O que explica a distribuição da araucária?

O que explica a distribuição da araucária?

O que explica a distribuição da araucária?

Você já percebeu como a araucária (Araucaria angustifolia) ocorre de forma mais marcante no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mas aparece apenas em manchas isoladas em São Paulo e Minas Gerais? Com base em análises de DNA, registros de pólen fóssil e modelos climáticos sobre o passado, um estudo buscou esclarecer os fatores que promoveram a distribuição da espécie, desde o final da Era do Gelo até os dias atuais. A pesquisa foi realizada por um grupo de pesquisadores, liderado por Mariana M. Vasconcellos (USP).

A distribuição disjunta da Araucária é o resultado de uma complexa interação entre mudanças climáticas ocorridas ao longo de dezenas de milhares de anos e a ação de povos indígenas que habitavam essas regiões.

Foram identificadas duas grandes populações genéticas de Araucária. Uma delas ocupa o Planalto Sul, abrangendo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A outra está restrita à Serra da Mantiqueira, que se estende por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Essas duas populações se separaram há cerca de 149 mil anos, durante o penúltimo período glacial, quando mudanças climáticas remodelaram os ambientes do Sudeste e do Sul do país. A partir daí, cada uma seguiu um caminho próprio de expansão.

O frio que impulsionou a floresta no Sul

No Sul do Brasil, a Araucária começou a se expandir há cerca de 70 mil anos, ainda durante o Último Período Glacial, muito antes da chegada dos humanos à América do Sul. O clima da época, mais frio e úmido, favoreceu a germinação das sementes e a ocupação de grandes áreas do planalto.

Essa expansão atingiu seu auge por volta de 16 mil anos atrás, durante o Evento de Heinrich 1, quando o desprendimento de icebergs no Atlântico Norte provocou picos de umidade no Brasil. Nesse período, a Floresta com Araucárias atingiu sua maior extensão histórica.

 

O papel dos povos indígenas na dispersão

Os dados genéticos indicam que os povos indígenas também tiveram um papel decisivo na distribuição da espécie ao longo do território. A pesquisa encontrou sinais de alto fluxo gênico entre populações distantes, um padrão compatível com a dispersão de sementes mediada por comunidades humanas.

O consumo do pinhão, semente da Araucária, é documentado há pelo menos 4 mil anos. Registros arqueológicos, como restos alimentares, pinturas rupestres e análises de tártaro dentário, indicam que a Araucária era uma fonte fundamental de alimento. Além disso, as áreas onde estão localizados assentamentos indígenas coincidem com a distribuição atual da floresta, sugerindo que os grupo se organizaram em torno da espécie.

 

Uma expansão mais recente na Mantiqueira

Na Serra da Mantiqueira, a história é diferente. A população de Araucárias dessa região começou a se expandir apenas há cerca de 3 mil anos, já durante o Holoceno. O crescimento coincide com um período de aumento das chuvas e temperaturas mais amenas, associado ao fortalecimento das monções de verão na América do Sul.

Embora também houvesse presença humana nesse período, o estudo aponta que há poucas evidências de que os povos do Sudeste tenham desempenhado um papel tão direto na dispersão da Araucária, como ocorreu no Sul.

 

Futuro sob ameaça

Depois de milhares de anos de relativa estabilidade climática, as populações de Araucária enfrentam hoje uma nova pressão. A fragmentação das florestas, a redução do tamanho das populações e o aumento das temperaturas provocado pelas mudanças climáticas representam riscos especialmente graves para a população da Mantiqueira.

Os pesquisadores alertam que, sem ações efetivas de conservação e restauração, a espécie, que é um dos maiores símbolos da Mata Atlântica, pode perder grande parte de sua distribuição nas próximas décadas.



Registros de mudas de araucária produzidas no Viveiro Jardim das Florestas e áreas de distribuição da espécie. Fotos: Arquivo Apremavi, Wigold B. Schäffer e Thamara. S. de Almeida.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Wigold Schäffer

 

Bosques de Heidelberg plantou mais de treze mil mudas em 2025

Bosques de Heidelberg plantou mais de treze mil mudas em 2025

Bosques de Heidelberg plantou mais de treze mil mudas em 2025

Desenvolvido desde 1999 em parceria com o Bund für Umwelt und Naturschutz Deutschland (BUND), projeto Bosques de Heidelberg reafirmou seu papel como uma das parcerias mais duradouras da Apremavi, unindo restauração ecológica, educação ambiental e engajamento comunitário em Santa Catarina e no Paraná.

Foram 13.669 mudas de espécies nativas plantadas ou distribuídas em ações de restauração ecológica e educação ambiental em 2025. Do total, 8.319 mudas foram utilizadas na implantação de Bosques de Heidelberg em propriedades rurais, escolas, instituições comunitárias e áreas da própria Apremavi, enquanto 5.350 mudas foram distribuídas em campanhas públicas, envolvendo escolas, prefeituras, movimentos sociais, organizações religiosas e comunidades tradicionais.

As ações abrangeram diferentes contextos, como a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), o enriquecimento de florestas secundárias, a restauração de margens de rios e o embelezamento paisagístico de espaços comunitários, sempre com foco na biodiversidade nativa e na função ecológica das florestas. Desde o início do projeto, mais de 198 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica foram plantadas ou distribuídas.

Restauração aliada à educação e à participação social

Um dos diferenciais do Bosques de Heidelberg é a forte integração entre a restauração ecológica e a educação ambiental. Ao longo do ano, diversos plantios foram realizados com a participação direta de estudantes, professores, agricultores, comunidades indígenas, jovens, crianças e voluntários, fortalecendo o vínculo entre as pessoas e o território.

Destaque para ações em escolas e instituições de ensino, como o Instituto Federal Catarinense (IFC), onde as mudas contribuíram para o desenvolvimento de sistemas agroflorestais, áreas experimentais e estações de aprendizagem em restauração ecológica, transformando os bosques em laboratórios de ensino, pesquisa e extensão.

Formação de futuros profissionais

Outro destaque do ano foi o apoio do Bosques de Heidelberg ao projeto universitário Raízes do Futuro, desenvolvido por estudantes de Agronomia da Unopar, no município de Ibaiti (PR). Foram doadas 500 mudas nativas, utilizadas na restauração de 1,3 hectares de uma propriedade rural, em uma atividade prática que mobilizou mais de 30 participantes e fortaleceu a formação técnica e cidadã dos estudantes.

Atividades do projeto Bosques de Heidelberg em 2025. © Divulgação/IFC Rio do Sul

Plantio e doação de mudas pelo Bosques de Heidelberg no Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia Catarinense (IFC) em Rio do Sul (SC), na Escola Municipal Amanda Mendes em Curiúva, Prefeitura Municipal de Bom Retiro (SC) e para Amanda Tamara Zanelato e Ronei Von de Souza em Atalanta (SC). Fotos: IFC Rio do Sul, Pedro Ferreira, Leandro Casanova, Taís Fontanive e Filipe de Souza)

Restauração ecológica em territórios indígenas

Outra iniciativa apoiada foi o Projeto Refloresta Maciambú, realizado na aldeia Pira Rupá, em Palhoça (SC). A ação teve como objetivo promover a restauração ecológica de áreas alteradas no território indígena e já resultou no plantio de mais de mil mudas de árvores nativas.

O mutirão apoiado envolveu o plantio de 400 mudas nativas. Espécies como cedro (Cedrela fissilis), pitanga (Eugenia uniflora) e aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolia) compuseram o mix de plantio. A escolha das espécies foi feita de forma participativa, em diálogo com a comunidade, considerando não apenas a restauração, mas também o uso futuro de frutos, folhas e sementes, fortalecendo a relação entre a biodiversidade e os modos de vida tradicionais.

Autora: Thamara Santos de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Plantio em um fragmento de floresta secundária e restauração de uma Área de Preservação Permanente (APP) em torno de uma nascente. Foto: Henrique Cardoso Schmidt

Programa de Visitas Guiadas da Apremavi fortalece aprendizados e diálogos em 2025

Programa de Visitas Guiadas da Apremavi fortalece aprendizados e diálogos em 2025

Programa de Visitas Guiadas da Apremavi fortalece aprendizados e diálogos em 2025

Alinhado à área temática Educação Ambiental e Informação, o Programa de Visitas Guiadas da Apremavi atendeu centenas de estudantes e cidadãos que buscam aprender mais sobre o trabalho da instituição na conservação e restauração da Mata Atlântica em 2025. 

A recepção dos grupos ocorre no Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas, em Atalanta (SC), onde a equipe apresenta a missão, histórico institucional e iniciativas para a proteção da Natureza, com ênfase nos projetos de restauração ecológica. Os visitantes seguem os passos para aprender sobre a produção de mudas nativas, ao conhecer a estrutura e o trabalho das profissionais viveiristas da Apremavi, e também conhecem muitas das espécies nativas produzidas no espaço. 

Neste ano, foram recebidas 38 visitas, principalmente de centros de ensino de Santa Catarina, somando 922 pessoas atendidas. A programação para crianças (séries iniciais do Ensino Fundamental) é centrada em curiosidades, dinâmicas e visitas didáticas nos espaços da Sede da Apremavi, enquanto jovens e adultos (séries finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior) aprofundam e trocam conhecimentos sobre a restauração ecológica. Todas as pessoas que visitam a Apremavi conhecem também a Trilha da Restauração, onde é possível observar áreas demonstrativas de diferentes metodologias e experiências de restauração da Mata Atlântica.

Registros das visitas recebidas em 2025. Fotos: Arquivo Apremavi.

Registros das visitas recebidas em 2025. Fotos: Arquivo Apremavi.

Taís Fontanive, coordenadora administrativa adjunta da Apremavi, destaca a relevância da vivência na Sede da Apremavi: “Muitos grupos que visitam a Apremavi buscam observar na prática aquilo que está no livro didático, que já foi estudado em sala de aula, ou ainda desenvolvem projetos e pesquisas a partir da visita no Centro Ambiental e Viveiro Jardim das Florestas”, destaca Fontanive.

Além da Sede da Apremavi, visitas a áreas relevantes do município também são conduzidas através do programa, como a RPPN Serra do Pitoco e o Parque Natural Municipal da Mata Atlântica, primeira Unidade de Conservação do município. Os visitantes também acessam materiais de campanhas, vídeos e publicações produzidos pela instituição na área temática de Educação Ambiental e Informação, ampliando as referências e os aprendizados na temática ambiental para além da visita.


> Visite a Apremavi em 2026

Autor: Vitor Lauro Zanelatto | Colaboração: Taís Fontanive
Revisão: Taís Fontanive e Carolina Schäffer
Foto de capa: Arquivo Apremavi

Junte-se a nós na restauração da Floresta com Araucárias | Dia de Doar

Junte-se a nós na restauração da Floresta com Araucárias | Dia de Doar

Junte-se a nós na restauração da Floresta com Araucárias | Dia de Doar

O Dia de Doar busca conectar as pessoas com causas relevantes para a sociedade, que precisam de contribuições e participação ativa para continuar avançando. A Apremavi aproveita a data e lança um convite para que mais pessoas juntem-se ao movimento de restauração da Floresta com Araucárias, um dos ecossistemas mais ameaçados do Brasil.

A Apremavi participa desse movimento há alguns anos. Para além das doações, a organização sabe da necessidade de envolver todas as pessoas em causas comuns, que são de responsabilidade e também promovem benefícios coletivos. Foi com união que grandes vitórias foram conquistadas para a proteção da natureza, e coletivamente também são enfrentados os grandes desafios socioambientais. 

Neste ano, o convite da Apremavi é para apoiar a restauração e conservação da Floresta com Araucárias. Resta apenas 4,3% da cobertura original dessa fitofisionomia da Mata Atlântica, número que precisa aumentar para proteger as espécies, serviços ecossistêmicos e toda a vida sustentada pelo ecossistema. Para isso, é preciso união e muito trabalho.  

Ao apoiar o trabalho da Apremavi, cada doador está contribuindo com a coleta de sementes, produção de mudas nativas, plantio e monitoramento das áreas em restauração. Para além do campo, é promovido conhecimento sobre a restauração da Mata Atlântica, atividades de educação ambiental e atuação nas políticas públicas socioambientais. O trabalho é imenso, e só é possível avançar com a generosidade e envolvimento das pessoas pela causa. Vamos juntas e juntos?

 

Junte-se a nós na restauração da Floresta com Araucárias:
Dia de Doar

É um movimento internacional realizado em mais de 100 países, buscando conectar pessoas, organizações e empresas com o poder de transformar realidades. A data é firmada anualmente, sempre na primeira terça-feira após o Dia de Ação de Graças. No Brasil, a mobilização cresceu nos últimos anos e se tornou um dos principais momentos para quem deseja apoiar causas sociais.

O Dia de Doar se consolidou como uma oportunidade de conectar quem deseja ajudar a quem mais precisa, estimulando a cultura de doação para causas relevantes e organizações que atuam no fortalecimento de políticas, direitos sociais e mudanças reais.

Autores: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: Wigold B. Schäffer

Apremavi repudia derrubada dos vetos à Lei Geral do Licenciamento Ambiental

Apremavi repudia derrubada dos vetos à Lei Geral do Licenciamento Ambiental

Apremavi repudia derrubada dos vetos à Lei Geral do Licenciamento Ambiental

Apesar da mobilização diuturna da sociedade civil para combater os retrocessos socioambientais desde o início da tramitação do projeto, 56 pontos da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, vetados pelo Poder Executivo, foram derrubados. Conhecido também como “PL da Devastação”, o texto segue agora para promulgação. 

O resultado da sessão conjunta do Congresso Nacional nesta quinta-feira (27/11) foi apenas mais uma demonstração de que os interesses da população e os direitos constitucionais assegurados ao meio ambiente não estão entre as preocupações da maioria dos parlamentares. A diferença entre este e outros retrocessos aprovados pelo Legislativo nos últimos anos está na monta: o licenciamento ambiental foi completamente desfigurado, promovendo o enfraquecimento da proteção socioambiental e enorme insegurança jurídica. Agora é urgente pautar a inconstitucionalidade do texto no Supremo Tribunal Federal, uma vez que o teor da nova lei de licenciamento difere do previsto na Constituição. 

Dos 63 vetos presidenciais ao Projeto de Lei 2.159/2021 aprovado em julho – articulados em um esforço hercúleo liderado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima – apenas sete  estão mantidos. Os vetos que não foram derrubados ontem dispõem sobre a Licença Ambiental Especial (LAE) e serão apreciados na próxima semana, quando o Congresso deve votar a conversão em lei da MP da Licença Ambiental Especial. Ela própria tem mais de 800 emendas, o que possibilita a inclusão de jabutis no texto e a ampliação dos retrocessos.

Alterações nos dois primeiros parágrafos do artigo 14 da Lei da Mata Atlântica (11.428/2006) retiram do órgão ambiental federal (leia-se Ibama) a competência para avaliar o status de conservação do bioma e a capacidade de suporte diante das múltiplas solicitações de supressão entre estados e municípios, que, se realizadas de forma descoordenada, implicam sua destruição gradual. Na mensagem de veto a este dispositivo da lei, a Presidência da República cita a decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4983/DF, demonstrando a incompetência dos legisladores quanto à proteção do meio ambiente e às suas próprias responsabilidades.

Somado a isso, a exclusão de terras indígenas e de territórios quilombolas das análises de licenciamento, caso não estejam com a regularização fundiária concluída, e as restrições à atuação de órgãos gestores de Unidades de Conservação representam o impacto da decisão do Congresso no Brasil. 

Miriam Prochnow, co-fundadora e coordenadora de políticas públicas da Apremavi, declara que, mesmo a caminho da promulgação, o enfrentamento aos retrocessos da nova lei não deve cessar: “Trabalhamos por mais de vinte anos para aprovar a Lei da Mata Atlântica e, antes disso, muitos lutaram para garantir o meio ambiente equilibrado como direito fundamental na Constituição. Em tempos normais, políticas sólidas para proteger a natureza já são fundamentais; em tempos de emergência climática, são imprescindíveis e não vamos aceitar retrocessos.”

Em comunicado à imprensa logo após a votação o Observatório do Clima (OC), rede que a Apremavi integra, destacou que a derrubada dos vetos logo após a COP30 é especialmente amarga, pois afeta diretamente a proteção das áreas naturais e viola as metas climáticas do país, contrastando com os discursos políticos dos parlamentares durante a Conferência do Clima na capital paraense. No mesmo comunicado, o OC declara a judicialização da nova lei como certa. 

A Rede de ONGs da Mata Atlântica alertou sobre os efeitos iminentes à natureza e às pessoas que vivem e cuidam dela: “Isso não é ‘progresso’: é degradação, ameaça às florestas remanescentes e desrespeita os direitos de povos tradicionais, comunidades quilombolas e populações que dependem da natureza para viver — diretamente ou por herança histórica. A nossa floresta é vida, biodiversidade, cultura, futuro. Quem votou pela flexibilização escolheu lucro sobre vidas, destruição sobre justiça. Vamos resistir — hoje, amanhã, sempre.”

A Apremavi repudia o resultado da votação de ontem e, sobretudo, a forma como os parlamentares têm se portado diante dos biomas brasileiros, da biodiversidade, dos povos e dos territórios, ignorando a ciência e os dados históricos e priorizando minorias em pautas antiambientais.

Autores: Vitor Lauro Zanelatto e Miriam Prochnow
Revisão: Carolina Schäffer
Foto de capa: (CC) Julio Henrichs

Universitários colocam em prática o planejamento de propriedades e paisagens e a restauração ecológica

Universitários colocam em prática o planejamento de propriedades e paisagens e a restauração ecológica

Universitários colocam em prática o planejamento de propriedades e paisagens e a restauração ecológica

Através do projeto de extensão Raízes do Futuro, os estudantes de Agronomia da Universidade do Norte do Paraná (Unopar) planejaram e estão implementando a restauração ecológica em uma propriedade rural no município de Ibaiti (PR), unindo teoria, prática e compromisso com o futuro.

A ação envolveu a implantação de atividades em uma área de 1,3 hectares na Fazenda Figueira, utilizando o plantio de espécies nativas conjugado e a regeneração natural para para a restauração ecológica. Antes disso, os 21 estudantes do curso de Agronomia da Unopar, que participam do projeto, estudaram a legislação ambiental e planejaram as atividades considerando a propriedade e a paisagem do entorno, sob orientação do professor Emerson Belarmino. A ação contou com a participação de aproximadamente 30 pessoas, incluindo proprietários, parceiros e acadêmicos.

O projeto de extensão foi criado em setembro de 2025, para aplicar na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula. Durante as atividades, os estudantes vivenciam na prática as etapas e os desafios para promover a recuperação de áreas alteradas, desde a mobilização dos proprietários, visitas de diagnóstico e implantação da restauração, etapa realizada em 25 de outubro.

Roderick Hunter e Eliana Hunter, representantes dos proprietários da Fazenda Figueira, percebem que a iniciativa vai além da recuperação ambiental: “é uma honra explicar por que escolhi cooperar com este importante projeto: ao plantar árvores nativas em áreas improdutivas, não estou abrindo mão de terras, mas sim investindo no equilíbrio do planeta. Sem esse equilíbrio, não há futuro para a agricultura e nem para nós.

Atividades do projeto de extensão Raízes do Futuro, em Ibaiti (PR). Crédito: Arquivo Apremavi.

Registros das atividades para a implantação da restauração ecológica. Fotos: Arquivo Apremavi.

O Presidente da Apremavi, Edinho Pedro Schäffer, destacou o caráter educativo e transformador da ação: “a restauração realizada por acadêmicos é um verdadeiro exercício de cidadania, consciência ambiental e compromisso com o futuro. Essa iniciativa fortalece o vínculo entre a universidade e a comunidade, mostrando que a educação pode ser um agente ativo na construção de um mundo mais sustentável.”

Além da Apremavi, que doou 500 mudas nativas e articulou atividades com os proprietários através do projeto Implantado o Código Florestal, o Raízes do Futuro contou com a colaboração do Instituto de Água e Terra (IAT), que também forneceu mudas. Já o consultor Robson Ferreira de Oliveira realizou a doação de fertilizantes; e Weliton Oliveira Machado, que é técnico ambiental na Apremavi, e contribuiu com hidrogel e ferramentas necessárias para implantação do projeto. As atividades foram facilitadas por Maurício Reis, coordenador de projetos da Apremavi e estudante do curso de Agronomia na Unopar. 

O professor Emerson Belarmino, orientador do projeto, ressaltou a importância da extensão universitária: “como tutor dos alunos de Agronomia, é gratificante testemunhar o quanto essa ação transformou o aprendizado em uma experiência viva e significativa. Estamos formando profissionais que não apenas compreendem o meio ambiente, mas que também se dedicam a cuidá-lo.”

O estudante Gustavo Farias também compartilhou sua experiência: “participar desta ação representou para mim uma experiência única e de muito significado. Cada muda plantada representa esperança, vida e um futuro de qualidade. Que esta iniciativa seja exemplo e inspiração para outros.”

O Projeto Raízes do Futuro mostra como a união entre academia, proprietários rurais e organizações da sociedade civil podem gerar impactos positivos e duradouros, aliando o conhecimento técnico ao contexto prático, promovendo a implementação da legislação ambiental e plantando não apenas árvores, mas também consciência e esperança.

> Saiba mais sobre o Planejamento de Propriedades e Paisagens

 

Essa ação está relacionada com os ODS:

 

Autor: Maurício Reis
Revisão: Thamara S. de Almeida e Vitor Lauro Zanelatto
Foto da capa: Arquivo Apremavi

Conservador das Araucárias: implementar o Código Florestal através da restauração de ecossistemas

Conservador das Araucárias: implementar o Código Florestal através da restauração de ecossistemas

Conservador das Araucárias: implementar o Código Florestal através da restauração de ecossistemas

O Brasil tem diante de si um desafio histórico e também uma oportunidade: agir sobre sua dívida ambiental e se tornar líder global em restauração de ecossistemas.

A efetiva implementação do Código Florestal (Lei 12.651/2012) é um caminho  sólido para que o Brasil se torne um líder global em restauração de ecossistemas e no enfrentamento da emergência climática. Não se trata apenas de cumprir uma lei, mas de garantir o futuro de milhões de brasileiros. Hoje, segundo o Observatório do Código Florestal, há 21 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais que precisam ser restaurados, enquanto a meta brasileira na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil no Acordo de Paris é de 12 milhões de hectares. Nosso dever de casa é muito maior que a meta estabelecida.

Isso exige firmeza em comando e controle para a implementação da legislação, mas também demanda apoio concreto para que o Código Florestal seja colocado em prática. Não basta apenas cobrar dos produtores rurais é preciso oferecer crédito, incentivos e financiamento que transformem a restauração em realidade. Se queremos reduzir as emissões, adaptar o país aos efeitos das mudanças climáticas e proteger nossas riquezas naturais, não há outro caminho senão cumprir e fortalecer o Código Florestal através de parcerias e ações envolvendo os atores do território, o planejamento da paisagem e os desafios globais que precisam ser enfrentados.

Código Florestal e adaptação climática

O Código Florestal não ajuda apenas na mitigação das mudanças climáticas; ele é também uma ferramenta estratégica para a adaptação de cidades e territórios aos impactos já em curso. A preservação e a restauração de APPs e Reservas Legais  protegem mananciais hídricos, estabilizam solos e mantêm a biodiversidade, elementos essenciais para a resiliência.

Tragédias advindas de enchentes e deslizamentos não são apenas resultado de fenômenos climáticos extremos, mas também consequência direta da forma como o território é ocupado. O Código Florestal, muitas vezes visto apenas como lei ambiental, é também uma lei de proteção à vida, estabelecendo parâmetros claros para evitar que pessoas se instalem em áreas de risco, como margens de rios, encostas íngremes e topos de morros. Não se trata apenas de conservar árvores ou paisagens, mas de garantir a segurança de comunidades inteiras.

Quando ignoramos esses limites, o preço é alto. Em 2011, a Região Serrana do Rio de Janeiro viveu uma das maiores tragédias socioambientais do país. Estudos mostraram que 92% dos deslizamentos ocorreram em locais alterados pela ação humana, enquanto apenas 8% atingiram áreas de vegetação nativa conservada. Situação semelhante havia ocorrido no Vale do Itajaí (SC), em 2008: 85% das áreas de deslizamento tinham interferência humana. Os números não deixam dúvida: quanto mais desrespeitamos a natureza, mais vulneráveis nos tornamos.

As APPs existem para proteger tanto o ambiente quanto as pessoas. Ao manter a vegetação nas margens dos rios, evitamos erosões, preservamos a qualidade da água e damos espaço para que os rios extravasem sem devastar comunidades. Ao respeitar as encostas e topos de morro, reduzimos o risco de deslizamentos que, infelizmente, ainda ceifam vidas todos os anos no Brasil.

Áreas com vegetação funcionam como amortecedores naturais contra eventos climáticos extremos, como enchentes, secas prolongadas e deslizamentos de terra. A vegetação nativa melhora a infiltração da água no solo, regula o microclima local e reduz a erosão, protegendo tanto a produção agrícola quanto as comunidades que dependem desses recursos. Além disso, o Código Florestal incentiva práticas que conectam conservação ambiental à gestão de riscos climáticos, como a restauração de matas ciliares, formação de corredores ecológicos e aumento da cobertura florestal dentro das propriedades. Aplicar e implementar o Código Florestal de forma efetiva significa mitigar emissões e, ao mesmo tempo, aumentar a resiliência de pessoas, adaptando cidades e ecossistemas.

Mutirão de plantio e visitas às propriedades atendidas pelo Conservador das Araucárias em Atalanta

Atividades de restuaração em APPS promovidas pelo projeto Conservador das Araucárias. Fotos: Miriam Prochnow e Wigold B. Schäffer. 

O exemplo do Conservador das Araucárias

O Brasil é uma potência em Soluções Baseadas na Natureza (SBNs), com muitos exemplos mostrando que as metas de restauração são alcançáveis, possíveis e benéficas para as pessoas e todas as formas de vida. O Conservador das Araucárias,  executado pela Apremavi em parceria com a Tetra Pak, é prova disso, aliando restauração com espécies nativas e captura de carbono. O projeto ajuda propriedades rurais a se adequarem à legislação ambiental e fortalece a conservação da água, do solo e da biodiversidade. E vai além: contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem no território. Sua meta é ambiciosa e inspiradora: restaurar 7.000 hectares de Mata Atlântica até 2030.

Os critérios do projeto deixam claro que restaurar é uma oportunidade de transformar as propriedades rurais. Participam apenas propriedades comprometidas com o Código Florestal, registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), sem histórico recente de desmatamento e que estejam dispostas a ampliar sua cobertura florestal. Isso mostra que restaurar é, ao mesmo tempo, responsabilidade e escolha estratégica.

Acreditando que é possível, em outubro de 2025, o projeto já conta com mais de 30 proprietários rurais como parceiros. São 3.132,05 hectares em processo de restauração e conservação em sete municípios de Santa Catarina, onde foram plantadas 320.000 mudas de árvores nativas nas áreas onde se faz a restauração com plantio de mudas. O projeto também utiliza como metodologias a semeadura de sementes de árvores nativas, o enriquecimento de florestas secundárias e a condução da regeneração natural de espécies nativas.

Além do impacto na paisagem onde a restauração acontece, a Apremavi criou o Portal Ambiental, plataforma online que utiliza imagens de satélite, drones e sensoriamento remoto para o planejamento das ações em campo, monitoramento das áreas e transparência das atividades.

No Portal é possível acessar todas as informações relevantes sobre os projetos: espécies e quantidades de mudas plantadas, mapas e limites das áreas, metodologias de restauração e registros fotográficos. O acesso é garantido em diferentes níveis para proprietários, financiadores e público em geral, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Além de monitorar, a ferramenta promove transparência pública e apoia a implementação do Código Florestal, utilizando como base os dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR/SICAR). Assim, o Portal ajuda a identificar áreas a restaurar, acompanhar o andamento dos projetos e apoiar a regularização ambiental das propriedades.

Até outubro de 2025 estavam cadastradas no Portal 1.354 propriedades. Esse número é atualizado a cada dia com novos cadastros sendo realizados. As propriedades cadastradas estão localizadas em 79 municípios, sendo 53 de Santa Catarina, 25 do Paraná e 1 de São Paulo. Nas propriedades cadastradas, há 1.402,04 hectares em restauração e 9.035,02 hectares de áreas conservadas.

Cada hectare restaurado significa mais água limpa, solo fértil, biodiversidade protegida e aumento da resiliência frente às secas, enchentes e eventos climáticos extremos que já afetam a vida de todos nós.

O Brasil pode e deve ser líder mundial em restauração. Mas isso só será possível se entendermos que cumprir o Código Florestal não é burocracia: é sobrevivência, futuro e esperança. E que iniciativas como o Conservador das Araucárias são faróis que mostram o caminho para a implementação. Está em nossas mãos transformar metas em realidade. Restaurar não é apenas reparar o passado: é construir o futuro que queremos e precisamos.

Mutirão de plantio e visitas às propriedades atendidas pelo Conservador das Araucárias em Atalanta

Restauração de APP em uma pequena propriedade rural através do projeto Conservador das Araucárias. Foto: Miriam Prochnow. 

Publicado originalmente no canal O Eco
Autores:
Miriam Prochnow e Wigold B. Schäffer
Foto de capa: Miriam Prochnow.

Apremavi participa do Congresso Mundial de Conservação da Natureza

Apremavi participa do Congresso Mundial de Conservação da Natureza

Apremavi participa do Congresso Mundial de Conservação da Natureza

O Congresso Mundial da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), realizado neste ano em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, entre 09 e 15 de outubro, é o evento mais significativo para o debate sobre a conservação da natureza, um trabalho que transcende fronteiras e exige colaboração, inovação e a união de vozes de todo o mundo.

O evento reuniu mais de 10.000 participantes, entre presenciais e online, de 140 países, com 1.400 membros presentes na Assembleia e culminou na adoção de 148 resoluções cruciais que influenciarão a política global de conservação. Além disso, a IUCN acolheu mais de 100 novos membros, incluindo seis Estados, e apresentou importantes atualizações científicas, como a da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, que revelou o aumento das ameaças a focas do Ártico e a abelhas selvagens europeias, e o relatório World Heritage Outlook, que destacou o risco climático para 43% dos sítios de Patrimônio Mundial natural.

Todo este contexto ressalta a importância de um momento que estabelece a visão para a conservação da natureza nas próximas duas décadas, relata Carolina Schaffer, vice-presidente da Apremavi, que acompanhou o evento e teve um papel ativo nas sessões do Congresso, apresentando a expertise da Apremavi em restauração ecológica e conservação da biodiversidade.

 

A atuação da Apremavi no evento

Para demonstrar a liderança e a expertise técnica da Apremavi na implementação de Soluções Baseadas na Natureza e estabelecer conexões valiosas, possibilitando futuras parcerias e intercâmbios de conhecimento que fortalecerão ainda mais a atuação da instituição, a Apremavi participou dos seguintes painéis:

PAINEL 1. Biodiversity Crisis and Extreme Climate: Contributions of Brazilian NGOs
Esta sessão destacou o trabalho das ONGs brasileiras no contexto das crises climáticas e de biodiversidade, com foco na perda de espécies e na articulação de políticas públicas nacionais.

Fala durante painel organizado pelo Comitê Brasileiro da IUCN. Foto: Duda Menegassi.

PAINEL 2. From promise to scale: nature-based carbon removals and the new forest economy
O painel explorou como a restauração de paisagens florestais em larga escala pode impulsionar uma economia baseada na natureza, alinhando-se aos objetivos de biodiversidade e de clima. 

Participação no painel sobre o mercado de carbono como oportunidade de escala para as soluções baseadas na natureza. Foto: Acervo Re.green.

PAINEL 3. Protected and Restored Areas in Brazil and Beyond: Pathways to Global Collaboration for Ecosystem Resilience
Esta discussão focou em acelerar ações em áreas protegidas e restauradas para fortalecer a resiliência climática, conectando experiências de países tropicais a doadores globais.

Painel sobre a colaboração global para as áreas restauradas e conservadas. Foto: Acervo IUCN-Sur.

Nossa participação no Congresso Mundial da IUCN não foi apenas um evento de representação, mas também uma oportunidade estratégica para demonstrar o compromisso da Apremavi com a agenda global de conservação da natureza, além de nos posicionar como um ator-chave na implementação de soluções baseadas na natureza, como a restauração ecológica,  complementa Carolina.

O Congresso

O Congresso Mundial de Conservação da IUCN é o principal fórum internacional para líderes, cientistas, formuladores de políticas, povos indígenas, setor privado e a sociedade civil discutirem soluções e definirem prioridades para os desafios ambientais mais prementes.

Organizado a cada quatro anos, ele se estrutura em três componentes essenciais: o Fórum, que serve como um vasto mercado de conhecimento para a ciência e a prática da conservação; a Exposição, um espaço dinâmico onde parceiros e inovações são apresentados ao público; e a Assembleia de Membros, o órgão decisório de mais alto nível que aprova resoluções e elege lideranças.

A edição de Abu Dhabi, realizada sob o patrocínio de Sua Alteza Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, Presidente dos Emirados Árabes Unidos, foi a primeira a sediar uma Cúpula Mundial de Povos Indígenas e Natureza, reforçando a importância da inclusão e do conhecimento tradicional.

Em destaque: Sessão do Congresso Mundial de Conservação da IUCN 2025. Foto: Carolina Schaffer | Galeria de fotos: 1. Membros do Comitê Brasileiro da IUCN na Assembleia. Foto: Acervo Comitê | 2. Painel sobre liderança para o diálogo sobre natureza. Foto: Carolina Schaffer | 3. O papel do mercado de carbono. Foto: Carolina Schaffer | 4. Marina Silva recebe prêmio da IUCN. Foto: Carolina Schaffer.

Autora: Carolina Schaffer
Revisão: Thamara S. de Almeida e Vitor L. Zanelatto
Foto de capa: Acervo IUCN-Sur

Projeto em território indígena une a comunidade para restaurar a mata ciliar

Projeto em território indígena une a comunidade para restaurar a mata ciliar

Projeto em território indígena une a comunidade para restaurar a mata ciliar

O Projeto Refloresta Maciambú é realizado na aldeia Pira Rupá, em Palhoça (SC), e já plantou mais de mil mudas para promover a restauração ecológica de áreas alteradas no território.

O último plantio da iniciativa ocorreu no sábado (11/10), e reuniu a comunidade para colocar a mão na terra e plantar mais 400 mudas nativas. Cedro (Cedrela fissilis), pitanga (Eugenia uniflora) e aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolia) integraram o mix de espécies. A escolha das árvores que foram plantadas foi realizada em conjunto com a comunidade, buscando também o uso futuro dos frutos, folhas e sementes. 

Também foram realizadas oficinas para o diagnóstico socioambiental do território e  troca de saberes e Etnobotânica. Uma formação em práticas de viveiragem de espécies nativas para a produção de novas mudas na terra indígena está sendo planejada. Assim, além da restauração ecológica, a iniciativa busca fortalecer os saberes e conexão com a área, que foi degradada antes do reconhecimento do território indígena.

 

Registros do terceiro mutirão de plantio do projeto Refloresta Maciambú. Fotos: Vitor Lauro Zanelatto.

Além da comunidade da aldeia Pira Rupa, o projeto contou com a ajuda de diversos voluntários nas diferentes ações já realizadas, e é apoiado por diversas organizações, entre elas a Apremavi, que doou parte das mudas utilizadas através do projeto Bosques de Heidelberg, que apoia a criação de bosques de espécies nativas da Mata Atlântica em parceria com a ONG alemã Bund für Umwelt und Naturschutz Deutschland – BUND, e já plantou 185 mil árvores desde 1999. A iniciativa é viabilizada com apoio do Fundo Casa Socioambiental, através da chamada Mata Atlântica Viva.

Werá Mirim, liderança jovem da comunidade, compartilhou a motivação para propor o projeto:  “O Rio Maciambú passa pela nossa comunidade, e a gente via a erosão da nossa terra. A gente traz uma reflexão da nossa cosmologia Guarani: a recuperação da mata ciliar é devolver a energia para o solo, devolver a energia para a mãe terra. Foi com essa reflexão que nós começamos o trabalho.”

Já Mariama Brod Bacci, colaboradora do projeto, destacou a importância da iniciativa para a proteção ambiental da bacia hidrográfica do Rio Maciambú, ameaçada pelo desmatamento, mineração e utilização elevada de agrotóxicos na região: “Com esse projeto nós estamos conseguindo recuperar as áreas degradadas da mata ciliar, protegendo o leito do Rio Maciambú, que nasce no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e é essencial para o bem-viver”.

 

O Projeto Bosques de Heidelberg

A parceria entre a Apremavi e o BUND acontece desde 1999 e busca a restauração da Mata Atlântica no Brasil. A principal atividade é o plantio de árvores nativas produzidas no Viveiro Jardim das Florestas, aliado a realização de palestras, visitação a trilhas em áreas de florestas e apoio a campanhas educativas, buscando sensibilizar e envolver alunos e a sociedade em geral na proteção e recuperação do ambiente natural. Sempre que possível, os bosques são plantados em centros de ensino, áreas estratégicas para que o espaço também seja explorado como recurso em atividades de educação ambiental, contemplação e interpretação da natureza. 

> Saiba mais 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Miriam Prochnow e Mariama Brod Bacci
Foto de capa: ©Vitor Lauro Zanelatto

Procurador da República visita a Apremavi e conhece o Portal Ambiental

Procurador da República visita a Apremavi e conhece o Portal Ambiental

Procurador da República visita a Apremavi e conhece o Portal Ambiental

A Apremavi recebeu em Atalanta, a visita do Procurador da República, Renato de Rezende Gomes, junto de sua equipe. 

O objetivo da visita, que aconteceu na última quarta-feira (08/10),  foi conhecer as instalações do Centro Ambiental e do Viveiro Jardim das Florestas, bem como conversar sobre os projetos e iniciativas  que a Apremavi desenvolve. Os visitantes tiveram também a oportunidade de percorrer a Trilha da Restauração, conhecer pequenas propriedades rurais participantes do projeto Conservador das Araucárias e desfrutar das belezas do Parque Natural Municipal Mata Atlântica.

O Procurador Renato já tem interagido com Apremavi por conta da execução do projeto +Floresta, desenvolvido no município de Abelardo Luz (SC), tendo recentemente participado do mutirão de plantio das primeiras mudas de xaxim-bugio (Dicksonia sellowiana) na região. O +Floresta é financiado pelo Ibama através do Acordo de Cooperação Técnica nº 34/2021 e supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Justiça Federal de Santa Catarina, na forma da ação n° 5001458-53.2017.4.04.7200/SC.

Durante a visita também foi apresentado em detalhes o funcionamento do Portal Ambiental da Apremavi, tendo sido entregue ao Procurador um documento de avaliação da importância da plataforma para a implementação do Código Florestal. 

O Procurador Renato registrou a satisfação da equipe do Ministério Público Federal (MPF) ao visitar a Apremavi: “fomos recebidos pelo Sr. Wigold e Sra. Miriam que nos apresentaram a estrutura e as tecnologias ambientais de fundamental importância para a conservação da Mata Atlântica. O zelo com que a Apremavi cuida da natureza é um exemplo a ser seguido e, sobretudo, ampliado pelos atores ambientais de nossa sociedade. Espero poder visitá-los novamente e agradecer a importante parceira na luta pelo fortalecimento ambiental dos biomas nacionais”, destacou.

Registros da visita do procurador Renato e equipe. Fotos: Miriam Prochnow, Wigold B. Schäffer e Arquivo Apremavi. 

Relevância do Portal Ambiental para as políticas públicas

O Portal Ambiental é uma plataforma online de dados geográficos desenvolvida com uso de sensoriamento remoto, imagens de satélite e drones, entre outros meios, para acompanhar o desenvolvimento e mensurar os avanços e a efetividade da restauração nas paisagens. 

Permite que os parceiros, apoiadores e equipe da Apremavi acessem dados como: nome do projeto, metodologia de restauração escolhida, informações sobre quantidades e espécies e de mudas utilizadas nos plantios, dados geográficos e limite das áreas, mapas e esboços das propriedades e fotos das diferentes etapas da execução dos projetos. O acesso das informações é disponibilizado em diferentes níveis para proprietários rurais, financiadores e público em geral, salvaguardados os direitos expressos na Lei Geral de Proteção de Dados.

Além de ser uma ferramenta de monitoramento, a plataforma é também um instrumento de  transparência pública dos trabalhos executados pela Apremavi e produção de dados abertos sobre a restauração da Mata, além de auxiliar na adequação ambiental de propriedades rurais, apoiando a implementação do Código Florestal.

O Portal utiliza como base o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental (SICAR), ferramenta que integra dados das propriedades rurais declaradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Existe convergência também entre os dados do Portal Ambiental da Apremavi e as exigências estabelecidas no Programa de Regularização Ambiental (PRA). 

Edinho Pedro Schäffer, presidente da Apremavi, apresenta o Portal Ambiental. Foto: Miriam Prochnow. 

O primeiro passo para adesão ao PRA é ter o Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade rural. Tendo o cadastro é possível identificar os passivos ambientais na propriedade e propor metas para sua regularização. Como o Portal utiliza a base de dados do SICAR, é possível detectar as áreas passíveis de restauração e a partir de visitas de campo, identificar se existem informações divergentes no CAR para retificá-lo. Identificados os passivos ambientais, é preciso elaborar um Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas ou Alteradas (PRADA) e isso é feito no Portal através do Projeto Técnico de Restauração.

Até outubro de 2025 estavam cadastradas no Portal 1.354 propriedades. Esse número é atualizado a cada dia com novos cadastros sendo realizados. As propriedades cadastradas estão localizadas em 79 municípios, sendo 53 de Santa Catarina, 25 do Paraná e 01 de São Paulo. Nas propriedades cadastradas temos 1.402,04 ha em restauração e 9.035,02 hectares de áreas conservadas.

As propriedades com áreas em processo de restauração foram atendidas pela Apremavi e o proprietário recebeu orientações sobre as melhores técnicas a serem utilizadas para a restauração de APPs e quando necessário a doação de mudas de árvores nativas.

A apresentação do Portal Ambiental está alinhada com o projeto Implantando o Código Florestal, que tem como objetivo geral reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil. É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação dos Amigos da Terra Amazônia. A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio. Apoiado pelo Governo da Noruega e pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad) via Iniciativa Internacional de Clima e Floresta da Noruega – NICFI. 

Autora: Miriam Prochnow
Revisão: Carolina Schäffer, Thamara S. de Almeida,  Vitor L. Zanelatto e  Wigold Schäffer
Foto de capa: Miriam Prochnow

Fórum de Participação Social de SC articula conferências regionais sobre Desenvolvimento Sustentável e Solidário

Fórum de Participação Social de SC articula conferências regionais sobre Desenvolvimento Sustentável e Solidário

Fórum de Participação Social de SC articula conferências regionais sobre Desenvolvimento Sustentável e Solidário

Liderado pela Secretaria Nacional de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, o Fórum de Participação Social Santa Catarina realizou sua terceira reunião ordinária no último sábado (04/10), buscando avaliar e aprimorar as políticas públicas federais no estado.

O encontro em Florianópolis pautou o estado da arte das atividades e ações realizadas pelas iniciativas em Economia Solidária, Cultura e Programa Cultura Viva, Educação Popular em Saúde, Assistência Técnica e Desenvolvimento Rural, Política de Habitação, entre outras políticas públicas implementadas. Miriam Prochnow, coordenadora de políticas públicas da Apremavi, integra o colegiado representando o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (FBOMS), ao lado de João de Deus Medeiros, presidente do Conselho Regional de Biologia de Santa Catarina (CRBio-09) e conselheiro da Apremavi. 

Segundo Miriam, a iniciativa dos fóruns regionais é  importante para o fortalecimento da participação popular no planejamento das políticas federais, para a cidadania e democracia: “os fóruns são oportunidades únicas que devem ser valorizadas, pois representam um canal direto para não só influenciar programas do governo, mas também ajudar a implementá-los” destacou. 

Os fóruns de participação social nos estados e no Distrito Federal foram instituídos em outubro de 2024 para mobilizar e organizar a participação social nas políticas públicas do governo federal, articulando a sociedade civil para a participação social e promovendo processos participativos federais, com interlocução da população com os gestores de órgãos e entidades da administração pública federal. Uma das ações para alcançar a participação social com educação popular no território catarinense é a realização de conferências territoriais precedendo a 3ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, que devem ser realizadas em treze cidades, contemplando todas as regiões de Santa Catarina. 

 

Conferência no Alto Vale do Itajaí deverá ocorrer em outubro 

Promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a 𝗖𝗼𝗻𝗳𝗲𝗿𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗧𝗲𝗿𝗿𝗶𝘁𝗼𝗿𝗶𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗗𝗲𝘀𝗲𝗻𝘃𝗼𝗹𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗦𝘂𝘀𝘁𝗲𝗻𝘁𝗮́𝘃𝗲𝗹 𝗲 𝗦𝗼𝗹𝗶𝗱𝗮́𝗿𝗶𝗼 no Alto Vale buscará construir uma agenda que para guiar a transformação agroecológica do nosso campo em Santa Catarina e no Brasil. 

Essa e outras conferências regionais integram uma estratégia para escutar a população e unificar demandas dispersas em torno de diretrizes estruturantes; orientar ações públicas com base em princípios compartilhados; fortalecer a incidência política dos sujeitos do campo, das águas e das florestas; e expressar uma visão coletiva de futuro que articule a justiça social, a sustentabilidade ambiental e a soberania e segurança alimentar.

Conferência Territorial de Desenvolvimento Sustentável e Solidário – Alto Vale do Itajaí
Local: IFC Unidade Tecnológica – Rio do Sul – SC
Endereço: Rua Mafalda L. Porto, 93 – Bairro Progresso
> Faça sua Inscrição e participe



Miriam Prochnow e João de Deus Medeiros participam da 3ª Reunião Ordinária do Fórum de Participação Social Santa Catarina. Foto: Miriam Prochnow.

Autor: Vitor L. Zanelatto
Revisão: Miriam Prochnow
Foto de capa: Miriam Prochnow

Atuação da Apremavi é reconhecida na 31ª edição do Prêmio Expressão de Ecologia

Atuação da Apremavi é reconhecida na 31ª edição do Prêmio Expressão de Ecologia

Atuação da Apremavi é reconhecida na 31ª edição do Prêmio Expressão de Ecologia

O trabalho da Apremavi pela restauração ecológica e conservação da Mata Atlântica foi reconhecido mais uma vez pelo Prêmio Expressão de Ecologia. Além do projeto +Floresta e do Programa Matas Legais, o ambientalista Wigold Schäffer, co-fundador da Apremavi, foi homenageado na 31ª edição do prêmio.  

Realizada no último sábado (27/09) em Florianópolis, a cerimônia de premiação reuniu lideranças, especialistas, empresários e representantes do setor público ambiental para prestigiar projetos de impacto socioambiental e instituições que desenvolvem projetos socioambientais exemplares em seus setores de atuação. 

Nesta edição foram recebidas 151 inscrições de projetos de empresas, órgãos públicos, instituições de ensino e ONGs dos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Apremavi foi reconhecida em duas categorias:  ‘Educação Ambiental’ e ‘Manejo Florestal Sustentável’.

 

Geração +Floresta é destaque da categoria Educação ambiental

Além da restauração ecológica de 260 hectares no município de Abelardo Luz (SC), o Projeto +Floresta está promovendo outras iniciativas junto das comunidades do território. O Programa de Educação Ambiental Geração +Floresta é uma dessas iniciativas, atuando em seis instituições de ensino públicas, com o objetivo de aproximar a comunidade escolar das ações do projeto, utilizando a educação ambiental como ferramenta de conscientização e transformação. 

As atividades nas escolas iniciaram em 2023, beneficiando centenas de estudantes. Com atividades na escola e vivências para além da sala de aula, o Programa promove aprendizados e trocas de saberes sobre temas como restauração ecológica e conservação de espécies ameaçadas, tendo como problematização para os diálogos os territórios onde os estudantes vivem, que também são a área de atuação do Projeto +Floresta. 

Em destaque: projeto +Floresta na cerimônia do 31º Prêmio Expressão. Foto: Vitor L. Zanelatto | Galeria: registros das atividades do programa Geração +Floresta. Fotos: Edilaine Dick, Marluci Pozzan e Thamara S. de Almeida. 

Programa Matas Legais é reconhecido na categoria Manejo Florestal Sustentável

O Programa Matas Legais, realizado em parceria com a Klabin, completou 20 anos em 2025 e segue realizando o planejamento de propriedades e paisagens para alcançar seu objetivo: tornar as propriedades participantes ‘’Legais”. Essa palavra expressa dois sentidos e princípios de atuação: garantir o cumprimento da legislação ambiental e promover lugares agradáveis, bonitos e bons de se viver. 

A iniciativa desenvolve ações de conservação, educação ambiental e fomento florestal em municípios de Santa Catarina e do Paraná, planejando ações de conservação e restauração florestal em propriedades que participam do programa de fomento florestal da Klabin. Até o final de 2023, o programa tinha atendido 1.426 propriedades, com cerca de 2.200 hectares de áreas em restauração. Foram plantadas e distribuídas em campanhas quase 2 milhões de mudas nativas.

Em destaque: equipe do Programa Matas Legais recebe o Troféu Onda Verde. Foto: Fatima Damaceno – Revista Expressão. | Galeria: registros de Antes e Depois do  Matas Legais. Fotos: Arquivo Apremavi.

Wigold Schäffer é reconhecido como Líder de Expressão  

Há mais de 40 anos atuando na defesa do meio ambiente e da vida, o co-fundador da Apremavi teve sua trajetória reconhecida na premiação, especialmente pelo trabalho em prol da profissionalização das organizações da sociedade civil, garantia da continuidade e aperfeiçoamento das iniciativas ambientais e gestão dos projetos de restauração e conservação realizados pela Apremavi. 

Em seu discurso, Wigold destacou a importância do ativismo para a conquista de direitos essenciais e avanços na proteção da Natureza, como a redemocratização do Brasil após a Ditadura de 1964,  pelo capítulo de meio ambiente na Constituição de 1988 e a legislação de proteção da Mata Atlântica aprovada em 2006. Wigold também lembrou a proteção de milhões de hectares de áreas naturais através da criação de Unidades de Conservação, onde contribuiu ativamente durante sua atuação no Ministério do Meio Ambiente. 

Ao final do seu discurso, Wigold inspirou os presentes na cerimônia para a realização de ações concretas e efetivas ao meio ambiente e sustentabilidade, nos diferentes setores da sociedade: 

Os desafios são imensos: as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e a escassez de água que afeta muitas regiões. São problemas que não reconhecem fronteiras ou ideologias políticas. 

As soluções não cabem apenas a um governo, uma empresa ou um país isolado. Esses desafios precisam ser enfrentados com ciência, união e cooperação global. A COP 30 em Belém em novembro é talvez a última oportunidade para a humanidade definir rumos e ações efetivamente sustentáveis, que evitem um aquecimento global acima de 1,5 graus.

Boca no trombone e mão na massa. Este é o lema  que nos acompanha na Apremavi desde a fundação. Atuamos em muitas frentes: Educação ambiental, políticas públicas, produção de mudas e restauração de ecossistemas, produção e difusão de conhecimento, sempre com ativismo e em defesa da Democracia e do meio ambiente.

O Prêmio Expressão de Ecologia nos lembra que é possível transformar, resistir e construir. Ele não celebra apenas o passado, mas também a esperança no futuro.

Wigold recebe o troféu Líderes de Expressão de Rodrigo Coutinho. Foto: Fatima Damaceno – Revista Expressão.

Sobre o Prêmio Expressão de Ecologia

É realizado anualmente pela Editora Expressão e teve início em 1993, na esteira das discussões promovidas na Rio 92, a conferência da ONU que inaugurou uma nova era ambiental. Em 31 anos de existência, registra mais de 3.500 projetos inscritos.

O Prêmio Expressão de Ecologia é o mais longevo do país na área ambiental, divulgando e disseminando os esforços de empresas e organizações que criam iniciativas para diminuir os impactos da poluição no meio ambiente e contribuir para a conservação dos recursos naturais e o desenvolvimento da consciência ambiental. Segundo Antonio Odilon Macedo, um dos idealizadores do prêmio, a iniciativa é um “observatório ambiental do Brasil”, divulgando e reconhecendo boas práticas em diferentes setores da sociedade. 

Durante a cerimônia de premiação da 31ª edição do Prêmio Expressão de Ecologia também foi lançada a edição 2025 da Revista Líderes de Expressão, que apresenta entrevistas exclusivas com nomes como Fábio Feldmann, ex-deputado federal e pioneiro da agenda ambiental, e o deputado Marquito, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A publicação apresenta ainda o detalhamento dos 31 projetos vencedores do Prêmio Expressão de Ecologia.

> Conheça todos os homenageados na 31ª edição do Prêmio Expressão de Ecologia

A capa da Revista Líderes Revista Líderes de Expressão  de 2025 foi ilustrada por uma pintura de Wigold Schäffer, co-fundador da Apremavi.

Autor: Vitor L. Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer e Thamara S. de Almeida
Foto de capa: Vitor L. Zanelatto

Seminários regionais trazem as discussões sobre a COP 30 para Santa Catarina

Seminários regionais trazem as discussões sobre a COP 30 para Santa Catarina

Seminários regionais trazem as discussões sobre a COP 30 para Santa Catarina

A parceria entre a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa (ALESC) e a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira já promoveu quatro seminários regionais sobre a Conferência das Partes da ONU sobre o Clima (COP 30), que neste ano será realizada em Belém. 

O quarto seminário regional aconteceu na última quinta-feira (25/09), na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. O encontro foi precedido por seminários em Lages, Joinville e Criciúma, que levantaram contribuições autodeterminadas da sociedade catarinense e promoveram a escuta das demandas, exemplos e sugestões da sociedade catarinense para a COP 30, considerando o desejo de que essa edição Conferência internacional seja a “COP da Implementação”, colocando em prática iniciativas para cumprir as metas de mitigação e controle da emergência climática.  

O deputado Marquito, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa, explicou que o principal objetivo dos seminários regionais é trazer as discussões da COP para Santa Catarina, envolvendo a sociedade na temática que, por vezes parece distante da realidade da população: “Queremos mobilizar diferentes setores da sociedade, como as instituições de ensino, organizações da sociedade civil, setores público e privado, para apresentarmos propostas concretas de enfrentamento à crise climática”, explicou.

Registros do seminário regional sobre a COP 30 – etapa Grande Florianópolis. Fotos: Gabriela Goebel e Vitor Lauro Zanelatto.

O encontro em Florianópolis contou com a participação de Luciana Abade Silveira, coordenadora de mobilização na Presidência da COP, que declarou o compromisso de que a síntese das contribuições catarinenses chegue até a presidência da COP 30, que será realizada em Belém, entre os dias 10 e 21 de novembro. Já a convidada Beatriz Pagy, especialista em políticas públicas e diretora do Clima de Política, reconheceu que os espaços de discussão das Conferências das Partes são excludentes, limitando a participação social e representação diversa; por isso, espaços para discutir a temática como os seminários regionais promovidos em Santa Catarina são essenciais. 

João de Deus Medeiros, presidente do Conselho Regional de Biologia de Santa Catarina (CRBio-09) e conselheiro da Apremavi, defendeu a implementação do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) para a mitigação das mudanças climáticas, destacando que a restauração ecológica das Áreas de Preservação Permanentes e de Reserva Legal é um dos melhores caminhos para atingir as contribuições autodeterminadas do Brasil para combater as mudanças climáticas. 

Vitor Lauro Zanelatto, da equipe da Apremavi, destacou os exemplos de Santa Catarina para que, de fato, a COP 30 possa ser reconhecida como a COP da implementação: Essa COP não deve ser idealista, mas sim pragmática, encarando os eventos climáticos extremos e a mudança no clima como a realidade em que vivemos e garantir investimentos em adaptação e mitigação a partir das soluções baseadas na natureza, tendo a resiliência e justiça climática como objetivo final; há muitas iniciativas em Santa Catarina que mostram ser possível como as atividades de restauração ecológica e conservação da biodiversidade realizadas pela Apremavi.”

O último seminário regional sobre a COP 30 deverá ocorrer nesta sexta-feira (03/10) em Chapecó. O documento final das contribuições catarinenses para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima deve ser lançado ainda em outubro. Antes disso, a ALESC deverá promover um simpósio estadual para sistematizar as demandas e sugestões recebidas. 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Miriam Prochnow e Thamara Santos de Almeida
Foto de capa: Gabriela Goebel

Tem árvores nos Campos de Altitude?

Tem árvores nos Campos de Altitude?

Tem árvores nos Campos de Altitude?

A vegetação dos Campos de Altitude apresenta menor porte, se comparada com as florestas da Mata Atlântica, mas com uma grande variedade de espécies, principalmente de herbáceas. Os arbustos são escassos e as árvores raras e isoladas.

A aparente monotonia dos campos revela uma grande diversidade de espécies, cores e texturas para quem observa com atenção. O que alguns chamam de “mar de grama” é, na verdade, ecossistema de significativa biodiversidade vegetal, com quase 300 espécies endêmicas (exclusivas daquele ambiente), muitas delas pouco estudadas.

Segundo o pesquisador João Ignaci, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), trabalhos recentes em Unidades de Conservação no ecossistema demonstram a riqueza do ecossistema: ​​“A taxa de endemismo é de 25%, muito maior do que a encontrada na Floresta Atlântica da região”. Embora muitas plantas dali também existam em outras regiões de altitude, tanto tropicais quanto temperadas, outras existem apenas nos campos e estão ameaçadas com a conversão para atividades antrópicas que modificam significativamente a paisagem: “O número total de espécies também é alto e comparável a outros centros de biodiversidade, considerando que a área é pequena”, acrescenta Ignaci.

Espécies com ocorrência nos Campos de Altitude. Fotos: João de Deus Medeiros. 

Os campos também prestam serviços ecossistêmicos (contribuições da natureza para as pessoas). As turfeiras, áreas de águas rasas com presença de espécies de musgos e gramíneas, atuam como esponjas na retenção de água para o lençol freático. Esses ecossistemas também absorvem grandes quantidades de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera, contribuindo diretamente para o equilíbrio climático global.

Outra característica dos Campos de Altitude é a sua interseção com ecossistemas arbóreos da Mata Atlântica, como a Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucárias) e as Matas Nebulares. Essa confluência acontece em áreas de ecótonos dinâmicos e amplamente diversas, que formam um mosaico campo-floresta na paisagem. Conservar esse encontro implica também na manutenção da heterogeneidade estrutural e funcional do mosaico, que protege, além da fauna, flora e funga, nascentes e turfeiras de altitude.

A vegetação campestre deve ser uma prioridade para estudos de conservação e também demonstra a necessidade de proteger o ecossistema, ameaçado por mudanças na legislação, especialmente em Santa Catarina. Dentro das áreas protegidas da região, encontram-se parques nacionais e estaduais, reservas biológicas, florestas nacionais, estações ecológicas e áreas de interesse ecológico.

Encontro do campo com a floresta. Foto: Wigold B. Schäffer.

Proteja os Campos de Altitude 

A campanha é uma das iniciativas do projeto “Cuidando da Mata Atlântica: Articulação Região Sul da RMA”, executado numa articulação entre a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e Instituto Mira Serra, com o apoio financeiro da Fundação dinamarquesa Hempel por meio da Fundação SOS Mata Atlântica.

> Conheça a campanha

 

Autores: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: João de Deus Medeiros
Foto de capa: Wigold B. Schäffer

Confira os desenhos que foram destaques da proposta pedagógica ‘Desenhando o Futuro de Atalanta’

Confira os desenhos que foram destaques da proposta pedagógica ‘Desenhando o Futuro de Atalanta’

Confira os desenhos que foram destaques da proposta pedagógica ‘Desenhando o Futuro de Atalanta’

A proposta pedagógica integra a iniciativa ‘Futuro Centro Turístico de Atalanta – Planejamento Participativo’, e busca envolver as escolas de Atalanta no planejamento do centro de turismo, cultura, arte, meio ambiente e convivência comunitária.

A atividade foi proposta aos estudantes da E.M.E.F. Vila Gropp e E.E.B Dr. Frederico Rolla nas últimas semanas, para os estudantes dos ​​5º e 6º ano do Ensino Fundamental. O desafio proposto foi de imaginar e representar através de desenhos originais como seria a paisagem ideal do centro de turismo, desde a reforma da edificação histórica, atividades que podem ser desenvolvidas, como seriam os jardins, e ideias para o uso do espaço que promova turismo, cultura, arte, meio ambiente e convivência comunitária.

Dentre os objetivos da atividade proposta aos estudantes estavam: 

  • Valorizar o patrimônio histórico de Atalanta, reconhecendo a importância da Cultura e dos espaços públicos para o bem-viver;
  • Desenvolver o sentimento de pertencimento e participação cidadã;
  • Reconhecer os atrativos turísticos, ambientais e ações culturais desenvolvidas na cidade.

A seleção dos trabalhos foi realizada no dia 17 de setembro, por representantes da Apremavi, da Prefeitura Municipal de Atalanta e de integrantes das escolas participantes da proposta pedagógica. A originalidade, fidelidade ao tema, criatividade, qualidade, comunicabilidade e aplicabilidade foram considerados como critérios para avaliação. Além do “destaque” de cada escola, o grupo avaliador reconheceu a criatividade de outros desenhos como “menção honrosa”. 

Confira os destaques:

E.M.E.F. Vila Gropp

Desenho destaque (acima): Barbara Floresti Kuhnen.
Menções honrosas (abaixo): Davi Henrique Waterkemper, Esther K. Schaffer, Paola Schiestel Krieger e Thaila Vitória Miranda.

 

E.E.B Dr. Frederico Rolla

Desenho destaque (acima): Melissa de Sousa.
Menções honrosas (abaixo): Marilia Izabel Bechtold, Joana B. May e Lara Gabrieli Luciano.

Segundo Miriam Prochnow, coordenadora de políticas públicas da Apremavi, os resultados da proposta pedagógica foram incríveis: “se conseguirmos concretizar as ideias colocadas nos desenhos, Atalanta terá um centro turístico de muita beleza e qualidade. Em conjunto temos que nos esforçar para fazer esses sonhos acontecerem. Muito obrigada a todas as pessoas que estão se envolvendo nesta iniciativa”, agradece Miriam.

Para Vilma Krause, Secretária de Turismo e Meio Ambiente de Atalanta, a atividade estimulou o sentimento de pertencimento e carinho das crianças para com o município: através dos desenho, elas expressaram os seus sonhos e desejos para aquele local, valorizando o espaço como algo da comunidade”, comenta Vilma.

Iana Caroline Becker, Diretora de departamento da Secretaria da Agricultura da prefeitura, expressou sua alegria com a atividade realizada, que foi além da participação das escolas, mas uma ação de inclusão das crianças: imagino que no futuro, as crianças que participaram da proposta pedagógica, terão a oportunidade de ver as suas ideias sendo materializadas, o que é muito gratificante pelas memórias afetivas criadas”, enfatiza Iana.

Já para Taís Fontanive, coordenadora administrativa da Apremavi é “importante valorizar as ideias vindas das crianças faz com que elas se sintam parte de algo maior. No caso do terreno da antiga olaria, localizado no centro da cidade, a possibilidade de contribuírem com sugestões para que esse espaço seja transformado de forma nobre é extremamente significativa.”

Os resultados da proposta pedagógica serão expostos no evento ‘Viva Atalanta’, que acontecerá no dia 27/09 no Parque Natural Municipal da Mata Atlântica. Os autores dos desenhos selecionados receberão um kit de produtos e certificado, e todos os participantes da proposta pedagógica receberão um brinde. A entrega dos itens será realizada no período vespertino.

 

Reunião para avaliação da proposta pedagógica nas escolas (17/09/2025). Fotos: Miriam Prochnow e Arquivo Apremavi. 

Autores: Miriam Prochnow e Vitor L. Zanelatto
Figura de capa: montagem com os desenhos selecionados

Dia da árvore é convite para restaurar e cumprir o Código Florestal

Dia da árvore é convite para restaurar e cumprir o Código Florestal

Dia da árvore é convite para restaurar e cumprir o Código Florestal

O Código Florestal é o marco central para a restauração de áreas alteradas no Brasil, promovendo benefícios para a propriedade, para a paisagem e para todas as formas de vida.

O Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) é uma lei que se aplica em todo o território nacional e estabelece normas gerais de proteção da vegetação nativa, além de definir os conceitos e parâmetros das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e das áreas de Reserva Legal que devem ser observados em todos os imóveis rurais. A aprovação do “novo Código Florestal” em 2012  estabeleceu o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e instituiu o Programa de Regularização Ambiental (PRA), instrumentos para a conservação, restauração e regularização ambiental das propriedades.

No caso dos imóveis rurais, a restauração de Áreas de Preservação Permanente e da Reserva Legal (RL), além de ser obrigatória por lei, é necessária e urgente. Assegurar que pelo menos 20% da propriedade seja destinada à conservação de áreas naturais (Reserva Legal na Mata Atlântica) promove benefícios intrínsecos às atividades, mas também beneficia a paisagem e, em maior escala, a conservação do ecossistema. As APPs, por exemplo, promovem a proteção de margens dos rios e nascentes e desempenham um papel fundamental na garantia da manutenção da quantidade e das características da água, influenciando diretamente a qualidade de vida das pessoas no campo e nas cidades.

Independentemente da metodologia aplicada para promover a restauração, é necessário o comprometimento e entendimento do produtor rural ou detentor de imóvel rural de que as APPs e a RL são importantes e sua recuperação é necessária para a melhoria da qualidade de vida da sua família e da comunidade. O comprometimento e a participação efetiva do detentor do imóvel são fatores decisivos para o sucesso da restauração de áreas degradadas.

Outro benefício de aderir ao PRA e recompor APPs e Reservas Legais de forma planejada é a suspensão de autuações por desmatamentos ocorridos até 22 de julho de 2008, desde que haja regularização. Figura: Desenho adaptado de “Plantar, criar e conservar – unindo produtividade e meio ambiente. ISA/Embrapa, 2013 – página 21”. Ilustração: Dedê Paiva.

> Saiba mais na cartilha ‘Planejando Propriedades e Paisagens’ 

Na prática 

A adequação da propriedade rural à legislação pode ser realizada através de diferentes metodologias, como a condução da regeneração natural (abandono e isolamento de áreas), promoção do enriquecimento ecológico de florestas secundárias e plantio de mudas e sementes de espécies nativas. 

No projeto Conservador das Araucárias, uma parceria da Apremavi com a Tetra Pak, a restauração ecológica e a conservação dos remanescentes florestais são planejadas através de uma análise minuciosa da propriedade, identificando as melhores metodologias para a recomposição de cada área e buscando ampliar as áreas conservadas, para além do que prevê o Código Florestal. Através de um contrato de parceria rural entre a Apremavi e o proprietário da terra, são previstos benefícios aos parceiros, entre eles o pagamento antecipado do carbono acumulado nas áreas em restauração e conservação que forem incluídas no projeto.

O Conservador das Araucárias também tem estratégias de permanência, conectividade e diversidade,  pois incentiva a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), busca conectar fragmentos florestais e ampliar a diversidade de espécies nas áreas florestais remanescentes através do enriquecimento, contribuindo para a conservação da biodiversidade.   

Registros das atividades do Projeto Conservador das Araucárias. Fotos: Arquivo Apremavi.

Implantando o Código Florestal

O projeto Políticas, Práticas, Transparência e Governança para Implementação do Código Florestal tem como objetivo reverter e reduzir a perda de florestas no Brasil. É executado por um consórcio de organizações que integram o Observatório do Código Florestal, sob a coordenação da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira (AdT). A Apremavi é uma das organizações que compõem o consórcio. O Observatório do Código Florestal (OCF) é uma rede de 48 organizações da sociedade civil que atua com o propósito de monitorar a implementação efetiva do Código Florestal, para gerar um impacto socioambiental positivo. A iniciativa é apoiada pelo Governo da Noruega e pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD) via Iniciativa Internacional de Clima e Floresta da Noruega – NICFI. 

Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Revisão: Carolina Schäffer, Miriam Prochnow, Thamara S. de Almeida e Willian Oliveira
Foto de capa: Miriam Prochnow

Semana no Rio de Janeiro coloca a ação climática no centro do diálogo

Semana no Rio de Janeiro coloca a ação climática no centro do diálogo

Semana no Rio de Janeiro coloca a ação climática no centro do diálogo

A Rio Climate Action Week aconteceu entre os dias 23 e 29 de agosto, com uma programação diversa para discutir as múltiplas iniciativas em ação sobre as mudanças climáticas no contexto brasileiro. 

A Semana de Ação Climática do Rio (RCAW) é uma iniciativa independente e preparatória para a COP30 do Clima, e foi realizada em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Semana de Ação Climática de Londres. A edição brasileira da iniciativa foi a mais recente de uma série de semanas de ação climática em cidades, inspirada no modelo pioneiro da Semana de Ação Climática de Londres a partir de 2019. 

A Apremavi esteve presente em vários eventos da semana, incluindo a sessão de abertura que ocorreu no dia 25 de agosto, no Museu do Amanhã. Foi um momento especial em que puderam ser relembrados agendas e acordos estabelecidos na Conferência de 1992, que ocorreu no RJ. A Apremavi já havia participado de outra Semana do Clima, em Nova York, em 2019.

Miriam Prochnow, Coordenadora de Políticas Públicas da Apremavi, participou ativamente dos eventos organizados pela BVRio, em parceria com o Observatório do Código Florestal. Foram eventos voltados a temas como restauração florestal, transição agrícola e climática e investimentos para a transição climática, em parceria com atores-chave desses segmentos. As iniciativas reuniram especialistas, governos, setor privado e sociedade civil para debater soluções concretas e escaláveis, reforçando o protagonismo brasileiro na agenda climática rumo à COP30, do Clima, que será realizada em Belém, em novembro deste ano.

No dia 26 de agosto aconteceram dois eventos: Oportunidades e Desafios para Escalar a Restauração, visando à integração de políticas, recursos e inovação para ampliar a restauração no Brasil, e Diálogos sobre Clima e Código Florestal visando um debate sobre o papel do Código Florestal na agenda climática e avanços na regularização ambiental.

No dia 27 de agosto foi a vez do evento: Financiando a Transição Agrícola e Climática, quando foram apresentados casos e instrumentos financeiros para agricultura sustentável e instrumentos e políticas públicas para adaptação climática.

Registros da Rio Climate Action Week. Fotos: Miriam Prochnow. 

Para Miriam Prochnow ficou claro que a implementação efetiva do Código Florestal é peça central para que o Brasil consiga atingir as metas da Convenção do Clima, dando escala necessária e almejada à restauração: “segundo o Observatório do Código Florestal, temos 21 milhões de hectares de APPs e RLs que precisam ser restaurados e a meta brasileira dentro da NDC é restaurar 12 milhões de hectares, ou seja, nosso “dever de casa” é muito maior do que a meta estabelecida. Para que esses hectares que precisam ser restaurados entrem no sistema de restauração, precisamos de um lado de uma atuação firme de comando e controle e de outro, apoio para fazer acontecer. A restauração também precisa entrar e se consolidar dentro do sistema de financiamento, crédito e incentivo financeiro nacional. Somente dessa forma alcançaremos nossas metas, lembrando mais uma vez que a aplicação do Código Florestal é vital tanto nas ações de mitigação quanto nas de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas”, ressalta Miriam. Ela enfatiza ainda que o Brasil é uma verdadeira potência em se tratando de soluções baseadas na natureza, projetos bem sucedidos e boas práticas  que podem e devem ser replicadas em larga escala.

A Semana de Ação Climática do Rio é uma resposta, em nível municipal, ao apelo da presidência brasileira da COP30 por um “mutirão”, esforço coletivo, demonstrando ações de baixo para cima e de cima para baixo para mitigar e se adaptar aos impactos das mudanças climáticas e construir resiliência em sociedades e comunidades.
 

Autora: Miriam Prochnow
Revisão: Carolina Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Miriam Prochnow

Escolas de Atalanta participam da mobilização sobre o futuro centro turístico da cidade

Escolas de Atalanta participam da mobilização sobre o futuro centro turístico da cidade

Escolas de Atalanta participam da mobilização sobre o futuro centro turístico da cidade

Uma proposta pedagógica está sendo desenvolvida com estudantes do 5º e 6º ano das escolas para o engajamento e participação no planejamento do espaço público. 

Um convite para imaginar o novo espaço público de Atalanta. Na última semana, os estudantes foram apresentados ao desafio de representar, através de desenhos, quais estruturas, atividades e como será a paisagem do centro turístico que deverá ser construído, e que busca fortalecer a cultura, preservar a memória e incentivar o turismo na cidade. 

As atividades ocorreram nas escolas EMEF. Vila Gropp e  E.E.B. Dr. Frederico Rolla, e contaram com a participação de aproximadamente 60 pessoas, entre estudantes e equipe pedagógica. Taís Fontanive, da Apremavi, e Vilma Krause, da Prefeitura de Atalanta, apresentaram a proposta pedagógica e os objetivos do envolvimento dos centros de ensino para o planejamento do futuro centro turístico. 

Segundo Vilma, a iniciativa teve ótima receptividade na comunidade escolar. “Durante a apresentação, conduzida por Taís, alunos e professores demonstraram entusiasmo e interesse em participar, reforçando a importância do projeto”, destacou. Na oportunidade, também foi incentivada a participação da comunidade na consulta popular sobre o tema, que busca ouvir os interesses e prioridades da população para o espaço.

Registros das atividades nas escolas. Fotos: Arquivo Apremavi.

Futuro Centro Turístico de Atalanta

No centro da cidade há uma das mais antigas edificações industriais de Atalanta, que por décadas funcionou como uma olaria, isto é, fábrica de artefatos de cerâmica para a construção civil. Atualmente, a área onde se encontram as ruínas da antiga olaria pertence à Prefeitura Municipal de Atalanta e um conjunto de chaminés compõe um valioso patrimônio histórico. No alto de uma das chaminés cresceu uma figueira, constituindo um lindo e único conjunto natural.

A área foi adquirida pela Prefeitura Municipal de Atalanta em 2024. Para avançar na proposta do centro turístico, uma série de ações para o planejamento participativo com a comunidade, estão sendo realizadas, buscando compreender quais aparelhos culturais, estruturas e elementos devem ser incluídos no espaço. As atividades estão sendo realizadas pela Apremavi e Prefeitura Municipal de Atalanta, por meio da Secretaria de Turismo e Meio Ambiente.

> Saiba mais 



Autor: Vitor Lauro Zanelatto
Colaboração: Taís Fontanive e Vilma Krause
Foto de capa: 

Apremavi contrata prestador de serviço para elaboração de projeto de carbono

Apremavi contrata prestador de serviço para elaboração de projeto de carbono

Apremavi contrata prestador de serviço para elaboração de projeto de carbono

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – Apremavi, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, sem fins lucrativos, está contratando prestador de serviços técnicos especializados visando a elaboração de Documento de Concepção de Projeto (PDD) para restauração da Mata Atlântica, na região da Floresta com Araucárias através do Projeto Conservador das Araucárias.

O objetivo do Termo de Referência é a contratação de pessoa jurídica para a elaboração de textos descritivos, compilação de informações e organização de dados a serem usados para compor seções específicas (“Safeguards”, “Methodology”, “Monitoring” e “Co-benefits”) do PDD, seguindo as metodologias SCM0003 e SCM0009 do padrão Social Carbon, para submissão ao portal de registro de projetos da Social Carbon.

Interessados devem enviar proposta comercial e comprovantes de qualificação técnica, até o dia 22 de agosto de 2025, para info@apremavi.org.br com o assunto “PROPOSTA PDD | Conservador das Araucárias”.

Para mais informações, acesse o Termo de Referência (TDR).

Queimar floresta e campo: é proibido?

Queimar floresta e campo: é proibido?

Queimar floresta e campo: é proibido?

Com o início da temporada do uso do fogo para o manejo de áreas com vegetação, a Apremavi compartilha uma síntese da legislação federal sobre o tema. Entenda o que prevê a lei e evite transtornos. 

Fazer uso do fogo em áreas agropastoris ou promover incêndios em florestas, campos de altitude ou outras formas de vegetação nativa sem autorização é proibido em todo o território nacional. A queima controlada só é permitida em casos excepcionais, com autorização expressa dos órgãos ambientais. 

O uso do fogo por povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares somente pode ser feito mediante comunicação aos órgãos ambientais competentes desde que observados a época, dia e horário apropriados, de maneira a evitar condições inadequadas do tempo, como temperatura e vento elevados e baixa umidade relativa. Sem autorização, qualquer uso do fogo em vegetação nativa configura crime ambiental.

Fazer queimadas em áreas com vegetação nativa (campos e florestas) sem antes consultar os órgãos ambientais responsáveis e obter autorização para a atividade infringe a legislação ambiental. Abaixo está um compilado das leis e decretos federais que tratam do uso do fogo nas propriedades rurais.

Fogo na Serra Catarinense. Foto: Wigold B. Schäffer.

O que diz a legislação?

 

O Código Florestal estabelece:

Art. 38. É proibido o uso de fogo na vegetação, exceto nas seguintes situações:

I – em locais ou regiões cujas peculiaridades justifiquem o emprego do fogo em práticas agropastoris ou florestais, mediante prévia aprovação do órgão estadual ambiental competente do Sisnama, para cada imóvel rural ou de forma regionalizada, que estabelecerá os critérios de monitoramento e controle; […].

Código Florestal na íntegra

 

 
O Decreto 2.661/98 proíbe o uso do fogo:

Nas florestas e demais formas de vegetação nativa e em unidades de conservação; 

  1. Para queima pura e simples de aparas de madeira e resíduos florestais produzidos por serrarias e madeireiras, como forma de descarte desses materiais;
    2. Para queima de material lenhoso, quando seu aproveitamento for economicamente viável;
    3. Também é proibido queimar em áreas próximas a:
  • Até 15 metros de linhas de transmissão de energia;
  • Até 100 metros de subestações elétricas;
  • Até 25 metros de estações de telecomunicações;
  • Até 50 metros de Unidades de Conservação;
  • Até 15 metros das margens de rodovias e ferrovias.

Decreto 2.661/98 na íntegra

 

A Lei de Crimes Ambientais determina que:

Art. 41. Provocar incêndio em floresta ou em demais formas de vegetação:      

Pena – reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa.

Lei de Crimes Ambientais na íntegra

 

A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo define que:

Art. 30. O uso do fogo na vegetação será permitido nas seguintes hipóteses:

I – nos locais ou nas regiões cujas peculiaridades justifiquem o uso do fogo em práticas agrossilvipastoris, mediante prévia autorização de queima controlada do órgão ambiental competente para cada imóvel rural ou de forma regionalizada;

V – nas práticas culturais e de agricultura de subsistência exercidas por povos indígenas, comunidades quilombolas, outras comunidades tradicionais e agricultores familiares, conforme seus usos e costumes;

ATENÇÃO: Mesmo nos casos em que o uso do fogo é permitido deverão ser feitos aceiros e a queima deverá ser feita em  época, dia e horário apropriados, de maneira a evitar condições inadequadas do tempo, como temperatura e vento elevados e baixa umidade relativa.

Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo na íntegra

 

O Decreto nº 12.189/2024 diz que:

Art. 58.  Fazer uso de fogo em áreas agropastoris sem autorização do órgão competente ou em desacordo com a obtida:

Multa de R$ 3.000,00 (três mil reais) por hectare ou fração.  

Art. 58-A.  Provocar incêndio em floresta ou qualquer forma de vegetação nativa:

Multa de R$10.000,00 (dez mil reais) por hectare ou fração.  

Art. 58-B.  Provocar incêndio em floresta cultivada:  

Multa de R$5.000,00 (cinco mil reais) por hectare ou fração. 

Art. 58-C.  Deixar de implementar, o responsável pelo imóvel rural, as ações de prevenção e de combate aos incêndios florestais em sua propriedade de acordo com as normas estabelecidas pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo e pelos órgãos competentes do Sisnama:    

Multa de R$5.000,00 (cinco mil reais) a R$10.000.000,00 (dez milhões de reais).  

Decreto nº 12.189/2024 na íntegra

 

Além da legislação federal e órgão federais que tratam do uso do fogo – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – cada estado possui regras específicas e um órgão ambiental responsável por autorizar e fiscalizar em caso de queima controlada. Saiba mais diretamente com o órgão ambiental do seu estado.

Em Santa Catarina: confira a Instrução Normativa N°30 e  o Sistema de Informações Ambientais do Instituto do Meio Ambiente (IMA) para cadastro.

Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) | www.ima.sc.gov.br
Polícia Militar Ambiental de Santa Carina (CPMA) | www.pm.sc.gov.br/ambiental

Autoria: Thamara S. de Almeida
Revisão: Carolina Schäffer, Wigold B. Schäffer e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: Wigold B. Schäffer

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