RPPN Irmãs Grimm é criada pela Apremavi

RPPN Irmãs Grimm é criada pela Apremavi

RPPN Irmãs Grimm é criada pela Apremavi

A mais nova Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Santa Catarina acaba de ser oficializada. A Portaria nº 2.728, publicada em 17 de julho de 2025 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reconhece a criação da RPPN Irmãs Grimm, localizada no município de Papanduva (SC). 

A reserva possui uma área de 187,73 hectares e passa a integrar o grupo de Unidades de Conservação de interesse público e caráter perpétuo, contribuindo diretamente para a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica.

A origem da RPPN Irmãs Grimm remonta à década de 1990, quando Irmgard Grimm, uma senhora alemã sem herdeiros, decidiu doar à Apremavi a propriedade com cerca de 187 hectares no interior catarinense. O único pedido feito por ela foi claro: que a área fosse transformada em uma reserva permanente. A Apremavi assumiu esse compromisso.

O vínculo com as doadoras nasceu de uma história de amizade e acolhimento. Quando ainda adolescente, Miriam Prochnow, cofundadora da Apremavi, morou em Rio do Sul na casa de Emmi Anny Grimm Kirchgatter, irmã de Irmgard, enquanto cursava o ensino médio. Foi nesse período que Miriam teve seu primeiro contato com a antroposofia, filosofia que influenciou sua trajetória. Décadas mais tarde, a amizade se converteu em parceria pela conservação. No mesmo ano de criação da Apremavi (1987), Emmi tornou-se associada. 

Legenda: Imagem aérea da área antes do início do projeto de restauração, implementado no âmbito do Conservador das Araucárias. Foto: Maíra Ratuschinski.

Da exploração a restauração

Historicamente, a área foi adquirida pela família Grimm para a exploração da canela-sassafrás (Ocotea odorifera), uma árvore nativa cuja madeira e óleo essencial, o safrol, tinham grande valor comercial. No entanto, o ciclo do sassafrás chegou ao fim após intensa exploração, levando a espécie à beira da extinção.

Com a doação formalizada e posse definitiva da Apremavi, teve início o processo de criação da RPPN. Entretanto, divergências nas medições da área original atrasaram a homologação da Unidade de Conservação. Em 2022, após acordo com vizinhos e atualização do registro de imóveis, a área de 187,73 hectares foi reconhecida legalmente, permitindo a conclusão do processo junto ao ICMBio.

Nesta mesma época a Apremavi iniciou as ações de restauração na área, com plantios de mudas nativas nas áreas abertas e com plantio de mudas e sementes nas áreas de florestas secundárias, para enriquecimento dos remanescentes florestais. O processo de restauração se dá no âmbito do Conservador das Araucárias, um projeto da parceria entre a Apremavi e a Tetra Pak, que tem em sua estratégia de conservação o incentivo a criação de reservas particulares nas áreas atendidas, garantindo a permanência dessas áreas no projeto ao longo dos anos.

 

Transição ecológica e riqueza de biodiversidade

A área da RPPN está situada em uma zona de transição entre a Floresta Ombrófila Mista e a Floresta Ombrófila Densa, o que confere à reserva uma notável diversidade florística. Espécies ameaçadas como a própria canela-sassafrás (Ocotea odorifera) e o xaxim-bugio (Dicksonia sellowiana) são encontradas nos remanescentes florestais da área, ao lado de outras como cedro (Cedrela fissilis), peroba (Aspidosperma parvifolium), camboatá-vermelho (Cupania vernalis), araçá-vermelho (Psidium cattleianum) e guamirim (Eugenia spp.).

O avistamento de um exemplar do gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), espécie considerada como “Criticamente em Perigo” na lista estadual de espécies ameaçadas, e de vestígios de outros mamíferos de médio porte, torna a área ainda mais importante para a conservação da biodiversidade.

Além do valor ecológico, a criação da RPPN Irmãs Grimm simboliza a memória de duas mulheres que, mesmo à distância, contribuíram com a Mata Atlântica. As escolhas de Irmgard e Emmi  demonstraram um profundo respeito pela natureza. Ambas foram entusiastas da Apremavi e, agora, dão nome à reserva que incentivaram a criar.

 

Registros da RPPN Irmãs Grimm e espécies observadas. Fotos: Carolina Schäffer e ICMBio.

Legado para o futuro

A RPPN Irmãs Grimm passa a integrar as Unidades de Conservação nacionais e contribuir para a restauração e conservação da Mata Atlântica. Sua criação também reforça o papel das RPPNs como instrumento de conservação voluntária, onde proprietários assumem compromissos legais de proteger seus territórios em caráter perpétuo.

“É uma vitória da persistência, da amizade e da confiança em um projeto coletivo de cuidado com a vida. As Irmãs Grimm deixaram um legado que agora está protegido para sempre”, destaca Miriam Prochnow, emocionada com a homologação.

A RPPN será utilizada para fins de pesquisa, restauração ecológica, educação ambiental e conservação, ampliando a rede de áreas protegidas privadas mantidas pela Apremavi.

Portaria ICMBio nº 2.728, de 17 de julho de 2025

Reconhece oficialmente a criação da RPPN Irmãs Grimm, de interesse público e caráter de perpetuidade, no município de Papanduva (SC), sob matrícula nº 12.671 do registro de imóveis da comarca de Papanduva. Área total reconhecida: 187,73 hectares.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schaffer e Miriam Prochnow
Foto de capa: Wigold Schäffer

No Dia de Proteção às Florestas, Apremavi repudia a aprovação do PL da Devastação na Câmara dos Deputados

No Dia de Proteção às Florestas, Apremavi repudia a aprovação do PL da Devastação na Câmara dos Deputados

No Dia de Proteção às Florestas, Apremavi repudia a aprovação do PL da Devastação na Câmara dos Deputados

“A aprovação do PL do licenciamento [ou PL da Devastação] a quatro meses da COP30 é o maior retrocesso ambiental legislativo desde a ditadura”, apontou o Observatório do Clima. “Chancelado à 1h53 [de hoje] pela Câmara dos Deputados por 267 votos a 116, o projeto que detona as regras do licenciamento ambiental havia sido aprovado em maio no Senado. Os presidentes das duas Casas, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, ignoraram todos os alertas de especialistas, da sociedade e da ciência.”

Nós não imaginávamos que iríamos passar o Dia de Proteção às Florestas lançando uma nota de repúdio ao maior desmonte ambiental já executado pelo poder legislativo. Mas é isso que nós, protetores das florestas, fazemos; estamos sempre vigilantes. Tal qual o Curupira, figura folclórica brasileira considerada protetora das florestas que também não pode celebrar o seu dia diante de ocorrência tão lamentável. Aliás, o Curupira é o mascote da Conferência do Clima, que vai acontecer em Belém, em novembro deste ano. Brasil: com que cara você vai à COP30?

Sob o falso pretexto de simplificar e agilizar processos de licenciamento, o PL 2.159/2021 institui mecanismos perigosos como o licenciamento por adesão e compromisso autodeclaratório, que, na prática, funciona como um cheque em branco para a degradação. Ao eliminar a análise prévia por parte dos órgãos ambientais competentes, o projeto substitui o rigor técnico e o princípio da precaução por uma mera formalidade burocrática, transferindo para a sociedade o ônus de arcar com os custos de desastres ambientais anunciados.

O texto aprovado abre a porteira também para a degradação da Mata Atlântica, permitindo desmatamento de remanescentes florestais primários e em estágio avançado de regeneração, sem autorização do Ibama, contrariando frontalmente o que diz a Lei da Mata Atlântica, estabelecida após décadas de trabalho diuturno da sociedade civil e diálogo, contrastando com a realidade do Congresso em 2025. É um golpe fatal no pouco que resta deste Bioma no país.

É inaceitável que o projeto limite o escopo dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), excluindo a análise de impactos indiretos. Essa medida ignora tragédias socioambientais recentes e devastadoras, como o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), cujas consequências indiretas se estendem até hoje, com impactos socioecológicos incalculáveis e injustiças na  mitigação dos efeitos para as comunidades diretamente atingidas. Legislar para impedir a análise completa de um empreendimento é legislar a favor do desastre, da extinção e da morte.

Além disso, o PL cria um cenário de imensa insegurança jurídica ao permitir que empreendedores questionem condicionantes ambientais sob o argumento de falta de “ingerência” ou “poder de polícia”. Em vez de acelerar, essa medida deverá ampliar a quantidade de disputas judiciais no cenário ambiental, paralisando processos, enfraquecendo a capacidade do Estado de garantir que as atividades econômicas, promovendo insegurança jurídica e tornando o processo de instalação de empreendimentos moroso.  

Em 2025, não deveria haver espaço para o negacionismo e ataques à Natureza no Congresso, tampouco para a tese de que a proteção do meio ambiente é empecilho para o desenvolvimento econômico, há muito esse debate foi superado. É importante que a sociedade verifique como votou cada deputado, para colocar o nome dos que votaram “sim” para esta barbaridade na lista dos exterminadores do futuro. 

Conclamamos o Presidente da República a honrar seu compromisso com a Constituição Federal e com o futuro do Brasil, rejeitando integralmente o Projeto de Lei 2.159/2021. Apelamos também à sociedade civil, ao setor privado consciente e a todas as instituições comprometidas com o desenvolvimento sustentável para que se mobilizem contra este desmonte da legislação ambiental.

Reafirmamos nosso compromisso com a defesa de um meio ambiente equilibrado e com um modelo de desenvolvimento que respeite a vida, a ciência e os direitos das presentes e futuras gerações. Não aceitaremos retrocessos.

 

#VetaLula

 

 

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Miriam Prochnow e Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Catástrofe socioambiental provocada pelo rompimento de barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG). © Felipe Werneck/Ibama.

Apremavi recebe homenagem na ALESC pelo trabalho para a criação de UCs

Apremavi recebe homenagem na ALESC pelo trabalho para a criação de UCs

Apremavi recebe homenagem na ALESC pelo trabalho para a criação de UCs

O reconhecimento foi direcionado a atuação da organização para a criação e implementação da Estação Ecológica da Mata Preta e do Parque Nacional das Araucárias.

No evento de encerramento do Mês do Meio Ambiente da Comissão do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC), foram homenageadas mais de 50 instituições e cidadãos catarinenses, protagonistas de iniciativas para a conservação da biodiversidade e recursos naturais, restauração ecológica, educação ambiental, manejo sustentável e conscientização; além de órgãos públicos com atuação socioambiental, artistas e pesquisadores. O evento ocorreu no auditório da Alesc, na última quinta-feira (10/07). 

Nesse sentido, a Apremavi foi reconhecida por sua atuação histórica no estado para a criação de Unidades de Conservação, especialmente a Estação Ecológica (ESEC) da Mata Preta e do Parque Nacional (PARNA) das Araucárias. Juntas, elas protegem cerca de 19.404 hectares, em grande parte remanescentes de Floresta Ombrófila Mista, a Floresta com Araucárias. 

As áreas protegidas são extremamente importantes para a conservação de espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção, como o bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans), o pica-pau-de-cara-canela (Dryocopus galeatus), a araucária (Araucaria angustifolia) o xaxim-bugio (Dicksonia sellowiana) e a imbuia (Ocotea porosa).

As duas UCs foram oficializadas em 2005, a partir de um grande trabalho envolvendo instituições federais (MMA/IBAMA), órgãos públicos estaduais e municipais, universidades e organizações da sociedade civil. Além dos esforços para a criação da ESEC e do PARNA, a Apremavi elaborou os planos de manejo e também organizou a instituição dos conselhos consultivos das UCs no oeste de Santa Catarina.

> Saiba mais sobre a importância dos planos de manejo

O evento no parlamento catarinense marcou a conclusão de uma extensa agenda em alusão ao meio ambiente, que contemplou 16  municípios em diferentes regiões de Santa Catarina. Embora a temática adotada para as atividades foi o combate a poluição plástica e valorização da cultura oceânica, cidades para além do litoral também registraram atividades para a celebração e proteger o mar, a vida e a consciência ambiental.

O Deputado Marquito, que preside a Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALESC e foi o proponente das homenagens, ressaltou a importância de valorizar as iniciativas socioambientais que contribuem para a proteção do meio ambiente em Santa Catarina: “Vamos lutar para adiar o ‘fim do mundo’. A gente sabe que a restauração, a recuperação e ressignificar esse modelo de produção e consumo que está colocado é possível. Por isso, o trabalho de cada um e cada uma aqui [homenageados] é tão importante.” Por fim, Marquito reafirmou a busca pelo diálogo e parcerias na sua atuação como parlamentar: “É possível legislar, fiscalizar, cooperar e trabalhar em rede, como a gente trabalha com cada um de vocês”, finalizou. 

Gabriela Goebel e Vitor L. Zanelatto receberam a homenagem, representando a equipe da Apremavi. Foto: @OdaraCris / @marquito.sc

 
RMA também foi homenageada
 

A atuação na defesa da Mata Atlântica realizada pela Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) também foi homenageada. João de Deus Medeiros, recebeu a honraria em nome da Rede. A Rede de ONGs da Mata Atlântica reúne mais de 300 organizações da sociedade civil, atuando em defesa do bioma, da justiça socioambiental e dos direitos das populações que vivem e resistem nos territórios. Sua atuação é pautada pela incidência política, mobilização social, produção de conhecimento e fortalecimento de políticas públicas voltadas à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade.

Ao longo dos anos, a  RMA atuou em diversas iniciativas em Santa Catarina, como a denúncia de descumprimentos da legislação ambiental, incidência para a fiscalização e redução do desmatamento e acompanhamento de projetos de restauração ecológica. Mais recentemente, a RMA viabilizou um projeto para o engajamento de atores em prol da retomada da criação de Unidades de Conservação nos estados da região Sul, e a iniciativa para Santa Catarina foi liderada pela Apremavi.

João de Deus recebeu a homenagem em nome da RMA. Foto: @OdaraCris / @marquito.sc

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Miriam Prochnow e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: @OdaraCris / @marquito.sc

Coalizão Brasil celebra 10 anos e planeja colocar a “mão na massa”

Coalizão Brasil celebra 10 anos e planeja colocar a “mão na massa”

Coalizão Brasil celebra 10 anos e planeja colocar a “mão na massa”

Fundada em junho de 2015, a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura celebrou uma década de existência durante uma reunião plenária especial em 03 de julho, reunindo seus membros para dialogar sobre os desafios da iniciativa para a próxima década. 

A rede intersetorial foi protagonista na construção de políticas públicas fundamentais para uma agropecuária mais sustentável e para a conservação dos biomas brasileiros. Reúne mais de 400 membros, representantes do setor privado, academia e organizações da sociedade civil. 

Além de celebrar as conquistas da década, um novo desafio foi apresentado aos membros da Coalizão: a  implementação das agendas que já estão pautadas e foram tema de diálogos e propostas nos últimos dez anos. Para além do necessário posicionamento, a rede buscará promover ações concretas em áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável, como a erradicação do desmatamento, a conservação de áreas naturais, a promoção de uma economia de base renovável e o engajamento de membros à agenda agroambiental. 

Esse objetivo, que deverá ser alcançado pelo trabalho de construção coletiva e de convergência entre os membros, marca uma nova fase para a Coalizão. A ameaça dos efeitos da mudança no clima, a produção agropecuária, as metas de restauração ecológica e conservação e a valorização de iniciativas para a sustentabilidade dos negócios no mercado internacional formam, com outros elementos, um cenário propício para o trabalho conjunto. 

João Adrien, membro do Grupo Executivo da Coalizão, observa com otimismo a proposta de trabalho: “Precisamos ser vistos, cada vez mais, como uma plataforma de implementação, que cria condições para que as agendas aconteçam. O futuro é muito promissor, porque o que estamos propondo é uma economia de base renovável, que tem condições de atender a necessidade de fonte de energia e matérias-primas renováveis.” destacou Adrien. 

Miriam Prochnow, co-fundadora e diretora da Apremavi, participa da Coalizão desde o início da iniciativa e apresentou a experiência das ações que a Apremavi promove durante a plenária: “Tivemos a estratégia de ‘boca no trombone e mão na massa’ desde o início, com ações de ativismo e também iniciativas concretas de implementação. Vejo a Coalizão fazendo isso, com um nome diferente. Emitir 150 posicionamentos em 10 anos, que são muito importantes e também muito difíceis de serem aprovados em uma iniciativa multissetorial. Ainda, Prochnow destacou o potencial de parcerias intersetoriais e avaliou a Coalizão como espaço ideal para a construção das iniciativas práticas de implementação. “Agora precisamos pensar em uma ação em conjunto, o ‘mão na massa’ da coalizão, para promover união e resultados para todos e, principalmente, para os desafios econômicos e socioambientais.”, finalizou. 

Confira como foi a plenária especial e dez anos da Coalizão Brasil:

 

Sobre a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura

Os primeiros passos da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura foram dados em dezembro de 2014 e sua fundação oficial aconteceu em 24 de junho de 2015, com o lançamento do Documento-base do movimento, às vésperas da COP 21, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, quando foi firmado o Acordo de Paris.

Desde então, o movimento tem se posicionado como importante ator na formulação de propostas e soluções que ajudem o Brasil a implementar os compromissos assumidos nesse acordo climático global. A iniciativa contribui nos debates nacionais para a formulação das principais políticas públicas, instrumentos econômicos e experiências nos setores relacionados ao uso da terra no país. Até maio de 2025 a iniciativa criou 12 força-tarefas, ativas no presente;  emitiu 152 posicionamentos e lançou mais de 50 publicações sobre as temáticas em pauta. 

Os temas prioritários para a atuação da iniciativa são:
– Código Florestal: busca de consensos e força da articulação multissetorial
– Combate ao desmatamento: desafios para construção de agenda de comando e controle
– Restauração ecológica: conexão entre economia, conservação e impacto social
– Crédito rural: busca de incentivos e atenção especial à agricultura familiar

Autores: Vitor L. Zanelatto e Miriam Prochnow
Foto de capa: © Maria Isabel Oliveira / Coalizão

Apremavi participa de encontro anual do FSC® Brasil

Apremavi participa de encontro anual do FSC® Brasil

Apremavi participa de encontro anual do FSC® Brasil

Biomas Brasileiros foi o tema do encontro anual de membros do FSC® Brasil, realizado entre os dias 01 e 04 de julho de 2025 em São Paulo.

Além de trocas de experiências entre os participantes, na programação do evento houve um debate dedicado ao aprofundamento técnico e estratégico sobre os Princípios e Critérios do FSC, que estão em processo de revisão. Também foi conduzido um trabalho de diálogo para compartilhamento de experiências e oportunidades futuras, resultando na apresentação de ideias e sugestões para a ampliação da estratégia de certificação do FSC no Brasil, considerando as diferenças regionais e entre os biomas.

Olhando também para o futuro da certificação florestal, o encontro proporcionou discussões cruciais sobre inovações e estratégias que moldarão as próximas ações do FSC em cada bioma brasileiro”, relatou Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi, que participou do evento.

Durante a assembleia, que ocorreu no último dia do evento, foi apresentado o parecer do conselho fiscal e da auditoria independente relacionado às contas de 2024, eleitos os novos membros para as vagas nos órgãos de governança. Além disso, foram debatidas moções que serão apreciadas e votadas na Assembleia Geral do FSC Internacional, que será realizada em setembro deste ano na Cidade do Panamá.

 

Registros do Encontro Anual do FSC Brasil em 2025. Carolina Schäffer e Gabriela Martinez, Arquivo FSC Brasil.

O FSC

O FSC – Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal, em português) é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, criada em 1994 para promover o manejo florestal responsável ao redor do mundo, por meio de um sistema de certificação, pioneiro e único, que incorpora, de forma igualitária, as perspectivas de grupos sociais, ambientais e econômicos. Com sede na Alemanha e no México, está presente em mais de oitenta países.

No Brasil, o FSC foi oficialmente estabelecido em 2002, época em que a Apremavi se tornou parte da organização, mas as primeiras florestas certificadas brasileiras são dos anos 1990. As áreas certificadas de manejo comunitário, concessões públicas e empresariais da Amazônia, bem como de plantações florestais no país inteiro, fornecem matéria-prima para diversos setores da economia, como construção civil, papel e celulose, embalagens, alimentos e cosméticos.

O FSC tem uma estrutura de governança única, baseada nos princípios da democracia, participação e igualdade. É uma associação civil, conduzida por seus membros, que podem ser individuais (pessoa física) ou organizacionais (pessoa jurídica), e representam as câmaras social, ambiental e econômica. A principal vantagem deste modelo de governança é a possibilidade de encontrar o equilíbrio entre as diferentes visões e necessidades.

 

 

Autora: Carolina Schäffer
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Gabriela Martinez, Arquivo FSC Brasil

Apremavi lança Relatório de Atividades de 2024 no Dia do Meio Ambiente

Apremavi lança Relatório de Atividades de 2024 no Dia do Meio Ambiente

Apremavi lança Relatório de Atividades de 2024 no Dia do Meio Ambiente

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – Apremavi compartilha os resultados de suas ações e projetos no Relatório de Atividades 2024. 

A publicação detalha o compromisso e a dedicação da organização em suas diversas frentes de atuação, demonstrando como as ações de 2024 impulsionaram a restauração e conservação da Mata Atlântica, fortaleceram a educação e conscientização ambiental e aprimoraram a articulação de políticas públicas.

No coração da instituição, o Viveiro Jardim das Florestas encerrou o ano com a produção de 567.884 mudas de 104 espécies nativas. Dentre elas, a araucária (Araucaria angustifolia) foi a campeã, com 51.429 mudas produzidas, reafirmando o compromisso da Apremavi com a restauração da Floresta com Araucárias, ecossistema que a instituição considera o hotspot da Mata Atlântica. Essas mudas foram a semente para a restauração de centenas de hectares, impulsionando projetos executados com inúmeros parceiros como +Floresta, Bosques de Heidelberg, Cuidando da Mata Atlântica, Matas Legais, Matas Sociais e, em destaque, o Conservador das Araucárias, que viabilizou o plantio de 257 mil árvores em 1.292 hectares.

Esses números não são apenas estatísticas; representam o avanço contínuo de um legado de restauração que a Apremavi constrói desde sua fundação. Ao longo de sua trajetória, a organização já contribuiu para a produção e o plantio de mais de 10,5 milhões de mudas de espécies nativas, resultado do seu compromisso em reverter a degradação ambiental e conservar a biodiversidade da Mata Atlântica.

Paralelamente aos esforços de restauração, a Apremavi manteve e aprimorou suas ações de educação ambiental. O Centro Ambiental da Apremavi, que é uma base para o engajamento e a troca de conhecimentos, recebeu 813 pessoas em 30 visitas guiadas. Essas interações diretas com a comunidade são cruciais para sensibilizar o público, promover a conscientização sobre a importância da Mata Atlântica e inspirar novas gerações a se tornarem guardiãs do meio ambiente.

O trabalho da Apremavi não apenas contribui para a conservação da Mata Atlântica, mas também serve de exemplo para a consolidação de uma cultura de responsabilidade e respeito à natureza, elementos essenciais para a construção de um futuro mais equilibrado e justo para as próximas gerações“, comenta Odair Andreani, advogado e membro do Conselho Fiscal da Apremavi.

Mais do que um balanço de conquistas, o Relatório de Atividades 2024 é um convite à reflexão sobre o papel individual e coletivo na construção de um futuro mais sustentável. O documento apresenta os destaques dos projetos desenvolvidos, as campanhas institucionais criadas e apoiadas, a participação e articulação em redes e coletivos, a atuação estratégica em políticas públicas e o crescente engajamento nas mídias sociais ao longo do ano.

Acesse o relatório completo no site e inspire-se a fazer parte dessa transformação.

Autora: Carolina Schäffer
Foto de capa: Carolina Schäffer

Apremavi realiza plantio de mudas de araucárias gigantes em parceria com a UFSC

Apremavi realiza plantio de mudas de araucárias gigantes em parceria com a UFSC

Apremavi realiza plantio de mudas de araucárias gigantes em parceria com a UFSC

Mais de 800 mudas de Araucaria angustifolia, o pinheiro-brasileiro, foram plantadas na Fazenda dos Arroios, em Urubici (SC). O plantio faz parte de um experimento que está sendo realizado no âmbito  de um projeto de pesquisa pioneiro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), voltado a preservar a genética de árvores gigantes multisseculares e conduzido pelo pesquisador Marcelo Callegari Scipioni,  doutor em Engenharia Florestal e professor de Dendrologia do curso de Engenharia Florestal no campus de Curitibanos da universidade.

As mudas foram produzidas no Campus da universidade a partir de matrizes da região de Fraiburgo (SC). As matrizes (árvores que produziram as sementes utilizadas) foram consideradas árvores gigantes, com mais de 1,5 m de diâmetro à altura do peito. O local escolhido para o plantio, Fazenda dos Arroios,  que pertence à Apremavi e é uma das áreas do projeto Conservador das Araucárias, está a quase 2 mil metros de altitude, sendo um local ideal para a dispersão da araucária

O projeto visa realizar a migração assistida da espécie para garantir sua a permanência em meio às mudanças climáticas por meio de banco de germoplasma in situ, técnica utilizada para a conservação de espécies ameaçadas diante das rápidas transformações climáticas. Ao criar bancos de germoplasma in situ, assegura-se não apenas a preservação do material genético de indivíduos adaptados a uma determinada condição, mas também a possibilidade de regeneração natural e evolução contínua da espécie em ambientes estratégicos. Essa abordagem integra conservação genética, restauração ecológica e adaptação climática em uma única ação, reforçando o papel das florestas nativas na conservação da biodiversidade e na resiliência dos ecossistemas.

“Para um estudante de Engenharia Florestal apaixonado por floresta nativa participar do plantio de uma espécie ameaçada de extinção em seu local de ocorrência natural, a quase 2 mil metros de altitude, defronte ao chocante dos cânions catarinenses, é uma experiência carregada de enlevo, que preenche o peito de sentido e as áreas alteradas, outrora vazias, de mudas esperançosas”, comenta Marcelo Irmão, estudante de Engenharia Florestal na UFSC e estagiário da Apremavi, que participa do projeto. “Espero poder retornar ao local daqui décadas para vê-las em pleno vigor e para renovar as esperanças de um futuro florestal”, concluiu Marcelo. A expectativa é que o material genético que garantiu a sobrevivência desses indivíduos gigantes seja preservado e gere novos indivíduos no futuro.”

Registro do plantio de mudas de araucária gigante na Fazenda dos Arroios - 04/2025

Registro do plantio de mudas de araucária gigante na Fazenda dos Arroios. Foto: Marcelo Callegari Scipioni.

O projeto Conservador das Araucárias

O projeto Conservador das Araucárias é uma parceria entre a Apremavi e a Tetra Pak que tem como meta a restauração de 7 mil hectares de Mata Atlântica, com foco na Floresta com Araucárias. Visa a restauração florestal com espécies nativas, atrelada à captura de carbono para mitigação das mudanças climáticas. Além disso, promove a adequação de propriedades rurais à legislação ambiental, a conservação de mananciais hídricos, do solo e da biodiversidade, bem como a melhoria da qualidade de vida da população. 

> Conheça o projeto

Autor: Marcelo da Silva Irmão
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto, Miriam Prochnow e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: Marcelo Callegari Scipioni

Apremavi é premiada em duas categorias do 31° Prêmio Expressão de Ecologia

Apremavi é premiada em duas categorias do 31° Prêmio Expressão de Ecologia

Apremavi é premiada em duas categorias do 31° Prêmio Expressão de Ecologia

A Apremavi acaba de conquistar mais um importante reconhecimento: o 31° Prêmio Expressão de Ecologia, a mais longeva e respeitada premiação ambiental do Brasil. Essa é a 13ª vez que a Apremavi recebe o Troféu Onda Verde,  retrato da sua atuação protagonista e compromisso com a conservação e restauração da Mata Atlântica.

Nesta edição, que contou com 151 iniciativas inscritas nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, foram selecionados 33 projetos de 27 organizações, com base nos critérios de relevância, inovação, impacto ambiental e potencial de replicabilidade. A Apremavi foi premiada em duas categorias: Educação Ambiental e Manejo Florestal Sustentável.

 

Geração +Floresta

Na categoria Educação Ambiental, o destaque foi o programa Geração +Floresta, vinculado ao Projeto +Floresta e desenvolvido no município de Abelardo Luz (SC). A iniciativa atua em seis instituições de ensino públicas, com o objetivo de aproximar a comunidade escolar das ações do projeto, utilizando a educação ambiental como ferramenta de conscientização e transformação. 

Desde 2023, o programa já capacitou 245 alunos e professores, promovendo vivências e aprendizados sobre temas como restauração ecológica e conservação de espécies ameaçadas, como a araucária, a imbuia e o xaxim-bugio. Em 2024, os estudantes participaram do plantio de 500 mudas nativas nas escolas e em áreas do entorno.

Registros das atividades do programa Geração +Floresta. Fotos: Edilaine Dick, Marluci Pozzan e Thamara S. de Almeida. 

Programa Matas Legais: uma parceria de sucesso

Na categoria Manejo Florestal Sustentável, o prêmio foi concedido ao  programa Matas Legais, resultado da parceria entre a Apremavi e a Klabin. A iniciativa desenvolve ações de conservação, educação ambiental e fomento florestal, promovendo a conservação e restauração florestal em propriedades que participam do programa de fomento florestal da empresa.  A palavra legal procura traduzir dois sentidos: o de cumprimento da legislação ambiental e o de expressão de um lugar agradável, bonito e bom de se viver. É referência na articulação entre setor privado e organizações da sociedade civil, comemorando 20 anos de existência em 2025. Em 2005, quando foi firmada, a parceria era considerada inédita.

Atuando nos estados de Santa Catarina e Paraná, o Matas Legais busca sanar os principais desafios que o proprietário rural enfrenta para cumprir a legislação ambiental na propriedade: as dificuldades em compreender quais ações são necessárias na prática para implementar o que prevê a legislação ambiental, planejar as atividades e obter assessoria técnica, viabilizar o investimento para as ações de restauração ecológica necessária e monitorar o progresso da restauração florestal. Até o final de 2023, o programa tinha atendido 1.426 propriedades, com cerca de 2.200 hectares de áreas em restauração. Foram plantadas e distribuídas em campanhas quase 2 milhões de mudas nativas.

 

Registros de Antes e Depois do Programa Matas Legais. Fotos: Arquivo Apremavi.

A cerimônia de premiação deve acontecer no dia 30 de agosto de 2025 em Florianópolis (SC), reunindo os vencedores e celebrando as boas práticas ambientais. Criado pela Editora Expressão em 1993, logo após a ECO-92, o Prêmio Expressão de Ecologia tem reconhecimento do Ministério do Meio Ambiente e já reuniu mais de três mil e quinhentos projetos inscritos ao longo de sua história. 

> Confira todos os vencedores do prêmio em 2025

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Miriam Prochnow e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Carolina Schäffer

Laranjinha-do-mato, a mirtácea pouco conhecida da Mata Atlântica

Laranjinha-do-mato, a mirtácea pouco conhecida da Mata Atlântica

Laranjinha-do-mato, a mirtácea pouco conhecida da Mata Atlântica

Nativa da Mata Atlântica e com ocorrência registrada entre os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a Eugenia speciosa Cambess. é uma espécie da família Myrtaceae, mesmo grupo da pitanga (Eugenia uniflora L.) e da goiabeira-serrana (Acca sellowiana (O. Berg) Burret). 

Apresenta diferentes tamanhos, dependendo do ecossistema onde ocorre,  desde arbustos de 1 a 3 metros de altura na restinga, podendo atingir até 20 metros de altura em florestas. O tronco mede 10 a 30 centímetros de diâmetro e a casca tem coloração pardo-acinzentada que se desprende em escamas, característica comum entre as mirtáceas. 

Muitas espécies da fauna alimentam-se com o fruto da espécie, que apresenta coloração amarelada e alaranjada, 1,5 a 2,5 cm de diâmetro e polpa suculenta. Uma única semente é gerada em cada drupa, e a dispersão das sementes é realizada principalmente por zoocoria, ou seja, através dos animais. Os frutos também podem ser consumidos pelas pessoas,  in natura ou na forma de geléia.

As mudas apresentam um crescimento rápido, especialmente em solos vermelhos e arenosos com rápida drenagem da água das chuvas. Além disso, a espécie é muito resistente a condições adversas:  é resistente a geadas leves, frutifica tanto em pleno sol como na sombra pode ser cultivada em áreas inundáveis. Além de aplicações em atividades para a restauração ecológica da Mata Atlântica, a espécie pode ser utilizada para fins paisagísticos.

Aspectos da Eugenia speciosa. Fotos: Vitor Lauro Zanelatto.

Laranjinha-do-mato

Nome científico: Eugenia speciosa Cambess.
Família: Myrtaceae
Coleta de sementes: coletar os frutos diretamente da árvore quando iniciarem a queda espontânea, ou recolhê-los do chão após a queda.
Floração: flores brancas, com floração entre os meses de agosto e novembro.
Fruto: carnoso, com uma casca espessa de cor amarela. Mede cerca de 2,5 cm de diâmetro. Os frutos amadurecem entre dezembro e fevereiro, dependendo da região.
Crescimento da muda: rápido.
Germinação: alta, ocorre entre 60 e 90 dias.
Plantio: pode ser plantada em pleno sol, solos úmidos e regiões acima de 700 metros de altitude.
Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Menos preocupante (Least Concern  – LN) (IUCN).

Referências consultadas:

BRASIL. Portaria nº 148, de 07 de junho de 2022. Portaria MMA Nº 148. Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Portaria/2020/P_mma_148_2022_altera_anexos_P_mma_443_444_445_2014_atualiza_especies_ameacadas_extincao.pdf. Acesso em: 01 abr. 2025.

GIEHL, E.L.H. (coordenador) 2025. Flora digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Disponível em:  http://floradigital.ufsc.br. Acesso em: 01 abr. 2025.

IUCN. IUCN Red List. 2022. Disponível em: https://www.iucnredlist.org/. Acesso em: 01 abr. 2025.

JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO. Reflora. Disponível em: https://reflora.jbrj.gov.br/reflora/herbarioVirtual/. Acesso em: 01 abr. 2025.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992.

MUNIZ, H. J. T. Colecionando Frutas: Eugenia speciosa. Disponível em: https://www.colecionandofrutas.com.br/eugeniaspeciosa.htm/. Acesso em: 01 abr. 2025.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto

O ecoturismo nos Campos de Altitude

O ecoturismo nos Campos de Altitude

O ecoturismo nos Campos de Altitude

Entenda como o desenvolvimento do turismo ecológico nos Campos de Altitude pode contribuir para a proteção do ecossistema.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) definem o ecoturismo ou turismo ecológico como o “segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações“. 

Essa definição é importante: ao mesmo passo que esse segmento do turismo promove o contato das pessoas com ambientes naturais com belas paisagens e a biodiversidade dos biomas brasileiros as atividades demandam uma série de responsabilidades, buscando assegurar conservação e o menor impacto possível aos elementos da paisagem, sejam eles biológicos, como as plantas e a fauna; minerais, como as formações rochosas do local, ou culturais, como produções de valor histórico relevante de comunidades humanas que habitaram o local no passado, por exemplo. 

Pedra Furada. Foto: Arquivo Apremavi. 

Nos Campos de Altitude e em todas as áreas onde o turismo ecológico pode ser realizado, o fortalecimento dos serviços de apoio e visitação, bem como a conscientização sobre as atividades turísticas permitidas nas áreas naturais são o ponto de partida para garantir a proteção da natureza. 

Antes de ofertar atividades de turismo ecológico é preciso considerar:
∙ Potenciais impactos que as atividades podem gerar para a conservação da área; 
∙ Os riscos que a área oferta para as pessoas (como animais peçonhentos, terreno com relevo acentuado, dificuldades para a comunicação, etc.);
∙ Medidas para garantir a sustentabilidade do ambiente, como a definição de uma capacidade de suporte diária para a visitação; 
∙ Se for uma Unidade de Conservação, o que prevê o Plano de Manejo e quais são as regras da instituição administradora em relação ao turismo.

Muitas atividades de ecoturismo nos Campos de Altitude ocorrem no Parque Nacional de São Joaquim (PNSJ), um dos primeiros criados no Brasil e o primeiro em Santa Catarina, em 1961. Seu objetivo principal foi a proteção das araucárias, mas ao longo do tempo foi reconhecida a relevância da área para toda a fauna e flora além dessas árvores, e despertando o interesse de muitos visitantes. 

A EcoTrilhas Serra Catarinense é uma das empresas que atuam no PNSJ e em outras áreas de Campos de Altitude, como o Campo dos Padres. Os roteiros oferecidos demonstram que muitas pessoas estão interessadas pelo turismo ecológico na região, e também a valorização dos diversos elementos que fazem esse ecossistema ser tão importante. Entre as atividades oferecidas estão:

∙ Expedições e travessia no Campo dos Padres: proporciona uma imersão na natureza local; 
∙ Percurso de observação de Aves (birdwatching): realizada nos Campos de Altitude e na Floresta com Araucárias permitindo aos participantes apreciar a rica avifauna da Serra Catarinense;
∙ Trilhas em Cânions: passeios por formações geológicas impressionantes, como o Cânion das Laranjeiras, Cânion do Funil e Pedra Furada, onde os Campos de Altitude proporcionam paisagens deslumbrantes;
Circuito Santa Bárbara: trilha que inicia em um vale de araucárias, passando por cascatas e subindo até os Campos de Altitude da Santa Bárbara. 

Segundo Dário Lins, sócio da EcoTrilhas Serra Catarinense, o ecoturismo é extremamente importante tanto para a conservação da natureza quanto para o desenvolvimento econômico sustentável: “Ele ajuda a proteger áreas naturais, gera renda para comunidades locais e incentiva práticas mais sustentáveis. Além disso, cria empregos, movimenta a economia da região e conscientiza as pessoas sobre a importância de preservar o meio ambiente.” 

Lins também destaca a importância do planejamento e mensuração dos impactos que as visitas geram ao ambiente: “Claro, há  desafios, como o risco de turismo descontrolado, que pode acabar prejudicando a própria natureza. Por isso, é essencial ter boas políticas de gestão, controle de visitantes e educação ambiental. Quando feito de maneira correta, o ecoturismo consegue equilibrar preservação e desenvolvimento, beneficiando todo mundo – tanto a natureza quanto as pessoas que dependem dela.”

A capacitação de guias e outros trabalhadores para esse segmento do turismo é essencial para promover também o conhecimento da natureza e da história dos territórios através das visitas, incentivando os turistas a contribuir com a proteção das áreas e a reconhecer a importância das Unidades de Conservação, por exemplo. Além disso, o incremento no número de visitantes pode contribuir com a conservação, desenvolvimento social, cultural e econômico dos destinos turísticos e das comunidades locais. 

Paisagens do PN Sao Joaquim

Fotos das paisagens e da realização de trilhas nos Campos de Altitude de Santa Catarina. Fotos: Wigold B. Schäffer e Arquivo Apremavi. 

Ecoturismo consciente: o que eu preciso saber

Se você planeja conhecer uma área dos Campos de Altitude, ou outra paisagem natural do Brasil, essas são algumas atividades para uma visita tranquila e responsável:

∙ Saber quem é o proprietário da área e obter autorização para a visita (se for uma área privada) ou realizar contato para o agendamento e autorização da visita com a instituição que administra o local (se for uma área pública);
∙ Mapear a área, manter informações de localização atualizadas e, sempre que possível, contar com um um guia para a visita; 
∙ Manter junto de si todos os objetos, não coletar materiais da natureza e descartar o lixo gerado corretamente; 
∙ Verificar os riscos possíveis que o local oferece e tomar todas as medidas de proteção.

> Acesse o Guia de Conduta Consciente em Ambientes Naturais, do ICMBio
> Leia o Guia de turismo na Mata Atlântica, da SOS Mata Atlântica
> Acesse o Guia do Visitante do Parque Nacional de São Joaquim 



Campanha em prol dos Campos de Altitude

Essa matéria é fruto da campanha “Proteja os Campos de Altitude”, uma das iniciativas do projeto “Cuidando da Mata Atlântica: Articulação Região Sul da RMA”, executado numa articulação entre a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e Instituto Mira Serra, com o apoio financeiro da Fundação dinamarquesa Hempel por meio da Fundação SOS Mata Atlântica.

> Conheça a campanha 

Paisagens do PN Sao Joaquim

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: Wigold Schäffer

Os Campos de Altitude e seus serviços ecossistêmicos

Os Campos de Altitude e seus serviços ecossistêmicos

Os Campos de Altitude e seus serviços ecossistêmicos

Além da indiscutível importância para a conservação da biodiversidade, beleza cênica e importância para atividades econômicas sustentáveis, como o turismo ecológico, os Campos de Altitude se destacam pelos serviços ecossistêmicos providos de forma gratuita e silenciosa.

Os serviços ecossistêmicos promovem benefícios essenciais para a sociedade. São gerados pela natureza, que promove a manutenção, recuperação ou melhoria das condições ambientais, refletindo diretamente na qualidade de vida das pessoas.

Esse aspecto é difícil de ser identificado ao olhar para a paisagem, mas de extrema importância para todas as formas de vida, conectando a manutenção do ecossistema local com o equilíbrio de outras regiões.  Nesse sentido, os Campos de Altitude promovem uma série de “benefícios” para as pessoas, que asseguram a disponibilidade de componentes fundamentais para a qualidade de vida. Entre eles, destacam-se:

∙ Regulação Climática: a vegetação dos campos de altitude ajuda a regular o clima local, influenciando a umidade e a temperatura;

∙ Recursos Hídricos:
promove a recarga de aquíferos, abriga mantém e nascentes, proporcionando maior regularidade no regime hídrico e assim garantindo a disponibilidade de água para as comunidades locais;

∙ Proteção dos Solos:
a cobertura vegetal exerce papel essencial na formação e manutenção da integridade do solo, e na redução de processos erosivos, especialmente em áreas com maior declive;

∙ Biodiversidade:
os campos abrigam uma riqueza singular de Flora, fauna e funga, se constituindo em espaço insubstituível para grande número de espécies endêmicas e raras.

 

Campos de Altitude

Paisagens dos Campos de Altitude. Fotos: Wigold B. Schäffer.

A mudança do uso do solo nos Campos de Altitude é uma das principais ameaças do ecossistema, com efeitos nocivos para os serviços ecossistêmicos. O avanço das áreas de agricultura, com uso intenso de agrotóxicos e retirada da cobertura vegetal nativa – entre muitos outros exemplos negativos – compromete a estabilidade da paisagem e promove a contaminação da água que é armazenada no solo. 

Por isso, além da criação de novas Unidades de Conservação para a conservação da biodiversidade, é preciso combater grandes impactos em todas as áreas do ecossistema e restaurar os ambientes que já estão alterados. Isso demanda uma série de investimentos e participação dos atores de cada região, assim como o desenvolvimento de uma cadeia de restauração dedicada aos campos, que apresentam dinâmicas ecológicas muito diferentes das paisagens florestais. Outra medida que pode contribuir na proteção dos ambientes naturais e dos serviços ecossistêmicos associados é o desenvolvimento de iniciativas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que quantificam, valoram e remuneram os proprietários de terras que fornecem tais serviços. 

Ao mesmo passo, o desenvolvimento de atividades de baixo impacto ambiental, ou até mesmo positivas para o meio ambiente, são oportunidades para o engajamento das pessoas, fortalecimento de uma visão sobre a importância das paisagens naturais e desenvolvimento de renda para as pessoas e desenvolvimento das cidades e comunidades.

 

 

Campanha em prol dos Campos de Altitude

Essa matéria é fruto da campanha “Proteja os Campos de Altitude”, uma das iniciativas do projeto “Cuidando da Mata Atlântica: Articulação Região Sul da RMA”, executado numa articulação entre a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e Instituto Mira Serra, com o apoio financeiro da Fundação dinamarquesa Hempel por meio da Fundação SOS Mata Atlântica.

> Conheça a campanha 

Referências:

BRASIL. Lei Nº 14.119: Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. Disponível em: https://legis.senado.leg.br/norma/33089316/publicacao/33104500. Acesso em: 17 mar. 2025.

BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA. Serviços Ecossistêmicos. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas/biomas-e-ecossistemas/conservacao-1/servicos-ecossistemicos. Acesso em: 17 mar. 2025.

SOUSA, Letícia Penno de et al. As Funcionalidades Ambientais dos Campos de Altitude do Paraná. In: IX CONGRESSO DE ECOLOGIA DO BRASIL, 9., 2009, São Lourenço. Anais […] . São Lourenço: Seb, 2009. p. 1-4.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: João de Deus Medeiros e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: Wigold Schäffer

Ministra Marina Silva recebe ambientalistas para falar sobre a Mata Atlântica

Ministra Marina Silva recebe ambientalistas para falar sobre a Mata Atlântica

Ministra Marina Silva recebe ambientalistas para falar sobre a Mata Atlântica

No último dia vinte, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva, recebeu uma equipe da Rede de Ongs da Mata Atlântica (RMA), que lhe entregou a “Carta de Atalanta”, documento elaborado por ONGs que trabalham pela proteção da Mata Atlântica nos estados do Sul do Brasil. A carta é resultado do Seminário sobre Unidades de Conservação da Região Sul, ocorrido em setembro de 2024, realizado no âmbito do projeto colaborativo executado com o apoio da Fundação SOS Mata Atlântica e da Fundação Hempel.

Além da ministra participaram da reunião o Secretário Executivo do Ministério, João Paulo Capobianco, André Lima, Secretário Extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial, Rita Mesquita, Secretária de Biodiversidade e Floresta, Bráulio Dias, Diretor de Conservação e Uso Sustentável e Guilherme Checco, Diretor de Programas.

Após a reunião com a Ministra, os ambientalistas se reuniram também com o Presidente do ICMBio, Mauro Pires. Além da Carta de Atalanta, também foram entregues outros dois documentos, um ofício relatando a situação da Mata Atlântica no litoral norte do Paraná e outro apontando questões relacionadas ao Parque Nacional de São Joaquim.

Representando a RMA estavam presentes Diego Igawa, João de Deus Medeiros, Miriam Prochnow, Reginaldo Ferreira e Tânia Martins.

Registros das audiências realizadas em 20/02/2025. Fotos: Arquivo Apremavi e Rogerio Cassimiro/MMA. 

Carta de Atalanta

A Carta de Atalanta tem como foco as Unidades de Conservação, assim o diálogo começou com os ambientalistas apontando uma ameaça à Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o SNUC, por conta da proposta do Projeto de Lei PL 3354/24, do Deputado Lúcio Mosquini, MDB-RO, que pretende abrir as Unidades de Conservação para fixar moradia a indígenas desvinculados de seus territórios tradicionais, em UC de proteção integral e de uso sustentável. Isso representa um enorme perigo à integridade das UCs e do próprio SNUC.

Os ambientalistas explicaram para a ministra que reconhecem a luta e a necessidade da demarcação e homologação de Terras Indígenas, entretanto, ela não pode ocorrer nas já tão fragilizadas e vulneráveis unidades de conservação da Mata Atlântica. Foram apontadas para a ministra ocupações indígenas que já ocorrem no Sul, como são os casos da Reserva Biológica de Bom Jesus (PR), do Parque Nacional da Serra do Itajaí (SC), do Parque Nacional Guaricanas (PR), do Parque Nacional do Iguaçu (PR) e das Florestas Nacionais (Flonas) de Passo Fundo (RS), Três Barras (SC), Canela e São Francisco de Paula (RS). Esses casos representam uma ameaça à biodiversidade nessas regiões e claramente afrontam a Lei do SNUC.

Outros pontos em pauta

Os ambientalistas também estão preocupados com a paralisação da agenda de criação de Unidades de Conservação na Mata Atlântica, e cobraram do MMA e do ICMBio a retomada dos trabalhos para debater a criação de UCs em áreas prioritárias para a conservação na região Sul. Foi também citado o caso da Serra Vermelha, localizada no Sul do Piauí, que a RMA vem lutando para proteger desde 2008, sem êxito por enquanto. Segundo Marina Silva, tudo o que foi possível foi feito pelo MMA para anexar a Serra Vermelha ao Parque Nacional Serra das Confusões, no entanto, um entrave político, protagonizado pelo Senador Marcelo Castro-MDB, se estabeleceu e, por essa razão a minuta do decreto sempre emperra na Casa Civil a espera de um ofício de anuência do Governador do Piauí. Lembraram que a retomada da agenda de criação de unidades de conservação é compromisso de campanha do Presidente Lula e que o ano de 2025 é o ano para avançar nessa agenda, inclusive como legado da realização da COP 30 em Belém (PA) no final deste ano.

A ameaça aos Campos de Atitude, decorrentes da atual legislação estadual de Santa Catarina e do PL 364/2019, ora em tramitação na Câmara dos Deputados, também entraram na pauta. Os ambientalistas lembraram que a Nota Técnica do MMA/24 ressalta que “Os campos de altitude são parte inerente, insubstituível e irrecuperável do bioma Mata Atlântica, contendo alto nível de endemismos, além de prover diversos serviços ambientais essenciais para a região”.

E, mais uma vez, os ambientalistas reivindicaram a regulamentação do Fundo da Mata Atlântica, previsto na Lei 11.428/2006, se utilizando do argumento de que nesse momento em que se faz necessário enfrentar as mudanças climáticas, a implementação do fundo se torna fundamental.

A Ministra e equipe se propuseram a trabalhar para atender as reivindicações, sinalizando a retomada do grupo de trabalho da agenda de criação de UCs e a realização de um evento para tratar de conflito de competências relacionado às autorizações de desmatamento na Mata Atlântica, quando do lançamento do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCD) da Mata Atlântica. Em relação ao Fundo da Mata Atlântica ficou o compromisso de retomar e verificar internamente como está no momento o processo de regulamentação do mesmo.

Autoras: Tânia Martins (RMA) e Miriam Prochnow.
Foto de capa: Rogerio Cassimiro/MMA

Pau-cutia, espécie ideal para o enriquecimento ecológico

Pau-cutia, espécie ideal para o enriquecimento ecológico

Pau-cutia, espécie ideal para o enriquecimento ecológico

Guaxupita, canela-de-cotia e pau-cutia são alguns dos muitos nomes populares da espécie Esenbeckia grandiflora Mart. Seu crescimento depende das características do ambiente, tornando-se arbustiva ou arbórea após a fase de crescimento. Suas folhas são perenes, sempre verdes e exuberantes, em árvores que podem atingir até 20 metros de altura. 

Pode ser encontrada entre o Ceará e o Rio Grande do Sul, principalmente nas Florestas Semideciduais da Mata Atlântica, entre uma altitude de 50 até 1360 metros. A polinização das flores é realizada por moscas (miofilia) e a dispersão das sementes ocorre por gravidade (autocoria). A taxa de germinação das sementes é alta, e estas apresentam comportamento ortodoxo, possibilitando o armazenamento para a semeadura nas melhores condições climáticas. 

Essas características, junto da significativa tolerância da espécie à sombra, fazem da espécie pau-de-cutia uma excelente espécie para plantios de enriquecimento ecológico; ou seja, ações de restauração ecológica buscando aumentar a diversidade de espécies de plantas em áreas onde uma floresta já está crescendo, seja através de plantios anteriores ou por meio da regeneração natural. 

No passado, a madeira da espécie foi utilizada para a produção de varais de carroça e na confecção de cabos de ferramentas como martelos, pás, machados e outras que exigiam certa resistência. Atualmente, a pau-de-cotia pode ser empregada em plantios com objetivos apícolas, buscando proporcionar pólen às abelhas; e também em plantios paisagísticos, inclusive em centros urbanos, já que seu crescimento é moderado, se comparado a outras árvores nativas.

Fotos: Registros de diferentes estruturas da espécie Esenbeckia grandiflora. (CC) Flora digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Pau-cutia

Nome científico: Esenbeckia grandiflora Mart.

Família: Rutaceae

Coleta de sementes: os frutos devem ser coletados diretamente da árvore, quando estes iniciarem a abertura espontânea. Para a liberação das sementes, os frutos devem ser expostos ao sol. As sementes podem ser armazenadas por mais de quatro meses. 

Fruto: lenhoso, arredondado e coberto com espinhos. Mede cerca de 2,5 cm de diâmetro.

Flor: varia de creme-esverdeado a avermelhada. Mede cerca de 1,4 cm de diâmetro. Floresce entre os meses de dezembro e janeiro.

Crescimento da muda: lento. 

Germinação: alta.

Plantio: por ser uma espécie secundária tardia, deve ser evitado o plantio em áreas de pleno sol.

Status de conservação: MMA: Não listada – Portaria MMA 148/2022 | IUCN: Menos preocupante (Least Concern  – LN) (IUCN).

 

Referências consultadas:

BRASIL. Portaria MMA Nº 148. Brasília, Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140573/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-5-Pau-de-Cutia.pdf. Acesso em: 20 jan. 1015.

CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Espécies Arbóreas Brasileiras. Embrapa Florestas. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140573/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-5-Pau-de-Cutia.pdf. Acesso em: 19 jan. 2025.

GIEHL, Eduardo Luís Hettwer (org.). Flora digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 2025. Disponível em: http://floradigital.ufsc.br. Acesso em: 19 jan. 2025.

INTERNATIONAL UNION FOR CONSERVATION OF NATURE AND NATURAL RESOURCES. IUCN Red List. Disponível em: https://www.iucnredlist.org. Acesso em: 19 jan. 2025.

LORENZI, H. 1992. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Editora Plantarum Ltda. Nova Odessa, São Paulo vol. 1, 368 p.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Shäffer
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Apremavi leva a Mata Atlântica para as salas de aula na Alemanha

Apremavi leva a Mata Atlântica para as salas de aula na Alemanha

Apremavi leva a Mata Atlântica para as salas de aula na Alemanha

Entre os dias 18 e 22 de novembro de 2024, a Mata Atlântica foi tema de palestras ministradas pela Apremavi em escolas de Heidelberg, cidade localizada no sul da Alemanha.

Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi, esteve em Heidelberg, Alemanha, para conversar com estudantes alemães sobre a importância da Mata Atlântica e sua biodiversidade. Acompanhada de Brigitte Heinz, representante da ONG alemã BUND – Freunde der Erde, que é parceira da Apremavi, Carolina realizou atividades e palestras, ministradas na língua alemã em 07 escolas, envolvendo 09 turmas e mais de 580 alunos, com idade entre 7 e 15 anos. Este ano Carolina também acompanhou as atividades de um grupo de estudos coordenado pelo BUND e participou de uma feira expondo o projeto da parceria.

A ação “Der Regenwald kommt in die Klassenzimmer (nome em alemão para “a Mata Atlântica vai à sala de aula”) é realizada bianualmente desde 2008 pela Apremavi e pelo BUND e faz parte do projeto Bosques de Heildelberg. Com duração de 1 hora e 30 minutos, as palestras abordam temas relacionados com a Mata Atlântica no Brasil, sua riqueza e belezas naturais e também os problemas e ameaças que afetam a sua biodiversidade. Um dos pontos altos do encontro é a apresentação dos filmes com os resultados do projeto e sobre as belezas dos biomas brasileiros, elaborado pela Apremavi especialmente para este intercâmbio.

Essa já é minha quarta vez conduzindo a ação e levando a Mata Atlântica para as salas de aula e eu estou muito feliz com a oportunidade de apresentar não só um dos biomas mais biodiversos do mundo para os jovens alemães, mas também de poder conversar com eles sobre a importância da sua conservação para o Brasil e para o mundo”, comenta Carolina.

Atividades desenvolvidas por Carolina em Heidelberg. Fotos: Carolina Shäffer e Brigitte Heinz/BUND.

O projeto

O projeto Bosques de Heidelberg e o intercâmbio entre a Apremavi e o BUND acontece desde 1999 e busca a restauração da Mata Atlântica no Brasil. A principal atividade é o plantio de árvores, aliado a realização de palestras, visitação a trilhas em áreas de florestas e apoio a campanhas educativas, buscando sensibilizar e envolver alunos e a sociedade em geral na proteção e recuperação do ambiente natural. Sempre que possível, os bosques são plantados em centros de ensino, áreas estratégicas para que o espaço também seja explorado como recurso em atividades de educação ambiental, contemplação e interpretação da natureza. 

O primeiro Bosque de Heidelberg foi implantado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ribeirão Matilde, em Atalanta (SC), em 1999, logo após a parceira ter sido acordada. Ao longo dos anos, o bosque foi crescendo e tornou-se parte significativa do espaço escolar. Em 2019, quando vinte anos do plantio foram completados, os alunos também elaboraram cartões postais, ilustrados com elementos do Bosque da Escola através de desenhos e colagens. No mesmo ano, foram lançadas as cartilhas ecológicas “Desenhando o Bosque da Escola: 20 anos de amor pela Natureza”. A cartilha é uma iniciativa da Escola, tem o apoio da Apremavi e do BUND, e contém desenhos e poemas elaborados pelos alunos que fizeram do bosque sua fonte de inspiração artística.

 

Autora: Carolina Schaffer
Revisão: Vitor L. Zanelatto
Foto de capa: Palestra da ação “A Mata Atlântica vai à sala de aula”. Crédito: Arquivos BUND

Apremavi Contrata: técnica(o) ambiental

Apremavi Contrata: técnica(o) ambiental

Apremavi Contrata: técnica(o) ambiental

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) apresenta oportunidade de contratação para três vagas de técnica(o) ambiental, com diferentes pré-requisitos e locais de atuação. A saber:

∙ Contratação de técnica(o) ambiental com ensino técnico ou curso superior em Ciências Biológicas, Engenharia Florestal, Engenharia Ambiental e/ou áreas afins.

∙ Contratação de técnica(o) ambiental para atuação no município de Atalanta (SC) e na região serrana de Santa Catarina.

∙ Contratação de técnica(o) ambiental para atuação no município de Xanxerê (SC) e região.

+ Confira o Termo de Referência (TDR) com o detalhamento da oportunidade, pré-requisitos e atividades previstas

 

Pessoas interessadas devem enviar o currículo para o e-mail  info@apremavi.org.br até o dia 20 de novembro de 2024, com o título “Currículo Técnico Ambiental”.

A Apremavi tem como princípios a equidade e a diversidade. Incentivamos profissionais de grupos minoritários (de origem e raça, étnicos, gênero, orientação sexual, sociais, culturais, etários, e físicos) a apresentar proposta. 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Rede de Sementes Mais Floresta planeja próximos passos

Rede de Sementes Mais Floresta planeja próximos passos

Rede de Sementes Mais Floresta planeja próximos passos

No dia 15 de outubro a Rede de Sementes Mais Floresta se reuniu no Sítio Oliveira, em Abelardo Luz (SC), para mais uma reunião de planejamento. A atividade contou com 15 pessoas, entre coletores, equipe da Apremavi e convidados: servidores do Instituto Água e Terra (IAT) do Governo do Estado do Paraná e representante da Sociedade Chauá.

A reunião foi conduzida por Edilaine Dick e Marluci Pozzan, coordenadoras de projetos da Apremavi, e pelo viveirista Alex Sieves, do Viveiro Jardim das Florestas. O Encontro teve como objetivo a apresentação de informações das últimas atividades e o planejamento das ações da Rede de Sementes. Na oportunidade foi realizada a entrega em primeira mão da versão impressa da publicação Guia de Sementes da Mata Atlântica aos coletores, lançada em setembro de 2024 pela Apremavi.

Além do guia, os coletores também receberam o caderno de coletas de sementes nativas. O Guia deverá fornecer informações de coleta, beneficiamento e armazenamento das sementes, enquanto o caderno servirá como um registro das sementes encontradas por cada coletor.

Para Edilaine Dick, “É uma alegria ver que a Rede segue mobilizada e animada para a coleta de sementes e com certeza os dois materiais produzidos servirão para aprimorar o conhecimento da Apremavi e dos coletores”. Após a reunião os coletores fizeram uma visita na propriedade para identificação e esclarecimentos sobre o ponto de coleta de algumas espécies que se encontram na floração nesta época do ano.

Selo Signatário do Movimento ODS SC 2023

Registro da reunião da rede de sementes. Foto: Marluci Pozzan.

Outra novidade é que agora a Rede de Sementes Mais Floresta integra oficialmente o Redário, iniciativa que reúne redes de coletoras e coletores de todo o Brasil. Em julho, a Apremavi esteve no terceiro Encontro do Redário, em Juazeiro (BA), participando das discussões. 

A Rede de Sementes Mais Floresta é coordenada pelo Projeto +Floresta e apoiada pela Apremavi através dos projetos +Floresta e Conservador das Araucárias.
> Saiba mais 

O projeto + Floresta é financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autora: Marluci Pozzan
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Apremavi lança guia de coleta de sementes nativas

Apremavi lança guia de coleta de sementes nativas

Apremavi lança guia de coleta de sementes nativas

Em celebração ao Dia da Árvore (21/09), a Apremavi lança nova publicação com conhecimentos reunidos em mais de três décadas no Viveiro Jardim das Florestas para a coleta de sementes nativas da Mata Atlântica. 

A articulação iniciada pela Apremavi na região Oeste de Santa Catarina já rendeu muitas mudas: 280 quilos de sementes de 20 espécies nativas da Floresta Ombrófila Mista foram coletadas pela Rede de Sementes Mais Floresta, possibilitando que a produção no Viveiro Jardim das Florestas tenha cada vez mais espécies, promovendo a diversidade genética das mudas, gerando renda para moradores das comunidades beneficiadas pelo projeto +Floresta e valorizando o conhecimento local sobre o território. 

A rede é uma iniciativa independente, apoiada pela Apremavi a partir dos projetos +Floresta e Conservador das Araucárias, que promovem a compra das sementes e, posteriormente, o plantio das mudas em áreas alteradas. Enquanto o +Floresta atua em Abelardo Luz, no Oeste de Santa Catarina, a área de trabalho do Conservador das Araucárias se estende de Santa Catarina até o estado de São Paulo, com a meta de restaurar sete mil hectares. Serão necessárias milhões de mudas para esses e outros projetos da Apremavi, e muitas mãos para coletar sementes.

Para compartilhar os saberes sobre as atividades de coleta, beneficiamento e armazenamento de sementes, a equipe da Apremavi produziu o “Guia de coleta de sementes nativas da Mata Atlântica”, que busca apresentar aos coletores de sementes boas práticas para a execução das atividade, ações para o beneficiamento de cada espécie e também medidas para a segurança dos coletores. A publicação também traz um calendário de coleta, com base na época de frutificação das árvores em Santa Catarina.

Frutos e sementes de espécies nativas da Mata Atlântica. Fotos: Carolina Schäffer, Miriam Prochnow e Wigold B. Schäffer.

“Conhecer a biologia das sementes é essencial para podermos manejar adequadamente nossos recursos naturais, ampliando assim o sucesso de programas de recuperação ambiental, restauração de ecossistemas, reabilitação de populações naturais viáveis, mas também igualmente imprescindível para o aproveitamento racional das plantas que exploramos.”, destacaram os organizadores da publicação. 

De certa forma, o guia também conta a história do Viveiro Jardim das Florestas, que iniciou as atividades em uma época onde pouco se sabia sobre a produção de mudas nativas em escala. A experimentação e persistência dos viveiristas da Apremavi, bem como de todas as coletoras e coletores de sementes contribuíram com as descobertas sobre o recolhimento, limpeza e melhores formas de armazenamento das sementes. 

Wigold Bertoldo Schäffer, co-fundador do Viveiro Jardim das Florestas, ressalta a importância do trabalho dedicado nas atividades dessa natureza, com observação constante e sensível a cada árvore: “Cabe ao coletor de sementes a busca pelo conhecimento sobre essas características, a observação para esses detalhes e o desenvolvimento de habilidades que são necessárias para o sucesso da coleta, que é apenas o primeiro passo da cadeia da restauração. Depois de coletados, os frutos e sementes, precisam passar pelo processo de extração, beneficiamento e secagem, para então serem armazenados ou imediatamente levados para germinação e repicagem.”

 

> Acesse a publicação

A publicação também terá uma versão impressa, com distribuição prioritária para a Rede de Coleta de Sementes Mais Floresta e demais coletores de sementes nativas parceiros da Apremavi.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer e Marluci Pozzan
Foto de capa: Carolina Schäffer

Plataforma Ambiental 2024

Plataforma Ambiental 2024

Plataforma Ambiental 2024

As eleições municipais se aproximam e, num cenário de mudanças climáticas com consequências cada vez mais intensas nas cidades e comunidades, é preciso o compromisso das candidaturas em pautar iniciativas socioambientais em seus planos de trabalho, tanto nas prefeituras quanto no legislativo municipal. Este é o momento de ouvir as propostas e cobrar das candidatas e candidatos compromissos para priorizar a conservação e a restauração do meio ambiente, bem como buscar a mitigação e adaptação aos efeitos de eventos climáticos extremos, que ameaçam as pessoas e todas as formas de vida.

A emergência climática, embora ameace, também representa grande chance para as lideranças atuarem de forma exemplar pelo desenvolvimento sustentável e na implementação de soluções pioneiras para a resiliência e adaptação dos municípios, buscando a intersecção com a justiça climática; a geração de empregos; o planejamento sustentável das cidades e a promoção de ações afirmativas e o combate às injustiças históricas, como o racismo e a desigualdade de gênero.

Muito precisa ser feito para que as cidades estejam preparadas para o novo cenário global, onde o desenvolvimento, proteção do meio ambiente e segurança das pessoas e proteção da vida se constroem em conjunto. Nesse sentido, a  Apremavi apresenta as seguintes metas como prioridades para planos de ação política em nível municipal:

1. Combater as crises hídrica, climática e de biodiversidade através de projetos de restauração ecológica nas áreas rurais e urbanas, conservação da biodiversidade,  elaboração do Plano de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica do município e planejamento territorial com base no Código Florestal e na Lei da Mata Atlântica;

2. Proteger os remanescentes florestais das cidades, através da criação de Unidades de Conservação públicas municipais e incentivo à criação de Reservas do Patrimônio Natural Particulares (RPPNs);

3. Realizar o planejamento territorial no município, especialmente nas áreas de risco, com vistas a prevenir riscos, promover adaptação e mitigar os efeitos das enxurradas, enchentes e deslizamentos;

4. Fortalecer as secretarias de Meio Ambiente e a Defesa Civil municipal, para uma atuação efetiva e constante pela proteção dos recursos naturais nos municípios e preparação para o enfrentamento de eventos climáticos extremos;

5. Empreender projetos de educação ambiental na rede municipal de ensino, buscando a educação climática e formação de uma geração de cidadãos preocupados e atuantes no desenvolvimento sustentável das cidades, além de apoiar iniciativas em nível local desenvolvidas por escolas, grupos e coletivos ou Organizações da Sociedade Civil;

6. Respeitar a Democracia, os Direitos Humanos e a equidade de gênero, bem como combater a todas as formas de discriminação. 

A Apremavi cobra compromissos verdadeiros das candidatas e candidatos para com a democracia e as instituições do Estado,  o meio ambiente e a biodiversidade, conforme prevê a sua Carta de Princípios. Sem democracia plena, independência entre os Poderes, atuação efetiva das instituições e confiança da sociedade no Estado brasileiro não será possível avançar no desenvolvimento sustentável e na promoção de justiça climática.

Além da Plataforma Ambiental, candidaturas podem se comprometer com um futuro sustentável através da plataforma Vote Pelo Clima, iniciativa nacional co-liderada pelas organizações NOSSAS e Clima de Eleição e apoiada pela Apremavi, que elenca como compromissos aos candidatos a construção de políticas sociais de apoio às populações atingidas por eventos climáticos extremos; transição climática com justiça social, racial e de gênero; proteção ambiental e dos recursos naturais; incentivo à participação popular e ao engajamento da juventude; investimentos em pesquisa e inovação para enfrentar a crise climática e a valorização dos saberes tradicionais e tecnologias sociais na busca de soluções. Outra iniciativa recomendada pela Apremavi é a Plataforma Ambiental da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional. 



Mostre seu compromisso com o futuro:
Sobre a Apremavi

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) tem como missão a defesa, preservação e recuperação do meio ambiente e dos valores culturais, buscando a qualidade de vida na Mata Atlântica e em outros Biomas. As principais ações da instituição estão relacionadas com o aprimoramento das políticas públicas, o combate às mudanças climáticas, a produção de mudas nativas da Mata Atlântica, a restauração de áreas degradadas e matas ciliares, o enriquecimento de florestas secundárias, educação ambiental e capacitação, advocacy e defesa da legislação ambiental, a produção e divulgação de materiais sobre meio ambiente, denúncias de agressões ambientais, a construção de parcerias de sucesso e a oportunização de intercâmbios com diferentes regiões, estados e países.

A Apremavi é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), sem fins lucrativos, que não distribui quaisquer dividendos ou resultados a seus associados ou dirigentes, investindo todos os recursos gerados na conservação e restauração do meio ambiente, sempre procurando melhorar a qualidade de vida da população, respeitando os limites da natureza e dos recursos naturais. A instituição sempre priorizou o diálogo como estratégia para solucionar conflitos e firmar parcerias, tendo realizado inúmeras ações com prefeituras municipais. A Plataforma Ambiental para as eleições é uma iniciativa recorrente, iniciada em 2012, que busca auxiliar as candidaturas em evidenciar os compromissos com a área socioambiental, bem como implementar iniciativas no setor, quando eleitas.

Candidaturas que assinaram a Plataforma Ambiental
Nome da candidaturaPartidoCargo Cidade
Aurio GislonPTCâmara de VereadoresRio do Sul (SC)
Marcos José de Abreu (Marquito)PSOLPrefeituraFlorianópolis (SC)
Professor FontãoREDECâmara de VereadoresFlorianópolis (SC)

Atualizado em 02/10/2024.

Apremavi participa da celebração de 30 anos do FSC Internacional

Apremavi participa da celebração de 30 anos do FSC Internacional

Apremavi participa da celebração de 30 anos do FSC Internacional

Há 30 anos, a missão do FSC (Forest Stewardship Council®) no mundo é promover o manejo florestal responsável. É através de um sistema de certificação que incorpora, de forma igualitária, as perspectivas de grupos sociais, ambientais e econômicos, que são atestadas as boas práticas desse processo produtivo. 

No Brasil, o FSC foi oficialmente estabelecido em 2002 e desde então a Apremavi acompanha as discussões e ajuda a propor critérios e princípios para a certificação, integrando o sistema de governança da rede, sobretudo a câmara ambiental.

Para celebrar as três décadas de existência e os mais de 160 milhões de hectares de florestas certificados até aqui, o FSC Brasil, no âmbito do seu encontro nacional, organizou um dia para celebrar o que foi feito até aqui e inspirar as próximas décadas de ação.

A membresia brasileira se reuniu no AYA Earth Partners, em São Paulo, e desfrutou de sessões temáticas e paineis sobre serviços ecossistêmicos, European Deforestation Regulation implementation (EUDR), remediação, entre outros assuntos. Além de visitar uma exposição de produtos certificados e usufruir de um coquetel, onde histórias foram compartilhadas reforçando o espírito de comunidade que é tão característico do FSC.

Registro das sessões temáticas durante o encontro. Foto: Carolina Schäffer. 

Encontro do FSC Brasil

Nos dias 20, 21 e 22 de agosto de 2024, em São Paulo, aconteceu a Assembleia Geral de membros do FSC Brasil, instância máxima de tomada de decisão do sistema FSC. O encontro promoveu diálogos entre os diferentes atores que compõem a rede e foi um momento para tomada de decisões estratégicas e discussão sobre os desafios futuros.

Registro da  Assembleia Geral de membros do FSC Brasil 2024. Fotos: Carolina Schäffer FSC Brasil.

“Compor a rede FSC é um responsabilidade enorme, porque lá podemos ajudar a promover o diálogo e a troca de informações entre os membros e buscar soluções para a conservação das florestas e o manejo sustentável, primordiais para o enfrentamento da crise climática e a manutenção da biodiversidade nos biomas terrestres”, comenta Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi e representante da instituição na rede.

Além das reuniões do conselho diretor (CD), do conselho fiscal (CF) e dos comitês de resolução de conflitos (CRC) e de desenvolvimento de padrões (CDP), também foram realizadas reuniões intra e intercâmaras que oportunizam discussões transversais entre os representantes das diferentes câmaras (social, ambiental e econômica) para identificar sinergias e áreas de cooperação e formular propostas que vão guiar as próximas meses de trabalho do FSC no Brasil.

Na Assembleia Geral, foram deliberados temas centrais para o funcionamento do FSC, aprovadas as contas do último ano e eleitos os novos representantes dos conselhos e comitês. Além disso, foram escolhidos os primeiros integrantes do comitê de ética do FSC Brasil, tendo sido a Apremavi escolhida para representar a câmara ambiental.

O encontro foi encerrado com a participação do Diretor Geral do FSC Internacional, Kim Carstensen, que após 12 anos está concluindo seu mandato à frente do FSC. “O Brasil tem uma forte presença no sistema FSC, sendo o país com um dos maiores grupos de membros. Vocês já contribuíram muito até aqui, mas vamos precisar fazer mais para continuar impulsionando mudanças significativas no manejo florestal responsável”, comentou Kim.

 

Autora: Carolina Schäffer com informações do FSC Brasil
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Carolina Schäffer

Klabin e Apremavi apresentam o Programa Matas Sociais na 25ª Festa do Colono de Imbaú

Klabin e Apremavi apresentam o Programa Matas Sociais na 25ª Festa do Colono de Imbaú

Klabin e Apremavi apresentam o Programa Matas Sociais na 25ª Festa do Colono de Imbaú

No dia 25 de julho, o Programa Matas Sociais, criado em parceria entre Klabin, Apremavi e Sebrae, esteve presente na 25° edição da Festa do Colono em Imbaú (PR). A tradicional celebração ocorreu na comunidade rural Charqueada de Baixo, com intuito de incentivar e fortalecer a agricultura familiar local e da região.

O evento contou com representantes das secretarias municipais, além de representantes  da Apremavi, Instituto Desenvolvimento Rural (IDR), Klabin e Sicredi, que desenvolvem iniciativas de fortalecimento da agricultura familiar. O secretário da agricultura do município,  Juscelino Couto Ribeiro, ressaltou a importância de parcerias para o desenvolvimento da agricultura no município: “São com parcerias que fortalecemos e conseguimos trazer o desenvolvimento sustentável para o nosso município e para os nossos agricultores“.  

O Matas Sociais apresentou a atuação do programa nessa região e promoveu a doação de 600 mudas de espécies nativas em seu estande. Cereja, pitanga, pinheiro-bravo, ipê, canela-sassafrás, coqueiro- jerivá e outras espécies da Mata Atlântica foram distribuídas para plantio nas propriedades, proporcionando a implantação de bosques, pomares de espécies frutíferas e ornamentais, melhorando a qualidade de vida do produtor no campo e contribuindo para conservação da fauna e flora local. Além da doação de mudas nativas, a equipe realizou a entrega  de cartilhas e folders que ilustram os trabalhos desenvolvidos pelo programa. 

Os representantes do Matas Sociais orientaram os produtores sobre questões ambientais legais em suas propriedades rurais, orientando sobre a importância das Áreas de Preservação Permanente, a importância da preservação e proteção da água e as consequências da emergência climática para a agricultura. A comunidade também pode receber orientações sobre as ações para a adequação ambiental das propriedades rurais, implantação de corredores ecológicos e o fortalecimento da agricultura familiar.

Registros do stand do Matas Sociais na 25ª Festa do Colono de Imbaú. Fotos: Marcos José dos Santos. 

Autores: Marcos José dos Santos e Emílio André Ribas
Revisão: Cecilia de Moura Santos (Klabin) e Vitor Lauro Zanelatto (Apremavi).

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