Apremavi participa de atividades de educação ambiental na APAE de Curitibanos

Apremavi participa de atividades de educação ambiental na APAE de Curitibanos

Apremavi participa de atividades de educação ambiental na APAE de Curitibanos

Ao longo do segundo semestre de 2025, a Apremavi participou e conduziu atividades de educação ambiental desenvolvidas em conjunto com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Curitibanos (SC).

O que é o “meio ambiente”? Seriam as florestas? Um espaço dividido ao meio? Ou todo o planeta em que vivemos e as relações que nele se estabelecem? Essas e outras reflexões conduziram o trabalho de educação ambiental realizado na APAE de Curitibanos por meio do projeto “Amigos da Natureza”.

A APAE de Curitibanos atende cerca de 300 pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla, com idade até 71 anos, provenientes dos municípios de Curitibanos, Ponte Alta do Norte, São Cristóvão do Sul, Brunópolis e Frei Rogério. As atividades do projeto são desenvolvidas por estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio de exposições lúdicas e dinâmicas práticas, que visam promover o envolvimento e o engajamento dos educandos.

O projeto tem como um de seus principais objetivos promover a inclusão social da pessoa com deficiência a partir da construção da consciência ecológica. Para isso, as ações são planejadas de forma acessível e interativa, abordando temas fundamentais, como a fauna e a flora locais, o espaço que ocupamos no planeta, os seres vivos que nos rodeiam e o papel que desempenham nos ecossistemas e na vida humana. Também são abordadas as diferenças entre animais e plantas, a importância dos microrganismos, a preservação do solo, o respeito aos animais e o cuidado com espécies ameaçadas.

Ao longo do segundo semestre de 2025, foram realizadas cinco atividades temáticas. A primeira abordou “O que faz o lixo desaparecer”, discutindo, de maneira leve e lúdica, os processos de degradação dos resíduos, incluindo fatores bióticos e abióticos. No segundo encontro, ainda com foco nos resíduos, os educandos aprenderam sobre a destinação correta do lixo, de acordo com o padrão nacional de cores, e exploraram o artesanato como alternativa para o reaproveitamento de materiais recicláveis.

O terceiro encontro teve como tema o solo e a fauna do solo, culminando na construção de minhocários para a prática da compostagem. Já o quarto e o quinto encontro tiveram como foco a fauna e a flora, com ênfase especial nos animais e plantas nativos da região. Nessa oportunidade, o trabalho da Apremavi foi apresentado por Marcelo Irmão, estagiário da instituição e estudante de engenharia florestal da Universidade Federal de Santa Catarina. Nesses momentos, os educandos aprenderam novos nomes e características das espécies, de forma dinâmica e divertida, por meio dos jogos Bingo dos Bichos e Quem Sou Eu.

“É apaixonante poder trabalhar temas importantes com um público tão engajado. Os olhos brilham quando a gente fala. Eles se interessam apaixonadamente pelos assuntos, se engajam como ninguém e riem constantemente. Eles gostam de construir coisas com as mãos e, por isso, nos esforçamos para que as atividades sejam também práticas. É impressionante o quanto eles sabem de tanta coisa. Sinto que há uma consciência ecológica latente, e o projeto oportuniza a germinação dessa consciência”, relata Marcelo Irmão, sobre a experiência.

Autor: Marcelo Irmão
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Marcelo Irmão

Assentamento Pátria Livre recebe Oficina de Fonte Caxambu

Assentamento Pátria Livre recebe Oficina de Fonte Caxambu

Assentamento Pátria Livre recebe Oficina de Fonte Caxambu

No meio rural, a água destinada ao consumo humano e animal é frequentemente obtida diretamente de nascentes. Apesar de essenciais, essas fontes naturais podem sofrer contaminações ou acumular impurezas, representando riscos à saúde das famílias agricultoras. Para enfrentar esse desafio, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) desenvolveu o modelo de proteção de nascentes conhecido como fonte caxambu, uma tecnologia simples, eficiente e de baixo custo.

Segundo Cleomar Bressiani, Agente de Extensão Rural da Epagri, a solução traz benefícios diretos para a segurança hídrica das propriedades: “Essa tecnologia ambiental e social de baixo custo desenvolvida pela Epagri é capaz de melhorar a qualidade da água, mantendo padrões adequados de potabilidade e reforçando a segurança e a confiança nas águas de nascentes. Ela melhora consideravelmente as condições ambientais das fontes, além de influenciar positivamente a disponibilidade e a qualidade da água nas propriedades rurais”, destaca.

Oficina no Assentamento Pátria Livre fortalece práticas de conservação

No dia 26 de novembro de 2025, os Programas Klabin Transforma Matas Legais e Matas Sociais, parceria entre a Apremavi e a Klabin, promoveram uma oficina prática de construção da fonte caxambu no Assentamento Pátria Livre, na propriedade de Cidnéia Aparecida Siqueira. A atividade contou com apoio da Epagri dos municípios de Correia Pinto e Ponte Alta e reuniu agricultores interessados em aprimorar o manejo e a proteção de suas nascentes.

A programação começou com a extensionista da Epagri, Andressa dos Santos Fernandes, que apresentou a importância da proteção de nascentes e os princípios que orientam a construção da fonte caxambu. Em seguida, os participantes conheceram os materiais necessários para a execução da técnica.

Após a parte introdutória, o grupo seguiu até a nascente da propriedade para iniciar a etapa prática. Sob a orientação do extensionista Cleomar Bressiani, os agricultores acompanharam passo a passo a construção da estrutura, aprendendo sobre escavação, vedação, proteção e direcionamento da água de forma segura.

Para Andressa, a atividade reforçou o papel essencial da assistência técnica na preservação dos recursos naturais: “Foi muito gratificante fazer parte. É raro encontrarmos hoje em dia pessoas que realmente estejam interessadas em preservar a água e o meio ambiente, e quando encontramos essas oportunidades conseguimos mostrar nosso amor e trabalho pelo serviço que prestamos. Sem dúvidas, oferecer água de qualidade e proteger esse recurso é uma conquista não só da dona Cidnéia, mas nossa também.”

Assentamento Pátria Livre recebe Oficina de Fonte Caxambu em novembro de 2025

Oficina de fonte caxambu ocorrida no Assentamento Pátria Livre no dia 26 de novembro. Fotos Luciano Comunello e Daiana Tânia Barth.

Autores: Andressa Mendes dos Santos Fernandes, Cleomar Bressiani e Luciano F. Comunello
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Equipe da Klabin
Foto de capa: Luciano Comunello

5º Encontro das Unidades Regionais do PACTO promove integração e aprendizados na restauração da Mata Atlântica

5º Encontro das Unidades Regionais do PACTO promove integração e aprendizados na restauração da Mata Atlântica

5º Encontro das Unidades Regionais do PACTO promove integração e aprendizados na restauração da Mata Atlântica

O 5° Encontro das Unidades Regionais (URs) do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica foi realizado entre os dias 1º e 5 de dezembro, em Socorro (SP), reunindo mais de 25 participantes que representaram 20 das 22 organizações que compõem a rede. 

O evento foi sediado pela Associação Ambientalista Copaíba, que recebeu as URs para uma semana de imersão, troca de experiências e visitas técnicas em diferentes áreas restauradas.

Além da Apremavi, entre as organizações participantes estiveram o Instituto Çarakura, Associação Ambientalista Copaíba, Mater Natura, ECO OCELOT, Instituto Socioambiental de Viçosa, Organização de Conservação da Terra , Instituto Terra, Instituto Ciclos de Sustentabilidade e Cidadania , Collard Consultoria Ambiental, Iracambi Centro de Pesquisas, MV Gestão Integrada, Iniciativa Verde, Grupo Ambiental Natureza Bela, Associação Mico-Leão-Dourado, Reserva Ecológica de Guapiaçu , Da Serra Reflorestamento, Courageous Land, The Nature Conservancy e Instituto Bem Ambiental.

Uma programação intensa e colaborativa

O encontro contou com atividades de integração, rodas de conversa, café mundial, visitas a viveiros e áreas restauradas, caminhadas, oficinas e momentos de planejamento coletivo. As discussões incluíram temas como responsabilidades das URs, cadastramento de áreas na Plataforma Geoespacial do Pacto, aprendizados sobre técnicas e desafios de campo e diretrizes para fortalecer a atuação conjunta em 2025.

No último dia, as URs compartilharam aprendizados das visitas e definiram compromissos para o próximo ciclo de trabalho. O encerramento enfatizou a importância do engajamento permanente e da colaboração entre os territórios para ampliar o impacto da restauração ecológica na Mata Atlântica.

Os participantes retornaram às suas regiões levando novos conhecimentos, conexões fortalecidas e a certeza de que restaurar a Mata Atlântica é um trabalho coletivo, enraizado em cooperação, ciência, diálogo e ação contínua.

5º Encontro das Unidades Regionais do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica em Socorro (SP)

Registro do 5° Encontro das Unidades Regionais (URs) do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica entre os dias 1º e 5 de dezembro, em Socorro (SP). Fotos: Luisa Toller.

Vivências que conectam práticas e territórios

Durante a semana, os integrantes das URs participaram de atividades no viveiro e no meliponário da Copaíba e realizaram um plantio simbólico. As visitas de campo, tanto em áreas restauradas da Copaíba quanto em iniciativas referência, como a Da Serra Reflorestamento e o Projeto Conservador das Águas, em Extrema (MG), proporcionaram diálogos diretos com proprietários, técnicos e jovens protagonistas da restauração.

Para Edilaine Dick, coordenadora de projetos e representante da Apremavi no Pacto, a riqueza do encontro esteve justamente na potência da troca entre as instituições: “O que mais chamou a atenção de toda a programação foi a integração das URs, a capacidade técnica das instituições que atuam diretamente na restauração, que colocam a mão na massa. A troca de experiências, tanto nas rodas de conversa quanto nas visitas, foi muito válida. Volto com sugestões do que precisamos melhorar, resolver, potencializar. São processos que outros já acertaram ou erraram e nós também estamos acertando e errando. Isso é unir forças. Ver o que o outro está fazendo, entender os processos, trocar experiências sobre o certo e o errado.”

Segundo ela, esse intercâmbio encurta caminhos e acelera processos: “Com as experiências das outras URs, encurtamos muito o caminho do que outras pessoas já testaram. Claro que nem tudo vale para todas as regiões, mas muitos processos se assemelham. Essa é uma das grandes importâncias do encontro. E também o papel do Pacto em auxiliar políticas públicas, pesquisa, monitoramento e tantos outros temas em que as URs contribuem por meio dos Grupos de Trabalho e forças-tarefa.”

Edilaine destacou ainda o protagonismo jovem observado durante o encontro, especialmente nas visitas técnicas: “Uma das coisas que me impressionou foi ver o protagonismo de pessoas jovens fazendo restauração e investindo nisso como um negócio. No Da Serra, por exemplo, o Pedro buscou referências na Apremavi antes de adquirir a máquina de embalagem de papel. Ele veio entender se era viável investir em um equipamento desse porte, é inspirador ver essa geração construindo a restauração como futuro.”

 

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Luisa Toller

20 anos de sucesso no cultivo de uma parceria entre sociedade civil e setor privado

20 anos de sucesso no cultivo de uma parceria entre sociedade civil e setor privado

20 anos de sucesso no cultivo de uma parceria entre sociedade civil e setor privado

Em 2025, dois programas que transformam a realidade socioambiental de centenas de famílias agricultoras e milhares de hectares na Mata Atlântica chegam a marcos importantes de sua trajetória: o Programa Klabin Transforma Matas Legais, com 20 anos de atuação, e o Programa Klabin Transforma Matas Sociais, que completa 10 anos. Lançados originalmente como Matas Legais (2005) e Matas Sociais (2015).

Desenvolvidos a partir da parceria entre a Apremavi, organização do terceiro setor reconhecida pela excelência no desenvolvimento de projetos de conservação e restauração da Mata Atlântica, e a Klabin, maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil, líder em embalagens de papelão ondulado e referência em celulose de mercado de fibra curta, longa e fluff, os programas se consolidaram como exemplos de que é possível unir conservação da natureza, cumprimento da legislação ambiental e desenvolvimento sustentável nas propriedades rurais.

Miriam Prochnow, coordenadora de políticas públicas da Apremavi, relata a importância das parcerias entre sociedade civil e setor privado. “As parcerias são um passo além do simples apoio a projetos. São oportunidades de crescimento mútuo, com avaliações sobre as atividades que cada instituição pretende desenvolver e o que é possível fazer para potencializar essas ações. Entendo que tudo o que conseguimos implementar nesses anos não só pode, como deve inspirar experiências parecidas em outros territórios, por outras instituições”, avalia Miriam.

Lançado em 2005, o Matas Legais nasceu da necessidade de apoiar produtores rurais vinculados ao Programa Plante com a Klabin, de parceria florestal, no cumprimento da legislação ambiental. Mais do que um ajuste legal, o projeto carrega em seu nome o duplo sentido: legais por cumprirem a lei e por proporcionarem qualidade de vida.

O programa atua em propriedades rurais do Paraná e de Santa Catarina, oferecendo diagnóstico ambiental, projetos técnicos, doação de mudas nativas produzidas no Viveiro Jardim das Florestas da Apremavi, orientação para plantio, monitoramento e apoio ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) e ao Programa de Regularização Ambiental (PRA).

Além da restauração, o Matas Legais promove educação ambiental em escolas e atividades que incentivam a permanência de jovens no campo, disseminando boas práticas de sustentabilidade e despertando novas gerações para a conservação.

O agricultor Irineu Wiggers Warmling, de Santa Catarina, resume sua experiência:

“Aceitei a proposta de plantar mata nativa em três hectares da fazenda. Hoje não tenho nenhuma nascente desprotegida. Onde havia apenas um banhadinho, agora corre água limpa. A natureza retribui quando a gente dá o primeiro passo.”

Em 2015, surgiu o Matas Sociais, ampliando a atuação da parceria para além da adequação ambiental e das ações relacionadas às questões legais. Voltado especialmente à agricultura familiar, o programa é realizado também em Santa Catarina e no Paraná com foco no planejamento da produção, apoio à comercialização de alimentos e geração de renda sustentável.

Um legado de transformação

Somados, os dois programas já atenderam cerca de 2.500 propriedades e promoveram a doação de mais de 2,3 milhões de mudas nativas da Mata Atlântica, resultando em 2.700 hectares restaurados entre plantios e condução da regeneração natural.

Para Mireli Moura Pitz, coordenadora de Responsabilidade Ambiental e Social da Klabin e que acompanha o projeto desde o início, o maior legado está na mudança de mentalidade. “Vemos produtores pensando em geleias com frutos da Mata Atlântica, em sistemas agroflorestais, em novas formas de renda sustentável. A cada ano surgem ideias inovadoras que mostram como é possível conciliar produção e conservação”, explica. 

Já Leandro Casanova, que acompanhou a criação do Matas Legais em 2005 pela Apremavi, destaca a transformação cultural: “Em 20 anos, evoluiu muito a conscientização ambiental dos agricultores. Hoje há mais interesse em preservar nascentes, conservar matas ciliares e pensar na biodiversidade. Esse é um ganho coletivo para toda a sociedade.”

Assinatura da parceria entre a Apremavi e a Klabin em 2005 Foto Arquivo Apremavi

Assinatura da parceria entre a Apremavi e a Klabin em 2005. Foto: Arquivo Apremavi

Olhando para o futuro

Ao completar 20 anos do Matas Legais e 10 anos do Matas Sociais, a Apremavi e a Klabin celebram conquistas que vão além dos números: a formação de uma rede de produtores mais conscientes, paisagens rurais mais sustentáveis e comunidades mais preparadas para enfrentar os desafios da sustentabilidade.

“Mais do que hectares restaurados ou mudas plantadas, esses programas representam um movimento de transformação social e ambiental nas propriedades rurais. Um exemplo concreto de que parcerias entre empresas, organizações da sociedade civil e agricultores podem gerar impacto positivo duradouro”, comenta Maurício Reis, coordenador de projetos da Apremavi.

Área restaurada pelo Matas Legais no Alto Vale do Itajaí (SC)

Área restaurada pelo Matas Legais no Alto Vale do Itajaí (SC). Foto: Arquivo Klabin

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Equipe Klabin
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Apremavi promove integração e capacitação com equipes envolvidas na restauração ecológica

Apremavi promove integração e capacitação com equipes envolvidas na restauração ecológica

Apremavi promove integração e capacitação com equipes envolvidas na restauração ecológica

 

A Apremavi realizou, nos últimos meses, a integração entre a sua equipe técnica e os colaboradores que prestam serviços nas ações de restauração ecológica desenvolvidas em suas áreas de atuação. 

Durante os encontros, foram apresentados o Código de Conduta da Tetra Pak e o Código de Ética da Apremavi, reforçando valores, princípios e diretrizes que orientam a atuação conjunta entre a instituição e seus parceiros. Além disso, a programação incluiu um treinamento prático em campo, com foco na restauração ecológica, abordando o plantio de mudas, as expectativas em relação à execução das atividades, a forma correta de realizar o plantio, bem como os cuidados necessários para a manutenção das áreas restauradas.

As integrações ocorreram ao longo dos meses de outubro e novembro, envolvendo os prestadores de serviço do projeto Conservador das Araucárias, os novos colaboradores da Apremavi contratados em 2025 e os terceirizados do projeto +Floresta, que atuam no Oeste Catarinense. Ao todo, participaram aproximadamente 32 pessoas.

Segundo Edilaine Dick, coordenadora de projetos da Apremavi, a iniciativa é fundamental para garantir a qualidade das ações de restauração e o bom relacionamento entre todos os envolvidos: “Essa integração foi importante para que todos os prestadores de serviço estejam alinhados, tenham clareza e compreendam as regras e os procedimentos que devem ser seguidos para uma boa convivência e integração no ambiente de trabalho”.

Com ações como essa, a Apremavi reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a excelência técnica, fortalecendo e fornecendo as bases para o sucesso das iniciativas de restauração ecológica desenvolvidas em parceria com diferentes projetos e colaboradores.

Registro da integração com os prestadores de serviços do Conservador das Araucárias na Fazenda Taquara entre outubro e novembro de 2025

Registro da integração com os prestadores de serviços do Conservador das Araucárias na Fazenda Taquara. Foto: Arquivo Apremavi

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Edilaine Dick
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Jovens alemães cruzam o Atlântico para aprender sobre restauração com a Apremavi

Jovens alemães cruzam o Atlântico para aprender sobre restauração com a Apremavi

Jovens alemães cruzam o Atlântico para aprender sobre restauração com a Apremavi

A história da Apremavi é marcada por pessoas que chegam, aprendem, contribuem e levam consigo um novo olhar sobre a natureza. Desde sua fundação a instituição promove a união das pessoas através de causas, ativismo, ciência, educação e ações concretas para a  conservação e restauração da Mata Atlântica. Com mais de 40 profissionais atuando em projetos em Santa Catarina e no Paraná. 

O  Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, em Atalanta (SC), é mais que a sede da instituição; ao longo dos anos  tornou-se referência para quem busca aprender na prática como conservar e restaurar ecossistemas.

Entre as milhares de pessoas que já estiveram no “Jardim das Florestas” para  cursos, visitas, estágios e atividades de campo, dois jovens alemães, Jakob Fritz Westerhoff e Simon de Matteis, viveram recentemente uma experiência que marcou suas trajetórias. A presença deles se soma a outras centenas de estagiários e voluntários que querem aprender e co-liderar movimentos em defesa do meio ambiente e da vida.

Um estágio que atravessa gerações

A conexão que trouxe os jovens para Atalanta começou muito antes deles nascerem. Parte da família de Jakob mora na região do Alto Vale (SC), e seu pai esteve na cidade há 30 anos. A ideia de estagiar na Apremavi surgiu a partir dessa lembrança e do interesse em revisitar a história da família: “Meu pai veio aqui há 30 anos, visitou a família e trabalhou em Atalanta. Ele sempre falou muito sobre o Brasil. Eu ouvi também sobre a Apremavi e como ela era naquela época, muito menor do que é hoje. Então decidimos vir e conhecer esse crescimento”, contou.

Simon, que veio ao Brasil pela primeira vez, aceitou o convite do amigo após terminar a escola. “O Jakob me contou sobre a família dele aqui e sobre como a Apremavi tinha mudado. Me pareceu uma oportunidade única.”

Aprendizados no Viveiro e a descoberta de uma nova biodiversidade

Para os dois, a vivência no viveiro da Apremavi proporcionou muitos aprendizados durante o estágio. Acostumados às espécies e paisagens da Europa, trabalhar com árvores nativas da Mata Atlântica foi, ao mesmo tempo, fascinante e desafiador. “Nós trabalhamos com plantas que nunca vimos antes na Alemanha. Foi muito interessante”, destacou Jakob.

Grande parte das atividades do estágio envolveu o cuidado com as mudas, limpeza dos canteiros e observação de espécies desconhecidas por eles. Tiveram a oportunidade de visitar novas áreas em restauração, como a Fazenda Painel e a Fazenda Taquara, na Serra Catarinense. Uma experiência que ampliou ainda mais o entendimento deles sobre a região.

Ao serem questionados sobre como foi conhecer a Mata Atlântica, os jovens contam que a biodiversidade impressiona, especialmente para quem vem de um país com a biodiversidade menos diversa: “É muito interessante porque muitas florestas e animais não existem na Alemanha. Também é um pouco assustador quando você sabe que pode haver aranhas ou cobras”, disse Simon, rindo ao lembrar das primeiras visitas.

Jovens alemães cruzam o Atlântico para aprender sobre restauração com a Apremavi

Registros da entrevista realizada com Jakob Fritz Westerhoff e Simon de Matteis no Viveiro Jardim das Florestas e na Trilha da Restauração, em Atalanta. Fotos: Thamara Santos de Almeida.

O crescimento da Apremavi visto pelos olhos de fora

Um dos pontos que mais surpreendeu os estagiários foi perceber o quanto a Apremavi evoluiu ao longo das últimas décadas, um crescimento relatado por seus pais, que visitaram a região muitos anos antes: “É impressionante ver como a Apremavi cresceu. Meu pai contou como era há 30 anos, e ver o que existe hoje… é muito interessante perceber esse progresso”, afirmou Jakob.

De fato, nas últimas décadas, a Apremavi expandiu suas áreas de atuação, fortaleceu parcerias nacionais e internacionais, ampliou sua capacidade técnica e consolidou programas de restauração que já ajudaram a plantar mais de 10,5 milhões de árvores nativas. O Programa de Estágios também se diversificou, recebendo estudantes e técnicos do Brasil e de diferentes países, interessados em aprender sobre conservação, políticas públicas e manejo ambiental.

Antes de retornarem à Alemanha, os jovens fizeram questão de agradecer à organização. “Obrigado à Apremavi pela oportunidade de fazer um internamento aqui no Brasil. Foi um momento muito legal”, disse Jakob. “Eu também estou muito grato, foi uma experiência muito especial”, completou Simon.

A história dos dois jovens se soma a tantas outras que passam pela Apremavi. Ela reafirma que, além de plantar árvores, a organização também planta conhecimento, inspira futuros profissionais e conecta vidas, algumas vindas de muito longe, à Mata Atlântica. E reforça, que a Apremavi cresceu, mas continua sendo o que sempre foi: um espaço que transforma quem passa por ele.

Assista a entrevista no YouTube:

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

Apremavi marca presença no I Encontro de Biólogos de Santa Catarina

Apremavi marca presença no I Encontro de Biólogos de Santa Catarina

Apremavi marca presença no I Encontro de Biólogos de Santa Catarina

A valorização da profissão de Biólogo ganhou um novo capítulo em Santa Catarina com a realização do I Encontro de Biólogos de Santa Catarina (EBioSC 2025), promovido pelo Conselho Regional de Biologia da 9ª Região (CRBio-09)

O evento, realizado em 22 de novembro de 2025, em Florianópolis, reuniu profissionais das Ciências Biológicas, estudantes, empresas, instituições de ensino e organizações socioambientais em um espaço dedicado ao fortalecimento da profissão e ao debate de temas de grande relevância para o Estado.

Criado em 2021 a partir do desmembramento do CRBio-03, o CRBio-09 vem, desde 2022, atuando no acompanhamento de ações estratégicas relacionadas às Ciências Biológicas, posicionando-se como referência estadual na orientação, fiscalização e valorização profissional. O EBioSC 2025 nasce como a primeira grande iniciativa do Conselho, inspirado em fóruns bem-sucedidos do Sistema CFBio/CRBios e com a missão de construir um espaço permanente de diálogo e de desenvolvimento técnico-científico.

A Apremavi esteve representada no evento por Carolina Schäffer, vice-presidente e coordenadora da organização. Convidada como palestrante, Carolina apresentou a palestra intitulada “A atuação do Biólogo no Meio Ambiente e Biodiversidade”, compartilhando sua trajetória profissional, marcada pela dedicação à conservação e restauração ecológica da Mata Atlântica, comunicação e ao fortalecimento de políticas públicas.

Ser bióloga é atuar de forma multidisciplinar. A conservação e restauração ecológica exigem não só pesquisa e olhar integrado da paisagem para a implementação prática, mas também comunicação, articulação com comunidades e participação em políticas públicas, dessa forma, a nossa atuação ganha força e gera mais impacto”, comenta Carolina.

I Encontro de Biólogos de Santa Catarina (EBioSC 2025) em Florianópolis no dia 22 de novembro

Registros do I Encontro de Biólogos de Santa Catarina (EBioSC 2025) em Florianópolis no dia 22 de novembro. Fotos Marcia Stefani

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Marcia Stefani

Balanço da COP30: entre avanços simbólicos e lacunas decisivas

Balanço da COP30: entre avanços simbólicos e lacunas decisivas

Balanço da COP30: entre avanços simbólicos e lacunas decisivas

A COP30 terminou sob críticas, principalmente da sociedade civil internacional. Sediada em Belém, no coração da Amazônia, a Conferência foi marcada por sinais importantes de inclusão e diálogo, mas não entregou respostas compatíveis com a urgência da emergência climática.

O texto final não mencionou a eliminação dos combustíveis fósseis nem do desmatamento, as duas maiores fontes de emissões globais. Tampouco esclareceu como os países financiarão, em escala adequada, a mitigação e adaptação necessárias para limitar o aquecimento a 1,5°C. Também não houve acordo para reduzir a distância entre as promessas nacionais e o que a ciência indica como indispensável para evitar o colapso climático. 

Contudo, é importante ressaltar que essa foi a segunda maior COP da história em público, atrás apenas da conferência realizada em Dubai, com 56 mil inscritos.

Segundo Miriam Prochnow, cofundadora e diretora da Apremavi presente no evento, o resultado final das negociações “não entregou o que deveria diante da urgência das ações que precisamos tomar”, em grande parte devido ao lobby atuante da indústria de combustíveis fósseis. Apesar disso, ela destaca que essa foi uma das COPs com maior participação social, algo visível nas ruas e nos espaços oficiais de Belém.

“Esse é um caminho que nós precisamos seguir como estratégico, que é de fato o envolvimento das pessoas, tanto nas casas que estavam espalhadas na cidade de Belém quanto na Zona Verde da COP; os corredores sempre estavam cheios de pessoas que realmente atenderam o chamado das questões climáticas”, relata Miriam.

Ela também ressaltou a atuação da Apremavi, que esteve em diversos painéis e mesas na Zona Azul, na Zona Verde e nas casas temáticas, abordando temas como restauração ecológica, mitigação climática, Código Florestal e gênero junto ao Observatório do Clima, ao Observatório do Código Florestal e à Rede de ONGs da Mata Atlântica. Miriam destacou, ainda, a celebração dos 20 anos do Fundo CASA como um exemplo de iniciativa bem-sucedida no financiamento climático.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reconheceu que houve avanços, mas também afirmou que ainda ficam aquém da urgência. Ela destacou que, se comparado aos sonhos e às ambições da Rio-92, o mundo de hoje mostra um atraso profundo nas respostas globais. Segundo a ministra, temas centrais, como os roteiros sobre desmatamento zero e a transição para longe dos fósseis, não foram considerados nas decisões finais por falta de consenso, mas serão desenvolvidos pela presidência brasileira.

Lacunas que permaneceram:
  • Mapa do Caminho fora do texto oficial:
    A proposta do Brasil e da Colômbia para organizar a transição energética e acabar com o desmatamento ficou de fora após resistência de países produtores de petróleo.

  • Financiamento climático insuficiente:
    Os países concordaram apenas em “fazer esforços” para triplicar o financiamento de adaptação até 2035, sem definir valores, fontes ou responsabilidades

  • Meta Global de Adaptação (GGA) enfraquecida:
    A lista de indicadores caiu de cerca de 100 para pouco mais de 60, reduzindo a força e a capacidade de monitorar avanços na adaptação, prioridade para países em desenvolvimento.

  • Mitigação sem avanços estruturais:
    O texto final repete a ambição da COP29 e não menciona combustíveis fósseis. Não houve sinalização concreta de que o mundo está preparado para reduzir as emissões no ritmo e na escala necessários.

Avanços relevantes, embora limitados:
  • Compromisso político brasileiro com novos roadmaps:
    O embaixador André Corrêa do Lago anunciou a criação de dois roteiros nacionais, um para deter e reverter o desmatamento e outro para promover a transição energética justa e equitativa.

  • Inclusão histórica de povos indígenas e comunidades tradicionais:
    A realização da COP na Amazônia impulsionou a participação direta de povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes nas negociações e nas agendas de transição justa.

  • Lançamento do Tropical Forests Forever Facility (TFFF):
    Um novo mecanismo para valorizar países que mantêm florestas tropicais em pé, reconhecendo seu papel estratégico no clima global. O fundo foi proposto pelo governo brasileiro e arrecadou, durante a COP, cerca de R$ 5,5 bilhões, dos quais 20% serão destinados diretamente aos povos indígenas.

  • Sinalização de aumento no financiamento para adaptação:
    A promessa de triplicar o financiamento até 2035 entrou no texto do Mutirão Global, ainda que sem detalhes de implementação.

  • Direitos indígenas como estratégia climática:
    Pela primeira vez, o pacote final reconhece explicitamente o papel dos povos indígenas na proteção das florestas e na adaptação climática.

  • Plano de Ação de Gênero de Belém aprovado:
    O documento fortalece a participação de mulheres e meninas nos processos decisórios climáticos, um avanço simbólico e prático para a justiça climática.

Declaração de Belém e pressões paralelas

Sem espaço no texto oficial, uma iniciativa liderada pela Colômbia, a Declaração de Belém para o Fim dos Combustíveis Fósseis, ganhou força durante a COP30, reunindo 25 países comprometidos com uma transição justa, ordenada e compatível com 1,5°C. O Brasil não assinou, pois buscou inserir o tema nas decisões formais.

A coalizão também anunciou a primeira Conferência para o Fim dos Fósseis, marcada para abril de 2026, na Colômbia.

Cientistas, que tiveram pavilhão próprio pela primeira vez, reforçaram que não há cenário seguro sem o fim dos fósseis até 2040–2045. Sem metas claras para fósseis e desmatamento, e com financiamento ainda indefinido, o mundo permanece distante do caminho necessário para limitar o aquecimento global.

Marcha Mundial dos Povos Indígenas pelas ruas de Belém, evento paralelo à COP30

Marcha Mundial dos Povos Indígenas, manifestação contra o desaparecimento de defensores do meio ambiente, Marcha pelo Clima e atividades em que a Apremavi participou junto a Rede de ONGs da Mata Atlântica e ao Observatório do Código Florestal. Fotos: Jamile Laquini, Observatório do Código Florestal e Alberto César Araújo e Juliana Pesqueira/Amazônia Real.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Fotografia oficial da Cúpula do Clima (COP30). Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

Programa Geração +Floresta envolve 120 estudantes em 2025

Programa Geração +Floresta envolve 120 estudantes em 2025

Programa Geração +Floresta envolve 120 estudantes em 2025

Entre abril e novembro, cerca de 120 estudantes do 5º ano do ensino fundamental e 2º ano do ensino médio e técnico de Abelardo Luz (SC) participaram do Programa de Educação Ambiental Geração +Floresta, iniciativa do Projeto +Floresta

As atividades buscam  fortalecer o vínculo dos jovens com a biodiversidade local e promover o entendimento sobre o planejamento de propriedades e paisagens. Criado em 2023, o programa oferece capacitações anuais para alunos das instituições que atendem moradores do território do projeto: EIEF Cacique Karenh, EBM 25 de Maio, EBM José Maria, EEM Semente da Conquista, EEM Paulo Freire e IFC Campus Abelardo Luz.

As formações são desenvolvidas com temáticas específicas, promovendo o desenvolvimento contínuo ao longo do ano letivo.  Enquanto os estudantes do 5º ano participam de momentos de aprendizagem sobre a biodiversidade, com as turmas do ensino médio são realizados momentos formativos sobre o planejamento de propriedades e paisagens, com foco em ferramentas digitais, uso do solo e biodiversidade local. Essa estrutura é alinhada com o planejamento didático das etapas escolares e, ao mesmo passo, com os interesses dos estudantes.

Encerramento com observação da avifauna no Parque Nacional das Araucárias

A última atividade do ano das turmas do 5º ano da EIEF Cacique Karenh e da EBM José Maria ganhou uma atividade especial. Em parceria com o Núcleo de Gestão Integrada (NGI) de Palmas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a equipe responsável pela gestão das Unidades de Conservação Federais da região (Parque Nacional das Araucárias, Estação Ecológica da Mata Preta e Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas) visitou as escolas para apresentar o trabalho realizado pelo órgão e conduzir uma prática de observação de aves com os alunos.

Para Alini Guinzelli Bortolaz, agente temporária ambiental do ICMBio e guia de trilhas no Parque Nacional das Araucárias, a atividade representou muito mais do que um momento de lazer: ao registrar e identificar espécies, os observadores contribuem com dados valiosos para o monitoramento da fauna e para o conhecimento sobre os ecossistemas. Essa prática desperta o interesse pela natureza, promove a educação ambiental e fortalece o sentimento de responsabilidade pela conservação das áreas naturais. Cada observador se torna um aliado na proteção da biodiversidade e na manutenção do equilíbrio ambiental.”

Segundo Marluci Pozzan, coordenadora técnica do Projeto +Floresta, a vivência foi fundamental para consolidar os estudos desenvolvidos ao longo do ano: “a observação de aves foi essencial para aprofundar os temas trabalhados no programa. Os estudantes puderam perceber a importância da conservação e da restauração ecológica em suas comunidades, ações que garantem serviços ecossistêmicos, como o abrigo para a fauna silvestre. Além disso, tiveram contato direto com o trabalho que o ICMBio realiza na região por meio das Unidades de Conservação.”

Atividade de observação de aves realizada pelo Geração +Floresta em parceria com o ICMBio

Atividade de observação de aves realizada pelo Geração +Floresta em parceria com o ICMBio e algumas das espécies registradas. Fotos: Marluci Pozzan e Alini Guinzelli Bortolaz.

Projeto +Floresta

Visa contribuir com a restauração da vegetação nativa na Floresta Ombrófila Mista, no Oeste de Santa Catarina, com o incremento de espécies vegetais ameaçadas de extinção como a araucária, a imbuia e o xaxim, ambas com histórico de intensa exploração no estado.

É financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

> Conheça o projeto

 

Autora: Marluci Pozzan
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Marluci Pozzan

Carta da Mata Atlântica é lançada durante abertura da Casa da Mata Atlântica na COP30 em Belém

Carta da Mata Atlântica é lançada durante abertura da Casa da Mata Atlântica na COP30 em Belém

Carta da Mata Atlântica é lançada durante abertura da Casa da Mata Atlântica na COP30 em Belém

Durante a abertura da Casa da Mata Atlântica, espaço promovido pela Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) na COP30, em Belém (PA), foi lançada oficialmente a Carta da Mata Atlântica, um manifesto de alerta e posicionamento diante da emergência climática e dos retrocessos ambientais que ameaçam um dos biomas mais devastados do país.

Sediada na Universidade da Amazônia (UNAMA), a Casa da Mata Atlântica é um ponto de encontro de organizações, especialistas, gestores públicos e sociedade civil durante a Conferência do Clima da ONU. A programação busca dar visibilidade aos desafios e soluções para a Mata Atlântica em meio à crise climática, promovendo o diálogo entre o público nacional e internacional.

Um apelo pela adaptação e pelo fim dos investimentos perversos

A Carta da Mata Atlântica traz um chamado contundente à Presidência da COP30 e ao governo brasileiro para que os recursos nacionais sejam direcionados à transição para uma economia de baixo carbono e resiliente ao clima. O texto denuncia a contradição entre os compromissos climáticos assumidos pelo país e a continuidade de subsídios bilionários aos combustíveis fósseis, incluindo a geração termelétrica a carvão, inclusive em regiões da própria Mata Atlântica, já severamente afetadas pelas mudanças climáticas.

O documento também critica o repasse de recursos públicos a grandes grupos empresariais com passivos ambientais, citando o caso recente de investimentos do BNDES em empresas do setor de silvicultura. Segundo a Carta: “definitivamente, não há mais espaço para investimentos perversos na Mata Atlântica”.

Retrocesso ambiental e riscos urbanos crescentes

O texto alerta para a crescente desconexão entre o discurso e a prática das políticas territoriais e urbanas. Planos Diretores municipais que priorizam a expansão construtiva em detrimento da segurança ambiental, leis estaduais em conflito com a Constituição e ameaças legislativas no Congresso Nacional são apontados como fatores que agravam a vulnerabilidade das populações e ecossistemas.

Entre os retrocessos já concretizados, o texto destaca a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei das APPs Urbanas, classificando esta última como: “um verdadeiro atentado à lógica de adaptação aos eventos extremos decorrentes da emergência climática.”

Desmatamento Zero já

Com mais de 80% da cobertura original já devastada, a Mata Atlântica não pode, segundo o documento, aguardar mais um ano sequer para alcançar o desmatamento zero. O texto ressalta que as cidades localizadas no bioma dependem diretamente dos remanescentes florestais para reduzir riscos e garantir qualidade de vida.

A Carta conclama o Estado brasileiro a assegurar esse direito constitucional e a fortalecer as garantias de proteção dos 12% de remanescentes ainda bem conservados, combatendo tanto o desmatamento ilegal quanto o chamado “desmatamento legal”.

Um chamado à ação

Encerrando com um tom de urgência, a Carta da Mata Atlântica finaliza:

“Proteger o que restou e investir na restauração dos ecossistemas da Mata Atlântica é condição inadiável. Que a Mata Atlântica mostre ao Brasil e ao mundo que a adaptação precisa ser incorporada como instrumento central de política pública consequente e responsável em todos os níveis. O prazo limite para a transição a um modelo de desenvolvimento justo e responsável expirou, e precisamos reagir.”

> Confira a carta na íntegra

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Luan Matheus Santana / RMA

Uma história que criou raízes e floresceu: Apremavi é tema de documentário da TV alemã

Uma história que criou raízes e floresceu: Apremavi é tema de documentário da TV alemã

Uma história que criou raízes e floresceu: Apremavi é tema de documentário da TV alemã

A história da Apremavi é, antes de tudo, uma história sobre criar e cultivar raízes. Raízes de família, amor por todas as formas de vida e de transformação. O que começou dentro de casa, movido pela necessidade e pela vontade de mudar a realidade, hoje gera impacto para muito além dessas fronteiras. O que antes era trabalho de um núcleo familiar, agora é de uma família de famílias.

Esse legado foi tema de um documentário da Deutsche Welle (DW), emissora internacional alemã que transmite conteúdos por televisão, rádio e plataformas digitais em todo o mundo. A obra aborda a trajetória da Apremavi e de sua família fundadora, destacando o papel essencial deles na conservação e na restauração da Mata Atlântica.

A história da Apremavi começa com Wigold Schäffer, que há mais de 40 anos iniciou um movimento simples e transformador: plantar árvores nativas. Ao lado de Miriam Prochnow, fundou a Apremavi e iniciou uma jornada dedicada à restauração ecológica e ao fortalecimento de comunidades locais. De lá para cá, já são mais de 10 milhões de árvores plantadas, centenas de hectares restaurados e conservados, parcerias de sucesso implantadas nos territórios e muitas paisagens transformadas. 

Hoje, esse legado passa para as mãos da nova geração, entre eles Carolina Schäffer, filha de Wigold e Miriam, hoje vice-presidente da Apremavi, que segue impulsionando a missão da organização. Em um momento crucial em que o Brasil se compromete a restaurar 12 milhões de hectares de florestas, a Apremavi reafirma seu papel como força fundamental nessa agenda, articulando parcerias, mobilizando agricultores e inspirando novas gerações.

O documentário da DW, disponível em alemão, inglês, espanhol e português, apresenta essa jornada como um exemplo de esperança em um mundo em que florestas continuam desaparecendo e a crise climática se intensifica. A narrativa destaca o poder transformador da dedicação, do trabalho em rede e da visão de longo prazo. A experiência da família Schäffer ao longo de quatro décadas comprova que restaurar é possível e necessário. 

Assista ao documentário:

Visita da equipe da Deutsche Welle da Alemanha em Atalanta (SC) para a gravação do documentário. Fotos: Vanessa Fischer e Thamara S. de Almeida

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações da Deutsche Welle
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: © Reprodução/Deutsche Welle

Curso de Corredores Bioculturais fortalece saberes socioambientais rumo à COP30

Curso de Corredores Bioculturais fortalece saberes socioambientais rumo à COP30

Curso de Corredores Bioculturais fortalece saberes socioambientais rumo à COP30

O Curso de Extensão “Corredores Bioculturais e Direitos da Natureza: perspectivas territoriais para uma Ecologia Integral na COP30” reuniu, entre os meses de agosto e outubro, participantes de todo o Brasil para aprofundar a compreensão sobre a importância dos corredores bioculturais, dos biomas brasileiros e dos Direitos da Natureza como fundamentos para uma ecologia integral, orientada pela Justiça Socioambiental.

A formação apresentou ferramentas teóricas e práticas para análise e atuação diante dos desafios socioambientais intensificados pelas mudanças climáticas, contemplando a relação entre território, cultura, biodiversidade e direitos. A iniciativa é fruto da parceria entre o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS), o Observatório Nacional de Justiça Socioambiental (OLMA) e a Laudato Si da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) em parceria com diversas instituições. 

 

Programação

A programação foi organizada a partir dos biomas brasileiros, destacando sua interconexão por meio dos corredores bioculturais. Ao longo dos encontros, foram apresentados conceitos fundamentais sobre Ecologia Integral e Justiça Socioambiental, dialogando com os desafios, potencialidades e especificidades de cada território. 

As discussões contemplaram as relações entre biodiversidade, culturas tradicionais e mudanças climáticas, destacando a importância da conservação, restauração e proteção territorial, bem como estratégias de incidência política rumo à COP30, fortalecendo o protagonismo dos povos e comunidades que vivem e defendem esses biomas.

A aula sobre a Mata Atlântica foi ministrada por Miriam Prochnow, cofundadora e diretora da Apremavi, que trouxe reflexões sobre a legislação que protege o bioma, o papel do Código Florestal, os impactos das mudanças climáticas e os caminhos possíveis para conservação e restauração ecológica: “cuidar da Mata Atlântica e falar da Mata Atlântica é um grande privilégio e uma grande responsabilidade”, destacou Miriam durante a formação.

O curso se estruturou a partir da coleção de cartilhas “Corredores Bioculturais do Brasil”, que apresenta, para cada bioma brasileiro, seus principais desafios, ameaças, boas práticas e perspectivas de fortalecimento socioambiental. Também inclui questões para reflexão e explora a interconexão do bioma com os demais.

Coleção Corredores Bioculturais do Brasil

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Wigold Schäffer

Primeiras Cotas de Reserva Ambiental previstas no Código Florestal são emitidas

Primeiras Cotas de Reserva Ambiental previstas no Código Florestal são emitidas

Primeiras Cotas de Reserva Ambiental previstas no Código Florestal são emitidas

Treze anos após a aprovação do Código Florestal, o  Governo Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), entregou as primeiras Cotas de Reserva Ambiental (CRAs) do país.  

Previsto no Código Florestal, o título representa 1 hectare de vegetação nativa excedente, existente ou em recuperação, e pode ser utilizado para compensar a Reserva Legal (RL) de imóveis rurais e para iniciativas de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

O monitoramento das áreas vinculadas às CRAs será conduzido pelos estados, com suporte técnico do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). A estrutura de integridade inclui imagens de satélite, alertas de mudança da cobertura  do solo e protocolos de mensuração, relato e verificação (MRV), promovendo transparência e segurança no processo.

Primeiras emissões

As primeiras CRAs foram emitidas e entregues no dia 30 de outubro, em duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) localizadas em Nova Friburgo (RJ): a Reserva Ecológica Rio Bonito de Lumiar e Canto da Coruja. As RPPNs são Unidades de Conservação em propriedades privadas, criadas voluntariamente pelos proprietários, que assumem o compromisso permanente de proteger áreas naturais.

A emissão inaugura um processo inovador de criação, registro, negociação e monitoramento desses títulos. Coordenado pelo SFB via Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), o procedimento prevê que, apósa criação, as CRAs possam ser registradas em plataformas financeiras autorizadas, como bolsas de valores ou sistemas reconhecidos pelo Banco Central, viabilizando sua negociação.

Segundo o Painel de Regularização Ambiental do SFB, aproximadamente 25,5 milhões de hectares apresentam potencial para compensação via CRAs. Com um valor estimado de R$ 500,00 por hectare ao ano, o mercado pode movimentar cerca de R$ 12,75 bilhões anualmente.

“Identificamos um potencial ainda mais amplo, não apenas entre os proprietários que buscam se regularizar conforme as exigências do Código Florestal, mas também junto a empresas e interessados em remunerar os serviços ambientais conforme a lei da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais”, afirmou o diretor-geral do SFB, Garo Batmanian.

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Serviço Florestal Brasileiro
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Wigold Schäffer

Ilustrando a restauração: Conservador das Araucárias é retratado em gibi

Ilustrando a restauração: Conservador das Araucárias é retratado em gibi

Ilustrando a restauração: Conservador das Araucárias é retratado em gibi

A publicação coordenada pela Reserva Araponga, parceira da Apremavi, apresenta os principais benefícios da conservação e restauração ecológica e objetivos do Conservador das Araucárias. 

O 11º gibi da série Turma da Reserva Araponga foi lançado na última terça-feira, 28 de outubro, durante a a 5ª Oficina do Corredor Ecológico da Serra Geral. O livreto foi co-organizado pela Reserva Araponga e  Apremavi; e conta com ilustrações inéditas de Ricardo Manhães.

Além de divulgar o Conservador das Araucárias, o gibi também busca incentivar a conexão das pessoas com a natureza, ilustrando a importância de parcerias para a proteção do meio ambiente. “O gibi não será utilizado apenas para atividades de educação ambiental com crianças e jovens, é uma estória que todas as pessoas devem ler, se conectar com a mensagem e, por fim, contribuir com a conservação e restauração”, comenta Miriam Prochnow, diretora da Apremavi e Coordenadora de Relacionamentos do projeto.

 

Gibi Turma da Reserva Araponga com a participação do Conservador das Araucárias
Lançamento integrado à 5ª Oficina do Corredor Ecológico da Serra Geral

O lançamento ocorreu durante a 5ª Oficina do Corredor Ecológico da Serra Geral, na Câmara de Vereadores de Santa Rosa de Lima (SC), e contou com a participação de moradores, gestores, proprietários rurais e instituições. A iniciativa, que busca a implementação do Corredor Ecológico Caminho das Nascentes, reconhecido pelo Decreto Estadual nº 2.367/2022. Entre os objetivos do corredor está a conexão do  Parque Nacional de São Joaquim com o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.

A programação do evento foi dividida em dois momentos. O primeiro abordou modelos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e contou com apresentações sobre o PSA de Santa Catarina, ministrada por Flávia Hila (VES Brasil – Valor Econômico Sustentável); os Créditos Life de Biodiversidade, apresentados por Clóvis Borges (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental/Instituto LIFE); a experiência da C-Pack, que tratou dos créditos de biodiversidade como investimento para o setor privado. Em seguida, Christian Dobereiner, da Reserva Araponga, apresentou a importância e o potencial da biodiversidade e o retorno econômico associado à sua conservação, com o exemplo da Reserva Araponga.

O segundo módulo tratou de alternativas e soluções financeiras relacionadas ao tema. Foram apresentados o Programa de Pagamentos por Serviços Ambientais do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), conduzido por Lisiane Astarita. Por fim, o Conservador das Araucárias foi apresentado por Leandro Casanova e Maíra Ratuchinski (Apremavi).

Leandro Casanova apresentando o Conservador das Araucárias

Leandro Casanova apresentando o Conservador das Araucárias. Foto: Maíra Ratuchinski

​O Conservador das Araucárias

O projeto é fruto de uma parceria entre a Apremavi e a Tetra Pak que tem como meta a restauração de 7 mil hectares de Mata Atlântica, com foco na Floresta com Araucárias. Visa a restauração florestal com espécies nativas, atrelada à captura de carbono para mitigação das mudanças climáticas. Além disso, promove a adequação de propriedades rurais à legislação ambiental, a conservação de mananciais hídricos, do solo e da biodiversidade, bem como a melhoria da qualidade de vida da população. 

> Conheça o projeto

Autora: Thamara Santos de Almeida
Colaboração: Maíra Ratuchinski
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

MapBiomas lança monitor de áreas em recuperação da vegetação nativa

MapBiomas lança monitor de áreas em recuperação da vegetação nativa

MapBiomas lança monitor de áreas em recuperação da vegetação nativa

MapBiomas lança plataforma inédita para monitorar áreas com compromisso ou obrigação de recuperação da vegetação nativa

O MapBiomas acaba de lançar uma nova ferramenta pública para monitorar a recuperação ambiental no Brasil. O Monitor da Recuperação permite acompanhar a dinâmica da cobertura vegetal em áreas com compromisso ou obrigação de recompor a vegetação nativa, incluindo tanto áreas embargadas por desmatamento quanto iniciativas voluntárias de restauração.

A primeira versão da plataforma, lançada no dia 23 de outubro, reúne informações de três fontes principais: embargos estaduais e federais motivados por intervenção na cobertura vegetal; dados públicos do Observatório da Restauração (OR); e registros do Sistema Informatizado de Apoio à Restauração Ecológica (SARE), com projetos de restauração ecológica no estado de São Paulo. Os embargos federais e estaduais foram obtidos junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e às Secretarias Estaduais de Meio Ambiente (SEMA) dos estados do Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Pará e Piauí.

No total, a plataforma contabiliza 6,9 milhões de hectares de áreas com compromisso ou obrigação de recuperação, entre 2000 e 2025. A maior parte dessas áreas é proveniente de embargos federais e estaduais; apenas o IBAMA responde por 64,8% do total cadastrado, que equivale a 4,5 milhões de hectares.

“Existem milhões de hectares de áreas com obrigação ou compromisso de serem restauradas com vegetação nativa. Entender se essas obrigações estão sendo cumpridas é fundamental para acelerar o processo de restauração dos biomas brasileiros. Essa é a proposta do Monitor da Recuperação”, explica Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.

> Assista ao evento de lançamento do Monitor

 

Panorama dos biomas e distribuição geográfica

De acordo com o levantamento, 80% das áreas com compromisso ou obrigação de recuperação estão localizadas no bioma Amazônia, seguido pelo Cerrado, com 12,1%. O ano de 2023 registrou a maior área total de compromissos de recuperação, enquanto 2024 concentrou o maior número de polígonos cadastrados, sobretudo no Cerrado.

Mais da metade das áreas mapeadas está em apenas dois estados: Pará (37,8%) e Mato Grosso (20%), seguidos pelo Amazonas (16,5%).

 

Categorias de avaliação e estatísticas gerais 

O Monitor da Recuperação avalia o andamento da restauração com base na diferença nos índices de vegetação, na transição de cobertura e uso da terra e na classe atual de cobertura vegetal.

Com base nesses critérios, cada área é classificada em uma das seguintes categorias:

  • Muito compatível: a área mostra forte evidência de recuperação da vegetação;

  • Compatível: há sinais consistentes de regeneração, ainda que em ritmo moderado;

  • Inconclusivo: ainda não é possível afirmar se a área está recuperando, seja por falta de dados ou por se tratar de um compromisso recente;

  • Não compatível: a área apresenta pouca ou nenhuma evidência de recuperação.

Essas categorias não têm caráter fiscalizatório, mas servem para oferecer uma visão integrada e transparente do estágio atual das áreas com compromisso ou obrigação de recuperação. De acordo com os dados da plataforma, o Monitor já acompanha 6,9 milhões de hectares em todo o país, distribuídos da seguinte forma:

  • 19.589 hectares: muito compatíveis com o padrão de recuperação;

  • 1.695.856 hectares: compatíveis;

  • 4.533.213 hectares: inconclusivos;

  • 628.653 hectares: não compatíveis.

Os números ajudam a compreender onde a recuperação da vegetação está avançando, onde ainda há incertezas e quais regiões precisam de maior atenção para que o processo de restauração ecológica aconteça de forma efetiva.

> Conheça a Plataforma

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: © Reprodução/MapBiomas

Apremavi integra a Central da COP, iniciativa do Observatório do Clima

Apremavi integra a Central da COP, iniciativa do Observatório do Clima

Apremavi integra a Central da COP, iniciativa do Observatório do Clima

Lançada em 2024, a Central da COP é uma plataforma digital e educativa que explica o que está em jogo nas conferências do clima – as chamadas COPs – usando metáforas, estética e linguagem inspiradas no universo esportivo.

No Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas da Apremavi está uma das Estações da Central da COP, iniciativa do Observatório do Clima (OC). Em um país onde o futebol é paixão nacional, a iniciativa é uma forma criativa de aproximar os brasileiros do tema das mudanças climáticas. Com frases como “o Brasil precisa cortar emissões para não cair para a segundona” e seções intituladas “placar climático”, “escalação dos países” e “camisa 10 do meio ambiente”, o projeto busca tornar o debate climático mais compreensível, atrativo e popular. A ideia é simples, mas poderosa: usar o futebol – símbolo da cultura e da identidade brasileira – para falar sobre ciência, política e futuro do planeta.

Estação Apremavi da Central da COP

A Estação Apremavi tem como objetivo disponibilizar materiais informativos sobre a emergência climática no Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, que recebe centenas de visitantes todos os meses, e mostrar o que cada pessoa pode fazer para contribuir com ações de combate, mitigação e adaptação aos seus efeitos.

Com a disponibilização desses materiais, a Apremavi ajuda a democratizar o acesso à informação e a envolver mais pessoas na luta global contra a crise do clima. Além disso, conhecer de perto a produção de mudas nativas e as áreas demonstrativas de restauração permite compreender uma das soluções mais efetivas para mitigar a crise climática: o plantio de árvores e a restauração ecológica.

O kit Central da COP já está sendo utilizado na sede da Apremavi. Cenas e fotos: Miriam Prochnow.

Brasil se prepara para a COP30

A Central da COP surge em um momento crucial, quando o Brasil se prepara para sediar, pela primeira vez, uma Conferência das Partes (COP). A COP30, que reunirá delegações de quase 200 países em Belém (PA), promete ser um marco nas discussões sobre descarbonização, florestas e transição justa.

A Apremavi estará presente na COP30 por meio da participação de sua cofundadora, Miriam Prochnow, que integrará a Delegação Nacional e já tem agenda confirmada em diversos eventos, entre eles os painéis da Casa da Mata Atlântica, organizados pela Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), nas dependências da Universidade da Amazônia (UNAMA).

 

Plataforma Eunice: educação climática acessível

O Observatório do Clima também mantém o site Eunice, uma plataforma educativa ilustrada sobre mudanças climáticas. Batizada em homenagem à cientista Eunice Foote (1819–1888) — pioneira na descoberta da capacidade de certos gases de reter radiação infravermelha —, a plataforma apresenta 14 capítulos distribuídos em cinco blocos temáticos: Passado, Presente, Política, Economia e Futuro.

Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima

A Apremavi também integra a Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima, que faz parte do Capítulo Brasileiro da Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima. Lançada em 19 de novembro de 2024, durante a Cúpula do G20, essa iniciativa é uma colaboração entre o Brasil, a ONU e a UNESCO, reunindo mais de cem organizações da sociedade civil, universidades e grupos de pesquisa do país. Desde o início de 2025, a Rede tem se dedicado a estudar, propor e implementar soluções que garantam a qualidade, confiabilidade e integridade das informações sobre a crise climática.

Autora: Miriam Prochnow
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Miriam Prochnow

Expedição Pampa identifica ações para a conservação e valorização do bioma

Expedição Pampa identifica ações para a conservação e valorização do bioma

Expedição Pampa identifica ações para a conservação e valorização do bioma

Entre os dias 06 e 13 de outubro, o Observatório do Código Florestal (OCF) percorreu cerca de 1.800 quilômetros pelo Pampa em uma jornada de escuta e troca de saberes sobre a implementação da Lei de Proteção da Vegetação Nativa no bioma. 

A Expedição Pampa teve como propósito dialogar com produtores rurais, comunidades tradicionais, pesquisadores, organizações sociais e órgãos públicos para compreender os desafios e oportunidades da aplicação do Código Florestal (Lei Federal nº 12.651/2012) no bioma e buscar caminhos para fortalecer a conservação e a produção sustentável.

A ação integra um movimento nacional do OCF, que tem visitado diferentes biomas brasileiros para levantar percepções locais sobre o cumprimento da lei, fomentar a troca de experiências e contribuir com conhecimento técnico que auxilie na sua regionalização. A Apremavi acompanhou a expedição, compartilhando aprendizados das iniciativas de conservação e restauração da vegetação nativa desenvolvidas na Mata Atlântica e  ações para a valorização dos modos de vida locais que sustentam os territórios.

Um roteiro de aprendizados e conexões

Ao longo de oito dias e dez paradas, a expedição percorreu municípios emblemáticos do Pampa, reunindo representantes de diversas áreas. O primeiro encontro, realizado no Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, reuniu os pesquisadores Valério Pillar, Gerhard Overbeck e Carlos Nabinger; e também a promotora de justiça Annelise Steigleder. As discussões destacaram a necessidade de maior visibilidade para a proteção e valorização das particularidades do bioma, que segue ameaçado pela conversão de áreas naturais, especialmente pelo avanço de culturas agrícolas extensivas, como  soja e silvicultura.

“Talvez uma possibilidade é que o Pampa tivesse mais Áreas de Preservação Ambiental (APAs), que permitissem conciliar a presença do gado com a conservação do território. Hoje, não temos uma legislação que realmente proteja o Pampa e sua paisagem cultural”, comenta Annelise Steigleder, promotora de justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

Segundo os pesquisadores, a Lei de Proteção da Vegetação Nativa não reflete bem as especificidades do Pampa, onde as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs) são pequenas e não representam o ecossistema campestre. Foi apontado que muitas áreas são convertidas antes da obtenção das licenças adequadas, e que há uma defasagem significativa entre os dados declarados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a realidade mapeada por sistemas de monitoramento, como o MapBiomas.

“A partir do que foi declarado no CAR e o que consta de vegetação nativa, a conta não fecha. Foram declarados cerca de 4 milhões de hectares de áreas nativas no CAR, mas o MapBiomas mostra 8 milhões. Há um déficit evidente. Muitas pessoas foram orientadas a declarar campos com gado como áreas de uso antrópico, e por isso esses campos não aparecem como vegetação natural”, relata Valério Pillar, pesquisador do departamento de Ecologia da UFRGS.

Na sequência, a expedição passou por Tapes, visitando a Rota dos Butiazais e conhecendo a Fazenda Três Irmãos, que alia turismo rural e conservação de butiás, espécie símbolo da sociobiodiversidade do Pampa. Em São Lourenço do Sul, o grupo foi recebido pelo Kilombo Boqueirão, exemplo de resistência cultural e preservação dos saberes ancestrais. Em Pelotas, a visita à Charqueada São João resgatou a história do ciclo do charque, que moldou a economia e a cultura da região.

A jornada seguiu para Candiota, onde a equipe conheceu a Rede de Produção de Sementes Agroecológicas Bionatur, empresa de produção de sementes orgânicas mantida por grupos de assentados da Reforma Agrária.  O encontro ressaltou a importância de políticas que considerem as especificidades locais para fortalecer a agricultura sustentável frente à expansão das monoculturas. Em Bagé, na propriedade das irmãs Collares, a expedição observou na prática como o manejo pastoril adequado pode conservar biodiversidade e cultura, reafirmando o papel da pecuária familiar como aliada da sustentabilidade. A comunidade e proprietários juntamente com outros municípios buscam impedir atividades de  mineração, pretendidas na região. 

Nos últimos dias, entre Dom Pedrito e Caçapava do Sul, a equipe visitou vinhedos e olivais que demonstram como a produção de uvas e oliveiras pode coexistir com a conservação das paisagens naturais. Experiências em propriedades como Guatambu, Palomas e Olivopampa mostraram práticas que reduzem o uso de agrotóxicos, recuperam o solo e preservam a vegetação nativa. 

A Estância Guatambu retrata uma grande propriedade que, além da agricultura e pecuária, possui também o plantio de uvas. O diferencial está nas práticas sustentáveis adotadas pelo produtor, que utiliza produtos biológicos no cultivo de  soja, no arroz e nas pastagens. A propriedade conta com uma biofábrica que produz insumos a partir de bactérias e abriga uma das maiores vinícolas da região. 

O roteiro encerrou-se em locais emblemáticos, como o Parque Natural Municipal da Pedra do Segredo e as Guaritas do Geoparque Caçapava, destacando o potencial do turismo de natureza e da economia de base local.

Equipe da Expedição Pampa e membros do Kilombo Bokeirão em São Lourenço

Expedição Pampa realizada pelo Observatório do Código Florestal entre os dias 06 e 13 de outubro. Fotos: Thamara Santos de Almeida, Leandro Casanova e Manoela Meyer.

Documento técnico e recomendações

Ao final da expedição, o Observatório do Código Florestal entregou um documento técnico com recomendações e propostas de políticas públicas para a conservação e valorização do Pampa. O material foi apresentado na Assembleia Legislativa e à Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA), em reuniões com o deputado estadual Miguel Rossetto e a secretária Marjorie Kauffmann.

O levantamento destaca a vocação produtiva do bioma, com potencial para a produção de carne de alta qualidade, vinho, azeite e lã, e aponta desafios como a perda acelerada da vegetação nativa, a baixa cobertura por Unidades de Conservação (apenas 3%), e a lentidão na análise dos Cadastros Ambientais Rurais (CAR), dos quais menos de 1% foram avaliados no estado.

Entre as propostas apresentadas, estão:

  • Avançar na implementação do Programa de Regularização Ambiental (PRA);
  • Reconhecer os pecuaristas familiares como comunidades tradicionais;
  • Criar uma política estadual de pagamento por serviços ambientais;
  • Fortalecer o Zoneamento Ecológico-Econômico com base científica e participação social;
  • Fomentar o mercado de restauração da vegetação campestre e o turismo sustentável;
  • Estabelecer territórios livres de mineração e áreas livres de pulverização de agrotóxicos.
Por um Pampa vivo e sustentável

O documento reforça que, se o Rio Grande do Sul pretende que o Pampa seja protagonista na construção de um futuro mais justo, resiliente e sustentável, é essencial fortalecer a governança ambiental participativa, reconhecer os direitos das comunidades locais e promover uma economia de baixo carbono.

“O Pampa tem papel estratégico para o desenvolvimento inclusivo e rentável do Rio Grande do Sul. Queremos fortalecer o diálogo para que as políticas públicas considerem as realidades e potencialidades do território”, afirmou Marcelo Elvira, secretário executivo do Observatório do Código Florestal.

A Expedição Pampa foi um convite à escuta, à valorização dos saberes locais e à construção conjunta de soluções para a proteção do bioma; conservando sua biodiversidade, cultura e a identidade de quem integra essa  paisagem.

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Sobre o Observatório do Código Florestal

É uma rede de 48 organizações da sociedade civil criada em 2013 com o objetivo de monitorar a implementação bem-sucedida da Lei de proteção da vegetação nativa (Lei Federal nº 12.651/2012). Tem como propósito fortalecer o papel da sociedade civil na defesa da vegetação nativa brasileira e articular com os mais diversos atores pela proteção da vegetação nativa, produção sustentável e recuperação de ambientes naturais.

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Autora: Thamara Santos de Almeida e Leandro Casanova com informações do Observatório do Código Florestal
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto (Apremavi), Willian Oliveira e Carolina Duccini (Observatório do Código Florestal)
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto

Papagaio-de-peito-roxo: o embaixador da conservação na Floresta de Araucárias

Papagaio-de-peito-roxo: o embaixador da conservação na Floresta de Araucárias

Papagaio-de-peito-roxo: o embaixador da conservação na Floresta de Araucárias

O papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) é uma das aves mais emblemáticas e ameaçadas do Brasil, e pode ser observado como um símbolo de resistência da biodiversidade na Mata Atlântica.Ocorre principalmente no Sul e Sudeste do Brasil, com pequenas populações remanescentes no Paraguai e na Argentina. Sua história é marcada por cores vibrantes, revoadas sonoras e pelos desafios à sobrevivência em meio à perda de habitat e ao tráfico ilegal.

Uma espécie dependente das Florestas com Araucárias

O papagaio-de-peito-roxo tem forte ligação com a Floresta Ombrófila Mista, também conhecida como Floresta com Araucárias. Com cerca de 30 cm de comprimento, plumagem verde e peito arroxeado – que explica o nome popular – a espécie se alimenta de frutos e sementes, especialmente do pinhão, semente da araucária, que abre com o bico robusto e curvado.

Ao se alimentar dos pinhões e de frutos de espécies como a juçara (Euterpe edulis) e a canela-preta (Ocotea puberula), o papagaio atua como dispersor de sementes, contribuindo com a restauração das florestas. Os pinhões bicados por esses papagaios germinam com mais sucesso, reforçando o papel ecológico da espécie.

O período reprodutivo ocorre entre setembro e janeiro, quando as fêmeas escolhem cavidades naturais em árvores de grande porte para depositar entre  dois e quatro ovos. A perda dessas árvores, essenciais para a reprodução, é hoje uma das principais ameaças à espécie, junto ao desmatamento e ao tráfico de filhotes.

Pesquisas recentes estimam que existam menos de 9 mil papagaios-de-peito-roxo em vida livre, distribuídos de forma descontínua pelos fragmentos da  Mata Atlântica. Contagens realizadas entre 2016 e 2017, utilizando modelos estatísticos que corrigem falhas de detecção, apontaram uma população global de cerca de 8.000 indivíduos, sem sinais de crescimento ou declínio expressivo.

Extinção local e reintrodução no Parque Nacional das Araucárias

No Parque Nacional das Araucárias, entre Passos Maia e Ponte Serrada (SC), o papagaio-de-peito-roxo chegou a desaparecer na década de 1980. O desmatamento e a captura ilegal levaram à extinção local de uma espécie que, historicamente, coloria os céus do Oeste Catarinense.

Desde 2010 um projeto de reintrodução pioneiro, liderado pelo Instituto Fauna Brasil, está contribuindo para reverter essa história. A iniciativa teve início com a determinação da pesquisadora Vanessa Kanaan, que começou o trabalho ainda durante o doutorado, ao perceber que muitos papagaios resgatados do tráfico não tinham destino após a reabilitação durante um estágio no Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas): “o que começou como uma tentativa acabou crescendo. Conseguimos reverter uma extinção local e contribuir para a conservação da espécie. Quando vimos os papagaios voando e vocalizando, entendendo a vida em liberdade, aquilo nos tocou profundamente”, relatou Vanessa em entrevista à Apremavi.

O processo envolve reabilitação, treinamento comportamental, adaptação em viveiro de soltura e monitoramento por meio de dispositivos eletrônicos e observações de campo, muitas delas com o apoio de cidadãos cientistas.

Desde o início do projeto, cerca de 250 indivíduos já retornaram à natureza. Paralelamente, o Instituto desenvolve ações de educação ambiental, promove o evento “Vem Passarinhar” para observação de aves e já executou o projeto Amigos do Roxinho, que gera renda e fortalece o vínculo entre a comunidade e o parque. “Antes, era comum ver papagaios em gaiolas. Hoje, isso praticamente não acontece mais em Passos Maia. O papagaio-de-peito-roxo virou um símbolo do parque e um embaixador da conservação”, comenta Vanessa.

Monitoramento científico e cooperação internacional

No Paraná, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) desenvolve desde 2018 um programa de monitoramento e conservação da espécie. O projeto envolve a anilhagem de filhotes, o acompanhamento de ninhos naturais e artificiais e a coleta de dados populacionais nas regiões de Campina Grande do Sul e Bocaiúva do Sul (PR).

Um mini documentário, lançado pela SPVS e disponível gratuitamente no YouTube, mostra o cotidiano do trabalho de campo e reforça a importância da conservação da espécie.

O papagaio-de-peito-roxo está hoje classificado como “Em Perigo” na Lista Vermelha da IUCN e “Vulnerável” na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. A espécie se tornou um símbolo de esperança e restauração da Mata Atlântica e sua biodiversidade. Sua presença na Floresta com Araucárias mostra que, com ciência, dedicação e envolvimento comunitário, é possível reverter histórias de perda.

Monitoramento papagaio-de-peito-roxo_no Parque Nacional das Araucárias

Ações de reintrodução e monitoramento do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) realizadas pelo Instituto Fauna Brasil. Fotos: Vanessa Kanaan/Instituto Fauna Brasil.

Papagaio-de-peito-roxo

Nome científico: Amazona vinacea.

Família: Psittacidae.

Habitat: Matas secas, pinheirais e orlas de capões. Espécie considerada endêmica da Mata Atlântica.

Dieta: frugívoro.

Hábito de vida: vive em bandos que podem variar em tamanho.

Distribuição: Sudeste e Sul do Brasil, oeste do Paraguai e nordeste argentino.

Ameaças: tráfico ilegal e degradação ou fragmentação do habitat.

Status de conservação: ‘Em Perigo’ pela União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) e ‘Vulnerável’, segundo o  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

 

Referências consultadas:

BirdLife International (2017). Amazona vinacea. The IUCN Red List of Threatened Species 2017: e.T22686374A118954406. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T22686374A118954406.en. Accessed on 21 October 2025.

Kilpp, J. C., Prestes, N. P., Pizzol, G. E. D., & Martinez, J. (2015). Dieta alimentar de Amazona vinacea no sul e sudeste de Santa Catarina, Brasil. Atualidades ornitológicas, 183(6).

Silveira, L.F.; Lima, D.M.; Dias, F.F.; Ubaid, F.K.; Bencke, G.A.; Repenning, M.; Somenzari, M.; Cerqueira, P.V.; Dias, R.A.; Alquezar, R.D.; Costa, T.V.V. 2022. Amazona vinacea (Kuhl, 1820). Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. Disponível em: https://salve.icmbio.gov.br DOI: 10.37002/salve.ficha.24277 – Acesso em: 21 de out. de 2025.

Zulian, V., Müller, E. S., Cockle, K. L., Lesterhuis, A., Júnior, R. T., Prestes, N. P., … & Ferraz, G. (2020). Addressing multiple sources of uncertainty in the estimation of global parrot abundance from roost counts: A case study with the Vinaceous-breasted Parrot (Amazona vinacea). Biological Conservation, 248, 108672.

WikiAves (2021). A Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em: http://www.wikiaves.com.br.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Vanessa Kanaan/Instituto Fauna Brasil

Parque Nacional das Araucárias completa 20 anos de existência

Parque Nacional das Araucárias completa 20 anos de existência

Parque Nacional das Araucárias completa 20 anos de existência

Há 20 anos, em 19 de outubro de 2005, foi criado o Parque Nacional das Araucárias (PARNA das Araucárias). Criado por decreto federal, o Parque abrange 12.841 hectares distribuídos entre os municípios de Ponte Serrada e Passos Maia, no Oeste Catarinense, e conserva um dos últimos grandes remanescentes de Floresta Ombrófila Mista do estado.

Sua criação foi resultado de um amplo trabalho coletivo que envolveu o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o governo estadual, prefeituras, universidades e organizações da sociedade civil, entre elas a Apremavi. O objetivo foi garantir a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade da região, ameaçada pela fragmentação e pela ação humana.

 

Um refúgio de biodiversidade

Logo nos primeiros anos, o PARNA das Araucárias se revelou muito importante para a biodiversidade. Levantamentos realizados em 2008 pela Apremavi registraram 26 espécies de anfíbios, 204 espécies de aves e 27 espécies de mamíferos de médio e grande porte, incluindo espécies ameaçadas de extinção, entre elas o puma (Puma concolor), o gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus) e o veado-poca (Mazama nana).

Espécies emblemáticas, como o pica-pau-de-cara-canela (Dryocopus galeatus) e o macuco (Tinamus solitarius), também encontram abrigo nos limites do parque, que também abriga as nascentes dos rios que formam a bacia do rio Chapecó.

> Conheça a cartilha sobre a UC

O papel da Apremavi na criação e consolidação

Após a criação do Parque, a Apremavi liderou uma série de projetos voltados à estruturação da UC e ao engajamento comunitário. “Após o processo de criação, em 2005, a Apremavi teve projetos aprovados e iniciamos um trabalho de envolvimento da comunidade. Trabalhamos com a formação dos conselhos consultivos e envolvemos diversos setores da sociedade, para que as pessoas tivessem acesso às Unidades de Conservação e também desmistificar um pouco o processo de sua criação”, relata Edilaine Dick, coordenadora de projetos da Apremavi.

Esses conselhos se tornaram espaços fundamentais de participação social e orientação da gestão das UCs. A Apremavi também foi responsável pela elaboração do Plano de Manejo, entre 2007 e 2010. “No Plano de Manejo realizamos o levantamento de fauna e flora e identificamos potenciais turísticos, o que culminou na elaboração de um documento que, até hoje, serve como guia para orientar as atividades do ICMBio”, complementa Edilaine.

Além disso, a Apremavi conduziu projetos de restauração ecológica em áreas da zona de amortecimento, envolvendo agricultores locais na recuperação de áreas alteradas e melhoria da qualidade ambiental das propriedades.

Cachoeira do Parque Nacional das Araucárias

Registros da paisagem do Parque Nacional das Araucárias e ações realizadas pela Apremavi desde 2005. Fotos: Arquivo Apremavi e Thamara Santos de Almeida

Papagaio-de-peito-roxo: o embaixador do Parque

Uma das ações mais importantes ao longo desses 20 anos é a reintrodução do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), espécie endêmica da Mata Atlântica que havia sido extinta localmente. O trabalho representa um caso de sucesso de conservação da biodiversidade  no Sul do Brasil, conforme nos conta a pesquisadora líder do trabalho: “o que começou apenas como uma tentativa acabou crescendo. Conseguimos reverter uma extinção local e contribuir para a implementação da Unidade de Conservação e para a conservação da espécie”, relata Vanessa Kanaan, fundadora do Instituto Fauna Brasil.

“Antes, era comum ver papagaios em gaiolas. Hoje, isso praticamente não acontece mais em Passos Maia. A população passou a ver o papagaio-de-peito-roxo como um símbolo do Parque.” Com 15 anos de existência, o projeto já realizou mais de uma dezena de solturas e desenvolve tecnologias inovadoras, como monitoramento por bioacústica e drones termais, além de ações de educação ambiental e ciência cidadã com escolas e moradores locais.

“O papagaio-de-peito-roxo se tornou um embaixador da conservação. A comunidade o adotou como símbolo, e, a partir dele, as pessoas começaram a reparar em outras espécies e aspectos da natureza ao redor”, reforça Vanessa.

Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) espécie ameaçada e reintroduzida no Parque Nacional das Araucárias

Ações de soltura e monitoramento do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) no Parque Nacional das Araucárias pelo Instituto Fauna Brasil. Créditos: Vanessa Kanaan (Instituto Fauna Brasil) e Gabriel Brutti.

O olhar dos pesquisadores e moradores locais

Moradora local de Ponte Serrada, a bióloga Alini Guinzelli Bortolaz se envolveu com o PARNA das Araucárias  em 2017, como voluntária do Instituto Fauna Brasil, e hoje atua como analista ambiental e guia de observação de aves.

“Com a criação do Parque, muitas aves ameaçadas tiveram uma nova chance de reprodução e alimentação. A importância é enorme para a conservação de espécies que não ocorrem em outro lugar. É também um espaço privilegiado para a observação de aves e turismo de natureza”, afirma Alini. Ela também apoia a pesquisa de monitoramento de outros grupos da fauna no parque, como os mamíferos.

 

Alini Bortolaz, analista ambiental da UC, apoiando o monitoramento de mamíferos no Parque Nacional das Araucárias

Alini Bortolaz, analista ambiental da UC, apoiando o monitoramento de mamíferos no PARNA das Araucárias. Foto: Thamara Santos de Almeida.

Gestão e importância da UC

Segundo Fábio de Almeida Abreu, gestor do PARNA das Araucárias, o Parque é hoje um modelo de integração entre a conservação e a comunidade local. “O Parque representa o maior fragmento de Floresta com Araucárias do oeste de Santa Catarina. Sua criação tem como objetivo proteger esse ecossistema e sua rica fauna e flora. Abriga espécies que dependem desse território para sobreviver, como o puma, o veado e o papagaio-de-peito-roxo”, comenta Fábio.

A gestão é feita pelo Núcleo de Gestão Integrada (NGI Palmas) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra outras duas Unidades de Conservação. A equipe é composta majoritariamente por profissionais da própria região, fortalecendo o vínculo comunitário. “Recentemente ampliamos nossa equipe, o que possibilitou uma presença constante no Parque e o avanço no processo de aquisição de novas áreas. Temos recebido um número crescente de estudantes e visitantes, e evoluímos significativamente na educação ambiental, na comunicação e nas parcerias com prefeituras, ONGs e instituições de pesquisa nesses 20 anos”, explica Fábio.

Ele ainda relata que essas duas décadas de existência demonstram que os objetivos do PARNA estão sendo cumpridos: “os objetivos definidos pela legislação estão sendo cumpridos: proteção territorial, conservação da biodiversidade, promoção da educação ambiental e manutenção dos serviços ecossistêmicos.”

> Saiba mais sobre o Parque

 

Equipe Apremavi, analistas ambientais e gestores do Parque Nacional das Araucárias

Equipe Apremavi, analistas ambientais e gestores do Parque Nacional das Araucárias em julho de 2025. Foto: Thamara Santos de Almeida.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

Festival das Abelhas incentiva a conservação das abelhas nativas e do meio ambiente

Festival das Abelhas incentiva a conservação das abelhas nativas e do meio ambiente

Festival das Abelhas incentiva a conservação das abelhas nativas e do meio ambiente

Nos dias 03 e 04 de outubro de 2025, a Apremavi esteve presente no 1º Festival das Abelhas, realizado em Santa Rosa de Lima (SC), cidade reconhecida como a Capital Nacional da Meliponicultura. 

O evento reuniu técnicos, produtores, estudantes, pesquisadores, representantes de instituições públicas e privadas, além de visitantes interessados em conhecer e valorizar o universo das abelhas. Os diálogos promovidos buscaram  valorizar e fortalecer a apicultura e a meliponicultura, promover a troca de conhecimentos entre produtores e pesquisadores, incentivar a conservação das abelhas nativas e do meio ambiente, e fortalecer o turismo e a economia local por meio da divulgação de produtos e práticas sustentáveis.

A programação envolveu oficinas, palestras, exposições, atividades gastronômicas e ações de turismo, destacando o papel das abelhas na polinização, na conservação da biodiversidade e na geração de renda. O evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Santa Rosa de Lima,Associação dos Meliponicultores das Encostas da Serra Geral (AMESG), Cresol, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Santa Catarina (SENAR), Sindicato Rural de Rio Fortuna e Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); uma articulação que reforça a importância das parcerias entre instituições públicas e privadas para promover debates para a sustentabilidade.

Assinatura de contrato do Conservador das Araucárias no Festival das Abelhas em Santa Rosa de Lima Outubro de 2025

Atividades do Festival das Abelhas e assinatura dos contratos do Conservador das Araucárias. Fotos: William Matheus Dias Melo da Fonseca e Wigold Schäffer.

Assinatura de contratos do Conservador das Araucárias

Durante o festival, foi realizada a assinatura de oito contratos de parceria rural para formar a participação no Conservador das Araucárias, projeto desenvolvido pela Apremavi em parceria com a Tetra Pak,  para restaurar e conservar a Mata Atlântica, com ênfase na captura de carbono, preservação das florestas com araucárias e proteção da biodiversidade e dos recursos naturais, promovendo também benefícios econômicos e sociais para as famílias envolvidas.

A Apremavi também participou do evento com um espaço educativo, apresentando materiais informativos, cartilhas e mudas de espécies nativas melíferas para comercialização. A ação teve como propósito fortalecer a educação ambiental e conscientizar o público sobre a importância das abelhas para a conservação.

Os proprietários agora participantes do Conservador das Araucárias presentes no evento relatam a emoção em estabelecer a parceria para participar do projeto. “Esse projeto significa muito para nós, pois estamos há anos [atuando] na agroecologia, preservando e cuidando. Então esse projeto chegou como uma recompensa de quem está protegendo os bens que são comuns a todos, como a água e o meio ambiente”, relata Valnério Assing, parceiro do projeto em Santa Rosa de Lima.

“Participar do projeto Conservador das Araucárias é muito gratificante. Um trabalho de conservação que já fazíamos agora pode ser retribuído através da restauração e conservação da nossa propriedade, e isso traz uma alegria enorme”, comenta Jackson Baumann, Secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Santa Rosa de Lima.

Christian Erhard Döbereiner, fundador da Reserva Araponga, uma das propriedades que já faziam parte do projeto, fala sobre a importância da parceria: “esse projeto é pioneiro e um marco e vem  trazer exemplo e estímulo aos proprietários que queiram seguir na mesma direção. Um projeto do futuro, à frente do seu tempo; é grande satisfação fazer parte desse trabalho do Conservador das Araucárias.”

 

Autores: Maíra Ratuchinski e William Fonseca
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: William Matheus Dias Melo da Fonseca

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