22/09/2005 | Notícias
Continuam chegando notícias de novos desmatamentos na floresta com araucárias. Parece que não existe mais Lei nem qualquer respeito para com o meio ambiente e a população.
É cada vez mais urgente a criação das Unidades de Conservação que estão em estudo pelo Ministério do Meio Ambiente.
Não deixe de fazer a sua parte. Acesse a campanha e participe.
Veja os dados dos novos desmatamentos. A denúncia foi encaminhada para o gerente regional do Ibama no Paraná, Marino Gonçalves. A Rede de ONGs da Mata Atlântica também enviou os dados para o Ministério do Meio Ambiente. Diz o email com a denúncia:
Prezado Marino, Espero que esse e-mail caia nas suas mãos e que você tome todas as providências contra esse absurdo.
Essas fotos são de uma destoca da empresa Madepar S/A, na região de Palmas/PR. Essa área fica muito próxima da área do refúgio da vida silvestre que o MMA pretende criar.
Já destocaram 100 alqueires, segundo um funcionário que trabalha no escritório da empresa, para plantar soja. Essa destoca é para estar em cima de um plano de manejo.
Coordenadas UTM (aproximada): 426841,1087 – 7082698,2065
18/08/2005 | Notícias
Já são mais do que três meses: o Ministério do Meio Ambiente (MMA) vem prometendo criar novas Unidades de Conservação (UCs) para a Floresta com Araucárias. Enquanto isso, as araucárias caem, e não apenas na região de Barra Grande…
A história da "exploração" da Floresta Ombrófila Mista remonta ao século XIX, na metade do século XX a devastação atingiu seu auge, desencadeando até uma guerra, a do Contestado, no decorrer da qual milhares de agricultores foram mortos, não em poucos casos sumariamente fuzilados pelo exército. Mas embora triste, isto é uma outra história…
Fragmentada essa floresta a menos de 3% da sua área original de distribuição, os esforços de certas parcelas do setor madeireiro e empresarial para acabar com o pouco que ainda resta das florestas com Araucárias, não cessam. Chegam a ganhar dimensões cada vez mais grotescas.
Surreal, contudo, é o discurso que se ouve em Santa Catarina e no Paraná. No estado que compartilha parte de um sinônimo da araucária (Pinheiro-do-Paraná), certos deputados reagem ao empenho de se criar áreas protegidas de forma bastante dúbia, vociferando que técnicos do MMA e de ONGs estariam querendo tirar proveito pessoal com a proteção das araucárias. Um absurdo que se junta a outros: deputados e prefeitos, até um governador de estado chegaram a esbravejar que a criação dessas UCs iria gerar desemprego e pobreza naquelas regiões.
Cursaram pela imprensa regional números estranhos: "Meus avós escutaram na rádio que se esse Parque for criado, eles e milhares de outros agricultores serão deportados pro Nordeste", conta o biólogo Ezequiel, cuja família vive na região de Passos Maia, onde se pretende criar o Parque Nacional das Araucárias.
Continuando com números, desta vez com alguns que a imprensa não lembrou de divulgar: as UCs a serem criadas no PR e SC perfazem cerca de 1200 km², representando cerca de 0,4% da soma da superfície desses dois estados; outrora, a araucária se estendia por cerca de 40% dos seus territórios.
Proteger essas araucárias irá trazer pobreza e desgraça, já que a economia dos dois estados depende desses 0,4%…?
Falando de exploração madeireira e bem-estar social: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em Ponte Serrada SC é um dos mais baixos do sul do Brasil. E mais: de acordo com o Diagnóstico da Exclusão Social em Santa Catarina de 2003, mais de 61% dos habitantes desse municípío são considerados "pobres", outros 30% de "renda insuficiente". Ou seja, o IDH é baixo, mas o "IDA" (índice de desenvolvimento de alguns)…
Nesse município e em Passos Maia, a despeito da Resolução 278 do CONAMA, que proibe o corte de espécies vegetais da Mata Atlântica ameaçadas de extinção, as Indústrias de Madeiras Tozzo S.A. vinham fazendo o que há décadas já se fez: derrubar, cortar e comercializar araucárias, como documentado no Laudo Avaliação da Exploração MAdeireira de Espécies Ameaçadas de Extinção em Santa Catarina, elaborado e entregue ao MMA ano 2003 pela Apremavi. Já antes disso, o programa Fantástico noticiara várias "irregularidades" na madeireira dessa indústria (veja a matéria "Araucárias são devastadas em Santa Catarina" de dezembro de 2002).
Não se sabe bem se esse relatório chegou às mãos da Polícia Federal ou não, que nesta data (18/08) prendeu pelo menos 16 pessoas na Operação Curupira II.
São alguns os madeireiros de SC e PR que estão aguardando julgamento atrás das grades, acusados de exploração ilegal de madeira, grilagem de terras e outros crimes do gênero.
Mesmo que esses desmatamentos ilegais que levaram o juiz Julier Sebastião da Silva, da 1a Vara de Justiça Federal em Mato Grosso a decretar a prisão de 22 pessoas sejam com outros ‘tipos’ de florestas que não as de araucárias: os crimes são diferentes?
24/06/2005 | Notícias
Dia 24 de junho, não foi só dia de São João. Foi o dia Nacional da Araucária. A data foi decretada na Semana da Mata Atlântica, em maio deste ano, em Campos do Jordão. No mesmo dia, aconteceu a última consulta pública para criação das Unidades de Conservação que protegerão os últimos remanescentes de floresta com a espécie. Desta vez, a comunidade de Palmas (PR), permitiu a realização do evento, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, para explicar as propostas de criação de UCs de Floresta com Araucária.
A formação de áreas protegidas foi esclarecida nos municípios de Imbituva (PR), Ponta Grossa (PR), Tuneiras do Oeste (PR), Passos Maia (SC), Ponte Serrada (SC), Abelardo Luz (SC) e Palmas (PR). A reunião menos longa durou cinco horas e mais demorada oito horas. Vários políticos, madeireiros e oportunistas aproveitam o momento para expor "os prejuízos econômicos" que os municípios teriam se as áreas fossem implantadas. Somente depois de muito discurso, foi que a equipe de técnicos conseguiu conversar com a comunidade interessada. O momento serviu para dar respostas às dúvidas e mostrar as vantagens de se criar as UCs.
As prefeituras têm prazo para sugerir alterações nas áreas até 8 de julho. Depois disso o MMA e o Ibama irão analisar e elaborar um parecer com as sugestões enviadas. "Cumprimos todas as exigências legais para criar os parques e reservas que ajudarão a preservar remanescentes de florestas com araucárias", disse o diretor de Áreas Protegidas do MMA, Maurício Mercadante.
Ele destaca a ausência de pessoas favoráveis a proposta do governo. "Das quatro consultas, em apenas uma, em Abelardo Luz, teve uma pessoa elogiando a criação das UCs". Miriam Prochnow, coordenadora geral da RMA lembra que não há entidades ambientalistas nas regiões onde as UCs serão criadas, apesar da pesquisa de opinião apontar que 98% da população é favorável a proteção de áreas com araucária.
Durante as reuniões, Ministério e Ibama informaram novamente que a área de entorno de todos os parques reservas será de 500 metros, e não de 10 quilômetros. As atividades produtivas que já ocorrem nesse espaço não sofrerão qualquer interferência, desde que sejam respeitadas as áreas de preservação permanente (margens de rios, nascentes e topos de morros) e mantida a reserva legal de 20% das propriedades. Novos empreendimentos dependerão de licença ambiental.
João de Deus Medeiros integrante da Força Tarefa formada pelo MMA, Ibama, universidades e ONGs afirma que a comunidade está entendendo que o clima de terrorismo aplicado anteriormente não tinha sentido. As outras consultas foram canceladas, por questão de segurança, em razão de uma série de boatos espalhados por quem não desejava a criação das UCs.
Em três consultas o representante do governo do Estado de Santa Catarina leu o mesmo discurso, contrário a implantação das áreas de proteção. O governo ainda afirmou ser contra a criação de Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN). "Isso mostra não só falta de conhecimento, mas falta de abertura para entender a importância da criação dessas áreas protegidas", argumenta Miriam Prochnow, coordenadora geral da RMA e presidente da Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí (Apremavi). Ela também entende que, dessa forma, os governantes mostram falta de compromisso com o povo catarinense.
A RMA tem certeza que as comunidades dos estados de Santa Catarina e Paraná irão desfrutar da proteção dessas áreas. A RMA, que já promoveu a Campanha SOS Araucárias, recolhendo cinco mil assinaturas e pedindo ao presidente Lula mais proteção à árvore, parabeniza a equipe da Força Tarefa pelo seu trabalho perseverante e paciente. Isso mostra o compromisso de todos com a preservação desta espécie tão importante, pois somente persistindo hoje é que se pode garantir um amanhã mais saudável.
A proposta do governo inclui a criação do Parque Nacional das Araucárias, da Estação Ecológica da Mata Preta e da Área de Proteção Ambiental (APA) das Araucárias em Santa Catarina. As reservas somam 445.048 hectares. Desse total, apenas 25.830 hectares serão de proteção integral. Já no Paraná, serão criados o Parque Nacional dos Campos Gerais,os refúgios de Vida Silvestre dos Campos de Palmas e do Rio Tibagi,e as reservas biológicas das Perobas e das Araucárias, somando 98.252 hectares.
A efeméride foi decretada pelo presidente Lula, devido à importância estratégica da árvore. Já havia um Projeto de Lei tramitando na Câmara dos Deputados, de autoria do parlamentar Lobbe Neto (PSDB/SP), com essa intenção. A data foi escolhida em virtude da festa de São João coincidir com a época do pinhão.
A Araucaria angustifolia é nativa da Mata Atlântica brasileira e está seriamente ameaçada de extinção. Sua semente serve de alimento para a fauna como a cotia e a gralha-azul, que escondem o pinhão no chão e depois se esquecem, fazendo com que surjam muitas mudas. Elas semeiam hoje o que vão comer.
O pinheiro brasileiro, que foi dizimado devido a sua madeira ser de alto valor comercial, chegou a responder por mais de 40% das árvores existentes na Floresta Ombrófila Mista. Atualmente, é muito difícil se deparar com um pinheiro de tronco grosso, com mais de um metro de largura, mesmo em áreas protegidas. Sua ocorrência vai do planalto gaúcho à Serra da Mantiqueira, ocupava em torno de 200 mil km².
Só no Paraná, onde a araucária é o símbolo do Estado, a espécie cobria 40% do território. Em Santa Catarina, chegava a 30% e, no Rio Grande do Sul, 25%. Hoje dispõe de 3% de sua área original, incluindo florestas exploradas e matas em regeneração. Menos de 1% guarda as características da floresta primitiva, sem interferência do homem. Existem apenas em Unidades de Conservação (UC), como parques e Reservas de Patrimônio Particular Natural (RPPN). Este é um dos motivos da necessidade de criação de novas UCs com a ocorrência da araucária.
16/06/2005 | Notícias
Multas pelo desmate em área que será Unidade de Conservação no Paraná somam R$ 1,331 milhão A superintendência do Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis no Paraná fixou em R$ 1,331 milhão as multas a serem pagas pela empresa Compensados Itamarati, sediada em Palmas, e que explora a área conhecida como Fazenda São Cristóvão. O local fica dentro dos 16.445 hectares de uma região reservada pelo Ministério do Meio Ambiente para abrigar o Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas. O desmatamento descoberto pelos fiscais do Ibama totalizou 181,97 hectares, em duas áreas onde havia também resíduos de queima da vegetação.
O superintendente do Ibama/PR, Marino Gonçalves, visitou pessoalmente a área degradada e manifestou sua indignação por aquilo que viu: "é urgente e necessária a criação das novas Unidades de Conservação no estado do Paraná, para que sejam evitados crimes dessa natureza". Marino apela ainda à sensibilidade dos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4º Região, em Porto Alegre (RS), para que "revoguem todas as liminares que estão impedindo a criação dessas Unidades de Conservação, antes que seja tarde demais".
Numa primeira área, de 98,81 hectares, os analistas ambientais do Ibama encontraram exemplares adultos de espécies florestais (araucária, imbuia, xaxim), indicando foi explorada num estágio posterior ao estágio de regeneração inicial da floresta.
A autorização do IAP – Instituto Ambiental do Paraná, apresentada pelo proprietário da área, no entanto, somente previa exploração em "Floresta em Estágio Inicial de Regeneração". Além disso, a autorização estava vencida desde maio de 2004 e previa o corte de 99 hectares e não mais de 180 hectares.
Os fiscais encontraram ainda 10 hectares de áreas que margeiam cursos de rios e nascentes (matas ciliares), todas atingidas pela queima aplicada na área desmatada. Segundo a Divisão de Fiscalização do Ibama/PR, o proprietário não apresentou uma licença de caráter conclusivo do IAP para efetivar a queima das áreas.
A segunda área desmatada, de 83,16 hectares, foi encontrada com um plantio recente de Pinus. A Divisão Técnica do Ibama/PR relacionou efeitos dessas ações sobre os ecossistemas do Refúgio de Palmas: "trata-se de um redundante desrespeito às normativas técnicas e legais vigentes, com intensa mortandade de espécies da flora e fauna ameaçadas de extinção".
Para a lavratura dos autos de infração foram considerados os aspectos da fauna atingida na área devastada, conforme o que está previsto pela CITES – Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagem em Perigo de Extinção.
Outro aspecto relevante que também considerado na avaliação dos danos ambientais na área de Palmas foi o resguardo de áreas consideradas de Preservação Permanente, com finalidades de proteção específicas, previstas na Lei 4771/65. No caso do Refúgio de Palmas, a exploração e a queima do topo de morros e a proteção das nascentes.
Para discutir questões de autorizações em floresta nativa, o superintendente do Ibama, Marino Gonçalves, e o presidente do IAP, Rasca Rodrigues, se reúnem nesta sexta-feira (17), na sede do Ibama, em Curitiba (PR). (Ibama/PR)
Devastação avança em áreas destinadas à preservação da araucária
Prefeitos podem formar comissões e sugerir melhorias na proposta do governo
(Fonte MMA 09/06/2005)
por Aldem Bourscheit – ASCOM – MMA
Equipes do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama flagraram desmatamentos e queimadas em cinco áreas destinadas à criação de parques e reservas para a proteção do pinheiro-brasileiro. A devastação de espécies ameaçadas de extinção como araucária, imbuia, canela-preta e xaxim, típicas da Mata Atlântica, foi registrada em Passos Maia e Abelardo Luz, em Santa Catarina, e Palmas, no Paraná.
A proposta do governo para proteger remanescentes de florestas com araucárias inclui a criação de oito áreas protegidas no Paraná e em Santa Catarina, incluindo parques nacionais, reservas biológicas, refúgios de vida silvestre e áreas de proteção ambiental. As reservas somam cerca de 540 mil hectares.
Os crimes aconteceram em total desrespeito à legislação ambiental brasileira, especialmente desconsiderando as portarias 507 e 508 do Ministério do Meio Ambiente. As portarias definem áreas prioritárias para a criação de unidades de conservação no Paraná e em Santa Catarina, restringem a retirada de espécies nativas nessas áreas e suspende temporariamente o plantio de espécies exóticas no interior e no entorno desses locais.
Em Abelardo Luz, foi identificado novo desmatamento de 64 hectares em uma área que começou a ser degradada entre 2001 e 2002. Em Passoas Maia, três desmatamentos somando mais de 110 hectares foram flagrados, incluindo queimadas em matas com pinheiro-brasileiro. Dois desses desmatamentos estão no interior da área destinada à criação do Parque Nacional das Araucárias, próximas a plantações de pinus e na beira de rios. Em um dos casos, uma serraria já foi multada em R$ 292 mil. A empresa recorreu na Justiça. O proprietário de uma das áreas já teria admitido ao Ibama não possuir autorização para desmatamento ou queimadas. E no Paraná, em Palmas, foi verificado um desmatamento de mais de 100 hectares na área destinada ao Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas.
Em todos os casos já identificados pela fiscalização, matas em beiras de rios e de córregos, protegidas pela lei como áreas de preservação permanente, também foram derrubadas. Equipes do Ibama estão verificando por terra os crimes. Autuações e multas serão aplicadas nos próximos dias. Para o coordenador do Núcleo de Mata Atlântica e Pampa do Ministério do Meio Ambiente, Wigold Schäffer, os crimes cometidos no Paraná e em Santa Catarina são "uma tentativa desesperada de evitar a criação ou de excluir áreas dos parques e reservas que serão criados naqueles dois estados".
No entanto, segundo Schaffer, as áreas desmatadas continuam sendo consideradas como de floresta, de acordo com o Artigo 8º do Decreto 750/1993. O texto afirma que "a floresta primária ou em estágio avançado e médio de regeneração não perderá esta classificação nos casos de incêndio e/ou desmatamento não licenciados a partir da vigência deste Decreto". "A legalidade dos desmatamentos dos últimos cinco anos nas áreas destinadas às reservas está sendo verificada", avisou o coordenador.
Debates – Após reuniões e audiências realizadas esta semana, em Brasília, foi definido que as prefeituras dos municípios paranaenses e catarinenses onde serão implementadas áreas protegidas poderão formar comissões técnicas para sugerir melhorias nas propostas do governo. Participaram dos encontros parlamentares e representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama. O governo enviou toda a documentação necessária para análise nos municípios.
De acordo com o diretor de Áreas Protegidas do MMA, Maurício Mercadante, os debates realizados durante a semana foram fundamentais para esclarecimentos e qualificação das propostas para criação de reservas destinadas à proteção das araucárias no Paraná e Santa Catarina. Além disso, segundo ele, demonstraram que os órgãos ambientais estão totalmente abertos às discussões. "A intenção do governo sempre foi a de um debate aprofundado para a criação das áreas protegidas", disse.
Novas consultas públicas serão realizadas em Santa Catarina no dia 21, em Passos Maia, no dia 22, em Ponte Serrada, e no dia 24, em Abelardo Luz. No Paraná, um novo debate ocorrerá no dia 23, em Palmas. As datas foram publicadas no Diário Oficial da União de 3 de junho.
Empresa paranaense será multada por destruir araucárias
O Ibama anunciou dia 14 de junho a multa para uma empresa de compensados do Paraná pela queima de 200 hectares de florestas com espécies da Mata Atlântica ameçadas de extinção. O crime foi cometido dentro da região onde será criado o Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas, em uma área de transição entre floresta e campo. A unidade de conservação ocupará 16,4 mil hectares em General Carneiro e Palmas, no sul do Paraná.
De acordo com o Ibama, que vistoriou o local, espécies como araucária, que tem corte proibido, além de imbuia, guamirim, canela-preta e xaxim foram dizimadas. A empresa que explorava ilegalmente a área apresentou apenas uma licença do órgão estadual de meio ambiente, vencida no ano passado. De acordo com o Ibama, a multa que será aplicada levará em conta a queima de florestas, incluindo áreas de preservação permanente, o plantio irregular de pinus e os prejuízos à fauna.
Nos últimos dias, equipes do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama flagraram desmatamentos e queimadas em cinco áreas destinadas à criação de reservas para proteger o pinheiro-brasileiro, tanto no Paraná quanto em Santa Catarina. A devastação foi registrada em Passos Maia e Abelardo Luz, em Santa Catarina, e Palmas, no Paraná.
Os crimes aconteceram em total desrespeito à legislação ambiental brasileira, especialmente às portarias 507 e 508 do MMA, que definem medidas para evitar a destruição das araucárias até a criação de novas reservas.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente
19/05/2005 | Notícias
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou hoje (19/05) da Sessão Solene do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), durante a Semana da Mata Atlântica, que acontece até domingo, em Campos do Jordão, São Paulo.
Durante o evento, a ministra anunciou a criação de oito unidades de conservação para proteger as Florestas de Araucárias, nos estados do Paraná e Santa Catarina. Segundo Marina Silva, o Ministério do Meio Ambiente já está encaminhando à Casa Civil, com apoio do governador Roberto Requião, o processo de criação das cinco unidades de conservação no Paraná: Parque Nacional dos Campos Gerais ( 23.000 ha), Reserva Biológica das Araucárias (16.078 ha), Refúgio da Vida Silvestre do rio Tibagi (31.698 ha), Reserva Biológica das Perobas (11.000 ha) e Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas (16.445 ha). As três áreas em Santa Catarina Estação Ecológica da Mata Preta ( 9.006 ha), Parque nacional das Araucárias (16.824 ha), Área de Proteção Ambiental das Aruacárias (419.218 ha) – ainda deverão passar por três audiências públicas, nos próximos dias, antes de serem também encaminhadas à Casa Civil. A criação dessas unidades, no entanto, é um processo irreversível, garantiu a Ministra.
Marina divulgou também que está para ser aprovado a instituição de um dia específico para a araucária, uma proposta do deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP). O Dia da Araucária será comemorado em 25 de julho, época em que ainda há grande quantidade de pinhões, que podem ser colhidos para a festa sem prejudicar a germinação de sementes. Anunciou ainda um edital de R$ 20 milhões do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para a recuperação de nascentes em área de Mata Atlântica.
Durante o evento, que contou com a presença do secretário-executivo do MMA, Cláudio Langone, do secretário de Biodiversidade, João Paulo Capobiando, e dos secretários estaduais de Meio Ambiente de São Paulo, José Goldemberb, e do Paraná, Luiz Eduardo Cheida, entre várias outras autoridades ambientais, cerca de 100 pessoas, entre ambientalistas da Rede de ONGs da Mata Atlântica e da ong de crianças Mingau, de Campos do Jordão, realizaram uma manifestação contra o enchimento da Barragem de Barra Grande, em Santa Catarina, que poderá inundar 4 mil hectares de Florestas de Araucárias. Com máscaras de animais em extinção da Mata Atlântica e cartazes, as crianças entregaram mudas de araucárias às autoridades presentes.
Outra promessa da Ministra, foi atender ao pedido do prefeito de Campos do Jordão, João Paulo Ismael, de criar uma unidade de conservação federal no município. "É tão incomum um prefeito pedir uma unidade de conservação que acredito que minha equipe já esteja saindo daqui para fazer os estudos necessários", disse.
Falando um dia depois de divulgar os altíssimos números de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2003 e agosto de 2004 (26.130 km² de área devastada, número bem acima do previsto pelo Governo, que calculava 2% de aumento do índice de desmatamento com relação ao período anterior, contra 6% do revelado), a Ministra ressaltou que considera esses índices inaceitáveis e que providências estão sendo tomadas pelo governo federal, mas que é preciso atitude responsável de todos os setores, inclusive do consumidor no Sul/Sudeste do País, para que a produção insustentável deixe de ser praticada. Ressaltou, no entanto, que ainda existe a mentalidade, inclusive de autoridades, que acreditam que o pouco que resta para ser preservado ainda é muito.
São Paulo
O secretário de Meio Ambiente de São Paulo, José Goldemberg, também anunciou medidas de proteção à Mata Atlântica no Estado, como a aprovação ontem (18/06), pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) de um projeto de decreto que permite aos proprietários manterem suas reservas legais em locais fora da propriedade. Com isso, pretendem aumentar o cumprimento da exigência legal. Além disso, disse que estão sendo implementados também projetos de ecutorismo no Vale do Ribeira e de recuperação de matas ciliares, que conta com recursos de 7,7 milhões de dólares aprovados pelo Global Environment Facility (GEF). Durante o evento, Clayton Ferreira Lino anunciou os vencedores do Prêmio Muriqui, entregue pelo Conselho da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Foram premiados o Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia (Iesb), como instituição, Mário Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, que não estava presente, como personalidade, além do prêmio especial ao programa Globo Ecologia, por seus 15 anos de existência.
Miriam Prochnow, coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica, anunciou os vencedores do Prêmio Amigo da Mata Atlântica, entregue a Érico Francisco Fonseca, em nome do Movimento dos Atingidos por Barragens, e a Paulo Nogueira-Neto, atualmente presidente da Fundação Florestal do Estado de São Paulo. [veja o currículo dos vencedores no final do boletim Após a cerimônia, Marina Silva seguiu para o Parque Estadual de Campos do Jordão (Horto Florestal), para participar do plantio de um Bosque de Araucárias, simbolizando o incentivo à recuperação desse ecossistema à beira da extinção.
CURRÍCULO DOS PREMIADOS
PRÊMIO AMIGO DA MATA ATLÂNTICA
Paulo Nogueira-Neto
Paulo Nogueira-Neto foi o primeiro Secretário do Meio Ambiente do Brasil e exerceu o cargo por mais de doze anos, de 1974 a 1986, em plena ditadura militar. Neste período, trouxe para a esfera governamental discussões como poluição e desmatamento, conceitos ignorados até então. Enfrentou o descaso, a má-vontade e a falta de recursos do governo. E foi o criador das Áreas de Proteção Ambiental, das Estações Ecológicas e o arquiteto das leis de Política Nacional do Meio Ambiente e Impactos Ambientais. Estudioso do comportamento das abelhas, trocou a advocacia pela história natural e tornou-se acadêmico e ambientalista, acumulando títulos e cargos, como membro vitalício do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Sua primeira luta ambiental foi em 1956, para defender a Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema, a mesma área que hoje é disputada por fazendeiros e sem-terras. Na ocasião, eram 150 mil hectares de florestas contínuas ameaçadas por fazendeiros que invadiram a área, mesmo com a criação de uma Reserva Florestal. Para defender a região, ele e um grupo de amigos criaram uma das primeiras entidades ambientalistas do País, a Associação em Defesa da Fauna e da Flora, que existe até hoje. Embora boa parte do Pontal tenha sido desvastada, o movimento conseguiu preservar o Morro do Diabo, na mesma região. Atualmente é presidente da Fundação Florestal do Estado de São Paulo, além de estar nos quadros de várias das mais conceituadas ONGs ambientalistas do País, como a SOS Mata Atlântica, onde é vice-presidente, e a WWF-Brasil, onde é primeiro vice-presidente. Entre os vários prêmios que recebeu, estão o Prêmio Paul Getty, em 1981, láurea mundial no campo da Conservação da Natureza, e Prêmio Duke of Edinburgh 1997, da WWF Internacional.
Movimento dos Atingidos por Barragens MAB Sul
A história dos atingidos por barragens no Brasil tem sido marcada pela resistência na terra, luta pela natureza preservada e pela construção de um Projeto Popular para o Brasil que contemple uma nova Política Energética justa, participativa, democrática e que atenda os anseios das populações atingidas, de forma que estas tenham participação nas decisões sobre o processo de construção de barragens, seu destino e o do meio ambiente.
Esses são os princípios que norteiam as ações do Movimento dos Atingidos pos Barragens (MAB), que começou a tomar forma na década de 70 e se consolidou nos anos 90 como um movimento de abrangência nacional forte o suficiente para fazer frente aos planos de construção de grandes barragens. Os três focos principais de resistência no Brasil se formaram no Norte, Nordeste e Sul.
O MAB Sul começou a se consolidar no início da construção UHE de Itaipu na bacia do Rio Paraná, no final da década de 70, e, anos depois, criou um grande processo de mobilizações e organização social com o anúncio da construção da Usina Hidrelétrica de Itá, no rio Uruguai, divisa dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Essa usina causou grande impacto ambiental, porém nada comprado a um caso mais recente: a Usina Hidrelétrcia de Barra Grande, em Santa Catarina.
O caso Barra Grande é um exemplo de descaso com o meio ambiente, além de ser considerado um dos maiores escândalos ambientais dos últimos anos: a construção da usina foi autorizada com base em um Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) fraudulento, que omitiu a existência de mais de 4 mil hectares de Mata Atlântica mais precisamente, de Floresta com Araucárias – íntegra ou em avançado processo de recuperação.
O MAB Sul descobriu que essa região seria desmatada e, junto com outras organizações da sociedade civil, articulou uma frente de resistência ao corte de milhares de hectares dessas árvores à beira da extinção. Em outubro de 2004, a Justiça Federal de Santa Catarina concedeu uma liminar que suspendeu o início do corte da Floresta com Araucárias dessa região. No em entanto, o estado já avançado de construção da usina fez com que a liminar caísse. Hoje, o funcionamento da usina depende de autorização do Ibama, que já está realizando o processo de vistoria dos termos de compromisso da empresa. Se julgar que estão sendo cumpridos, o órgão vai autorizar o fechamento das comportas. A luta não é pela demolição da usina, mas por estudos de cotas de enchimento com a finalidade de apontar soluções para que as partes da Floresta com Araucárias não sejam inundadas.
PRÊMIO MURIQUI
Instituto de Estudos Sócio-ambientais do Sul da Bahia (IESB)
O Instituto de Estudos Sócio-ambientais do Sul da Bahia (IESB), sediado em Ilhéus, desenvolve e apóia pesquisas e modelos de convivência na Mata Atlântica que conciliem desenvolvimento econômico e conservação ambiental. O foco dos trabalhos, construídos sempre com a sociedade, é no sul da Bahia e envolve desde pesquisas biológicas para levantamento de fauna até monitoramento da cobertura florestal, desenvolvimento de práticas agroflorestais sustentáveis, incentivo e apoio à gestão de RPPNs e campanhas de educação ambiental.
Em 2003, o IESB lançou o CD "Corredores de Biodiversidade da Mata Atlântica do Sul da Bahia". O projeto é fruto de um trabalho inter-institucional envolvendo pesquisadores brasileiros e do exterior, com o objetivo de investigar mecanismos biológicos e econômicos que possam assegurar a conservação de maiores extensões da Mata Atlântica no sul da Bahia, e dessa forma incentivar a formação de corredores ecológicos para reverter a fragmentação do bioma nessa região.
Mário Mantovani
Mário Mantovani é diretor da Fundação SOS Mata Atlântica há 12 anos, hoje no cargo de Diretor de Relações Institucionais. Foi coordenador também do Pólo de Ecoturismo e do Núcleo União Pró-Tietê, com atuação também em captação de recursos, campanhas institucionais e desenvolvimento de projetos da Fundação.
Criou a associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (ANAMMA) e, com governos locais, foi responsável pelo desenvolvimento e implantação dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente. Além disso, idealizou os consórcios Intermunicipais de Bacias Hidrográficas e Meio Ambiente como uma forma de mobilização na área de recursos hídricos e instrumento de consagração da Bacia Hidrográfica como unidade de planejamento ambiental. Na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), atuou nos trabalhos de mobilização social na área de planejamento ambiental.
Na década de 80, Mario Mantovani foi Executivo da União dos Escoteiros do Brasil e responsável pela área de Projetos e Educação Ambiental da entidade, ajudando a implantar a insígnia de conservacionismo e promovendo a captação de recursos. Além disso, foi responsável pela administração geral, sendo esse seu primeiro trabalho de abrangência internacional.
Integrou ainda o Fórum Brasileiro de ONGs para a preparação da Eco-92, onde representou entidades ambientalistas e teve participação na Rio+10. Representante ambientalista em dezenas de conselhos, esteve no Consema SP, Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), Associação Brasileira de ONGs (Abong) e Banco Interamericano (BID).
Mário Mantovani luta há mais de dez anos pela aprovação do Projeto de Lei da Mata Atlântica.
Fonte: Rede de ONGs da Mata Atlântica
10/05/2005 | Notícias
Chamo a sua atenção para um tema polêmico e alarmante que precisa do seu entendimento e de sua ação: a extinção de um ecossistema único em todo o mundo, patrimônio de todos os paranaenses. A extinção de uma história de milhares de anos que nunca foi contada devidamente e que pode se perder para todo o sempre. Para evitarmos este fim melancólico, precisamos sair deste estado de letargia.
Bombardeados com o apelo de que possuímos a capital ecológica do país, com tantos metros quadrados de área verde por habitante e possuidora de parques fantásticos, alguns podem se regojizar com estas baboseiras tão bem "marketeadas". Uma pitada de alívio talvez, ainda que subliminar, sempre acompanha estas mensagens. Esta sensação de "alívio" é facilmente explicável. Ela decorre da inércia e passivo ambiental que todos nós carregamos.
No fundo, nossa falta de ação nos perturba. Daí sentirmos esta sensação agradável sempre que nosso cérebro recebe a informacão de que está tudo bem e que podemos seguir ignorando as consequências de nosso consumismo desvairado. Mais ou menos assim: "podemos continuar poluindo e explorando a natureza, pois tudo está sob controle." Adicione-se a este sentimento uma cultura tradicionalmente extrativista e imediatista que sempre foi orientada para a dominação da natureza e busca do lucro a qualquer preço.
Chega. Está na hora de acordarmos para a realidade. O Paraná não é uma imensa Serra do Mar em termos de conservação. O Estado do Paraná possuia 85% de sua superfície coberta por matas nativas milenares. Hoje, restam-nos míseros 3% (em acelerado grau de devastação). Os outros 97% foram tomados pela agricultura, agropecuária, reflorestamentos com espécies exóticas, cidades, represas, e "manejo" inadequado.
Pois bem, dos 85% citados acima, restaram apenas 0,8% de Florestas com Araucária. O equivalente a aproximadamente 60.000 hectares ou 25.000 alqueires. São cerca de 500 áreas pequenas, a grande parte entre 50 e 300 hectares. Para se ter uma idéia do pouco que esta área representa basta dizer que o Parque Nacional do Iguaçu tem aproximadamente 190.000 hectares. Como este levantamento científico* foi realizado em 2001, é lógico concluir que não corresponde à realidade atual. Estima-se que em no máximo dois anos, estes 0,8% de florestas desaparecerão da superfície do Paraná.. Repetindo, em dois anos ou menos, dado o ritmo de exploração atual, as Florestas com Araucária do Paraná estarão extintas.
Denomina-se cientificamente de Floresta Ombrófila Mista as áreas de floresta onde há a presença da Araucária angustifolia (pinheiro do Paraná) e espécies como imbuia,canela e dezenas de outras típicas apenas deste bioma. Todas estas espécies estão ameaçadas de extinção. Não se trata, todavia, de salvar apenas estas árvores. No Paraná existem quatro diferentes consorciações típicas de Floresta com Araucária (capões de Floresta com Araucárias e os Campos Gerais, por exemplo). Estes ecossistemas são formações únicas que, com seus rios, nascentes, paisagens as mais diversas, fauna e flora estão condenados ao desaparecimento.
Existe alguma solução? Sim. Uma primeira hipótese seria através da sociedade civil organizada. A adoção de áreas e sua transformação em RPPNs (Reservas Privadas do Patrimônio Natural) por empresas e particulares é uma saída. A recente campanha em andamento da SPVS (Sociedade de Pesquisa da Vida Selvagem e Educação Ambiental) dá um passo inédito nesse sentido. É uma iniciativa original e objetiva. O proprietário recebe uma quantia mensal para a manutenção da área e compromete-se a transformá-la em RPPN, uma unidade de conservação privada reconhecida pelo SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação.
A segunda alternativa aqui proposta é parecida com a primeira, mas como não poderia deixar de ser, depende do governo. Com menos de dois anos para a extinção total deste ecossistema, apenas uma medida imediata do governo pode salvar o maior número de áreas no menor tempo possível. Esta medida consistiria num novo instrumento jurídico, a "servidão ecológica". Seria uma espécie de contrato entre o governo e os proprietários. Existem figuras jurídicas similares em outros países. Resumidamente, a idéia baseia-se no pagamento pelo governo estadual aos proprietários das áreas conservadas de um valor para que estes mantenham suas áreas intactas, comprometendo-se a preservar permanentemente suas propriedades. Trata-se de uma espécie de adoção.
Até o momento não houve lei, decreto ou fiscalização que adiantasse. No meu entendimento, a única coisa que pode frear a derrubada do "mato", sendo pragmático e objetivo, é dinheiro. Através de estudo realizado pelo Ipardes**, calcula-se que 14 milhões de reais ao ano sejam suficientes para manter os 60.000 hectares restantes. Assim, de acordo com este estudo, um fazendeiro que possua 200 hectares de floresta em boas condições, receberia do governo 46.600 reais/ano para manter a floresta intacta.
A conservação destes 60.000 hectares não teria impacto negativo na economia do Paraná. Pelo contrário, seria uma forma de incentivar o ecoturismo e o desenvolvimento sustentável de pequenas propriedades. Aos críticos proponho que ao invés de desperdiçar energia contra meia dúzia de ambientalistas, abracem esta causa ou então sejam pró-ativos. Criem e proponham algum plano alternativo melhor, se é que realmente se preocupam com o patrimônio de todos os paranaenses.
O governo do Estado tem agora a última chance de passar para a história como o maior defensor do patrimônio público dos paranaenses. Um patrimônio tão importante quanto a Copel ou a Sanepar. Tão importante quanto Sete Quedas ou Vila Velha. Quanto valem os 60.000 hectares restantes desta floresta? Não têm preço. Governos anteriores gastaram muito mais em propaganda, por que não na preservação? Se podemos encampar pedágios e empresas públicas em prol do bem comum, por que não nossas florestas?
* Fonte: Conservação do Bioma Floresta com Araucária: Diagnóstico dos remanescentes florestais. Curitiba, 2001. Fundação de Florestas do Paraná.
** Estudo realizado pelo Ipardes para propriedades de 10 até 200 hectares.
Giem Guimarães é empresário e conselheiro da SPVS e membro da FIEP.
26/04/2005 | Notícias
O MMA e o IBAMA realizaram nas duas últimas semanas seis consultas públicas para criação de UCs na floresta com araucárias, nos seguintes municípios, Imbituva(PR), Ponta Grossa(PR), Tuneiras do Oeste(PR), Ponte Serrada(SC), Abelardo Luz(SC) e Palmas(PR).
As audiências tiveram grande participação popular com uma média de 500 pessoas por audiência e nenhuma delas foi apresentada qualquer contestação consistente sobre o mérito técnico e ambiental dos estudos realizados e sobre a importância de criar as Unidades de Conservação. Diversas foram as sugestões de ajustes e aprimoramento das propostas que serão analisadas pela equipe técnica responsável.
A RMA que acompanhou de perto todo o processo, reconhece o trabalho do MMA e do IBAMA que de forma inédita e exemplar prepararou os estudos e o material para informação da comunidade durante as consultas públicas. Pela primeira vez em que se tem notícia, as informações claras e detalhadas foram repassadas também de forma escrita o que facilitou a compreensão das propostas por parte da comunidade.
O fato lamentável foi a tentativa de tumulto provocado por autoridades locais, inclusive prefeitos da região e alguns deputados estaduais e federais de SC, nas consultas de Abelardo Luz, Ponte Serrada e Palmas. Estas mesmas autoridades espalharam um clima de terror na região, divulgando informações equivocadas e incorretas com relação à criação das UCs.
Na avaliação da presidente da Apremavi e também coordenadora geral da RMA, Miriam Prochnow, que participou da consulta em Ponte Serrada, o comportamento das autoridades presentes foi vergonhoso e prejudica a imagem da Santa Catarina. Estas autoridades deveriam ser as primeiras interessadas em possibilitar que a comunidade fosse devidamente informada, objetivo este da consulta. Não há dúvidas de que os responsáveis pelo tentativa de tumulto não estão preocupados com a qualidade de vida da população e muito menos com a conservação deste ecossistema da Mata Atlântica que se encontra à beira da extinção.
A Rede de ONGs da Mata Atlântica e as entidades filiadas apoiam o prosseguimento do processo de criação destas UCs e entende este ato como urgente e emergencial. Do mesmo modo se colocam à disposição para auxiliar na implementação de projetos ambientais na região.
19/04/2005 | Notícias
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) deu início ao processo de criação de unidades de conservação (UC) na área de ocorrência da Floresta com Araucária nos Estados do Paraná e Santa Catarina.
A criação dessas UCs é de fundamental importância para impedir a extinção de um dos ecossistemas mais antigos da Terra, cujos últimos remanescentes estão localizados no Sul do Brasil. No Paraná, não existem mais formações originais. Resta menos de 0,8% de floresta em estado avançado de regeneração. Em Santa Catarina o quadro é semelhante. As UCs propostas foram definidas a partir de levantamentos realizados pela Força-Tarefa das Araucárias e abrangem ambientes característicos desse ecossistema, assim distribuídos no Paraná:
- Parque Nacional dos Campos Gerais – nos municípios de Ponta Grossa, Castro e Carambeí, com 21.500 ha, com formações de campos e florestas;
- Reserva Biológica das Araucárias – com cerca de 14.300 ha de Floresta Ombrófila Mista, nos municípios de Imbituva, Teixeira Soares e Ipiranga;
- Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi, com cerca de 30.800 ha, nos municípios de Imbituva. Teixeira Soares, Ipiranga, Ponta Grossa e Palmeira, fazendo a conexão entre as duas UCs anteriores;
- Reserva Biológica das Perobas, com 10.000 ha, em Tuneiras do Oeste e Cianorte, protege remanescentes na área de transição entre a Floresta com Araucária e a Floresta Estacional Semidecidual;
- Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas, no município do mesmo nome, com 16.250 ha.
Em Santa Catarina estão propostas três UCs:
- Estação Ecológica da Mata Preta, em Abelardo Luz, com fragmentos importantes de floresta, com 9.000 ha;
- Parque Nacional das Araucárias, protegendo o maior e melhor remanescente dessa floresta, com cerca de 16.000 ha, em Ponte Serrada e Passos Maia;
- APA das Araucárias, na mesma região, com 425 mil ha.
Força Tarefa
A Força-Tarefa foi constituída em 2003, sob coordenação do MMA e do IBAMA, e formada por instituições públicas de pesquisa e por representantes da sociedade civil, com especialistas de formação multidisciplinar, para estudar as áreas remanescentes da Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária ) contidas nas portarias 507 e 508 do MMA, de 2002 (posteriormente reeditadas como 176 e 178).
Os trabalhos da Força-Tarefa foram desenvolvidos a partir de novembro de 2003, encerrando-se em março de 2005. Participaram 40 técnicos de 16 instituições, que percorreram mais de 41.000 quilômetros nos Estados do Paraná e Santa Catarina, em quatro etapas de campo, além de dois vôos.
Para os levantamentos de campo foram utilizados mapas e imagens de satélite recentes e de alta resolução e equipamentos de técnicas de geoprocessamento. Cada área remanescente foi avaliada a partir dos princípios da biologia da conservação, levando em conta a análise de fauna e flora, a ecologia da paisagem e a variabilidade genética das araucárias. Além disso foram condiderados aspectos geomorfológicos e hidrográficos, sócio-exconômicos, políticos e fundiários.
Locais e datas das consultas públicas
Município | Unidade de Conservação | Data | Hora | Local |
Imbituva (PR) | Reserva Biiológica Refúgio de Vida Silvestre | 18/04 | 17h30 | Auditório da Prefeitura Municipal de Imbituva Rua Pref. José Buhrer Jr, 462 |
Ponta Grossa (PR) | Parque Nacional Refúgio de Vida Silvestre | 19/04 | 19 hs | Grande Auditorio da Reitoria da Universidade Estadual de Ponta Grossa – Praça Santos Andrade |
Tuneiras do Oeste (PR) | Reserva Biológica das Perobas | 20/04 | 15 hs | Salão Paroquial Av. Rio de Janeiro |
Abelardo Luz (SC) | Estação Ecológica da Mata Preta APA das Araucárias | 26/04 | 15 hs | Clube Real de Abelardo Luz Rua Nossa Senhora das Graças s/nº |
Ponte Serrada (SC) | Parque Nacional das Araucárias APA das Araucárias | 26/04 | 15 hs | Câmara Municipal de Ponte Serrada |
PALMAS (PR) | Refúgio de Vida Silvestre | 27/04 | 19 hs | Salão Nobre do Centro Universitário Diocesano do Sudoeste do Paraná Rua Dr. Ribeiro Viana, 903 |
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19/04/2005 | Notícias
A maioria da população do Paraná e Santa Catarina (97% e 98% respectivamente) considera importante a criação de reservas ecológicas para a imediata proteção das Florestas com Araucárias. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pela MQI (Marketing Quality Information), empresa do Grupo IBOPE, a pedido de um consórcio de 7 organizações não governamentais, coordenado pela The Nature Conservancy, para implementar o PICUS Araucária (Programa Integrado de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade).
Os números do estudo são alarmantes, tanto quanto a situação de emergência que se encontra o símbolo do Paraná e todo o ecossistema da Floresta com Araucárias. A pesquisa revelou que 82% dos entrevistados do Paraná e 78% de Santa Catarina têm consciência de que as Florestas com Araucárias estão em extinção.
O estudo mostrou que a sociedade dos dois estados da região sul do Brasil não pretende ficar de braços cruzados. Do universo de entrevistados no Paraná, 81% estão dispostos a fazer algo para ajudar na conservação das Florestas. Entre os catarinenses, o sentimento é o mesmo e 77% estão propensos a ajudar a causa.
A pesquisa também apontou que parcela expressiva das populações paranaense (46%) e catarinense (51%) conhecem os benefícios ambientais gerados pela floresta com Araucárias como o equilíbrio do clima e a purificação do ar, a proteção das nascentes dos rios e da qualidade da água e a proteção de bichos e plantas.
Conservação de Florestas significa garantia de qualidade de vida. As florestas prestam, de forma gratuita, uma série de serviços ambientais às sociedades, entre eles a manutenção da qualidade do ar e da água. Se os ecossistemas florestais nativos não forem conservados, a sociedade pagará uma conta cada vez mais alta, para sanar os danos decorrentes da redução destes serviços, afirmou Fernando Veiga, coordenador de serviços ambientais da TNC.
A pesquisa ouviu 800 pessoas, 400 em cada estado, todas maiores de 16 anos, residentes em domicílios com telefone, entre os dias 7 a 14 de março de 2005. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 4,9 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra de cada estado.
Novas áreas de conservação
O trabalho para preservar o que restou da Floresta com Araucárias já está em andamento. Em novembro de 2003, uma Força Tarefa, sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e do IBAMA, formada por instituições públicas de pesquisa e por representantes da sociedade civil, com especialistas de formação multidisciplinar, percorreu 41 mil quilômetros dos dois estados. Em março deste ano, o diagnóstico da situação foi apresentado.
O resultado é preocupante e a situação de emergência absoluta. No Paraná, não existem mais formações originais. Restam menos de 0,8% de floresta em estágio avançado de regeneração. Em Santa Catarina, o quadro é semelhante.
Assim, com base no levantamento da Força Tarefa e com respaldo de um grupo de organizações não governamentais e pesquisadores, foi proposto ao Ministério do Meio Ambiente a criação de cinco unidades de conservação no Paraná e três em Santa Catarina. No Paraná, as novas UCs serão o Parque Nacional dos Campos Gerais (municípios de Ponta Grossa, Castro e Carambeí), Reserva Biológica das Araucárias (municípios de Imbituva, Teixeira Soares e Ipiranga), Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi (municípios de Imbituva, Teixeira Soares, Ipiranga, Ponta Grossa e Palmeira), Reserva Biológica das Perobas, (municípios de Tuneiras do Oeste e Cianorte) e Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas (município de Palmas).
Em Santa Catarina, estão propostas a criação das UCs da Estação Ecológica da Mata Preta (município de Abelardo Luz), Parque Nacional das Araucárias (município de Ponte Serrada e Passos Maia) e APA das Araucárias (mesma região).
A nossa intenção é evitar o que aconteceu em Candói. Em 2003, um vôo mostrou que havia uma grande área com fragmentos de araucárias. Um ano depois, tudo havia sido cortado. A criação das Unidades de Conservação é a única forma de preservar as Florestas com Araucária, afirmou Teresa Urban, integrante da Força-tarefa e presidente da ONG Rede Verde.
Outras organizações têm dedicado tempo na busca de soluções para reverter o atual quadro da Floresta com Araucárias. O PICUS Araucária, um exemplo bastante inovador e ambicioso, tem o objetivo de implementar um Programa Integrado de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade através de um modelo de planejamento de paisagem ancorado em áreas núcleo (unidades de conservação públicas e privadas) e entremeadas por atividades econômicas de uso sustentável dos recursos naturais. O objetivo é compor um mosaico de opções de uso da terra, de forma tal que permita a viabilidade ecológica e a sustentabilidade social e econômica da região.
As organizações que compõem o PICUS nesse momento são: Associação Paranaense de Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural RPPN-PR; Associação para Preservação do Vale do Itajaí APREMAVI; Instituto Agro-florestal – IAF; Instituto Guardiões da Natureza – ING; Mater Natura Instituto de Estudos Ambientais; Sociedade Brasileira de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental SPVS, e pela The Nature Conservancy do Brasil TNC. O programa será financiado pelo Funbio, Fundo para a Biodiversidade, e outros financiadores privados e públicos por um período estimado de 12 anos de atividades.
18/02/2005 | Notícias
Floresta com Araucárias um símbolo da Mata Atlântica a ser salvo da extinção, é a mais nova publicação da Apremavi. Com 82 páginas e autoria de João de Deus Medeiros, Marco Antônio Gonçalves, Miriam Prochnow e Wigold Berltodo Schäffer o livro conta a história destas florestas que já chegaram a cobrir mais de 40% do território catarinense e que atualmente estão reduzidas a menos de 3%.
Também chamada de Floresta Ombrófila Mista ou Mata de Pinhais, a Floresta com Araucárias, que faz parte do domínio da Mata Atlântica, recobria originalmente 40.807 km2 de Santa Catarina, constituindo, assim, sua principal tipologia florestal. É caracterizada pelo predomínio da Araucaria angustifolia, popularmente conhecida como pinheiro-brasileiro ou pinheiro-do-paraná, que chega a responder por mais de 40% dos indivíduos arbóreos existentes nesse ecossistema.
Pouco mais de um século de exploração econômica sem planejamento levaram essa rica e singular floresta a uma situação de visível decadência biológica. No território catarinense, assim como no Paraná e Rio Grande do Sul, os outros estados que acolhiam grandes extensões desse ecossistema, são evidentes os reflexos da excessiva e irracional exploração madeireira de suas principais espécies arbóreas. A fisionomia primitiva da Floresta com Araucária no Estado foi substituída, em sua maior parte, por pastagens e reflorestamentos homogêneos feito com espécies exóticas. Os raros remanescentes florestais nativos, que hoje perfazem entre 1 e 2% da área original em Santa Catarina, são de reduzidas dimensões, encontram-se isolados e com evidentes alterações estruturais.
Ações de proteção e recuperação da Floresta com Araucárias são extremante importantes e necessárias, sendo que o livro aponta para uma série delas.
O lançamento do livro aconteceu no dia 18 de fevereiro em Atalanta, no auditório do Parque Mata Atlântica, com a participação de mais de 100 pessoas, que tiveram o prazer de também acompanhar o lançamento do DVD "Barra Grande – a hidrelétrcia que não viu a floresta" e ouvir as palestras do Professor Dr. João de Deus Medeiros da UFSC e da Dra. Vânia Mara dos Santos, do Instituto Guardiões da Natureza do Paraná.
O livro pode ser adquirido junto ao escritório da Apremavi. Pedidos: info@apremavi.org.br
25/09/2004 | Notícias
O Ibama inaugurou no dia 23 de setembro sua nova sede em Curitiba, situada na rua Rua Brigadeiro Franco, nº 1.733, em frente à Universidade Federal do Paraná. Estavam presentes no cerimonial a Ministra Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima, o secretário de biodiversidade e florestas João Paulo Ribeiro Capobianco, o presidente do Ibama, Marcus Luiz Barroso Barros, o gerente executivo do Ibama do Paraná Marino Elígio Gonçalves dentre outras autoridades.
Na entrada do novo prédio do Ibama, esperando pela chegada da ministra, estavam vários estudantes e ambientalistas protestando a favor da criação das Unidades de Conservação nas áreas dos últimos remanescentes de araucárias. Os estudantes cobraram uma postura mais enérgica e imediata da ministra, que ao chegar, cumprimentou a todos e ouviu com paciência as lideranças do manifesto. Os manifestantes estavam com tarjas pretas no braço, simbolizando o luto pela destruição acelerada da ameaçada floresta ombrófila mista (Floresta com Araucárias), da qual restam apenas 0,8% da sua área original.
Após a solenidade de inauguração, iniciaram-se os trabalhos do GT araucária com a apresentação de forças tarefas realizadas no período de 05 a 09 de julho.
Esta apresentação foi feita pelos biólogos João de Deus Medeiros e Maurício Savi e a jornalista Teresa Urban, e mostrou imagens bem como dados a respeito dos últimos fragmentos florestais de araucária ainda existentes, bem como a velocidade absurda com que estes estão sendo desmatados. Propostas estão sendo estudadas e a FEEC e a RMA cobraram de forma explícita um posicionamento urgente por parte do Ministério do Meio Ambiente, para frear este processo e recuperar as áreas que já foram degradadas. Os presentes também puderam fazer uso da palavra, expondo suas impressões e opiniões, não só cobrando medidas urgentes de preservação das florestas de araucária, como também propondo ações para solucionar este grave problema.
Esperamos que o Ministério do Meio Ambiente tome atitudes tão coerentes quanto o discurso feito pela sua ministra nessa reunião do GT. Se as medidas práticas para a preservação desse ameaçado bioma continuarem sendo tomadas no atual ritmo, demasiados discursos forem proferidos e poucas ações realizadas, nenhuma araucária estará de pé. Poucos madeireiros irão se benificar a custos da biodivervisade, que é um patrimônio nacional e de todos.
Da mesma forma, acreditamos que o Ibama com "casa nova" no estado do Paraná, seja exemplo não só na luta pela preservação da floresta de araucária, como também controle o desmatamento de nativas tanto para o setor madeireiro, como para a fabricação de carvão, como mostrado na apresentação feita, e nas experiências vividas pela nossa instituição.
Sempre ouvimos desculpas por parte do Ibama que constantemente alegava falta de equipamento e pessoal qualificado para as falhas que ocorriam. Portanto, agora com uma sede ampla, computadores novos, GPS, notebooks e carros traçados, como afirmado pelo seu coordenador regional, esperamos que o Ibama também cumpra com suas obrigações, poupando-nos de episódios absurdos como o da Barragem de Barra Grande, episódio trágico do Ibama de Brasília.