no território.

O projeto tem a ambição de restaurar 7 mil hectares da Mata Atlântica até 2030 – o equivalente a 9.800 campos de futebol.

> Conheça o projeto

Autoras: Carolina Schaffer, Maíra Ratuchinski e Caroline Heidemann
Revisão: Miriam Prochnow
Foto de capa: Miriam Prochnow

Rede Sul de Restauração Ecológica realiza primeiro encontro presencial

Rede Sul de Restauração Ecológica realiza primeiro encontro presencial

Rede Sul de Restauração Ecológica realiza primeiro encontro presencial

Entre os dias 17 e 18 de março, em Porto Alegre, ocorreu o primeiro encontro presencial da Rede Sul de Restauração Ecológica, reunindo integrantes de diferentes setores engajados na recuperação da vegetação nativa da região Sul do Brasil.

A Rede Sul de Restauração Ecológica é um movimento coletivo formado por pessoas e instituições que atuam em toda a cadeia produtiva da restauração, desde coletores de sementes e viveiristas até pesquisadores, ONGs e associações. Seu foco está na recuperação dos ecossistemas dos biomas Pampa e Mata Atlântica subtropical.

Criada em 2021, a Rede Sul tem como principais objetivos articular os atores do setor, fortalecer a cadeia produtiva da restauração, incentivar pesquisas, promover ações de recuperação de áreas degradadas e ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância do tema. Atualmente, conta com mais de 200 pessoas e integra a Comissão Nacional para a Recuperação da Vegetação Nativa, além de ser capítulo da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica.

Segundo Ana Paula Rovedder, coordenadora da Rede Sul e professora da Universidade Federal de Santa Maria, o encontro marcou um momento importante para o fortalecimento do coletivo. “É uma oportunidade para nos encontrarmos presencialmente e debatermos os desafios e os avanços da restauração ecológica na região Sul, fruto da união dessa rede biomática”, destacou.

 

Programação

O evento contou com dois dias de atividades intensas, incluindo painéis, mesas-redondas e momentos de integração entre os participantes.

No primeiro dia (17), a programação abordou desde a trajetória da Rede Sul até os desafios estratégicos atuais. Destaque para os painéis sobre pesquisa-ação em restauração e práticas desenvolvidas na região, reunindo especialistas, representantes de organizações e atores locais, como agricultores e lideranças indígenas.

O segundo dia (18) foi dedicado à organização da restauração ecológica, com exemplos de arranjos institucionais e de mecanismos de fomento. Também houve a apresentação do PPPampa, das diretrizes estratégicas da Rede e discussões sobre o futuro da restauração no Brasil e no Sul.

 

Abertura do evento por Ana Paula Rovedder; Ana Paula Silva (Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Sociedade Chauá e Mater Natura) e Thamara Santos de Almeida (Apremavi e UFRGS); apresentação da Apremavi; exposições dos trabalhos da Rede Sul e de seus membros durante o evento. Fotos: Thamara Santos de Almeida e Leonardo Teixeira Fagundes

Participação da Apremavi

A Apremavi participou do evento, representada por Thamara Santos de Almeida, integrando a mesa sobre arranjos e fomento à restauração, ao lado do Instituto Socioambiental, do ICMBio e do IBAMA. Na oportunidade, foram apresentadas as experiências e projetos financiados por diferentes fontes, incluindo recursos dos setores público e privado e do terceiro setor, reforçando a importância do apoio multissetorial à restauração ecológica.

“A entrada da Apremavi na Rede Sul deve-se ao entendimento de que a atuação em rede fortalece as ações no território e nos dá a oportunidade de conectar com múltiplos atores para aprender com eles e compartilhar nossas experiências. Cabe agora trabalharmos em conjunto com a Rede para garantirmos maior participação dos restauradores de Santa Catarina e do Paraná, a fim de que a Rede tenha cada vez mais incidência na região Sul”, comenta Carolina Schaffer, vice-presidente da Apremavi.

> Confira como foi o encontro no canal da SOBRE

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schaffer
Foto de capa: Leonardo Teixeira Fagundes

Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta

Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta

Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta

O jequitibá-branco (Cariniana estrellensis) é uma espécie de árvore que ocorre na Mata Atlântica, pertencente à família Lecythidaceae, a mesma da emblemática castanha-do-pará (Bertholletia excelsa). Essa espécie combina porte monumental, relevância ecológica e múltiplos usos econômicos e culturais.

O gênero Cariniana homenageia o príncipe Eugene de Savóia – Carignan, patrocinador da expedição de Giovanni Casaretto ao Brasil entre 1839 e 1840. Já o epíteto específico estrellensis faz referência à Serra da Estrela, no estado do Rio de Janeiro, uma de suas áreas típicas de ocorrência.

O nome popular “jequitibá” tem origem no tupi e carrega diferentes interpretações. Pode derivar de yigiquityba ou jyquyty’ba, com o significado de “árvore de tronco rijo”. Outra corrente aponta para yiki-t-ybá, expressão que significa “árvore do fruto afunilado”. Em todas as versões, o nome ressalta características marcantes da espécie.

 

Um gigante da floresta apreciado pelo bugio-ruivo

O jequitibá-branco destaca-se pelo tronco reto e cilíndrico, com fuste que pode atingir até 25 metros de altura. A árvore adulta pode alcançar cerca de 50 metros de altura e apresentar tronco com até 120 centímetros de diâmetro. Suas raízes são grossas e bem desenvolvidas. É considerada secundária tardia ou clímax exigente de luz, compõe florestas maduras e é reconhecida por sua longevidade. Ocorre tanto em capoeirões quanto em florestas secundárias e clímax.

A polinização ocorre principalmente por pequenos insetos e abelhas. A floração ocorre de outubro a janeiro nos estados do Paraná e de Santa Catarina. Em plantios, o processo reprodutivo inicia-se por volta dos 10 anos de idade.

A dispersão de frutos e sementes é predominantemente anemocórica (pelo vento), podendo ultrapassar 100 metros da árvore-mãe em condições de vento forte. No entanto, os macacos desempenham papel essencial nesse processo: ao removerem o opérculo (tampa) do fruto, facilitam a liberação das sementes, que então são carregadas pelo vento. Os frutos jovens e as sementes são apreciados por espécies como o bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans).

Distribuição geográfica ampla

O jequitibá-branco ocorre naturalmente no sul da Bolívia, leste do Paraguai e no Peru. No Brasil, apresenta ampla distribuição, sendo registrado nos estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal.

Do ponto de vista fitoecológico, é encontrado na Floresta Ombrófila Densa (Amazônica e Atlântica), especialmente nas formações de Terras Baixas e Submontanas, além da Floresta de Tabuleiro no norte do Espírito Santo. Também ocorre na Floresta Estacional Semidecidual, onde pode se destacar como espécie emergente.

 

Múltiplos usos 

A colheita dos frutos deve ser realizada quando mudam da coloração verde para a escura. Após coletados, ainda fechados, devem ser armazenados em local ventilado até a deiscência. As sementes aladas são extraídas por agitação; para remover as asas e obter apenas o núcleo seminífero, recomenda-se a maceração, seguida de ventilação para a retirada das impurezas.

Tolera sombreamento na fase juvenil, mas não suporta baixas temperaturas. Após o terceiro ano, torna-se tolerante a geadas leves. Pode ser plantado em consórcios com espécies pioneiras ou secundárias. Apresenta capacidade de brotação após corte, tanto do toco quanto das raízes.

Em sistemas agroflorestais, é indicado para arborização de culturas e pastagens. Seu crescimento varia de moderado a rápido, dependendo das condições ambientais.

Seus frutos, conhecidos popularmente como “pitos”, são utilizados na confecção de cachimbos rústicos no artesanato tradicional; é recomendado para restauração de matas ciliares, especialmente em solos bem drenados ou sujeitos a inundações periódicas de curta duração; no paisagismo, destaca-se pela imponência e valor ornamental, sendo indicado para arborização de praças públicas; suas flores possuem interesse apícola, contribuindo para a produção de mel; e, na medicina popular, diferentes partes da planta são empregadas na forma de chás e preparados terapêuticos.

 

Jequitiba-branco (Cariniana estrellensis)

Detalhes da flor, folha e semente do jequitibá-branco (Cariniana estrellensis). Fotos: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e (CC BY 2.0) João de Deus Medeiros via Wikimedia Commons e Flickr.

Jequitibá-branco

Nome científico: Cariniana estrellensis (Raddi) O. Kuntze

Família: Lecythidaceae

Fruto: parecido uma pequena urna de madeira (5 a 11 cm de comprimento)

Semente: de cor castanha, até 4 cm de comprimento

Crescimento da muda: rápido.

Coleta de sementes: os frutos devem ser coletados quando mudam da coloração verde para a escura. Recomenda-se o armazenamento em câmara fria.

Germinação: com início entre 6 e 70 dias após a semeadura. O poder germinativo varia de 46% a 95%; em média, 70%.

Plantio: espécie recomendada para arborização de culturas e de pastos. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Não consta.

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. jequitibá-branco: Cariniana estrellensis. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 621-627. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140092/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-1-Jequitiba-Branco.pdf. Acesso em: 03 mar. 2026.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: (CC BY-CA 3.0) Mauro Halpern via Wikimedia Commons.

Livro aborda adaptação climática com perspectiva interseccional

Livro aborda adaptação climática com perspectiva interseccional

Livro aborda adaptação climática com perspectiva interseccional

A nova publicação “Caminhos para um olhar inclusivo sobre adaptação climática”, elaborada pelo Grupo de Trabalho de Gênero e Justiça Climática do Observatório do Clima (OC), articula bases científicas com saberes sociais e ancestrais para avaliar se planos, programas e ações de adaptação incorporam a perspectiva da interseccional e decolonial.

A obra é fruto de um esforço coletivo que reuniu especialistas, profissionais, ativistas e convidados. Gênero, raça e classe social influenciam diretamente quem sofre mais com enchentes, secas, deslizamentos e ondas de calor e quem tem menos acesso a políticas públicas eficazes. Não é possível falar em adaptação climática sem enfrentar as estruturas de poder que moldam as desigualdades históricas. 

Interseccionalidade como eixo central

Na primeira seção, os autores discutem a relação entre desigualdade e mudanças do clima, destacando como raça, território e justiça social se entrelaçam na experiência concreta dos eventos extremos. Relatos de pessoas que já vivenciam os impactos da ausência de políticas eficazes dão o tom de urgência à publicação.

A segunda parte amplia o debate ao incorporar perspectivas antiespecista, anticapacitista, trans, indígena, quilombola, da infância, da juventude e da população idosa. O objetivo é demonstrar como diferentes sistemas de opressão se sobrepõem e produzem vulnerabilidades específicas, conceito fundamental da interseccionalidade. O livro também reforça o “lugar de fala” como ferramenta política e epistemológica, defendendo que populações diretamente afetadas devem ser protagonistas na formulação de soluções.

Já a terceira parte apresenta exemplos concretos de desafios e caminhos possíveis para uma adaptação com justiça climática em diferentes contextos: cidades, campo e setor de energia. A proposta é conectar a diversidade de experiências a estratégias integradoras que promovam não apenas resiliência climática, mas também transição justa para uma sociedade de baixo carbono.

As propostas para uma adaptação com justiça climática defendem a participação plural e equânime de mulheres, povos indígenas e comunidades tradicionais e periféricas na tomada de decisões, a integração entre saberes tradicionais e científicos em processos de formação. Além disso, também defendem a implementação de políticas públicas que enfrentem racismo e misoginia, a criação de salvaguardas de gênero e para grupos vulnerabilizados em projetos de energia e agricultura, a ampliação do acesso a financiamento para iniciativas comunitárias, além da garantia de transparência nos dados climáticos e da adequação da linguagem em debates e negociações, assegurando compreensão e participação efetiva de todos os grupos envolvidos.

Restauração ambiental e reconstrução social

Um dos ensaios que compõem a obra, “Restaurando ambientes e confortando pessoas”, é assinado por Miriam Prochnow, cofundadora e diretora da Apremavi. O texto relata a experiência de restauração ecológica após as enxurradas que atingiram municípios do Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, em dezembro de 2020.

A artesã Carmen Passero, moradora de Rio do Sul, descreve o momento como “assustador”. Em sua propriedade, foram plantadas 900 mudas de árvores nativas após o evento. No total, 13.685 mudas foram plantadas em 35 propriedades, em uma ação conjunta entre comunidades locais, a Apremavi e prefeituras.

Para além da restauração ecológica, a iniciativa teve papel social decisivo. Técnicas da organização relatam que o trabalho envolveu escuta, apoio emocional e incentivo à reconstrução coletiva. A recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) fortaleceu vínculos comunitários e evidenciou que restaurar ecossistemas também é restaurar dignidade e esperança.

> Confira a publicação

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Carolina Schäffer

Apremavi contrata Assistente de Comunicação e Informação

Apremavi contrata Assistente de Comunicação e Informação

Apremavi contrata Assistente de Comunicação e Informação

Se você tem interesse na causa ambiental e experiência com comunicação institucional no terceiro setor esse é o momento de trabalhar conosco!

A oportunidade é para profissional pleno no cargo de Assistente de Comunicação e Informação da Apremavi, em período integral (44 horas semanais), em regime CLT ou híbrido, em regime PJ. A preferência é pela contratação nos termos da CLT, em dedicação integral, condicionada ao trabalho presencial no Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, sede da Apremavi, em Atalanta (SC). 

Contratações PJ serão consideradas, com trabalho presencial opcional (possibilidade de realizar home office).

+ Confira o Termo de Referência (TDR) com o detalhamento da oportunidade.

Os currículos deverão ser encaminhados até às 23h59min (horário de Brasília) do dia 28 de fevereiro de 2026, para o e-mail comunica@apremavi.org.br, juntamente com um texto que manifeste interesse na vaga e liste as afinidades com o trabalho da instituição, bem como apresente trabalhos anteriores (links para redes sociais, portfólio, Behance, etc.) descritos no corpo do e-mail.

A Apremavi tem como princípios a equidade e a diversidade. Incentivamos o envio de propostas por profissionais de grupos minorizados e historicamente invisibilizados (étnicos, gênero e orientação sexual, sociocultural e pessoas com deficiência).

Ajude a Apremavi: compartilhe essas oportunidades de trabalho com profissionais que você conheça.

Entre a lei e a prática: onde estamos com o Código Florestal

Entre a lei e a prática: onde estamos com o Código Florestal

Entre a lei e a prática: onde estamos com o Código Florestal

A Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012), conhecida como Código Florestal, estabelece como a vegetação nativa deve ser tratada em todo o território brasileiro, especialmente nas áreas rurais privadas. Seu objetivo central é buscar o equilíbrio entre a produção econômica e a conservação ambiental, definindo limites, responsabilidades e instrumentos para a proteção dos ecossistemas.

O chamado Novo Código Florestal aplica-se a todo o território nacional e estabelece normas gerais de proteção da vegetação nativa, além de definir conceitos e parâmetros para as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e para as áreas de Reserva Legal (RL) que devem ser observados em todos os imóveis rurais. A lei também criou o Cadastro Ambiental Rural (CAR), instituiu o Programa de Regularização Ambiental (PRA), regulou ações de controle e prevenção de incêndios florestais e previu instrumentos econômicos e financeiros voltados à conservação e à regularização ambiental.

Apesar de seu processo de aprovação ter representado um retrocesso em relação à proteção florestal existente até então, a implementação efetiva do Código Florestal ainda tem potencial para gerar benefícios sociais, ambientais e econômicos significativos. Para isso, no entanto, é fundamental que os instrumentos previstos na lei avancem para além do papel.

 

Termômetro do Código Florestal: onde estamos

O Termômetro do Código Florestal é uma ferramenta desenvolvida pelo Observatório do Código Florestal e por parceiros para acompanhar a implementação da Lei nº 12.651/2012 nos estados e municípios brasileiros. Seu objetivo é promover transparência por meio da produção e da sistematização de dados qualificados.

O boletim 2024-2025 apresenta os principais resultados da análise dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), com números de destaque em escala nacional. As informações estão organizadas por assentamentos, imóveis rurais, territórios tradicionais, biomas e estados brasileiros.

O Brasil alcançou 436,9 milhões de hectares cadastrados no CAR, frente aos 428,9 milhões registrados na atualização anterior. Ainda assim, 24,6 milhões de hectares permanecem fora do cadastro, o que representa cerca de 5,32% da área total que deveria integrar o sistema.

Embora tenha havido um incremento de aproximadamente 8 milhões de hectares cadastrados, os esforços de análise por parte dos órgãos ambientais permanecem muito aquém do necessário. Apenas 10,82% dos cadastros foram analisados, o que amplia os riscos de inconsistências cadastrais, sobreposições indevidas e conflitos fundiário

A regularização ambiental é um passo essencial para proteger a vegetação nativa, garantir segurança jurídica aos produtores rurais e fortalecer a implementação efetiva do Código Florestal. Sem a análise e validação dos dados do CAR, esse processo permanece frágil

Os dados mais recentes indicam que não houve redução do desmatamento ilegal em Áreas de Reserva Legal (RL) e em Áreas de Preservação Permanente (APPs), áreas que deveriam estar protegidas ou em processo de restauração para a adequação ambiental dos imóveis rurais. Na prática, isso significa que muitas dessas áreas seguem degradadas e sem recuperação.

O passivo nacional de Reserva Legal alcançou 17,3 milhões de hectares, frente aos 16,3 milhões registrados anteriormente. Já o déficit em Áreas de Preservação Permanente subiu para 3,14 milhões de hectares, em relação a 3,03 milhões no período anterior. Em contrapartida, houve crescimento nos ativos ambientais: o remanescente de Reserva Legal chegou a 98,6 milhões de hectares, e o excedente de vegetação nativa atingiu 70 milhões de hectares, com ganho de cerca de 2 milhões de hectares em relação aos 68,2 milhões anteriores.

Esse excedente de Reserva Legal representa uma oportunidade estratégica para a compensação ambiental ou para a conservação remunerada por meio de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), instrumentos previstos no Código Florestal. No entanto, a ausência de regulamentação efetiva por parte do governo limita sua aplicação prática e reduz seu potencial de contribuir para a redução dos passivos ambientais.

> Confira o boletim completo

Boletim do Termômetro do Código Florestal
Guia para entender o Código Florestal

Com o objetivo de ampliar o entendimento sobre a legislação, o Observatório do Código Florestal lançou recentemente um Guia que reúne informações detalhadas sobre as regras vigentes, o passo a passo para a regularização ambiental e as principais perspectivas e desafios para a plena implementação da lei.

O guia reúne quatro capítulos que explicam os fundamentos do Código Florestal, os benefícios da conservação da vegetação nativa, os principais desafios à implementação da lei e as regras práticas para a regularização ambiental dos imóveis rurais.

“Apesar da anistia concedida à parte dos produtores que desmataram e da criação de mecanismos para a regularização ambiental, o Código Florestal segue enfrentando desafios mais de uma década após sua aprovação. A falta de vontade política, o baixo comprometimento de parte dos produtores e a não priorização de instrumentos-chave, como a análise do CAR e a ampliação dos PRAs, são apontados como algumas das principais causas da sua implementação ainda incompleta”, relata a publicação.

> Conheça o Guia

 

Guia da Proteção da Vegetação Nativa

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Wigold Schäffer

The Last of Us da Mata Atlântica: nova espécie de fungo é descoberta

The Last of Us da Mata Atlântica: nova espécie de fungo é descoberta

The Last of Us da Mata Atlântica: nova espécie de fungo é descoberta

Um pequeno filamento encontrado no chão da floresta, conhecido cientificamente como estroma ou estrutura reprodutiva, revelou uma nova espécie de fungo “zumbificador” da Mata Atlântica brasileira. 

Batizada de Purpureocillium atlanticum, a espécie foi descrita a partir de um exemplar coletado em novembro de 2022, no estado do Rio de Janeiro, e integra um grupo fascinante de fungos conhecidos por parasitar e matar seus hospedeiros. Esses organismos ganharam fama popular por inspirarem narrativas, como a série The Last of Us, mas, na natureza, desempenham papéis ecológicos essenciais. 

No caso dessa nova espécie, o hospedeiro é uma aranha que vive no solo da floresta, em sua própria toca. A espécie infecta aranhas-alçapão, que vivem protegidas em galerias subterrâneas fechadas por uma estrutura semelhante a um alçapão. Após a morte do animal, o fungo cobre quase todo o corpo da aranha com um micélio branco e algodonoso. Em seguida, uma estrutura reprodutiva de até dois centímetros emerge do cadáver, atravessa o alçapão e se projeta acima do solo para liberar esporos e dar continuidade ao ciclo de vida.

Trata-se de uma estratégia evolutiva altamente especializada, como explica Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenador do MIND.Funga (Monitoring and Inventorying Neotropical Diversity of Fungi) vinculado ao Laboratório de Micologia da instituição, em entrevista à Apremavi: “quando falamos de parasitas, muitas vezes são relações específicas que evoluíram há milhares de anos. Em nível de espécie, são relações interdependentes”, afirma Elisandro. “Qual o aspecto negativo disso? Nenhum!”

Parte da prancha do artigo científico de descrição da espécie de fungo zumbificador Purpureocillium atlanticum onde é possível observar a estrutura reprodutiva da espécie em cinza

Parte da prancha do artigo científico de descrição da espécie, onde é possível observar a estrutura reprodutiva da espécie em cinza, a aranha morta (na parte inferior, onde há terra) e ver que ele cresceu para fora do chão da floresta, além de um registro microscópico dessa estrutura reprodutiva. Créditos: Araújo, J. P., Przelomska, N. A., Smith, R. J., Drechsler-Santos, E. R., Alves-Silva, G., Martins-Cunha, K., … & Antonelli, A. (2025). A new species of Purpureocillium (Ophiocordycipitaceae) fungus parasitizing trapdoor spiders in Brazil’s Atlantic Forest and its associated microbiome revealed through in situ “taxogenomics”. IMA fungus, 16, e168534.

Descoberta brasileira em campo e ciência inovadora

A descoberta ocorreu durante uma semana de campo na RPPN Alto da Figueira, em Nova Friburgo (RJ), organizada por pesquisadores brasileiros que hoje atuam no exterior e foi publicada na revista IMA Fungus. A expedição foi liderada por Dr. Alex Antonelli, diretor científico do Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, e teve a participação de Dr. João Araújo, da Universidade de Copenhague, especialista em Cordyceps reconhecido globalmente.

Foi João Araújo quem percebeu, ainda em campo, que aquele filamento discreto indicava algo fora do comum. “Em qualquer atividade de campo, muitas vezes você pode encontrar uma nova espécie para a ciência”, comenta Elisandro. “A Mata Atlântica, apesar de toda a sua história de estudo, ainda guarda uma biodiversidade única, exclusiva, endêmica e, muitas vezes, desconhecida.”

O maior diferencial do estudo foi o uso de uma abordagem inovadora chamada taxogenômica, que combina taxonomia tradicional com sequenciamento genético de última geração feito diretamente no campo, por meio da tecnologia Oxford Nanopore: “eles levaram um equipamento para sequenciamento de genomas de última geração para o campo. Em uma semana, conseguimos saber se estávamos à frente de uma novidade científica. Essa ferramenta não substitui as análises morfológicas, de biologia molecular clássicas e os dados ecológicos, mas acelera muito o descobrimento da biodiversidade, algo altamente requerido no Brasil.”

Após a etapa de campo, o MIND.Funga teve papel fundamental na continuidade da pesquisa. O grupo colaborou com análises morfológicas, revisão da literatura científica e passou a ser o fiel depositário do espécime-tipo da nova espécie em sua coleção científica. Ou seja, o material tipo, utilizado para descrever a espécie, encontra-se depositado na coleção de fungário/herbário FLOR, da UFSC.

Além do avanço científico, Elisandro destaca o impacto político e estrutural desse tipo de abordagem. “Esse método diminui o colonialismo científico em regiões megadiversas e exige formação de taxonomistas locais para descobrir sua própria biodiversidade.”

Equipe MIND Funga da UFSC em campo na Serra Catarinense que colaborou para a descrição da nova espécie de fungo da Mata Atlântica

Equipe MIND.Funga da UFSC em campo na Serra Catarinense. Foto: Elisandro Drechsler-Santos

Muito além de um fungo ‘zumbificador’

Apesar da descoberta inovadora, o pesquisador reforça que ainda se sabe pouco sobre o ciclo de vida completo da nova espécie. Casos semelhantes já vêm sendo observados em outros biomas brasileiros. Na Amazônia, por exemplo, foi registrada recentemente uma tarântula enterrada infectada por um fungo semelhante. Na Serra Catarinense, há indícios de que aranhas gigantes parasitadas por Cordyceps possam representar espécies novas, ainda em processo de descoberta, e o espécime encontrado na amazônia irá ser útil no processo de comparação e tomada de decisões

Esses achados reforçam uma mudança importante na forma de olhar para os fungos: “são necessários estudos de longo prazo. É difícil entender com clareza como ocorrem a infecção e o ciclo de vida sem esse tipo de avaliação. Hoje vemos que muitos fungos fazem parte de complexos de espécies, escondidos, mas altamente específicos de cada bioma e fitofisionomia.”

Cordyceps caloceroides parasitando uma tarântula na Amazônia

Cordyceps caloceroides, parasitando uma tarântula na Amazônia. O registro chamou atenção e viralizou nas redes sociais após ser compartilhado por Elisandro. Foto: Elisandro Drechsler-Santos

Funga, clima e conservação

A descoberta de Purpureocillium atlanticum ocorre em um momento estratégico para a ciência sobre a Funga brasileira. Em 2026, será publicada a primeira Lista Vermelha Nacional da Funga, um marco histórico para a conservação do grupo, vitória que o MIND.Funga ajudou a construir com vários atores nacionais e internacionais, com destaque para o IUCN SSC Brazil Fungal Specialist Group, grupo de especialistas da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN, que Elisandro é Chair.

“A partir do momento em que uma espécie entra na lista vermelha do MMA, o governo passa a ter responsabilidade por ações concretas. Os fungos regulam o clima do planeta, contribuem para a retirada de carbono da atmosfera e têm enorme potencial biotecnológico. Eles precisam estar na agenda conservacionista da biodiversidade brasileira”, comenta Elisandro.

Ainda não se sabe se a nova espécie é endêmica ou ameaçada, mas uma coisa é certa: ela escancara o quanto ainda desconhecemos sobre a biodiversidade que sustenta a Mata Atlântica. “A biodiversidade é uma riqueza incrível, parte da soberania do país, não só para ser explorada, mas para ser conhecida, protegida e valorizada”, finaliza Elisandro.

Purpureocillium atlanticum

É um fungo que parasita aranhas-alçapão que vivem em tocas subterrâneas. Após matar seu hospedeiro, o fungo produz uma estrutura reprodutora que emerge pela abertura da toca para liberar esporos na superfície.

A espécie foi coletada em novembro de 2022 e identificada por meio de uma abordagem integrativa, incluindo taxonômica de ponta, combinando taxonomia tradicional com tecnologia portátil de sequenciamento de DNA (Oxford Nanopore), permitindo que os pesquisadores decodificassem o genoma do fungo diretamente em campo.

A descoberta destaca a diversidade da Funga oculta da Mata Atlântica e ressalta a importância de acelerar a pesquisa acerca da biodiversidade em países megadiversos como o Brasil. A maioria das espécies de fungos permanece sem descrição, apesar do seu papel crucial na regulação dos ecossistemas, no equilíbrio do clima e nas estratégias de conservação.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Elisandro Drechsler-Santos
Foto de capa: © Araújo et al. (2025), IMA Fungus.

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