Matas Sociais realiza planejamento para a proteção de nascentes

Matas Sociais realiza planejamento para a proteção de nascentes

Matas Sociais realiza planejamento para a proteção de nascentes

O trabalho dos técnicos ambientais do programa Matas Sociais foi junto às nascentes na última segunda-feira (29/11). O projeto iniciou o planejamento ambiental de uma propriedade na comunidade de Pinhal Chato, município de Reserva (PR).

Uma parceria entre a Secretaria de Agricultura da cidade e a Associação de Produtores Rurais de Campinas Bela (APROCAN) está dedicada em realizar a proteção e recuperação das nascentes da propriedade de Ana Paula e Ana Claudia Rodrigues Pinto, que buscam combater o assoreamento e melhorar a qualidade da água, utilizada na propriedade.

Segundo o técnico da Apremavi Emílio Ribas, o trabalho deve começar em dezembro, e contará com o plantio de mudas nativas em parceria com o projeto Matas Legais, manejo do solo para o escoamento da água das chuvas e a instalação do modelo “solo-cimento”, intervenção de baixo custo e impacto ambiental que promove a estabilização e proteção das nascentes.

Visita técnica na propriedade com os parceiros para o planejamento das atividades de recuperação ambiental. Fotos: Emílio Ribas/Arquivo Apremavi. 

Método Solo-cimento

O solo-cimento tem baixo custo de instalação e auxilia na redução do assoreamento das fontes (acúmulo de sedimentos no solo), queda de material orgânico, contaminação por enxurradas e outros fatores externos que podem comprometer a qualidade e a disponibilidade de água.

O modelo pode ser implementado com pedra brita, cimento, canos PVC e outros materiais simples e baratos. Com um baixo impacto ambiental, a qualidade da água e proteção da nascente é promovida, beneficiando a natureza e as pessoas que dependem das nascentes para o abastecimento. O Programa Matas Sociais elaborou um guia para a aplicação do método, confira aqui.

O Programa Matas Sociais

Ações como a proteção de nascentes em Reserva (PR) são um dos objetivos do Matas Sociais – Planejando Propriedades Sustentáveis, projeto da parceria entre a Klabin, a Apremavi e o Sebrae que visa contribuir para o fortalecimento econômico, ambiental e social das pequenas e médias propriedades rurais dos municípios da região de Ortigueira, Telêmaco Borba e Imbaú no Paraná e mais recentemente, em Santa Catarina.

Mais de 500 propriedades rurais já foram atendidas pelo projeto, que propicia a recuperação de áreas de preservação permanente e reserva legal, conservação de remanescentes florestais, planejamento na instalação das atividades produtivas e a diversificação da produção agropecuária. Confira mais informações e notícias sobre o projeto aqui.

Autor:  Vitor L. Zanelatto.
Foto de capa: Arquivo Apremavi.

Amigos da Terra lança Edital para Contratação de consultoria

Amigos da Terra lança Edital para Contratação de consultoria

Amigos da Terra lança Edital para Contratação de consultoria

Da Amigos da Terra: contratação de Auditoria de Demonstrações Financeiras

Objetivo do Edital: Contratação de consultoria pessoa jurídica, para prestação de serviços de auditoria de demonstrações financeiras da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e seus parceiros, incluindo aquisições e contratações, bem como avaliação da elegibilidade e da aderência da aplicação dos recursos, de acordo com as normas e regulamentos estabelecidos, e os controles internos e processos que suportam estas atividades, no âmbito do projeto “Políticas, práticas, transparência e governança para a implantação do Código Florestal”.

Tipo de Contratação: Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica.


Processo de seleção
  • As propostas deverão ser enviadas com o assunto: “AUDITORIA FINANCEIRA OCF – Nome da pessoa jurídica”, para o e-mail: adm@amazonia.org.br 

  • A proposta deve incluir: (1) carta de apresentação, (2) portfolio para comprovação, da experiência exigida e (4) proposta comercial.
  • Data limite para envio: 15/12/2021. Envios após esta data não serão considerados.
  • A seleção será baseada em processo de pontuação, considerando preço e portfólio de experiência

ATENÇÃO: Leia o edital antes de submeter a candidatura. O edital está disponível aqui.

Foto de capa:  Vitor L. Zanelatto.

Apremavi lança animação sobre restauração

Apremavi lança animação sobre restauração

Apremavi lança animação sobre restauração

A mobilização para a restauração começa na educação ambiental e na conscientização da população. Nesse sentido é muito importante que as atividades de educação ambiental sejam desenvolvidas também com o público infanto-juvenil, que é o principal propulsor na luta por um futuro sustentável.

Pensando nisso, a Apremavi lança hoje o curta animado “A restauração transforma paisagens e pessoas” – um filme de 3:55 minutos produzido pela Apremavi, com ilustrações do Skopien e Vitor Sá e roteiro de Carolina Schaffer e Miriam Prochnow.

“A restauração transforma paisagens e pessoas” é um curta animado produzido pela Apremavi na Década da Restauração de Ecossistemas da ONU, um chamado para envolver o público infanto-juvenil na temática.

Esse trabalho da Apremavi está diretamente ligado à Década da Restauração de Ecossistemas da ONU. Ao reconhecer a importância da atividade para combater a crise climática global, melhorar a segurança alimentar e o fornecimento de água e manter a biodiversidade, as Nações Unidas pretendem estimular e inspirar governos, organizações da sociedade civil, empresas do setor privado, jovens, grupos de mulheres, povos indígenas, agricultores, comunidades locais e indivíduos de todos os lugares, a colaborar, desenvolver e catalisar iniciativas de restauração em todo o mundo.

Esse esforço envolve a restauração na prática, mas também uma série de outras atividades que vão desde a realização de pesquisas sobre restauração em ambientes terrestres e marinhos, a construção da capacidade técnica de profissionais de restauração, o monitoramento do progresso global na restauração e a mobilização de centenas de milhões de pessoas para restaurar a natureza e promover uma cultura de restauração global visando a ampliação das iniciativas de restauração em todo o planeta.

 

Ser #GeraçãoRestauração é colocar a mão na massa! Vamos juntos? Comece agora compartilhando este vídeo animado sobre restauração de ecossistemas com os seus amigos, familiares e parceiros!

Autora: Carolina Schäffer.

Restaura Alto Vale realiza mutirão de plantio em Agrolândia (SC)

Restaura Alto Vale realiza mutirão de plantio em Agrolândia (SC)

Restaura Alto Vale realiza mutirão de plantio em Agrolândia (SC)

No final de semana do dia 20 de novembro, a equipe da Apremavi realizou um mutirão de plantio numa propriedade rural localizada na comunidade Ribeirão do Tigre em Agrolândia (SC). A ação faz parte do Projeto Restaura Alto Vale, que está em fase final de execução e já restaurou 230 hectares em 666 propriedades localizadas em 34 municípios do Alto e Médio Vale do Itajaí e Planalto Norte de Santa Catarina.

O plantio das 950 mudas de árvores nativas ajudará a restaurar uma área de 0,5 hectares em volta de um rio que passa na propriedade. As principais espécies utilizadas foram frutíferas e ornamentais, além de outras espécies nativas da Mata Atlântica, todas provenientes do Viveiro de Mudas Nativas Jardim das Florestas. Ao todo 16 pessoas participaram da ação, entre elas funcionários da Apremavi, ex-funcionários, voluntários, amigos e familiares.

As proprietarias, Zenilde e Gabriela Goebel, informaram que já era uma vontade da família fazer o plantio de árvores na beira do rio: “ficamos sabendo do projeto Restaura Alto Vale há uns dois anos e nos interessamos, mas somente há pouco tempo entramos em contato para participar”.

Além de realizar a vontade antiga da família, o mutirão foi um momento para reencontros e confraternização. Além dos adultos, as crianças também colocaram a mão na massa durante o plantio e depois se divertiram nas águas do rio, cujas margens estavam sendo restauradas, e que já foi cenário de muitas histórias… “minha avó conta que quando era criança as pessoas mergulhavam nesse rio, mas hoje a água não chega aos joelhos. Quando eu era criança via uns peixinhos, que hoje não vejo mais ali”, relata Gabriela.

Gabriela também menciona que a família sempre foi muito unida e que o cultivo e o cuidado com a terra sempre foram uma forma de conexão com a natureza: “queríamos muito trazer mais árvores, mais pássaros, mais vida para esse lugar que sempre foi muito especial para nós. Então hoje é muito gratificante saber que uma floresta irá crescer aqui de novo e saber que você e outras pessoas se uniram para fazer isso acontecer. Restauração é muito mais que preservar, ela gera uma conexão com a natureza e entre as pessoas.”

950 árvores são plantadas em mutirão de plantio do Projeto Restaura Alto Vale. Fotos: Edilaine Dick.

Autoras: Carolina Schäffer, Edilaine Dick e Gabriela Schäffer.

Olinda Yawar e o cuidado com a terra | Mulheres que Restauram

Olinda Yawar e o cuidado com a terra | Mulheres que Restauram

Olinda Yawar e o cuidado com a terra | Mulheres que Restauram

“Trabalhar com restauração é realmente uma questão de gostar, de pensar num futuro, porque o que temos visto é que não temos outra opção,” essa é a mensagem de Olinda Yawar, indígena que estrela o quinto episódio da Série Mulheres que Restauram.

 

Olinda Yawar mora na Terra Indígena (TI) Caramuru – Paraguaçu, localizada na região Sul da Bahia. “Essa é uma região da Mata Atlântica, mas tem sofrido muito com as mudanças climáticas. A precipitação de chuva que antigamente era muito mais intensa, agora está cada vez mais escassa”, observa Olinda que, em 2016, junto com o marido, Samuel Wanderley, e apoio dos caciques e anciãos da comunidade, criou o Projeto Kaapora.

O projeto nasceu de uma vontade da comunidade indígena de restaurar o próprio território, um território que se encontrava bastante degradado e morto no sentido de biodiversidade“, relembra a indígena que vê o processo de restauração da terra ancestral também como um resgate do espírito protetor da comunidade.

A TI tem ao todo 54.100 hectares dentre os quais 27 hectares, antes cobertos majoritariamente por pastagem, são cenário para o projeto piloto de replantio da cobertura vegetal, preservação dos remanescentes de floresta e implantação de apiários, meliponários e outros sistemas agroecológicos e de uso sustentável.

A primeira coisa que fizemos quando começamos a trabalhar aqui foi cercar a área, porque nós temos vizinhos que criam gado. Depois começamos a plantar árvores nativas”, fala Olinda. No total já foram plantadas mais de 2 mil árvores na área e outras tantas plantas regeneraram sozinhas.

Segundo Olinda os resultados da restauração já são visíveis: “temos percebido que os animais estão retornando, que as plantas estão começando a se virar sozinhas, e que as sementes de árvores estão começando a nascer espontaneamente. Também começaram a aparecer Psitacídeos que vêm todas as tardes e ficam na castanheira”.

Além da própria comunidade, quem também acompanha os resultados são os grupos de estudantes da região que visitam a área em busca de ensinamentos sobre o cuidado com a terra. “Trazer estudantes é importante porque temos como mostrar para eles o que está aparecendo de novo na mata”, afirma Olinda ao esperar que outras pessoas comecem a fazer o mesmo dentro dos seus espaços: “não temos outra opção; a opção é cuidar da terra. Cuidando da terra nós também estamos cuidando da gente”.

Em 2019, a Comunidade Indígena Pataxó Hãhãhãe decretou a criação da primeira Área de Proteção Ambiental no âmbito da TI, chamada de APA Kaapora em função do projeto.

O quinto capítulo da Série Mulheres que Restauram conta a história da indígena Olinda Yawar, criadora do Projeto Kaapora. Fotos e imagens: Yawar Filmes.

Mulheres que Restauram

Este é o quinto capítulo da série Mulheres que Restauram. O episódio de estreia foi ao ar no Dia da Terra, com a história de Ercília Felix Leite. O segundo episódio, lançado no dia 24 de setembro, trouxe a história de Dona Helena. O terceiro episódio compartilhou a trajetória de Edilaine Dick no dia 13 de outubro. E o quarto episódio, lançado no dia 28 de outubro, lançou a história de Josefa Machado Neves.

Mulheres que Restauram é uma iniciativa da Apremavi na Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas, com apoio do GT de Gênero e Clima do Observatório do Clima, e tem o objetivo de divulgar histórias de mulheres protagonistas na restauração e no planejamento de propriedades e paisagens, como forma de conscientizar a sociedade sobre a importância da atuação feminina na mitigação da crise do clima e promover o plantio de árvores nativas e a recuperação de áreas degradadas.

Autora: Carolina Schäffer.

Matas Sociais apoia agricultura familiar em Sapopema (PR)

Matas Sociais apoia agricultura familiar em Sapopema (PR)

Matas Sociais apoia agricultura familiar em Sapopema (PR)

O produtor rural Carlos Borges cria ovelhas no sítio da família, que tem 24 hectares, na comunidade Rodeio Bonito, em Sapopema. Além da ovinocultura, Borges pretende implantar na propriedade o sistema de produção agrossilvipastoril, que é a integração de atividades agrícolas, florestais e pecuárias, buscando otimização de recursos e rentabilidade por área de modo sustentável. E para isso, ele tem recebido consultoria técnica da equipe do Programa Matas Sociais, desenvolvido pela Klabin em parceria com a Apremavi (Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Prefeitura Municipal.

 Borges também está preocupado com a recomposição da área de mata nativa e proteção de uma nascente d’água. Com a ajuda dos consultores do Matas Sociais, a opção foi por espécies de árvores de crescimento rápido e frutíferas. “Já plantamos 150 mudas, principalmente em uma encosta. Assim, a gente recompõe a vegetação nativa e faz a proteção da área”, comentou.

O produtor rural está entusiasmado com o apoio técnico que recebe pelo programa da Klabin. “É uma boa oportunidade de readequar o sítio, aumentar a produtividade e os cuidados com o meio ambiente”, ressaltou Carlos Borges.

No programa “Matas Sociais – Planejando Propriedades Sustentáveis” são atendidas 28 propriedades rurais do município. Além disso, a Copasol – Cooperativa de Processamento Alimentar e Agricultura Familiar Solidária de Sapopema também é parceira do programa e integra a Central de Cooperativas Centro Norte do Paraná, criada em agosto deste ano em Telêmaco Borba, com apoio do programa. Formada por quatro cooperativas com quase 900 associados de 34 municípios paranaenses, a Central é uma grande conquista para a região, buscando a união das cooperativas para fortalecer a agricultura familiar.

A iniciativa possibilitou aos produtores cuidar e investir na própria terra e na produção pecuária, gerando autonomia e alternativa de renda. Os consultores do programa fazem um diagnóstico do potencial de produção da agricultura familiar. Os agricultores participantes do programa também recebem auxílio para a adequação das propriedades à legislação ambiental, como a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP), conservação dos recursos naturais e proteção de nascentes, além de melhorar o aspecto paisagístico das suas áreas. Estas ações são desenvolvidas pelos consultores da Apremavi, que buscam trabalhar junto ao produtor rural a conscientização e o respeito ao meio ambiente, principais pilares da sustentabilidade de uma propriedade rural, integrando ações de conservação e produção rural sustentável.

De acordo com o secretário de Agricultura de Sapopema, Eraldo Brizola Roque, a atuação dos consultores do programa é bem efetiva no município. “É uma consultoria técnica muito importante nesse momento. São profissionais altamente qualificados, que têm nos ajudado nas mais diversas áreas da produção rural”, disse o secretário.

Segundo ele, o município está desenvolvendo um projeto, que está envolvendo criadores de gado leiteiro com o objetivo de aumentar a produtividade. “É uma iniciativa excelente, que a gente quer fazer um trabalho a médio prazo. A nossa meta é que esses produtores de leite, que atualmente tem vacas que produzem até 60 litros de leite por dia, consigam chegar a 300 litros diariamente. Com o apoio dos consultores do Matas Sociais, vamos trabalhar para melhorar a alimentação dos animais e, apurar a genética do gado leiteiro”, afirmou Eraldo.

O secretário finalizou dizendo que “está bem animado com os projetos que estão sendo desenvolvidos em parceria com o Matas Sociais para fortalecer ainda mais a agricultura familiar no município”.

“Ações como essas fazem parte da Política de Sustentabilidade da Klabin, que visa contribuir com o desenvolvimento local dos municípios onde atuamos”, afirma Uilson Paiva, gerente de Responsabilidade Social e Relações com a Comunidade da Klabin.

Matas Sociais visita municípios do Planalto Serrano em Santa Catarina

Matas Sociais visita municípios do Planalto Serrano em Santa Catarina

Matas Sociais visita municípios do Planalto Serrano em Santa Catarina

Entre os dias 27 e 29 de outubro, técnicos da Apremavi (Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida), da Klabin e do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) estiveram nos municípios de Lages, Correia Pinto e Otacílio Costa, na região do Planalto Serrano de Santa Catarina.

O principal motivo das visitas foi realizar uma apresentação do Programa Matas Sociais – Planejando Propriedades Sustentáveis, aos Prefeitos e Secretários dos três municípios, bem como aos técnicos da Epagri e agricultores locais. A ideia é ampliar a área de atuação do Matas Sociais na região. A agenda também foi oportuna para aproximar os técnicos que atuam no Programa.

O objetivo do programa é contribuir para o fortalecimento econômico, ambiental e social das propriedades rurais à luz do cumprimento da legislação ambiental e através do incentivo à proteção e restauração de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e reserva legal, da conservação de remanescentes florestais, e do planejamento e diversificação da produção agrícola. Desde o início, o Programa Matas Sociais já atendeu mais de 510 propriedades no Paraná e em Santa Catarina, tendo restaurado 120 mil hectares e doado 210 mil árvores nativas da Mata Atlântica.

A expectativa é que a ampliação da área de atuação do projeto seja virtuosa, uma vez que em Santa Catarina já existem ótimas iniciativas de empreendedorismo por parte de alguns agricultores. O Especialista de Responsabilidade Social e Relações com a Comunidade da Klabin, Marcos Alexandre Danieli, comenta que as reuniões são um marco para a consolidação do Programa em Santa Catarina: “o encontro com os agricultores, que são os principais beneficiários do programa, com as Prefeituras, a Epagri e os demais parceiros, mostra que estão todos sensibilizados, engajados e motivados com a parceria e com a oportunidade de construção conjunta. Cabe a nós manter essa motivação em alta e tenho a certeza que faremos um excelente trabalho.

Reuniões no Planalto Serrano ampliam área de atuação do Programa Matas Sociais. Foto: Arquivo Matas Sociais.

Autores: Daiana Tânia Barth e Leandro Casanova.
Revisão: Carolina Schäffer.

Josefa e a felicidade de morar na floresta | Mulheres que Restauram

Josefa e a felicidade de morar na floresta | Mulheres que Restauram

Josefa e a felicidade de morar na floresta | Mulheres que Restauram

“Nós somos mulheres e estamos aqui para restaurar”, essa é a meta de vida de Josefa Machado Neves, presidente da Associação das Mulheres Produtoras de Polpas de Frutas de São Félix do Xingu, e estrela do quarto episódio da Série Mulheres que Restauram.

 

Eu moro no meio da floresta. Minha casa é no meio da floresta. Eu sou rodeada de árvores e sou muito feliz pelo meu lugarzinho”, é assim que Josefa Machado Neves recebe as pessoas na sua propriedade, o Sítio Alvorada, localizado em São Félix do Xingu, no Pará.

Quando ela e o marido compraram os mais de 2 alqueires de terra, eles transformaram a paisagem, antes coberta de capim, em uma plantação de cacau. Abandonando a produção de gado, no início eles investiram só no cacau, porque não tinham a visão da importância da floresta como um todo. “Quando nós compramos a terra, não existia o incentivo de cultivar a floresta. Na época eu cansei de cortar os pés de acerola, eles nasciam e eu cortava, eu nem ligava para a acerola”, comenta Josefa.

De uma parceria da Associação das Mulheres Produtoras de Polpas de Frutas (AMPPF), organização que Josefa preside, com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), é que veio a mudança. “Eu mudei da água para o vinho depois que ouvi falar sobre os Sistemas Agroflorestais (SAFs). Eu fiz cursos para aprender como faz e hoje eu cuido dos pés de acerola com o maior zelo. Eu cuido que nem se cuida de uma criança, porque para mim é uma grande valia as frutas que elas me dão”, diz ela orgulhosa de toda a produção que tem no sítio.

Além de cacau e acerola, Josefa cultiva outras espécies nativas e frutíferas como açaí e cupuaçu. Estes frutos são processados e vendidos como polpas que são usadas, em sua maioria, como complemento da merenda das escolas da região. E é disso que a família de Josefa, e várias outras famílias associadas, tiram o sustento: “eu sempre falo para as mulheres da AMPPF que nós não precisamos derrubar a floresta para podermos ganhar dinheiro. Nós tiramos o nosso sustento do meio da floresta, que também nos traz saúde”.

Além do processamento dos frutos para extrair a polpa, Josefa também aprendeu a processar as sementes e a produzir mudas nativas e geralmente troca espécies com os membros da associação. “As vezes eu tenho uma semente crioula, ou uma muda, que o outro não tem, então nós trocamos para todo mundo ter um pouco de tudo, e nós conseguirmos atender a demanda juntos”, informa Josefa que também se diz orgulhosa e maravilhada com as mulheres que se apegaram ao projeto e à associação: “nós somos mulheres e estamos aqui para restaurar, somos restauradas. Nós não amolecemos com pouca coisa. Nós estamos aqui pro que der e vier, nós estamos aqui prontas e firmes no batente.

E foi através do Programa Florestas de Valor, do Imaflora, que a AMPPF conseguiu apoio para se fortalecer institucionalmente e também um suporte para ampliar sua escala de comercialização. O programa, que atua prioritariamente nas regiões da Calha Norte, Rio Negro e São Felix do Xingu, tem como objetivo valorizar as populações tradicionais e os agricultores familiares e impulsionar atividades agroextrativistas na Amazônia, além de apoiar a estruturação de cadeias de valor e facilitar a sua inserção em mercados, que valorizam sua sustentabilidade e origem.

O quarto capítulo da Série Mulheres que Restauram conta a história da presidente da Associação das Mulheres Produtoras de Polpas de Frutas, Josefa Machado Neves. Fotos: Makro Comunicação e Imaflora. Vídeo: Apremavi.

Mulheres que Restauram

Este é o quarto capítulo da série Mulheres que Restauram. O episódio de estreia foi ao ar no Dia da Terra, com a história de Ercília Felix Leite. O segundo episódio, lançado no dia 24 de setembro, compartilhou a história de Dona Helena. E o terceiro episódio, que estreou no dia 13 de outubro, compartilhou a trajetória de Edilaine Dick.

Mulheres que Restauram é uma iniciativa da Apremavi na Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas, com apoio do GT de Gênero e Clima do Observatório do Clima, e tem o objetivo de divulgar histórias de mulheres protagonistas na restauração e no planejamento de propriedades e paisagens, como forma de conscientizar a sociedade sobre a importância da atuação feminina na mitigação da crise do clima e promover o plantio de árvores nativas e a recuperação de áreas degradadas.

Autora: Carolina Schäffer.

Revisão do Código Ambiental de Santa Catarina segue na Trilha dos Retrocessos

Revisão do Código Ambiental de Santa Catarina segue na Trilha dos Retrocessos

Revisão do Código Ambiental de Santa Catarina segue na Trilha dos Retrocessos

Comprometendo os princípios constitucionais da publicidade e eficiência, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) instalou uma Comissão Mista para promover a revisão do Código Estadual do Meio Ambiente (Lei Estadual nº 14.675/2009).

O deputado Valdir Cobalchini (MDB) foi eleito, no dia 11 de agosto, presidente da referida Comissão Mista, adiantando que a mesma “irá se esmerar para cumprir o cronograma de trabalhos, que inclui audiências públicas regionais e a apresentação do relatório final, ainda em tempo de ser deliberado este ano em plenário”.

Inicialmente foi estipulado um prazo de 30 dias para apresentação de sugestões. Essa descabida “celeridade” forçou uma redefinição de cronograma, com prorrogação por mais 60 dias, e definindo uma agenda com oito audiências públicas, as quais deverão ocorrer no curto intervalo dos dias 28 de outubro e 18 de novembro, a saber: 28/10 – 9 h – Chapecó; 28/10 – 14h30 – Concórdia; 29/10 – 09h – Rio das Antas; 29/10 – 15h – Lages; 11/11 – 09h – Rio do Sul; 11/11 – 16h – Joinville; 12/11 – 09h – Região Sul; 18/11 – 10h – Assembleia Legislativa. O relatório final está marcado para 23 de novembro, quando será apresentado um projeto de lei, que tramitará pelas comissões permanentes e seguirá para votação em Plenário ainda este ano.

Além da injustificável celeridade imposta a um processo complexo como esse, afinal estamos diante da revisão de uma lei com quase 300 artigos, tratando de temas de elevada relevância para a garantia de um bem comum de relevante interesse coletivo, expressamente previsto na Constituição Federal de 1988, qual seja, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (Art. 225 da CF), constata-se  clara e deliberada deficiência no processo de divulgação pública e evidente direcionamento do processo para determinados setores da sociedade catarinense. Esse direcionamento fica evidenciado na fala do próprio relator da Comissão Mista, deputado Milton Hobus (PSD), que enalteceu a participação efetiva dos órgãos do governo e do setor produtivo para o aperfeiçoamento do Código Estadual do Meio Ambiente. O mesmo solicitou ainda que os setores jurídicos dos órgãos públicos e dos setores produtivos façam uma compilação de todas as sugestões de mudanças e aperfeiçoamento da legislação e que, num prazo máximo de 30 dias, encaminhem as sugestões à Comissão Mista. 

Demonstrando elevado desprezo ou desconhecimento dos graves problemas ambientais que o Estado e o planeta enfrentam, os deputados ainda se utilizam da justificativa de que o Código Estadual do Meio Ambiente, aprovado em 2009, trouxe como “novidades” a redução das APPs e o conceito de área consolidada, que possibilitou a manutenção de atividades agropecuárias e pesqueiras. Pela maneira atropelada com que procuram conduzir esse processo, fica evidente que o que procuram é, mais uma vez, relativizar medidas de proteção ambiental, aproveitando esse lamentável momento em que o próprio Governo Federal e o Congresso Nacional avançam celeremente no desmonte da legislação ambiental. Alheios ao agravamento das crises socioeconômica e ambiental decorrentes da perda de diversidade biológica e do avanço dos eventos extremos decorrentes das mudanças climáticas globais, os deputados catarinenses ameaçam a defesa do interesse comum, hoje já tão comprometido com estiagens prolongadas, enxurradas catastróficas, escassez hídrica afetando diversas atividades econômicas e o abastecimento público, registros frequentes de vendavais, chuvas torrenciais com alagamentos gerando situação de calamidade pública, comprometimento do fornecimento de energia elétrica, dentre tantos outros prejuízos diretamente decorrentes da má utilização dos nossos recursos naturais.

Neste cenário, alertamos a sociedade catarinense que a forma atropelada com que a ALESC vem promovendo esse processo não se justifica, e deve ser questionada. O próprio calendário de audiências públicas, sem prévio conhecimento de qualquer proposta e com prazos absurdamente exíguos, demonstra a grotesca manipulação do processo, que procura assim obter uma falsa legitimidade, quando na verdade busca impedir a ampla e efetiva discussão e conhecimento prévio das propostas. 

As entidades signatárias deste documento alertam que o processo de revisão do Código Estadual do Meio Ambiente, da forma como vem sendo conduzido, configura violação ao princípio democrático da participação social. O artigo 225, caput, da Constituição Federal de 1988 diz que é dever do poder público e da coletividade a proteção do meio ambiente, ou seja, é um dever remetido a todosincluindo organizações da sociedade civil, sindicatos, cidadãos brasileiros e estrangeiros residentes no país e o poder público. O meio ambiente é, a um só tempo, bem e dever de todos. Nesse sentido o direcionamento claramente remetido à limitados setores da sociedade catarinense, conjugado com o ritmo descabidamente acelerado desse processo precisam ser questionados, e entendidos como inadmissíveis numa sociedade democrática de direito.

 

Esta nota foi elaborada por:
Rede de ONGs da Mata Atlântica | RMA
Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental – Núcleo SC | FMCJS

São signatários desta nota:
Arayara.org
Associação Ambientalista Copaíba
Associação Ambientalista Floresta em Pé | AAFEP 
Associação Amigos da Limeira 
Associação Catarinense de Preservação da Natureza | Acaprena
Associação Cunhambebe da Ilha Anchieta 
Associação de Defesa do Meio Ambiente SelvAge Mata Atlântica 
Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos | Aquasis
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida | Apremavi
Associação de Preservação e Equilíbrio do Meio Ambiente de Santa Catarina | APREMA
Associação em Defesa do rio Paraná,  Afluentes e Mata Ciliar | Apoena
Associação Harmonia
Associação Mico Leão Dourado 
Associação Mineira de Defesa do Ambiente | Amda
Associação Movimento Ecológico Carijós | AMECA 
Associação Onda Verde Preservando o Meio Ambiente
Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro | Angá
Associação para Conservação do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro
Centro Direitos Humanos de Joinville 
Conselho Comunitário de Ibiraquera
Ecoando Sustentabilidade
Ecologia em Ação TV YOU TUBE
Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara de Vereadores de Florianópolis
Frente Parlamentar Ambientalista de Vereadores do Brasil
Fundação Mata Atlântica e Ecossistemas | FMAES
Galo Verde
Greenpeace Blumenau
Grupo Ação Ecológica | GAE
Grupo Ambientalista da Bahia | Gambá
Instituto Babitonga
Instituto de Pesquisas Ecológicas | IPÊ
Instituto IDEAL 
Mandato do Vereador Marquito
Marcha Mundial das Mulheres – SC
Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais
Movimento de Defesa de Porto Seguro – BA
Movimento Nacional de Direitos Humanos – SC | MNDH-SC
Movimento Nacional de Luta pela Moradia | MNLM
Observatório de Áreas Protegidas – UFSC
Rede Ambiental do Piauí | Reapi
RPPN Catarinense
SAVE Brasil
Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem | SPVS
SOS Mata Nativa Córrego Grande
SOS Rio da Madre

Senado faz acordo e aprova alteração no Código Florestal sobre áreas protegidas urbanas

Senado faz acordo e aprova alteração no Código Florestal sobre áreas protegidas urbanas

Senado faz acordo e aprova alteração no Código Florestal sobre áreas protegidas urbanas

Frente a um cenário de crise hídrica e energética no país, e à pressão de ambientalistas e da sociedade civil, Senadores acharam prudente encontrar um meio termo para a aprovação da proposta que trata de áreas protegidas urbanas nas margens de rios.

 

DO OBSERVATÓRIO DO CÓDIGO FLORESTAL – Foi aprovado nesta quinta-feira (14) o Projeto de Lei (PL) 1869, que altera o art. 4º do Código Florestal (Lei nº12.651, de 25 de maio de 2012) e as demais legislações correlatas, que dispõe sobre a delimitação das Áreas de Preservação Permanente (APPs), focando na regulamentação dessas áreas nas zonas urbanas. O PL, aprovado ontem no Senado Federal, é de autoria do Senador Jorginho Mello (PL/SC) e relatoria do Senador Eduardo Braga (MDB/PA). 

Até o momento, o Código Florestal define Áreas de Preservação Permanente (APPs) em cursos d’água urbanos e rurais com as mesmas metragens, inclusive para regularização de ocupações anteriores a lei, não permitindo a sua ocupação por construções ou empreendimentos, em uma faixa de 30 a 500 metros. Com a aprovação da proposta, a regulamentação das ocupações atuais ao longo dos cursos d’água localizados em áreas urbanas estarão sujeitos às leis municipais, que passam a ter a possibilidade de definir regras diferentes do Código Florestal, observados limites previstos no Projeto de Lei. 

O Projeto de Lei estava na iminência de votação desde as últimas semanas e tramitava conjuntamente com o PL 2510/2019, que já tinha sido aprovado na Câmara no final de agosto, com 314 votos favoráveis. No texto anterior ao acordo, a proposta era passar para os municípios a função de delimitar as APPs urbanas sem limites mínimos de tamanho, além de abrir brechas para novos desmatamentos. Isso, porque a proposta previa a transferência da competência para a regulamentação para os 5.570 municípios, sem impor limites espaciais ou temporais para o desmatamento e uso das Áreas de Preservação Permanente.

Durante o período de tramitação, organizações membro do Observatório do Código Florestal participaram da produção de duas Notas Técnicas, uma assinada por 90 especialistas e a outra Nota Técnica apresentada pelo Instituto Socioambiental (ISA); atuaram na redação de uma proposta de acordo e coordenaram, com outros coletivos, diversos dias de mobilização nas redes sociais com o uso da #SalveOCódigoFlorestal.  

Apesar da alteração do Marco Temporal para áreas urbanas de 2008 para 2021 (a partir da vigência da nova Lei), segundo Maurício Guetta, consultor jurídico do Instituto Socioambiental, as principais mudanças conquistadas pelo acordo foram: 

  • Para as ocupações em áreas urbanas consolidadas, a largura mínima de 15 metros, além dos requisitos já aprovados na Câmara, quais sejam: a) oitiva dos conselhos estaduais, municipais ou distrital; b) não ocupação de áreas com risco de desastres; c) a observância das diretrizes do plano de recursos hídricos, do plano de bacia, do plano de drenagem ou do plano de saneamento básico, se houver. 
  • Para áreas não ocupadas, vale a manutenção das restrições e metragens atuais do Código Florestal, evitando novos desmatamentos. 
  • O Ministério do Meio Ambiente (MMA) deverá ter banco de dados, acessível ao público, sobre o tema, com informações dos municípios. 

Roberta del Giudice, secretária executiva do Observatório do Código Florestal celebra o fechamento do acordo: “Foi um trabalho que envolveu diversos especialistas, desde as análises jurídicas minuciosas das propostas e compilação de dados para demonstrar cientificamente os perigos da aprovação do texto original, as ações de advocacy como os Senadores no congresso e proposição de novos textos, e de comunicação e mobilização da sociedade civil. Foi um trabalho coletivo importante. É preciso comemorar em tempos de tantos retrocessos, mas mantermo-nos vigilantes sobre o trâmite do PL na Câmara e possíveis vetos.” 

Como a proposta agora volta para a Câmara, Roberta chama a atenção para a necessidade de acompanhar e trabalhar pela manutenção do acordo. 

Código Florestal

Fonte: Observatório do Código Florestal.

Edilaine Dick e a vocação de restaurar florestas | Mulheres que Restauram

Edilaine Dick e a vocação de restaurar florestas | Mulheres que Restauram

Edilaine Dick e a vocação de restaurar florestas | Mulheres que Restauram

No último semestre da faculdade, Edilaine Dick, que estrela o terceiro capítulo da Série Mulheres que Restauram, fez um curso de restauração de áreas degradadas que mudou sua vida. Foi ali que ela descobriu o que queria fazer: trabalhar com restauração, plantar árvores e mudar a vida das pessoas. “O amor pela causa ficou óbvio depois disso”, menciona a bióloga.

 

“Foi na infância, no sítio dos pais da minha cuidadora, que eu aprendi o amor pela agricultura e pelas coisas do interior.” Nesse mesmo sítio uma outra semente também se plantou no coração de Edilaine Dick, a personagem do terceiro capítulo da Série Mulheres que Restauram; a de quão impressionante pode ser um rio quando ele tem suas margens preservadas. “Tinha um rio na propriedade dos pais da tata, super bem preservado, e eu lembro muito bem até hoje da imagem desse rio com suas Áreas de Preservação Permanente (APPs) preservadas, da beleza das árvores e dos detalhes da natureza – era ali que a gente ia brincar e comer melancia e isso era maravilhoso”, comenta Edilaine.

Anos mais tarde, a escolha pela profissão não veio fácil, mas a certeza de querer trabalhar com pessoas, pelo bem estar dos animais e manter a conexão com a natureza a levaram a cursar biologia. Tentando se encontrar no decorrer da faculdade, Edilaine viu os olhos brilharem quando teve a oportunidade de fazer um curso sobre restauração de áreas degradadas. Quase como um sinal do destino, na mesma época, ela encontrou por acaso um colega lendo uma publicação da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), o livro A Mata Atlântica e Você. “No último semestre, eu encontrei um rapaz num ônibus folheando o livro Mata Atlântica e Você. O livro era tão cheio de imagens e tinha tudo a ver com a temática da restauração que eu não pude deixar de olhar. Ele me emprestou o livro e eu imediatamente entrei em contato com a equipe para ver se podia fazer estágio. Foi assim que conheci a Apremavi”, menciona a bióloga.

Uma outra motivação que Edilane teve para se aprofundar no estudo sobre a importância da conservação e restauração de florestas foi um bate-papo rápido com a ambientalista e ex-professora da FURB, Lúcia Sevegnani (em memória). “Na ocasião, a Lúcia me fez várias perguntas que eu não sabia responder, e isso me deixou muito frustrada, mas também me impulsionou a aprender. Uma das dicas que ela me deu foi que eu procurasse a Apremavi, e foi o que eu fiz. Durante muitos anos eu quis reencontrá-la para poder responder àquelas perguntas”, comenta Edilaine que teve a chance de encontrar novamente com a professora alguns anos mais tarde durante um trabalho de campo que a Apremavi estava conduzindo na região do Campo dos Padres. Lucia Sevegnani era um ícone do ambientalismo catarinense e foi uma das fundadoras da Apremavi.

Há 16 anos na Apremavi, Edilaine trilhou uma trajetória na instituição que começou no estágio supervisionado, passou por assistência técnica e chegou à coordenação de projetos. À frente de projetos como o Araucária, que promoveu a conservação e a recuperação de remanescentes florestais e espécies-chave da Mata Atlântica entre 2013 e 2015 e teve apoio da Petrobras Ambiental, e mais recentemente o Restaura Alto Vale, que já restaurou 210 hectares em 666 propriedades e 22,8 hectares em três Unidades de Conservação, doou 300 mil mudas nativas e que tem apoio do BNDES, Edilaine põe em prática o amor pela causa.

Quando eu entrei na Apremavi nós éramos duas mulheres envolvidas nos trabalhos de campo, eu e a Miriam Prochnow, fundadora da instituição; a gente ia para todas as reuniões, todos os lugares. Na época não havia participação de mais mulheres, mas hoje eu tenho visto que as mulheres estão ganhando espaço, e que a gente tem um papel importante em ampliar a presença feminina na restauração dos ecossistemas”, comenta Edilaine. 12 mulheres fazem parte da equipe direta da Apremavi hoje. Elas ocupam cargos técnicos, de coordenação, administrativos e de direção. Além disso, são responsáveis por desenvolver um trabalho importante no Viveiro Jardim das Florestas, onde estão diretamente vinculadas com todo o processo de produção de mudas, insumo fundamental da restauração de ecossistemas. E isso é motivo de orgulho para Edilaine quando diz que “as mulheres da Apremavi com certeza são um exemplo de mão na massa, não só produzindo mudas, plantando árvores e restaurando a Mata Atlântica, mas também trabalhando com educação ambiental, lidando com os proprietários e desenvolvendo um trabalho mais técnico”.

Um outro momento que faz os olhos da Coordenadora de Projetos brilharem é voltar para as áreas que ela ajudou a restaurar, “quando eu volto numa propriedade que eu ajudei a planejar e vejo as florestas em estágios avançados de regeneração eu sei que o trabalho deu certo e que cumprimos a nossa missão, que é ajudar o proprietário a entender a importância da conservação das florestas e da restauração das áreas degradadas”.

Além da vocação para ser uma mulher que restaura, Edilaine também é mãe de duas crianças, o Joaquim que tem cinco anos e a Amália que tem oito meses. “Ter filhos foi uma decisão muito bem pensada, bem planejada, sobretudo porque eu sempre ficava me perguntando como conciliar o trabalho com a criação deles. Não é fácil, mas trabalhar com algo que eu gosto, que me satisfaz e que também tem uma importância fundamental para garantir o futuro deles me convence de que estou no caminho certo”, afirma Edilaine que, no auge do isolamento e do período de home office em decorrência da pandemia de Covid-19, decidiu montar um pequeno viveiro em casa e, com a ajuda do Joaquim, já produziu mais de mil mudas que foram doadas no município onde moram. Essa atividade está associada com o trabalho que realiza junto ao viveiro de mudas da APAE Renascer de Monte Carlo (SC) e que a encanta todos os dias. “Eu sou muito grata à Apremavi e ao trabalho que a gente faz justamente por isso, porque eu consigo envolver meus filhos e, sempre que possível, mostrar que através da restauração podemos construir um caminho e um futuro próspero”, diz Edilaine.

O terceiro capítulo da Série Mulheres que Restauram conta a história da Coordenadora de Projetos da Apremavi, a bióloga Edilaine Dick. Fotos e vídeo: Acervo Apremavi.

Mulheres que Restauram

Este é o terceiro capítulo da série Mulheres que Restauram. O episódio de estreia foi ao ar no Dia da Terra, com a história de Ercília Felix Leite. O segundo episódio, lançado no dia 24 de setembro, compartilhou a história de Dona Helena.

Mulheres que Restauram é uma iniciativa da Apremavi na Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas, com apoio do GT de Gênero e Clima do Observatório do Clima, e tem o objetivo de divulgar histórias de mulheres protagonistas na restauração e no planejamento de propriedades e paisagens, como forma de conscientizar a sociedade sobre a importância da atuação feminina na mitigação da crise do clima e promover o plantio de árvores nativas e a recuperação de áreas degradadas.

 

Autora: Carolina Schäffer.

Entre o Congresso Mundial de Conservação da Natureza e a COP26 do Clima: expectativas e resultados

Entre o Congresso Mundial de Conservação da Natureza e a COP26 do Clima: expectativas e resultados

Entre o Congresso Mundial de Conservação da Natureza e a COP26 do Clima: expectativas e resultados

Há pouco menos de um mês para o início da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP26, que será realizada em Glasgow, na Escócia, entre 31 de outubro e 12 de novembro, as expectativas estão altas. De um lado a sociedade civil se organiza para continuar fazendo pressão com apoio dos cientistas, do outro lado os governos se preparam para colocar as cartas na mesa e ver quanto vai custar a conta. Será que finalmente as negociações vão ser finalizadas para colocar o Acordo de Paris em prática?

Lembramos que o Brasil se encontra numa situação bem complicada. Em artigo publicado nesta terça-feira (5/10), o portal especializado em clima, The Carbon Brief, confirma que o Brasil é o quarto país que mais contribuiu para as emissões históricas de CO2, depois de EUA, China e Rússia. O Brasil é responsável por cerca de 5% das emissões no período 1850-2021, principalmente por causa do desmatamento descontrolado. Assim sendo, com que cara vamos participar desse evento mundial do clima?

Nesse clima de expectativa, e também de vergonha, ainda ressoa em nós a grandeza e os resultados do Congresso Mundial de Conservação da Natureza, que se encerrava há pouco mais de um mês com a publicação do Manifesto de Marselha, documento que reflete a preocupação que os mais de 1.500 membros da IUCN expuseram durante o Congresso e ressalta mensagens-chave para solucionar a crise da biodiversidade e a emergência climática, que estão intrinsecamente conectadas e que precisam ser endereçadas imediatamente.

Organizado pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês para International Union of Conservation of Nature), o Congresso foi sediado na França e, ao longo de nove dias, recebeu 6.000 participantes e cerca de 25 mil visitantes que impulsionaram ações pela conservação da natureza com painéis científicos, stands temáticos e eventos de exposição, bem como interagiram e promoveram um debate, aprofundado em questões que vão desde a vida nos oceanos, áreas protegidas, negócios sustentáveis, mudanças climáticas até os direitos humanos, no âmbito do Fórum e das Cúpulas da Juventude, dos Povos Indígenas, de CEOs e de Ação Local

O Congresso da IUCN se concentrou em três temas principais: a estrutura de conservação da biodiversidade no pós-2020, a ser adotada pela Convenção da Biodiversidade; o papel da natureza na recuperação global pós-pandemia; e a necessidade de transformar o sistema financeiro global e direcionar os investimentos para projetos que beneficiem a natureza.

Bruno Oberle, Diretor-Geral da IUCN, mencionou que os membros da IUCN aproveitaram o Congresso para enviar uma mensagem poderosa para Glasgow: “o momento para uma mudança fundamental é agora e as decisões tomadas aqui em Marselha podem impulsionar as ações para enfrentar as crises de biodiversidade e climática sobretudo na década crucial que está por vir”.

Painel sobre a Década de Restauração de Ecossistemas. Foto: Carolina Schaffer.

Resultados que influenciam as tomadas de decisões na COP

No Congresso Mundial de Conservação os 91 estados, 212 agências governamentais, 1.213 ONGs, 23 organizações de povos indígenas e 52 membros afiliados da IUCN se comprometeram, entre outras coisas, a apoiar novas coalizões para implementar de forma eficaz e responsável soluções baseadas na natureza que combatem a crise da biodiversidade e do clima.

Além disso, reconhecendo a importância de iniciativas como a Glasgow Finance Alliance for Net Zero, o Congresso enfatiza a necessidade de mobilização de financiamentos, das mais variadas fontes, para alcançar um desenvolvimento resiliente ao clima, conforme refletido no Acordo de Paris

 

Resoluções e recomendações aprovadas

148 resoluções e recomendações foram discutidas e aprovadas pelos membros da IUCN, sendo 109 por meio de votação online antes do Congresso e 39 delas, as mais controversas, foram levadas para apreciação e aprovação pela Assembleia de Membros durante o evento.

Entre os destaques estão a moção 039, co-proposta pela Apremavi, que faz um chamamento para que a IUCN e seus membros passem a ter um olhar sobre os assuntos que envolvem os defensores e ativistas, seus direitos e suas lutas; a moção 003, que estabelece a criação de uma nova comissão de especialistas na IUCN, a Comissão de Mudanças Climáticas; e a moção 129, ansiada por todos os participantes da Cúpula dos Povos Indígenas, que recomenda a proteção de 80% da Amazônia até 2025 para evitar o ponto de não retorno.

Um ponto importante sobre a moção 039, é o fato do Brasil ser atualmente o quarto país que mais mata ativistas ambientais no mundo e ainda não ratificou o Acordo de Escazú, um acordo de cooperação internacional para promover a participação pública, acesso à informação e justiça em questões ambientais na América Latina e Caribe.

Estas resoluções e recomendações, apresentadas sob a forma de moções, são o mecanismo pelo qual os membros da IUCN influenciam e orientam a política e o programa da IUCN. Como o único fórum internacional de conservação que reúne governos, sociedade civil e organizações de povos indígenas na mesma mesa, a Assembleia de Membros da IUCN exerce um mandato poderoso para a política de conservação global da natureza.

Resultado final da votação da Moção 003, que estabelece a criação de uma Comissão de Crise Climática na IUCN. Foto: Carolina Schaffer.

Manifesto de Gênero

O Congresso também foi palco de um debate mais aprofundado sobre equidade de gênero no âmbito da União. O debate foi incitado após a divulgação dos resultados de uma pesquisa conduzida pela Força Tarefa em Gênero coordenada pelo Conselho da IUCN, e pelas publicação de um “Manifesto de Gênero” pelo Comitê Nacional da IUCN da França.

O manifesto, endossado pela Apremavi, ajudou a mobilizar membros de todo o mundo; sua principal recomendação é a preparação de uma estratégia de gênero apropriada partindo do pedido de que os representantes eleitos no período 2021-2024 se comprometam a fazer da igualdade de gênero uma prioridade em seus mandatos e se comuniquem mais amplamente sobre essa importante questão.

O manifesto e a pesquisa levaram à recomendação de um Plano de Ação que, entre outras coisas, crie um mecanismo para garantir maior participacão feminina nos espaços de liderança. Após uma votação, a Assembleia de Membros aprovou o Plano de Ação.

As expectativas agora são altas, já que pela segunda vez na história da IUCN, quem presidirá a União pelos próximos 4 anos é uma mulher, Razan Al Mubarak, dos Emirados Árabes. A frente dos Comitês Regionais, Nacionais e das Comissões também se vê uma maior representatividade feminina, ainda que o jogo não seja muito equilibrado (17/36).

 

Lista Vermelha de Espécies

A última atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN, divulgada durante o Congresso de Marselha, noticiou a recuperação de quatro espécies-chave de atum graças à aplicação de cotas de pesca regionais na última década. Por outro lado, a lista apontou a crescente pressão sobre outras espécies marinhas, com 37% dos tubarões e raias do mundo agora ameaçados de extinção devido à pesca excessiva, agravada pela perda e degradação do habitat e pelas mudanças climáticas.

Além disso, um estudo apresentado informou que mais de 70 parentes selvagens de algumas das plantações mais importantes do mundo estão ameaçados de extinção. Essas plantas, nativas sobretudo do México, Guatemala, El Salvador e Honduras, fornecem recursos genéticos necessários para produzir safras em todo o mundo com maior resiliência às mudanças climáticas, pragas e doenças, bem como para melhorar a produtividade.

 

Articulações do Comitê Brasileiro da IUCN

Atualmente o Brasil conta com 18 instituições-membros da UICN que fazem parte do Comitê Nacional e se reúnem periodicamente para pensar em estratégias de potencialização de seus trabalhos em prol da conservação da natureza. 

Representando os membros brasileiros, seis instituições estiveram presentes no Congresso de forma presencial: a Apremavi, o Ipê, o Imaflora, o ISPN, o Direito por um Planeta Verde e a Arpemg.

Entre as articulações feitas pelo Comitê Brasileiro, estão o lançamento do Manifesto Brazil Matters, uma reunião com a presidente recém eleita da União, a condução de reuniões com os membros do Comitê Sul-Americano e conversas bilaterais com os presidentes das Comissões. Estas atividades consolidam os esforços do Brasil de fortalecer seu espaço institucional, seus membros e a presença da UICN no país e são também combustível para uma influência positiva nas resoluções das COPs que virão por aí.

Autora: Carolina Schäffer com informações da IUCN.

Em 2021, mês da árvore teve plantios, doações de mudas e muitas palestras

Em 2021, mês da árvore teve plantios, doações de mudas e muitas palestras

Em 2021, mês da árvore teve plantios, doações de mudas e muitas palestras

O Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro, é um chamado para a ação cidadã e reflexão dos compromissos e responsabilidades que devemos ter para com as florestas e toda a biodiversidade que elas abrigam, e para com as paisagens naturais, por séculos alvos de desmatamento e outras agressões.

A Apremavi trabalha para que a população assuma o compromisso conjunto de recuperar e conservar as florestas e as paisagens. No entanto, a restauração e a conservação não se fazem apenas com mudas e ferramentas. É preciso do cuidado humano para que os ecossistemas sobrevivam.

Pensando nisso, preparamos uma programação especial em setembro, viabilizando ações junto à escolas, projetos sociais e governos locais para conscientizar a população e convidar mais pessoas a se juntarem ao time de Plantadores de Florestas.
Confira uma síntese das atividades:

 

Restaura Alto Vale visita escolas

O mês de setembro foi intenso para a equipe do Restaura Alto Vale, responsável por organizar doações de mudas nativas para 27 escolas, de diferentes regiões do estado. No total, 7.740 mudas saíram do Viveiro Jardim das Florestas para ações educativas e de conscientização relacionadas ao Dia da Árvore. Os técnicos do projeto também oportunizaram palestras e atividades em centros de ensino no Alto Vale e no Planalto Norte.

As atividades presenciais iniciaram no dia 11 de setembro, com a participação do Restaura Alto Vale no “Dia da Família” na Escola de Educação Infantil Professora Dóres Stupp. Na oportunidade foram doadas mudas para os presentes. Já nos dias 13 e 20 de setembro, a Escola de Ensino Fundamental Luis Ledra, também de Rio do Sul, recebeu o técnico Almir da Luz para a realização de atividades de educação ambiental que envolveram 13 turmas entre o 1º e 9º ano, resultando na participação de 340 crianças e jovens.

No dia 22 de setembro o trabalho foi em Atalanta. A Escola Municipal de Ensino Fundamental do Ribeirão Matilde, parceira de longa data da Apremavi em projetos de educação ambiental e responsável por um dos primeiros Bosques de Heidelberg no Brasil, reuniu seus alunos para assistir a palestra sobre o Dia da Árvore.

Atividades desenvolvidas em escolas de Rio do Sul e Atalanta pela equipe do projeto Restaura Alto Vale. Fotos: Arquivo Apremavi.

Já no planalto catarinense o momento de diversão e conscientização ambiental foi liderado pela Coordenadora de Projetos da Apremavi, Edilaine Dick, que visitou a Escola de Educação Básica Maria do Rosário Fischer, em Monte Carlo, para uma contação de histórias. Cerca de 45 alunos do pré escolar I e II conheceram a história da árvore que era triste e, com a ajuda dos alunos da escola ficou muito feliz, pois passou a viver na floresta novamente. Os pequenos também brincaram com um jogo da memória que a Apremavi elaborou para a apresentação de espécies de árvores nativas da Mata Atlântica. Para finalizar o dia, um plantio foi realizado no pátio da escola.

A atividade teve um significado especial, me desafiei a criar a própria história que contaria para as crianças, e pensar em todos os detalhes de como montar os painéis e qual seria a participação deles. Foi lindo, não só a árvore ficou feliz como eu e as crianças pelo resultado e entendimento do recado que estava sendo passado, de como as árvores devem ser bem cuidadas para dar flores e frutos. Orgulho ainda maior pelo Joaquim ter me ajudado em todo o processo“. Destaca Edilaine, sobre a ação realizada na escola “Maria do Rosário”, onde seu filho estuda.

Alunos da Escola de Educação Básica Maria do Rosário Fischer brincando com o jogo da memória de espécies. Foto: Edilaine Dick.

Já as técnicas Maíra e Gabriela viajaram até Canoinhas (SC) para uma troca de saberes com o Grupo Escolar Municipal Reinaldo Kruger. As especialistas explicaram sobre a importância das árvores e a preservação das florestas. Em seguida os alunos das nove turmas participantes aprenderam como deve ser feito o plantio das mudas que foram doadas pela Apremavi.

Juliano Oliveira, extensionista da Epagri em Canoinhas e articulador da ação, destaca a importância de conectar as atividades de sala de aula com o território: “A demanda por esses aprendizados surgiu com alunos que residem no meio rural do município com objetivo de incentivar o plantio de árvores nas propriedades rurais. Dentro do plano de ensino municipal estas atividades já estão programadas, começamos a colocar em prática”.

Alunos do Grupo Escolar Municipal Reinaldo Kruger participando das atividades propostas pela equipe do Restaura Alto Vale. Fotos: Arquivo Apremavi.

Semana intensa para equipes do Paraná

Fruto da parceria entre Apremavi e Klabin, o projeto Matas Legais aproveitou o Dia da Árvore para realizar ações de educação ambiental na região em que atua. Na cidade de São Jerônimo da Serra foram entregues cerca de 1.400 mudas para distribuição gratuita à comunidade escolar do Colégio Estadual do Campo São Jorge, no bairro Terra Nova. Os alunos puderam levar para casa mudas de diferentes espécies, como palmeira-real, ipê-amarelo, hortênsia e também frutíferas.

A Escola Estadual Jandira Ferreira Rosas recebeu a equipe do Matas Legais para uma conversa com os estudantes sobre a importância da conservação e restauração de paisagens florestais, e como essas ações influenciam a qualidade de vida da população. Cerca de 210 alunos, entre 12 a 16 anos, participaram da troca de saberes.

Atividades realizadas em escolas e creche do Paraná, através do projetos Matas Legais. Fotos: Arquivo Apremavi.

O projeto Matas Sociais também realizou mobilizações e destinou centenas de mudas nativas para creches e escolas na região onde atua, incentivando o plantio em propriedades rurais e Áreas de Preservação Permanente (APPs). Ao todo, cinco unidades educacionais foram beneficiadas.

Dia da Árvore 2021 rendeu doações de mudas também através do projeto Matas Sociais: registros dos alunos recebendo as mudas doadas. Fotos: Arquivo Apremavi.

 

Matas Legais SC

A frente do Projeto Matas Legais em Santa Catarina foi responsável pela doação de aproximadamente 11.698 mudas nativas apenas no mês de setembro. As entregas foram realizadas em diversos municípios, como Correia Pinto, Santa Cecília, Bocaina do Sul, Urubici, São Joaquim, Luiz Alves, Bocaina do Sul, Atalanta, Rio do Sul, Ituporanga e Rio Rufino.

Outra atividade importante ocorreu no dia 22 de setembro, em parceria com a Prefeitura de Lages, que realizou, no Largo da Catedral da cidade, a Feira de Sementes Crioulas e Mudas. Na oportunidade foram distribuídas 400 mudas de diversas espécies nativas da Mata Atlântica, específicas de clima frio, aos presentes. Essa iniciativa dá continuidade ao movimento do poder público municipal que incentiva o plantio de espécies frutíferas nativas.

“Um trabalho de resgate cultural através da implantação de Projetos como de Frutíferas Nativas só traz benefícios à região, ainda mais quando se trabalha com áreas como educação”, destaca Josie Moraes Mota, agrônoma da Secretaria de Agricultura e Pesca de Lages. A ideia é também beneficiar propriedades que exploram o turismo rural na Coxilha Rica. O projeto conta com parceiros de diferentes setores, como a Secretaria de Agricultura e Pesca de Lages, o escritório da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) de Lages e o Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

 

Atividades desenvolvidas pelo projeto Matas Legais em Lages e outras cidades de Santa Catarina. Fotos: Daiana Barth.

Semana ODS na Prática

Além das ações vinculadas aos projetos que a Apremavi desenvolve, a instituição também participou com duas ações na Semana ODS na Prática, uma ação coordenada entre os Comitês Locais do Movimento ODS SC para dar visibilidade às iniciativas relacionadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Uma das atividades foi a realização, no dia 24 de setembro, em parceria com o Programa de Pós Graduação em Ciências Ambientais da UNESC da palestra “Restauração: a experiência da Apremavi e a conexão com os ODS”. Miriam Prochnow, Leandro Casanova e Carolina Schaffer compartilham a experiência da Apremavi com a Restauração de Ecossistemas e a conexão dessa pauta com a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

A outra ação foi a realização, no dia 25 de setembro, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar, do mutirão de plantio de árvores nativas da Mata Atlântica na nova Sede dos Bombeiros de Trombudo Central. A Apremavi doou 260 mudas para a ação.

 

Mutirão de plantio no novo quartel dos bombeiros de Trombudo Central (SC). Fotos: Edegold Schäffer.

Informação importante: todas as normas e orientações necessárias de combate ao Coronavírus foram observadas durante as atividades.
#vacinasim #acreditenaciência

Autores: Carolina Schäffer e Vitor L. Zanelatto.

Especialistas lançam Nota Técnica contrária às propostas do Ministério da Economia de desmantelar a legislação ambiental

Especialistas lançam Nota Técnica contrária às propostas do Ministério da Economia de desmantelar a legislação ambiental

Especialistas lançam Nota Técnica contrária às propostas do Ministério da Economia de desmantelar a legislação ambiental

Mais de 70 especialistas, que atuam na proteção do Meio Ambiente de norte a sul do país, assinam Nota Técnica (NT) contrária às recomendações enviadas pelo Ministério da Economia (ME) ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), através do Ofício SEI nº 123719/2021/ME, propondo o desmantelamento da legislação ambiental.

As propostas contidas no Ofício, descabidas sob todos os aspectos, representam séria ameaça às políticas públicas de Estado já estabelecidas e, se inadvertidamente implantadas, irão gerar um enorme custo social e ambiental, algo absolutamente incompatível com os desafios civilizatórios contemporâneos.

O tal “guia” do ME para flexibilizar regras ambientais, solicita análise e manifestação do MMA sobre diversos temas relacionados à legislação ambiental que, supostamente, estariam afetando o “Custo Brasil”, estimado, segundo o ME, em R$ 1.5 trilhão, equivalente a 22% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para o ano de 2019.

A série de retrocessos inclui:

  • Emissão automática, por decurso de prazo, de licenças ambientais, quando houver demora na análise de pedidos;
  • Revogação de regras que dificultam o desmatamento da vegetação nativa;
  • Aumento de área para desmatamento de vegetação da Mata Atlântica sem necessidade de anuência do Ibama;
  • Extinção da lista do CONAMA que define atividades em que se exige o Estudo Impacto Ambiental (EIA) ou o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA);
  • Alteração no Mapa de Biomas do (IBGE) para que todas as áreas com características de cerrado sejam definidas como Bioma Cerrado, medida que pode gerar aumento de desmatamento na Amazônia e na Mata Atlântica;
  • Dispensa de licenciamento para explorar rejeitos e resíduos de mineração;
  • Fim da necessidade de consulta ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para licenciamento ambiental de empreendimentos agrossilvipastoris consolidados, com atividade preexistente a 22 de julho de 2008.

Segundo a NT, as propostas do Ministério da Economia, comandado pelo Ministro Paulo Guedes, estão de acordo com a política de “passar a boiada” do governo Bolsonaro, para promover o desmonte da legislação e das instituições responsáveis pelo meio ambiente do país.

 

Acesse a íntegra da Nota Técnica aqui.

Autora: Carolina Schäffer.

Esta matéria e a Nota Técnica em anexo foram atualizadas com a inserção de novas assinaturas no dia 30/09/2021.

Projeto Restaura Alto Vale da Apremavi vence Prêmio Fritz Muller

Projeto Restaura Alto Vale da Apremavi vence Prêmio Fritz Muller

Projeto Restaura Alto Vale da Apremavi vence Prêmio Fritz Muller

Restaura Alto Vale, projeto da Apremavi que conta com apoio do apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é anunciado vencedor do Prêmio Fritz Muller de 2021 na categoria recuperação de áreas degradadas.

Para Edilaine Dick, Coordenadora do Projeto, a conquista traz uma grande satisfação e o reconhecimento do empenho e seriedade do trabalho de toda equipe: “o Restaura Alto Vale é um marco na história da Apremavi, é resultado de um trabalho amplo de parceria e um exemplo para os próximos projetos que serão desenvolvidos”.

Concedido pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), o Prêmio Fritz Müller é o principal reconhecimento ambiental do estado de Santa Catarina. Criado na década de 1990, visa reconhecer e premiar as empresas e organizações que desenvolvem projetos em prol do meio ambiente no Estado. Esta é a terceira vez que a Apremavi recebe a premiação. A primeira conquista veio em 1996 e a segunda em 2005.

A 22ª Edição do Prêmio, realizada pelo Governo do Estado de Santa Catarina por meio do IMA com o apoio da FIESC, teve 77 projetos inscritos em 15 categorias diferentes que englobam agricultura sustentável, conservação de insumos como água e energia, controle da poluição, tratamento de efluentes, reciclagem e resíduos sólidos, educação ambiental, gestão ambiental, gestão socioambiental, turismo ecológico, conservação de recursos naturais e da vida silvestre, projetos de pesquisa, produto ecológico, e recuperação de áreas degradadas.

O nome do Prêmio é uma homenagem ao famoso naturalista alemão Johann Friedrich Theodor Müller, que viveu em Santa Catarina por 45 anos. Considerado um revolucionário, estudioso do meio ambiente e precursor da ecologia, Fritz Müller foi aclamado como príncipe dos observadores da natureza.

Principais resultados do Projeto

Até junho de 2021, o Restaura Alto Vale já havia visitado e planejado ações em 666 propriedades, localizadas em 34 municípios das regiões do Alto e Médio Vale do Itajaí e do Planalto Norte de Santa Catarina tendo restaurado 230 hectares em propriedades particulares e 22,8 hectares em Unidades de Conservação. Ao todo foram doadas pelo projeto 300 mil mudas nativas.

O Projeto, executado no período de 2018 a 2022, tem como objetivo restaurar áreas degradadas da Mata Atlântica, contribuindo com a adequação de propriedades rurais e a conservação de mananciais hídricos e da biodiversidade nas regiões de atuação.

A Apremavi doa as mudas de árvores nativas e orienta para as melhores práticas de plantio. Quando necessário, e a depender do tamanho das áreas, são fornecidos também arames para construção de cercas. Em contrapartida, o agricultor realiza o plantio das mudas, faz a manutenção das áreas em restauração e fornece os demais materiais necessários para a construção das cercas.

Autora: Carolina Schäffer.

Ipê-rosa, o rei da primavera

Ipê-rosa, o rei da primavera

Ipê-rosa, o rei da primavera

A árvore do Ipê, independente da espécie, possui grandíssimo valor aos olhos de todos, apaixonando cada um que tem a oportunidade de vê-la florescer. Presente em praticamente todas cidades e regiões brasileiras, pode ser encontrada em toda a América Central e Sul, desde o México até o norte da Argentina e no Paraguai, onde é o símbolo do país.

Uma árvore com longo histórico de utilização pelo ser humano, especialmente para fins ornamentais, já que apresenta uma beleza única. É amplamente distribuída pelo Brasil, sendo encontrada abundantemente na Mata Atlântica e em todos os seus biomas, com exceção do Pampa, e também nas cidades, quando é vista em praças públicas, parques, jardins botânicos e ao longo de avenidas Além do grande valor paisagístico, é muito utilizada na recuperação de áreas degradadas, pela sua fácil integração em diversos biomas brasileiros.

Outra utilização relativamente comum do Ipê é a retirada de sua casca interna para a produção de chás, que possuem propriedades medicinais, combatendo inflamações, tendo ação antifúngica, antiviral e antioxidante, além de fortalecer o sistema imunológico*. Infelizmente, a espécie é ainda hoje alvo de extrações ilegais, por conta da sua madeira, de alta qualidade e longevidade. Também apresenta uma relação muito interessante e próxima com as aves em especial, espécies de beija-flor, como o Bico-reto-de-banda-branca (Heliomaster squamosus), o Beija-flor-preto (Florisuga fusca) e o Beija-flor-de-veste-preta (Anthracothorax nigricollis), que ajudam na sua polinização.

Diferentes estruturas e aspectos do Ipê-rosa. Fotos: Jan Meerman, Nicole Estrella, J. Arturo de Nova e Ivani Martínez; através do Biodiversity4All.

De grande porte, atinge até 30 metros de altura quando no meio da floresta. Seu tronco costuma ter por volta de 60-80 cm de espessura e é correspondente a cerca de um terço do seu tamanho, enquanto seus ramos e florações costumam ocupar a maior e mais notória parte, fazendo com que um simples olhar seja um grande espetáculo aos olhos. Suas folhas são compostas, com cinco folíolos que, entre julho e setembro, costumam dar espaço para esplêndidos ramos de flores esperando serem polinizadas por artrópodes e aves.

O nome ipê origina-se da língua indígena Tupi, significando “casca dura”. Também é popularmente conhecida por outros nomes, como pau d’arco, por se tratar de uma árvore que, durante muitos anos, foi utilizada por indígenas para a manufatura de arcos.

 

Ficha técnica

Nome científico: Tabebuia rosea (Bertol.)
Família: Bignoniaceae
Utilização: Construções, medicina tradicional, paisagismo e restauração florestal
Flor: Rosa
Fruto: Secos e deiscentes
Coleta das sementes: Pode ser feita diretamente da árvore quando os frutos começarem a se abrir, em seguida devem ser deixados ao sol protegidos por tela fina para completar a abertura e liberação das sementes. O plantio deve ser realizado poucos dias após a coleta, pois as sementes perdem rapidamente sua capacidade germinativa.
Crescimento da muda: Moderado
Status na Lista Vermelha da IUCN: pouco preocupante (least concern).

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações de profissionais habilitados.

 

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Exsicata de Tabebuia rosea (Bertol.). Foto: Jardim Botânico do RJ/REFLORA.

Fontes consultadas

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. 5ª edição.

Jardim Botânico do Rio de Janeiro (ed.). Programa REFLORA/CNPq. Disponível em: http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/listaBrasil/. Acesso em: 27 set. 2021.

Botanic Gardens Conservation International (BGCI) & IUCN SSC Global Tree Specialist Group. 2019. Tabebuia rosea. The IUCN Red List of Threatened Species 2019: e.T61986278A149016658. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2019-2.RLTS.T61986278A149016658.en. Acesso em: 27 set. 2021.

Autor: João Casimiro

Revisão: Carolina Schaffer e Vitor Lauro Zanelatto

Foto de capa: Mauricio Mercadante

Dona Helena e a vontade de ter um pedacinho de terra | Mulheres que Restauram

Dona Helena e a vontade de ter um pedacinho de terra | Mulheres que Restauram

Dona Helena e a vontade de ter um pedacinho de terra | Mulheres que Restauram

Há 35 anos trocamos um fusca pela terra que a gente mora hoje. Fizemos disso aqui nosso paraíso e hoje não troco essa terra nem por 20 fuscas”, é assim que começa a história de restauração de Helena de Jesus Moreira, a Dona Helena.

Dona Helena é do Maranhão, o marido é de Santa Catarina; depois de um namoro a distância firmaram residência em Cotriguaçu, Mato Grosso. “Quando chegamos aqui era tudo mato e nossa mentalidade na época, infelizmente, era derrubar todas as árvores, estávamos acostumados com o campo, então começamos a abrir espaço. Imaginávamos inclusive, que iríamos precisar comprar até o terreno dos vizinhos, porque a área do nosso ia ser pequena demais para nós dois” complementa Helena. 

Por sorte, e por uma indicação da Pastoral da Terra, Dona Helena acabou fazendo um curso de Agricultura Familiar oferecido por uma Escola Técnica da região. “A cada etapa do curso que eu ia concluindo eu me dava conta que a gente já tinha derrubado demais; que para sobreviver já tínhamos terra suficiente em cultivo”, informa Helena que depois de seis meses convenceu o marido a largar o emprego da cidade e viver só do cultivo da terra. “Hoje nós dois moramos, trabalhamos e vivemos dessa terra; temos liberdade, dinheiro e felicidade. E a floresta é abrigo de muitos animais… macacos, araras, nenhum bicho é triste aqui na minha terra”.

Óleo de babaçu, doce de buriti, castanha e açaí, estes são alguns dos produtos que Dona Helena tira da floresta que ela ajudou a restaurar. Além disso, ela coleta sementes das árvores que plantou e ajuda a manter um viveiro de mudas nativas no Município de Cotriguaçu. “Precisamos passar para os outros o conhecimento que adquirimos, e esse viveiro é uma das formas de fazer isso. Só a mãe natureza é capaz de nos garantir a vida, o bem-viver e o bem-estar”, comenta Helena que é uma das lideranças da APROFECO (Associação dos Produtores Feirantes de Cotriguaçu) e Conselheira Fiscal da REPOAMA (Rede de Produção Orgânica da Amazônia Mato-grossense), ambas parceiras do Instituto Centro de Vida (ICV) no âmbito do Projeto Valorizando Cadeias Socioprodutivas na Amazônia e do Projeto Agroecologia em Rede.

O projeto foi iniciado em 2018, tem apoio do Fundo Amazônia/BNDES, e atua diretamente com associações e cooperativas de agricultores familiares que trabalham em seis cadeias socioprodutivas – Castanha, Babaçu, Hortifrutigranjeiros, Leite, Cacau e Café, e estão distribuídos nos municípios do Norte (Alta Floresta, Paranaíta, Nova Monte Verde e Nova Bandeirantes) e Noroeste (Cotriguaçu e Colniza) do Mato Grosso.

As atividades estão vinculadas às diferentes etapas das cadeias (da produção ao consumo), no fortalecimento da gestão das organizações envolvidas, no incentivo à pesquisa e políticas públicas. O objetivo é que os grupos comunitários e suas práticas de produção sustentável sejam fortalecidos contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos agricultores e para a manutenção das florestas.

Restauração

Este é o segundo capítulo da série Mulheres que Restauram. Uma iniciativa da Apremavi na #DécadaDaRestauração, realização do ICV e da Apremavi, com apoio do GT de Gênero e Clima do Observatório do Clima.

Mulheres que Restauram

Este é o segundo capítulo da série Mulheres que Restauram, lançada este ano, no Dia da Terra, com a história de Ercília Felix Leite.

Mulheres que Restauram é uma iniciativa da Apremavi na Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas, com apoio do GT de Gênero e Clima do Observatório do Clima, e tem o objetivo de divulgar histórias de mulheres protagonistas na restauração e no planejamento de propriedades e paisagens, como forma de conscientizar a sociedade sobre a importância da atuação feminina na mitigação da crise do clima e promover o plantio de árvores nativas e a recuperação de áreas degradadas.

Autora: Carolina Schäffer.

Clima Legal promove plantio em Lebon Régis

Clima Legal promove plantio em Lebon Régis

Clima Legal promove plantio em Lebon Régis

A comunidade escolar do colégio “30 de Outubro” colocou a mão na terra na última sexta-feira e juntou-se a Apremavi para plantar um novo bosque no terreno que pertence à escola.

Lebon Régis, município do planalto catarinense com pouco mais de doze mil habitantes, foi o destino de 150 mudas nativas da Mata Atlântica. As futuras árvores foram doadas através do Clima Legal, projeto permanente da Apremavi dedicado a neutralização dos gases de efeito estufa e combate da emergência climática.

Michele Silveira, diretora da Escola 30 de Outubro, conheceu a atuação da Apremavi a partir do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS), responsável por viabilizar a visita dela e outras lideranças locais catarinenses no Centro Ambiental Jardim das Florestas, em julho deste ano. Segundo ela, esperança é a palavra que representa o significado desta ação, que envolveu mais de cem alunos:
“É uma grande alegria a recuperação das áreas degradadas no entorno da escola. Envolver as crianças e os jovens nesse processo é extremamente importante, eles são o nosso futuro e responsáveis por dar continuidade nos projetos da escola. Queremos ser um exemplo de sustentabilidade e preservação da natureza”.

O plantio das mudas foi realizado em uma área da escola, que está localizada no Assentamento Rio dos Patos, uma das comunidades criadas pela reforma agrária na cidade. Os estudos estão conectados com a realidade da comunidade escolar, valorizando a cultura local e integrando os anseios dos alunos; que já desenvolveram uma série de projetos para colocar em prática os aprendizados teóricos, como a construção de um relógio biológico no jardim da escola e a instalação de um carneiro hidráulico para bombear água até a horta sem a necessidade de energia elétrica.

Confira as fotos do plantio e espaços de troca de saberes que a escola 30 de Outubro desenvolveu para além das salas de aula:

Momentos do mutirão de plantio e espaços da Escola “30 de Outubro”. Fotos: Vitor Lauro Zanelatto.

O plantio das mudas nativas dá continuidade a um trabalho de identificação das nascentes que existem na área e cálculo das áreas de preservação permanente, realizado na disciplina de matemática. O principal objetivo deste esforço conjunto é prover proteção às nascentes e alguns gradientes em estágio inicial de regeneração. O espaço está sendo monitorado pelos próprios alunos, que já haviam realizado os cálculos para a definição da Área de Preservação Permanente (APP).

Para Miriam Prochnow, conselheira da Apremavi e uma das articuladoras da ação, essa atividade é o primeiro passo para concretização de uma parceria mais ampla, com o objetivo de transformar a escola num polo de exemplos de projetos de sustentabilidade.

Informação importante: todas as normas e orientações necessárias de combate ao Coronavírus foram observadas durante o plantio.
#vacinasim #acreditenaciência

Autores: Miriam Prochnow e Vitor L. Zanelatto

Comitê brasileiro se reúne com presidente recém eleita da UICN

Comitê brasileiro se reúne com presidente recém eleita da UICN

Comitê brasileiro se reúne com presidente recém eleita da UICN

Representantes do Comitê Brasileiro, entre eles a Apremavi, se reuniram na tarde de hoje, 09 de setembro, com Razan Al Mubarak, a nova presidente eleita da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). 

Na pauta uma conversa sobre o papel fundamental que os biomas brasileiros desempenham como mantenedores da biodiversidade e do clima no mundo, as ameaças diárias enfrentadas pelos defensores da natureza e seus povos tradicionais e o enfraquecimento das nossas políticas ambientais e estruturas de gestão, bem como o papel que a UICN pode desempenhar como articulador de ações que fortaleçam as instituições-membros da UICN no Brasil e o trabalho que desempenham. Além da conversa, o Comitê enviou na semana passada para a então candidata, a carta Brazil Matters, que pode ser acessada aqui.

A presidente acolheu com entusiasmo as propostas apresentadas pelos membros, especialmente a sugestão de promover uma grande campanha de comunicação para divulgar os biomas brasileiros dentro da União. Ao ouvir a proposta de que o Brasil seja o país sede de um dos Congressos Mundiais da UICN, Razan foi prática e sugeriu que o pontapé seja a promoção de uma das reuniões com os conselheiros da UICN.

O Brasil está no coração do mundo e eu vou trabalhar para que ele esteja no coração da IUCN”, comentou a presidente logo após dizer que entende o papel que o Brasil desempenha e convidar os membros a trabalharem com ela para fortalecer a União no Brasil e consequentemente, no mundo.

O Brasil conta com 26 instituições-membros da UICN que fazem parte do Comitê Nacional e se reúnem periodicamente para pensar em estratégias de potencialização de seus resultados por meio da integração entre as instituições. O Comitê vai continuar trabalhando para fortalecer seu espaço institucional, seus membros e a presença da UICN no Brasil. 

Parte dos Membros do Comitê Brasileiro da UICN que estiveram no encontro com a recém eleita presidente da União, Razan Al Mubarak, durante o Congresso Mundial da UICN em Marseille, na França.

As Eleições

Os resultados das eleições foram divulgados ontem, 08 de setembro, no terceiro encontro da Assembleia de Membros que ocorreu durante o Congresso Mundial de Conservação da Natureza que está acontecendo em Marseille, na França.

Concorrendo com outros dois candidatos, Razan Al Mubarak ganhou atingindo a maioria dos votos no primeiro turno de votação com 69% dos votos dos governos e 63% dos votos das organizações da sociedade civil. Razan, dos Emirados Árabes, é a segunda mulher a assumir a presidência da IUCN em 14 mandatos e 73 anos de instituição. Yolanda Kakabadse, do Equador, esteve à frente da organização de 1996 a 2004. 

Mulher e jovem, quando comparada aos seus antecessores, Razan tem um imenso desafio à sua frente especialmente no que se refere ao enfrentamento às crises climática e sanitária onde, em ambos os casos, a conservação da natureza desempenha um papel fundamental.

Autora: Carolina Schäffer com apoio do Comitê Nacional.

Apremavi publica Termo de Referência para Consultoria de Elaboração de Projeto de Carbono

Apremavi publica Termo de Referência para Consultoria de Elaboração de Projeto de Carbono

Apremavi publica Termo de Referência para Consultoria de Elaboração de Projeto de Carbono

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, sem fins lucrativos, está com um processo aberto para contratação de consultoria visando a elaboração de Documento de Concepção de Projeto (PDD) para restauração da Mata Atlântica, na região da Floresta com Araucárias – Conservador da Floresta com Araucárias.

O objetivo é a contratação de Pessoa Física ou Jurídica para a elaboração de um PDD (Project Design Description) para a modalidade de Grouped Projects integrando os padrões VCS e CCB e acompanhar as etapas necessárias para a validação do projeto junto à entidade independente contratada pela Apremavi (validation/verification bodies – VVBs).

 

Interessados devem enviar propostas, até o dia 24 de setembro de 2021, para info@apremavi.org.br. Para mais informações, acesse o Termo de Referência (TdR).

Autora: Miriam Prochnow.

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