Apremavi lança cartilha sobre planejamento de propriedades em evento do Código+10

Apremavi lança cartilha sobre planejamento de propriedades em evento do Código+10

Apremavi lança cartilha sobre planejamento de propriedades em evento do Código+10

Evento integra o Código +10, que aborda a primeira década do novo Código Florestal no Brasil, desafios para a implementação da legislação e soluções possíveis. 

A garantia de um futuro sustentável depende do enfrentamento urgente de alguns desafios ambientais: a perda da biodiversidade, a escassez e diminuição da qualidade da água e as consequências das mudanças climáticas. Olhar esses desafios no âmbito da paisagem é fundamental.

O manual Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis, lançado hoje, dia 24 de maio, é uma ferramenta de conscientização e formação, para construção desse futuro. Traz informações sobre a Mata Atlântica e sua importância, trata da adequação ambiental de propriedades rurais, especialmente no âmbito do Novo Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica e apresenta diversas soluções baseadas na natureza, para serem implementadas nos diversos territórios.

A publicação é uma realização da Apremavi, com apoio da Iniciativa Internacional Clima e Floresta da Noruega (NICFI), num consórcio de organizações não governamentais liderado pelo Observatório do Código Florestal (OCF).

O lançamento

Hoje, dia 24 de maio, das 14h às 15h30, Miriam Prochnow, fundadora e conselheira da Apremavi, participa de um evento virtual para lançamento de instrumentos que promovem a implementação do Código Florestal.

Ao lado de Roberta del Giudice, Secretária Executiva do OCF, de Lícia Azevedo, Especialista em Políticas Florestais da TNC, e de Flávia Ribeiro, Gerente de Comunicação da BVRio, Miriam apresenta as informações sobre a nova publicação da Apremavi. Na ocasião também serão publicizados a Nota Técnica Código Florestal com uma visão geral dos caminhos necessários para avançarmos com o Código Florestal, e uma coleção web que traz exemplos de boas práticas do cumprimento do Código Florestal, que vêm abrindo caminho para a efetivação da lei.

Miriam acredita que é necessário buscar a integração de todas as iniciativas sustentáveis existentes. “Precisamos integrar as soluções baseadas na natureza, que tem a ver com o redesenho e o planejamento das paisagens. Pensar o território com olhar de drone e visão de libélula: do alto, com a complexidade exigida e onde cabem todos os atores e setores existentes naquele território, mas cabe também a natureza”, complementa.

O Código +10

O Código Florestal +10 é um evento que busca marcar os dez anos da edição da nova Lei de proteção da vegetação nativa do Brasil, através da construção de uma agenda positiva para o efetivo cumprimento da legislação. Após o Brasil atingir números recordes de desmatamento em 2021, fica evidente a necessidade e a urgência de envolver diversos segmentos da sociedade nessa força tarefa.

Será realizado no formato híbrido entre os dias 23 de maio até 02 de junho, com oficinas e mesas de debate online e reuniões presenciais. As sessões serão apresentadas por diferentes organizações, consideradas referências nos temas abordados. O evento também faz parte da plataforma Rio2030, que tem como objetivo elaborar e implementar soluções referentes aos desafios da Agenda 2030.

A iniciativa é uma realização do Observatório do Código Florestal (OCF), rede de 39 organizações da sociedade civil, entre elas a Apremavi, que atuam com o propósito de articular pessoas, na implementação do Código Florestal, para gerar um impacto socioambiental positivo. Além disso, diversos parceiros, cruciais na implementação da Lei, também estão ativamente envolvidos nesta ação.

 

O Código Florestal como solução para crise

No dia 31 de maio, das 16h às 17h30, Wigold B. Schaffer, fundador e conselheiro da Apremavi se junta à Rafael Loyola, diretor executivo do Instituto Internacional para Sustentabilidade, Aliny Pires, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Brasília, numa mesa de debate sobre o papel do Código Florestal como solução efetiva para a crise climática, para conter a perda e promover a recuperação da biodiversidade e para prevenir desastres naturais em zonas urbanas.

A proposta também será discutir a proeminência de soluções baseadas na natureza para adaptação climática, segurança hídrica e urbana.

Autora: Carolina Schäffer
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto

Projeto +Floresta é apresentado aos parceiros

Projeto +Floresta é apresentado aos parceiros

Projeto +Floresta é apresentado aos parceiros

Em destaque nos projetos da Apremavi, a Floresta com Araucárias é o foco de mais uma iniciativa liderada pela Instituição.

O Projeto +Floresta foi lançado para contribuir com a restauração da vegetação nativa na Floresta Ombrófila Mista, no Oeste do Estado de Santa Catarina, com o incremento das populações de Araucária, Imbuia, Canela-preta e Xaxim – espécies vegetais ameaçadas de extinção com histórico de intensa exploração no Estado.

Com o financiamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA e aprovado por meio do chamamento público IBAMA nº 02/2018 (Restauração de populações da flora ameaçadas de extinção do bioma Mata Atlântica no Estado de Santa Catarina), o projeto será implantado no período de 2022 a 2030 e prevê a restauração de cerca de 260 hectares de áreas degradadas localizadas em reservas legais de sete projetos de assentamentos da reforma agrária e uma terra indígena em Abelardo Luz.

As ações previstas no Projeto +Floresta buscam o enriquecimento, expansão e conexão de fragmentos existentes ou a formação de novas florestas, contribuindo para melhorar a conectividade na paisagem, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, favorecer a manutenção da biodiversidade, proteger o solo e os recursos hídricos e assegurar o bem-estar das populações humanas.

Como pontapé inicial das atividades do projeto +Floresta, a equipe da Apremavi mobilizou reuniões com lideranças locais em abril para apresentar o projeto e consolidar parcerias para a execução dos trabalhos, além de reafirmar a sinergia com as instituições já parceiras no projeto na região Oeste de Santa Catarina.

Reunião de apresentação do +Floresta realizada em Abelardo Luz. Foto: Edilaine Dick.

Articulação das Parcerias

No último dia 19 de abril a coordenadora do projeto Edilaine Dick, o co-fundador da Apremavi Wigold Schäffer e a técnica ambiental Marluci Pozzan se reuniram na Câmara de Vereadores de Abelardo Luz com a diretoria do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e posteriormente com outras lideranças atuantes nos assentamentos para articular os primeiros passos do projeto.

Para Álvaro Santin, morador do assentamento Dom José Gomes e participante da direção do MST, o projeto é parte da solução para os grandes desafios da atualidade: “Se nós de fato queremos viver com ambiente mais propício, nós vamos ter que tomar grandes medidas enquanto humanidade. Já lançamos há algum tempo o plano nacional ‘Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis’ que tem a ver com a conservação do ambiente, mas também com a produção de alimentos”.

Álvaro encara o +Floresta como uma oportunidade: “Então nesse conjunto, projetos como esse que vai se desenvolver com a Apremavi aqui nos assentamentos da região de Abelardo Luz, nesse projeto do IBAMA, ele tem um significado importante para a gente ir além de conservar. Também é a expectativa que a gente fortaleça a cultura de plantio de árvores, de cuidado, e também da geração de renda e da produção de alimentos saudáveis”.

O plano nacional do MST tem objetivo de realizar a recuperação de áreas degradadas por meio da implementação de agroflorestas e quintais produtivos. Em nível nacional, a meta do movimento é o plantio de 10 milhões de árvores e em Santa Catarina 4 milhões nos próximos 10 anos.

Além do encontro com o MST, outras reuniões com parceiros também foram realizadas. No dia 18 de abril a equipe se reuniu em Chapecó com o IBAMA, com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Já no dia 20 de abril, foi realizada uma visita em São Domingos ao Grimpeiro, parceiro do projeto e gestor do Viveiro de Mudas Nativas Ricardo Cunha Canci.

O Projeto +Floresta é financiado pelo IBAMA através do através do Acordo de Cooperação Técnica Nº 34/2021 e supervisionada pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina, Instituto Socioambiental (ISA) e Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458- 53.2017.4.04.7200/SC.

Autores: Marluci Pozzan e Edilaine Dick
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto

Publicação científica lança dados do Restaura Alto Vale

Publicação científica lança dados do Restaura Alto Vale

Publicação científica lança dados do Restaura Alto Vale

Restaura Alto Vale inspira publicação de periódico científico com apresentação dos principais resultados do projeto; Revista da Biodiversidade é lançada em parceria com a Unidavi, a Associação Ambientalista Pimentão e o Ministério Público de Santa Catarina.

Impressa em abril de 2022, segunda edição da Revista Biodiversidade, uma publicação periódica da Editora Unidavi para apresentação dos trabalhos científicos do Alto Vale do Itajaí, divulga dados do Projeto Restaura Alto Vale.

Organizada pela Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), pela Associação Ambientalista Pimentão, pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela Unidavi, o volume especial apresenta em três capítulos o detalhamento, principais resultados obtidos nas atividades desenvolvidas e no monitoramento das áreas em restauração apoiadas pelo projeto. Além da restauração e monitoramento das áreas, o projeto realizou o estudo da composição florística e fitossociologia da vegetação ciliar na bacia do Alto Vale do Itajaí.

Para Robson Carlos Avi, Botânico e parceiro pesquisador do projeto, os resultados do Restaura Alto Vale apresentados na revista permitem à comunidade ter acesso às informações primordiais da vegetação da região, dando suporte a outros projetos de restauração que venham a ser realizados. “A revista é uma forma de tornar acessível esses dados e serve como apoio à educação ambiental visto que será amplamente divulgada nas escolas da região do AVI, universidades e diferentes meios de comunicação”, complementa Robson.

Conquistas do Restaura Alto Vale

Executado entre 2018 e 2022, com patrocínio do BNDES, o projeto restaurou 320 hectares de áreas degradadas, doou mais de 450 mil mudas de árvores nativas e orientou 725 propriedades, envolvendo cerca de 1000 proprietários rurais de 34 municípios de Santa Catarina para a adequação ambiental.

Maíra Ratuchinski, que atuou diretamente em campo realizando mobilização e contato com os agricultores durante todo projeto, comenta que o “Restaura Alto Vale foi uma grande oportunidade para pequenas propriedades rurais se adequarem à legislação ambiental e contribuírem de forma significativa não somente para a conservação e preservação dos recursos hídricos nas propriedades, mas também da região”.

Ela destaca ainda que aprendeu muito com o projeto, fez inúmeras amizades e sempre foi muito bem recebida pelos proprietários: “foi gratificante retornar às propriedades para realizar a monitoria e perceber o sucesso da restauração assim como a satisfação dos agricultores em terem participado do projeto”.

Estes resultados ilustram o potencial de mudanças sistêmicas que a escala da restauração pode promover, abrem portas para que novos projetos sejam desenvolvidos nessas regiões e criam novos paradigmas para a discussão e promoção de ações em rede para a restauração florestal e adequação ambiental da propriedade rural.

A importância do Monitoramento da Restauração

A elaboração de um protocolo adaptado à especificidade do projeto e a clareza dos indicadores a serem utilizados no monitoramento das áreas restauradas foi essencial para a avaliação dos resultados obtidos nas fases iniciais de implantação do projeto, permitindo avaliar resultados e indicar as necessidades de intervenção nas áreas a fim de promover as correções necessárias para o sucesso da restauração.

Monitoramento de área em restauração. Foto: Arquivo Apremavi.
Levantamento Florístico-Fitossociológico

A análise do componente arbustivo-arbóreo da vegetação ciliar em diferentes municípios do Alto Vale do Itajaí indica que as famílias com maior riqueza de espécies são Myrtaceae (122 espécies), Fabaceae (44 espécies), seguida de Lauraceae (32 espécies) e Rubiaceae (19 espécies).

Outros dois indicadores relevantes foram que as áreas com menor intervenção apresentaram maior diversidade de espécies; e, que a falta de registros de espécies madeiráveis, citada com frequência em estudos anteriores, apresenta dados alarmantes sobre a extinção e ausência de regeneração natural dessas espécies. Tais resultados corroboram ainda mais para a importância da conservação, da restauração e do enriquecimento de florestas secundárias, principal trabalho desenvolvido pela Apremavi.

Destaque: espécies mais presentes e frequentes na vegetação ciliar monitorada.  Galeria: Registros de flores e frutos identificados durante as atividades de monitoramento.
Fotos: Robson Carlos Avi
Entrega às escolas

No último dia 25 de maio, colaboradores da Apremavi, Unidavi e BNDES estiveram na Escola de Educação Básica “Tereza Cristina”, em Laurentino, para a entrega de exemplares da Revista Biodiversidade. O momento representou a distribuição do periódico para todas as escolas do Alto Vale do Itajaí que tenham turmas de séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. 

“A biodiversidade do Alto Vale precisa ser estudada,  e esse será um recurso importante para nós. Vamos disponibilizar para os professores de ciências e biologia, para que o material seja utilizado na rotina de sala de aula”, destacou Zuleide Andreia Frena da Costa, diretora da E. E. B. “Tereza Cristina”.

Confira mais sobre a entrega na cobertura realizada pela Unidavi:

A Revista Biodiversidade

A Revista Biodiversidade é uma publicação periódica dos trabalhos científicos desenvolvidos no Alto Vale do Itajaí. A Associação Ambientalista Pimentão e a Unidavi, através do Horto Florestal, se uniram para divulgar os resultados das pesquisas da fauna e da flora da região. O projeto biodiversidade conta com o apoio do Ministério Público do Alto Vale do Itajaí, e tem como objetivo promover a divulgação do conhecimento nos vinte e oito municípios.

+ Confira a íntegra do Volume 2 da Revista da Biodiversidade.

Autora: Carolina Schäffer
Revisão: Vitor L. Zanelatto.

Mais uma enchente ameaça o Vale do Itajaí

Mais uma enchente ameaça o Vale do Itajaí

Mais uma enchente ameaça o Vale do Itajaí

Às 15 horas de hoje, 04 de maio de 2022, a Defesa Civil de Rio do Sul alertava estado de emergência com a subida de 9.33 metros do nível do Rio Itajaí-Açú. A primeira cota de inundação da cidade de Rio do Sul (SC) é aos 7.5 metros, atingida às 02 horas da manhã. De lá para cá a chuva não parou e tudo indica que as próximas horas serão cruciais para o que pode ser considerada uma enchente de grandes proporções.

Antes de mais nada, é preciso se solidarizar com todas as regiões e com a população que já sofre as consequências de mais uma tragédia, bem como prestar apoio e assistência. Alguns ocupam as Áreas de Preservação Permanente (APPs) às margens de rios ou encostas íngremes, que são sinônimo de áreas de risco, por absoluta falta de outra opção ou até por desconhecimento.

A questão das enchentes aqui no Vale do Itajaí é recorrente e, como atesta a Organização das Nações Unidas (ONU) em seu Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, vai se tornar cada vez mais frequente em razão da crise climática. 

Segundo o Secretário Geral da ONU, António Guterres, o mundo caminha para a catástrofe climática e isso significa que as principais cidades ficarão debaixo d’água, haverá ondas de calor sem precedentes, tempestades aterrorizantes, falta de água generalizada e a extinção de 1 milhão de espécies de plantas e animais. A ONU também afirma que a mudança climática já é uma ameaça e que temos apenas 8 anos, até o final dessa década, para fazer as mudanças e adaptações necessárias.

Enchente no Vale do Itajaí

Registro do Rio Dona Luiza, que abastece o Rio Itajaí-Açú, feito às 13 horas do dia 04 de maio de 2022. Foto: Miriam Prochnow.

E o que fazem ou já fizeram as autoridades no nível municipal, estadual e federal?

No nível federal temos o pior governante de todos os tempos em relação aos cuidados com o meio ambiente, que só não é fatal porque o STF tem barrado os principais retrocessos.

No nível estadual, Santa Catarina está na vanguarda do atraso quando se trata de proteção do meio ambiente. O deputado Milton Hobus, juntamente com a maioria dos deputados estaduais, com a chancela do governador, numa manobra puramente demagógica e eleitoreira, fragilizaram o Código Ambiental de Santa Catarina, abrindo as porteiras para o desmatamento, a destruição de habitats e a ocupação das margens de rios. A Lei 18.350, sancionada em janeiro deste ano, alterou para muito pior a Lei 14.675, de 2009, que trata da proteção do meio ambiente no estado. É necessário lembrar que a Lei de 2009 já era ruim.

Já os deputados Rogério Peninha Mendonça (autor da Lei 14.285/2021), Angela Amin, Darci de Matos (relator da Lei 14.285/2021) apoiados pela grande maioria dos deputados federais, com a chancela do centrão e do presidente da República, são os responsáveis pela aprovação da Lei 14.285/2021, que dá aos municípios o poder de reduzir as Áreas de Preservação Permanente (APPs) em áreas urbanas. Os senadores de Santa Catarina, Dário Berger, Esperidião Amin e Jorginho Mello, também se esforçaram para aprovar a proposta do deputado Peninha, apesar do Senado, num acordo com ambientalistas, ter votado um substitutivo melhor, que depois foi derrubado pela Câmara dos Deputados. É notório que a Lei foi feita para atender interesses de especuladores imobiliários, em detrimento da qualidade de vida e do bem-estar das pessoas que moram nas cidades.

Tanto a nova Lei Federal, quanto a Lei Estadual, são inconstitucionais e estão sendo questionadas na justiça, por ONGs e partidos políticos. O Ministério Público Federal (MPF) também se manifestou dizendo que a Lei Federal 14.285/2021 representa um  grave retrocesso em termos de proteção do meio ambiente nas áreas urbanas.

No nível municipal, é público e notório que a maioria das autoridades do executivo e legislativo dos municípios do Vale do Itajaí é inerte ou apoia os desmandos produzidos pelas autoridades estaduais e federais. 

É importante frisar que o bem-estar das populações das cidades somente estará assegurado se essas populações não estiverem sujeitas aos riscos de enchentes, desbarrancamentos, falta d’água, poluição, secas e/ou outros desequilíbrios ambientais, e poderem desfrutar de uma paisagem harmônica e equilibrada. 

Também é preciso considerar que os riscos de desastres socioambientais já são um fato altamente relevante e preocupante para a maioria das cidades do Vale do Itajaí, e que estes são potencializados pela ocupação irregular das Áreas de Preservação Permanente. Estes desastres, cada vez mais frequentes, têm causado perdas de vidas humanas e prejuízos econômicos de grande monta aos cidadãos atingidos e aos cofres públicos, ou seja, afetam toda a sociedade.

Diante disso, é necessário alertar a população do Vale do Itajaí e demais municípios de Santa Catarina, a exemplo do que faz a ONU para o planeta todo, que os eventos climáticos como enchentes, secas, tornados, ciclones, chuvas torrenciais, serão cada vez mais extremos e frequentes, e já afetam a todos.

Indo além, vale lembrar que na hora de escolher os representantes na próxima eleição de outubro o melhor caminho é não votar em quem vota contra o meio ambiente e contra a qualidade de vida da população. E a essa altura do campeonato, todos já deveriam saber muito bem quem são os políticos que fazem demagogia, passam a boiada e atendem interesses de especuladores imobiliários em detrimento da população.

Autores: Wigold B. Schäffer e Carolina Schäffer.
Foto de capa: enchente em Rio do Sul em 7 de junho de 2017, por Wigold B. Schäffer.

Viveiro Jardim das Florestas no Podcast Voz do Matas

Viveiro Jardim das Florestas no Podcast Voz do Matas

Viveiro Jardim das Florestas no Podcast Voz do Matas

Produzido pela Klabin, o podcast é utilizado como plataforma para apresentar conceitos, ações e dados estratégicos para os participantes das atividades de planejamento de propriedades rurais.

O Episódio 84 do ‘Voz do Matas’ apresentou algumas atividades realizadas no viveiro da Apremavi para garantir a entrega de mudas fortes, sadias e com diversidade e espécies nos plantios viabilizados através do Programa Matas Sociais e em outras iniciativas onde a produção é destinada.

Leandro Casanova, que é assessor florestal da Apremavi, compartilhou orientações sobre o plantio correto e cuidados após colocar a muda no berço, para garantir o sucesso da restauração. Uma das principais diferenças das mudas produzidas pela Apremavi é a aplicação da tecnologia Ellepot no processo produtivo, aplicando uma embalagem biodegradável nas mudas, que reduz o impacto ambiental e protege as raízes de impactos significativos na etapa de plantio.

Confira o Podcast:

O Programa Matas Sociais

O Programa Matas Sociais – Planejando Propriedades Sustentáveis, é resultado de uma parceria entre a Klabin, a Apremavi, o SEBRAE, e as prefeituras dos municípios da região de atuação do projeto, entre eles Sapopema (PR). Além da recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal e da conservação de remanescentes florestais, a iniciativa busca conciliar beleza e qualidade de vida com produtividade e rentabilidade, através da agricultura familiar, desenvolvimento da cadeia de produção e fortalecimento do empreendedorismo local.

+ Saiba mais sobre o programa

 

Autor: Vitor L. Zanelatto.

Partidos movem ação contra o PL danoso às APPs urbanas

Partidos movem ação contra o PL danoso às APPs urbanas

Partidos movem ação contra o PL danoso às APPs urbanas

Ação tramita no STF e objetiva a suspensão imediata da Lei 14.285/2021, enquanto se julga a ação de Inconstitucionalidade.

Partidos políticos ingressaram junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 18 de abril com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, visando o reconhecimento dos vícios presentes na nova lei federal que dispõe sobre Áreas de Preservação Permanente (APPs) em áreas urbanas.

Com texto firmado sem o devido debate com a sociedade civil e mesmo após a divulgação de análises técnicas apresentando as inconformidades com outros diplomas legais vigentes na esfera federal, a Lei 14.285/2021 foi sancionada em 29 de dezembro do ano passado, após aprovação no Congresso liderada pela Bancada Ruralista.

As APPs são associadas ao conceito de risco, porque protegem os cursos d’água de assoreamento, atenuam os efeitos das enchentes e evitam erosão e deslizamentos em encostas, além de promover um regramento basilar sobre a ocupação do solo em áreas urbanas. Com as mudanças climáticas, eventos cada vez mais frequentes e intensos causam prejuízos e mortes, como aconteceu recentemente em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Em entrevista para a Agência Pública, o co-fundador da Apremavi Wigold Schäffer, afirmou acreditar que a Lei 14.285/21 abrirá “novos espaços para a especulação imobiliária, o que vai gerar muito desmatamento”. Ele teme que tragédias como as da região serrana do Rio de Janeiro voltem a se repetir. “Entre os muitos efeitos colaterais, vejo mais enchentes, inclusive em lugares onde antes não ocorriam, pelo estrangulamento que as novas ocupações vão provocar nos leitos dos rios”, explica.

Em debate promovido pelo Senado Federal, especialistas em políticas públicas socioambientais e do Direito destacaram as incoerências do então Projeto de Lei 14.285/2021.

Na prática, a lei permite aos municípios reduzirem as Áreas de Preservação Permanente hídricas em áreas urbanas. As faixas ao longo dos cursos d’água, definidas no Código Florestal, podem agora ter limites alterados na esfera municipal, promovendo insegurança sobre a manutenção das APPs protegidas existentes, além de uma série de conflitos jurídicos com outros regramentos, como a ‘Lei da Mata Atlântica’ (Lei 11.428/2006).

Subscrevem a ADI a Rede Sustentabilidade (REDE), o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Socialismo e Liberdades (PSOL).

+ Confira o texto da Ação Direta de Inconstitucionalidade.

 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão:  Carolina Schäffer

Dia da Terra e a urgência por ações concretas

Dia da Terra e a urgência por ações concretas

Dia da Terra e a urgência por ações concretas

A data ganhou peso internacional na década de 1990, e desde então é utilizada para destacar os desafios socioambientais que o Planeta enfrenta e as demandas por ações concretas em todos os dias do ano.

Há muito, datas como este 22 de abril devem ser encaradas como momentos para além da conscientização sobre ações para a preservação do meio ambiente. São tempos de ativismo, de reivindicar posicionamento e, principalmente, mudanças concretas para a mitigação das crises que se aprofundam em nosso tempo.

Neste ano, o debate deve considerar as novas conclusões do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em março deste ano. O documento apresenta as contribuições do Grupo de Trabalho 3 do painel do clima, que trata da mitigação da crise climática. Mais de 8.000 publicações científicas foram revisadas nesta etapa.

Entre as conclusões, fica clara a insuficiência das medidas adaptativas promovidas até o presente. As políticas públicas de clima adotadas no mundo até 2020 levarão a Terra a um aquecimento de 3,2ºC, mais do que o dobro do limite do Acordo de Paris. Outro destaque é o potencial de mudança do uso da terra (restauração ecológica) para neutralizar os impactos dos gases de efeito estufa: até 14 bilhões de toneladas por ano até 2050 a custos de US$ 100 ou menos por tonelada.

Em rede, e com ajuda dos inúmeros parceiros, estamos promovendo ações para observar e cuidar da Terra e das formas de vida que deveriam coexistir em harmonia. Confira:

Projeto da Apremavi é destaque em publicação sobre restauração

Lançado na última semana, o mais novo volume dos Cadernos do Diálogo, publicação do Diálogo Florestal, trouxe à luz o tema da restauração no contexto da Década das Nações Unidas para Restauração de Ecossistemas 2021–2030. A publicação “Desafios para Ganhar Escala na Restauração e o Papel da Sociedade Civil”, que analisa a importância do viés social da restauração, é considerada uma ferramenta de trabalho alinhada aos compromissos assumidos pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2019, quando criada a Década da Restauração.

De acordo com a secretária executiva do Diálogo Florestal, Fernanda Rodrigues, o objetivo com o lançamento do caderno é mobilizar esforços de cooperação e ampliar as ações para recuperar serviços ecossistêmicos nos diversos biomas do país. O caderno apresenta a importância da construção de um novo pacto social para além de plantar árvores, considerando gênero, respeito à diversidade e proteção dos recursos naturais no contexto da emergência climática e das perdas de ecossistemas. Somado a isso, a necessidade de olhar para a soluções baseadas na natureza, a escuta ativa, a dignidade humana e os direitos dos povos tradicionais e indígenas.

O Restaura Alto Vale foi selecionado para a publicação na categoria ‘Pequenas Áreas, Grandes Impactos’. Desenvolvido em duas regiões do Estado de Santa Catarina, o projeto teve como objetivo principal a restauração de 320 ha de APPs degradadas, atuando maioritariamente em pequenas propriedades rurais. Confira algumas conquistas do Projeto:

・733 propriedades da agricultura familiar beneficiadas;
・Aproximadamente 1040 proprietárias(os) envolvidas(os) nas atividades;
・320,87 hectares restaurados através do projeto;
・Mais de 450.000 mudas produzidas e entregues para a restauração;
・Reconhecimento através dos Prêmios Expressão de Ecologia e Fritz Müller (2020).

Edilaine Dick, que atuou como coordenadora do Restaura Alto Vale, destaca a importância de atuar junto aos territórios da agricultura familiar: “É uma honra para a Apremavi ser reconhecida como um Caso de Sucesso e dividir essa premiação com outras iniciativas inovadoras Brasil afora. O projeto é um exemplo de que pequenas áreas e iniciativas podem se somar e dar escala para a restauração, bem como unir pessoas e parceiros em busca de um objetivo comum”. 

O Restaura Alto Vale foi concluído em março deste ano. Edilaine salienta que isso não significa o fim das parcerias ou interrupção dos trabalhos na agenda da restauração: “As atividades não vão parar e a Apremavi continuará promovendo, cada vez mais intensamente, a restauração através de outros projetos”.

Registro de atividades realizadas no âmbito do projeto Restaura Alto Vale. Fotos: Arquivo Apremavi.

Conservador das Araucárias lança vídeo institucional

A ambiciosa parceria entre a Tetra Pak, líder mundial de produção de embalagens longa vida, e a Apremavi, apresentou nesta semana um filmete com alguns dos resultados previstos para os próximos dez anos e detalhes sobre as metodologias e atividades previstas para restaurar sete mil hectares nos estados de Santa Catarina e no Paraná.

Em entrevista recente para o jornal Valor Econômico Marco Dorna, presidente da Tetra Pak no Brasil, comenta que o projeto promoverá benefícios para todos os envolvidos, e vai muito além de uma estratégia para a neutralização de emissões da companhia: “A intenção é desenvolver um modelo que junte a restauração ambiental ao pagamento de serviços ambientais por créditos de carbono e biodiversidade a proprietários rurais”. 

Já Miriam Prochnow, co-fundadora da Apremavi, destaca a valorização da biodiversidade da área onde o trabalho irá acontecer: “O território que estamos chamando de ‘Conservador das Araucárias’ é o espaço onde faremos o estudo completo de uso do solo, remanescentes de florestas, populações que vivem ali”.

Matas Legais e Sociais SC amplia área de atuação

O projeto da Apremavi em parceria com a Klabin para o planejamento ambiental e recuperação de áreas degradadas em Santa Catarina vai incluir em seu território de atuação dois municípios do Planalto Catarinense. A partir de agora, propriedades rurais de Palmeira e de Ponte Alta poderão contar com a Apremavi para, entre outras atividades, realizar:

・A diversificação das atividades produtivas a partir de orientações da equipe;
・O desenvolvimento de estratégias para a conservação da biodiversidade;
・A proteção de nascentes que existem na propriedade através de plantios;
・O intercâmbio de conhecimentos sobre a produção orgânica de alimentos;
・A adequação da propriedade à legislação ambiental.

Registros de atividades desenvolvidas pelo projeto Matas Legais. Fotos: Arquivo Apremavi.

+ Confira mais detalhes sobre o Matas Legais

Autor: Vitor L. Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer

Tetra Pak e Apremavi lançam parceria pela restauração da Floresta com Araucárias

Tetra Pak e Apremavi lançam parceria pela restauração da Floresta com Araucárias

Tetra Pak e Apremavi lançam parceria pela restauração da Floresta com Araucárias

Projeto Conservador das Araucárias tem como meta a restauração de áreas degradadas da Mata Atlântica e contribuirá para os compromissos da Tetra Pak de atingir zero emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) em sua operação e na cadeia produtiva.

Lançado hoje, o Conservador das Araucárias é um projeto de restauração ambiental que traz um modelo inovador focado na recuperação de áreas rurais degradadas por meio do plantio de espécies nativas, com benefícios para as comunidades locais, fauna e flora da Mata Atlântica.

Desenvolvido em parceria com a Tetra Pak, líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos, a iniciativa irá se concentrar, em seu primeiro ano, na restauração de uma área piloto de 80 hectares e no mapeamento de áreas potenciais de recuperação. Os modelos validados durante a fase inicial serão replicados ao longo de dez anos em uma área de 7 mil hectares de Mata Atlântica distribuídos pelos estados de Santa Catarina e Paraná. A área equivale a 9.800 campos de futebol.

O Conservador das Araucárias é a nossa resposta ao chamado das Nações Unidas de fazer desta a década da restauração de ecossistemas”, explica Julian Fox, Diretor Global de Nature Programs na Tetra Pak. “Estamos entusiasmados com as perspectivas deste projeto, que visa conectar diversos grupos da sociedade brasileira no desenvolvimento de um modelo inovador, unindo restauração ambiental e análise de captura de carbono para mitigação das mudanças climáticas e recuperação da biodiversidade”, completa o executivo.

Entre as metodologias propostas estão o plantio de mudas nativas, o enriquecimento ecológico de florestas secundárias e a condução da regeneração natural”, complementa Miriam Prochnow, conselheira e co-fundadora da Apremavi. “No longo prazo, as áreas restauradas serão integradas a corredores ecológicos, reduzindo a pressão sobre as espécies animais ameaçadas de extinção como o papagaio-do-peito-roxo e o veado-campeiro. Essas ações são fundamentais para a proteção da biodiversidade, a restauração da qualidade do solo e na manutenção da disponibilidade de água da região”.

Além disso, a Tetra Pak certificará a área em carbono voluntário e de biodiversidade seguindo padrões internacionais. A certificação medirá o sequestro de carbono, o que significa que o projeto terá um papel fundamental no compromisso da companhia de zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa em suas operações até 2030. Mas a Tetra Pak viabilizará a certificação de uma área mais ampla do que a prevista para a restauração: serão 13,7 milhões de hectares – uma área do tamanho da Inglaterra – de forma a incentivar outras organizações a aderirem à iniciativa.

No médio e longo prazos, o projeto pretende gerar benefícios sociais e econômicos à região, com o apoio aos proprietários rurais parceiros na adequação de suas propriedades à legislação ambiental. Além disso, haverá a oportunidade de diversificação de renda por meio do Programa de Pagamentos por Serviços Ambientais vinculado a créditos de carbono, algo inédito no país. 

Este é um importante passo para a Tetra Pak globalmente e em nosso país rumo a liderança na transformação da sustentabilidade. Nós já somos reconhecidos pelo compromisso de longo prazo com o meio ambiente e a cadeia de reciclagem e este projeto reforça a nossa jornada em sustentabilidade, encorajando proprietários de terras rurais a se tornarem aliados na preservação e conservação destas áreas, enquanto poderão ter uma diversificação de renda”, complementa Marco Dorna, presidente da Tetra Pak Brasil. 

A iniciativa terá o acompanhamento da Conservation International (CI), da The Nature Conservancy Brasil (TNC) e da Klabin, fornecedora de matéria prima da Tetra Pak e parceira de longa data da Apremavi nos Programas Matas Legais e Matas Sociais

Equipe da Apremavi em campo durante plantio de 4 mil árvores na área piloto do Conservador das Araucárias. Foto: Arquivo Apremavi.

Acesse aqui o PDF do artigo escrito pela jornalista Daniela Chiaretti para o Valor Econômico.

Autoria: release de imprensa Tetra Pak e Apremavi.

Com paisagismo realizado pela Apremavi, quartel dos bombeiros de Trombudo Central é inaugurado

Com paisagismo realizado pela Apremavi, quartel dos bombeiros de Trombudo Central é inaugurado

Com paisagismo realizado pela Apremavi, quartel dos bombeiros de Trombudo Central é inaugurado

A Apremavi esteve presente na inauguração do novo Quartel do Corpo de Bombeiros Militar de Trombudo Central, realizada no último dia 07 de abril.

Com uma área construída de 791 metros quadrados, a edificação servirá de base para atendimentos de urgência para além do município sede, incluindo Atalanta, onde foram produzidas mudas de árvores a arbustos plantadas no terreno do quartel.

Essas mudas, que germinaram e cresceram no Viveiro Jardim das Florestas, materializaram o projeto de paisagismo elaborado e executado pela Apremavi. Os trabalhos foram liderados por Taís Fontanive e Edegold Schäffer em setembro de 2021. Cerca de 200 mudas doadas pela Apremavi foram plantadas durante a Semana da Árvore de 2021. Agora, apenas alguns meses após a ação, flores e folhas exuberantes de espécies da Mata Atlântica se destacaram no evento de inauguração.

O evento contou com a presença de várias autoridades militares e políticas do estado de Santa Catarina. Edegold, colaborador da Apremavi, recebeu do governador Carlos Moisés uma placa registrando o agradecimento ao apoio  aos trabalhos de preparação e paisagismo da nova sede dos bombeiros.

Registros da cerimônia de Inauguração do novo quartel dos bombeiros.
Fotos: Julio Cavalheiro – Secom  SC e Arquivo Apremavi.

Autores: Taís Fontanive e Vitor L. Zanelatto
Foto de capa: Julio Cavalheiro/Secom SC

Apremavi reativa programa de visitas para centros de ensino

Apremavi reativa programa de visitas para centros de ensino

Apremavi reativa programa de visitas para centros de ensino

Após interrupção por causa da pandemia, as visitas na sede da Apremavi voltaram a ocorrer. Escolas, universidades e outros grupos que buscam conhecer as atividades da instituição e os processos para a produção de mudas nativas serão recebidos de forma gradual, a partir de agendamento.

Expressões de curiosidade e animação ao descer do ônibus, que havia partido pouco mais de uma hora atrás de Taió, cidade próxima no Alto Vale do Itajaí, e o desejo por aproveitar cada momento da visita e explorar o local também estava evidente… Assim começou a visita do primeiro grupo escolar na Apremavi após a pandemia.

O principal objetivo dos professores e estudantes ao partirem da Escola de Educação Fundamental Prefeita Erna Heidrich era compreender com maior profundidade, e através de experiências práticas, a importância das florestas, além de conhecer os processos para a produção de mudas no Viveiro Jardim das Florestas.

Palestra sobre os projetos e atuação da Apremavi. Foto: Arquivo Apremavi.

Logo após a chegada, ocorreu a recepção no Centro Ambiental. Nesse momento os guias compartilharam o histórico de atuação da Apremavi e puderam entender melhor as expectativas do grupo para o dia escolar atípico. Também foram apresentados os livros, vídeos e outras publicações que estão disponíveis nesta página para quem deseja aprender mais sobre a Mata Atlântica e a agenda da restauração.

O grupo aproveitou para solucionar dúvidas sobre o cuidado com as mudinhas junto aos viveiristas. Em parte a curiosidade foi motivada por um projeto que a escola está desenvolvendo: algumas das mudinhas que os estudantes viram durante o passeio entre a estufa de mudas e os canteiros serão plantadas na escola pela comunidade nos próximos meses.

Além de conhecer de perto o Centro Ambiental e o Viveiro Jardim das Florestas, o grupo visitou duas Unidades de Conservação de Atalanta: o Parque Natural Municipal Mata Atlântica e a RPPN Serra do Pitoco. Ficaram impressionados com as cachoeiras que avistaram durante o trajeto e também com o histórico de recuperação da área do Parque Mata Atlântica, que teve várias áreas degradadas recuperadas pela Apremavi desde o ano 2000.

Os estudantes conheceram as paisagens do Parque Mata Atlântica, UC pública de Atalanta. Foto: Arquivo Apremavi.

Para participar do Programa de Visitas ofertado pela Apremavi para o Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, RPPN Serra do Pitoco e Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, uma solicitação de agendamento deve ser realizada. Famílias (até 5 pessoas) e indivíduos não precisam agendar visitas.

+ Agende a visita do seu grupo

Autores: Taís Fontanive e  Vitor L. Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer

Fritz Müller, o Príncipe dos Observadores

Fritz Müller, o Príncipe dos Observadores

Fritz Müller, o Príncipe dos Observadores

2022 será sua oportunidade para conhecer a vida de Fritz Müller, chamado por Darwin de Príncipe dos Observadores e que deixou um legado impressionante para a ciência.

Em 2022 comemoramos o bicentenário do nascimento de Johann Friedrich Theodor Müller, mais conhecido como Fritz Müller. Naturalista teuto-brasileiro, nascido em 31 de março de 1822, que também foi botânico e professor de matemática e ciências naturais. Foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos para elucidar a seleção natural e fornecer provas contundentes da mesma.

Sua obra contribuiu para fundamentar e enriquecer a teoria da evolução das espécies por seleção natural de Darwin, tendo sido reconhecido mundialmente pela publicação Für Darwin, no ano de 1864, cinco anos após Darwin publicar a A Origem das Espécies.

Edição da tirinha Armandinho em homenagem ao bicentenário de Fritz Müller. Autor: Alexandre Beck

A intensidade da colaboração pode ser medida pelas 19 citações a pesquisas de Fritz na sexta edição de A Origem das Espécies. Também pela opinião de Francis Darwin, que começou o trabalho de organizar a correspondência do pai. Em 1887, ele escreveu: “Minha impressão é que, entre todos os amigos que nunca viu pessoalmente, Fritz Müller era aquele por quem tinha a maior consideração”. É famoso o tratamento de “Príncipe dos Observadores” que Darwin dispensou a Fritz numa carta a um amigo em comum, em 1880.

Fritz Müller morou e desenvolveu suas pesquisas de botânica e zoologia na Colônia Blumenau (atual Blumenau/SC) desde 1852 e em Desterro (Florianópolis/SC), tendo percorrido muitos caminhos por Santa Catarina. Faleceu em 21 de maio de 1897, aos 75 anos, na casa de sua filha Johanna, em Blumenau.

Fritz em 1891. Foto: Arquivo Histórico de Blumenau

Um dos maiores entusiastas da vida e obra de Fritz Müller é o também naturalista e ambientalista Lauro Eduardo Bacca, que usou os estudos de Fritz como parte dos seus ensinamentos aos seus alunos. Hoje, Bacca encontra-se empenhado em descobrir e percorrer os caminhos que o cientista trilhou durante sua vida. Em breve o professor Bacca estará num evento da Apremavi, contando as histórias dessa aventura.

+ Acompanhe a entrevista do professor Bacca para o OJC

Fritz Müller pode fazer parte da sua vida de várias formas, seja através do estudo da sua obra ou nos lugares por onde passou. Carolina Viviane Nunes, nos traz um relato emocionante e pé no chão de sua experiência:

“Eu tinha onze anos quando conheci Fritz Müller, meu primeiro herói – essa é a frase de abertura do texto que o Viegas Fernandes da Costa me enviou essa semana. Eu costumava dizer que era entusiasta ou admiradora do Fritz, mas o Viegas, poeta, encontrou uma palavra muito mais precisa e significativa. Nas memórias dele, ficaram as poesias que ele teve contato no Arquivo Histórico; nas minhas, ficaram as gavetas cheias de borboletas, que eu abria e fechava sem parar no museu. Fritz andava descalço, e talvez seja por isso que eu sempre me identifiquei com ele. E as trilhas: em 1868, ele fez uma longa excursão botânica a pé, saindo de Blumenau e chegando até o Morro da Boa Vista, onde hoje é Rancho Queimado. Uma viagem de vários dias, por caminhos bem mais cansativos e desconfortáveis do que hoje em dia”.

Carolina também relata como foi receber Lauro e Êdela Bacca em Rancho Queimado, que estão dedicados em compreender e documentar as experiências e produções de de Fritz Müller em Santa Catarina: “Bacca veio munido do relato da excursão, escrito por Fritz naquela época. O objetivo era descobrir as localidades e refazer possíveis trajetos. A descrição do Fritz é bastante precisa, embora sucinta. Ele fala da localidade Morro Chato e da sua passagem pelo Caminho dos Tropeiros, antiga rota que ligava Lages ao litoral. Péra lá! – disse o Walter enquanto líamos o relato atentamente. Então ele passou por aqui! – completou. E assim, descobrimos que Fritz (quase certamente) passou a pé e descalço pelo sítio onde moramos. Feliz aniversário de 200 anos, Fritz!”

Destaque: Bacca e Carolina, em Rancho Queimado (SC). Galeria: registros das paisagens em que Fritz esteve e da região onde residiu em Blumenau. Fotos: Lauro Bacca; Luiz C. de Souza/NSC TV

Caminhos do Fritz 

Em 1876, durante uma expedição, Fritz esteve no Alto Vale. Registrou em suas anotações a passagem por Rio do Sul e de lá perseguiu o curso do Rio Taió. Depois de atravessar planícies úmidas, agora ocupadas por lavouras de arroz, descobrimos a entrada da trilha em Mirim Doce que, segundo moradores locais, continuou sendo usada por tropeiros durante décadas.

Dali em diante a floresta tomou conta do caminho. Para prosseguir, só com a habilidade de um Fritz Müller: “Lá em cima é um mundo muito diferente, bem mais fresco e seco. Mas a alegria é grande quando se retorna são e salvo para casa, podendo comer em uma mesa e dormir em uma cama”, comemorou.

Mapa com alguns dos caminhos percorridos pelo naturalista em SC. Elaboração: NSC TV. 

+ Confira a página Caminhos de Fritz Müller 

Celebrações em 2022

Para homenagear o nosso cientista e divulgar sua obra, o Grupo Desterro Fritz Müller – Charles Darwin 200 anos, tem trabalhado desde 2020 com uma intensa programação, que inclui eventos on-line, divulgação de conteúdo em sites e mídias sociais, preparação de publicações e exposições. Foram elaborados dois ebooks sobre os trabalhos desenvolvidos e sobre a vida e obra de Fritz Müller. O coordenador do grupo, Marcondes Marchetti, explica esse trabalho. Confira os detalhes da iniciativa no podcast:

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em parceria com o Grupo Desterro Fritz Müller – Charles Darwin 200 anos, leva ao Congresso Nacional, em Brasília(DF), a exposição “Fritz Müller 200 anos”. A mostra ficará em exibição de 4 de abril a 2 de maio no Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima, localizado no corredor do Anexo I do Congresso Nacional.

Mário Steindel, professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), afirma que a mostra é uma ótima oportunidade para conhecer esse grande naturalista teuto-brasileiro. “Ele fez contribuições importantes para comprovar a teoria de Darwin. Foi um dos primeiros apoiadores explícitos da Teoria da Evolução, prestando inúmeras evidências observacionais e experimentais no campo da zoologia e da botânica em favor da nova Teoria””, comenta Steindel, que também é coordenador científico do Grupo Desterro Fritz Müller – Charles Darwin 200 anos.

Corredor do Anexo I do Congresso Nacional. Foto: Divulgação

2022 é o ano para conhecer de perto e valorizar a obra desse naturalista que é um dos nossos maiores patrimônios históricos e culturais, símbolo de amor à natureza e às terras brasileiras.

“Nós falamos muito de Fritz Müller, nominamos ruas, temos escolas, museus, edifícios, mas lembramos dele como monumento. Um centro de pesquisa é o que nós precisamos, valorizá-lo cientificamente”
Sueli Petry, — diretora do Arquivo Histórico de Blumenau.

“O Fritz Müller é a nossa joia, o cidadão mais ilustre e mais importante que já viveu aqui nesse Vale”
Cezar Zillig, médico e escritor.

“O que Fritz fez foi colher indícios contundentes de que a teoria de Darwin estava correta”
Alberto Lindner, biólogo e docente da UFSC.

“Ele gostava muito de caminhar porque assim observava, podia coletar à vontade, virar uma pedra, um tronco, entrar numa mata, num riacho, observar os animais e as plantas”
Luiz Roberto Fontes, pesquisador.

“Divulgar o legado de Fritz Müller vai mostrar para as novas gerações que a Ciência e a Educação tem o poder de quebrar barreiras”
Mario Steindel, Coordenador Científico do Projeto Desterro Fritz Müller

Autores: Miriam Prochnow e Vitor L. Zanelatto.

Plantadores de florestas de Ibirama visitam a Apremavi

Plantadores de florestas de Ibirama visitam a Apremavi

Plantadores de florestas de Ibirama visitam a Apremavi

Moradores da comunidade atingida por uma enxurrada em 2020 puderam conhecer melhor a Apremavi, que apoiou a restauração de áreas degradadas no episódio.

No dia 29 de março um grupo de 18 moradores do município de Ibirama visitou a Apremavi para conhecer a instituição e aprender ainda mais sobre restauração ambiental. O primeiro contato dos visitantes com a Apremavi se deu com a equipe técnica do projeto Restaura Alto Vale, que fez o convite para a visita.

Em 2020 os moradores da comunidade de Ribeirão das Pedras, em Ibirama (SC), viram a enxurrada atingir florestas, construções e ceifar vidas. A Apremavi visitou a comunidade meses após o evento climático extremo, onde com a ajuda e liderança de moradores, atendeu pelo projeto muitas das famílias atingidas, explicando a importância da restauração da mata ciliar, que havia sido destruída pela enxurrada em dezembro.

Com o apoio do Restaura Alto Vale, proprietários das terras arrasadas pelas chuvas ingentes se reuniram a restauraram várias APPs, sobretudo matas ciliares. Para isso, receberam mudas de árvores nativas; arame para a construção de cercas, quando necessário; orientações e visitas para o monitoramento dos plantios.

Para João Moretti, um dos proprietários que visitou a Apremavi, esse foi apenas o início do trabalho: “O que nós vivenciamos em 2020 foi muito extremo. As marcas da devastação no leito dos rios e margens ainda podem ser vistas, os borrachudos que apareceram na comunidade também mostram que o desequilíbrio ainda existe. Com o apoio do Restaura Alto Vale iniciamos o processo de recuperação. Espero ver novamente a sombra das árvores sobre o rio, como era antes da enxurrada”.

#Antes e Depois da área restaurada na propriedade de João Moretti. Fotos: Arquivo Apremavi.

Na visita do último mês os plantadores de florestas atualizaram os técnicos da Apremavi sobre a evolução dos plantios, e também puderam conhecer mais sobre a atuação da instituição. Foi realizada uma visita à estrutura do Centro Ambiental e do Viveiro Jardim das Florestas, responsável por produzir as mudas utilizadas para regenerar as áreas de Ribeirão das Pedras.

Após o almoço, foram guiados por uma área de restauração da mata ciliar na propriedade de Edegold Schäffer e também pelas trilhas da restauração, áreas demonstrativas da restauração ao longo dos anos. Por fim, o grupo se deslocou ao Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, onde após uma breve discussão do histórico de uso e criação do Parque, visitou a trilha e a cachoeira.

Registros da visita ao Viveiro Jardim das Florestas e ao PNM Mata Atlântica.
Fotos: Vitor L. Zanelatto e Gabriela Goebel.

Gabriela Goebel, que atuou junto ao projeto Restaura Alto Vale, destaca o empenho e união dos proprietários: “Em nossas visitas nas propriedades atingidas discutimos a importância de restaurar a mata ciliar presente nas propriedades, já que muitas delas foram totalmente destruídas pela enxurrada. Estamos muito felizes com o engajamento da comunidade, que desde a primeira visita mostrou muita força para lidar com o desastre ocorrido e muito comprometimento com a causa ambiental”.

Autores: Gabriela Goebel e Vitor L. Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Vitor L. Zanelatto

ONGs ambientalistas publicam análise do Projeto que pretende alterar normas para o Parcelamento de Solo para fins urbanos em Urubici

ONGs ambientalistas publicam análise do Projeto que pretende alterar normas para o Parcelamento de Solo para fins urbanos em Urubici

ONGs ambientalistas publicam análise do Projeto que pretende alterar normas para o Parcelamento de Solo para fins urbanos em Urubici

O Projeto de Lei Complementar tem como autor o Executivo Municipal de Urubici, e busca, sem observância à Legislação Federal sobre o tema ou debate com a Sociedade Civil, alterar as regras para o Parcelamento de Solo para fins urbanos no município.

Entre as inconsistências diagnosticadas, está a inobservância da Lei Federal 6.766/79, evidenciada no artigo 3° da Lei Complementar: “Somente será admitido o parcelamento do solo, remembramentos e condomínios, para fins urbanos, se localizados na Macrozona Urbana, de acordo com os limites e parâmetros fixados na lei de uso e ocupação do solo e em lei Municipal do Perímetro Urbano”. O trecho não especifica o que está exatamente definido como Macrozona Urbana e se efetivamente essa projeção de Macrozona Urbana atende aos requisitos mínimos legais.

Além das incoerências identificadas com a Legislação Federal sobre a regulamentação agrária as organizações destacam a relevância da biodiversidade presente no município, conforme destaca o seguinte trecho do documento:

“É importante recordar que essa proteção é necessária, também, porque há regiões rurais do Município de Urubici com elevada importância ecológica, a exemplo do “Campo dos Padres”, considerado um ecótono, lugar de transição de diferentes ecossistemas, que serve de habitat de grande variedade de espécies vegetais e animais, incluindo mais de 180 espécies de aves, e protege nascentes hídricas que abastecem os rios Canoas, Itajaí e Tubarão”.

 

Paisagem na região do Campo dos Padres, em Urubici. Foto: Wigold B. Schaffer.

Além disso, a proposta de Lei desconsidera o previsto na Lei 11.428/2006 – Lei da Mata Atlântica, bem como do Decreto no 6.660/2008, que a regulamenta. O art. 31 da Lei da Mata Atlântica estabelece a necessária obediência do parcelamento do solo em área de vegetação secundária, em estágio médio de regeneração, do bioma, ao Plano Diretor municipal e demais normas aplicáveis, bem como sabe-se das restrições previstas nos §§ 1º e 2º do artigo: nos perímetros urbanos aprovados até 22/12/2006, data de publicação da Lei da Mata Atlântica, só se admite supressão dessa vegetação em caso de empreendimentos que garantam, ao menos, 30% da área com vegetação nativa de Mata Atlântica em estágio médio de regeneração, ao passo que nos perímetros urbanos delimitados após 22/12/2006, devem garantir ao menos 50%.

O estudo das ONGs ambientalistas ganha fechamento com recomendações ao Executivo e Legislativo Municipal de Urubici: “[…] Assim, pretende-se, com a presente análise, que o projeto da Lei Complementar xx seja revisto pela prefeitura de Urubici, e, se for o caso, submetido ao controle social por meio de discussões com o Ministério Público e com a Sociedade Civil”.

 

+ Acesse a íntegra da análise

Até a conclusão deste texto o Projeto de Lei Complementar que dispõe sobre o “Parcelamento de Solo para fins urbanos no Município de Urubici e dá outras providências” não estava publicado no site da Câmara Municipal de Urubici.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de Capa: Wigold B. Schaffer

Apremavi vence o 28º Prêmio Expressão

Apremavi vence o 28º Prêmio Expressão

Apremavi vence o 28º Prêmio Expressão

O 12º Troféu Onda Verde concedido para a Apremavi é um reconhecimento aos resultados do projeto Bosques de Heidelberg, que promove plantios na Mata Atlântica e a conexão de comunidades com a floresta. O projeto recebe o 28º Prêmio Expressão de Ecologia na categoria ‘Parceria Global Pela Segurança Climática’.

O projeto é fruto da parceria teuto-brasileira entre a Apremavi e a Bund für Umwelt und Naturschutz Deutschland – BUND, que já realizavam intercâmbios e apoio mútuo nas ações desenvolvidas pela causa socioambiental. A iniciativa tomou forma em 1998, quando os primeiros bosques foram plantados no coração de Santa Catarina.

Na prática, a Apremavi promove a produção de mudas nativas da Mata Atlântica e o plantio em áreas públicas e privadas, identificadas como paisagens degradadas ou outras que apresentam as características necessárias para que uma floresta possa crescer. Na Alemanha, a BUND realiza junto aos alunos das escolas da cidade a captação de recursos para viabilizar os plantios em terras brasileiras, através da venda de alimentos, como cucas e panquecas, durante as feiras organizadas pela comunidade escolar.

A concentração da captação acontece no período de Natal, quando os alunos são estimulados a substituir os tradicionais presentes de natal pela “compra” de mudas de árvores para restaurar a Mata Atlântica e dar de presente o certificado desse plantio. É possível identificar uma característica que amplia o significado do projeto, e quiçá pode explicar seu sucesso: o envolvimento das comunidades locais para implementar e dar profundidade ao projeto, que oportuniza espaços para a educação ambiental, cidadania e intercâmbios culturais.

Antes e Depois de área restaurada em 1999, através do projeto Bosques de Heidelberg. O bosque faz parte da Kruger Haus, propriedade particular em Trombudo Central, no Alto Vale do Itajaí (SC). Fotos: Arquivo Apremavi.

Além dos plantios, desde 2008, é realizada bianualmente a ação “Der Regenwald kommt in die Klassenzimmer” (A Mata Atlântica vai às salas de aula) na qual representantes da Apremavi realizam em Heidelberg uma semana de palestras em todas as escolas que fazem parte do projeto. As palestras são ministradas em alemão, para estudantes de 09 a 17 anos (Ensino Fundamental e Médio), envolvendo a cada ano cerca de 600 alunos. A palestra aborda principalmente temas como a Mata Atlântica no Brasil, suas riquezas e belezas naturais e também os problemas e ameaças que afetam a sua biodiversidade.

Um dos primeiros bosques do projeto pode ser avistado aos fundos de uma pequena unidade escolar, no interior de Atalanta (SC). A Escola Municipal de Ensino Fundamental Ribeirão Matilde hoje conta com a sombra de imponentes árvores para as brincadeiras dos alunos antes das aulas ou durante o intervalo. Vinte anos após o plantio, alunos e professores organizaram a publicação de uma cartilha para colorir inspirada na floresta ao lado do colégio.

Vídeo elaborado nas celebrações alusivas aos 20 anos do projeto Bosques de Heidelberg, em 2019. 

Principais resultados do Projeto

Plantios: em mais de 20 anos de existência, o Bosques de Heidelberg já promoveu o plantio de 161.448 árvores plantadas e doadas em campanhas de educação ambiental nos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, beneficiando 123 propriedades públicas e privadas e mais de 1.800 pessoas.

Troca de Saberes: foram realizadas sete ações “Der Regenwald kommt in die Klassenzimmer” (A Mata Atlântica vai às salas de aula), com a realização de palestras em 09 escolas da cidade de Heidelberg capacitando 3.610 alunos desde 2008.

Novas florestas: mais de 120 hectares já foram restaurados, sendo 15 bosques implantados em escolas da região do Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

Reconhecimento: o bosque implantado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ribeirão Matilde, em Atalanta, recebeu o I Prêmio de Educação Ambiental do Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina, em 2019.

O Prêmio Expressão de Ecologia

O Prêmio Expressão de Ecologia foi criado em 1993 pela Editora Expressão, um ano após a Conferência Mundial do Meio Ambiente no Rio de Janeiro – Eco 92, o primeiro evento da ONU no Brasil que discutiu as questões ambientais. O objetivo do Prêmio Expressão de Ecologia é divulgar as principais ações de sustentabilidade e incentivar a replicabilidade dessas iniciativas.

Em vinte e oito anos de realização, o Prêmio Expressão de Ecologia registrou 3.118 cases inscritos, das principais empresas, ONGs, prefeituras e entidades do Sul e, no último ano, do estado de São Paulo também. Ao contrário da previsão inicial, o Prêmio coleciona centenas de inscrições a cada ano e seus eventos de premiação tornaram-se ponto de referência da comunidade ambiental.

Este é o 12º Troféu Onda Verde, a materialização do Prêmio Expressão de Ecologia, que a Apremavi conquistou. Na última edição, a instituição foi laureada com os cases do projeto Restaura Alto Vale e do Viveiro Jardim das Florestas.

A premiação desta edição vai ocorrer durante o Fórum de Gestão Sustentável 2022. O evento será realizado no dia 27 de maio, das 14h às 17h, no Costão do Santinho Resort, em Florianópolis.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de Capa: Arquivo Apremavi

Apremavi vence o 28º Prêmio Expressão

Apremavi receives 28th Expressão de Ecologia Award

Apremavi receives 28th Expressão de Ecologia Award

The 12th “Onda Verde” (Green Wave) trophy awarded to Apremvai is a recognition for the “Heidelberger Walchen” (Heildelberg’s forests) project results, promoting native trees planting in the Atlantic Rain Forest and connecting the communities to the forest. The project receives the 28th Expressão de Ecologia Award in the category nominated Global partnership for climatic security.

The project began through a partnership between Apremavi and a German NGO called BUND (Bund für Umwelt und Naturschutz Deutschland), that already had exchange programs and mutual support in actions developed for the socio-environmental cause. The initiative to plant trees took shape in 1998, when the first forests were planted in the heart of Santa Catarina. 

Apremavi is responsible for producing native Atlantic Rain Forest seedlings and planting them in public or private areas that are identified as degraded landscapes or others that have the characteristics needed for a forest to grow. While in Germany BUND promotes, alongside students from local schools, fundraisers to enable the planting in Brazilian soil. The events organized by the schools normally gather resources through food selling, such as pancakes and cakes, in the fairs. 

The majority of funds are raised during the holiday season, near Christmas, when students are stimulated to substitute the traditional Christmas presents with the “acquisition” of a native seedling to restore the Atlantic Rain Forest and get a certificate of the deed. It is possible to identify a characteristic that expands the meaning of the project, and perhaps can explain its success: the involvement of local communities to implement and give depth to the project, which creates opportunities for environmental education, citizenship and cultural exchanges.

Before and After of an area restored in 1999 through the Heidelberg’s Forests Project. The forest is part of the Kruger Haus, a private property in Trombudo Central, at Alto Vale do Itajaí (SC). Photos: Apremavi’s Arquive.

In addition to the tree planting, since 2008, the action “Der Regenwald kommt in die Klassenzimmer” (The Atlantic Rain Forest goes to the classroom) has been held every two years, where Apremavi’s representatives hold a week of lectures in all the schools that are part of the project. Lectures are given in German for students aged 9 to 17 (elementary and high school), involving around 600 students each year. The lecture mainly addresses topics such as the Atlantic Rain Forest in Brazil, its riches and natural beauties, as well as the problems and threats that affect its biodiversity.

One of the first forests from the project can be seen at the back of a small school, in the countryside of Atalanta (SC). Today the Municipal Elementary School Ribeirão Matilde has the shade of imposing trees for the students to play before classes or during the break. Twenty years after planting, the school organized the publication of a coloring book created in collaboration with the students.

Video created to celebrate 20 years of the Heidelberg’s Forests Project, in 2019. 

Project’s main results

Planting: in more than 20 years of existence, “Heidelberger Walchen” has already promoted the planting of 161,448 trees that were planted and donated in environmental education campaigns in the states of Santa Catarina, Paraná and São Paulo, benefiting 123 public and private properties and more than 1,800 people.

Exchange of knowledge: “Der Regenwald kommt in die Klassenzimmer” (The Atlantic Rain Forest goes to the classroom) was carried out seven times, with lectures being held in 09 schools in the city of Heidelberg, contacting 3,610 students since 2008.

New forests: more than 120 hectares have already been restored, 15 of which are planted in schools in the Alto Vale do Itajaí region, in Santa Catarina.

Recognition: the forest at the Municipal Elementary School Ribeirão Matilde in Atalanta, received the 1st Environmental Education Award from the Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina, in 2019.

Expressão de Ecologia Award

The Expressão de Ecologia Award was created in 1993 by Editora Expressão, one year after the World Environment Conference in Rio de Janeiro – Eco 92, the first UN event in Brazil that discussed environmental issues. The purpose of the Expressão de Ecologia Award is to publicize the main sustainability actions and encourage the replicability of these initiatives.

In twenty-eight years, the Expressão de Ecologia Award registered 3,118 cases, from main companies, NGOs, municipalities and entities in the South and, in the last year,  the state of São Paulo as well. Contrary to the initial prediction, the Award collects hundreds of entries each year and its award events have become a point of reference for the environmental community.

This is the 12th “Onda Verde” Trophy, the materialization of the Expressão de Ecologia Award, that Apremavi won. In the last edition, the NGO was awarded for the Restaura Alto Vale project and the Viveiro Jardim das Florestas.

Author: Vitor Lauro Zanelatto
Review: Carolina Schäffer
Layer photo: Apremavi’s arquive

Boca no trombone e mão na massa na Semana da Água

Boca no trombone e mão na massa na Semana da Água

Boca no trombone e mão na massa na Semana da Água

Presente nas necessidades e no organismo dos seres vivos, as fontes de água se encontram poluídas; infestadas por composições tóxicas formuladas pelo Homem e identificadas, cada vez com maior frequência, entre a água que cai da torneira e na corrente sanguínea de seres humanos e não humanos.

Neste ano, a Apremavi utilizou como ponto de partida para dar propósito ao Dia da Água o debate ‘Águas Pela Vida’, co-organizado pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental. Pesquisadores, representantes de movimentos sociais e do Poder Legislativo municipal de Florianópolis apresentaram diferentes perspectivas sobre o tema, mas formam coro sobre as necessidades para a proteção deste componente natural: é preciso agir com urgência e tratar a água não meramente como recurso, mas como direito essencial e inalienável de todos os seres.

Na roda de conversa foram relembrados dados da recente pesquisa sobre a qualidade da água nas cidades brasileiras, elaborada pela agência de jornalismo Repórter Brasil, com dados de testes realizados pelas empresas de abastecimento e reunidos pelo Ministério da Saúde. A análise mostrou que mais de 700 cidades apresentaram substâncias químicas e radioativas acima do limite permitido pelo Ministério da Saúde. Pior que dados alarmantes, a inexistência de informações: quase metade dos municípios (48%) não informaram os resultados dos testes feitos na água.

+ Confira o Mapa da Água e a situação na sua cidade.

Miriam Prochnow, co-fundadora e conselheira da Apremavi, propôs uma reflexão durante o evento: “Como a água nos toca? Onde ela nos encontra? É essencial relembrar nossas boas memórias, em rios, nascentes e cachoeiras, e confrontar com as agressões que nossa geração está promovendo. Os dados são assustadores, as mudanças climáticas já afetam o regime hídrico, trazendo secas e tragédias, como a que ocorreu em Petrópolis recentemente”. Vale ressaltar que tragédias como a citada não devem ser classificadas como “naturais”, mas sim antrópicas, até mesmo previsíveis, a partir de uma receita composta por mudanças no uso do solo, ocupação de APPs e descaso do Estado na proteção das florestas.

Miriam também lembrou que a poluição dos recursos hídricos é uma questão histórica no estado, que avanços já foram registrados no passado a partir de mobilizações da Sociedade Civil: “Em 1989 fizemos uma mobilização que chocou muitas pessoas em Blumenau. Buscamos chamar atenção para a qualidade da água. Ancoramos uma representação inusitada no rio, com uma faixa enorme”. Movidas por esperança, curiosidade ou indignação, muitas pessoas apoiaram o movimento e, já no início da década de 1990 Santa Catarina era vista como uma referência para a despoluição de mananciais.

Registro da mobilização realizada em Blumenau em 1989. Foto: Arquivo Apremavi.

Os especialistas defendem que o desmatamento seja zerado no Brasil imediatamente, caso contrário não existirá tempo para discutir e propor soluções que alterem a corrente de autodestruição em que ruma a sociedade. Confira a íntegra da live:

O professor João de Deus Medeiros, da UFSC, destacou a inação dos governos para a proteção dos cursos hídricos e do fornecimento de água. Pelo contrário, retrocessos aprovados nos últimos meses em diferentes instâncias, como o novo Código Ambiental de Santa Catarina (PL 18.350/2022) e o novo regramento para APPs em Áreas Urbanas (PL 14.285/2021) promovem a escassez e agravam a crise.

 

Petição pelas Águas do Brasil

A mesma coalizão que organizou a live no Dia da Água elaborou um manifesto sobre as Águas do Brasil, que se desdobra em um chamado para a manifestação popular, através de uma petição sobre o tema. O texto demanda uma investigação sobre a qualidade da água no Brasil, tendo em vista os dados divulgados no Mapa da Água.

Como ação concreta, é indicada a instalação de uma investigação minuciosa seguindo critérios das agências de controle (ANA e ANS), sob a supervisão do Ministério Público Federal e Polícia Federal, para apurar os seguintes fatos determinados:

1. Identificação das causas e dos responsáveis pela contaminação da água distribuída em numerosas cidades do Estado de Santa Catarina, e do Brasil, conforme amplamente divulgado pela mídia nacional, revelando a presença de substâncias nocivas à saúde, muitas vezes acima do limite permitido na legislação europeia e brasileira, como organoclorados, agrotóxicos, dentre outros;

2. Adoção das medidas cabíveis para que a população urbana e rural tenha acesso irrestrito a todas as informações que garantam o fácil entendimento de que suas águas são potáveis, saudáveis e seguras, resguardando os direitos inalienáveis de saciarmos nossa sede, nos alimentarmos, nos divertirmos, fazermos esportes aquáticos com segurança e celebrarmos nossos ritos religiosos,protegendo também o direito à vida de animais e plantas dos quais tanto dependemos.

3. Monitoramento da qualidade das águas (incluindo a quantificação de contaminantes emergentes) e plena transparência das informações, além da participação da sociedade civil organizada no planejamento das estratégias para garantir a qualidade dos recursos hídricos e o pleno saneamento básico.

+ Acesse e apoie a petição ‘Por uma Urgente e Profunda Investigação do Envenenamento da Nossa Água’

Matas Sociais viabiliza oficina sobre restauração no Paraná

Mudas de espécies nativas da Mata Atlântica produzidas pela Apremavi foram as protagonistas de uma oficina de capacitação para a restauração da Mata Ciliar, no assentamento Imbauzinho, próximo a cidade de Ortigueira (PR). Os participantes colocaram a mão na terra e realizaram o enriquecimento ecológico de uma APP com as mudas doadas através do Programa Matas Sociais.

A ação, associada ao Dia da Água, é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Agricultura e do Meio Ambiente de Ortigueira com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR-PR), a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP-PR) e Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do município. Participaram da formação líderes comunitários e moradores do assentamento, composta por palestras relacionadas a conscientização do uso e conservação dos recursos hídricos, assim como a urgência da preservação ambiental das florestas nativas e dos componentes naturais.

Registro dos participantes da Oficina. Foto: Arquivo Apremavi.

Conservação do Solo e da Água em Debate

No Dia da Água (22/03), integrantes da equipe Apremavi estiveram juntos com produtores rurais, técnicos agrícolas e agrônomos no ‘Dia de Campo sobre Conservação do Solo e da Água’’ promovido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (EPAGRI) no Centro de Treinamento de Agronômica (CETRAG).

O evento contou com palestras sobre o atual estado de conservação dos solos do Alto Vale do Itajaí e com estandes temáticos para discutir boas práticas necessárias para conservação dos solos e da água nas propriedades. A Apremavi acompanhou o lançamento da campanha da Epagri “Vale Solo e Água: quem cuida colhe resultados” para o ano de 2022.

A Apremavi exibiu em um estande do evento ações e projetos que evidenciam a importância da restauração de paisagens na conservação e regeneração dos componentes naturais como o solo e a água. Também foram doadas 100 mudas nativas de diferentes espécies produzidas no Viveiro Jardim das Florestas.

Espaço da Apremavi no Dia de Campo promovido pela Epagri. Foto: Arquivo Apremavi.

Proteção das nascentes e dos rios em pauta na rádio

Ainda no Dia da Água, foi ao ar na Rádio Sintonia uma entrevista com Edilaine Dick, coordenadora de projetos da Apremavi, sobre as ações necessárias para a preservação dos recursos hídricos. A gravação colocou em destaque as possibilidades e caminhos para produtores rurais que buscam promover a restauração de áreas degradadas e o plantio de novas florestas.

Na oportunidade, Edilaine ainda compartilhou os principais resultados do projeto Restaura Alto Vale e reiterou o constante convite para que a comunidade conheça o trabalho e instalações da Apremavi, através de uma visita na sede, em Atalanta (SC). As visitas guiadas no Centro Ambiental e Viveiro da Apremavi estiveram suspensas desde o início da pandemia, mas agora estão sendo retomadas aos poucos. Para visitar a Apremavi, agende sua visita aqui.

+ Escute a entrevista para a Rádio Sintonia

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Colaboração: Gabriela Goebel e William Villar de Castro Ribas.
Revisão: Carolina Schäffer.
Foto de Capa: Vitor Lauro Zanelatto.

20 anos de Observatório do Clima

20 anos de Observatório do Clima

20 anos de Observatório do Clima

O Observatório do Clima completou ontem (23/03) 20 anos de fundação. São duas décadas de advocacy, potencialização das ações lideradas pela Sociedade Civil e participação no debate público e na construção de soluções para a emergência climática.

Semente cultivada por quatro organizações brasileiras, a ideia de criar um observatório para discutir questões climáticas coletivamente surgiu a partir da insatisfação quanto à forma como o desmatamento era tratado pelo governo nacional no contexto do Protocolo de Kyoto – o primeiro da Convenção do Clima na ONU (Organização das Nações Unidas), assinado no Japão em 1997. De lá até o presente, mais de 50 organizações brasileiras passaram a integrar a coalizão.

Em 2007 o Observatório do Clima iniciou a elaboração de diretrizes para a formulação de políticas públicas de clima no Brasil, um movimento inédito por parte da Sociedade Civil. Muitas das propostas e ambições das organizações que compunham o debate foram incorporadas à Lei 12.187/2009, que define a Política Nacional sobre Mudança do Clima.

Em 2013 o OC entrou numa nova fase: a de geração de dados. Com a chegada de Tasso Azevedo, Coordenador do MapBiomas e scipreneur Ashoka, foi criado o SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), a primeira iniciativa não-governamental no mundo de cálculo anual de emissões em todos os setores da economia.

Outra frente de atuação imprescindível para a democratização do debate e envolvimento da população é a comunicação. O Observatório do Clima produz conteúdos para diferentes canais e estratégias, ampliando a oferta de conteúdos de qualidade sobre clima e as diversas questões socioambientais que fazem intersecção ao tema.

Momentos históricos do Observatório do Clima. Fotos: Reprodução – Observatório do Clima. 

A Apremavi parabeniza todos (as/es) integrantes do Observatório do Clima, e reafirma o compromisso de colaborar para o fortalecimento dessa que, com convicção, é exemplo do da resiliência e impacto da sociedade civil, não apenas para o Brasil, mas para todo o Planeta.

“O Observatório do Clima é uma das redes mais atuantes e combativas da atualidade. Seu trabalho é cada vez mais imprescindível diante do cenário de emergência climática que estamos enfrentando. O OC também tem crescido muito nos últimos anos, com a agregação de novas organizações e isso é muito importante para o fortalecimento das ações. A Apremavi tem muito orgulho por ser uma das organizações fundadoras do OC e já ter sediado um dos seus encontros nacionais” – Miriam Prochnow, co-fundadora e conselheira da Apremavi.

 

Diálogo pelo Futuro

Grande parte do desafio daqueles que integram o OC e as discussões sobre a emergência climática é acreditar na implantação plena na mudança sistêmica para a justiça climática, mesmo num mundo com o avanço de retrocessos e a continuidade da devastação das florestas.

Há muito sabe-se o que fazer para interromper a destruição que o Brasil sofre há mais de 500 anos, como mudar esse paradigma? Márcio Santilli e Txai Suruí, representando as múltiplas faces que dedicam suas vidas à justiça socioambiental, estiveram frente a frente para compartilhar suas visões e perspectivas para o Brasil e para a própria humanidade. Confira:

Observatório do Clima em Atalanta

Em abril 2017 o Observatório do Clima (OC) realizou seu encontro anual no Centro Ambiental Jardim das Florestas, sede da Apremavi. O evento foi uma celebração compartilhada, já que o Observatório do Clima e Apremavi haviam completado 15 e 30 anos de fundação, respectivamente,

Mais de 43 pessoas estiveram presentes, representando 21 membros e organizações observadoras. Além do debate da conjuntura socioambiental e climática, os presentes conheceram as estruturas da Apremavi, o trabalho de planejamento, conservação e restauração de paisagens no Alto Vale do Itajaí (SC). Os participantes também colocaram a mão na terra e, como de costume em encontros de ativistas ambientais, plantaram uma nova floresta na propriedade da Apremavi.

Como resultado das discussões daqueles dias foi lançada a Carta de Atalanta, um documento em protesto contra o ataque coordenado do Congresso Nacional e do Executivo Federal à proteção ambiental e aos direitos dos povos tradicionais.

+ Confira a íntegra da Carta de Atalanta

Participantes do encontro anual do OC de 2017, que ocorreu em Atalanta, durante o plantio em uma mata ciliar. Foto: Arquivo Apremavi.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Revisão: Carolina Schäffer.
Foto de Capa: Arquivo Apremavi.

Projeto da UE contra desmate importado precisa de ajustes, diz OC

Projeto da UE contra desmate importado precisa de ajustes, diz OC

Projeto da UE contra desmate importado precisa de ajustes, diz OC

Trinta e quatro organizações ambientalistas brasileiras, entre elas a Apremavi, publicaram nesta terça-feira (15/3) uma declaração conjunta em que pedem melhorias no projeto da UE de regulamento sobre produtos livres de desmatamento.

DO OBSERVATÓRIO DO CLIMA | As ONGs, filiadas ao Observatório do Clima, dizem na carta que a nova proposta de legislação europeia para banir commodities produzidas com desmatamento está na direção certa para cumprir as metas da Declaração de Glasgow sobre Florestas. O acordo voluntário de 2021 tem o objetivo de “deter e reverter” o desmatamento até 2030.

O Brasil é o maior país de floresta tropical do mundo, abrigando 60% da floresta amazônica. Se o país não combater o desmatamento, a declaração de Glasgow e o próprio objetivo do Acordo de Paris estariam em risco.

“É uma proposta necessária e positiva”, diz a declaração sobre o projeto de lei da UE. No entanto, a nova legislação possui lacunas que precisam ser corrigidas. Entre elas estão as necessidades de proteção mais ampla de ecossistemas e de controle mais rigoroso contra “vazamentos” de desmatamento dentro de uma mesma propriedade.

No comunicado, as ONGs argumentam que, ao usar a definição de “floresta” da FAO (agência da ONU para florestas e agricultura), a proposta acaba deixando desprotegidos importantes ecossistemas que poderiam ser alvo de expansão do agronegócio. O principal deles é o Cerrado, um hotspot de biodiversidade para onde o desmatamento da Amazônia pode vazar. Citando dados ainda a serem publicados do consórcio MapBiomas, as organizações afirmam que, “somente no Brasil, 75% do Cerrado, 89% da Caatinga, 76% do Pantanal e 74% do Pampa estariam em risco”.

O grupo de ONGs também diz que há espaço para melhorias nos critérios de due diligence. De acordo com a proposta da Comissão Europeia, a “parcela” de uma fazenda sujeita a auditoria é definida como a área real da propriedade em que uma determinada mercadoria está sendo produzida. Citando um estudo publicado em 2020 na revista Science que descobriu que até 20% das exportações de soja do Brasil para a Europa estavam contaminadas por desmatamento, incluindo o corte raso dentro da fazenda em áreas em que commodities são cultivadas para mercados menos rigorosos, as ONGs sugerem que toda a área de uma propriedade seja considerada para fins de due diligence.

A proposta também precisa de garantias rígidas sobre direitos humanos, dizem as ONGs. As avaliações de risco previstas na legislação proposta “precisam considerar explicitamente as leis e normas internacionais sobre direitos de posse, notadamente de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho”.

O lançamento da carta ocorre às vésperas de uma reunião do Conselho de Meio Ambiente da EU para discutir o regulamento, na próxima quinta-feira (17).

+ Confira o documento aqui. 

Autor: Observatório do Clima. 
Foto de Capa: Vitor Lauro Zanelatto.

Ato Pela Terra e força da Sociedade Civil

Ato Pela Terra e força da Sociedade Civil

Ato Pela Terra e força da Sociedade Civil

Brasileiras e brasileiros estiveram juntos em Brasília para demandar o arquivamento de projetos nocivos à vida e exaltar a pluralidade brasileira.

Na última quarta-feira (09/03) o gramado do Congresso Nacional recebeu milhares de pessoas, numa das maiores mobilizações dos últimos anos. O #AtoPelaTerra, liderado por Caetano Veloso e co-realizado por organizações do terceiro setor, teve como foco mobilizar a sociedade para o impedimento do avanço de propostas recheadas de retrocessos socioambientais que estão tramitando no Congresso, o chamado ‘Pacote da Destruição’.

O ato contou com shows do músico e de outros cantores, como Criolo, Emicida, Seu Jorge, Maria Gadú, Duda Beat, Nando Reis e Baco Exu do Blues. Antes disso, dezenas de ativistas, artistas e líderes ambientalistas do país estiveram com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que se comprometeu em paralisar a tramitação de projetos de lei que já foram aprovados pelos deputados, e estão agora na câmara revisora, como o que muda as regras para o licenciamento de agrotóxicos no Brasil.

Ao comparar com outras manifestações sobre políticas públicas, chama atenção a adesão e apoio de personalidades públicas, de diferentes setores. A participação em peso de cantores, atores, chefes de cozinha e escritores, entre outras classes formadoras de opinião, mostram uma preocupação genuína em colaborar com o desenvolvimento sustentável. Uma mobilização com essa caraterística há muito tempo não era vista no Brasil.

Miriam Prochnow, Wigold Schäffer e Gabriela Schäffer, que integram o quadro de conselheiros da Apremavi, representaram a organização em Brasília, ao lado de centenas de integrantes de iniciativas socioambientais. Miriam compartilhou sua percepção sobre essa união multisetorial em prol do Brasil:

“O ato foi emocionante. Milhares de pessoas unidas em uma só voz e amor pela Terra. Falando claramente que a destruição e os retrocessos precisam parar imediatamente. Sem isso não teremos a mínima chance de sobrevivência enquanto espécie. Apesar da pauta pesada, a energia que emanou do movimento durante todo o tempo foi de paz, esperança e resiliência”.

Resiliência deve guiar a atuação em prol da biodiversidade e da vida neste ano, já que vários Projetos de Lei com retrocessos ambientais estão previstos para serem pautados no Congresso esse ano. Enquanto o Senado se mostrou aberto a ouvir as demandas da sociedade, a Câmara preferiu observar o ato da última quarta-feira pelas janelas e, no mesmo dia, seguiu caminho oposto das demandas da sociedade civil. Liderados por Arthur Lira, os deputados aprovaram um Requerimento de Urgência para a tramitação de uma proposta que libera mineração em Terras Indígenas. 

 

Registros da mobilização, desde as primeiras horas da tarde até os últimos shows, que ocorreram à noite. Fotos: Gabriela Schäffer e Wigold B. Schäffer. 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Arquivo Apremavi.

Protagonistas da restauração: relembre a história das Mulheres que Restauram

Protagonistas da restauração: relembre a história das Mulheres que Restauram

Protagonistas da restauração: relembre a história das Mulheres que Restauram

Neste Dia Internacional da Mulher convidamos você a relembrar as histórias e depoimentos de seis mulheres que são protagonistas da restauração. Elas atuam como coordenadoras de projetos, presidentes de cooperativas, professoras e já plantaram dezenas de árvores. Elas são as Mulheres que Restauram.

Lançada em 2021, Mulheres que Restauram é uma série realizada pela Apremavi para a Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas, com apoio do GT de Gênero e Clima do Observatório do Clima, e teve o objetivo de divulgar histórias de mulheres protagonistas na restauração e no planejamento de propriedades e paisagens, como forma de conscientizar a sociedade sobre a importância da atuação feminina na mitigação da crise do clima e promover o plantio de árvores nativas e a recuperação de áreas degradadas.

A Década da Restauração de Ecossistemas (2021 – 2030) pretende aumentar os esforços para restaurar ecossistemas degradados, criando medidas eficientes para combater a crise climática, alimentar, hídrica e da perda de biodiversidade.

 

Ercília e o sonho de ter uma floresta | Ep. 1

O ano era 1996 quando Ercília Felix Leite voltou para casa dos pais, em Taió (SC), para cuidar deles. Recebendo de herança um pequeno terreno, o sonho dela era ter uma floresta. Esse sonho começou a se concretizar em 1997, quando ela ajudou a plantar mais de 18 mil mudas de 45 espécies nativas da Mata Atlântica. Ercília estima que com a ação de enriquecimento que ela vem fazendo durante os anos e o próprio processo de regeneração, hoje existam cerca de 30 mil espécimes de flora na área.

Episódio 1: conta a história de Ercília Felix Leite e foi lançado no dia 22 de abril de 2021.

Dona Helena e a vontade de ter um pedacinho de terra | Ep. 2

Há 35 anos trocamos um fusca pela terra que a gente mora hoje. Fizemos disso aqui nosso paraíso e hoje não troco essa terra nem por 20 fuscas”, é assim que começa a história de restauração de Helena de Jesus Moreira, a Dona Helena.

Óleo de babaçu, doce de buriti, castanha e açaí, estes são alguns dos produtos que Dona Helena tira da floresta que ela ajudou a restaurar. Além disso, ela coleta sementes das árvores que plantou e ajuda a manter um viveiro de mudas nativas no município de Cotriguaçu. “Precisamos passar para os outros o conhecimento que adquirimos, e esse viveiro é uma das formas de fazer isso. Só a mãe natureza é capaz de nos garantir a vida, o bem-viver e o bem-estar”, comenta Helena que é uma das lideranças da APROFECO e Conselheira Fiscal da REPOAMA, ambas parceiras do Instituto Centro de Vida.

Episódio 2: conta a história de Helena Jesus de Moreira e foi lançado no dia 24 de setembro de 2021.

Edilaine Dick e a vocação de restaurar florestas | Ep. 3

No último semestre da faculdade, Edilaine Dick, que estrela o terceiro capítulo da Série Mulheres que Restauram, fez um curso de restauração de áreas degradadas que mudou sua vida. Foi ali que ela descobriu o que queria fazer: trabalhar com restauração, plantar árvores e mudar a vida das pessoas. “O amor pela causa ficou óbvio depois disso”, menciona a bióloga.

Edilaine Dick, Coordenadora de Projetos da Apremavi, estrela o terceiro capítulo da série Mulheres que Restauram.

Episódio 3: conta a história de Edilaine Dick e foi lançado no dia 13 de outubro de 2021.

Josefa e a felicidade de morar na floresta | Ep. 4

“Eu moro no meio da floresta, sou rodeada de árvores e sou muito feliz”, é assim que Josefa Machado Neves recebe as pessoas na sua propriedade, o Sítio Alvorada. Mas nem sempre foi assim, antes de conhecer e se dedicar aos Sistemas Agroflorestais ela afirma ter cortado muitos pés de acerola que nasciam na propriedade. O estudo a fez mudar da água para vinho e hoje ela é uma mulher que restaura e que vê na floresta uma fonte de sustento e saúde. Essa visão e o seu trabalho a tornaram presidente da Associação das Mulheres Produtoras de Polpas de Frutas de São Félix do Xingu, no Pará.

Episódio 4: conta a história de Josefa Machado Neves e foi lançado no dia 28 de outubro de 2021.

Olinda Yawar e o cuidado com a terra | Ep. 5

Do trabalho pela criação da APA Kaapora, localizada dentro da Terra Indígena Caramuru – Paraguaçu, na região Sul da Bahia, a indígena Olinda Yawar aprendeu que o cuidado com a terra é essencial: “trabalhar com restauração é realmente uma questão de gostar, de pensar num futuro porque o que temos visto é que não temos outra opção.

Episódio 5: conta a história de Olinda Yawar  e foi lançado no dia 22 de novembro de 2021.

Jô Santin e o desejo da terra produtiva | Ep. 6

Integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Joscimar Marins Santin, a Jô, é a estrela do sexto episódio da Série Mulheres que Restauram por acreditar que “as árvores são vida e cada planta que a gente põe na terra a gente tem que colocar na terra com o maior carinho, porque a terra é mãe e gera vida”.

Episódio 6: conta a história de Jô Santin e foi lançado no dia 22 de dezembro de 2021.

Autora: Carolina Schäffer.
Foto de capa: Imaflora.

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