Apremavi participa de encontro das Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica

Apremavi participa de encontro das Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica

Apremavi participa de encontro das Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica

Entre os dias 17 e 21 de outubro a Apremavi esteve presente no Encontro das Unidades Regionais (URs) do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica que aconteceu na sede da Reserva Ecológica de Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu (RJ).

O primeiro encontro presencial pós-pandemia contou com apresentações de cada UR sobre o trabalho realizado na restauração dos ecossistemas da Mata Atlântica, bem como conversas sobre como ampliar a escala da restauração, o uso de ferramentas de monitoramento como drones e outras metodologias, e ainda visitas de campo para conhecer áreas de restauração e técnicas experimentais para ampliação da escala, como a muvuca.

Vindas de 15 estados onde há ocorrência da Mata Atlântica, além da Apremavi entre as organizações participantes, estavam a APOENA, Associação Ambientalista Copaíba, Associação Mico-Leão-Dourado, Cepan, Dap Web, ECO OCELOT, Grupo Ambiental Natureza Bela, IBAM, Instituto ÇaraKura, Iracambi Centro de Pesquisas, Mater Natura, Reserva Ecológica de Guapiaçu e SAVE Brasil.

Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi, esteve no encontro e comentou que foi oportuna a troca de saberes: “nada substitui esse contato físico com os ambientes restaurados e com os agentes de restauração; saímos dessas experiências sempre com muita energia e com a certeza de que não estamos sozinhos nos desafios e na busca de soluções”.

 

Apremavi participa de encontro das Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica. Foto: Carolina Schäffer

Registros do encontro das Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica. Fotos: Carolina Schäffer

Mico-leão-dourado um ator da restauração

No terceiro dia do encontro ocorreu a visita à sede da Associação Mico-Leão-Dourado (AMDL), em Silva Jardim (RJ). Na ocasião foram visitadas áreas restauradas pela instituição, remanescentes florestais de propriedades “parceiras do mico” onde foi possível avistar um banco com 12 indivíduos andando livremente pela mata, e também o primeiro viaduto vegetado do país.

A região de ocorrência do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) está localizada entre a cidade do Rio de Janeiro, segunda maior metrópole brasileira, e a Bacia de Campos/Macaé, a mais importante área de exploração de petróleo do país. Em razão do crescimento industrial e para superar a barreira das rodovias em ampliação na região, a AMLD tem trabalhado na implementação de passagens de fauna e na recomposição de áreas degradadas. 

Micos de populações diferentes precisam se encontrar para se reproduzir, mas isso só vai ocorrer se matas isoladas forem conectadas”, afirma Luís Paulo Marques Ferraz, Secretário-Executivo da Associação.

Visita à sede da Associação Mico-Leão-Dourado. Foto: Carolina Schäffer

Visita à sede da Associação Mico-Leão-Dourado. Fotos: Carolina Schäffer

Cartilha Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis

Durante o encontro as Unidades Regionais foram apresentadas à nova publicação da Apremavi – a Cartilha Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis, lançada virtualmente em maio com apoio da Iniciativa Internacional Clima e Floresta da Noruega (NICFI), num consórcio de organizações não governamentais liderado pelo Observatório do Código Florestal (OCF), no âmbito do projeto Implantando o Código Florestal.

A cartilha é uma ferramenta de conscientização e formação que traz informações sobre a Mata Atlântica e sua importância, trata da adequação ambiental de propriedades rurais, especialmente no âmbito do Novo Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica e apresenta diversas soluções baseadas na natureza, para serem implementadas nos diversos territórios.

O lançamento da versão física da publicação está previsto para novembro durante a IV Conferência Brasileira de Restauração Ecológica que acontecerá em Vitória (ES).

+++ Acesse a publicação aqui.

Apresentação da cartilha Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis. Foto: Instituto Çarakura

Apresentação da cartilha Planejando Propriedades e Paisagens Sustentáveis. Foto: Instituto Çarakura

O Pacto Mata Atlântica

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica é um movimento nacional que tem a missão de articular e integrar atores interessados na restauração do bioma, induzindo ações e resultados em larga escala, com benefícios ambientais, sociais e econômicos.

Estabelecido em abril de 2009, o Pacto atua estrategicamente articulando instituições públicas e privadas, governos, empresas, comunidade científica e proprietários de terras para integrar seus esforços e recursos na geração de resultados em restauração e conservação da biodiversidade nos 17 estados do bioma.

Atualmente, o movimento prioriza a atuação em três linhas principais: Territórios Certificados, Comunicação e Capacitação e Monitoramento Multidimensional. E sua atuação se dá através das unidades regionais que têm como função atuar no diagnóstico da cadeia de restauração, auxiliando na identificação dos cenários e dos atores locais, bem como na identificação das lacunas de informações e dos elos dessa cadeia.

Mapa das Unidades Regionais do  Pacto Mata Atlântica. Figura:  Pacto Mata Atlântica

Mapa das Unidades Regionais do Pacto Mata Atlântica. Figura: Pacto Mata Atlântica

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Thamara Santos de Almeida.

Apremavi participa da Assembleia Geral do FSC

Apremavi participa da Assembleia Geral do FSC

Apremavi participa da Assembleia Geral do FSC

Entre os dias 9 e 14 de outubro de 2022 a Apremavi esteve em Bali, na Indonésia, para acompanhar a Assembleia Geral do Forest Stewardship Council, o FSC. Enquanto o mundo enfrenta um cenário de crises climática, econômica e social, o FSC se propõe a ser uma plataforma que contribui com soluções para a manutenção de florestas resilientes para todos.

A Assembleia Geral é uma oportunidade que os membros têm de trocar experiências e aprender sobre as melhores práticas para a conservação da natureza e o manejo florestal sustentável. Além disso, é na Assembleia que os membros das três câmaras que compõem o sistema FSC – Ambiental, Econômica e Social – discutem os temas prioritários e votam nas moções que definem os rumos e regras do sistema.

Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi, comenta que o encontro foi inspirador e de muita aprendizagem. “Passar uma semana na companhia de outras 500 pessoas de todas as partes do mundo, 40 do Brasil, e buscam em conjunto soluções baseadas na natureza para as diferentes crises que o mundo enfrenta é um privilégio e, ainda que cada um tenha o seu ponto de vista e a sua opinião, o objetivo de todos é um só e o poder do diálogo sempre prevalece como deveria ser”, comenta.

Assembleia Geral do FSC. Foto: Carolina Schaffer

Registros da Assembleia Geral do FSC em Bali na Indonésia. Fotos: Carolina Schäffer.

O FSC

O FSC – Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal, em português) é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, criada em 1994 para promover o manejo florestal responsável ao redor do mundo, por meio de um sistema de certificação, pioneiro e único, que incorpora, de forma igualitária, as perspectivas de grupos sociais, ambientais e econômicos. Com sede na Alemanha e no México, está presente em mais de oitenta países.

No Brasil, o FSC foi oficialmente estabelecido em 2002, época em que a Apremavi se tornou parte da organização, mas as primeiras florestas certificadas brasileiras são dos anos 1990. As áreas certificadas de manejo comunitário, concessões públicas e empresariais da Amazônia, bem como de plantações florestais no país inteiro, fornecem matéria-prima para diversos setores da economia, como construção civil, papel e celulose, embalagens, alimentos e cosméticos.

 

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Miriam Prochnow.

Eco-ansiedade: a preocupação com o futuro do planeta tem nome

Eco-ansiedade: a preocupação com o futuro do planeta tem nome

Eco-ansiedade: a preocupação com o futuro do planeta tem nome

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), vinculado à ONU, apontou que as ações humanas estão contribuindo para o aquecimento global e que alguns dos efeitos já estão sendo observados no mundo todo.  

Além das mudanças climáticas, que é uma problemática mundial, temos observado nos últimos anos no Brasil a boiada passar com inúmeros retrocessos ambientais, desde o desmatamento, que explodiu em todos os biomas, até o perdão de dívidas ambientais, crescimento de incêndios criminosos, enfraquecimento das instituições ambientais, dentre outros. Sobram motivos para ficarmos com medo frente a incerteza do futuro que nos espera.

Esse medo crônico frente a destruição ambiental tem nome, é chamado de eco-ansiedade. O termo se popularizou devido ao relatório da Associação de Psicologia dos Estados Unidos, lançado em 2017, que discutiu a saúde mental relacionada às mudanças climáticas. O objetivo da publicação é promover a compreensão sobre as implicações da crise socioambiental e do clima para profissionais da saúde, líderes e demais extratos sociais.

A eco-ansiedade é mais suscetível em grupos que lidam com as questões ambientais, como ativistas climáticos, pesquisadores, estudantes universitários e professores, biólogos, comunidades rurais e populações periféricas. A publicação apresenta algumas formas de manifestação dessa condição: 

“A capacidade de processar informações e tomar decisões sem ser desativada por respostas emocionais extremas está ameaçada pelas mudanças climáticas. Alguma resposta emocional é normal, e até mesmo emoções negativas são uma parte necessária de uma vida plena. No caso extremo, no entanto, eles podem interferir com nossa capacidade de pensar racionalmente, planejar nosso comportamento e considerar ações alternativas. Um evento climático extremo pode ser uma fonte de trauma, e a experiência pode causar emoções incapacitantes. Efeitos mais sutis e indiretos das mudanças climáticas podem adicionar estresse à vida das pessoas em diferentes graus. Os efeitos do clima se traduzem em saúde mental prejudicada que pode resultar em depressão e ansiedade”. 


Adaptado de ‘Mental Health and Our Changing Climate: Impacts, Implications, and Guidance’ – American Psychological Association.

 

A eco-ansiedade pode nos paralisar

Um artigo relatou fatores que podem fazer com que sejamos menos capazes de lidar com as mudanças climáticas, onde a eco-ansiedade resulta em sentimento de frustração e impotência para mudar a realidade, sendo até debilitante. Os fatores citados compreendem limitações cognitivas, como dificuldade de lidar com preocupação distantes, ignorância sobre o que fazer, estar habituado com as notícias a ponto de não se importar, subestimar os riscos futuros, sentimento de impotência frente a um problema muito grande, além de questões ideológicas como a ideia de que uma tecnologia ainda não criada vai nos salvar, entre outros.

Além disso, há evidências que sugerem que as mudanças climáticas exacerbam as graves desigualdades de saúde mental existentes dentro das nações. O estudo utiliza como exemplo a comparação de informações sobre saúde mental dos povos originários inuits do Canadá com outros extratos sociais. 

Historicamente, as populações inuítes experimentam disparidades substanciais de saúde mental em comparação com a população canadense não indígena, como consequência dos impactos duradouros da colonização. As consequências podem ser observadas na saúde mental: as taxas de suicídio entre os inuítes são até 11 vezes maiores do que a média canadense.10 Assim, é claro que a pressão já associada a disparidades pré-existentes de saúde mental será ainda mais exacerbada por futuras mudanças climáticas e ambientais.

Como minimizar a eco-ansiedade?

Confira um compilado de recomendações descritas por especialistas*

– Aprender maneiras de aliviar ou prevenir a ansiedade e a depressão como ataques de pânico, catastrofização ou outras formas paralisantes de ansiedade.
Os especialistas concordam que uma certa quantidade de ansiedade e mau humor serão evidentes no momento atual com a soma de várias crises, mas os níveis de ansiedade podem ser diminuídos e fortes sintomas de ansiedade podem ser ajudados pelo apoio de outras pessoas e pelo autocuidado. Muitos autores dão dicas práticas de habilidades e estratégias que ajudam quando os sentimentos de ansiedade começam a aumentar. Isso inclui respirar devagar, tomar uma decisão consciente para evitar catástrofes e usar distrações saudáveis ​​e meios reconfortantes;

– Desenvolver habilidades emocionais ou habilidades de saúde mental com antecedência, como a canalização da energia emocional e construção de rotinas diárias que aumentam o bem-estar do corpo e da mente;

– Aprender a manter o sentido da vida. Isso está intimamente ligado às discussões sobre esperança;

– Encontrar formas de participar na resolução de problemas relacionados com a crise ecológica. Os autores enfatizam que há ações individuais e coletivas. No entanto, costumam enfatizar que a ação coletiva deve ser acentuada para aliviar essa ecoansiedade, que decorre dos limites individuais e do sentimento de desamparo. Muitos especialistas alertam contra o uso apenas da ação como antídoto para a ansiedade ecológica, pois isso pode facilmente levar ao esgotamento ou a visões irreais sobre a real importância das ações individuais.- Encontrar suporte e apoio profissional;

– Desenvolver e manter uma forte ligação com a natureza.

*Traduzido e adaptado de INGLE, Harriet E.; MIKULEWICZ, Michael. Mental health and climate change: tackling invisible injustice. The Lancet Planetary Health, v. 4, n. 4, p. e128-e130, 2020.

Amar e mudar as coisas

Além das sugestões de como lidar com a eco-ansiedade, devemos buscar melhorar a forma como comunicamos as questões ambientais. É preciso compartilhar soluções possíveis e buscar apaixonar as pessoas, indo além da comunicação da tragédia. Pensando nisso, a IUCN lançou há uns anos uma campanha chamada “Love, not loss” (Amor, não perda) que para além do futuro catastrófico mostra como é importante contar histórias que deram certo na conservação da biodiversidade.

A Apremavi, junto com inúmeros parceiros, mostra na prática que é possível mudar a realidade. Ao longo dos nossos 35 anos de existência trabalhamos pelo fortalecimento das políticas públicas ambientais, pela criação de unidades de conservação públicas e particulares, em ações de capacitação e educação ambiental, além de atuarmos diariamente na restauração e recuperação de áreas degradadas. Amar e mudar as coisas nos interessa mais, que possamos juntos colocar a mão na massa, sem ceder a paralisia e a inércia, seguimos juntos!

Referências:

CLAYTON, Susan et al. Mental health and our changing climate: Impacts, implications, and guidance. Washington, DC: American Psychological Association and ecoAmerica, 2017.

INGLE, Harriet E.; MIKULEWICZ, Michael. Mental health and climate change: tackling invisible injustice. The Lancet Planetary Health, v. 4, n. 4, p. e128-e130, 2020.

PIHKALA, Panu. Eco-anxiety and environmental education. Sustainability, v. 12, n. 23, p. 10149, 2020

STANLEY, Samantha K. et al. From anger to action: Differential impacts of eco-anxiety, eco-depression, and eco-anger on climate action and wellbeing. The Journal of Climate Change and Health, v. 1, p. 100003, 2021.

O presente conteúdo serve apenas para informação geral, sem pretensão de fornecer diagnóstico, orientação especializada ou indicação de tratamento. Estudos apresentados são de responsabilidade exclusiva dos autores.

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.

Jurubeba-falsa, importante na restauração

Jurubeba-falsa, importante na restauração

Jurubeba-falsa, importante na restauração

A jurubeba-falsa (Solanum variabile), também conhecida como jurubeba ou jurubeba-velame, é uma espécie de arbusto geralmente encontrada em locais úmidos e terrenos elevados. A origem do nome vem do latim “variabile”, variável, pela enorme variação nos pelos e no formato das folhas.

Ocorre no Sudeste e Sul do Brasil nos biomas Mata Atlântica e Pampa, nas formações de Campo de Altitude, Floresta Ombrófila e Floresta Ombrófila Mista, com maior frequência nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É uma espécie arbustiva que pode atingir de 3 a 4 metros de altura.

Por ser uma espécie zoocórica, ou seja, com a dispersão das sementes feita por animais, é importante em áreas restauradas pelo seu potencial já visto de atração da fauna, com destaque para as abelhas nativas sem ferrão. Além do seu crescimento rápido que auxilia na cobertura do solo e na estruturação da floresta.

Em relação ao seu potencial medicinal, um estudo evidenciou, por meio da experimentação em camundongos, a importância dessa espécie para tratamento de úlcera gástrica*. Além disso, em uma determinada concentração a jurubeba foi eficiente em sua ação repelente ao gorgulho-do-milho, pequeno besouro presente na cultura do milho.

Jurubeba-falsa. Foto: Vitor Lauro Zanelatto

Detalhes da flor, fruto e folhas da Jurubeba-falsa, registrada em Imbaú (PR). Fotos:  Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto

Jurubeba-falsa

Nome científico: Solanum variabile Mart.

Família: Solanaceae

Utilização: Uso medicinal, paisagismo e em áreas de restauração

Fruto: possui uma cor verde esbranquiçada quando jovem e amarela quando maduro. Os frutos se desprendem na maturação e liberam as sementes por decomposição de seus tecidos. Cada fruto encerra cerca de 10 sementes.

Flor: branca.

Floração: setembro e novembro.

Crescimento da muda: rápido.

Status na Lista Vermelha da IUCN: pouco preocupante (Least Concern), ou seja, a espécie não está ameaçada de extinção.

 

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas

 

Fontes consultadas

Solanaceae in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB14880>. Acesso em: 12 out. 2022

ANTONIO, Jose Marcelino. Atividade antiulcerogenica do extrato etanolico bruto obtido a partir das folhas de Solanum variabile Mart.

PEDOTTI-STRIQUER, Lara; BERVIAN, Cleberson Inacio Baungaertner; FAVERO, Silvio. Ação repelente de plantas medicinais e aromáticas sobre Sitophilus zeamais (Coleoptera: Curculionidae). Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde, v. 10, n. 1, p. 55-62, 2006.

BECHARA, Fernando Campanhã. Unidades demonstrativas de restauração ecológica através de técnicas nucleadoras: Floresta Estacional Semidecidual, Cerrado e Restinga. Piracicaba: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, 2006.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.
Foto de capa: Carolina Schäffer.
Identificação da espécie: Leandro Casanova e Gabriela Goebel.

Apremavi realiza ações em alusão ao dia da árvore

Apremavi realiza ações em alusão ao dia da árvore

Apremavi realiza ações em alusão ao dia da árvore

Com a chegada da primavera e as celebrações do dia da árvore, o mês de setembro sempre é bastante movimentado na Apremavi.

De mutirões de doação de árvores nativas à palestras em escolas, a lista de ações realizadas nas últimas duas semanas no âmbito dos projetos que executamos é extensa. Confira abaixo o que cada um dos projetos executou.

Matas Sociais no Paraná

A equipe do programa Matas Sociais, planejando propriedades sustentáveis participou de ações de educação ambiental junto às secretarias municipais e escolas das cidades atendidas pelo programa. Foram ministradas palestras para alunos e professores com o objetivo de sensibilizar os alunos a respeito das questões ambientais, principalmente sobre o desmatamento ilegal, extinção das espécies e o risco da escassez dos recursos hídricos. Durante a semana, também foram doadas cerca de 2.300 mudas de árvores para os alunos das escolas.

Esta foi uma oportunidade única de aprendizado, pois o trabalho de educação ambiental é imprescindível para a conscientização dos alunos. “São eles que futuramente terão a missão de cuidar da preservação das nossas florestas e do meio ambiente, por isso essas ações de educação ambiental nas escolas são de fundamental importância para a formação dos alunos”, destaca William V. de Castro Ribas, técnico ambiental da Apremavi.

Registros das atividades realizadas pelo projeto Matas Sociais do Paraná. Fotos: Emílio Ribas, Secretaria do Meio Ambiente de Reserva e William V. de Castro Ribas

Matas Legais no Paraná

A equipe do projeto Matas Legais executou atividades com foco principal no dia da árvore envolvendo cerca de 700 pessoas, dentre elas alunos do ensino fundamental, médio e EJA, professores e diretores.

A primeira ação ocorreu na Escola Municipal Doutor Pedro Antonio Zanardi localizada no município de Figueira, onde foi realizada uma palestra com sobre a preservação do meio ambiente e um plantio simbólico. Já em Curiúva, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), foi realizada uma palestra e também uma apresentação de teatro foi realizada pelos alunos, e no Colégio Estadual Jandira Ferreira Rosas também foi realizada uma palestra. Em ambos locais também foram doadas 350 mudas de árvores frutíferas e ornamentais.

Palestra no dia da árvore. Foto: Emilene Bueno Diniz

Registros das atividades realizadas pelo projeto Matas Legais do Paraná. Fotos: Pedro Ferreira, Emilene Bueno Diniz, Silvana Sampaio e Dizone Barbosa Bueno

Matas Legais em Santa Catarina

Em Santa Catarina, o projeto Matas Legais realizou duas ações: uma entrega de mudas com plantio simbólico e uma palestra também com entrega de mudas.

A primeira atividade ocorreu na Creche Pré-Escolar Sepé Tiarajú no município de Lages e envolveu 75 crianças. A atividade foi feita em conjunto com as técnicas da Klabin, empresa parceira do projeto, Rosângela Westphal e Luisa Calian Barra.. Na oportunidade, Leandro Casanova, colaborador da Apremavi e coordenador do Matas Legais em SC, fez um breve relato sobre o programa Matas Legais, e Daiana Tânia Barth, técnica ambiental da Apremavi, fez uma fala sobre a preservação dos recursos hídricos e ressaltou a importância da reciclagem do lixo Como encerramento da atividade ocorreu a distribuição de materiais de educação ambiental e um plantio simbólico com a participação das crianças em uma área de preservação permanente junto a um rio próximo da escola.

Já a segunda atividade ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Eduardo Adolfo Wendel na cidade de Taió. A palestra abordou as temáticas de mudanças climáticas, biodiversidade e água. Silvia Soerensen, professora de ciências da escola, agradeceu imensamente pela atividade: “A atividade foi muito boa, além das minhas expectativas.O trabalho da Apremavi é essencial porque sabemos como é importante criar essa conscientização nas crianças, especialmente porque a maioria dos pais não têm essa visão. Eu tenho muito apreço e muita admiração pelo trabalho de vocês e espero que vocês continuem nessa caminhada com muito sucesso”, comenta a professora.

Ação do Matas Legais em Santa Catarina no dia da árvore. Foto: Lukas Lins Vieira

Registro de parte das atividades realizadas pelo projeto Matas Legais em Santa Catarina. Foto: Lukas Lins Vieira 

+ Floresta

Já o projeto +Floresta esteve presente na Escola Estadual de Ensino Médio Paulo Freire localizada no Assentamento José Maria em Abelardo Luz (SC), área de atuação do projeto. O encontro contou com doação de mudas para plantio na escola e uma palestra sobre a importância da proteção de árvores e florestas. Além da alusão ao Dia da Árvore, a atividade também fez parte da semana de comemoração do aniversário da escola, onde foram realizadas outras palestras de interesse à comunidade escolar.

Parceria que perdura, doação do Archer

Há mais de 20 anos, no dia da árvore, os Supermercados Archer, de Brusque (SC), distribuem para os seus clientes mudas de árvores nativas.

As 30.000 mil mudas distribuídas este ano foram produzidas no Viveiro Jardim das Florestas e a campanha de doação contou com o tema “Uma ideia não nasce sozinha, você precisa plantar”.

Carregamento de mudas para doação da Archer. Foto: Wigold B. Schäffer

Carregamento de mudas para doação do Archer. Fotos: Wigold B. Schäffer

Autores: Daiana Tânia Barth, Marluci Pozzan, Mauricio Reis, Pedro Ferreira, Thamara Santos de Almeida e William V. de Castro Ribas.
Revisão: Carolina Schäffer.

Atividades de implantação da restauração na área piloto do Conservador das Araucárias são finalizadas

Atividades de implantação da restauração na área piloto do Conservador das Araucárias são finalizadas

Atividades de implantação da restauração na área piloto do Conservador das Araucárias são finalizadas

Localizada no município de Urubici (SC), na divisa com o Parque Nacional de São Joaquim, no coração da Serra Catarinense e na área de abrangência da Floresta com Araucárias, a Fazenda Santa Bárbara, propriedade escolhida para implantação da área piloto do Projeto Conservador das Araucárias, tem ao todo 155 hectares, dos quais 52% eram cobertos por pastagens e usadas para criação de  gado até recentemente, segundo o proprietário.

Em 87,16 hectares da área foram utilizadas diferentes metodologias de restauração como o plantio de mudas em área total, em 28,49 hectares, o enriquecimento ecológico, em 9,23 hectares, e a condução da regeneração natural, em 49,44 hectares.

No total foram plantadas 38 mil mudas de árvores nativas de espécies nobres, pioneiras e frutíferas da Mata Atlântica que estão em pleno desenvolvimento (veja galeria abaixo) como araucária (Araucaria angustifolia), pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii), casca-d’anta (Drimys brasiliensis), goiaba-da-serra (Acca sellowiana), erva-mate (Ilex paraguariensis), cambará (Gochnatia polymorpha), bracatinga (Mimosa scabrella), uvaia (Eugenia pyriformis), cereja-do-rio-grande (Eugenia involucrata), guabiju (Myrcianthes pungens), ipê-amarelo-da-serra (Tabebuia alba), cedro (Cedrela fissilis), araçá-vermelho e amarelo (Psidium cattleianum), araçá-do-campo (Psidium myrsioides), aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius), guabiroba-crespa (Campomanesia reitziana), guabiroba-do-campo (Campomanesia guaviroba), guabiroba-lisa (Campomanesia xanthocarpa), guabirobinha (Campomanesia rhombea), tarumã (Vitex megapotamica), imbuia (Ocotea porosa), caroba (Jacaranda caroba), capororoca-branca (Rapanea ferruginea), açoita-cavalo (Luehea divaricata), goiaba-da-serra (Acca sellowiana), coqueiro-jerivá (Syagrus romanzoffiana), pacari (Lafoensia pacari), entre outras.

Mudas em desenvolvimento. Fotos: Arquivo Apremavi.

As atividades foram iniciadas em fevereiro de 2022 e finalizaram em agosto de 2022. A equipe da Apremavi realizou um mutirão para iniciar as atividades de restauração, deste mutirão participaram 11 pessoas ao longo de 12 dias. Depois disso uma equipe terceirizada foi contratada, sempre com a supervisão de técnicos da Apremavi. A equipe contratada envolveu em média cinco pessoas que trabalharam no período de abril a agosto.

Nas condições encontradas na propriedade piloto, uma pessoa consegue plantar em média 100 mudas por dia. É importante destacar que para que o terreno esteja em condições para o plantio das mudas, é necessário fazer coroamento, abertura dos berços, colocação de adubo, hidrogel e estacas. No período do plantio das mudas houve ocorrência de períodos de chuvas, geadas e até neve, fatores que dificultaram o trabalho e atrasaram o cronograma de implementação em aproximadamente 60 dias. 

O plantio das mudas de árvores ocorreu no outono e inverno, períodos em que naturalmente as plantas têm o desenvolvimento reduzido em função do frio que ocorre na região, o que é perfeitamente normal. Nas fotos anexas pode ser observado que as mudas plantadas estão enraizadas e seu crescimento deve se acelerar agora na primavera e no verão vindouro. Estima-se que haja uma mortalidade de aproximadamente 10%, decorrente de fatores climáticos e formigas.

Giem Guimarães, proprietário da área, não mede esforços para garantir o sucesso da restauração da propriedade e espera que sua atitude sirva como exemplo: “Como empresário e defensor da Floresta com Araucárias, que foi praticamente dizimada, tenho muito orgulho em fazer parte dessa iniciativa inédita. O sucesso econômico e a nossa sobrevivência dependem da conservação da natureza. Entendo que é preciso mostrar à sociedade que os negócios e a conservação podem andar juntos”, complementa.

Plantio na área piloto do Conservador das Araucárias. Foto: Arquivo Apremavi

Plantio na área piloto do Conservador das Araucárias. Fotos: Arquivo Apremavi.

Visita de monitoramento

No dia 26 de setembro de 2022 integrantes da Apremavi, da Tetra Pak e da Klabin estiveram na área para ver o resultado dos trabalhos. Os visitantes tiveram a oportunidade de fazer toda a trilha e verificar de perto o crescimento das mudas e também o avanço da regeneração natural.

Para Julian Fox, Diretor de Programas da Natureza da Tetra Pak Internacional, a visita ao local de plantio piloto na Fazenda Santa Bárbara foi muito marcante: “foi gratificante ver as mudas plantadas, sua variedade e que sobreviveram bem ao inverno. Caminhando da pousada em direção ao limite com o parque, foi possível ver diferentes tipos de ecossistemas e as estratégias de restauração e enriquecimento em ação. Esta área é perfeita para demonstrar aos potenciais proprietários participantes como a adesão ao Conservador das Araucárias os ajudará a restaurar a natureza em suas próprias propriedades”, explica Julian.

Visita de monitoramento na área piloto do Conservador das Araucárias: Foto: Arquivo Apremavi

Visita de monitoramento do projeto. Fotos: Arquivo Apremavi

O Conservador das Araucárias

Lançado em abril, o Conservador das Araucárias é um projeto de restauração ambiental que traz um modelo inovador focado na recuperação de áreas rurais degradadas por meio do plantio de espécies nativas, com benefícios para as comunidades locais, fauna e flora da Mata Atlântica e sequestro de carbono.

Desenvolvido em parceria com a Tetra Pak, líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos, o projeto tem a ambição de restaurar pelo menos 7 mil hectares da Mata Atlântica em um período de dez anos – o equivalente a 9.800 campos de futebol.

O Conservador das Araucárias conta com o acompanhamento da Conservation International (CI), da The Nature Conservancy Brasil (TNC) e da Klabin, fornecedora de matéria prima da Tetra Pak e parceira de longa data da Apremavi nos Programas Matas Legais e Matas Sociais.

+ Saiba mais sobre o projeto

Autoras: Miriam Prochnow e Carolina Schäffer.

Comitê do Itajaí publica moção contrária à mudança de categoria do PNSI

Comitê do Itajaí publica moção contrária à mudança de categoria do PNSI

Comitê do Itajaí publica moção contrária à mudança de categoria do PNSI

Parlamentares catarinenses, por meio do Projeto de Lei 1797/22, pretendem alterar a categoria do Parque Nacional da Serra do Itajaí em Santa Catarina para Floresta Nacional. No mês de julho, a Apremavi, junto com a Acaprena, Rede de ONGs da Mata Atlântica, Rede Pró Unidades de Conservação e Observatório de Justiça e Conservação, lançou um documentário denunciando esse ataque e as falsas justificativas para essa alteração.

Documentário chama para a ameaça e a importância do Parque Nacional da Serra do Itajaí.

Moção contrária à mudança

No dia 5 de agosto, durante a Assembleia do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí Açú, foi apresentada por parte dos membros do comitê a proposta para a elaboração de uma moção contra a recategorização do Parque Nacional.

Leandro Casanova, membro do comitê representando a Apremavi, fez uso da palavra e acrescentou que em exposto a gravidade do tema haveria uma necessidade na agilidade da apresentação da moção, o que veio a culminar na convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para tratar do assunto. “A votação contra a recategorização do PARNA Serra do Itajaí registrou concordância à proposta por unanimidade, evidenciando o consenso da relevância desse patrimônio natural e o que a Unidade de Conservação representa para a sociedade da região. O colegiado promove reuniões periódicas para debater assuntos inerentes à bacia hidrográfica da região do Vale do Itajaí, contando com  representação de 3 setores: Usuários da Água, População da Bacia e Poder Público” destaca Leandro.

Assim, a moção, publicada no dia 1 de setembro, relata diversos motivos para manter a categoria de Parque Nacional: 

  • O PNSI abriga a maior biodiversidade de plantas de SC; 
  • Possui grande potencial de econômico por meio da sua visitação; 
  • A sua estrutura geológica é frágil para interferência antrópica, a abertura de estradas já ocasionou deslizamentos e assoreamentos nos cursos d’água;
  • Não há estudo técnico que apresente os reais impactos de uma possível recategorização do Parque

+ Confira a íntegra da moção

 

Falsas justificativas para alteração da categoria

O principal motivo apontado pelo Deputado Estadual Ivan Naatz (PL), que protocolou o PL, é que a mudança colocaria um fim nos conflitos de indenização com propriedades particulares. Contudo, na moção é apontado que as 10 famílias que residem no Parque já foram indenizadas. 

Além disso, os conflitos não vão acabar somente com a mudança de categoria para Flona, uma vez que segundo §1º do art. 17 da Lei nº 9.985/2000 (Lei do SNUC), a Floresta Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas, permanecendo a necessidade de indenização.

 

 

Conclusão da moção

A moção é concluída com a defesa da não recategorização do PNSI, da regularização fundiária e justa indenização das propriedades das famílias inseridas totalmente e parcialmente na área do parque e que sejam despendidos esforços para a efetiva implementação do Parque

Sou contra o fim do PARQUE NACIONAL DA SERRA DO ITAJAÍ (57 mil hectares de Mata Atlântica) e DEFENDO o PARQUE NACIONAL como a forma mais adequada de PROTEGER os mananciais fornecedores de água de Classe UM para dezenas de municípios de Santa Catarina, o turismo e a biodiversidade e apoio a justa INDENIZAÇÃO dos proprietários.

Parque Nacional da Serra do Itajaí. Fotos: Cintia Gizele Gruener

O Comitê do Itajaí

O Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí, denominado de Comitê do Itajaí, é um colegiado formado por organizações públicas e privadas, encarregado de orientar o uso e a proteção da água em toda a bacia hidrográfica. Está vinculado ao Governo de Santa Catarina e funciona como  um parlamento para debater e deliberar sobre as questões relacionadas às águas da bacia do Itajaí. Foi criado pelo Decreto Estadual 2109/97, em conformidade com a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei No 9433/1997) e a Política Estadual equivalente (Lei No 9748/1994).

O objetivo do Comitê do Itajaí é promover a articulação de ações de defesa contra secas e inundações e para garantir o fornecimento de água em quantidade e qualidade adequadas para todos os usos. Esses objetivos serão alcançados mediante a proteção e a recuperação de ambientes fluviais; e o controle da poluição, da erosão do solo e do assoreamento dos cursos de água.

O Comitê do Itajaí é composto por 50 organizações, das quais 10 são órgãos públicos estaduais e federais; 20 são usuários da água; 10 são órgãos públicos municipais; 10 são entidades da sociedade civil. Cada organização é representada por um membro titular e um suplente.

 

Autores: Thamara Santos de Almeida e Leandro Casanova.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto.

Acaprena, ONG que incentivou a fundação da Apremavi, comemora 50 anos

Acaprena, ONG que incentivou a fundação da Apremavi, comemora 50 anos

Acaprena, ONG que incentivou a fundação da Apremavi, comemora 50 anos

Na década de 80, na região da Serra da Abelha, a Terra Indígena Laklãnõ, em Ibirama (SC), estava sendo devastada por madeireiros que atuavam sem restrições. A situação levou Miriam Prochnow e Wigold B. Schäffer, fundadores da Apremavi, a procurar  orientações junto a Lauro Bacca e Lucia Sevegnani, representantes da Acaprena.  Os dois foram os primeiros a mostrar para Miriam e Wigold o que era uma ONG e a incentivá-los a criar uma organização no Alto Vale do Itajaí, dedicada à causa ambiental da região.

Os integrantes da Acaprena ainda visitaram Ibirama e conheceram a Serra da Abelha, ajudando os colegas do Alto Vale a elaborar o parecer que embasou o pedido de criação de uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) no local.

Hoje a Serra da Abelha é uma Unidade de Conservação devido a essa luta coletiva. “O apoio da Acaprena foi fundamental para a criação da Apremavi. Recebemos ajuda não somente com informações sobre como criar uma associação, mas também muito estímulo para que fosse criada uma ONG no Alto Vale do Itajaí. Desde então continuamos trabalhando em conjunto em diversas causas. A Apremavi tem muito orgulho de poder vivenciar os 50 anos de fundação da Acaprena, que é a primeira organização ambientalista de Santa Catarina”, relata Miriam.

 

Vistoria feita na Serra da Abelha pela Acaprena e Apremavi, que na época ainda não tinha sido fundada oficialmente. Foto: Wigold B. Schäffer
Vistoria feita na Serra da Abelha pela Acaprena e Apremavi, que na época ainda não tinha sido fundada oficialmente. Foto: Wigold B. Schäffer
A Acaprena

A Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena) foi fundada em 1973 por um grupo de estudantes de Biologia da Universidade Regional de Blumenau (FURB). A ONG tem uma importante atuação na área de educação ambiental e participou de diversas discussões ambientais em Santa Catarina e no Brasil como um todo.

Apesar de ser a organização ambiental mais antiga de Santa Catarina, atuante em diversas frentes desde a sua fundação, a entidade nunca teve sua história publicada em livro. Assim, para comemorar os seus 50 anos a ONG está elaborando uma publicação  que será lançada em formatos impresso e digital. 

Uma campanha de arrecadação online foi lançada para viabilizar o projeto e arrecadar fundos para custear a publicação do livro “Acaprena 50 anos”. A Apremavi colaborou com a obra e apresentará uma sessão no livro sobre a relação colaborativa entre as organizações na luta pela Mata Atlântica. Garanta seu livro sendo um dos apoiadores!

 

Autor: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer.

RPPN Samuel Klabin, um projeto coletivo

RPPN Samuel Klabin, um projeto coletivo

RPPN Samuel Klabin, um projeto coletivo

Uma área de 168,9 hectares em Imbaú, na região de atuação da Apremavi no Paraná, está sendo transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural e deve ser incorporada à lista de reservas da Klabin.

Recentemente a Mata Atlântica ganhou uma nova Unidade de Conservação (UC), uma das principais estratégias para a conservação da biodiversidade. O território que constitui a reserva foi doado por Roberto Klabin, empresário, ambientalista e integrante do Conselho da SOS Mata Atlântica,  para a criação da futura RPPN Samuel Klabin, em memória ao seu pai. 

O projeto de implantação da RPPN contou com apoio de vários profissionais, que conduziram um resgate histórico de informações para a formação do centro de visitantes, projeto arquitetônico e paisagístico e a identidade visual do espaço. O trabalho para implantar as trilhas e promover estratégias para a restauração de áreas degradadas demandou dedicação e milhares de mudas e sementes nativas da Mata Atlântica.

Antes e depois da RPPN Samuel Klabin. Foto: Vitor Lauro Zanelatto

Antes e depois da RPPN Samuel Klabin. Foto: Vitor Lauro Zanelatto

Ao caminhar pelas recém inauguradas trilhas em meio a floresta, é possível vislumbrar o contraste do passado com o futuro; as árvores centenárias estão entre as mudas plantadas há poucos anos pela Apremavi, visando a restauração de parcelas do solo ocupadas anteriormente com espécies exóticas. 

As RPPNs são um instrumento para a criação de reservas naturais regulamentado pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). São criadas por iniciativas espontâneas de proprietários privados, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas, e representam um compromisso para a preservação das florestas, dos recursos hídricos e para a proteção das paisagens naturais. Também é possível desenvolver atividades de baixo impacto ambiental, e significativa importância para a sociedade, como projetos de educação ambiental e ecoturismo. 

Apremavi na RPPN

Nos dias 03 e 04 de setembro a equipe da Apremavi esteve na RPPN Samuel Klabin para admirar o resultado de anos de trabalho árduo para a implantação da Unidade de Conservação. A visita fez parte das comemorações dos 35 anos da Associação, que decidiu celebrar os resultados do trabalho visitando reservas e parques no Paraná.

Do alto da torre de observação construída na RPPN os colaboradores da Apremavi puderam contemplar a beleza da restauração das florestas: algumas das mudas produzidas no Viveiro Jardim das Florestas já se transformaram em árvores e a área que estava com o solo nu em 2018 hoje já está preenchida de tons de verde com a copa das árvores plantadas ao longo dos últimos anos. 

A agenda de imersão na natureza e busca por inspiração para continuar inovando nas atividades da Apremavi incluiu também visitas ao Parque Ecológico Klabin (ainda fechado para o público) e ao Parque Histórico de Carambeí. 

Registros da equipe da Apremavi no Parque Ecológico da Klabin e o antes e depois da RPPN Samuel Klabin. Fotos: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto

Autor: Vitor Lauro Zanelatto.
Revisão: Carolina Schäffer.

Mudança de categoria do PNSI ameaça pumas e toda a biodiversidade

Mudança de categoria do PNSI ameaça pumas e toda a biodiversidade

Mudança de categoria do PNSI ameaça pumas e toda a biodiversidade

O Parque Nacional da Serra do Itajaí (PNSI) foi criado em 2004 e conserva 57 mil hectares de Mata Atlântica, sendo essa a maior área contínua do Bioma do Estado de Santa Catarina, atuando como corredor ecológico para biodiversidade entre os remanescentes de floresta. O Projeto de Lei 1797/22, que está em tramitação na câmara, pretende alterar a categoria do Parque para Floresta Nacional, abrindo brecha para a sua exploração.

Em julho deste ano, a Apremavi em conjunto com a Acaprena, Rede de ONGs da Mata Atlântica, Rede Pró Unidades de Conservação e Observatório de Justiça e Conservação lançou um documentário denunciando esse ataque e as falsas justificativas para a mudança de categoria.

Puma registrado no Parque Nacional da Serra do Itajaí. Foto: Projeto Carnívoros do Parque Nacional da Serra do Itajaí (CENAP/ICMBio, Instituto Caeté-Açu), Julio Cesar de Souza Junior e Cintia Gizele Gruener
Registros de espécies de carnívoros registradas no PNSI. Fotos: Projeto Carnívoros do Parque Nacional da Serra do Itajaí (CENAP/ICMBio, Instituto Caeté-Açu), Julio Cesar de Souza Junior e Cintia Gizele Gruener

Pesquisas no Parque

A bióloga e doutoranda Cintia Gizele Gruener, desenvolve o projeto de pesquisa “Carnívoros do Parque Nacional da Serra do Itajaí”, com foco nos pumas. Ela utiliza armadilhas fotográficas, que tiram fotos desses animais sempre que eles passam na frente de um sensor, para entender mais sobre a ecologia e conservação da espécie na Unidade de Conservação. Até o momento, os resultados são alarmantes, pois foi constatada uma baixa quantidade desses animais no Parque. A principal ameaça para a população é a caça.

A partir da pesquisa foi possível capturar três animais que foram monitorados por satélite. A foto em destaque é de “Betão”, um dos animais capturados. Foi visto que dois pumas usam quase metade da área do Parque, evidenciando a importância dele para a conservação desses animais e a importância da continuidade desses remanescentes florestais.

 

 

Plano de manejo

Segundo o Plano de Manejo da Unidade de Conservação, instrumento que norteia as atividades a serem desenvolvidas em uma determinada Unidade de Conservação, as principais ameaças dizem respeito a caça de animais silvestres, a extração ilegal de palmito e as atividades realizadas pelas comunidades humanas que ainda vivem no interior do PNSI como pastagens, lavouras e animais domésticos. A mudança de categoria pode ameaçar ainda mais a biodiversidade, uma vez que abre brecha para a exploração da região. Além do do puma, outras espécies ameaçadas de extinção vivem no Parque, como o papagaio-de-peito-roxo, o gato-maracajá e o veado-bororó.

Autora: Thamara Santos de Almeida.
Revisão: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto.

FF PR e SC lança publicação sobre o protagonismo das mulheres na restauração florestal

FF PR e SC lança publicação sobre o protagonismo das mulheres na restauração florestal

FF PR e SC lança publicação sobre o protagonismo das mulheres na restauração florestal

“Meu trabalho nesta história é para garantir o futuro para o meu filho, e também para os filhos de outras mães” – Fabiana Dallacorte, Bio Teia Estudos Ambientais

Visando promover a disseminação de experiências exitosas na restauração de paisagens associadas à atuação do Diálogo Florestal e do Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina, uma nova publicação foi lançada hoje (15/09), por meio de uma live, fruto da colaboração entre mulheres atuantes em diferentes espaços relacionados à restauração florestal no Brasil.

Seis ensaios dão estrutura à publicação, assinados por mulheres integrantes das organizações que constituem o FF PR e SC:Alessandra Xavier de Oliveira e Gisele Santos Hennig (SPVS), Edilaine Dick e Miriam Prochnow (Apremavi), Fabiana Dallacorte (Bio Teia), Luciane Costa (IFSC Lages) e Mariana Schuchovski (Rede Mulher Florestal). Elas elaboraram ensaios partindo de diferentes perspectivas e territórios, apresentando experiências exitosas na restauração de áreas degradadas, planejamento de paisagens, conservação da biodiversidade e em estratégias de governança e diálogos multissetoriais.

Através de ensaios escritos em diferentes localidades do território que o FF compreende. As colaboradoras buscaram estimular ainda mais o debate sobre a perspectiva de gênero para pautas da cadeia da restauração, como a implementação da Década da Restauração dos Ecossistemas e estratégias de governança no setor. A incorporação de diferentes perspectivas através da contribuição das integrantes está longe de esgotar o debate ou trazer uma visão universal do ser mulher na restauração florestal. Ao contrário, contribui para que o debate cresça e chegue cada vez mais longe.

 

+ Acesse a publicação 


A elaboração da publicação foi coordenada por Vitor Zanelatto e Edilaine Dick, da Secretaria Executiva do FF PR e SC. A revisão conceitual foi realizada por Nara Perobelli, as ilustrações inéditas são assinadas por Isabelle Nogueira e o projeto gráfico é de Carolina Schäffer. A elaboração do projeto, que contou com a colaboração de tantas mulheres talentosas, foi apoiada pelo Diálogo Florestal, na Década da Restauração de Ecossistemas.

Além da versão online, disponível no site do Diálogo Florestal, o Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina irá disponibilizar 1.500 exemplares para as organizações integrantes do Fórum, instituições de ensino e pesquisa e demais interessados. Para o envio de exemplares basta realizar a solicitação através de um formulário.

O evento de lançamento da cartilha ocorreu no último bloco do primeiro evento público do Encontro Nacional do Diálogo Florestal, que também trouxe os resultados do Diálogo Florestal e dos Fóruns Florestais nos últimos quatro anos e um debate sobre paisagens e restauração. Confira:

 
O Fórum Florestal Paraná e Santa Catarina

A primeira reunião da iniciativa aconteceu em julho de 2008. Quatro eixos principais de discussão orientam a organização das reuniões e a realização dos seminários regionais, a saber: Fomento e Certificação Florestal, Ações socioambientais, Planejamento da Paisagem e Conservação e Mudanças Climáticas.

Cada vez mais, o Fórum Florestal promove a produção e trocas de conhecimento, acolhendo os grandes debates do setor de florestas plantadas, da Academia e das organizações ambientalistas, que comungam do anseio em co-construir soluções para conflitos e crises baseadas no diálogo.

Em novembro de 2020, os integrantes do Fórum realizaram de forma coletiva a revisão do Objetivo Geral e específicos da iniciativa para o próximo triênio, definiram oportunidades, ameaças potenciais parceiros e territórios prioritários para a atuação.

Os objetivos específicos do Fórum são:
・Apoiar o planejamento de paisagens sustentáveis através de iniciativas como o Diálogo do Uso Solo.
・Estimular boas práticas voltadas à ações de conservação e restauração de remanescentes da Mata Atlântica e Campos Nativos
・Discutir localmente os efeitos da silvicultura e encaminhar ações que dizem respeito à conservação.
・Constituir um espaço de diálogo e planejamento que influencie políticas públicas socioambientais voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Campanha alerta sobre o prazo para adesão ao Programa de Regularização Ambiental

Campanha alerta sobre o prazo para adesão ao Programa de Regularização Ambiental

Campanha alerta sobre o prazo para adesão ao Programa de Regularização Ambiental

O Novo Código Florestal (Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012) que acabou de completar 10 anos, dispõe sobre a proteção da vegetação nativa do Brasil. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA) são ferramentas do Código Florestal que garantem que, em propriedades privadas, alguma vegetação nativa seja conservada e restaurada a fim de salvaguardar a qualidade de vida de toda a sociedade.

O CAR é obrigatório para todas as propriedades e posses rurais e a adesão é por tempo indeterminado. Já o prazo de adesão ao PRA é até 31 de dezembro de 2022, porém somente os proprietários que aderiram ao CAR até 31 de dezembro de 2020 poderão aderir ao PRA e se beneficiar das vantagens do Programa.

Entre outros incentivos, a adesão ao PRA dá o direito dos proprietários rurais de recompor as faixas de Área de Preservação Permanente (APPs) conforme as regras transitórias apresentadas na lei.

Campanha de adesão ao PRA

Desde sua fundação, há 35 anos, a Apremavi trabalha na implantação de políticas públicas ambientais e no cumprimento da legislação.

Por isso, em parceria com o Observatório do Código Florestal, e no âmbito do Projeto Implantando o Código Florestal, apoiado pela Iniciativa Internacional Norueguesa em Clima e Florestas (NICFI, sigla em ingês para Norway’s International Climate and Forest Initiative), lançamos hoje uma campanha para alertar os proprietários rurais sobre o prazo de adesão ao Programa de Regularização Ambiental.

PRA

Nesta página você encontra informações sobre o CAR e o PRA, um glossário de leis ambientais, explicações sobre como saber se você aderiu ao PRA no momento em que fez o CAR e um guia com o passo-a-passo para aderir ao PRA no Estado de Santa Catarina. Além disso, disponibilizamos cards informativos para organizações parceiras e faremos a divulgação da campanha através do contato direto pelo WhatsApp com os proprietários envolvidos nos projetos que executamos.

Você é ou conhece algum proprietário rural ou organização que trabalha com o tema? Faça parte e divulgue essa campanha! 

Autoras: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer.

Casal inicia agrofloresta em São Joaquim/SC com apoio do Matas Legais

Casal inicia agrofloresta em São Joaquim/SC com apoio do Matas Legais

Casal inicia agrofloresta em São Joaquim/SC com apoio do Matas Legais

Lucas Caliari e Laís Ferrari, paranaenses de Maringá, adquiriram recentemente uma propriedade na Serra Catarinense, no município de São Joaquim (SC). Entusiastas em prol do meio ambiente, com a ajuda do Matas Legais, estão transformando a propriedade, outrora utilizada com pastagem extensiva, em um exemplo de agrofloresta.

“Tudo começou quando o casal conheceu a Apremavi em fevereiro deste ano. A visita ao Centro Ambiental e ao Viveiro Jardim das Florestas foi o estímulo que faltava para o início do trabalho de restauração na propriedade”, informa Leandro Casanova, colaborador da Apremavi e Coordenador do Matas Legais.

Segundo o casal, a ideia é restaurar cerca de 15 hectares com a implantação de uma agrofloresta com foco no plantio de frutas nativas como uvaia, cereja, pitanga, araçá, e também árvores de erva-mate, bracatinga e araucária. “A ideia é que no médio prazo novos produtos, sabores e inovações sejam provenientes dessa agrofloresta”, destaca Laís. Já para Lucas: “é um sonho realizado e um desafio motivador a cada dia transformar e restituir a paisagem e contribuir com a qualidade de vida na propriedade e na comunidade. Além disso, a prática de queima em campos na região tem me deixado um tanto perplexo”.

Mudas prontas para o olantio de agrofloresta em SC. Foto: Lucas Caliari e Laís Ferrari

Registros do plantio. Fotos: Lucas Caliari, Laís Ferrari e Leandro Casanova

Depoimento do casal

“Somos Lucas e Lais da Villadagio, uma propriedade que nasceu há apenas um ano, mas com sonhos de muitos anos antes! 

Viemos do interior do Paraná, de uma região rodeada pela monocultura, para Pericó em Santa Catarina, para viver a agricultura que acreditamos: a agrofloresta! Com muita felicidade encontramos a Apremavi, que nos presenteou com mudas nativas da Mata Atlântica para regeneração da nossa área, através de frutíferas, flores, erva mate e muitas bracatingas. Visitamos o viveiro que fica em Atalanta, para conhecer esse projeto que há mais de 30 anos conserva a natureza através de doação de mudas para propriedades como a nossa. 

Priorizamos esse como o primeiro passo da Villadagio na Serra Catarinense, a simbiose do nosso bioma para nossa futura casa, hospedagem, cantina e agroindústria. Obrigada Leandro e Daiana pelo atendimento e suporte!”

 

O Matas Legais

O plantio teve apoio do programa Matas Legais, uma iniciativa da parceria entre a Apremavi e a Klabin que acontece em Santa Catarina desde 2005. O programa tem como objetivo desenvolver ações de conservação, educação ambiental e fomento florestal, que ajudem a preservar e recuperar os remanescentes florestais nativos, a melhorar a qualidade de vida da população e a aprimorar o desenvolvimento florestal, tendo como base o planejamento de propriedades e paisagens.

A palavra legal procura traduzir dois sentidos: o de cumprimento da legislação ambiental e o de expressão de um lugar agradável, bonito e bom de se viver.

Autor: Leandro Casanova.
Revisão: Thamara Santos de Almeida e Carolina Schäffer.

Apremavi contrata PJ para elaboração de mapas de uso do solo

Apremavi contrata PJ para elaboração de mapas de uso do solo

Apremavi contrata PJ para elaboração de mapas de uso do solo

Se você ou a sua empresa tem interesse na causa ambiental e experiência na elaboração de mapas de uso do solo, esse é o momento de trabalhar conosco!

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (APREMAVI), no âmbito do Projeto ​​Políticas, Práticas, Transparência e Governança para Implementação do Código Florestal, apresenta uma oportunidade para contratação de serviço (pessoa jurídica) visando a elaboração de mapa do uso do solo de projetos de assentamento da reforma agrária localizados em Abelardo Luz (SC).

 

Vaga | Elaboração de mapa de uso do solo

Oportunidade para contratação de pessoa jurídica para elaborar um mapa único com uso do solo da área total prevista na proposta e mapas individualizados do uso do solo de cada assentamento envolvido no trabalho. A elaboração de mapas de adequação de propriedades rurais e territórios a luz do Código Florestal integra as atividades do projeto Políticas, Práticas, Transparência e Governança para Implementação do Código Florestal, que tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil. É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação dos Amigos da Terra Amazônia. A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio.

 

+ Confira o Termo de Referência (TDR) com o detalhamento da oportunidade.

A proposta, o currículo da equipe envolvida e o valor devem devem ser enviadas até o dia 25/09/2022 por e-mail para info@apremavi.org.br C/c edilaine@apremavi.org.br

 

A Apremavi tem como princípios a equidade e a diversidade. Incentivamos profissionais de grupos minoritários (de origem e raça, étnicos, gênero, orientação sexual, sociais, culturais, etários, e físicos) a apresentar proposta.

Ajude a Apremavi: compartilhe essas oportunidades de trabalho com profissionais que você conheça.

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto, Carolina Schäffer e Edilaine Dick
Foto de Capa: Arquivo Apremavi

ONGs apresentam dados ao STF para derrubar lei que altera APPs urbanas, por ISA

ONGs apresentam dados ao STF para derrubar lei que altera APPs urbanas, por ISA

ONGs apresentam dados ao STF para derrubar lei que altera APPs urbanas, por ISA

Legislação ameaça biodiversidade, aumenta o risco de desastres ambientais e agrava crises hídrica e climática, segundo estudos incluídos em manifestação

DO INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL | Organizações da sociedade civil protocolaram um pedido, na última sexta-feira (19), para entrar como amici curiae  (“amigos da corte”) da ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que pede a declaração de inconstitucionalidade da lei que permite a redução e até a eliminação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens de rios em cidades. O amici curiae é uma instituição ou pessoa que fornece informações e auxilia as partes em um processo judicial

A nova legislação é considerada por especialistas como o mais grave retrocesso ambiental no atual governo. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) foi protocolada, em abril, pelo PSB, PSOL, PT e Rede. Além de alegar que a norma viola a Constituição, a ADI pede medida cautelar para suspender imediatamente seus efeitos.

Votado pelo Congresso no ano passado, o Projeto de Lei (PL) que originou a Lei n.º 14.285/2021, conhecida como “Lei das APPs Urbanas”, tramitou em tempo recorde: foi aprovado sem audiências públicas, sem passar em comissões e em votações expressas nos plenários da Câmara e do Senado. A norma foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro no apagar das luzes de 2021, em 29 de dezembro. 

Com a lei, cada um dos 5.570 municípios brasileiros fica autorizado a reduzir ou mesmo eliminar as APPs hídricas dentro do perímetro urbano, possibilitando o desmatamento e a instalação de imóveis e empreendimentos de impacto nessas áreas sensíveis. A medida altera o Código Florestal, que determina uma faixa de 30 a 500 metros para as áreas de proteção que não foram desmatadas antes de 2008, dependendo da largura do curso d’água, em todo país. 

Em fevereiro, a Câmara de Meio Ambiente do Ministério Público Federal manifestou-se contra as alterações. O colegiado entendeu como inconstitucional a permissão para que municípios reduzam a proteção estabelecida pela legislação federal.

De acordo com o Código Florestal, as APPs são áreas essenciais para a manutenção do equilíbrio ecológico, prestando serviços ambientais como a preservação dos recursos hídricos, da biodiversidade e a manutenção dos solos, garantindo a estabilidade do solo e prevenindo catástrofes com enxurradas e deslizamentos de terra, como a que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro, em junho.

Na ação, o ISA, Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica, WWF Brasil, Rede de Organizações Não Governamentais da Mata Atlântica e a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) afirmam que, entre os efeitos mais nocivos da lei, estão a autorização para novos desmatamentos e a instalação de novas ocupações e atividades poluentes de alto impacto ambiental nas margens de rios, sem qualquer estudo técnico.

Antes, apenas excepcionalmente atividades econômicas poderiam ser instaladas nessas áreas, sob justificativa de “utilidade pública, interesse social ou baixo impacto”. Agora, com a nova lei, qualquer empreendimento ou ocupação pode ser realizada nas margens de rios, desde loteamentos de casas até indústrias poluentes. A norma libera até mesmo atividades proibidas pelo próprio STF, como as de tratamento de lixo, que podem gerar contaminação dos rios.

 

Municípios já reduzem APPS

“Os rios e a biodiversidade não conhecem fronteiras municipais. Os desmatamentos e os consequentes danos cometidos por um município serão sentidos em outros municípios, estados e até países”, afirma Maurício Guetta, assessor jurídico do ISA. “Deixar que cada um dos 5.570 municípios desrespeite o piso mínimo federal e defina suas margens de proteção a rios, inclusive com a possibilidade de simplesmente eliminá-las, configura uma das mais graves ameaças ao equilíbrio ecológico”.

Vários municípios já começaram a reduzir ou eliminar APPs de cursos d’água. Menos de dois meses depois da edição da nova legislação federal e sem qualquer processo de avaliação técnica, Tiradentes do Sul (RS) aprovou uma lei municipal que prevê faixas marginais de 2,5 metros. 

Trata-se de uma proteção insignificante para manter as funções dessa vegetação, como explica João de Deus Medeiros, coordenador-geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica. “Ter uma faixa ripária de 2,5 metros ou nenhuma faria pouca diferença, já que as funções remetidas a essa faixa ripária, com uma extensão tão reduzida, teriam um comprometimento completo de sua eficácia”.

Para ele, essa é a razão maior para defender a manutenção de um parâmetro  mínimo nacional, como estabelece o Código Florestal. “Sabemos que nos municípios há muita pressão e interesses para ocupação dessas áreas, notadamente em virtude da especulação imobiliária típica das áreas urbanas. Remeter aos municípios a competência plena nessa matéria poderá gerar prejuízos socioambientais sérios”, ressalta. 

Na contramão do mundo e da comunidade científica, a Lei das APPs Urbanas também contribui para o agravamento da crise climática nas cidades. “Nesse momento em que os efeitos de eventos extremos decorrentes das mudanças climáticas globais se expressam em diversos municípios, deixando prejuízos de toda ordem para a coletividade, sejam pelas inundações e deslizamentos de encostas, seja pelas estiagens prolongadas que afetam a segurança hídrica de milhões de pessoas, a manutenção dessa lei reflete uma grande irresponsabilidade; configura um atentado à segurança e sustentabilidade das zonas urbanas”, explica Medeiros. 

A petição das organizações da sociedade civil argumenta que o setor que mais emite gases causadores da emergência climática é o de “mudança do uso da terra”, com 46% do total, o que está diretamente ligado ao desmatamento. “Diante desse quadro, a abertura de faixas marginais de preservação permanente para novos desmatamentos atenta contra a necessidade de redução das emissões de gases causadores das mudanças do clima”, diz.

 

84% das APPs urbanas preservadas

A petição também analisa a questão hídrica no país. De acordo com estudo do MapBiomas, em pouco mais de três décadas o país perdeu mais de três milhões de hectares de superfície coberta por água, área maior do que o estado de Alagoas, ou seis vezes maior do que o Distrito Federal. O problema tem relação direta com o desmatamento das APPs. 

“O estado de Mato Grosso do Sul, no Pantanal, perdeu 57% de suas águas no período. Na Amazônia, bioma qualificado como patrimônio nacional, o Rio Negro perdeu 22% de sua superfície de água. Já o Rio São Francisco, um dos mais relevantes do país, perdeu cerca de 50% de sua superfície de água nas últimas três décadas”, diz o pedido feito na ADI. 

análise inédita das áreas ainda preservadas num raio de até 30 metros das faixas marginais de rios em perímetros urbanos produzida pelo MapBiomas foi feita para contribuir com o julgamento da ADI e incorporada à manifestação das ONGs. Em 2020, essas áreas ainda intactas representavam 84% do total. “O que significa que grande parte das faixas marginais de rios em áreas urbanas está preservada, podendo ser destruída caso prevaleçam os efeitos da Lei”, argumenta a petição.

O estudo analisou ainda 17 municípios da Amazônia Legal e da Bacia do Paraná, regiões  de alta relevância para o equilíbrio ecológico nacional. Nesses municípios, 82% das faixas ciliares de 30 metros estão cobertas por vegetação. “O atual cenário hídrico brasileiro, de rápida perda de capacidade hídrica e de seguidas e crescentes crises de abastecimento público, intensifica a necessidade de proteção efetiva das APPs para a garantia de água para as presentes e futuras gerações”, argumentam as organizações ambientalistas. 

A escassez hídrica também traz impactos econômicos que vão além da crise de abastecimento para as residências. A redução de vazão nos rios afeta o transporte de commodities e o suprimento de alimentos. A agricultura irrigada sofre com altas nos custos e perdas de produção. No setor elétrico, o aumento de custos em 2021 foi generalizado não apenas na conta de energia, mas em todos os setores produtivos. 

“De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste, que geram 70% da energia do país, operavam em 2021 com a mais baixa capacidade da história”, completa o texto do amici curiae.

Autora: Carolina Fasolo – Instituto Socioambiental (ISA)
Foto de capa: Wigold B. Schäffer

O poderoso Puma

O poderoso Puma

O poderoso Puma

O puma (Puma concolor), também conhecido como onça-parda, suçuarana ou leão-baio, é nativo das Américas, sendo o segundo maior felino dessa região. Puma vem do quéchua, a língua nativa dos povos da região dos Andes, na América do Sul, que significa “poder” ou “poderoso”. Já o concolor vem do latim e significa “da mesma cor” devido a cor acastanhada da sua pelagem que é a mesma por todo o corpo.

A coloração da pelagem varia entre regiões e até em idade, pois os filhotes nascem com pintas que desaparecem conforme crescem. Devido ao seu corpo longo é um felino muito ágil, podendo saltar de uma altura de 5,5m em um só pulo. Os machos são maiores e mais pesados que as fêmeas. São solitários e territorialistas, e só formam pares no período reprodutivo. Além disso, são noturnos e crepusculares, com maior atividade no entardecer e à noite.

É carnívoro e oportunista, se alimentando da variedade de presas que está disponível no ambiente. Em lugares que ocorre junto com a onça-pintada suas presas são menores, para evitar a competição. Há diversos relatos de ataques de pumas a animais domésticos e de criação, sendo esse um motivo de interações com humanos e conflitos em diversos lugares.

A sua distribuição é ampla pelas Américas, ocorrendo desde o Canadá até a Argentina em uma variedade de ambientes, que vão desde florestas, até montanhas e pântanos. No Brasil, há ocorrência por todos os biomas, porém suas populações estão reduzidas e até mesmo extintas em alguns locais.

Em relação ao bioma Mata Atlântica a espécie está amplamente distribuída, contudo, estima-se que o seu tamanho populacional efetivo é de 1000 indivíduos, sendo as principais ameaças: perda e fragmentação de habitat pela agropecuária e urbanização, caça, conflitos com animais domésticos e de criação e atropelamentos.

Apesar de não considerada ameaçada no Brasil pelo ICMBio e nem a nível mundial pela IUCN, no Estado de Santa Catarina a espécie está categorizada como Vulnerável (VU)  à extinção, demandando esforços em prol da sua conservação.  Desde 2010 o Projeto Conservação de Carnívoros do Parque Nacional da Serra do Itajaí procura saber mais sobre esses animais na região, em breve vamos trazer algumas descobertas em uma nova matéria.

 

Puma concolor. Foto: Arquivo Apremavi

Registros de Puma pelas Américas. Fotos: Arquivo Apremavi,                            Sarah Murray, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons,        Bas Lammers, CC BY 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by/2.0>, via Wikimedia Commons,  Malcolm, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons, Malcolm, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons

Puma

Nome científico: Puma concolor

Família: Felidae

Habitat: Vários tipos de ambientes, desde florestas a regiões montanhosas

Alimentação: Carnívoro

Peso: Machos 40-72kg, fêmeas 34-48kg

Comprimento: 1,5 a 2,75m

Hábito de vida: solitário e territorialista

Distribuição: América

Ameaças: perda e fragmentação de habitat, atropelamento, caça, retaliação e conflitos por animais doméstico e de criação

Status de conservação: Vulnerável (VU) no Estado de Santa Catarina e não ameaçada no Brasil pelo ICMBio e no mundo pela IUCN

Fontes consultadas:

AZEVEDO, Fernanda Cavalcanti et al. Avaliação do risco de extinção da Onça-parda Puma concolor (Linnaeus, 1771) no Brasil. Biodiversidade Brasileira-BioBrasil, n. 1, p. 107-121, 2013.

CONFORTI, Valeria Amorim; DE AZEVEDO, Fernando Cesar Cascelli. Local perceptions of jaguars (Panthera onca) and pumas (Puma concolor) in the Iguaçu National Park area, south Brazil. Biological conservation, v. 111, n. 2, p. 215-221, 2003.

MORENO, Ricardo S.; KAYS, Roland W.; SAMUDIO, Rafael. Competitive release in diets of ocelot (Leopardus pardalis) and puma (Puma concolor) after jaguar (Panthera onca) decline. Journal of Mammalogy, v. 87, n. 4, p. 808-816, 2006.

NIELSEN, C. et al. Puma concolor. The IUCN red list of threatened species, v. 4, 2015.

PUMA «Jaguar at the Online Etymology Dictionary. Disponível em: https://www.etymonline.com/search?q=puma

 

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto

Apremavi participa de Encontro Regional de Membros do FSC América Latina

Apremavi participa de Encontro Regional de Membros do FSC América Latina

Apremavi participa de Encontro Regional de Membros do FSC América Latina

Entre os dias 10 e 12 de agosto a Apremavi participou, ao lado de outros 14 membros que compunham a delegação brasileira, do Encontro Regional de Membros do FSC da América Latina que aconteceu no Panamá.

As três câmaras que compõem o sistema FSC – Ambiental, Econômica e Social – tiveram a oportunidade de se reunir pessoalmente para discutir os temas prioritários sobre os quais serão tomadas decisões na Assembleia Geral do FSC Internacional que vai acontecer em outubro, em Bali na Indonésia.

Carolina Schaffer, vice presidente da Apremavi, representou a instituição e comenta que o momento foi oportuno para troca de conhecimento, fortalecimento de espaços regionais de intercâmbio e colaboração entre os membros das diferentes câmaras. “É motivador ver que apesar das divergências os membros sempre se encontram no diálogo e na busca por soluções que vão além do interesse individual. No FSC o lema ‘florestas para todos, para sempre!’ é força para todos”, completa Carolina.

Encontro de membros da América Latina do FSC. Foto: Arquivos Apremavi

Registros do Encontro.  Fotos: Arquivo FSC e Carolina Schaffer.

O FSC

O FSC – Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal, em português) é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, criada em 1994 para promover o manejo florestal responsável ao redor do mundo, por meio de um sistema de certificação, pioneiro e único, que incorpora, de forma igualitária, as perspectivas de grupos sociais, ambientais e econômicos. Com sede na Alemanha e no México, está presente em mais de oitenta países.

No Brasil, o FSC foi oficialmente estabelecido em 2002, época em que a Apremavi se tornou parte da organização, mas as primeiras florestas certificadas brasileiras são dos anos 1990. As áreas certificadas de manejo comunitário, concessões públicas e empresariais da Amazônia, bem como de plantações florestais no país inteiro, fornecem matéria-prima para diversos setores da economia, como construção civil, papel e celulose, embalagens, alimentos e cosméticos.

Autora: Carolina Schäffer 

Por mais comunicadores do clima

Por mais comunicadores do clima

Por mais comunicadores do clima

“A ciência já fez o seu papel e deu o recado: mais claro, impossível. Agora é a vez dos comunicadores de levar essa mensagem para a população em geral. E isso é um trabalho que não é muito fácil. Vamos em frente, todos juntos, construir uma nova sociedade mais justa e mais sustentável”

É dessa forma que o Paulo Artaxo, professor e pesquisador líder do IPCC, finaliza a conversa a respeito do novo relatório sobre mudanças climáticas da organização para o podcast Vozes do Planeta no ano passado.

A urgência de comunicadores qualificados

Qualificar a cobertura das mudanças climáticas é um grande desafio, como aponta Paulo. Ainda mais em tempos de fake news, negacionismo científico e desinformação. É preciso ir além da apresentação de dados sobre a tragédia, como eventos climáticos extremos, precisamos ampliar a compreensão das pessoas sobre suas causas e soluções possíveis para mitigar a emergência climática, seja a nível individual ou coletivo.

Assim, é comum que os comunicadores se questionem sobre como falar do tema usando evidências científicas? Quais os principais desafios e soluções? Os termos que envolvem a questão com “justiça climática”, “mudanças climáticas” e “aquecimento global” são claros para quem comunica? E quando pensamos no Brasil, os impactos e soluções são iguais para todas as regiões ou existem questões específicas?

Apremavi e as soluções possíveis

Não há uma resposta simples para esses questionamentos, sabendo disso Miriam Prochnow, fundadora e conselheira da Apremavi, foi uma das professoras do curso online do Instituto ClimaInfo “Clima e sustentabilidade na cobertura jornalística” com a aula “Soluções baseadas na natureza em Santa Catarina”. Para ela, os processos de capacitação de profissionais da comunicação em temas ligados às mudanças climáticas, é extremamente importante: “Esses profissionais são influenciadores da sociedade e precisam estar muito bem informados para poder passar o melhor conteúdo possível, Também é fundamental o intercâmbio entre eles e as redes de trabalho conjunto que se formam a partir de processos como esse” destaca.

 

Aula “Soluções Baseadas na Natureza em Santa Catarina” do curso “Clima e sustentabilidade na cobertura jornalística” do instituto ClimaInfo

Na aula são apontadas algumas soluções possíveis a partir das ações da Apremavi em parceria com muitas pessoas e instituições, como o cumprimento da legislação ambiental, a mudança matriz energética para fontes renováveis, como a energia solar que é renovável. Além da restauração com o plantio de milhões de espécies nativas que contribui não só para a emergência climática, mas para a segurança alimentar, igualdade de gênero e muitos outros Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

É preciso ir além da comunicação da tragédia, precisamos apontar caminhos e soluções para a emergência climática, mostrando para as pessoas que juntos podemos construir essas soluções de forma coletiva e que todos têm um papel importante.

Em busca de uma comunicação qualificada

O curso é voltado para jornalistas interessados na cobertura ambiental e científica da emergência climática. Nele, é possível obter uma visão adaptada à realidade particular dos estados sob a ótica científica, socioeconômica e ambiental.

O projeto foi idealizado pelo diretor executivo do ClimaInfo, Délcio Rodrigues. Em 2019, a ONG fez uma edição presencial em Porto Alegre. “No ano passado,  reformulamos a metodologia usada e o formato para online. Realizamos quatro edições: em Santa Catarina, no Pará, no Amapá e no Amazonas – que estão disponíveis no canal de Youtube da instituição”, explica a jornalista e pesquisadora do ClimaInfo, Tatiane Matheus.

Tatiane, que coordena o projeto, informa que neste ano receberam o apoio da GIZ para as edições do curso na Bahia, no Ceará e em Pernambuco. “Produzimos materiais complementares como apostilas e vídeo-aulas assíncronas. Adaptamos as aulas síncronas das edições para que os interessados possam também estudar de forma assíncrona. No site, há sugestões de planos de estudos do material. Também foi realizado o primeiro edital de bolsas para reportagens sobre mudanças climáticas no Nordeste, onde resultou em muitas matérias interessantes”, informa. “A informação tem um papel fundamental para combater a emergência climática. Por isso é necessário investir na formação de profissionais da comunicação”, completa.

Os conteúdos estão organizados pelos seguintes temas: Entenda as Mudanças ClimáticasDesafios e Soluções; Jornalismo e Clima; e Justiça Climática. Também há o conteúdo Brasil dividido por região brasileira. Além de um Glossário Climático, para ajudar nos termos, conceitos e siglas envolvendo a Ciência Climática. Também há uma divisão por aula/professores em específico, além de apostilas.

Confira:

Aulas – tema/professores

Impactos econômicos e sociais das mudanças climáticas – Paulo Artaxo 

https://climainfo.org.br/2022/07/12/impactos-economicos-e-sociais-das-mudancas-climaticas-no-brasil/

Emergência climática e as consequências do aquecimento global – Sergio Margulis

https://climainfo.org.br/2022/06/28/emergencia-climatica-e-as-consequencias-do-aquecimento/

Mudanças climáticas e o futuro do planeta – Paulo Artaxo

https://climainfo.org.br/2022/07/15/mudancas-climaticas-e-o-futuro-do-planeta/

Mudanças Climáticas e o futuro global – Alexandre Costa

https://climainfo.org.br/2022/06/30/mudancas-climaticas-e-o-futuro-global/

Recursos hídricos e as mudanças climáticas em Santa Catarina – Luciano Henning 

https://climainfo.org.br/2022/06/02/recursos-hidricos-e-as-mudancas-climaticas-em-santa-catarina/

Santa Catarina e os eventos extremos decorrentes das mudanças climáticas – Francisco Aquino 

https://climainfo.org.br/2022/06/06/santa-catarina-e-os-eventos-extremos-decorrentes-das-mudancas-climaticas/

Soluções baseadas na natureza – Miriam Prochnow 

https://climainfo.org.br/2022/06/06/solucoes-baseadas-na-natureza-em-santa-catarina/

Transição justa: plano de saída ao uso do carvão mineral nas termelétricas – Roberto Kishinami

https://climainfo.org.br/2022/06/06/transicao-justa-plano-de-saida-ao-uso-do-carvao-mineral-nas-termeletricas/

Impactos das mudanças climáticas no Matopiba – Ludmila Rattis 

https://climainfo.org.br/2022/07/06/impactos-das-mudancas-climaticas-no-matopiba/

Rio São Francisco e as mudanças climáticas – Francisco Assis 

https://climainfo.org.br/2022/07/06/bacia-do-rio-sao-francisco-e-as-mudancas-climaticas/

Nordeste: seca e desertificação com a urgência climática- Humberto Alves Barbosa e Catarina de Oliveira Buriti 

https://climainfo.org.br/2022/07/04/nordeste-secas-e-desertificacao-com-a-emergencia-climatica/

Energia e emergência climática – Ilan Zugman 

https://climainfo.org.br/2022/07/11/energia-e-emergencia-climatica/

Mapbiomas Caatinga – Washington Rocha

https://climainfo.org.br/2022/07/12/mapbiomas-desmatamento-na-caatinga/

Energia renovável e o potencial no Nordeste – Ricardo Baitelo 

https://climainfo.org.br/2022/07/11/energias-renovaveis-e-o-potencial-no-nordeste/

Crise hídrica no Nordeste – Samuel Barrêto 

https://climainfo.org.br/2022/07/08/crise-hidrica-no-nordeste/

O que é fraking e seus impactos para o Nordeste – Juliano Bueno

https://climainfo.org.br/2022/07/13/transicao-justa-o-que-e-fracking-e-seus-impactos-para-o-nordeste/

O potencial do Hidrogênio Verde no Nordeste – Daniel Gabriel Lopes

https://climainfo.org.br/2022/07/13/o-potencial-do-hidrogenio-verde/

Mudanças climáticas, Amazônia e sustentabilidade – Paulo Artaxo 

https://climainfo.org.br/2022/05/25/mudancas-climaticas-amazonia-e-sustentabilidade/

Empreendedorismo e aceleradoras de startups na Amazônia – Ana Bastida 

https://climainfo.org.br/2022/06/02/empreendedorismo-e-aceleradoras-de-startups-na-amazonia/

Queimadas na Amazônia e a degradação da Floresta – Ane Alencar

https://climainfo.org.br/2022/06/02/queimadas-na-amazonia-e-a-degradacao-da-floresta/

Sistemas de Monitoramento na Amazônia – Antonio Fonseca 

https://climainfo.org.br/2022/06/02/sistemas-de-monitoramento-na-amazonia/

Sociobioeconomia para conectar as ‘Amazônias’ profunda e urbana – Ana Euler 

https://climainfo.org.br/2022/05/31/sociobioeconomia-para-conectar-as-amazonias-urbana-e-profunda/

Sistemas Marinhos e Costeiros da Amazônia – Valdenira Ferreira

https://climainfo.org.br/2022/06/02/sistemas-costeiros-e-marinhos-da-amazonia/

Saúde e emergência climática – Paulo Saldiva 

https://climainfo.org.br/2022/07/05/saude-e-a-emergencia-climatica/

Oceanos, Clima e os impactos da indústria pesqueira – Ana Paula Prattes 

https://climainfo.org.br/2022/07/05/oceanos-clima-e-os-impactos-da-industria-pesqueira/

Hidrogênio verde e a transição energética – Mônica Saraiva Panik 

https://climainfo.org.br/2022/07/13/hidrogenio-verde-e-a-transicao-energetica-no-brasil/

Ações de adaptação para enfrentar as mudanças climáticas nas cidades – Sérgio Xavier

https://climainfo.org.br/2022/07/15/acoes-de-adaptacao-para-enfrentar-a-emergencia-climatica-nas-cidades/

Como catalizar uma economia sustentável com base na bioeconomia – Carlos Koury 

https://climainfo.org.br/2022/06/06/como-catalisar-uma-economia-sustentavel-com-base-na-bioeconomia/

Economia do conhecimento da natureza – Caetano Scannavino Filho 

https://climainfo.org.br/2022/06/06/economia-do-conhecimento-da-natureza/

Mudanças climáticas, REED+ e créditos de carbono – Pedro Soares 

https://climainfo.org.br/2022/06/07/mudancas-climaticas-reed-e-creditos-de-carbono/

Uso da terra e mudanças globais – Joice Nunes Ferreira

https://climainfo.org.br/2022/06/08/usos-da-terra-e-mudancas-ambientais-globais/

Tecnologia e ferramentas de monitoramento ambiental – Tasso Azevedo

https://climainfo.org.br/2022/06/07/tecnologias-e-ferramentas-de-monitoramento-ambiental/

Oportunidades de geração e uso de biogás – Larissa Rodrigues 

https://climainfo.org.br/2022/06/07/oportunidades-de-geracao-e-uso-do-biogas-na-amazonia/

Jornalismo Socioambiental: é preciso exercita o olhar sistêmico da cobertura – Lylian Rodrigues

https://climainfo.org.br/2022/06/25/jornalismo-socioambiental-exercicio-do-olhar-sistemico-e-fundamental/

Fake News: a importância da precisão na busca de fontes e de dados – Claudio Ângelo 

https://climainfo.org.br/2022/06/25/fake-news-relevancia-da-precisao-na-busca-por-fontes-e-dados/

Investigação de dados auxilia na apuração jornalística ambiental – Rita Paulino 

https://climainfo.org.br/2022/06/25/investigacao-de-dados-auxilia-na-apuracao-jornalistica-ambiental/

Narrativas e seus vieses na cobertura socioambiental – Raquel Longhi 

https://climainfo.org.br/2022/06/25/narrativas-e-seus-vieses-na-cobertura-socioambiental/

A comunicação e as mudanças climáticas – Délcio Rodrigues

https://climainfo.org.br/2022/06/25/a-comunicacao-e-as-mudancas-climaticas/

A importância da rádio para a popularização de causas ambientais – Mara Regia di Perna 

https://climainfo.org.br/2022/06/09/a-importancia-do-radio-na-popularizacao-de-causas-ambientais/

Jornalismo periférico – Pedro Borges

https://climainfo.org.br/2022/06/25/jornalismo-periferico-na-cobertura-climatica-e-ambiental/

Jornalismo investigativo e grandes reportagens na Amazônia – Lúcio Flávio Pinto

https://climainfo.org.br/2022/06/25/jornalismo-investigativo-e-grandes-reportagens-na-amazonia/

Comunicação das mudanças climáticas – Ana Carolina Amaral 

https://climainfo.org.br/2022/07/05/comunicacao-da-crise-climatica-exige-preparo-e-transversalidade/

Cobertura climática no jornalismo local: critérios de pauta e noticiabilidade – Ana Carolina Amaral

https://climainfo.org.br/2022/06/10/cobertura-climatica-no-jornalismo-local-criterios-de-pauta-e-noticiabilidade/

Jornalismo regional ambiental – Maristela Crispim

https://climainfo.org.br/2022/07/04/jornalismo-ambiental-e-regional/

Racismo ambiental e conflitos de terra – Tania Pacheco

https://climainfo.org.br/2022/07/14/racismo-ambiental-e-a-cobertura-sobre-os-conflitos-de-terra/

 

Apostilas

Entenda as mudanças climáticas

https://climainfo.org.br/2022/07/11/entenda-as-mudancas-climaticas/

Seca, desertificação mudanças climáticas no Nordeste

https://climainfo.org.br/2022/06/28/seca-desertificacao-e-mudancas-climaticas-no-nordeste/

Água no Nordeste: desafios e oportunidades

https://climainfo.org.br/2022/07/12/agua-no-nordeste-desafios-e-oportunidades/

Cerrado e as mudanças climáticas 

https://climainfo.org.br/2022/07/15/cerrado-e-as-mudancas-climaticas/

Tempo, Clima e Saúde Humana 

https://climainfo.org.br/2022/07/11/tempo-clima-mudancas-climaticas-e-saude-humana/

Legislação e as mudanças climáticas 

https://climainfo.org.br/2022/07/05/legislacao-e-mudancas-climaticas/

Oceanos e Clima

https://climainfo.org.br/2022/07/04/oceanos-e-clima/

Glossário Climático para jornalistas

https://climainfo.org.br/cursos-climainfo/materiais/glossario/

Justiça Climática

https://climainfo.org.br/2022/06/28/entenda-a-justica-climatica/

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Miriam Prochnow, Vitor Lauro Zanelatto e Carolina Schäffer

Forquilheira, uma espécie para a restauração e paisagismo

Forquilheira, uma espécie para a restauração e paisagismo

Forquilheira, uma espécie para a restauração e paisagismo

A forquilheira (Tabernaemontana catharinensis), conhecida popularmente como cobrina, jasmim, jasmim-pipoca, jasmim-catavento, sapirangui, leiteira, leiteira-dois-irmãos, é uma espécie de arbusto que possui látex abundante, geralmente associada a áreas degradadas, clareiras e bordas de floresta. No Brasil, ocorre principalmente no bioma Mata Atlântica e com menor ocorrência no Cerrado, abrangendo a região Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.  

Pioneira e ornamental, atinge até 10 cm de altura e diâmetro de 35 cm, possui flores brancas perfumadas com formato que lembram um cata-vento, sendo bastante utilizada para paisagismo. Os frutos atraem muitos pássaros, devido ao arilo vermelho que envolve as suas sementes, sendo esse tipo de dispersão chamada de zoocórica, fundamental para a sua propagação. Assim, ela é bastante utilizada para fins de restauração, principalmente em áreas degradadas, podendo ser plantada em áreas mais abertas ou fechadas

A espécie é tradicionalmente reconhecida como planta medicinal, sendo utilizada para o tratamento de doenças, picadas e alergias. Esse uso é de origem indígena da etnia Guarani, chamado de “Piquiri”. A ciência já evidenciou em uma série de estudos que ela possui alcalóides com propriedades antifúngicas, antivirais, antimicrobianas, antiflamatórias, cicatrizantes e analgésica*, além da sua utilização como bioinseticida. 

Flor da Forquilheira. Foto: Guilherme Peres Coelho

Flores, árvore e frutos da Forquilheira.  Fotos: Guilherme Peres Coelho, Tabernaemontana_catharinensis_1: Marcia  Stefani, CC BY 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by/2.0>, via Wikimedia Commons, 800px Tabernaemontana_catharinensis_(2) CHUCAO, CC BY-SA 3.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0>, via Wikimedia Commons 

Forquilheira

Nome científico: Tabernaemontana catharinensis A. DC

Família: Apocynaceae

Utilização: Além do uso medicinal a madeira é utilizada para caixotaria, também pode ser cultivado para paisagismo e reflorestamentos mistos em áreas de preservação.

Coleta de sementes: os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando iniciarem sua abertura espontânea, após devem ser deixados secando à sombra para completarem sua abertura e facilitar a retirada das sementes, sem necessidade de remover a fina camada de arilo que as envolve. Um kilo de sementes contém aproximadamente 6.800 unidades.

Fruto: Frutos deiscentes, constituídos de dois mericarpos separados, com muitas sementes envoltas por arilo vermelho.

Flor: perfumadas de pétalas brancas que se abrem durante o dia.

Floração: outubro a novembro.

Crescimento da muda: rápido.

Germinação: alta.

Produção de mudas: as sementes devem ser semeadas de forma imediata em canteiros a meia-sombra preparados com substrato organo-argiloso, com a cobertura de uma fina camada do substrato peneirado. A emergência das mudas ocorre em 40-50 dias.

Plantio: áreas degradadas e paisagismo.

Status na Lista Vermelha da IUCN: pouco preocupante (Least Concern), ou seja, a espécie não está ameaçada de extinção.

* Os dados sobre usos medicinais das espécies nativas são apenas para informação geral, onde os estudos foram feitos com propriedades isoladas em uma quantidade específica. O uso de medicamentos fitoterápicos deve ser seguido de orientações médicas

Fontes consultadas

JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO (ed.). Programa REFLORA/CNPq. Disponível em: http://floradobrasil2015.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB4861/. Acesso em 27 de julho de 2022.

LORENZI, Harri. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 1992.

SOARES, Deivid Costa et al. Leishmanicidal activity of a supercritical fluid fraction obtained from Tabernaemontana catharinensis. Parasitology International, v. 56, n. 2, p. 135-139, 2007.

BÉLO, Muracy et al. Avaliação do efeito bioinseticida dos extratos de Tabernaemontana catharinensis A. DC.(Apocynaceae) e Zeyheria montana Mart.(Bignoniaceae) sobre a mosca Zaprionus indianus (Díptera: Drosophilidae)(Gupta, 1970). Revista Brasileira de Biociências, v. 7, n. 3, 2009.

FERREIRA, José Tércio B.; CORRÊA, Arlene G.; VIEIRA, Paulo Cezar. Produtos naturais no controle de insetos. In: Produtos naturais no controle de insetos. 2001. p. 176-176.

PORTAL DAS MISSÕES. Cobrina um patrimônio do Sul. Disponível em http://www.portaldasmissoes.com.br/noticias/view/id/1940/cobrina—um-patrimonio-do-sul.html

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Guilherme Peres Coelho

Apremavi participa da Semana FSC® Brasil 2022

Apremavi participa da Semana FSC® Brasil 2022

Apremavi participa da Semana FSC® Brasil 2022

Entre os dias 18 e 22 de julho de 2022 membros do FSC Brasil se reuniram em São Paulo para trocas de experiências e debates sobre temas relevantes para o manejo florestal responsável.

A Semana FSC® Brasil 2022, realizada entre os dias 18 e 22 de julho em São Paulo, reuniu aproximadamente 60 membros e observadores, entre eles a Apremavi, que compõe a rede desde sua fundação, em 2002.

Celebrando 20 anos de existência no Brasil, o evento proporcionou um espaço para trocas de experiências e debates sobre temas relevantes para o setor florestal, além de realizar reuniões dos órgãos de governança – Conselho Diretor (CD), Conselho Fiscal (CF), Comitê de Desenvolvimento de Padrões (CDP), Comitê de Resolução de Conflitos (CRC), bem como reuniões das câmaras ambiental, social e econômica e a Assembleia Nacional de membros.

Os órgãos de governança são compostos por membros eleitos em Assembleia, sendo que cada órgão tem sua responsabilidade. O Conselho Diretor é responsável por gerir a organização, definir políticas que orientem as atividades gerais da Diretoria Executiva, deliberar sobre patrimônio e gestão financeira, apoiar o planejamento das ações e decidir questões submetidas por elas. O Conselho Fiscal é o órgão de fiscalização financeira da organização e de assessoramento do CD. Já o Comitê de Resolução de Conflitos é responsável por dirigir a estratégia de Resolução de Conflitos do FSC no Brasil, analisar casos, dar encaminhamentos e aconselhar a Diretoria Executiva e o Conselho Diretor sobre casos que envolvam partes interessadas. E o Comitê de Desenvolvimento de Padrões (CDP) é responsável de conduzir os processos de construção de normas e padrões nacionais, orientando o trabalho da Diretoria Executiva nas consultas públicas e na interlocução com atores internacionais da rede FSC.

A Apremavi compõe o Conselho Diretor do FSC e finaliza seu mandato em dezembro de 2022. “Fazer parte do FSC significa apoiar o uso sustentável e responsável das florestas, sabendo que esse uso contribui com a conservação da biodiversidade e da qualidade de vida das comunidades”, afirma Carolina Schäffer, vice-presidente da Apremavi.

Semana FSC Brasil 2022

Registros da Semana FSC Brasil 2022. Fotos: FSC Brasil / Semana FSC Brasil 2022.

A programação da semana se encerrou com a Assembleia Nacional, que ocorre anualmente e é um momento para prestação de contas, deliberações sobre temáticas e votação sobre assuntos relevantes à rede. Todas as decisões no FSC são construídas por meio de negociações, acordos e consensos entre os membros das câmaras ambiental, social e econômica.

Durante a Assembleia foi apresentado o parecer do conselho fiscal e da auditoria independente relacionado às contas de 2021, debatidas e votadas propostas de mudanças estatutárias, eleitos os novos membros para as vagas nos órgãos de governança, realizado um workshop sobre o funcionamento da Assembleia Geral do FSC Internacional, debatidas moções que serão apreciadas e votadas na Assembleia Geral e também apresentado um balanço regional pelo Diretor do FSC América Latina (FSC Latinoamérica), Bruno Rath.

Semana FSC Brasil 2022. Fotos: FSC Brasil / Semana FSC Brasil 2022.
Registros dos participantes da Assembleia Geral. Fotos: FSC Brasil / Semana FSC Brasil 2022.

O FSC

O FSC – Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal, em português) é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, criada em 1994 para promover o manejo florestal responsável ao redor do mundo, por meio de um sistema de certificação, pioneiro e único, que incorpora, de forma igualitária, as perspectivas de grupos sociais, ambientais e econômicos. Com sede na Alemanha e no México, está presente em mais de oitenta países.

No Brasil, o FSC foi oficialmente estabelecido em 2002, mas as primeiras florestas certificadas brasileiras são dos anos 1990. As áreas certificadas de manejo comunitário, concessões públicas e empresariais da Amazônia, bem como de plantações florestais no país inteiro, fornecem matéria-prima para diversos setores da economia, como construção civil, papel e celulose, embalagens, alimentos e cosméticos.

O FSC tem uma estrutura de governança única, baseada nos princípios da democracia, participação e igualdade. É uma associação civil, conduzida por seus membros, que podem ser individuais (pessoa física) ou organizacionais (pessoa jurídica), e representam as câmaras social, ambiental e econômica. A principal vantagem deste modelo de governança é a possibilidade de encontrar o equilíbrio entre as diferentes visões e necessidades.

Autora: Carolina Schäffer.
Revisão: Thamara Santos de Almeida.

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