Parque Nacional da Serra do Itajaí 10 anos no coração do Vale

Parque Nacional da Serra do Itajaí 10 anos no coração do Vale

Parque Nacional da Serra do Itajaí 10 anos no coração do Vale

Poucos moradores do Vale do Itajaí sabem que em junho de 2004, há 10 anos, foi criado na região, o Parque Nacional da Serra do Itajaí. Abrangendo parte de nove municípios: Presidente Nereu, Vidal Ramos, Botuverá, Guabiruba, Gaspar, Blumenau, Indaial, Apiúna e Ascurra, o parque tem 57.374 hectares, ou seja, 570 km2, ocupando 0,59% do estado de Santa Catarina.

Trata-se de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.

O Parque Nacional da Serra do Itajaí abriga mais de 500 espécies de árvores e arbustos, 350 espécies de aves e mamíferos, algumas delas ameaçadas de extinção, que necessitam de proteção contra exploradores e caçadores, e que ali encontram local propício para sua reprodução e vivência, podendo aumentar suas populações e recolonizar áreas degradadas e pobres em vida silvestre. A floresta do parque representa a melhor mancha de Mata Atlântica do estado de Santa Catarina.

Apesar da grande área que abarca, segundo o seu Plano de Manejo, residiam no interior do parque 14 famílias, cinco das quais já tiveram suas terras indenizadas e, portanto ali não mais habitam. Outras nove, bem como os demais proprietários de terras serão ao longo do tempo também indenizados.

Na criação deste parque estiveram à frente entidades como a Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena), a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), a Universidade Regional de Blumenau (FURB), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Parque das Nascentes (Ipan), dentre outras muitas instituições e pessoas que não mediram esforços, por décadas,  para dotar o Vale do Itajaí  com a  valiosa Pérola Verde.

O parque apresenta muitos locais de visitação, com possibilidade de caminhada e pedaladas em trilhas e estradas, banhos de rio e cachoeiras, piqueniques, favorecendo o contato saudável dos visitantes com a natureza. Pesquisas científicas mostram que 30 minutos no interior de uma floresta diminuem as taxas de colesterol, diabetes, estresse, depressão e seus efeitos permanecem ao longo de quase um mês. Visite áreas florestais do seu município e as proteja, visite o Parque Nacional da Serra do Itajaí.

O Parque é o lugar ideal para pesquisas científicas sobre a vegetação, os animais e os micro-organismos, bem como para o entendimento dos ecossistemas e seus serviços e funções ambientais.

Local também privilegiado para levar estudantes de todas as idades, do ensino fundamental até à universidade, para ali fazer educação ambiental e lazer.

As visitas devem ser agendadas com antecedência via e-mail: parnaserradoitajai.sc@icmbio.gov.br ou pelo fone: 47 33261527 (em Blumenau). Os outros municípios também têm entradas para o parque, o ideal é buscar informações nas respectivas prefeituras.

Para os municípios que abrigam o parque, e também para os demais, os serviços ambientais providos pelo parque são de alta relevância:

  • proteção dos mananciais de água que abastecem mais de 800 mil habitantes da Bacia do Itajaí, especialmente de Blumenau, Indaial, Brusque e Itajaí;
  • proteção contra extremos climáticos (secas, chuvas excessivas, calor e frio extremos, vendavais);
  • abrigo de rica biodiversidade (de animais, de plantas, de micro-organismos);
  • local de lazer e turismo ecológico;
  • fonte de bem estar e saúde;
  • abrigo de plantas e de animais de grande importância econômica (banco de sementes no presente e para o futuro);
  • local de pesquisa científica e educação ambiental.

Esta matéria foi publicada no Jornal Diário do Alto Vale no dia 03 de junho de 2014. O Espaço Apremavi é publicado quinzenalmente.

Viva a Mata Atlântica

A Mata Atlântica é uma das regiões ecológicas mais ricas em biodiversidade do planeta. Originalmente estava presente em 17 estados, ocupando 15% do território brasileiro.

Atualmente, restam aproximadamente 8% da área original em fragmentos florestais acima de 100 hectares e bem conservados. Quando considerados os fragmentos de floresta natural acima de três hectares, em todos os estágios de conservação, este índice chega a 14%.??Cerca de 70% dos brasileiros moram em região de ocorrência da Mata Atlântica e dependem da sua conservação para a manutenção de diversos serviços ambientais, como a regulação do clima, da temperatura, das chuvas e a fertilidade dos solos, além de auxiliarem na proteção de escarpas e morros e na manutenção de nascentes e mananciais de água.

Santa Catarina encontra-se 100% em área pertencente à Mata Atlântica, compreendendo as diferentes regiões, desde a floresta do litoral até a floresta com araucárias e as florestas semideciduais do oeste, incluindo ainda manguezais, restingas e campos de altitude.

De acordo com levantamentos realizados pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Santa Catarina possui 23% de remanescentes da Mata Atlântica. Os novos dados do desmatamento, que mostram que SC continua entre os estados que mais desmatam, podem ser acessados aqui.

Conheça também a Carta da Mata Atlântica 2014, que aponta as medidas emergenciais para o Bioma.

O intenso histórico de desmatamento provocou a fragmentação das florestas e a acentuada perda qualitativa nas florestas catarinenses. Muitas espécies tornaram-se raras e várias já não são mais encontradas em áreas que estão em regeneração. Destaca-se também um acentuado processo de erosão genética, de espécies como canela-preta (Ocotea catharinensis), canela-sassafrás (Ocotea odorifera), imbuia (Ocotea porosa), araucária (Araucaria angustifolia) e palmito (Euterpe edulis), as quais encontram-se na lista de espécies ameaçadas de extinção.

No Alto Vale do Itajaí, colonizado a partir do século XX, em menos de 100 anos de “crescimento econômico” foram destruídas aproximadamente 80% das florestas da região, reduzindo também várias espécies de animais e extinguindo outras localmente, como a onça-pintada e a anta.

As enchentes, fenômeno secular na região, passaram a ocorrer cada vez com mais freqüência. Isso pode ser explicado pela diminuição da infiltração da água no solo e o assoreamento dos rios, resultado direto da falta de cobertura florestal – especialmente matas ciliares, do não controle de erosão e da construção sem o planejamento adequado de estradas e cidades.

A conservação da Mata Atlântica na nossa região depende da ampliação de áreas protegidas, através de ações para evitar o desmatamento, a recomposição da Reserva Legal, a restauração de Áreas de Preservação Permanente, além da criação de novas Unidades de Conservação. Estas ações são essenciais para a conservação dos remanescentes da Mata Atlântica e a formação de mosaicos e corredores ecológicos.

É fundamental que se dê uma chance para que a Mata Atlântica retome seu lugar e assim possa desempenhar seu papel maior que é o de prover os serviços ambientais que garantem o bem-estar das populações e a conservação da biodiversidade.

Neste dia 27 de maio, dê uma atenção especial à floresta em que vivemos e ajude a preservar este precioso bem comum.

A biodiversidade da Mata Atlântica
20.000 espécies vegetais.
8 mil espécies de plantas endêmicas (aquelas que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta).
1,6 milhões de espécies de animais, incluindo os insetos e demais invertebrados.
120 milhões de brasileiros dependem da água que nascem em seu interior.

O Espaço Apremavi é publicado quinzenalmente no Jornal Diário do Alto Vale.

Publicado Decreto que regulamenta o CAR

Neste mês de maio o novo Código Florestal completa dois anos. A sua aplicação pode promover a regularização de 5,2 milhões de imóveis rurais por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e efetivar a recuperação de áreas degradadas. Porém, a falta de implementação da nova Lei Florestal está prejudicando as empresas, os agricultores, a sociedade e o país.

Só no dia 5 de maio o governo publicou o Decreto que regulamenta o CAR e no dia 6 de maio a respectiva Instrução Normativa (textos em anexo). Resta saber se os textos estão adequados para a aplicação imediata e efetiva da nova Lei Florestal.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove), não há como garantir a origem dos produtos do campo sem a regularização ambiental e isso faz com que o Brasil perca competitividade e mercado. O Diálogo Florestal também emitiu nota (vide box) pedindo urgência na implantação do Código Florestal e destacou que prazos e formas para regularização ambiental das propriedades rurais dependem da edição e implantação de instruções normativas federais, que podem também ser editadas por estados e municípios.

O maior problema dessa indefinição é que ela mantém vários setores em situação de irregularidade e insegurança jurídica. No Alto Vale do Itajaí podemos dizer que estamos numa situação privilegiada, por termos em andamento a iniciativa da Associação do Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi) que já possui em funcionamento um sistema que permite que o CAR seja implementando. O sistema está apenas à espera do apoio das Câmaras de Vereadores da região, para operar com força total. É um exemplo de como o agronegócio, proprietários rurais, governos municipais e ambientalistas podem trabalhar em conjunto pelo bem comum.

Diálogo Florestal pede urgência na regulamentação do Cadastro Ambiental Rural (CAR)

À semelhança de nota publicada em 31 de julho de 2013, o Diálogo Florestal, iniciativa que integra empresas do setor de base florestal e organizações socioambientalistas, manifesta novamente preocupação com o atraso na regulamentação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e pede urgência na sua implementação.

Entendemos que o CAR é o instrumento básico para implantação da nova lei florestal e das políticas a ela relacionadas e sua implantação deve ser tratada como prioritária, por ser uma ferramenta fundamental para a regularização ambiental das propriedades rurais e à integração das informações ambientais das propriedades e posses rurais. Por meio dele será possível planejar e regularizar os imóveis rurais para que produzam e ao mesmo tempo conservem a natureza, cumprindo sua função social/ambiental, prevista na Constituição. Além disso, será a base para o controle, monitoramento e planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.

O conhecimento público da forma atual de ocupação do solo brasileiro é uma informação que beneficia diversos setores. Trata-se de uma informação necessária à orientação de políticas públicas, ao desenvolvimento das diversas regiões do país, além de ser estratégica para o setor privado, uma vez que garante o controle de sua cadeia de produção e fornecimento. É preocupante o fato de que passados quase dois anos da aprovação da nova lei florestal, o processo de implementação ainda não esteja concluído. Neste sentido, ao mesmo tempo em que o Diálogo Florestal vem a público externar novamente o seu compromisso em apoiar a implantação da nova lei florestal, em especial o CAR, através de ações a serem executadas por parte de suas organizações, solicitamos a implantação urgente e imediata da nova legislação e cumprimento dos prazos estabelecidos na lei 12.651/2012.

28 de abril de 2014.

Conselho de Coordenação do Diálogo Florestal
Cenibra, CMPC (RS), Fibria, Klabin, Suzano Papel e Celulose, Amda, Apremavi, Conservação Internacional, Instituto BioAtlântica, The Nature Conservancy

O Espaço Apremavi é publicado quinzenalmente no Jornal Diário do Alto Vale.

22 de Abril é o Dia da Terra

No dia 22 de abril é comemorado mundialmente o Dia da Terra. Uma oportuna ocasião para refletir sobre o que estamos fazendo para cuidar desse planeta que é a nossa casa. Apesar da recente descoberta do novo planeta que pode abrigar vida, o Kepler 186f, este novo planeta, “primo” da Terra está longe de poder ser habitado por nós seres humanos. Até porque ele fica a 500 anos luz de distância. Por isso precisamos cuidar muito bem do planeta onde vivemos. Um dos documentos mais importantes para nos orientar sobre o que podemos fazer é a Carta da Terra.

A Carta da Terra é uma espécie de código de ética planetário, semelhante à Declaração Universal dos Direitos Humanos, só que voltado à sustentabilidade, à paz e à justiça socioeconômica. Este documento nasceu para conscientizar as pessoas da necessidade de prestar atenção às ameaças que pesam sobre o planeta e sobre a necessidade de agirmos para cuidar da Terra.

Idealizada pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, em 1987, a Carta da Terra ganhou impulso na Rio/92, durante a Conferência Mundial de Meio Ambiente. O documento ficou pronto no ano 2000, foi traduzido para 40 idiomas e atualmente é apoiado por milhares organizações ao redor do mundo. A Carta contém 16 princípios básicos agrupados em quatro grandes tópicos: respeitar e cuidar da comunidade de vida; integridade ecológica; justiça social e econômica; democracia, violência e paz.

Uma forma de você colocar em prática os valores da Carta da Terra é disseminar seu conteúdo entre amigos, familiares e comunidade e pressionar governo, empresas, escolas e demais organizações da sociedade civil a se guiar por seus princípios.

Princípios resumidos na Carta da Terra

1. Respeitar a Terra e a vida em toda a sua diversidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a viver em ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.

16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.

Conheça todo o teor da Carta da Terra acessando aqui. Confira também a versão da Carta da Terra para crianças. Curta e compartilhe as notícias da Carta da Terra no Facebook

O Espaço Apremavi é publicado quinzenalmente no Jornal Diário do Alto Vale.

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