APREMAVI e Escola Agrotécnica realizam dia de campo

No dia 20 de novembro de 2006, foi realizado em Atalanta, um dia de campo sobre planejamento de propriedades e paisagens; no qual estiveram presentes alunos e professores do Programa de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA), da escola Agrotécnica Federal do município de Rio do Sul/SC.

O primeiro modulo do PROEJA, é definido como "fundamentos básicos" e apresenta uma matriz curricular integrada, envolve assim, uma equipe multidisciplinar de professores; entre eles; das disciplinas de geografia, matemática, português e zootecnia.

Para a efetivação do trabalho a equipe no decorrer do 2º semestre de 2006, desenvolveu um projeto no qual, os alunos deveriam ter como base a leitura de uma novela de Charles Kiefer “O pêndulo do relógio”, onde o personagem principal vai a falência com a monocultura em seus 10 hectares de terra e a partir dessa história o trabalho final do projeto é construir uma proposta de propriedade sustentável para o personagem em questão.

Nesse sentido o dia de campo teve como objetivo mostrar que na prática e a partir do planejamento da propriedade é possível chegar ao resultado esperado, que é a sustentabilidade do meio rural.

Nesse dia inicialmente os alunos participaram de uma palestra, que foi realizada no Parque Mata Atlântica. Durante a palestra foi apresentado o Projeto Planejando Propriedades e Paisagens, com enfoque aos resultados já alcançados; aos princípios básicos que envolvem o planejamento de propriedades, entre eles os aspectos que devem ser observados na propriedade; quais são os objetivos principais do planejamento, sua importância e resultados esperados; a importância do conhecimento e do entrosamento do proprietário com o local em que vive; a importância da microbacia dentro do planejamento; entre outros assuntos.

Logo após foi realizada uma caminhada pelas trilhas do parque, e falado sobre as unidades de conservação municipais e o seu papel na conservação.

Os alunos visitaram também experiências já implantadas pela APREMAVI e por agricultores do município. Dentre elas: reflorestamento de araucárias consorciada com palmito; recuperação de áreas de preservação permanente, enriquecimento de florestas secundarias, planejamento da propriedade para o desenvolvimento do ecoturismo.

Para encerrar as atividades do dia, o público visitou o a propriedade modelo da APREMAVI, o qual é um exemplo real de que é possível conciliar conservação com produção agrícola.

Fotos: Edilaine Dick

Apremavi lança hotsite sobre Propriedade Legal

Na semana da primavera Apremavi lança hotsite sobre Propriedades Legais. Os materiais de educação ambiental produzidos pela Apremavi para a implantação de “Propriedades Legais” agora estão acessíveis de forma fácil, clara e moderna, num hotsite especialmente produzido para esta finalidade, através do projeto Planejando Propriedades e Paisagens.

Tendo como objetivo a conservação da mata atlântica, a melhoria da qualidade de vida e o incremento de renda, através da adoção e difusão de alternativas econômicas ambientalmente sustentáveis em propriedades rurais, o projeto desenvolvido pela Apremavi, desde 2004, no município de Atalanta (SC), tem apresentado excelentes resultados e já passa seus conceitos para outros municípios no país.

O projeto tem apoio da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e da Fundação Interamericana, em parceria com a Prefeitura Municipal de Atalanta, a Epagri e a TNC. Tendo como ferramenta principal a implantação da “Propriedade Legal – legal porque cumpre a lei e legal porque é um lugar bom se viver” – o projeto que inicialmente pretendia envolver 15 propriedades, conta hoje com a participação efetiva de 35 famílias, localizadas em 7 comunidades.

O conceito de propriedade legal foi desenvolvido pela Apremavi com base na experiência acumulada desde 1987 e hoje tem como âncoras algumas propriedades modelo, o viveiro de produção de mudas nativas “Jardim das Florestas” e os materiais educativos que são utilizados nos cursos e seminários.

Entre as atividades desenvolvidas nas propriedades estão: recuperação de matas ciliares, enriquecimento de florestas secundárias, paisagismo, implantação de pomares frutíferos e hortas, recuperação de reservas legais, formação de corredores ecológicos, além de apoio à agricultura orgânica e à coleta seletiva de lixo.

Para a realização dessas atividades os proprietários recebem alguns insumos, como por exemplo: arames para construção de cercas, mudas frutíferas para os pomares, sementes de hortaliças, mudas nativas para recuperação e também fertilizantes orgânicos. Além dos insumos o projeto prevê também todo assessoramento técnico necessário, além de vários cursos específicos e seminários. São também feitas visitas periódicas às propriedades, para a realização dos diagnósticos e o planejamento em conjunto com a família, sobre o tipo de atividade a ser realizada.

Em dezembro de 2005 foi realizado um seminário estadual tratando de assuntos relacionados ao planejamento de propriedades e para este final de ano está sendo programado um seminário que vai discutir a questão da implantação de RPPNs – Reservas Particulares do Patrimônio Nacional.

Não deixe de conferir o hotsite.

Fotos: Miriam Prochnow, Leandro Casanova e Edilaine Dick.

Jogo gingante

Cerca de 2 mil jovens de todo o país e também de algumas delegações internacionais estão acampados desde o dia 16 de julho, no Parque da Cidade de Brasília, no Distrito Federal. Eles são os protagonistas do III Jamboree Nacional, o encontro nacional dos escoteiros.

Várias atividades educativas e recreativas estão sendo realizadas neste encontro que dá início, no Brasil, às comemorações do centenário do movimento escoteiro, que será celebrado em 2007 na Inglaterra, com o Jamboree mundial. Milhões de escoteiros fazem parte deste movimento voluntário de ação educativa, que é um dos maiores e mais antigos do mundo.

Um dos temas mais fortes deste jamboree que acontece no cerrado é a preservação da natureza. O personagem de destaque é o lobo guará, os sub- campos do acampamento tem nomes de árvores nativas e um dos roteiros de visitas em Brasília é o Jardim Botânico. Vários estandes e oficinas estão desenvolvendo suas atividades em torno da conscientização ambiental.

A Apremavi participa de forma destacada deste evento, montou uma oficina com um tabuleiro gigante do jogo “Fique Legal”, um dos materiais de educação ambiental do projeto “Planejando Propriedades e Paisagens”. Nesta tarefa a Apremavi conta com a parceria da Rede de ONGs da Mata Atlântica – RMA (www.rma.org.br) e da União dos Escoteiros do Brasil – UEB ( www.escoteiros.org.br ).

As atividades no tabuleiro gigante são coordenadas por uma sócia da Apremavi, a escoteira Carolina Schaffer, juntamente com os também escoteiros Luisa Pimentel e Felipe Castro. Eles passam aos outros jovens não somente as instruções de como se movimentar e se divertir no tabuleiro mas sim, e o que é mais importante, conceitos sobre como preservar a Mata Atlântica e como tornar uma propriedade mais agradável de se viver, cumprindo a legislação ambiental.

Em outra parte do Jamboree, está montado o estande que a Apremavi compartilha com a RMA. Neste espaço comandado pelos escoteiros Carolina Kairala, Felipe Mazzaro e Guilherme Mazaro, são dadas informações sobre as atividades das duas instituições e coletadas assinaturas em prol do Projeto de Lei da Mata Atlântica.

As atividades se encerram no próximo domingo e até lá muita discussão ambiental deve ter acontecido. São os jovens dando o exemplo e como diz o lema dos escoteiros: SEMPRE ALERTA!

Sempre Alerta para combater a destruição da natureza
Sempre Alerta para fazer ações em prol do meio ambiente
Sempre Alerta pela qualidade de vida
Sempre Alerta pela solidariedade
Sempre Alerta pela paz

Seminário para repensar a paisagem

Experiências de recuperação de matas ciliares e de áreas degradadas, planejamento de paisagens e alternativas de geração de renda foram alguns dos assuntos do seminário Planejando Propriedades e Paisagens que começou hoje e vai até amanhã, dia 3 de dezembro, em Atalanta, município no Alto Vale do Itajaí, Santa Catarina.

O evento, uma promoção da Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí (Apremavi ) lotou o auditório do Parque Mata Atlântica. Está reunindo especialistas em biodiversidade e conservação, estudantes de escolas técnicas e comunidade da região. Conta ainda com a participação de integrantes do Grupo de Trabalho de Áreas de Proteção Permanente e Reserva Legal da Rede de ONGs da Mata Atlântica.

Na abertura dos trabalhos foram lançados materiais de educação ambiental. Em conjunto com a Apremavi, a Empresa de Pesquisa e Extenção Rural de Santa Catarina (Epagri), dentro do projeto Micro Bacias 2 do Governo do Estado de Santa Catarina, foi lançada a cartilha "Gota D’Água". A publicação congrega idéias e conceitos desenvolvidos em escolas públicas de Atalanta e Rio do Sul. Há histórias contadas por crianças, dados sobre a situação das águas, ilustrações em vários formas de linguagens.

Miriam Prochnow, presidente do Conselho da Apremavi, apresentou três peças gráficas do projeto Planejando Propriedades e Paisagens: folder, cartaz e cartilha ilustrada. Os materiais trazem informações que são fruto do trabalho de quase 19 anos da entidade "a cartilha é mais um cardápio para o produtor rural ver o que é possível fazer na sua propriedade", comenta Miriam, que na semana passada recebeu o Prêmio Ford Motor Company de Conservação Ambiental na categoria conquista individual. Miriam também anunciou a reedição dos vídeos da Apremavi em formato dvd.

O projeto Planejando Propriedades e Paisagens, visa implantar modelos rurais sustentáveis. Pretende recuperar e conservar o que ainda resta de Mata Atlântica, mas com geração de renda, através da adoação de alternativas econômicas ambientalmente corretas, e da melhoria da qualidade de vida da comunidade.

Com o apoio da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e a Fundação Interamericana, com parceria com a Prefeitura Municipal de Atalanta, a Epagri e The Nature Conservancy (TNC), a Apremavi está propondo para as comunidades da região uma série de possibilidades de uso da terra como sistemas agroflorestais (SAF), piscicultura, agricultura orgânica, enriquecimento de florestas secundárias, a recuperação de áreas de preservação permanente (APPs), o plantio de árvores nativas e exóticas com fins econômicos, entre outros.

Um dos pontos destacados pelo programa é a importância de se ver a propriedade como um todo. A manutenção das APPs, da Reserva Legal – que é de 20% da área da propriedade no caso da Mata Atlântica no sul do Brasil – e a criação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) são considerados dentro do contexto particular de cada agricultor. De uma forma planejada, a Apremavi mostra através de exemplos práticos qual a função de cada elemento, isto é, do bosque reflorestado, do lago com peixes, da horta, etc, dentro da propriedade.

A iniciativa é considerada excelente pela professora Eliana Santos da Silva, da Escola Agrotécnica Federal de Rio do Sul, onde estudam cerca de 600 alunos em regime de internato. A professora explica que é muito bom para os alunos terem contato com este conhecimento, por que está se vivendo um processo de transição. "O retorno que a natureza tem dado com secas, com enchentes, entre outros desastres, é a maior prova de que é necessário uma transformação das nossas relações com o meio ambiente".

Para os alunos as propostas são viáveis para a realidade regional. Os estudantes, todos filhos de proprietários rurais do interior de Santa Catarina, estão tendo aulas de como integrar plantações, criações de animais com qualidade de vida para suas famílias. Dentro desse aprendizado, o seminário trouxe muitas novidades, como a palestra "Corredores Florestais – unindo espécies, habitat e pessoas na área do Mico-leão-dourado" com Rosan Valter Fernandes, ecólogo e coordenador do Programa Conservação em Áreas Privadas da Associação Mico-Leão-Dourado (RJ).

* Silvia Marcuzzo é assessora de comunicação da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Philipp Stumpe foi assessor de comunicação da Apremavi

Projeto Planejando Propriedades e Paisagens

Realizada na sexta feira, dia 18 de fevereiro, na sede do Parque Mata Atlântica, em Atalanta, a primeira reunião municipal do projeto "Planejando Propriedades e Paisagens" , que tem o apoio da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e da Fundação Interamericana.

A reunião tinha como objetivo apresentar a programação a um conjunto de proprietários rurais de Atalanta e com isso conseguir adesões para as ações que pretendem ser implementadas no munícipio.

O comparecimento dos agricultores foi considerado um sucesso, já que estiveram presentes mais de 30 pessoas. A reunião foi coordenada pela equipe da Apremavi, com o apoio de técnicos da Prefeitura municipal e da Epagri.

Reunindo a experiência acumulada pela Apremavi nos 17 anos de existência, em atividades de recuperação de matas ciliares e áreas degradadas, enriquecimento de florestas secundárias e agricultura ecológica, o projeto pretende conservar e recuperar áreas de Mata Atlântica, através da manutenção e implantação de modelos de planejamento de propriedades e paisagens e a capacitação de técnicos e proprietários rurais, contribuindo para o aumento da qualidade de vida dos mesmos e o incremento de renda nas suas propriedades. As atividades serão concentradas no município de Atalanta, no Vale do Itajaí, mas difundidas em todo Estado de Santa Catarina.

De bom a melhor

De bom a melhor

De bom a melhor

Se todo mundo pudesse escolher a vista de sua casa de campo, provavelmente as janelas dariam para um lugar como Atalanta, em Santa Catarina. A sede do município tem pouco mais de 2.500 moradores. E a poucos minutos do centro, as portas dormem abertas, os vizinhos se reconhecem pelo ronco dos carros, os bugios descem da serra do Pitoco para ver o trabalho no campo e, no sítio de Anita Schäffer, um dos cinco que se adaptaram no município a hospedar forasteiros, a truta que vem à mesa saiu pouco antes de uma nascente de água azulada nos fundos do terreno.

À primeira vista, não há o que consertar num lugar desses. Atalanta, que a prefeitura deu para chamar de “cidade jardim da mata atlântica“, ganhou há pouco um parque municipal, aninhado nos 54 hectares da mata onde funcionava a fábrica de farinha de mandioca de Erich Gropp. Abriu-se ao público uma Reserva Particular do Patrimônio Natural de três hectares numa antiga serraria, com trilha e banho de cachoeira. E, de quebra, há um futuro melhor do que o presente brotando na Apremavi, uma ONG ambientalista que produz por ano 500 mil mudas de árvores nativas e está pronta para provar aos pequenos agricultores da região que paisagem também se planta.

Se depender de Miriam Prochnow, presidente da Apremavi, Atalanta ainda vai melhorar muito. Ela transformou as terras da família numa propriedade modelo, com reserva legal, matas ciliares, horta orgânica, manejo florestal, esgoto filtrado, estrada florida em curva de nível, apicultura, chiqueiro e pasto. Tudo simples e barato, mas cumprindo exemplarmente as leis ambientais. E agora tem pela frente um patrocínio da fundação O Boticário para multiplicar a seu redor a experiência. E, por trás, os 16 anos de teimosia da Apremavi.

A ONG nasceu em 1987, depois que Miriam passou a contar os caminhões de madeireiras que saíam sem parar de uma reserva indígena em Ibirama, ao pé da serra catarinense. Ela era então uma pedagoga. Seu marido, Wigold Bertoldo Schäffer, trabalhava no Banco do Brasil. Os dois recrutaram por ali mesmo 17 simpatizantes para fundar a ONG. Um deles, Philipp Stumpe, ex-colega de Wigold no banco, é hoje engenheiro florestal. A Apremavi já passou da casa dos 300 sócios. E tantas fez o casal de militantes, que há cinco anos Miriam e Wigold tiveram que se mudar para Brasília, onde ela é coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica e ele dirige o Núcleo de Mata Atlântica do Ministério do Meio Ambiente. Por essas e outras, toda vez que põe os pés em Atalanta, Miriam suspira fundo. Está em casa. Num ramo onde tudo parece que está sempre começando, a Apremavi é uma ONG histórica.

Mas estreou com uma derrota, na briga contra o desmatamento nas terras dos Xokleng. O processo contra as madeireiras virou uma papelada sem fim, que por ironia foi parar anos mais tarde no gabinete de Miriam, quando ela assumiu o comando da rede. Enquanto o caso rolava na Justiça, a maioria dos índios comprou carros e o comércio da região chegou a vender geladeira elétrica para aldeias onde não havia luz.

Se ficasse só nisso, a história teria um final feliz, embora tipicamente brasileiro. A reserva indígena, que tinha na época 14 mil hectares, depois de encolher por desmatamento, cresceu por decreto. Passou a cobrir 50 mil hectares, derramando-se sobre duas unidades de conservação, uma floresta com oito mil araucárias e 600 propriedades agrícolas. Virou, oficialmente, uma “área de relevante interesse ecológico”, nas mãos de sete aldeias onde vivem cerca de 1.500 Xokleng, caingangues e guaranis.

Mas a Apremavi foi em frente. Miriam e Wigold, além de tudo, são maratonistas. E estão nisso não é de hoje. Menina, ela fazia greve de fome em casa, sempre que o pai, um coletor municipal de impostos, chegava trazendo de caçadas trazendo carne fresca. Wigold, aos cinco anos, rebelou-se contra o corte de árvores na propriedade dos Schäffer. “Quando eu crescer, não vai sobrar nada para mim”, dizia. Ganhou do pai cinco mudas de araucária. Plantou-as num canto do terreno. Hoje, quarentonas, as araucárias estão no meio de um bosque de pinheiros, onde a família cultiva palmito.

Miriam se curou, logo na primeira candidatura, de um desvio que quase a levou à política, quando concorreu à prefeitura de Ibirama pelo Partido Verde, apresentando-se ao eleitorado com uma chapa exclsivamente feminina. Sua vice era a fotógrafa Edith Geisler. Elas visitaram, uma a uma, todas as quatro mil famílias do município. Em vez de comício, faziam mutirões para tirar lixo do rio. “E, claro, tivemos muito pouco voto”, ela resume.

Nos primeiros anos, a ONG teve que disputar espaço num Vale do Itajaí ainda infestado por 450 serrarias. O ex-funcionário do Banco do Brasil Philipp Stumpe, depois de aderir incondicionalmente à causa, circulava com um cartão de visitas que o apresentava como “desempregado e criador de caso”. Mas, com o tempo, a turma foi aprendendo que nem só de luta inglória vive o meio ambiente. “Era preciso também propor alternativas”, diz Miriam.

Daí o viveiro de mudas. E o resto. O que a Apremavi sabe, segundo Miriam, “aprendeu fazendo”. Ela bateu muito mato para fazer laudos, tratando de gravar o que os peritos ensinavam nessas excursões. Hoje a ONG recebe estagiários que vêm de longe, mandados por cursos universitários de engenharia florestal de Viçosa, Blumenau ou Ribeirão Preto, “para ver na prática como se mexe ao mesmo tempo com mudas de 120 espécies diferentes”. O biólogo Carlos Augusto Krieck, por exemplo. Jovem, metido numa camisa onde se lê o slogan “não à extinção”, ele está começando na Apremavi um programa de treinamento que, daqui a um ano, pode levá-lo a uma vaga na equipe. Criado em Rio do Sul, ali perto, ele nunca imaginara usar seu diploma em trabalho de campo, sem sair de sua região.

O viveiro, apelidado de Jardim das Florestas, começou com 18 mudas num fundo de quintal, para fazer a primeira recomposição de matas ciliares. “Tínhamos tão pouca informação”, lembra Miriam, “que fomos perguntar a um madeireiro onde encontraríamos sementes de sassafrás. Ele respondeu que sassafrás não tinha semente. Ou seja, passara a vida cortando madeira no mato e não sabia que o sassafrás, quando dá semente, chega a quebrar o galho de tanto peso”.

Pior foi achar quem se interessasse pelas primeiras mudas do viveiro. Houve época em que Miriam e Wigold promoviam corridas rústicas em cidades da região. Na linha de chegada, distribuíam mudas. “Mas no começo as pessoas vinham aqui, olhavam, e saíam dizendo que árvore nativa não cresce”, diz ela. “Não levavam nem de graça. Saímos plantando árvores até nas praças de Atalanta, Ibirama e Agrolândia. Quando elas começaram a florescer, o pessoal passou a vir aqui, querendo comprar mudas”. Comprar por que? “Porque descobrimos que ninguém valoriza o que é dado”, explica Philipp. “De graça, acabariam levando 100 mudas para plantar 50”.

Se quisesse, a dupla poderia desfiar um rosário de absurdos. Quando a ONG levou a prefeitura a transformar em parque a velha fábrica dos Gropp, enrascada num inventário insolúvel, encontrou-se lá embaixo, ao lado da cachoeira, um depósito clandestino de lixo, que era despejado da borda do cânion, 41 metros acima. No museu do parque, há uma velha foto que mostra como era aquilo no começo do século passado. À frente, no chão limpo, posa o time de lenhadores. Ao fundo, no meio de terrenos pelados, está a cascata. Hoje, o Perau do Gropp fica no fim de uma trilha limpa, entre árvores identificadas. É um passeio como raras cidades do Brasil podem oferecer aos visitantes.

A turma da Apremavi suou muito também para desmoralizar um projeto do governo estadual, que convencera os agricultores a criar peixes em açude, alimentando-os com algo que a população local define tecnicamente como merda de porco. Parecia a invenção do moto-contínuo. Os chiqueiros eram armados em palafitas sobre a água. E os peixes comiam diretamente o maná que caía dom céu. A Apremavi usou um gato doméstico como cobaia e não houve jeito de convencê-lo a provar o tal do “Peixe-Porco”. Depois dessa campanha, o empresário Valdecir Pamplona acabou fechando a fábrica de pescado que tinha montado na beira da BR-470, em Rio do Sul. Atualmente, o galpão industrial processa hambúrguer de carne bovina. “O dono até hoje não gosta da gente”, diz Miriam.

Em compensação, a Apremavi atualmente está cercada por 250 pequenos proprietários que, em 30 municípios ao redor de Atalanta, tomaram gosto por hortas e pomares orgânicos, matas ciliares e apicultura em pé de floresta. Seus vizinhos, que ainda usam em casa, para conversar entre si, um coquetel regional de alemão com português, deixaram de ver os ambientalistas como tipos excêntricos. E podem até não saber disso. Mas estão a um passo do “Planejamento de Paisagens”.

Autor: Marcos Sá Correa.

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