Apremavi divulga novas oportunidades de trabalho

Apremavi divulga novas oportunidades de trabalho

Apremavi divulga novas oportunidades de trabalho

Se você tem interesse na causa ambiental e experiência com comunicação institucional no terceiro setor, ou é ilustrador profissional, esse é o momento de trabalhar conosco!

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (APREMAVI) apresenta duas oportunidades de trabalho, no âmbito da Coordenadoria de Comunicação e Informação. Ambas as vagas receberão propostas até o próximo dia 04/04, através de e-mail. Na mesma correspondência, deverá ser apresentado o portfólio profissional.

Vaga Assistente de Comunicação

Oportunidade para profissional pleno, para assistência na Coordenação de Comunicação e Informação da Apremavi. A preferência é pela contratação nos termos da CLT, em dedicação integral, condicionada ao trabalho presencial no Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, sede da Apremavi, em Atalanta (SC).

Contratações PJ serão consideradas, com trabalho presencial opcional (possibilidade de realizar home office) e entrega prevista de 30 horas semanais.

+ Confira o Termo de Referência (TDR) com o detalhamento da oportunidade.

As propostas comerciais e os currículos deverão ser encaminhadas até às 23h59min (horário de Brasília) do dia 04 de março de 2022, para o e-mail info@apremavi.org.br

Contratação de Ilustrador (a/e)

Oportunidade para a elaboração do novo banco de ilustrações da Apremavi e cessão de propriedade do mesmo, com lançamento previsto durante as comemorações de 35 anos de fundação da organização. A contratação será PJ, isto é, sem vínculo empregatício e com pagamento mediante apresentação de nota fiscal.

+ Confira o Termo de Referência (TDR) com o detalhamento da oportunidade*

As propostas comerciais deverão ser encaminhadas até às 23h59min (horário de Brasília) do dia 04 de março de 2022, para o e-mail comunica@apremavi.org.br

A Apremavi tem como princípios a equidade e a diversidade. Incentivamos profissionais de grupos minoritários (de origem e raça, étnicos, gênero, orientação sexual, sociais, culturais, etários, e físicos) a apresentar proposta.

Ajude a Apremavi: compartilhe essas oportunidades de trabalho com profissionais que você conheça.

*Arquivo atualizado em 06/03/2022, com a ampliação de alguns dos prazos previstos na redação do TDR.

Autor: Vitor L. Zanelatto.
Revisão: Carolina Schäffer.
Foto de Capa: Vitor Lauro Zanelatto.

Chuva de flores, o Ripão floresceu!

Chuva de flores, o Ripão floresceu!

Chuva de flores, o Ripão floresceu!

Não é por acaso que em algumas regiões do país essa espécie é chamada de chuva-de-ouro. As flores abundantes e agrupadas do Ripão (Cassia leptophylla Vogel) são capazes de embelezar desde avenidas movimentadas até silenciosas florestas.

Além do seu amplo uso no paisagismo, é indicada para plantios de recuperação de áreas degradadas. Sua germinação e desenvolvimento, que necessitam de condições ideais para ocorrer, são facilitadas pela inserção antrópica no ambiente, acelerando o processo de regeneração. Além disso, a espécie também é utilizada na fitoterapia, sendo preconizada como desintoxicante e depurativa*.

A característica lenhosa dos frutos dificulta a propagação das sementes pelos animais. Após o amadurecimento, entre maio e setembro, é possível realizar a coleta das sementes direto do chão, tendo estas maiores níveis de germinação, se comparado às coletadas diretamente da árvore.

A semeadura demanda alguns cuidados adicionais. É preciso realizar a quebra da dormência das sementes, utilizando água fervente ou ou através da escarificação com uma lixa. O plantio deve ser feito em canteiros semi-sombreados, preferencialmente em substrato organo-argiloso.

Em destaque: brotos de Cassia leptophylla produzidos no Viveiro Jardim das Florestas. Foto: Vitor L. Zanelatto. 
Galeria: Aspectos da Cassia leptophylla Vogel. Fotos: Gerson Luiz Lopes

Ripão

Nome científico: Cassia leptophylla Vogel
Família: Fabaceae
Utilização: Madeira utilizada para fabricação de caixas, brinquedos e pequenas obras. Espécie muito utilizada para o paisagismo em geral.
Coleta de sementes: diretamente da árvore.
Época da coleta de sementes: maio a julho.
Fruto: legumes cilíndricos indeiscentes, lenhosos e alongados, com até 45cm de comprimento.
Flor: pétalas amarelas de até 2cm, agrupadas em racemos terminais pendentes (cachos).
Floração: de agosto a dezembro.
Crescimento da muda: lento.
Germinação: baixa, emergência em 60 dias.
As sementes desta espécie necessitam de quebra de dormência em água fervente.
Plantio: mata ciliar, área aberta, solo degradado.

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas.

Fontes consultadas

Jardim Botânico do Rio de Janeiro (ed.). Programa REFLORA/CNPq. Disponível em: http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/listaBrasil/. Acesso em: 03 mar. 2022.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. 5ª edição.

PROCHNOW, Miriam (Org.). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: APREMAVI, 2007.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Leandro da Rosa Casanova
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto

FF PR e SC lança Relatório Anual de Atividades 2021

FF PR e SC lança Relatório Anual de Atividades 2021

FF PR e SC lança Relatório Anual de Atividades 2021

Na última semana, a Secretaria Executiva do Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina lançou o Relatório Anual de Atividades de 2021. O documento apresenta uma síntese das atividades realizadas no período, como forma de reunir e organizar as ações e esforços dos integrantes e ampliar a transparência da iniciativa.

Em mais um ano com restrições impostas pela pandemia de Covid-19, as reuniões plenárias se mantiveram à distância. Foram realizados encontros nos meses de abril, agosto e novembro. Além disso, os integrantes puderam participar de eventos, debates sobre temas inerentes ao FF PR e SC e na elaboração de publicações, como o artigo submetido à  III Conferência Brasileira de Restauração Ecológica. Outro produto do trabalho do Fórum foi a aprovação das Diretrizes de Funcionamento.

+ Acesse a  íntegra do relatório


Em 2021, os trabalhos do FF PR e SC foram conduzidos por Vitor Lauro Zanelatto, Secretário Executivo do FF PR e SC, com o apoio de Edilaine Dick. A Secretaria Executiva é hospedada pela Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (APREMAVI). Integraram o Grupo de Apoio à Secretaria Executiva Alessandra Xavier  (SPVS) Ivone Namikawa (Klabin) Juliana Tramontina (Adami) e Luciane Costa (IFSC Lages). As empresas mantenedoras da iniciativa foram Adami, Arauco, Klabin e WestRock. 

+ Acesse as memórias de reunião de outros arquivos inerentes ao FF PR e SC

Capa do Relatório Anual de Atividades 2021.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de Capa: Vitor Lauro Zanelatto.

São Joaquim é Sagrado: campanha chama atenção para a importância do Parque

São Joaquim é Sagrado: campanha chama atenção para a importância do Parque

São Joaquim é Sagrado: campanha chama atenção para a importância do Parque

Criado em 06 de junho de 1961, o Parque Nacional de São Joaquim é um dos mais importantes e antigos parques nacionais do sul do Brasil.

Seus 49.800 hectares protegem ecossistemas ameaçados como a Floresta com Araucárias e os Campos de Altitude, espécies da flora ameaçada como o Pinheiro Brasileiro (Araucaria angustifolia) e o Xaxim (Dicksonia sellowiana), e também espécies ameaçadas da fauna como o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), o leão-baio (Puma concolor) e o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus). Protege ainda as nascentes do rio Pelotas e belezas cênicas impressionantes como a Pedra Furada e o Cânion do Funil. É também o motor do ecoturismo, uma das atividades econômicas que mais cresce nos municípios da região.

De acordo com a Diretora Executiva da Rede Pró UC, Angela Kuczach, o “ecoturismo tem crescido na região, e é no Parque Nacional que estão as atrações que as pessoas querem ver, como a Pedra Furada. Esta é uma oportunidade para gerar emprego e renda nas cidades do entorno do Parque com uma atividade de baixo impacto ambiental”.

Em 2021, em comemoração aos 60 anos do Parque, a Rede de Amigas e Amigos do Parque São Joaquim, que reúne voluntários, organizações locais e de outras regiões do Brasil, promoveu uma extensa programação virtual com gestores, especialistas, visitantes, guias e outros atores que se relacionam com o Parque.

Coexistiu com o clima de celebração a necessidade de alertar a sociedade sobre a ameaça de redução da área do Parque. O Projeto de Lei do Senado n° 208/2018 e o Projeto de Lei da Câmara dos Deputados n° 10082/2018 propõem a redução de cerca de 20% da área do Parque. Esses projetos somam-se às tentativas anteriores de redução dos limites da Unidade.

Alertas de que as ameças ainda pairam sobre o Parque, a Rede lança agora a Campanha São Joaquim é Sagrado, com o intuito de tornar a sociedade aliada na luta contra as ameaças e na busca pela consolidação da área como fundamental para a conservação das paisagens, da biodiversidade, da água e da economia da região.

Artes da campanha São Joaquim é Sagrado. Fotos: Carolina Schäffer e Wigold B. Schäffer. 

A campanha São Joaquim é Sagrado

Com um perfil no Instagram e um canal no YouTube, a campanha São Joaquim é Sagrado apresenta as belezas do Parque Nacional de São Joaquim e mostra que a preservação dos elementos que a Unidade de Conservação protege, como água, ar puro, insetos, fauna e flora em geral, colaboram tanto para a qualidade de vida como para a economia da região.

Faça parte do movimento em prol do Parque Nacional de São Joaquim curtindo a página no Instagram e compartilhando fotos com a #sãojoaquimésagrado.

Banner de lançamento da campanha ‘São Joaquim é Sagrado’. Reprodução @saojoaquimesagrado

Autora: Carolina Schäffer
Foto de Capa: Wigold B. Schaffer.

Petrópolis e o esforço dos governantes em ignorar o passado

Petrópolis e o esforço dos governantes em ignorar o passado

Petrópolis e o esforço dos governantes em ignorar o passado

Índices pluviométricos esperados para semanas ou meses são registrados em poucas horas, o solo, em muitas áreas degradadas e alvo de alterações antrópicas significativas, perde sustentação em áreas com declives. Uma paisagem que antes mostrava-se parcimoniosa àqueles desatentos aos riscos da ocupação sem planejamento torna-se em pouco tempo cenário de insegurança geotécnica e uma grave ameaça à vida.

A intensidade das chuvas que atingiram a cidade de Petrópolis (RJ) desde o dia 15 de fevereiro, e com ápice na última semana, foi elemento decisório para que o Brasil observasse mais uma tragédia acontecer. Para quem é morador antigo da cidade, a situação relembra outro episódio sombrio: em 1988 uma situação similar resultou na morte de 171 petropolitanos.  Também na região Serrana do Rio de Janeiro, 918 mortes e pelo menos 99 pessoas desaparecidas foram registradas em 2011.

Agora, em 2022, segundo o Corpo de Bombeiros, 178 cidadãos perderam a vida em função das consequências das chuvas na região. Até o final da elaboração deste texto, outras 110 pessoas estavam desaparecidas. A Defesa Civil da cidade informou que foram registrados mais de 700 deslizamentos de terra, e muitas áreas ainda estão instáveis. 

Trabalho do Corpo de Bombeiros na busca por sobreviventes em Petrópolis. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

Apesar de quererem justificar os episódios recentes como uma desastrosa combinação de eventos naturais, é preciso relembrar que o cenário de destruição e dor visto em Petrópolis é recorrente no Brasil.

O Alto Vale do Itajaí (SC), berço de atuação da Apremavi, também sofreu repetidamente com a falta de planejamento urbano, planos de contingência e, principalmente, ausência de planos para a mudança sistêmica na ocupação de áreas impróprias à atividades antrópicas e portanto, de risco. No caso mais recente, em dezembro de 2020, 21 pessoas morreram na região, após 120 milímetros de chuva em seis horas causarem deslizamentos de terra e enxurradas em comunidades do interior de Presidente Getúlio e Rio do Sul.

Ainda no final de 2021, fortes chuvas afetaram mais de 70 mil pessoas na Bahia. Mais de 25 cidades decretaram Situação de Emergência e, mais uma vez, esforços foram reunidos para socorrer as vítimas, desalojados e desabrigados.

É possível perceber um padrão em todas essas tragédias, comprovado por análises técnicas e dados. Hora, se há informações, conhecimento dos elementos que aumentam as chances de destruição e a ciência repetidas vezes já orientou para as mudanças necessárias na relação entre a sociedade e a ocupação da paisagem, anunciar os elementos naturais como responsáveis pelas mortes, ou tratar tais situações como desastres, não é apenas uma abordagem imoral, é também muito útil àqueles que de fato possuem responsabilidade sobre o assunto e fazem pouco ou quase nada quando se trata de proteção e bem-estar das pessoas.

 

Faltou vontade e sobraram recursos para prevenir a tragédia

Segundo as informações disponibilizadas no Portal da Transparência, o Estado do Rio de Janeiro gastou apenas metade do previsto em orçamento no programa de prevenção e resposta a desastres. Apenas 47% do valor reservado no erário para ser gasto em estratégias de prevenção e resposta aos riscos de catástrofes foi de fato empenhado em 2021. Foram indicados para aplicações R$ 192,8 milhões deum total de R$ 407,8 milhões previstos no orçamento.

Segundo a apuração da imprensa, a baixa execução não tem relação com a crise financeira do estado. Há um evidente contraste nos investimentos de outras áreas, se comparado com os programas de prevenção de catástrofes. O governo empenhou 86% do total previsto no orçamento de 2021, deixando o programa “Prevenção e Resposta aos Riscos e Recuperação de Áreas Atingidas por Catástrofes” em 42º no ranking de execução, comparado aos 72 previstos no estado. Recursos inicialmente previstos para este e outros programas podem ter sido remanejados para outras áreas ou até mesmo mantidos imobilizados.

Ao contrário da demora para investir na prevenção, os prejuízos materiais da tragédia em Petrópolis já estão sendo divulgados. Segundo um levantamento preliminar da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) o temporal da última semana deverá causar uma perda de R$ 665 milhões, apenas considerando o PIB da cidade. A estimativa de custos para a reconstrução das áreas atingidas e nas obras públicas para a reconstrução da cidade ainda não foram divulgados, mas dado o grave cenário, serão necessários centenas de milhões e anos de trabalho.

 

A importância das Áreas de Preservação Permanente bem preservadas

Além das Unidades de Conservação, existem no Brasil, por força de lei, outras áreas que devem ser protegidas sempre, independentemente de sua localização no território, como as margens de rios, nascentes e topos de morro, entre outras. Essas áreas são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APPs), independentemente de estarem em áreas rurais ou urbanas, em terras particulares ou públicas.

As APPs são áreas que têm um papel crucial na prevenção de riscos de enchentes e desbarrancamentos, colaborando com a proteção das pessoas e da biodiversidade em eventos extremos da Natureza. Mesmo com os dados e situações indicando a necessidade de ampliar as áreas protegidas, a legislação brasileira sobre o assunto sofreu mudanças desastrosas e passíveis de contestações, como a mudança no Código Florestal (2012), e até mesmo as recentes mudanças no regramento sobre APPs em áreas urbanas (PL 14285/2021).

Após a Tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, especialistas em áreas protegidas e planejamento territorial realizaram um estudo sobre o papel da UCs na mitigação dos efeitos de eventos extremos. Naquela época, a Área de Proteção Ambiental de Petrópolis, Unidade de Conservação de Uso Sustentável, abrigava cerca de 280 mil habitantes e já era apontada como alvo de ocupação de APPs com moradias e atividades industriais e agropecuárias.

O co-fundador e conselheiro da Apremavi, Wigold Schäffer, é um dos autores do documento. Em depoimento ao Observatório do Clima, ele destacou o principal diagnóstico do estudo:

“92% dos deslizamentos que ocorreram naquela ocasião tinham alguma intervenção humana, seja pela construção de moradias, estradas e terraplanagem para construção, entre outras. Apenas 8% dos deslizamentos ocorreram em áreas com vegetação nativa bem conservada”.

Ainda segundo o documento, intervenção antrópica foram responsáveis por 90% dos deslizamentos de terra e rolamento de rochas; como estradas, caminhos, trilhas, terraplanagens, desmatamento de encostas e topos de morro, degradação da vegetação nativa e áreas de pastagens degradadas. Constatou-se também que as áreas que foram mais intensamente afetadas pela tragédia são aquelas consideradas APPs (margens de cursos d’água, encostas com alta declividade e topos de morro ou montanhas). Verificou-se, por outro lado, que nas áreas com a vegetação nativa bem conservada, mesmo quando localizadas em áreas com alta declividade ou topos de morro ou montanhas, a quantidade de deslizamentos e rolamento de rochas foi inferior a 10% do total desses eventos.

+ Confira a íntegra do estudo

Os autores do relatório emitiram uma série de recomendações aos órgãos competentes, como a desocupação das zonas de risco e o cumprimento da legislação. Não há registros de ações posteriores do Governo Federal ou Estadual para a implementação de iniciativas visando a regularização ambiental. Petrópolis, que também foi atingida na tragédia de 2011, tem um quinto de seu território sob alto risco: são mais de 12 mil moradias ameaçadas, segundo o plano municipal de 2018.

Região  de Nova Friburgo, após a trágica;edia de 2011. É possivel observar que os deslizamentos ocorreram em áreas consideradas de preservação permanente (APP de topo de morro, de encosta e de margem de rio). Fonte: ‘Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação & Áreas de Risco. O que uma coisa tem a ver com a outra?’


Despreparo da mídia para relacionar o caso às mudanças climáticas

A chuva mais intensa registrada em Petrópolis, segundo as medições do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), foi o elemento conclusivo da tragédia. No entanto, a escassez de informações sobre as causas deste desequilíbrio chamam a atenção na maioria das matérias produzidas sobre o assunto.

Se faz necessária a escuta dos especialistas, divulgação dos efeitos das mudanças climáticas e conscientização da população sobre o tema, para que este seja central nas discussões sobre o futuro do país, desde os planejamentos territoriais das cidades até as campanhas e formulação de planos de governo.

Ao conceder uma entrevista para a TV Jovem Pan, o físico Paulo Artaxo, pesquisador brasileiro que integra o grupo de especialistas responsáveis por elaborar os relatórios do IPCC, fez questão de destacar a urgência em falar e agir sobre as mudanças climáticas; e não apenas esperar para remediar suas consequências.

“Essas tragédias são evitáveis. O Rio de Janeiro possui três radares, capazes de prever com razoável precisão a quantidade de chuvas. A questão não é técnica ou científica, mas sim contar com governos que se preocupem em fazer o necessário para prevenir tragédias. Os eventos climáticos extremos cada vez mais trazem prejuízos socioambientais e econômicos, falta ao país um plano de adaptação às mudanças climáticas”.

+ Confira aqui o resumo comentado do último relatório do IPCC (AR6, WG1)) elaborado pelo Observatório do Clima.


Entrevista completa concedida por Paulo Artaxo à Jovem Pan.

 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Revisão: Carolina Schäffer.
Foto de Capa: Registro do socorro às vítimas da tragédia em Petrópolis. Eduardo Anizelli/FolhaPress

Sobre a largura mínima das faixas marginais de curso d’água em área urbana com a nova Lei 14.285/2021

Sobre a largura mínima das faixas marginais de curso d’água em área urbana com a nova Lei 14.285/2021

Sobre a largura mínima das faixas marginais de curso d’água em área urbana com a nova Lei 14.285/2021

Por João de Deus Medeiros, Professor, Biólogo e Dr. em Botânica. Coordenador Geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica.

No apagar das luzes do ano de 2021 o Congresso Nacional “brinda” a sociedade brasileira com a edição da Lei no 14.285, de 29 de dezembro de 2021, a qual alterou dispositivos da lei de proteção da vegetação nativa (Lei no 12.651/2012) referentes à proteção de áreas de preservação permanente em áreas urbanas. Modificou ainda o Art. 22 da Lei no 11.952/2009 e o Art. 4o da lei no 6.766/1979.

A nova lei, como tantas outras que reduzem a proteção ambiental no Brasil, teve destacada participação de parlamentares catarinenses. Sua origem remonta ao PL 2510/2019, de autoria do Deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC); em maio de 2012 é apresentado pela Deputada Angela Amin (PP-SC) requerimento de urgência na tramitação do PL, sendo o mesmo aprovado em agosto de 2021, quando então é designado como relator o Deputado Darci de Matos (PSD-SC).

Ao tramitar no Senado o texto do PL2510/2019 foi alterado, incluindo a previsão de uma faixa mínima de 15 metros de APP ao longo dos cursos d’água em áreas urbanas. Retornando a Câmara, parecer do relator Darci de Matos conclui pela rejeição à emenda do Senado.

Logo após a edição do novo diploma legal muitas críticas e debates sobre a aplicação do mesmo foram suscitados. A crítica maior se associa ao entendimento de que a norma desloca para os municípios e o Distrito Federal a competência para definir as faixas marginais de qualquer curso d’água perene ou intermitente em áreas urbanas consolidadas, de forma distinta dos parâmetros estabelecidos no inciso I, do caput do art. 4o da Lei no 12.651/2012.

O questionamento quanto a incompatibilidade da norma com a Constituição da República é igualmente levantado, argumentando-se que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios a proteção do meio ambiente e o combate a poluição em qualquer de suas formas (Art. 23, IV), contudo, a competência para legislar sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição é remetida à União, aos Estados e ao Distrito Federal (Art. 24, VI). Já o Art. 30 remete ao município a competência para legislar sobre assuntos de interesse local e suplementar a legislação federal e estadual no que couber. Nesse contexto resta o questionamento quanto a competência legislativa dos municípios para editar norma estritamente vinculada a proteção do meio ambiente e ao combate à poluição, bem como se, havendo norma geral nacional regrando o tema, isso é cabível e até onde é razoável admitir que a flexibilização na proteção de um curso d’água se restringe tão somente ao interesse local de um dado município.

A respeito da discussão do “interesse local” é pedagógica a transcrição de partes de recente decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na ação Popular 1003121-88.2022.8.26.0053, onde é ressaltado que “Não fosse a poluição da bacia do Alto Tiete os municípios a jusante poderiam aproveitar os seus recursos hídricos, inclusive para consumo humano”, e ainda, “Nunca perdendo de vista a principais medidas necessárias a solução desse gravíssimo problema ambiental: da melhoria do saneamento (universalização da coleta e tratamento de esgoto), passando pela restauração da vegetação nativa e pelo uso sustentável da terra, ao controle de uso de pesticidas”. Fica evidente que as intervenções sobre um dado curso d’água não restringem seus efeitos aos limites do município. Intervenções que comprometem a qualidade ou o comportamento das águas, invariavelmente afetam diversas outras áreas a jusante, não havendo qualquer plausibilidade num eventual argumento de que a intervenção sobre APP de curso d’água se caracterize como algo meramente de interesse local. Infelizmente, no Brasil são numerosos os casos que poderíamos indicar, a título de exemplo, da extensão das consequências nefastas de intervenções indevidas ao longo dos cursos d’água.

Ainda restrito a interpretação da efetiva mudança trazida as APPs de cursos d’água, registra-se que a lei Lei no 14.285, em seu artigo 2o, estabeleceu que a Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 4o …………………………………………………………………………………………………

§ 10. Em áreas urbanas consolidadas, ouvidos os conselhos estaduais, municipais ou distrital de meio ambiente, lei municipal ou distrital poderá definir faixas marginais distintas daquelas estabelecidas no inciso I do caput deste artigo, com regras que estabeleçam:


I – a não ocupação de áreas com risco de desastres;


II – a observância das diretrizes do plano de recursos hídricos, do plano de bacia, do plano de drenagem ou do plano de saneamento básico, se houver; e


III – a previsão de que as atividades ou os empreendimentos a serem instalados nas áreas de preservação permanente urbanas devem observar os casos de utilidade pública, de interesse social ou de baixo impacto ambiental fixados nesta Lei.” (NR)

Como podemos observar do texto legal, não houve alteração no caput do Art 4o da Lei no 12.651/2012, o qual estabelece os parâmetros mínimos das APPs como regra geral nacional, inclusive para as zonas urbanas.

O § 10 original, por sua vez, previa que, “No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, observar-se-á o disposto nos respectivos Planos Diretores e Leis Municipais de Uso do Solo, sem prejuízo do disposto nos incisos do caput” , ou seja, essa previsão não obrigava os municípios a estabelecerem exatamente as mesmas dimensões da faixa de APP do inciso I; a lei municipal poderia,
já com base na redação anterior do § 10 definir faixas marginais distintas. A lei no 12.651 não padronizou as faixas de proteção ao longo dos cursos d’água, apenas estabeleceu a base mínima a ser observada em todo o território nacional. Em sendo assim, o que temos é uma determinação estabelecendo que, para áreas urbanas consolidadas, consoante a nova redação dada pela Lei no 14.285, para definir faixas distintas daquelas estabelecidas no inciso I do caput do artigo 4o da Lei no 12.651/2012, o legislador municipal deverá respeitar estrita observância ao que ficou definido nos novos incisos I, II e III. Não há como interpretar que a nova redação do § 10 elimina a exigência legal de se observar os parâmetros mínimos das faixas marginais de cursos d’água.

Não resta qualquer duvida que a intenção dos proponentes e defensores da proposta ora traduzida na Lei no 14.285 sempre foi remeter aos municípios competência plena, até mesmo para definir faixas inferiores ao que define o inciso I do caput do artigo 4o da Lei no 12.651/2012, contudo essa pretendida e indevida competência plena não encontra respaldo algum no novo texto do § 10.

Considerando que a competência legislativa dos estados só pode aumentar o grau de proteção estabelecido na legislação federal e que, consoante a determinação do Art. 24, § 4o da Constituição da República, a superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário, é possível deduzir, subsidiariamente, que qualquer faixa de APP de curso d’água definida em lei municipal que se mostre inferior a largura mínima estabelecida na lei no 12.651/2012 terá sua validade questionada.

A Lei no 14.285/2021 traz uma redação que amplia a insegurança jurídica e poderá acirrar conflitos já existentes e que, frente aos dispositivos vigentes, poderiam ser perfeitamente evitados. A insegurança frente ao texto da nova lei pode ter sido a motivação do envio de Oficio da Federação Catarinense de Municípios (FECAM) endereçado ao Conselho Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina, e que foi apreciado na sua 199a Reunião Ordinária, realizada no dia 04 de fevereiro de 2022. A deliberação do Conselho Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina, propondo a criação de um Grupo de Trabalho para avaliar preliminarmente as implicações da Lei n 14.285/2021 reforça essa percepção de insegurança jurídica com a redação da nova norma.

Relembrando todo o histórico da origem e tramitação do PL 2510/2019, de autoria do Deputado Peninha, não surpreende que o Conselho Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina evite emitir uma resposta direta a FECAM indicando a efetiva abrangência da nova lei; o destacável é o fato de o referido Conselho não respaldar de imediato que a nova lei confere aos municípios a reconhecida pretensão de estabelecer faixas marginais de cursos d’água, em áreas urbanas, inferiores ao mínimo determinado na lei no 12.651/2012.

 

PL do Veneno é aprovado na Câmara

PL do Veneno é aprovado na Câmara

PL do Veneno é aprovado na Câmara

Iniciaram os trabalhos de um novo Ano Legislativo em Brasília, mas a agenda contrária ao regramento, instituições e legislação que asseguram o cuidado ao meio ambiente segue no mesmo ritmo dos últimos anos, ou ainda mais rápido. Em regime de urgência, a Câmara dos Deputados aprovou o texto do PL 6299/2002 na última quarta-feira (09/02).

O projeto é chamado por ativistas de ‘PL do Veneno’ por uma boa razão: várias mudanças no processo para o registro de novos agrotóxicos estão previstas, além da redução dos critérios técnicos do processo de análise. Se sancionado, o PL pode também autorizar o uso de agrotóxicos comprovadamente cancerígenos em território nacional, como o paraquate.
Entre as consequências do PL do Veneno estão:

  • Retirada do poder de Veto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA) durante as análises;

  • Concessão de plenos poderes para a aprovação de novas substâncias ao Ministério da Agricultura, mesma pasta que registrou 1.589 novos agrotóxicos, mesmo com o veto do IBAMA e da ANVISA;
  • Substituição do termo agrotóxico por pesticida, sob a justificativa de uniformizar os termos e assemelhar a legislação brasileira a de outras nações. Na prática, as substâncias tóxicas ganharão um nome com menor impacto no imaginário da população;
  • Concessão de uma “aprovação temporária”de novas substâncias, caso os órgãos técnicos não concluam a análise no período previsto inicialmente;
  • Facilitação dos pesticidas e da importação e exportação de insumos;
  • Apresentação do conceito “risco inaceitável” para a proibição de substâncias.

Durante o discurso que precedeu a votação do PL, o relator, deputado Luiz Nishimori (PL/PR), declarou que a proposta representa’’modernidade”, viabilizando o uso de substâncias mais tecnológicas assegurando uma menor burocracia. Na prática, o texto promove uma desregulação irresponsável dos agrotóxicos, beneficiando grandes monoculturas em detrimento da saúde e segurança alimentar da população, além dos impactos aos recursos hídricos, cadeia trófica e à biodiversidade .

A aprovação se deu com 301 votos. Foram registradas duas abstenções e 150 votos contrários, sobretudo dos partidos de oposição. Nas próximas sessões deverão ser votados os “destaques” do texto, e então a proposta segue para análise do Senado, onde o PL já foi aprovado em 2016. Confira como votou cada deputado aqui.

‘Bancada do Câncer’ é como está sendo chamada a coalizão que lidera as negociações para a aprovação do PL 6299/2002. Foto: Observatório do Clima.

Combo da Morte

É assim que está sendo chamado um conjunto de projetos pendentes no Congresso, de interesse de bancada ruralista, dos latifundiários e daqueles que ocupam o Governo Federal. Entre eles, a anistia à grilagem e o desmonte das regras do licenciamento ambiental; que aguardam apreciação do Senado. Já sob a mesa da Câmara estão propostas como a liberação da caça de animais silvestres e agressões aos direitos de indígenas.

No Executivo, um Decreto está sendo preparado para mudar a forma como são concedidas licenças ambientais para obras de infraestrutura, repassando aos órgãos estaduais a competência de aprovar intervenções em portos, hidrovias, rodovias, ferrovias e usinas térmicas. Essa medida é vista como uma maneira de agradar bases e líderes políticos, justamente em ano eleitoral.

 

Agricultura familiar e orgânica é parte da solução

O ‘PL do Veneno’ ilustra a irresponsabilidade do governo e parlamentares com o solo brasileiro, desde a poluição da terra até o comprometimento da segurança daqueles que caminham sobre ela. A população, que vê aumentar o aumento da pobreza e o retorno do Brasil ao Mapa da Fome agora também assiste ao Legislativo comemorar a chegada de novos agrotóxicos no prato, na água e no ar.

O cenário merece ainda mais indignação quando se observa as características do Brasil, como a facilidade para a produção de múltiplas culturas, grande biodiversidade e recursos naturais, serviços ecossistêmicos que auxiliam no desenvolvimento das culturas. Outras formas de produzir alimentos já são realidade e têm grande potencial de crescimento, mas diferentemente das grandes monoculturas, não tem seus interesses ouvidos pelo Congresso.

A Apremavi sempre incentivou a viabilização da produção orgânica dos agricultores da região. Esse apoio vem desde suporte técnico às famílias até o empréstimo de veículos da organização para os produtores poderem participar de feiras orgânicas em outros municípios.

+ Confira no livro ’30 anos, 30 Causas’, o que fazemos para promover uma alimentação saudável.

Área de cultivo de hortaliças orgânicas em Atalanta (SC). Foto: Arquivo Apremavi. 

Autor: Vitor L. Zanelatto.
Revisão: Carolina Schäffer e  Miriam Prochnow.
Foto de capa: Arquivo Apremavi.

Representação questionando Código Ambiental de SC é encaminhada ao MP por Organizações da Sociedade Civil

Representação questionando Código Ambiental de SC é encaminhada ao MP por Organizações da Sociedade Civil

Representação questionando Código Ambiental de SC é encaminhada ao MP por Organizações da Sociedade Civil

No dia 07 de fevereiro de 2022, a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), com apoio de inúmeras outras organizações da sociedade civil (a Apremavi é uma delas), encaminhou ao Procurador Geral de Justiça do Estado de Santa Catarina representação (acesse o documento aqui) apontando a inconstitucionalidade da Lei nº 18.350, de 27 de janeiro de 2022, que alterou a Lei nº 14.675, de 2009, que “Institui o Código Estadual do Meio Ambiente e estabelece outras providências”.

Na representação, as organizações destacam ao Ministério Público de Santa Catarina, as principais mudanças promovidas no Código Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina que, na avaliação das mesmas, configuram determinações inconstitucionais e que conflitam com a lei especial da Mata Atlântica (Lei nº 11.428, de 2006).

Em Nota (leia abaixo), a RMA ressalta que as organizações manifestam sua preocupação frente a aprovação da referida lei, entendendo que as alterações legislativas promovidas degradam princípios caros à República, notadamente aqueles vinculados a supremacia do interesse público, a moralidade, a legalidade, a eficiência e a preservação de direitos fundamentais conexos a garantia constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Para Miriam Prochnow, conselheira da Apremavi, é um momento extremamente preocupante: “na verdade, é vergonhoso o fato de que esses retrocessos estejam acontecendo num período de emergência climática, quando todos os esforços deveriam estar sendo direcionados para a conservação e restauração do meio ambiente, única forma da humanidade superar esses desafios. De nada adiantam discursos bonitos, se na prática os fundamentos da chance de sobrevivência da espécie humana são destruídos”.

Em dezembro de 2021 a RMA já havia manifestado sua perplexidade diante de um processo assoberbado de mudança da legislação.

Código Ambiental de SC

Íntegra da Nota da RMA

Revisão do Código Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina

A Rede de ONGs da Mata Atlântica – RMA, em conjunto com um grupo de diversas outras entidades da sociedade, encaminhou ao Procurador Geral de Justiça do Estado de Santa Catarina representação face a aprovação e sanção da Lei nº 18.350, de 27 de janeiro de 2022, que alterou a Lei nº 14.675, de 2009, que “Institui o Código Estadual do Meio Ambiente e estabelece outras providencias”. Na representação as entidades destacam ao MP-SC as principais mudanças promovidas no Código Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina que, na avaliação das mesmas, configuram determinações inconstitucionais e que conflitam com a lei especial da Mata Atlântica (Lei nº 11.428, de 2006).

As entidades manifestam sua preocupação frente a aprovação da referida lei, entendendo que as alterações legislativas promovidas degradam princípios caros a República, notadamente aqueles vinculados a supremacia do interesse público, a moralidade, a legalidade, a eficiência e a preservação de direitos fundamentais conexos a garantia constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

As entidades signatárias ressaltam que o processo de revisão legislativa se deu com vícios insanáveis, havendo direcionamento indevido, privilegiando o atendimento de demandas de interesses econômicos privados de uma minoria em detrimento do interesse difuso da coletividade, e que, mesmo alertados sobre os problemas de legalidade já existentes na lei nº 14.675, de 2009, a aprovação da nova lei deixou de corrigir os problemas já existentes e criando novas determinações inconstitucionais, acirrando o conflito já existente. Durante a tramitação do PL deputados traziam como justificativa um argumento no mínimo questionável, o de que o Código Estadual do Meio Ambiente, aprovado em 2009, trouxe como “novidades” a redução das APPs e o conceito de área consolidada, possibilitando regularização e a manutenção de atividades agropecuárias e pesqueiras, com a posterior mudança na legislação federal. Destacam as entidades na representação ao MP-SC que muitas das últimas “novidades” da Lei nº 18.350, de 2022, ameaçam de maneira substancial a proteção do meio ambiente em Santa Catarina.

Alheios ao agravamento da crise ambiental decorrente da perda de diversidade biológica e do avanço dos eventos extremos decorrentes das mudanças climáticas globais, parlamentares e o governador de Santa Catarina ameaçam a defesa do interesse comum, hoje já tão comprometido no Estado com estiagens prolongadas, enxurradas catastróficas, escassez hídrica afetando diversas atividades econômicas e o abastecimento público, registros frequentes de vendavais, chuvas torrenciais com alagamentos gerando situação de calamidade pública, comprometimento do fornecimento de energia elétrica, dentre tantos outros prejuízos diretamente decorrentes da má utilização dos nossos recursos naturais.

Nesse contexto, brindar o Estado com um Código do Meio Ambiente que impede a Policia Ambiental de lavrar auto de infração ambiental, que amplia as possibilidades de licenciamento ambiental auto declaratório, que remete aos municípios competência para gestão florestal plena, que permite o corte de árvores isoladas, mesmo de espécies ameaçadas de extinção, que restringe a abrangência dos embargos, que institui o projeto dito conservacionista que tem como atividade central a exploração madeireira do pinheiro araucária, e ainda abrindo a possibilidade de ampliar essa exploração para todas as demais espécies madeireiras ameaçadas de extinção, dentre outras “novidades” trazidas pela nova Lei n 18.350, de 27 de janeiro de 2022, é visto como medida extemporânea, dissociada das reais necessidades de um Estado com relevante biodiversidade, dotado de paisagens naturais belíssimas, que detêm uma economia dinâmica e diversificada, mas que também sofre os efeitos nefastos das mudanças climáticas globais.

Santa Catarina é um Estado com enorme potencial para trilhar um caminho comprometido com os critérios de um modelo de desenvolvimento sustentável, e as mudanças promovidas nessa revisão do Código Estadual do Meio Ambiente indicam o oposto. As entidades autoras da representação ao MP-SC procuram sensibilizar as autoridades competentes para que as necessárias correções de rumo sejam garantidas. Procuram sensibilizar e mobilizar a sociedade civil para seguir buscando da administração pública seu efetivo compromisso com a defesa do meio ambiente equilibrado e a necessária observância de princípios constitucionais dos quais não pode se afastar.

Florianópolis, 07 de fevereiro de 2022.

Autora: Carolina Schaffer.

Araçá-amarelo, alimento garantido para os bichos!

Araçá-amarelo, alimento garantido para os bichos!

Araçá-amarelo, alimento garantido para os bichos!

O Araçá-amarelo, descrito cientificamente como Psidium cettleyanum Sabine, é uma árvore de pequeno porte presente desde o Rio Grande do Sul até Pernambuco, sobretudo na Floresta Ombrófila Densa da faixa litorânea. Pode ser encontrada com facilidade em pomares, na arborização das cidades e em plantios para a restauração de áreas degradadas.

É facilmente avistada em matas ciliares, terrenos úmidos e capoeiras. Os frutos, adocicados e ricos em vitamina C, são apreciados in natura ou em receitas, como sucos, doces, sorvetes e geléias. Na medicina popular, o chá das folhas é utilizado como antidiarréico e em banhos para aliviar as dores provocadas pela artrite e reumatismo. Cascas do tronco são utilizadas para estancar hemorragias em geral.*

Sua presença massiva na Mata Atlântica se dá sobretudo pelas características do fruto, que é fonte de alimento da avifauna e mamíferos. A consequente dispersão de espécies pela fauna dá origem a novas árvores, principalmente em áreas em estágios iniciais de regeneração.

Para a produção de novas mudas, como feito no Viveiro Jardim das Florestas, é necessário realizar a coleta de sementes diretamente do chão, condição que atesta o amadurecimento do fruto. É preciso realizar a remoção da polpa, sendo dispensável grandes cuidados, já que as sementes apresentam estrutura resistente. O uso de uma peneira e água corrente facilita o processo.

A semeadura pode ser feita diretamente, em recipientes individuais, ou em sementeiras, com posterior repicagem. Indica-se substrato organo-argiloso e irrigação diária, além da disposição das mudas em ambiente semi-sombreado.

Aspectos das folhas, galhos e frutos do Araçá-amarelo. Fotos: O Produtor Garden, Arquivo Apremavi.

Ficha Técnica

Nome científico: Psidium cettleyanum Sabine
Família: Myrtaceae
Utilização: como a madeira é resistente, pode ser empregada para a fabricação de cabo de ferramentas, carvão e lenha. Seus frutos são comestíveis, com potencial de utilização em diversas receitas, como geléias, sucos e sorvetes.
Coleta de sementes: diretamente da árvore ou no chão após a queda dos frutos.
Época da coleta de sementes: outubro a março.
Fruto: baga amarela, carnosa e com polpa suculenta esbranquiçada, contendo várias sementes reniformes com testa óssea.
Flor: branca, hermafrodita e polistêmone.
Floração: de agosto a dezembro.
Crescimento da muda: moderado.
Germinação: alta, emergência em 60 dias.
Plantio: mata ciliar, área aberta, solo degradado.

Exsicata de Araçá-amarelo (Psidium cettleyanum). Fonte: Programa REFLORA.

Fontes Consultadas

Jardim Botânico do Rio de Janeiro (ed.). Programa REFLORA/CNPq. Disponível em: http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/listaBrasil/. Acesso em: 03 mar. 2022.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. 5ª edição.

PROCHNOW, Miriam (Org.). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: APREMAVI, 2007.

*Informação Importante: Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações de profissionais habilitados.


Autor:
Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de Capa: Produtor Garden

No aniversário do MST, grupo de assentados visita a Apremavi

No aniversário do MST, grupo de assentados visita a Apremavi

No aniversário do MST, grupo de assentados visita a Apremavi

O grupo conheceu o Centro Ambiental Jardim das Florestas, a RPPN Serra do Pitoco e o PNM Mata Atlântica, além de diversas áreas restauradas em Atalanta.

Já ao desembarcar do ônibus, os visitantes foram apresentados as paisagens restauradas no entorno da sede da Apremavi, missão que deverá ser replicada no Assentamento Dom Pedro Casaldáliga, no município de Major Vieira, uma área ocupada no passado por plantações de pinus e que deverá servir para a prática de agricultura familiar pelos assentados.

Os visitantes aprenderam sobre coleta de sementes, a produção de mudas no sistema Ellepot e os cuidados necessários antes e após o plantio. Edegold Schaffer e Wigold Schaffer, coordenadores das atividades do viveiro, apresentaram diferentes configurações possíveis para um plantio com mudas nativas, visando a produção de alimentos, o manejo sustentável e o retorno econômico. Há décadas, áreas demonstrativas com espécies da Mata Atlântica economicamente valorizadas são implementadas pela Apremavi, que tem alguns dos seus experimentos bem-sucedidos publicados pelo WRI em 2021, confira aqui.

Além das tradicionais áreas destinadas à visitação, como o viveiro de mudas nativas, a ‘Trilha da Restauração’ e o mirante do Centro Ambiental Jardim das Florestas, o grupo esteve em uma área que adotou a metodologia de planejamento de propriedades e paisagens da Apremavi, criando um mosaico benéfico à produção agrícola e preservação ambiental.

+ Saiba mais sobre o Planejamento de Propriedades e Paisagens

“É uma excelente iniciativa, o grupo está exatamente no momento de realizar o planejamento geral do assentamento e incluir a adequação ambiental desde o início, com certeza trará um grande diferencial para o futuro das atividades na região”, avaliou Miriam Prochnow, conselheira da Apremavi.

Confira alguns registros da visita:

Registros da visita ao Centro Ambiental, viveiro e áreas restauradas na propriedade da Apremavi. Fotos: Miriam Prochnow.

Leandro de Lima, que é um dos integrantes do assentamento, disse: “Foi muito bom poder estar aqui, com quase 30 colegas. Observamos muitas atividades e inovações para preservar a Natureza. Vamos levar e aplicar no assentamento os muitos aprendizados sobre a proteção da água, dos animais e da floresta”.

Após o almoço, o destino foram as Unidades de Conservação de Atalanta: na RPPN Serra do Pitoco os visitantes conheceram parte do trajeto da nascente avistada na Trilha da Restauração. Já no PNM Mata Atlântica, descobriram as belezas das espécies nativas, com a Rainha-do-abismo (Sinningia macropoda), o Xaxim (Dicksonia sellowiana) e o Chal-chal (Allophylus edulis).

“Estamos voltando a Major Vieira conhecendo a Apremavi e suas atividades de perto. Essa parceria é muito importante e é gratificante ver a equipe empenhada em transmitir os conhecimentos muito valiosos para o que queremos fazer no assentamento”, destacou Osni Gorges, coordenador da Frente de Massas, ao final da visita.

Visita ao PNM Mata Atlântica e RPPN Serra do Pitoco, Unidades de Conservação em Atalanta (SC). Fotos: Vitor Lauro Zanelatto.

Olhar para o futuro

A Apremavi já apoiou o Assentamento Dom Pedro Casaldáliga com a elaboração do mapa de uso do solo e destacando as áreas que necessitam de restauração de acordo com o Código Florestal. Também já foram doadas algumas mudas, para a recuperação de espaços prioritários ao grupo. Inspirados pela visita em Atalanta, os assentados deverão realizar novas atividades para a restauração de áreas na comunidade.

Deverá ser debatido internamente como pretendem continuar com as ações futuras, que deverão integrar a campanha do MST para o plantio de 100 milhões de árvores, já apoiada pela Apremavi em outros assentamentos.

Registros de ações realizadas em assentamentos de Santa Catarina com apoio da Apremavi. Fotos: Arquivo Apremavi.

+ Conheça Jô Santin, liderança do MST SC, na série Mulheres que Restauram

38 anos do MST

O Movimento Sem Terra (MST) foi instituído em 22 de janeiro de 1984, em Cascavel, no interior do estado do Paraná, durante o 1º Encontro Nacional do MST.

No ano seguinte, durante o 1º Congresso Nacional do MST, os integrantes da classe trabalhadora camponesa definiram a sua principal estratégia de ação para os anos seguintes: a ocupação popular de terras improdutivas para Reforma Agrária. Atualmente, o MST é composto por 450 mil famílias assentadas e cerca de 90 mil famílias acampadas, organizadas em 24 estados brasileiros. Essas famílias estão organizadas por meio da agricultura familiar camponesa atuando em 1,9 mil associações comunitárias, 160 cooperativas e 120 agroindústrias, produzindo alimentos saudáveis para o campo e a cidade.

Recentemente, em reação ao aumento nos índices de pobreza no Brasil e avanço da pandemia de Covid-19, o MST doou mais de 6 mil toneladas de alimentos e mais de um milhão de marmitas para pessoas e famílias inteiras em situação de fome e insegurança alimentar em todas as grandes regiões do país.

Saiba mais sobre o Movimento Sem Terra aqui.

Informação importante: todas as normas e orientações necessárias de combate ao Coronavírus foram observadas durante a visita. #vacinasim #acreditenaciência

Autores: Vitor Lauro Zanelatto e Miriam Prochnow
Revisão: Carolina Schäffer 
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto

Indígenas da TI Morro dos Cavalos visitam a Apremavi

Indígenas da TI Morro dos Cavalos visitam a Apremavi

Indígenas da TI Morro dos Cavalos visitam a Apremavi

Conhecer os processos do Viveiro Jardim das Florestas e as metodologias de restauração aplicadas pela Apremavi foram alguns dos objetivos da visita em 17/01, assim como o alinhamento de sinergias e parcerias para o futuro.

Os representantes da Terra Indígena Morro dos Cavalos, de Palhoça (SC), foram recebidos no Centro Ambiental Jardim das Florestas, num café da manhã com prosa, alinhando os objetivos e o roteiro da visita. Miriam Prochnow e Wigold Schaffer, apresentaram a história da Apremavi e as atividades realizadas pela instituição.

O grupo seguiu para o viveiro de mudas, onde conheceram as estruturas, processos e a tecnologia utilizada para a produção de mudas Ellepot. Os aprendizados no viveiro deverão auxiliar no novo projeto em desenvolvimento na Terra Indígena. ‘Ka’aguy Mirim – Floresta Sagrada’ é uma iniciativa que pretende valorizar as tradições e a cultura indígena ao mesmo passo que proporciona a restauração de áreas degradadas.

Uma das ações previstas é a implantação de um viveiro de mudas nativas na Terra Indígena, para o fornecimento das mudas necessárias à restauração na área da comunidade; e que servirá também para a produção de espécies importantes aos rituais e celebrações da comunidade.

A líder Kereku, que coordena o projeto, informou que jovens e monitores que deverão participar ativamente das atividades, realizando a coleta de sementes para o viveiro e também para as mulheres que integram o grupo de artesanato da TI. O trabalho será acompanhado por dois técnicos,  responsáveis pela assistência necessária.

Registros da visita guiada na sede da Apremavi. Fotos: Wigold B. Schaffer

Próximos Passos

Entre as medidas previstas para o apoio ao projeto Ka’aguy Mirim – Floresta Sagrada está a realização de um estágio para um pequeno grupo de indígenas no viveiro da Apremavi, visando uma troca ainda mais intensa das técnicas necessárias para o funcionamento eficiente de um viveiro de mudas nativas.

Informação importante: todas as normas e orientações necessárias de combate ao Coronavírus foram observadas durante a visita. #vacinasim #acreditenaciência

Autores: Miriam Prochnow e Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Wigold B. Schaffer

Estudo identifica mais de 190 espécies de aves em Atalanta

Estudo identifica mais de 190 espécies de aves em Atalanta

Estudo identifica mais de 190 espécies de aves em Atalanta

 As observações em campo ocorreram em dezembro e foram conduzidas por especialista da avifauna da Mata Atlântica, a convite da Apremavi.

Avistar pássaros de diferentes tamanhos e cores, principalmente em áreas próximas de remanescentes florestais, como é o caso das pequenas cidades do Alto Vale do Itajaí (SC), e identificar a biodiversidade por trás das vocalizações, voos e movimentos ágeis dos pássaros de Atalanta foi o principal objetivo da visita do Biólogo Gustavo Malacco, que esteve trabalhando em diferentes áreas da cidade em dezembro de 2021. Entre as avistadas algumas são conhecidas das comunidades, como o bem-te-vi, o tucano e os bandos de jacus; já outros chamam atenção pelo canto exótico e cores vivas da plumagem.

Foram analisadas seis paisagens, abrigando diferentes ambientes: áreas de floresta, ambientes antropizados (pastagens, plantações, edificações, estradas e áreas degradadas); aquáticos (lagoas e taboas) e aéreo. Para a observação, foram aplicadas técnicas de playback, enfocando, principalmente, na vocalização de espécies de aves ameaçadas de extinção, raras, deficientes em dados e endêmicas.

 
Etapas para a identificação das espécies
Passo-a-passo realizado por especialistas para possibilitar a identificação das espécies. Painel: Arquivo Apremavi.

Durante as observações foram registradas 176 espécies. Também foram analisados os registros fotográficos de Wigold B. Schaffer, que documenta a aparição de aves em Atalanta há anos. Ao todo, 196 táxons foram identificados, o que representa cerca de 22% da avifauna ocorrente na Mata Atlântica e pouco mais de 27% da avifauna ocorrente no estado de Santa Catarina.

Além dos estudos em campo, também foi observada a bibliografia e outras pesquisas desenvolvidas no Alto Vale do Itajaí. Na cidade de Laurentino, por exemplo, ao longo de 15 anos foram registradas 315 espécies, ilustrando a riqueza e diversidades, com a presença de dezenas de táxons ameaçados de extinção e endêmicos. Confira na galeria algumas das espécies registradas:

Algumas das espécies avistadas em Atalanta. Fotos: Gustavo Malacco e Wigold B. Schaffer. 

Espécies ameaçadas de extinção

Registrou-se três espécies consideradas ameaçadas de extinção em campo, sendo: Spizaetus tyrannus (gavião-pega-macaco) e Saltator fuliginosus (bico-de-pimenta), ameaçadas em Santa Catarina, e Biatas nigropectus (papo-branco), ameaçada globalmente e em Santa Catarina, e também consta como quase ameaçada nacionalmente. Registros de espécies de aves em municípios limítrofes de Atalanta indicaram que algumas das 57 espécies que podem viver na região também estão em perigo. É o caso da Amazona vinacea (papagaio-de-peito-roxo) e Phibalura flavirostris (tesourinha-da-mata).

Gabriela Goebel, bióloga e técnica ambiental na Apremavi, destaca a importância das constatações: “Esse tipo de estudo evidencia a rica diversidade de espécies que temos em nossa região, com espécies inclusive ameaçadas de extinção. É essencial conhecê-las para que possam ser construídas estratégias para conservação das mesmas. Além disso, possibilita que mais pessoas conheçam e tenham um olhar mais atento para a incrível biodiversidade da nossa região e da Mata Atlântica como um todo”.

O especialista recomendou a continuidade de amostragens em Atalanta, buscando documentar outros táxons com potencial de ocorrência, como por exemplo Sporophila falcirostris (cigarra-verdadeira) e Sporophila frontalis (pixoxó), ameaçados nacionalmente.

Espécies não avistadas, mas com potencial de ocorrer na região. Fotos: WikiAves 

Aves como indicadores de qualidade ambiental

O estudo também resultou num importante insumo para os trabalhos da Apremavi na restauração e conservação de paisagens florestais na região: a identificação de espécies que indicam uma boa conservação do ambiente. Da lista inicial com 196 espécies, 59 podem ser consideradas indicadoras de qualidade ambiental. Isso pode ocorrer por diferentes motivos, como a necessidade por uma alimentação restrita (como insetos e outros pequenos invertebrados), pressão de caça sobre a espécie ou a especificidade de hábitat (vivem apenas em florestas bem conservadas).

Segundo Vitor Lauro Zanelatto, colaborador da Apremavi e estudante de Ciências Biológicas, a pesquisa deverá ser utilizada também em novas estratégias de conscientização e educação ambiental, evidenciando o impacto da restauração para toda a biodiversidade do ecossistema: “As informações do estudo são valiosas para nós, mostram não apenas o resultado da conservação da natureza, mas também os benefícios da restauração. Muitas das paisagens visitadas durante o estudo já foram campos degradados. Com mudas nativas, comprometimento e alguns anos para a regeneração, até mesmo aves ameaçadas de extinção já foram observadas. Isso é fantástico, inspirador!”

Sobre o pesquisador

Gustavo Malacco é Biólogo e mestre em Engenharia Florestal. Especialista na avifauna da Mata Atlântica, já realizou diversos estudos no bioma, identificando espécies e aconselhando medidas para a preservação da biodiversidade. Em Minas Gerais, liderou um projeto realizado pela ONG Angá, visando a reintrodução do bicudo (Sporophila maximiliani), ameaçada de extinção. Além de produzir um protocolo de reintrodução, a iniciativa atentou-se à morfologia, genética e, especialmente, monitoramento destas populações pós-soltura; sendo considerada exemplo para novas estratégias de reintrodução de populações da avifauna na Mata Atlântica.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Revisão: Carolina Schäffer.
Foto de capa: Wigold B. Schäffer.

Indicações para nutrir e afagar a mente

Indicações para nutrir e afagar a mente

Indicações para nutrir e afagar a mente

“A gente nem percebe, mas a cidade é a tela sobre a qual pintamos nossa trajetória. Uma tela imensa – que jamais foi branca – e que vamos lentamente colorindo, pintando de maneira própria o cinza e as outras tonalidades que lá já estavam. Deixamos marcos únicos através das lembranças do cotidiano, do que vivemos na insignificante existência. Enquanto estamos expostos ao imprevisível que nos proporciona o exterior, abrimos brechas para que a cidade se embrenhe na nossa história”  Marina Harkot

A recém iniciada rotação em torno do Sol traz consigo oportunidades de mudança e reconciliação. A vacinação contra à Covid-19, essencial para a superação da pandemia, é realidade em todos os municípios do país, trazendo a esperança de encontros e sorrisos presenciais com segurança. Neste ano os brasileiros também irão às urnas, com o desafio primário de defender a democracia brasileira e a própria sociedade, ferida e sangrando através dos sucessivos retrocessos ambientais pelo pior governo instalado no regime democrático.

Memórias recentes da angústia, medo e dor que acometeram a população nos últimos meses colaboram – e seria estranho o contrário – para que a esperança seja ainda mais volátil, efêmera. Para que seja possível acreditar e defender o futuro de progresso, sustentabilidade e diversidade, é preciso defender antes a si mesmo: priorizar o autocuidado, identificar suas potencialidades e conhecer suas limitações; buscar conhecimento e inspiração, mas também ser gentil e reabilitar corpo e mente.

Para ajudar a nutrir a esperança e a força necessária para participar da (re)construção que a conjuntura demanda, a Apremavi selecionou uma série de conteúdos. Há indicações para os íntimos da leitura, fãs de podcasts e para aqueles que gostam de “maratonar” na Netflix.  Seguimos esperançando e defendendo o futuro na linha de frente em 2022.

 

# Ler e buscar inspiração

Justiça Climática
O respeitado livro de Mary Robinson, primeira presidente da Irlanda e enviada especial da ONU para mudança climática, chegou ao Brasil através de uma edição viabilizada pelo Instituto Alana e LACLIMA. Muitas vozes apresentam relatos comoventes e reais dos efeitos da mudança climática na vida. Regimes de chuvas imprevisíveis, enchentes, tsunamis, furacões, colheitas perdidas e florestas incendiadas: o fenômeno da alteração do clima no planeta Terra é verdadeiro e avassalador. Mas esse é um livro sobre esperança e resiliência. Demonstra o grande poder da troca, do diálogo e do encontro, e mostra como empatia, ações individuais e locais podem se tornar exemplos de quais caminhos seguir para ter um mundo mais justo e sustentável. Neste ano Mary foi entrevistada no programa Roda Viva, e apresentou sua análise sobre a atual conjuntura. Confira aqui.

Tuíra #03
A terceira edição da revista publicada pela Escola de Ativismo é um afago à pluralidade de nosso país e aos diálogos que as juventudes estão liderando. A abertura, assinada por Ailton Krenak dá sequência a textos sobre as consequências da pecuária industrial, saúde mental e espiritualidade. Além de ideias, é possível conhecer alguns dos ativistas que estão construindo movimentos e lutas em prol do progresso e justiça socioambiental. As páginas desta edição também guardam uma justa homenagem à socióloga, mestre em Arquitetura e Urbanismo e cicloativista Marina Kohler Harkot, que faleceu em 2020, após ser atropelada enquanto pedalava em São Paulo. Marina colaborou com a Escola de Ativismo e pesquisava mobilidade ativa, sendo este o tema de sua tese de Mestrado.
O ebook da Tuíra #03 está disponível aqui.

 

A Cidade Inteligente
Evgeny Morozov e Francesca Bria unem suas produções acadêmicas para propor um diagnóstico sobre a atuação das Big Techs nas cidades, publicizando ganhos em segurança, sustentabilidade e na economia. As ‘smart cities’ programadas e munidas das mais avançadas máquinas para coleta de dados e controle dos indivíduos colocam em ameaça agendas emancipatórias e a autonomia da participação dos cidadãos nas decisões sobre a cidade. Publicado pela Editora Ubu em 2019.

Saberes da Restauração
Em 2021 o Pacto Pela Restauração da Mata Atlântica promoveu uma formação para membros das organizações que integram a coalizão, ministrando aulas e palestras sobre os diversos elementos necessários para que a restauração de paisagens seja feita com eficiência, sustentabilidade e ganhe escala.  Agora, a população também pode acessar e aprender e conhecer as discussões sobre a cadeia da restauração na Mata Atlântica. Os ebooks com a síntese da formação Saberes da Restauração estão disponíveis aqui.

 

# Assistir, se identificar e questionar

Não Olhe Para Cima
(Don’t Look Up)

Com estreia no último dez de dezembro, o sucesso quase imediato do filme pode ser atribuído ao elenco de peso e, principalmente as sátiras apresentadas ao longo do roteiro, que apresenta dois astrônomos de baixo escalão tentando alertar a humanidade sobre um asteroide que destruirá a Terra, enquanto encontra desserviço das mídias, manipulação do Estado por grandes indústrias e a inação ante aos desastres em favor do status quo. Embora o filme possa trazer lembranças de discursos negacionistas sobre a pandemia, não foi esta a principal inspiração para o roteiro. A negação de diagnósticos científicos e inação dos governos ante a emergência climática faz justiça à consternação de ativistas climáticos de todo o mundo que buscam a substituição de discursos moderados por medidas efetivas há décadas. Disponível na Netflix.

Fungos Fantásticos
(Fantastic Fungi)

Esse documentário convida para uma nova visão do reino dos fungos, a partir de uma visão biológica generalista, capacidades dos organismos e dos potenciais que estes seres vivos apresentam para novas soluções baseadas na natureza. Tem efeitos e imagens espetaculares de crescimento e decadência e depoimentos de caçadores de fungos, que exploram florestas em busca de novas espécies ou simplesmente de cogumelos para uma refeição. Disponível na Netflix.

Solo Fértil
(Kiss The Groud)

A agricultura regenerativa é uma das soluções que devem ser exploradas de forma sistêmica para promover o equilíbrio do planeta. Neste documentário, ativistas, especialistas e produtores exploram através de suas próprias experiências os caminhos para que as práticas naturais e orgânicas sejam projetadas para reverter os danos causados pela monocultura. Disponível na Netflix.

O Dilema das Redes
(The Social Dilemma)

Qual controle você de fato tem sobre suas ações no ambiente digital? Com quem e como seus dados pessoais, valiosos a grandes corporações, são compartilhados?  Esse documentário apresenta algumas das estratégias utilizadas pelas empresas de tecnologia para manter os usuários cada vez menos conectados e subservientes à predação de dados pessoais. Essas informações podem ser exploradas em campanhas de marketing, no mais inofensivo dos cenários, ou no ataque à democracia, manipulando campanhas eleitorais e colaborado na disseminação de fake news.  Disponível na Netflix.

 

# Ouvir o Brasil e desacelerar

Emicida – Amarelo
O mais recente álbum do rapper brasileiro Emicida apresenta ao mundo a diversidade e as contradições de um Brasil que se apresenta como diverso, mas pouco faz para valorizar a diversidade de seu povo. Entre preces e denúncias, as faixas apresentam colaborações de artistas como Fernanda Montenegro, Zeca Pagodinho, Majur e Pabllo Vittar, e representações dos versos de Belchior e do poema Ismália, do simbolista Alphonsus Guimarães. Está disponível no Spotify e demais agregadores de música. Além disso, um especial da Netflix apresenta o processo de gravação e a apresentação icônica realizada no Theatro Municipal de São Paulo.

Roda Viva – Txai e Almir Suruí
O respeitado programa de entrevistas da TV Cultura recebeu em 29 de novembro de 2021 Almir Suruí, reconhecido internacionalmente por denunciar o desmatamento na Amazônia e buscar alternativas sustentáveis para a floresta. Almir dividiu o centro do estúdio com sua filha, Txai Suruí, responsável por representar os povos indígenas através de um potente discurso na cerimônia de abertura da COP26 e alvo de ataques da extrema-direita brasileira por conta do seu trabalho em defesa dos direitos dos indígenas. A gravação do episódio está disponível em vídeo, no YouTube, e como podcast, no Spotify e outros agregadores.

Gilberto Gil – uma obra de resistência
A obra de Gilberto Gil oferece um caminho sempre atual e revigorante para quem peregrina em busca da fraternidade e justiça. Suas canções são reflexos de uma atuação combativa em prol da cultura popular e da própria população brasileira, exprimindo em sua arte as mazelas e cicatrizes do país. No último ano lançou ‘Refloresta’, canção concebida para a divulgação da necessidade da restauração e conservação florestal, em parceria com o Instituto Terra, de Lélia e Sebastião Salgado. Escute aqui.

Duda Beat – Te Amo lá Fora
O mais recente álbum da cantora pernambucana mantém as letras com a “sofrência” por amores não correspondidos que promovem identificação e reflexões entre as linhas das composições. As melodias com ritmos tradicionais e populares brasileiros são incorporadas em mixagens modernas, criativas e representativas da cultura nacional.
Disponível no Spotify e demais plataformas.

 

# Visitar  – Unidades de Conservação

Parque Natural Municipal da  Mata Atlântica | Atalanta – SC
A Unidade de Conservação foi criada em 2000, e destaca-se pela beleza cênica das paisagens, proximidade das cidades e fácil acesso às trilhas, que apresentam baixa dificuldade. Os principais atrativos do parque são a cachoeira Perau do Gropp, com 41 metros de queda, e a cascata Córrego do Rio Caçador, com 18 metros de altura. O acesso até a cachoeira e a cascata é feito pela Trilha da Lontra que tem aproximadamente 1.000 metros de extensão. Durante a caminhada os visitantes podem observar os paredões rochosos cobertos por samambaias, avencas e musgos, além de terem a oportunidade de conhecer algumas espécies nobres da Mata Atlântica como o cedro (Cedrella fissilis), a canela sassafrás (Ocotea odorifera) e o xaxim-bugio (Dicksonia sellowiana). Saiba mais aqui.

 

Parque Municipal Lagoa do Peri | Florianópolis – SC
O Parque Municipal da Lagoa do Peri é um dos principais destinos para quem está em Florianópolis e busca contato com a Mata Atlântica. É berçário de animais típicos, como a Lontra e o Macaco-prego. E até aves ameaçadas são encontradas, como é o caso da Gralha-azul. É a maior lagoa de água doce da costa catarinense. São 5,2km² de extensão; 11m de profundidade, suas águas não são afetadas pelas oscilações da maré, pois está a cerca de 3m acima do nível do mar. A área em volta da lagoa tem mata e trilhas belíssimas que levam a cachoeiras e antigos engenhos coloniais.  Saiba mais aqui.

Reserva Natural Guaricica | Antonina – PR
É fruto do trabalho de restauração da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) em áreas de paisagens na cidade de Antonina. As visitas, que ocorrem sob agendamento, possibilitam sentir o ar puro e os perfumes da mata, ao ouvir as aves e ver os vestígios da fauna que retornaram com a segurança de uma área protegida e ao ouvir as histórias de vida dos colaboradores que atuam na reserva. A floresta protege animais da Mata Atlântica, sedia projetos de pesquisa e atividades de educação ambiental. Saiba mais aqui.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Revisão: Miriam Prochnow.

Força e esperança para começar 2022

Força e esperança para começar 2022

Força e esperança para começar 2022

Iniciamos um novo ano de trabalho na Apremavi com esperança e força. Esperança em participar da construção de um ciclo repleto de flores e conquistas, que nossas mudas nativas e missão encontrem ainda mais áreas para germinar e crescer.

A força servirá para manter o ativismo diuturno, sobretudo para a proteção da legislação ambiental. Seguiremos vigilantes e presentes, participando do debate, fornecendo informações precisas, baseadas na ciência, defendendo a participação da sociedade civil nos debates.

Nosso compromisso em propor soluções sustentáveis e ajudar na restauração e conservação de todas as formas de vida se renova com a chegada do novo ano. Contamos com a sua ajuda para que 2022 seja marcado pela conservação dos ecossistemas, pela proteção da biodiversidade, pelo combate aos retrocessos, fakenews e negacionismo e por ações concretas em prol do futuro.

Centro Ambiental Jardim das Florestas, Atalanta (SC). A sede da Apremavi é um dos sonhos que transformaram-se em conquistas graças à união e parcerias de sucesso. Foto: Wigold B. Schaffer.

 

35 anos de atuação

No próximo dia 09 de julho a Apremavi completará 35 anos de fundação. A inovação, constante ao longo desses anos, e a responsabilidade ao superar os muitos desafios que surgiram ao longo do tempo também oportunizaram os espaços ocupados no presente: em iniciativas de impacto em prol da restauração e conservação da Mata Atlântica, em grandes eventos e discussões sobre o futuro do planeta e no coração de milhares de parceiros, que ajudam a sonhar e fazer a diferença. Por outro lado, o propósito que reuniu os fundadores da Apremavi há 35 anos não se modificou, mas foi fortalecido e ampliado, em parte porque os desafios superados mostraram que a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida era, além de importante para a defesa das florestas do Alto Vale do Itajaí (SC), essencial para a preservação da vida humana.

O desenvolvimento das mudas nativas no VIveiro Jardim das Florestas ilustra essa história, que continua sendo escrita a cada ação ativista. Confiamos em nossas raízes, originadas na semente de 1987, e estamos crescendo, um processo contínuo de superação dos ventos desafiadores e produção de novas sementes de esperança; como uma das milhões de árvores que plantamos ao longo desse tempo.

Durante este ano serão lançados conteúdos, projetos e oportunidades para que o aniversário da Apremavi seja celebrado. Acompanhe as mídias da Apremavi para participar destes momentos e ajudar a construir os próximos 35 anos!

Logomarca comemorativa aos 35 anos de fundação da Apremavi.

 

Autor: Vitor L. Zanelatto.
Revisão: Carolina Schäffer.

Retrospectiva do ano: 2021 um ano de cultivar sementes

Retrospectiva do ano: 2021 um ano de cultivar sementes

Retrospectiva do ano: 2021 um ano de cultivar sementes

No nosso imaginário nós já sabíamos, mas agora que 2021 vai chegando ao fim podemos dizer com a triste certeza que ele se soma aos anos anteriores e fica marcado por um cenário de inseguranças sociais, políticas, sanitárias, ambientais…

Ao longo do ano a sociedade civil reuniu esforços para garantir a integridade da legislação ambiental, mas as boiadas que passaram foram muitas. Desde o fim do licenciamento, aos acordos para alteração no Código Florestal sobre áreas protegidas urbanas, o surgimento de mais um Projeto de Lei que quer liberar a caça no Brasil e, mais recentemente, a aprovação do PL 0472.7/2021 e a destruição do Código Ambiental de Santa Catarina.

Além do ativismo intermitente, na Apremavi o mão-na-massa segue fazendo parte da nossa realidade diária. Muitas atividades ainda se mantiveram em ambientes virtuais em razão da pandemia, mas dos nossos dias de campo veio o resultado esperado: milhares de árvores plantadas, centenas de hectares restaurados, várias propriedades planejadas sob a perspectiva ambiental e muitas pessoas envolvidas. E claro, essa semente de transformação nasceu no Viveiro Jardim das Florestas, que produziu mais de meio milhão de mudas nativas.

Aqui listamos alguns destaques para você relembrar 2021 com a gente.

Restaura Alto Vale chega ao fim sendo premiado pelo Estado

Projeto executado pela Apremavi desde 2018, com patrocínio do BNDES, chega ao fim com 320 hectares de áreas degradadas restauradas, mais de 400 mil mudas de árvores nativas doadas e orientação para a adequação ambiental de mais de 700 propriedades em 34 municípios de Santa Catarina.

Além de ser visto no diálogo com os parceiros, o reconhecimento de sucesso do projeto também veio o recebimento do Prêmio Fritz Muller, oferecido pelo Estado de Santa Catarina a empresas e organizações que desenvolvem projetos em prol do meio ambiente no Estado.

Um outro legado do projeto é o lançamento da animação “A restauração transforma paisagens e pessoas”, produzida pela Apremavi na #DécadaDaRestauração com o propósito de mostrar para as crianças e jovens o poder transformador da restauração.

A animação “A restauração transforma paisagens e pessoas” está disponível no Canal Youtube da Apremavi.

Mulheres que Restauram compartilha histórias emocionantes

Este ano lançamos a primeira temporada da Série Mulheres que Restauram, criada para divulgar histórias de mulheres protagonistas na restauração e planejamento de propriedades e paisagens, como forma de conscientizar a sociedade sobre a importância da ação das mulheres no combate à crise climática e no fomento ao plantio de árvores nativas e a recuperação de áreas degradadas.

Ao todo, foram 6 episódios lançados. O episódio de estreia foi ao ar no Dia da Terra, com a história de Ercília Felix Leite. O segundo episódio, lançado no dia 24 de setembro, trouxe a história de Dona Helena. O terceiro episódio compartilhou a trajetória de Edilaine Dick no dia 13 de outubro. O quarto episódio, lançado no dia 28 de outubro, lançou a história de Josefa Machado Neves. No quinto episódio, que estreou no dia 22 de novembro, a série compartilhou a história da indígena Olinda Yawar. E por fim, no solstício de verão, lançamos a história de Jô Santin, agricultora do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. 

Mulheres que Restauram é uma iniciativa da Apremavi na Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas, com apoio do GT de Gênero e Clima do Observatório do Clima.

Acesse a playlist e assista aos seis episódios da primeira temporada da Série Mulheres que Restauram.

Restauração e conservação andam juntas

A conservação e a restauração de florestas são fundamentais para o combate à crise climática e a manutenção do fornecimento de serviços ecossistêmicos, que são essenciais para a saúde, a igualdade social e o desenvolvimento sustentável dos seres humanos.

E as duas coisas não funcionam separadas. Para maximizar os benefícios oferecidos pelas florestas, precisamos manter intactos os remanescentes de floresta nativa, conservar a biodiversidade, impulsionar a regeneração e restaurar as áreas que costumavam ter floresta.

Essa série foi criada pela Apremavi para mostrar que os dois processos são colaborativos e complementares e se pensados de forma conjunta, mais eficientes.

Conservação e Restauração andam juntas

Cinco banners ilustram porque a conservação e a restauração andam juntas, veja todos eles aqui.

Esperamos que as nossas sementes de esperança permaneçam com você em 2022 e além. Feliz virada de ano!

Autora: Carolina Schäffer.

Assembleia Legislativa de SC passa a boiada e destrói Código Ambiental

Assembleia Legislativa de SC passa a boiada e destrói Código Ambiental

Assembleia Legislativa de SC passa a boiada e destrói Código Ambiental

DA REDE MATA ATLÂNTICA | Sobre a Aprovação do PL 0472.7/2021 – Código Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina

Na noite do dia 21 de dezembro de 2021 a Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou, sem um único voto contrário, apenas registro de 3 abstenções, o PL 0472.7/2021, que altera a Lei n 14.675, de 2009, que “Institui o Código Estadual do Meio Ambiente e estabelece outras providencias.

O PL foi fruto do trabalho de uma Comissão Mista Especial, a qual direcionou a determinados setores da sociedade e do governo estadual uma solicitação para apresentação de sugestões para aprimoramento da lei estadual. Esta Comissão estabeleceu um cronograma de 8 audiências públicas, as quais ocorreram no curto intervalo dos dias 28 de outubro e 18 de novembro, sendo que a última delas, prevista para ser realizada em Florianópolis, foi inexplicavelmente transferida de ultima hora para a cidade de Joinville. No período das audiências a Comissão não havia ainda concluído o trabalho, de sorte que nelas não foi apresentado e debatido o PL que seguiu para votação no dia 21 de dezembro.

O direcionamento indevido, a falta de publicidade e de discussão previa do PL, a deliberada exclusão de setores importantes para a temática ambiental, como a comunidade acadêmica e organizações ambientalistas, a inclusão do PL para apreciação na 129 sessão legislativa ordinária de 21 de dezembro, a qual continha na Ordem do Dia 40 projetos para votação, são fatores que por si só revelam o quão comprometido ficou este processo de revisão de uma norma extensa e de grande relevância para a sociedade catarinense.

O modo atropelado com que se deu o processo ficou explicitado quando o Deputado Jose Milton Scheffer solicitou inversão de pauta para antecipar a votação do PL 0472.7/202, pelo adiantado da hora, e mais ainda quando o Deputado Silvio Drevek, logo que foi aberta a discussão do PL, informa que “precisa entender melhor a proposta, ter conhecimento da mesma”. Ou seja, mesmo para os deputados o prazo para conhecimento e avaliação da proposta foi exíguo. Ao tentar esclarecer o Deputado Milton Hobus destaca que este é um projeto de grande importância, que vai mudar Santa Catarina, e que a legislação ambiental não pode ser um “entrave para o desenvolvimento”. Complementa a fala dizendo que o PL traz avanços históricos, citando como exemplos a licença autodeclaratória e o projeto preservacionista da araucária, ressaltando que este é um projeto do legislativo.

E a sequência dos debates apenas confirmou isso, com falas genéricas ressaltando a importância do processo e parabenizando o trabalho da Comissão Mista Especial. O Deputado Cobalchini, demonstrando completo desconhecimento da legislação, argumenta que, caso prevalecesse no Estado a Lei da Mata Atlântica, Santa Catarina viraria uma grande APP, e que o PL avança muito na preservação, inclusive das espécies ameaçadas de extinção, defendendo que o proprietário que tenha mais de 20% de sua área preservada merece receber um prêmio. Para o ele o referido prêmio seria a possibilidade de desmatar o excedente. Deputado Fabiano da Luz, que foi membro da Comissão Mista Especial, parabeniza a excelência do trabalho da mesma, defendendo que a lei precisa mudar para agilizar licenças ambientais. Justifica sua abstenção na votação como argumento de que não aprovar o PL é posicionar-se contra o pequeno proprietário rural. Deputado Ivan Naatz afirma que com a aprovação do PL o Estado de Santa Catarina passa a se consolidar como “marco nacional na pauta ambiental”, e o Deputado Jose Milton Scheffer afirma que com a aprovação do PL teremos em Santa Catarina a lei mais atual do país, e que servirá para inspirar outros estados, avaliando que o licenciamento ambiental por compromisso vai acelerar a economia, trazendo grande contribuição para o Estado.

Não obstante os elogios, poucos pontos de mérito das mudanças propostas chegaram a ser debatidos. Das emendas apresentadas apenas a que tentava manter a competência da Policia Ambiental para realizar autuação de infrações ambientais foi defendida pelo Deputado Cel. Mocelin. Sem maior aprofundamento no debate a emenda foi rejeitada.

A despeito das falas desconexas dos deputados, a proposta deixou de corrigir falhas graves do Código Estadual do Meio Ambiente e inseriu mudanças que tornam o mesmo ainda mais frágil e questionável sob vários aspectos. A seguir destacamos algumas das disposições do texto aprovado que fragilizam enormemente a política ambiental no Estado:

  1. A Polícia Militar Ambiental – PMA, teve suas atribuições relativas a infrações ambientais limitadas a emitir Notificação de Fiscalização e encaminhá-lo ao IMA ou órgão ambiental federal ou municipal responsável pela instrução do correspondente processo administrativo, conforme o caso; não poderá emitir auto de infração.
  2. Equívocos técnicos e ilegalidades já constantes da versão anterior do Código não foram corrigidos, como a definição de campos de altitude, que em Santa Catarina, arbitrariamente e sem qualquer fundamentação técnica ou legal, passam a ser considerados tão somente para esta tipologia vegetacional os campos que estejam em locais acima de 1.500 (mil e quinhentos) metros. Essa previsão conflita com a definição já estabelecida pela Lei da Mata Atlântica, e assim, segundo o § 4º do Art. 24 da CF de 88, deveria ter sua eficácia suspensa.
  3. Pelo novo texto novas atividades de utilidade pública e de interesse social poderão ser definidas no âmbito do processo de licenciamento ambiental. A nova previsão gera conflito direto com o disposto na Lei Federal nº 12.651 de 2012, que remete especificamente a ato do Chefe do Poder Executivo federal esta competência. A nova previsão gera elevado grau de insegurança jurídica.
  4. O texto aprovado altera o critério para caracterização da pequena propriedade ou posse rural, passando a considera para tal a área que integra cada título de propriedade ou de posse, ainda que confrontante com outro imóvel pertencente ao mesmo titular. Essa previsão abre a possibilidade de desmembramentos, viabilizando que qualquer proprietário rural, mesmo um latifundiário, se torne um “pequeno proprietário rural”.
  5. Ao prever que o licenciamento ambiental independe da emissão da certidão de uso, parcelamento e ocupação do solo urbano emitida pelos Municípios, bem como de autorizações e outorgas de órgãos não integrantes do SISNAMA, o texto aprovado deixa de observar o princípio constitucional da eficiência. Suprimir estas exigências pode comprometer o processo de licenciamento, ou mesmo anulá-lo, com prejuízos para o empreendedor.
  6. O licenciamento ordinário através da Licença Ambiental por Compromisso (LAC), passa agora a ser concedido eletronicamente, para atividades que sejam enquadradas, cumulativamente, como de pequeno ou médio porte e de pequeno ou médio potencial poluidor degradador. O comprometimento da garantia constitucional de um ambiente equilibrado e saudável fica certamente ampliado com tal previsão, considerando que com o modelo até hoje vigente, com avaliação prévia do órgão ambiental competente, já se registra grande número de problemas nos processos de licenciamento.
  7. Pelo texto aprovado teremos agora a figura das atividades estratégicas para análise de licenciamento ambiental, incluindo dentre elas as atividades agrossilvopastoris, e a construção de silos ou similares para armazenagem de grãos. A caracterização destas atividades como estratégicas, além de infundada, revela o grau de direcionamento indevido observado no processo de revisão da lei, com claro privilégio a setores específicos. Isso é ainda reforçado com a caracterização como de interesse social das atividades rurais de produção de gêneros alimentícios, vegetal e animal; e aquelas relacionadas à apicultura.
  8. O texto aprovado altera a lei federal de Crimes Ambientais, prevendo agora que, quando ocorrer corte de vegetação, sem a devida autorização ambiental, em área passível de corte, o mesmo poderá ser compensado em outra área. Necessário lembrar o corte de vegetação, sem a devida autorização, caracteriza crime ambiental, com penalidades já previstas na lei federal. Mais um ponto de ampliação da insegurança jurídica.
  9. A Lei Estadual já tinha problemas de legalidade quando adentrava na definição de vegetação primária e secundária, competência expressamente remetida ao CONAMA pela lei da Mata Atlântica. O problema foi ampliado no novo texto, que agora altera também os critérios de avaliação dos estágios sucessionais da vegetação secundária.
  10. Outro vicio de legalidade insanável é detectado no texto quando o mesmo prevê que fica autorizado, mediante declaração e acompanhamento técnico por profissional habilitado, o uso alternativo do solo em áreas rurais consolidadas conforme declaradas no Cadastro Ambiental Rural- CAR, bem como a supressão vegetativa de espécies nativas, desde que não gerem material lenhoso. Conforme a Lei da Mata Atlântica, mesmo a vegetação secundária em estágio inicial precisa de autorização para supressão. Contudo o problema é mais sério, pois dentre as tipologias vegetacionais que integram a Mata Atlântica em Santa Catarina, encontramos formações não lenhosas, como os Campos de Altitude e a restinga herbácea-subarbustiva, por exemplo. O texto aprovado permite entender que nestes casos, independente de tratar-se de vegetação primária ou secundária, a supressão já estaria autorizada.
  11. Esse conflito é repetido, prevendo a nova lei que o uso alternativo do solo, em áreas rurais consolidadas, que não geram material lenhoso para sua supressão e ou conversão, não necessitam de autorização de supressão vegetativa, desde que comprovadas através de declaração técnica de Uso e Ocupação do Solo, emitida por profissional habilitado.
  12. Ao prever a permissão de supressão de árvores isoladas de espécies nativas, constante ou não da listagem de espécies ameaçadas de extinção, o texto aprovado não apenas gera conflito com a Lei da Mata Atlântica como também com a própria constituição da República. Se uma espécie esta reconhecida como ameaçada de extinção, por força de determinação constitucional, o Poder Público é incumbido de protege-la, coibindo medidas que possam provocar a extinção da espécie (Art. 225, § 1º, VII, da CF-88). O texto aprovado faz o inverso, atuando o Estado para agravar o risco de extinção.
  13. Ao prever que a regularização ambiental promovida pela adesão ao PRA admitirá a substituição das atividades atualmente realizadas, o texto conflita com a lei federal 12.651 que fala em manutenção das atividades, não abrindo assim margem para sua substituição.
  14. Outro conflito com a lei federal 12.651 surge quando o texto traz a previsão de que não são consideradas APPs, as áreas cobertas ou não com vegetação nas faixas marginais de cursos d’água não naturais, devido à realização de atividades de canalização, tubulação ou incorporação de cursos d’água a sistemas produtivos ou de drenagem urbana ou rural. A lei federal prevê como APP as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente, excluídos os efêmeros. Ou seja, a norma nacional expressamente definiu as possibilidades de exclusão, limitando-a aos cursos efêmeros. Temos assim outra previsão que tende a gerar maior conflito e insegurança jurídica.
  15. O texto aprovado retrocede ao patrimonialista Código Florestal de 1934, alterando o regime de APP, condicionando a definição de novas APPs “à prévia e justa indenização dos proprietários ou possuidores dos imóveis abrangidos”.
  16. O texto prevê que as medidas das faixas de proteção poderão ser modificadas no âmbito do PRA, em razão das peculiaridades territoriais, climáticas, históricas, culturais, econômicas e sociais da região onde está situado o imóvel a ser regularizado, mediante recomendação técnica, e também que os Municípios poderão, através do Plano Diretor ou de legislação específica, delimitar as áreas urbanas consolidadas em seus respectivos territórios, disciplinando os requisitos para o uso e ocupação do solo e estabelecendo os parâmetros e metragens de APPs a serem observados em tais locais. Tais previsões do Código Estadual geram conflito direto com lei 12.651 que, em seu Art. 4º, estabelece as delimitações de Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, e mesmo para a regularização ambiental mediante adesão ao PRA, já determina extensões mínimas que deverão ser recuperadas, não cabendo sua modificação no âmbito do PRA.
  17. Ampliando os conflitos com a Lei 12.651, o texto aprovado passa a determinar que mediante requerimento do proprietário, o órgão ambiental competente autorizará a realocação da Reserva Legal existente no imóvel para outra área, e ainda, que o PRA poderá estabelecer outras formas de cumprimento das obrigações relativas à Reserva Legal. A excepcionalidade vira regra na legislação catarinense.
  18. Outra grave falha da lei catarinense que deixou de ser corrigida na revisão é a previsão de que unidades de conservação somente poderão ser criadas por intermédio de lei. Tal dispositivo confronta a previsão do Art. 225, § 1º, III, da CF-88. A incumbência de criar espaços protegidos é remetida ao Poder Público, não restrito, portanto, ao Poder Legislativo.
  19. A instituição do chamado Projeto Conservacionista da Araucária (PCA), dedicado a reversão do processo de extinção da espécie Araucária angustifolia (Pinheiro Brasileiro) no território Catarinense é de uma ilegalidade e contradição monstruosas. Segundo o texto aprovado o manejo florestal sustentável (leia-se corte de pinheiro em remanescente natural) é a atividade central do Projeto Conservacionista da Araucária (PCA), constituído pela administração planejada e não degradante do uso dos recursos florestais, com base em técnicas científicas consolidadas. O Poder Público é incumbido de proteger a flora, vedando praticas que possam provocar extinção de espécies (Art. 225, § 1º, VII, da CF-88). A Araucaria angustifolia é uma espécie constante da lista oficial de espécies da flora ameaçadas de extinção, e a proposta do Projeto Conservacionista da Araucária (PCA) tão somente propõe a abertura do manejo florestal sustentável como atividade central. O Art. 11 da lei 11.428 (Lei da Mata Atlântica) estabelece que mesmo o corte da vegetação primária ou secundaria nos estágios avançado e médio ficam vedados quando a mesma abrigar espécie da flora ameaçada de extinção. Isso significa que mesmo o corte de outras árvores numa formação onde ocorre a Araucaria angustifolia implicaria em inobservância do dispositivo legal. Autorizar o corte, ainda que sob o título pomposo de manejo florestal sustentável, mostra-se flagrantemente ilegal e inconstitucional. Cumpre lembrar que o IBAMA, em sentença judicial transitada e julgada, foi condenado a abster-se de aprovar planos de manejo com espécies ameaçadas de extinção, uma vez que não conseguiu apresentar dados técnicos confiáveis que garantissem a aludida sustentabilidade desse modo de exploração florestal. O Projeto Conservacionista da Araucária (PCA) igualmente não apresenta qualquer elemento técnico que possa minimamente suprir essa deficiência. Esse conflito é ampliado com a previsão de competência remetida ao CONSEMA para estabelecer as condições do manejo florestal sustentável do palmito (Euterpe edulis), da bracatinga (Mimosa scabrella), da araucária (Araucaria angustifolia) e da erva mate (Ilex paraguariensis), no Estado de Santa Catarina. Condições para o manejo de espécies da Mata Atlântica estão definidas na lei federal 11.428/2006, não cabendo ao CONSEMA estabelecer regramento distinto por força da observância do princípio constitucional da legalidade. A norma especial, por sua vez, veda o corte de vegetação que abriga espécies da flora ameaçadas de extinção (Art. 11), e o texto aprovado inclui espécies nessa condição, como é o caso da Araucaria angustifolia e Euterpe edulis.
  20. Ao prever competência plena ao municípios para os pedidos de supressão florestal quando situados em zona urbana, zona de expansão urbana e núcleos urbanos informais, estes ainda que situados em área rural, independentemente de convênio com o órgão ambiental estadual, considerando-se automaticamente delegada a competência quando a municipalidade estiver habilitada para licenciamento ambiental, o texto aprovado gera conflito direto com a Lei da Mata Atlântica: segundo disposto na Lei da Mata Atlântica (Art. 14, § 2º) a competência municipal se aplica para autorizar a supressão de vegetação no estágio médio de regeneração situada em área urbana, com anuência previa do órgão ambiental estadual.

A Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) ressalta que todos os pontos aqui destacados como conflituosos foram objeto de emendas para aprimorar o texto do Código Estadual do Meio Ambiente, restando todas rejeitadas sem qualquer discussão durante a votação do PL 0472.7/2021. Com a aprovação o texto segue para a avaliação do Governador do Estado de Santa Catarina, quando então tais previsões poderão ser vetadas, resguardando a devida consonância do Código Estadual do Meio Ambiente com a legislação ambiental nacional vigente. A RMA procura com este relato dar maior publicidade ao processo e ciência ao público e autoridades dos dispositivos conflituosos que persistem com a aprovação do PL, procurando com isso contribuir na adoção de medidas que possam aprimorar a lei. Santa Catarina precisa e merece uma lei que efetivamente faça jus ao titulo de Código Estadual do Meio Ambiente.

 

Acesse o PDF da nota aqui.

Autores: João de Deus Medeiros e Adriano Wild.

Jô Santin e o desejo da terra produtiva | Mulheres que Restauram

Jô Santin e o desejo da terra produtiva | Mulheres que Restauram

Jô Santin e o desejo da terra produtiva | Mulheres que Restauram

Integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Joscimar Marins Santin é a estrela do sexto episódio da Série Mulheres que Restauram por acreditar que é das mãos das mulheres que nasce o sonho da terra produtiva. “As árvores são vida e cada planta que a gente põe na terra a gente tem que colocar na terra com o maior carinho, porque a terra é como uma mãe e gera vida”, comenta Jô.

 

Nascida em Faxinal dos Guedes (SC) e filha caçula de pais agricultores, Joscimar Marins Santin, Jô, como gosta de ser chamada, diz ter se encontrado no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Quando casei com o Vilson Santin, hoje diretor do MST em Santa Catarina, eu comecei a viver mais a vida e a ver o quanto é importante a gente se desafiar. Nós mulheres somos capazes de tanta coisa e às vezes a gente mesmo se diminui. Mas eu vejo, aqui no assentamento, que as mulheres estão começando a sentir confiança e estão se desafiando a serem coordenadoras do núcleo, por exemplo, tendo cada vez mais voz e vez”, afirma Jô.

Hoje eles moram junto com outras famílias no Assentamento Anita Garibaldi, localizado no município de Ponte Alta (SC). “Quando a gente chegou aqui no Assentamento, a 18 anos atrás, esse espaço era cheio de samambaia e um capim que, quando a gente ia limpar a área, cortava as nossas mãos. Então a gente transformou esse local num pedacinho de paraíso”, relembra Jô ao andar pela horta orgânica de onde hoje eles tiram o sustento.

eijão de vara, repolho, milho-verde, alface, beterraba, cebola, tomate, morangos.. estes são só alguns exemplos dos produtos cultivados por ela, que adora trabalhar com a terra: “a gente cultiva a terra e a terra cultiva a gente”, menciona junto da afirmação de que a nossa maior riqueza é a natureza: “é de fundamental importância nós sempre estarmos cuidando da natureza, protegendo o solo e plantando frutíferas. Esse é o bem maior que a gente tem, isso nos faz viver. Viver com alegria e viver bem.

Em Santa Catarina, o MST assumiu a meta de plantar 4 milhões de árvores nos próximos 10 anos. Esse objetivo faz parte do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis e já está sendo colocado em prática, inclusive com a ajuda da Apremavi, que forneceu mudas para a realização de plantios como o que ocorreu em 17 de abril no Assentamento Filhos do Contestado, onde 3.500 árvores foram plantadas.

Em fase de implementação, os Assentamentos Filhos do Contestado, Neri Fabris e Anita Garibaldi, são acompanhados diretamente por Jô, que atua na articulação entre as mulheres dessas comunidades e apoia a implantação de sistemas agroecológicos. “Nós mulheres do MST somos guardiãs das sementes, que são nosso patrimônio. A nossa rede cuida, planta e também realiza troca de sementes, além de focar na aprendizagem sobre biofertilizantes”, informa a agricultora que acredita que o plantio diversificado e o cuidado com o solo são fundamentais para manter a terra produtiva.

Jô também faz parte da Brigada Sepé Tiarajú, uma articulação que envolve 14 assentamentos do Estado em busca do fortalecimento do movimento e da defesa dos territórios. “Quando a gente quer a terra não é só a terra em si; a partir da terra nós vamos lutar por mais conquistas. Nós que somos agricultores, nós que cuidamos da terra, temos o compromisso de produzir alimentos e plantar árvores. Terra é vida e vida é mudança para todos”, comenta Jô.

O sexto capítulo da Série Mulheres que Restauram conta a história de Jô Santin, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Santa Catarina. Fotos e vídeo: Acervo Apremavi.

Mulheres que Restauram

​Este é o sexto capítulo da série Mulheres que Restauram. O episódio de estreia foi ao ar no Dia da Terra, com a história de Ercília Felix Leite. O segundo episódio, lançado no dia 24 de setembro, trouxe a história de Dona Helena. O terceiro episódio compartilhou a trajetória de Edilaine Dick no dia 13 de outubro. O quarto episódio, lançado no dia 28 de outubro, lançou a história de Josefa Machado Neves. E no quinto episódio, que estreiou no dia 22 de novembro, a série compartilhou a história da indígena Olinda Yawar.

Mulheres que Restauram é uma iniciativa da Apremavi na Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas, com apoio do GT de Gênero e Clima do Observatório do Clima, e tem o objetivo de divulgar histórias de mulheres protagonistas na restauração e no planejamento de propriedades e paisagens, como forma de conscientizar a sociedade sobre a importância da atuação feminina na mitigação da crise do clima e promover o plantio de árvores nativas e a recuperação de áreas degradadas.

 

Autoras: Carolina Schäffer e Miriam Prochnow.

Retorno econômico de espécies nativas é destaque em nova publicação

Retorno econômico de espécies nativas é destaque em nova publicação

Retorno econômico de espécies nativas é destaque em nova publicação

Um retorno de investimento com mediana de 15,8%, podendo alcançar 28,4% ao ano: esta é uma das principais conclusões da análise de 40 projetos de plantio de árvores nativas brasileiras em quatro dos seis biomas brasileiros.

Uma parceria entre o WRI Brasil e a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura resultou na análise minuciosa de 40 casos de atividades econômicas sustentáveis utilizando espécies nativas, muitas delas em pequenas propriedades rurais, como as beneficiadas pelos projetos da Apremavi em Santa Catarina e no Paraná.

Dois biomas predominam nas páginas do estudo: a Amazônia e a na Mata Atlântica. As iniciativas analisadas foram realizadas por 30 diferentes agentes, como produtores rurais familiares, associações, cooperativas, ONGs e empresas rurais. Em comum para muitos dos casos está a parceria entre proprietários rurais e organizações com experiência em fornecer orientações e apresentar metodologias validadas, para aumentar a eficiência e sucesso da intervenção.

Quatro dos casos apresentados no estudo são frutos do trabalho da Apremavi. São áreas modelo implementadas entre 1964 e 2015, em diferentes cidades do Alto Vale do Itajaí (SC). Os plantios utilizaram de espécies com bom desenvolvimento no clima da Região Sul, como a Palmito-juçara (Euterpe edulis), Erva-mate (Ilex paraguariensis) e Araucária (Araucaria angustifolia).

Foto em destaque: esquema e registro fotográfico de uma área implantada em Santa Terezinha (SC) em 2015, visando o extrativismo da erva-mate. Foto: Arquivo Apremavi.
Miniaturas: mudas com potencial econômico produzidas no Viveiro Jardim das Florestas – Apremavi. Fotos: Vitor lauro Zanelatto. 

A avaliação econômica desses projetos mostrou que as taxas internas de retorno (TIR) dos investimentos variam de 2,5% a 28,4% ao ano, com mediana de 15,8%. Mais de 90% dos casos mostram TIR superior a 9% – percentual competitivo na comparação com outras atividades agropecuárias. A rentabilidade é também um indicativo de que o Brasil tem uma grande oportunidade de gerar emprego e renda de forma sustentável, valorizando a biodiversidade e conservação das florestas.

Além do retorno econômico direto, foram observados outros benefícios garantidos a partir das florestas plantadas: os modelos com espécies nativas podem retirar de 6,7 a 12,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera por hectare ao ano. A preservação do solo, melhoria da qualidade da água e aumento da polinização nas áreas também produzem impacto positivo na área e em outras eventuais atividades agrícolas.
Todos os 40 casos que serviram de base para o estudo foram documentados em uma publicação, com os ciclos do arranjo e desenhos esquemáticos sobre a intervenção realizada. Confira aqui.

 
Live marcou o lançamento da publicação

Os resultados do estudo, que observou mais 12 mil hectares de terras brasileiras, foi lançado em 01/12, em uma live especial no canal do YouTube da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura. Os painelistas contextualizaram as principais informações para fazer a análise econômica e financeira, os custos de implementação e manutenção e os diferentes contextos observados nos casos.

Na oportunidade, também foram discutidas as oportunidades que o resultado do trabalho sugere para as florestas e economia brasileira. Os modelos financeiros, elaborados a partir de dados fornecidos pelos executores e parceiros dos casos, evidenciam que a economia verde e sustentável já é uma realidade, mas precisa de escala.

“Há um enorme potencial para os produtos florestais brasileiros nas cadeias produtivas nacionais e globais. No caso do mercado de madeira tropical, por exemplo, menos de 10% da produção mundial tem origem no Brasil”, afirmou Miguel Calmon, líder da Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão Brasil, responsável pela iniciativa.

Confira como foi o evento de lançamento:

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Revisão: Carolina Schäffer.
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto.

Matar não é esporte! #TodosContraACaça

Matar não é esporte! #TodosContraACaça

Matar não é esporte! #TodosContraACaça

Da Rede Mata Atlântica: URGENTE. Depois de 52 anos proibida no Brasil, a caça pode ser liberada.

Semana passada, o Projeto de Lei (PL) 5544/2020, do Dep. Nilson Stainsack (PP/SC), ganhou apoio do deputado Nelson Barbudo na CMADS – Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na Câmara dos Deputados, na forma de um texto substitutivo bem mais danoso à fauna nativa do país.

O projeto defende, de forma clara e direta, liberar a caça esportiva aos animais da nossa fauna – sim, dos SILVESTRES, como a anta, onça, macaco, veado e muitos outros. E, tem outros absurdos no PL, como autorizar a criação de animais para soltura e servir de caça em fazendas de caça. A proposta lembra a caça “enlatada” de leões, hoje praticada na África do Sul.

Não bastasse essa crueldade, o projeto ainda pretende liberar o uso de cães – trazendo maus-tratos para um nível mais elevado, além de impulsionar a disseminação de doenças, pelo consumo da carne de caça.

As justificativas mais espúrias são usadas para tentar confundir a sociedade, alegando que matar nossa fauna vai trazer conexão com o meio ambiente, fazer a conservação da fauna, e que esta prática é sustentável.

Todas essas alegações não tem nenhum embasamento técnico ou estudos para o Brasil. Basta ver a tentativa similar mal-sucedida realizada na primeira metade da década de 2000 no Rio Grande do Sul, e proibida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) em 2008.

Estes políticos parecem não enxergar que pesquisam apontam que 93% da população brasileira são contra a caça e que mais de 1 milhão de pessoas já assinaram a petição de apoio contra a caça.

A fauna é um patrimônio de todos e não peça de diversão de poucos, que não conseguem entender as consequências desse processo em nossos biomas.

 
Faça a sua parte

Manifeste sua oposição ao PL5544/20 nas redes sociais, marque o deputado @nelsonbarbudo e sua mentora, a presidente da CMADS, deputada @carla.zambelli, e peça para eles RETIRAREM essa proposta absurda da pauta de votação da CMADS, prevista para o dia 14 de dezembro!

📢 #PLdaCaçaNão #TodosContraACaça #PL5544Não
🗒️ Sugestões de tuítes.
💳 Banco de imagens.

Você também pode votar “Discordo Totalmente” na enquete do PL 5544/20.

Autor: RMA- Rede Mata Atlântica.

320ha restaurados: encontro celebra conclusão do Restaura Alto Vale

320ha restaurados: encontro celebra conclusão do Restaura Alto Vale

320ha restaurados: encontro celebra conclusão do Restaura Alto Vale

Na última semana a Apremavi realizou o encontro de conclusão do Restaura Alto Vale, projeto executado desde 2018, com patrocínio do BNDES. Mais de 80 pessoas participaram do evento, realizado nos dias 01 e 02 de dezembro, a fim de garantir a participação presencial com segurança e respeitando todas as normas de prevenção à Covid-19. A programação ocorreu em modo híbrido, e representantes de vários estados puderam acompanhar e colaborar com o debate.

A agenda de palestras, discussões e interações entre personagens que apoiaram a execução do projeto apresentou os resultados de quatro anos de trabalho, reconhecendo e buscando fortalecer as parcerias que garantiram o êxito da iniciativa: 320 hectares de áreas degradadas restauradas, mais de 400 mil mudas de árvores nativas doadas e orientação para a adequação ambiental de mais de 700 propriedades em 34 municípios de Santa Catarina são apenas algumas conquistas do projeto.

Além disso, a agenda destacou a necessidade de manter e ampliar as parcerias do projeto para a atuação em outros desafios que ainda precisam ser superados. Palestras de renomados especialistas, como Roberta del Giudice, João Paulo Capobianco e Antonio Nobre, provocaram a reflexão para a co-construção de soluções visando fortalecer o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e desenvolver o Programa de Recuperação Ambiental (PRA) em Santa Catarina.

Para Edilaine Dick, coordenadora do Restaura Alto Vale, o encontro foi um sucesso: “Além de compartilhar e celebrar os resultados do projeto, os encontros permitiram fortalecer os laços de parceria entre as instituições e pensar em encaminhamentos conjuntos para os próximos projetos que estão a caminho”, destaca.

Registros das apresentações e falas do encontro. Fotos: Vitor Lauro Zanelatto. 

Outro destaque foi a apresentação de novos projetos e iniciativas lideradas pela Apremavi e que, assim como o Restaura Alto Vale, irão demandar parcerias multissetoriais para o sucesso. Nesse sentido, produtores rurais, líderes de cooperativas, empresas e governos municipais e estadual foram convidados a participar da construção de novas articulações, que deverão dar continuidade ao processo de restauração e conservação das paisagens florestais catarinenses. Além disso, foi lançado o curta “A Restauração Transforma Paisagens e Pessoas”, uma animação audiovisual sobre o trabalho da Apremavi na Década da Restauração.

O Encontro foi apoiado pelo Observatório do Código Florestal (OCF), coletivo formado por mais de 30 organizações brasileiras que busca incidir e acompanhar a implementação do Código Florestal brasileiro. Outro apoiador é o Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina (FF PR e SC), responsável por reunir empresas do setor florestal, empresas de consultoria, organizações da sociedade civil e academia para o debate e proposição de soluções para assuntos que dizem respeito à silvicultura e à conservação.

Após o encontro os participantes puderam visitar o viveiro e Centro Ambiental Jardim das Florestas. Fotos: Vitor Lauro Zanelatto. 

22º Prêmio Fritz Muller

O Restaura Alto Vale recebeu na última sexta-feira o maior reconhecimento de Santa Catarina no setor ambiental: o 22º Prêmio Fritz Muller, concedido pelo Governo do Estado através do Instituto de Meio Ambiente (IMA). O projeto conquistou o troféu da categoria “Recuperação de Áreas Degradadas”, entregue na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), em Florianópolis, na última sexta-feira.

Maíra Ratuschinski, técnica do Restaura Alto Vale, e Miriam Prochnow, conselheira da Apremavi, representaram a instituição na entrega do prêmio. Confira as fotos do evento:

Maíra e Miriam recebendo o 22º Prêmio Fritz Muller, entregue em Florianópolis no dia 03/12/2021. Fotos: Mafalda Press.

O presidente do IMA, Daniel Vinicius Netto, reforçou a importância e significado da premiação, adiada em 2020 por conta da pandemia de Covid-19. “Esse é um prêmio especial, pois reconhece os cases de sustentabilidade, logística reversa, melhores tecnologias de controle ambiental, gestão de resíduos e todas as boas soluções para reduzir os impactos negativos no meio ambiente com a atividade produtiva”, afirmou.

Os vencedores estão detalhados no Anuário Ambiental Fritz Müller 2021, que foi lançado durante a solenidade. Na cerimônia também foi entregue o Prêmio Raulino Reitz para uma personalidade de destaque na defesa ao meio ambiente. O escolhido desta edição é o professor catarinense Arlindo Philippi Júnior, engenheiro civil formado pela UFSC e um dos principais nomes da área no país.

A Apremavi agradece os milhares de parceiros que ajudaram a tornar o Restaura Alto Vale um grande sucesso. Edilaine Dick, que lidera o projeto desde 2018, sintetiza o impacto da iniciativa para o meio ambiente e também para as pessoas: “O projeto foi construído e desenvolvido por muitas mãos, inúmeros parceiros e mais de 700 agricultores que acreditaram no trabalho da Apremavi e no objetivo do projeto. Aceitaram o desafio de contribuir com a melhoria de cada nascente e rio que está sendo recuperado, auxiliando dessa forma no controle de processos erosivos, enchentes e enxurradas e no combate às mudanças climáticas, além de promover inúmeros benefícios socioambientais para essa e para as próximas gerações”.

Informação importante: todas as normas e orientações necessárias de combate ao Coronavírus foram observadas durante os eventos.
#vacinasim #acreditenaciência

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto.

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