Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta

Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta

Jequitibá-branco: entre o “apito” do bugio e a grandeza na floresta

O jequitibá-branco (Cariniana estrellensis) é uma espécie de árvore que ocorre na Mata Atlântica, pertencente à família Lecythidaceae, a mesma da emblemática castanha-do-pará (Bertholletia excelsa). Essa espécie combina porte monumental, relevância ecológica e múltiplos usos econômicos e culturais.

O gênero Cariniana homenageia o príncipe Eugene de Savóia – Carignan, patrocinador da expedição de Giovanni Casaretto ao Brasil entre 1839 e 1840. Já o epíteto específico estrellensis faz referência à Serra da Estrela, no estado do Rio de Janeiro, uma de suas áreas típicas de ocorrência.

O nome popular “jequitibá” tem origem no tupi e carrega diferentes interpretações. Pode derivar de yigiquityba ou jyquyty’ba, com o significado de “árvore de tronco rijo”. Outra corrente aponta para yiki-t-ybá, expressão que significa “árvore do fruto afunilado”. Em todas as versões, o nome ressalta características marcantes da espécie.

 

Um gigante da floresta apreciado pelo bugio-ruivo

O jequitibá-branco destaca-se pelo tronco reto e cilíndrico, com fuste que pode atingir até 25 metros de altura. A árvore adulta pode alcançar cerca de 50 metros de altura e apresentar tronco com até 120 centímetros de diâmetro. Suas raízes são grossas e bem desenvolvidas. É considerada secundária tardia ou clímax exigente de luz, compõe florestas maduras e é reconhecida por sua longevidade. Ocorre tanto em capoeirões quanto em florestas secundárias e clímax.

A polinização ocorre principalmente por pequenos insetos e abelhas. A floração ocorre de outubro a janeiro nos estados do Paraná e de Santa Catarina. Em plantios, o processo reprodutivo inicia-se por volta dos 10 anos de idade.

A dispersão de frutos e sementes é predominantemente anemocórica (pelo vento), podendo ultrapassar 100 metros da árvore-mãe em condições de vento forte. No entanto, os macacos desempenham papel essencial nesse processo: ao removerem o opérculo (tampa) do fruto, facilitam a liberação das sementes, que então são carregadas pelo vento. Os frutos jovens e as sementes são apreciados por espécies como o bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans).

Distribuição geográfica ampla

O jequitibá-branco ocorre naturalmente no sul da Bolívia, leste do Paraguai e no Peru. No Brasil, apresenta ampla distribuição, sendo registrado nos estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal.

Do ponto de vista fitoecológico, é encontrado na Floresta Ombrófila Densa (Amazônica e Atlântica), especialmente nas formações de Terras Baixas e Submontanas, além da Floresta de Tabuleiro no norte do Espírito Santo. Também ocorre na Floresta Estacional Semidecidual, onde pode se destacar como espécie emergente.

 

Múltiplos usos 

A colheita dos frutos deve ser realizada quando mudam da coloração verde para a escura. Após coletados, ainda fechados, devem ser armazenados em local ventilado até a deiscência. As sementes aladas são extraídas por agitação; para remover as asas e obter apenas o núcleo seminífero, recomenda-se a maceração, seguida de ventilação para a retirada das impurezas.

Tolera sombreamento na fase juvenil, mas não suporta baixas temperaturas. Após o terceiro ano, torna-se tolerante a geadas leves. Pode ser plantado em consórcios com espécies pioneiras ou secundárias. Apresenta capacidade de brotação após corte, tanto do toco quanto das raízes.

Em sistemas agroflorestais, é indicado para arborização de culturas e pastagens. Seu crescimento varia de moderado a rápido, dependendo das condições ambientais.

Seus frutos, conhecidos popularmente como “pitos”, são utilizados na confecção de cachimbos rústicos no artesanato tradicional; é recomendado para restauração de matas ciliares, especialmente em solos bem drenados ou sujeitos a inundações periódicas de curta duração; no paisagismo, destaca-se pela imponência e valor ornamental, sendo indicado para arborização de praças públicas; suas flores possuem interesse apícola, contribuindo para a produção de mel; e, na medicina popular, diferentes partes da planta são empregadas na forma de chás e preparados terapêuticos.

 

Jequitiba-branco (Cariniana estrellensis)

Detalhes da flor, folha e semente do jequitibá-branco (Cariniana estrellensis). Fotos: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e (CC BY 2.0) João de Deus Medeiros via Wikimedia Commons e Flickr.

Jequitibá-branco

Nome científico: Cariniana estrellensis (Raddi) O. Kuntze

Família: Lecythidaceae

Fruto: parecido uma pequena urna de madeira (5 a 11 cm de comprimento)

Semente: de cor castanha, até 4 cm de comprimento

Crescimento da muda: rápido.

Coleta de sementes: os frutos devem ser coletados quando mudam da coloração verde para a escura. Recomenda-se o armazenamento em câmara fria.

Germinação: com início entre 6 e 70 dias após a semeadura. O poder germinativo varia de 46% a 95%; em média, 70%.

Plantio: espécie recomendada para arborização de culturas e de pastos. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Não consta.

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. jequitibá-branco: Cariniana estrellensis. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 621-627. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140092/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-1-Jequitiba-Branco.pdf. Acesso em: 03 mar. 2026.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: (CC BY-CA 3.0) Mauro Halpern via Wikimedia Commons.

Livro aborda adaptação climática com perspectiva interseccional

Livro aborda adaptação climática com perspectiva interseccional

Livro aborda adaptação climática com perspectiva interseccional

A nova publicação “Caminhos para um olhar inclusivo sobre adaptação climática”, elaborada pelo Grupo de Trabalho de Gênero e Justiça Climática do Observatório do Clima (OC), articula bases científicas com saberes sociais e ancestrais para avaliar se planos, programas e ações de adaptação incorporam a perspectiva da interseccional e decolonial.

A obra é fruto de um esforço coletivo que reuniu especialistas, profissionais, ativistas e convidados. Gênero, raça e classe social influenciam diretamente quem sofre mais com enchentes, secas, deslizamentos e ondas de calor e quem tem menos acesso a políticas públicas eficazes. Não é possível falar em adaptação climática sem enfrentar as estruturas de poder que moldam as desigualdades históricas. 

Interseccionalidade como eixo central

Na primeira seção, os autores discutem a relação entre desigualdade e mudanças do clima, destacando como raça, território e justiça social se entrelaçam na experiência concreta dos eventos extremos. Relatos de pessoas que já vivenciam os impactos da ausência de políticas eficazes dão o tom de urgência à publicação.

A segunda parte amplia o debate ao incorporar perspectivas antiespecista, anticapacitista, trans, indígena, quilombola, da infância, da juventude e da população idosa. O objetivo é demonstrar como diferentes sistemas de opressão se sobrepõem e produzem vulnerabilidades específicas, conceito fundamental da interseccionalidade. O livro também reforça o “lugar de fala” como ferramenta política e epistemológica, defendendo que populações diretamente afetadas devem ser protagonistas na formulação de soluções.

Já a terceira parte apresenta exemplos concretos de desafios e caminhos possíveis para uma adaptação com justiça climática em diferentes contextos: cidades, campo e setor de energia. A proposta é conectar a diversidade de experiências a estratégias integradoras que promovam não apenas resiliência climática, mas também transição justa para uma sociedade de baixo carbono.

As propostas para uma adaptação com justiça climática defendem a participação plural e equânime de mulheres, povos indígenas e comunidades tradicionais e periféricas na tomada de decisões, a integração entre saberes tradicionais e científicos em processos de formação. Além disso, também defendem a implementação de políticas públicas que enfrentem racismo e misoginia, a criação de salvaguardas de gênero e para grupos vulnerabilizados em projetos de energia e agricultura, a ampliação do acesso a financiamento para iniciativas comunitárias, além da garantia de transparência nos dados climáticos e da adequação da linguagem em debates e negociações, assegurando compreensão e participação efetiva de todos os grupos envolvidos.

Restauração ambiental e reconstrução social

Um dos ensaios que compõem a obra, “Restaurando ambientes e confortando pessoas”, é assinado por Miriam Prochnow, cofundadora e diretora da Apremavi. O texto relata a experiência de restauração ecológica após as enxurradas que atingiram municípios do Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, em dezembro de 2020.

A artesã Carmen Passero, moradora de Rio do Sul, descreve o momento como “assustador”. Em sua propriedade, foram plantadas 900 mudas de árvores nativas após o evento. No total, 13.685 mudas foram plantadas em 35 propriedades, em uma ação conjunta entre comunidades locais, a Apremavi e prefeituras.

Para além da restauração ecológica, a iniciativa teve papel social decisivo. Técnicas da organização relatam que o trabalho envolveu escuta, apoio emocional e incentivo à reconstrução coletiva. A recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) fortaleceu vínculos comunitários e evidenciou que restaurar ecossistemas também é restaurar dignidade e esperança.

> Confira a publicação

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Carolina Schäffer

Apremavi contrata Assistente de Comunicação e Informação

Apremavi contrata Assistente de Comunicação e Informação

Apremavi contrata Assistente de Comunicação e Informação

Se você tem interesse na causa ambiental e experiência com comunicação institucional no terceiro setor esse é o momento de trabalhar conosco!

A oportunidade é para profissional pleno no cargo de Assistente de Comunicação e Informação da Apremavi, em período integral (44 horas semanais), em regime CLT ou híbrido, em regime PJ. A preferência é pela contratação nos termos da CLT, em dedicação integral, condicionada ao trabalho presencial no Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, sede da Apremavi, em Atalanta (SC). 

Contratações PJ serão consideradas, com trabalho presencial opcional (possibilidade de realizar home office).

+ Confira o Termo de Referência (TDR) com o detalhamento da oportunidade.

Os currículos deverão ser encaminhados até às 23h59min (horário de Brasília) do dia 28 de fevereiro de 2026, para o e-mail comunica@apremavi.org.br, juntamente com um texto que manifeste interesse na vaga e liste as afinidades com o trabalho da instituição, bem como apresente trabalhos anteriores (links para redes sociais, portfólio, Behance, etc.) descritos no corpo do e-mail.

A Apremavi tem como princípios a equidade e a diversidade. Incentivamos o envio de propostas por profissionais de grupos minorizados e historicamente invisibilizados (étnicos, gênero e orientação sexual, sociocultural e pessoas com deficiência).

Ajude a Apremavi: compartilhe essas oportunidades de trabalho com profissionais que você conheça.

Entre a lei e a prática: onde estamos com o Código Florestal

Entre a lei e a prática: onde estamos com o Código Florestal

Entre a lei e a prática: onde estamos com o Código Florestal

A Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012), conhecida como Código Florestal, estabelece como a vegetação nativa deve ser tratada em todo o território brasileiro, especialmente nas áreas rurais privadas. Seu objetivo central é buscar o equilíbrio entre a produção econômica e a conservação ambiental, definindo limites, responsabilidades e instrumentos para a proteção dos ecossistemas.

O chamado Novo Código Florestal aplica-se a todo o território nacional e estabelece normas gerais de proteção da vegetação nativa, além de definir conceitos e parâmetros para as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e para as áreas de Reserva Legal (RL) que devem ser observados em todos os imóveis rurais. A lei também criou o Cadastro Ambiental Rural (CAR), instituiu o Programa de Regularização Ambiental (PRA), regulou ações de controle e prevenção de incêndios florestais e previu instrumentos econômicos e financeiros voltados à conservação e à regularização ambiental.

Apesar de seu processo de aprovação ter representado um retrocesso em relação à proteção florestal existente até então, a implementação efetiva do Código Florestal ainda tem potencial para gerar benefícios sociais, ambientais e econômicos significativos. Para isso, no entanto, é fundamental que os instrumentos previstos na lei avancem para além do papel.

 

Termômetro do Código Florestal: onde estamos

O Termômetro do Código Florestal é uma ferramenta desenvolvida pelo Observatório do Código Florestal e por parceiros para acompanhar a implementação da Lei nº 12.651/2012 nos estados e municípios brasileiros. Seu objetivo é promover transparência por meio da produção e da sistematização de dados qualificados.

O boletim 2024-2025 apresenta os principais resultados da análise dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), com números de destaque em escala nacional. As informações estão organizadas por assentamentos, imóveis rurais, territórios tradicionais, biomas e estados brasileiros.

O Brasil alcançou 436,9 milhões de hectares cadastrados no CAR, frente aos 428,9 milhões registrados na atualização anterior. Ainda assim, 24,6 milhões de hectares permanecem fora do cadastro, o que representa cerca de 5,32% da área total que deveria integrar o sistema.

Embora tenha havido um incremento de aproximadamente 8 milhões de hectares cadastrados, os esforços de análise por parte dos órgãos ambientais permanecem muito aquém do necessário. Apenas 10,82% dos cadastros foram analisados, o que amplia os riscos de inconsistências cadastrais, sobreposições indevidas e conflitos fundiário

A regularização ambiental é um passo essencial para proteger a vegetação nativa, garantir segurança jurídica aos produtores rurais e fortalecer a implementação efetiva do Código Florestal. Sem a análise e validação dos dados do CAR, esse processo permanece frágil

Os dados mais recentes indicam que não houve redução do desmatamento ilegal em Áreas de Reserva Legal (RL) e em Áreas de Preservação Permanente (APPs), áreas que deveriam estar protegidas ou em processo de restauração para a adequação ambiental dos imóveis rurais. Na prática, isso significa que muitas dessas áreas seguem degradadas e sem recuperação.

O passivo nacional de Reserva Legal alcançou 17,3 milhões de hectares, frente aos 16,3 milhões registrados anteriormente. Já o déficit em Áreas de Preservação Permanente subiu para 3,14 milhões de hectares, em relação a 3,03 milhões no período anterior. Em contrapartida, houve crescimento nos ativos ambientais: o remanescente de Reserva Legal chegou a 98,6 milhões de hectares, e o excedente de vegetação nativa atingiu 70 milhões de hectares, com ganho de cerca de 2 milhões de hectares em relação aos 68,2 milhões anteriores.

Esse excedente de Reserva Legal representa uma oportunidade estratégica para a compensação ambiental ou para a conservação remunerada por meio de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), instrumentos previstos no Código Florestal. No entanto, a ausência de regulamentação efetiva por parte do governo limita sua aplicação prática e reduz seu potencial de contribuir para a redução dos passivos ambientais.

> Confira o boletim completo

Boletim do Termômetro do Código Florestal
Guia para entender o Código Florestal

Com o objetivo de ampliar o entendimento sobre a legislação, o Observatório do Código Florestal lançou recentemente um Guia que reúne informações detalhadas sobre as regras vigentes, o passo a passo para a regularização ambiental e as principais perspectivas e desafios para a plena implementação da lei.

O guia reúne quatro capítulos que explicam os fundamentos do Código Florestal, os benefícios da conservação da vegetação nativa, os principais desafios à implementação da lei e as regras práticas para a regularização ambiental dos imóveis rurais.

“Apesar da anistia concedida à parte dos produtores que desmataram e da criação de mecanismos para a regularização ambiental, o Código Florestal segue enfrentando desafios mais de uma década após sua aprovação. A falta de vontade política, o baixo comprometimento de parte dos produtores e a não priorização de instrumentos-chave, como a análise do CAR e a ampliação dos PRAs, são apontados como algumas das principais causas da sua implementação ainda incompleta”, relata a publicação.

> Conheça o Guia

 

Guia da Proteção da Vegetação Nativa

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Wigold Schäffer

The Last of Us da Mata Atlântica: nova espécie de fungo é descoberta

The Last of Us da Mata Atlântica: nova espécie de fungo é descoberta

The Last of Us da Mata Atlântica: nova espécie de fungo é descoberta

Um pequeno filamento encontrado no chão da floresta, conhecido cientificamente como estroma ou estrutura reprodutiva, revelou uma nova espécie de fungo “zumbificador” da Mata Atlântica brasileira. 

Batizada de Purpureocillium atlanticum, a espécie foi descrita a partir de um exemplar coletado em novembro de 2022, no estado do Rio de Janeiro, e integra um grupo fascinante de fungos conhecidos por parasitar e matar seus hospedeiros. Esses organismos ganharam fama popular por inspirarem narrativas, como a série The Last of Us, mas, na natureza, desempenham papéis ecológicos essenciais. 

No caso dessa nova espécie, o hospedeiro é uma aranha que vive no solo da floresta, em sua própria toca. A espécie infecta aranhas-alçapão, que vivem protegidas em galerias subterrâneas fechadas por uma estrutura semelhante a um alçapão. Após a morte do animal, o fungo cobre quase todo o corpo da aranha com um micélio branco e algodonoso. Em seguida, uma estrutura reprodutiva de até dois centímetros emerge do cadáver, atravessa o alçapão e se projeta acima do solo para liberar esporos e dar continuidade ao ciclo de vida.

Trata-se de uma estratégia evolutiva altamente especializada, como explica Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenador do MIND.Funga (Monitoring and Inventorying Neotropical Diversity of Fungi) vinculado ao Laboratório de Micologia da instituição, em entrevista à Apremavi: “quando falamos de parasitas, muitas vezes são relações específicas que evoluíram há milhares de anos. Em nível de espécie, são relações interdependentes”, afirma Elisandro. “Qual o aspecto negativo disso? Nenhum!”

Parte da prancha do artigo científico de descrição da espécie de fungo zumbificador Purpureocillium atlanticum onde é possível observar a estrutura reprodutiva da espécie em cinza

Parte da prancha do artigo científico de descrição da espécie, onde é possível observar a estrutura reprodutiva da espécie em cinza, a aranha morta (na parte inferior, onde há terra) e ver que ele cresceu para fora do chão da floresta, além de um registro microscópico dessa estrutura reprodutiva. Créditos: Araújo, J. P., Przelomska, N. A., Smith, R. J., Drechsler-Santos, E. R., Alves-Silva, G., Martins-Cunha, K., … & Antonelli, A. (2025). A new species of Purpureocillium (Ophiocordycipitaceae) fungus parasitizing trapdoor spiders in Brazil’s Atlantic Forest and its associated microbiome revealed through in situ “taxogenomics”. IMA fungus, 16, e168534.

Descoberta brasileira em campo e ciência inovadora

A descoberta ocorreu durante uma semana de campo na RPPN Alto da Figueira, em Nova Friburgo (RJ), organizada por pesquisadores brasileiros que hoje atuam no exterior e foi publicada na revista IMA Fungus. A expedição foi liderada por Dr. Alex Antonelli, diretor científico do Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, e teve a participação de Dr. João Araújo, da Universidade de Copenhague, especialista em Cordyceps reconhecido globalmente.

Foi João Araújo quem percebeu, ainda em campo, que aquele filamento discreto indicava algo fora do comum. “Em qualquer atividade de campo, muitas vezes você pode encontrar uma nova espécie para a ciência”, comenta Elisandro. “A Mata Atlântica, apesar de toda a sua história de estudo, ainda guarda uma biodiversidade única, exclusiva, endêmica e, muitas vezes, desconhecida.”

O maior diferencial do estudo foi o uso de uma abordagem inovadora chamada taxogenômica, que combina taxonomia tradicional com sequenciamento genético de última geração feito diretamente no campo, por meio da tecnologia Oxford Nanopore: “eles levaram um equipamento para sequenciamento de genomas de última geração para o campo. Em uma semana, conseguimos saber se estávamos à frente de uma novidade científica. Essa ferramenta não substitui as análises morfológicas, de biologia molecular clássicas e os dados ecológicos, mas acelera muito o descobrimento da biodiversidade, algo altamente requerido no Brasil.”

Após a etapa de campo, o MIND.Funga teve papel fundamental na continuidade da pesquisa. O grupo colaborou com análises morfológicas, revisão da literatura científica e passou a ser o fiel depositário do espécime-tipo da nova espécie em sua coleção científica. Ou seja, o material tipo, utilizado para descrever a espécie, encontra-se depositado na coleção de fungário/herbário FLOR, da UFSC.

Além do avanço científico, Elisandro destaca o impacto político e estrutural desse tipo de abordagem. “Esse método diminui o colonialismo científico em regiões megadiversas e exige formação de taxonomistas locais para descobrir sua própria biodiversidade.”

Equipe MIND Funga da UFSC em campo na Serra Catarinense que colaborou para a descrição da nova espécie de fungo da Mata Atlântica

Equipe MIND.Funga da UFSC em campo na Serra Catarinense. Foto: Elisandro Drechsler-Santos

Muito além de um fungo ‘zumbificador’

Apesar da descoberta inovadora, o pesquisador reforça que ainda se sabe pouco sobre o ciclo de vida completo da nova espécie. Casos semelhantes já vêm sendo observados em outros biomas brasileiros. Na Amazônia, por exemplo, foi registrada recentemente uma tarântula enterrada infectada por um fungo semelhante. Na Serra Catarinense, há indícios de que aranhas gigantes parasitadas por Cordyceps possam representar espécies novas, ainda em processo de descoberta, e o espécime encontrado na amazônia irá ser útil no processo de comparação e tomada de decisões

Esses achados reforçam uma mudança importante na forma de olhar para os fungos: “são necessários estudos de longo prazo. É difícil entender com clareza como ocorrem a infecção e o ciclo de vida sem esse tipo de avaliação. Hoje vemos que muitos fungos fazem parte de complexos de espécies, escondidos, mas altamente específicos de cada bioma e fitofisionomia.”

Cordyceps caloceroides parasitando uma tarântula na Amazônia

Cordyceps caloceroides, parasitando uma tarântula na Amazônia. O registro chamou atenção e viralizou nas redes sociais após ser compartilhado por Elisandro. Foto: Elisandro Drechsler-Santos

Funga, clima e conservação

A descoberta de Purpureocillium atlanticum ocorre em um momento estratégico para a ciência sobre a Funga brasileira. Em 2026, será publicada a primeira Lista Vermelha Nacional da Funga, um marco histórico para a conservação do grupo, vitória que o MIND.Funga ajudou a construir com vários atores nacionais e internacionais, com destaque para o IUCN SSC Brazil Fungal Specialist Group, grupo de especialistas da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN, que Elisandro é Chair.

“A partir do momento em que uma espécie entra na lista vermelha do MMA, o governo passa a ter responsabilidade por ações concretas. Os fungos regulam o clima do planeta, contribuem para a retirada de carbono da atmosfera e têm enorme potencial biotecnológico. Eles precisam estar na agenda conservacionista da biodiversidade brasileira”, comenta Elisandro.

Ainda não se sabe se a nova espécie é endêmica ou ameaçada, mas uma coisa é certa: ela escancara o quanto ainda desconhecemos sobre a biodiversidade que sustenta a Mata Atlântica. “A biodiversidade é uma riqueza incrível, parte da soberania do país, não só para ser explorada, mas para ser conhecida, protegida e valorizada”, finaliza Elisandro.

Purpureocillium atlanticum

É um fungo que parasita aranhas-alçapão que vivem em tocas subterrâneas. Após matar seu hospedeiro, o fungo produz uma estrutura reprodutora que emerge pela abertura da toca para liberar esporos na superfície.

A espécie foi coletada em novembro de 2022 e identificada por meio de uma abordagem integrativa, incluindo taxonômica de ponta, combinando taxonomia tradicional com tecnologia portátil de sequenciamento de DNA (Oxford Nanopore), permitindo que os pesquisadores decodificassem o genoma do fungo diretamente em campo.

A descoberta destaca a diversidade da Funga oculta da Mata Atlântica e ressalta a importância de acelerar a pesquisa acerca da biodiversidade em países megadiversos como o Brasil. A maioria das espécies de fungos permanece sem descrição, apesar do seu papel crucial na regulação dos ecossistemas, no equilíbrio do clima e nas estratégias de conservação.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Elisandro Drechsler-Santos
Foto de capa: © Araújo et al. (2025), IMA Fungus.

Copaíba-óleo, espécie nobre da Floresta Ombrófila Densa

Copaíba-óleo, espécie nobre da Floresta Ombrófila Densa

Copaíba-óleo, espécie nobre da Floresta Ombrófila Densa

Com altura média entre 10 e 20 metros, a Copaíba-óleo (Copaifera trapezifolia Hayne) ocorre nos remanescentes da Floresta Ombrófila Densa ao longo do território brasileiro. Em Santa Catarina a espécie encontra condições especialmente favoráveis ao seu desenvolvimento, apresentando uma densidade expressiva, que pode chegar a 10 a 15 indivíduos por hectare.

É conhecida popularmente na região Sul do país como copaíba, copaúva, copuva, óleo ou pau-óleo, e seu nome científico (epíteto específico) trapezifolia foi dado pois as folhas da espécie apresentam forma de trapézio. As flores são brancas e pequenas, visitadas por abelhas e outros pequenos insetos polinizadores. Já os frutos, que podem ser observados entre setembro a novembro nas populações em Santa Catarina, atraem pássaros e pequenos mamíferos, que se encarregam da dispersão das sementes (zoocoria). 

Árvore da espécie Copaifera trapezifolia Foto BY-NC-SA 4.0 João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina

Aspectos da espécie Copaifera trapezifolia. Fotos: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro e Flávio Zanchetti via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

As populações da copaíba-óleo foram reduzidas ao longo do século XX, por conta da exploração para marcenaria. Entre outras aplicações, a madeira resistente era utilizada para a fabricação de móveis comuns e de luxo; produção de mastros de barco de pesca, implementos agrícolas, peças para carretéis e coronhas de fuzil. 

Atualmente a espécie não está classificada como ameaçada de extinção, e é recomendada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para uso em iniciativas de restauração ecológica. O Viveiro Jardim das Florestas, da Apremavi, produz mudas da espécie para essa finalidade.

Embora as sementes mantenham a viabilidade de germinação por um ano, quando armazenadas em condições de ambiente não controlado, a presença de cumarina na semente gera dormência do processo de germinação. A fauna é especialmente importante para a dispersão e viabilidade das sementes: as fezes do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) apresentaram 100% de germinação em 7 dias, enquanto sementes sem tratamento para superar a dormência apresentaram apenas 85% de germinação.

Registro do muriqui-do-sul no Parque Estadual Carlos Botelho (SP)

Registro do muriqui-do-sul no Parque Estadual Carlos Botelho (SP). Foto: (CC BY 2.0) Leonardo Desordi Lobo.

Copaíba-óleo

Nome científico: Copaifera trapezifolia Hayne

Família: Fabaceae

Fruto:legume, com 3 a 4 cm de comprimento

Flor: grandes, vistosas, de pétalas vivamente amarelas de até 30 cm de comprimento.

Crescimento da muda: rápido.

Coleta de sementes: os frutos devem ser coletados maduros e ainda fechados, devendo a deiscência ser feita em ambiente ventilado. As sementes devem ser extraídas manualmente, para ficar livre do arilo.

Germinação: alta, mas é necessário realizar a quebra de dormência (embebição e lavagem em água fria por 48 a 72 horas).

Plantio: espécie recomendada para iniciativas de restauração ecológica, idealmente em métodos de enriquecimento ecológico. 

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Menos preocupante (Least Concern  – LN) (IUCN).

 

Referências consultadas

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Pau-óleo: Copaifera trapezifolia. In: CARVALHO, P. E. R. (Org.). Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v. 1, p. 775-780. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140110/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-1-Pau-Oleo.pdf. Acesso em: 30 jan. 2026.

GIEHL, E. L. H. (coord.). Copaifera trapezifolia Hayne. Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Universidade Federal de Santa Catarina. Disponível em: https://floradigital.ufsc.br/open_sp.php?img=21882. Acesso em: 30 jan. 2026.

 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: (BY-NC-SA 4.0) João Paulo de Maçaneiro via Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

As RPPNs e o compromisso voluntário com a biodiversidade

As RPPNs e o compromisso voluntário com a biodiversidade

As RPPNs e o compromisso voluntário com a biodiversidade

O dia 31 de janeiro marca o Dia Nacional das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), instituído pela Lei nº 13.544, com o objetivo de dar visibilidade e reconhecimento nacional a esse modelo de conservação em propriedades privadas. 

De acordo com dados da Confederação Nacional das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (CNRPPN), o Brasil conta atualmente com 1.902 RPPNs, que somam 837.634,97 hectares de áreas conservadas, concentradas principalmente nas regiões Sudeste e Sul. Esses números evidenciam a relevância das RPPNs como complemento estratégico ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

Criadas por iniciativa dos próprios proprietários, as RPPNs têm como característica central a conservação da diversidade biológica, com proteção garantida em caráter perpétuo, registrada na matrícula do imóvel, sem perda da titularidade da área. Trata-se de um modelo que compartilha com o poder público o ônus da conservação ambiental, fortalecendo a participação da sociedade civil na proteção do patrimônio natural.

RPPN Irmãs Grimm, localizada em Papanduva (SC), criada pela Apremavi. Foto: Weliton Oliveira

Caminhos possíveis e o papel das associações na criação de RPPNs

Segundo Ciro Couto, presidente da Associação dos Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina (RPPN Catarinense), o primeiro passo para quem deseja criar uma reserva é a clareza sobre seus objetivos: “a associação sempre inicia o diálogo com um questionamento fundamental: qual o motivo, o objetivo e as responsabilidades envolvidas na criação de uma RPPN. A partir disso, auxiliamos o interessado a seguir o melhor caminho, seja no âmbito estadual, federal ou municipal”, explica.

Além de seu papel ambiental, as RPPNs apresentam índices positivos de custo-benefício, contribuem para a ampliação das áreas protegidas no país e estimulam a diversificação das atividades econômicas, criando oportunidades ligadas à pesquisa científica, educação ambiental e turismo de natureza.

Apesar dos avanços, ainda existem desafios para a criação de novas RPPNs. O principal deles, segundo Ciro, está relacionado aos custos iniciais. “O maior desafio é o custo das análises cartográficas, especialmente o georreferenciamento. As demais etapas são relativamente simples, pois os órgãos reconhecedores têm facilitado bastante os processos”, avalia. Ele também aponta entraves institucionais pontuais, como o despreparo de alguns cartórios de registro de imóveis, que acabam impondo exigências indevidas mesmo após a aprovação da unidade pelos órgãos ambientais.

Quando comparado a outros estados, Santa Catarina ainda carece de políticas públicas estruturadas de incentivo. “Estados como Rio de Janeiro e São Paulo possuem programas de apoio financeiro e técnico para criação e manejo de RPPNs. Em Santa Catarina, tivemos bons resultados até 2018 com editais de organizações da sociedade civil. Hoje, iniciativas como o projeto do Ministério Público de Santa Catarina, em parceria com a ONG Pimentão Alto Vale, são exemplos inovadores que deveriam ser replicados em outras regiões”, destaca Ciro.

A RPPN Catarinense, que completou 20 anos de atuação no último ano, é hoje uma referência nacional. Ao longo dessas duas décadas, a associação consolidou sua atuação técnica, institucional e política: “o que começou com um pequeno grupo de ambientalistas se transformou em um modelo de organização e representatividade. Atuamos na criação de reservas, planos de manejo, capacitações e no fortalecimento da segurança jurídica das RPPNs”, resume.

“Criar uma RPPN é uma decisão estratégica que alia responsabilidade socioambiental, segurança jurídica e valorização do imóvel. Além de proteger a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, o proprietário amplia suas oportunidades, como acesso a PSA, créditos de carbono, incentivos fiscais e projetos de pesquisa e ecoturismo. Mais do que um instrumento legal, a RPPN é um legado”, finaliza Ciro.

 

 

Parabéns para os 20 anos da RPPN Catarinense

Celebração de 20 anos da RPPN Catarinense. Foto: Thamara Santos de Almeida.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: RPPN Serra do Lucindo, Bela Vista do Toldo (SC). Foto: Weliton Oliveira

Comitê Nacional da IUCN elege nova diretoria

Comitê Nacional da IUCN elege nova diretoria

Comitê Nacional da IUCN elege nova diretoria

Os membros do Comitê Brasileiro da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês de International Union of Conservation of Nature) elegeram a nova diretoria para o triênio 2026-2029.

Entre os eleitos para guiar as atividades do Comitê nos próximos anos estão Carolina Schäffer como presidente (Apremavi), Alice Reisfeld como vice-presidente (SAVE Brasil) e Ângela Pellin​​ como secretária executiva (IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas).

A diretoria assume com o compromisso de manter o espaço de diálogo, cooperação e construção coletiva que existe no Comitê Brasileiro, aprimorando a integração entre seus membros e a incidência em agendas nacionais e internacionais de conservação da biodiversidade.

“Assumir a presidência do Comitê Brasileiro da IUCN é uma grande oportunidade de fortalecer a atuação em rede entre os membros e compartilhar os bons exemplos brasileiros para a conservação da biodiversidade com o mundo. Em um momento crítico para a biodiversidade e o clima, nossa gestão buscará ampliar o diálogo, valorizar a diversidade de experiências e fortalecer a contribuição do Brasil nas agendas nacionais e internacionais de conservação”, relata Carolina Schäffer, que assume a presidência da nova diretoria brasileira da IUCN.

 

A IUCN

Criada em 1948, a IUCN é a maior e mais antiga rede global dedicada à conservação da natureza. A organização reúne mais de 1.400 organizações membros e conta com a contribuição de cerca de 16.000 especialistas voluntários, distribuídos em aproximadamente 160 países.

A atuação da IUCN influencia os rumos da conservação da biodiversidade a partir de uma abordagem integrada, que considera a emergência climática, o papel dos povos indígenas e  comunidades tradicionais e a busca por modelos de desenvolvimento sustentável.

A troca de experiências entre os membros ocorre por meio dos comitês nacionais, que promovem o diálogo e a cooperação em nível local e regional, e também no âmbito das comissões temáticas, que reúnem especialistas de diferentes áreas:

> Saiba mais sobre a organização

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer
Foto de capa: Wigold Schäffer

Ação no STF pede inconstitucionalidade do novo licenciamento ambiental

Ação no STF pede inconstitucionalidade do novo licenciamento ambiental

Ação no STF pede inconstitucionalidade do novo licenciamento ambiental

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ingressaram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF),  pedindo a suspensão das leis aprovadas em 2025 sobre o licenciamento ambiental no Brasil. 

No texto da ação protocolada no STF, os autores defendem que os novos marcos legais aprovados pelo Congresso Nacional representam um “grave retrocesso” socioambiental e violam diversos dispositivos constitucionais, enfraquecendo a legislação de proteção ambiental elaborada ao longo de décadas e com participação efetiva da sociedade civil.

A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025) teve origem no Projeto de Lei nº 2.159/2021, aprovado pelo Congresso em julho de 2025 e sancionado em agosto com 63 vetos presidenciais. Em novembro, o Congresso derrubou 56 desses vetos, ratificando as mudanças no licenciamento ambiental potencialmente dolosas e consideradas inconstitucionais pelo Poder Executivo. Já a Lei nº 15.300/2025 foi intuída a partir da conversão da Medida Provisória nº 1.308/2025, que prevê um regime de licenciamento ambiental especial. Ainda segue em tramitação o Projeto de Lei nº 3.834/2025, destinado a complementar lacunas nas leis já publicadas.

Para as organizações que assinam a ação, o resultado desse processo legislativo foi uma legislação que, em vez de modernizar e fortalecer o sistema de avaliação ambiental, fragiliza o controle, a fiscalização e a capacidade do Estado de prevenir danos ambientais, inclusive os relacionados à crise climática. A ação de inconstitucionalidade argumenta que as leis reduzem salvaguardas, limitam as competências do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), reduzem as competências para a atuação de órgãos federais de fiscalização ambiental e violam compromissos climáticos internacionais assumidos pelo Brasil.

 

Impacto sobre a Mata Atlântica

Em novembro de 2025, o Congresso derrubou dispositivos de proteção ao bioma que haviam sido vetados pelo presidente Lula. A mudança removeu a proteção a florestas em estágios avançados de regeneração, áreas fundamentais para a Mata Atlântica, que perdeu mais de 80% da cobertura original e, ao mesmo tempo, é o bioma onde vivem quase 150 milhões de pessoas.

A ADI também destaca que a Lei nº 15.300/2025, ao tratar do chamado licenciamento especial, faz justamente o contrário do que deveria: simplifica processos para empreendimentos de grande impacto, reduzindo o rigor técnico e os controles do Estado. Para os autores, trata-se do maior retrocesso em matéria socioambiental desde a redemocratização, afrontando direitos fundamentais garantidos na Constituição, como previsto no  artigo 225, que garante a todos o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo dever do Poder Público e da coletividade defendê-lo e preservá-lo para presentes e futuras gerações.

O documento apresentado ao STF traz pareceres técnicos e científicos, incluindo contribuições de pesquisadores como Carlos Nobre, Luciana Gatti e Luiz Marques. Em trecho citado, os cientistas alertam que a viabilidade socioambiental do país “está criticamente ameaçada” e que enfraquecer o licenciamento em um momento de crise ambiental global é “irresponsável e inconstitucional”, o que coloca em risco a segurança alimentar, hídrica, sanitária e física da população brasileira.

A petição foi articulada pelo Observatório do Clima, em parceria com o PSOL e a Apib, e é assinada também por outras 11 organizações da sociedade civil: Greenpeace Brasil, Instituto Socioambiental , WWF-Brasil, Alternativa Terrazul, Instituto Arayara, Instituto Alana, Conectas Direitos Humanos, Instituto de Direito Coletivo, Conaq, Fundação SOS Mata Atlântica e Avaaz. Todas as organizações acompanharam a tramitação das leis no Congresso e solicitaram ingresso no processo como amicus curiae, o que lhes permite participar voluntariamente e fornecer informações técnicas, jurídicas ou sociais relevantes à ação em análise.

Os autores pedem que o STF conceda liminar, suspendendo imediatamente os efeitos das duas leis até o julgamento definitivo. O entendimento das organizações é claro: longe de representar modernização, o novo marco do licenciamento ambiental abre caminho para a ampliação do desmatamento, o aumento de conflitos territoriais, riscos à biodiversidade e fragilização da governança ambiental no país.

Agora, caberá aos ministros do Supremo Tribunal Federal decidir se a legislação segue válida ou se será suspensa enquanto analisam, em profundidade, os argumentos de inconstitucionalidade apresentados. Diante do maior retrocesso socioambiental desde a redemocratização, não há neutralidade possível. Povos indígenas e comunidades tradicionais, cientistas, organizações ambientais e cidadãos seguem, mais uma vez, juntos em defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações.

Como lembra a Apremavi: é preciso seguir com o boca no trombone e mão na massa; denunciando retrocessos, mas também na defesa, restauração e conservação das florestas e de todas as formas de vida.

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Observatório do Clima.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.
Foto de capa: Fiscalização Ambiental Federal realizada pelo Ibama em 2023. Foto: (CC) Comar/Ibama.

Apremavi é eleita conselheira do Pacto Mata Atlântica e do Diálogo Florestal

Apremavi é eleita conselheira do Pacto Mata Atlântica e do Diálogo Florestal

Apremavi é eleita conselheira do Pacto Mata Atlântica e do Diálogo Florestal

A Apremavi foi reeleita para compor o Conselho de Coordenação do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica (2026 – 2029), e também retornou ao Conselho de Coordenação do Diálogo Florestal (2026 – 2028)

A atuação em redes e coletivos é essencial para somar esforços, ampliar o diálogo entre diferentes setores e fortalecer ações de conservação e restauração ecológica em escala. Com esse entendimento, a Apremavi participa ativamente de diversas articulações que abordam temas como conservação da biodiversidade, restauração ecológica, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.

 

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica

A Apremavi foi reeleita para integrar o Conselho de Coordenação do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica no período de abril de 2026 a abril de 2029. Signatária do Pacto desde sua fundação, em 2009, a reeleição reforça a atuação estratégica da organização no fortalecimento da restauração ecológica e da conservação do bioma. Além disso, a Apremavi também teve sua atuação como Unidade Regional (UR) do Pacto renovada para o estado de Santa Catarina (2026-2028).

Nesta nova composição do Conselho, 39 instituições de diferentes regiões do país, representando distintos elos da cadeia da restauração e múltiplos setores, se candidataram às vagas. O resultado evidencia a continuidade e a renovação da governança da rede: 81% das instituições eleitas já integravam a gestão anterior, enquanto cinco organizações passam a compor o Conselho pela primeira vez.

A nova gestão do Conselho também reflete avanços importantes em termos de representatividade. Entre os membros eleitos, 10 representantes titulares e 13 suplentes são mulheres, correspondendo a 38,5% e 50% das vagas, respectivamente.

“A reeleição representa o reconhecimento de uma trajetória construída de forma coletiva, técnica e comprometida com a restauração da Mata Atlântica, além de oportunizar incidência estratégica e reforçar a responsabilidade na qualificação dos debates dentro do Pacto”, comenta Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi.

Marluci Pozzan, coordenadora de projetos da Apremavi, será a representante titular na gestão, sendo a suplente Edilaine Dick, diretora da instituição.

Lista de organizações eleitas para o Conselho de Coordenação do Pacto Mata Atlântica em 2025

Lista de organizações eleitas para o Conselho de Coordenação do Pacto Mata Atlântica. Créditos: Pacto pela Restauração da Mata Atlântica

Diálogo Florestal

O Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal é responsável pela formulação de políticas e estratégias de atuação da organização, além de deliberar, orientar e monitorar suas ações, com o suporte da Coordenação Executiva Nacional. O espaço reúne representantes de diferentes setores com o objetivo de promover o diálogo, a construção de consensos e a gestão responsável das florestas no Brasil.

Na nova composição do Conselho, a Apremavi está entre outras três organizações da sociedade civil eleitas para integrar o colegiado, ao lado do Instituto BVRio e do Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais. O mandato dos novos membros tem início em 01 de janeiro de 2026, com duração de três anos, sem possibilidade de reeleição.

A eleição marca o retorno da Apremavi ao Conselho do Diálogo Florestal, reconhecendo sua trajetória histórica junto à organização. A Apremavi contribui com o Diálogo Florestal desde o início de sua atuação no Brasil, em 2003, já hospedou  a Secretaria Executiva da organização e integrou o Conselho de Coordenação.

Na titularidade da representação estará Miriam Prochnow, cofundadora da Apremavi, e sua suplente será Carolina Schaffer, atual vice-presidente.

 

Lista de organizações eleitas para o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal

Lista de organizações eleitas para o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal. Créditos: Diálogo Florestal

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e do Diálogo Florestal
Revisão: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Wigold Schäffer

No Dia do Pampa, documentário do Observatório do Código Florestal destaca a força do bioma

No Dia do Pampa, documentário do Observatório do Código Florestal destaca a força do bioma

No Dia do Pampa, documentário do Observatório do Código Florestal destaca a força do bioma

No dia 17 de dezembro, data em que se celebra o Dia do Pampa, o Observatório do Código Florestal (OCF) lançou o documentário “Pampa: a força do bioma invisível”. O evento aconteceu na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, e reuniu cerca de 70 pessoas, entre pesquisadores, representantes de organizações da sociedade civil, agentes públicos e interessados na conservação do bioma.

Equipe do Observatório do Código Florestal e da Apremavi no lançamento do documentário sobre o bioma Pampa , no dia 17 de dezembro de 2025, em Porto Alegre

Equipe do Observatório do Código Florestal e da Apremavi no lançamento do documentário, no dia 17 de dezembro, em Porto Alegre. Foto: Arquivo Apremavi

O documentário é resultado da Expedição Pampa, uma iniciativa do OCF realizada em outubro de 2025, que contou com a participação da Apremavi. Ao longo de oito dias, a expedição percorreu cerca de 1.500 quilômetros pelo território do Pampa gaúcho, reunindo relatos, conhecimentos e vivências que revelam a riqueza, a diversidade e, sobretudo, as urgências que envolvem esse bioma ainda pouco conhecido e frequentemente invisibilizado.

Durante a expedição, a equipe cruzou estradas, campos e comunidades, ouvindo quem vive, produz e protege o Pampa. Pesquisadores, especialistas, pecuaristas, proprietários rurais, agentes públicos e representantes de comunidades tradicionais compartilharam suas histórias e perspectivas. O percurso também evidenciou as marcas deixadas pelas transformações na paisagem e a resistência de quem segue defendendo o bioma.

Pesquisadores explicam que o manejo sustentável do gado pode ajudar a manter as formações campestres abertas, função que, historicamente, era exercida pela fauna silvestre, contribuindo para o equilíbrio ecológico do Pampa. Além da pecuária sustentável, o documentário apresenta alternativas econômicas já presentes no território, como a viticultura, a olivicultura e o uso sustentável da biodiversidade. Essas iniciativas, no entanto, enfrentam desafios significativos, como a falta de políticas públicas de incentivo, dificuldades estruturais e os impactos causados pela deriva de agrotóxicos, especialmente os utilizados em lavouras de soja nas áreas vizinhas.

Nesse contexto, o filme também ressalta a importância do cumprimento do Código Florestal como instrumento fundamental para a conservação e a restauração do bioma Pampa. A implementação efetiva do Programa de Regularização Ambiental (PRA) e os mecanismos de compensação da Reserva Legal são apontados como caminhos estratégicos para conciliar produção e conservação, garantindo segurança jurídica aos produtores rurais e a proteção dos campos nativos a longo prazo.

“O filme traz mais de 30 depoimentos de pessoas (dos territórios) por onde passamos. A ideia é mostrar os desafios e as possibilidades que o bioma tem pela frente”, destacou Marcelo Elvira, secretário-executivo do Observatório do Código Florestal, durante o lançamento do documentário.

 

Implantando o Código Florestal

A iniciativa do documentário faz parte do projeto “Políticas, Práticas, Transparência e Governança para Implementação do Código Florestal” que tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil.

É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação dos Amigos da Terra Amazônia, é apoiado pelo Governo da Noruega e pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD) via Iniciativa Internacional de Clima e Floresta da Noruega – NICFI. A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio.

> Saiba mais 

 

Observatório do Código Florestal

É uma rede de 48 organizações da sociedade civil criada em 2013 com o objetivo de monitorar a implementação bem-sucedida da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei Federal nº 12.651/2012). Tem como propósito fortalecer o papel da sociedade civil na defesa da vegetação nativa brasileira e articular com os mais diversos atores pela proteção da vegetação nativa, pela produção sustentável e pela recuperação de ambientes naturais.

> Conheça

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

Apremavi participa de atividades de educação ambiental na APAE de Curitibanos

Apremavi participa de atividades de educação ambiental na APAE de Curitibanos

Apremavi participa de atividades de educação ambiental na APAE de Curitibanos

Ao longo do segundo semestre de 2025, a Apremavi participou e conduziu atividades de educação ambiental desenvolvidas em conjunto com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Curitibanos (SC).

O que é o “meio ambiente”? Seriam as florestas? Um espaço dividido ao meio? Ou todo o planeta em que vivemos e as relações que nele se estabelecem? Essas e outras reflexões conduziram o trabalho de educação ambiental realizado na APAE de Curitibanos por meio do projeto “Amigos da Natureza”.

A APAE de Curitibanos atende cerca de 300 pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla, com idade até 71 anos, provenientes dos municípios de Curitibanos, Ponte Alta do Norte, São Cristóvão do Sul, Brunópolis e Frei Rogério. As atividades do projeto são desenvolvidas por estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio de exposições lúdicas e dinâmicas práticas, que visam promover o envolvimento e o engajamento dos educandos.

O projeto tem como um de seus principais objetivos promover a inclusão social da pessoa com deficiência a partir da construção da consciência ecológica. Para isso, as ações são planejadas de forma acessível e interativa, abordando temas fundamentais, como a fauna e a flora locais, o espaço que ocupamos no planeta, os seres vivos que nos rodeiam e o papel que desempenham nos ecossistemas e na vida humana. Também são abordadas as diferenças entre animais e plantas, a importância dos microrganismos, a preservação do solo, o respeito aos animais e o cuidado com espécies ameaçadas.

Ao longo do segundo semestre de 2025, foram realizadas cinco atividades temáticas. A primeira abordou “O que faz o lixo desaparecer”, discutindo, de maneira leve e lúdica, os processos de degradação dos resíduos, incluindo fatores bióticos e abióticos. No segundo encontro, ainda com foco nos resíduos, os educandos aprenderam sobre a destinação correta do lixo, de acordo com o padrão nacional de cores, e exploraram o artesanato como alternativa para o reaproveitamento de materiais recicláveis.

O terceiro encontro teve como tema o solo e a fauna do solo, culminando na construção de minhocários para a prática da compostagem. Já o quarto e o quinto encontro tiveram como foco a fauna e a flora, com ênfase especial nos animais e plantas nativos da região. Nessa oportunidade, o trabalho da Apremavi foi apresentado por Marcelo Irmão, estagiário da instituição e estudante de engenharia florestal da Universidade Federal de Santa Catarina. Nesses momentos, os educandos aprenderam novos nomes e características das espécies, de forma dinâmica e divertida, por meio dos jogos Bingo dos Bichos e Quem Sou Eu.

“É apaixonante poder trabalhar temas importantes com um público tão engajado. Os olhos brilham quando a gente fala. Eles se interessam apaixonadamente pelos assuntos, se engajam como ninguém e riem constantemente. Eles gostam de construir coisas com as mãos e, por isso, nos esforçamos para que as atividades sejam também práticas. É impressionante o quanto eles sabem de tanta coisa. Sinto que há uma consciência ecológica latente, e o projeto oportuniza a germinação dessa consciência”, relata Marcelo Irmão, sobre a experiência.

Autor: Marcelo Irmão
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Marcelo Irmão

Assentamento Pátria Livre recebe Oficina de Fonte Caxambu

Assentamento Pátria Livre recebe Oficina de Fonte Caxambu

Assentamento Pátria Livre recebe Oficina de Fonte Caxambu

No meio rural, a água destinada ao consumo humano e animal é frequentemente obtida diretamente de nascentes. Apesar de essenciais, essas fontes naturais podem sofrer contaminações ou acumular impurezas, representando riscos à saúde das famílias agricultoras. Para enfrentar esse desafio, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) desenvolveu o modelo de proteção de nascentes conhecido como fonte caxambu, uma tecnologia simples, eficiente e de baixo custo.

Segundo Cleomar Bressiani, Agente de Extensão Rural da Epagri, a solução traz benefícios diretos para a segurança hídrica das propriedades: “Essa tecnologia ambiental e social de baixo custo desenvolvida pela Epagri é capaz de melhorar a qualidade da água, mantendo padrões adequados de potabilidade e reforçando a segurança e a confiança nas águas de nascentes. Ela melhora consideravelmente as condições ambientais das fontes, além de influenciar positivamente a disponibilidade e a qualidade da água nas propriedades rurais”, destaca.

Oficina no Assentamento Pátria Livre fortalece práticas de conservação

No dia 26 de novembro de 2025, os Programas Klabin Transforma Matas Legais e Matas Sociais, parceria entre a Apremavi e a Klabin, promoveram uma oficina prática de construção da fonte caxambu no Assentamento Pátria Livre, na propriedade de Cidnéia Aparecida Siqueira. A atividade contou com apoio da Epagri dos municípios de Correia Pinto e Ponte Alta e reuniu agricultores interessados em aprimorar o manejo e a proteção de suas nascentes.

A programação começou com a extensionista da Epagri, Andressa dos Santos Fernandes, que apresentou a importância da proteção de nascentes e os princípios que orientam a construção da fonte caxambu. Em seguida, os participantes conheceram os materiais necessários para a execução da técnica.

Após a parte introdutória, o grupo seguiu até a nascente da propriedade para iniciar a etapa prática. Sob a orientação do extensionista Cleomar Bressiani, os agricultores acompanharam passo a passo a construção da estrutura, aprendendo sobre escavação, vedação, proteção e direcionamento da água de forma segura.

Para Andressa, a atividade reforçou o papel essencial da assistência técnica na preservação dos recursos naturais: “Foi muito gratificante fazer parte. É raro encontrarmos hoje em dia pessoas que realmente estejam interessadas em preservar a água e o meio ambiente, e quando encontramos essas oportunidades conseguimos mostrar nosso amor e trabalho pelo serviço que prestamos. Sem dúvidas, oferecer água de qualidade e proteger esse recurso é uma conquista não só da dona Cidnéia, mas nossa também.”

Assentamento Pátria Livre recebe Oficina de Fonte Caxambu em novembro de 2025

Oficina de fonte caxambu ocorrida no Assentamento Pátria Livre no dia 26 de novembro. Fotos Luciano Comunello e Daiana Tânia Barth.

Autores: Andressa Mendes dos Santos Fernandes, Cleomar Bressiani e Luciano F. Comunello
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Equipe da Klabin
Foto de capa: Luciano Comunello

5º Encontro das Unidades Regionais do PACTO promove integração e aprendizados na restauração da Mata Atlântica

5º Encontro das Unidades Regionais do PACTO promove integração e aprendizados na restauração da Mata Atlântica

5º Encontro das Unidades Regionais do PACTO promove integração e aprendizados na restauração da Mata Atlântica

O 5° Encontro das Unidades Regionais (URs) do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica foi realizado entre os dias 1º e 5 de dezembro, em Socorro (SP), reunindo mais de 25 participantes que representaram 20 das 22 organizações que compõem a rede. 

O evento foi sediado pela Associação Ambientalista Copaíba, que recebeu as URs para uma semana de imersão, troca de experiências e visitas técnicas em diferentes áreas restauradas.

Além da Apremavi, entre as organizações participantes estiveram o Instituto Çarakura, Associação Ambientalista Copaíba, Mater Natura, ECO OCELOT, Instituto Socioambiental de Viçosa, Organização de Conservação da Terra , Instituto Terra, Instituto Ciclos de Sustentabilidade e Cidadania , Collard Consultoria Ambiental, Iracambi Centro de Pesquisas, MV Gestão Integrada, Iniciativa Verde, Grupo Ambiental Natureza Bela, Associação Mico-Leão-Dourado, Reserva Ecológica de Guapiaçu , Da Serra Reflorestamento, Courageous Land, The Nature Conservancy e Instituto Bem Ambiental.

Uma programação intensa e colaborativa

O encontro contou com atividades de integração, rodas de conversa, café mundial, visitas a viveiros e áreas restauradas, caminhadas, oficinas e momentos de planejamento coletivo. As discussões incluíram temas como responsabilidades das URs, cadastramento de áreas na Plataforma Geoespacial do Pacto, aprendizados sobre técnicas e desafios de campo e diretrizes para fortalecer a atuação conjunta em 2025.

No último dia, as URs compartilharam aprendizados das visitas e definiram compromissos para o próximo ciclo de trabalho. O encerramento enfatizou a importância do engajamento permanente e da colaboração entre os territórios para ampliar o impacto da restauração ecológica na Mata Atlântica.

Os participantes retornaram às suas regiões levando novos conhecimentos, conexões fortalecidas e a certeza de que restaurar a Mata Atlântica é um trabalho coletivo, enraizado em cooperação, ciência, diálogo e ação contínua.

5º Encontro das Unidades Regionais do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica em Socorro (SP)

Registro do 5° Encontro das Unidades Regionais (URs) do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica entre os dias 1º e 5 de dezembro, em Socorro (SP). Fotos: Luisa Toller.

Vivências que conectam práticas e territórios

Durante a semana, os integrantes das URs participaram de atividades no viveiro e no meliponário da Copaíba e realizaram um plantio simbólico. As visitas de campo, tanto em áreas restauradas da Copaíba quanto em iniciativas referência, como a Da Serra Reflorestamento e o Projeto Conservador das Águas, em Extrema (MG), proporcionaram diálogos diretos com proprietários, técnicos e jovens protagonistas da restauração.

Para Edilaine Dick, coordenadora de projetos e representante da Apremavi no Pacto, a riqueza do encontro esteve justamente na potência da troca entre as instituições: “O que mais chamou a atenção de toda a programação foi a integração das URs, a capacidade técnica das instituições que atuam diretamente na restauração, que colocam a mão na massa. A troca de experiências, tanto nas rodas de conversa quanto nas visitas, foi muito válida. Volto com sugestões do que precisamos melhorar, resolver, potencializar. São processos que outros já acertaram ou erraram e nós também estamos acertando e errando. Isso é unir forças. Ver o que o outro está fazendo, entender os processos, trocar experiências sobre o certo e o errado.”

Segundo ela, esse intercâmbio encurta caminhos e acelera processos: “Com as experiências das outras URs, encurtamos muito o caminho do que outras pessoas já testaram. Claro que nem tudo vale para todas as regiões, mas muitos processos se assemelham. Essa é uma das grandes importâncias do encontro. E também o papel do Pacto em auxiliar políticas públicas, pesquisa, monitoramento e tantos outros temas em que as URs contribuem por meio dos Grupos de Trabalho e forças-tarefa.”

Edilaine destacou ainda o protagonismo jovem observado durante o encontro, especialmente nas visitas técnicas: “Uma das coisas que me impressionou foi ver o protagonismo de pessoas jovens fazendo restauração e investindo nisso como um negócio. No Da Serra, por exemplo, o Pedro buscou referências na Apremavi antes de adquirir a máquina de embalagem de papel. Ele veio entender se era viável investir em um equipamento desse porte, é inspirador ver essa geração construindo a restauração como futuro.”

 

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Luisa Toller

20 anos de sucesso no cultivo de uma parceria entre sociedade civil e setor privado

20 anos de sucesso no cultivo de uma parceria entre sociedade civil e setor privado

20 anos de sucesso no cultivo de uma parceria entre sociedade civil e setor privado

Em 2025, dois programas que transformam a realidade socioambiental de centenas de famílias agricultoras e milhares de hectares na Mata Atlântica chegam a marcos importantes de sua trajetória: o Programa Klabin Transforma Matas Legais, com 20 anos de atuação, e o Programa Klabin Transforma Matas Sociais, que completa 10 anos. Lançados originalmente como Matas Legais (2005) e Matas Sociais (2015).

Desenvolvidos a partir da parceria entre a Apremavi, organização do terceiro setor reconhecida pela excelência no desenvolvimento de projetos de conservação e restauração da Mata Atlântica, e a Klabin, maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil, líder em embalagens de papelão ondulado e referência em celulose de mercado de fibra curta, longa e fluff, os programas se consolidaram como exemplos de que é possível unir conservação da natureza, cumprimento da legislação ambiental e desenvolvimento sustentável nas propriedades rurais.

Miriam Prochnow, coordenadora de políticas públicas da Apremavi, relata a importância das parcerias entre sociedade civil e setor privado. “As parcerias são um passo além do simples apoio a projetos. São oportunidades de crescimento mútuo, com avaliações sobre as atividades que cada instituição pretende desenvolver e o que é possível fazer para potencializar essas ações. Entendo que tudo o que conseguimos implementar nesses anos não só pode, como deve inspirar experiências parecidas em outros territórios, por outras instituições”, avalia Miriam.

Lançado em 2005, o Matas Legais nasceu da necessidade de apoiar produtores rurais vinculados ao Programa Plante com a Klabin, de parceria florestal, no cumprimento da legislação ambiental. Mais do que um ajuste legal, o projeto carrega em seu nome o duplo sentido: legais por cumprirem a lei e por proporcionarem qualidade de vida.

O programa atua em propriedades rurais do Paraná e de Santa Catarina, oferecendo diagnóstico ambiental, projetos técnicos, doação de mudas nativas produzidas no Viveiro Jardim das Florestas da Apremavi, orientação para plantio, monitoramento e apoio ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) e ao Programa de Regularização Ambiental (PRA).

Além da restauração, o Matas Legais promove educação ambiental em escolas e atividades que incentivam a permanência de jovens no campo, disseminando boas práticas de sustentabilidade e despertando novas gerações para a conservação.

O agricultor Irineu Wiggers Warmling, de Santa Catarina, resume sua experiência:

“Aceitei a proposta de plantar mata nativa em três hectares da fazenda. Hoje não tenho nenhuma nascente desprotegida. Onde havia apenas um banhadinho, agora corre água limpa. A natureza retribui quando a gente dá o primeiro passo.”

Em 2015, surgiu o Matas Sociais, ampliando a atuação da parceria para além da adequação ambiental e das ações relacionadas às questões legais. Voltado especialmente à agricultura familiar, o programa é realizado também em Santa Catarina e no Paraná com foco no planejamento da produção, apoio à comercialização de alimentos e geração de renda sustentável.

Um legado de transformação

Somados, os dois programas já atenderam cerca de 2.500 propriedades e promoveram a doação de mais de 2,3 milhões de mudas nativas da Mata Atlântica, resultando em 2.700 hectares restaurados entre plantios e condução da regeneração natural.

Para Mireli Moura Pitz, coordenadora de Responsabilidade Ambiental e Social da Klabin e que acompanha o projeto desde o início, o maior legado está na mudança de mentalidade. “Vemos produtores pensando em geleias com frutos da Mata Atlântica, em sistemas agroflorestais, em novas formas de renda sustentável. A cada ano surgem ideias inovadoras que mostram como é possível conciliar produção e conservação”, explica. 

Já Leandro Casanova, que acompanhou a criação do Matas Legais em 2005 pela Apremavi, destaca a transformação cultural: “Em 20 anos, evoluiu muito a conscientização ambiental dos agricultores. Hoje há mais interesse em preservar nascentes, conservar matas ciliares e pensar na biodiversidade. Esse é um ganho coletivo para toda a sociedade.”

Assinatura da parceria entre a Apremavi e a Klabin em 2005 Foto Arquivo Apremavi

Assinatura da parceria entre a Apremavi e a Klabin em 2005. Foto: Arquivo Apremavi

Olhando para o futuro

Ao completar 20 anos do Matas Legais e 10 anos do Matas Sociais, a Apremavi e a Klabin celebram conquistas que vão além dos números: a formação de uma rede de produtores mais conscientes, paisagens rurais mais sustentáveis e comunidades mais preparadas para enfrentar os desafios da sustentabilidade.

“Mais do que hectares restaurados ou mudas plantadas, esses programas representam um movimento de transformação social e ambiental nas propriedades rurais. Um exemplo concreto de que parcerias entre empresas, organizações da sociedade civil e agricultores podem gerar impacto positivo duradouro”, comenta Maurício Reis, coordenador de projetos da Apremavi.

Área restaurada pelo Matas Legais no Alto Vale do Itajaí (SC)

Área restaurada pelo Matas Legais no Alto Vale do Itajaí (SC). Foto: Arquivo Klabin

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Equipe Klabin
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Apremavi promove integração e capacitação com equipes envolvidas na restauração ecológica

Apremavi promove integração e capacitação com equipes envolvidas na restauração ecológica

Apremavi promove integração e capacitação com equipes envolvidas na restauração ecológica

 

A Apremavi realizou, nos últimos meses, a integração entre a sua equipe técnica e os colaboradores que prestam serviços nas ações de restauração ecológica desenvolvidas em suas áreas de atuação. 

Durante os encontros, foram apresentados o Código de Conduta da Tetra Pak e o Código de Ética da Apremavi, reforçando valores, princípios e diretrizes que orientam a atuação conjunta entre a instituição e seus parceiros. Além disso, a programação incluiu um treinamento prático em campo, com foco na restauração ecológica, abordando o plantio de mudas, as expectativas em relação à execução das atividades, a forma correta de realizar o plantio, bem como os cuidados necessários para a manutenção das áreas restauradas.

As integrações ocorreram ao longo dos meses de outubro e novembro, envolvendo os prestadores de serviço do projeto Conservador das Araucárias, os novos colaboradores da Apremavi contratados em 2025 e os terceirizados do projeto +Floresta, que atuam no Oeste Catarinense. Ao todo, participaram aproximadamente 32 pessoas.

Segundo Edilaine Dick, coordenadora de projetos da Apremavi, a iniciativa é fundamental para garantir a qualidade das ações de restauração e o bom relacionamento entre todos os envolvidos: “Essa integração foi importante para que todos os prestadores de serviço estejam alinhados, tenham clareza e compreendam as regras e os procedimentos que devem ser seguidos para uma boa convivência e integração no ambiente de trabalho”.

Com ações como essa, a Apremavi reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a excelência técnica, fortalecendo e fornecendo as bases para o sucesso das iniciativas de restauração ecológica desenvolvidas em parceria com diferentes projetos e colaboradores.

Registro da integração com os prestadores de serviços do Conservador das Araucárias na Fazenda Taquara entre outubro e novembro de 2025

Registro da integração com os prestadores de serviços do Conservador das Araucárias na Fazenda Taquara. Foto: Arquivo Apremavi

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Edilaine Dick
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Jovens alemães cruzam o Atlântico para aprender sobre restauração com a Apremavi

Jovens alemães cruzam o Atlântico para aprender sobre restauração com a Apremavi

Jovens alemães cruzam o Atlântico para aprender sobre restauração com a Apremavi

A história da Apremavi é marcada por pessoas que chegam, aprendem, contribuem e levam consigo um novo olhar sobre a natureza. Desde sua fundação a instituição promove a união das pessoas através de causas, ativismo, ciência, educação e ações concretas para a  conservação e restauração da Mata Atlântica. Com mais de 40 profissionais atuando em projetos em Santa Catarina e no Paraná. 

O  Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, em Atalanta (SC), é mais que a sede da instituição; ao longo dos anos  tornou-se referência para quem busca aprender na prática como conservar e restaurar ecossistemas.

Entre as milhares de pessoas que já estiveram no “Jardim das Florestas” para  cursos, visitas, estágios e atividades de campo, dois jovens alemães, Jakob Fritz Westerhoff e Simon de Matteis, viveram recentemente uma experiência que marcou suas trajetórias. A presença deles se soma a outras centenas de estagiários e voluntários que querem aprender e co-liderar movimentos em defesa do meio ambiente e da vida.

Um estágio que atravessa gerações

A conexão que trouxe os jovens para Atalanta começou muito antes deles nascerem. Parte da família de Jakob mora na região do Alto Vale (SC), e seu pai esteve na cidade há 30 anos. A ideia de estagiar na Apremavi surgiu a partir dessa lembrança e do interesse em revisitar a história da família: “Meu pai veio aqui há 30 anos, visitou a família e trabalhou em Atalanta. Ele sempre falou muito sobre o Brasil. Eu ouvi também sobre a Apremavi e como ela era naquela época, muito menor do que é hoje. Então decidimos vir e conhecer esse crescimento”, contou.

Simon, que veio ao Brasil pela primeira vez, aceitou o convite do amigo após terminar a escola. “O Jakob me contou sobre a família dele aqui e sobre como a Apremavi tinha mudado. Me pareceu uma oportunidade única.”

Aprendizados no Viveiro e a descoberta de uma nova biodiversidade

Para os dois, a vivência no viveiro da Apremavi proporcionou muitos aprendizados durante o estágio. Acostumados às espécies e paisagens da Europa, trabalhar com árvores nativas da Mata Atlântica foi, ao mesmo tempo, fascinante e desafiador. “Nós trabalhamos com plantas que nunca vimos antes na Alemanha. Foi muito interessante”, destacou Jakob.

Grande parte das atividades do estágio envolveu o cuidado com as mudas, limpeza dos canteiros e observação de espécies desconhecidas por eles. Tiveram a oportunidade de visitar novas áreas em restauração, como a Fazenda Painel e a Fazenda Taquara, na Serra Catarinense. Uma experiência que ampliou ainda mais o entendimento deles sobre a região.

Ao serem questionados sobre como foi conhecer a Mata Atlântica, os jovens contam que a biodiversidade impressiona, especialmente para quem vem de um país com a biodiversidade menos diversa: “É muito interessante porque muitas florestas e animais não existem na Alemanha. Também é um pouco assustador quando você sabe que pode haver aranhas ou cobras”, disse Simon, rindo ao lembrar das primeiras visitas.

Jovens alemães cruzam o Atlântico para aprender sobre restauração com a Apremavi

Registros da entrevista realizada com Jakob Fritz Westerhoff e Simon de Matteis no Viveiro Jardim das Florestas e na Trilha da Restauração, em Atalanta. Fotos: Thamara Santos de Almeida.

O crescimento da Apremavi visto pelos olhos de fora

Um dos pontos que mais surpreendeu os estagiários foi perceber o quanto a Apremavi evoluiu ao longo das últimas décadas, um crescimento relatado por seus pais, que visitaram a região muitos anos antes: “É impressionante ver como a Apremavi cresceu. Meu pai contou como era há 30 anos, e ver o que existe hoje… é muito interessante perceber esse progresso”, afirmou Jakob.

De fato, nas últimas décadas, a Apremavi expandiu suas áreas de atuação, fortaleceu parcerias nacionais e internacionais, ampliou sua capacidade técnica e consolidou programas de restauração que já ajudaram a plantar mais de 10,5 milhões de árvores nativas. O Programa de Estágios também se diversificou, recebendo estudantes e técnicos do Brasil e de diferentes países, interessados em aprender sobre conservação, políticas públicas e manejo ambiental.

Antes de retornarem à Alemanha, os jovens fizeram questão de agradecer à organização. “Obrigado à Apremavi pela oportunidade de fazer um internamento aqui no Brasil. Foi um momento muito legal”, disse Jakob. “Eu também estou muito grato, foi uma experiência muito especial”, completou Simon.

A história dos dois jovens se soma a tantas outras que passam pela Apremavi. Ela reafirma que, além de plantar árvores, a organização também planta conhecimento, inspira futuros profissionais e conecta vidas, algumas vindas de muito longe, à Mata Atlântica. E reforça, que a Apremavi cresceu, mas continua sendo o que sempre foi: um espaço que transforma quem passa por ele.

Assista a entrevista no YouTube:

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Thamara Santos de Almeida

Apremavi marca presença no I Encontro de Biólogos de Santa Catarina

Apremavi marca presença no I Encontro de Biólogos de Santa Catarina

Apremavi marca presença no I Encontro de Biólogos de Santa Catarina

A valorização da profissão de Biólogo ganhou um novo capítulo em Santa Catarina com a realização do I Encontro de Biólogos de Santa Catarina (EBioSC 2025), promovido pelo Conselho Regional de Biologia da 9ª Região (CRBio-09)

O evento, realizado em 22 de novembro de 2025, em Florianópolis, reuniu profissionais das Ciências Biológicas, estudantes, empresas, instituições de ensino e organizações socioambientais em um espaço dedicado ao fortalecimento da profissão e ao debate de temas de grande relevância para o Estado.

Criado em 2021 a partir do desmembramento do CRBio-03, o CRBio-09 vem, desde 2022, atuando no acompanhamento de ações estratégicas relacionadas às Ciências Biológicas, posicionando-se como referência estadual na orientação, fiscalização e valorização profissional. O EBioSC 2025 nasce como a primeira grande iniciativa do Conselho, inspirado em fóruns bem-sucedidos do Sistema CFBio/CRBios e com a missão de construir um espaço permanente de diálogo e de desenvolvimento técnico-científico.

A Apremavi esteve representada no evento por Carolina Schäffer, vice-presidente e coordenadora da organização. Convidada como palestrante, Carolina apresentou a palestra intitulada “A atuação do Biólogo no Meio Ambiente e Biodiversidade”, compartilhando sua trajetória profissional, marcada pela dedicação à conservação e restauração ecológica da Mata Atlântica, comunicação e ao fortalecimento de políticas públicas.

Ser bióloga é atuar de forma multidisciplinar. A conservação e restauração ecológica exigem não só pesquisa e olhar integrado da paisagem para a implementação prática, mas também comunicação, articulação com comunidades e participação em políticas públicas, dessa forma, a nossa atuação ganha força e gera mais impacto”, comenta Carolina.

I Encontro de Biólogos de Santa Catarina (EBioSC 2025) em Florianópolis no dia 22 de novembro

Registros do I Encontro de Biólogos de Santa Catarina (EBioSC 2025) em Florianópolis no dia 22 de novembro. Fotos Marcia Stefani

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Marcia Stefani

Balanço da COP30: entre avanços simbólicos e lacunas decisivas

Balanço da COP30: entre avanços simbólicos e lacunas decisivas

Balanço da COP30: entre avanços simbólicos e lacunas decisivas

A COP30 terminou sob críticas, principalmente da sociedade civil internacional. Sediada em Belém, no coração da Amazônia, a Conferência foi marcada por sinais importantes de inclusão e diálogo, mas não entregou respostas compatíveis com a urgência da emergência climática.

O texto final não mencionou a eliminação dos combustíveis fósseis nem do desmatamento, as duas maiores fontes de emissões globais. Tampouco esclareceu como os países financiarão, em escala adequada, a mitigação e adaptação necessárias para limitar o aquecimento a 1,5°C. Também não houve acordo para reduzir a distância entre as promessas nacionais e o que a ciência indica como indispensável para evitar o colapso climático. 

Contudo, é importante ressaltar que essa foi a segunda maior COP da história em público, atrás apenas da conferência realizada em Dubai, com 56 mil inscritos.

Segundo Miriam Prochnow, cofundadora e diretora da Apremavi presente no evento, o resultado final das negociações “não entregou o que deveria diante da urgência das ações que precisamos tomar”, em grande parte devido ao lobby atuante da indústria de combustíveis fósseis. Apesar disso, ela destaca que essa foi uma das COPs com maior participação social, algo visível nas ruas e nos espaços oficiais de Belém.

“Esse é um caminho que nós precisamos seguir como estratégico, que é de fato o envolvimento das pessoas, tanto nas casas que estavam espalhadas na cidade de Belém quanto na Zona Verde da COP; os corredores sempre estavam cheios de pessoas que realmente atenderam o chamado das questões climáticas”, relata Miriam.

Ela também ressaltou a atuação da Apremavi, que esteve em diversos painéis e mesas na Zona Azul, na Zona Verde e nas casas temáticas, abordando temas como restauração ecológica, mitigação climática, Código Florestal e gênero junto ao Observatório do Clima, ao Observatório do Código Florestal e à Rede de ONGs da Mata Atlântica. Miriam destacou, ainda, a celebração dos 20 anos do Fundo CASA como um exemplo de iniciativa bem-sucedida no financiamento climático.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reconheceu que houve avanços, mas também afirmou que ainda ficam aquém da urgência. Ela destacou que, se comparado aos sonhos e às ambições da Rio-92, o mundo de hoje mostra um atraso profundo nas respostas globais. Segundo a ministra, temas centrais, como os roteiros sobre desmatamento zero e a transição para longe dos fósseis, não foram considerados nas decisões finais por falta de consenso, mas serão desenvolvidos pela presidência brasileira.

Lacunas que permaneceram:
  • Mapa do Caminho fora do texto oficial:
    A proposta do Brasil e da Colômbia para organizar a transição energética e acabar com o desmatamento ficou de fora após resistência de países produtores de petróleo.

  • Financiamento climático insuficiente:
    Os países concordaram apenas em “fazer esforços” para triplicar o financiamento de adaptação até 2035, sem definir valores, fontes ou responsabilidades

  • Meta Global de Adaptação (GGA) enfraquecida:
    A lista de indicadores caiu de cerca de 100 para pouco mais de 60, reduzindo a força e a capacidade de monitorar avanços na adaptação, prioridade para países em desenvolvimento.

  • Mitigação sem avanços estruturais:
    O texto final repete a ambição da COP29 e não menciona combustíveis fósseis. Não houve sinalização concreta de que o mundo está preparado para reduzir as emissões no ritmo e na escala necessários.

Avanços relevantes, embora limitados:
  • Compromisso político brasileiro com novos roadmaps:
    O embaixador André Corrêa do Lago anunciou a criação de dois roteiros nacionais, um para deter e reverter o desmatamento e outro para promover a transição energética justa e equitativa.

  • Inclusão histórica de povos indígenas e comunidades tradicionais:
    A realização da COP na Amazônia impulsionou a participação direta de povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes nas negociações e nas agendas de transição justa.

  • Lançamento do Tropical Forests Forever Facility (TFFF):
    Um novo mecanismo para valorizar países que mantêm florestas tropicais em pé, reconhecendo seu papel estratégico no clima global. O fundo foi proposto pelo governo brasileiro e arrecadou, durante a COP, cerca de R$ 5,5 bilhões, dos quais 20% serão destinados diretamente aos povos indígenas.

  • Sinalização de aumento no financiamento para adaptação:
    A promessa de triplicar o financiamento até 2035 entrou no texto do Mutirão Global, ainda que sem detalhes de implementação.

  • Direitos indígenas como estratégia climática:
    Pela primeira vez, o pacote final reconhece explicitamente o papel dos povos indígenas na proteção das florestas e na adaptação climática.

  • Plano de Ação de Gênero de Belém aprovado:
    O documento fortalece a participação de mulheres e meninas nos processos decisórios climáticos, um avanço simbólico e prático para a justiça climática.

Declaração de Belém e pressões paralelas

Sem espaço no texto oficial, uma iniciativa liderada pela Colômbia, a Declaração de Belém para o Fim dos Combustíveis Fósseis, ganhou força durante a COP30, reunindo 25 países comprometidos com uma transição justa, ordenada e compatível com 1,5°C. O Brasil não assinou, pois buscou inserir o tema nas decisões formais.

A coalizão também anunciou a primeira Conferência para o Fim dos Fósseis, marcada para abril de 2026, na Colômbia.

Cientistas, que tiveram pavilhão próprio pela primeira vez, reforçaram que não há cenário seguro sem o fim dos fósseis até 2040–2045. Sem metas claras para fósseis e desmatamento, e com financiamento ainda indefinido, o mundo permanece distante do caminho necessário para limitar o aquecimento global.

Marcha Mundial dos Povos Indígenas pelas ruas de Belém, evento paralelo à COP30

Marcha Mundial dos Povos Indígenas, manifestação contra o desaparecimento de defensores do meio ambiente, Marcha pelo Clima e atividades em que a Apremavi participou junto a Rede de ONGs da Mata Atlântica e ao Observatório do Código Florestal. Fotos: Jamile Laquini, Observatório do Código Florestal e Alberto César Araújo e Juliana Pesqueira/Amazônia Real.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Fotografia oficial da Cúpula do Clima (COP30). Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

Programa Geração +Floresta envolve 120 estudantes em 2025

Programa Geração +Floresta envolve 120 estudantes em 2025

Programa Geração +Floresta envolve 120 estudantes em 2025

Entre abril e novembro, cerca de 120 estudantes do 5º ano do ensino fundamental e 2º ano do ensino médio e técnico de Abelardo Luz (SC) participaram do Programa de Educação Ambiental Geração +Floresta, iniciativa do Projeto +Floresta

As atividades buscam  fortalecer o vínculo dos jovens com a biodiversidade local e promover o entendimento sobre o planejamento de propriedades e paisagens. Criado em 2023, o programa oferece capacitações anuais para alunos das instituições que atendem moradores do território do projeto: EIEF Cacique Karenh, EBM 25 de Maio, EBM José Maria, EEM Semente da Conquista, EEM Paulo Freire e IFC Campus Abelardo Luz.

As formações são desenvolvidas com temáticas específicas, promovendo o desenvolvimento contínuo ao longo do ano letivo.  Enquanto os estudantes do 5º ano participam de momentos de aprendizagem sobre a biodiversidade, com as turmas do ensino médio são realizados momentos formativos sobre o planejamento de propriedades e paisagens, com foco em ferramentas digitais, uso do solo e biodiversidade local. Essa estrutura é alinhada com o planejamento didático das etapas escolares e, ao mesmo passo, com os interesses dos estudantes.

Encerramento com observação da avifauna no Parque Nacional das Araucárias

A última atividade do ano das turmas do 5º ano da EIEF Cacique Karenh e da EBM José Maria ganhou uma atividade especial. Em parceria com o Núcleo de Gestão Integrada (NGI) de Palmas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a equipe responsável pela gestão das Unidades de Conservação Federais da região (Parque Nacional das Araucárias, Estação Ecológica da Mata Preta e Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas) visitou as escolas para apresentar o trabalho realizado pelo órgão e conduzir uma prática de observação de aves com os alunos.

Para Alini Guinzelli Bortolaz, agente temporária ambiental do ICMBio e guia de trilhas no Parque Nacional das Araucárias, a atividade representou muito mais do que um momento de lazer: ao registrar e identificar espécies, os observadores contribuem com dados valiosos para o monitoramento da fauna e para o conhecimento sobre os ecossistemas. Essa prática desperta o interesse pela natureza, promove a educação ambiental e fortalece o sentimento de responsabilidade pela conservação das áreas naturais. Cada observador se torna um aliado na proteção da biodiversidade e na manutenção do equilíbrio ambiental.”

Segundo Marluci Pozzan, coordenadora técnica do Projeto +Floresta, a vivência foi fundamental para consolidar os estudos desenvolvidos ao longo do ano: “a observação de aves foi essencial para aprofundar os temas trabalhados no programa. Os estudantes puderam perceber a importância da conservação e da restauração ecológica em suas comunidades, ações que garantem serviços ecossistêmicos, como o abrigo para a fauna silvestre. Além disso, tiveram contato direto com o trabalho que o ICMBio realiza na região por meio das Unidades de Conservação.”

Atividade de observação de aves realizada pelo Geração +Floresta em parceria com o ICMBio

Atividade de observação de aves realizada pelo Geração +Floresta em parceria com o ICMBio e algumas das espécies registradas. Fotos: Marluci Pozzan e Alini Guinzelli Bortolaz.

Projeto +Floresta

Visa contribuir com a restauração da vegetação nativa na Floresta Ombrófila Mista, no Oeste de Santa Catarina, com o incremento de espécies vegetais ameaçadas de extinção como a araucária, a imbuia e o xaxim, ambas com histórico de intensa exploração no estado.

É financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

> Conheça o projeto

 

Autora: Marluci Pozzan
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Marluci Pozzan

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