Democracia e Justiça Climática: é preciso unir o indissociável

Democracia e Justiça Climática: é preciso unir o indissociável

Democracia e Justiça Climática: é preciso unir o indissociável

Ao promover um encontro internacional para debater as interseccionalidades entre justiça climática e democracia às vésperas do Dia da Democracia (15/09), o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece a urgência de pautar a temática para muito além do artigo 225 da Carta Magna. 

Já na abertura do “Colóquio Internacional sobre Justiça Climática e Democracia”, a ministra Rosa Weber, presidente da corte constitucional brasileira, defendeu que a relação entre a democracia e a justiça climática deve ser baseada na participação da sociedade civil, que deve estar presente nos processos decisórios de forma contínua, e não apenas no exercício dos direitos eleitorais a cada dois anos. 

O evento reuniu ministros dos Tribunais Superiores, da sociedade civil e especialistas, que em conjunto debateram questões sobre direito e mudanças climáticas. Do Executivo, participaram as ministras Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas. Outra protagonista do evento foi Thelma Krug, vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), o maior colegiado de pesquisa sobre mudanças climáticas do mundo.

Se os direitos são declarados igualitariamente entre todos em nossa sociedade, as injustiças promovidas pela mudança no clima estão longe de ser, conforme defendeu Sônia Guajajara em seu discurso, destacando essas consequências como um produto da desigualdade e de um sistema econômico obcecado pelo crescimento. “As alterações climáticas impactam não só os nossos direitos, mas a nossa existência, que juntos possamos reforçar a urgência sobre esse tema para os povos indígenas”.

A apropriação do debate pelo órgão de cúpula do Poder Judiciário é mais que significativo no plano simbólico, representa também um novo paradigma por parte dos magistrados na análise das matérias desta temática. Para além do previsto em lei, a emergência climática promove violações aos direitos previstos na constituição de forma transversal. A presidente do STF destacou esse entendimento no discurso de abertura do evento:

“Perceber o problema da justiça climática nesse quadro institucional, que pressupõe a relação entre democracia, existência digna e direito ao meio ambiente equilibrado para esta e futuras gerações no contexto de iminente mudança de clima, implica reconhecer as relações de interdependência, à semelhança da figura de uma teia,
entre clima, justiça e inclusão,
entre clima, justiça e participação,
entre clima, justiça e minorias,
entre clima, justiça e ordem econômica,
entre clima e acesso à justiça, entre clima e a responsabilidade intergeracional”.

 

> Confira a íntegra do discurso da ministra Rosa Weber

Ministra Rosa Weber, durante seu discurso na abertura do“Colóquio Internacional sobre Justiça Climática e Democracia”. Foto: Divulgação STF.

A Apremavi já atuou em diversas ações no STF, em matérias com teor socioambiental e frequentemente contribui com o Tribunal como Amicus Curiae; isto é, colabora com análises, informações e posicionamentos, sobretudo em julgamentos relacionados à proteção da Mata Atlântica. As sucessivas decisões judiciais que impediram retrocessos ambientais da maior monta nos últimos anos, como a desconfiguração da Lei da Mata Atlântica, contaram com o apoio de organizações ambientalistas durante o julgamento.

Para além disso, a Apremavi acredita que uma das formas de continuar lutando pela proteção do Bioma que é morada para mais de 70% da população é também seguir na luta pela manutenção dos espaços democráticos. Tanto que, após os atos golpistas em Brasília em oito de janeiro, a Apremavi decidiu se juntar ao Pacto Pela Democracia, coalizão que reúne mais de duzentas organizações da sociedade civil brasileira, que promove uma atuação coordenada pela manutenção e aprimoramento do Estado Democrático de Direito no país.

 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer e Thamara dos Santos Almeida
Foto de capa: © Carolina Schäffer 

Sistema agroflorestal como aliado na recuperação da mata ciliar・Código Florestal na Prática

Sistema agroflorestal como aliado na recuperação da mata ciliar・Código Florestal na Prática

Sistema agroflorestal como aliado na recuperação da mata ciliar・Código Florestal na Prática

A implantação de um sistema agroflorestal possibilita que atividades de restauração ecológica e para fins econômicos sejam mutuamente beneficiadas. O exemplo vem de uma propriedade em Itaiópolis (SC), onde os proprietários buscam reparar o intenso desmatamento que ocorreu na região no século passado.

A produção de mudas nativas na Apremavi tem como objetivo principal a restauração ecológica de áreas degradadas na Mata Atlântica. Muitas possibilidades e oportunidades para os atores envolvidos no plantio de novas florestas são apresentadas pelos técnicos da instituição, buscando estimular a restauração de uma área maior que a prevista pela legislação, realizar o planejamento da paisagem e promover a sustentabilidade econômica da propriedade, através da diversificação das atividades. 

Uma das atividades apresentadas é a implantação de sistemas agroflorestais (SAFs) junto da atividade de restauração em Áreas de Preservação Permanente (APPs), reduzindo custos e otimizando os esforços para o plantio. A Apremavi oferece orientações e mudas para que uma área biodiversa e sustentável seja implantada; com a possibilidade de reunir culturas agrícolas, erva-mate, frutas nativas, araucárias e plantas adubadeiras. Neste contexto, é frequente eleger a erva-mate como cultura principal na geração de renda extra.

A erva-mate (Ilex paraguariensis) se destaca, porque o extrativismo não demanda a supressão de vegetação existente e nem prejudica a função ambiental da área, possibilitando a coleta também nas APPs e na Reserva Legal da Mata Atlântica, conforme previsto no Código Florestal (Lei nº 12.651/2012).

Nas entrelinhas da erva-mate podem ser plantadas espécies consideradas adubadeiras, como ingá-feijão, que fornecerá sombreamento inicial e matéria orgânica ao solo por meio de podas ocasionais. As espécies frutíferas nativas são alocadas no sistema de forma que possam receber maior insolação. Isso justifica espaçamento mais amplo, proporcionando próximo a essas espécies plantios com culturas agrícolas (milho, feijão, aipim, amendoim, abóbora, entre outras).

Quando são utilizadas no SAF espécies frutíferas, é importante que elas sejam dispostas de uma forma que nunca venham a ser sombreadas e que tenham espaço para desenvolver as copas que futuramente compõem o dossel superior da floresta. No caso da erva-mate, é ideal um sombreamento em torno de 30%. A erva-mate poderá ser plantada em diferentes espaçamentos, a depender do modelo e da quantidade de espécies que serão utilizadas no plantio.

Esquema e registro fotográfico de uma área implantada em Santa Terezinha (SC) em 2015, visando o extrativismo da erva-mate. Foto: Arquivo Apremavi.

#Na prática: memórias junto ao rio e a recuperação da mata ciliar

A Área de Preservação Permanente em uma propriedade de Itaiópolis (SC) difere de muitas que a Apremavi ajudou a implantar por conta da extensão e das espécies utilizadas. Num cenário onde a restauração ecológica de quinze metros em cada margem do rio era necessário, os proprietários Teresa Schurt Wazny e Mariano Wazny decidiram plantar árvores em uma área que corresponde ao dobro desse valor, plantando nos quinze metros adicionais espécies com potencial econômico, como a erva-mate. 

Os objetivos do projeto Restaura Alto Vale, executado pela Apremavi entre 2018 e 2021, estavam alinhados com os planos dos proprietários para o espaço, que há algum tempo possuíam interesse em plantar mudas nativas: “Na verdade a gente nem tinha essa ideia, vocês (da Apremavi) que vieram com esse projeto e a gente achou que seria uma oportunidade boa; agora a gente vê que ali está se formando uma floresta, um dia vai voltar, não como era antes né! Aquela mata nativa que era antes vai ser difícil de chegar como era antes”, compartilha Teresa. 

Os parceiros do projeto ainda lembram da época em que as florestas eram derrubadas de forma indiscriminada para a exploração comercial, através da venda de madeira e para a produção de carvão. Teresa relata que quando criança trafegava de canoa com sua mãe no rio, e presenciou a retirada de enormes árvores das margens do rio; cita um enorme baguaçu (Magnolia ovata) que foi cortado e que rendeu 16m3 de madeira, também um enorme pau-óleo, entre outras espécies, como sassafrás (Ocotea odorifera) e pindabuna (Duguetia lanceolata).

Décadas depois, protagonizam uma outra realidade, onde a conservação da natureza e as atividades econômicas crescem juntas, na mata ciliar. “É bom ver que as margens do rio serão novamente cobertas por árvores nativas como era antes, vai proteger (o rio). A gente vê que quando dá enchente as margens são destruídas, o plantio será uma proteção! E a erva-mate vai gerar renda, daqui mais um ano vai dar para colher”. 

Na propriedade de Teresa e Mariano, 1050 mudas de árvores nativas produzidas pela Apremavi foram plantadas nas margens do Rio Itajaí do Norte, em junho de 2020. Confira o Antes e Depois da área:

 

Área restaurada com apoio da Apremavi, agosto de 2023. Fotos: Maíra Ratuchinski/Arquivo Apremavi.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Colaboração: Leandro Casanova e Maíra Ratuchinski
Revisão: Carolina Schäffer | Foto de capa:  ©️Maíra Ratuchinski/Arquivo Apremavi

Louro-pardo, uma árvore de luxo

Louro-pardo, uma árvore de luxo

Louro-pardo, uma árvore de luxo

O louro-pardo (Cordia trichotoma) é uma espécie de árvore nativa da América do Sul ocorrendo no Brasil, Argentina e Paraguai. Em terras brasileiras pode ser encontrada em todas as regiões, nos seguintes tipos de vegetação: área antrópica, Caatinga (stricto sensu), Cerrado (lato sensu), Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial).

A árvore pode alcançar 35 metros de altura, com tronco reto e cilíndrico, dando fustes de 10 a 20 metros. Suas flores são pequenas, brancas, perfumadas e com floração vistosa, observada de janeiro a julho, e possui propriedades melíferas. A produção de sementes ocorre a cada dois anos e a dispersão de frutos e sementes é anemocórica, ou seja, se dá pelo pelo vento.

O louro-pardo apresenta melhor crescimento nas áreas sem geadas rigorosas. Em seus primeiros anos de vida, é sensível ao frio e sofre com as geadas tardias. Sua plantação é mais recomendada para plantios em locais com temperatura média de 18 ºC. Além disso, é uma espécie exigente com relação ao tipo de solo, assim os plantios devem ser feitos em solos de fertilidade química média a alta, profundos, bem drenados e com textura que varia de franca a argilosa. 

É uma das espécies nativas com maior potencial para o plantio com fins econômicos, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, por apresentar uma combinação de aspectos favoráveis, como crescimento rápido, boa forma, madeira de qualidade, frutificação abundante e facilidade de produção de mudas.

Em relação aos seus aspectos ecológicos, é considerada uma espécie secundária inicial a secundária tardia, sendo recomendada para a restauração em locais sem inundação.  A Apremavi produz mudas de louro-pardo no viveiro Jardim das Florestas, para utilização em projetos de recuperação de áreas degradadas.

Louro-pardo em Teresina (PI). Foto: Izamoi Nam, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Árvore, mudas, flores e sementes de Louro-pardo (Cordia trichotoma). Fotos: Arquivo Apremavi e Izamoi Nam, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Louro-pardo

Nome científico: Cordia trichotoma (Vell.) Arráb. Ex Steud
Família: Boraginaceae
Utilização: madeira utilizada para fabricação de móveis, peças decorativas e pequenos barcos. Utilizada para paisagismo de forma geral.
Coleta de sementes: diretamente da árvore quando se observar que as inflorescências estiverem secas.
Época de coleta de sementes: janeiro a maio.
Fruto: alado, inflorescência seca quando madura, cálice aderente ao fruto.
Flor: branca.
Crescimento da muda: rápido.
Germinação: normal.
Plantio: mata ciliar, área aberta, sub-bosque.
Observação: a semente permanece aderida ao fruto.

 

Referências: 

CARVALHO, P. E. R . Espécies arbóreas brasileiras, 2014.

Carvalho, P. E. R. Louro pardo, 2002.

Cordia in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB16536>. Acesso em: 29 ago. 2023.

PROCHNOW, M. (org). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: APREMAVI, 2007.

LORENZI, H. Árvores  brasileiras: um manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil, vol. 1, 3 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2000.

http://www.tropicalflora.com.br/tropicalflora/pt/ajxDetTexto.php?codtexto=45&codcategoria=25. Acesso em: 20 de fev.2009.

 

Autoria: Equipe Apremavi.
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Vitor Lauro Zanelatto.

Organizações analisam resultados parciais e próximas ações para implementar o Código Florestal

Organizações analisam resultados parciais e próximas ações para implementar o Código Florestal

Organizações analisam resultados parciais e próximas ações para implementar o Código Florestal

No âmbito do Observatório do Código Florestal, um grupo de oito Organizações da Sociedade Civil brasileira trabalham de forma organizada desde 2021 para que a legislação em prol das florestas seja respeitada e efetivada.

Iniciado em 2021, o projeto Políticas, Práticas, Transparência e Governança para Implementação do Código Florestal é executado por um consórcio de organizações brasileiras que atuam em diferentes biomas e contextos socioeconômicos, amalgamadas pelo objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil e implementar de forma plena os mecanismo previstos na Lei Nº 12.651/2012, o Código Florestal brasileiro.

Com o alcance da metade do tempo previsto para a execução do projeto – que deve atuar até 2025 – o consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal esteve reunido com representantes da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD), que apoia a iniciativa. A agenda em Brasília na última semana buscou avaliar os resultados do projeto obtidos até o presente, compartilhar os desafios enfrentados na execução e articular a continuidade das ações para os próximos anos.

Miriam Prochnow, coordenadora de políticas públicas e diretora da Apremavi, apresentou os destaques da atuação da instituição no projeto. A também co-fundadora da Apremavi aproveitou a viagem para se reunir com representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental.

Para Simone Milach, coordenadora de projetos do Observatório do Código Florestal, esse encontro foi uma oportunidade importante para o grupo compartilhar e avaliar as ações já desenvolvidas, ajustar rumos e debater estratégias futuras.

 

Algumas das ações desenvolvidas pela Apremavi desde 2021: 

・Desenvolvimento de uma nova versão do Portal Ambiental, ferramenta que reúne recursos para o planejamento da recuperação ambiental conforme previsto no Código Florestal. Todas as informações serão sistematizadas pelo sistema de modo a gerar o Projeto de Recomposição de Áreas Degradadas ou Alteradas (PRADA), previsto na lei.

・Reuniões com órgãos governamentais e com o setor privado visando parceria para uso do portal e a para adequação ambiental de propriedades de forma sistêmica entre os produtores rurais associados, respectivamente. 

・Em Santa Catarina, 32 propriedades atendidas pelos técnicos da Apremavi, que realizaram a análise do CAR e elaboraram o mapa de adequação ambiental de forma gratuita. 

Integrantes da reunião que ocorreu em Brasília, no último dia 16/08. Fotos: Divulgação.

Floresta em pé é desenvolvimento econômico

O Brasil tem em seu território uma das maiores biodiversidades do Planeta, ao mesmo passo que se é um dos maiores produtores de commodities agrícolas. A reflexão sobre a conciliação entre a conservação da natureza e o desenvolvimento econômico do país é uma constante, os integrantes da rede buscam uma estratégia para, a partir dessa realidade desafiadora, conservar e restaurar áreas naturais. Por isso, uma das linhas de atuação do projeto é o estudo e  desenvolvimento de mecanismos financeiros que promovam a implementação da legislação ambiental. 

Nesse contexto, a BVRio, que integra o consórcio, liderou no último dia 15 um seminário que debateu o incentivo financeiro à preservação e recuperação do meio ambiente. O Diretor de Florestas e Políticas Públicas da organização, Beto Mesquita, trouxe para a discussão o fato de que a criação de incentivos econômicos e financeiros para a proteção, recuperação e produção florestal estão previstos na própria lei  e são essenciais para reduzir o desmatamento e favorecer a recuperação da vegetação nativa e as práticas produtivas sustentáveis.

O grupo também debateu o cenário político nacional e os caminhos para a atuação. A inclusão de incentivos fiscais em atividades da cadeia econômica da restauração ecológica no arcabouço fiscal, por exemplo, é uma medida defendida por Beto Mesquita: “A proposta aprovada na Câmara dos Deputados substitui cinco impostos em um, o Imposto sobre Valor Agregado, que terá uma alíquota única, porém com algumas atividades que terão direito à alíquota reduzida, como transporte e educação. Ele propõe que atividades e insumos relacionadas com a recuperação e proteção da vegetação nativa, tais como sementes, mudas e adubos, devem ser incluídos entre os beneficiários da alíquota reduzida, uma vez que promove ganhos coletivos para a sociedade”.

Confira o seminário na íntegra:

O projeto Políticas, Práticas, Transparência e Governança para Implementação do Código Florestal  é apoiado pelo Governo da Noruega e pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD) via Iniciativa Internacional de Clima e Floresta da Noruega – NICFI.

 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer, Miriam Prochnow e Simone Milach
Foto de capa: Plântulas do Viveiro Jardim das Florestas. Crédito: Vitor Lauro Zanelatto

Populações de mico-leão-dourado crescem 30% depois do surto de febre amarela

Populações de mico-leão-dourado crescem 30% depois do surto de febre amarela

Populações de mico-leão-dourado crescem 30% depois do surto de febre amarela

O mais recente censo populacional de mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) estimou uma população de 4.800 indivíduos. Realizado pela Associação Mico-Leão-Dourado, é a primeira vez que o estudo registra um crescimento da população desde o surto de febre amarela em 2017.

Cerca de 200 micos viviam na natureza no início da década de 1960. Endêmica do Rio de Janeiro, a espécie foi dizimada pelas intervenções humanas no território, como a fragmentação do habitat; doenças e competição de espécies invasoras no mesmo nicho ecológico, como os saguis Callithrix jacchus e Callithrix penicillata. Além disso, os micos foram por muito tempo alvos do tráfico de animais, sobretudo para o envio à Europa.

Naquela época, o primatólogo Adelmar F. Coimbra Filho estabeleceu as bases para um programa de salvamento do mico-leão-dourado, através de esforços de organizações nacionais e internacionais para preservar, proteger e estudar a espécie e seu habitat, através do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ). Desde 1992, esse trabalho é liderado pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) e conta com uma rede de parceiros. 

Através da técnica de Avaliação da População e Viabilidade do Habitat (PHVA), os pesquisadores do projeto concluíram que é necessário existir 2.000 micos-leões-dourados na natureza para que a espécie seja considerada salva da ameaça de extinção. Utilizada na área de ecologia de populações, a avaliação determina também outros índices para a conservação de uma espécie ameaçada in situ, ou seja, a conservação do animal em seu habitat natural. No estudo do nicho ecológico do mico-leão-dourado foi identificada outra necessidade para a preservação da espécie: a existência de pelo menos 25.000 hectares de florestas, protegidas e conectadas.

Com base nos estudos, a AMLD desenvolveu iniciativas que buscam enfrentar as principais ameaças à conservação da espécie. Logo no início dos esforços de conservação, uma coalizão de instituições brasileiras e de outros países promoveu a repatriação de indivíduos que estavam em zoológicos do exterior. Ao todo, 146 animais retornaram ao Brasil e foram reintroduzidos na natureza. Um trabalho de alto risco e de muito sucesso, reconhecido mundialmente como uma experiência importante para salvar uma espécie da extinção. 

A falta de florestas e perda de conexão entre as áreas é o principal desafio atualmente. Iniciativas de restauração ecológica, como o plantio de mudas nativas e monitoramento das áreas, estão viabilizando o processo de restauração de mais de 440 hectares de floresta. Unidades de Conservação foram criadas, buscando preservar grandes áreas florestais para o refúgio dos animais.

A conexão entre as áreas têm sido promovida através de investimentos em infraestrutura, para possibilitar a travessia dos animais nas rodovias que cortam áreas naturais. Em 2020 foi inaugurado o primeiro viaduto vegetado em rodovia federal no Brasil, na BR 101, conectando a Reserva Biológica de Poço das Antas ao local que hoje é a sede da Associação Mico-Leão-Dourado. Outras 10 passagens do tipo copa-a-copa das árvores e 15 túneis para a fauna terrestre foram implantados.

 

Viaduto vegetado construído na BR 101. Crédito: Arteris/reprodução Agencia Brasil.

Estudos com foco nas metapopulação, a conservação e restauração dos habitats o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e a forte incidência nas políticas públicas socioambientais na Mata Atlântica, resultaram em conquistas não apenas para os pequenos primatas, mas também para o desenvolvimento sustentável do território, avanços na legislação ambiental e na consciência social acerca dos impactos da espécie humana na biodiversidade. Em 2002 a espécie passou a estampar as cédulas de vinte reais, e nessa mesma época a população de micos crescia timidamente, mas de forma constante nas florestas do Rio de Janeiro. Foi assim até 2017.

 

Uma nova ameaça à espécie

Entre 2016 e 2018, eclodiu um surto de febre amarela que dizimou diversas populações de primatas da Mata Atlântica, como ocorreu com os bugios-ruivos (Alouatta guariba clamitans) no Vale do Itajaí (SC). Os macacos não transmitem a febre amarela, são infectados pelos mosquitos gêneros Haemagogus e Sabethes, da família Culicidae, assim como ocorre com os humanos. Em grande parte dos casos, os indivíduos acometidos pela doença não resistem.

Quase um terço da população de micos-leões-dourados foi afetada, reduzindo a estimativa da população de 3.700 para 2.500 indivíduos. Foi a primeira regressão no número de indivíduos da espécie desde que teve início o programa de conservação. Uma estratégia ousada e ambiciosa foi delineada para conter as mortes: a produção de uma vacina contra a febre amarela – amplamente utilizada em humanos, presente no ciclo vacinal do SUS – adaptada aos pequenos primatas. 

O desenvolvimento da vacina foi coordenado pela Fiocruz Bio-Manguinhos, em parceria com universidades e outros centros de pesquisa. A iniciativa já imunizou mais de 300 animais e é um dos poucos casos de vacinação de uma população de animais selvagens no mundo.

1. Mico-leão dourado sendo vacinado. 2. Filhote de mico-leão dourado. 3. Área em processo de restauração ecológica, buscando promover a conexão entre as florestas. 4. Família de micos-leões-dourados. Crédito: Associação Mico Leão Dourado (1,2 e 4); Carolina Schäffer  (3).

Novo censo populacional: a boa notícia

Lançado em julho de 2023, o mais recente censo populacional do mico-leão-dourado revelou que existem cerca de 4.800 micos-leões-dourados na Bacia do Rio São João, no interior do Rio de Janeiro. É o maior número já registrado, e representa um aumento de 29,7% em relação ao número de micos antes da febre amarela, em 2014.

O crescimento mostra o sucesso da vacinação dos micos, mas também evidencia a importância do trabalho consistente ao longo das décadas para a conservação da espécie. Esse progresso, possibilitado por pesquisas e estudos, investimentos e muito trabalho, é exemplo para a conservação de outras tantas espécies ameaçadas. Esse não é um final feliz. Os esforços precisam avançar, para que no futuro a extinção de fato não seja mais uma ameaça.  

O trabalho no presente vai de encontro com a Década da Restauração de Ecossistemas, na proteção e restauração de florestas: a restauração permite conectar os fragmentos florestais e é uma estratégia indispensável para garantir a sobrevivência do mico no longo prazo. O olhar sentinela à legislação socioambiental se mantém oportuno, sobretudo no que tange às propostas que buscam enfraquecer as regras de proteção de Unidades de Conservação no Brasil.

> Saiba mais sobre a Associação Mico-Leão-Dourado

mico leao

Mico-leão dourado observado na Reserva Ecológica de Guapiaçu, 2022. Foto: Carolina Shäffer. 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida
Foto de Capa: Micos-leões-dourados observados na Reserva Ecológica de Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu (RJ), em outubro de 2022. Crédito:©️Carolina Schäffer

Estamos vivendo a “fervura global”

Estamos vivendo a “fervura global”

Estamos vivendo a “fervura global”

– O mundo já passou da fase do aquecimento global e agora vive a fase da “fervura global”
António Guterres, secretário-geral da ONU, Após a confirmação de que o mês de julho foi o mais quente da História.

As temperaturas do verão no hemisfério norte atingiram recordes consecutivos no último mês, colocando julho de 2023 como o mais quente desde o início dos registros, em 1940. O levantamento contínuo é realizado pelo observatório Copernicus de meteorologia, ligado à União Europeia (UE). As projeções indicam que as temperaturas devem continuar altas nas próximas semanas, inclusive no hemisfério sul, em parte por conta do fenômeno El Niño, que está acontecendo de maneira intensificada neste ano.

Samantha Burgess, vice-diretora do Copernicus, destacou em conferência que o aumento das temperaturas promove uma cascata de consequências para a Terra: “Acabamos de testemunhar as temperaturas globais do ar e as temperaturas globais da superfície dos oceanos estabelecendo novos recordes históricos. Os recordes têm consequências terríveis para as pessoas e para o planeta, que estão expostos a eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos”.

Série histórica de temperaturas médias globais (Imagem: Copernicus).

O aquecimento global tem aumentado a intensidade e a frequência de eventos extremos no mundo todo. Incêndios na Grécia e no Canadá, ondas de calor sucessivas no sul da Europa, norte da África, sul dos Estados Unidos e parte da China, ciclones cada vez mais frequentes no litoral do Brasil e o aumento da temperatura dos oceanos são apenas algumas das consequências das mudanças no clima.

No Brasil, um inverno mais quente que o comum está sendo sentido na pele. Além da temperatura, o regime hídrico também deve ser afetado pelo El Niño, com seca nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do país, aumentando o risco de queimadas. Já na região Sul, as temperaturas típicas de inverno deverão adquirir constância apenas neste mês, e as chuvas e ciclones extratropicais já estão sendo mais frequentes e intensos, acendendo um alerta para regiões que registraram alagamentos e enchentes nas últimas décadas. O fenômeno deve ter efeito pelo menos até final de setembro. A fervura global se apresenta de várias formas.

Manchetes atribuindo ao clima a responsabilidade sobre eventos extremos não convencem mais. É preciso que os responsáveis pelas emissões, sobretudo os países e setores industriais que historicamente produziram mais gases de efeito estufa tenham respostas mais efetivas ao problema, mas o contrário parece ocorrer. Petrolíferas estão aumentando a produção, enquanto países autorizam novas perfurações e atividades de exploração. Os compromissos de redução das emissões do Acordo de Paris estão cada vez mais longe de serem cumpridos.

Enquanto isso, a Terra continua fervendo.

 

 

 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida
Foto de Capa:  Bombeiros atuando em incêndio na Grécia, 27 de julho de 2021. ©️ REUTERS/Costas Baltas/Foto do Arquivo



Baguaçu, banquete para as aves e prioritária na restauração de matas ciliares

Baguaçu, banquete para as aves e prioritária na restauração de matas ciliares

Baguaçu, banquete para as aves e prioritária na restauração de matas ciliares

O baguaçu (Magnolia ovata) também conhecido popularmente como pinha-do-brejo é uma árvore endêmica do Brasil que ocorre na Mata Atlântica e no Cerrado, desde Goiás até o norte do Rio Grande do Sul. Com 10 a 20 metros de altura, a árvore ocorre tanto no interior de florestas primárias quanto em formações abertas secundárias, sempre em baixadas úmidas. 

 

Exsicatas de Magnolia ovata. Fonte: Herbário Virtual Reflora (CC BY-SA 4.0).

A espécie se destaca por sua multifuncionalidade. Na restauração ecológica é uma espécie pioneira sugerida como prioritária em projetos de recuperação de matas ciliares e várzeas na Mata Atlântica e Cerrado, devido a sua raridade e pelo fato de estar adaptada a estes ambientes. Em plantios puros ela forma uma camada espessa de folhas que dificulta a invasão de gramíneas. Além disso, ela produz uma grande quantidade de frutos que servem de alimento para as aves e suas flores são melíferas, atraindo assim as abelhas.

O óleo essencial produzido pelas suas sementes possui importância econômica. Com um teor de até 40% de óleo, suas sementes são oleaginosas de alta qualidade que são utilizadas na lubrificação de peças e equipamentos de alta precisão. As flores do baguaçu também têm seu lugar no cenário econômico, fornecendo um óleo essencial empregado na perfumaria.

Além disso, a árvore tem um papel no mundo artesanal. Seus frutos, quando desprovidos das sementes, ganham destaque em arranjos ornamentais. No Planalto Central, eles têm um papel especial nos arranjos de flores comercializados em Brasília, adicionando um toque natural e característico a ambientes interiores.

A espécie também possui relevância medicinal. A casca da árvore é usada na medicina popular e é considerada antitérmica, indicando seu potencial no tratamento de febres. A integração desses usos medicinais tradicionais com a ciência moderna pode abrir portas para descobertas farmacológicas e contribuir para a saúde pública.

Detalhes da árvore, frutos, sementes e germinação do Baguaçu. Créditos: Miriam Prochnow, Taís Fontanive e Arquivo Apremavi

Baguaçu

Nome cientifico: Magnolia ovata (A. St-Hill) Spreng.
Família: Magnoliaceae.
Utilização: uso econômico, ornamental e paisagístico.
Coleta de sementes: setembro a outubro.
Número de sementes por quilo: diretamente da árvore quando os frutos iniciarem a abertura espontânea.
Fruto: seco de cor marrom-esverdeado.
Flor: branca amarelada.
Crescimento da muda: médio.
Germinação: demorada, é recomendado deixar as sementes imersas em água de 3 a 4 dias.
Plantio: mata ciliar e sub-bosque.
Status de conservação: não está ameaçada de extinção no Brasil segundo a Lista Vermelha de Ameaça da Flora Brasileira 2014 do CNCFlora, contudo ela está ameaçada na categoria Em Perigo segundo Lista de Ameaça de Flora e Fauna do Estado do Rio Grande do Sul.

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas.

Fontes consultadas

Carvalho, P. E. R. (2003). Baguaçu.

Kassuya, C. A. L., Cremoneze, A., Barros, L. F. L., Simas, A. S., da Rocha Lapa, F., Mello-Silva, R., … & Zampronio, A. R. (2009). Antipyretic and anti-inflammatory properties of the ethanolic extract, dichloromethane fraction and costunolide from Magnolia ovata (Magnoliaceae). Journal of Ethnopharmacology, 124(3), 369-376.

JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO. Magnolia ovata. Disponível em: https://reflora.jbrj.gov.br/reflora/herbarioVirtual/ConsultaPublicoHVUC/BemVindoConsultaPublicaHVConsultar.do?quantidadeResultado=20&d-16544-p=2&d-16544-t=testemunhos&nomeCientifico=Magnolia+ovata&modoConsulta=LISTAGEM. Acesso em: 10 ago. 2023.

Lorenzi, H. (1992). Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil (Vol. 1, p. 196). Nova Odessa: Plantarum.

Magnolia ovata in Ficha de Espécies do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Disponível em: <https://ferramentas.sibbr.gov.br/ficha/bin/view/especie/magnolia_ovata>. Acesso em 09-08-202e
Prochnow, M (2007) No Jardim das Florestas. Rio do Sul: Apremavi.

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.
Foto de capa: João Medeiros, CC BY 2.0 via Wikimedia Commons

Matas Legais atinge o marco de mil propriedades atendidas no Paraná

Matas Legais atinge o marco de mil propriedades atendidas no Paraná

Matas Legais atinge o marco de mil propriedades atendidas no Paraná

Promover o desenvolvimento em harmonia com o meio ambiente, através do planejamento de propriedades e paisagens e do aprimoramento do desenvolvimento florestal. Esse é o objetivo assumido pela Klabin e pela Apremavi desde 2005, quando reuniram esforços para lançar o Programa Matas Legais.

Segundo Miriam Prochnow, co-fundadora da Apremavi e uma das idealizadoras do Programa, a parceria entre a Apremavi e a Klabin, que completa 18 anos em 2023, mostra a importância de iniciativas dessa natureza: “é muito mais do que um patrocínio para um projeto ambiental, trata-se de uma construção conjunta entre duas organizações de diferentes setores, com o objetivo de implantar atividades que beneficiem não somente as próprias instituições, mas principalmente a sociedade como um todo”. Miriam completa avaliando os resultados do Programa até aqui: “esse tipo de parceria deveria ser implantada numa escala muito mais ampla, especialmente por conta dos desafios com a crise climática que a humanidade está tendo que enfrentar. Estamos muito felizes com os resultados produzidos até agora e trabalhando para que a parceria continue forte e se consolide como um modelo de sucesso na área da sustentabilidade”.

As primeiras ações ocorreram na região serrana de Santa Catarina, e uma base foi instalada em 2008 no Paraná para atender também propriedades das regiões Centro Oriental, Norte Pioneiro e Norte Central. Os proprietários rurais contam com auxílio contínuo para aprimorar o planejamento da propriedade, beneficiando não apenas o meio ambiente, mas também as atividades agroflorestais familiares, principalmente aquelas que participam do Programa de fomento florestal da Klabin.

É um orgulho muito grande contribuir com a implantação e execução do programa, mas, sobretudo, fortalecer a conscientização ambiental de nossos parceiros, sempre ressaltando que o trabalho atrelado à sustentabilidade, é essencial para alavancar resultados cada vez melhores”, destaca Henrique Luvison, Gerente de Responsabilidade Ambiental da Klabin.

As atividades em Santa Catarina e no Paraná promoveram a recuperação de nascentes, plantio de agroflorestas e adequação das propriedades à legislação ambiental. As visitas de planejamento das propriedades rurais pelos técnicos da Apremavi evoluíram para o plantio de florestas nativas. Os mosaicos formados entre áreas naturais recuperadas em territórios onde ocorre a prática da silvicultura ilustram a possibilidade do desenvolvimento econômico sustentável e comprometido com a preservação da biodiversidade.

“A área restaurada é um paraíso para os pássaros; tem goiaba, pitanga, guabiruba, essas frutas nativas… a gente até brinca que aqui os pássaros são mais gordinhos”
Geraldo Érico Speltz, Imbaú – PR (in memoriam)

Área restaurada pelo Matas Legais em Ortigueira (PR) em 2018. Em apenas quatro anos é possível observar a transformação da paisagem. Figura: ©Arquivo Apremavi.

A atuação do Matas Legais está apoiada em quatro pilares:

1. Apoio ao planejamento e adequação ambiental, legal e paisagística da propriedade;
2. Recuperação de áreas degradadas e conservação de remanescentes florestais;
3. Doação de mudas nativas;
4. Atividades de educação ambiental.

Na prática, esses pilares promovem um conjunto de ações para todo o território, e não apenas às propriedades rurais que atuam com silvicultura. As ações de educação ambiental em centros de ensino, entidades comunitárias ou em parceria com prefeituras municipais incentivam o envolvimento e participação ativa da comunidade na preservação dos recursos e restauração ecológica. Até 2023, 11.948 mudas de espécies nativas foram doadas para atividades de Educação Ambiental.

O Coordenador Geral do Programa na Apremavi, Maurício Reis, acredita que a parceria que constitui o Matas Legais é um modelo a ser seguido por outros setores, onde é possível ter um sistema de produção rentável, porém com responsabilidades socioambientais. “As ações difundidas e implementadas para readequação ambiental atreladas à educação ambiental, se tornam uma importante estratégia no Planejamento de Propriedades e Paisagens e no combate às mudanças climáticas”. O Programa apresenta opções de diversificação de produção mais sustentáveis e “é muito gratificante ver as pessoas envolvidas e os resultados alcançados com a assessoria prestada de forma gratuita para os(as) proprietários(as) rurais parceiros do Programa“, destaca Maurício.

Cada muda nativa colocada no berço contribui para a formação de novas florestas, e também para a conservação da biodiversidade. Os resultados tornam-se evidentes já a curto prazo, e são motivo de orgulho para aqueles que participaram das ações do Matas Legais.

Confira as principais realizações do Programa Matas Legais no Paraná:

2.049,08 hectares de áreas degradadas restauradas sendo 415,83 hectares com plantio de mudas nativas e 1.633,25 hectares com condução da regeneração natural.
21.967,62 hectares de áreas conservadas.
823.632 mudas distribuídas para restauração.
99 nascentes em recuperação florestal com plantio de mudas nativas e condução da regeneração natural (indicador implantado em 2021).
36 municípios atendidos desde o lançamento do Programa.
38 atividades de educação ambiental promovidas (indicador implantado em 2021).
09 seminários para conscientização ambiental realizados.
11.948 mudas de espécies nativas doadas em atividades de educação ambiental.
1.004 propriedades cadastradas e atendidas pelo Programa.
1.732 visitas realizadas para monitoramento das áreas em restauração.

Participe do Programa

Se você tem interesse em se tornar um proprietário parceiro do Matas Legais, ou desejar realizar alguma atividade de educação ambiental em parceria com a Apremavi, entre em contato com a nossa equipe : e-mail: mauricio@apremavi.org.br // WhatsApp: (43) 99623-6377

Autores: Vitor Lauro Zanelatto e Maurício Reis
Revisão: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow
Foto de Capa: ©️Arquivo Apremavi 

Propriedade Legal・Código Florestal na Prática

Propriedade Legal・Código Florestal na Prática

Propriedade Legal・Código Florestal na Prática

Conheça novas possibilidades e perspectivas para propriedades rurais, alinhando atividades econômicas, planejamento da paisagem e cumprimento da legislação ambiental no novo texto da série “Código Florestal na Prática”.


A Apremavi aplica com recorrência dois conceitos em suas atividades: “Propriedade Legal” e “Planejamento de Propriedades e Paisagens”. O primeiro transmite um olhar às múltiplas questões de uma propriedade rural, a partir das responsabilidades com a legislação ambiental, particularidades do território e demandas para o desenvolvimento econômico. O segundo conceito, interdependente ao primeiro, defende uma ampliação da visão no planejamento das ações, uma vez que as contribuições da natureza e os distúrbios do território não observam fronteiras de propriedades. 

A noção de conexão e interdependência no território transforma os paradigmas em uma comunidade. O que cada proprietário faz em seu imóvel pode impactar vizinhos e toda a região, afetando o cotidiano e as outras espécies de vida, para além da dimensão humana. O ar, as águas, os animais e as sementes ultrapassam os limites estabelecidos pelo homem sem pedir licença.

O Novo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) e a Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006) procuram conciliar a conservação dos recursos naturais com a produção, buscando orientar o desenvolvimento social e econômico com sustentabilidade ambiental. Estudos apontam que produtores rurais que preservam o meio ambiente, inovam com métodos de produção sustentáveis e diversificação das suas propriedades têm obtido melhores resultados econômicos e reconhecimento público. Isso também influencia algumas políticas públicas, a exemplo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). 

Entre os itens a serem considerados no planejamento de uma propriedade estão ações como a conservação dos remanescentes de floresta que existem; a restauração ecológica de Áreas de Preservação Permanente (APPs) degradadas e de Reserva Legal, o enriquecimento de florestas secundárias, a implantação de reflorestamentos com espécies nativas de valor econômico e espécies exóticas, de sistemas agroflorestais, de agricultura agroecológica e a implantação de microcorredores ecológicos. Cada item guarda múltiplas possibilidades para que a propriedade se torne Legal.

infografico cartilha ppp codigo florestal na pratica

Os profissionais técnicos dos projetos de restauração da Apremavi têm esses termos no cotidiano, nas conversas com proprietários rurais durante visitas de orientação e acompanhamento. Ainda mais eficientes que a teoria, há bons exemplos da aplicação. 

 

 

#Na Prática: toda propriedade pode ser tornar Legal

Uma área de 12 hectares pode ser utilizada como exemplo do que é possível fazer numa pequena propriedade rural para, concomitantemente, manter o equilíbrio ambiental, realizar a adequação à legislação ambiental e evoluir nas estratégias para o desenvolvimento econômico. Localizada na comunidade de Alto Dona Luiza, em Atalanta (SC), a Propriedade Legal que a Apremavi utiliza como modelo ilustra os resultados que o planejamento da propriedade e da paisagem pode gerar.

Confira as atividades implantadas na área a partir do planejamento:

É interessante observar a lista e perceber a relação de continuidade entre os itens: a prática da apicultura, por exemplo, é uma atividade com potencial econômico, através da coleta e venda do mel; ao mesmo passo que a polinização é essencial para o desenvolvimento dos cultivos agrícolas e também das áreas em restauração ecológica.

Essa ligação dinâmica, conectada também ao entorno da propriedade, é o ponto de partida do planejamento de uma Propriedade Legal. Esta é a visão que a Apremavi defende, aplica e apresenta como parte da solução na Década da Restauração de Ecossistemas. 

> Leia mais sobre o planejamento de Propriedades e Paisagens

Implantando o Código Florestal

É um projeto que tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil. É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação dos Amigos da Terra Amazônia. A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio, e está atuando para através da produção de conhecimentos, realização de articulação com governos locais e com agentes públicos para a implementação plena do Código Florestal. 

> Conheça  o projeto Implantando o Código Florestal

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa:  ©️Carolina Schäffer

Sobrecarga da Terra 2023: entramos em “dívida” com o Planeta

Sobrecarga da Terra 2023: entramos em “dívida” com o Planeta

Sobrecarga da Terra 2023: entramos em “dívida” com o Planeta

Hoje (02/08) a humanidade esgotou a quantidade de contribuições da natureza utilizada pelas pessoas disponíveis para 2023. A partir daqui, começa a contar uma “dívida” com o meio ambiente.  

O cálculo é realizado todos os anos pela organização Global Footprint Network (GFN), com expertise em pesquisas que medem a pegada ecológica das atividades humanas no mundo. Pelos cálculos da GFN, até o fim de 2023, serão consumidos recursos equivalentes a 1,7 planeta Terra, considerando principalmente a extração de recursos, a produção de resíduos e a emissão de gases de efeito estufa (GEE). 

O Dia da Sobrecarga da Terra é calculado dividindo a biocapacidade do planeta (a quantidade de recursos ecológicos que a Terra é capaz de gerar naquele ano), pela Pegada Ecológica da humanidade (demanda da humanidade para esse ano) e multiplicando por 365, o número de dias em um ano. Confira a comparação da data com anos anteriores e os países com maiores índices de consumo dos recursos:



dia da sobrecarga da terra

Fonte: Global Footprint Network. Adaptado pela Apremavi.

Os dados compilados pela GFN colocam em evidência a desigualdade nos níveis de consumo dos recursos entre os países e, por conseguinte, a responsabilidade dos países que historicamente possuem uma maior pegada ecológica em liderar a oferta de recursos para a mitigação das crises planetárias, desde a extinção de espécies observada atualmente até a emergência climática. O relatório de 2023 deixa claro: já existem soluções viáveis e escaláveis, é preciso compromisso dos governantes para que a dívida com a Terra pare de crescer.

> Saiba como a Apremavi está trabalhando para mitigar a sobrecarga da Terra

 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Vistoria realizada pelo Ibama em julho de 2016 no trecho atingido pelo rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, em Mariana (MG). Foto: (CC BY-SA 2.0) Felipe Werneck/Ibama.

 

Matas Legais restaura propriedade e inspira futuras gerações

Matas Legais restaura propriedade e inspira futuras gerações

Matas Legais restaura propriedade e inspira futuras gerações

Em junho de 2023, alunos da região de São Jerônimo da Serra (PR) visitaram uma propriedade restaurada pelo Matas Legais, fruto da parceria entre a Apremavi e a Klabin.

Lourival da Silva e Maria Roseli, irmãos e proprietários do Sítio Jorge em São Jerônimo da Serra (PR), recuperaram uma Área de Preservação Permanente (APP) próxima a um riacho com a ajuda da Emater e, posteriormente, do Matas Legais em 2011.

A iniciativa de restauração da propriedade hoje é intitulada “Crescendo com a Natureza e preservando o Meio Ambiente” e inspira as futuras gerações. Quando a restauração na propriedade iniciou, Vitória, filha de Maria Roseli, frequentava a pré-escola e hoje é ela quem instiga os estudantes a visitarem a propriedade.

Assim, no dia 5 de junho, a equipe técnica do Matas Legais, a convite dos proprietários, esteve presente em uma ação de educação ambiental no Sítio. Cerca de 25 alunos foram mobilizados para um piquenique em uma área de recuperação ambiental da propriedade. Os técnicos da Apremavi apresentaram o projeto para as crianças e as engajaram em prol do cuidado com o meio ambiente.

Confira o antes e depois da propriedade:

Selo Signatário do Movimento ODS SC 2023

Comparativo da área em processo de restauração ecológica. Fotos: Arquivo Apremavi. 

Lourival relata que a área restaurada é motivo de alegria para todos que residem no Sítio, “às vezes chegamos a ficar horas por lá, não temos vontade de voltar para casa, é um lugar que gostamos muito”. Lourival relembra ainda algumas dificuldades enfrentadas e festeja os resultados alcançados: “tivemos que pegar água do rio para regar as mudas nos períodos de seca, caso contrário elas não resistiriam; hoje (a área) é o cartão postal da propriedade, que recebe inúmeras visitas de alunos e professores todos os anos”.

Maria Roseli comenta sobre o impacto da restauração na visitação da propriedade: “o local já foi visitado por mais de 250 alunos e por muitos outros amantes da natureza que ficam sabendo do projeto e procuram conhecer o local”.

O Matas Legais

É uma iniciativa da parceria entre a Apremavi e a Klabin que acontece em Santa Catarina e no Paraná. Busca desenvolver ações de conservação, educação ambiental e fomento florestal, que ajudam a preservar e recuperar os remanescentes florestais nativos, a melhorar a qualidade de vida da população e a aprimorar o desenvolvimento florestal, tendo como base o planejamento de propriedades e paisagens.

A palavra legal procura traduzir dois sentidos: o de cumprimento da legislação ambiental e o de expressão de um lugar agradável, bonito e bom para viver.

> Conheça o Matas Legais

 

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autor: Pedro Ferreira | Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: atividade de educação ambiental na área em processo de restauração ecológica, 05/06/2023. Foto: Arquivo Apremavi. 

Apremavi ministra palestra para educadores ambientais em Rio do Oeste

Apremavi ministra palestra para educadores ambientais em Rio do Oeste

Apremavi ministra palestra para educadores ambientais em Rio do Oeste

Promover a ampliação da consciência socioambiental através de atividades de informação e educação ambiental é uma das táticas que a Apremavi assume em seu Planejamento Estratégico. Por isso, a oferta de oficinas de capacitações e palestras é uma constante no cotidiano da Equipe.

No dia 21 de julho, as diretoras da instituição, Miriam Prochnow e Carolina Schäffer, estiveram na Câmara de Vereadores de Rio do Oeste (SC) falando sobre os desafios da Década da Restauração de Ecossistemas na era das crises climática, socioambiental e de biodiversidade.

A ação fez parte do Curso de Formação de Educadores Ambientais promovido pelo município e pela Tecer Pedagógico Ambiental, teve transmissão ao vivo e envolveu hibridamente 168 professores, agentes de saúde e pessoas que desenvolvem a educação ambiental em seus municípios e arredores.

Registro da ação formativa em Rio do Oeste. Fotos: Miriam Prochnow e Carolina Schäffer.

Joziani Küster, bióloga e organizadora do evento, conta que a motivação para realização do curso parte da urgência da implantação da Educação Ambiental para aprimorar ações que transformem o ambiente no qual vivemos. “O curso buscou abordagens dentro das temáticas ambientais por compreender a necessidade de desenvolvimento de atividades para trabalhar com prevenção, pois os nossos desafios diários geram ações que causam impactos significativos na vida das pessoas, seja através da educação, da saúde ou da informação”, comenta a bióloga.

 

Muito além da Restauração

A mobilização para a restauração começa na educação ambiental e na conscientização da população. Nesse sentido, a Apremavi, além de colocar a mão na massa produzindo e plantando árvores, também desenvolve atividades de educação ambiental e campanhas de conscientização nas suas redes para impulsionar a luta por um futuro sustentável.

A prioridade para a oferta das atividades é reservada a escolas e centros de ensino mas, sempre que possível também são atendidas demandas de outras organizações e iniciativas.

 

Autora: Carolina Schäffer

Plano Participativo: vote pelo enfrentamento da emergência climática

Plano Participativo: vote pelo enfrentamento da emergência climática

Plano Participativo: vote pelo enfrentamento da emergência climática

O Plano Plurianual (PPA) é o instrumento mais importante para implementação das políticas públicas no Brasil. Ele define como o investimento do governo será feito durante a sua gestão. Por isso é muito importante a participação de todos para garantir que a política seja feita por e para todos.

O atual governo abriu uma nova maneira de elaborar o PPA. É o Plano Participativo em que toda a sociedade pode participar da seguinte maneira:

  1. Votando nas propostas oficiais dos ministérios; e
  2. Elaborando e apresentando propostas como cidadão ou membro de uma entidade/organização da sociedade civil.

Nesse sentido, a Apremavi assina com outras organizações uma carta apoiando a campanha do Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática solicitando que as pessoas votem na proposta de “Enfrentamento da Emergência Climática”. Essa proposta prevê o fortalecimento da ação nacional frente às alterações do clima, enfrentando os desafios da redução de impactos climáticos e adaptação; e promovendo a resiliência aos eventos climáticos extremos, viabilizando de forma transversal as oportunidades da transição para a economia de baixo carbono.

Em termos práticos, a proposta prevê várias ações como por exemplo, desenvolver um plano de monitoramento, prevenção, controle e resposta rápida para desastres ambientais, bem como o planejamento urbano de médio e longo prazo, que permitam às cidades e áreas urbanas mais vulneráveis se adaptarem aos riscos de eventos climáticos extremos.

Plano Participativo: vote pelo enfrentamento da emergência climática

Para participar do processo de escolha dos temas prioritários do PPA, basta acessar o site do Governo Federal até o dia 16 de julho e votar na proposta do Ministério do Meio Ambiente: “Enfrentamento de Emergências Climáticas”, através deste link.

Autoras: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow.

Apremavi 36 anos: passado, presente e futuro ativista

Apremavi 36 anos: passado, presente e futuro ativista

Apremavi 36 anos: passado, presente e futuro ativista

A Apremavi completa 36 anos neste domingo. Fundada em nove de julho de 1987, naquela data, era a formalização da missão de jovens catarinenses que tomaram a responsabilidade para si e buscaram combater desmatamentos e retrocessos ambientais. No presente, é a organização que restaura os ecossistemas da Mata Atlântica tendo plantado mais de nove milhões de árvores nativas. Para o futuro, espera ainda mais árvores plantadas e pessoas conectadas pela conservação das florestas.

O maior símbolo do crescimento institucional da organização ao longo do tempo é o Viveiro Jardim das Florestas, ponto de partida para todos os projetos e iniciativas de restauração. Grande parte das mudas de árvores nativas produzidas no viveiro já se tornaram florestas e estão contribuindo para aumentar a conscientização ambiental e a preservação da Mata Atlântica. Cada plantio é, antes de tudo, também um ato de amor à natureza e é por isso que é tão significativo o envolvimento das pessoas nas estratégias de restauração ecológica.

A Apremavi sempre combinou educação ambiental e adquiriu conhecimentos para produzir mudas e plantar florestas. A produção de mudas e os plantios, contudo, são possíveis apenas através da ação. Os incontáveis esforços dos parceiros dão forma a uma comunidade que promove mudanças na paisagem; coletam sementes, regam as mudas, realizam o plantio, ou até mesmo apoiam a continuidade das atividades de longe, através de doações. 

A vocação de uma organização que já atua há 36 anos não poderia se manter mais contemporânea e necessária: restaurar a Mata Atlântica, conservar a Natureza e proteger a biodiversidade. A Apremavi nasceu do sonho e da conexão entre pessoas que acreditavam ser necessário mudar a realidade do desmatamento da década de 1980 para tornar possível o futuro que vivemos hoje.

Sempre foi da nossa natureza defender a Natureza; vamos juntos plantar novos sonhos e fazer crescer novas florestas?

 

Nosso Presente. Nosso Futuro. Nossa responsabilidade.

Saiba como se associar e seja parte da Geração Restauração

Apremavi 36 anos

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Revisão: Carolina Schäffer.

Quando o agroturismo abraça a restauração・Código Florestal na Prática

Quando o agroturismo abraça a restauração・Código Florestal na Prática

Quando o agroturismo abraça a restauração・Código Florestal na Prática

O novo texto da série “Código Florestal na Prática” buscou exemplo em uma pequena propriedade da Serra Catarinense sobre como a recuperação de Áreas de Preservação Permanente pode se tornar uma grande aliada das atividades econômicas sustentáveis.

As pequenas propriedades e posses rurais, utilizadas para atividades da agricultura familiar e outros empreendimentos e atividades correlatas, são estratégicas para a implementação do novo Código Florestal, pois concentram grande parte da produção de alimentos, nascentes de água e fragmentos de floresta no país.

A legislação observou a realidade das pequenas propriedades do campo. A redação do Código Florestal vigente é sensível ao tamanho das propriedades, prevendo métricas de acordo com o tamanho da área, como a largura das faixas de APP a serem recuperadas nos casos de imóveis rurais com ocupação anterior a 2008. A definição de “pequena propriedade” é baseada nos módulos fiscais, conforme a Lei no 8.629/1993.

O módulo fiscal varia de um município a outro, pois leva em consideração as particularidades locais, como o tipo de exploração predominante, a renda obtida na exploração predominante e o conceito de agricultura familiar. De acordo com a Lei no 11.326/2006, agricultor familiar e empreendedor familiar rural é aquele que atende, simultaneamente, aos seguintes requisitos
1. Não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais;
2. Utilize predominantemente mão de obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento;
3. Tenha percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento, na forma definida pelo Poder Executivo;
4. Dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.

Uma das responsabilidades do proprietário/posseiro rural é a restauração das Áreas de Preservação Permanente  (APPs): locais da propriedade que apresentam características ambientais frágeis e especiais, cuja proteção é essencial para a preservação dos recursos naturais e da biodiversidade, manutenção da quantidade e qualidade dos recursos hídricos e prevenção de riscos de enchentes e desbarrancamentos, garantindo o bem-estar das comunidades humanas; essa última dimensão infere o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, oportunas e necessárias. Sobre isso,  Apremavi tem um bom exemplo para apresentar.

 

#Na Prática: simbiose entre o agroturismo e a restauração ecológica

Na lacuna entre os arbustos e grandes araucárias do interior de Urubici (SC), novas árvores crescem, resistindo ao frio impiedoso da região e promovendo a restauração de uma Área de Preservação Permanente e a formação de uma agrofloresta.

Paulo Zanetti e Bárbara Sicuro, proprietários do Vale Mandaçaia, iniciaram o trabalho há três anos. Em 2022 foram até a Apremavi, onde aprenderam sobre o tratamento do solo, manejo e ocorrência natural das espécies. Os diálogos e parceria ajudaram a aprimorar o desenvolvimento sustentável da área rural, que é cenário para o desenvolvimento de atividades de agroturismo.

Os proprietários destacam a biodiversidade do ecossistema onde estão inseridos, e mostram que o respeito com a natureza também é valorizada pelos turistas: “Nos apaixonamos pelos campos, montanhas, rios, frutas e capins. Muito do que antes era desconhecido para nós, agora passa a ter um nome: bracatinga, cataia, cedro, louro-cravo, pinheiro-bavo e por aí vai. Percebemos também que essa curiosidade se mostra bastante presente em quem aqui visita”

O que já foi grama até a beira do rio se tornou Área de Preservação Permanente preservada. Algumas espécies estão crescendo rapidamente, como a bracatinga e a aroeira, enquanto outras normalmente se desenvolvem em ritmo mais lento. Juntas, promovem a implantação do Código Florestal e ilustram os benefícios que a legislação ambiental objetiva. Os proprietários demonstraram satisfação em acompanhar esse processo:  

“O solo de áreas desmatadas no passado ganhou como companhia velhas conhecidas: as espécies que aqui sempre ocorreram, mas que foram derrubadas. Seguimos, tentando trazer a mata, que traz os insetos, as aves,  os mamíferos, que trazem mais árvores, que trazem turismo de qualidade e experiências inesquecíveis”.


Mais 100 mudas foram plantadas apenas em 2022. A iniciativa imita uma simbiose – relação ecológica de benefício mútuo entre organismos que oportuniza a existência da biodiversidades de liquens nas rochas da Serra Catarinense – além de colocar em prática a necessária adequação à legislação ambiental, a restauração ecológica aumenta a vocação da propriedade para o turismo rural. Assim, cria-se um paisagismo harmônico com as exuberantes paisagens da região através do plantio de espécies nativas, possibilitando a criação de trilhas e áreas de contemplação e também viabilizando a coleta de frutos e outros recursos derivados da agrofloresta.


> Saiba mais sobre os Sistemas Agroflorestais

restauracao vale mandacaia 2023

Área em processo de restauração ecológica na propriedade Vale Mandaçaia. Foto: Divulgação Vale Mandaçaia.

Implantando o Código Florestal

É um projeto que tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil. É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação dos Amigos da Terra Amazônia. A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio, e está atuando, para através da produção de conhecimentos, realização de articulação com governos locais e com agentes públicos, para a implementação plena do Código Florestal. 

> Conheça  o projeto Implantando o Código Florestal


Autor Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: área em restauração ecológica na propriedade de Paulo Zanetti e Bárbara Sicuro©️ Divulgação Vale Mandaçaia



Assembleia elege nova Diretoria da Apremavi

Assembleia elege nova Diretoria da Apremavi

Assembleia elege nova Diretoria da Apremavi

A Assembleia Geral da Apremavi se reuniu no último dia 21 de junho para prestação de contas e eleição de nova Diretoria.

Além de reunir seus associados para apresentação do Relatório de Atividades de 2022, prestação e aprovação de contas do último ano e exposição dos destaques de 2023, a Assembleia elegeu os integrantes da nova Diretoria, do Conselho Fiscal e do Conselho Consultivo da Apremavi para o biênio 2023-2025.

Orientados pelo Estatuto, que determina eleição a cada dois anos, os associados elegeram três novos integrantes para compor a Diretoria da instituição. Edinho Pedro Schäffer permanece à frente da Presidência, tendo Carolina Schäffer como Vice-presidente. A equipe diretiva conta agora com o retorno de sua sócia-fundadora, Miriam Prochnow, que assumirá o papel de Secretária. Além disso, a professora Luciane Costa assume como 2ª Secretária, Edilaine Dick passará a ser Tesoureira e Taís Fontanive será a 2ª Tesoureira.

Todos os integrantes trazem sua expertise e comprometimento com a missão da Apremavi para fortalecer as atividades da organização que tem muitos desafios pela frente ao implementar projetos de conservação e restauração da Mata Atlântica cada vez mais ambiciosos. “Tenho certeza de que essa nova gestão trará excelentes resultados na busca da missão coletiva”, afirma Miriam.

A nova Diretoria toma posse em 21 de julho de 2023, trinta dias após a eleição, conforme prevê o Estatuto da Apremavi.

 

registro assembleia 2023

Registro dos participantes da Assembleia 2023. Figura: Equipe de Comunicação Apremavi.

Autora: Carolina Schäffer | Revisão: Vitor L. Zanelatto

Da semente à muda: araucária

Da semente à muda: araucária

Da semente à muda: araucária

Com apenas cerca de 3% de área conservada, a Floresta com Araucárias precisa da ajuda de todas as pessoas para colocar sementes na terra, cuidar das mudas, proteger a biodiversidade e defender aquela que é um dos símbolos da resistência da Mata Atlântica. 

A araucária (Araucaria angustifolia) pode ser encarada como figura totêmica na paisagem, com seu caule inflexível ao crescimento lateral e copa concentrada muito longe do chão; representando a resistência às condições imperiosas do ambiente e ao próprio tempo. Está historicamente ligada às comunidades humanas, com registros dessa relação encontrados até mesmo em pinturas rupestres e vestígios encontrados em estudos arqueobotânicos.

É uma das espécies mais antigas da flora brasileira, mas está com sua existência ameaçada por conta da exploração extensiva do último século, quando sua madeira começou a ser empregada em construções das mais diversas naturezas, incluindo estradas de ferro e pontes. O corte da araucária foi proibido no Brasil em 2001, por conta de uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). A Resolução nº 278/2001 surtiu pouco efeito, sobretudo por conta do desmatamento ilegal e concessão de licenças pouco criteriosas são pautadas e concedidas com frequência por interesses econômicos.  

> Saiba mais sobre a araucária no Guia de Espécies da Apremavi  

O Dia Nacional da Araucária, celebrado em 24 de junho, foi estabelecido por meio de um Decreto Presidencial em 2005, buscando catalisar iniciativas para a conservação e proteção da espécie e de todo o ecossistema da Floresta Ombrófila Mista, que figura entre as fitofisionomias mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas no domínio da Mata Atlântica. Além de medidas para que mais nenhum pinheiro-brasileiro seja derrubado, como a criação de novas Unidades de Conservação e proteção da integridade daquelas já estabelecidas, fica evidente que a Floresta com Araucárias precisa ser restaurada.

 

Aspectos da espécie e da produção de mudas de araucária no Viveiro Jardim das Florestas. Fotos: Arquivo Apremavi.

 

Aproveitando os dias onde os pinhões (semente da araucária) são encontrados em abundância no Sul do país, a Apremavi compartilhou em seu canal no YouTube as principais orientações para quem busca transformar uma semente em árvore. Também são apresentados detalhes da produção das mudas em escala no Viveiro Jardim das Florestas, que produziu dezenas de milhares de mudas da espécie em 2022. As mudas são utilizadas em iniciativas de restauração ecológica, como o Conservador das Araucárias

A intenção do vídeo é demonstrar que a proteção da Terra, através da conservação, restauração ecológica e defesa das políticas públicas socioambientais é similar ao desenvolvimento de uma nova araucária: está condicionada a muitas variáveis e incertezas; mas a possibilidade de crescimento é possível com cuidado e participação ativa de cada um.

 

Junte-se ao time de Plantadores de Florestas:

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida

Apremavi se torna parceira técnica da Iniciativa 20×20

Apremavi se torna parceira técnica da Iniciativa 20×20

Apremavi se torna parceira técnica da Iniciativa 20×20

Apremavi se junta à Iniciativa 20×20 como parceria técnica na busca pela restauração das paisagens da América Latina e Caribe.

A Iniciativa 20×20 é um esforço liderado pelos países latinoamericanos para proteger e começar a restaurar 50 milhões de hectares de paisagens e florestas na América Latina e no Caribe até 2030. Os governos, investidores de impacto e parceiros técnicos lançaram a iniciativa em 2014, durante a COP20 em Lima, Peru, com o compromisso de começar a restaurar 20 milhões de hectares de terras degradadas até 2020. Em 2021, a iniciativa divulgou que já havia conservado e restaurado cerca de 22,6 milhões de hectares de florestas e paisagens no continente, por meio de 135 projetos.

De lá para cá os países-membros e parceiros estão trabalhando para fazer com que a América Latina seja neutra em carbono até 2050, protegendo e revitalizando 250 milhões de hectares de paisagens para as pessoas, clima e biodiversidade. Essas metas corroboram com as metas do Desafio de Bonn e com a Declaração de Nova York sobre Florestas, além de contribuir diretamente com as metas de cada país membro. 

A iniciativa é apoiada por mais de 85 organizações e instituições técnicas e uma coalizão de investidores de impacto e fundos que aplicam US$ 3,09 bilhões em investimentos privados. No total, 18 países latino-americanos e caribenhos e três programas regionais se comprometeram a trabalhar para atingir os compromissos da rede com a restauração. 

“A perspectiva é que a Apremavi possa contribuir para os objetivos da Iniciativa 20×20 ao compartilhar a expertise acumulada em três décadas de trabalho da organização com restauração de ecossistemas e conservação da natureza, bem como desenvolver projetos e contribuir com as metas de restauração assumidas”, comenta Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi. 

A Apremavi acompanhará as Forças-Tarefas de Boas Práticas e Biodiversidade, compartilhando dados e metodologias bem-sucedidas na restauração de ecossistemas, e de Mercados de Carbono e Ecossistema de Investimento para aprender com especialistas sobre as demandas do mercado de carbono em desenvolvimento.

 

Plântulas do Viveiro Jardim das Florestas, que produz as mudas utilizadas nas iniciativas de restauração desenvolvidas pela Apremavi. Foto: Arquivo Apremavi.

Autora: Carolina Schäffer

ALESC instala Frente Parlamentar Ambientalista

ALESC instala Frente Parlamentar Ambientalista

ALESC instala Frente Parlamentar Ambientalista

A iniciativa formalizada na última segunda-feira (05/06) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) parte do deputado Padre Pedro Baldissera, e conta com o apoio de outros seis gabinetes. 

Levar os debates socioambientais ao interior do estado, promover energias renováveis, preservar as águas e plantar novas florestas. Esses são apenas alguns dos objetivos da recém-inaugurada Frente Parlamentar Ambientalista da ALESC, que busca aprofundar a atuação dos deputados em proposições necessárias para a preservação do Meio Ambiente e o desenvolvimento sustentável.

Uma das metas do Grupo de Trabalho da Frente Ambientalista é catalisar uma revisão da legislação estadual do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), aprovada em 2010 e não regulamentada. Segundo o relato do coordenador dos trabalhos: “Há muito tentamos trabalhar a regulamentação desta lei extremamente importante. Vamos fazer esta conversa com o atual governador, dentro da realidade, das possibilidades, para que se inicie o processo de compensação ambiental para as famílias que preservam o meio ambiente”, destacou o deputado Padre Pedro. 

Além disso, a Frente Ambientalista também deverá observar e demandar as ações de responsabilidade do Governo do Estado. Mais de cinco meses após receber um novo governador, a Casa d’Agronômica ainda não nomeou cargos importantes das pastas de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, responsáveis por promover iniciativas que valorizem a biodiversidade, soluções baseadas na natureza e a economia verde, enfatizada na última reforma administrativa do governo estadual.

 

Selo Signatário do Movimento ODS SC 2023

Registros da cerimônia, que ocorreu no Plenarinho da ALESC. Fotos: Vicente Schmitt / Agência AL

Marquito, presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente, destacou em seu posicionamento a importância de ações conjuntas entre a comissão e a frente. “Estamos torcendo pelo sucesso da frente, hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente, um dia que gostaríamos de estar comemorando, até porque o nosso modo de produção tem uma série de impactos, de consequências ao meio ambiente e pouco se consegue qualificar a discussão, trazendo o conjunto da sociedade civil, entidades, universidades para pautar a questão ambiental”, avaliou Marquito.

Ainda antes do inicio da cerimônia de instalação da frente, Padre Pedro instou os convidados para um minuto de silêncio pela passagem de um ano do assassinato de Bruno Pereira e Dom Philips, que completou um ano na data. “É um contraponto à violência que foi feita contra os dois, que perderam suas vidas de forma desastrosa e cujos mandantes ainda estão impunes”, justificou. O crime brutal ainda não foi completamente esclarecido, e evidencia os constantes riscos que os defensores do floresta enfrentam para atuar no Brasil.

 

Carta de Santa Catarina

Em uma agenda presencial no mês de abril, os integrantes do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS) realizaram um levantamento da conjuntura e diagnóstico dos principais desafios que Santa Catarina apresenta para avançar na proteção das pessoas e de toda a biodiversidade. Tatiana Arruda Correia e Vitor Lauro Zanelatto participaram das discussões representando a Apremavi.

O incentivo à Década da ONU para Restauração de Ecossistemas, qualificação do debate sobre iniciativas que se propõem a fazer “educação ambiental” e a transição energética justa e sustentável foram algumas das problemáticas amplamente discutidas. Os mais de vinte representantes de organizações, grupos e coletivos da sociedade civil e da academia também debateram a urgência de promover a reforma agrária e a demarcação de Terras Indígenas e  territórios quilombolas.

Dentre as demandas específicas apensadas a carta estão: 

∙ Pressionar para que o Estatuto das cidades seja utilizado como instrumento, o dispositivo de legitimação de políticas públicas em prol das cidades;

∙ Promover a Natureza como ente de direitos: buscar implementar um ordenamento jurídico (na Constituição), nos planos Diretores, como política pública;

∙ Valorizar o processo educacional desde a infância e de forma transdisciplinar no trato com o cuidado com meio ambiente;

∙ Fomentar a participação nos espaços de discussão (escola, câmara de vereadores, câmara de deputados, movimentos sociais);

∙ Incentivar a preservação de águas superficiais, nascentes, rios, riachos, lagoas, praias, cachoeiras, águas subterrâneas, lençóis freáticos, aquíferos;

∙ Combater a transgenia, os agrotóxicos e outros insumos agrícolas nocivos à saúde;

∙ Promover a elaboração de planos de usos do solo, capacidade de suporte de adubação,adotar medidas que protejam a terra e por consequência a água;

∙ Ampliar a discussão do modelo econômico atual no processo produtivo visando a promoção da justiça social, dialogando mais com recorte de gênero e racial.

Durante a Instalação da Frente Parlamentar, Vitor Lauro Zanelatto, representante da Apremavi, realizou a apresentação da associação e do FMCJS, bem como as demandas apresentadas na redação da Carta de Santa Catarina: “Fico muito feliz em ver esse grande ato simbólico acontecendo na ALESC, no Dia Mundial do Meio Ambiente. Se quisermos avançar o simbólico e promover a prática, deputados, as demandas apresentadas na Carta serão um ótimo guia para os trabalhos“,  destacou Vitor.

> Leia a íntegra da Carta de Santa Catarina 

Registros do encontro do FMCJS que ocorreu entre os dias 28 e 29 de abril e da fala de Vitor durante a instalação da Frente Parlamentar Ambientalista. Fotos: Vitor Lauro Zanelatto e Vicente Schmitt / Agência AL

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autor: : Vitor Lauro Zanelatto, com informações da Agência ALESC
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto da capa: Vicente Schmitt / Agência AL

Juntos pela Democracia

Juntos pela Democracia

Juntos pela Democracia

A Apremavi junta-se a outras 200 Organizações da Sociedade Civil para agir pela defesa, valorização e aprimoramento da democracia brasileira no Pacto Pela Democracia, coalizão brasileira que tem liderado esforços de advocacy e posicionamento para resgatar e aprofundar práticas e valores democráticos no país.

No último oito de janeiro a República brasileira teve sua sede vilipendiada por representantes da extrema-direita. Duros golpes rasgaram obras de arte e tornaram peças de porcelana pó. Alvo principal, a democracia se manteve; permanece sólida, e conta com os brasileiros para ser lapidada e defendida. Os danos ao patrimônio foram contabilizados e, dentro do possível, reparados. Investigações estão em andamento para a responsabilização dos autores. 

Ameaçar a democracia é intolerável, uma fronteira intransponível em qualquer discussão. As reinvindicções socioambientais demandaram inúmeros manifestos, mobilizações e a demonstração de indignação em muitos momentos. Muitos foram as vezes em que as prioridades da Sociedade Civil não foram observadas e os retrocessos socioambientais aprovados em Brasília. Em outros atos, grandes vitórias para os biomas e para a biodiversidade do país foram conquistadas; não sem muito esforço, sempre através dos princípios democráticos.

Após os atos de oito de janeiro a Apremavi se manifestou e colocou-se à disposição para contribuir com a urgente demanda pelo fortalecimento do regime democrático. Estar no Pacto Pela Democracia é uma das formas de fazer isso, participando de um debate plural e exercitando o diálogo. Inevitavelmente, os conhecimentos trocados na coalizão também devem contribuir para o aprimoramento da cultura interna da Apremavi, que busca ser cada vez mais plural, tolerante e comprometida com o engajamento cidadão nos marcos da democracia. 

Carolina Schäffer, Vice-presidente da Apremavi, comenta com entusiasmo a importância da organização integrar o coletivo dedicado ao aprimoramento da democracia no Brasil: “a luta pela manutenção dos espaços democráticos é essencial para que possamos continuar cumprindo nossa missão e trabalhando em busca da conservação e restauração dos ecossistemas e da qualidade de vida de todas as espécies”.   

 

Manifestação da rede do Pacto sobre a CPI dos Atos Antidemocráticos

Foi instalada no último dia 25/05 a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar os ataques antidemocráticos feitos à sede dos três Poderes da República e à democracia brasileira no dia 08 de janeiro de 2023.  

As organizações da rede do Pacto pela Democracia vieram a público chamar a Comissão à responsabilidade de realizar uma investigação séria sobre o ocorrido, rechaçando quaisquer tentativas de apropriações políticas que visem manipular, por meio de narrativas, sem lastro em fatos, os rumos das investigações.

Sobre o Pacto Pela Democracia

Prestes a completar dez anos, o Pacto pela Democracia é uma iniciativa da sociedade civil brasileira voltada à defesa e ao aprimoramento da vida política e democrática no Brasil. A iniciativa busca afirmar um espaço comum para a expressão do compromisso de resgatarmos e aprofundarmos práticas e valores democráticos diante dos inúmeros desafios que temos enfrentado ao longo dos últimos anos no país.

Para isso, funciona como plataforma plural, apartidária e aberta a todos os cidadãos, organizações da sociedade e atores políticos que se disponham a integrar a coalizão e se comprometer com a ação conjunta em torno de três eixos que norteiam nossa atuação com vistas ao revigoramento da construção democrática em todo o território nacional.

As principais demandas e atividades da coalizão são apresentadas em reuniões mensais dos membros, que debatem os encaminhamentos e formas de atuação para a incidência política, mobilização de redes, divulgação de campanhas e dos principais debates que permeiam a democracia brasileira.

 

Autores: Vitor L. Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: mobilização da sociedade civil pela aprovação da Lei da Mata Atlântica (Brasília, 2003). Crédito: Arquivo Apremavi. 

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