COP28 inicia a abordagem da principal causa das mudanças climáticas, porém com medidas insuficientes

COP28 inicia a abordagem da principal causa das mudanças climáticas, porém com medidas insuficientes

COP28 inicia a abordagem da principal causa das mudanças climáticas, porém com medidas insuficientes

Em tempos de crise climática, mais uma Conferência das Partes foi finalizada, com avanços na eliminação da principal causa das mudanças climáticas, mas ainda insuficientes. A Apremavi entrevistou uma das brasileiras que participou do evento para saber mais, confira.

A COP28 finalizou com a problemática dos combustíveis fósseis sendo encarada pela primeira vez desde 1994, quando a Convenção do Clima da ONU entrou em vigor. Os países participantes concordaram em realizar uma transição energética com uma redução gradual no uso de combustíveis fósseis. Também foram aprovados o Fundo de Perdas e Danos e o Objetivo Global de Adaptação, para tratar dos impactos da mudança do clima.

Contudo, os países optaram por não assumir um compromisso total com a eliminação completa desses combustíveis. A mensagem transmitida pela cúpula é encorajadora, representando a primeira vez que um acordo global aborda, mesmo que de forma superficial, a questão dos combustíveis fósseis. Esse movimento estabelece as bases para o desenvolvimento de ações setoriais ao longo do tempo. No entanto, de acordo com a comunidade científica, essa iniciativa não atende plenamente às exigências para limitar o aquecimento global a 1,5ºC, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris.

“Os países agora precisam decidir que verdade irá prevalecer: a do texto da COP ou a dos seus planos de explorar cada vez mais petróleo, carvão e gás”, comenta Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima

Para saber um pouco mais sobre os bastidores e sobre como foi essa COP a equipe da Apremavi entrevistou Cândida Schaedler, jovem brasileira, jornalista e voluntária da EmpoderaClima, que participou do evento, confira:

Cândida Schaedler na COP28.

Cândida Schaedler, jornalista e voluntária da EmpoderaClima, na COP28.

Como foi participar da tua primeira COP?

Foi uma experiência gigantesca, em muitos níveis. A COP tem uma dimensão enorme, porque decisões super importantes são tomadas a toda hora. Então, é uma mistura de sensações – que vai desde a gente se sentir muito pequeno e insignificante diante daquilo tudo, quanto a gente entender que faz, sim, diferença estar lá, sobretudo representando a sociedade civil brasileira. Nunca tinha estado num local em que o networking atingiu aquele nível. Participei de uma reunião da sociedade civil com a Marina Silva (Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima), conheci pessoalmente colegas com quem trabalho online há quase dois anos e do nada via passar do meu lado pessoas com atuação de alto nível, tipo Sonia Guajajara e Vanessa Nakate. Foi surreal. Boa parte da delegação da EmpoderaClima, da qual faço parte, também estava com a credencial do governo brasileiro, chamada de Party Overflow, então pude acompanhar até algumas negociações entre países – o que é incrível, porque apesar de ser uma discussão muito técnica em relação a metas, responsabilidades e nomenclaturas, é um aprendizado imensurável ver algo histórico se desenrolar à tua frente. Enfim, ir à COP é uma experiência transformadora, que confirmou a minha percepção de que o tema das mudanças climáticas virou, para o bem e para o mal, mainstream. Também reforçou a certeza de que somente com ações coletivas, em rede, integradas e sistêmicas que a gente vai conseguir endereçar esse desafio.

 

Na sua opinião, qual a importância dessas conferências?

A COP é fundamental no estabelecimento de uma governança global que olhe para a questão das mudanças climáticas como algo que tem responsabilidades e danos que não são compartilhados de maneira equitativa pelos países do Norte e do Sul Global. É muito potente ver os países signatários do sistema ONU sentados em volta de uma mesa de negociação discutindo como vão fazer para endereçar esse problema a partir do que foi firmado no Acordo de Paris, em 2015. A diplomacia é fundamental nessa construção, porque é dali que surgem compromissos compartilhados pelas nações. Se a mudança climática é global, a gente precisa de uma governança global para lidar com ela – não tem como fugir disso. No momento em que um país, que pode estar do outro lado do mundo, continua emitindo gases de efeito estufa, todos os outros países também sofrem as consequências. Estamos interconectados – e é preciso resolver as coisas assim. Portanto, vejo que a COP é esse espaço de discussão, advocacy, negociação, mas também de protesto, formação de redes e de parcerias em nível global. É claro que a ação que faz a diferença na ponta é, depois, levada às esferas nacional, estadual e local – mas uma coisa não exclui a outra.

 

Quais os principais avanços e lacunas dessa COP?

Essa COP foi histórica em muitos sentidos, mas não teve resultados unânimes. O Balanço Global (documento final que é divulgado com os resultados das negociações) firmou, pela primeira vez, uma transição para fora dos combustíveis fósseis (transition out), com prazo até 2050. Embora isso seja histórico – pela primeira vez os países falaram de parar de explorar combustíveis que enriqueceram e ainda enriquecem nações -, o resultado foi insuficiente por conta do prazo. Isso porque até 2050 não vai dar tempo de manter a meta de aquecimento médio global em 1,5 °C, como proposto no Acordo de Paris. 

Os ativistas estavam pedindo por “phase out”, ou seja, pela interrupção total e imediata da produção e exploração desses combustíveis, nos quais se incluem petróleo, carvão mineral e gás natural, grandes emissores de gases de efeito estufa. Ainda assim, também não se estabeleceu de que forma essa transição vai ocorrer, quais serão os mecanismos de financiamento, as responsabilidades compartilhadas (é o Norte Global que tem que puxar a frente, a própria Marina Silva falou isso)… Enfim, ficaram lacunas que serão discutidas novamente só em 2024, nas reuniões do SBs (Subsidiary Bodies), em Bonn, na Alemanha, e depois na COP29, que vai ser realizada no Azerbaijão (outro país petroleiro). A questão é que a janela para frear o aquecimento em 1,5 °C está se fechando, e as medidas apresentadas ainda não são suficientes para atingir essa meta.

Outro marco da COP28 foi o lançamento do fundo global de Perdas e Danos, algo muito esperado desde a COP anterior, no Egito. Esse fundo recebeu doações voluntárias de países como Japão, Emirados Árabes Unidos e Alemanha, somando US$ 420 milhões. Ele ficará hospedado no Banco Mundial e servirá para compensar as nações mais vulneráveis pelas perdas sofridas por conta das mudanças climáticas. Então é fundamental ficar atento a isso, porque no contexto do que vivemos no Brasil, com secas e enxurradas cada vez mais comuns, é uma fonte de financiamento possível para implementação de medidas de adaptação às comunidades afetadas.

Além disso, também acompanhei as questões de discussões relativas a sistemas alimentares e a gênero, pela EmpoderaClima – ambos os temas com poucos avanços substanciais.

 

Quais são os próximos passos?

Continuar cobrando ações, em todas as esferas – nacional, estadual e municipal. O que é decidido na COP fala de uma governança global que deve ser adotada em outros níveis, iniciando pela implementação de ações nacionais. Nesse sentido, é preciso continuar atuando em rede para que as metas do Acordo de Paris sejam cumpridas, para acessar o financiamento para adaptação, para implementar as medidas de mitigação e para que isso tudo seja feito de forma justa, com justiça climática – ou seja, entendendo que precisamos sempre pensar nas pessoas mais vulneráveis. Justiça climática é justiça social, então é sempre com isso em mente que a gente se movimenta. Na EmpoderaClima, por exemplo, nosso advocacy vai na linha de falar sobre equidade de gênero, pois meninas e jovens mulheres precisam ter acesso à educação e a oportunidades para liderar transformações na criação de um mundo sustentável e justo para todas as pessoas.

 

O que as pessoas podem fazer para contribuir no enfrentamento da emergência climática?

Essa é a pergunta de milhões, a mais importante que cada pessoa pode se fazer neste momento. Sou defensora de ações coletivas e políticas, porque é em rede e em comunidade que a gente ganha força. Claro que as ações individuais não podem nem devem ser menosprezadas – a regeneração começa no nível individual, com mudança de hábitos, autoconhecimento e reconexão com a natureza. No entanto, se engajar em coletivos, ONGs, movimentos, redes, coalizões, qualquer coisa nesse sentido tem uma força gigante. Diria para cada um ver o que move a si mesmo, o tema que tem como causa, e se engajar em torno dele com outras pessoas. Hoje, já vejo que não há mais tema que não seja perpassado pelas mudanças climáticas. Ele é, por si mesmo, transversal – tange gênero, alimentação, mobilidade, segurança pública, saneamento, moradia, cultura, educação etc. Tudo é clima, a gente precisa ter isso em mente e trabalhar com o que nos move.

 

Conte um pouco sobre você, seu trabalho e a organização que você representou na COP:

Sou jornalista, mestra em Comunicação, especialista em Relações Internacionais e defensora da reconexão das pessoas à natureza como a maior solução para a crise do clima. Fui à COP como parte da EmpoderaClima, organização na qual atuo como voluntária há quase dois anos. Na Empodera, sou atualmente assessora de imprensa e liderei a estratégia da organização como co-anfitriã jovem do Pavilhão de Sistemas Alimentares da COP28, onde pudemos trazer a discussão da equidade de gênero para dentro desse debate, pensando na educação de meninas e na representatividade feminina na agricultura, por exemplo. No Pavilhão, fomos selecionados ao lado de 12 organizações do mundo todo – e a única iniciativa brasileira. Nesta COP – que foi a quarta em que a Empodera participou -, estivemos com sete delegadas presentes.

A EmpoderaClima foi fundada em 2019, é liderada por jovens e tem o objetivo de trazer mais consciência sobre a desproporcionalidade dos efeitos das mudanças do clima sobre mulheres. Por isso, a organização atua para proporcionar acesso à educação climática a meninas e jovens mulheres por meio de uma base de dados multilíngue e por meio de projetos de educação climática com foco no Sul Global, intervenções de alto nível em eventos e advocacy em parceria com diversas instituições do mundo todo. Temos parcerias com instituições como UNGEI (Iniciativa da ONU para Educação de Meninas), Fundo Malala, Plan International, Global Landscapes Forum e Instituto Marielle Franco, por exemplo. 

 

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Observatório do Clima.
Revisão: Carolina Schäffer.
Foto de capa: Protesto de diversas ONGs durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas COP28 na Expo City Dubai em 11 de dezembro de 2023, em Dubai, Emirados Árabes Unidos ©️ COP28/Stuart Wilson

Conservador das Araucárias avança no monitoramento da área piloto

Conservador das Araucárias avança no monitoramento da área piloto

Conservador das Araucárias avança no monitoramento da área piloto

A primeira propriedade atendida e escolhida como área piloto pelo projeto Conservador das Araucárias é a Fazenda Santa Bárbara, localizada em Urubici na divisa com o Parque Nacional de São Joaquim, área de abrangência da Floresta com Araucárias. Ao todo, a propriedade possui 155 hectares, dos quais 52% eram cobertos por pastagens e usadas pelo gado até recentemente, segundo o proprietário.

As atividades de restauração foram iniciadas em fevereiro de 2022 e finalizadas em agosto de 2022. No total, foram restaurados 87,16 hectares usando diferentes metodologias, como o plantio de mudas em área total (28,49 hectares), o enriquecimento ecológico de florestas secundárias (9,23 hectares) e a condução da regeneração natural (49,44 hectares).

As primeiras vistorias na área piloto foram realizadas entre agosto e dezembro de 2022, ainda durante o período de implantação das atividades. Em 2023, três novas vistorias foram realizadas nos meses de janeiro, agosto e outubro para avaliar o status de crescimento das mudas, a ocorrência de perturbações, como formigas e matocompetição, a necessidade de cuidados específicos, como hidratação, e avaliação sobre manutenção da área do plantio, com roçadas e eventuais replantios de mudas mortas.

Vistoria do estágio de crescimento das árvores plantadas pelo projeto Conservador das Araucárias realizada no dia 27 de janeiro de 2023. Foto: Carolina Schäffer.

Vistoria do estágio de crescimento das árvores plantadas realizada no dia 27 de janeiro de 2023. Fotos: Carolina Schäffer.

Monitoramento da restauração

O monitoramento é uma fase crucial na restauração ecológica pois possibilita a avaliação da eficácia da abordagem empregada e a verificação se a área em processo de restauração está progredindo conforme a trajetória ecológica desejada. Por meio dele, é possível identificar a necessidade de intervenções corretivas, prevenindo a alocação desnecessária de recursos e tempo. 

Entre os dias 06 e 08 de novembro foi conduzida a primeira etapa do processo de monitoramento da restauração da área piloto com base no Protocolo de Monitoramento da Apremavi. A área analisada está na fase I da restauração, considerada como de implantação, e o monitoramento foi feito nas áreas restauradas com diferentes metodologias: plantio de mudas, enriquecimento ecológico e condução da regeneração natural.

Nessa fase, o monitoramento compreende a verificação de indicadores como a presença de cerca, ocorrência de perturbações, mortalidade das mudas plantadas, ataque de formigas e outros herbívoros, presença de espécies arbustivas e arbóreas invasoras, matocompetição por gramíneas e herbáceas invasoras e presença de fauna. Esses indicadores, são observados a partir de caminhamento na área e, a depender da metodologia utilizada, da instalação de parcelas para cálculo de mortalidade.

A partir da avaliação dos indicadores, as áreas restauradas podem ser classificadas como “em adequação”, “satisfatória” ou “adequada”. Nesta fase do monitoramento, todas as áreas analisadas apresentaram o conceito “satisfatório” como resultado.

Mudas sobreviventes registradas durante a aplicação do protocolo de monitoramento da restauração na área de 28,49 hectares onde foi realizado o plantio de mudas. Foto: Weliton Oliveira

1 e 2: Mudas sobreviventes registradas durante a aplicação do protocolo de monitoramento da restauração na área de 28,49 hectares onde foi realizado o plantio de mudas em 3 e 4: na área de 9,23 hectares de enriquecimento ecológico; 5: Aspecto geral da área em regeneração natural registrada durante a aplicação do protocolo de monitoramento da restauração. Fotos: Weliton Oliveira e Vitor Lauro Zanelatto

Mensuração da linha de base do carbono

No mesmo período do monitoramento, foi conduzida a primeira verificação da linha de base do carbono. A estimativa de linha de base de carbono (do inglês baseline) em um projeto de restauração refere-se à análise inicial do estoque de carbono na área do projeto antes do início das ações de restauração. A importância da linha de base de carbono reside na sua capacidade de fornecer uma referência sólida para avaliar o impacto real das atividades do projeto, contribuindo para avaliação da sua eficácia na redução das emissões de dióxido de carbono da atmosfera.

Através da instalação de 32 parcelas aleatórias de 10×30, foram quantificadas e identificadas as espécies vegetais e mensurados parâmetros de altura e diâmetro à altura do peito (DAP). Os dados estão sendo analisados pela equipe técnica a fim de verificar a suficiência amostral e planejar os próximos passos.

“O objetivo dessa mensuração é ter uma base para poder comparar ao longo dos anos qual é o incremento de carbono nas áreas a partir das atividades do projeto, pois além de restaurar áreas degradadas e conservar a biodiversidade e os recursos hídricos, esperamos que, ao longo do tempo, essas áreas tenham grande potencial para capturar carbono”, comenta Gabriela Goebel, Técnica Ambiental da Apremavi que faz parte da equipe do projeto.

Levantamento da linha de base de carbono realizado pela equipe técnica da Apremavi. Foto: Vitor Lauro Zanelatto

Levantamento da linha de base de carbono realizado pela equipe técnica da Apremavi: definição das parcelas, mensuração da altura e do DAP das árvores, busca pelas áreas e estabelecimento de parcelas. Fotos: Carolina Schäffer, Vitor Lauro Zanelatto, Thamara Santos de Almeida e Gabriela Goebel

O Conservador das Araucárias

O Conservador das Araucárias é um projeto que visa a restauração florestal trazendo um modelo inovador focado na recuperação de áreas degradadas por meio do plantio de espécies nativas, com benefícios para as comunidades locais, fauna e flora da Mata Atlântica e sequestro de carbono.

Desenvolvido em parceria com a Tetra Pak, o projeto tem a ambição de restaurar pelo menos 7 mil hectares da Mata Atlântica em um período de dez anos – o equivalente a 9.800 campos de futebol.

O projeto conta com o acompanhamento da Conservation International (CI), da The Nature Conservancy Brasil (TNC) e da Klabin, fornecedora de matéria prima da Tetra Pak e parceira de longa data da Apremavi nos Programas Matas Legais e Matas Sociais.

 

Referências:

Nova metodologia da Verra (VM 00047) para projetos atividades de projetos de restauração, reflorestamento e revegetação

Protocolo de Monitoramento Para Programas e Projetos de Restauração Florestal do Pacto Pela Restauração da Mata Atlântica

 

Autoras: Carolina Schäffer e Thamara Santos de Almeida.
Foto de capa: equipe em busca das parcelas na Fazenda Santa Bárbara em Urubici (SC) para o levantamento da linha de base do carbono. ©️  Thamara Santos de Almeida

Desmatamento cai na Mata Atlântica nos primeiros meses de 2023

Desmatamento cai na Mata Atlântica nos primeiros meses de 2023

Desmatamento cai na Mata Atlântica nos primeiros meses de 2023

O boletim publicado recentemente pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica demonstrou uma redução no desmatamento nos oito primeiros meses de 2023 em comparação com o mesmo período de 2022.

Entre janeiro e agosto de 2022 foram desmatados 22.240 hectares, já no mesmo período em 2023 foram desmatados 9.216 hectares, totalizando uma redução de 59% de áreas desmatadas. O número de eventos também reduziu, no ano passado foram 5.347, já neste ano foram 2.827, significando uma redução de 47%. Assim como, o tamanho das áreas desmatadas, que em 2022 era, em média,  4,2 ha, já em 2023 foi de 3,3 ha.

Total de eventos, área desmatada e área média dos desmatamentos para o mesmo período do ano de 2022 e 2023 para a Mata Atlântica. Fonte: Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica.

Total de eventos, área desmatada e área média dos desmatamentos para o mesmo período do ano de 2022 e 2023 para a Mata Atlântica. Fonte: Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica.

Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica é importante pontuar que os dados levam em conta apenas os limites do bioma Mata Atlântica estabelecidos pelo IBGE em 2019. Na área de aplicação da Lei da Mata Atlântica, que inclui encraves na Caatinga e no Cerrado – e há somente dados parciais do sistema de alertas – a diminuição foi de 26%.

Santa Catarina foi um dos estados que teve a maior redução de desmatamento. Em 2023 foram registradas 600 ha desmatados, contra 1.828 ha em 2022. Também houve redução no número de eventos, 621 em 2022 e 367 em 2023, a área média dos desmatamentos também reduziu: 2,9 ha em 2022 e 1,6 ha em 2023. 

 

Área desmatada por Estado em 2022 e 2022. Fonte: Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica
Total de eventos, área desmatada e área média dos desmatamentos para o mesmo período do ano de 2022 e 2023 para a Mata Atlântica. Abaixo, dados do estado de Santa Catarina. Fonte: Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica.

Total de eventos, área desmatada e área média dos desmatamentos para o mesmo período do ano de 2022 e 2023 para a Mata Atlântica. Abaixo, dados do estado de Santa Catarina. Fonte: Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica.

O que é o SAD

O Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica foi lançado em 2022 e é uma ferramenta capaz de identificar perdas de vegetação nativa a partir de 0,3 hectare. Ele usa imagens de satélite de alta resolução, e as informações são cruzadas com dados públicos e reunidas numa plataforma aberta e transparente. O principal objetivo é intensificar o monitoramento da cobertura florestal e contribuir para o fim do desmatamento na Mata Atlântica.

O SAD é resultado de uma parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica, a Arcplan e o MapBiomas, com apoio do Bradesco e da Fundação Hempel.

> Confira o relatório completo

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Urubici (SC), ©️ Carolina Schäffer.

Novos relatórios sobre lacunas climáticas são lançados pela ONU

Novos relatórios sobre lacunas climáticas são lançados pela ONU

Novos relatórios sobre lacunas climáticas são lançados pela ONU

Em sintonia com as negociações da COP28, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), lançou três relatórios sobre as lacunas climáticas a fim de gerar conhecimentos que orientem o enfrentamento da emergência climática.

Uma das etapas primordiais do combate à crise climática é o acesso a relatórios atualizados sobre o assunto. Os documentos lançados no mês passado fornecem uma visão abrangente, cientificamente embasada e internacionalmente consensual da crise climática, ajudando a orientar esforços globais sobre o tema.

Por essa razão, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) elabora regularmente duas avaliações cruciais no contexto climático: Lacuna de Adaptação e Lacuna de Emissões. Além disso, o PNUMA colabora com outros grupos na produção do terceiro relatório, conhecido como Lacuna de Produção.

Essas avaliações examinam o panorama climático, oferecendo aos responsáveis pela formulação de políticas um guia de ação. Eles costumam ser referenciados por líderes de nações e negociadores durante a Conferência das Partes da ONU. Este ano, ganham destaque na COP28, que ocorre em Dubai.

 

Lacuna de Adaptação

Lançado no dia 2/11, o relatório “Lacuna de Adaptação 2023: Subfinanciado. Mal preparado – Investimento e planejamento inadequados em adaptação climática deixam o mundo exposto” avalia o andamento da preparação mundial para os impactos das mudanças climáticas. A edição de 2023 constata que o progresso na adaptação climática é insuficiente e está diminuindo quando deveria estar aumentando para acompanhar os crescentes impactos das mudanças climáticas. 

A adaptação diz respeito às diversas modificações necessárias para o enfrentamento das mudanças climáticas e seus efeitos, como mudanças na infraestrutura, estilo de vida, mecanismos sociais e sistemas naturais. Assim, somente cortar emissões de gases de efeito estufa não basta, é preciso adaptar. A medida é de extrema importância, especialmente para os países e comunidades vulneráveis que já sofrem os efeitos de um clima em mudança. Consequentemente, os países necessitam de recursos financeiros para preparar suas sociedades para lidar com as consequências advindas do aumento das temperaturas e eventos climáticos mais extremos.

Para isso, o relatório comenta que as necessidades financeiras de adaptação dos países em desenvolvimento são de 10 a 18 vezes maiores do que os fluxos financeiros públicos internacionais. Como resultado da lentidão da mitigação e da adaptação, as perdas e os danos relacionados ao clima estão aumentando. Estima-se que nesta década os custos atualizados da adaptação para os países em desenvolvimento estejam em uma faixa de US$ 215 bilhões a US$ 387 bilhões por ano.

O investimento na adaptação climática leva a diminuição dos custos relacionados às consequências das mudanças climáticas. Estudos indicam que 1 bilhão investido em adaptação contra inundações costeiras leva a uma redução de US$ 14 bilhões em danos econômicos. “Estamos em uma emergência de adaptação. Devemos agir como tal. E tomar medidas para fechar essa lacuna, agora”, parte da Declaração do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, sobre o relatório.

 

Relatório Lacuna de Adaptação PNUMA 2023
Lacuna de Produção

O relatório sobre a Lacuna de Produção intitulado “Redução ou aumento gradual? Os principais produtores de combustíveis fósseis planejam ainda mais extração, apesar das promessas climáticas” avalia a disparidade entre a projeção de produção de combustíveis fósseis estabelecida pelos governos e os níveis de produção global que seriam condizentes com a restrição do aquecimento a 1,5°C ou 2°C relacionados ao Acordo de Paris.

A principal conclusão é que os 20 maiores produtores de combustíveis fósseis, como o Brasil, Alemanha, China, Índia, Estados Unidos, Emirados Árabes e Federação Russa planejam produzir cerca de 110% mais combustíveis fósseis em 2030 do que seria compatível com a limitação do aquecimento a 1,5°C, e 69% mais do que seria compatível com 2°C.

O relatório também chama a atenção para a necessidade de transparência desses governos e de eliminação ainda mais rápida de todos os combustíveis fósseis, onde cada país tem capacidade e responsabilidade diferenciada. Assim, governos com maior capacidade de transição devem ter reduções mais ambiciosas e ajudar a financiar os processos de transição justa em países de menor capacidade.

Como bem traz o glossário no início do relatório, transição justa se refere a uma mudança para uma economia de baixo carbono que garanta que as perturbações sejam minimizadas — e os benefícios maximizados — para os trabalhadores, comunidades, consumidores e outras partes interessadas que possam ser desproporcionalmente afetadas.

“Até a metade do século, precisamos ter relegado o carvão aos livros de história e reduzido a produção de petróleo e gás em pelo menos três quartos – bem no caminho para uma eliminação total dos fósseis. No entanto, apesar de suas promessas climáticas, os governos planejam investir ainda mais dinheiro em um setor sujo e moribundo, enquanto as oportunidades são abundantes em um setor de energia limpa em expansão.”, comenta Neil Grant, Analista de Clima e Energia do Climate Analytics, uma das organizações que elaborou o relatório.

 

Relatório Lacuna de Produção PNUMA 2023
Lacuna de Emissões

O último relatório da série, intitulado “Recorde Quebrado – Temperatura atinge novos máximos, mas o mundo não consegue reduzir as emissões (novamente)” avalia a lacuna entre o rumo que as emissões globais estão tomando com os compromissos atuais dos países e onde elas deveriam estar para limitar o aquecimento a 1,5°C.

O relatório conclui que as promessas do Acordo de Paris não foram suficientemente ambiciosas, já que o rumo atual das emissões está caminhando para um aumento de temperatura de 2,5 a 2,9°C. As emissões precisam ser reduzidas em 42% até 2030 para atingir a meta de 1,5°C do Acordo de Paris.

É trazida à emergência mundial de aceleração de ações de baixo carbono. Assim como evidenciando o relatório da Lacuna de Produção, os países com maior capacidade e responsabilidade pelas emissões precisarão tomar medidas mais ambiciosas e apoiar as nações em desenvolvimento na busca pelo crescimento com baixas emissões.

(…) devemos deixar ambição e ação insuficientes, e começar a estabelecer outros recordes: no corte de emissões, em transições verdes e justas e no financiamento climático”, comenta Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA, na reportagem de lançamento do relatório.

Relatório Lacuna de Emissões PNUMA 2023
Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) da ONU

É uma autoridade global que promove a agenda internacional do Meio Ambiente, buscando a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável no Sistema das Nações Unidas e serve como defensor do meio ambiente no mundo. Foi criado em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, que ocorreu em Estocolmo, Suécia. 

Durante mais de 50 anos, tem trabalhado com governos, a sociedade civil, o setor privado e entidades da ONU para enfrentar os desafios ambientais da humanidade. Sua missão é prover liderança e encorajar parcerias na proteção do meio ambiente inspirando, informando e permitindo que países e pessoas melhorem sua qualidade de vida sem comprometer as futuras gerações.

> Saiba mais sobre o trabalho da organização

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Miriam Prochnow.

SEEG destaca retrocesso climático, mas aponta oportunidade de desmatamento zero até 2030

SEEG destaca retrocesso climático, mas aponta oportunidade de desmatamento zero até 2030

SEEG destaca retrocesso climático, mas aponta oportunidade de desmatamento zero até 2030

Os últimos quatro anos no Brasil deixaram um legado climático de retrocesso. Apenas se o Brasil realizar sua promessa de zerar o desmatamento até 2030 será possível cumprir as metas do país no Acordo de Paris.

No dia 23 de novembro foi lançada a nova coleção do SEEG, o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima. A 11ª edição do relatório evidencia que em 2022 o Brasil emitiu 2,3 bilhões de toneladas brutas de gases de efeito estufa, o que representa uma queda de 8% nas emissões brutas em relação a 2021, quando a emissão bruta foi de 2,5 bilhões de toneladas.

Apesar disso, essa quantidade foi a terceira maior desde 2005, ficando atrás dos demais anos (2019 e 2021) do governo Bolsonaro. O relatório mediu nesta edição o legado climático catastrófico e de retrocesso deste governo, onde o país emitiu 9,4 bilhões de toneladas brutas de gases de efeito estufa no período, retornando ao patamar de emissões de governos como o segundo de FHC, entre 1998 e 2002 (9,8 bilhões), anulando as conquistas da segunda passagem de Lula pelo Planalto, entre 2007 e 2010 (7,6 bilhões) e a primeira gestão de Dilma entre 2011 e 2014 (7,7 bilhões).

Emissões brutas por mandato presidencial entre os anos de 1991 a 2022. Créditos: SEEG do Observatório do Clima

Emissões brutas por mandato presidencial entre os anos de 1991 a 2022. Créditos: SEEG do Observatório do Clima

O SEEG estima emissões nos cinco setores que são fontes de gases de efeito estufa no Brasil – Agropecuária, Energia, Mudanças de Uso da Terra, Processos Industriais e Resíduos. A destruição dos biomas novamente é a responsável por esse grande número de emissões, principalmente o desmatamento na Amazônia, que sozinho responde por 36% das emissões brutas do país. Não fosse pelas mudanças de uso da terra, as emissões per capita brasileiras seriam de 5,9 toneladas, dentro da média mundial.

O relatório destaca que o Brasil precisa ampliar seus esforços para diminuir esse aumento das emissões ao longo dos últimos anos, cumprindo sua meta de redução de gases de efeito estufa no Acordo de Paris em 2025 (NDC). Para isso, será preciso reduzir o desmatamento em 49% na Amazônia entre 2022 e 2025, o equivalente à média dos anos de devastação mais baixa do país (2009 a 2012).

Confira a live de lançamento do relatório:

Em 2022, durante a COP27, Lula prometeu “não medir esforços para zerar o desmatamento e a degradação de nossos biomas até 2030”. Caso essa promessa seja cumprida, o país cumpriria com muita folga o acordo, o que mostra que ainda há muito espaço para aumento da ambição climática do país nos sete anos críticos para o atingimento do objetivo de estabilizar o aquecimento global em 1,5ºC. Para isso, é primordial que o governo continue e intensifique as ações de prevenção e controle do desmatamento enquanto implementa as medidas imediatas nos demais setores e elabora o planejamento e as ações preparatórias para mudanças estruturais neles, essenciais para colocar o país numa trajetória de emissões líquidas negativas em 2045.

O que os dados do SEEG mostram é que há muito espaço para aumento da ambição climática do Brasil. E, se o governo estiver falando sério sobre ser o grande defensor da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5ºC acima da média pré-industrial, terá de aumentar a ambição da NDC atual já para 2030, como todos os grandes emissores precisam fazer”, disse David Tsai, coordenador do SEEG.

A plataforma ainda deverá disponibilizar nos próximos dias dados detalhados dos gases de efeito estufa no Brasil por setores, estados e municípios e por atividade econômica, bem como recursos como infográficos, soluções de mitigação por município e tabela de dados.

> Confira o relatório na íntegra 

11 edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa) do Observatório do Clima
O SEEG

O Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) é uma iniciativa do Observatório do Clima que realiza estimativas anuais das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, disponibilizando esses dados em forma de documentos analíticos sobre a evolução das emissões e uma plataforma digital que abriga os dados do sistema e sua metodologia.

> Conheça a plataforma

Autora: Thamara Santos de Almeida com informações do Observatório do Clima.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.
Foto de capa: Carolina Schäffer.

COP28: serão os acordos suficientes para salvar um planeta em ebulição?

COP28: serão os acordos suficientes para salvar um planeta em ebulição?

COP28: serão os acordos suficientes para salvar um planeta em ebulição?

Para salvar os ecossistemas terrestres e com eles a humanidade, a Conferência de Clima iniciada hoje precisa entregar resultados ambiciosos que cumpram a meta de impedir o aumento da temperatura global.

Começou hoje (30/11), em Dubai nos Emirados Árabes, a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP28. COP significa “Conferência das Partes”, onde as “partes” são os países que assinaram o acordo climático original proposto pela Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) em 1992. 

COP são reuniões anuais de alto nível, nas quais os representantes dos países signatários avaliam o progresso dos compromissos firmados por cada país para o enfrentamento da crise climática e tomam decisões coletivas sobre medidas adicionais a serem tomadas para combater esse desafio global. Dentre os participantes estão delegações de países, organizações não governamentais, representantes da indústria, cientistas, ativistas climáticos, jornalistas e outros interessados.

A conferência mais conhecida é a COP21, realizada em Paris em 2015, onde foi adotado o Acordo de Paris. Este acordo estabelece metas e compromissos para limitar o aumento da temperatura global e lidar com os impactos das mudanças climáticas. Um dos principais objetivos do Acordo é impedir o aumento da temperatura global acima de 1.5°C ou mantê-lo bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais.

O Observatório do Clima e a La Clima elaboraram uma publicação que decifra as COPs e o Acordo de Paris.

> Confira a publicação

Acordo de Paris, publicação do Observatório do Clima
A COP 28

A COP28 acontece em um momento de ebulição global, onde o mundo todo já sente os efeitos da crise climática, através de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e enxurradas frequentes. Um dos principais objetivos do evento este ano é finalizar o Balanço Global do Acordo de Paris. 

Além disso, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil elenca alguns outros pontos de discussão:

O Brasil, que volta este ano para a mesa de negociações oficiais, pretende apresentar bons resultados no combate ao desmatamento, a criação de um plano de transformação ecológica para o Brasil, a correção da meta climática do país e uma proposta de criação de um fundo global para proteção de florestas.

A publicação “Rumo à COP”, produzida pela La Clima, aborda os principais temas de negociação, fazendo também uma mini retrospectiva do que aconteceu na COP 27 e nas últimas rodadas de negociação. É um documento fundamental para entender o que vai ser discutido na conferência.

> Confira a publicação

Rumo à COP, publicação do La Clima
O que esperamos da COP

Todos os olhos estarão sobre o Brasil durante a COP28. É a primeira COP de Lula e o presidente chega a Dubai com uma série de trunfos: a queda de 22% no desmatamento na Amazônia, a correção da “pedalada” da NDC, a presidência do G20 e a sede da COP30.

Junto com o Observatório do Clima, a Apremavi espera que o Brasil aproveite esse capital político para exercer um papel de liderança em Dubai, sendo criativo e olhando para a frente. Com grandes emissores do mundo desenvolvido enfrentando dificuldades geopolíticas ou sem apetite para avançar, Lula e a diplomacia brasileira têm a oportunidade de fazer avançar acordos difíceis, como fizeram em momentos chave do processo, nas COPs de Durban, Lima e Paris, por exemplo.

Estes acordos difíceis, porém necessários, são a única alternativa para salvar os ecossistemas terrestres e com eles a humanidade; por isso a Conferência de Clima iniciada hoje precisa entregar resultados ambiciosos que sejam suficientes para além de cumprir metas, de fato impedir o aumento da temperatura global e frear os efeitos extremos que já são vividos em todo o Brasil, sobretudo pelas comunidades vulneráveis.

Veja o documento completo aqui.

 

Otimismo no primeiro dia do evento

No primeiro dia do evento foi registrado um progresso significativo em relação ao Fundo de Perdas e Danos, após entraves que perduraram ao longo de anos de negociações marcadas por resistência por parte dos países mais ricos. Apesar do apelo dos países em desenvolvimento para estabelecer um valor mínimo anual de US$100 bilhões para o fundo, essa cifra não foi explicitamente incorporada à decisão. As contribuições continuam a ser voluntárias, mas há uma convocação para que os países desenvolvidos ofereçam o suporte necessário ao fundo, enquanto os demais são incentivados a realizar contribuições.

Saiba mais no site do Observatório do Clima

 

Autora: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer.
Foto de capa: registro dos efeitos de mais uma enxurrada em Santa Catarina no dia 18 de novembro de 2023, por Carolina Schäffer.

Apremavi ministra ações de educação ambiental no Paraná

Apremavi ministra ações de educação ambiental no Paraná

Apremavi ministra ações de educação ambiental no Paraná

Nos dias 06 e 10 de outubro estudantes de três escolas dos municípios de Ventania e São Jerônimo da Serra (PR) receberam a visita do Programa Matas Legais, uma parceria da Klabin e da Apremavi, para ações de educação ambiental.

No total, cerca de 300 participantes estiveram presentes, entre eles alunos e professores do Centro de Municipal de Educação Infantil Raio de Sol, da Escola Rural Municipal Zacarias de Goes e Vasconcelos e do Colégio Estadual do Campo São Jorge. As atividades foram realizadas em sala de aula pela equipe técnica da Apremavi por meio de palestras. Durante a apresentação foram discutidos temas relacionados à necessidade da preservação e restauração da natureza para a obtenção de um meio ambiente equilibrado, bem como, resultados obtidos por meio da execução do Matas Legais nos municípios envolvidos.

Professores e alunos agradeceram a presença da equipe e comentaram que os assuntos abordados na palestra foram desenvolvidos durante a semana em que se comemora o dia da árvore, reforçando a importância de discussão de temas tão pertinentes. Ao final das atividades foram disponibilizadas mudas de espécies nativas da Mata Atlântica aos interessados.

“A Educação Ambiental é uma atividade essencial para formação de pessoas conscientizadas com a causa ambiental, através dela somos instigados a repensar nossas atitudes diante de tantas consequências climáticas que temos presenciado. Nossos agradecimentos aos docentes que nos deram a oportunidade de realizar estas atividades“, comenta Pedro Aurélio Ferreira, Técnico Ambiental da Apremavi, que ministrou a atividade nas escolas, sobre a importância das ações.

Ação de Educação Ambiental na Escola Rural Municipal Zacarias de Goes e Vasconcelos em Ventania (PR). Foto: Lucas Costa

Palestra realizada pela Apremavi na Escola Rural Municipal Zacarias de Goes em Ventania. Foto: Lucas Costa

O Programa Matas Legais

É uma iniciativa fruto da parceria entre a Klabin e a Apremavi que ocorre em Santa Catarina e no Paraná. O projeto desenvolve ações para o planejamento de propriedades e paisagens, estratégias de conservação e sustentabilidade para o fomento florestal, que ajudam a preservar e recuperar os remanescentes florestais nativos, e a melhorar a qualidade de vida da população.

A palavra legal procura traduzir dois sentidos: o de cumprimento da legislação ambiental e o de expressão de um lugar agradável, bonito e bom para viver.

> Conheça o Matas Legais

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autor:  Pedro Aurélio Ferreira
Revisão: Thamara Santos de Almeida.
Foto da capa: Ação de educação ambiental ministrada na Escola Rural Municipal Zacarias de Goes em Ventania (PR). Foto: Lucas Costa.

Apremavi participa de mais uma edição do Programa Klabin Caiubi

Apremavi participa de mais uma edição do Programa Klabin Caiubi

Apremavi participa de mais uma edição do Programa Klabin Caiubi

A Apremavi esteve presente na 36ª edição do Programa Klabin Caiubi, uma iniciativa liderada pela Klabin que realiza capacitação de professores em educação ambiental.

O evento ocorreu nos dias 19 e 20 de outubro em Correia Pinto (SC) e contou com a participação de professores das cidades de Bocaina do Sul, Capão Alto, Correia Pinto, Lages, Otacílio Costa e Painel (SC).

A abertura foi realizada por Alexsandro Evaristo, Gerente Industrial da Klabin, Mireli Moura Pitz Floriani, Bióloga da Klabin, além dos secretários de educação dos municípios de Lages e Bocaina do Sul. Na sequência, Mireli ministrou a palestra “Plantações Florestais Sustentáveis”, seguida de uma apresentação sobre a fauna catarinense e sua importância na dinâmica dos ecossistemas realizada pela Sumatra Inteligência Ambiental.

Já no período da tarde, Leandro Casanova, Coordenador de Projetos da Apremavi apresentou o Programa Matas Legais. Após, Tatiana Arruda Correia, Coordenadora de Projetos da Apremavi falou sobre as ações e resultados do Programa Matas Sociais em Santa Catarina, ambos os projetos são executados em parceria com a Klabin. Além disso, os técnicos da Apremavi realizaram a distribuição de 300 mudas de espécies nativas aos participantes.

São realizadas em média, duas edições do Programa Klabin Caiubi em Santa Catarina, sendo uma em cada semestre. As edições duram dois dias, compreendendo uma carga horária de 16 horas. Grupos de até 50 professores são convidados a participar, representando diferentes escolas de vários municípios. Ao final do curso, são disponibilizados aos participantes cartilhas e jogos. 

 

Palestra proferida pela equipe técnica da Apremavi durante a 36ª edição do Programa Klabin Caiubi. Foto: Klabin

Registros das palestras proferidas pela equipe técnica da Apremavi durante a 36ª edição do Programa Klabin Caiubi. Fotos: Klabin

Programa Klabin Caiubi

Com início em 2001, o Programa busca capacitar professores em temas associados à atuação da Klabin e para a consciência ambiental. São realizadas em média, duas edições do Programa Klabin Caiubi em Santa Catarina, sendo uma em cada semestre. As edições duram dois dias, compreendendo uma carga horária de 16 horas. Grupos de até 50 professores são convidados a participar, representando diferentes escolas de vários municípios. Ao final do curso, são disponibilizados aos participantes cartilhas e jogos. 

 

 

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autora: Tatiana Arruda Correia.
Revisão: Thamara Santos de Almeida.
Foto da capa: Participação da Apremavi na 36ª edição do Programa Klabin Caiubi ©  Mireli Moura Pitz Floriani/Klabin.

Metas globais de desmatamento e restauração florestal estão longe de serem cumpridas

Metas globais de desmatamento e restauração florestal estão longe de serem cumpridas

Metas globais de desmatamento e restauração florestal estão longe de serem cumpridas

“ESTAMOS EM CRISE: os ecossistemas florestais que são a base de um clima habitável, de uma biodiversidade inestimável, de economias prósperas e de importância cultural intangível, continuam sob enorme pressão” –
Sumário executivo da Avaliação da Declaração Florestal de 2023

A Avaliação da Declaração Florestal (em inglês Forest Declaration Assessment), verifica anualmente o avanço nos compromissos florestais internacionais adotados por quase todos os países, como: acabar com a perda e degradação de florestas naturais até 2030 e restaurar 350 milhões de hectares de paisagens degradadas e florestas até 2030.

Esses compromissos foram descritos no Desafio de Bonn em 2011 (em inglês Bonn Challenge), Declaração de Florestas de Nova York em 2024 (em inglês New York Declaration on Forests – NYDF) e a Declaração dos Líderes de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra em 2021 (em inglês Glasgow Leaders’ Declaration on Forests and Land Use).

Lançada em outubro, a publicação “Fora do caminho e andando para trás: acompanhamento do progresso nas metas florestais para 2030” realizou uma análise abrangente divida em quatro capítulos: objetivos florestais abrangentes; produção e desenvolvimento sustentável; financiamento para florestas e governança florestal, em conjunto com estudos de caso de 7 países e recomendações – lançando luz sobre o estado da ação florestal global.

 

Dados do relatório

Em 2022, o desmatamento global atingiu 6,6 milhões de hectares em todo o mundo, sendo 21% maior do que o necessário para eliminá-lo até 2030, com destaque para a América Latina tropical e não tropical e a África tropical. O relatório aponta que embora haja evidências de aumento global na restauração, o monitoramento desse progresso ainda é um desafio, devido à falta de transparência nos esforços públicos e privados no mundo. Somente 18 países reportaram seus esforços de restauração relacionados ao Desafio de Bonn.

Os dados atualizados de 2022 das espécies dependentes das florestas mostraram que elas diminuíram sua quantidade em 79% entre os anos de 1970 a 2018, evidenciando a perda da biodiversidade nas florestas em um ritmo alarmante.

O relatório sinaliza que é necessário investir muito mais nas florestas. Apenas 2,2 bilhões em fundos públicos são destinados para as florestas, o que não foi suficiente para superar os desafios. A maioria dos países em desenvolvimento ainda precisa de um apoio mais significativo para reformas mais ousadas, a fim de conciliar o desenvolvimento com as metas florestais. Além disso, os preços de créditos de carbono florestal no mercado voluntário ainda estão muito abaixo dos verdadeiros custos dos impactos das atividades de conservação e restauração que os economistas preveem como necessários para cumprir o limite de aumento de 1,5°C de temperatura.

 

O estudo de caso do Brasil

Os primeiros meses do governo Lula se mostraram otimistas em relação à redução no desmatamento na Amazônia brasileira. Só nos primeiros oito meses de 2023 houve uma redução de 48% no desmatamento, em comparação aos últimos 4 anos do Governo Bolsonaro, que teve um aumento de 60%. Essa redução foi possível graças a uma maior fiscalização dos órgãos ambientais, alavancada pela mudança de governo. As operações removeram milhares de garimpeiros ilegais e fazendas de gado de Terras Indígenas. Também é notável a criação de uma secretaria especial de combate ao desmatamento fortemente centrada no monitoramento através de sensoriamento remoto dentro do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Por outro lado, a conversão de ambientes naturais no Cerrado aumentou 20% desde o início de 2023, com um deslocamento do desmatamento da Amazônia. 

O relatório também chama a atenção para a disputa envolvida no governo Lula em torno do desenvolvimento econômico e a proteção ecológica, onde os interesses pró-agronegócio no Congresso Nacional catalisam retrocessos na agenda ambiental, como a aprovação do afrouxamento da Lei da Mata Atlântica pela Câmara dos Deputados.

 

Recomendações 
  1. Os governos devem redefinir as condutas das empresas em relação às florestas:

Devem construir um ambiente regulatório e fiscal que exija ações corporativas, divulgação e responsabilização pelas florestas; que incentiva a proteção, a gestão sustentável e a restauração das florestas; e que incentiva esforços voluntários para serem pioneiros em abordagens econômicas alternativas que reconheçam o verdadeiro valor das florestas em pé.

  1. As instituições financeiras, as empresas e os governos devem financiar:

Atividades que conservam as florestas e não as destruam; investir diretamente nos administradores florestais mais eficazes: povos indígenas e comunidades tradicionais.

  1. Governos, empresas e instituições financeiras devem trazer luz sobre si mesmo: 

Devem investir em coleta de dados, monitoramento ativo, transparência, elaboração pró ativa de relatórios sobre o estado das florestas e ecossistemas além dos seus planos e estratégias para alinhar as suas prioridades econômicas e de desenvolvimento com as florestas, e sobre o seu progresso na implementação dos compromissos florestais.

Capa do relatório: "Fora do caminho e andando para trás: acompanhamento do progresso nas metas florestais para 2030" da Avaliação da Declaração Florestal de 2023
Sobre a Avaliação da Declaração Florestal

A Avaliação da Declaração Florestal constitui um processo colaborativo em andamento, realizado de forma conjunta por organizações da sociedade civil e pesquisadores que formam os Parceiros de Avaliação da Declaração Florestal. Eles acompanham o progresso das metas florestais mundiais para 2030 e divulgam atualizações anuais sobre o avanço em direção a essas metas. Todas as conclusões desse processo de avaliação são submetidas a uma rigorosa revisão por pares, realizada por especialistas em todo o mundo.

> Conheça a plataforma 

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer
Foto de capa: Operação Verde Brasil, Rondônia onde os Brigadistas do Prevfogo/Ibama participaram de uma operação conjunta para combater incêndios na Amazônia © Vinícius Mendonça/Ibama CC BY-SA 2.0 DEED

Histórias de vida de artivismo pela Natureza

Histórias de vida de artivismo pela Natureza

Histórias de vida de artivismo pela Natureza

A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Uma pergunta para divagar sobre as nuances desses dois temas tão instigantes. O fato é que, para que a vida se torne mais interessante, precisamos da arte para nos envolver. Uma aliada da boa comunicação, tem sido usada para mobilizar a sociedade, produzindo transformações em vários níveis; e é nesse momento, que surge o artivismo, a união entre a arte e o ativismo. 

O artivismo pela natureza tem motivado muitas pessoas, unindo ambientalistas, artistas e amantes da vida. Tetê Brandolim e Wigold Schaffer são exemplos disso e a Floresta com Araucárias é um dos motivos de inspiração para eles. Ambos, com sua arte e exemplos de vida, estimulam as pessoas a se engajarem na busca por um mundo melhor.

Tetê e Wigold nunca se encontraram pessoalmente, mas compartilham a mesma paixão; e a Apremavi está feliz em poder compartilhar essas experiências.

 

A Araucária de Tetê 

A artista Tetê Brandolim aceitou o desafio de transformar em obra de arte a sua visão sobre a araucária e essa história começou quando Miriam Prochnow, fã da artista, viu as novas obras de Tetê, inspiradas nas árvores brasileiras, e perguntou se ela poderia fazer uma araucária para dar de presente para seu companheiro, Wigold.

Conhecida por seus quadros que criam jardins multicoloridos a partir de recortes de chita, o mais brasileiro dos tecidos, Tetê começou a plantar nas suas telas ipês amarelos, roxos, brancos e a criar uma verdadeira floresta. As obras são tão encantadoras que ela foi uma das premiadas na última Semana de Arte Portinari, promovida pelo Museu Casa de Portinari, em Brodowski. 

Fazer um quadro com ipê, que é todo colorido, é mais simples do que desenhar a araucária. Ela é linda e importante na floresta mas tem poucas cores”, conta Tetê. Por isso, o quadro foi produzido lentamente tendo um lindo céu azul onde duas araucárias, mãe e filha, recebem alguns dos “moradores” da ameaçada Floresta com Araucárias, uma das maiores riquezas da biodiversidade brasileira.  

Assim como Tetê, a araucária é uma grande mãe sábia, só que da floresta. Chega a viver mais de 700 anos quando pode seguir o fluxo da sua existência. Tetê Brandolim só, aos 82 anos, revelou o seu talento para as artes, em 2013, quando realizava o sonho de aprender a ler e escrever. Às vésperas de completar 93 anos de idade, ela continua todos os dias a produzir as suas obras. Já são mais de 700. Ela costuma dizer que todas estavam guardadas dentro do coração esperando a oportunidade de florescer

A vontade da artista é que a obra “Minha Primeira Araucária” desperte nas pessoas o mesmo amor que ela tem por esses seres tão especiais e únicos que nos oferecem tanto e só querem ter o direito de existir. 

A artista com a obra:  “Minha Primeira Araucária” por Tetê Brandolim, 2023.
Galeria de imagens da obra “Minha Primeira Araucária” por Tetê Brandolim, 2023. Tela em acrílico com colagem de tecidos, entre eles a chita – 80 x 60 cm.

> Mais sobre Tetê Brandolim no documentário: “Arte da Maturidade: Trajetória”

 
Wigold Schäffer, apaixonado por araucárias desde menino

Esta história de amor começa quando Wigold Schäffer, um menino de cinco anos, reclamava com seus pais por se incomodar com os desmatamentos que via em Santa Catarina na década de 1960. Pensava que se a degradação continuasse naquela velocidade, quando crescesse, não haveria mais árvores para seus filhos e netos conhecerem. Talvez por conta dos apelos tão constantes e insistentes, o pai de Wigold lhe entregou um saquinho com pinhões e orientou-o a plantá-los. Em 1964, aos cinco anos, ele plantava as cem primeiras sementes de araucária. Muitas germinaram. Daquelas sementinhas, restam hoje cerca de 20 araucárias grandes que produzem pinhões e alimentam gralhas, bugios e também a comunidade humana.

A percepção de que a degradação da Floresta com Araucária era abusiva marcou naquela criança o nascimento de um grande amor pela que foi, e continua sendo, uma das árvores mais exuberantes e também cobiçadas da Mata Atlântica. Desse amor de menino, anos depois, nasceram inúmeras ações em prol da conservação da floresta que a abriga.

A luta pela criação de Unidades de Conservação (UCs), a proposição de legislações protetoras, o estímulo para denúncias sobre desmatamentos, crimes ambientais e ações de restauração e a elaboração de materiais de educação ambiental foram possíveis a partir do trabalho da Apremavi, que ele ajudou a criar. Em parceria com outras pessoas e organizações, um conjunto de esforços permitiu que a Floresta com Araucária tivesse mais chances de sobreviver. Hoje, em Santa Catarina, onde a Apremavi estabeleceu sua sede, diversos exemplos de resultados positivos são somados, como a volta do papagaio-charão e de papagaio-de-peito-roxo, que todos os anos colorem os céus em busca do alimento proporcionado pelas araucárias da região serrana do estado. As espécies, que integram a lista de espécies da fauna ameaçadas de extinção, são nativas da Floresta com Araucária e dependem desse ecossistema para sobreviver.

Obra “Araucárias na Paisagem” por Wigold Schäffer, 2007
Obra “Araucárias na Paisagem” por Wigold Schäffer, 2007. Tela em acrílico – 40 x 60 cm.
Wigold também usou seu talento artístico como fotógrafo e pintor para eternizar lindos exemplares de araucárias e outras maravilhas da Mata Atlântica. A exposição “Belezas da Mata Atlântica”, é de autoria dele e nasceu da ideia de divulgar a riqueza da Mata Atlântica, um Bioma biodiverso em sua fauna, flora e população. Composta com 115 quadros com belas imagens da Floresta Atlântica, a mostra teve sua primeira exibição no Centro Ambiental Jardim das Florestas no dia do aniversário de 30 anos da Apremavi. Wigold também é o autor de dois ensaios fotográficos do livro “30 Anos, 30 Causas” que conta a história da Apremavi.
Algumas das fotos da exposição “Belezas da Mata Atlântica” por Wigold Schäffer
Apesar dos bons resultados em prol da natureza durante todos esses anos, infelizmente ainda são constantes as agressões às araucárias e a outras espécies que com elas convivem, não só em Santa Catarina, mas em todos os estados onde elas sobrevivem. A degradação que tanto incomodava Wigold quando criança, ainda existe.

São necessárias e urgentes medidas fortes do poder público para coibir a ocorrência de crimes ambientais. No entanto, a sociedade deve cumprir papel fiscalizador e denunciar irregularidades. Cada cidadão pode adotar medidas de proteção e recuperação da biodiversidade que estiverem a seu alcance como, por exemplo, o plantio de espécies nativas. A Floresta com Araucárias e os Campos Naturais associados a ela, bem como os animais que vivem nessas formações vegetais, terão chances reais para viver com qualidade somente se toda a comunidade unir esforços em prol da conservação.

A exemplo de Wigold Schäffer, devemos cultivar o amor à natureza. E como bem escreveu Rubem Alves, outro artivista da natureza, “aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas, porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno”.

 

Autoras: Maria Zulmira de Souza e Miriam Prochnow.
Revisão: Carolina Schaffer.
Foto de capa: Araucária, por Wigold B. Schäffer.

 

Apremavi e The Vita Coco Company lançam parceria para monitoramento de fauna

Apremavi e The Vita Coco Company lançam parceria para monitoramento de fauna

Apremavi e The Vita Coco Company lançam parceria para monitoramento de fauna

“Cuidando da Mata Atlântica” é o nome do projeto que lança a mais nova parceria da Apremavi com a empresa americana Vita Coco. 

Pensado para ser desenvolvido no âmbito do Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, em Atalanta (SC), o projeto terá como principal atividade o monitoramento da avifauna e mastofauna do parque.

“Estamos entusiasmados com a parceria com a Vita Coco para proteger a biodiversidade e restaurar a Mata Atlântica, que é um dos biomas mais ricos e ameaçados do mundo. Nossas ações no Parque Mata Atlântica contribuirão para a conservação de espécies como a coruja-murucututu, conhecida por habitar a área”, afirmou Carolina Schaffer, vice-presidente da Apremavi.

Ao longo de um ano, além do monitoramento das espécies, o projeto contemplará também:

  • A restauração e o enriquecimento de 7,53 hectares de áreas localizadas no Parque Mata Atlântica;
  • A atualização do Plano de Manejo do Parque Mata Atlântica;
  • O desenvolvimento de ações de Educação Ambiental com escolas da região;
  • A elaboração de um mapa com proposta de criação de corredor ecológico em Atalanta conectando o Parque Mata Atlântica com outros fragmentos florestais no município.

O projeto faz parte da iniciativa da Vita Coco chamada Projeto Vita Coco, fundada em 2014 por meio do programa de Iniciativa Ambiental e Social da empresa para apoiar e capacitar comunidades fornecedoras de coco. Até à data, o Projeto Vita Coco, através dos seus parceiros locais, distribuiu mais de 370.000 mudas e árvores e treinou mais de 1.000 agricultores em práticas agrícolas regenerativas. Essa será a primeira iniciativa da empresa no Brasil. Já na Apremavi, o projeto irá contribuir com as metas do planejamento estratégico da instituição, que quer ter uma olhar mais aprofundado na interação da fauna com áreas restauradas ao longo dos anos

 

Plantio inaugural

Uma das primeiras ações do projeto foi a realização de um mutirão de plantio em parceria com o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, durante o 2° Encontro das Unidades Regionais realizado em Atalanta (SC).

No total, foram plantadas 671 mudas de árvores nativas de 29 espécies diferentes da Mata Atlântica usadas para restaurar uma área de cerca de um hectare no Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, na comunidade de Vila Gropp, em Atalanta (SC).

Área no Parque Natural Municipal Mata Atlântica onde foi realizado o primeiro plantio do projeto "Cuidando da Mata Atlântica. Foto: Carolina Schäffer
Plantio inaugural do projeto “Cuidando da Mata Atlântica” realizado no Parque Natural Municipal da Mata Atlântica. Fotos: Carolina Schäffer.
Monitoramento de aves

O levantamento das aves do Parque Mata Atlântica ocorreu entre os dias 30 de outubro e 03 de novembro e foi conduzido por um especialista da avifauna da Mata Atlântica, o Biólogo Gustavo Malacco.

Para verificar a ocorrência das aves, enfocando, principalmente, na vocalização de espécies ameaçadas de extinção, raras, deficientes em dados e endêmicas, a técnica utilizada foi o “playback”, que consiste na reprodução de um som por poucos minutos, e com intervalos entre as repetições, para atrair as aves. Cada som resulta em respostas diferentes que indicam a presença das espécies.

Esta já é a segunda vez que Gustavo vem até Atalanta. Na primeira, em dezembro de 2021, o especialista conduziu um estudo da avifauna do município, que resultou na identificação de mais de 190 espécies e serviu de inspiração para o Guia de Aves de Atalanta, lançado pela Apremavi no dia das aves, em outubro de 2023.

Biólogo Gustavo Malacco realizando o levantamento de avifauna. Foto: Carolina Schäffer
Biólogo Gustavo Malacco realizando o levantamento de avifauna. Foto: Carolina Schäffer
Autora: Carolina Schäffer.

Apremavi sedia Encontro das Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica

Apremavi sedia Encontro das Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica

Apremavi sedia Encontro das Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica

Unidades Regionais (URs) do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica (PACTO) estiveram na sede da Apremavi, em Atalanta (SC), para fortalecer os diálogos e atuação em prol da restauração da Mata Atlântica.

Durante os dias 23 a 28 de outubro, a Apremavi e o Instituto Çarakura sediaram o segundo encontro das Unidades Regionais do PACTO. O evento reuniu representantes de 12 organizações brasileiras que constituem as unidades regionais, além da Secretaria Executiva e membros do Conselho de Coordenação da rede. Além da Apremavi, outras 15 organizações foram escolhidas, num universo de mais de 300 membros, como representantes regionais, sendo: Apoena, Associação Mico Leão Dourado, Cepan, Copaíba, Dap, Eco Ocelot, Gambá, Ibam, Instituto Çarakura, Iracambi, Mater Natura, MV, Natureza Bela, Regua e Save Brasil.

Na pauta do encontro estava o compartilhamento de experiências e saberes sobre o fazer restauração, trocas para construção e aprimoramento de viveiros e redes de coleta de sementes, aprendizado sobre ferramentas e protocolos de monitoramento, conversas sobre o CAR e o PRA como ferramentas de aplicação do Código Florestal e de ganho de escala na restauração, oficinas de drone e fotografia, bem como visitas à áreas restauradas pela Apremavi com o uso de diferentes metodologias e ao Viveiro Jardim das Florestas, o Centro Ambiental e a Trilha da Restauração, na sede da Apremavi.

Rubens Benini, Coordenador Nacional do Pacto, menciona que o encontro representa um importante momento não apenas para o Brasil, mas para o mundo, especialmente em uma década crucial para a restauração de ecossistemas. “A Mata Atlântica, o bioma mais degradado no Brasil, rica em biodiversidade e vital para a saúde do planeta, enfrenta desafios sérios, incluindo a perda de habitat e a ameaça à diversidade biológica. Ao unir esforços e compartilhar experiências, as Unidades Regionais buscam não apenas discutir técnicas e estratégias para revitalizar esse ecossistema, mas também estabelecer um exemplo inspirador de colaboração para a restauração. Em um contexto em que a restauração se torna uma prioridade global, o encontro destaca a importância da cooperação na busca por soluções que o desafio nos traz, promovendo a troca de experiências e contribuindo para a construção de um futuro mais equilibrado e saudável para o nosso planeta”, comenta Rubens.

Representantes das instituições que compõem o grupo de Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica. Foto: Wigold B. Schäffer.

Representantes das instituições que compõem o grupo de Unidades Regionais do Pacto conhecendo o trabalho da Apremavi por meio de diversas atividades. Fotos: Miriam Prochnow, Carolina Schäffer e Wigold B. Schäffer.

Mão na massa pela restauração

O mão na massa faz parte da história da Apremavi desde a sua fundação, não à toa, sempre que existe uma oportunidade, a instituição organiza mutirões para proporcionar momentos de plantio de árvores nativas.

Por isso, e para celebrar o momento de encontro, um mutirão foi realizado para restaurar uma área de cerca de um hectare no Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, na comunidade de Vila Gropp, Atalanta (SC). No total, os representantes das URs e a Equipe da Apremavi plantaram 671 mudas de árvores nativas de 29 espécies diferentes da Mata Atlântica. Essa ação em união, positiva a todos os envolvidos, é a tônica do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.

Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi e representante da instituição no Conselho do PACTO, comenta que o encontro é um espaço de fortalecimento dos diálogos e de inspiração para a ação. “Além de fortalecer laços e parcerias entre organizações, estar com essa rede de potências é inspirador porque é na partilha de histórias de sucesso e das dificuldades que conseguimos ter ideias para superar os desafios e dar escala para a restauração, contribuindo para que o PACTO atinja sua meta de recuperar 15 milhões de hectares até 2050”, reflete Carolina.

A ação foi registrada pela RBA TV, afiliada da rede bandeirantes em SC, e pode ser assistida abaixo.

 

Mutirão de plantio realizado no Parque Natural Municipal da Mata Atlântica. Fotos: Miriam Prochnow e Alex Sieves 

Visita ao Instituto Çarakura

Após a estada na Apremavi, as Unidades Regionais desceram a serra catarinense e chegaram na capital catarinense, Florianópolis, para uma visita à sede do Instituto Çarakura e às áreas atendidas em seus projetos. O Instituto atua há 15 anos com educação, arte e permacultura para fomentar a restauração e conservação da Mata Atlântica.

A primeira parada foi uma roda de conversa com a líder indígena Eliara Antunes, da Terra Índigena Morro dos Cavalos, para fortalecer a agenda da restauração junto às comunidades indígenas resgatando a necessidade da valorização dos saberes ancestrais na conservação e proteção da Mata Atlântica, além de formalizar um convite para a participação ativa de representantes indígenas no PACTO.

O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro seguiu como palco do encontro, onde o grupo teve a oportunidade de compartilhar informações sobre as metodologias de restauração dos ecossistemas costeiros, como mangues e restingas, aplicadas pelo Çarakura no projeto Raízes da Cooperação.

E por fim, a rede encerrou as atividades do 2º Encontro das Unidades Regionais com uma vivência imersiva recheada de arte na sede do Instituto Çarakura, conhecendo sua história de criação e atuação pela restauração de um dos biomas mais ameaçados do Brasil.

 

Visita à sede do Instituto Çarakura e às áreas atendidas em seus projetos. Fotos: Carolina Schäffer

O Pacto Mata Atlântica

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica é um movimento nacional que articula e integra atores interessados na restauração do bioma, induzindo ações e resultados em larga escala, com benefícios ambientais, sociais e econômicos.

Estabelecido em abril de 2009, o Pacto atua estrategicamente articulando instituições públicas e privadas, governos, empresas, comunidade científica e proprietários de terras para integrar seus esforços e recursos na geração de resultados em restauração e conservação da biodiversidade nos 17 estados do bioma.

Atualmente conta com mais de 300 instituições membro e 16 Unidades Regionais, sendo a Apremavi uma delas desde 2021.

> Veja mais sobre o Pacto Pela Restauração da Mata Atlântica

 

Mapa das Unidades Regionais do Pacto. Créditos: Pacto pela Restauração da Mata Atlântica

Mapa das Unidades Regionais do Pacto. Créditos: Pacto pela Restauração da Mata Atlântica

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Thamara Santos de Almeida.
Foto de capa: URs na Trilha da Restauração da Apremavi. Foto: Carolina Schaffer.

No 10º aniversário, OCF avalia a implementação do Código Florestal em evento

No 10º aniversário, OCF avalia a implementação do Código Florestal em evento

No 10º aniversário, OCF avalia a implementação do Código Florestal em evento

Nos dias 25 e 26 de outubro a Apremavi participou do evento realizado pelo Observatório do Código Florestal (OCF) para discutir a implementação do regramento ambiental. O encontro celebrou uma década de criação do observatório.

A sequência de reuniões ocorreu em Brasília e contou com a participação das organizações da sociedade civil que compõem a rede e com representantes dos governos federal, estaduais e municipais. Entre os temas debatidos nos grupos de trabalhos temáticos estão os desafios e gargalos para implementação do Código e boas práticas, como: o Cadastro Ambiental Rural (CAR), Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs), o Programa de Regularização Ambiental (PRA), restauração, incentivos econômicos, fiscalização e transparência. 

Maíra Ratuchinski, Técnica Ambiental da Apremavi e representante da instituição  no evento, falou sobre a experiência da implementação do Código Florestal no âmbito do projeto Implantando o Código Florestal, com foco em Santa Catarina: “No estado de SC o PRA ainda não foi implementado. Porém, a Apremavi tem apoiado fortemente os proprietários rurais no planejamento e adequação ambiental dessas propriedades.

Além disso, ela relatou como a implementação é realizada na prática: “Realizamos visitas em propriedades rurais para verificar as informações do Cadastro Ambiental Rural. Identificamos inconsistências, se houver, planejamos medidas ambientais e discutimos a restauração com os proprietários. Em seguida, doamos mudas e usamos drones para mapear o uso do solo. Acreditamos que a regulamentação dos Programas de Regularização Ambiental (PRAs) pelos estados proporcionará segurança jurídica aos proprietários rurais”.

Encontro realizado pelo Observatório do Código Florestal entre os dias 25 e 26 de outubro em Brasília para discutir a implementação do Código. Foto: Maíra Ratuchinski,
Encontro realizado pelo Observatório do Código Florestal entre os dias 25 e 26 de outubro em Brasília para discutir a implementação do Código. Foto: Maíra Ratuchinski
O Observatório do Código Florestal

O Observatório do Código Florestal (OCF) foi criado há dez anos, e hoje conta com uma rede de cerca de 40 organizações brasileiras, que atuam coletivamente para monitorar a implementação bem-sucedida da Lei Florestal, fortalecendo o papel da sociedade civil na defesa da vegetação nativa brasileira. Com isso, visa a proteção dos biomas e dos valores culturais, a produção sustentável e a recuperação de ambientes naturais.

Nessa década, construímos muito conhecimento, ferramentas e informações para viabilizar a implementação da lei. Agora precisamos tornar essas ferramentas conhecidas e de uso para o poder público, para os produtores rurais, para o próprio Ministério Público e para a sociedade como um todo”, comenta Roberta del Giudice, secretária executiva da rede. “São instrumentos que possibilitam a formulação e implementação de políticas públicas para a implementação da lei”, completa.  

Apesar dos avanços e das ferramentas criadas ao longo da última década, os desafios para a efetiva implementação do código ainda são diversos e exigem esforços de todos os envolvidos – de produtores rurais aos governos em níveis municipais, estaduais e federais. O trabalho a ser feito é essencial para diminuição dos números de desmatamento e de degradação ambiental do país e para o cumprimento em compromissos firmados internacionalmente contra a crise climática, visto que regula diretamente as formas de uso e ocupação do território brasileiro.  

“Trabalhar para que as leis ambientais sejam cumpridas e implementadas é um dos objetivos da Apremavi. O Código Florestal é uma das leis mais importantes no Brasil e sua efetiva implementação é uma das formas de se combater as consequências das mudanças climáticas e garantir o bem-estar de todas as espécies. Participar de uma rede como o OCF faz com esse trabalho seja mais forte e eficiente, além de promover um importante intercâmbio e troca de experiências entre as organizações parceiras”, comenta Miriam Prochnow, co-fundadora, diretora e coordenadora de projetos da Apremavi.

 

> Saiba mais sobre o trabalho do OCF


O Observatório do Código Florestal também é a entidade responsável por agrupar os atores da Sociedade Civil que constituem o consórcio executor do projeto Políticas, Práticas, Transparência e Governança para Implementação do Código Floresta. A iniciativa tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil, e conta com a Apremavi para desenvolver atividades para a retificação do Cadastro Ambiental Rural, desenvolvimento de Projetos de Recuperação Ambiental (PRA) e de incidência política para a implantação plena do Código Florestal. 

 

 

Autora: Maíra Ratuchinski, com informações do OCF.
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Comunicação do Observatório do Código Florestal.

Apremavi e parceiros avançam no monitoramento da restauração ecológica

Apremavi e parceiros avançam no monitoramento da restauração ecológica

Apremavi e parceiros avançam no monitoramento da restauração ecológica

Entre os dias 18 a 21 de setembro, a Apremavi e a Klabin, por meio dos times técnicos dos programas Matas Legais e Matas Sociais de Santa Catarina e do Paraná – com apoio da equipe do Projeto + Floresta – realizaram mais uma semana de monitoramento em áreas restauradas nas cidades de Arapoti, Cândido de Abreu, Curiúva, Imbaú, Ortigueira e Reserva, no Paraná. A iniciativa faz parte de um acompanhamento constante realizado pelas equipes, a fim de verificar de perto o desenvolvimento e evolução das áreas atendidas pelos projetos Matas Legais e Matas Sociais.

As ações também visam proporcionar mais um momento de troca com os proprietários parceiros, incentivando a aplicação dos indicadores que regem o “Guia de Monitoramento de Projetos de Restauração de Áreas Degradadas e Alteradas” elaborado pela Apremavi com apoio da Klabin, cujo objetivo é planejar ações necessárias visando à recuperação da vegetação nativa, buscando fortalecer os corredores ecológicos do Estado do Paraná. A primeira avaliação do guia ocorreu em maio deste ano e essas novas ações dão continuidade aos esforços da Apremavi na melhoria do monitoramento da restauração dos projetos executados pela instituição.

No total, foram visitadas 27 propriedades atendidas pelo Matas Legais com monitoramento em 44 áreas de intervenção, somando 35,58 hectares distribuídas entre as seguintes metodologias: condução da regeneração natural, plantio de mudas em área total e enriquecimento ecológico. Já pelo Matas Sociais, 23 propriedades foram visitadas com aplicação de monitoramento em 28 áreas de intervenção. As áreas monitoradas somam 9,9 hectares distribuídas nas mesmas metodologias citadas anteriormente.

“Como a Apremavi possui atuação em diferentes regiões, oportunizar momentos como esse é fundamental para promover o engajamento da Equipe. Além da execução da atividade principal que é o monitoramento, foi um período para troca de experiência e compreensão da realidade de cada Programa”, comenta Maurício Reis, Coordenador de Projetos da Apremavi.

“Além de prestar a consultoria inicial, mais importante que isso é o acompanhamento periódico. É gratificante ver o desenvolvimento e o avanço que os proprietários e as áreas têm ao longo da parceria, evoluindo passo a passo”, disse Henrique Luvison, gerente de Responsabilidade Ambiental da Klabin.

Apremavi e parceiros avançam no monitoramento da restauração ecológica. Foto: Maurício Reis

Registros das ações de monitoramento da restauração ecológica realizado em propriedades atendidas pelo Matas Legais no Paraná. Fotos: Maurício Reis e Edilaine Dick.

Matas Legais

É uma iniciativa da parceria entre a Apremavi e a Klabin que ocorre em Santa Catarina e no Paraná. O projeto desenvolve ações para o planejamento de propriedades e paisagens, estratégias de conservação e sustentabilidade para o fomento florestal, que ajudam a preservar e recuperar os remanescentes florestais nativos, e a melhorar a qualidade de vida da população.

A palavra legal procura traduzir dois sentidos: o de cumprimento da legislação ambiental e o de expressão de um lugar agradável, bonito e bom para viver.

> Conheça o Matas Legais

 

Matas Sociais

É uma parceria entre a Klabin, a Apremavi e o Sebrae que também ocorre em Santa Catarina e no Paraná. O objetivo é contribuir para o fortalecimento social, econômico e ambiental de pequenas e médias propriedades rurais em benefício da agricultura familiar e do desenvolvimento sustentável.

> Conheça o Matas Sociais

 

Autor: Maurício Reis.
Revisão: Thamara Santos de Almeida, Edilaine Dick e Elder Monteiro.

Apremavi participa de encontro do Comitê Brasileiro da IUCN

Apremavi participa de encontro do Comitê Brasileiro da IUCN

Apremavi participa de encontro do Comitê Brasileiro da IUCN

No último dia 18 de outubro, a Apremavi esteve presente no encontro do Comitê Brasileiro da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), em Brasília (DF).

Para avançar na discussão de agendas relevantes para a conservação da biodiversidade no Brasil, nesse primeiro encontro presencial pós-pandemia, o comitê reuniu representantes das organizações membro, entre elas, além da Apremavi, SAVE Brasil, Instituto Ekos, Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Ipê Pesquisas Ecológicas, WCS Brasil, Fundação Grupo Boticário, Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), Associação de Zoológicos do Brasil, Ecoa e Associação de RPPN e Outras Reservas Privadas de Minas Gerais (ARPEMG).

O encontro, que aconteceu na sede do ISPN, também contou com a presença do Diretor do Escritório Regional da IUUICN para a América do Sul, Gabriel Quijandría, da Coordenadora Regional do Programa IUCN América do Sul, Connie Espinoza, e de Carlos Eduardo Marinelli, secretário substituto da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais.

 

Representantes das instituições membro do Comitê Brasileiro da IUCN. Foto: Arquivo Apremavi.

O grupo pretende definir os temas prioritários para atuação em rede nos próximos anos, bem como construir uma agenda de fortalecimento da organização no país e rumar para postular pautas nos encontros regionais e mundiais de conservação da natureza que vão acontecer nos anos vindouros.

Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi, e atual Secretária Executiva do Comitê da IUCN no Brasil, participou da reunião e destacou a relevância da atuação em rede: “A IUCN tem potencial para orientar decisões e influenciar os rumos da conservação de ecossistemas no mundo, primordial para o combate das crises globais em curso”.

A IUCN agrega membros governamentais, organizações não governamentais, povos e comunidades tradicionais, propiciando o diálogo e as trocas de informações e cooperações diversas entre todas as regiões do mundo. No Brasil, o Comitê é composto por mais de vinte organizações com representatividade em todos os biomas.

 

A IUCN

Criada em 1948, a IUCN (sigla em inglês para International Union of Conservation of Nature) é a maior e mais antiga rede para a conservação da natureza do mundo, agregando mais de 1.400 organizações membros e contando com a contribuição de cerca de 15.000 especialistas voluntários de 160 países que influenciam os rumos da conservação da biodiversidade através da ótica da crise do clima, das comunidades tradicionais e do desenvolvimento sustentável.

Dentre as inúmeras contribuições da rede para a temática, está a publicação da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, que tem servido de base para governos, ONGs e empresas tomarem decisões que afetam os habitats naturais que remanescem no planeta. Outro ponto importante é a colaboração com governos nacionais e locais, comunidades e outros organismos, para que sistemas de áreas protegidas sejam criados e geridos corretamente.

A troca de experiências entre os membros começa nos comitês nacionais em cada país que promovem o diálogo, compartilham experiências e suportam cooperações diversas entre todas as regiões do mundo, e também no debate no âmbito das comissões, que são:

  1. Comissão de Educação e Comunicação – CEC (sigla em inglês);
    2. Comissão de Políticas Ambientais, Econômicas e Sociais – CEESP (sigla em inglês);
    3. Comissão de Espécies Ameaçadas – SSC (sigla em inglês);
    4. Comissão Mundial em Legislação Ambiental – WCEL (sigla em inglês);
    5. Comissão de Manejo de Ecossistemas – CEM (sigla em inglês); e,
    6. Comissão Mundial de Áreas Protegidas – WCPA (sigla em inglês).

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Thamara Santos de Almeida.

Guabiroba-crespa, endêmica da Mata Atlântica e ameaçada de extinção

Guabiroba-crespa, endêmica da Mata Atlântica e ameaçada de extinção

Guabiroba-crespa, endêmica da Mata Atlântica e ameaçada de extinção

A guabiroba-crespa (Campomanesia reitziana) é uma espécie endêmica da Mata Atlântica, com ocorrência na Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial) e Restinga dos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Ela também é chamada de Guabiroba-de-reitz ou guabiroba-morango, pois seu fruto tem gosto de morango no final.

A polpa da guabiroba-crespa é doce e por isso muito utilizada em sucos, geléias, licores e sorvetes. Além dos frutos, a sua árvore é de grande beleza, desabrochando com uma deslumbrante profusão de flores brancas que atraem abelhas, possuindo assim um potencial melífero. 

Pesquisas investigaram as propriedades medicinais da espécie e observaram propriedades relativas a efeitos anti-inflamatórios da dimetil-cardamonina (DMC), o principal constituinte do extrato metanólico de frutas de C. reitziana. Conhecimentos tradicionais associam a infusão das folhas da espécie a uma melhora no mal-estar gástrico e em quadros diarreicos.

A espécie pode ser utilizada na restauração de áreas degradadas, pois atrai animais silvestres, principalmente as aves, que apreciam seus frutos. Também é recomendada para arborização urbana. 

Mudas de guabiroba-crespa. Foto: Arquivo Apremavi

Detalhes das mudas e sementes da guabiroba-crespa. Fotos: Arquivo Apremavi

Guabiroba-crespa

Nome científico: Campomanesia reitziana D. Legrand
Família: Myrtaceae
Utilização: madeira utilizada para cabo de ferramentas, tábuas e lenha. Seus frutos são comestíveis, servindo de alimento para vários animais.
Coleta de sementes: diretamente da árvore quando começar a queda espontânea dos frutos ou recolhê-los do chão.
Época de coleta de sementes: outubro a novembro.
Fruto:  verde, arredondado, contendo até 4 sementes, possuindo aproximadamente 2 cm.
Flor: branca.
Crescimento da muda: médio
Germinação: normal.
Plantio: mata ciliar, área aberta, solo degradado.
Status de conservação: consta como Vulnerável na Lista Vermelha de Ameaça da Flora Brasileira

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas

 

Referências:

Brasil. Lista Vermelha de Ameaça da Flora Brasileira. 2014. Disponível em: https://specieslist.sibbr.gov.br/speciesListItem/list/drt1565629935045. Acesso em: 23 out. 2023.

Cury, B. J., Boeing, T., Somensi, L. B., Campos, A., Cechinel‐Filho, V., de Souza, P., & da Silva, L. M. (2022). Dimethyl cardamonin from fruits of Campomanesia reitziana D. Legrand promotes gastroprotection and gastric healing effects in rodents. Chemistry & Biodiversity, 19(12), e202200727. http://dx.doi.org/10.1002/cbdv.202200727.

Mariott, M., Mariano, L. N. B., Boeing, T., Cechinel Zanchett, C. C., Salamanca, E., Bella Cruz, A., … & da Silva, L. M. (2022). Preparations from Campomanesia reitziana reduce the gastrointestinal motility and castor oil‐induced diarrhea in a non‐opioid and non‐dopaminergic pathway in mice and display antimicrobial activity in vitro. Neurogastroenterology & Motility, 34(2), e14277.http://dx.doi.org/10.1111/nmo.14277.

Oliveira, M.I.U.; Costa, I.R.; Proença, C.E.B. Campomanesia in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB10327>. Acesso em: 21 out. 2023 

Prochnow, M. (org) (2007). No Jardim das Florestas. Rio do Sul: Apremavi.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.

Novo decreto do Governo Federal cria diretoria do Cadastro Ambiental Rural (CAR), por OCF

Novo decreto do Governo Federal cria diretoria do Cadastro Ambiental Rural (CAR), por OCF

Novo decreto do Governo Federal cria diretoria do Cadastro Ambiental Rural (CAR), por OCF

No mesmo dia, nota técnica com sugestões para disponibilização dos dados do cadastro é divulgada pelo Observatório do Código Florestal, ICV e Imaflora 

DO OBSERVATÓRIO DO CÓDIGO FLORESTAL | Recém-criada por decreto do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), a diretoria do Cadastro Ambiental Rural (CAR) terá trabalho pela frente. 

É o que aponta a nota técnica “Medidas para aprimoramento na disponibilização e acesso aos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR)” divulgada nesta quarta-feira, 11, de autoria do Observatório do Código Florestal em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV) e o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

Criado pelo Código Florestal (Lei 12.651 de 2012), o CAR é o registro de todos os imóveis rurais no Brasil em um sistema nacional, o Sicar, que permite monitorar a conformidade dos imóveis rurais e promover a regularização ambiental de acordo com o previsto pela legislação.

A nova diretoria, estabelecida pelo Decreto nº 11.731, publicado nesta quarta-feira, 11,  faz parte da mudança da estrutura regimental do MGI, que assumiu a gestão do sistema em junho deste ano por determinação da Lei nº 14.600/2023.

Até então, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), alocado dentro do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), era o responsável por apoiar a gestão e integração das bases de dados ambientais do CAR.

O diretor de políticas públicas do WWF Brasil, Raul do Valle, avalia a criação da diretoria como uma oportunidade para melhorias na operacionalização do sistema. 

“Esperamos que ele possa ser usado tanto pelo governo como pela sociedade para cruzar informações com outras bases de dados, fazer análises e permitir a identificação não apenas daqueles que não cumprem a lei, mas também daqueles que voluntariamente protegem florestas e outras formas de vegetação nativa para além do mínimo previsto em lei, para que possam ser reconhecidos por políticas públicas e privadas”, comenta.

Dentre as competências da nova diretoria do CAR estabelecidas pelo decreto, está a promoção do o acesso dos demais órgãos públicos aos dados do CAR em articulação com MMA e a Secretaria de Governo Digital, aprimoramento da infraestrutura do Sicar, a adoção das medidas administrativas, técnicas e tecnológicas necessárias à acessibilidade e à transparência dos dados públicos do CAR e à integração das bases de dados dos entes federativos à base de dados do mecanismo, em âmbito nacional.

A base de dados do CAR revela o nível de adequação das propriedades rurais ao estabelecido pelo Código Florestal e, consequentemente, o andamento do processo de implementação dessa política pública. Dessa forma, é essencial para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico, além do combate ao desmatamento no país.

 

NOTA TÉCNICA

A nova publicação técnica, enviada ao MGI e ao SFB, descreve, avalia e apresenta limitações ao acesso da sociedade aos dados do CAR e, a partir disso, apresenta recomendações de aprimoramento para melhoria da disponibilidade das informações ao público.

Dentre os problemas identificados, a nota descreve a falta de sincronia de atualização pelas diferentes rotas de acesso aos dados, o que provoca inconsistências em informações, a falta de consolidação de dados em um sistema único e a ausência de dados de histórico de cadastros.

“Já tivemos um grande avanço na transparência quando, em 2016, foram disponibilizados os dados do CAR à sociedade via consulta pública. Depois de alguns anos com pouco progresso, é o momento de retomar o diálogo e continuar aprimorando a disponibilização desses dados”, avaliou Ana Paula Valdiones, coordenadora de Transparência Ambiental do ICV.

Uma consulta pública realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no âmbito da formulação de seu Plano de Dados Abertos, em 2021, mostra que o CAR figura como a base mais votada pela sociedade na priorização de dados a serem abertos.

A secretária executiva do OCF, Roberta del Giudice, explica que os problemas apontados na nota afetam a integridade e a utilidade das informações. “Superar esses desafios é crucial para compreender melhor a situação dos imóveis rurais no Brasil, viabilizando o desenvolvimento de políticas para a implantação da Lei, com foco na restauração, valorização das commodities agrícolas brasileiras, políticas destinadas à valorização da agricultura familiar, dentre outras. O Observatório deseja sucesso à nova diretoria do MGI no cumprimento de sua atribuição e se coloca à disposição para contribuir com o que for necessário. Esperamos que o SFB e o MGI trabalhem de forma coordenada para garantir os resultados à sociedade”, diz. 

Os dados são subsídios, aponta a nota, para elaboração de políticas públicas, cumprimento de metas nacionais e estaduais para restauração de ecossistemas, fiscalização e licenciamento ambiental, além de identificação de requerimento de terras em áreas que não deveriam ser conhecidas como de uso privado, como Unidades de Conservação de Proteção Integral ou Terras Indígenas (TIs).

Além de apontamentos de melhorias específicas para cada rota de acesso, que são três, a nota apontou diferentes caminhos para melhor integração das bases de dados e detalhou dados ainda não disponíveis que poderiam ser publicados para melhorias na transparência ativa.

A equipe técnica também reforçou orientação, enviada ao MGI e ao SFB, para garantia da preservação das rotas de acesso durante e após a migração do CAR aos sistemas da pasta.

“O acesso ao CAR tem grande relevância para diferentes grupos que atuam conciliando produção agropecuária com conservação ambiental no Brasil. Com a transferência de sua gestão para o MGI, avaliamos que é importante estreitar o diálogo com os órgãos públicos para garantir a manutenção e o aprimoramento da disponibilidade e transparência desses dados”, afirma Bruno Vello, analista de políticas públicas do Imaflora e um dos autores do trabalho. 

Confira a nota técnica completa aqui.

 

Sobre o Observatório do Código Florestal

O Observatório do Código Florestal é uma rede de 43 entidades ligadas à questão ambiental criada com objetivo de monitorar a implementação da Lei Florestal, defender a vegetação e a produção sustentável no país.  O Instituto Centro de Vida (ICV) e o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) são membros da rede. 

Informações para imprensa

Observatório do Código Florestal – Júlia Beatriz Oliveira – julia.oliveira@observatorioflorestal.org.br – 92 98427-8828

Instituto Centro de Vida – Rodrigo Vargas – rodrigo.vargas@icv.org.br

Imaflora – Jéssica Tabuti – jessica.tabuti@imaflora.org.br

Texto: Júlia Beatriz Oliveira
Edição: Simone Milach

Apremavi participa da Semana ODS na Prática

Apremavi participa da Semana ODS na Prática

Apremavi participa da Semana ODS na Prática

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) compõem uma ampla iniciativa global composta por 17 metas interligadas e um total de 169 realizações a serem cumpridas até 2030. A concepção dos ODS foi resultado de um processo extenso que envolveu múltiplos setores da comunidade global, concluso em 2015, quando os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) chegaram a um acordo final durante uma Assembleia Geral.

A Apremavi deu início a um movimento para identificar em suas atividades os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em 2020, por meio de um estudo que mapeou como trabalhamos diariamente. Além disso, iniciou um processo para incorporar novas metas ​​relacionadas à Agenda 2030 no seu planejamento estratégico decenal.

> Conheça os ODS no trabalho da Apremavi

 

Palestra “Uma história de empreendedorismo”

Visando contribuir para os ODS a Apremavi participou de mais uma edição da Semana ODS na Prática organizada pelo Movimento ODS SC. A primeira ação ocorreu no dia 26/09 em Rio do Sul (SC) no Colégio Dom Bosco com os alunos do curso de empreendedorismo consciente, em parceria com o signatário Jean Pier Xavier de Liz. A palestra abordou a história do empreendedorismo do Viveiro Jardim das Florestas como visionário na busca pela produção de mudas nativas da Mata Atlântica. 

“Falar com jovens adultos é sempre uma oportunidade para inspirá-los, com base na nossa história de sucesso, a se tornarem líderes ativos na sociedade e impulsionarem ações de conservação da biodiversidade e restauração dos ecossistemas“ comenta Carolina Schäffer, diretora da Apremavi, coordenadora de projetos e da comunicação institucional.

Além da palestra, nos próximos dias será realizado um plantio de 360 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica ao redor de uma nascente em uma propriedade em Rio do Sul (SC).

 

O Movimento ODS SC

Desde 2020, a instituição faz parte do Movimento ODS de Santa Catarina, que tem como missão facilitar a incorporação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no dia-a-dia das pessoas e na prática das organizações catarinenses, bem como discutir a implementação da Agenda 2030. Em SC somos 736 signatários, entre pessoas físicas e jurídicas, de 68 municípios que estão articulados em 13 comitês. O nosso é o Comitê do Vale Europeu.

Anualmente, o Movimento organiza a “Semana ODS na Prática” com ações realizadas pelos Comitês Locais para dar visibilidade às iniciativas relacionadas aos ODS em parceria com os signatários do Movimento. A semana ocorre duas vezes por ano, a primeira na última semana do mês de maio e a segunda na última semana do mês de setembro. Neste ano, a Apremavi participou da segunda semana, realizada de 25 a 30 de setembro.

> Conheça o Movimento ODS SC 

 

 

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.

Novas árvores são plantadas em comemoração aos 25 anos do Bosque de Heidelberg

Novas árvores são plantadas em comemoração aos 25 anos do Bosque de Heidelberg

Novas árvores são plantadas em comemoração aos 25 anos do Bosque de Heidelberg

Visando celebrar os 25 anos do projeto Bosque de Heidelberg, fruto da parceria entre a Apremavi e a ONG alemã Bund Für Umwelt und Naturschutz Deutschland (BUND), dois plantios foram realizados em Santa Catarina

O primeiro deles ocorreu no Dia da Árvore (21/09), no Centro Educacional Infantil Luize Heidrich em Taió (SC), em uma propriedade próxima à escola. Na ocasião, a Apremavi além de realizar o plantio com os alunos explicou sobre a importância do mesmo e também da restauração e conservação da Mata Atlântica.

As atividades fizeram parte de um projeto já existente na escola, conforme relata a professora Aline Becker Eyng: “O projeto do Dia da Árvore da escola é uma iniciativa importante para conscientizar as crianças sobre a importância das árvores e da preservação ambiental. Por meio de atividades lúdicas e educativas, as crianças aprendem sobre os benefícios das árvores para o meio ambiente e a vida humana, além de desenvolver habilidades e valores importantes como responsabilidade  ambiental, cooperação, criatividade e empatia”.

   + Confira a reportagem produzida pela Rede Web TV sobre a ação

Plantio em Taió (SC) no Dia da Árvore em parceria com o  Centro Educacional Infantil Luize Heidrich. Fotos: Miriam Prochnow

Plantio em Taió (SC) no Dia da Árvore em parceria com o  Centro Educacional Infantil Luize Heidrich. Fotos: Miriam Prochnow

Já no dia 3/10, ocorreu o segundo plantio, em Cerro Verde I, no município de Ponte Alta (SC), em parceria com a Epagri. A proposta surgiu por demanda dos moradores que queriam mais sombra e cores na praça e parquinho da comunidade.

Além do plantio, foi realizado uma conversa sobre paisagismo na propriedade rural com a extensionista rural do município de Ponte Alta, Adelina Berns; e a apresentação do Projeto Bosques de Heidelberg pela Coordenadora de Projetos da Apremavi, Tatiana Arruda Correa. A parte prática contou com a montagem de um canteiro no formato de uma mandala com as mudas de plantas que os moradores trouxeram para compartilhar e embelezar ainda mais o local.

Ao final da tarde, foi realizado um café solidário, como forma de integração e fortalecimento dos vínculos entre os participantes. Segundo Adelina, uma das idealizadoras da ação, a data do plantio é simbólica: “um dia para ficar marcado e reforçar que as ações só são possíveis com as parcerias e comprometimento dos envolvidos“.

Plantio em Ponte Alta (SC) em parceria com a Epagri. Foto: Arquivo Apremavi

Plantio em Ponte Alta (SC) em parceria com a Epagri. Foto: Arquivo Apremavi

Bosques de Heidelberg

A doação das mudas para o plantio foi possível através do projeto Bosques de Heidelberg,  uma parceria entre a Apremavi e a ONG alemã Bund für Umwelt und Naturschutz Deutschland – BUND. A BUND é uma organização sediada em Heidelberg, sul da Alemanha, que trabalha desde 1976 pela proteção e conservação ambiental desenvolvendo projetos com foco especial na educação e conscientização de jovens e adultos.


A Epagri 

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), atua em atividades que buscam o aperfeiçoamento das atividades agrícolas em território catarinense. Desenvolve pesquisas e presta atividades de extensão a produtores rurais de forma gratuita. É parceira de longa data da Apremavi, em diversas ações e projetos, como nas atividades do projeto Implantando o Código Florestal

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autoras: Adelina Cecilia de Andrade Bernes e Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.
Foto da capa: Plantio em Taió (SC) realizado no Dia da Árvore em parceria com o Centro Educacional Infantil Luize Heidrich. Foto: Miriam Prochnow

Dia da árvore na Apremavi é sinônimo de ação

Dia da árvore na Apremavi é sinônimo de ação

Dia da árvore na Apremavi é sinônimo de ação

O Dia da Árvore é uma data emblemática que nos convida a refletir sobre a vital importância dessa forma de vida para todas as espécies. 

O plantio de mudas desempenha um papel fundamental na restauração ecológica de ecossistemas e também amplia a presença de árvores em áreas urbanas. Por meio das doações diretas e vendas de mudas para organizações que também realizam a distribuição de mudas nativas no Dia da Árvore, a Apremavi busca associar as atividades de educação e mobilização com a prática, promovendo o plantio de árvores e sensibilizamos sobre a necessidade da conservação e restauração para o enfrentamento das crises socioambientais do presente.

Ao lado de parceiros de longa data e centros de ensino de diferentes municípios, foram articuladas e apoiadas diversas atividades, buscando a distribuição das mudas e o compromisso de que as mesmas serão plantadas. Confira algumas ações realizadas pela Apremavi em rede com parceiros nesta data:

Doação de mudas

O projeto Matas Sociais – planejando propriedades sustentáveis, executado em parceria com a Klabin e o Sebrae, doou 2.640 mudas para instituições de ensino e governamentais de sete municípios:

  • Telêmaco Borba: Instituto Federal do Paraná – Campus Telêmaco Borba e Secretaria do Meio Ambiente;
  • Ventania: Secretaria do Meio Ambiente;
  • Ortigueira: Escola Municipal Professor Mercimeire Teodoro de Oliveira e Secretaria do Meio Ambiente;
  • Reserva: Secretaria do Meio Ambiente;
  • Imbaú: Centro Municipal de Educação Infantil Tia Lu, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE e Câmara Municipal dos Vereadores de Imbaú (CEMEI);
  • Figueira: Secretaria Municipal de Figueira.
Plantio de mudas no Centro Municipal de Educação Infantil em Imbaú (PR). Crédito: Centro Municipal de Educação Infantil em Imbaú (PR)

Plantio de mudas no Centro Municipal de Educação Infantil Tia Lu em Imbaú (PR). Crédito: Adriana Sokulski Paes.

Distribuição de mudas na rede Archer

Por mais de duas décadas, no Dia da Árvore, a rede de Supermercados Archer, com sede em Brusque (SC), tem presenteado seus clientes com mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. Em 2023  foram distribuídas 30.000 mudas, todas provenientes do Viveiro Jardim das Florestas. A campanha de doação foi marcada pela chamada inspiradora “Preservar é fazer do futuro uma parte do seu dia a dia.”

Carregamento de mudas adquiridas pela rede Archer para doação. Foto: Taís Fontanive

Carregamento de mudas adquiridas pela rede Archer para doação. Foto: Taís Fontanive

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.

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