Do viveiro à floresta

Do viveiro à floresta

Do viveiro à floresta

No Dia do Meio Ambiente (05/06) a Apremavi lança a série “Do viveiro à floresta“, com orientações aos parceiros sobre as principais atividades no início do processo de restauração ecológica de uma área degradada. 

Dedicada aos parceiros das atividades de restauração, protagonistas do plantio e dos cuidados com as mudas ao longo do processo de restauração ecológica, a série busca apresentar orientações técnicas simples e de fácil execução, mas que são essenciais para o crescimento saudável e pleno das mudas. 

Produzidas no viveiro Jardim das Florestas, as mudas da Apremavi utilizam a tecnologia Ellepot desde 2019. A embalagem de papel, pouco usual nas mudas comercializadas no varejo no Brasil, não deve ser retirada para o plantio, pois é composta de fibras de papel, que se degradam completamente poucos meses após contato com o solo. Outra crença comum que os vídeos abordam é sobre a aparente necessidade de manter toda a área limpa, sem o crescimento de qualquer vegetação para além das mudas plantadas.

Nesse sentido, os técnicos apresentaram nos vídeos o que é e como fazer o “coroamento”, também chamado de “espelhamento” das mudas plantadas. A retirada de gramíneas em áreas reduzidas diminui a exposição do solo e possibilita a chance de que plântulas que estejam em desenvolvimento através da regeneração natural, pela dispersão de sementes feita por animais ou pelo vento, por exemplo, possam crescer também, aumentando a diversidade de espécies na área.

Os vídeos foram gravados pela equipe técnica da Apremavi em propriedades rurais que estão sendo atendidas por projetos da Apremavi e recebem mudas do viveiro em Santa Catarina e no Paraná. A ideia é que o conteúdo da série seja enviado para os participantes dos projetos através do WhatsApp, como forma de complementar as orientações sobre boas práticas durante o plantio e cuidados com a área apresentadas nas visitas de planejamento da intervenção e para a entrega das mudas.

Cuidados antes do plantio

Nesse episódio Pedro Ferreira, técnico ambiental da Apremavi, apresenta as orientações para o armazenamento das caixas de mudas até a hora do plantio. Pedro salienta sobre a importância de manter as mudas à sombra e fazer a rega com frequência, buscando manter a umidade no substrato.

O plantio das mudas 

Não existe uma única forma certa para colocar as mudas no berço, mas alguns cuidados são essenciais para preparar a área e garantir que uma floresta seja plantada com sucesso. Nesse episódio Weliton Oliveira, técnico ambiental da Apremavi, compartilha algumas dicas para realizar o plantio das mudas produzidas no viveiro Jardim das Florestas e entregues pela Apremavi.

A manutenção após o plantio 

Esse episódio apresenta as principais orientações para cuidar das mudas nativas após o plantio. Leandro Casanova, coordenador de projetos da Apremavi, destaca a importância de analisar a área em sua totalidade, pois algumas plantas podem surgir sem o plantio, através da regeneração natural. Se forem nativas, essas espécies devem ser mantidas na área, pois irão contribuir na cobertura, sombreamento e preenchimento da área, acelerando o processo de restauração. 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida

Proteger e restaurar a Mata Atlântica é urgente

Proteger e restaurar a Mata Atlântica é urgente

Proteger e restaurar a Mata Atlântica é urgente

Estamos a apenas sete anos de 2030, ano que marca o fim da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas, um apelo para a proteção, revitalização e restauração de ecossistemas do mundo todo. Os riscos envolvendo a perda da biodiversidade foram discutidos na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP 15) que ocorreu na China, em 2021 e no Canadá, em 2022. Ambas conferências mostraram que nas próximas décadas pelo menos um milhão de espécies correm risco de desaparecer para sempre devido à ação humana, que está por trás não só da crise climática, mas das crises humanitárias, econômicas e de biodiversidade. O Acordo Kunming-Montreal, aprovado por quase 200 países, estabelece uma nova meta de conservação, será necessário preservar até 30% das áreas terrestres e regiões costeiras e marinhas globais até 2030, para conter a onda de extinção de espécies em andamento. O acordo determina ainda que, neste mesmo prazo, até 30% dos ecossistemas que estão degradados – tanto terrestres quanto marinhos – devem estar restaurados ou com restauração em andamento.

O ano de 2030 também foi definido como meta para a redução em 45% das emissões dos gases de efeito estufa (GEE) em comparação com os níveis de 2010. Trata-se de um passo fundamental para limitar o aquecimento global a 1,5ºC e frear os danos causados pelas mudanças climáticas. Nesse aspecto, um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (World Meteorological Organization – WMO), divulgado no dia 17 de maio, traz péssimas notícias, estimando que há 66% de probabilidade que o planeta ultrapasse o limite de 1,5ºC  de aquecimento global entre 2023 e 2027. O relatório aponta ainda que há 98% de chance de que estes anos superem 2026 como os mais quentes no mundo desde que começaram os registros. Isso exige medidas ainda mais urgentes de nossa parte.

O Brasil, conhecido por sua natureza rica e exuberante, infelizmente, tem sido líder mundial na perda de florestas tropicais. Em 2021, de acordo com dados do Global Forest Watch, com a perda de 1,5 milhão de hectares de florestas primárias, o país respondeu por 40% da derrubada registrada globalmente. Um dos biomas que continua em risco é a Mata Atlântica, um hotspot mundial com recordes de biodiversidade e um dos mais ameaçados do planeta. 

Presente em 17 estados e 3.429 municípios brasileiros, hoje, restam 24% da floresta que existia originalmente no bioma, sendo que apenas 12,4% são florestas maduras e bem preservadas. Esse percentual também está distribuído de forma desigual entre os diferentes ecossistemas do bioma, que abriga 35% de todas as espécies vegetais do país e mais de duas mil espécies de animais, sem contar os insetos. A Mata Atlântica, por exemplo, tem a maior biodiversidade de anfíbios do mundo. Por outro lado, o maior declínio mundial desses animais, segundo estudo, causado pelas mudanças climáticas, doenças e fragmentação dos habitats. A Mata Atlântica também abriga 9 das 12 bacias hidrográficas do Brasil e cerca de 72% da população brasileira (IBGE, 2014).

Dados do terceiro boletim do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica, consolidado no Map Biomas Alerta, mostram que um total de 21.302 hectares de floresta foram desmatados na Mata Atlântica no primeiro semestre de 2022. Essa destruição é comparável à área de 117 campos de futebol por dia.

Os dados do Atlas da Mata Atlântica, divulgado no dia 24 de maio, traz dados preocupantes, que comprovam que o desmatamento continua a passos largos. O bioma perdeu 20 mil hectares de florestas em um período de um ano (entre outubro de 2021 e de 2022). É a segunda maior área desmatada nos últimos 6 anos, colocando em risco a qualidade de vida de 145 milhões de brasileiros que dependem das bacias hidrográficas localizadas em áreas de Mata Atlântica para terem acesso à água.

Para ajudar a reverter esse quadro, o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) tem como meta recuperar, na Mata Atlântica, 4,8 milhões de hectares até 2030, e o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica se propõe a viabilizar a restauração de 15 milhões de hectares até 2050.

Em um estudo publicado em julho de 2019 na revista científica Science Advances, uma equipe de pesquisadores buscou identificar quais são os locais que possuem grande potencial de benefício da restauração somado à boa viabilidade de que o plantio de árvores prospere. Os resultados mostram que a Mata Atlântica foi o bioma com maior quantidade e área de hotspots para a restauração em todo o mundo, o que exemplifica uma grande oportunidade para os projetos de restauração do bioma.

É neste cenário que precisamos atuar com urgência, para mudar o curso catastrófico que se apresenta. Está mais do que comprovado que a conservação e a restauração de florestas são fundamentais para o combate à crise climática e a manutenção do fornecimento de serviços ecossistêmicos, que são essenciais para a saúde, a igualdade social e o desenvolvimento sustentável dos seres humanos. E as duas coisas não funcionam separadas. Para maximizar os benefícios oferecidos pelas florestas, precisamos manter intactos os remanescentes de floresta nativa, conservar a biodiversidade, impulsionar a regeneração e restaurar as áreas que costumavam ter floresta.

Precisamos integrar as soluções baseadas na natureza, que tem a ver com o redesenho e o planejamento das paisagens. Pensar o território com olhar de drone e visão de libélula: do alto com a complexidade exigida e onde cabem todos os atores e setores existentes naquele território, mas cabe também a natureza.

 

Repúdio aos ataques à Mata Atlântica

Em plena Semana da Mata Atlântica, a Comissão Mista da Câmara dos Deputados investe contra um dos biomas mais ameaçados do mundo ao alterar novamente o texto da Medida Provisória (MP) 1.150, reintroduzindo alterações na Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428 de 2006) que fragilizam sobremaneira a proteção do bioma, até mesmo os seus raríssimos remanescentes primários. Não satisfeitos com o descaso, na Comissão de Meio Ambiente (CMADS), deputados da mesma laia aferiram também um verdadeiro golpe aos Campos de Altitude, ao debaterem o Projeto de Lei (PL) 364/2019, que postula a retirada dos Campos de altitude da esfera de proteção da Lei.

A Apremavi repudia todas as formas de ataques à Mata Atlântica, se une a sociedade civil e reitera as manifestações postuladas pela Rede de ONGs da Mata Atlântica, pelo Observatório do Clima, pelo Pacto pela Democracia e pelo Fridays for Future.

Mata Atlântica

No contexto da restauração como pauta emergencial para salvar o bioma e ajudar a mitigar às crises climática e de biodiversidade, a Apremavi apresenta o Viveiro Jardim das Florestas. Foto: Miriam Prochnow.

Autoras: Miriam Prochnow e Carolina Schäffer.

Apremavi repudia pacote de retrocessos aprovados pelo Congresso

Apremavi repudia pacote de retrocessos aprovados pelo Congresso

Apremavi repudia pacote de retrocessos aprovados pelo Congresso

Apremavi se une a sociedade civil e repudia pacote de retrocessos, aprovados pelo Congresso no último dia 23, que estraçalham a Lei da Mata Atlântica, esvaziam o Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima e o Ministério dos Povos Indígenas e colocam em cheque os rumos da política ambiental no país.

Às vésperas do Dia da Mata Atlântica, a Câmara dos Deputados não surpreende: desconsidera a votação prévia do Senado que impugnou matérias alheias e inconstitucionais à MP 1.150 e MP 1.154, e aprova um novo texto que escancara o desmonte ambiental que vinha em curso desde o governo passado.

O relatório, proposto pelo Deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB/AL), apresentado no último dia 23 de maio na Comissão Mista da Câmara dos Deputados, inseriu pontos que evidenciam o projeto de desmonte da política ambiental iniciado no governo passado.

Listamos os principais equívocos aprovados:

  • A gestão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) sai do Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (MMA) e vai para o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), levando um instrumento de política ambiental para um ministério sem essa competência técnica;
  • A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Sistema Nacional de Gerenciamento da Gestão de Recursos Hídricos (SIGRH) saem do MMA e vão para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MDR), quebrando o princípio da integração e indissociabilidade da gestão das Águas e do Meio Ambiente;
  • A gestão de Resíduos Sólidos vai para o Ministério das Cidades e sai do MMA, excluindo a política ambiental do setor;
  • A demarcação das terras indígenas sai do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e vai para o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), quebrando a espinha dorsal dos direitos dos povos indígenas.

O texto aprovado da MP 1.154, que trata da reestruturação ministerial, fragiliza o sistema e diminui o protagonismo necessário da área socioambiental nos debates nacionais. Já a nova versão da MP 1.150 coloca novamente o bioma que abriga cerca de 72% da população brasileira (IBGE, 2014) em risco; um bioma que segue com taxas de desmatamento alarmantes.

De acordo com os dados divulgados no último dia 24 de maio pelo Atlas da Mata Atlântica, entre os meses de outubro de 2021 e de 2022, 20.075 hectares de Mata Atlântica foram destruídos. Isso corresponde a mais de 20 mil campos de futebol desmatados a cada três dias. Entre os cinco Estados que mais destruíram o bioma – o mais devastado do País -, quatro são presença constante na lista da devastação desde o início dos anos 2000: Minas Gerais, Bahia, Paraná e Santa Catarina.

Ambas MPs vão na contramão dos debates de mitigação dos cenários de crise climática, socioeconômica e de biodiversidade em curso, e inviabilizam a retomada das políticas públicas brasileiras, imprescindíveis para a garantia de qualidade de vida para todas as espécies, bem como essenciais para o desenvolvimento econômico e a imagem do Brasil no exterior. 

Como diz o ditado, para bom entendedor, poucas palavras bastam: os equívocos estão esclarecidos e Eliane Brum foi precisa quando escreveu que se o Lula rifar o meio ambiente, seu governo acaba. Estamos de acordo. O Presidente precisa reassumir o controle desse embate cheio de politicagem e ensinar os agentes das boiadas como se faz a verdadeira política, baseada em ciência e com respeito ao meio ambiente; o futuro da humanidade depende disso. #VetaLula.

Apoio às manifestações da Sociedade Civil

Além de repudiar veementemente qualquer projeto de enfraquecimento da Lei da Mata Atlântica e dos órgãos ambientais brasileiros, a Apremavi se une às vozes da sociedade civil que mostram a gravidade desses atos. Conclamamos todas as organizações a fazerem o mesmo e ampliarem essa mobilização.

Veja notas com chamado para assinatura lançadas pelos coletivos nacionais:

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Miriam Prochnow.

Os Serviços Ecossistêmicos das Abelhas e a Flora Apícola

Os Serviços Ecossistêmicos das Abelhas e a Flora Apícola

Os Serviços Ecossistêmicos das Abelhas e a Flora Apícola

As abelhas e os demais insetos polinizadores são responsáveis diretos pelo bem-estar humano através da manutenção da saúde e função do ecossistema, reprodução de plantas selvagens, produção na agricultura e segurança alimentar.

A biodiversidade de abelhas no mundo todo é muito grande, mais de 20.000 espécies de abelhas foram descritas em todo o mundo. Elas retiram da natureza diversas substâncias: néctar, pólen, resinas, água e até alimentos de outras colmeias. As atividades de coleta desses recursos variam amplamente e, de modo geral, estão relacionadas com a construção do ninho, a defesa da colmeia e a coleta de alimentos¹.

O pólen e o néctar encontrados nas flores constituem basicamente sua única fonte de alimento, sendo que o pólen é fonte concentrada de proteína e o néctar importante fornecedor de energia, contendo sacarose, frutose e glicose, essenciais para a sobrevivência das colônias. Daí a importância das floradas e do conhecimento das épocas de suas ocorrências por parte do apicultor, para a vida e produção da colônia: a conservação e enriquecimento da flora apícola proporcionam uma boa produção de mel e, consequentemente, garantem o sucesso da atividade. Ao mesmo passo, florestas são restauradas ou enriquecidas com novas espécies.

Entretanto, além da produção de alimentos e produtos para os agricultores, apicultores, meliponicultores e consumidores, as abelhas são organismos extremamente importantes por serem agentes polinizadores das diferentes espécies botânicas que podem ser vegetais nativos e cultivados. Os serviços ecossistêmicos proporcionados pelos polinizadores contribuem para o equilíbrio das populações de plantas e a sustentabilidade das populações de animais silvestres, que vivem em ecossistemas naturais ou agroecossistemas e deles tiram seu sustento, e contribuem também para os meios de subsistência de agricultores em todo o mundo².

A flora apícola principal é constituída pelas plantas de maior fluxo nectarífero³, normalmente formam pastos densos, com floradas prolongadas.

especies apicolas abelhas

As vegetações subarbustivas e arbustivas nativas, em sua maioria, costumam apresentar maiores fluxos de néctar, com grande concentração de açúcares, sendo fontes importantes na produção de mel apícola. Para viabilizar a produção de mel, uma estratégia que tem fundamental importância é realizar o enriquecimento da flora na propriedade, em áreas de preservação permanente, em remanescentes florestais, em florestas secundárias e no paisagismo da propriedade, contribuindo para a aceleração na regeneração da floresta.

Registro de algumas espécies apícolas da Mata Atlântica. Na sequência: grumixama, pitanga, paineira-rosa e goiaba-da-serra. Fotos: Arquivo Apremavi.

A apicultura é uma atividade que vai além da produção de mel, pois está intrinsecamente ligada à preservação das áreas naturais e do equilíbrio do ambiente. Contribui para o alcance de muitos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ela fornece renda, melhorando os meios de subsistência nas comunidades rurais e entre os povos indígenas.

 

Os Serviços Ecossistêmicos

A polinização é considerada um serviço ecossistêmico regulatório, fundamental para a manutenção dos ecossistemas terrestres. A Classificação Internacional Comum de Serviços Ecossistêmicos (CICES), liderada pela Agência Ambiental Europeia (EEA), reconhece três categorias de serviços: de provisão, regulação e cultural. O reconhecimento dos Serviços Ecossistêmicos possibilita a valorização dos mesmos, sobretudo ao relacioná-los com o bem-estar humano, desenvolvimento da ciência e para a formulação de políticas públicas.

Uma outra perspectiva, liderada pelos pesquisadores da  Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES),  promove uma visão menos utilitarista das interdependências bióticas, e propõe que o que atualmente são reconhecidos como Serviços Ecossistêmicos sejam observados como “Contribuições da Natureza para as Pessoas”. Essa abordagem defende que, embora a natureza ofereça uma recompensa de bens e serviços essenciais, como alimentos, proteção contra inundações e muito mais, possui também um rico significado social, cultural, espiritual e religioso, incalculáveis materialmente, mas que precisam ser considerados nas discussões e para a elaboração de políticas públicas. 

 

Dia Mundial das Abelhas

A Assembleia Geral da ONU declarou 20 de maio como o Dia Mundial das Abelhas. A sugestão foi feita pela Eslovênia, que engajou ativamente a sua rede diplomática para garantir um amplo apoio internacional. A data é um passo importante para a proteção das abelhas e de outros polinizadores, estimulando assim a segurança alimentar global e a erradicação da fome em países em desenvolvimento. Além disso, a iniciativa é também um passo para prevenção de maiores perdas de biodiversidade e de degradação de ecossistemas, o que contribui para alcançar as metas de desenvolvimento sustentável definidas pela Agenda 2030.

O desmatamento e o uso de agrotóxicos são as principais causas da morte de populações de abelhas. O risco aos polinizadores tem se agravado cada vez mais no Brasil, já que novos agrotóxicos foram liberados e o “Pacote do Veneno“, que prevê uma série de flexibilizações em relação ao uso dos químicos com potencial risco à saúde, segue em tramitação no Congresso Nacional. 

Referência Bibliográficas

REFERÊNCIAS CITADAS
¹ ROUBIK, D.W. 1989. Ecology and natural history of tropical bees. Cambridge Univ Press, New York. 514p.

² REISDÖRFER, A.F. Mercado apícola. Conselho em revista, Conselho em revista Porto Alegre, n. 27, ano 3, p. 13 – 15. 2006.

³ ALMEIDA, D. [et al.]. T. Piracicaba: ESALQ – Divisão de Biblioteca e Documentação, 2003. 40 p. – – (Série Produtor Rural, Edição Especial)

CONSULTAS
DÍAZ, Sandra; PASCUAL, Unai; STENSEKE, Marie; MARTÍN-LÓPEZ, Berta; WATSON, Robert T.; MOLNÁR, Zsolt; HILL, Rosemary; CHAN, Kai M. A.; BASTE, Ivar A.; BRAUMAN, Kate A.. Assessing nature’s contributions to people. Science, [S.L.], v. 359, n. 6373, p. 270-272, 19 jan. 2018. American Association for the Advancement of Science (AAAS). http://dx.doi.org/10.1126/science.aap8826.

GOVERNO DO BRASIL. Lei Nº 14.119: Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. Disponível em: https://legis.senado.leg.br/norma/33089316/publicacao/33104500. Acesso em: 15 maio 2023.

POTTS, Simon G.; IMPERATRIZ-FONSECA, Vera; NGO, Hien T.; AIZEN, Marcelo A.; BIESMEIJER, Jacobus C.; BREEZE, Thomas D.; DICKS, Lynn V.; GARIBALDI, Lucas A.; HILL, Rosemary; SETTELE, Josef. Safeguarding pollinators and their values to human well-being. Nature, [S.L.], v. 540, n. 7632, p. 220-229, 28 nov. 2016. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/nature20588.

Autora: Tatiana Aruda Correia
Revisão: Ariel Stefaniak, Carolina Schäffer e Vitor L. Zanelatto

Apremavi participa do Encontro Anual do Observatório do Clima

Apremavi participa do Encontro Anual do Observatório do Clima

Apremavi participa do Encontro Anual do Observatório do Clima

Entre os dias 3 e 5 de maio de 2023 a Apremavi esteve presente no Encontro Anual do Observatório do Clima (OC), a maior rede da sociedade civil dedicada ao debate da agenda socioambiental e climática no Brasil.

Junto com 155 pessoas que representavam 70 organizações, das 94 que compõem o OC, a Apremavi ajudou a aprovar o plano estratégico da rede para o período 2023 – 2026. As atividades do quadriênio estão divididas em quatro macro-objetivos estratégicos (produção de conhecimento, incidência política, incidência Internacional, e engajamento da sociedade), que se desdobram em objetivos específicos que são debatidos em diferentes grupos de trabalho.

“Construir pautas claras e oferecer soluções é uma das formas de fortalecer a rede do Observatório do Clima e também a luta contra a crise climática”, comenta Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi, que acompanhou o evento realizado no interior paulista.

A assembleia, instância máxima da governança da rede, se reúne anualmente e este ano elegeu sua nova coordenação, que é a responsável por orientar o secretariado executivo no cumprimento das deliberações da assembleia. A nova coordenação passa a ser integrada por Adriana Ramos, assessora de Política e Direito Socioambiental do ISA, Andréa Bavaresco, coordenadora-executiva do IEB, Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam, Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria, Délcio Rodrigues, diretor do Instituto ClimaInfo, e Marina Piatto, diretora-executiva do Imaflora.

Selo Signatário do Movimento ODS SC 2023

Marina encerra assembleia anual do Observatório do Clima. Foto: Felipe Werneck/MMA.

O Encontro Anual do OC foi encerrado com a participação da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que comentou que a preservação áreas naturais brasileiras e o respeito aos direitos indígenas são questões urgentes e inadiáveis: “estamos trabalhando em conjunto com os estados e o MPI para impulsionar a criação de novas Unidades de Conservação e garantir a demarcação das terras indígenas. Esta é uma prioridade absoluta em nossa agenda de proteção ambiental.”

Acesse o site do Observatório do Clima

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Thamara Santos de Almeida.
Foto da capa: abertura do Encontro Anual, por Carolina Schäffer.

RPPNs, um caminho para o Protetor das Florestas conservar o seu legado

RPPNs, um caminho para o Protetor das Florestas conservar o seu legado

RPPNs, um caminho para o Protetor das Florestas conservar o seu legado

No Dia do Protetor das Florestas (17/05) a Apremavi coloca em foco a possibilidade dos proprietários de áreas naturais conservarem as florestas por meio da criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).

Criadas por iniciativas espontâneas de proprietários privados, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas, as RPPNs estão previstas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), por meio da Lei nº 9.985/2000, conhecida como Lei do SNUC. Além de disciplinar o compromisso para a conservação das florestas, dos recursos hídricos e para a proteção das paisagens naturais, a legislação também prevê o desenvolvimento de atividades de baixo impacto ambiental e significativa importância para a sociedade, como projetos de educação ambiental e ecoturismo. 

As áreas protegidas privadas possuem as mesmas condições de conservação da natureza daquelas criadas por órgãos governamentais, mas o pertencimento e responsabilidade em relação à área se mantém integralmente ao proprietário. Outra diferença está no tempo para criação de uma Unidade de Conservação particular: o processo é rápido; sobretudo quando ponderada a morosidade para a criação de uma Unidade de Conservação pública, que pode demandar desapropriações, esforços políticos, elaboração de complexos planos de manejo, instituição de regimentos e conselhos.

A criação de uma RPPN garante a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) sobre a área. Além disso, o proprietário pode solicitar auxílio do poder público para elaborar um plano de manejo, proteção e gestão da área. Outra possibilidade é firmar parcerias com ONGs ou centros de ensino para o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, como ocorre na RPPN Serra do Pitoco, em Atalanta (SC).

> Conheça a RPPN Serra do Lucindo, da Apremavi

O Brasil possui 2.000 RPPNs, que untas representam um significativo complemento aos esforços governamentais na conservação da biodiversidade por meio da ampliação das áreas naturais protegidas, que protegem córregos, rios e nascentes, colaboram com a educação ambiental e na execução de pesquisas científicas. O turismo ecológico é outra possibilidade que pode ser explorada, com potencial de geração de renda ao proprietário.

RPPN Serra do Lucindo

RPPN Serra do Lucindo, da Apremavi. Foto: Arquivo Apremavi.

Caminhos para criação de uma RPPN

As reservas são criadas exclusivamente através da iniciativa voluntária do proprietário, que solicita ao órgão ambiental o reconhecimento de parte ou do total do seu imóvel. A RPPN é perpétua e também deve ser averbada no cartório, à margem do registro do imóvel.

Em nível federal, a criação de uma RPPN é realizada através do ICMBio. O primeiro passo é o preenchimento do requerimento online disponível no Sistema Informatizado de Monitoria de Reservas Particulares do Patrimônio Natural – SIMRPPN.

Após a análise da documentação, o Instituto promove a consulta pública da reserva e realiza a vistoria técnica na área da RPPN proposta. O Termo de Compromisso para averbação da RPPN à margem da matrícula do imóvel é enviado ao proprietário que, após averbá-lo, deverá encaminhar a certidão ao órgão ambiental. Ao final, o ICMBio publica a portaria de criação da RPPN no Diário Oficial da União (DOU).

Em nível estadual, as demandas para a criação de uma RPPN podem variar. Recomenda-se visitar a página do órgão ambiental estadual para informações detalhadas.
> Confira os requisitos em SC – através do Instituto de Meio Ambiente de SC (IMA)
> Confira os requisitos no PR – através do Instituto Água e Terra (IAT)

A criação também pode ocorrer em âmbito municipal, caso haja legislação específica sobre RPPNs no município. Nesses casos, a secretaria municipal de meio ambiente e/ou órgão a ela vinculado  são responsáveis pelo reconhecimento dessas reservas.
> Saiba mais sobre RPPNs municipais no guia da SOS Mata Atlântica

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Revisão: Thamara Santos de Almeida.
Foto de Capa: RPPN Serra do Pitoco, Atalanta (SC).

Como priorizar áreas para a restauração de ecossistemas?

Como priorizar áreas para a restauração de ecossistemas?

Como priorizar áreas para a restauração de ecossistemas?

Prioridade internacional, a restauração de ecossistemas e paisagens nos trópicos é essencial para a mitigação da emergência climática. Conheça as ferramentas para a priorização de territórios e articulação de atores locais que já estão disponíveis para auxiliar a ampliar a eficiência, a sustentabilidade e dar escala às iniciativas.

Nos próximos anos será preciso avançar rapidamente para impedir um colapso completo dos ecossistemas. A espécie humana, causadora da emergência climática, tem na restauração ecológica uma chance de neutralizar gases de efeito estufa (GEE) emitidos nas diversas atividades humanas, ao mesmo passo que recupera paisagens naturais degradadas, promovendo benefícios em nível local com retorno imediato.

É impossível quantificar todos os benefícios da restauração ecológica, que promove melhorias desde os elementos da Natureza, com a proteção do solo e dos cursos de água, por exemplo. Com a recomposição do habitat e conexão dos fragmentos de paisagens naturais do território, fauna, flora e funga podem se desenvolver e manter populações em índices naturais, afastando o risco de extinção de espécies. Já as Contribuições da Natureza para as Pessoas (CNP), como a água para o abastecimento, polinização de culturas agrícolas e o extrativismo sustentável das florestas são exemplos de benefícios diretos para as comunidades humanas.

Para que os amplos esforços previstos em acordos globais de conservação e desenvolvimento sustentável como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as Contribuições Determinadas Nacionalmente (NDC) para o Acordo Climático de Paris produzam benefícios nessas diferentes dimensões, é preciso considerar, dentre todas as regiões da Terra, quais as áreas com maior potencial para iniciativas de restauração ecológica. Para tanto, é necessário promover uma análise do contexto local, dos recursos disponíveis e da projeção de retorno dos investimentos, considerando inclusive resultados econômicos.

Atendendo a essa demanda urgente, o Instituto Internacional para a Sustentabilidade (ISS) desenvolveu a plataforma PLANGEA. Fruto de dez anos de trabalho, a ferramenta permite a visualização de áreas prioritárias para ações de restauração e conservação de ecossistemas, estimando os benefícios e os custos para diferentes cenários. Atualmente, a visualização das áreas prioritárias pode ser realizada a partir de três filtros: conservação da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e minimização de custos. Também é possível selecionar a escala espacial (global ou nacional) a ser considerada, que define se a meta percentual de áreas a serem restauradas ou conservadas é aplicada à área global total ou à área de cada país.

> Acesse a plataforma PLANGEA

A priorização das áreas é realizada a partir de uma abordagem multicritério, aplicável a todos os biomas terrestres e capaz de estimar seus benefícios e custos. Detalhada em um artigo publicado na revista Nature, a metodologia permite afirmar que a restauração de 15% das terras convertidas em áreas prioritárias poderia evitar 60% das extinções esperadas, além da neutralização de 299 gigatoneladas de CO2, o que corresponde a 14% das emissões totais desde a Revolução Industrial.

Os principais fatores observados para definir as áreas prioritárias são:
・Conservação da biodiversidade (flora, fauna e funga);
・Mitigação das mudanças climáticas (sequestro de GEE);
・Minimização de custos de execução da restauração.

“As áreas prioritárias conjuntas para biodiversidade e clima estão concentradas em zonas úmidas e florestas tropicais e subtropicais com altos estoques de carbono, alta diversidade e perda acentuada de habitat natural, e geralmente estão localizadas em hotspots de biodiversidade”

O artigo que fornece o referencial teórico da PLANGEA também apresenta as duas principais limitações do modelo de análise: dados limitados sobre indicadores de biodiversidade e uso do solo. Isso evidencia a demanda pela produção e ampliação de pesquisas e atividades de monitoramento, através de políticas públicas, investimentos nas pesquisas desenvolvidas em universidades e a previsão dessa demanda em projetos de restauração executados pela sociedade civil.

> Conheça o Portal Ambiental da Apremavi

Outra pesquisa, liderada pelo professor e pesquisador Pedro Brancalion (ESALQ/USP) e publicada em 2019 na revista Science Advances concluiu que o estabelecimento de hubs (regiões prioritárias) de restauração pode permitir uma melhor otimização da infraestrutura de restauração e das cadeias de suprimentos de restauração, com a instalação de viveiros, capacitação e treinamento de profissionais para as atividades e desenvolvimento de produtos para atender a demanda, que deverá ser crescente. Também é destacado o potencial de redução de custos fixos, logística mais eficiente e promoção de governança eficaz para as iniciativas. O artigo também discute a importância de analisar a escala e contexto regional.

Esse último aspecto é elemento inegociável para a execução das ações. Não apenas para o planejamento de intervenções antrópicas no meio ambiente, como a conexão de fragmentos através da implementação de corredores ecológicos; mas também para que as comunidades humanas presentes no território sejam participantes ativas e tenham suas demandas e interesses considerados, sempre de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável.

Tendo apenas 28% de sua área original remanescente e reconhecida como hotspot de biodiversidade, a Mata Atlântica atualmente é um dos biomas prioritários para as atividades de recuperação de áreas degradadas. Na Década da Restauração de Ecossistemas da ONU, a Apremavi está dedicada em ampliar esforços e atuar em rede para restaurar florestas e desenvolver atividades econômicas sustentáveis a partir das demandas dos projetos

Os dados de áreas prioritárias apontam o melhor caminho para restaurar, mas é preciso de pessoas para fazer o trabalho. Por isso, é necessário promover a participação ativa da sociedade nos projetos de recuperação da biodiversidade, buscando apresentar os benefícios da recuperação ecológica, mas também observar e atender os interesses das comunidades locais de onde a restauração deve ocorrer.

A Apremavi procura incorporar objetivos visando benefícios sociais em seus projetos, como a difusão de metodologias para a implementação de atividades econômicas sustentáveis utilizando espécies nativas, promoção de redes de governança e tomada de decisão participativa e valorização dos conhecimentos e da cultura de cada território.

> Conheça os projetos da Apremavi

O Viveiro Jardim das Florestas produz mudas nativas para projetos de restauração da Apremavi e de outras organizações. Foto: Vitor L. Zanelatto.

Mapeamento de atores brasileiros

 

Desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE) em parceria com o Pacto pela Mata Atlântica e Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, a plataforma “Vitrine da Restauração” disponibiliza informações de contato institucional organizadas por biomas, estados, municípios e papel desempenhado na cadeia da restauração. As buscas apresentam todos os atores que atuam na cadeia da restauração ecológica, como Organizações da Sociedade Civil que executam projetos, viveiros de mudas, institutos de pesquisa e universidades. 

A SOBRE mantém um chamado permanente para que profissionais e organizações envolvidas em atividades de restauração no Brasil se cadastrem na plataforma, promovendo visibilidade e produção de dados diagnósticos sobre o progresso das atividades no país.

> Cadastro na Vitrine da Restauração

Referências Bibliográficas

BRANCALION, Pedro H. S.; NIAMIR, Aidin; BROADBENT, Eben; CROUZEILLES, Renato; BARROS, Felipe S. M.; ZAMBRANO, Angelica M. Almeyda; BACCINI, Alessandro; ARONSON, James; GOETZ, Scott; REID, J. Leighton. Global restoration opportunities in tropical rainforest landscapes. Science Advances, [S.L.], v. 5, n. 7, 5 jul. 2019. American Association for the Advancement of Science (AAAS). http://dx.doi.org/10.1126/sciadv.aav3223. 

INSTITUTO INTERNACIONAL PARA A SUSTENTABILIDADE (IIS). PLANGEA. 2023. Disponível em: https://map.plangea.earth/?abordagem=Restauração&country=all&escala=Global&meta=100&objetos=Minimização%20de%20custos&objetos=Mitigação%20de%20mudanças%20climáticas&objetos=Biodiversidade#. Acesso em: 25 abr. 2023.

MALHI, Yadvinder; GARDNER, Toby A.; GOLDSMITH, Gregory R.; SILMAN, Miles R.; ZELAZOWSKI, Przemyslaw. Tropical Forests in the Anthropocene. Annual Review Of Environment And Resources, [S.L.], v. 39, n. 1, p. 125-159, 17 out. 2014. Annual Reviews. http://dx.doi.org/10.1146/annurev-environ-030713-155141.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida

Leituras para (começar a) conhecer a Mata Atlântica

Leituras para (começar a) conhecer a Mata Atlântica

Leituras para (começar a) conhecer a Mata Atlântica

“Vi muitas árvores diferentes das nossas, e várias delas tinham ramos diferentes saindo de um mesmo tronco – um ramo era de um tipo, e o outro de outro – tão estranhos por sua diversidade que era certamente a coisa mais maravilhosa do mundo” – Diário de Cristóvão Colombo, 16.10.1492

Em celebração ao Dia Mundial do Livro (23/04) a Apremavi indica obras para aqueles que desejam adentrar a Mata Atlântica através das páginas de uma publicação, mergulhando nos conhecimentos e caminhando entre as belezas da biodiversidade que o bioma detém.

A exuberância das florestas impressionou os conquistadores portugueses quando eles chegaram na América A vastidão de cores e texturas foi documentada no diário que Colombo elaborava rotineiramente, quiçá o primeiro registro amplo de aspectos botânicos da vegetação litorânea na língua portuguesa. Muito antes disso, a floresta já ocupava papel central na teia densamente emaranhada do modus vivendi dos povos originários, que sempre realizavam a transmissão do conhecimento ecológico por meio das “tradições orais”.

A História da Mata Atlântica pode ser retratada a partir de diferentes lentes, formadas pelas vivências e perspectivas de quem se propôs a escrever. Há muitos títulos ao alcance, desde aqueles voltados aos conhecimentos técnicos até os romances contemporâneos. Este artigo, que certamente poderia abrigar dezenas de indicações, busca apresentar essa diversidade de perspectivas sobre esse hotspot de biodiversidade, onde já foram identificadas mais de 20.000 espécies de plantas e 2.420 vertebrados, com um alto nível de endemismo.

Araucarilândia

Publicada originalmente em 1930, descreve as observações enquadradas em grande parte pela janela do trem, de Frederico Hoehne (1882-1959) por cidades do Paraná e de Santa Catarina. Hoehne observou as florestas e sua beleza, mas também a acelerada degradação, especialmente das matas de araucárias que ainda compunham destacadamente a paisagem. Em meio aos desmontes na área socioambiental no Brasil observados com angústia e, em muitos momentos, sentimento de impotência, o clássico Araucarilândia teve uma terceira edição publicada em 2020.

A terceira edição contém apensado o caderno Araucarilândia: 90 anos depois. Nele os especialistas Clóvis Ricardo Schrappe Borges e João Paulo Ribeiro Capobianco apresentam pontos de vista importantes sobre a trajetória de Hoehne e do ambientalismo brasileiro e sobre as potencialidades e desafios do presente.

> Confira a publicação

Do Quilombo à Floresta: guia de plantas da Mata Atlântica no Vale do Ribeira

A restauração ecológica também deve ser considerada um esforço socioecológico, que abrace a diversidade em ecologia e cultura. A valorização dos saberes de comunidades tradicionais é exemplificada na publicação do Instituto Socioambiental (ISA), com a catalogação de 52 espécies vegetais da Mata Atlântica, apresentação de informações morfológicas, os usos associados nos quilombos do Vale do Ribeira e as formas de coleta, beneficiamento, armazenamento e plantio das sementes florestais.

> Acesse a obra

Fim do Futuro

Lançado em 1976 por José Lutzenberger (1926-2002), ‘Fim do Futuro?’ foi o primeiro manifesto de cunho ecológico publicado no Brasil. A leitura em nossa época possibilita a projeção de uma perspectiva histórica do ativismo ambiental no Brasil em que o autor, subscrito por nove entidades ecológicas brasileiras, listava os principais problemas ambientais brasileiros e, ao mesmo tempo, indicava caminhos e soluções para os mesmos.

> Disponível para compra na Estante Virtual

Guardiãs da Natureza

Propícia para inspirar atividades de educação ambiental, a publicação destaca o papel das Reservas Naturais do Patrimônio Natural (RPPNs) de Santa Catarina na conservação da Natureza e promoção de ambientes seguros para a preservação da biodiversidade. Conceitos como sucessão ecológica, estabelecimento de corredores ecológicos e espécies endêmicas são apresentados em uma linguagem acessível, que servem de insumo para o desenvolvimento das atividades e reflexões propostas ao longo do texto.

> Disponível no site da RPPN Catarinense

No Jardim das Florestas

A obra é uma semente que pretende estimular e inspirar ações em prol da natureza, em todos aqueles que tiverem contato com ela. Apresenta a floresta no contexto do Antropoceno, com conceitos e boas práticas para a restauração e harmonia entre as árvores da Mata Atlântica e as paisagens culturais. Também apresenta um guia de espécies nativas da Mata Atlântica e informações sobre o plantio e cuidados necessários para quem busca restaurar áreas degradadas ou plantar com objetivos paisagísticos.

> Disponível para download no site da Apremavi

Dia Mundial do Livro

Celebrado em 23 de abril, o Dia Mundial do Livro foi definido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como referência para a celebração das obras, incentivo à leitura e discussão de questões relacionadas a direitos legais. A data comemorativa é uma homenagem a três grandes nomes da literatura mundial: William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Garcilaso de La Vega; autores que faleceram na data em questão.

Um dos objetos mais importantes de acesso ao conhecimento, tem seu acesso limitado para grande parte da população, por conta dos altos custos de produção, distribuição e, sobretudo, ausência de iniciativas para o fomento e incentivos ao mercado editorial.

> Veja mais: Indicações para nutrir e afagar a mente

Referências Bibliográficas

LUTZENBERGER, José. Fim do Futuro? Manifesto Ecológico Brasileiro (5a edição). Porto Alegre: Editora Movimento, 1999.
MYERS, N. et al. Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature, v. 403, n. 6772, p. 853–858, 2000.
REZENDE, C. L. et al. From hotspot to hotspot: An opportunity for the Brazilian Atlantic Forest. Perspectives in ecology and conservation, v. 16, n. 4, p. 208–214, 2018.
TORODOV, Tzvetan. “Colombo e os ındios”. In: A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1991. p. 33-48.
WAGNER, Roy. A Invenção da Cultura. São Paulo: Ubu Editora, 2020. 240 p. Tradução de Marcela Coelho de Souza e Alexandre Morales.

Declarações éticas: 1. Este artigo foi inspirado no texto ‘Dez livros para (começar a) conhecer a Amazônia‘, escrito por Joaquim Melo e publicado em SUMAÚMA. | 2. Listas como essas são pessoais, sem caráter de análise técnica ou classificação. | 3. Foram preconizadas obras em circulação no mercado e/ou disponíveis para acesso virtual. | 4. Os livros foram apresentados em ordem alfabética.

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Revisão: Thamara Santos de Almeida

O sucesso das agroflorestas começa pelo solo saudável・Código Florestal na Prática

O sucesso das agroflorestas começa pelo solo saudável・Código Florestal na Prática

O sucesso das agroflorestas começa pelo solo saudável・Código Florestal na Prática

O segundo capítulo da série “Código Florestal na Prática”, lançado no Dia da Conservação do Solo (15/04), coloca em foco a importância da recuperação e proteção deste elemento para a restauração das florestas e promoção de atividades econômicas sustentáveis.

 

Um Sistema Agroflorestal (SAF) é constituído para alavancar a questão econômica nas propriedades rurais, gerando renda direta ao proprietário rural ou para a subsistência, promovendo a extração de produtos que servem para a alimentação familiar. Uma das grandes vantagens é a biodiversidade associada a um SAF: a variedade de espécies possibilita a geração de vários produtos, ao mesmo passo que colabora com a restauração do solo e pode estar conectada à Áreas de Preservação Permanente (APPs), ampliando as áreas verdes, o fluxo gênico e a conectividade entre remanescentes florestais.

A recomposição da vegetação nativa promove o melhoramento das características físicas, químicas e biológicas do solo. Isso acontece por conta da decomposição e incorporação de matéria orgânica na terra e penetração das raízes no solo. Os diferentes comprimentos de raízes, com a presença de árvores, auxiliam também na redução da erosão. Posteriormente, com a formação da serrapilheira (camada de matéria orgânica que recobre o solo, formada a partir de matéria orgânica em diferentes fases de decomposição) a fixação do nitrogênio no solo é facilitada, os efeitos da radiação solar atenuada e a temperatura do solo amenizada.

Ao mesmo passo do crescimento da floresta, os impactos das chuvas são reduzidos e o potencial de infiltração da água é ampliado com os SAFs, diminuindo os efeitos das enxurradas, onde há um aumento dos teores de matéria orgânica e da microbiota do solo; tornando todo o ambiente mais vigoroso e, por consequência, diminuindo ou mesmo dispensando o uso de fertilizantes sintéticos.

Verdadeiro manifesto contra a monocultura implantada em países exportadores de commodities, como o Brasil, o Sistema Agroflorestal é tem potencial para promover redes de produção sustentáveis em diversas cadeias produtivas, mas para isso demanda investimentos e programas de incentivo. Assim como as atividades agrícolas comuns no Brasil, em muitas regiões catalisadores do desmatamento, grilagem de terras, queimadas e poluição por agrotóxicos. Uma outra possibilidade dos SAFs é a inclusão de conhecimentos etnobotânicos do território, valorizando a cultura popular e o conhecimento biocultural das comunidades.

Alguns modelos de SAFs podem ser utilizados na recomposição de Reserva Legal e na indução de recuperação de APPs, conforme prevê o novo Código Florestal. Essa implementação pode ocorrer em áreas de florestas secundárias em estágio inicial de regeneração ou mesmo em área aberta onde não existe cobertura do solo substancial. Espécies frutíferas, medicinais ou espécies como a erva-mate, a araucária e o palmito são comumente utilizadas na implantação dos sistemas.

Sistema Agroflorestal tendo o café como espécie-chave. Foto: Arquivo Apremavi.

SAFs #Na Prática: o exemplo da Apremavi

A implantação de sistemas agroflorestais é uma das soluções apresentadas pela Apremavi para quem busca tornar a propriedade rural mais sustentável. Várias metodologias foram implantadas em áreas demonstrativas ao longo do tempo, sobretudo na propriedade do Centro Ambiental Jardim das Florestas, em Atalanta – SC, o que possibilitou ilustrar o desenvolvimento da floresta e mensurar o retorno socioeconômico da atividade.

Uma dessas áreas, implantada entre 1964 e 1987 tem como protagonistas a araucária (Araucaria angustifolia) e o palmito-juçara (Euterpe edulis), em um sistema consorciado. Cada espécie propicia a coleta de um produto com grande potencial econômico: os frutos de juçara (juçaí) e o pinhão, com mercado consumidor consolidado na Região Sul do país. As araucárias foram plantadas em 1964 e o palmito-juçara em 1987, com densidades finais de 167 e 2.500 plantas/ha, respectivamente.

Esquema do sistema agroflorestal araucária-palmito implantado pela Apremavi. Crédito: COALIZÃO/WRI (adaptado por Apremavi).

Em 2021, uma parceria entre o WRI Brasil e a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura resultou na análise minuciosa de 40 casos de atividades econômicas sustentáveis utilizando espécies nativas, entre elas a área do sistema agroflorestal de araucária-palmito implantado pela Apremavi. Os SAFs estudados mostraram a rentabilidade e oportunidade de avançar na agenda da restauração a partir dessa modalidade, com benefícios também para a dinâmica de construção social e produção de alimentos ambientalmente mais adequados e socialmente mais justos.

A avaliação econômica dos projetos analisados em 2021 mostrou que as taxas internas de retorno (TIR) dos investimentos variam de 2,5% a 28,4% ao ano, com mediana de 15,8%. Mais de 90% dos casos mostram TIR superior a 9% – percentual competitivo na comparação com outras atividades agropecuárias. A rentabilidade é também um indicativo de que o Brasil tem uma grande oportunidade de gerar emprego e renda de forma sustentável, valorizando a biodiversidade e conservação das florestas.

> Confira 40 exemplos de arranjos agroflorestais na publicação do WRI

Implantando o Código Florestal

É um projeto que tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil. É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação dos Amigos da Terra Amazônia. A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio, e está atuando para através da produção de conhecimentos, realização de articulação com governos locais e com agentes públicos para a implementação plena do Código Florestal.

> Conheça o projeto Implantando o Código Florestal

Autor: Vitor L. Zanelatto | Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: Apresentação do Sistema agroflorestal implantado pela Apremavi em Atalanta (SC) para visitantes ©️ Vitor Lauro Zanelatto

Apremavi participa de diálogo sobre sustentabilidade da agricultura

Apremavi participa de diálogo sobre sustentabilidade da agricultura

Apremavi participa de diálogo sobre sustentabilidade da agricultura

Em alusão ao Dia da Água, celebrado no último dia 22 de março, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI) promoveu um dia de campo, que reuniu extensionistas rurais, instituições interessadas e atuantes no tema, lideranças locais, cerca de 150 agricultores da região do Alto Vale do Itajaí para debater a sustentabilidade da agricultura e a conservação do solo e da água.

O evento foi sediado no Centro de Treinamento da Epagri, em Agronômica (SC). Leandro Casanova, coordenador de projetos Apremavi, participou dos diálogos e apresentou aos participantes os projetos e iniciativas desenvolvidas pela instituição que podem auxiliar agricultores no planejamento e adequação das propriedades rurais à legislação ambiental.

Leandro destaca a importância do encontro para criação de redes formativas e diálogos que promovam a sustentabilidade no território: “O evento teve uma metodologia surpreendente, pois foram montadas estações ao ar livre onde os participantes tiveram oportunidade de vivenciar a observação de boas práticas de manejo e uso do solo podendo visualizar essas interações na absorção de água no solo, as quais evitam carreamento e erosão de solo fértil”.

Foram apresentadas metodologias teórico-práticas difundidas pela Epagri, como a adubação verde, cobertura viva e morta de solo, estratégias para a infiltração de água no solo, aproveitamento de água da chuva através de cisternas e implantação de mata ciliar. Através do Programa Matas Legais foram doadas mudas de árvores nativas da Mata Atlântica aos presentes. Além das mudas, a Apremavi também doou exemplares da cartilha Planejando Propriedades Sustentáveis, lançada em maio de 2022 durante evento alusivo à celebração dos 10 anos do Código Florestal.

Dia de campo Epagri

Registro do Dia de Campo. Crédito: Juliane Garcia Knapik Justen.

Outro tema discutido foi a questão pluviométrica no Alto Vale (SC), a partir das iniciativas possíveis em cada propriedade para que as fortes chuvas, cada vez mais frequentes, não sejam uma constante ameaça à população. “A água precisa infiltrar onde ela cai, e para isso existem tecnologias apropriadas, com utilização de plantas, plantio em contorno, terraceamento, com barreiras como as matas ciliares”, ressaltou Juliane Garcia Knapik Justen coordenadora estadual do Programa Estadual de Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental da Epagri e uma das organizadoras do evento.

Confira mais detalhes sobre o evento da matéria da RBA TV: 

Autores: Daiana Tânia Barth e Leandro Casanova
Revisão: Vitor L. Zanelatto e Thamara Santos de Almeida

Mobilização contra a MP1150 que ameaça a Mata Atlântica é urgente

Mobilização contra a MP1150 que ameaça a Mata Atlântica é urgente

Mobilização contra a MP1150 que ameaça a Mata Atlântica é urgente

A Medida Provisória (MP) 1.150 de 2022, aprovada na Câmara dos Deputados no último dia 30 de março, que altera o Código Florestal e destrói a Lei da Mata Atlântica, pode ser votada a qualquer momento no plenário do Senado Federal e uma mobilização por parte da sociedade é urgente.

Proposta ainda no governo Bolsonaro, a MP tratava apenas da prorrogação do prazo de adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), vencido em 31 de dezembro de 2022. Entretanto, durante a votação do último dia 30 de março, o relator incluiu no texto final aprovado pelos deputados emendas que alteram na íntegra a Lei da Mata Atlântica enfraquecendo a proteção do Bioma ao abrir brechas para mais desmatamentos no pouco que restou (12%) do bioma mais ameaçado do país.

Além de destruir a Lei especial que protege o bioma onde vive a maior parte da população brasileira, a medida prejudica a recuperação de áreas degradadas, ao alterar o Código Florestal, e ainda interfere em outra Lei, a que gere Unidades de Conservação como os parques nacionais.

Na prática, a MP permite que um proprietário que tenha derrubado a floresta de sua propriedade além do permitido por Lei, inclusive nas áreas de preservação permanente (APPs) no entorno de rios e nascentes, não tenha mais prazo para recuperar aquela vegetação e não seja punido neste período indeterminado.

 

Chamado para mobilização

Nesta terça-feira, dia 11 de março, a partir das 14h, participe do TUITAÇO e ajude a pressionar o Senado a não pautar a MP 1.150:

📢 Hashtag: #SalveOCódigoFlorestal e #SalveAMataAtlântica
📢 Frase: DIGA NÃO À MP 1150
📢 Acesse o banco de tuítes e cards

MP1150
Vote contra a MP 1.150 no portal E-Cidadania

O Senado abriu uma consulta pública para a votação da MP. Mesmo que haja veto presidencial, não há garantias de que a câmara vá acatar o veto, portanto é importante a sociedade se posicionar contra esse absurdo!

 

Entenda o caso

Para entender melhor o caso, veja os posicionamentos divulgados pelo Observatório do Clima (OC), pelo Observatório do Código Florestal (OCF), pela Fundação SOS Mata Atlântica e pela Apremavi:

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações da Apremavi, do Observatório do Clima, do Observatório do Código Florestal e da Fundação SOS Mata Atlântica.
Revisão: Carolina Schäffer.

Quaresmeira, a flor que anuncia a Páscoa

Quaresmeira, a flor que anuncia a Páscoa

Quaresmeira, a flor que anuncia a Páscoa

A Quaresmeira também pode ser conhecida popularmente como manacá-da-serra, flor-de-maio, flor-da-quaresma, jacatirão-de-capote e pau-de-flor. As espécies do gênero Tibouchina são conhecidas como quaresmeiras, a principal delas é a Tibouchina granulosa, muito presente na arborização urbana. As espécies de maior ocorrência na Mata Atlântica são a Tibouchina mutabilis e a Tibouchina sellowiana.

Elas são muito parecidas morfologicamente por se tratarem do mesmo gênero, portanto são difíceis de serem diferenciadas, principalmente apenas com informações advindas de fotografias. Assim, por serem as duas espécies de quaresmeira com maior ocorrência na Mata Atlântica vamos abordar as duas nesta matéria nos referindo a elas como quaresmeiras.

A quaresmeira é uma espécie pioneira, característica da encosta úmida da Serra do Mar que ocorre do Rio de Janeiro até Santa Catarina. É encontrada quase exclusivamente na mata secundária, chegando, por vezes, a dominar a paisagem e podendo viver de 60 a 70 anos.

Além da importância ecológica, a quaresmeira é muito utilizada na arborização urbana, com fins paisagísticos, devido à beleza de suas flores e por não apresentar raízes agressivas, permitindo seu plantio em diversos espaços, desde isoladas em calçadas, até em pequenos bosques em grandes parques públicos. Seu crescimento é rápido.

Elas têm esse nome porque parte da floração mais intensa é próxima ao período religioso da Quaresma, que vai da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa, período de reflexão que antecede a Páscoa para os católicos. Outra coincidência: a cor símbolo da Páscoa é o roxo, mesma tonalidade de cor das flores da quaresmeira.

As flores são solitárias, grandes, vistosas e duráveis. Desabrocham com a cor branca e gradativamente vão se tornando violáceas, passando pelo rosa. Esta particularidade faz com que na mesma planta sejam observadas flores de três cores.

Sua madeira apesar de ser de qualidade inferior é indicada para a construção de vigas, caibros, obra internas, postes, esteios e moirões para lugares secos.

Estresse faz as quaresmeiras florirem

Na mata original, a quaresmeira pode viver de 60 a 70 anos. Com o estresse da cidade, ocasionado pelo monóxido de carbono, elas adotaram uma estratégia evolutiva diferente e vivem menos de 50 anos e podendo florescer três vezes por ano. As quaresmeiras que se encontram isoladas nas ruas são as mais afetadas por esse estresse causado pelo monóxido de carbono, produzido pela queima de combustível dos veículos, e o ozônio. A falta de adubação, o pequeno espaço para crescer e expandir suas raízes e as podas drásticas também apressam a morte das quaresmeiras.

Segundo os pesquisadores, as plantas estressadas acabaram adotando a estratégia evolutiva de produzir mais flores para garantir mais sementes e mais “descendentes”. A floração é a forma de perpetuação da espécie. Nas quaresmeiras, as mais velhas vão ficando cada vez mais exuberantes.

A Origem das Quaresmeiras contada pelos índios

Por várias vezes tamoios e portugueses se enfrentaram e no ano de 1566 aconteceu um grande combate entre os dois povos. Esse episódio ficou conhecido na história como a guerra das canoas, que se desenrolou ao redor de Paquetá (RJ) e que dizimou toda a tribo tamoio que vivia na Ilha.

Dizem que os tamoios, já prevendo essa derrota e a extinção da sua tribo, providenciaram com antecedência um grande ritual religioso  em que  invocaram os espíritos dos seus ancestrais para que, de alguma forma, ficasse marcado para sempre que o chão e a Natureza desta ilha das muitas pacas era território deles, e a eles pertencia.

Não há concordância em relação ao local em que tal rito ocorreu: se na Imbuca, ou na Lagoa Grande. Em cada um desses locais havia uma taba da tribo de Paquetá, e cada uma delas era dirigida por um cacique, além do Pajé, que era o mesmo para as duas aldeias. Eram pois três chefes: dois temporais e um espiritual. E foi em torno deles que ficou estabelecido o sinal para marcar a posse indígena de Paquetá. Ficou combinado que os espíritos dos ancestrais usariam para marcar esse fato, as mesmas cores que cada um dos três caciques costumava usar nos seus cocares e nos seus colares. O da Imbuca preferia o amarelo das penas dos bem-te-vis, o da Lagoa Grande preferia as flores azuis das bromélias que enfeitavam as margens dessa grande lagoa e o Pajé andava sempre ornamentado com vários colares de conchas cor-de-rosa, que existiam em quantidade nas praias de Paquetá.

E os mais antigos contam que foi depois da guerra das canoas, quando morreram todos os índios de Paquetá e os seus três caciques, que começaram a aparecer mata atlântica, essas três grandes árvores ornamentais: o Ipê amarelo, que floresce principalmente na Imbuca, as quaresmeiras, que enfeitam de  roxo as encostas, e as paineiras da curva do vento, que sempre enfeitam Paquetá com as suas  grandes flores cor-de-rosa. Dizem que elas simbolizam aqueles três grandes chefes tamoios.

Quaresmeira ou manacá-da-serra. Foto: Carolina Schäffer

Detalhes da flor da quaresmeira (T. mutabilis ou T. sellowiana). Foto: Carolina Schäffer

 

Quaresmeira

Nome científicoTibouchina mutabilis (Vell.) Cogn. e Tibouchina sellowiana.
Família: Melastomataceae
Utilização: Madeira utilizada para vigas, caibros e moirões. Muito utilizada para paisagismo urbano e geral.
Coleta de sementes: Diretamente da árvore quando começar a abertura espontânea dos frutos.
Fruto: marrom, seco, em forma de taça, contendo várias sementes por fruto, possuindo aproximadamente 0,7 cm de diâmetro.
Flor: Rosa, branca, violácea.
Crescimento da muda: Rápido.
Germinação: Delicada.
Plantio: Mata ciliar, área aberta, solo degradado.
Época de coleta de sementes: Fevereiro a abril 
Observação
: As sementes deverão ser minimamente cobertas com substrato leve mantidas com pouca umidade.

Autoras: Tatiana Arruda Correia e Miriam Prochnow.
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Guilherme Peres Coelho.
Foto de capa: Carolina Schäffer.

Fontes Consultadas:

BIANCARELLI, A. Estresse faz quaresmeiras florirem. Disponível em:
http://www.premioreportagem.org.br/article.sub?docId=440&c=Brasil&cRef=Brazil&year=2002&date=mar%C3%A7o%202002. Data de acesso: 06 abr. 2009.

CARDOSO, M. A Origem das Paineiras, das Quaresmeiras e do Ipê Amarelo. Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/5387/1/a-origem-das-paineiras-das-quaresmeiras-e-do-ipe-amarelo/pagina1.html . Data de acesso: 31 mar. 2009.

LORENZI, H. Tibouchina mutabilis (Vell.) Cogn.  In: LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. p. 262.

Manacá-da-Serra. Disponível em:
http://www.jardineiro.net/br/banco/tibouchina_mutabilis.php. Data de acesso: 02 abr. 2009.

 

Dia da Água relembra a urgência de recuperar as APPs・Código Florestal na Prática

Dia da Água relembra a urgência de recuperar as APPs・Código Florestal na Prática

Dia da Água relembra a urgência de recuperar as APPs・Código Florestal na Prática

Entre a teoria do novo Código Florestal e as ações necessárias para a implementação efetiva do que está previsto no contexto das paisagens, bons exemplos de restauração e conservação são primordiais. Neste Dia da Água (22/03) a Apremavi estreia a série “Código Florestal na Prática”, que aponta caminhos, possibilidades e benefícios da implementação do Código Florestal.

Símbolo das Áreas de Preservação Permanente (APPs), as áreas próximas aos rios são essenciais para a conservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e da integridade ambiental como um todo. Se presente na margem do rio, a mata ciliar (florestas e demais formas de vegetação nativa localizadas nas APPs de margens de rios ou nascentes) é capaz de evitar erosão, proteger o leito do contato com componentes tóxicos presentes no ar e ainda fornecer contribuições à ictiofauna, como frutos e sementes que servem de alimento, além de servirem como pequenos corredores ecológicos entre as propriedades rurais.

As consequências da sua ausência também são significativas, a iniciar pela degradação do solo marginal ao leito do rio, facilitando o assoreamento do mesmo. A falta de árvores no ambiente facilita a chegada de resíduos orgânicos e sintéticos até a água. A cobertura de solo precária, associada às sementes e esporos que podem ser dispersadas ao longo do leito do rio possibilita o desenvolvimento de plantas exóticas invasoras com maior facilidade.

De acordo com o Novo Código Florestal, as APPs (art. 4º), em zonas rurais ou urbanas, são as faixas marginais de qualquer curso d’água natural, perene e intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de:
・Nascentes | raio de 50 metros em forma de círculo
・Rios com até 10 metros de largura | 30 metros em cada margem
・Rios de 10 a 50 metros de largura | 50 metros em cada margem
・Rios de 50 a 200 metros de largura | 100 metros em cada margem
・Rios de 200 a 600 metros de largura | 200 metros em cada margem
・Rios acima de 600 metros de largura | 500 metros em cada margem

> Saiba mais na cartilha Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis

APPs Código Florestal

Crédito: cartilha Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis (Apremavi, 2022). 

#Na Prática

A realidade do Rio Dona Luiza no início dos anos 2000 era muito diferente daquela que o Código Florestal busca promover, com muitas áreas desprovidas de vegetação nativa. Com as atividades de implementação do Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, a Prefeitura de Atalanta e a Apremavi empregaram esforços para recuperar também o trecho de APP que estava degradado na área do Parque de Exposições da cidade, limítrofe da Unidade de Conservação.

As atividades de restauração tiveram início muito antes do plantio de mudas nativas, com um força-tarefa para a retirada de entulhos do ribeirão. Esse esforço contou com o auxílio de voluntários, que também contribuíram no plantio de mais de 10.000 mudas nativas da Mata Atlântica ao longo dos anos. A restauração foi executada com apoio do projeto Bosques de Heidelberg, uma parceria da Apremavi com a ONG alemã BUND. Mais recentemente novos trechos do rio foram restaurados e outros enriquecidos no âmbito do projeto Restaura Alto Vale. A meta da Apremavi é conseguir que todas as áreas de mata ciliar ainda degradadas do rio Dona Luiza, sejam restauradas, criando um corredor ecológico entre o PNMMA e a Serra do Pitoco, onde está a maioria das nascentes que abastecem o município.

Há dois anos a Apremavi lançou o vídeo “Histórias do Rio Dona Luiza“. Vale a pena conferir:

 

A existência das áreas de preservação permanente permite uma série de atividades de baixo impacto, desde que estas ocupem no máximo 5% das APPs do imóvel.

Confira algumas atividades permitidas:
・Acesso de pessoas e animais às APPs para obtenção de água e para a realização de atividades de baixo impacto ambiental, desde que observados os limites estabelecidos na legislação.
・Implantação de trilhas para o desenvolvimento do ecoturismo;
・Construção e manutenção de cercas;
・Pesquisa científica relativa a recursos ambientais, respeitados outros requisitos previstos na legislação aplicável.

APPs Código Florestal

Antes e Depois do Rio Dona Luiza, no Parque de Exposições Virgílio Scheller.
Fotos: Miriam Prochnow.

Dia Mundial da Água

Criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data é um esforço da comunidade internacional para colocar em pauta questões essenciais que envolvem os recursos hídricos. Mais que um convite à  reflexão e discussão sobre a relação indissociável entre a água e todos os seres vivos, a data é uma oportunidade para pautar medidas de preservação e conservação deste elemento da natureza. 



Implantando o Código Florestal

Tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil. É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação dos Amigos da Terra Amazônia. A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio, e está atuando para através da produção de conhecimentos, realização de articulação com governos locais e com agentes públicos para a implementação plena do Código Florestal.

> Conheça o projeto Implantando o Código Florestal

 

Autores:  Vitor L. Zanelatto e Miriam Prochnow
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer
Foto de capa: mata ciliar do ribeirão Dona Luiza, 2023 | ©️ Miriam Prochnow



8 de março: dia de luta e inspiração

8 de março: dia de luta e inspiração

8 de março: dia de luta e inspiração

O Dia Internacional das Mulheres, 8 de março, nasceu há um pouco mais de cem anos, a partir da luta das mulheres em diversos movimentos pelo mundo. Por volta de 1910, esses movimentos começaram a se organizar tendo como tema principal o direito ao voto; nascia assim o movimento sufragista. Além do direito ao voto, as mulheres lutavam por mudanças na regulamentação do casamento, do divórcio e do acesso aos bens da família, pelo direito ao estudo e ao trabalho, bem como pela participação em organizações políticas.

Essas reivindicações não eram unificadas, ocorriam até então em datas distintas ao redor do mundo. Entretanto, em 1917, durante a Revolução Russa, uma greve de operárias e sua revolta contra a escassez de alimentos e exploração (conhecida como luta por “Paz e Pão”), motivou as mulheres no mundo inteiro pela criação de uma data que representasse o ideal do movimento. Elas precisaram de quatro anos, e só em 1921 o dia 8 de março foi escolhido, durante a Conferência das Mulheres Comunistas, como o Dia Internacional das Mulheres.

Conheça a história completa no livro “As origens e a comemoração do dia internacional das mulheres” da historiadora espanhola Ana Isabel Álvarez González

No Brasil, o movimento sufragista teve como principal ícone e liderança a advogada, ativista, bióloga, cientista e servidora pública, Bertha Maria Júlia Lutz (1894-1976). Bertha teve contribuição fundamental na luta pelos direitos das mulheres, tendo, entre outras ações, liderado o movimento pelo direito das mulheres ao voto, que só virou realidade no país em 1933.

Recusar à mulher igualdade de direitos em virtude do sexo é negar justiça à metade da população“, dizia Bertha em um dos vários depoimentos de luta.

Dia da Mulher

Bertha Lutz falando em uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU). Foto: Arquivo UN Photo replicado na Agência Senado.

Desafios atuais na luta das mulheres

Cem anos depois, apesar das conquistas, como o direito ao voto, os desafios enfrentados ainda são inúmeros. Um dos maiores é a luta pela vida e pela vida com qualidade.

Inúmeros são os casos de mulheres que são mortas pelos seus parceiros pelo fato de serem mulheres. Somente em 2022 o número de vítimas de feminicídio aumentou 5% no ano passado e chegou ao recorde de 1,4 mil mulheres mortas. Um dos fatores que contribuiu para esse fato cruel, sem dúvida, foi o desmonte da rede de proteção à mulher instaurado pelo Governo Bolsonaro. 

Eventos extremos causados pela mudança do clima, como tempestades, enchentes e deslizamentos, também impactam de forma diferente as mulheres, sobretudo as que vivem em condição periférica. Segundo infográfico publicado pelo GT de Gênero e Clima do Observatório do Clima, mulheres e meninas são mais afetadas e têm mais probabilidade de morrer em tragédias causadas por fenômenos naturais.

Além do medo de perderem a vida, as mulheres enfrentam a divisão desproporcional do trabalho doméstico e do cuidado com as pessoas. A sociedade segue enxergando trabalhos domésticos, não-remunerados, como algo natural e inerente às mulheres. Na pandemia isso ficou evidenciado quando um estudo mostrou que as pesquisadoras mulheres, principalmente aquelas com filhos pequenos, foram os grupos mais afetados pelo COVID-19 em relação a sua produtividade acadêmica. Ou seja, as mulheres produziram menos artigos científicos, que é o principal trabalho de uma pesquisadora, para assumir, muito mais que os seus parceiros homens, os cuidados com os filhos pequenos que tiveram que ficar em casa com o fechamento das escolas.

As profissionais da área da saúde também foram vítimas de forma desigual da pandemia. O relatório da Organização PanAmericana da Saúde (OPAS) evidenciou que as mulheres são a maioria dos profissionais de saúde e estavam na linha de frente cuidando dos pacientes, representando 72% de todos os casos de COVID-19 entre os profissionais de saúde da região.

 

As Mulheres da Apremavi

A Apremavi acredita que o protagonismo e a participação das mulheres no processo de criação de ideias e tomada de decisão, a visibilização e a remuneração do trabalho da mulher, além do olhar para a participação de gênero como parte da solução e não só como ponto de vulnerabilidade, são caminhos importantes em busca de um futuro mais justo e sustentável.

8 de março

Mosaico de foto das mulheres que fazem parte da equipe da Apremavi em diversos cargos da instituição, desde a vice-presidência, a coordenação de projetos e da área financeira, até a área técnica, administrativa e de comunicação e o envolvimento nas atividades do dia-a-dia do Viveiro Jardim das Florestas. E cards com depoimentos de algumas delas sobre o que representa para cada uma delas o dia 8 de março. Fotos e cards: Arquivo Apremavi.

Grande inspiração, não só na Apremavi, Miriam Prochnow, ambientalista e co-fundadora da instituição, trabalha na área ambiental há mais de 35 anos. Em seu depoimento sobre como vê o seu trabalho ela relata “gosto de imaginar que meu trabalho inspira e dá forças para que outras mulheres se sintam encorajadas a participar da construção de um mundo melhor para as futuras gerações. Um mundo sustentável e de paz. Nós precisamos que isso aconteça se quisermos que a humanidade continue pelas bandas do planeta Terra”.

Em 1987, na fundação da Apremavi, Miriam esteve acompanhada também de outra mulher inspiradora, Lucia Sevegnani (em memória). Doutora em Ecologia e ex-professora da FURB, Lucia foi, dentre tantas outras coisas, uma das pesquisadoras e organizadoras do “Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina”, em 2012. Sua vida e seu trabalho ainda hoje são fonte de pesquisa e alento para toda a sociedade catarinense. 

Seguindo os passos das fundadoras, Carolina Schäffer, mestre em Botânica, atualmente exerce a vice-presidência da Apremavi e busca sua maior inspiração na história da instituição e na própria Mata Atlântica, “trabalhar para conservá-la e restaurá-la, e fazer isso na companhia de muitas mulheres aguerridas, é o que me inspira”. Carolina também acredita que “contratar mulheres e empoderá-las para que exerçam suas funções com maestria e autonomia é parte da minha missão como gestora da instituição”.

O olhar e a busca pela equidade de gênero na equipe da Apremavi não é nova. Hoje a instituição emprega 18 mulheres, num universo de 38 colaboradores, e estas ocupam os mais variados cargos da instituição, desde a vice-presidência, a coordenação de projetos e da área financeira, até a área técnica, administrativa e de comunicação e o envolvimento nas atividades do dia-a-dia do Viveiro Jardim das Florestas.

Uma das técnicas ambientais da Apremavi, Gabriela Goebel, mestranda em Botânica, atua e vive pelo que acredita; “meu trabalho contribui com a causa ambiental por meu comprometimento e amor ao meio ambiente. Acredito que essa vontade de fazer a diferença possa inspirar outras mulheres a ocupar e ter voz em todos os espaços, e mostrar que estamos fortes na luta por um mundo mais justo para todas as espécies e ecossistemas”.

Também dedicada, a mestre em Biologia Animal, que atua como assistente de comunicação e informação na instituição, Thamara Santos de Almeida, espera “inspirar e encorajar outras mulheres a acreditarem que é possível lutar contra as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade transformando o amor em mudar essa realidade por trabalho remunerado, conquistando assim a nossa independência financeira, algo tão caro para nós mulheres”.

Em seu depoimento, Thamara toca em outro ponto que precisa ser pauta: a disparidade salarial entre gênero. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que globalmente, em média, as mulheres recebem salários cerca de 20% menores do que os dos homens. Por isso, o encorajamento por independência financeira e a oferta de salários igualitários é uma das ações que ajuda a combater a desigualdade de gênero.

Coordenadora administrativa e membro da diretoria, a administradora Maria Luiza Schmitt Francisco comenta “sinto que vim para este mundo com uma ou com várias missões, buscando sempre a evolução, e que não faz sentido algum trabalhar somente para receber o salário no final do mês. Preciso me sentir realizada e sentir que estou fazendo algo pelo bem comum, para o benefício da minha e, principalmente, das futuras gerações”.

Atuar no presente e inspirar futuras gerações move a Apremavi desde o início, por isso a instituição promove ações de conscientização e educação ambiental no âmbito dos projetos que executa, além de impulsionar o engajamento dos jovens na área socioambiental.

Inspirar pelo exemplo também é lema das auxiliares de administração da Apremavi. A contadora, Sirlene Ceola, pensa que o exemplo dá condições mais fortes que palavras, além disso “ensinar nossos filhos a cuidar do meio ambiente atrai uma geração atrás da outra. Sou inspirada por mulheres e posso fazer o mesmo, inspirá-las com meu trabalho”. E sem dúvida inspira mesmo, tanto é que sua colega Aline Martins, graduanda em administração, diz que espera com a sua atuação profissional “influenciar outras mulheres a ter um olhar mais amplo do meio ambiente, de forma a enxergar sua importância e adquirir responsabilidade social, garantindo à nossa e às futuras gerações uma melhor qualidade de vida”.


A equidade faz parte dos Princípios da Apremavi

Na última revisão da Carta de Princípios da Apremavi foram incorporados os propósitos “Respeitar e valorizar as diferenças individuais (de origem, nacionalidade, gênero, cor/ raça, religião, étnicas, sociais, culturais, etárias, físicas e de orientação sexual)” e “Promover a equidade de gênero, oferecendo oportunidades iguais independente de diferenças individuais em um ambiente de trabalho“. Desde então, estratégias para o cumprimento desses princípios de forma plena estão sendo observadas com ainda mais intensidade e implementadas de forma transversal na instituição.

Muito além de inspirar, na missão pela conservação e restauração da Mata Atlântica e sua biodiversidade, precisamos garantir que todas as mulheres tenham acesso às mesmas oportunidades de aprendizagem e tenham condições igualitárias de trabalho e de ocupação dos espaços científicos, políticos e no setor socioambiental.

REFERÊNCIAS

Lopes, M. M., de Souza, L. G. P., & de Oliveira Sombrio, M. M. (2004). A construção da invisibilidade das mulheres nas ciências: a exemplaridade de Bertha Maria Júlia Lutz (1894-1976). Revista gênero, 5(1).

González, A. I. Á. (2010). As origens e a comemoração do dia internacional das mulheres. São Paulo: Expressão Popular.

Pan American Health Organization (2021). Gendered Health Analysis COVID-19 in the Americas.

Pay transparency legislation:  Implications for employers’  and workers’ organizations (2022).  International Labour Organization.

Autoras: Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida.

Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina tem nova Secretaria Executiva

Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina tem nova Secretaria Executiva

Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina tem nova Secretaria Executiva

Na reunião plenária que ocorreu em agosto de 2022, Edilaine Dick, representante da Apremavi no Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina (FF PR e SC), informou que a Diretoria Executiva da instituição concluiu que era chegada a hora de oferecer a hospedagem da Secretaria Executiva do Fórum Florestal para que outras organizações pudessem atuar como hospedeiras. A Apremavi abrigou o FF PR e SC desde sua criação, em 2008.

Através do diálogo e aprovação dos membros, o processo de eleição da nova organização hospedeira teve o seguinte rito:
28/10/2022 – 21/11/2022: Envio de carta consulta às OSC que fazem parte do Fórum Florestal PR e Santa Catarina e prazo para manifestação de interesse em assumir a vaga de secretária executiva do Fórum.
19 – 23/12/2022: Processo de eleição das duas candidatas que manifestaram interesse.
23/12/2022: Divulgação do resultado da eleição.
02/2023: Processo de transição da Apremavi para a nova secretaria executiva.

A Organização da Sociedade Civil (OSCIP) Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais foi eleita para abrigar o FF PR e SC e responder administrativamente pela iniciativa. Vitor Zanelatto, que foi Secretário Executivo do Fórum Florestal nos últimos dois anos, comenta com satisfação a conclusão do processo de transição: “Em nome da Apremavi, agradeço a confiança dos membros da iniciativa nos últimos anos; continuaremos integrando o Fórum Florestal e apoiando a Secretaria Executiva sempre que oportuno. Desejo grande sucesso aos colegas do Mater Natura na condução dos trabalhos e tenho plena convicção que esse novo capítulo do FF PR e SC será repleto de diálogos produtivos e democráticos”.

Renata Garrett Padilha é a nova Secretária Executiva do Fórum Florestal e pode ser contada pelo endereço renata@maternatura.org.br

 

Relatório de Atividades 2022

Visando promover o registro e transparência das ações, a Secretaria Executiva do FF PR e SC publicou a síntese dos trabalhos da iniciativa no último ano. Dentre os destaques estão a realização de três reuniões plenárias (abril, agosto e novembro), a participação no Encontro Anual do Diálogo Florestal, O lançamento da cartilha “Restauração Florestal e o Protagonismo das Mulheres” e a criação do Grupe do Trabalho (GT) sobre PSA.

 

Autor:  Vitor Lauro Zanelatto | Originalmente publicado no site do Diálogo Florestal.

Apremavi participa do Encontro Estadual do MST

Apremavi participa do Encontro Estadual do MST

Apremavi participa do Encontro Estadual do MST

Nos dias 23, 24 e 25 de fevereiro de 2023, aconteceu em Fraiburgo (SC), o 36 Encontro Estadual do MST/SC. A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) participou como convidada das atividades que ocorreram no dia 23, que teve agenda dedicada ao debate sobre conjuntura e visão de futuro.

Uma vez que a pauta ambiental está cada vez mais forte, ficou clara a importância dos movimentos sociais na construção de uma sociedade de fato sustentável. O MST pretende contribuir aglutinando forças em torno de ideias centrais como a produção de alimentos saudáveis e o cuidado com a natureza; a busca para que todas as pessoas que estão em algum acampamento, consigam um pedaço de terra; que os espaços do movimento gerem desenvolvimento humano; que seja possível trazer mais pessoas para o movimento; e que cada mais de cultive a solidariedade.

Miriam Prochnow, conselheira da Apremavi, chamou a atenção para a importância da parceria entre o núcleo do MST em Santa Catarina e a Apremavi, elencando ações que já foram desenvolvidas em conjunto. Na oportunidade, também defendeu a necessidade de se ampliar as ações, como forma de vencer os desafios, especialmente os advindos como consequência da crise climática. Citou o exemplo de Jô Santin, uma das mulheres que está na série Mulheres que Restauram e também o trabalho conjunto no projeto + Floresta, que atua com sete assentamentos na região de Abelardo Luz (SC).

Registros do Encontro do MST SC, em Fraiburgo. Fotos: Miriam Prochnow.

Segundo Edilaine Dick, O MST é um movimento social que impressiona pela longevidade e comprometimento dos seus membros: “Foi muito gratificante participar do encontro, além de perceber a reafirmação de compromissos, foi possível encontrar diversos parceiros de diferentes assentamentos que já fizeram e fazem parte dos projetos da Apremavi, contribuindo com a conservação e restauração de florestas nos seus espaços”. 

Em todos os encontros do MST são realizadas celebrações e místicas. Como forma de contribuir com esses espaços, a Apremavi doou 250 mudas de árvores nativas para serem distribuídas aos participantes.As mudas foram doadas através do projeto Bosques de Heidelberg, que também já teve atividades realizadas em conjunto, como o plantio de um bosque no Assentamento Filhos do Contestado.

 

O MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um movimento social, de massas, autônomo, que procura articular e organizar os trabalhadores rurais e a sociedade para conquistar a Reforma Agrária. Dentre suas bandeiras estão a Cultura, a Reforma Agrária Popular, o Combate à violência sexista, a Diversidade Étnica e a Soberania Nacional e Popular.

Em 2024 o MST completará 40 anos de luta, resistência e conquistas. É um dos movimentos camponeses mais longevos da história do Brasil. Nesses anos todos, mais de 450 mil famílias foram assentadas em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal, além da criação de 120 agroindústrias e 190 cooperativas.

 

Autora: Miriam Prochnow | Revisão: Vitor Lauro Zanelatto 

Presidência do IBAMA ratifica desdobramentos da “Operação Araxá”, na Coxilha Rica

Presidência do IBAMA ratifica desdobramentos da “Operação Araxá”, na Coxilha Rica

Presidência do IBAMA ratifica desdobramentos da “Operação Araxá”, na Coxilha Rica

Em despacho, Jair Schmitt, Presidente Substituto do IBAMA, nega a hipótese de conciliação com a legislação catarinense, utilizada por desmatadores como argumento de defesa. 

A decisão é um desdobramento da Operação Araxá, realizada em julho de 2022 na região da Coxilha Rica, município de Lages (SC), que fiscalizou e autuou propriedades rurais que promoverem mudança no uso do solo, convertendo áreas naturais dos Campos de Altitude para a realização de atividades agrossilvipastoris. 

Em 2018 o IBAMA havia realizado uma fase da Operação Campereada na região, visando investigar ilícitos da mesma natureza. A Lei da Mata Atlântica prevê que toda vez que houver supressão ou conversão de áreas com vegetação nativa, a exemplo dos Campos de Altitude e de áreas de florestas, maiores que 50 hectares, é necessário solicitar o licenciamento ambiental junto ao órgão estadual e este tem que ouvir o Ibama. Na ocasião, cerca de 30 proprietários rurais foram notificados pela destruição completa de áreas entre  50 e 700 hectares na região da Coxilha Rica no município de Lages (SC), e autuações por infrações ambientais foram lavradas.  

Contando com a defesa incansável de deputados federais catarinenses e após um encontro em janeiro de 2019 na sede do IBAMA, o então Presidente do órgão, Eduardo Bim, arquivou todas as multas em uma única canetada, segundo publicou a Agência Pública

O Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF-SC) abriu um processo de investigação sobre a decisão de Bim, partindo de um dossiê que aponta irregularidades no questionável processo de advocacia que culminou na anulação das autuações da Operação Campereada. Através de documentos que constam do dossiê, os proprietários que promoveram supressão de vegetação buscaram defesa diretamente ao então ministro Ricardo Salles (MMA) e do Ibama, invocando a promessa feita por Jair Bolsonaro na campanha de 2018,  de acabar com o que chamava de “indústria de multas” ambientais. 

Além disso, na  época servidores do IBAMA relataram intimidações vindas dos produtores autuados, sobretudo por ligações telefônicas, que buscavam exaltar o apoio e defesa que estavam recebendo de congressistas brasileiros. “A situação da ligação [telefônica] ofensiva e até ameaçadora coloca em risco não apenas o trabalho do Ibama, mas do próprio servidor público no exercício das suas funções”, escreveu a fiscal que registrou formalmente o acontecido. O episódio demonstra que a Operação Campereada, pela pressão das bancadas ruralistas gaúcha e catarinense, acabou desmontada pelo próprio Ibama.

Agora o IBAMA dá sinais de que os tempos de impunidade a desmatadores estão no passado, tendo sido findadas junto com o término do governo de Jair Bolsonaro. Em ofício publicado em nove de fevereiro, o atual presidente substituto do órgão, Jair Schmitt, apresenta oito considerações sobre o caso para decidir sobre a continuidade dos processos da operação, sem considerar a hipótese de Mediação junto à Procuradoria Federal Especializada. 

O texto também é claro quanto à inconstitucionalidade da legislação catarinense, em desacordo completo com a regras federais sobre o licenciamento ambiental de atividades agrícolas em áreas naturais. Schmitt citou o precedente jurídico produzido no estado do Tocantins para ilustrar a inquestionável soberania da Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/2006) para regulamentar o tema em questão: “A Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5312/TO, que  foi julgada procedente pelo Supremo Tribunal Federal e  declarou inválidos trechos da Lei Estadual nº 2.713/13, que visava dispensa de licenciamento ambiental as atividades agrossilvipastoris (DJ 11/02/19), revela entendimento da Suprema Corte contrário ao dispositivo da lei catarinense que objetivou o mesmo propósito”



Coxilha Rica

Imagem aérea na região de Coxilha Rica, Lages (SC). Foto: Wigold B. Schaffer.

Apremavi atuou na elaboração do Plano da Mata Atlântica de Lages

Após quase dois anos de trabalho, especialistas em conservação, restauração e planejamento territorial da Apremavi apresentaram em 2018 uma proposta de Plano Municipal da Mata Atlântica do município. O documento foi apresentado ao Executivo Municipal de Lages (SC), contemplando um diagnóstico completo da situação da Mata Atlântica no município, uma avaliação da capacidade de gestão ambiental do município, integra ações do Plano Diretor Municipal e dos Planos Setoriais, indicações de áreas e ações prioritárias para conservação da biodiversidade, apresenta um Mapa de Áreas Prioritárias para Conservação e Recuperação da Vegetação Nativa e sugestão de um Plano de Ação.

Na oportunidade, Antonio Ceron, Prefeito de Lages, chegou a parabenizar a equipe responsável pela robustez da proposta: “Sabemos que o plano é importante e foi elaborado dentro das normas e leis ambientais, daí a necessidade de uma consciência municipal diante do documento a ser aprovado”, destacou Ceron.

Curiosamente, o mesmo político integrou a comitiva à Brasília dos produtores autuados na Operação Araxá, buscando a revogação de autuações por infrações ambientais e a liberação de áreas embargadas junto a congressistas ruralistas. Neste mês, o político foi um dos presos numa operação que investiga corrupção e lavagem de dinheiro em contratos de coleta de lixo.

A proposta do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica do município de Lages, que deveria ter seguido na época para aprovação pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente, não teve avanços na tramitação até a data de publicação dessa matéria (28/02/2023).

Miriam Prochnow, então Presidente e demais integrantes da equipe Apremavi entregam em mãos o PMMA de Lages (03/2018). Foto: Arquivo Apremavi.

Autores:  Vitor Lauro Zanelatto e Wigold B. Schaffer

Pintura rupestre inédita de araucária é descoberta no Paraná

Pintura rupestre inédita de araucária é descoberta no Paraná

Pintura rupestre inédita de araucária é descoberta no Paraná

O achado arqueológico está em uma formação de arenito numa propriedade privada, no município de Piraí do Sul (PR). As figuras representam 13 araucárias e 20 representações humanas.

O Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (GUPE), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), publicou no último mês um artigo que registra a descoberta da única pintura rupestre conhecida com representações da árvore de Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze. Toda a região dos Campos Gerais do Paraná, onde ocorreu a recente descoberta, tem vasta presença de materiais arqueológicos. Centenas de sítios que abrigam vestígios cerâmicos, materiais líticos, gravuras e pinturas rupestres, mas nunca antes uma araucária havia sido encontrada dentre as figuras.

Nair Fernanda Mochiutti, professora da UEPG, contou ao Conexão Planeta que a descoberta ocorreu de forma despretensiosa: “Estávamos cadastrando uma caverna e um colega nos chamou para contar o que tinha visto. Fomos todos juntos olhar para o painel das araucárias e lembro que mostrei o braço toda arrepiada, porque realmente foi na hora que percebemos e reconhecemos que eram as araucárias. Foi de arrepiar, bem emocionante”.

Circundado por pastagens e florestas secundárias em diferentes estágios de regeneração, uma cavidade rochosa guarda a descoberta rupestre. O painel das araucárias foi elaborado tem cerca de 0,36 m², onde é possível observar 13 araucárias e 20 antropomorfos (representações humanas). O conjunto possui continuidade e consistência, reforçando a hipótese dos autores do artigo, de que as gravuras representam uma floresta com araucárias, com ampla ocorrência na região.

Suspeita-se que a “tinta” utilizada para as pinturas era obtida a partir da trituração de hematita (óxido de ferro), minério encontrado em rochas. Fotos: Divulgação/GUPE.

Segundo os especialistas, é possível identificar o grupo que realizou as gravuras, considerando a seleção da superfície na qual os grafismos foram produzidos, a reunião de representações de espécimes vegetais e figuras humanas e o alto grau de detalhes das pinturas. Os elementos culturais e aspectos cronológicos apontam a autoria do painel pictórico rupestre à etnia Macro-Jê, grupo linguístico de povos como os Kaingang e os Xokleng, que habitaram o Paraná há ao menos 3 mil anos.

“Essas pinturas rupestres não pertencem ao proprietário das terras ou ao GUPE, mas a todo povo brasileiro, à história e à cultura. É emocionante fazer parte dessa descoberta, para que as pessoas tenham conhecimento de que já há muito tempo essa árvore é importante, desde os povos originários”, destaca a professora Laís Massuqueto, co-autora do artigo que descreveu a descoberta.

O trabalho dos pesquisadores não encerrou, pelo contrário; muitas são as questões levantadas a partir das pinturas rupestres. Uma delas é a possibilidade da araucária estar presente na região há mais de 1,4 mil anos. Datações futuras do material, estudos históricos sobre os povos que habitaram a região e atividades de educação patrimonial estão previstas. Além disso, o grupo pretende utilizar softwares de imagens para definir os limites das pinturas em meio digital, buscando restaurar as áreas deterioradas.

> Leia a íntegra do artigo “Primeiro registro de arte rupestre com representações de Araucaria angustifolia, Sul do Brasil” (inglês)

 

Projetos de pesquisa são essenciais

A descoberta arqueológica só foi possível por contas das atividades do “EspeleoPiraí: patrimônio espeleológico arenítico da Escarpa Devoniana em Piraí da Serra”, projeto promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como medida compensatória aos impactos negativos irreversíveis às cavidades naturais subterrâneas de atividades de mineração. A execução das pesquisas é coordenada pelo GUPE, com ênfase na Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana.

Até o início da execução do projeto, não existiam cavidades cadastradas no Canie na área de estudo. Agora já são mais de 200 cavernas cadastradas no Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie), o que corresponde a 50% do montante do estado, a região pode ser considerada um hotspot da espeleologia brasileira. Estudos preliminares no setor da APA indicam um elevado potencial para registros de novas cavidades subterrâneas.
A identificação e a caracterização de novas cavernas somarão dados e esforços para subsidiar ações de conservação e educação patrimonial, essenciais para a proteção do patrimônio espeleológico e arqueológico da região.

 

Mapa de localização da área de estudo do projeto, com a área do recente achado rupestre em vermelho, e áreas protegidas. Fonte: ICMBio.

Extinção ou restauração, humanos colocaram o futuro da araucária em ameaça

As grandes dimensões e formato singular da Araucária (Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze) torna a Floresta Ombrófila Mista única, impressionando pela beleza e exuberância. Ao longo do tempo a espécie foi explorada de modo extensivo para utilização da madeira, colocando a espécie na lista das espécies ameaçadas de extinção no Brasil e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Especialistas estimam que a extensão de florestas com araucária já encolheu 98%, de 182 mil km² para 3,6 mil km².

A espécie corresponde ao grupo de coníferas mais primitivo ainda vivo, tendo aparecido há aproximadamente 200 milhões de anos. Atualmente, os membros da família Araucariaceae ocorrem exclusivamente no Hemisfério Sul. A espécie foi descrita pela primeira vez em 1820 pelo naturalista europeu Antonio Bertolini, com base em uma árvore coletada do Pico do Corcovado.

 

Gravura a bico-de-pena por Percy Lau (Arequipa, 1903 – Rio de Janeiro, 1972). Fonte: Tipos e Aspectos do Brasil (IBGE, 1966).

A Araucária, assim como qualquer árvore nativa, tem corte proibido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) desde 2001. Contudo, existem exceções, como as obras de infraestrutura de interesse público, que muitas vezes ignoram os aspectos socioambientais no projeto e na execução. “Critérios técnicos são falhos e não há alternativas locacionais para as obras. Órgãos ambientais são coniventes com isso e licenciam o que é mais cômodo para os empreendedores. Buscar melhores alternativas de traçado reduziria impactos sociais e ambientais”, afirmou João de Deus Medeiros, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e conselheiro da Apremavi.

Além disso, iniciativas como o novo Código Ambiental de Santa Catarina, aprovado às pressas pela Assembleia Legislativa na última semana de 2021, continuam colocando em risco a Mata Atlântica. Segundo uma apresentação remetida pela Apremavi e outras 27 organizações da Sociedade Civil ao Procurador de Justiça de Santa Catarina, o novo Código Ambiental  “incentiva a exploração da Mata Atlântica de forma ilegal” uma vez que as medidas compensatórias são indiscutívelmente vantajosas, em contrariedade com a jurisprudência dos Tribunais Superiores em matéria ambiental. 

Ante a clara inconstitucionalidade do novo Código, o Ministério Público de Santa Catarina ajuizou cinco ações diretas de inconstitucionalidade (ADI). Num cenário onde resta tão pouco da floresta em pé, e os poucos remanescentes são alvos constantes de ameaças, zerar o desmatamento não é suficiente. É preciso restaurar o que foi degradado nas últimas décadas. 

A Apremavi está atuando de forma contundente para que novas araucárias cresçam. Entre 2013 e 2015 executou o Projeto Araucária, responsável por restaurar 92 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal. E, desde 2022 está implantando o Conservador das Araucárias, iniciativa em parceria com a Tetra Pak que pretende restaurar 7.000 hectares, com ênfase na Floresta Ombrófila Mista.

> Leia mais sobre a araucária em nosso guia de espécies

Aspectos da (Araucaria angustifolia (Bertol.)  Kuntze. Fotos: Arquivo Apremavi

Referências:

BRASIL. Governo Federal. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Expedição percorre áreas do projeto EspeleoPiraí em Piraí da Serra/PR. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/centros-de-pesquisa/cecav/patrimonio-espeleologico-em-pauta-1/expedicao-percorre-areas-do-projeto-espeleopirai-em-pirai-da-serra-pr. Acesso em: 17 fev. 2023.

PONTES, Henrique Simão et al. First Rupestrian Representations of Araucaria angustifolia in Southern Brazil. Caderno de Geografia (2023), Belo Horizonte, v. 72, p. 174-201, 2023. Disponível em: http://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/article/view/29976/20593. Acesso em: 17 fev. 2023.

SUZANA CAMARGO. Conexão Planeta. Descoberta a primeira pintura rupestre de araucárias do Brasil, feita há cerca de 4 mil anos. 2023. Disponível em: https://conexaoplaneta.com.br/blog/descoberta-a-primeira-pintura-rupestre-de-araucarias-do-brasil-feita-ha-cerca-de-4-mil-anos/#fechar. Acesso em: 17 fev. 2023.

Autor: Vitor L. Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer e Thamara Almeida
Foto de Capa: Pintura rupestre encontrada em Piraí do Sul (PR). Foto: Divulgação/GUPE.

Seja #GeraçãoRestauração: faça estágio ou voluntariado na Apremavi

Seja #GeraçãoRestauração: faça estágio ou voluntariado na Apremavi

Seja #GeraçãoRestauração: faça estágio ou voluntariado na Apremavi

O Programa de Estágios Acadêmicos e Serviço Voluntário, suspenso desde o início da pandemia de Covid-19, é relançado no Dia Mundial da Educação Ambiental para toda a comunidade.

As atividades são concentradas em Atalanta (SC), no Viveiro Jardim das Florestas, onde os residentes podem aprender com os profissionais que lideram a produção de mudas nativas, desde a coleta de sementes até a preparação das mudas para o plantio. As estufas do viveiro, áreas em processo de restauração ecológica e Unidades de Conservação são alguns dos cenários onde o residente poderá atuar, contribuindo em ações para a produção de mudas nativas, restauração ecológica de áreas degradadas e monitoramento de ambientes em processo de restauração.

Com a perspectiva de possibilitar o acesso de toda a comunidade ao programa, são oferecidas duas modalidades:
・Estágio Acadêmico: dedicado a estudantes de algum curso formal que demanda a realização de estágio obrigatório e/ou associado a uma instituição de ensino;
・Serviço Voluntário: permite até 14 dias de atividades para qualquer pessoa interessada em aprender mais sobre as linhas de atuação da Apremavi, seguindo o previsto na legislação que regulamenta o serviço voluntário.

Todos os residentes são acompanhados por um orientador, responsável por fornecer as principais orientações da residência, elaborar a agenda de atividades e avaliar o desempenho do participante de acordo com as orientações da instituição de ensino de origem, em caso de Estágio Acadêmico. Os estagiários e voluntários podem contar com o Centro Ambiental para hospedagem em Atalanta. O prédio dispõe de estrutura dedicada para receber os residentes, com dormitórios, cozinha compartilhada, biblioteca (durante o horário do expediente da Apremavi) e espaços de convivência.

Clique e confira algumas das atividades possíveis durante a residência no Programa de estágios e Serviço Voluntário:

 

Para acompanhar essas e outras atividades, que podem ser alocadas durante os dias de vivência no Centro Ambiental, não é preciso habilidades específicas ou significativos conhecimentos prévios sobre a rotina de um viveiro, pois a equipe Apremavi está preparada e disposta em fornecer todas as orientações necessárias e trocar conhecimentos com os participantes do programa.

Em compensação, disposição e interesse na temática socioambiental são essenciais para que a residência cumpra seu principal objetivo, que é contribuir na formação profissional e social dos participantes.

O relançamento do Programa ocorre no Dia Mundial da Educação Ambiental. O dia 26 de janeiro foi definido como efeméride na Conferência de Estocolmo, realizada em 1975 pela Unesco, quando aconteceu um Encontro Internacional de Educação Ambiental em Belgrado.

Na Década da Restauração de Ecossistemas da ONU e em um cenário otimista para a implementação de iniciativas sistêmicas na área socioambiental brasileira, a Apremavi pretende contribuir ainda mais na capacitação, educação e consciência da sociedade. Numa realidade definida pela necessidade de mudanças em busca da sustentabilidade real, todos podem contribuir e todos têm o poder de transformar.

Confira os detalhes do programa e faça sua inscrição aqui.

Atividades realizadas durante estágio e voluntariado na Apremavi.
Fotos: Arquivo Apremavi. 

Conhece alguém que possa se interessar pelo Programa de Estágios Acadêmicos e Serviço Voluntário? compartilhe essa matéria!

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer e Thamara S. Almeida

Nota de repúdio da Apremavi ante os ataques terroristas aos poderes da República Brasileira

Nota de repúdio da Apremavi ante os ataques terroristas aos poderes da República Brasileira

Nota de repúdio da Apremavi ante os ataques terroristas aos poderes da República Brasileira

“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância” Karl Popper

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) repudia, com todo o ímpeto que um ataque à democracia demanda, os atos de terrorismo e vandalismo perpetrados contra os poderes da República Brasileira buscando impor um golpe de estado, na data de ontem (08/01/2023). A destruição causada nas sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário demanda a responsabilização imediata dos seus autores, apoiadores e financiadores, que demonstraram desprezo e desrespeito pelo Estado Democrático de Direito, bem como pela História, Cultura e Patrimônio brasileiro, além de vilipendiarem a Constituição.

As cenas registradas em Brasília jamais poderão ser confundidas com manifestações pacíficas ou com liberdade de expressão, mas sim como explícito vandalismo e terrorismo contra os bens públicos e à Nação brasileira, materializada em cada um dos bens públicos fraturados ontem.

O constante trabalho em defesa da biodiversidade brasileira demandou a presença da Sociedade Civil em inúmeras manifestações, sempre buscando a valorização da democracia e promoção dos princípios republicanos na atuação, compromisso explícito na Carta de Princípios da Apremavi.

A Apremavi se solidariza com as instituições violadas e, coerente com sua missão e valores, se coloca à disposição para contribuir com o fortalecimento da nossa DEMOCRACIA, atacada covardemente, mas que se mantém resistindo, como faz uma Araucária da Mata Atlântica. A valorização e busca constante pelo fortalecimento da Democracia é dever de todas as instituições e cidadãos.

Democracia Sempre!

Redes e coletivos da Sociedade Civil Brasileira se posicionaram em defesa da Democracia e demandando a responsabilização dos envolvidos no ataque ao Estado Democrático de Direito.

 
Nota da Rede de ONGs da Mata Atlântica

A Rede de ONGs da Mata Atlântica – RMA organização da sociedade civil sem fins lucrativos que congrega 150 entidades ambientalistas, manifesta seu repúdio aos atos terroristas perpetrados nesta triste tarde de 08 de janeiro de 2023, perpetrados por aqueles que desprezam a Constituição Federal, o Estado Democrático de Direito e a soberania popular. Ocupação criminosa e depredação das sedes dos três poderes da República são atos inaceitáveis e que precisam ser veementemente rechaçados pela sociedade.

O grave atentado contra a democracia, agravado com o ataque ao patrimônio público brasileiro, precisa ser prontamente apurado, responsáveis identificados e devidamente punidos nos termos da legislação vigente, incluindo dentre esses as autoridades públicas que por incentivo, conivência ou omissão, concorreram para o desfecho desses lamentáveis episódios em Brasília.

Precisamos cobrar das autoridades que esses lamentáveis atos conduzidos por golpistas inescrupulosos nunca mais se repitam. A imensa parcela da sociedade brasileira que condena esses atos confia na democracia, e acredita que a necessária e pronta reação indica que ela, a Democracia, sai reforçada com esses atos que envergonham a memória nacional.

Coalizão Brasil condena ataques às instituições em Brasília

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento formado por mais de 300 representantes de empresas, do agronegócio, setor financeiro, sociedade civil e academia, repudia veementemente a invasão e depredação do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto ocorridas este domingo em Brasília. Mais do que atos de vandalismo, estas ações representam uma inaceitável afronta ao Estado Democrático de Direito.

É vital, portanto, que o planejamento e a realização dos ataques sejam investigados e que seus responsáveis e financiadores sejam identificados e punidos nos rigores da lei. A Coalizão Brasil espera que a defesa da democracia permaneça como um princípio básico aos Três Poderes e à nossa sociedade.

Nota do Observatório do Clima

O Observatório do Clima repudia os atos golpistas e terroristas que tomaram Brasília neste domingo, com conivência e omissão das forças de segurança. Não se trata apenas de ataques a prédios públicos, o alvo é a democracia. Uma horda criminosa que perdeu as eleições quer retomar o poder à força. Governo, Congresso e Justiça precisam agir. A democracia não é auto-realizável, depende de vigilância e cuidados constantes. Identificar e punir os responsáveis pelo que ocorreu, os que agiram ou se omitiram, além de seus financiadores, é o mínimo que se espera para a manutenção do Estado Democrático de Direito no país. O projeto bolsonarista de destruição e ódio foi derrotado em 30 de outubro. O resultado das urnas deve ser respeitado.

Nota do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento  (FBOMS)

O FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente, aliança criada em junho de 1990 (vide informações em anexo) ao manifestar publicamente seu repúdio aos atos de ataque ao Estado Democrático de Direito e às autoridades constitucionalmente no exercício de suas funções e mandatos, bem como aos atos de depredação de patrimônio público,  declara sua expectativa que as altas autoridades dos Poderes da República adotem as mais rigorosas medidas de investigação dos fatos e dos danos para, no devido processo administrativo, judicial e legal, sejam aplicadas as sanções aos participantes, aos financiadores e, inclusive, àqueles agentes públicos que, por omissão ou ação, contribuíram para tais fatos.

O FBOMS, seus integrantes, organizações e alianças que subscrevem esta Nota,  também reafirmam o compromisso com a democracia participativa e declaram a expectativa de que as lideranças governamentais do Brasil possam, apesar desses fatos, implementar políticas públicas que coloquem o país na retomada da superação da desigualdade social e econômica, da promoção da sustentabilidade e do respeito à justiça.

Democracia Sempre! Ditadura Nunca Mais!

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Revisão: Carolina Schäffer e Wigold B. Schäffer

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