Ipê-branco, floração espetacular na Mata Atlântica

Ipê-branco, floração espetacular na Mata Atlântica

Ipê-branco, floração espetacular na Mata Atlântica

O ipê-branco (Tabebuia roseoalba) é uma espécie muito apreciada por sua beleza e floração. É indicada para o paisagismo e arborização em geral – inclusive em avenidas e sob fiação elétrica – tornando os espaços urbanos mais agradáveis e promovendo belas cenas na época da floração.

A árvore adulta pode variar entre 5 e 18 metros de altura, apresentando tronco reto e cilíndrico de até 60 centímetros de diâmetro. Possui uma casca externa grossa e fissurada, e casca interna fibrosa e amarelada. Os ramos jovens são pilosos e as folhas são compostas, trifolioladas (folha dividida em três subunidades). 

As flores brancas apresentam cálice acastanhado, corola campanulada de coloração branca ou levemente rosada e garganta de traços amarelados. A floração ocorre principalmente em setembro, com a frutificação podendo ocorrer entre outubro e janeiro. 

As sementes dos ipês perdem rapidamente o poder germinativo, que são obtidas dos frutos secos que as espécies Tabebuia spp. produzem. O belo e efêmero florescimento – que ocorre simultaneamente com a ausência de folhas na árvore – pode ocorrer precocemente, afetando drasticamente as chances de reprodução da espécie, porque as sementes morrem antes do início da estação chuvosa. 

A propagação da espécie ocorre por via anemocórica (realizada pela ação do vento). No Brasil, ocorre naturalmente do Pará até São Paulo, com maior frequência próximo ao Pantanal Mato-grossense, habitando as Florestas Estacionais Semideciduais. Também é esparsamente encontrada na Caatinga.

O ipê mantém uma significativa população no Brasil, justamente por seu uso amplo em projetos de paisagismo e nas iniciativas de restauração ecológica, principalmente na Mata Atlântica e no Cerrado. Além disso, é uma espécie resistente às adversidades do tempo: o nome ipê em tupi-guarani significa “árvore de casca grossa”. Em exceção, a  espécie apresenta pouca tolerância à geadas.

Ipê-branco

Registros das flores, frutos e árvore adulta de ipê-branco. Fotos: Arquivo Apremavi, (CC) Maurício Mercadante e (CC) Victor de Paiva.

Ipê-branco

Nome científico: Tabebuia roseoalba (Ridl.) Sandwith
Família: Bignoniaceae
Utilização: a madeira, moderadamente pesada, de boa resistência mecânica e longa durabilidade quando conservada em ambiente seco, foi utilizada no passado principalmente na construção, como assoalhos, vigamentos e acabamentos internos.
Coleta de sementes: logo após o início da abertura espontânea dos frutos. Após a coleta, é indicado deixar os frutos expostos ao sol para completar a abertura, a fim de facilitar a separação das sementes.
Época de coleta de sementes: outubro a dezembro.
Fruto: cápsulas verdes e compridas, contendo numerosas sementes membranáceas e aladas.
Flor: Branca.
Crescimento da muda: Rápido.
Germinação: Rápida, em até 30 dias.
Plantio: Mata ciliar, área aberta, sub-bosques, solo degradado.
Status de conservação: Não listada – Portaria MMA 148/2022; NT – quase ameaçada (IUCN).

Fontes consultadas

BRASIL. Embrapa Milho e Sorgo – MG. Ministério da Agricultura e Pecuária. Natureza vívida – A magia dos ipês. Elaborado por Daniel Pereira Guimarães. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/64586919/artigo-natureza-vivida–a-magia-dos-ipes. Acesso em: 28 fev. 2024.

BRASIL. Portaria nº 148, de 07 de junho de 2022. Portaria MMA Nº 148.Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Portaria/2020/P_mma_148_2022_altera_anexos_P_mma_443_444_445_2014_atualiza_especies_ameacadas_extincao.pdf. Acesso em: 28 fev. 2024.

IUCN. IUCN Red List. 2022. Disponível em: https://www.iucnredlist.org/. Acesso em: 28 fev. 2024.

MIRIAM PROCHNOW (org.). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: Apremavi, 2007. 188 p. Disponível em: https://apremavi.org.br/wp-content/uploads/2018/03/livro-jardim-das-florestas.pdf. Acesso em: 27 dez. 2023.

SAURESSIG, Daniel. Plantas do Brasil: árvores nativas. Irati: Plantas do Brasil, 2014. 432 p.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de Capa: registro de ipê-branco em floração. Foto: ©️Cristina Brito/Embrapa Pecuária Sudeste

Protagonistas da Rede de Sementes visitam a Apremavi

Protagonistas da Rede de Sementes visitam a Apremavi

Protagonistas da Rede de Sementes visitam a Apremavi

Os coletores da Rede de Sementes de Abelardo Luz (SC) visitaram o Centro Ambiental e o Viveiro Jardim das Florestas nos dias 07 e 08 de fevereiro. Na mesma oportunidade, a Apremavi também recebeu representantes da Rede de Sementes do Vale do Ribeira, do estado de São Paulo.

O encontro buscou promover a troca de experiências entre os coletores e conhecimento do processo de produção de mudas no viveiro a partir das sementes coletadas. No primeiro dia do intercâmbio, os participantes conheceram a sede da Apremavi e a Trilha da Restauração, localizada no entorno do viveiro. Para finalizar o dia, percorreram a trilha do Parque Natural Municipal da Mata Atlântica.

Já no segundo dia, a programação iniciou com uma conversa com Maria Tereza Veiga e Zelia Pupo,  coletoras da Rede de Sementes Vale do Ribeira, além do Juliano Nascimento, engenheiro agrônomo do Instituto Socioambiental (ISA) e responsável técnico pela Rede de Sementes Vale do Ribeira. O trio contou a história da rede e a forma de organização do grupo. Além disso, as coletoras puderam contar suas experiências ao longo dos últimos anos como elos das suas comunidades. O elo é uma figura importante nas redes de sementes, responsável por organizar as entregas de sementes e orientar todos os integrantes sobre os acordos da rede.

Em 2022 técnicos da Apremavi fizeram uma visita à Rede de Sementes Vale do Ribeira – que integra o faz parte do Redário e é parceira da Apremavi – para conhecer a iniciativa e visitar a casa de sementes e viveiro no quilombo Nhunguara, bem como uma área em restauração por semeadura direta.

Juliano Nascimento comenta sobre a importância do encontro: “A troca de experiência entre coletores e coletoras de sementes nativas é essencial para o desenvolvimento de tecnologias sociais para a produção de sementes de base comunitária, possibilitando a partilha do conhecimento entre agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais e assentados da reforma agrária, que sempre transmitiram seu conhecimento através da oralidade e do convívio com a floresta.”

Registros das atividades na sede da Apremavi. Fotos: Marluci Pozzan e Miriam Prochnow.

A segunda parte da manhã foi conduzida por Leandro Casanova, coordenador de projetos da Apremavi e Alex Sieves, viveirista da Apremavi. O grupo aprendeu sobre coleta, beneficiamento e armazenamento dos principais grupos de sementes nativas. Além disso, pôde conhecer melhor o processo de produção de mudas na Apremavi, desde a semeadura até a rustificação das mudas. 

Ivanir Oliveira, moradora de Abelardo Luz e integrante da Rede de Sementes do município, conta como é participar participar da rede e do intercâmbio: “É uma experiência e um conhecimento muito gratificante você saber que coletou a semente do chão, cuidou dela, e agora ela já está ali crescendo. É muito prazeroso saber que aquela sementinha vai ser plantada em outro lugar e daqui há alguns anos vai produzir frutos também. É uma rede de sementes, mas também é uma rede de trabalho entre várias pessoas.”

Autora: Marluci Pozzan
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Marluci Pozzan

Tecendo, criando e plantando mudanças: redes e artivismo de Nara Guichon

Tecendo, criando e plantando mudanças: redes e artivismo de Nara Guichon

Tecendo, criando e plantando mudanças: redes e artivismo de Nara Guichon

“Não existe lixo, existe mau encaminhamento dos resíduos. Tudo provém de uma matéria-prima, da ação da Natureza, e nós estamos tratando como lixo” 

Mudar a condição de um material através do olhar, antes mesmo do toque, da dedicação e do trabalho. A artista e ativista Nara Guichon já enxerga nas redes de pesca descartadas possibilidades de expressão através do fazer artístico, percebe o que alguém julgou como inútil antes de realizar o descarte inadequado no oceano como possibilidades de criação. Faz tricô com o material e concebe peças que, mesmo sem palavras, expressam um manifesto de negação ao lixo e ao uso único dos materiais. 

Nara é gaúcha, mas mora há décadas no sul de Florianópolis. A vida cotidiana numa cidade onde a pesca e a maricultura são atividades econômicas significativas – em diferentes escalas – tornou inescapável o encontro da então artesã dedicada aos tecidos com as redes deixadas diretamente nas praias, ou que nelas chegaram após o abandono no oceano.

O descontentamento com a poluição por esse material e todos os impactos à fauna, flora e aos ecossistemas costeiros e marinhos provocou a artista à ação. Desde a década de 1990 Nara coleta, lava, tinge com pigmentos naturais e costura manualmente as redes, dando ao material sentido novo e provocando através de suas obras a conscientização sobre a poluição dos oceanos. A artista busca mudanças no mundo e nas formas de viver o mundo, tece para sensibilizar as pessoas sobre a finitude dos recursos naturais e demandar mudanças na forma com que sua espécie explora a Terra.

Do desejo de ver um futuro mais sustentável surgem obras esculturais que  superam o tamanho da artista. As redes também são utilizadas para criações em dimensões menores, proporcional às mãos, como as esponjas para lavar louças e sacolas para compras no hortifruti. Inspira com a arte, mantendo o compromisso com a realidade e com um dos seus grandes anseios: que os produtos sejam mais duráveis, acessíveis e distantes da lógica do uso único do material e envio ao aterro sanitário.

Seu tempo no ateliê é dividido com sua floresta, em contínua expansão e mutação. Em 1988, Nara Guichon tornou-se associada da Apremavi, colaborando de modo contínuo e ativo. Muitas das que agora são árvores na sua terra já foram mudas no Viveiro Jardim das Florestas, além das milhares que foram plantadas em Santa Catarina através da doação de uma parcela dos lucros auferidos com as vendas no seu ateliê. Caminhando entre florestas e restingas, Nara semeia o futuro.

Nara em sua casa, ateliê, jardim e floresta. Fotos: Vitor Lauro Zanelatto. 

Sementes de Futuro

Em busca de inspiração, a Apremavi apresenta nesta nova série de vídeos diversas formas de viver de forma ativista. Pessoas que se dedicam a contribuir com um mundo mais sustentável e biodiverso, criando soluções e buscando promover mudanças nos desafios locais e globais do nosso presente. 



 

Autor: Vitor L. Zanelatto
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Vitor L. Zanelatto

O Decênio Decisivo: chamado para enxergar as crises do mundo

O Decênio Decisivo: chamado para enxergar as crises do mundo

O Decênio Decisivo: chamado para enxergar as crises do mundo

Quanto tempo temos para salvar o futuro? O roteiro de destruição da Terra que está posto demanda uma mudança de direção nos modos de produção, consumo e exploração no nosso planeta. Este é o Decênio Decisivo. 

Quanto vale a vida humana? E a vida das outras espécies?
A natureza, intrincado e imensurável conjunto de interações entre o ambiente e as diferentes formas de vida que existem e que dependem uma das outras para existir está mais ameaçada a cada dia que passa, por conta dos rumos que a humanidade seguiu nos últimos séculos. Nem todos os humanos são responsáveis por isso, e alguns poucos são muito mais responsáveis que grande parte da população mundial. 

O valor imensurável da vida contrasta com a busca pelo acúmulo de riqueza a qualquer custo no tempo em que vivemos, gerando a maior ameaça à sobrevivência, das pessoas e de todos os seres os quais somos dependentes. No livro “O Decênio Decisivo”, Luiz Marques apresenta as diversas crises do antropoceno, um tempo de descalabros e crises múltiplas movidas pelo afastamento da nossa espécie da natureza, criando mudanças globais e locais capazes de extinguir espécies, aumentar a temperatura do planeta Terra e aumentar as desigualdades.

“É fato que o consumo de energias renováveis de baixo carbono está aumentando a taxas maiores que as de consumo dos combustíveis fósseis. Mas isso é irrelevante para a evolução do clima. O que importa para essa evolução é a quantidade de Gases de Efeito Estufa concentrada na atmosfera. Ao contrário dos humanos, o sistema climático não se impressiona com porcentagens”

O autor dedica-se em explicar de maneira acessível – ao mesmo passo que mantém um grande rigor científico – os principais catalisadores da emergência climática, desde os combustíveis fósseis até a conexão entre a crise na alimentação mundial, o uso desenfreado de agrotóxicos e a perda de insetos polinizadores nas áreas antropizadas. O estado da arte e as mudanças de paradigma necessárias para enfrentamento da emergência climática, como a transição energética, adaptação das formas de produzir e consumir e a mitigação dos efeitos da mudança no clima que já causam inúmeras consequências criam uma linha para conduzir o leitor para um diagnóstico inescapável de como as grandes sociedades contemporâneas estão ignorando a maior ameaça à vida já promovida pela sua própria espécie. 

“As emissões causadas pela pecuária somam 30% das emissões totais de metano, 27% provenientes da atividade entérica dos rebanhos. Trata-se de uma contribuição quatro vezes superior que a das emissões provenientes dos arrozais e substancialmente equivalente à das fontes de emissão de metano provenientes dos combustíveis fósseis e da mineração de carvão (33%)”

Também são apresentadas as problemáticas do consumo de carne na atualidade, produzida em escala industrial, a partir do uso de commodities para a alimentação dos animais. Amplamente danoso, o modelo produtivo de proteína animal vigente é danoso, sobretudo as áreas naturais – que são desmatadas para a produção em escala de commodities – e nas emissões de metano. Ainda nessa linha, há o crescente aumento do uso de agrotóxicos na produção de alimentos. O cenário é esmiuçado pelo autor, a leitura não é feita impunemente: busca-se promover uma reflexão de como as pessoas tem se alimentado e como ao longo do tempo os alimentos tornaram-se produtos produzidos em escala, sem levar em consideração a nutrição, o bem-estar animal ou a qualidade, mas apenas as possibilidades de lucro.

“A combinação do fator climático com todos os fatores típicos das atividades do agronegócio – desmatamento, intoxicação e morte dos organismos por agrotóxicos, aniquilação da biodiversidade, uso irresponsável de antibióticos e uso insustentável dos solos – explica por que (…) a taxa do aumento do ‘fator total de produtividade’ da agricultura começou a declinar” 

Segundo o autor, superar o capitalismo é medida-chave para frear a emergência climática. Em contraste, nem mesmo as democracias liberais do mundo se mostram ameaçadas e conflitos armados estão ocorrendo neste instante no mundo, um cenário desesperador para aqueles que acreditaram num cenário internacional globalizado, mais seguro e pacífico. A contínua perda de credibilidade da governança global climática e da eficiências das Conferências das Partes para o Clima (COPs), a ineficiência no cumprimento dos compromissos pelos países e a ausência de medidas efetivas para descarbonizar as economias e extirpar o uso de combustíveis fósseis mostram que metas oficiais estão longe da eficiência, e que a mobilização e demanda das sociedades por mudanças também precisam ser mais significativas.

“A questão não é mais, portanto, sobre quais são os limites nem sobre onde situá-los na escala de sustentabilidade. A questão é política, pois quem fala em limites deve afrontar dois problemas: (i) quem pode e deve estabelecê-los; e (ii) como garantir que sejam implantados e respeitados. Esses dois problemas nos conduzem a questão da democracia (…)”  

O Decênio Decisivo precisa de honestidade das pessoas para enxergar as crises do mundo. A mobilização, pressão e visibilidade para a urgência em que vivemos não busca promover o desespero, mas sim uma mudança no colapso indiscutível que se arranja em nosso futuro se a rota traçada no presente se manter a mesma. 

“Há um novo projeto de mundo que tem sido ofertado pelos povos originários, verdadeiros guardiões do planeta. É um projeto de descolonizar a vida e abrir caminho para a sociedade da felicidade e do amor, do bem-viver, do envolvimento. Um reencontro a partir de uma nova matriz energética, dos direitos da natureza em oposição à distopia de terra arrasada e do colapso climático”
– ‘Chamado pela Terra’, manifesto de Sônia Guajajara e outras lideranças indígenas para as eleições nacionais de 2022, destacado na abertura do capítulo ‘Propostas para uma política de sobrevivência’. 



Sobre o autor

Luiz Marques é professor livre-docente aposentado e colaborador do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde foi co-fundador do curso de pós-graduação em História da Arte. Foi pesquisador convidado no Institut Français de Florence e é autor de ensaios, livros e catálogos sobre a tradição clássica, sobretudo no âmbito da história da arte da Itália dos séculos XIII ao XVI. Entre 1995 e 1997, foi curador-chefe do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Nos últimos quinze anos, tem se dedicado à docência e a pesquisas sobre as crises socioambientais contemporâneas. 

Foi professor convidado na Universidade de Leiden, na Holanda, e publicou artigos e livros, entre os quais Capitalismo e colapso ambiental (Editora da Unicamp, 2015; publicado em inglês pela Springer, 2020), que em 2016 obteve o Prêmio Jabuti e o segundo lugar no Prêmio da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (Abeu). Entre 2017 e 2021, contribuiu regularmente com artigos para o Jornal da Unicamp. É atualmente professor sênior da Ilum — Escola de Ciência, vinculada ao Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), e membro do Coletivo 660, nascido do Fórum Social Mundial. 

 

Livro "O Decênio Decisivo"

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto

Jovem usa a goiaba-serrana para desenvolver pomada fitoterápica

Jovem usa a goiaba-serrana para desenvolver pomada fitoterápica

Jovem usa a goiaba-serrana para desenvolver pomada fitoterápica

Em uma escola pública de Água Doce (SC), estudantes e professores encontraram na goiaba-serrana, espécie da Mata Atlântica, inspiração para produzir um projeto de pesquisa e desenvolver uma pomada anti-inflamatória. 

A iniciativa surgiu com a integração de alguns componentes curriculares da escola, como metodologia científica, química, matemática, sociologia e projeto de conservação ambiental. Dessa forma, a professora Janete Rodrigues e seus colegas buscam exercitar os princípios para a produção de ciência, ainda na escola pública.

O projeto “Uso sustentável de propriedades medicinais da goiaba-serrana (Acca sellowiana) na produção de uma tintura fitoterápica e pomada cicatrizante” iniciou com uma pesquisa bibliográfica da literatura sobre a espécie; seguida de pesquisa de campo nas áreas onde a espécie se desenvolve. Os estudantes puderam descobrir as várias propriedades medicinais importantes que a espécie apresenta, segundo dados da literatura, como propriedades anti-inflamatórias. Depois disso, experimentos foram desenvolvidos na escola para produzir os insumos e desenvolver a formulação ideal. 

A falta de estrutura para a pesquisa e desenvolvimento de experimentos foi o principal desafio para desenvolver o projeto, conforme explica Janete Rodrigues, professora orientadora do projeto: “Nós temos um laboratório na escola, mas faltam insumos e equipamentos. Utilizamos aparelhos de universidades da região, que também auxiliaram na realização dos testes com o protótipo da pomada. Produzir ciência na escola pública é uma prática de resistência”.  

Os principais conhecimentos que buscamos apresentar no projeto são as propriedades da goiabeira-serrana, que podem ter uso sustentável e serem utilizadas na área medicinal, de forma fitoterápica e em aplicações cicatrizantes, destaca Eloise Antunes de Lima, estudante autora da pesquisa.

 

Registro das apresentações de Eloise nas feiras em que participou

Registros das apresentações de Eloise nas feiras em que participou. Fotos: Divulgação/Janete Rodrigues. 

O resultado do projeto é uma pomada cicatrizante sustentável e natural, que tem como compostos principais a tintura obtida das folhas da goiabeira-serrana, óleo de coco, óleo de amêndoas, cera de abelha e goma xantana. As descobertas foram apresentadas na feira Infomatrix, em Blumenau (SC), onde conquistou uma vaga para participar da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (MOSTRATEC), realizada em outubro de 2023 em Novo Hamburgo (RS). 

Nesse segundo evento, o projeto de Eloise foi um dos 12 selecionados entre mais de mil projetos de pesquisa para representar o Brasil na maior feira pré-universitária de ciência e engenharia do mundo, a  Regeneron ISEF (Regeneron International Science and Engineering Fair) que será realizada de 11 a 17 de maio de 2024, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

A professora Janete compartilhou o que planejam para a participação no evento internacional:  “A expectativa em relação à Feira na Califórnia é mostrar a biodiversidade do nosso estado e os potenciais do uso sustentável, que respeita o meio ambiente e promove a ciência. É a primeira vez que uma estudante de Santa Catarina participa desse evento; e será uma grande honra representar o Brasil e a nossa região na maior feira pré-universitária de ciência e engenharia do mundo”. 

Conhecer a biodiversidade local é uma etapa fundamental para a proteção da natureza e para o uso sustentável dos recursos, por isso o tema é trabalhado com constância na escola Escola Estadual Ruth Lebarbechon. Em algumas dessas ocasiões, a pedido da escola, a Apremavi realizou a doação de mudas nativas da Mata Atlântica, como a goiaba-serrana, que são utilizadas em plantios na comunidade escolar e em atividades de educação ambiental.

Valorização da biodiversidade

A pesquisa também está conectada com a realidade do território da escola, e busca divulgar as possibilidades para promover o desenvolvimento sustentável, voltada à realidade dos pequenos proprietários rurais da região. Além das folhas e frutos de goiaba-serrana, outros insumos naturais são utilizados na composição da pomada, como a cera de abelha residual da apicultura, que também pode ser comercializada. 

Novos produtos para a áreas da saúde já estão no horizonte da equipe que desenvolveu o projeto premiado. Um deles é uma membrana curativa, que também tem como princípio ativo a goiaba-serrana; a ideia é utilizar a farinha do mesocarpo do fruto, resíduo produzido na extração do óleo essencial, para a composição de um curativo anti-inflamatório para aplicação em queimaduras. Essa nova ideia também já está em fase de testes de eficácia da composição, em parceria com universidades, como o Instituto Federal Catarinense e a Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP). 

A professora Janete destaca a importância de valorizar e de promover suporte a iniciativas como essa, para que as comunidades escolares tenham condições de avançar na educação científica: “Outro desafio é a cobertura de custos para o desenvolvimento da pesquisa e apresentação dos resultados, em feiras e mostras. Por isso, a estruturação de escolas públicas e a valorização de estudantes e professores empenhados em produzir ciência é essencial”

Para ajudar Eloise a participar da feira que acontecerá em maio na Califórnia e apresentar sua pesquisa, a escola está organizando uma vakinha online, com o objetivo de cobrir os custos da participação, como a emissão do visto de viagem e passagens aéreas. 

> Apoie o projeto


* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações de profissionais habilitados.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Vitor Lauro Zanelatto

Incêndios no Parque do Tabuleiro dizimam 230 hectares em 2023

Incêndios no Parque do Tabuleiro dizimam 230 hectares em 2023

Incêndios no Parque do Tabuleiro dizimam 230 hectares em 2023

Em 2023 a maior Unidade de Conservação de Santa Catarina registrou pelo menos três grandes incêndios. Em tese protegida e criada para proteger a biodiversidade, repetidamente a área sofre ataques que buscam a ocupação ilegal das terras. 

O Parque da Serra do Tabuleiro protege 84.130 hectares de Mata Atlântica, abrangendo 8 municípios de Santa Catarina. As fitofisionomias de Manguezal, Restinga, Floresta Ombrófila Mista e Floresta Ombrófila Densa, as formações geográficas de cordões arenosos e vegetação com influência salina e a rica biodiversidade da região descrita pelos botânicos e ecologistas Pe. Raulino Reitz e Roberto Miguel Klein ainda na década de 1970 motivaram o estado a criar a Unidade de Conservação. No século XXI, essas paisagens naturais continuam sendo atacadas em detrimento do avanço da especulação imobiliária, principalmente nas áreas próximas às praias. 

A realidade do Parque Estadual do Tabuleiro (PAEST) sintetiza os problemas de grande parte das áreas protegidas do país: a destruição promovida pelos incêndios criminosos é vista da Floresta Amazônica até a restinga do sul da Mata Atlântica. Os principais motivadores para esses crimes ambientais buscam a mudança na área para a invasão e implementação de atividades econômicas, ou ainda em retaliação à criação da Unidade de Conservação e à legislação socioambiental, a linha é tênue. 

No Parque do Tabuleiro os incêndios geralmente ocorrem nas áreas de restinga, sobretudo na região da Baixada do Macambu. Há formações de restinga arbórea, herbácea e arbustiva, essas duas últimas onde os incêndios são mais frequentes. Outro problema da área é a presença de Pinus sp., árvore exótica invasora que produz biomassa altamente comburente através da queda das folhas secas, o que faz o fogo se alastrar com rapidez, sobretudo com os ventos constantes na área litorânea. Nessas condições, o êxito da ação criminosa é praticamente garantido.

A ação contra o fogo neste episódio foi coordenada pelo Corpo de Bombeiros, com apoio dos brigadistas do parque e da Polícia Militar. Luiz Henrique Fragoa Pimenta, que atua no PAEST, comenta que esse cenário de destruição tem se repetido: “Em 2023 houve pelo menos três incêndios na área do parque, um em abril e dois em dezembro”.  Apenas no último mês  cerca de 230 hectares atingidos, dizimando populações de espécies da fauna, flora e funga da restinga catarinense, muitas endêmicas e ameaçadas de extinção.

parque do tabuleiro

No último incêndio, que ocorreu no Natal de 2023, atingiu estradas, bloqueou acesso às praias e precisou mobilizar diversas instituições para ser controlado. Fotos: @restingas.do.sul/João de Deus Medeiros.

O Parque conta com um plano de contingência para incêndios ambientais, elaborado em conjunto com a defesa civil e órgãos de segurança, buscando não apenas extinguir os incêndios, mas também promover investigações sobre a origem e responsabilidade desses episódios, ação essencial para que de fato os autores sejam identificados e aplique-se à legislação ambiental ao caso. Outra atividade que está sendo realizada pela administração do PAEST é a sinalização das áreas críticas e cercamento de espaços nas áreas de borda da Unidade de Conservação. 

O colaborador na administração do PAEST relata que é muito difícil coletar provas e responsabilizar os autores dos crimes, mesmo com as investigações da Polícia Civil e trabalho da Polícia Científica. Isso porque há uma estratégia em promover os focos de incêndio à noite, horário de menor movimento nas estradas e quando os colaboradores do Parque não estão atuando. 

Pimenta destaca o esforço para buscar sensibilizar a população e promover na comunidade um movimento pela proteção do Parque do Tabuleiro: “Outra estratégia para mitigar episódios como os de dezembro é a educação ambiental, com oficinas de combate à incêndio, atividades de educação ambiental nas escolas e atividades de monitoramento“. Também há uma rede colaborativa com a comunidade da região limítrofe ao Parque, buscando comunicar  focos de incêndio rapidamente, através do WhatsApp. 

Com pouca comoção política e cobertura da mídia local sobre o assunto, é preciso manter a vigilância não apenas no Parque do Tabuleiro, mas em todas as Unidades de Conservação, patrimônios públicos para nós e chance de sobrevivência para muitas espécies. Valorizar as áreas protegidas, apoiar propostas legislativas sobre a temática e manter a vigilância, denunciando qualquer indício de ação criminosa é essencial para evitar a perda de áreas naturais. As áreas protegidas precisam da nossa proteção.

 

parque do tabuleiro

Área litorânea do PAEST. Foto: IMA SC.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Colaboração: Luiz Henrique Fragoa Pimenta
Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: registro do incêndio no PAEST em 25/12/2023. Foto: @restingas.do.sul/João de Deus Medeiros

Nova publicação do OCF: desafios e soluções para a conservação

Nova publicação do OCF: desafios e soluções para a conservação

Nova publicação do OCF: desafios e soluções para a conservação

No último mês o Observatório do Código Florestal lançou a publicação “Código Florestal nos biomas, desafios e soluções” que aborda as complexidades e desafios de conservação enfrentados pelos seis biomas brasileiros sob a ótica do Código Florestal, a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012.

O conteúdo busca informar a sociedade e guiar a atuação dos membros do observatório em cada um dos biomas para o avanço da implementação do Código Florestal e foi elaborado a partir de discussões de especialistas em cada um dos biomas.

No capítulo intitulado “O Código Florestal e os desafios para a conservação no bioma Mata Atlântica” são apontados alguns desafios e soluções: 

 
Desafio 1: Implementar e salvaguardar as legislações em vigor, em especial o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica.

É destacado que 50% dos alertas de desmatamento na Mata Atlântica desde 2018 ocorreram em Áreas de Preservação Permanente (APPs), sendo 90% desses alertas correspondem a desmatamentos ilegais. A urgência na implementação das leis de proteção, como o Código Florestal (CF) e a Lei da Mata Atlântica, é ressaltada devido à falta de efetividade na aplicação, atribuída à falta de vontade política e ataques às normas. 

O CF de 2012 anistiou parte do desmatamento em áreas rurais consolidadas em APPs até julho de 2008, enquanto a Lei da Mata Atlântica estabeleceu a proteção de vegetações primárias e secundárias. Recentemente, o Ministério do Meio Ambiente acolheu um parecer da Advocacia Geral da União (AGU) defendendo a aplicabilidade de artigos do CF nas áreas da LMA, gerando um conflito legal. 

A ação da AGU pode resultar na anistia de desmatamentos entre 1990 e 2008, enfraquecendo os mecanismos de proteção e aumentando o risco de desmatamento e degradação ambiental em áreas sensíveis da Mata Atlântica.

Solução 1.1: Resolver o conflito jurídico criado entre a Lei da Mata Atlântica e o Código Florestal 

・Defesa da prevalência da Lei da Mata Atlântica com base no próprio ordenamento jurídico, como defendido pelos Ministérios Públicos Federal e Estaduais e sociedade civil organizada.

・Produção de conhecimento científico sobre os impactos do reconhecimento de áreas consolidadas em APPs na Mata Atlântica para embasar decisões jurídicas e sensibilizar a população

・A mobilização social indo além e questionando junto às cortes os atos praticados pelo poder público ou atores privados que sejam prejudiciais ao direito fundamental ao ambiente ecologicamente equilibrado, citando como exemplo a mobilização que a Apremavi participou com outras ONGs

Desafio 2: Engajar os municípios na proteção e recuperação de áreas degradadas na Mata Atlântica. 

Os desafios para a conservação na Mata Atlântica são heterogeneamente distribuídos, com 23% dos municípios possuindo menos de 10% de habitat remanescente. Além disso, 100 municípios concentram 70% do desmatamento entre 2018 e 2019, evidenciando a necessidade de estratégias específicas para problemas locais na conservação do bioma.

Solução 2.1: Estimular o desenvolvimento dos Planos Municipais de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA).

A Lei da Mata Atlântica (LMA) introduziu o Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA) como um instrumento pouco explorado, permitindo que os municípios personalizem a implementação da LMA de acordo com sua realidade. O PMMA abrange prioridades locais, incluindo conservação, licenciamento ambiental, restauração da vegetação, ações preventivas e envolvimento da comunidade, proporcionando uma oportunidade para parcerias público-privadas que se alinhem às agendas nacionais e globais de mudanças climáticas, conservação e restauração.

Desafio 3: Proteger os ecossistemas vulneráveis 

Os campos de altitude, restingas e manguezais da Mata Atlântica enfrentam maior vulnerabilidade devido à pressão antrópica, falta de monitoramento efetivo, inação política na proteção e ataques constantes às normativas específicas. A Mata Atlântica, rica em biodiversidade adaptada a campos naturais e de altitude, enfrenta uma conversão acelerada dessas áreas, atribuída à dificuldade de monitoramento, confusão entre campos nativos e pastagens, além da desvalorização social dessas áreas, facilitando seu uso irregular.

A perda de proteção legal dos campos naturais, com a redução em 90% da área de topos de morro protegidas pelo Código Florestal de 2012, amplia os desafios de conservação nesses ecossistemas cruciais.

Restingas e manguezais, essenciais para combater a erosão costeira e enfrentar os impactos das mudanças climáticas, estão sob intensa pressão de conversão pelo setor imobiliário. Apesar das proteções legais estabelecidas pelo Código Florestal, Lei da Mata Atlântica e Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, bem como resoluções do CONAMA que garantiam medidas protetoras foram recentemente revogadas – como a faixa protetora de 300 metros para as restingas – destacando a instabilidade jurídica enfrentada pelos instrumentos de proteção às vegetações costeiras.

 A mobilização social bem-sucedida, que reverteu a decisão no STF, destaca a importância da conscientização pública na defesa desses ecossistemas cruciais para a adaptação às mudanças climáticas e a preservação da costa, mas ilustra o regime de instabilidade jurídica a que os instrumentos de proteção às vegetações costeiras estão submetidos.

Solução 3.1: Aprimorar os instrumentos de proteção aos campos de altitude.  

・Capacitação dos agentes de fiscalização e aprimoramento dos sistemas de monitoramento

・Sociedade civil mobilizada, em parceria com a academia e Ministérios Públicos deve pressionar o poder público pelo cumprimento da LMA nas áreas de campos nativos remanescentes e pela restauração ecológica daqueles em uso irregular

Solução 3.2: Assegurar a implementação dos instrumentos de proteção aos ambientes de restingas e manguezais. 

・Salvaguarda de todos os instrumentos de proteção complementares ao CF, bem como a contínua mobilização social embasada na ciência e no interesse público.

・Implementação dos planos de gerenciamento costeiro estaduais e municipais também pode estabelecer áreas prioritárias de conservação das restingas.

Publicação OCF
O Observatório do Código Florestal

O Observatório do Código Florestal é uma rede criada em maio de 2013 para promover o controle social da implantação da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 (Lei de Proteção da Vegetação Nativa do Brasil) e garantir integridade ambiental, social e econômica às florestas em áreas privadas. Em 2022, 43 organizações da sociedade civil fazem parte da rede e atuam em prol do objetivo comum de proteção, restauração e uso sustentável das florestas

Autora: Thamara Santos de Almeida, com informações do Observatório do Código Florestal
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Parque Natural Municipal Mata Atlântica, localizado em Atalanta (SC),  ©️ Wigold Schäffer

Como lidar com um Planeta em ebulição?

Como lidar com um Planeta em ebulição?

Como lidar com um Planeta em ebulição?

Cinco dias após o início do verão os termômetros da Serra Catarinense registravam 5 graus e a paisagem amanhecia coberta com uma geada típica de outra estação. Em contraste, ainda em novembro, o relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) já apontava 2023 como o ano mais quente da História. Nesse intervalo de tempo, as regiões Sudeste e Centro Oeste do país enfrentavam uma onda de calor nunca antes vista com recordes de temperatura; do Norte e do Centro Oeste as manchetes traziam imagens assustadoras dos maiores rios da Amazônia sem água, enquanto o Pantanal sucumbia numa nuvem de cinzas por conta das queimadas; e no Sul, com destaque para Santa Catarina, chuvas intensas e volumosas, enchentes com recordes históricos de proporção e duração, seis tornados e um novo alerta da Defesa Civil para um ciclone extratropical, colocavam o estado no centro das atenções por conta da constante situação de risco.

O apanhado de manchetes do parágrafo anterior é um retrato real de que o clima na Terra está mudando drasticamente e isso é resultado de um Planeta em ebulição, que já apresenta registros de aumento na temperatura global de 1,32°C em comparação aos índices da era pré-industrial (1850-1900). Diante destes números e, considerando que faltam apenas 7 anos para o prazo fatal proposto pelo Acordo de Paris para limitarmos o aumento da temperatura em 1,5°C, parece pouco provável que consigamos cumprir a meta sem fazer um reajuste de rota, implementando metas mais ambiciosas e compromissos efetivos.

É claro que não podemos deixar de mencionar que o fenômeno El Niño, que surge quando há o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, agrava o cenário das mudanças climáticas, mas são as ações e omissões humanas que criaram este cenário de crise.

Aplicamos a palavra crise de forma equivocada, porque em certos dicionários ela quer dizer mudança súbita, já que as consequências que vemos hoje são causadas por décadas de negligência com o Planeta; que acúmula um excesso de gases de efeito estufa, liberados com a queima de combustíveis fósseis e a mudança de cobertura e uso do solo, e esquenta sem parar.

Além do fenômeno cíclico de nome latino, no caso de Santa Catarina, uma das ações que agrava o cenário de crise e tem colocado a população, sobretudo os mais vulneráveis, em risco, foi e continua sendo, a construção das cidades nas áreas contíguas aos rios, praticamente sobre os cursos d’água em muitos casos, e a ocupação desenfreada das áreas de preservação permanente (APPs), mesmo depois dos desastres de 1983 e 1984, que se repetiram em 2023, ter feito vários municípios do Vale do Itajaí enfrentassem as maiores enchentes da história da região.

Imagens da enchente de novembro de 2023 que devastou cidades do Alto Vale do Itajaí, deixando para trás um rastro de destruição imenso, com prejuízos ecológicos, econômicos, sociais e humanos. Fotos: Carolina Schäffer.

A pergunta que permeia a sociedade quando a enchente bate à porta infelizmente pouco tem a ver com a ocupação das áreas de risco. As populações nessas horas têm um único objetivo: sobreviver. Em algumas instâncias a crise no clima é citada, mas assim como se lava a lama que a enxurrada trouxe, parece que também são lavadas da memória da população as conversas sobre as ações que levaram todo mundo a viver aquilo.

Sabemos que as ações anti-ambientais e negacionistas trazem consequências climáticas extremas imediatas. Nesse cenário de emergência, que cidades do Vale do Itajaí viram em cinco ocasiões diferentes só em 2023, pouco se elabora sobre a omissão por parte dos governantes ao se absterem de atitudes resolutivas no longo prazo e ignorarem a legislação ambiental vigente e, para piorar, insistirem na tentativa de sanção de leis e decretos que ignoram, por exemplo nesse caso, as faixas de proteção mínima dos rios, conforme previsto pelo Código Florestal

Não é apenas investindo em grandes obras de infraestrutura, como nomenclaturas que emulam novas tecnologias eletrônicas ou baseadas no vício histórico de importar soluções estrangeiras para buscar soluções às problemáticas do Brasil – como parece ser o foco de muitos governos – que novos cenários de enchentes serão evitados; é preciso olhar para a paisagem e buscar soluções baseadas na natureza.

Essas soluções começam com a desocupação das margens dos rios e impedindo que novas construções e aterros sejam feitos nas APPs, com o planejamento de construções adaptadas para enchentes em áreas inundáveis fora das APPs e um direcionamento imediato do crescimento das cidades para áreas não sujeitas a inundações ou deslizamentos. Além disso, os especialistas têm repetido com exaustão, se soubermos manter nossas florestas bem conservadas, elas podem ser tão ou até mais importantes na minimização dos efeitos das cheias periódicas, em comparação comas barragens para a contenção de cheias, obras multimilionárias e defendidas por muitas lideranças políticas. Essas estruturas para a contenção de grandes volumes de água à jusante podem implicar em significativos impactos, como o descumprimento de direitos fundamentais e injustiças socioambientais, vistas à exaustão na região da Barragem Norte, em José Boiteux (SC).

O reajuste de rota é necessário e só assim vamos conseguir lidar com o Planeta em ebulição. É preciso garantir a conservação das florestas e trabalhar pelo envolvimento amplo da sociedade nos projetos de restauração dos ecossistemas; afinal, ambos ajudam a manter a biodiversidade e a boa formação de solos, amenizam os climas extremos, protegem as encostas contra deslizamentos de solos, conservam os mananciais, a qualidade e quantidade das águas, além de contribuírem para a harmonia paisagística e para o ecoturismo.

A realidade da emergência no clima, do nosso Planeta em ebulição e das calamidades pelos eventos climáticos extremos está posta, é inegável e cada vez mais intensa. Os seres humanos e não-humanos já estão sentindo e sofrendo graves consequências, encarando a perspectiva do ano mais quente até aqui ser também o ano mais fresco do resto das nossas vidas. Resistiremos e continuaremos buscando um futuro sustentável e equilibrado. O trabalho é árduo, mas é a única chance de proteger a vida, e essa é a missão da Apremavi. 

 

Autora: Carolina Schäffer
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Registro da última enchente no Alto Vale (nov/2023). ©️Carolina Schäffer

Água: restaurar para garantir o fluxo da vida ・Código Florestal na Prática

Água: restaurar para garantir o fluxo da vida ・Código Florestal na Prática

Água: restaurar para garantir o fluxo da vida ・Código Florestal na Prática

O Código Florestal é claro e eficiente nas determinações para a proteção dos recursos hídricos, ponto de partida para a restauração de áreas que passaram pela mudança de uso do solo ao longo das décadas. O exemplo vem das margens do rio Água Verde, no Planalto Norte Catarinense.

Pensar na proteção da água – em escala de uma comunidade ou de um país – é atividade prioritária para garantir a sustentabilidade do território, a vida e o equilíbrio ecossistêmico. Em meio a emergência climática do que enfrentamos no presente, promover a restauração e proteger os recursos hídricos também são medidas para a resiliência das cidades e comunidades, reduzindo assoreamento, arrastes de matéria orgânica e deslizamento do solo. 

O trabalho deve começar na Mata Ciliar, nome dado para as florestas e demais formas de vegetação nativa que protejam margens de rios ou nascentes. De acordo com o Novo Código Florestal, as áreas de preservação permanente – APPs (art. 4º), em zonas rurais ou urbanas, são as faixas marginais de qualquer curso d’água natural, perene e intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de:

・ Nascentes: raio de 50 metros em forma de círculo;
・ Rios com até 10 metros de largura 30 metros em cada margem;
・ Rios de 10 a 50 metros de largura 50 metros em cada margem;
・ Rios de 50 a 200 metros de largura 100 metros em cada margem;
・ Rios de 200 a 600 metros de largura 200 metros em cada margem;
・ Rios acima de 600 metros de largura 500 metros em cada margem.

APPs Código Florestal

É importante ressaltar que o tamanho (largura) das faixas de APP nas margens dos rios, das nascentes, das lagoas e lagos não mudou com o Novo Código Florestal; o que mudou é o tamanho (largura) da faixa a recuperar naqueles imóveis onde existem áreas de APP com uso consolidado antes de 22 de julho de 2008, ocupadas com edificações, benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris. Em todos os casos é obrigatório recuperar a faixa mínima estabelecida pela lei de acordo com o tamanho do imóvel.

Os critérios para definir uma pequena propriedade rural são apresentados na Lei nº 11.326/2006
I. Não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais
II. Utilize predominantemente mão de obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento;
III. Tenha percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento, na forma definida pelo Poder Executivo;
IV. Dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.

Módulo fiscal – De acordo com a Lei nº 6.746/1979, módulo fiscal é uma unidade de medida agrária, expressa em hectares, que corresponde à área mínima necessária a uma propriedade rural para que sua exploração seja economicamente viável.

> Saiba mais na cartilha Planejando Propriedades e Paisagens

 

#Na prática: O Código Florestal e a restauração de APPs na comunidade

Em Canoinhas, no Planalto Norte Catarinense, o fluxo das nascentes e riachos já não era o mesmo das lembranças dos proprietários rurais. Assim como a quantidade de água, a proteção das Áreas de Preservação Permanente foi reduzida continuamente ao longo das décadas, colocando em risco as atividades agrícolas no terreno e ameaçando o equilíbrio de toda a região.

O incômodo ao ver escasso esse recurso essencial a todas as formas de vida motivou os produtores a buscar auxílio junto ao escritório local da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), que logo indicou a Apremavi como parceira para fazer a restauração ecológica acontecer. Na época, cerca de 28 proprietários de áreas rurais do rio Água Verde, que integra a microbacia da região, se mobilizaram para participar do projeto de restauração florestal promovido pela Apremavi. 

Nivaldo Dranka, um dos participantes do projeto, recebeu cerca de 300 mudas de espécies nativas através do projeto Restaura Alto Vale, executado pela Apremavi entre 2018 e 2022. Com essa atuação conjunta, mais de 12 hectares foram restaurados, protegendo nascentes e cursos d’água na comunidade. Além da restauração nas áreas indicadas pelo Código Florestal, uma faixa adicional nas APPs foi restaurada exclusivamente com erva-mate (Ilex paraguariensis), com a premissa de promover uma atividade econômica sustentável adicional, já que a extração e beneficiamento da planta é significativa na região do Planalto Norte. 

Confira a reportagem do Canal Rural sobre as atividades em Canoinhas:

O plantio de mudas de erva-mate pode ser uma estratégia para diversificar as atividades econômicas na propriedade. Mudas produzidas no viveiro da Apremavi. Fotos: Arquivo Apremavi.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa:  Equipe Apremavi em um plantio do projeto Restaura Alto Vale, 2021. ©️ Arquivo Apremavi

Embiruçu, endêmica da Mata Atlântica e indicada para recuperação de APPs

Embiruçu, endêmica da Mata Atlântica e indicada para recuperação de APPs

Embiruçu, endêmica da Mata Atlântica e indicada para recuperação de APPs

O embiruçu (Pseudobombax grandiflorum) é uma espécie endêmica da Mata Atlântica que ocorre no Nordeste (Bahia, Maranhão, Sergipe), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Santa Catarina) do Brasil. As árvores maiores atingem dimensões próximas a 25 metros de altura e 90 centímetros de diâmetro na altura do peito (DAP).

É polinizada principalmente por morcegos da família Phyllostomidae – Anoura caudifer e A. geoffroyi, e abelhas silvestres, sobretudo as irapuá. A dispersão dos seus frutos e sementes é anemocórica, realizada pelo vento.

É uma espécie pioneira a secundária inicial, encontrada no interior da floresta primária e principalmente em formações secundárias (capoeiras e capoeirões). Do ponto de vista da restauração, pode ser plantada a pleno sol, em pequenos plantios puros ou em plantios mistos, associados com espécies pioneiras. É indicada para plantios em áreas de preservação permanente bem como para recuperação natural de voçorocas. 

O embiruçu também é importante para a fauna, pois o macaco-prego se alimenta das flores dessa espécie, que são ricas em néctar, é extremamente ornamental pela forma pouco comum de seus ramos quando em floração, cujas pontas terminam abruptamente. Também apresenta ótimas qualidades para paisagismo em geral. O embiruçu é uma das espécies nativas produzidas no Viveiro Jardim das Florestas e utilizada pela Apremavi em plantios de restauração florestal.

> Conheça o Viveiro e compre mudas nativas

Detalhes da flor, árvore e fruto do Embiruçu. Fotos: João Paulo de Maçaneiro CC BY-NC-SA 4.0 DEED , Artur403, CC BY-SA 3.0, Mauro Halpern CC BY 2.0 DEED, Mauricio Mercadante, CC BY-NC-SA 2.0 DEED.

Embiruçu

Nome científico: Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A. Robyns
Família: Malvaceae.
Utilização: Madeira utilizada para fabricação de caixotes e miolos de compensado. Paisagismo em geral.
Coleta de sementes: Diretamente da árvores quando iniciar a abertura espontânea dos frutos.
Época de coleta de sementes: Setembro a novembro.
Fruto: Verde, deiscente.
Flor: Branca.
Crescimento da muda: Rápido.
Germinação: Rápida.
Plantio: Mata ciliar, área aberta, solo degradado
Status de conservação: pouco preocupante – LC (não ameaçada).

 

Aspectos do embiruçu: árvore e mudas produzidas pelo Viveiro Jardim das Florestas. Fotos: Wigold B. Schäffer. 

Fontes consultadas

CARVALHO-SOBRINHO, J.G; YOSHIKAWA, V.N. Pseudobombax, in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB9195>. Acesso em: 22 dez. 2023

BRASIL. Paulo Ernani Ramalho Carvalho. Embrapa. Embiruçu (Pseudobombax grandiflorum). Colombo: Embrapa Florestas, 2008. 9 p. Circular Técnica 155. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPF-2009-09/44068/1/circ-tec155.pdf. Acesso em: 27 dez. 2023.

MIRIAM PROCHNOW (org.). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: Apremavi, 2007. 188 p. Disponível em: https://apremavi.org.br/wp-content/uploads/2018/03/livro-jardim-das-florestas.pdf. Acesso em: 27 dez. 2023.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: ©️ Wigold B. Schäffer



Apremavi testa semeadura direta de espécies nativas para restauração

Apremavi testa semeadura direta de espécies nativas para restauração

Apremavi testa semeadura direta de espécies nativas para restauração

Buscando diversificar as metodologias e complementar a restauração através do plantio de mudas, sementes de espécies nativas da Mata Atlântica devem chegar ao solo de áreas demonstrativas em diferentes projetos executados pela Apremavi. 

A primeira atividade foi realizada na área piloto do projeto Conservador das Araucárias, em Urubici (SC). Uma área da Fazenda Santa Bárbara ocupada no passado por pastagem para o gado recebeu sementes de bracatinga (Mimosa scabrella), aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolia), capororoca-branca (Myrsine coriacea) e araçá-vermelho (Psidium cattleyanum), espécies de crescimento rápido e com boa resistência ao frio da Serra Catarinense. A semeadura foi realizada à mão livre pelos técnicos da Apremavi. 

A metodologia de semeadura direta tem grande potencial na restauração de áreas degradadas. Sementes de espécies nativas de diferentes estágios sucessionais podem ser utilizadas, dependendo do diagnóstico da área e do objetivo da restauração, e pode ser uma metodologia vantajosa por conta da diminuição de custos de implantação e melhor adaptação e desenvolvimento das espécies às condições ambientais do local. Sendo assim, os técnicos da Apremavi estão com boas expectativas em relação ao experimento. Como a área tem cobertura majoritariamente de gramíneas nativas, sem a presença significativa de espécies invasoras, as condições para germinação e desenvolvimento das plântulas são boas, e devem melhorar com a chegada do verão. Visitas de monitoramento serão realizadas nos próximos meses para acompanhar a evolução da restauração na área e mensurar o sucesso da germinação.

Se exitosa, a experiência poderá ser replicada e auxiliar na execução da meta ambiciosa do projeto: restaurar 7.000 hectares da Mata Atlântica, com ênfase na Floresta com Araucárias. O território de atuação do projeto abriga 107 Unidades de Conservação, 23 Quilombos, 47 Terras Indígenas e 220 Assentamentos de Reforma Agrária. Além de acelerar a restauração em áreas onde o plantio não é viável – por dificuldades de acesso às mudas e insumos, por exemplo – essa metodologia pode reduzir custos e incentivar a cadeia de coleta de sementes, uma das formas de diversificação das atividades econômicas em pequenas propriedades e comunidades. 

 

Registros da semeadura direta em Urubici - SC
Equipe técnica da Apremavi realizando a semeadura na área piloto, em Urubici. Fotos: Gabriela Goebel e Thamara Santos de Almeida.
Em 2023 a Apremavi iniciou a articulação de uma rede para coleta de sementes no Oeste de Santa Catarina, através do projeto +Floresta, buscando apresentar orientações sobre a coleta e adquirir sementes de qualidades para serem utilizadas em muvucas de sementes e também na produção de mudas do Viveiro Jardim das Florestas. Espécies como Guabiroba (Campomanesia xanthocarpa), Araucária (Araucaria angustifolia), Chal-chal (Allophylus edulis) e Pessegueiro-bravo (Prunus myrtifolia) são algumas com ocorrência na região e que possuem bons índices de germinação após o armazenamento, condição essencial para a viabilidade do plantio direto.

 

Muvuca de sementes
Guia da Muvuca, com as principais orientações sobre o plantio direto de sementes nativas. Figura: Reprodução Caminhos da Semente.
A maior iniciativa sobre semeadura direta no Brasil é a coalizão Caminhos da Semente, que reúne  pessoas e organizações com objetivo de dar escala à restauração ecológica no Brasil com foco no método de semeadura direta. A organização atua em cinco pilares para promover a capacitação, acesso à informação, promover inclusão e definir boas práticas para a coleta:
Capacitação: O objetivo geral é aumentar o número de técnicos capacitados para recomendar, implantar ou autorizar a semeadura direta;

Novos plantios: Busca-se garantir a efetividade da semeadura direta por meio de assistência técnica e acompanhamento de novas áreas com o método;

Sementes: Visa disponibilizar sementes para atender a demanda crescente para restauração, conectando produção (coletores) e mercado (clientes);

Normas: Destravar os principais gargalos legais para alavancar a semeadura direta;

Difusão de conhecimento: Foco em apoiar demais pilares do plano de ação com divulgação de informações concisas e atrair novos parceiros e interessados.

> Saiba mais sobre semeadura direta no guia da Caminhos da Semente

 

Autores: Vitor Lauro Zanelatto e Gabriela Goebel
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Gabriela Goebel

Dia de Plantar: contribua com a Apremavi no Dia de Doar 2023

Dia de Plantar: contribua com a Apremavi no Dia de Doar 2023

Dia de Plantar: contribua com a Apremavi no Dia de Doar 2023

O Dia de Doar é um movimento para promover a generosidade. É uma mobilização que promove um país mais solidário, por meio da conexão de pessoas com causas. Neste ano, a Apremavi propõe o Dia de Plantar, gerando conexões entre doadores e organizações pela restauração ecológica no Brasil. 

Hoje, 28 de novembro, terça-feira, o Brasil está mobilizado pelo Dia de Doar: milhares de organizações estarão preparadas para receber doações, e milhões de brasileiros vão demonstrar seu apoio, doando e tornando pública a doação compartilhando a hashtag #diadedoar nas mídias sociais. No Brasil, o Dia de Doar foi realizado pela primeira vez em 2013, um ano depois da primeira edição, nos Estados Unidos, em 2012. Lá fora, o Dia de Doar tem nome de #GivingTuesday, que significa “terça-feira da doação”.

Como é um movimento, não é centralizado: a marca, os materiais, manuais, etc, são todos disponibilizados para que cada um que queira participar possa se apropriar e criar sua própria iniciativa. A Apremavi participa do movimento há algumas edições, e neste ano divulga sua campanha com o mote “Dia de Plantar”, destacando seu propósito e causa, onde são investidas as doações recebidas pela instituição: a restauração e conservação da Mata Atlântica!

Na Década da Restauração de Ecossistemas da ONU, aproveitamos o Dia de Doar para convidar nossa comunidade a colocar a mão na terra e plantar suas mudas nativas, fazendo crescer um futuro mais solidário e acolhedor para todas as formas de vida. Vamos juntos?

Alguns dos produtos disponíveis na Ecoloja Apremavi. Fotos: Arquivo Apremavi. 

Autor: Vitor L. Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de Capa: Kalyakan/Adobe Stock – montagem da Equipe de Comunicação da Apremavi

A Prática que queremos ver:  o Código Florestal e a prevenção de ocupação em áreas de risco・Código Florestal na Prática

A Prática que queremos ver: o Código Florestal e a prevenção de ocupação em áreas de risco・Código Florestal na Prática

A Prática que queremos ver: o Código Florestal e a prevenção de ocupação em áreas de risco・Código Florestal na Prática

Cerca de um mês divide duas grandes enchentes enfrentadas pelo Vale do Itajaí (SC). Entre os pedidos de ajuda da população, os discursos sem o compromisso com soluções concretas do governo estadual e a narrativa de tragédia compartilhada na mídia, causa estranhamento o silêncio sobre aquilo que deveria ser a prioridade para promover a resiliência das cidades: a recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs). 

A ameaça de inundações nas cidades do Vale do Itajaí – de modo especial o Alto Vale – é constante na vida dos moradores; muitos já viram o rio Itajaí-Açu ou algum de seus afluentes tomarem ruas, invadirem casas e comércios. Em uma dimensão imensurável, vidas humanas e não humanas são encerradas em cada novo episódio dessa crise socioambiental, e a falsa narrativa de que esta é uma realidade sem solução à região é corroída pela água, que chega mais intensa, em frequência e intensidade. Na enchente da última semana, algumas cidades da região registraram mais de 330 milímetros em 72 horas, indicando o extremo desequilíbrio de um Planeta em emergência climática, com consequências imediatas acentuadas pelo fenômeno El Niño

Para além de contabilizar os prejuízos e oferecer os necessários auxílios para a redução dos danos e traumas do evento extremo, é preciso um projeto dedicado à mitigação dos efeitos das enchentes e enxurradas no Alto Vale, buscando elaborar um planejamento sensível à urbanização das cidades, com respeito ao regramento ambiental, promoção de planos diretores que não estimulem a ocupação em áreas vulneráveis, o oposto do que tem sido observado em muitas cidades do estado. O conjunto de ações necessárias é complexo e certamente oneroso, mas torna-se irrisório quando posto ao lado dos prejuízos quiçá bilionários na soma entre o prejuízo das famílias, comércios e indústrias.

Registros da enchente no Alto Vale em nov/2023. Código Florestal na Prática

Registros das consequências enchente do Alto Vale em novembro de 2023. Fotos: Carolina Schäffer. 

#Na prática: O Código Florestal e a prevenção de ocupação em áreas de risco

O Código Florestal estabelece parâmetros claros para evitar a ocupação humana em áreas ambientalmente sensíveis, sujeitas a riscos de enchentes ou deslizamentos. É papel do Poder Público (Federal, Estadual e Municipal) estabelecer outras restrições necessárias, caso seja necessário. Projetos de planejamento ambiental e urbanismo para as cidades devem estar no centro do debate para soluções efetivas às constantes enchentes, junto da preservação das APPs e de estratégias para a desocupação das áreas de maior vulnerabilidade. 

A função das APPs é voltada não apenas à dimensão ambiental, mas também para a proteção dos espaços de relevante importância para a conservação do território, como as condições geológicas e a proteção do solo, e assim assegurar o bem-estar das populações humanas. 

Entre outras, o regramento ambiental prevê a proteção das seguintes áreas vulneráveis: 

Margens de rios – APP, com proteção mínima de 30 metros em cada margem para rios com até 10 metros de largura, variando até 500 metros no caso de grandes rios. 

Topos de morros, montes, montanhas e serras – APP no terço superior da elevação. 

Encostas entre 25 e 45 graus – áreas de uso limitado, onde se permite apenas manejo florestal seletivo e sustentável.

A interferência humana nessas áreas por vezes promove retificações e canalizações de cursos d’água, dificultando o fluxo em caso de subida dos rios e formando verdadeiros barramentos temporários, forçando a água a procurar outros caminhos e, por consequência, atingindo áreas marginais maiores. Nessas situações a velocidade da água pode ser aumentada e o potencial de destruição ampliado. 

Após os eventos extremos com deslizamentos de terra na região serrana no Rio de Janeiro (2011), uma equipe do Ministério do Meio Ambiente estudou minuciosamente as condições das áreas afetadas. Wigold B. Schäffer, um dos autores, destaca a principal conclusão do relatório produzido: “92% dos deslizamentos que ocorreram naquela ocasião tinham alguma intervenção humana, seja pela construção de moradias, estradas e terraplanagem para construção, entre outras. Apenas 8% dos deslizamentos ocorreram em áreas com vegetação nativa bem conservada”.

Eventos similares foram registrados em cidades do RJ em 2015 e 2022 com um número de mortos que chega às centenas. 

Essa ligação entre ocupações irregulares em áreas de risco e Áreas de Preservação Permanente e a potencialização dos desastres foi constatada por uma pesquisa desenvolvida por Juarez Aumond, professor da Fundação Regional de Blumenau (FURB), por conta dos eventos extremos ocorridos no Vale do Itajaí em 2008: “as alterações promovidas pelo homem na natureza foram um dos fatores determinantes dos deslizamentos ocorridos na região do Vale do Itajaí. Dois estudos apontaram um índice médio de que 85% das áreas atingidas por deslizamentos tiveram o dedo da ação humana. Isso demonstra que a maioria das pessoas que perderam suas vidas e seus pertences, moravam em áreas de risco”, conforme consta na publicação de 2009 da Apremavi o Boletim Santa e Frágil Catarina.

> Confira a publicação Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação X Áreas de Risco

Santa e Frágil Catarina: em 2009 a Apremavi elaborou um levantamento sobre a degradação das Áreas de Preservação Permanente em SC e a relação com os eventos extremos que o estado frequentemente enfrenta. Fotos: Miriam Prochnow. 

Implantando o Código Florestal

É um projeto que tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil. É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação dos Amigos da Terra Amazônia. A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio, e está atuando para através da produção de conhecimentos, realização de articulação com governos locais e com agentes públicos para a implementação plena do Código Florestal.

> Conheça  o projeto Implantando o Código Florestal

Autores: Vitor Lauro Zanelatto e Miriam Prochnow
Revisão:
Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida
Foto de capa:
Carolina Schäffer 

Pessegueiro-bravo, espécie secundária apreciada pelo sabiá

Pessegueiro-bravo, espécie secundária apreciada pelo sabiá

Pessegueiro-bravo, espécie secundária apreciada pelo sabiá

O pessegueiro-bravo (Prunus myrtifolia), também conhecido popularmente como pessegueiro-do-mato, é uma espécie de árvore que ocorre na América do Sul, nos países da Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil em quase todos os biomas. A árvore chega atingir 15 m de altura e as flores exibem tonalidade branca, enquanto os frutos adquirem uma tonalidade vinhosa ao amadurecer, não sendo adequados ao consumo humano. Sua principal característica é a presença de um par de glândulas na base das folhas

Uma característica notável do pessegueiro-bravo é a sua toxicidade para animais, especialmente nas cascas, folhas e sementes, que podem causar sintomas como desequilíbrio, cólicas e tremores musculares, conforme observado em bovinos.

É uma espécie secundária que habita preferencialmente florestas abertas e clareiras. Apresenta grande potencial na utilização de restauração de áreas degradadas, por não apresentar muitas restrições quanto às características do solo para se desenvolver. Isso é particularmente vantajoso em solos ácidos, álicos e excessivamente úmidos, contanto que estejam sombreados por espécies pioneiras. Recomenda-se o plantio misto, combinando o pessegueiro-bravo com essas espécies pioneiras.

Além do seu papel na restauração, a importância do pessegueiro-bravo se estende à fauna. A árvore é polinizada por abelhas, e seus frutos são consumidos por pássaros, como o sabiá e os sanhaços, contribuindo para a dispersão das sementes. As folhas do pessegueiro-bravo também desempenham um papel na vida de lagartas, que as utilizam na formação de casulos, criando uma curiosa estrutura em forma de “charuto”.

Registros do pessegueiro-bravo (Prunus myrtifolia) (L.) Urb. Fotos: Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (CC BY-NC-SA 4.0 DEED).

Pessegueiro-bravo

Nome científico: Prunus myrtifolia (L.) Urb.
Família: Rosaceae.
Utilização: madeira utilizada na construção civil, fabricação de cabo de ferramentas e móveis. Espécie utilizada para paisagismo urbano. Seus frutos servem de alimento para várias espécies de aves.
Coleta de sementes: no chão após a queda.
Época de coleta de sementes: junho a agosto.
Fruto: vermelho, com pouca polpa, contendo uma semente, possuindo aproximadamente 1cm.
Flor: branca.
Crescimento da muda: médio
Germinação: normal.
Plantio: mata ciliar, área aberta.
Status de conservação: pouco preocupante – LC (não ameaçada).

Registro do pessegueiro-bravo (Prunus myrtifolia) (L.) Urb.

Exsicata de pessegueiro-bravo (Prunus myrtifolia). Foto: University of Mary Washington Herbarium (CC BY-NC 3.0 DEED).

Referências:

Gava, A., Stolf, L., Neves, D. S., Stolf, O., Varaschim, M. S., & Ferreira, E. M. M. (1992). Intoxicação experimental por Prunus sellowii (Rosaceae) em bovinos. Pesq. Vet. Bras, 12(1/2), 1-4.
Lorenzi, H. (1992). Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil (Vol. 1, p. 196). Nova Odessa: Plantarum.
Pissatto, M. (2016). Fenologia reprodutiva de Prunus myrtifolia (L.) Urb. e Casearia sylvestris Sw em clima subtropical no Sul do Brasil.
Prochnow, M. (org) (2007). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: Apremavi.
Prunus in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB26058>. Acesso em: 17 nov. 2023

Autora: Thamara Santos de Almeida | Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (CC BY-NC-SA 4.0 DEED).



Educação climática nas escolas: o futuro começa aqui

Educação climática nas escolas: o futuro começa aqui

Educação climática nas escolas: o futuro começa aqui

“Chegamos a este ponto: as crianças precisam pedir aos adultos que sejam adultos. Que tenham limites e se responsabilizem” – Eliane Brum.

A emergência climática é um tema complexo e desafiador de ser comunicado. As múltiplas faces do tema, desde sua origem pelas diversas formas de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), aspectos sociais e políticos da responsabilidade histórica das emissões, acordos internacionais pela redução das emissões e as consequências nos territórios devem ser abordadas com assertividade, buscando empoderar mais pessoas para discutir o tema e defender mudanças de paradigma que contribuam para o controle da temperatura global e suas consequências.

Há muito, a questão transborda as discussões na esfera ambiental. Cada vez mais, os debates e estudos sobre racismo ambiental [política, prática ou diretiva que afete de forma diferenciada ou prejudique – intencionalmente ou não – indivíduos, grupos e comunidades com base na raça ou cor]; justiça ambiental [conjunto de princípios e práticas que asseguram que nenhum grupo social suporte uma parcela desproporcional das consequências ambientais negativas] e as intersecções entre gênero e clima têm demonstrado a necessidade de mudar o eixo das discussões e promover diversidade nos espaços de decisão sobre a emergência climática.

> Quem Precisa de Justiça Climática no Brasil?

Neste cenário, a inclusão da educação climática como componente dos currículos escolares da educação básica é um esforço necessário, não apenas na busca por uma maior participação social na temática. O avanço ocorre também no desenvolvimento de ambientes escolares conectados com o presente e com os territórios, capazes de escutar os estudantes, seus saberes prévios e inquietações sobre como na prática, a mudança no clima afeta a vida cotidiana, e promovendo ambientes onde as pessoas sejam também cidadãos; ativos no enfrentamento das mudanças climáticas.

Se impõe não apenas um tema de relevância incontestável para todos os estudantes, mas o desafio de imaginar uma nova epistemologia, capaz de promover conexões, não apenas entre as disciplinas, mas entre saberes valiosos para imaginar o futuro, como o profundo conhecimento dos povos da floresta para a conservação da biodiversidade e o reconhecimento das contribuições da natureza para as pessoas, imprescindíveis para enfrentar a crise climática.

No Dia Internacional da Juventude de 2021, 12 jovens de 16 a 24 anos lançaram o Manifesto Pela Educação Climática nas Escolas, partindo das próprias experiências como jovens estudantes para pensar uma outra experiência escolar, capaz de debater e formular respostas às crises locais e globais. As propostas do manifesto buscam, de forma integrada, garantir que as discussões sejam pautadas pelos conhecimentos científicos e pela experiência dos alunos em seus territórios:

 
Propostas por uma educação climática no Ensino Básico Brasileiro:

∙ Implementar educação climática em todas as escolas do Ensino Básico do Brasil, sejam elas públicas ou privadas;

∙ Garantir que os planos didáticos incluam conteúdo científico atualizado, desenvolvendo habilidades para além do foco no vestibular;

∙ Incentivar os alunos a se tornarem protagonistas de suas vidas, através de engajamento com atividades extracurriculares conectadas a suas localidades e integradas aos movimentos mundiais;

∙ Promover formação aos professores e à comunidade escolar nos temas relacionados à crise climática e sustentabilidade e incentivá- los a incluir as pautas em  diversas disciplinas, já que este é um assunto complexo e multidisciplinar;

∙ Aproximar os alunos com o meio ambiente, através de vivências escolares que os conectem com outros espaços em sua comunidade, buscando desenvolver esse contato e preocupação com a natureza;

∙ Preparar os ambientes físicos das escolas para se adaptarem às novas realidades climáticas como alagamentos, calor, falta de luz, insegurança alimentar e tantas outras.

Gabriel Adami, co-autor do manifesto, relatou os avanços na jornada para a transformação da proposta em política pública: “O manifesto foi criado por 12 jovens de diversas visões diferentes, sob um eixo principal: a defesa e a garantia de uma educação interseccional entre os tópicos das mudanças climáticas e a crise gerada através dela, sendo entregue para diversas autoridades em eventos internacionais e nacionais”. 

O jovem ativista fez uma análise nos avanços após a publicação do manifesto, como a aprovação da implementação da educação climática no município e no estado do Rio de Janeiro, e a apresentação de um novo projeto de lei na Câmara dos Deputados para incluir a educação climática como base da educação escolar (PL 2964/2023), de autoria da deputada Duda Salabert e dos deputados Pedro Campos e Amom Mandel, ainda em estágio inicial de tramitação. 

Após a aprovação de uma legislação dedicada ao tema, será preciso muito trabalho para preparar aulas que de fato conectem-se a realidade dos estudantes, conforme destaca Adami: “Defendemos a implementação de uma educação climática voltada para as vivências regionais, pelas especificidades de cada estado e da urgência de uma conscientização e posterior enfrentamento da crise climática a partir da base educacional. A crise climática torna urgente o papel desse Manifesto em todas as instâncias de poder do Brasil, de modo que possamos cada vez mais avançar nessa política tão essencial à vida dos jovens“.

Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento em vigor atualmente no para o estabelecimento dos conteúdos a serem pautados em sala de aula, a temática das mudanças climáticas é mencionada somente três vezes, de forma genérica e nada propositiva. O necessário processo em curso de mudanças nas diretrizes e bases da educação nacional é momento oportuno para apensar ao currículo os debates que a todos nós pertencem sobre a mudança no clima.

> Leia o Manifesto ‘Jovens Pela Educação Climática’

Atividade do Grupo Plantando o Futuro (20219). Educação climática nas escolas: o futuro começa aqui

Atividade do Grupo Plantando o Futuro em Atalanta, 2019. Foto: Arquivo Apremavi.

A contribuição da Apremavi: ações em centros de ensino catarinenses

Além de receber estudantes e outros grupos em sua sede para contribuir na troca de saberes sobre conservação e restauração ecológica, defesa de políticas públicas e produção de mudas nativas, sempre que possível a Apremavi antende os convites para ir até a sala de aula e conduzir momentos formativos sobre as temáticas que defende em sua atuação.  No mês de outubro, três atividades foram realizadas, colocando no centro do debate a emergência climática.

 

Mudança no clima, temperatura e calor: temas para falar com o Ensino Médio

Na última semana a Apremavi esteve na E.E.B. Dr. Frederico Rolla para trocar ideias com os estudantes sobre as mudanças climáticas, com ênfase nos efeitos sobre as cidades e comunidades. A apresentação da co-fundadora da Apremavi, Miriam Prochnow, integrou o circuito do projeto ‘Temperatura e Calor’, desenvolvido pela professora Margaret Dalabeneta e pelos estudantes da 2ª Série, que seguem o currículo do Novo Ensino Médio (NEM). 

O objetivo principal do projeto desenvolvido na escola de Atalanta (SC) é conceituar, diferenciar e reconhecer os efeitos e as causas da temperatura e do calor em nossas vidas e no nosso cotidiano, utilizando para isso associações com “assuntos quentes” em debate na sociedade. Por isso, o diálogo sobre a emergência climática nas escolas é tão oportuno. 

A professora Margaret, que atua há muitos anos na E.E.B. Dr. Frederico Rolla, explica a motivação para este, que é o mais recente dos muitos projetos elaborados por ela para relacionar o conteúdos dos livros didáticos com a percepção da vida cotidiana: “Os efeitos causados pelas mudanças climáticas tão presentes em nosso dia a dia e o aquecimento global que está trazendo a ocorrência de fenômenos naturais cada vez mais desastrosos é, com certeza, um dos principais pontos a ser levado em consideração para se discutir, em sala de aula o tema proposto: Temperatura e Calor”. 

O tema do projeto vai de encontro com os conteúdos de termodinâmica estudados na grade curricular de Física. Nesse sentido, trazer a discussão para a sala de aula e levar os alunos a se perceberem como agentes possíveis de transformação e de mudança de hábitos é essencial para uma formação conectada com os desafios globais e locais da atualidade, que são tão frequentes e destruidores. Segundo a professora, esse é o ponto de partida para incentivar os alunos a pesquisar e investigar o que o município de Atalanta já vem fazendo sobre o assunto.

Margaret ainda explica o convite para a Apremavi contribuir no projeto: “Para essa discussão a presença da Apremavi é a nossa maior referência. Assim, a ambientalista e também pedagoga, Miriam Prochnow foi convidada para abordar o tema Calor e o Meio Ambiente, trazendo para os alunos dados e imagens impactantes sobre as mudanças climáticas que ocorrem em todo planeta, e que, infelizmente, estão cada vez mais próximo de nós. Penso que através da pesquisa nos três pontos levantados com o tema em questão que são, o calor na indústria, o calor na construção civil e o calor no meio ambiente, os alunos poderão perceber o quão importante e urgente é a busca por soluções visando amenizar esses efeitos”

Os estudantes foram desafiados a relacionar teoria e prática: com um olhar atento para além dos muros da escola, eles devem identificar as principais indústrias emissoras de gases de efeito estufa, relacionando-as com ilhas de calor, além de demonstrar como o controle adequado do calor é importante na construção de residências, escolas e escritórios. Dessa forma, as disciplinas das Ciências Exatas podem ser exploradas de forma conectada. 

A capacidade de adaptação e resiliência dos ambientes antrópicos também esteve em discussão, já que um dos objetivos do projeto busca a identificação dos pontos de “áreas verdes” (áreas arborizadas em adensamentos populacionais), relacionando-os ao combate às ilhas de calor. Miriam apresentou dados que mostram a gravidade do aumento da temperatura no planeta e como isso está trazendo consequências cada vez mais dramáticas para a vida de todas as espécies. 

Miriam também falou do trabalho desenvolvido pela Apremavi, preservando e restaurando florestas, especialmente em propriedades rurais, mas que também apoia o plantio de bosques em praças, parques e outras áreas arborizadas em cidades, e destacou a importância desse diálogo: “O projeto que está sendo desenvolvido na escola mostra como o trabalho com os conteúdos curriculares pode ser integrado com a realidade. Esse tipo de abordagem pedagógica deveria ser cada vez mais utilizada porque estimula o envolvimento dos alunos na resolução de um problema concreto. Isso também desenvolve nos alunos um sentimento importante de cidadania”.

> Conheça as orientações da Apremavi para plantios em cidades, no livro ‘No Jardim das Florestas’

Palestra Miriam | Educação climática nas escolas: o futuro começa aqui

Palestra ministrada por Miriam aos estudantes de Atalanta. Foto: Margaret Delabeneta.

Apremavi mostra na prática como a restauração ecológica é realizada em aula na Unesc

No dia 27 de outubro a Apremavi ministrou uma aula para a disciplina de Restauração Ecológica do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Extremo Sul Catarinense.

Durante a transmissão foram contextualizadas algumas das crises socioambientais que as sociedades enfrentam, como a emergência climática e a perda da biodiversidade, bem como as consequências para todas as formas de vida. Também foram apresentadas metas nacionais e globais de restauração e a importância do cumprimento do Código Florestal no contexto da Mata Atlântica. Por fim, a história, a atuação, o trabalho e os projetos da Apremavi foram divulgados como um exemplo de aplicação da restauração ecológica, na prática.

A aula foi conduzida por Miriam Prochnow, co-fundadora, diretora e coordenadora de projetos da Apremavi, e por Thamara Santos de Almeida, bióloga, pesquisadora e comunicadora na instituição. “Restaurar ecossistemas é uma das formas mais eficientes de se combater os efeitos das mudanças climáticas e o envolvimento da academia em ações concretas é fundamental para que se alcancem as metas nacionais estabelecidas“, comenta Miriam.

Após a explanação, os alunos realizaram diversos questionamentos, como por exemplo sobre as possibilidades de mudanças no Código Florestal e ataques à legislação, os efeitos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade e a articulação de movimentos sociais, além de parabenizar a atuação da Apremavi na luta pela restauração e conservação da Mata Atlântica.

“Eu acredito que a Apremavi desenvolve um dos trabalhos mais importantes que temos na nossa região, que é degradada. O trabalho de vocês me reacendeu a vontade de continuar na Biologia, no meu mestrado aborda a temática de restauração por conta da Apremavi”, compartilhou André Gustavo Francisco de Moraes, pesquisador de mestrado em Ciências Ambientais da Unesc na sessão de perguntas da aula aberta.

O professor Carlyle Torres Bezerra de Menezes, responsável pela disciplina, relatou a importância de momento como esses para os alunos: “A aula aberta se revestiu de uma grande importância no contexto da formação acadêmica dos alunos, pois possibilitou um diálogo e conhecimento das ações, experiências e projetos que estão sendo desenvolvidos por uma instituições mais importantes no Brasil no campo da Restauração Ecológica, além de abrir possibilidades de intercâmbio e estágios e parcerias futuras em ações concretas em pesquisas básicas e aplicadas”.

Aula na Unesc sobre restauração ecológica | Educação climática nas escolas: o futuro começa aqui

Registro da aula ministrada pela Apremavi. Figura: Equipe de comunicação da Apremavi.

Debate com futuros educadores

Atendendo um convite da Professora Kátia Raquel Testoni Longen, no dia 30 de outubro Miriam Prochnow esteve no Polo da Uniasselvi de Agrolândia (SC), conversando com as formandas do Curso de Pedagogia. O objetivo era falar sobre ações de Educação Ambiental, com ênfase na emergência climática. A ação vai de encontro com o objetivo de formar professores capacitados para  promover a educação ambiental com crianças da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de forma contínua.

Miriam iniciou a apresentação falando sobre os desafios ambientais globais e a importância de que educadores estejam bem informados e bem preparados quando trabalharem esses assuntos com crianças e jovens: “é fundamental obter dados de fontes seguras e confiáveis, como por exemplo os relatórios do IPCC, quando se trata de mudanças climáticas”, ressaltou Miriam. Também se debateu a necessidade de que a questão ambiental seja abordada de forma transversal, em todo o currículo e não apenas como uma matéria específica, para que sejam obtidos resultados mais concretos e efetivos.

Segundo Kátia, que coordena os cursos de licenciatura no polo da faculdade, as trocas foram muito proveitosas: “Foi um bate papo extremamente produtivo e esclarecedor, onde as acadêmicas puderam perceber o quão importante é trabalhar este tema com alunos da educação infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental sempre que se fizer necessário, buscando atuar interdisciplinarmente, constantemente, partindo do seu entorno, do seu espaço até chegar ao planeta Terra, sentindo-se pertencente a ele e responsável pela sua continuação

Kátia ainda compartilhou que uma das teses do Patrono da Educação Brasileira foi rememorada durante a palestra: Paulo Freire defende a teoria de que somos inacabados e vivemos num constante vir-a-ser, transformando-nos todos os dias e transformando o local onde moramos. A consciência de nosso inacabamento, que nos difere dos animais, é o que nos torna pessoas com compromissos éticos em relação ao mundo em que vivemos. 

A experiente professora sintetizou sua fala aos docentes em formação com um provérbio indígena: “Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro”. 

> Materiais educativos para falar de crise climática com crianças

Debate na Uniasselvi Agrolândia | Educação climática nas escolas: o futuro começa aqui

Ao final, os participantes do debate receberam publicações da Apremavi e mudas de árvores nativas. Foto: Divulgação/Uniasselvi polo Agrolândia. 

Fontes Consultadas/Leituras Recomendadas

BRUM, Eliane. As crianças tomam conta do mundo. 2019. El País Brasil. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/27/opinion/1551290093_277722.html. Acesso em: 30 out. 2023.

GRANDISOLI, Edson. Educação climática: respostas para o presente e futuro. 2021. Porvir. Disponível em:https://porvir.org/educacao-climatica-respostas-para-o-presente-e-futuro/. Acesso em: 26 out. 2023.

FUENTES, Patrick. Racismo ambiental é uma realidade que atinge populações vulnerabilizadas. 2021. Jornal da USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/racismo-ambiental-e-uma-realidade-que-atinge-populacoes-vulnerabilizadas/. Acesso em: 26 out. 2023.

FRIDAYS FOR FUTURE & CLIMATE REALITY PROJECT BRASIL. Manifesto Jovens Pela Educação Climática. 2021. Climate Reality Project. Disponível em: https://www.climaterealityproject.org.br/manifesto-pela-educacao-climatica. Acesso em: 26 out. 2023.

HENRIQUES, Ricardo. Mudanças educacionais e climáticas são urgentes. 2023. O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/ricardo-henriques/coluna/2023/10/mudancas-educacionais-e-climaticas-sao-urgentes.ghtml. Acesso em: 30 out. 2023.

LOUBACK, Andréia Coutinho (org.). De Onde Partimos: justiça ambiental e racismo ambiental. In: LOUBACK, Andréia Coutinho (org.). Quem Precisa de Justiça Climática no Brasil? Brasília: Observatório do Clima, 2022. Cap. 1. p. 28-34. 

STEVENSON, Robert B.; NICHOLLS, Jennifer; WHITEHOUSE, Hilary. What Is Climate Change Education? Curriculum Perspectives, [S.L.], v. 37, n. 1, p. 67-71, abr. 2017. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s41297-017-0015-9.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer
Colaboração: Miriam Prochnow, Thamara Santos de Almeida, Kátia Raquel Testoni Longen, Margaret Delabeneta e Gabriel Adami.
Foto de capa: Atividade associada ao movimento Fridays For Future promovida pelo grupo Plantando o Futuro, em parceria com a Apremavi (2019). Foto: Arquivo Apremavi. 



Polinizando o Código Florestal ∙ Código Florestal na Prática

Polinizando o Código Florestal ∙ Código Florestal na Prática

Polinizando o Código Florestal ∙ Código Florestal na Prática

Os serviços ambientais fornecidos de forma silenciosa, gratuita e contínua pela natureza são imperativos para o sucesso das atividades agrícolas na propriedade rural. A polinização das culturas agrícolas pelas abelhas e outros insetos é um exemplo dessa dependência; e nem de longe é o único benefício das espécies polinizadoras. O exemplo deste capítulo vem de Palmeira (SC).  

As florestas nativas existentes nas encostas de morros e áreas íngremes ajudam a evitar deslizamentos. Nas matas ciliares e nascentes, elas protegem a água, auxiliando também no controle da erosão. Ao olhar para o interior da mata, é possível ver seus moradores, responsáveis pelo fornecimento de alguns dos mais relevantes serviços ambientais.

Os serviços ambientais são classificados nas seguintes categorias:
Serviços de suprimento: aqueles que resultam em bens ou produtos ambientais com valor econômico, obtidos diretamente pelo uso e manejo sustentável dos ecossistemas, como alimentos, água e produtos florestais.
Serviços regulatórios: mantêm os processos ecossistêmicos e que garantem a regulação do clima, o ciclo hidrológico, a redução da erosão, o combate a doenças e contribuem para a polinização.
Serviços culturais: associados aos valores e a manifestação da Cultura, derivados da preservação ou conservação dos recursos naturais. Abarcam a recreação, beleza cênica e a espiritualidade.
Serviços de suporte: são os serviços que mantêm todos os outros porque garantem as condições dos recursos ambientais naturais, em especial a biodiversidade, a conservação da variabilidade genética, a formação do solo, fotossíntese e a ciclagem de nutrientes.

As abelhas são responsáveis pela polinização de grande parte das espécies. Foto: Arquivo Apremavi.

A alteração em qualquer população do ecossistema que atua de alguma forma com a promoção desses serviços traz consequências nas demais espécies e ao equilíbrio de todo o nicho ecológico. A conservação da natureza e restauração de áreas degradadas é crucial para proteger não apenas espécies, mas o balanço das relações ecológicas, estabelecidas através de dinâmicas complexas. 

As abelhas são responsáveis pela polinização de 75% das culturas agrícolas, dividindo essa tarefa na natureza com outras espécies, inclusive de outros grupos, como pássaros, gambás e morcegos. Os repetidos eventos de perdas de colônias apícolas e de outros insetos polinizadores ameaçam um desequilíbrio em nível global, comprometendo grande parte dos ecossistemas terrestres.  

“A falta de abelhas provocaria um efeito em cascata: se não temos sementes, não temos pasto, flores, frutas, nem animais que se alimentam de frutas. As abelhas e os demais polinizadores desempenham um papel fundamental na regulação dos ecossistemas”, Carolina Starr, consultora de biodiversidade e serviços aos ecossistemas da FAO (braço da ONU para alimentação e agricultura), em entrevista à rede BBC.

No Brasil, raramente as causas das perdas de colônias de abelhas são efetivamente investigadas, mas de forma geral, ocorrem em áreas próximas à culturas agrícolas com intenso uso de agrotóxicos, seja pelo componente químico em si ou pela aplicação incorreta. A maior preocupação é em relação aos inseticidas, principalmente aqueles aplicados por aeronaves sobre as grandes extensões de monoculturas. 

De 2000 a 2012, as vendas de agrotóxicos no Brasil cresceram 194,09% (Boletim de comercialização de agrotóxicos e afins, 2013). Só em 2013, foram vendidas 495.764,55 toneladas de ingredientes ativos, dos quais 11,5% de substâncias com ação exclusivamente inseticida. A situação é alarmante também pelo apagão de dados e pesquisas sobre os impactos à diversidade de abelhas nativas brasileiras, mais sensíveis do que a A. mellifera africanizada.

A proteção dos remanescentes florestais, seja através da conservação ou da restauração das áreas que foram degradadas, é também uma oportunidade para contribuir com a proteção das espécies polinizadoras. Isso pode ser realizado de diversas formas, desde a seleção de árvores com potencial melífero para o mix de mudas que será plantado até a instalação de colmeias artificiais, possibilitando a exploração futura para a retirada de mel e cera, atividade possível na Reserva Legal, por exemplo.

A apicultura é uma das formas de colocar em prática o que busca o Código Florestal: assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção da fauna silvestre e da flora nativa (Lei nº 12.651/2012, Art. 3). 

#Na prática: floresta e colônias de abelhas crescem juntas 

Em 2016, Bernadete Weiss e Celso Perdona decidiram que era hora de fazer uma mudança radical em suas vidas. Depois de residir por décadas em cidades movimentadas, trabalhando longas horas, queriam desacelerar. Juntos, compartilhavam o sonho de viver uma vida mais tranquila no interior.

Depois da aposentadoria deixaram Itajaí (SC) e mudaram-se para uma propriedade no interior do município de Palmeira. A comunidade local os recebeu calorosamente, e eles logo se tornaram parte ativa do grupo, participando de eventos comunitários e contribuindo para a economia local com sua produção de alimentos.

O casal vive em contato com a natureza, plantando seu próprio alimento, desde cereais como arroz, milho, lupino, até frutas nativas e vegetais orgânicos. Trabalha com a parceria de vizinhos para diversificar a produção de alimentos e divide a produção com os parceiros para consumo e venda do excedente, Bernadete destaca que desta forma garante que suas colheitas sejam sempre as mais saudáveis e abundantes.

Bernadete é uma ótima cozinheira, cuida do sítio com amor e sabedoria, é uma agricultora com muitas habilidades. Divide seu tempo entre o trabalho com a panificação, pintura artesanal, crochê e tear, e ainda realiza cursos de saboaria, panificação e voluntariamente compartilha na comunidade o que sabe fazer. Sua paixão e habilidades inspiram quem a conhece.

Para dar início na atividade de apicultura Bernadete passou por um estudo intensivo para conhecer sobre o assunto, para só a partir de setembro de 2018 dar início a implantação do primeiro apiário. Antes das abelhas, vieram as árvores: com apoio da Apremavi, Bernadete e Celso plantaram 435 mudas para enriquecimento e diversidade da floresta na propriedade; plantadas entre 2022 e 2023, buscando aumentar os remanescentes florestais e garantir alimento às polinizadoras. 

A proprietária rural ressalta o que aprendeu e colocou em prática com afinco: “a apicultura é uma técnica desenvolvida na criação de abelhas com ferrão para o cultivo do mel, própolis e diversos outros produtos. De acordo com sua experiência é preciso conhecer os tipos de abelhas, entender sobre a produção, o manejo e como se forma a colônia”

Bernadete Weiss e Celso Perdona, na propriedade rural onde estão implantando atividades de Apicultura. Fotos: Tatiana Arruda Correia.

Atualmente ela já está conseguindo desenvolver um sistema com uma diversidade de atividades dentro da propriedade em que vive, aliando à apicultura. Durante esse tempo, já foram realizadas duas colheitas de mel, o que possibilitou a criação de produtos variados para o consumo alimentício, promoveu a geração de renda e a autonomia para desenvolver novas técnicas de produção, vendas e novas experiências. 

A participação da mulher na apicultura tem ganhado destaque no município de Palmeira (SC) pois promove a participação ativa na economia doméstica, a inclusão de parentes e vizinhos na atividade, muda toda a percepção ambiental e social no entorno, pelo fato de ser uma atividade que não polui, nem desmata, que agrega valor ao produto e desenvolve o respeito pela natureza. Hoje o trabalho com abelhas já é uma referência no município, e graças aos exemplos como o da Bernadete, vem despertando o interesse de outros agricultores.

 

Fontes consultadas:

BBC NEWS BRASIL. Por que o desaparecimento das abelhas seria uma catástrofe – e o que você pode fazer para evitar isso. 2017. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-40220606. Acesso em: 13 out. 2023.

BRASIL. Lei Nº 12.651, de 25 de Maio de 2012. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm#:~:text=III%20%2D%20ação%20governamental%20de%20proteção,nº%2012.727%2C%20de%202012. Acesso em: 13 out. 2023.

CAMPANILI, Maura; SCHÄFFER, Wigold Bertoldo. Mata Atlântica: manual de adequação ambiental. Brasília: MMA/SBF, 2010. 96 p.

CAMPANILI, Maura; SCHÄFFER, Wigold Bertoldo (org.). Mata Atlântica: patrimônio nacional dos brasileiros. 2. ed. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2010. 408 p.

SCHÄFFER, Carolina; DICK, Edilaine; PROCHNOW, Miriam (org.). Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis. Atalanta: Apremavi, 2022. 147 p.

PIRES, Carmen Sílvia Soares; PEREIRA, Fábia de Mello; LOPES, Maria Teresa do Rêgo; NOCELLI, Roberta Cornélio Ferreira; MALASPINA, Osmar; PETTIS, Jeffery Stuart; TEIXEIRA, Érica Weinstein. Enfraquecimento e perda de colônias de abelhas no Brasil: há casos de ccd?. Pesquisa Agropecuária Brasileira, [S.L.], v. 51, n. 5, p. 422-442, maio 2016. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0100-204×2016000500003.

Autores: Tatiana Arruda Correia e Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de Capa: Tatiana Arruda Correia

+Floresta apresenta resultados dos primeiros anos do projeto ao Ibama

+Floresta apresenta resultados dos primeiros anos do projeto ao Ibama

+Floresta apresenta resultados dos primeiros anos do projeto ao Ibama

Após um estudo minucioso e interdisciplinar no território onde as atividades de restauração ecológica estão previstas, a equipe da Apremavi concluiu o projeto técnico e apresentou o planejamento para a atuação em campo ao Ibama e outros atores envolvidos na iniciativa.

A apresentação aconteceu na sede da Superintendência do Ibama em Santa Catarina, em Florianópolis (SC). O encontro da última quarta-feira (11/10) reuniu técnicos do instituto ambiental federal, que agora deverão avaliar os produtos elaborados pela Apremavi referente a Meta I do projeto + Floresta.

Desde 2022 a equipe do projeto tem empreendido estudos detalhados na região, com diagnósticos da vegetação, solo, hidrografia, uso do solo, fragilidades ambientais e contextos socioeconômicos da população. Além disso, foi realizado um levantamento dos viveiros de mudas nativas e das particularidades da região para a execução do projeto. A análise integrada das informações produzidas são a primeira haste do tripé para os projetos de restauração elaborados, ao lado das atividades no Viveiro Jardim das Florestas e das mobilizações e engajamento com a comunidade.

Além dos planos para a restauração de aproximadamente  261 hectares de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente na cidade o Oeste Catarinense, foram compartilhados os desafios identificados, como a dificuldade de acesso em muitas áreas, bem como a alta demanda pela construção de cercas, buscando promover o isolamento das áreas que serão assistidas pelo projeto de outras, utilizadas para o pastoreio de animais.

 

Infográfico sobre as etapas previstas para as atividades de restauração. Figura: equipe +Floresta/Apremavi.

Edilaine Dick, coordenadora geral do projeto, compartilha a expectativa para começar a próxima fase e iniciar efetivamente a restauração em campo: “Esperamos que a avaliação dos projetos finalísticos de restauração ocorra com celeridade; precisamos da aprovação e liberação dos recursos previstos para a Meta II para começar a implantar as metodologias de restauração e evitar a desmobilização dos beneficiários diretos e indiretos do projeto”. 

Edilaine também compartilha que as atividades do +Floresta não irão cessar enquanto o Ibama analisa os projetos elaborados na fase I: “Enquanto isso, a equipe do projeto vai se dedicar às atividades de educação ambiental, preparação de materiais para a rede de sementes que estamos implantando na região, também estaremos em campo realizando a coleta de sementes no próximo verão, entre outras atividades que não podem esperar”. Outra ação constante no Viveiro Jardim das Florestas é o cuidado com as mudas de xaxim-bugio, que estão sendo produzidas em caráter experimental em parceria com o IFC Rio do Sul

Após as exposições realizadas por Marluci Pozzan e Edilaine Dick, que coordenam o projeto, os presentes puderam sanar dúvidas, que foram centradas nas metodologias escolhidas para as oito áreas de implantação do projeto e nas estratégias de engajamento que estão sendo desenvolvidas para com a comunidade que vive no território.
Confira as fotos da apresentação:

 

Apresentação dos resultados da Meta I do projeto +Floresta ao Ibama

Registro da apresentação conduzida pelas coordenadoras do +Floresta. Fotos: Vitor Lauro Zanelatto.

+Floresta 

Executado pela Apremavi no Oeste Catarinense, o projeto é financiado pelo Ibama, através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina, pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

Através de diversas metodologias de restauração ecológica, as ações previstas e detalhadas para serem executadas na Meta II buscam o enriquecimento, expansão e conexão de fragmentos existentes e a formação de novas florestas, contribuindo para melhorar a conectividade na paisagem, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, favorecer a manutenção da biodiversidade, proteger o solo e os recursos hídricos e assegurar o bem-estar das populações humanas.

Será desenvolvido ao longo de oito anos, de 2022 a 2030, no município de Abelardo Luz, em Santa Catarina, sendo que as unidades de implantação estão localizadas nas Reservas Legais de sete Projetos de Assentamento (PAs) da Reforma Agrária e em uma Terra Indígena.

> Veja a página do projeto



Autores: Carolina Schäffer e Vitor L. Zanelatto.
Revisão: Miriam Prochnow.

Apremavi lança Guia da Avifauna de Atalanta no Dia das Aves

Apremavi lança Guia da Avifauna de Atalanta no Dia das Aves

Apremavi lança Guia da Avifauna de Atalanta no Dia das Aves

A publicação “Aves de Atalanta”, volume 1, lançada hoje (5/10), no Dia das Aves, faz parte da Coleção Biodiversidade da Mata Atlântica, de autoria da Apremavi. Em formato digital, o guia traz informações detalhadas sobre 49 espécies de aves encontradas em Atalanta (SC).

O intuito da publicação recém lançada é trazer informações sobre espécies de fauna, flora e funga encontradas num dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo e também o segundo mais ameaçado de extinção. Ela foi elaborada em formato de guia a partir de um levantamento de avifauna conduzido pelo ornitólogo Gustavo Malacco em dezembro de 2021, em Atalanta (SC).

Ao longo do guia, fotos, dados sobre as espécies; incluindo nome comum e científico, ordem e família, local de ocorrência, hábitos alimentares, tamanho médio, status de conservação e outras curiosidades são apresentados ao leitor. A obra foi pensada para incentivar a prática da observação de aves no Município de Atalanta (SC) e para ajudar todos os observadores, iniciantes ou mais experientes, a descobrirem a riqueza e a beleza do universo da avifauna.

Sob uma perspectiva educativa, o material também pode ser usado como instrumento de suporte pedagógico e de sensibilização ambiental, procurando transformar os cidadãos em participantes ativos na proteção desses animais. O lançamento da versão digital se dá no mesmo dia em que se comemora o Dia da Ave, data instituída pelo Decreto 63.234 da Presidência da República, em 12 de setembro de 1968, com o propósito de proteger as aves contra os caçadores.

Aves registradas em Atalanta. Fotos: Wigold B. Schäffer.

“Já era um desejo antigo na Apremavi a organização das informações sobre as espécies da Mata Atlântica em forma de guia e para mim é uma alegria imensa poder participar desse processo. Acredito que essa publicação é uma oportunidade para que a população conheça as aves de Atalanta e da região e assim passem a ser defensoras da Mata Atlântica e sua biodiversidade, atitude imprescindível em tempos de crise planetária“, comenta Carolina Schäffer, diretora da Apremavi, coordenadora de projetos e da comunicação institucional, uma das organizadoras da obra.

Que o Dia das Aves possa nos ajudar a lembrar da importância da conservação desses indivíduos para a manutenção dos ecossistemas da Mata Atlântica e sua rica biodiversidade!

Autora: Carolina Schäffer | Revisão: Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Wigold B. Schäffer

Acaprena visita Apremavi: celebração de uma história ativista compartilhada

Acaprena visita Apremavi: celebração de uma história ativista compartilhada

Acaprena visita Apremavi: celebração de uma história ativista compartilhada

Um dos primeiros programas da mais antiga organização ambientalista de SC é a promoção de visitas a locais com relevância ambiental. Ao completar 50 anos de fundação, a Acaprena promoveu um roteiro de visitas em Santa Catarina, com uma visita na Apremavi para trocar sobre restauração ecológica e rememorar a história compartilhada entre as duas organizações.

Ao longo dos anos a Acaprena utilizou das visitas para observar extremos: locais poluídos, degradados e condenados ao desequilíbrio pela ação humana contrastavam com o roteiro para contemplar destinos de relevante interesse ecológico, como Unidades de Conservação na Mata Atlântica e no Pantanal. Os ônibus usados nas visitas organizadas pela Acaprena chegaram em praticamente todos os parques federais da região Sul, que sempre procurou ser recebida pelos gestores das UCs e atores das comunidades.

Em 2023, por ocasião dos 50 anos completos de existência da Acaprena, excursões curtas em Santa Catarina foram planejadas para celebrar o trabalho e a história da organização. Unidades de Conservação e áreas de relevância ambiental, bem como a busca pelo conhecimento das diferentes realidades e cenários no estado foram os objetivos centrais da agenda.

Visitas em São Bento do Sul, APA do Rio Vermelho e Morro do Baú precederam a chegada da delegação da Acaprena na Apremavi, que recebeu o grupo no início de setembro. Na oportunidade, foram apresentadas as estruturas e as atividades que possibilitam a produção de 200 espécies de mudas nativas da Mata Atlântica no Viveiro Jardim das Florestas e os projetos de restauração ecológica. O contexto socioambiental e caminhos das organizações socioambientalistas ao longo do tempo estiveram em debate e reflexão pelos presentes. A Acaprena foi essencial na decisão dos fundadores da Apremavi em criar uma ONG no Alto Vale do Itajaí, servindo de inspiração e auxílio em diversos momentos.

Participantes da visita da Acaprena à Apremavi. Foto: Arquivo Apremavi.

Paisagens culturais da região também foram visitadas na passagem pelo Alto Vale. Além disso, o grupo visitou a Terra Indígena Laklãnõ-Xokleng, conforme destaca Lauro Bacca, um dos fundadores da Acaprena e organizadores do passeio: “Essa excursão foi emocionante. Foi exatamente nesse local (da Terra Indígena) que surgiu a ideia da Acaprena, conforme está relatado no livro. Vamos descansar em outubro e em novembro há uma nova programação, com uma visita ao Parque das Nascentes“. O desmatamento da região da Serra da Abelha, onde está a TI Laklãnõ-Xokleng, também foi motivadora da fundação da Apremavi, em 1987.

> Conheça o livro que apresenta os 50 anos da Acaprena

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Fundadores da Acaprena e da Apremavi em uma das visitas de estudo para a criação da ARIE da Serra da Abelha, 1987. Foto: Arquivo Apremavi

Bosques de Heidelberg: 25 anos plantando o futuro no presente

Bosques de Heidelberg: 25 anos plantando o futuro no presente

Bosques de Heidelberg: 25 anos plantando o futuro no presente

A parceria teuto-brasileira entre o Bund Für Umwelt und Naturschutz Deutschland (BUND) e a Apremavi atinge a marca de 25 anos de atividades, e celebra as mais de 169 mil mudas plantadas. 

O Atlântico divide as duas ONGs ambientalistas que tornaram-se parceiras em 1998. A alemã organiza campanhas e atividades de educação ambiental, ao mesmo passo que capta recursos para a restauração. A brasileira, planta novos bosques em áreas estratégicas.

A cooperação entre as organizações começou com uma visita de Miriam Prochnow à cidade de Heidelberg, um desdobramento de um seminário de intercâmbio entre ONGs brasileiras e alemãs, em Berlim. Após o seminário, Miriam e outros brasileiros foram até Heidelberg para uma série de reuniões com representantes da prefeitura local e do BUND. A visita foi coordenada por Klemens Laschefski do BUND, que havia acabado de realizar um estágio na Apremavi e havia retornado à Alemanha inspirado para contribuir com a restauração da Mata Atlântica. 

Grande parte dos recursos arrecadados para possibilitar o plantio desses bosques no Brasil vem de esforços de alunos das escolas municipais de Heidelberg, através da venda de cucas e panquecas, produtos de Natal, entre outros. A concentração da captação acontece no período de Natal, quando os alunos são estimulados a “comprar” mudas de árvores para restaurar a Mata Atlântica e dar de presente o certificado desse plantio, ao invés dos presentes tradicionais.

O escopo do projeto Bosques de Heidelberg no Brasil foi estabelecido ao longo dos anos. A principal atividade é a restauração da Mata Atlântica com o plantio de árvores, aliada a realização de palestras, visitação a trilhas em áreas de florestas e apoio a campanhas educativas, buscando sensibilizar e envolver alunos e a sociedade em geral na proteção e recuperação do ambiente natural. Sempre que possível, os bosques são plantados em centros de ensino, áreas estratégicas para que o espaço também seja explorado como recurso em atividades de educação ambiental, contemplação e interpretação da natureza. 

 

Registro da reunião na Alemanha que deu origem ao projeto. Foto: Arquivo Apremavi.

O primeiro Bosque de Heidelberg foi implantado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ribeirão Matilde, em Atalanta (SC), em 1999, logo após a parceira ter sido acordada. Ao longo dos anos, o bosque foi crescendo e tornou-se parte significativa do espaço escolar. Em 2019, quando completou-se vinte anos do plantio, os alunos também elaboraram cartões postais, ilustrados com elementos do Bosque da Escola através de desenhos e colagens. No mesmo ano, foram lançadas as cartilhas ecológicas “Desenhando o Bosque da Escola: 20 anos de amor pela Natureza”. A cartilha é uma iniciativa da Escola, tem o apoio da Apremavi e do BUND, e contém desenhos e poemas elaborados pelos alunos que fizeram do bosque sua fonte de inspiração artística.

Conheça o bosque da escola de Ribeirão Matilde no vídeo:

 

Atividades realizadas em comemoração aos 20 anos do bosque da escola. Fotos: Arquivo Apremavi.

Plantando novos bosques

No projeto, as atividades de restauração ecológica estão amalgamadas com a educação ambiental ao ar livre junto às crianças, jovens, professores e voluntários. Para iniciar a atividade é feita a descrição e identificação das espécies florestais que estão sendo plantadas. Algumas peculiaridades sobre as árvores são abordadas nesse momento, tais como:
・A necessidade de escolher árvores frutíferas, ornamentais e nobres da Mata Atlântica;
・Importância para a natureza em diversificar as várias espécies florestais, buscando promover os estágios sucessionais necessários para o êxito da restauração ecológica;
・Aspectos históricos de espécies florestais que tiveram importante ciclo econômico na região;
・A importância do aspecto paisagístico da propriedade, com o objetivo de deixá-la mais integrada com a natureza e com uma melhor qualidade de vida.

O plantio é monitorado pela equipe da Apremavi, mas a responsabilidade pela manutenção e cuidados com a área é do proprietário ou administrador do terreno. Além disso, a Apremavi tem empregado esforços para cadastrar todos os novos plantios do Projeto Bosques de Heidelberg no Portal Ambiental, ferramenta de gestão dos projetos de restauração ecológica da Apremavi.

Até dezembro de 2022 foram plantadas 169.495 árvores de espécies nativas da Mata Atlântica, formando 87 bosques, em 39 cidades nos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, beneficiando 123 propriedades públicas e privadas e mais de 1.800 pessoas.

Um outro bosque pioneiro do projeto e exemplar no desenvolvimento de atividades de educação ambiental em Trombudo Central (SC), na propriedade Krüger Haus. Os proprietários do empreendimento de turismo rural desenvolvem atividades relativas à história da imigração alemã na região e também ações de educação ambiental com os visitantes. 

> Conheça o bosque da família Krüger

 

Antes e Depois da propriedade Krüger Haus. Fotos: Arquivo Apremavi. 

A Apremavi em Heidelberg

A cada dois anos uma equipe da Apremavi é convidada pelo BUND a visitar a cidade de Heidelberg e protagonizar a “Der Regenwald kommt in die Klassenzimmer” (A Mata Atlântica vai às salas de aula), uma semana de palestras em todas as escolas que fazem parte do programa, buscando promover a conexão entre as culturas e trocar saberes sobre a natureza. As palestras são ministradas em alemão, para estudantes de 09 a 17 anos (Ensino Fundamental e Médio), envolvendo a cada ano cerca de 600 alunos.

Com duração de 1 hora e 30 minutos, a palestra aborda principalmente temas como a Mata Atlântica no Brasil, a biodiversidade brasileira e também os problemas e ameaças que afetam o país. Um dos pontos altos dos encontros, é a apresentação de um filme sobre os Biomas Brasileiros, elaborado pela Apremavi especialmente para este intercâmbio, além da distribuição de materiais de Educação Ambiental. 

As palestras aproximam os estudantes da Alemanha com a busca pela conservação e restauração das florestas: “Ao longo dos anos percebemos que a ação que fazemos nas escolas aqui em Heidelberg é de extrema importância, porque é uma oportunidade para mostrar para as crianças e jovens como nossa vida cotidiana aqui na Alemanha pode estar diretamente conectada com o estado de conservação da Mata Atlântica”, comenta Brigitte Heinz, representante do BUND.

Mais de 4.300 alunos alemães participaram das palestras ao longo do anos. 

Mata Atlântica é tema de palestras da Apremavi na Alemanha. Foto: Miriam Prochnow e Carolina Schaffer

Palestras realizadas em Heidelberg ao longo dos anos. Fotos: Arquivo Apremavi. 

Ações de Comunicação

Nas atividades de educação ambiental com escolas da região são abordados principalmente assuntos que se referem à importância da preservação e recuperação das florestas nativas e seus efeitos com relação à água e a biodiversidade, utilizando os materiais educativos elaborados pela Apremavi. Além disso, foram produzidos vídeos, artigos e publicações utilizando conteúdos do projeto. 

Carolina Schäffer, coordenadora de Comunicação da Apremavi, acredita que o envolvimento das crianças e jovens nos plantios é uma ferramenta poderosa de educação ambiental: “colocar a mão na massa ajudando no plantio de árvores traz um senso de responsabilidade enorme para as crianças e jovens; e essa ação prática se complementa com o uso de materiais didáticos ilustrativos e torna a educação ambiental um processo prazeroso e de sucesso”. 

> Confira os 28 artigos que foram publicados ao longo do tempo

Prêmio Expressão 

Na 28ª Edição do Prêmio Expressão de Ecologia, o prêmio da categoria especial ‘Parceria Global Pela Segurança Climática’ foi conferido ao Bosques de Heidelberg. O Troféu Onda Verde materializa o reconhecimento aos resultados da iniciativa, mas também na forma em que os plantios e a promoção da conexão de comunidades com a floresta são viabilizadas: através do diálogo, cooperação e transparência constante na longeva parceria entre Apremavi e BUND.

Miriam Prochnow, co-fundadora e conselheira da Apremavi, foi quem recebeu o troféu das mãos de Antônio Odilon Macedo, um dos idealizadores do prêmio e presidente do júri. Para Miriam, que liderou as articulações na criação do projeto, participar de mais essa edição do Prêmio Expressão foi motivo de orgulho, especialmente por se tratar da premiação ambiental de maior longevidade ininterrupta no Brasil e também por conta da categoria no qual o projeto recebeu a premiação: “o momento em que vivemos é histórico e a construção de parcerias globais no combate às mudanças climáticas é urgente e imprescindível”, comentou Miriam logo após a cerimônia.

Mata Atlântica é tema de palestras da Apremavi na Alemanha. Foto: Miriam Prochnow e Carolina Schaffer

Miriam Prochnow recebendo o 28º Prêmio Expressão. Foto: Arquivo Apremavi. 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Miriam Prochnow, Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Arquivo Apremavi

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