Além disso, foram documentadas e analisadas as práticas das organizações em face do par violência/não violência, o posicionamento das OSCs diante de práticas mais ou menos “agressivas” e a não violência e o desafio do enfrentamento ao autoritarismo e à extrema-direita no Brasil. Já o último dos sete capítulos da publicação apresenta reflexões a partir do estudo, como a interseccionalidade de causas, a relevância política do debate sobre não violência e o combate da violência.
Confira algumas conclusões do estudo:
As OSCs brasileiras são não violentas – As organizações da sociedade civil brasileiras se entendem como não violentas. Do total de OSCs, 87,6% concordam em ser vistas como não violentas.
As OSCs brasileiras praticam a não violência – 73,7% das OSCs afirmam que suas práticas podem ser consideradas “totalmente” não violentas; outras 22,6%, que podem ser consideradas pelo menos “em parte” não violentas.
OSCs desaprovam táticas violentas – A tendência das OSCs é recusar as ações que podem ser lidas e enquadradas como violentas. O nível de aprovação (e adoção) de ações ou táticas de ação vai diminuindo à medida que percepção de violência associada a elas vai aumentando: quanto menos “violentas”, mais aprovação e aceitação; quanto mais “violentas”, menos aprovação e menos aceitação.
Rejeição da não violência – O Estudo registra que 6,6% das OSCs rejeitam a não violência.
OSCs atuam contra a violência – Todas as organizações e movimentos entrevistados, com apenas uma exceção, atuam contra a violência.
As organizações também sofrem violência – As OSCs não só precisam combater a violência como também são obrigadas a reagir e se defender da violência. Mais de 75% das organizações já sofreram algum tipo de violência em decorrência da sua atuação. As OSCs enfrentam e combatem a violência sofrida com práticas que não são violentas.
As duas perspectivas de não violência – Há duas perspectivas diferentes da noção e da prática da não violência entre as organizações da sociedade civil brasileira:
1. uma perspectiva empática/conciliatória – que se baseia na escuta, no diálogo e na resolução de conflitos pela via da produção de acordos; e
2. uma perspectiva pragmática/antagonista – que se orienta pela consecução dos objetivos políticos e enfrentamento dos conflitos, ainda que na impossibilidade do acordo ou na condição crítica do impasse.
A hipótese que deu origem ao estudo parece comprovada: as organizações da sociedade civil (OSCs) brasileiras se entendem como não violentas. Mas o Estudo, de caráter inédito no Brasil, aponta muitas outras questões relevantes para o ativismo brasileiro. Segundo Miriam Prochnow, os resultados mostram que a cultura da não violência é muito importante para as organizações e que elas entendem que conseguem desenvolver suas atividades dessa forma, mesmo convivendo em ambientes que muitas vezes não são nada harmoniosos: “o ativismo praticado com humor e às vezes com escracho traz resultados bem interessantes e em tempos de emergência climática essa talvez seja uma das formas mais eficientes de conscientização” complementa Miriam, que também representa a Apremavi junto a redes como o Observatório do Clima, a Rede de ONGs da Mata Atlântica e o Observatório do Código Florestal, que tem utilizado esse tipo de comunicação.
Por outro lado, o diálogo e busca pela construção de consenso também sempre foi uma estratégia utilizada pela Apremavi para promover soluções e atuar em rede pela conservação e restauração da Mata Atlântica. Iniciativas como o Diálogo Florestal brasileiro, o Pacto Pela Restauração da Mata Atlântica e a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura são espaços balizados por esses princípios construídos pela sociedade e que buscam catalisar iniciativas pelo desenvolvimento sustentável.
> Conheça a publicação Governança, Diálogo e Formação de Redes
Em uma realidade onde a violência se tornou disseminada e gravemente legitimada por segmentos da sociedade, o estudo é um insumo importante para organizações, movimentos e ativistas que buscam incidir politicamente na conjuntura brasileira de forma pacífica e democrática.
Lançamento do estudo
A Escola de Ativismo realizará o lançamento oficial da publicação nesta quarta-feira 14/08 às 19h no Espaço da Ação Educativa – R. General Jardim, 660, em São Paulo, SP. Durante o evento, serão apresentados os principais achados da pesquisa, seguidos por uma discussão enriquecedora com os convidados e participantes.
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Sobre a Escola de Ativismo
A Escola de Ativismo é um coletivo independente constituído em 2011 com a missão de fortalecer grupos ativistas por meio de processos de aprendizagem em estratégias e técnicas de ações não-violentas e criativas, campanhas, comunicação, mobilização e segurança e proteção integral, voltadas para a defesa da democracia e dos direitos humanos.
O coletivo é formado por um grupo multidisciplinar de ativistas, que se organiza de maneira distribuída e não hierárquica, por meio de princípios orientadores em diversas regiões do Brasil.
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