Dia da árvore na Apremavi é sinônimo de ação

Dia da árvore na Apremavi é sinônimo de ação

Dia da árvore na Apremavi é sinônimo de ação

O Dia da Árvore é uma data emblemática que nos convida a refletir sobre a vital importância dessa forma de vida para todas as espécies. 

O plantio de mudas desempenha um papel fundamental na restauração ecológica de ecossistemas e também amplia a presença de árvores em áreas urbanas. Por meio das doações diretas e vendas de mudas para organizações que também realizam a distribuição de mudas nativas no Dia da Árvore, a Apremavi busca associar as atividades de educação e mobilização com a prática, promovendo o plantio de árvores e sensibilizamos sobre a necessidade da conservação e restauração para o enfrentamento das crises socioambientais do presente.

Ao lado de parceiros de longa data e centros de ensino de diferentes municípios, foram articuladas e apoiadas diversas atividades, buscando a distribuição das mudas e o compromisso de que as mesmas serão plantadas. Confira algumas ações realizadas pela Apremavi em rede com parceiros nesta data:

Doação de mudas

O projeto Matas Sociais – planejando propriedades sustentáveis, executado em parceria com a Klabin e o Sebrae, doou 2.640 mudas para instituições de ensino e governamentais de sete municípios:

  • Telêmaco Borba: Instituto Federal do Paraná – Campus Telêmaco Borba e Secretaria do Meio Ambiente;
  • Ventania: Secretaria do Meio Ambiente;
  • Ortigueira: Escola Municipal Professor Mercimeire Teodoro de Oliveira e Secretaria do Meio Ambiente;
  • Reserva: Secretaria do Meio Ambiente;
  • Imbaú: Centro Municipal de Educação Infantil Tia Lu, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE e Câmara Municipal dos Vereadores de Imbaú (CEMEI);
  • Figueira: Secretaria Municipal de Figueira.
Plantio de mudas no Centro Municipal de Educação Infantil em Imbaú (PR). Crédito: Centro Municipal de Educação Infantil em Imbaú (PR)

Plantio de mudas no Centro Municipal de Educação Infantil Tia Lu em Imbaú (PR). Crédito: Adriana Sokulski Paes.

Distribuição de mudas na rede Archer

Por mais de duas décadas, no Dia da Árvore, a rede de Supermercados Archer, com sede em Brusque (SC), tem presenteado seus clientes com mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. Em 2023  foram distribuídas 30.000 mudas, todas provenientes do Viveiro Jardim das Florestas. A campanha de doação foi marcada pela chamada inspiradora “Preservar é fazer do futuro uma parte do seu dia a dia.”

Carregamento de mudas adquiridas pela rede Archer para doação. Foto: Taís Fontanive

Carregamento de mudas adquiridas pela rede Archer para doação. Foto: Taís Fontanive

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.

Fauna, Flora e Funga

Fauna, Flora e Funga

Fauna, Flora e Funga

“Precisamos urgentemente adicionar um terceiro “F” – funga – nas discussões sobre o enfrentamento dos desafios planetários frente às crise climática e da perda de biodiversidade” – Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade.

Os fungos estão por toda a parte do planeta e estima-se que mais de 90% das plantas dependem deles para existir, onde por meio de uma relação de simbiose eles fornecem nutrientes essenciais. Além da sua importância ecológica, eles fazem parte do nosso dia a dia, sendo utilizados para remédios e até a produção de pão, queijo e vinhos, por exemplo.

Apesar da sua enorme importância, eles não recebem a mesma atenção que outros reinos, como os animais e as plantas. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), 625 espécies de fungos foram avaliadas no mundo, sendo que 46% delas estão categorizadas em alguma das categorias de ameaça. Em contrapartida, 62.666 espécies de plantas e 87.082 espécies de animais já foram avaliadas. Estima-se que possam existir 10 vezes mais espécies de fungos no mundo do que espécies de plantas, algo em torno de 2,2 até 3,8 milhões de espécies, mas apenas 8% disso já foi descrito pela ciência. 

O Brasil ainda não tem uma lista de espécies ameaçadas, porém a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) organizou uma lista não oficial com as espécies categorizadas pela IUCN que ocorrem em território brasileiro. Em janeiro deste ano, a Comissão de Sobrevivência de Espécies (SSC) da IUCN criou um novo grupo de especialistas com foco na conservação de fungos brasileiros para incluir fungos em programas de conservação de espécies, legislação ambiental, políticas públicas, gestão de ecossistemas e iniciativas de divulgação científica.

A lista da Flora e Funga do Brasil conta com 8.169 espécies de fungos, contrastando com 43.982 espécies de plantas. Além dos cortes na ciência nos últimos anos, a taxonomia, ciência que estuda e dá nome às espécies, sofre com grande desvalorização frente às demais áreas de estudos da Biologia. Isso se reflete muito nos números que vemos acima. 

Além de dar visibilidade para a Funga perante a sociedade, também precisamos de investimento e esforços para conhecer a real diversidade de espécies de fungos que ocorrem no país, conhecido por ser hiper diverso“, relata Bárbara Schünemann doutoranda em Botânica (UFRGS) que se dedica a descobrir novas espécies de fungos e estudar a história evolutiva deles.

 

Fauna, Flora e Funga

Falar sobre os fungos, da mesma forma que fazemos para os animais e as plantas, é necessário para a conservação deles. Para isso, pesquisadores, dentre eles Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos do Departamento de Botânica (UFSC) propuseram em 2018 o termo Funga visando valorizar a forma como nos referimos à diversidade de fungos. Assim, quando comunicamos sobre a diversidade da vida na Terra, é sugerida a utilização dos 3Fs: Fauna, Flora e Funga.

Segundo eles, essa valorização abre caminho para mudanças substanciais nas políticas educacionais e de conservação, dentre outras, facilitando a incorporação do estudo dos fungos em questões de interesse nacional, além da utilização em assembleias internacionais como as da IUCN e a Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB).

Bárbara ainda comenta sobre a importância dos 3Fs: “Essa inclusão é uma maneira de demonstrar que os fungos, assim como as plantas e os animais, desempenham um papel fundamental para a manutenção da vida de todos os seres vivos. O que também facilita o ensino e a divulgação científica desses organismos, pois assim os nomeamos de uma forma simples e mais direta”.

Além disso, ela relata a importância para a conservação dessa inclusão: “Já se é sabido, que a gente só preserva aquilo que conhecemos. Se damos nome e divulgamos a diversidade da Funga, é mais provável que a sociedade se interesse e queira preservar também esses organismos”.

 

O movimento 3F

Com o objetivo de incluir a Funga negligenciada nos quadros de política agrícola e de conservação internacional e desbloquear financiamentos para investigação micológica e programas educativos no mundo, a Fungi Foundation e a Earth Rights Advocacy (ERA) criaram uma comunidade global que reúne cientistas, artistas, ativistas e amantes da natureza que trabalham para obter essa proteção legal.

Pessoas físicas e organizações podem se juntar a outras pessoas no mundo todo fazendo parte do movimento usando a linguagem inclusiva “Flora, Fauna e Funga” e assinando a declaração presente no site.

Autoras: Thamara Santos de Almeida e Bárbara Schünemann.
Revisão: Carolina Schäffer.

Apremavi participa do encontro da Rede de ONGs da Mata Atlântica

Apremavi participa do encontro da Rede de ONGs da Mata Atlântica

Apremavi participa do encontro da Rede de ONGs da Mata Atlântica

A Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) retomou as reuniões presenciais pós-pandemia de Covid-19 com a realização do encontro de suas filiadas na Região Sul, que contou com a participação da Apremavi e outras organizações.

O objetivo foi debater as principais pautas da região para a construção de projetos colaborativos em defesa da Mata Atlântica. O encontro aconteceu em Florianópolis no dia 14 de setembro, a partir da parceria entre a RMA e a Fundação SOS Mata Atlântica, com o apoio da Fundação Hempel.O evento contou com a presença de 30 pessoas, representando 20 organizações filiadas. 

“É muito significativo que depois desse período de pandemia estarmos reunidos de forma presencial, o objetivo desse encontro é buscar fortalecer o trabalho da RMA”, comenta João de Medeiros, Coordenador Geral da RMA na abertura do evento.

A Apremavi, que é uma das fundadoras da RMA, esteve representada por Miriam Prochnow, co-fundadora e diretora da Apremavi, que já foi Coordenadora Geral da RMA. ”O evento foi muito importante, foram debatidas pautas extremamente relevantes para os estados da região, que no caso da RMA, inclui também o Mato Grosso do Sul, além do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Além disso, Miriam aponta os temas prioritários do encontro e os desafios partilhados: “São comuns os problemas com desmatamentos ilegais, falta de fiscalização, impactos com obras de infraestrutura e especulação imobiliária. Temas prioritários considerados importantes por todas as organizações presentes são a defesa e implementação da Lei da Atlântica e a retomada da implantação e criação de Unidades de Conservação”.

Encontro Rede de ONGs da Mata Atlântica da região Sul. Foto: Miriam Prochnow e RMA

Registros do encontro da região Sul da Rede de ONGs da Mata Atlântica no dia 14 de setembro em Florianópolis. Fotos: Miriam Prochnow e Rede de ONGs da Mata Atlântica.

Bellô Monteiro, Coordenador da Fundação SOS Mata Atlântica, que também já foi Coordenador da RMA, comenta sobre a participação da Apremavi em projetos colaborativos e como o encontro foi apoiado: “A Apremavi é uma das organizações líderes da RMA e está empenhada em construir em conjunto com as outras organizações projetos colaborativos, é fundamental que esses projetos saiam da Rede para fortalecer a governança com a parceria da Fundação Hempel, que oportunizou o encontro”.

Outros dois encontros ainda serão realizados no âmbito dessa parceria, um da região Sudeste, em Itu (SP), no 29 de setembro, e outro da região Nordeste, em Salvador (BA), no dia 26 de outubro.

 

A Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) 

A RMA possui 156 organizações filiadas, distribuídas em 17 estados brasileiros, que se encontram no domínio da Mata Atlântica. Criada em 1992, a Rede tem por objetivo a defesa, preservação, conservação e recuperação da Mata Atlântica, por meio da promoção do intercâmbio de informações, da mobilização, da ação política coordenada e do apoio mútuo entre as ONGs. 

 

Autora: Miriam Prochnow.
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer.
Foto de capa: Encontro da região Sul da Rede de ONGs da Mata Atlântica no dia 14 de setembro em Florianópolis. Créditos: Rede de ONGs da Mata Atlântica.

Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental lança nova etapa de formação

Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental lança nova etapa de formação

Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental lança nova etapa de formação

Estão abertas as inscrições da segunda Etapa da Formação Continuada e Multiplicadora (FCM) do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMJCS), com início no dia 19 de outubro.

Um dos espaços do FMCJS é o Processo de Formação Continuada e Multiplicadora (FCM) que em âmbito nacional busca ampliar os conhecimentos a respeito do complexo e importante tema das mudanças climáticas, suas causas, suas consequências, as estratégias para enfrentá-las ou para mitigá-las.

A primeira etapa de formação deste ano contou com três encontros à distância acerca da situação global e brasileira em relação às mudanças climáticas, sobre qual a formação que os membros desejam promover, e um terceiro com o compartilhamento de metodologias e ferramentas utilizadas por parceiros do Fórum nos processos de educação e formação, conforme consta a seguir:

> Live: Mudanças Climáticas: Desafios da Conjuntura Global e Nacional – 14/06

> Encontro: Que formação queremos – 27/06

> Encontro: Metodologias e ferramentas – 28/06

A segunda etapa de formação terá a participação da Apremavi e iniciará no dia 19 de outubro. Essa formação terá dois focos centrais: a compreensão atualizada do que causa e dos efeitos das mudanças climáticas, sempre com atenção especial às injustiças socioambientais e compreensão atualizada das mudanças climáticas em cada um dos biomas brasileiros e suas interrelações, com destaque às boas práticas que promovem a convivência sustentável com o planeta.

Programação prevista:

Dia 19 de outubro, às 19h (Horário de Brasília)
Diálogo sobre os desafios do “decênio decisivo” que a humanidade tem pela frente para enfrentar as mudanças climáticas com a presença do pesquisador Luiz Marques, que, retomando seu livro “Capitalismo e Colapso Ambiental”, acaba de publicar “O Decênio Decisivo” (Ed. Elefante, SP).

Dia 26 de outubro, às 19h (Horário de Brasília)
“Breve história do Ativismo e sua influência no Brasil e no mundo” com Wigold Schäffer, co-fundador da Apremavi, especialista em políticas públicas, conservação e restauração da Mata Atlântica.

Novembro (ainda sem data definida)
A pauta é o bioma Mata Atlântica, onde a programação detalhada será enviada para os inscritos, que contará com encontros virtuais ao vivo, vídeos, apostilas, livros, textos e outros materiais complementares.

> Faça a sua inscrição 

“Com as mudanças climáticas se transformando numa dura e muitas vezes, fatal realidade, os processos de formação são cada vez mais importantes. Precisamos estar preparados para o enfrentamento não só das emergências, mas principalmente para a implantação de um novo modo de vida, que tenha como peça central o combate, a mitigação e a adaptação às consequências do aquecimento global“ comenta Miriam Prochnow, co-fundadora da Apremavi que ministrará uma das formações sobre a Mata Atlântica.

Em 2021 a Apremavi e o FMCJS se uniram para realizar uma formação sobre a produção de mudas nativas, com ênfase na produção de araucárias. Por conta da pandemia de Covid-19, a primeira parte da formação ocorreu à distância, e com a melhora no cenário pandêmico uma visita presencial ao Viveiro Jardim das Florestas foi realizada. 

 

Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental 

A instituição é uma articulação de entidades que atuam em rede para enfrentar as mudanças do clima, com o intuito de despertar uma consciência crítica e enfrentamento em relação às causas do aquecimento global, com atenção especial para os povos, comunidades e pessoas que as sociedades marginalizadas.

A Apremavi é uma das entidades que faz parte do Fórum e colabora com a articulação do Núcleo do Fórum em Santa Catarina e também na interligação entre os vários Biomas brasileiros.

> Conheça o trabalho da instituição

 

Autora: Thamara Santos de Almeida, com informações do FMJCS.
Revisão: Vitor Lauro Zanellato e Miriam Prochnow.

Cabriúva, o “bálsamo” da Mata Atlântica

Cabriúva, o “bálsamo” da Mata Atlântica

Cabriúva, o “bálsamo” da Mata Atlântica

A cabriúva (Myrocarpus frondosus) também é conhecida popularmente como cabriúna em Santa Catarina e cabreúva no Paraná. Nativa do Brasil, também ocorre na Argentina e no Paraguai. É encontrada na Mata Atlântica, especificamente na Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila e Floresta Ombrófila Mista.

O seu nome popular vem da língua tupi, kabu’ré iwa, que quer dizer “árvore-do-caburé”, já em relação ao seu nome científico Myrocarpus significa “fruto de bálsamo”; já o epíteto específico frondosus é porque a árvore apresenta copa ampla e frondosa. 

A espécie possui diversos usos, como comercial, medicina popular, paisagístico, apícola e para a restauração de áreas degradadas. No âmbito comercial destaca-se o uso do seus óleos essenciais, a planta produz um líquido aromático chamado de bálsamo que tem propriedades repelentes e é utilizado para aromatizar roupas, além de incensos e na indústria de perfumaria e tintas.

Do ponto de vista da medicina popular, a seiva é utilizada para doenças pulmonares,  casca e a resina para feridas e os frutos como anti-sépticos. Os índios de várias etnias do Paraná e Santa Catarina costumam usar a casca do caule para o tratamento de bronquite e contusão interna. Além disso, no sul da Bahia, é produzida uma cachaça afrodisíaca.

Cabriúva é apropriada para a arborização urbana e é indicada especificamente para parques. Além disso, as suas flores são melíferas, ou seja, são polinizadas por abelhas, assim a espécie é apropriada para práticas apícolas.

Em relação a restauração, ela é secundária inicial a secundária tardia, portanto ela não pode ser plantada a pleno sol. Recomenda-se que seja utilizada em plantios de enriquecimento de sub-bosque mistos com outras espécies pioneiras ou espécies secundárias iniciais de crescimento rápido.

O Instituto Hórus publicou algumas recomendações para o plantio da espécie, confira.

Prancha de cabripuva (Myrocarpus frondosus). Créditos: Wikimedia Commons

Aspectos da prancha, árvore, tronco e folhas da Cabriúva. Fotos: Christian Ostrosky (CC BY-NC-ND 2.0), Trap Hers (CC-BY-SA), Paul Hermann Wilhelm Taubert (domínio público via Wikimedia Commons) e Ramón Portal (CC BY-SA 2.0)

Cabriúva

Nome científico: Myrocarpus frondosus Allemão
Família:  Fabaceae
Utilização: madeira usada para a fabricação de móveis, carrocerias e dormentes. Também é muito utilizada na construção civil, como caibros, ripas, sarrafos, assoalhos, etc. Utilizada medicinalmente (bálsamo) e para fins paisagísticos.
Coleta de sementes: no chão após a queda espontânea dos frutos, quando estes mudam de cor.
Época de coleta de sementes: novembro a janeiro.
Fruto: secos.
Flor: amarela.
Crescimento da muda: lento.
Germinação: normal.
Plantio: mata ciliar e área aberta.
Observação: devido a dificuldade de separação da semente junto ao fruto, estes deverão ser semeados como se fossem sementes.
Status de conservação: consta na lista de plantas ameaçadas de extinção no Paraná, na categoria rara. 

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas

 

Referências:

Aimi, S. C. (2018). Qualidade de diásporos e crescimento de mudas de Myrocarpus frondosus allemão no viveiro e no campo (Dissertação de doutorado, Universidade Federal de Santa Maria). 

Carvalho, P. (2003). Cabriúva: Myrocarpus frondosus.

Prochnow, M. (org) (2007). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: Apremavi.

Sartori, Â.L.B. Myrocarpus in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB83493>. Acesso em: 08 set. 2023 

 

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Árvore de cabriúva (Myrocarpus frondosus). Créditos: Ramón Portal (CC BY-SA 2.0)

Conhecendo a atuação da Apremavi em Áreas Prioritárias para a Biodiversidade

Conhecendo a atuação da Apremavi em Áreas Prioritárias para a Biodiversidade

Conhecendo a atuação da Apremavi em Áreas Prioritárias para a Biodiversidade

A biodiversidade está sendo reduzida em uma velocidade alarmante em todo mundo. Segundo a IUCN (Internacional Union for the Conservation of Nature), 42.000 espécies estão ameaçadas mundialmente. No Brasil, há 1.253 espécies ameaçadas, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Identificar áreas prioritárias para a biodiversidade é primordial para a conservação das espécies e ecossistemas. Pensando nisso, treze das principais organizações que trabalham em prol da conservação da natureza no mundo lançaram um mapeamento de Áreas Chave para a Biodiversidade (do inglês Key Biodiversity Areas – KBAs) com objetivo de identificar e conservar os lugares mais importantes para a natureza. O programa está sendo executado desde janeiro de 2018 e tem previsão até dezembro de 2024. 

As organizações consultaram dados científicos disponíveis e critérios globalmente padronizados. Até o momento, 15.000 KBAs foram mapeadas seguindo os seguintes critérios: biodiversidade ameaçada; biodiversidade geograficamente restrita; integridade ecológica; processos biológicos; e, insubstituibilidade da biodiversidade. Os critérios KBA têm limites quantitativos e podem ser aplicados a espécies e ecossistemas em ambientes terrestres, de águas interiores e marinhos.

A ideia é que esse mapeamento oriente a expansão de áreas protegidas pelos governos, informe a implementação de acordos ambientais internacionais, apoiem o ordenamento do território nacional e regional, informe entidades sobre a priorização de investimentos de conservação e comunidades locais e indígenas sobre os esforços de conservação.

Saiba mais sobre as KBAs neste vídeo produzido pelas organizações:

 

 

Sobreposição dos KBAs com as áreas de atuação da Apremavi

Em Santa Catarina, quatro Áreas Chaves para a Biodiversidade têm sobreposição com as áreas de atuação da Apremavi: o Parque Nacional da Serra do Itajaí, o Parque Nacional de São Joaquim, e as cidades de Urubici e Urupema.

A Apremavi acredita que a melhor estratégia para a conservação da biodiversidade é a criação de Unidades de Conservação. Por isso, há uma área temática institucional dedicada ao tema, que tem como intuito ampliar a conservação “in situ” dos remanescentes florestais de Mata Atlântica existentes em Santa Catarina, através da criação, implantação e apoio às Unidades de Conservação, em especial as de proteção integral.

Um dos exemplos de atuação é em prol do Parque Nacional da Serra do Itajaí, em Blumenau (SC), onde a Apremavi junto a Rede de ONGs da Mata Atlântica em 2004, reivindicou a criação do Parque junto ao governo federal e desde então, tem atuado na defesa do parque. No ano passado, parlamentares de SC buscaram alterar a categoria de proteção da Unidade de Conservação, tentativa essa que foi denunciada pela Apremavi e outras organizações.

Esforços também são dedicados à defesa do Parque Nacional de São Joaquim em Urubici (SC). Em 2020, entidades científicas e ambientais de Santa Catarina, entre elas a Apremavi, assinaram em conjunto uma carta aberta com um manifesto contra um Projeto de Lei que buscava diminuir a área protegida. E em 2021, a Apremavi passou a integrar a Rede de Amigas e Amigos do Parque São Joaquim e participou da campanha “São Joaquim é Sagrado” com o intuito de tornar a sociedade aliada na luta contra as ameaças a Unidade de Conservação.

Ainda em Urubici, um casal está implantando uma agrofloresta, com o apoio do projeto Matas Legais, com o objetivo de incentivar o agroturismo na região e propiciar o retorno da biodiversidade na área. Já próxima à região do Parque Nacional de São Joaquim, a Fazenda Santa Bárbara é alvo de área piloto do projeto Conservador das Araucárias. Mais de 87 hectares estão sendo restaurados.

> Conheça as Áreas Chave para a Biodiversidade no mundo

 

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações da Key Biodiversity Areas (KBAs).
Revisão:  Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.
Foto de capa: Parque Nacional da Serra do Itajaí, uma das Áreas Chave para a Biodiversidade. Crédito:©️ Carolina Schäffer

Projeto +Floresta inicia atividades de Educação Ambiental em Abelardo Luz (SC)

Projeto +Floresta inicia atividades de Educação Ambiental em Abelardo Luz (SC)

Projeto +Floresta inicia atividades de Educação Ambiental em Abelardo Luz (SC)

O Geração +Floresta, iniciativa de Educação Ambiental desenvolvida pelo projeto +Floresta da Apremavi, já promoveu trocas de conhecimento com mais de 120 estudantes.

A criação do programa busca integrar e sensibilizar a comunidade escolar sobre a atuação da Apremavi junto às temáticas relacionadas à restauração e conservação utilizando a educação ambiental como ferramenta. 

As atividades serão concentradas em Abelardo Luz (SC). Seis instituições de ensino localizadas no território de atuação do projeto fazem parte do programa, são elas: EBM 25 de Maio, EBM José Maria, EIEF Cacique Karenh, EEM Paulo Freire, EEM Semente da Conquista e IFC Campus Avançado de Abelardo Luz. As atividades teóricas e práticas foram conduzidas por Marluci Pozzan e Vanderson de Oliveira, técnicos da Apremavi.

Antes do início das atividades a equipe técnica da Apremavi se reuniu com os professores, direção das instituições envolvidas e Secretaria Municipal de Educação da cidade para apresentar a ideia e entender as demandas específicas de cada instituição. Assim, o programa foi dividido em temas específicos para cada fase do ensino básico: Ensino Fundamental será ministrada a temática de Biodiversidade com a apresentação da flora e fauna nativas da Floresta Ombrófila Mista e a conservação dos recursos hídricos; enquanto no Ensino Médio o tema norteador é o Planejamento de Propriedades e Paisagens com a apresentação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), legislação ambiental aplicada às pequenas propriedades, recuperação de áreas degradadas e a importância da reserva legal para a comunidade.

João Vitor Gris, estudante da EEM Paulo Freire, comenta sobre o que aprendeu na ação de educação ambiental: “A atividade mostrou como devem ser as medidas de mata que precisam ser deixadas em um tamanho específico, conforme o tamanho do terreno, e as consequências do não cumprimento das leis. Eu gostei bastante de saber sobre um assunto que eu não sou tão familiarizado, e o que mais me chamou a atenção foi como tudo isso é importante para todos”

Geração +Floresta em ação na EBM 25 de Maio. Foto: Marluci Pozzan

Geração +Floresta em ação na EBM 25 de Maio. Foto: Marluci Pozzan

+Floresta

A educação ambiental é apenas um dos objetivos do +Floresta, que tem um grande escopo de atuação em Abelardo Luz: contribuir com a restauração da vegetação nativa na Floresta Ombrófila Mista, no Oeste de Santa Catarina, com o incremento de espécies vegetais ameaçadas de extinção como a araucária, a imbuia e o xaxim-bugio, ambas com histórico de intensa exploração no estado.

É financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autores: Edilaine Dick, Marluci Pozzan e Vanderson de Oliveira
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Vitor Lauro Zanellato
Foto da capa: início das atividades do Geração +Floresta ©️ Marluci Pozzan.

Apoie a campanha ‘Pare o Tsunami de Plástico’

Apoie a campanha ‘Pare o Tsunami de Plástico’

Apoie a campanha ‘Pare o Tsunami de Plástico’

O Brasil produziu 13,7 milhões de toneladas de plástico só no ano passado, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2022 elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), além de estar na lista dos maiores poluidores por plástico no mundo.

Grande parte desses plásticos são descartáveis, também chamados de plástico de uso único. Eles são concebidos para que sejam utilizados apenas uma vez e descartados em seguida, como por exemplo: copos, pratos, talheres, canudos, sacos e sacolas.

Apesar de serem usados apenas uma vez, eles persistem no meio ambiente por décadas indo parar em rios e mares. Por isso, hoje encontramos os plásticos em todos os lugares do planeta, afetando inúmeras espécies marinhas e colaborando para a crise climática. Além disso, a poluição plástica também afeta a nossa saúde, pois já foram encontrados microplásticos em vários dos nossos órgãos devido ao consumo de água e alimentos contaminados. 

 

Apenas incentivar a redução, reutilização e a reciclagem do plástico de uso único não é o suficiente, os consumidores precisam ter alternativas possíveis e acessíveis para fazer escolhas sustentáveis que levem a recusa desse tipo de material. A lógica atual da gestão de resíduos é transferir a culpa para os consumidores que falham na separação e nas cidades que não realizam a coleta seletiva. Contudo, a responsabilidade é compartilhada, segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos

É necessário exigir que as empresas e indústrias vão além da reciclagem e ofereçam opções sem plástico. Para isso, os governos precisam desenvolver e apoiar políticas que limitem a produção de plásticos descartáveis.

 

 

Responsabilidades compartilhadas na gestão de resíduos segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Créditos: Atlas do Plástico 2020

Vamos juntos parar o Tsunami de Plástico

Dentro dessa perspectiva, a ONG Oceana Brasil, com o apoio de mais de 60 organizações, entre elas a Apremavi, lançou na última quarta (16/08) a campanha “Pare o Tsunami de Plástico” com o objetivo de criar uma rede de apoio e chamar atenção da sociedade civil e do Congresso Nacional em prol do Projeto de Lei 2524/2022.

O projeto propõe a implementação da Economia Circular do Plástico no Brasil, pondo fim à produção de plástico de uso único. “A ideia é propor um novo modelo de produção e uso a fim de reduzir a quantidade desnecessária de plástico descartável colocado no mercado, além de manter os itens em circulação através de reuso e reciclagem, ou ainda com produtos comprovadamente compostáveis”, segundo o texto produzido pela Oceana para a campanha.

O PL também traz avanços na valorização e reconhecimento do protagonismo dos catadores e catadoras de materiais recicláveis no Brasil, que apesar de ser uma profissão regulamentada e primordial para a reciclagem, são os mais explorados ao longo da cadeia produtiva. Assim, o PL inclui as atividades das cooperativas e associações de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis no Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais. 

 

 

Durante o lançamento da campanha já tivemos a adesão de vários senadores e deputados com diversas orientações políticas, é uma disputa importante contra a indústria do plástico de uso-único. O PL passou por muita pressão até chegar onde está hoje, foi e está sendo uma luta“, relata Kellen Pasqualeto, Secretária Executiva da Aliança Resíduo Zero Brasil do Instituto Pólis pela empresa Apoena Socioambiental que esteve presente no evento de lançamento da campanha em Brasília.

O PL já está em tramitação no Senado Federal e foi construído de forma coletiva com organizações da sociedade civil, movimentos sociais, associações e indústrias. A proposta está em sintonia com o panorama global, um comitê da ONU (Organização das Nações Unidas) recentemente definiu o primeiro rascunho do Tratado Global Contra a Poluição Plástica

O Brasil é um dos países que não tem nenhuma lei que restringe esses tipo de produção desenfreada, esse alinhamento internacional é necessário. A previsão de aprovação do Tratado é até o final de 2024, a perspectiva é que ele impulsione, nos países signatários, a reparação das comunidades que foram impactadas pela extração e produção de plástico”, comenta Kellen.

+ Apoie a campanha ‘Pare o Tsunami de Plástico’

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Mutirão de coleta de resíduos na margem da Marina do Davi e Foz do Igarapé do Gigante em Manaus (AM) no dia 29 de abril de 2023. ©️ Pitiu Produções para o Projeto Remada Ambiental

Plataforma de dados sobre animais ameaçados de extinção é lançada pelo ICMBio

Plataforma de dados sobre animais ameaçados de extinção é lançada pelo ICMBio

Plataforma de dados sobre animais ameaçados de extinção é lançada pelo ICMBio

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e das Mudanças do Clima (MMA), lançou no início de agosto uma plataforma que reúne informações de espécies de animais brasileiros ameaçados de extinção. Segundo consta no site da plataforma, ela foi desenvolvida com o objetivo de facilitar a gestão do processo de avaliação do risco de extinção, ação coordenada e executada pelo ICMBio.

Intitulada SALVE (abreviatura de Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade) a plataforma apresenta uma interface amigável acerca dos dados de avaliação de 14.785 espécies. Sendo que 5.513 dessas espécies possuem ficha publicada com informações de características, distribuição, ameaças, ações de conservação, dentre outras. No total, 1.253 espécies dos sete biomas brasileiros estão em alguma categoria de ameaça (vulnerável, em perigo ou criticamente em perigo). 

O sistema está disponível para o público em geral para consultar informações sobre as espécies ameaçadas da fauna brasileira, podendo o usuário realizar a busca pelo nome comum ou científico da espécie pretendida e/ou combinar filtros sobre a categoria de ameaça da espécie, bioma, estado, região, Unidade de Conservação, grupo, ameaçada, endemismo, dentre outros. Os dados também podem ser baixados após a consulta.

Em relação a Mata Atlântica, dados de 6.696 espécies constam na plataforma, dessas 598 foram categorizadas como ameaçadas de extinção: 179 criticamente em perigo, 210 em perigo e 209 vulneráveis. Dentre as espécies categorizadas como criticamente em perigo podemos citar o bugio-ruivo (Alouatta guariba guariba), a jararaca-ilhôa (Bothrops insularis), a saíra-apunhalada (Nemosia rourei), a toninha (Pontoporia blainvillei).

Além disso, 498 espécies foram classificadas como dados insuficientes, ou seja, que não há informações suficientes necessárias para categorizar essas espécies. Isso significa dizer que o número de espécies ameaçadas ainda pode estar subestimado.

 

 

Quantidade e porcentagem das espécies de animais avaliados na Mata Atlântica divididos pelas distintas categorias. Créditos: SALVE ICMBio 2023

Santa Catarina possui 2.448 espécies avaliadas, dessas 131 estão ameaçadas de extinção, sendo 33 criticamente ameaçadas, 39 em perigo e 59 vulneráveis

“A plataforma, além de ajudar na implementação de políticas públicas voltadas à biodiversidade, também facilita o trabalho dos pesquisadores, pois por meio dela é possível conferir de forma rápida e fácil informações das espécies ameaçadas de extinção. Além da área da pesquisa, a SALVE auxilia na difusão de informações confiáveis sobre a essa biodiversidade, pois por meio dela podemos ter acesso a informações produzidas por especialistas”, relata Thamara Santos de Almeida, que colaborou com os dados do seu mestrado em Biologia Animal (UFRGS) para a plataforma e é colaboradora da Apremavi.

Esse lançamento é fruto de um trabalho colaborativo dos 14 Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação do ICMBio. A Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (Dibio) é operada pelos servidores do ICMBio e conta com diversos parceiros e especialistas da comunidade científica que atuam na inclusão, atualização, revisão e correção dos dados sobre as espécies da fauna brasileira, além da realização de oficinas de risco de extinção. No total 1499 especialistas foram envolvidos.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Carolina Schäffer.
Foto de capa: Jacutinga (Aburria jacutinga) no Parque Estadual Intervales em Ribeirão Grande (SP). ©️ Nick Athanas, (CC BY-NC-SA 2.0).

Canela-preta, Criticamente em Perigo de extinção em Santa Catarina

Canela-preta, Criticamente em Perigo de extinção em Santa Catarina

Canela-preta, Criticamente em Perigo de extinção em Santa Catarina

A canela-preta (Ocotea catharinensis) é uma árvore nativa da Mata Atlântica encontrada principalmente na Floresta Ombrófila Densa nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

É uma espécie característica do estágio sucessional de clímax, o último estágio alcançado por comunidades ecológicas ao longo da sucessão ecológica, com crescimento muito lento. Apresenta folhas grandes e aromáticas, casca escura e frutos em forma de cápsulas. 

Historicamente, a canela-preta era a árvore mais comum e característica da Floresta Ombrófila Densa de Santa Catarina, chegando a representar um terço do volume de todas as árvores existentes em um hectare. Contudo, desde a década de 1940 a espécie foi muito explorada, para o uso como recurso madeireiro. Devido a redução das suas populações e a essa exploração hoje ela está ameaçada de extinção.

Um estudo identificou compostos de óleo essencial do tipo linalol, que possui valor econômico e é apreciado por seu aroma de rosa. Assim, poderia ser explorado o seu potencial de perfumaria na fabricação de cosméticos.

É tradicionalmente utilizada pelos povos indígenas de várias etnias dos estados de Santa Catarina e Paraná como fortificantes. Além disso, pesquisas identificaram a presença de compostos antitumorais.

Do ponto de vista ecológico, a espécie é recomendada para a restauração de ecossistemas degradados. Sua dispersão é zoocórica, ou seja, é realizada por animais, principalmente aves e mamíferos. O muriqui-do-sul (Brachyteles hypoxanthus), considerado o maior primata das Américas, é uma das espécies de mamíferos ameaçados de extinção que se alimenta da canela-preta.

O Instituto Hórus publicou algumas recomendações para o plantio da espécie, confira.

Canela-preta. Créditos: Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA)
Detalhes da árvore, sementes, folhas e flores da canela-preta. Créditos: Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), Equipe Apremavi, Anita Stival, Marcio Verdis e Marcelo L. Brotto
Canela-preta

Nome científico: Ocotea catharinensis Mez
Família: Lauraceae
Utilização: econômica, medicinal e ecológica.
Produção de sementes: os frutos devem ser coletados diretamente da árvore quando adquirem coloração verde-amarelada com manchas pretas intensas, iniciando a queda espontânea ou podem ser recolhidos no chão, após a queda. Estes devem ser lavados em água, macerados e, em seguida, postos em peneira para secagem.
Época de coleta de sementes: julho a agosto.
Fruto: é uma cápsula lenhosa de formato oval ou elipsoide que pode medir de 1 a 2 centímetros de comprimento e geralmente apresenta uma coloração marrom escuro quando maduro.
Frutificação: os frutos amadurecem de maio a agosto, no Paraná e no Estado de São Paulo e, de novembro a dezembro, em Santa Catarina.
Flor: pequenas e verde-amareladas.
Floração: de junho a janeiro, no Paraná; de julho a março, em Santa Catarina e em setembro, no Estado de São Paulo.
Crescimento da muda: moderado.
Germinação: com início entre 30 e 120 dias após a semeadura, as mudas atingem tamanho adequado para plantio, cerca de 9 meses após a semeadura.
Plantio: sub-bosque; áreas degradadas.
Status de conservação: encontra-se ameaçada de extinção na categoria de Vulnerável na Lista Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção do Brasil do Ministério do Meio Ambiente (MMA) assim como na Lista do Paraná do Instituto Água e Terra (IAT); Já em SC a espécie se encontra como Criticamente em Perigo na lista do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA).

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas

 

Fontes consultadas:

Carvalho, PER (2014) Espécies arbóreas brasileiras.

CNCFlora. Ocotea catharinensis in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Ocotea catharinensis>. Acesso em 14 julho 2023.

Prochnow, M (2007) No Jardim das Florestas. Rio do Sul: Apremavi, 147p.

Tarazi, R (2006) Caracterização da estrutura genética e conservação de populações naturais de canela-preta (Ocotea catharinensis Mez) no estado de Santa Catarina.

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.

Visitas na Apremavi no segundo trimestre do ano proporcionam troca de conhecimento sobre restauração

Visitas na Apremavi no segundo trimestre do ano proporcionam troca de conhecimento sobre restauração

Visitas na Apremavi no segundo trimestre do ano proporcionam troca de conhecimento sobre restauração

Ao conhecer de perto a Apremavi os estudantes têm a oportunidade de aprender na prática, entre as trilhas nas áreas demonstrativas de restauração, nascentes e no viveiro de mudas. Conceitos trabalhados em sala de aula se materializam durante a visita e ilustram algumas das formas de trabalhar em defesa da conservação e da restauração.

Durante o segundo trimestre deste ano, o Centro Ambiental e o Viveiro Jardim das Florestas da Apremavi receberam a visita de mais de 550 pessoas.  Dezenove instituições de ensino, como escolas e universidades, estiveram em Atalanta para aprender mais sobre a proteção, conservação e restauração da Mata Atlântica.

Grupos organizados por prefeituras e sociedade civil de Santa Catarina também conheceram a rotina de produção de mudas e das ações desenvolvidas na Apremavi no segundo trimestre. Houve também a visita da Conectando Biomas, uma organização ambiental com sede em Manaus, que está realizando o mapeamento de áreas com vegetação nativa no Brasil. Outra recepção foi dedicada a visitantes da Alemanha,  que estavam de passagem na região e, ouvindo falar sobre a Apremavi, decidiram conhecer de perto a instituição.

Já outros visitantes são  de lugares próximos, e é justamente a proximidade que possibilita conexões e a continuidade do contato com a Apremavi, seja através da parceria em outras atividades de educação ambiental ou no auxílio sempre necessário para compartilhar os projetos desenvolvidos pela Apremavi para a restauração ecológica. “Foi muito interessante conhecer a Apremavi e ver que temos uma organização tão ativa e engajada pertinho de nós. Muitos alunos se espelham no conhecimento aprendido para aplicar em suas propriedades. Além disso, também percebemos como os alunos se sentiram bem de estar em contato com a natureza e o ar puro do local”, relata Sabrina Helena Silva Marafon, professora que leciona em uma cidade próxima a Atalanta, onde está a sede da Apremavi.

Já a professora Luciane Costa de Oliveira, do IFSC de Lages, comenta sobre quais aspectos da visita foram importantes para os estudantes: “Na visita pudemos conhecer o viveiro e toda sua evolução ao longo dos anos, as áreas degradadas que foram recuperadas, o embelezamento do meio rural, as novas metodologias para planejamento do território, a visão sustentável a longo prazo, a aquisição de RPPNs para garantias futuras, entre tantos outros exemplos são presenciados durante as visitas das turmas. Em cada visita, uma vasto horizonte de conhecimentos se abre diante dos olhos dos estudantes…. e da professora deles, também!”

> Conheça os principais atrativos da visita

Visita no Parque Natural Municipal Mata Atlântica. Créditos: CE Padre Dionísio Peluso

Registros das visitas realizadas no Centro Ambiental, Viveiro Jardim das Florestas e Trilha da Restauração da Apremavi, bem como, ao Parque Natural Municipal Mata Atlântica. Fotos: Edegold Schäffer e Taís Fontanive

O Programa de Visitas Guiadas é uma iniciativa institucional da Apremavi. Visitas de grupos com mais de cinco pessoas demandam agendamento prévio.

> Agenda a sua visita

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autores: Thamara Santos de Almeida, Taís Fontanive e Vitor Lauro Zanelatto

Apremavi colabora para agenda da Década da Restauração em Nova Veneza (SC)

Apremavi colabora para agenda da Década da Restauração em Nova Veneza (SC)

Apremavi colabora para agenda da Década da Restauração em Nova Veneza (SC)

Nova Veneza (SC) foi palco do seminário “Década da Restauração de Ecossistemas: o que estamos fazendo?”, que ocorreu nos dias 4 e 5 de julho, e contou com participação da Apremavi.

Na semana em que o planeta bateu o recorde de aumento da temperatura global, por dois dias seguidos em decorrência da emergência climática, a Apremavi participou de um evento sobre restauração de ecossistemas. O envolvimento nessa agenda representa a importância de unir esforços a fim de evitar o colapso climático. Pensar globalmente e agir localmente, nunca se fez tão necessário.

O evento foi realizado pela Fundação do Meio Ambiente de Nova Veneza (SC) em decorrência da “Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021-2030)” que tem como objetivo inspirar toda a sociedade ao redor do mundo em prol da restauração. 

Miriam Prochnow, co-fundadora da Apremavi, abriu o evento com a palestra intitulada “A Década da Restauração de Ecossistemas”. No final da apresentação, Edegold Schäffer, coordenador do Viveiro Jardim das Florestas da Apremavi falou sobre o trabalho realizado no Viveiro.

Apremavi colabora para agenda da Década da Restauração em Nova Veneza (SC). Foto: Taís Fontanive

Palestra da Apremavi na abertura do seminário “Década da Restauração de Ecossistemas: o que estamos fazendo?” em Nova Veneza (SC). Foto: Taís Fontanive

Além das apresentações, a equipe da Apremavi exibiu em um estande os materiais elaborados pela instituição e realizou a doação de mudas, oportunizando assim vários momentos de troca de informações sobre restauração, produção e comercialização de mudas e divulgação do Programa de Estágios oferecido pela instituição.

 

Apremavi colabora para agenda da Década da Restauração em Nova Veneza (SC). Foto: Miriam Prochnow

Equipe da Apremavi apresentando o trabalho da instituição em um estande no evento. Foto: Miriam Prochnow

Já no segundo dia do evento, a Apremavi participou de uma ação prática onde colaborou com informações sobre como fazer o plantio de mudas nativas e sua manutenção para obtenção de um bom resultado. 

A equipe também teve a oportunidade de visitar a Reserva Biológica Estadual (REBIO) do Aguaí, a Reserva São Francisco e a sede e museu do Instituto Felinos do Aguaí. A REBIO Aguaí inclusive estava de aniversário, completou 40 anos no dia 01 de julho e é muito importante para toda a região. De suas florestas e escarpas fluem as águas que formam a Represa de São Bento, que abastece vários municípios. Importante lembrar que um dos objetivos de se restaurar ecossistemas é o de conservar os recursos hídricos.

Foi também um momento muito rico para realizar intercâmbio com diversas instituições que trabalham em prol do meio ambiente na região, como o Instituto Alouatta, Instituto Reflorar, Sicoob Credisulca com o programa Amigos da Mata, do Agro e da Biodiversidade (AmaBio), Herbário CRI da Unesc, Parque Natural Municipal Xokleng e o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC).

Edegold Schaffer ressalta a importância do evento para a região: “O seminário foi o primeiro evento realizado no município com foco na participação de órgãos ambientais, entidades e instituições que trabalham em prol do meio ambiente na região sul de Santa Catarina. A Apremavi foi destaque no evento e assumiu  protagonismo onde várias pessoas que visitaram o estande da instituição se interessaram pelo trabalho desenvolvido”.

 

Plantio de mudas. Foto: Taís Fontanive

Atividade de plantio de mudas, visita a Reserva Biológica Estadual (REBIO) do Aguaí,  Parque Natural Municipal Xokleng, Reserva São Francisco e a sede e museu do Instituto Felinos do Aguaí. Fotos: Miriam Prochnow, Taís Fontanive e Edegold Schäffer

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autoras: Miriam Prochnow, Taís Fontanive e Thamara Santos de Almeida.
Foto da capa: estande da Apremavi no seminário “Década da Restauração de Ecossistemas: o que estamos fazendo?” de Nova Veneza (SC), por Miriam Prochnow.

Apremavi em sala de aula: educação ambiental e restauração em debate

Apremavi em sala de aula: educação ambiental e restauração em debate

Apremavi em sala de aula: educação ambiental e restauração em debate

A educação ambiental tem um papel importante em todas as etapas do ensino. Por meio dela os estudantes são encorajados a refletir sobre problemas ambientais e suas causas, identificar formas de reduzir seu impacto ambiental e promover mudanças positivas nos mais diversos níveis.

Na educação infantil as crianças podem ser protagonistas de atividades lúdicas e interativas. Já no ensino fundamental, principalmente nos anos finais, ações de pesquisa e discussões que visam incentivar o pensamento crítico e a ação coletiva são práticas sugeridas. Em todas as fases do ensino e da vida, a sensibilidade e o sentimento de responsabilidade pela proteção da Natureza devem estar presentes. 

Desde a sua fundação, há 36 anos, a Apremavi apoia e promove ações de Educação Ambiental, tanto participando de ações pontuais em escolas quanto em espaços não formais de ensino. Confira algumas das últimas ações realizadas em escolas:

 

Passo a passo da produção de mudas na Educação Infantil 

No dia 13 de junho a CEI Montão de Carinho, localizada em Atalanta (SC) recebeu a visita da Apremavi para uma ação de educação ambiental. O objetivo foi apresentar para as crianças o passo a passo da produção de mudas que ocorre no Viveiro Jardim das Florestas da Apremavi. Além disso, foi apresentado como cada um pode contribuir para o cuidado das árvores e da natureza. 

A atividade foi conduzida pela Técnica Ambiental da Apremavi, Daiana Tânia Barth, que conquistou a atenção das crianças envolvendo-as no processo de semeadura e repicagem das mudinhas. No total, 60 crianças participaram da ação.

Em relação à oportunidade de ministrar a atividade, Daiana relata: “Pude mostrar como é produzida uma muda de árvore e o que ela representa para a qualidade de vida das pessoas e da biodiversidade e como isso é precioso. As crianças serão nossos futuros representantes e que sejam melhores e mais responsáveis ambientalmente”.

Apremavi em sala de aula: educação ambiental e restauração em debate. Foto: Maíra Ratuchinski

Daiana Tânia Barth, Técnica Ambiental da Apremavi,explicando como são produzidas as mudas, desde a semeadura até a repicagem nas embalagens Ellepot. Foto: Maíra Ratuchinski

Restauração e recursos hídricos no Ensino Fundamental

Já no dia 29 de junho a Apremavi, a convite do Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi), ministrou uma palestra na EEB Maria Regina de Oliveira, em Agronômica (SC). O objetivo foi apresentar o trabalho da instituição na recuperação, proteção e restauração de nascentes no Alto Vale do Itajaí. 

A palestra foi ministrada por Leandro Casanova, Coordenador de Projetos da Apremavi. Participaram da atividade aproximadamente 60 pessoas, entre alunos, pais e responsáveis.

A ação se soma ao projeto “Recursos Hídricos e Consciência Ambiental: o despertar para o hoje” que realiza um diagnóstico do processo de captação, uso e potabilidade da água consumida pelas famílias dos estudantes do ensino fundamental da cidade. O projeto é executado pela Unidavi com os alunos do sexto ao nono ano da escola. O propósito é desenvolver ações de educação ambiental por meio de metodologias ativas e incentivar o cuidado e a recuperação de nascentes e dos recursos hídricos. 

 

Apremavi em sala de aula: educação ambiental e restauração em debate. Foto: Luciana Patricia Rosa Dias

Leandro Casanova apresentando o trabalho da Apremavi com foco na região do Alto Vale do Itajaí. Créditos: Luciana Patricia Rosa Dias

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autores: Daiana Tânia Barth, Leandro Casanova, Robson Carlos Avi e Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto

Apremavi é homenageada por Lages (SC) no mês do Meio Ambiente

Apremavi é homenageada por Lages (SC) no mês do Meio Ambiente

Apremavi é homenageada por Lages (SC) no mês do Meio Ambiente

Na última quinta (29/06), a Apremavi recebeu da Prefeitura de Lages, por meio da Secretaria de Serviços Públicos e Meio Ambiente, uma homenagem pela parceria de 10 anos no mês do Meio Ambiente.

A décima edição do Mês do Meio Ambiente de Lages (SC) foi marcada por um evento de encerramento que homenageou instituições parceiras na realização de atividades alusivas ao tema e na conscientização da população ao longo desses anos, dentre elas, a Apremavi. Essa homenagem reconhece e valoriza o compromisso da entidade em prol do meio ambiente.

“É fundamental o engajamento das entidades, fortalecendo parcerias como essa, com a participação da sociedade civil, poder públicos e empresas privadas para validar as ações de uso consciente e equilibrado dos recursos naturais e também propor discussões acerca da conservação de áreas prioritárias no município de Lages”, comenta Tatiana Arruda Correia, Coordenadora de Projetos da Apremavi, sobre a parceria entre a importância da parceria.

A solenidade ocorreu no auditório do Órion Parque e todos os representantes receberam medalhas e, ao final das homenagens, foram distribuídas mudas de árvores nativas a todos os presentes. Ao todo, 26 instituições, entre públicas e privadas, foram homenageadas. Neste ano as atividades iniciaram no dia 1º de junho com plantio de árvores nativas, no Quartel da Polícia Militar Ambiental (PMA), com participação de um grupo de protetores ambientais. 

O Secretário Municipal de Serviços Públicos e Meio Ambiente, Jean Felipe de Souza, comentou sobre a importância do mês: “Junho em Lages é especial por ocasião das atividades de Educação Ambiental desenvolvidas em praças, escolas, universidades, atingindo diversos públicos com oficinas e palestras”.

Autora: Tatiana Arruda Correia.
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer.

Saúde única: a conservação, a restauração e o monitoramento podem prevenir doenças

Saúde única: a conservação, a restauração e o monitoramento podem prevenir doenças

Saúde única: a conservação, a restauração e o monitoramento podem prevenir doenças

As zoonoses (doenças infecciosas transmitidas entre animais silvestres e/ou domésticos e humanos) estão intimamente relacionadas com os impactos ambientais, como o desmatamento, urbanização, caça de animais silvestres, mudanças climáticas, dentre outros. Isso ocorre porque quando os ambientes naturais sofrem perturbações antrópicas a biodiversidade diminui, restando apenas espécies generalistas e oportunistas.

A redução da biodiversidade, mudanças nas relações ecológicas e “encontros” entre espécies que não possuem contato promovem condições para a transmissão e aumento da presença de agentes infecciosos (microorganismos responsáveis por causar doenças infecciosas), como vírus, bactérias, protozoários e fungos. Dessa forma, quando protegermos a diversidade biológica e restauramos os ecossistemas também estamos prevenindo o surgimento de novas doenças e também daquelas já conhecidas, como a febre amarela. 

Precisamos enfrentar as zoonoses por meio da Saúde Única (do inglês One Health). Essa abordagem visa integrar e reconhecer a interconexão entre a saúde humana, a saúde animal e a saúde dos ecossistemas. Destacando assim que a saúde humana, animal e ambiental estão intrinsecamente ligadas e que a promoção e proteção da saúde em todas essas esferas: somos uma só saúde.

A saúde única postula que os problemas complexos dessa interação humana-animal-ambiental são resolvidos da melhor forma quando diversos setores da sociedade se organizam, se comunicam e cooperam de forma multidisciplinar, tanto a nível local quanto global.

Eixos que integram a saúde única Crédito: Aliança pela Restauração na Amazônia.

Eixos que integram a saúde única: Crédito: Aliança pela Restauração na Amazônia.

Precisamos agir antes que uma nova emergência aconteça

O monitoramento da biodiversidade é fundamental, não só para a conservação das espécies, mas também para a prevenção e controle das zoonoses. O monitoramento pode ser feito pela participação de todas as pessoas, não só por instituições de pesquisa, mas também por Organizações da Sociedade Civil, produtores rurais, professores, estudantes, dentre outros. 

Pensando nisso, a Plataforma de Biodiversidade e Saúde Silvestre da Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), desenvolveu o Sistema de Informação em Saúde Silvestre, que conta com um aplicativo para celular e a plataforma web. Qualquer pessoa pode participar do monitoramento de animais silvestres e contribuir assim para o alerta de doenças nos animais, antes que acometam as pessoas. O SISS-Geo permite a inclusão de registros de animais vivos, mortos ou doentes, georreferenciados e com fotografias, condições da saúde do animal, identificação da espécie, impactos ambientais, dentre outras informações. 

A utilização do app por toda a sociedade permite um monitoramento dos animais em tempo real, e principalmente, em áreas remotas onde eles dificilmente seriam monitorados de outra forma. Por meio desses dados, alertas são gerados instantaneamente para os órgãos competentes, tanto a nível municipal, quanto estadual e federal. Além disso, os pesquisadores conseguem identificar mudanças em doenças conhecidas e até mesmo prever áreas onde tem mais possibilidade delas ocorrerem.

> Conheça e registre animais silvestres no SISS-Geo 

 

Gripe Aviária, recomendações e a importância do monitoramento

Em maio, a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1) foi registrada pela primeira vez no Brasil. O que fez com que o MAPA declarasse um estado de emergência zoosanitária. O vírus é suscetível a maioria das aves domésticas e silvestres, especialmente as aquáticas. Atualmente, o Brasil registra 53 casos positivos para o vírus, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Os vírus de influenza tipo A apresentam alta capacidade de adaptação a novos hospedeiros, a possibilidade de transmissão desses vírus entre os seres humanos pode representar um alto risco para a população mundial. Até o momento, não temos transmissão entre humanos, mas isso pode mudar cada vez que o vírus encontra novas oportunidades.

O primeiro caso da doença foi confirmado no litoral catarinense em 27/06, no município de São Francisco do Sul em uma ave silvestre da espécie Trinta-Réis-Real (Thalesseus maximus), e foi detectado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).

 

Confira algumas recomendações:

∙ Não se aproxime nem toque em aves ou outros animais silvestres;

∙ Não manuseie ou entre em contato com animais aparentemente doentes ou mortos;

∙ Comunique os órgãos competentes: em caso de aves de qualquer espécie apresentando sinais clínicos de Influenza Aviária (sinais respiratórios, neurológicos, tais como dificuldade respiratória, andar cambaleante, torcicolo ou girando em seu próprio eixo, ou mortalidade alta e súbita) entre em contato com o CIDASC em SC através de qualquer Unidade Veterinária Local ou pelo 0800 643 9300 e notifique no MAPA

∙ Registre aves vivas, mortas ou doentes no SISS-Geo: apesar de muitos casos já terem sidos confirmados ao longo do Brasil, a maioria dos casos de morte de aves não tiveram uma suspeita confirmada para a Influenza, as aves estão morrendo de alguma outra doença ou causa que ainda não foi investigada e/ou identificada. Portanto, esse monitoramento de animais silvestres contínuo é fundamental.

 

Referências e indicações de leitura:

Cartilha “Saúde Única: O papel da restauração florestal para garantir saúde humana, animal e ambiental na Amazônia” da Aliança pela Restauração na Amazônia da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE)

Glossário de Biossegurança da Fundação Oswaldo Cruz

Guia “Biodiversidade faz bem à Saúde” da Fundação Oswaldo Cruz

Artigo “Socioecological vulnerability and the risk of zoonotic disease emergence in Brazil” publicado na revista SCIENCE ADVANCES 

∙ Policy Brief “Saúde Silvestre: reduzindo o reduzindo o risco zoonótico e promovendo a saúde única” do Projeto Redes Socioecológicas do SinBiose do CNPq

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.

Direito à diversidade: uma luta de todos e para todos

Direito à diversidade: uma luta de todos e para todos

Direito à diversidade: uma luta de todos e para todos

O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ (28/06) marca a luta pelo fim da discriminação, preconceito e violência contra essa parcela da população e fortalece a defesa da diversidade, buscando a representatividade, o respeito e os direitos para todos que compõem a comunidade e fazem parte dessa luta.

A diversidade faz parte da essência da natureza humana desde os primórdios; vivemos em sociedade e são plurais as culturas, origens, histórias, etnias, idiomas, raças, orientações sexuais e crenças. O respeito à essa pluralidade é o pressuposto de sociedades democráticas e está presente também na Carta de Princípios da Apremavi:

“Respeitar e valorizar as diferenças individuais (de origem, nacionalidade, gênero, cor/ raça, religião, étnicas, sociais, culturais, etárias, físicas e de orientação sexual)”.

O respeito à diversidade é subterfúgio na defesa da biodiversidade. A Apremavi acredita em um futuro onde seres humanos vivem em harmonia entre si e com a natureza e isso só é possível quando há acolhimento e aceitação de todas identidades, quando toda forma de amar e ser é soma e não exclusão.

 

Diversidade sexual e o desafio da luta pelo direito de existir

A diversidade sexual é formada por uma múltipla combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais e é basicamente composta por quatro elementos: identidade de gênero, orientação sexual, sexo biológico e expressão de gênero.

Entenda mais sobre o assunto coma ilustração elaborada para a cartilha Paisagens florestais e o protagonismo das mulheres do Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina do Diálogo Florestal publicada no ano passado.

 

Ilustração sobre diversidade sexual elaborada para a cartilha Paisagens florestais e o protagonismo das Mulheres

Ilustração elaborada para a cartilha Paisagens florestais e o Protagonismo das Mulheres.

Dentro dessa perspectiva, o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ é um chamado para honrar e fortalecer a luta pelo direito à ser diverso. Sobretudo quando os direitos dessa parcela da população vêm enfrentando retrocessos nas esferas jurídica e legislativa e a violência segue com dados alarmantes.

O Dossiê de Mortes e Violências contra LGBTI+ no Brasil, publicado pelo Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+, denuncia que durante o ano de 2022 ocorreram 273 mortes de forma violenta no país. Isso significa dizer que o Brasil assassinou uma pessoa LGBTQIA+ a cada 32 horas em 2022.  Dados de 2023 já apontam 80 mortes.

Além de serem vulneráveis à violências e negativas de Direitos Fundamentais, como a própria vida, o preconceito é generalizado contra a comunidade. Cabe a toda a sociedade a luta para reverter essa situação. O Dossiê aponta algumas soluções para combate à LGBTFOBIA:

    • Voto com consciência: escolher candidatos e acompanhar o trabalho de políticos que defendem as causas da comunidade e incluem em seus projetos e planos de governo pautas de defesa e garantia dos direitos.
    • Denúncias e políticas públicas: usar canais municipais, estaduais e federais que recebem denúncias, além de procurar conselhos de Direitos Humanos para relato de vivências, ajuda na quantificação e qualificação dos dados para um melhor planejamento e execução de políticas públicas. Use: Disque 100, Aplicativo Rugido, Canal do Observatório.
    • Apoio à figuras públicas: seguir e acompanhar o trabalho de ícones da comunidade LGBTQ+, como Rita von Hunty, Liniker, Linn da Quebrada,Louie Ponto, dentre outras pessoas, ajuda a promover a luta e a causa.

 

Reino animal multidiverso e sem preconceito

No reino animal a diversidade sexual é natural e vem sendo documentada em diversas espécies, incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios e até mesmo peixes. 

Conheça alguns exemplos:

  • Bonobo (Pan paniscus): espécie totalmente bissexual, ou seja, tanto machos como fêmeas se envolvem em comportamentos heterossexuais e homossexuais, geralmente para além da função reprodutiva, mas para alívio da tensão, além de possuirem uma sociedade matriarcal.
  • Boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis humboldtiaba): os golfinhos mostram uma variedade de comportamentos sexuais, incluindo atividade homossexual. Eles podem formar relações sexuais de curto prazo ou de longo prazo com parceiros do mesmo sexo e muitas vezes não-reprodutivo.
  • Pinguim-rei (Apenodytes patagonicus): muitas espécies de pinguins, como os pinguins-imperadores, exibem comportamento homossexual e até mesmo formando casais e adotando filhotes abandonados.
  • Albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis): não se trata de animais inerentemente homossexuais, mas há vestígio no bando da existência de casais formados por duas fêmeas sem parentesco entre si. E mais: elas cuidam de filhotes cujos pais são machos que já estão em um ‘casamento estável’ com outra fêmea, mas ‘pulam a cerca’ para acasalar com uma ou ambas as fêmeas do casal de mesmo sexo.

 

Referências:

De Waal, F. B. M. (1995). Bonobo sex and society. Scientific American. March, (272), 50.

Pincemy, G., Dobson, F. S., & Jouventin, P. (2010). Homosexual mating displays in penguins. Ethology, 116(12), 1210-1216.

Sylvestre, J. P. (1985). Some observations on behaviour of two Orinoco dolphins (Inia geoffrensis humboltiana Pilleri and Gihr 1977) in captivity at Duisburg Zoo. Aquatic mammals, 11(2), 58-65.

Zuk, M., & Bailey, N. W. (2008). Birds gone wild: same-sex parenting in albatross. Trends in ecology & evolution, 23(12), 658-660.

 

Autoras: Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida

MMA retoma atuação para a proteção da Biodiversidade

MMA retoma atuação para a proteção da Biodiversidade

MMA retoma atuação para a proteção da Biodiversidade

No Dia Internacional da Biodiversidade (22/05) o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou algumas novidades no âmbito da biodiversidade: o 6º Relatório Nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Consulta Pública para atualização da Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB).

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) é um tratado internacional que foi adotado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada em 1992, no Rio de Janeiro. A CDB configura um dos mais importantes instrumentos internacionais relacionados ao meio ambiente e representa um marco para a conservação da diversidade biológica. Ainda, reconhece a importância do conhecimento tradicional das comunidades indígenas e locais e incentiva a sua participação nos processos de tomada de decisão relacionados à biodiversidade.

Os países signatários se comprometeram a implementar medidas que conservem a biodiversidade e a promover o desenvolvimento sustentável e apoiar ações em nível global como o Brasil, por meio do Decreto nº 2.519 de 16 de março de 1998, que promulgou a adesão do Brasil ao compromisso e, por conseguinte, o dever do Estado Brasileiro em promover as medidas estabelecidas nos 42 artigos da Convenção. 

Em 2010, durante a Décima Conferência das Partes (COP-10) no Japão, foi estabelecido o Plano Estratégico para Biodiversidade 2011-2020, que contempla um conjunto de 20 metas globais – Metas de Aichi – que deveriam ser alcançadas até 2020. Assim, o Brasil tem o compromisso global de apresentar os avanços no cumprimento das metas propostas, que partem de cinco grandes objetivos:

(A) abordar as causas da perda de biodiversidade por meio de programas de conscientização;
(B) reduzir as pressões diretas sobre a biodiversidade e promover o uso sustentável;
(C) melhorar a situação da biodiversidade, através da salvaguarda de ecossistemas, espécies e diversidade genética;
(D) aumentar os benefícios de biodiversidade e serviços ecossistêmicos para todos; e
(E) aumentar a implantação, por meio de planejamento participativo, da gestão de conhecimento e capacitação.

> Saiba mais no site do OECO Jornalismo Ambiental

 

6º Relatório Nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica 

O 6º Relatório Nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), lançado recentemente, teve como objetivo fornecer diagnóstico sobre a proteção da biodiversidade no país em relação às metas nacionais Biodiversidade e as 20 Metas da Biodiversidade de Aichi. Além disso, também foi analisada a contribuição dos povos indígenas e dos povos e comunidades tradicionais para a consecução das Metas de Aichi. 

A publicação teve a participação de 100 instituições e reuniu informações entre os anos 2014 a 2018. Uma versão resumida foi apresentada à CDB em 2019, mas o governo Bolsonaro optou por manter o relatório engavetado por 4 anos.

 

Progresso insuficiente da meta relacionada com a restauração 

Destaca-se a avaliação da meta nacional 14 relacionada com a restauração, que apontam um progresso insuficiente, descrevendo que: “Até 2020, ecossistemas provedores de serviços essenciais, inclusive serviços relativos à água e que contribuem à saúde, meios de vida e bem-estar, terão sido restaurados e preservados, levando em conta as necessidades das mulheres, povos e comunidades tradicionais, povos indígenas e comunidades locais, e de pobres e vulneráveis”.

Apesar de ter ocorrido um aumento de mais de 300% no número de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) entre 2015 e 2018, essa é apenas a primeira etapa prevista para o cumprimento do Código Florestal. Segundo a publicação, ainda não houve um avanço na análise dos dados autodeclarados pelos proprietários por parte dos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente. 

Os proprietários que tiverem um passivo ambiental identificado precisam aderir ao Programa de Regularização Ambiental – PRA do estado para que estejam legalmente vinculados ao compromisso de promover a recuperação em suas áreas. Também foi diagnosticado a necessidade de restauração de 10,1 milhões de hectares degradados de APP hídrica na Mata Atlântica e no Cerrado com prioridade para garantir a segurança hídrica.

Dessa forma, o relatório aponta que depois desse ciclo de análise será possível avaliar o passivo ambiental que fará o direcionamento das ações de recuperação, por ora, é possível observar apenas o interesse dos proprietários em buscarem a adequação ambiental da sua propriedade, as ações práticas ainda estão limitadas. 

É preciso também avançar na demarcação de terras dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, ferramentas importantes para a conservação da biodiversidade e dos recursos biológicos e etnoecológicos. Por fim, a avaliação destacou a importância do cumprimento do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG), que estima recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.

Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo da Mata Atlântica e Cerrado que possuem um passivo ambiental, ou seja, precisam ser restauradas. Créditos: MMA.

Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo da Mata Atlântica e Cerrado que possuem um passivo ambiental, ou seja, precisam ser restauradas. Créditos: MMA.

Perspectivas

Segundo a publicação, a perspectiva é que Brasil inicie os esforços de atualização 7° Relatório Nacional, que compreende o período de 2019 a 2022, já no ano que vem, pois segundo a Décima Quinta Conferência das Partes, realizada em 2022, os países signatários têm até janeiro de 2026 para submeterem esse novo documento.

“O Brasil se destacou, no período, por ter alcançado de forma quase integral 50% das Metas de Aichi (…) Apesar do reduzido apoio governamental nos últimos anos, agora o Brasil está retomando o seu compromisso com o desenvolvimento e a implementação de políticas e soluções para integrar a conservação e o uso sustentável dos recursos biológicos em estratégias de desenvolvimento sustentável”, comenta Marina Silva, atual Ministra do Ministério do Meio Ambiente e das Mudanças do Clima, no prefácio do relatório.

> Confira o documento na Íntegra

 

6º Relatório Nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB)
 
Consulta pública para a  atualização da Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB)

A Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade – EPANB é uma ferramenta de gestão integrada que possui um papel crucial na promoção da conservação da biodiversidade em nível nacional, ajudando os países a cumprir seus compromissos internacionais no âmbito da CDB.

Ela é também um instrumento que cumpre a Meta 17 de Aichi, por ser um instrumento de monitoramento do progresso das ações brasileiras que constam de seu Plano de Ação para a Biodiversidade.

> Confira o documento na íntegra

Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade – EPANB

 

Em 2016, o Brasil consolidou essas estratégias e entregou para a CDB a primeira versão deste documento, contendo seu plano de ação, prioritariamente, informações, ações e projetos sob a coordenação da Secretaria de Biodiversidade do MMA. Ao todo, foram sistematizadas 721 ações distribuídas entre as 20 Metas Nacionais de Biodiversidade.

Um vídeo produzido pelo Ministério sobre a  Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade está disponível no YouTube. Confira: 

 

 

Com o objetivo de atualizar a EPANB com o novo Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, adotado em dezembro de 2022 durante a 15ª Conferência das Partes (COP-15) da CDB a Secretaria de Biodiversidade, Florestas e Direitos dos Animais MMA abriu uma consulta pública na plataforma Participa + Brasil, onde todos os cidadãos podem contribuir para o processo  decisório.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto.

SinBiose do CNPq lança recomendações para tomadores de decisão na área ambiental

SinBiose do CNPq lança recomendações para tomadores de decisão na área ambiental

SinBiose do CNPq lança recomendações para tomadores de decisão na área ambiental

Órgão de pesquisa vinculado ao MCTI lança sete publicações para apoiar tomadores de decisão

O centro de Síntese em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (SinBiose) é uma iniciativa pioneira do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vinculado ao Ministério da Ciência Tecnologia e Inovações (MCTI) que busca integrar informações e gerar conhecimento científico novo e relevante sobre a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.

Na última quinta (15/06), o SinBiose lançou seu primeiro conjunto de “Policy Briefs”, que são produtos voltados à tomadores de decisão com potencial de contribuição no âmbito das políticas públicas.

O lançamento ocorreu em Brasília, mas teve uma transmissão on-line, que contou com mesa-redonda com participação de representantes de quatro Ministérios (MCTI, MMA, MAPA e Saúde) e os Presidentes do IBAMA e do ICMBio. 

“O maior desafio é estancar esse processo de perda de biodiversidade e perda de habitat; só no ano passado perdemos dois milhões de hectares, somando só a Amazônia e o Cerrado“, comenta Rodrigo Agostinho, advogado, biólogo, ambientalista e atual presidente do IBAMA na abertura do evento.

 

Saiba mais sobre os Policy Briefs

No total, sete documentos na área de gestão costeira, da gestão de florestas, do uso e ocupação do solo, na identificação de lacunas de conhecimento, no manejo agrícola e na predição de zoonoses no país foram lançados. Destacamos aqui o Policy Briefs relacionado a restauração ecológica

 

Quando a regeneração natural é uma solução eficaz para restaurar a floresta?

A publicação, conduzida pelo projeto REGENERA, apresenta a regeneração natural como uma solução baseada na natureza, de baixo custo, os casos em que ela vale a pena e como monitorar a integridade ecológica da área restaurada a partir de uma área de referência. Para isso, são definidos os conceitos de regeneração natural, sucessão ecológica, serviços ecossistêmicos e indicadores ecológicos.

No final, são apresentadas as seguintes recomendações: 

  • Utilizar a regeneração natural como método para recomposição da vegetação nativa apenas em áreas que tiveram baixa intensidade de uso da terra e/ou que estejam próximas a fragmentos florestais;
  • Incentivar o uso da regeneração natural em processos de regularização ambiental, restauração ecológica em unidades de conservação e outros contextos onde a degradação ambiental tenha sido mínima;
  •  Definir na legislação federal, estadual e municipal o uso de indicadores ecológicos de fácil mensuração para monitorar o desenvolvimento das florestas em regeneração natural e identificar se as áreas estão se desenvolvendo com alta integridade ecológica ou se há necessidade de manejo;
  • Aprimorar a definição dos conceitos relacionados à regeneração natural e seus indicadores ecológicos no Plano Nacional de Vegetação Nativa. Esses indicadores devem ser sensíveis às medidas de integridade ecológica e aplicáveis à regeneração natural e não apenas a plantios de mudas;
  • Fortalecer a discussão sobre o uso da regeneração natural para restauração de florestas na Comissão-Executiva para Controle do Desmatamento Ilegal e Recuperação da Vegetação Nativa (Conaveg), incluindo mecanismos para o monitoramento da integridadedos processos de regeneração natural em grandes áreas públicas.

 

SinBiose

O SinBiose é uma iniciativa pioneira de Centro de Síntese no Brasil e na América Latina, conduzida com a experiência do CNPq. Ele é resultado de um processo cuidadoso de planejamento, que envolveu pesquisa, visitas técnicas e consulta à comunidade científica e diversas instituições das áreas de pesquisa e gestão ambiental.

Em 2019, o SinBiose foi implantado como programa de pesquisa do CNPq e conta com apoio do MCTI, da Capes e das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa.

O SinBiose preencheu uma lacuna importante no ecossistema de pesquisa e inovação brasileiro, inaugurando um modelo brasileiro para uma pesquisa de síntese conectada com as grandes questões ambientais e seus reflexos na sociedade. A proposta de trabalho do Centro envolve utilizar informações disponíveis em grandes bases de dados para avançar no entendimento de questões complexas e propor soluções inovadoras a partir do diálogo entre a ciência e a gestão.

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do CNPq
Revisão: Carolina Schäffer.

Apremavi apoia criação de Rede de Sementes em Abelardo Luz (SC)

Apremavi apoia criação de Rede de Sementes em Abelardo Luz (SC)

Apremavi apoia criação de Rede de Sementes em Abelardo Luz (SC)

Mobilizar e capacitar agricultores familiares de Abelardo Luz (SC) para a coleta e beneficiamento de sementes florestais nativas é uma forma de conectar experiências a fim de potencializar os  resultados em prol da restauração e conservação da Mata Atlântica. Foi com esse intuito que surgiu a primeira Rede de Sementes da região – apoiada pela Apremavi. 

O primeiro encontro de mobilização dos agricultores dos Assentamentos da Reforma Agrária para criação da rede ocorreu no dia 13/04 na Escola Paulo Freire no Projeto de Assentamento (PA) José Maria, em Abelardo Luz. A reunião contou com a participação de nove agricultores, onde a Apremavi apresentou a ideia de formação da rede, que parte das demandas da cadeia da restauração e das atuais dificuldades na coleta de sementes enfrentadas em todo estado. 

Além de conservar a variabilidade genética das espécies locais e valorizar o conhecimento da comunidade sobre as espécies nativas, a rede ainda permitirá a remuneração pelas sementes coletadas como forma de complemento na renda dos agricultores. Ainda, no momento da reunião foi lançado o primeiro desafio aos coletores: a coleta de sementes de Araucária – o pinhão. 

A entrega do pinhão coletado foi realizada em dois momentos, nos meses de maio e junho, totalizando 140kgs de pinhão para a produção de mudas de araucária no Viveiro Jardim das Florestas. Ao final do inverno, prevê-se a capacitação dos agricultores para coleta e ampliação da variedade de sementes coletadas. Sobre a participação na rede, o morador do PA José Maria, Matheus dos Santos, indica que “é uma experiência ótima, pois além de contribuir com a natureza na produção de novas plantas também gera renda e conhecimento para as famílias participantes”.

As sementes coletadas servirão para fomentar a produção de mudas no Viveiro Jardim das Florestas para o Projeto +Floresta e outros projetos executados pela Apremavi. Além disso, poderão no futuro oportunizar outras técnicas de restauração, como a muvuca de sementes. Nesse contexto, a equipe da Apremavi também tem se aperfeiçoado para apoiar a rede de sementes e usar novas técnicas em seus projetos de restauração.

Edilaine Dick, coordenadora do projeto + Floresta destaca que “a rede de sementes ainda está na fase embrionária, e muitos serão os desafios que precisarão ser superados, mas com certeza, será uma oportunidade de aprendizado para a Apremavi e para os coletadores”. Em relação a parceria com os coletadores, Edilaine ainda comenta “é uma parceria que dará certo e oportunizará a troca de conhecimento, envolvimento da comunidade e conservação das florestas”. 

Primeiro encontro da criação da Rede de Sementes em Abelardo Luz (SC). Foto: Vanderson de Oliveira

Primeiro encontro da criação da Rede de Sementes em Abelardo Luz (SC). Foto: Vanderson Silva

Apremavi participa do II Encontro Anual do Redário

Com o objetivo de conhecer outras iniciativas de rede de sementes, a Coordenadora de Projetos da Apremavi, Marluci Pozzan, participou do II Encontro Anual do Redário. O evento ocorreu na Aldeia Multiétnica, em Alto Paraíso de Goiás (GO), entre os dias 02 e 05 de junho de 2023. 

Marluci comenta sobre a experiência do evento: “Foi uma oportunidade enriquecedora de entender melhor o funcionamento das redes e do redário. Há muitas iniciativas de sucesso com redes de sementes de base comunitária em vários biomas brasileiros e a experiência desses grupos é muito bem-vinda para embasar a formação da rede em Abelardo Luz. Foram dias muito proveitosos de partilha de conhecimento”. 

O Redário (Rede de Redes de Sementes) atualmente conta com 22 redes de sementes nativas mapeadas em diversos estados brasileiros e realiza seu encontro anual para conectar as iniciativas e possibilitar o compartilhamento de experiências entre as redes. As ações do Redário são voltadas ao fortalecimento de redes e núcleos coletadores e acesso a mercado e recursos.

 

II Encontro Anual do Redário em Alto Paraíso de Goiás (GO). Foto: Claudia Alves de Araújo

II Encontro Anual do Redário em Alto Paraíso de Goiás (GO). Foto: Claudia Alves de Araújo

+Floresta

O +Floresta foi lançado para contribuir com a restauração da vegetação nativa na Floresta Ombrófila Mista, no Oeste de Santa Catarina, com o incremento de espécies vegetais ameaçadas de extinção como a araucária, a imbuia e o xaxim-bugio, ambas com histórico de intensa exploração no estado.

Será desenvolvido ao longo de oito anos, de 2022 a 2030, no município de Abelardo Luz (SC), sendo que as unidades de implantação estão localizadas nas Reservas Legais de sete Projetos de Assentamento (PAs) da Reforma Agrária – 13 de Novembro, Bela Vista, José Maria, Maria Silverstone, Recanto Olho D’Água, Roseli Nunes e Volta Grande, e em uma Área de Preservação Permanente da Terra Indígena – T.I. Toldo Imbu.

O projeto + Floresta é financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

 

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autoras: Marluci Pozzan e Edilaine Dick.
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer.
Foto da capa: II Encontro Anual do Redário em Alto Paraíso de Goiás (GO). Foto: Claudia Alves de Araújo

População vai às ruas contra desmonte socioambiental promovido pelo Congresso Nacional

População vai às ruas contra desmonte socioambiental promovido pelo Congresso Nacional

População vai às ruas contra desmonte socioambiental promovido pelo Congresso Nacional

Mobilizadores pedem fim à violência aos indígenas e ao desmonte de políticas socioambientais

Organizações e coletivos, povos originários e a população em geral realizam mobilizações em várias cidades do Brasil em protesto contra as recentes ameaças socioambientais aprovadas no Congresso Nacional. Em São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis os atos aconteceram no dia 18 de junho. Em Brasília o ato será no dia 21 e no Rio de Janeiro no dia 23.

O chamado contra o “desmonte socioambiental” e a decisão de ir para as ruas se deu a partir da aprovação da Medida Provisória (MP) 1.150, que impacta a restauração de florestas e abre brechas para mais desmatamento na Mata Atlântica, do relatório da MP 1.154 – que “esvazia” os Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e dos Povos Indígenas (MPI) –, e do Projeto de Lei (PL) 490, do Marco Temporal, que ameaça a demarcação de territórios indígenas. Há previsão de que mais mobilizações se espalhem por outras cidades do país.

Ato cívico na Avenida Paulista. Foto: Paulo Pinto Agência Brasil

Ato cívico na Avenida Paulista. Foto: Paulo Pinto Agência Brasil

Fique por dentro do que está acontecendo

MP 1.150 e emendas

No final de março, a Medida Provisória 1150, enviada pelo governo Bolsonaro, foi aprovada na Câmara dos Deputados. A MP, a princípio, alterava os prazos do Programa de Regularização Ambiental (PRA)* do Código Florestal e adiava, pela 6ª vez, o início da recuperação de áreas desmatadas ilegalmente há mais de 15 anos. Segundo dados do Boletim Informativo do Balanço do Código Florestal, o texto aprovado prorroga a restauração de 21 milhões de hectares de áreas desmatadas ilegalmente há mais de 15 anos, abrindo possibilidade para que a recuperação destas áreas nunca aconteça.

Para piorar, ao passar pela Câmara dos deputados, o texto aprovado flexibilizou ainda mais a proteção ambiental: abriu brechas para o desmatamento de 26 milhões de hectares da Mata Atlântica. Dados recentes divulgados pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), revelam que o bioma já perdeu mais de 20 mil campos de floresta no último ano, analisando fragmentos maiores que 3 hectares. Se considerada uma tecnologia mais avançada, que enxerga fragmentos menores (a partir de 0.5 hectares), a área desmatada foi de 75,1 mil hectares”.

O impacto da MP atingiu inclusive as cidades, sendo incluídas e aprovadas emendas que possibilitam o desmatamento em Áreas de Preservação Permanente (APPs) em beiras de rios nas cidades e que retiram a necessidade de zona de amortecimento nas Unidades de Conservação urbanas.

Quando foi para o Senado Federal, os jabutis foram impugnados e assim rejeitados. O adiamento da restauração florestal, entretanto, foi aprovado. Voltando para votação na Câmara, os parlamentares trouxeram de volta todos os jabutis. No começo de junho, na semana do meio ambiente, o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, vetou as ameaças à Mata Atlântica, às florestas de beira de rios e às Unidades de Conservação. Porém, o Congresso Nacional ainda pode derrubar o veto.

 

Relatório da MP 1.154

A MP 1.154 é a medida provisória, aprovada na primeira semana do Governo Lula, que reestruturou os ministérios para como são hoje. Com a nova estrutura, o Cadastro Ambiental Rural (CAR)*, que havia sido transferido para o Ministério da Agricultura e Pecuária no Governo anterior, voltou para atribuição do MMA. A medida também criou o Ministério dos Povos Indígenas.

O relatório da MP, porém, de autoria do Deputado Federal Isnaldo Bulhões Jr. (MBD-AL), alterou o texto base, “esvaziando” algumas atribuições que hoje são de responsabilidade dos Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e dos Povos Indígenas (MPI).

Do Ministério do Meio Ambiente foi transferida a gestão do CAR, ferramenta de monitoramento e fiscalização de desmatamento nos imóveis rurais de todo país, para o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos. 

A Agência Nacional de Águas (ANA), que faz a gestão dos mananciais de água do país, também foi retirada do Ministério do Meio Ambiente, sendo transferida para o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR). No governo Bolsonaro, a ANA esteve dentro deste ministério.

O novo texto retira, ainda, a responsabilidade de reconhecimento e demarcação de terras indígenas do MPI e a transfere para o Ministério da Justiça. A Ministra Sônia Guajajara criticou os retrocessos em andamento contra os povos indígenas. “Todo mundo lembra da campanha do presidente Lula que trouxe a pauta indígena para o centro de sua campanha eleitoral, assumindo o compromisso de retomar os processos de demarcação das terras indígenas. Foi nesta perspectiva que foi criado o Ministério dos Povos Indígenas. E agora nós vemos este Congresso promovendo um verdadeiro ataque a este ministério, num país que levou 523 anos para reconhecer a importância dos povos indígenas e menos de cinco meses para tentar nos calar e tutelar novamente”.

Em maio deste ano, 790 organizações assinaram um manifesto contra o “esvaziamento” dos ministérios, que solicita a correção de alguns pontos em relação às políticas socioambientais.

 

Marco Temporal

No mesmo período, a Câmara dos Deputados aprovou – por 283 votos a favor e 155 contra – o Projeto de Lei 490, conhecido como PL do Marco Temporal. A proposta defende uma tese que restringiria demarcações de Terras Indígenas (TIs) apenas às áreas em que comunidades originárias já vivessem ou disputassem até outubro de 1988. Porém, de acordo com Simone Nacif, porta-voz da Associação Juízas e Juízes para a Democracia (AJD) em entrevista ao jornal DW, o projeto votado ignora as injustiças históricas sofridas pelos povos indígenas, que foram expulsos de suas terras como parte da política de Estado, principalmente na Ditadura Militar. Após terem sido expulsos por séculos de perseguição, desde que o Brasil foi ocupado, estes povos também não tiveram a oportunidade de reivindicar formalmente o reconhecimento das suas terras. Além disso, os povos indígenas seguem ameaçados pela degradação ambiental e pela violência do garimpo, de empreendimentos imobiliários e da agropecuária.

Agora, o PL segue para votação no Senado Federal, sob o número 2903/2023.

A tese do Marco Temporal também está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). A votação foi retomada na última quarta-feira (07), mas foi suspensa após um pedido de vista do Ministro André Mendonça, tendo um prazo de até 90 dias para ser retomada a votação.

Além dessas, outras propostas legislativas avançam no Congresso, como o PL 1.282/2019. O projeto que ficou conhecido como “PL da Irrigação” altera o Código Florestal para permitir o desmatamento de florestas em beiras de rios para uso do agronegócio. Sob a justificativa de utilidade pública, potencializa a crise hídrica e o conflito pela água no país. 

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*O PRA é o maior programa de restauração ambiental do Brasil. O Programa de Regularização Ambiental é um conjunto de ações a serem desenvolvidas por proprietários e posseiros rurais com o objetivo de adequar e regularizar o imóvel que possui áreas desmatadas sem estar em conformidade com a Lei antes de 02 de julho de 2008. A regularização pode ser feita por meio da recuperação ou compensação de áreas de preservação permanente ou reservas legais. 

Com a alteração proposta, o prazo para se inscrever no CAR e acessar os benefícios do PRA, foram estendidos. O processo de adesão ao PRA não terá mais prazo determinado para acontecer, o que se dará somente após a análise do CAR, e um ano da convocação do produtor rural. 

* O CAR é um registro público eletrônico nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.

 

Autor: Ascom Observatório do Código Florestal
Foto de capa: Ato cívico em Florianópolis (SC), autor desconhecido

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